Colecionei frustrações
Reuni fracassos
Mulheres que partiram para outros braços
Amores que perdi pelo caminho.
Colecionei sonhos,
abandonados nas gavetas
de fechaduras arrombadas
junto a telefones ocupados
E linhas cruzadas.
Só não colecionei desde criança
A chama viva
Que alimenta a esperança.
terça-feira, 10 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Bólido Sideral
Navego como um bólido de luz
Máquina de fogo a cruzar os céus
Corpo alado em vôo solitário ao sol
Onde lanço âncoras em busca do repouso
Longa é a vida de cometa errante
Que risca cintilante o firmamento
Em explosão de rastros e fagulhas
Massa que atrai massa
E gravita em ócio pelo espaço
Parto para o fim do dia
Onde a noite envolta em buraco negro
Colide contra o sol
E concluo, enfim, o meu passeio orbital
Realidade etérea
transformo-me na energia que renasce das cinzas
e preparado para repetir a experiência
volto a brotar no ventre da terra mãe
em que ensaiei meus derradeiros passos
Máquina de fogo a cruzar os céus
Corpo alado em vôo solitário ao sol
Onde lanço âncoras em busca do repouso
Longa é a vida de cometa errante
Que risca cintilante o firmamento
Em explosão de rastros e fagulhas
Massa que atrai massa
E gravita em ócio pelo espaço
Parto para o fim do dia
Onde a noite envolta em buraco negro
Colide contra o sol
E concluo, enfim, o meu passeio orbital
Realidade etérea
transformo-me na energia que renasce das cinzas
e preparado para repetir a experiência
volto a brotar no ventre da terra mãe
em que ensaiei meus derradeiros passos
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Semeador de vento
Observar a estrela ao longe
Sabendo não poder tocá-la
Desejando inutilmente interromper sua trajetória
Que orbita outros sóis.
Apenas deixar-se olhar a noite
Acompanhando o rastro de seu briho
Iluminando o céu escuro.
Alçar os olhos até a dimensão do horizonte
Onde as nuvens brincam ao sabor dos ventos
E se acomodam nos céus
Ciente da impossibilidade de detê-las
Querer reter a espuma clara e cristalina
Que insiste em oscilar à nossa frente
Cavalgando as ondas num balé frenético e provocante
Mesmo sabendo pertencerem a outros mares
Para onde retornarão na virada da maré
Sonhar em conquistar o mundo
E prosseguir vivendo cada dia de rotina
Da réstia de esperança que teima em nos consumir
E como o raio de sol,
nos invade e incendeia.
Viver apenas
Vitorioso por resistir às perdas.
Sabendo não poder tocá-la
Desejando inutilmente interromper sua trajetória
Que orbita outros sóis.
Apenas deixar-se olhar a noite
Acompanhando o rastro de seu briho
Iluminando o céu escuro.
Alçar os olhos até a dimensão do horizonte
Onde as nuvens brincam ao sabor dos ventos
E se acomodam nos céus
Ciente da impossibilidade de detê-las
Querer reter a espuma clara e cristalina
Que insiste em oscilar à nossa frente
Cavalgando as ondas num balé frenético e provocante
Mesmo sabendo pertencerem a outros mares
Para onde retornarão na virada da maré
Sonhar em conquistar o mundo
E prosseguir vivendo cada dia de rotina
Da réstia de esperança que teima em nos consumir
E como o raio de sol,
nos invade e incendeia.
Viver apenas
Vitorioso por resistir às perdas.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Medidas polêmicas de apoio à indústria
Embora ainda afetado pelo avassalador processo de enfermidade - e felizmente assintomático, até em função da celeridade em que se deu -, que culminou no falecimento de minha sogra, sinto-me no dever de tecer algum comentário sobre as medidas de estímulo ao setor industrial de nosso país, capaz já de gerar muita polêmica
Primeiro, às medidas.
A mais badalada até agora, trata da desoneração da folha de pagamento de 15 setores selecionados, com o governo antecipando-se em divulgar que, caso seja de interesse, outros setores poderão solicitar tratamento similar.
Trata, como salientou a presidenta Dilma, de medida que visa reduzir o custo da força de trabalho, por um lado, sem trazer prejuízos aos direitos dos trabalhadores que não serão afetados.
A imprensa tem divulgado que tal medida, a ser implantada por meio da edição de uma Medida Provisória irá gerar renúncia, por enquanto, de R$ 4,9 bilhões esse ano, e R$ 7,2 bilhões no ano de 2013, período previsto para duração da política.
Tal desoneração corresponde, de fato, ao fim da contribuição patronal de 20% para a Previdência, substituída por uma elevação da carga tributária sobre o faturamento das empresas, variável de 1 a 2,5%.
Em primeiro lugar, devo assinalar que a medida vem na direção correta, como todos os analistas estão apontando, a saber, reduz os encargos sobre a folha, o que pode estimular a geração de novos postos de trabalho e novos empregos, com impactos positivos sobre a massa salarial, a renda e a demanda.
Mais emprego, claro, é sempre melhor que menos emprego, afirmação que é acaciana.
No entanto, e sem ter tido condições e disponibilidade para realizar estudos setoriais, é importante que algumas questões sejam levantadas, e algumas hipóteses analisadas.
Antes de passar a esse ponto, entretanto, é importante esclarecer que a substituição de encargos sobre a folha, medida redutora de custos, por outras fontes tributárias, como a incidência sobre faturamento das empresas, tem sido já proposta sugerida e demandada por vários estudiosos da política industrial e das mazelas, não apenas da indústria, mas da economia brasileira.
Nesse sentido, vários projetos de reforma tributária já vindos a público, trazem propostas na direção da política agora adotada.
***
No entanto, desonerar a folha de salários como decidido agora, pode não trazer os benefícios projetados, nem mesmo implicar no custo e na renúncia fiscal anunciada.
E digo isso, sem ter realizado qualquer pesquisa mais séria e abalizada a respeito, especialmente do ponto de vista dos impactos setoriais. Logo, as dúvidas que passo a expor, por serem fundadas em hipóteses e crenças que venho cultivando e, naturalmente podem não ser verdadeiras, devem ser entendidas mais como dúvidas e questões para aprofundamento dos estudos.
Bem, começo pelo mais simples, a questão da desoneração, substituída pela elevação da incidência de taxação sobre o faturamento. Tomemos uma empresa e seu faturamento de 100 mil. Pela medida proposta, sobre esse faturamento ela deverá pagar 1500, para substituir a contribuição patronal.
Ora, imaginemos que as despesas com pessoal atinjam um valor equivalente a 5 a 8% do custo de produção e comercialização. Fiquemos com uma média de 6%. Supondo que o custo bruto seja equivalente a 90% do faturamento total, teremos que, a despesa total com pessoal para essa empresa atingiria a 5400 (6% de 90%). Como se afirma que, em média, os encargos correspondam a 100% da folha, em nossas contas, isso representaria 2700, e o ganho do empresário e renúncia fiscal seria de 1200, resultado que, mesmo pequeno é positivo.
Mas, e aqui entram as minhas crenças: se a despesa com pessoal não ultrapassa a 6% do total do custo, sendo metade disso equivalente à despesa com os encargos sociais, e se o custo bruto correspondesse em média a 75% do faturamento, e além disso, a taxa sobre o faturamento da empresa fosse fixado em 2%, o que teríamos de resultado?
A empresa teria que pagar uma taxa de 2000 para o faturamento de 100 mil, e deixaria de pagar 2250 (100000 x 75% x 3%). E já aí o ganho, embora ainda presente, não seria tão significativo. Situação que me leva a imaginar que, para alguns setores e/ou até algumas empresas, o resultado poderia ser nulo, se algum.
***
Outra questão é que, medidas como a principal anunciada ontem, parecem ser específicas para os setores mais intensivos em mão de obra. E, aqui, outro problema surge: o uso mais intensivo de tecnologia, em muitos casos redutora de emprego de mão de obra, nos impõe a questão: deveríamos procurar modernizar a indústria e empresas nacionais, tornando-as mais intensivas em capital e tecnologia, ou manter o padrão característico de uma indústria/empresa tradicional, com produtos ou de maior custo ou menor qualidade?
Nesse sentido, privilegiar medidas destinadas a aumentar o emprego, estaria na direção mais recomendada, em se pensando na questão da competitividade e conquista de mercados, mais que na questão social?
Nesse caso, a questão social, não seria melhor tratada com políticas compensatórias e outro tipo de estímulos, inclusive à sua qualificação e aperfeiçoamento?
***
Surge aqui outra dúvida/questão: para indústrias cada vez mais intensivas em capital e tecnologia, a mão de obra não exigiria uma maior qualificação, uma formação profissional que nosso sistema de ensino, aprendizado e formação técnica não tem sido capazes de fornecer?
Então, o impacto de uma medida que visa ampliar o nível de emprego, na verdade não traria como benefício -diga-se de passagem por si só importantíssimo- apenas a formalização da mão de obra, e não a ampliação dos quadros de trabalhadores?
Na verdade a questão é outra: poderia uma política voltada para estimular o emprego, deixar de mencionar medidas na área da formação de pessoal?
Não teria sido mais estruturante, propor reduções de encargos, na medida em que as empresas patrocinassem planos de educação, treinamento e especialização profissional, por exemplo?
***
Mudando de foco: a desoneração proposta traria queda na arrecadação previdenciária, ampliando o rombo que vários economistas já apontam existir e que tanto combatem e criticam. Para impedir que o rombo se amplie, o governo promete que o Tesouro irá cobrir qualquer perda na Previdência, ampliando o gasto público.
Mas, ampliar o gasto público, e ainda prometer que vai manter a meta de superávit orçamentário significa que: ou o governo irá patrocinar novas elevações de tributos ou irá cortar mais gastos em outras áreas e esferas. Espera-se que não seja nas áreas de Educação, que iria conspirar contra o êxito do próprio programa ou pior ainda, sacrificar o futuro da competitividade da economia do país, nem na área da Saúde, já suficientemente precária e deteriorada.
Também espera-se que não seja na área de gastos com infra-estrutura, já que tais gastos, em alguns casos não poderão deixar de ser efetuados, podendo ser classificados como incompressíveis ou resistentes à baixa, tendo em vista os eventos que estão planejados para nosso país (Copa do Mundo e Olimpíadas) ou ainda a resolução de gargalos que acabam prejudicando nossa produtividade, custos e competitividade. O tal custo Brasil.
O que teremos para cortar mais? Juros? Já prometidos para ficar nos 9% ao ano, conforme a última Ata da reunião do Copom.
Salários do funcionalismo, já suficientemente arrochados pelas perdas inflacionárias, não repostas nos últimos anos?
Quanto a essa questão salarial, é bom que se recorde que o desmantelamento da máquina pública - aquela destinada a prestar SERVIÇOS PÚBLICOS e assistência à população, de qualidade, a partir do emprego de mão de obra qualificada significa menos capacidade de o governo poder cumprir suas políticas e ações, e não mais. E que, há nesse momento, no horizonte, uma previsão de elevação de gastos com a implantação do Fundo Previdenciário do Servidor Público.
***
Poderiam perguntar porque a preocupação com o equilíbrio orçamentário, já que a mídia e os empresários em momento algum mostraram-se preocupados com essas questões.
E aqui meu espanto: ninguém falou da possibilidade de perda de arrecadação e rombos orçamentários. Ninguém criticou o governo estar criando mecanismos que poderão ter como resultado mais e não menos endividamento. E a razão em minha opinião é de que esse gasto PODE! Por ser gasto de ajuda a empresário e não em prol às parcelas da população menos privilegiadas.
Fosse um gasto para ampliar benefícios sociais, ou aumento do funcionalismo, o mundo viria abaixo. Mas, no caso dos poderosos grupos empresariais... tudo é permitido. E elogiado!
Mas, se o lema desses que são favoráveis a que o governo só atue em benefício das classes mais poderosas e que, quanto ao resto, deixe as forças do mercado funcionarem livremente, é que "não existe almoço grátis"
alguém vai perder.
E examinar quem ganha e quem perde ou banca os ganhos dos privilegiados é o primeiro passo para se proceder a uma análise precisa de qualquer medida de política.
***
Outras medidas do pacote, como a ampliação do crédito; a elevação de recursos para ser utilizada em financiamentos pelo BNDES; a elevação do IPI sobre cervejas e refrigerantes, para compensar a perda de arrecadação potencial; e medidas protecionistas - algumas até voltadas para auxiliar a empresas de capital estrangeiro aqui instaladas também estão na direção correta, em minha opinião.
Mas são por demais importantes e complexas para não serem tratadas em colunas ou postagens próprias.
Assim, comentaremos depois a respeito delas.
Primeiro, às medidas.
A mais badalada até agora, trata da desoneração da folha de pagamento de 15 setores selecionados, com o governo antecipando-se em divulgar que, caso seja de interesse, outros setores poderão solicitar tratamento similar.
Trata, como salientou a presidenta Dilma, de medida que visa reduzir o custo da força de trabalho, por um lado, sem trazer prejuízos aos direitos dos trabalhadores que não serão afetados.
A imprensa tem divulgado que tal medida, a ser implantada por meio da edição de uma Medida Provisória irá gerar renúncia, por enquanto, de R$ 4,9 bilhões esse ano, e R$ 7,2 bilhões no ano de 2013, período previsto para duração da política.
Tal desoneração corresponde, de fato, ao fim da contribuição patronal de 20% para a Previdência, substituída por uma elevação da carga tributária sobre o faturamento das empresas, variável de 1 a 2,5%.
Em primeiro lugar, devo assinalar que a medida vem na direção correta, como todos os analistas estão apontando, a saber, reduz os encargos sobre a folha, o que pode estimular a geração de novos postos de trabalho e novos empregos, com impactos positivos sobre a massa salarial, a renda e a demanda.
Mais emprego, claro, é sempre melhor que menos emprego, afirmação que é acaciana.
No entanto, e sem ter tido condições e disponibilidade para realizar estudos setoriais, é importante que algumas questões sejam levantadas, e algumas hipóteses analisadas.
Antes de passar a esse ponto, entretanto, é importante esclarecer que a substituição de encargos sobre a folha, medida redutora de custos, por outras fontes tributárias, como a incidência sobre faturamento das empresas, tem sido já proposta sugerida e demandada por vários estudiosos da política industrial e das mazelas, não apenas da indústria, mas da economia brasileira.
Nesse sentido, vários projetos de reforma tributária já vindos a público, trazem propostas na direção da política agora adotada.
***
No entanto, desonerar a folha de salários como decidido agora, pode não trazer os benefícios projetados, nem mesmo implicar no custo e na renúncia fiscal anunciada.
E digo isso, sem ter realizado qualquer pesquisa mais séria e abalizada a respeito, especialmente do ponto de vista dos impactos setoriais. Logo, as dúvidas que passo a expor, por serem fundadas em hipóteses e crenças que venho cultivando e, naturalmente podem não ser verdadeiras, devem ser entendidas mais como dúvidas e questões para aprofundamento dos estudos.
Bem, começo pelo mais simples, a questão da desoneração, substituída pela elevação da incidência de taxação sobre o faturamento. Tomemos uma empresa e seu faturamento de 100 mil. Pela medida proposta, sobre esse faturamento ela deverá pagar 1500, para substituir a contribuição patronal.
Ora, imaginemos que as despesas com pessoal atinjam um valor equivalente a 5 a 8% do custo de produção e comercialização. Fiquemos com uma média de 6%. Supondo que o custo bruto seja equivalente a 90% do faturamento total, teremos que, a despesa total com pessoal para essa empresa atingiria a 5400 (6% de 90%). Como se afirma que, em média, os encargos correspondam a 100% da folha, em nossas contas, isso representaria 2700, e o ganho do empresário e renúncia fiscal seria de 1200, resultado que, mesmo pequeno é positivo.
Mas, e aqui entram as minhas crenças: se a despesa com pessoal não ultrapassa a 6% do total do custo, sendo metade disso equivalente à despesa com os encargos sociais, e se o custo bruto correspondesse em média a 75% do faturamento, e além disso, a taxa sobre o faturamento da empresa fosse fixado em 2%, o que teríamos de resultado?
A empresa teria que pagar uma taxa de 2000 para o faturamento de 100 mil, e deixaria de pagar 2250 (100000 x 75% x 3%). E já aí o ganho, embora ainda presente, não seria tão significativo. Situação que me leva a imaginar que, para alguns setores e/ou até algumas empresas, o resultado poderia ser nulo, se algum.
***
Outra questão é que, medidas como a principal anunciada ontem, parecem ser específicas para os setores mais intensivos em mão de obra. E, aqui, outro problema surge: o uso mais intensivo de tecnologia, em muitos casos redutora de emprego de mão de obra, nos impõe a questão: deveríamos procurar modernizar a indústria e empresas nacionais, tornando-as mais intensivas em capital e tecnologia, ou manter o padrão característico de uma indústria/empresa tradicional, com produtos ou de maior custo ou menor qualidade?
Nesse sentido, privilegiar medidas destinadas a aumentar o emprego, estaria na direção mais recomendada, em se pensando na questão da competitividade e conquista de mercados, mais que na questão social?
Nesse caso, a questão social, não seria melhor tratada com políticas compensatórias e outro tipo de estímulos, inclusive à sua qualificação e aperfeiçoamento?
***
Surge aqui outra dúvida/questão: para indústrias cada vez mais intensivas em capital e tecnologia, a mão de obra não exigiria uma maior qualificação, uma formação profissional que nosso sistema de ensino, aprendizado e formação técnica não tem sido capazes de fornecer?
Então, o impacto de uma medida que visa ampliar o nível de emprego, na verdade não traria como benefício -diga-se de passagem por si só importantíssimo- apenas a formalização da mão de obra, e não a ampliação dos quadros de trabalhadores?
Na verdade a questão é outra: poderia uma política voltada para estimular o emprego, deixar de mencionar medidas na área da formação de pessoal?
Não teria sido mais estruturante, propor reduções de encargos, na medida em que as empresas patrocinassem planos de educação, treinamento e especialização profissional, por exemplo?
***
Mudando de foco: a desoneração proposta traria queda na arrecadação previdenciária, ampliando o rombo que vários economistas já apontam existir e que tanto combatem e criticam. Para impedir que o rombo se amplie, o governo promete que o Tesouro irá cobrir qualquer perda na Previdência, ampliando o gasto público.
Mas, ampliar o gasto público, e ainda prometer que vai manter a meta de superávit orçamentário significa que: ou o governo irá patrocinar novas elevações de tributos ou irá cortar mais gastos em outras áreas e esferas. Espera-se que não seja nas áreas de Educação, que iria conspirar contra o êxito do próprio programa ou pior ainda, sacrificar o futuro da competitividade da economia do país, nem na área da Saúde, já suficientemente precária e deteriorada.
Também espera-se que não seja na área de gastos com infra-estrutura, já que tais gastos, em alguns casos não poderão deixar de ser efetuados, podendo ser classificados como incompressíveis ou resistentes à baixa, tendo em vista os eventos que estão planejados para nosso país (Copa do Mundo e Olimpíadas) ou ainda a resolução de gargalos que acabam prejudicando nossa produtividade, custos e competitividade. O tal custo Brasil.
O que teremos para cortar mais? Juros? Já prometidos para ficar nos 9% ao ano, conforme a última Ata da reunião do Copom.
Salários do funcionalismo, já suficientemente arrochados pelas perdas inflacionárias, não repostas nos últimos anos?
Quanto a essa questão salarial, é bom que se recorde que o desmantelamento da máquina pública - aquela destinada a prestar SERVIÇOS PÚBLICOS e assistência à população, de qualidade, a partir do emprego de mão de obra qualificada significa menos capacidade de o governo poder cumprir suas políticas e ações, e não mais. E que, há nesse momento, no horizonte, uma previsão de elevação de gastos com a implantação do Fundo Previdenciário do Servidor Público.
***
Poderiam perguntar porque a preocupação com o equilíbrio orçamentário, já que a mídia e os empresários em momento algum mostraram-se preocupados com essas questões.
E aqui meu espanto: ninguém falou da possibilidade de perda de arrecadação e rombos orçamentários. Ninguém criticou o governo estar criando mecanismos que poderão ter como resultado mais e não menos endividamento. E a razão em minha opinião é de que esse gasto PODE! Por ser gasto de ajuda a empresário e não em prol às parcelas da população menos privilegiadas.
Fosse um gasto para ampliar benefícios sociais, ou aumento do funcionalismo, o mundo viria abaixo. Mas, no caso dos poderosos grupos empresariais... tudo é permitido. E elogiado!
Mas, se o lema desses que são favoráveis a que o governo só atue em benefício das classes mais poderosas e que, quanto ao resto, deixe as forças do mercado funcionarem livremente, é que "não existe almoço grátis"
alguém vai perder.
E examinar quem ganha e quem perde ou banca os ganhos dos privilegiados é o primeiro passo para se proceder a uma análise precisa de qualquer medida de política.
***
Outras medidas do pacote, como a ampliação do crédito; a elevação de recursos para ser utilizada em financiamentos pelo BNDES; a elevação do IPI sobre cervejas e refrigerantes, para compensar a perda de arrecadação potencial; e medidas protecionistas - algumas até voltadas para auxiliar a empresas de capital estrangeiro aqui instaladas também estão na direção correta, em minha opinião.
Mas são por demais importantes e complexas para não serem tratadas em colunas ou postagens próprias.
Assim, comentaremos depois a respeito delas.
Desencapsulando
Desvencilhar-se da pele
como se fosse um animal
ter de aprender a prosseguir
e sobreviver sem ter vocë
e continuar sem te sentir
sem poder tocar, te ver sorrir
Desentranhar você
retirar você de mim
desvestir, me despelar
como arrancar um esparadrapo
num impulso único, um puxão
ter de respirar só expelindo ar
como se não houvesse inspiração.
Arrancar-te à força
te extrair
ter de esquecer
ter de fingir
e se acostumar sem reclamar
da dor que insiste em voltar
Desimpregnar sem resistir
E, admitir te ver partir
Deixar o vazio invadir
sorrateiro vir e dominar
e de forma mansa penetrar
o espaço que foi seu lugar
como se fosse um animal
ter de aprender a prosseguir
e sobreviver sem ter vocë
e continuar sem te sentir
sem poder tocar, te ver sorrir
Desentranhar você
retirar você de mim
desvestir, me despelar
como arrancar um esparadrapo
num impulso único, um puxão
ter de respirar só expelindo ar
como se não houvesse inspiração.
Arrancar-te à força
te extrair
ter de esquecer
ter de fingir
e se acostumar sem reclamar
da dor que insiste em voltar
Desimpregnar sem resistir
E, admitir te ver partir
Deixar o vazio invadir
sorrateiro vir e dominar
e de forma mansa penetrar
o espaço que foi seu lugar
terça-feira, 3 de abril de 2012
Identidade
Cascalho derramado no caminho
Sou pedra de rio lavada
Minério de areia grudada
sou barro, sou pedra pisada
jogado no leito de estrada:
sou chão.
Sou a poeira que o carro levanta
Que o vento desgarra do chão
Sou a rota
Ou o fim do caminho
sem rumo e sem direção
a picada aberta no mato
a partida ou a chegada
eu sou seu atalho perdido
em vão
cascalho em meio à estrada
não sou mão nem contra-mão
sou pedra que se despedaça
só poeira ou ilusão
Sou pedra de rio lavada
Minério de areia grudada
sou barro, sou pedra pisada
jogado no leito de estrada:
sou chão.
Sou a poeira que o carro levanta
Que o vento desgarra do chão
Sou a rota
Ou o fim do caminho
sem rumo e sem direção
a picada aberta no mato
a partida ou a chegada
eu sou seu atalho perdido
em vão
cascalho em meio à estrada
não sou mão nem contra-mão
sou pedra que se despedaça
só poeira ou ilusão
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Olhos verdes da verdade
A PROPÓSITO DOS OLHOS VERDES DA VERDADE
(onde tudo é mentira!)
A verdade
tem olhos claros cristalinos
translúcidos, transparentes
muito diferentes das cores do prisma
do espectro que emana da luz
e guia os cegos
pelos caminhos da insensatez
Diferentes da coloração
que insiste em tingir as íris
e esconder sob a essência
os tons que a moda impinge autoritária
A verdade
como o caleidoscópio
gira vidrilhos de luz coloridos
e forma
a cada olhar e cada giro
um jeito novo de se ver à frente
uma nova imagem etérea
sempre à espera do conquistador
que ao domá-la e transformá-la em posse
torna-se seu dono exclusivo e único.
Até que novos giros e olhares
redefinam parcialmente o Homem
cujos olhos repousam sobre as partículas
redesenhando os sonhos.
A verdade
como palavra que vai
é vã
cortesã de brilho de strass
opaco, frio e fugaz.
(onde tudo é mentira!)
A verdade
tem olhos claros cristalinos
translúcidos, transparentes
muito diferentes das cores do prisma
do espectro que emana da luz
e guia os cegos
pelos caminhos da insensatez
Diferentes da coloração
que insiste em tingir as íris
e esconder sob a essência
os tons que a moda impinge autoritária
A verdade
como o caleidoscópio
gira vidrilhos de luz coloridos
e forma
a cada olhar e cada giro
um jeito novo de se ver à frente
uma nova imagem etérea
sempre à espera do conquistador
que ao domá-la e transformá-la em posse
torna-se seu dono exclusivo e único.
Até que novos giros e olhares
redefinam parcialmente o Homem
cujos olhos repousam sobre as partículas
redesenhando os sonhos.
A verdade
como palavra que vai
é vã
cortesã de brilho de strass
opaco, frio e fugaz.
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