quarta-feira, 20 de abril de 2022

Um país que deve se preocupar em ter menos golpes excludentes e mais projetos de inclusão econômica e social

 A pergunta que lhe faço, leitor deste pitaco, é retórica.

Você que sempre alimentou suspeitas a respeito das intenções golpistas que motivam ações e discursos do miliciano que chefia o Executivo nacional, experimenta que tipo de sensação ao ouvir sua repetitiva e cansativa ladainha questionando a transparência das urnas eleitorais?

Ao ouvir o responsável pelo caos institucional instalado e que se alastra pelas entranhas do Estado brasileiro se referir à possibilidade de manipulação dos resultados eleitorais, que impressão te deixa este discurso?

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E o que passa por sua cabeça quando você se lembra de que em viagem aos Estados Unidos, esse militar expulso do Exército por atos comparados ao terrorismo afirmou que venceu as eleições de 2018 ainda no primeiro turno e que tinha provas disso.

E depois, quando insistindo nessa fantasia fruto de seus delírios, voltou a insistir na tese, embora nunca tenha trazido as provas que afirma possuir ao conhecimento público?

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A este questionamento talvez devesse acrescentar outro, relativo ao comportamento de apoio explícito ao candidato derrotado nas eleições americanas, seu amigo de comportamento autoritário e fascista, Trump.

Não devemos nos esquecer que o chefe da familícia instalada no poder não apenas apoiou as denúncias de fraude que culminaram na derrota de Trump, como recusou-se a cumprimentar o presidente eleito Joe Biden durante 38 longos dias.

Veladamente, o desequilibrado não só apoiou a tentativa de invasão do Capitólio e a tentativa desesperada do fascista derrotado de promover um golpe contra a democracia americana, como justificou tal ato.

Pior: mencionou abertamente a possibilidade de tais atos se repetirem em nosso país.

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Creio que não precisamos nos estender mais, para ilustrar a ideia de que a possibilidade de golpe por parte de um miliciano derrotado é mais que um mero e infundado temor.

A possibilidade é concreta, tanto quanto sua tentativa no último 7 de setembro, só não efetivada por força da reação de parcela importante da sociedade civil, do funcionamento dos pesos e contrapesos instituídos para dar equilíbrio e até harmonia ao funcionamento dos três poderes que conformam o Estado de Direito.

Aliás, por reação da sociedade, majoritariamente contrária ao seu desgoverno, uma vez que, é sempre bom lembrar,  sua eleição se deu com apenas 39,8% de apoio dos eleitores.

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Trocando em miúdos, não apenas o ex-tenente terrorista e deputado medíocre não tinha ou nunca teve o apoio que acredita ter da sociedade.

No fundo, se conta com o apoio das forças armadas, conquistado em troca de ragalias, cargos no governo que lhes dobram o rendimento mensal, picanhas, latas de leite condensado, próteses penianas, além de milhares de viagra superfaturados para que a tropa possa se lambuzar bastante, faltavam-lhe equipamentos e armas.

Curiosamente, o defensor das armas não se preocupou em equipar suas forças. E desfilou queimando óleo e expelindo cortinas de fumaça e fuligem por Brasília.

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Mas, se quem tem um mínimo de discernimento é contrário a qualquer tentativa de golpe e mais ainda, de retorno dos militares ao centro do palco da política, quando nada para não alimentar novas formas de tortura de cidadãos sob sua proteção e guarda, o que dizer do comportamento de Eduardo Leite, ex-governador do Rio Grande do Sul.

Afinal, tal qual o candidato a quem apoiou e votou em 2018, Leite participou de uma eleição, realizada em convenção partidária, visando a escolha do candidado de seu partido à presidência.

Derrotado, demonstrou que seu apoio ao candidato misógino e contra minorias, em especial a mulheres, negros e indígenas, não foi em vão: não acata o resultado em favor de Dória.

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Não que o direitista e elitista Dória apresente qualquer vantagem, exceto máquina mais azeitada, do estado mais poderoso da federação.

Mas, foi a ele que os peessedebistas, cada vez mais distantes do partido liderado por Mário Covas, escolheram.

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Sem aceitar o resultado, Leite tenta golpe semelhante e vergonhoso. Influenciado pelo canto da sereia de outro golpista convicto, o derrotado e cada vez mais disposto a comprovar sua falta de caráter, aécio neves, em minúsculo para que a fonte do texto não supere sua insignificância.

Responsável por reviravoltas várias que seu avô Tancredo deve estar experimentando no túmulo, esse netinho mimado e oportunista já deu provas suficientes de sua depravação.

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Sem perder muito tempo com quem não vale a pena, basta lembrar do comportamento de aécio, derrotado por Dilma em 2014, quando já comemorava sua pretensa eleição.

Não satisfeito nem quando a recontagem de votos que requisitou ao TSE confirmou a lisura do pleito e o resultado negativo, agiu seguindo os passos do principal adversário do partido de que seu avô era uma das lideranças, Lacerda.

Assim, desde logo se prontificou a não deixar que a candidata eleita pudesse governar, ameaçando de fazer sangrar o novo governo por meio de expedientes capazes de obstruir os trabalhos legislativos.

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Pois bem, é essa triste e trágica figura, digna de memes dos pevertidos que inundam as redes sociais que tenta convencer Leite a não respeitar a opção da maioria de seu partido.

Insisto. Todos concordamos que Dória não vale um voto. Mas, não é essa a opinião de seus correligionários.

E, sem ver diferença entre o que Leite está procurando fazer sob inspiração do golpista aécio, e o comportamento do autoritário, golpista e miliciano dirigente do gabinete do ódio e do governo das fake news, não resta muita opção à sociedade brasileira.

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A solução é apoiar o retorno de quem já teve a oportunidade de ocupar o mesmo cargo de chefe do Executivo e o fez com um mínimo de decoro e respeito às instituições.

Mesmo que por respeito às instituições se entenda o significado e conteúdo do que se convencionou chamar de governo de coalizaçao, a saber: o governo onde os projetos de interesse do país e de sua população, aqueles voltados ao desenvolvimento econômico e social dependam de negociatas e compra de apoio junto aos deputados e demais representantes legislativos.

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Para não deixar dúvidas: para conseguir a aprovação de temas caros e necessários, estruturantes da sociedade brasileira, há que se usar do ardil da instalação da mesa de negociação com os representantes do povo.

Embora temos de convir que não há a necessidade de se chegar a tal nível de corrupção e compra do apoio de parlamentares quanto aquele alcançado pelo atual governo: este mesmo eleito para acabar com a corrupão e instaurar a moralidade.

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Claro, aquele era apenas discurso para enganar eleitores, o que se confirma pelo vulto de recursos hoje à disposição da Câmara dos Deputados e seu orçamento secreto, paralelo, de 17 bilhões.

Isso para não esquecer que o atual governo não apenas elevou em muito os valores da corrupção: ele cuidou de ampliar as categorias de beneficiários, que agora atingem pastores de fé cada vez mais devedora, ou duvidosa; militares de todas as patentes e necessidades de benefício e gozo; fascistas de toda espécie, em especial, os capacitados em promover fake news e desconstrução de páginas e sites, ou a construção de deturpações, sob patrocínio daqueles que são responsáveis por zelar pelo respeito ao Estado de Direito e suas instituições.

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Pode-se  sempre alegar que falta a Lula e aos partidos de oposição a apresentação de projetos e programas destinados a incluírem o povo na agenda sistêmica, de governo e no orçamento do país.

Propostas para valer, em prol da melhoria das condições de vida da população brasileira e em benefício de milhões de miseráveis, objetivo que que se justifica por qualquer ótica de análise, mas que não acarretem em benefícios ainda maiores para os mais ricos.

Benefícios que possam incluir também aos cidadãos da classe média, excluídos dos ganhos dos governos petistas do início do século, ou tratados como os primos pobres do projeto de desenvolvimento que só um governo popular tem condições de negociar e implantar.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Reflexões de uma Quinta Feira da Paixão, em um país de fantasias autoritárias

Nunca escondi meu temor de que o miliciano que habita o Palácio da Alvorada esteja se preparando para mais uma investida contra a cada vez mais frágil democracia em nosso país.

Fazem parte dessa trama macabra tanto as  “90% de chances” de o general Braga Netto ser convidado para sair como vice em sua chapa; como os continuados ataques do miliciano à Justiça e aos ministros do STF; os discursos em defesa de foragidos investigados pela Justiça;  as reiteradas declarações, isentando-se e terceirizando a responsabilidade por atos suspeitos de serem contrários à legalidade, praticados em seu governo.

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Como parte desse enredo golpista, pode-se enumerar uma série de outros eventos, como o comportamento da AGU ao solicitar ao TSE o arquivamento de investigação do chefe do Executivo no caso do MEC; o comportamento contumaz de prevaricação do pgr – em minúsculas mesmo, para não dar destaque algum a quem, como augusto aras, optou por assumir a posição de capacho.

Integram o quadro a decisão por parte do ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno, de descumprimento da Lei da Transparência, em mais um caso de atentado à democracia e à liberdade de imprensa e à investigação policial, a partir da imposição de sigilo por cem anos, de reuniões havidas entre o criminoso que faz turismo no Palácio do Planalto e os pastores do MEC.

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Nunca é demais lembrar que Augusto Heleno é conhecido por comportamento de desrespeito a leis (e à vida), como é exemplo sua passagem no comando das tropas da ONU no Haiti.

Também não é demais lembrar que Milton Ribeiro, aquele pastor que, por ser ter sido reitor do Instituto Presbiteriano Mackenzie, foi colocado no Ministério da Educação e Cultura – MEC, para se transformar na viúva Porcina, para ser “ministro sem nunca ter sido”.

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Pois bem, foi essa figura decorativa de gosto kitsch o responsável por citar o nome do miliciano corrupto, talvez por não saber estar sendo gravado.

E é bom não esquecer o nome dos pastores que o ex-capitão amante de tortura apontou como seus intermediários: Arilton Moura e Gilmar Santos, principalmente este último.

Apenas por desencargo de consciência, convém lembrar da atuação de pastores também no caso das vacinas, como apontado pela CPI da Covid.

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Mas, dando andamento ao raciocínio do golpe e das medidas que visam cooptar o apoio de defensores para essa aventura, devem ser listados os vários e repetidos afagos do despresidente às forças de segurança, em especial aos policiais militares dos Estados.

Tais afagos estão por trás de pesquisas que indicam que os integrantes dessa categoria de servidores não demonstram, em sua maioria,  confiança na inviolabilidade das urnas digitais.

Mas, a busca do miliciano do Planalto, senão por apoio, ao menos pela manutenção de parte significativa da população em estado de letargia não se restringe aos ataques verbais e atos de campanha eleitoral antecipada.

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Fazem parte desse arsenal de entorpecimento da população carente a concessão de um valor do Auxílio Brasil mais elevado com duração apenas até o final deste ano eleitoral de 2022, a partir de quando o valor reduz-se drasticamente.  Também fazem parte as benesses de crédito consignado com base neste Auxílio, a liberação de parcela do FGTS, e outras medidas que têm a intenção de compra de votos ou apoio.

Na mesma linha, o aumento ridículo de 5% para os funcionários públicos, que não paga nem mesmo a metade da corrosão inflacionária que os atingiu apenas em 2021.

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Mas, faz parte do desenvolvimento do enredo, ainda, o Congresso como um todo.

Não o presidente da Câmara,  Lira, beneficiário direto ou indireto, da  venda do kit robótica para escolas sem água ou mesmo energia, em vários municípios, inclusive de Alagoas. Se não obteve ganhos diretos com a transação, Lira favoreceu a amigos e correligionários donos das empresas fornecedoras, a preços 420% mais elevados que os preços de mercado.

Com recursos do FNDE, o fundo rico vinculado ao MEC, essa aquisição apenas vem se somar à fantasiosa compra de notebooks e laptops, denunciadas e impedidas pela CGU e denunciadas por Elio Gaspari,  à razão de 355 equipamentos por aluno em escola de Minas Gerais.

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Somam-se ainda à compra superfaturada que o MEC via FNDE, procurou sem êxito realizar de ônibus de transporte escolar.

Ou à aquisição, por preços superiores ao de mercado, de próteses penianas, viagra e outros apetrechos para manter nossos integrantes das Forças Armadas, digamos, “Pau pra toda obra”.

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Mera cortina de fumaça de fatos mais escabrosos, com a participação do J Messias do Planalto e seu séquito de pastores, as aquisições das Forças Armadas, pelo inusitado de seu conteúdo, servem para ilustar, junto aos blindados que desfilaram no 7 de setembro em mau estado de conservação, como nossas Forças Armadas estão depauperadas. E precisando de um anabolizante.

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Mas, também Rodrigo Pacheco e sua declaração de que o momento é muito grave para que uma CPI seja instalada, ou comentários de âncoras como o do Jornal da Band, ontem, servem para mostrar que parte grande do golpe em andamento se deve à inércia da sociedade, de parte da mídia.

Ou de quem “nas ruas”, poderia exigir que um processo de impeachment fosse iniciado, ou que os seguidos ataques à toda a legislação que nos rege, levasse à condenação desse responsável pelo estrupício que se abate sobre o país, de modo a impedir que esse democraticida possa sequer concorrer.

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Ora, não se trata de temer ou antecipar uma derrota eleitoral. Trata-se, precisamente de evitar que em caso de a candidatura de oposição, qualquer que seja ela, seja vencedora, esse fascista possa atentar contra a ordem estabelecida, à la Trump.

Convocando seus defensores extremistas e os militares cooptados pelos benefícios a tentarem um golpe autoritário.

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De mais a mais, pesquisas de opinião, algumas recentes divulgam a possibilidade de um dos candidatos de oposição ao atual descalabro, talvez o único verdadeiramente contrário ao estado atual de coisas em nosso país de injustiça, desigualdades, abusos e prepotências, humilhações e desrespeito, discriminações e indiferença, possa vencer ainda no primeiro turno.

Sem surpresa para ninguém, Lula é tal candidato, ainda que acompanhado por um vice que sempre representou os interesses das elites.

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Mas, defendendo os privilegiados ou não, os incluídos e deixando de fora os excluídos, de forma autoritária e com violência policial, seja em manifestação de professores, seja de sem tetos ou moradores de rua, o certo é que Alckmin não é um defensor de golpes, ditaduras ou torturadores, o que já é bastante positivo, para dizer o mínimo.

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Quanto a Lula, apenas registro que governou o país por 8 anos sem, de fato, colocar em risco, sejam os privilégios dos mais favorecidos, seja a pauta de costumes defendida por parte da sociedade.

O que é uma pena, já que a descriminalização das drogas, por um lado, e do aborto, por outro; a discussão do aborto, em especial, como direito da mulher e apenas dela, e a questão da definição de uma política de saúde que permita à mulher ter o devido e necessário atendimento e cuidados, inclusive amparo e assistência psicológica, na rede pública de saúde, já passaram da hora de serem debatidos e definidos a sério.

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A questão aqui, e Lula está certíssimo, não é ser favorável ou não à realização do aborto. É de respeitar a liberdade de decisão de cada mulher, e proporcionar condições para que ela possa, ao tentar interromper sua gestação, não ponha fim a sua própria vida.

Ou seja: tentar evitar ao menos a interrupção da vida da mulher.

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Nessa quinta feira da Paixão de Cristo, em um país tão hipócrita como o nosso, não poderia deixar de encerrar com um comentário, a cerca da decisão do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo, por unanimidade, de cassação do deputado Arthur do Val,

É que o deputado reclama de vazamento de suas declarações. De fato, pior que tais declarações ou vazamentos (a que ele deu origem, tentando se gabar de sua performance) é seu comportamento, expressão do pior estágio a que um ser humano pode  chegar. Para mim, algo próximo a lixo.

quinta-feira, 31 de março de 2022

Eventos históricos e revisionismos

Não são poucos os movimentos militares destinados à tomada do poder pelas armas, registrados por nossa História.

Entre tais atos de caráter golpista que visavam subverter a ordem, provocar a queda do governo ou impedir a posse de governos eleitos, pode ser citada a chamada  Revolta dos 18 do Forte ou Revolta do Forte de Copacabana, primeira de uma série de frustradas tentativas de golpe do que também é denominado movimento tenentista.

Justificava a Revolta o desejo do grupo de manifestar sua insatisfação com o resultado das eleições, além de combater a República Velha e derrubar o governo, para instalar uma nova forma de governo.

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Não é necessária, nem merece defesa o regime político, de poder, característico da República Velha, ou República dos Coronéis, ou do café com leite.

As práticas do regime destinadas a assegurar a permanência da classe representada pela oligarquia agrária no poder, via rodízio entre as suas distintas facções, eleições manipuladas, eleições de cabresto, votos seletivos (não reconhecimento do direito do voto às mulheres, etc.),  estão bem descritas e revelam a falácia de seu caráter democrático.

Examinado por este ângulo, o êxito da tentativa de golpe dos tenentes era mais que tolerável, desejada pela população de excluídos.

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Mas, da autobiografia de um de seus heróis, o então capitão Juarez Távora, pode-se extrair algumas informações que nos permitem formar uma visão mais precisa do preparo, planejamento, capacidade de organização dos patrocinadores de tal Revolta.

Por seu relato, a movimentação não estava bem estruturada, com problemas de comunicação entre os militares, o que o levou a optar por não participar da marcha iniciada a partir do Forte de Copacabana.

Se virou um dos líderes do movimento, como admite, não foi por sua participação ativa na preparação do golpe, mas por estar como comandante do turno da noite, impossibilitado de impedir seus liderados de se insubordinarem, se a memória não me trai.

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Em seguida, veio o movimento liderado pelo tenente Luiz Carlos Prestes, mais tarde transformado no Cavaleiro da Esperança.

Contando com a participação de Miguel Costa e vários jovens oficiais, entre os quais a figura de Távora, a Coluna Prestes  realizou uma peregrinação de três anos pelo interior do país, visando denunciar o regime oligárquico e obter o apoio popular para a aprovação de reformas de cunho efetivamente democrático.

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Em 1930, a união entre políticos representantes das oligarquias derrotadas na eleição daquele ano e os tenentes, permitiu a derrubada do governo, a derrocada da República Velha e a implantação do período de Vargas à frente do Governo.

Interessante observar que Juarez Távora, comandante das tropas militares de apoio a Getúlio no Norte do país, passou a ostentar grande prestígio, sendo tratado pelo apelido de Vice-Rei do Norte.

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Encerrada a II Guerra, os sopros dos ares da vitória das forças aliadas, defensoras da democracia,  levaram à deposição de Getúlio, com quem Távora havia rompido desde a implantação do Estado Novo, em 37.

Mais tarde, já general, quando ocupava o comando da Escola Superior de Guerra, e filiado à UDN, Távora torna-se um dos líderes do movimento de ruptura institucional que exigia a renúncia de Vargas, e que culminou com o suicídio do presidente.  

Resolve então se candidatar à presidência, sendo derrotado por Juscelino Kubitschek que, eleito, teve sua posse questionada,  tornando-se vítima de dois movimentos militares, de Aragarças e Jacareacanga, que não aceitavam o resultado das urnas.

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Algum leitor pode estar curioso com o destaque dado aqui a Juarez Távora.

É que, em minha opinião, o militar e político cearense ilustra muito bem a visão golpista e de salvador e guardião da Pátria que o general acreditava expressar, fruto da deformação que o Exército sempre incutiu em seus integrantes, assumindo o papel de tutor de uma população incapaz de decidir os seus destinos.

A ideia de um povo incapaz de dirigir sua vida exigia a tutela desse povo por uma instância à parte da sociedade e que pairasse sobre ela, papel que, por auto definição, as forças militares se atribuíram com exclusividade. 

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Não à toa, o mesmo Távora e vários de seus colegas de farda, figuras de relevo do tenentismo são os homens por trás do golpe exitoso que, infelizmente para a nação e a sociedade, vai derrubar o governo de Jango em 1964, implantando uma ditadura que se estendeu por 21 anos.

Entre as bandeiras definidas pelos golpistas, incluíam-se: a defesa da sociedade contra a implantação de um suposto regime comunista; a defesa da família, da tradição católica, da conservação dos costumes; o combate à corrupção, somada à proposta de implantação de reformas ditas estruturantes, que nada mais eram que medidas de política destinadas a pavimentar o caminho para o desenvolvimento econômico capitalista, concentrador e excludente.

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Tortura, morte, autoritarismo, corrupção sem controles, censura à liberdade de expressão e de imprensa foram os resultados, do ponto de vista político-social, da tomada de poder, cujos principais artífices incluíam figuras do tenentismo como Castello Branco, Távora (então ministro da Viação e Obras Públicas), Costa e Silva, entre outros.

Do ponto de vista econômico, a maior consequência do período foi a implantação de reformas afinadas a um movimento de modernização conservadora. E a expansão desmedida do nível de desigualdades do país.

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Sobre o golpe de 64, nada melhor que trazer a frase de um de seus eminentes apoiadores, ao menos no início da implantação da ditadura, Sobral Pinto, em carta enviada ao primeiro presidente imposto pelo ciclo militar, Castello:

“Sinto-me no dever de comunicar (…) que os argumentos ora invocados para combater o comunismo foram os mesmos que Mussolini invocou na Itália em 1922 e que Hitler invocou em 1934 na Alemanha. (…)”

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Experiente e conhecedor das tradições políticas de seu país, antes de retirar o seu apoio ao golpe e à truculência daí advinda, Sobral foi direto ao ponto: o caráter fascista da pregação que se dava dentro do Exército, responsável pela formação de militares com visão deturpada da vida política.

Os militares de então, como os que frequentaram a partir daí as academias de formação militar, têm uma formação fascista, antidemocrática, autoritária. Prova desse desvio de mentalidade, ainda hoje, é o comportamento do ex-capitão, expulso da tropa por atos de terrorismo, e que tantos males provoca ainda hoje ao país; os Augustos Helenos e os relatos de massacres praticados por tropas sob seu comando no Haiti; os Bragas  Nettos e seu comando truculento e ineficaz quando da  intervenção militar no Rio de Janeiro, os Mourões, etc.

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Por tudo isso, não há razão para ficar perplexo com a Ordem do Dia, pela passagem da data FAKE do golpe de 64, assinada pelos comandantes militares.

Golpe que não fossem os males que provocou não deveria ser levado a sério, uma vez que até sua data real, 1 de abril, dedicada ao dia da Mentira, levou seus autores a falsearem sua data, antecipando-a para 31 de março.

Em resumo: golpe fake, por motivações fake, por democratas fake, e com data de mesma e igual natureza.

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Não vou comentar as falácias trazidas no conteúdo da nota já que a sociedade, em especial suas camadas urbanas que representam parcela de sua chamada classe média, foram induzidas a apoiarem do golpe, vítimas da manipulação por parte de uma mídia interessada e interesseira. 

Faço apenas um destaque para trecho que faz referência à celebração do Bicentenário da Independência, que menciona o lema “Soberania é liberdade”.

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Meu destaque se deve à visão das forças militares, já tratada em pitaco anterior, que relaciona a Amazônia, sua ocupação e exploração econômica, qualquer que seja a forma de sua exploração (predatória ou não), à expressão de nossa soberania. 

Essa visão de soberania, se faz acompanhar da noção de uma liberdade do ponto de vista econômico. Uma liberdade que, fruto do desenvolvimento econômico de curto prazo, não tem sustentabilidade. Por isso, condena nosso país à degradação, deterioração e miséria a médio e longo prazos.

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Para concluir, devo comentar o parágrafo da nota que afirma que, para analisar e compreender um fato (GOLPE) ocorrido há mais de meio século, são necessárias isenção e honestidade, já que a história não pode ser reescrita nem vítima de revisionismo.

Pena que, mais uma vez, uma narrativa mentirosa tenta ser construída e difundida, aproveitando da covardia da sociedade civil que não cobrou que os militares fossem investigados e punidos, por eventuais crimes da ditadura.

Mas uma hora a sociedade pode aprender a reagir. E nessa hora, essa visão militar revisionista será lançada ao lixo da história.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Reflexões sobre o ano de 1955 e a série de eventos e desdobramentos que se seguiram ao longo do tempo

Ter nascido no ano de 1955 sempre me pareceu um presságio de que minha vida seria embalada pela sorte, e rica de experiências e conquistas.

Esta expectativa tinha como base o fato de a data me permitir participar e , mesmo que de forma indireta e sem consciência plena, de capturar as sensações positivas criadas no ambiente, resultado de uma série de eventos extraordinários tanto para a história de nosso país, quanto para as mudanças e transformações experimentadas em todo o mundo, que afetaram toda a humanidade.

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No Brasil, a candidatura e eleição de Juscelino Kubistschek, com seu otimismo contagiante, e o apoio do general Lott, que permitiram que o país fosse invadido pelos ventos da democracia. Ali pudemos resgatar nosso amor próprio e descobrirmos o potencial de nosso povo na tentativa de superar seu atraso histórico.

Em seguida, a implantação do Plano de Metas, os 50 anos em 5, a construção de Brasília, em paralelo às conquistas na esfera esportiva, como a Copa do Mundo de futebol na Suécia, ou a vitória de Maria Esther Bueno em Wimbledon, as conquistas do Basquete bicampeão de Wlamir, Amaury, Kanela, e a repetição da conquista da seleção canarinha de Garrincha.

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No mundo, o lançamento do Sputnik, o passeio de Laika, a descoberta de Gagarin, de que a terra era azul, e os movimentos de libertação das colônias europeias instauradas na África  traziam a esperança de um mundo melhor e mais desenvolvido.

No Vaticano, o Papa Sorriso, João XXIII, dava início a uma mudança radical, quase uma revolução, voltada para a aproximação da toda poderosa Igreja Católica, de seus fiéis. Visando simplificar os rituais, entre outras mudanças, os padres passaram a dirigir as celebrações litúrgicas postados de frente para a assembleia, enquanto o latim era substituído pela língua de cada localidade.

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Mas, da mesma forma que a moeda, também a vida pode ser caracterizada por duas faces. Lamentavelmente o ano de 1955 é também o ano de nascimento do governante nefasto que hoje devasta o país, a partir da lógica de  um projeto de destruição das instituições e de nossas liberdades democráticas.

Da mesma forma, o mundo assistia à construção do muro de Berlim, à divisão em dois mundos antagônicos, à crise dos mísseis de Cuba e, nos países do América do Sul à derrocada dos governos democráticos, vítimas de golpes sempre estimulados por interesses dos Estados Unidos.

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Em nosso país, a partir de 64 passamos a vivenciar anos de chumbo, de ditadura, autoritarismo e tortura. Período caracterizado pela adoção de políticas direcionadas aos interesses de uma minoria privilegiada, responsáveis por patrocinarem uma concentração de riquezas, benefícios e rendas em favor das várias facçoes do capital.

Nesse período, até 1985, a Academia Militar era o local para onde se dirigiam rapazes candidatos a aspirantes à carreira militar e ao oficialato, submetidos a lições distorcidas que reivindicavam um suposto papel moderador e de bastião do equilíbrio, da ordem e da segurança como condição necessária para se alcançar o progresso.

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Pela cartilha das Forças Armadas, cuja finalidade era justificar o papel de lider do processo de desenvolvimento que usurparam à sociedade civil, não havia espaço para a discussão de ideias voltadas ao desenvolvimento inclusivo, que permitissem a manifestação e o reconhecimento de interesses divergentes e a necessidade de soluções socialmente negociadas, de forma a se chegar à criação e manutenção de uma sociedade harmônica e democrática.

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Fazem parte de minhas lembranças de estudante do ensino fundamental e médio, algumas ideias que tentavam nos inculcar, ou nos impingir pela persuasão ou pela simples repetição mecânica, monocórdica, cuja origem e principais defensores se encontravam nas instalações dos quarteis militares.

Do pacote de narrativas, fazia parte a necessidade de se expandir a taxa de natalidade para que pudéssemos povoar o vazio da região Amazônica.

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Era a época em que a fantasia de uma cobiça internacional pela Amazônia e suas riquezas, então predominantemente ligadas à riqueza florestal era difundida, gerando campanhas publicitárias voltadas para a defesa da integridade de nosso território, em sempre embaladas por uma tom de patriotismo exacerbado.

Ocasião em que a cobiça por nossas riquezas era comprovada a partir da análise dos livros de geografia adotados em escolas americanas,  onde a Amazônia era solenemente ignorada. Sinal evidente de que os americanos consideravam aquela área como de domínio internacional.

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Período em que as indústrias poluentes, então chamadas de indústrias sujas, começavam a ser convidadas para encerrarem suas atividades  e se retirarem dos países do hemisfério Norte, em especial dos países nórdicos, inclusive Suíça.

No desespero de se legitimarem no poder, amparados por um processo de desenvolvimento industrial a qualquer custo, guiados pelos objetivos de crescimento da produção e da geração de empregos, os militares nos postos chaves do governo se alvoroçaram em convidar ou atraírem estas indústrias ou atraírem com um leque de incentivos fiscais.

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Tempos de ingenuidade, que ditavam as decisões de movimentos repletos das mais nobres intenções e com forte apelo nas classes estudantis e nas fileiras operárias, de reação em prol da restauração da democracia e da implantação de uma futura sociedade isenta da divisão de classes.

Movimentos que se decidiram pela luta armada, sob a forma da luta de guerrilha urbana e guerrilha rural, sem considerarem as condições objetivas capazes de sustentarem a mudança social com que sonhavam ou mesmo avaliarem de forma rigorosa o tipo de apoio com que contavam junto aos potenciais beneficiários de suas conquistas.

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Momento da guerrilha do Araguaia, em que se somavam as justificativas tanto para o desenvolvimento de ações militares de rara selvageria e covardia, quanto de ataques à riqueza florestal,  cortada pela construção de uma rodovia que ao lado do progresso, conduziria também a população para a exploração de áreas virgens, onde se erguiriam assentamentos destinados a preencher o vazio populacional.

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O golpe de 64 caiu de podre, sem apoio da classes médias urbanas ou das classes empresariais que financiaram seus primeiros movimentos.

A sociedade civil voltou a assumir a posição de liderança do desenvolvimento de nosso país.

Os militares desmoralizados e sob acusações de desvios e corrupção, embora não generalizados, se retiraram de volta aos quarteis, sem aceitarem o fato de terem sido relegados à lata de lixo da história. 

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Mais tarde, a abertura e a investigação de abusos e desrespeitos aos direitos humanos, implicou na condenação apenas moral de seus autores, que escaparam impunes de seus crimes, em razão da aprovação de uma lei de anistia por eles imposta à sociedade. Ainda assim a simples investigação da tortura gerou ostensivas reações corporativas dos militares.  

Na Igreja, escândalos relacionados a abusos sexuais, há muitos anos denunciados e ignorados, acabaram sendo objeto de veementes condenações, em especial, pelo Papa Francisco, condutor de outra série de transformações importantes para permitir à Igreja retornar à missão que o Cristo lhe confiou.

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Estes são alguns elementos e fatos que justificam a razão de meu entendimento em relação à visão mantida pelos militares de mesma geração do chefe do Executivo, que admito antecipadamente poder estar totalmente equivocado.

Desse entendimento, faz parte meu reconhecimento quanto à extraordinária ocasião que a eleição do ex-capitão terrorista lhes proporcionou, para retornarem ao poder de onde haviam sido enxotados.

Identificada esta janela de oportunidade, esses militares estabeleceram uma estratégia que lhes permitisse a ocupação gradual e subreptícia de espaços de poder, refletida na posse das posições-chaves da máquina do governo, de forma a aplacar seu ressentimento.  

Neste cenário, sua meta é a ocupação do poder sem intermediários, como forma de resgatar o papel de liderança e guia do país e do povo,  que julgam ser sua responsabilidade e missão.

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Daí, a escolha de Braga Netto para companheiro de chapa na disputa pela reeleição do ex-capitão, do ponto de vista dos oficiais, merece ser analisada com mais cuidado. Tal posição pode estar inserida em uma estratégia para suceder ou até derrubar, quando e se for conveniente, o presidente eleito.

Importante lembrar que tal golpe contaria com apoio de grupos não diminutos de nossa população, tanto aqueles que clamam pela volta dos militares, quanto a parcela que compõe a direita mais civilizada e, hoje, profundamente envergonhada .

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Meu palpite é que até que o momento da re-tomada de poder se apresente, Braga Netto e seus colegas de farda continuam compartilhando as mesmas ideias, equivocadas,  paranoicas e anacrônicas em relação à cobiça despertada nos estrangeiros pelas riquezas de nossa antiga Hiléia amazônica.

Assim, os militares nem me parecem confiáveis no sentido da manutenção de nosso Estado de Direito, nem sua atuação é baseada em argumentos minimamente aceitáveis em relação ao uso dos recursos e riquezas que são propriedade de toda a sociedade.

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A candidatura de Lula e o respeito ao resultado das urnas, especialmente das urnas digitais, já sob questionamentos dissimulados por parte de integrantes das próprias Forças Armadas, encontra-se em risco, em minha opinião.

Pior é o fato de o próprio Tribunal Superior Eleitoral, de forma ingênua,  ter convidado as Forças Armadas para virem certificar e assegurar a lisura do processo e do funcionamento das urnas. Com essa atitude, o TSE atribui poder exacerbado a um grupo cuja posição não é digna de confiança.

Por isso, a sociedade civil deve estar atenta e pronta para reagir, se necessário, visando impedir um novo golpe sob a forma de uma nova quartelada.

quinta-feira, 24 de março de 2022

Divagações sobre a evolução das crenças, igrejas e abusos de religiosos e dos que acobertam e se beneficiam da captura do Estado pela religiões

Posso estar enganado, mas acho que a incapacidade de entender e explicar racionalmente sua própria existência, seu objetivo e suas conexões com o outro e com o espaço físico onde habita é que levou os homens, desde tempos imemoriais, a procurarem obter respostas a suas indagações e dúvidas, para além dos limites de seu mundo observável.

Daí o surgimento das religiões, de início politeístas, baseadas em forças da natureza ou em deuses idealizados a partir de uma concepção antropomórfica, a quem se rendiam homenagens e para os quais se celebravam cultos e se faziam sacrifícios.

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Em comum a todas as religiões, a criação e o culto a objetos concretos, representação de símbolos sagrados, sob a forma de totens, imagens, da construção de templos onde se praticavam os rituais, e a existência de uma classe de pessoas com a função de servirem de interlocutores privilegiados, intermediando as relações entre os crentes e as divindades.

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Desta classe de pessoas especiais, é que vão fazer parte os primeiros seguidores de Cristo, os primeiros apóstolos, sob a liderança de Pedro, incumbido pelo próprio Salvador de ser a pedra da fundação sobre a qual se ergueria a Igreja Católica, romana.

No entanto, creio que o papel de Pedro e de seus companheiros, menos que a missão de construção de templos físicos grandiosos, tinha como principal tarefa a evangelização. Seu objetivo: saírem pelo mundo difundindo sua crença e sua Fé, e convertendo os povos.

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Ao longo do tempo, este papel especial, desempenhado nos primeiros tempos pelos sacerdotes, pelas vestais, pajés, anciãos, magos ou pelos primeiros apóstolos, e depois pelos integrantes de ordens religiosas de todas as designações, transmitiu grande prestígio e poder a todos os que se dedicaram ao controle do canal de comunicação direta com os deuses.

Não admira pois, que sua influência tenha se transferido do poder espiritual, eclesiástico, para o poder secular e que, ao lado das tentações da opulência e luxúria, esses missionários tenham se preocupado, cada vez mais, com a construção de templos gigantescos, suntuários, permitindo que usufruíssem de  uma vida de fausto e riqueza, considerado mais apropriado aos representantes do divino.

Tal padrão de comportamento não apenas os identificava como iluminados, como os diferenciava em relação aos homens comuns, pecadores.

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O sustento de tal padrão de vida dependia, inicialmente e em grande medida, da exigência da partilha dos haveres dos convertidos com os mosteiros e ordens religiosas de toda designação, por meio do pagamento do dízimo.

Mais tarde, como sabemos, isso levou à venda de indulgências pela entrega direta dos direitos de propriedades dos pecadores, em troca do perdão que permitiria o ingresso no reino dos justos.

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Como a história nos ensina, tais transações comerciais foram a raiz da indignação de Calvino e Lutero, que desembocou na Reforma protestante.

Nessa altura, como permanece até hoje, a Santa Sé, católica, apostólica, romana, tornou-se uma das maiores, mais poderosas e ricas instituições em todo o mundo.

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Assim, o que testemunhamos hoje, em relação às Igrejas ditas Evangélicas, em várias de suas correntes, é a repetição do mesmo fenômeno já experimentado em relação a várias outras Igrejas. Razão por quê não deveríamos nos assombrar!

Nem mesmo a tentativa e busca de influência, ou mesmo a cada vez maior demonstração de poder destas igrejas nos governos de diferentes países, revelam-se como algo novo. É, apenas e tão somente, o mesmo processo de luta pela conquista do poder secular já praticado por outros ramos religiosos.

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O que preocupa é a confusão entre o Estado - aqui no Brasil por definição laico (por uma opção simples e democrática na essência, a preocupação em atender às necessidades da população de qualquer credo e até dos ateus) -  e os dogmas ou regras de comportamento considerados únicos aceitáveis e corretos, para uma parcela da sociedade.

A opção por não ser uma teocracia tem a vantagem de tentar arejar e adaptar os preceitos de convivência social à evolução dos tempos e dos costumes, evitando a imposição de normas  de comportamentos conservadores e retrógrados indistintamente a todos. Normas retrógradas por seu anacronismo e incapacidade e impossibilidade de aceitarem e promoverem adaptações às novas realidades, sob o risco de facilitarem o não cumprimento, de forma fiel,  de uma suposta verdade, revelada e escrita há muito tempo.

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Mas, sendo laico o Estado, a influência de igrejas nos governos e na formulação de políticas públicas e até na alocação de recursos orçamentários não pode ser tolerada de forma alguma, constituindo crime de responsabilidade do governante que, ao arrepio da Constituição que jurou obedecer, permitir a existência de tal captura.

Portanto, não é o ministro-pastor da Educação que deve ser o acusado da prática de qualquer crime. Afinal, ele foi colocado lá para isso: desmontar a estrutura então vigente, desconstruir tudo que pudesse minimamente levar a enfraquecimento dos dogmas e crenças da igreja a que ele se vincula. Aniquilar qualquer mecanismo de defesa institucional que previna o ataque a  comportamentos distintos ou outros credos.  

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Nesse sentido, o ministro da educação cumpre o mesmo papel e tem a mesma finalidade da indicação de um ministro terrivelmente evangélico para o Supremo. E até poderia perguntar porque o uso do termo terrível: será por ser evangélico, o ministro André Mendonça?

Tanto uma quanto outra situação configuram atos contrários ao que prega a nossa Constituição. O que apenas inclui mais um crime, à lista extensa de outros atos praticados pelo miliciano que desgoverna esse país.

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No entanto, tais considerações não causam qualquer ação seja de nossos representantes no Legislativo, tão ou mais venais que os pastores associados informalmente ao Pastor ministro e à estrutura administrativa daquela pasta, seja de nosso PGR, o Procurador Geral, que também serve de Principal Garantidor do Retrocesso institucional a que estamos submetidos.

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Dominado pelo Centrão e sua volúpia em acessar maior fatia de recursos públicos, por Arthur Lira, que apenas dá sequência ao comportamento omisso adotado desde o período de Rodrigo Maia; o fato de o pastor ministro entregar a gestão e a chave do cofre do Ministério da Educação a dois elementos com o objetivo de delinquirem é apenas mais um retrato de como se dá o combate à corrução empreendido pelo miliciano que ocupa o Executivo e é responsável por rachadinhas, funcionários fantasmas, prevaricação, peculato, genocídio.

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O problema ganha maior gravidade em razão de afetar a área responsável pela formação das futuras gerações, a quem caberá o futuro do país.

A julgar pelo exemplo vindo da cúpula, o futuro de nosso país já se mostra condenado desde agora.

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Crítica a pastores evangélicos e a bancadas de mesma crença, não resolvem o problema.

A sociedade deve exigir sim, que sejam feitas investigações, e comprovada a corrupção, isso dê lugar a condenações, prisões e outras punições.

Mas a punição primeira e mais necessária é a retirada do capitão miliciano do poder para que, sem foro privilegiado, ele possa pagar pelos crimes a que deu origem, atrás das grades.

terça-feira, 22 de março de 2022

Pitacos sortidos: ainda sobre guerras e sobre nosso país. Como diria Debord: um espetáculo

 Ainda de guerras

Já tive a oportunidade de reproduzir, aqui nos pitacos, a frase tornada chavão, que estabelece que a primeira vítima de qualquer guerra é a verdade.

Seja como forma de criar comoção, atrair apoios para um dos lados, afetar positivamente o moral de suas tropas e população, ou de forma negativa as forças oponentes, a banalização da frase não diminui o teor verdadeiro e trágico de seu significado.

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De fato, a concepção idealizada de verdade sempre sai derrotada nos relatos e comunicados apresentados pelos lados em conflito, o que contribui para reforçar – e tornar lugar-comum – o provérbio chinês, que diz que a verdade tem sempre 3 versões: a sua, a minha e a verdade verdadeira,  ideal.

No entanto, tendo como principal motivação uma análise das transformações e inovações geradas pela sociedade capitalista visando destacar e criticar sua transformação em uma sociedade doente - a sociedade de consumo- , o filósofo Guy Debord já havia enfatizado esse predomínio da aparência sobre o real.

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Em seu clássico A Sociedade do Espetáculo, importante obra de crítica às relações sociais resultantes da evolução de nossa sociedade, Debord nos leva a refletir nessa mesma direção da manipulação da verdade.

Baseado em seus argumentos, pode-se identificar algumas prioridades que vieram marcando as fases da sociedade e de suas relações humanas, desde a etapa em que privilegiava o SER, até aquela típica da sociedade capitalista, de priorização do TER, para chegar ao seu ponto culminante, de deformação, onde a principal preocupação é o PARECER TER, na condição do ESPETÁCULO.

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Daí sua denúncia da existência de um controle social, não determinado por uma pequena minoria consciente (autocrática?), mas que surge em resposta ao funcionamento aleatório, de forças individuais, autônomas, independentes, à semelhança e típicas do livre mercado, fundado em  “uma sociedade democrática” (mesmo que para poucos).

Tal espetáculo, que elimina a verdade e a submete às distintas narrativas e ao efeito das influências por ele geradas e transmitidas, afeta a consciência e a capacidade de pensamento de todos nós e nos induz a não duvidar das informações a que estamos expostos, a dizer apenas SIM. Em síntese: serve à mais pura ALIENAÇÃO.

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Mas, se a primeira vítima das guerras é a verdade, as vítimas definitivas são os seres humanos: civis ou militares, jovens ou idosos, solteiros ou casados, brancos, pretos, homens, mulheres, adultos ou crianças.

E estas são as vítimas que não deveriam nunca ser esquecidas ou abandonadas. No mínimo, para impedir que o espetáculo midiático a que a carnificina tem sido reduzida tivesse espaço para todo tipo de representação manipuladora ou deturpadora: dramática, chorosa, lírica até (crianças cantando, pianistas se apresentando, etc.).

No limite, para que as profusão de cores do espetáculo em torno de pessoas brancas, de olhos azuis, europeus de classe média, não roubasse a cena de outros palcos onde vítimas pobres, pretas, crianças e  mulheres morrem destroçados pelas forças aliadas dos pretensos gendarmes do mundo, se não das próprias forças que se arvoram no papel de responsáveis pelo policiamento mundial: os Estados Unidos.

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Nunca é demais revisitar o passado, antes até que seja alterado (por um equivalente ao Ministério da Verdade do livro 1984), para recordar que Berlim já havia sido sitiada em abril/maio de 45, encontrando-se derrotada. Que a Segunda Grande Guerra já estava definida e a rendição japonesa, era questão de tempo, dispensando o lançamento da bomba de Hiroshima.

Também não devemos esquecer de que nunca foram encontradas armas químicas no Iraque de Saddam Hussein, sob o fogo dos bombardeios, dos ataques e mortes.

E que ainda há guerras submetendo crianças e mulheres a todos os tipos de violência, inclusive à morte, por bombardeios como os promovidos pela Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, no Iêmen. Que persistem as atrocidades cometidas nas invasões de terrenos palestinos promovidas pelo exército de Israel, aliado preferencial dos americanos. Ou da permanência de conflitos, sob os olhares complacentes dos Estados Unidos, na Síria, Somália, etc. 

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No entanto, a hipocrisia nos faz dizer SIM a tudo que seu mestre mandar,  e o Tio Sam não está para brincadeira: pune a Rússia econômica e até esportivamente. Tira o país russo, suas delegações e atletas de competições em diversas modalidades, sob uma justificativa: sanção ao país agressor, responsável pela promoção de uma guerra; punição a um país que não respeita direitos humanos e valores democráticos.

Atos e manifestações contrários à guerra e ao desrespeito à democracia são promovidos em todas as competições, forma de mostrar um mundo unido em um mesmo ideal de combate à barbárie.

Chama a atenção, em meio a tais protestos, a presença de atletas israelenses, sauditas, árabes, americanos, ou seja, personagens de um espetáculo cujo pano já caiu. Ou de espetáculo sem cores vibrantes e comoventes.

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Pitacos breves sobre o Brasil

 

Em nosso país, a pedido da Polícia Federal, ministro indicado ao Supremo pelos ótimos e discretos serviços prestados à família de Temer, esgota todas as formas possíveis de estabelecer contatos com o Telegram, ameaçando bloquear o aplicativo.

Decidido o bloqueio depois de insistentes contatos, nunca atendidos, o dono do Telegram investe em outro espetáculo. Lider na área de comunicações e troca de mensagens, admite que seu aplicativo não estava informado das inúmeras tentativas de contato feitas por nossa Justiça.

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Eu não confiaria em um aplicativo de mensagens que incapaz de gerenciar suas próprias mensagens!

Mas sou apenas um, que não gosta de dizer sempre SIM!

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Pavel Durov, criador do aplicativo se justificou, pediu desculpas e atendeu a todas as solicitações do Supremo. Que suspendeu o bloqueio.

Ou seja: os responsáveis pelo aplicativo apostaram e blefaram. E perderam e tiveram que pagar. 

E não adiantou que adeptos do ex-capitão fizessem as críticas mais pesadas ao ministro, que não só agiu corretamente em sua decisão e postura, como ainda foi bem  parcimonioso e cauteloso em suas ações.

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A meu juízo, as críticas a Alexandre de Moraes são justas. Os motivos é que são questionáveis.

São sem sentido as críticas a ele por sua atuação, como advogado, na defesa de réus ligados ao ao PCC.  Afinal, independente de seus vínculos e das facções de que fazem parte, também aos criminosos está assegurado o direito constitucional de defesa.

Salvo se a raiva dos bolsotários é pelo ministro não ter optado por tomar a defesa dos interesses do miliciano e sua familícia: filhos, ex-esposas e agregados.

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Não confio em Moraes e, depois de tanto se antagonizar com o chefe da milícia, ele sempre vai parecer insuspeito, quaisquer que sejam as suas decisões como presidente do TSE, se favoráveis ao militar que o Exército não quis em suas fileiras.

Mas, admito que posso estar errado, apesar de sempre ter ouvido e lido que, na Inglaterra, o Partido Trabalhista ter sempre sido o mais rigoroso ao tratar as reivindicações dos trabalhadores. Afinal, tinham que mostrar que governavam para todos e não para um nicho.

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Quanto às falas do presidente, não há o que comentar: reclamando da retirada da informação falsa que postou no Telegram, ironizando a importância de sua fake news: e, mais tarde,  preocupado com o bloqueio ao aplicativo que, segundo seu discurso, prejudicaria até os contatos entre pessoas comuns e médicos,  o que poderia ocasionar prejuízo ao atendimento médico, podendo causar até algum óbito. 

Para quem não queria vacinas, recomendava cloroquina e ignorava a gravidade da pandemia; para quem carrega a responsabilidade pela morte de centenas de milhares de brasileiros, a fala do presidente é, no mínimo, risível. (pelo argumento! não a morte!)

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Mas vivemos no Brasil, já por si só, um espetáculo da natureza pujante. Tão pujante e esplendorosa que provoca ciúmes capazes de levarem à adoção de políticas de incentivo à destruição do meio ambiente.

Natureza capaz de ofuscar o espetáculo deprimente protagonizado pelo soldado que o Exército expulsou sob a acusação de atos de terrorismo.

Espetáculo rocambolesco, ao menos. Já que o ex-capitão é hoje o chefe dos Helenos, Bragas... ou seja, todas as pragas que insistem em destruir nosso país.

 

quarta-feira, 16 de março de 2022

A decisão de hoje do Copom: impactos da guerra, da inflação e de políticas equivocadas de governos e estatais

Uma das consequências mais notórias da guerra entre a Rússia e a Ucrânia se manifesta pela adoção de pesadas sanções impostas à Rússia, pelos países ocidentais, Estados Unidos à frente.

Entre tais sanções, o bloqueio dos ativos financeiros - das reservas e direitos mantidos junto ao sistema financeiro internacional pela Rússia, dos valores de propriedades de empresas e empresários (os oligarcas ou magnatas apoiadores de Putin) e de altos funcionários do governo de Putin, inclusive aqueles do próprio dirigente – destacam-se por seu indeditismo, violência e até de sua ilegalidade.

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Afinal, a medida caracteriza-se como um confisco de propriedade privada, investindo contra a propriedade privada tão cara ao capitalismo ocidental e à ideologia do respeito à liberdade individual e ao livre mercado tão cantado em prosa e verso.

Considerada excessivamente drástica, dramática, sua intenção é sufocar o funcionamento regular da atividade econômica na Rússia, privando aquele país dos recursos necessários para oxigenar os fluxos de comércio e produção mesmo no interior do país. Seu objetivo: cortar o ar que permite a respiração que alimenta a musculatura da produção.

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No fim, promover uma estagnação da economia russa que obrigue empresários e o povo a cobrarem de Putin o fim da guerra, chegando até a sua renúncia.

Em último caso, apearem Putin do poder, mesmo que pela força.

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Apenas que, ao que parece, a Rússia já vinha se preparando para a possibilidade de medidas adotadas como represália, destinadas a promover a fratura de sua coluna dorsal na economia.

Para isso, já teria acumulado reservas próximas de 600 bilhões de dólares, com algo em torno de 40% do total depositado em bancos de países do Ocidente. Além disso, ao que se diz, parte das reservas encontra-se sob a forma da moeda internacional – o ouro, não se devendo desconsiderar também a opção pelo uso de criptoativos.

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O que indica que a invasão da Ucrânia, já no radar há mais tempo e depois da emissão de vários sinais de insatisfação com a situação política que vinha se gestando no país vizinho, não foi uma atitude impensada, de um arrivista.

Foi planejada. O que não impede de a represália em tal nível e escala poder ter trazido surpresa a Putin e a seus assessores.

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Além do bloqueio inesperado, outra medida de represália, esta já esperada foi a adoção de embargos comerciais e da ameaça de punição a todos os países que mantivessem relações econômicas com a Rússia.

Grande fornecedor de petróleo e, especialmente de gás para a Europa, com destaque para a Alemanha, além de alimentos e fertilizantes à base de potássio para todo o mundo, o embargo, ainda que não atingindo no primeiro instante a todos os principais produtos,  não era de se estranhar uma elevação de preços nos mercados internacionais, para produtos como potássio, fertilizantes, trigo, milho, petróleo, gás.

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Elevação internacional de preços que impacta os níveis de inflação em todo o mundo, o que me leva a reescrever a frase inicial deste pitaco:

“Uma das consequências mais notórias da guerra entre a Rússia e a Ucrânia se manifesta pela” escalada de preços de produtos estratégicos em escala internacional, o que se traduz em elevação dos índices de preços na maioria dos países, ou seja, de uma realimentação do processo inflacionário já experimentado por vários deles, em razão da pandemia.

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Este fenômeno da inflação irá afetar de maneira distinta a cada país, elevando a preocupação das autoridades americanas, por exemplo, que já se encontravam às voltas com recorde de inflação desde a crise do petróleo nos anos 70.

No Brasil, já tendo atingido a casa dos dois dígitos em 2021, a inflação dá sinal de não perder força, nesse início de ano.

Apenas que, em nosso caso, mais que consequência específica da guerra, a inflação é mais reflexo da incúria de nosso des-governo.

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Senão vejamos: reduzido o fornecimento do petróleo russo, a menor oferta eleva o preço do barril do óleo tipo brent.

Não nos esqueçamos que, junto ao movimento real, os mercados de commodities e futuros passam a operar também com a criação e manipulação de expectativas, em caráter tipicamente especulativo.

Isso não apenas alimenta as cotações do petróleo, como amplia a volatilidade de seus preços.

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Como a Petrobras adota a política de preços do barril baseada na Paridade de Preços de Importação-PPI e, sabendo-se que não temos capacidade de refinar a quantidade necessária para atendimento a nossa demanda, é o impacto direto da volatilidade e elevação do preço internacional em nosso país.

Nunca é demais destacar: mesmo sendo um país capaz de se tornar autossuficiente na produção do produto, a formação de preços depende basicamente de dois fatores que não estão sob nosso controle: o preço do barril internacional e o câmbio, ou o preço do dólar.

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Não bastasse isso, a privatização levada a cabo pelos governos ‘nacionalistas’ recentes - de Temer e deste capitão de araque com seu posto Ipiranga  (antes com gasolina adulterada, agora, com resquício de não conter mais combustível) – entregou nossas refinarias a capital estrangeiro, que age com objetivos de desmantelar nossas refinarias, dentro de um planejamento em escala internacional que move os grupos econômicos a que pertencem.

Permitir a um país periférico atingir sua autonomia não é, definitivamente, uma alternativa.

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Em função desta política que favorece a acionistas, especialmente aos internacionais, mais que aos interesses estratégicos do país cujo governo é ou deveria ser o seu controlador, a Petrobras aumenta os combustíveis em 20%, em média, elevando o diesel ainda em maior proporção.

Com isso, toda a cadeia de distribuição e suprimento, assentada no transporte rodoviário, acaba penalizada: o custo de frete se eleva e pesa no preço final das mercadorias.

Isso, se ainda houver caminhoneiro em condições de pagar os custos de combustível para transportar os bens.

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Para não ficar muito extenso, não vou me aprofundar aqui nos impactos do aumento do potássio e dos fertilizantes em toda a cadeia de produção agrícola, capaz de afetar nossa produção, nossas importações e o preço de rações de frangos, porcos, etc. e o preço da carne desses animais.

Vou apenas falar de passagem do efeito sobre alimentos destinados a nossa população, também afetados, problema agravado pela decisão do governo de não mais adotar políticas de formação de estoques mínimos de segurança.

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Sobem combustíveis, repassados depois para os todos os preços da cesta de consumo, sobem as carnes, sobem os alimentos, e o des-governo, em desespero decide dar subsídio para diesel e até gasolina.

Para o povão, que “bate” de ônibus em sua luta pela sobrevivência diária, a redução do diesel terá algum impacto positivo.

Mas o que a população mais pobre, em geral, tem de alívio, ela perde no caso de possível subsídio à gasolina, que representa um gasto a mais nas despesas do governo, tirando recursos de outras áreas, para permitir que os mais ricos e privilegiados possam continuar se deslocando no conforto de seu carro particular.

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Agora, de forma superficial responda: você é diretor do Banco Central, responsável pela fixação da nova taxa básica bde juros da economia, a Selic. Você sabe que nosso país adota para combate à inflação o regime de metas inflacionárias que tem como principal, se não exclusiva ferramenta operacional, a taxa de juros. Sua elevação.

Os modelos econométricos e dados com que você toma decisões indicam que a inflação não dá sinais de arrefecimento. Suas expectativas, moldadas pela guerra e por possível impasse de mais longo prazo, indicam que a inflação deve continuar pressionada.

Você está vendo o celerado (que em raras ocasiões ocupa sua sala no Planalto, preferindo passear de jet-sky e desfilar com motos de alta cilindragem, ao ar livre, fora do gabinete), decidir adotar toda e qualquer medida não só para levar guedes de atropelo, mas para tentar melhorar sua avaliação nas pesquisas eleitorais, de quebra provocando uma escalada de gastos públicos.

Agora me diga: você iria decidir por elevar a taxa de juros em meros 1% ou 1,25%?

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Tomada sua decisão, baseada em regime de metas de viés monetarista, que tem apenas a taxa de juros como instrumento de ação, como se toda a inflação fosse apenas causada por excesso de demanda e não por exemplo, por choques de oferta, como uma guerra, o que você espera para possível elevação do custo do dinheiro?

E para o custo do capital de giro e manutenção das empresas em produção? E para o nível de emprego? E para o povo, esse eterno sacrificado, excluído dos gastos orçamentários que de fato são importantes para a construção de uma nação solidária e justa?