quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Propostas eleitorais e o gosto de poder
link Youtube: https://youtu.be/dKe0n8Ie1IQ e Instagram: #paulocmf55.
Vários candidatos, ao governo do Estado e ao Senado, têm apresentado propostas de grande impacto em seu programa eleitoral, especialmente pelo caráter de radicalização que contêm, e da capacidade de agradar aos eleitores submetidos a violências de toda espécie: do tipo social; de tratamento desigual e falta de oportunidades; do não reconhecimento de seus direitos; do descaso com que são tratados pela sociedade e os grupos no poder - o tratamento recebido do policial, do profissional da saúde, dos meios de transporte e dos prestadores de serviços públicos; pela violência da fome e da miséria a que se juntam a violência urbana de grupos de criminosos e organizações criminosas.
Tratados sem a dignidade de um ser humano, a revolta leva cidadãos a agirem de forma próxima à barbárie, da justiça pelas próprias mãos e da lei do olho por olho e dente por dente.
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Várias das promessas dos candidatos, além de atrair a atenção, não passam de venda de ilusões e promessas para caírem no esquecimento, com o candidato ciente de que não poderá cumpri-las.
A menos que fosse intenção dos candidatos, se eleitos, rasgar a Constituição Federal de 1988 e suas emendas, o que teria o significado de aplicação de um golpe: a imposição de um governo não mais regido pelo império das leis, mas da vontade dos grupos mais fortes, mais armados ou mais ricos e poderosos. Uma ditadura, com suas consequências nefastas de arbítrio e terror.
Para servir de alerta contra os vendedores de ilusão ou os golpistas mal-intencionados este pitaco irá trazer algumas informações e comentários sobre candidatos ao governo do Estado e ao Senado.
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Advogado especialista em Direito do Consumidor, criador do programa Ronda do Consumidor para redes sociais, Benoni Benjamim Cardoso Mendes, Ben Mendes, é o candidato ao governo de Minas pelo Missão, de Renan Santos, a que se filiou em 2019. Define-se como de direita, não bolsonarista e favorável ao Estado mínimo, à redução da carga tributária, à privatização da Copasa, e à exploração e processamento das terras raras em território mineiro.
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Propõe a criação do programa habitacional Casa que Educa, que inova ao condicionar o acesso à moradia popular ao desempenho e à frequência escolar dos filhos das famílias beneficiadas, em geral pobres e com adultos sem instrução, analfabetos, sem a qualificação necessária para orientarem a vida escolar dos filhos. Justifica a exigência bizarra, comparando sua proposta ao Bolsa Família que, como contrapartida para evitar que as famílias beneficiárias percam o benefício, exige que mantenham a frequência escolar mínima de 60% para crianças de 4 e 5 anos e 75% para beneficiários de 6 a 18 anos incompletos. FREQUÊNCIA E NÃO DESEMPENHO.
Na segurança pública, apesar de advogado, defende política de "alta eficácia na letalidade" policial, um eufemismo para a pena de morte. Prega, pois, abertamente contra o art. 5º, dos direitos e garantias individuais: incisos XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; e b) de caráter perpétuo; e LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
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Candidato ao Senado, Marcelo Aro - Marcelo Guilherme de Aro Ferreira – é advogado e apresenta-se apenas com o sobrenome de sua mãe. Assim, omite tanto o nome de seu pai quanto seu parentesco com a dinastia Ferreira, que comanda a Federação Mineira de Futebol desde 1966, acusada de nepotismo e prática de caixa dois.
Candidato ao Senado pelo Progressistas – PP, apresenta-se como quem nunca teve medo de se posicionar sobre aquilo em que acredita. Desta forma e com foco prioritário na Segurança Pública, pretende apresentar um projeto de lei que permita a castração química dos condenados por estupro de mulheres e crianças. Defende também a redução da maioridade penal para 16 anos e o endurecimento das penas para crimes graves.
Por mais justa que a proposta de castração pareça ser, atendendo a desejos de punição e vingança de grande parte da população, não respeita uma sociedade que deseja viver em paz e harmonia, cumprindo regras, amplamente conhecidas, que mantenham o espírito de boa convivência em uma ordem social justa. Não em uma sociedade que transforma em criminosos os responsáveis pela aplicação das penas aos criminosos originais
Sua proposta anula o inciso XLVII do Art. 5º da Constituição, que afirma que: não haverá penas: b) de caráter perpétuo; e) cruéis.
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Outro candidato ao Senado, é o médico veterinário Domingos Sávio, pelo Partido Liberal – PL, a que se filiou em 2022. Filiado antes ao PSDB, ocupou os cargos de vereador e prefeito de Divinópolis, deputado estadual e federal por vários mandatos.
Sua carreira política nasce de sua atuação e liderança junto ao movimento cooperativista, patronal e ruralista, tendo sido presidente de cooperativas rurais e agropecuárias de sua região.
Em 2013, deputado federal pelo PSDB, foi autor da proposta que anulou a sessão do Congresso que depôs o presidente João Goulart. Sua carreira retoma o caráter elitista inicial a partir do golpe de 2014, tendo sempre votado contra as pautas populares e a favor de: o impeachment de Dilma; o Teto de Gastos Públicos; a Reforma Trabalhista; a PEC dos precatórios; a autonomia do Banco Central; a reforma da previdência; as privatizações; a prorrogação de benefícios fiscais a igrejas. Por outro lado, votou contra o pedido de abertura de investigação de Temer e o afrouxamento das regras de previdência para professores, apesar de ter sido a favor de igual alteração para policiais.
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É autor de PEC que permite ao Congresso derrubar decisões do STF “que extrapolem os limites constitucionais.” Proposta inconstitucional e inconsistente.
Inconstitucional, por afrontar o Art. 2º da Constituição - que estabelece que – “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário” e também o art. 60 que, ao tratar das emendas à Constituição, determina em seu § 4º “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: “…III - a separação dos Poderes.”
Inconsistente, já que os limites a serem extrapolados deverão ser definidos pelo intérprete e guardião da Constituição, o próprio Supremo.
Mais recentemente, assumindo-se bolsonarista raiz, apresenta comportamento contraditório típico daqueles extremistas, ameaçando ministros do Supremo com apresentação de pedidos de impeachment por supostas relações indevidas e promíscuas com o banqueiro criminoso Vorcaro. Entretanto, não cobra explicações nem critica o comportamento do candidato a que apoia, usando dois pesos e duas medidas, para fatos de mesma natureza e gravidade.
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Dois comentários adicionais, relativos ao candidato a governador Cleiton Gontijo de Azevedo, o Cleitinho, portador de diploma do ensino médio e Senador da República, líder das pesquisas eleitorais e favorito ao governo mineiro pelo Republicanos, resultado de seu imenso sucesso como influenciador digital nas redes sociais.
A base de sua popularidade é a adoção de um comportamento cínico e sua disposição de manter atitudes típicas de mentiroso compulsivo, capaz de apresentar-se como um cidadão comum, avesso à política institucional e aos políticos tradicionais, embora há mais de 10 anos, como político, faça parte do sistema a que diz não pertencer.
Traço mais grave de seu comportamento mitômano: age para criar e espalhar mentiras, ativando um Ecossistema de Desinformação para a difusão de inverdades, do medo e insegurança entre seus seguidores, alimentando o surgimento de “deepfakes” e provocando insatisfação com o governo a que se opõe. Exemplo desta atitude foi o vídeo em que alterou e ampliou mensagem que tratava de procedimento de fiscalização da Receita Federal, para criar uma narrativa falsa a respeito de taxação do PIX. (ver Jaqueline Morelo - “Cleitinho: quando a indignação seletiva vira cinismo em outraspalavras.net)
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Outro candidato ao Senado, pelo PSDB, o golpista Aécio dispensa apresentação.
Governador de Minas, Deputado, Senador, foi candidato à presidência em 2014 a partir de quando, inconformado com a derrota para a presidenta Dilma e liderando a oposição, passa a atuar em rota aberta de colisão com o governo, apresentando e aprovando projetos de lei de aumento de gastos públicos visando a agravar a situação fiscal já crítica do governo Dilma, as chamadas pautas-bomba.
Rancoroso, declarou várias vezes a incapacidade de Dilma de governar o país, além de fazer ameças de que ela não concluiria seu mandato, comportamento que o colocou na posição de mentor e principal artífice do golpe de impeachment da presidenta Dilma.
Posteriormente, durante o governo ilegítimo e usurpador e de Temer (ex-vice de Dilma), viu-se envolvido em denúncias de escândalos de corrupção, pedidos de quantias de dinheiro de até 2 milhões de reais e da entrega de malas, de que participou seu primo, alvo de brincadeira de extremo mau gosto que justificava ter sido escolhido como intermediário por “ser um que a gente mata ele antes de fazer delação".
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É isso aí.
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Um comentário:
Excelente Paulo. Patifes travestidos de probos... Depois do kid cascadebanana termos de aturar este arremedo de Nero esmiliguido é muita punição. E no mínimo um destes patifes para senador. A democracia vai ruindo.
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