segunda-feira, 6 de abril de 2015

Páscoa, passagem. Com o futebolzinho de ontem, o Galo não passa. E o que se passa pela cabeça de Renan Calheiros?

Símbolo de passagem, de mudanças, de renovação, espero e torço que a Páscoa comemorada ontem possa mesmo servir de inspiração para todos nós e que nos fortaleça a todos. Nos dê segurança, tranquilidade e fé, para que possamos começar, do interior de cada um de nós, as mudanças que queremos e cobramos do ambiente e pessoas à nossa volta.
Feliz Páscoa para todos. Feliz Renovação.
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As finais do Campeonato Mineiro

E para recomeçar os pitacos, uma novidade a ser comemorada: as finais do campeonato mineiro não deverão ser disputadas por Atlético e Cruzeiro, calando a boca de todos que, desde o início do torneio, já davam como favas contadas a decisão entre os dois rivais.
Está certo que ambos se classificaram o que confirma que o lugar deles nas disputas finais já estava assegurado. O que, pensando bem, não poderia mesmo ser diferente. Entre 12 times, com a diferença quilométrica existente entre estruturas administrativas, técnicas, de acomodação, centro de treinamentos,, planteis, jogadores individuais, apoio de torcida e até da imprensa, para não dizer que até de alguns juízes, às vezes, os dois times teriam que estar obrigatoriamente classificados.
Estranho, no caso, é o América, também da capital, e também com uma estrutura muito superior à dos demais concorrentes, não estar entre os quatro.
Embora o América chegou perto, tendo vencido o jogo ontem, mesmo que sabendo não depender mais só de suas próprias forças.
E, para tristeza dos americanos, a Tombense que veio à capital jogar contra o time líder, melhor defesa, melhor ataque, melhor campanha, que contava com o artilheiro da competição, etc. etc. deu mais uma demonstração do motivo que faz o futebol um dos esportes mais emocionantes, dentre todos, senão o mais emocionante deles: a Tombense venceu o jogo e classificou-se em quarto lugar.
Agora, pega nas quartas de finais, o time que mais regularidade mostrou em toda competição: a Caldense. Que se classificou com méritos, por antecipação, e que terminou na ponta da tabela.
Quando digo que o time de Poços foi o mais regular, refiro-me ao fato de ter jogado e arrancado empates com o Cruzeiro e América e ter vencido o Galo, em sua cidade, igualando-se aos times favoritos. Mas, diferente do América, que perdeu pontos fáceis para times em pior situação na tabela, do Atlético e do Cruzeiro, que fizeram partidas em que o nível do futebol que apresentaram não merecia terem saído com o resultado que saíram (sem contar certas ajudas dos juízes, como a da partida contra o Mamoré)  a Caldense não tomou conhecimento dos demais adversários, impondo-se a todos.
Parabéns, portanto, à Caldense que, a manter o padrão de jogo e esforço que vem mantendo, deverá ser um dos finalistas.
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Quanto ao Atlético, difícil fazer qualquer comentário em um dia como essa segunda feira, depois do jogo simplesmente ridículo de ontem.
Dizer que o Galo teve a ajuda do juiz, que anulou um gol - o terceiro, do time do Boa, é pouco. Porque o Boa podia ter feito ao menos mais um ou dois gols, além dos que foram validados.
Desde o início do jogo, dava para perceber que Marcos Rocha, a quem tanto elogio não estava conseguindo ser nem uma sombra do grande jogador que é e das partidas que vem fazendo. Marcelo, caindo pela esquerda do ataque do Boa levava perigo todo o tempo à nossa defesa. Sempre explorando sua velocidade e uma certa dificuldade de Marcos Rocha voltar a tempo.
Jemerson, mais uma vez preferiu não jogar como o becão que é e deve ser em momentos do jogo. Sua jogada no segundo tempo, que resultou no lance do segundo gol do Boa, que ele podia ter espanado a bola para qualquer lugar e direção, afastando o perigo, só não foi pior que a jogada do Toloi, do São Paulo, contra o San Lorenzo.
E não foi a única jogada de Jemerson que ele falhou comprometendo o time. 
Douglas Santos não consegue mais reeditar as partidas de antes de sua contusão, na virada do ano. Uma pena. Mas, em minha opinião, junto com Jemerson, mais uma vez ele falhou ao ser o último jogador a tentar combater o jogador do Boa, no bate-rebate que terminou no primeiro gol do jogo.
Para mim, a falha de Jemerson, que não estava onde deveria estar e de Douglas, lembram o gol de empate de Damião, pelo Cruzeiro, em jogada que Jemerson só cercou e Douglas até tentou, mas perdeu a dividida com o atacante cruzeirense. 
Ontem, mais uma vez, Douglas tentou. Sem conseguir afastar a bola.
Rafael Carioca, que fiquei sabendo que estava em campo quando o comentarista do pay-per-view falou que ele estava dando muito espaço, sumiu a ponto de não me lembrar de ouvir novamente o seu nome, no segundo tempo. Justo quando o Boa foi para cima e mandou no jogo.
De Donizete, nada a declarar mais, para não ficar parecendo perseguição. Mais uma vez nosso gênio mostrou toda a sua habilidade e acabou deixando o campo premiado.
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Na verdade, maior prêmio foi o nosso de não ter que vê-lo em campo na próxima partida contra o Cruzeiro.
Mas, provavelmente teremos de aturá-lo na partida contra o Santa Fé, na quinta próxima.
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Luan tentou, se esforçou e correu mas foi só, Pratto tentou, se esforçou e correu muito, sempre tendo que voltar ao meio para buscar a bola que teimava em não chegar à área. Cárdenas foi mal, em minha opinião por não tido apoio dos outros jogadores do meio.  
Carlos inexistiu. Dodô está anos luz do jovem que entrava nos finais de partidas do ano passado, incendiando o jogo. Maicosuel a rigor, nem parece ter entrado. Se é que entrou mesmo em campo.
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De tudo isso, esse amontoado desorganizado e sem inspiração, sem técnica, sem garra e sem vontade, o que esperar do Galo contra o Santa Fé, quando joga sua vida na Libertadores?
Para Levir, o jogo de ontem mostrou que o Atlético estava sem foco. Mirando o Santa Fé. Ok. Isso explica porque não estavam em campo contra o Boa. 
Mas, a menos que Guilherme entre com muita disposição e apetite, e que Dátolo volte jogando como estava no final do ano passado, vai ser muito difícil acompanhar o jogo do Galo na quinta. 
Tanto pela carga de sofrimento que o jogo promete. Quanto pela pouca confiança que o time está transmitindo, com total inapetência para o jogo.
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Quanto à disputa do Mineiro, já começam os problemas relativos a datas e local do jogo. 
O Galo promete mandar seu jogo, o primeiro, no Independência, sua casa. Com razão, alega que não pode jogar no sábado, nem completadas 48 horas do jogo duríssimo contra o Santa Fé. 
A partida, por óbvio, deveria ser marcada para o domingo. Afinal, o argumento que todos vêm adotando para criticar a marcação da partida pelo Campeonato Brasileiro para a noite de sábado, deixando o domingo sem jogo na Capital, por força de imposição da Televisão, pode ser repetido agora. 
Não há como deixar um clássico para horários alternativos. Ainda mais com a questão do tempo legal que deve haver entre uma partida e outra. 
Mas, como no mundo do futebol o errado é que é o certo, como dizia o Kafunga, vamos esperar para ver.
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Banco Central Independente

Que Renan Calheiros esteja disposto a marcar sua presidência no Senado com a aprovação de uma série de medidas, algumas que vêm sendo há muito adiadas, outras com um certo ranço de apenas terem a finalidade de servir para acuar o governo nada a comentar. Foi assim,  com as medidas provisórias tidas como inconstitucionais, por ele, que ele mandou devolver ao Planalto. 
Foi também esse o motivo real, em minha opinião, por trás do acerto para alterar o ajuste fiscal e para adiar a votação da medida que fixa o prazo de 30 dias para o governo regulamentar a troca de indexador da dívida de estados e municípios, da lei que o governo negociou e aprovou no Congresso, no ano passado.
Mas ao ler o artigo de opinião do presidente do Senado na Folha de domingo, confesso que fiquei sem entender muita coisa.
Afinal, Renan começa o texto falando da falta de regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal, que já completou 25 anos, sem que o Sistema Financeiro Nacional tenha sua estrutura discutida. 
Tudo bem que Renan alega que esse é um debate que se faz necessário, mas daí a passar a comentar da necessidade de que seja proposta e aprovada a independência do Banco Central, há uma distância grande. E um caminho curioso. 
Primeiro porque espertamente, ele diz que esse é o verdadeiro ajuste fiscal necessário no país, a saber: impedir o Banco Central de se submeter a quaisquer desejos do Chefe do Executivo. 
Diz Renan: questões como o combate à inflação, devem ser tratadas por uma diretoria com mandato, com período não coincidente com o do presidente ou ministro da Fazenda. E argumenta: devem ser tratadas de acordo com a racionalidade de técnicos, não pressionados por questões políticas, ligadas à sua sobrevivência no poder.
Caro Renan: e quando que decisões de economistas são tão somente racionais, sem conteúdo político como seu suporte?
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Curiosamente, e vale comentar brevemente, Renan diz que na campanha presidencial a independência do BC foi trazida à pauta por uma candidata. Mas, infelizmente, para a proposta, a candidata (Marina) tinha como principal assessora uma proprietária de um banco, o que trazia um grave defeito de origem para a ideia. Ou para sua defesa. 
Renan dá a entender que os dois outros candidatos principais não quiseram tratar da questão. Talvez, sem ter a informação de que, consultado, FHC foi contra a ideia. 
Fernando Henrique foi até mais longe, afirmando que chegou a dispensar dois diretores presidentes do BC, o que permitiu que a crise de início de 1999 fosse sanada.
Embora de formação novo-clássica, a quem a proposta é tão cara, igualmente Joaquim Levy afirmou que não vê a necessidade de um Banco Central independente. Basta, como já existe aqui, que o Banco tenha autonomia para agir.
E o BC, mesmo na era do PT, deu demonstrações de que tinha essa autonomia. Vá lá que, em alguns momentos foi dada muita visibilidade às medidas do Banco, por coincidirem com as que a presidenta preferia. 
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Assim, vê-se que Renan se preocupou com a crítica que é feita à independência, de servir para o BC ser capturado pelas instituições que deveria fiscalizar e submeter. Isso fica claro na citação da assessora de Marina. 
Renan também resgata a história de que, em sua origem, o BC foi criado independente por Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões seus pais.  Independência que terminou no governo militar de Costa e Silva.
Mas, o que quer o presidente do Senado, ao publicar um texto que parece ter sido preparado por sua assessoria técnica, e que traz à tona uma questão cuja importância é considerada menor nesse momento?
Será que o exemplo de independência de outros órgãos similares, em outros países, não deve ser levado em conta? Afinal, o que falar do Fed e sua independência, e até mesmo de sua diretoria atônita por perceber que sua inação levou a uma das maiores crises econômicas de nossos dias, cujas consequências estão longe de se encerrar?
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Curiosamente na mesma Folha, no sábado, apresentando uma resenha sobre novo livro lançado pelo professor Galbraith, o James, filho do famoso John Kenneth, o resenhista mostra que consta do livro a opinião que a saída da crise de 29 não foi por outro motivo, senão a adoção de medidas que traziam em si, o sentido da urgência.
E que as medidas nada tinham de técnicas ou racionais, dentro da racionalidade buscada por Renan.
Pior, o livro, bastante crítico e com material para muito debate, ainda tem como base uma crítica ao fato de a matemática, e os modelistas que a utiliza na economia, estarem conseguindo, cada vez mais só trazer problemas para a administração que adota tais recomendações.
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Na verdade, o autor do livro faz referência à piada de que quando acabaram com a União Soviética, e sem o que fazer, os matemáticos russos foram todos para os campi das grandes universidades americanas, onde estão projetando modelos de avaliação de riscos e etc.
A conclusão da piada é que a primeira crise já foi obtida. Quando os Estados Unidos irão sossobrar como a União Soviética, por uso desses modelos que vêem o passado, e deixam o futuro de lado?
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Pois é. Aqui a questão interessante, já que Renan, representando algum interesse que não idenfiquei, com clareza, parece achar que essas técnicas muito elaboradas, racionais e muito matemáticas, pouco sujeitas às questões políticas é que devem prevalecer na administração do BC.
Curioso, para dizer o mínimo.

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