terça-feira, 14 de abril de 2015

Domingo de clássico e manifestações

Pegado, disputado, nervoso, pode-se falar o que quiser para classificar o jogo Atlético e Cruzeiro no último domingo. Mas a verdade é uma só. Foi um jogo muito ruim de se assistir.
Com poucos lances de emoção. Muito poucas chances de gol, e muita falta, algumas desclassificantes.
O que levou ao desfile proporcionado pelo juiz de cartões amarelos, embora a maior parte deles para jogadores do Galo. Situação que serviu para deixar mais nervosos os jogadores do Galão.
E digo isso não por ser atleticano, mas porque houve jogadas em que a cor do cartão para o jogador cruzeirense deveria ter sido o vermelho. Em outra oportunidade, Dátolo sofreu falta na entrada da área, e foi ele quem levou o cartão por simulação. E Damião já merecia ter ganho um cartão amarelo há muito mais tempo que aquele que lhe foi aplicado, em lance que propositadamente estava paralisando o jogo e enervando Leonardo Silva.
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Está certo que Leo Silva não deveria, com a experiência que possui, entrar na provocação, o que acabou nos prejudicando. Mas, como todos já estavam com a cabeça quente e os ânimos exaltados ...
Do time do Atlético, mais uma vez, destaca-se o espírito de luta de alguns jogadores e só.
A rigor, ninguém jogou para encher os olhos. E alguns, como Jemerson, Josué e Dátolo jogaram muito mal. Jemerson, tentando enfeitar e falhando feio, como no drible desmoralizante que levou no gol do Cruzeiro.
Josué errando tudo que tentava, embora tentando... A caneta no gol do adversário mostra que ele estava completamente desarvorado em campo, já que não se admite em jogador com tanta experiência que entre tão inocente em uma disputa de bola. E Dátolo muito lento.
Se o jogo valeu foi, infelizmente, pelo gol adversário, o que é a última coisa que a gente gosta de admitir.
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Já amanhã no México, pegamos uma partida dura, mais uma, onde a opção é vencer ou vencer. Vencer não assegura a classificação, mas já dá mais tranquilidade para o time jogar a última partida, em casa, contra o Colo Colo.
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Nesse meio tempo, outro jogo no próximo domingo, contra o Cruzeiro. Com um time cansado da longa viagem. Só mesmo na base do Eu acredito, funciona o Galo.
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E sobre domingo

Não vi movimento das manifestações de rua, nem das praças. Ao contrário de março, quando aproveitei a parte da manhã para dar uma corrida, desta vez não saí de casa, preferindo ficar vendo o time do Sada Cruzeiro tornar-se novamente campeão do volei.
Minha impressão é que ouvi menos buzinas, embora mais insistentes, dessa vez.
Mais tarde indo para o Independência, vi algumas pessoas com camisas amarelas, pelo centro da cidade, parece que vindo da Praça da Estação. Não sei quantas pessoas se reuniram, mas parece que optaram, dessa vez, por não se concentrarem apenas na Praça da Liberdade, o que retira parcela da força da movimentação.
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Ouvi, por alguns amigos, que havia cartazes de todo tipo, inclusive um muito interessante, afirmando que Sonegação não é Corrupção.
Pensamento típico de nosso país, já que a sonegação só pode ser praticada por empresários. Ou seja, por aqueles mais privilegiados. Quem portava o cartaz referia-se obviamente, ao novo escândalo do Conselho de Recursos Fiscais, que atinge grandes empresas da área automobilística e, como não podia deixar de ser, bancos.
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Curioso, e que poucos se dão ao trabalho de lembrar, é que tanto na sonegação encontram-se os empresários, na ponta ativa, quanto também na sonegação.
E que, em se tratando de sonegação de impostos, grande parte das vezes, o imposto sonegado, não repassado para a Receita já foi pago pelo consumidor embutido no preço do produto adquirido.
Então, a sonegação, qualquer que seja a desculpa que se queira apresentar para ela, não passa de roubo, desvio de recursos em proveito próprio.
Ao invés de repassar o devido ao Fisco, o empresário intermediário embolsa para si a quantia.
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Mas, nada contra o cartaz que apenas mostra que o Brasil quer sim, combater a impunidade, a corrupção, a criminalidade, mas desde que só em relação aos crimes feitos por certo tipo de marginais.
A propósito, e no mesmo sentido, é uma aula de desfaçatez, a coluna de Elio Gaspari, tratando justamente desse tema, em sua coluna no domingo.
Comentando a proposta de abertura de uma CPI para apurar essa sonegação de impostos no CARF, Gaspari comenta que, se for para valer a apuração deveria voltar ao período em que os índios brasileiros ainda se banqueteavam com portugueses aqui chegados.
De duas, uma: ou Gaspari está dizendo que essa é uma prática comum demais no Brasil, para poder ser investigada, ou então, por esse motivo, o melhor é não investigar a ninguém. A título de ser justo com esses que foram apanhados agora, já que os outros não o foram.
Ruim, muito ruim a sensação que passa o texto do colunista, já que a impressão que deixa é a de que como o crime agora é de empresário, gente bem de nossa sociedade, investigar, apurar, punir não seria justo.
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Insisto no cartaz e em seu conteúdo. Provavelmente, ao seu lado, outros portavam cartazes pedindo a volta dos militares ao poder. Ou outros reclamavam da existência de direitos excessivos para mulheres, homossexuais e outras minorias, ou ainda contra a existência de cotas, ou a favor da redução da maioridade penal.
Todas essas questões que foram levantadas por professoras da UFMG, em pesquisa feita para avaliar o perfil dos manifestantes no domingo último. Em minha opinião, um primor de demonstração do nível de atraso de nossasZelite. Essas mesmas que aprovam os Zelotes.
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Mais interessante foi voltar no busão do Independência e ver a turma da Galoucura, do Morro do Papagaio, vir comentando sobre a manifestação.
Curioso: a maior parte deles contra Dilma, e uma pretensa opção sexual que atribuíram a ela, sabe-se lá porque.
Mas, o comentário de um deles, em relação ao cartaz portado por uma criança, que dizia "Não destrua nosso futuro" foi alvo de críticas pesadas.
O que é compreensível, para quem sempre teve o presente destruído e, por isso mesmo, grande parte do seu passado. O que nem tanto tempo tem assim.


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