segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Desemprego e desesperança: promessas cumpridas em parte e apostas em fabricante de mentiras

Youtube: https://youtu.be/HHFK7JksfP0 e Instagram: @paulocmf55 Este pitaco já repetiu à exaustão lições ensinadas por Keynes, sobre o funcionamento do sistema capitalista, a lógica do comportamento do empresário guiado pelo objetivo de gerar produtos para vender com lucro e o desemprego. Para Keynes, o funcionamento do sistema depende de decisões de gastos que os empresários tomam no dia de hoje e cujos resultados se darão no futuro. Ou seja, as decisões empresariais baseiam-se em palpites ou expectativas a respeito do futuro. Expectativas que podem ser otimistas ou pessimistas. De longo ou de curto prazo. Acreditando que pode vender com lucro, o empresário pode achar que vale a pena usar dinheiro, seu ou de terceiros, para construir uma estrutura (prédios, galpões ou lojas; máquinas, equipamentos e ferramentas) que vai funcionar para criar produtos que serão vendidos a preços mais altos do que seu custo. Essa é a decisão de gasto em INVESTIMENTO, cujo prazo para estar pronta é mais longo e exige que o otimismo do empresário se estenda por um período maior de anos. *** Pronta a fábrica, o empresário deve tomar outra decisão que não é automática - tipo “já que está pronta, vamos funcionar”. Ao contrário, a decisão é se vale a pena pôr a fábrica para produzir? E a explicação para a dúvida é que as condições no ambiente e nas crenças do empresário podem ter mudado do momento entre sua decisão de investir e a de produzir. Desde logo, a decisão de produzir é de curto prazo por levar muito menos tempo para dar resultados. Mas se as expectativas mudaram e o empresário está pessimista quanto a achar pessoas interessadas em comprar sua mercadoria, pode não querer produzir. Importa lembrar que para produzir, o empresário deve fazer gastos com a compra de matérias primas, uso de insumos (energia, água, etc.) e contratação de mão de obra. Ou seja, ele sabe com precisão quanto vai ter de custos. E se tiver o palpite de que não irá vender ou não irá vender toda a quantidade gerada, não terá receita para cobrir os custos e ter lucros. Por isso, pode não querer produzir muito ou pouco. E, neste caso, pode dispensar parte de seus empregados. *** O que podemos concluir desse raciocínio? Que o empresário toma decisões para o futuro incerto e não sabido e que ele não tem como adivinhar se vão dar certo; que as decisões são de longo e curto prazo (essas dependendo das outras terem sido tomadas antes); que a decisão de investir é dele, e não do governo!; que ele é quem decide se vale a pena produzir para vender com lucro; que sua decisão depende de haver consumidores dispostos e com grana para comprar seus produtos, na quantidade que ele produziu. Que o empresário é que, com base em palpites decide se vai contratar ou não trabalhadores ou gerar emprego (e não o governo!!). Que papel resta ao governo em uma economia capitalista? Primeiro, criar um ambiente de astral elevado, que leve o empresário a alimentar expectativas otimistas. Segundo, no caso de os consumidores não terem condições financeiras de comprarem a produção, ele poderá criar mecanismos para criar capacidade de compra para os consumidores – via bolsa família, renda assistencial, benefícios sociais e condições de crédito mais favorecidas. Terceiro, pode ele mesmo decidir comprar os bens produzidos, seja gastando em infraestrutura – que reduzem os custos da produção e comercialização para os empresários -, em investimentos na criação ou ampliação de atividades estatais que, para serem instaladas e funcionar, irão comprar máquinas, equipamentos, ferramentas, aço, cimento, asfalto e uma série de produtos na mão dos empresários privados. Quarto, que pode e deve investir na melhora da saúde e educação e qualificação dos trabalhadores, aumentando a capacidade de cada um produzir mais e melhor, ou com maior produtividade. *** Em função de inovações tecnológicas e de nosso atraso em relação à educação da nossa população, é comum ver empresários frustrados por desejarem contratar trabalhadores sem a qualificação exigida para poderem produzir com eficiência. Ou seja, vemos mais pessoas desempregadas e sem renda até mesmo para sobreviver. O que fazer? Reconhecendo tal situação, economistas de diferentes correntes pregam o pagamento de rendas assistenciais pelo governo, financiadas por impostos pago, especialmente pelas pessoas de maior renda e maior patrimônio. Aqui no Brasil, os que menos pagam impostos e se aproveitam de nosso sistema de tributação iníquo e desigual. Não admitir que todos nós temos uma obrigação moral com esses desempregados, que irão engrossar as fileiras de desalentados no futuro, e cobrar deles mais esforços, mais proatividade, menos vagabundagem é sinal apenas da distorção cognitiva que a incapacidade de olhar para além do umbigo produz. *** E aí chegamos a questões importantes de serem consideradas, do porquê de tanta gente tentando a sorte em jogatina e apostas, se endividando e perdendo o pouco que têm, em especial a própria dignidade. Porque tanta gente se tomado pela ilusão de melhorar de vida via o empreendedorismo – que os meios de comunicação apresentam como a solução para o indivíduo acreditar que sua renda e independência financeira dependem apenas de seu esforço próprio e continuado. O microempresário ou o trabalhador de plataformas digitais, tragado pela engrenagem e a falsa crença de que basta lutar cada vez mais para melhorar suas condições de vida acaba não percebendo que seu corre apenas serve para aumentar o grau de exploração a que ele está sujeito e que suga dele a vida e até a alma. *** Acreditando na miragem de que alguns deles poderão se tornar o influencer de maior número de visualizações e monetização nas redes, assim como milhares de crianças insistem em alimentar o sonho de que poderão se tornar o Pelé ou a Marta do futuro, eles estão mais próximos do fracasso como seres humanos, e se tornarem trabalhadores, sem qualificação, sujeitos a um nível de exploração ainda mais selvagem, na engrenagem “de abate” a que estão submetidos. O que os leva a cultivar um ódio, não imediatamente em relação a eles mesmos, mas daqueles ao seu lado, minimamente em melhor situação de vida, tão explorados quanto. É isso que permite que conversas para encantar serpentes ou para boi dormir os atraiam quando do período eleitoral e de campanhas: promessas de que irão mais ter que depender do Estado, já que irão ter apoio para virarem microempresários; ou de que não terão tantos impostos a pagar (e nem os frutos dos programas de assistência que têm, financiados por tais impostos). *** Por tudo isso acreditam e culpam o governo atual, que falhou em não lhes dar a picanha prometida em um momento infeliz de empolgação infundada. O governo não lhes permitiu comprar a picanha, que subiu em ritmo menos elevado que antes, mas não lhes ofereceu lugar na fila do osso, nem lhes deu o osso que o governo anterior lhes deu junto com uma autêntica banana, não a fruta. Mas o governo que muitos criticam nem é formado por pessoas relacionadas ou amigas de milicianos, nem por quem, devendo explicar os milhões de banqueiro que prejudicou aposentados do INSS e fundos de previdência de servidores estaduais, prefere manter a lição transmitida por Goebbels: “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade.” Lula falhou ao criar uma ilusão, cujo resultado não conseguiu entregar em sua plenitude. Mas, se falhou foi por ter permitido que as pessoas acreditassem nos sonhos que cultivaram. E esse é o primeiro passo para um ambiente econômico alto astral. Já seu oponente principal é um poço de mentiras e falácias e entregas despudoradas do que nós brasileiros temos de melhor, para a expropriação de outros, estrangeiros ou milicianos de sua espécie.

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