sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Novamente racismo no futebol, espaço generoso para a manifestação de muitos outros preconceitos

Admito que qualquer pessoa no meio de uma massa perca um pouco o autocontrole e passe a agir sob a influência e da forma como agem todos aqueles que estão a seu lado. Já tive a oportunidade de observar isso nos campos de futebol e, confesso que, não raras vezes já me peguei agindo de maneira que não seria o meu comportamento estivesse eu sozinho.
Assim, quantas vezes já vi aquele torcedor que entrou em meio à torcida de meu time, e depois de mostrar que não estava ali por acaso ou desinformado, "convidado" a se retirar por meio de alguns safanões, ainda ironiza, provoca, xinga, agride com palavrões e acaba se envolvendo em alguma briga, inevitavelmente ouvirá o grito, quase uma sentença por seu atrevimento, de todos que estavam próximos apenas assistindo à escaramuça: mata! mata! mata?
Quantas vezes, honestamente, não nos pegamos acompanhando o coro. Quantas vezes, não gritamos a plenos pulmões: Mata! mata?
E ao jogador adversário que cometeu uma jogada desleal ou depois de uma jogada mais dura, que machucou um atleta de nosso time, quantas vezes nas jogadas seguintes em que ele estiver presente, não será dirigido o coro: Pega!pega?
Quantos de nós não gritou Pega! Quebra!, apenas reproduzindo a selvageria que, em outras circunstâncias gostaríamos de ver coibida?
E o juiz, quantas vezes não mandamos ir tomar .... apenas porque o infeliz cometeu um erro, mesmo que às vezes tão grotesco e resultado de má intenção explícita?
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A questão é que nós somos assim. Não nos controlamos e, em algumas ocasiões, acabamos nos tornando selvagens, resgatando todo lado animalesco que habita nossas profundezas e que fomos sufocando através de todo um processo de socialização, formação e educação.
E às vezes, esse nosso lado oculto vem à luz. Explode.
E, como toda carga sob pressão, sua explosão é sempre potencialmente arrasadora. Perigosa.
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Digo tudo isso, a propósito de toda essa polêmica surgida em torno dos torcedores do Grêmio e do time gaúcho, e as ofensas e injúrias de que foram protagonistas contra o goleiro Aranha, do Santos.
E nessa confusa situação, gostaria de fazer algumas observações.
A primeira, a de que acredito que a infeliz e digna de pena, como o próprio Aranha se referiu a ela, moça de apenas 23 anos de idade, que foi flagrada gritando claramente a expressão MACACO, sílaba a sílaba, de fato não seja, em condições normais de sua vida, racista.
Ou por outra, concordo que, por seu comportamento, tenha sim, alguns traços de racismo, mas que não seja capaz de externar esse ranço em situações que não sejam de absoluta tensão ou estresse.
Dito de outra forma. Deve ser, como milhares de pessoas que conhecemos e que são de nosso convívio, alguém que não gosta, procura não conviver, tem restrições a pessoas de origem afro, mas que não são capazes de agredi-los, de atacar, de destratar, sufocando na maioria das vezes sua verdadeira índole. Preferem não ter qualquer contato ou convívio, mas não podendo evitar tais situações, tratam de forma fria e indiferente. Seca. Sem deixar transparecer sua insatisfação por estar naquela circunstância.
Mas ela foi flagrada e virou protagonista de uma ocorrência de que apenas foi parte. Condenável, claro. Mas... a pergunta que não quer calar é: e os outros???
Porque as câmaras flagraram e registraram várias pessoas próximas pulando e fazendo gestos e o que pareciam ser sons guturais, simulando o comportamento de símios.
E esses, que urravam e pulavam movimentando os braços, só por não terem sido filmados e apresentados a todo o país gritando a palavra macaco, esses vão escapar das punições, exatamente as mesmas, que agora cobramos em relação à moça?
Porque não flagrados gritando, podem alegar que apenas entoavam cantos de estímulo ao time e que a coreografia que faziam nada continha de gestual racista.
E como provar que os urros que simulavam, não eram parte de um desses cantos de guerra que inundam e infestam os estádios, muitos até elogiados e solicitados pela imprensa, mesmo que com características e dizeres senão racistas ou injuriosos, bastante violentos.
Não é por não ser do time do Cruzeiro, mas o canto que já foi até matéria de reportagem, elogiosa diga-se de passagem, menciona até algo como ser a besta fera.
Confesso que não sei a circunstância em que a expressão aparece. Não conheço e nem me preocupo em conhecer tal cântico, mas...
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Para não dizer que citei esse canto de guerra por ser do time adversário, pensando bem, não é homofóbico e passível de condenação também a menção que a torcida do Galo faz ao goleiro Fábio, no canto que passou  a entoar depois da Copa. Inclusive com a mesma musiquinha que a torcida argentina tanto entoou?
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Mas voltando ao caso do Grêmio. O segundo comentário a respeito que gostaria de fazer é que entendo que o Grêmio não poderia ser punido por culpa de comportamento de alguns torcedores que ele não poderia nunca impedir. Afinal, também a censura não é considerada crime?
E no Estado de Direito, cada um não é quem deve responder por seus atos ou desatinos?
E o time gaúcho ainda tem procurado agir para punir a seus torcedores que o envergonham perante ... todo o país (????)
Tem colaborado com a justiça, inclusive entregando as fitas gravadas, a imagens, os torcedores que estavam próximo ao local de onde partiram as agressões.
Punir o Grêmio é, em minha opinião, um exagero, embora também seja de opinião, o que é contraditório, reconheço, que se não se pune o time cuja torcida comportou-se de forma injuriosa, outros torcedores irão repetir os atos. Contando com a mesma tolerância ou complacência dos que, próximos à ocorrência não se manifestaram.
E aqui o terceiro ponto a observar. A imagem da moça que agora todos condenam, com razão, mostra que ela até se encolhia atrás de outra moça, que não falava nada. Mas a tudo assistia ou ouvia, sem reação.
Ao testemunhar a ocorrência de um crime sem intervir ou denunciar, procurando evitar que ele seja cometido, a pessoa está apenas adotando um comportamento de medo, de segurança ou de cumplicidade?
Porque o silêncio naquele caso também não é objeto de qualquer comentário da imprensa?
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Punido o Grêmio, com a exclusão da Copa do Brasil, os que se silenciaram serão punidos, o que ficaram impassíveis, idem. Os que gritaram e não foram filmados também. Os que nada tinham a ver com toda a situação, a maioria, também. Ou seja, perdem todos.
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Mas, melhor em minha opinião foi a punição feita ao juiz que, alertado pela vítima de estar sendo agredido verbalmente, de estar sendo vítima de um crime, ainda foi ameaçar Aranha, como se o goleiro é que fosse o responsável por tudo o que acontecia, por estar provocando os torcedores gremistas.
O juiz, que preferiu julgar precipitadamente a situação, optou por condenar o lado mais frágil da história. Talvez por medo da reação da torcida. Talvez medo de uma invasão de campo, quem sabe.
Porque alegar que não ouvia os gritos dirigidos ao goleiro ou os urros e que não via o comportamento, os pulos dos torcedores, não pode ser justificativa. Os fatos estavam lá para quem quisesse enxergar, enxergá-los.
Pior é o infeliz ainda não relatar na súmula após o jogo os eventos, mesmo depois de alertado das agressões por Aranha.
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Bem, é muito barulho que essa situação está causando, embora felizmente não seja, como na peça de Shakespeare, muito barulho por nada. Aqui o barulho deve ser feito, ampliado, repercutido e ecoar muito para que todos nós, torcedores, frequentadores de estádios, etc. possamos refletir sobre o comportamento que temos adotado. E as modificações que deveríamos promover, para que, ao menos possamos viver em uma sociedade menos agressiva, menos violenta e mais harmoniosa.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Parábola do crente e do hipócrita no poder. O previsível discurso vazio de Aécio; Selic e pesquisas eleitorais

É comum, ao iniciar o dia, que uma de minhas primeiras atividades seja a leitura da Folha de São Paulo para que eu possa me manter mais bem informado sobre as notícias, comentários e análises dos fatos e eventos que foram destaque no dia anterior. 
Quase que como regra, começo a leitura pela coluna do impagável José Simão, como que em  um ritual para melhorar meu humor e poder depois, já com o fígado desopilado poder me dedicar à leitura das páginas mais densas e ... tensas do jornal, as de política, mundo, economia, etc.
Excepcionalmente hoje, e alterando meus hábitos sem qualquer arrependimento, comecei pela leitura do texto de Contardo Calligaris (caderno Ilustrada, página E10), atraído que fui pelo título sugestivo para o momento que vivenciamos no país: Hipócritas ou Crentes?
Trata-se de uma parábola em que, por hipótese, somos, cada um de nós, completamente permissivos na prática do sexo e, como tal, objeto da preocupação e alvo das medidas, na maior parte das vezes proibitivas, adotadas pelos governos.
Para completar o quadro, existem dois países A e B, com um terço da população completamente indiferente e alheio a tudo e a todos, um terço formado por crentes e outro terço por libertários hipócritas.
Aos olhos dos crentes, somos todos pecadores, para os libertários, para quem tudo é permitido (até beijar você no escuro do cinema, onde ninguém nos vê!!!) basta que haja respeito, de nossa parte, à liberdade de cada um que até ser crente e intolerante é tolerado!
Em um país, o governo é dominado pelos crentes, em outro, pelos libertários. 
Com nosso gosto sexual em primeiro plano, onde escolheríamos para morar, no país que nos condenaria ao fogo do inferno em vida ou no libertário?
Segundo Contardo, essa escolha seria desprovida de qualquer sentido. Em ambos os países, seríamos condenados por nosso gosto extravagante. No governado pelos crentes, por serem crentes e não admitirem tal prática, por princípios religiosos.
Em relação ao outro porque, libertários ou não, os governantes iriam precisar do voto do terço crente para se eleger e manter sua governabilidade. E se manter no poder. 
Ao fim e ao cabo, nossa fantasia seria proibida em ambos, com a diferença de que no país libertário os governantes seriam todos hipócritas, vendendo um discurso desapegado de sua prática.
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Vai daí, que Contardo nos coloca a questão: sendo mais honestos, os crentes talvez fossem mais simpáticos e confiáveis, embora em seu meio tivesse os xiitas, que sempre pedem penas mais pesadas para a expiação dos culpados, podendo chegar ao apedrejamento. 
E aí? Em quem depositar nossas esperanças e destinos, já que o libertário não engana a mais ninguém e, independente de seu discurso, jogam para a platéia.
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Infelizmente, essa é a situação que reflete em parte a realidade com que nos confrontamos o povo brasileiro. 
Como o autor alerta, qualquer semelhança com o Brasil não é apenas coincidência. É o triste retrato em preto e branco, descorado, de nossa decadência política.
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Muito bom. Instigante, mesmo. Vale a reflexão: quando o povo vai acordar e tomar o poder em suas mãos, de acordo com seus reais interesses, e sem se deixar enganar por visionários ou hipócritas?


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Entrevista ontem no Jornal da Globo

Bem fez, em minha opinião, a presidenta Dilma de não comparecer ao Jornal da Globo, evitando de se expor ao linchamento que foi a entrevista concedida ao Bonner e à Patrícia Poeta, e seu cada vez mais fraco Jornal Nacional.
Embora William Waack e sua companheira de bancada tenham mostrado, ao menos ontem, com Aécio, mais elegância e educação que Bonner e sua sanha de querer agredir, mais que questionar.
Quanto ao comportamento do Bonner, gastando inutilmente o nosso tempo,  apenas mudando a forma de elaborar a mesma questão para tentar arrancar da presidenta, inúmeras vezes, sua opinião sobre o episódio e as penas do mensalão, que ela já tinha deixado claro na primeira tentativa de que não iria responder, já comentei anteriormente.
Sua agressividade, que ele acredita que tentou imprimir em todas as entrevistas com todos os candidatos, não foi autêntica, já que, com outros ele tolerou as esquivas, e teve mais civilidade. 
Talvez também Waack, com a Dilma não fosse tão tolerante quanto foi ontem, com Aécio. Mesmo sendo dever dizer que ele ainda tentou, algumas vezes, extrair do candidato alguma declaração mais concreta e não o conjunto de obviedades vazias que o candidato apresentava.
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De Aécio, apenas a constatação de que o candidato está cada vez mais previsível. Não apenas no sentido da previsibilidade que o peessedebista parece crer que representa e que basta para acertar a todos os pontos, por exemplo da política econômica que ele tanto critica como estar semelhante a uma terra arrasada.
Questionado sobre que ministérios irá eliminar, tergiversou. Vai deixar aí um número razoável de, talvez, 23. 
Sua justificativa é que esse é um número razoável, e que outras funções que devem ser desempenhadas não precisam de ter o status de ministério. No fundo, no fundo, apenas citou a incorporação da Pesca em um superministério da Agricultura ou Agronegócio.
Curiosamente, assim como Collor propôs e executou, de triste memória, se propõe a recriar a superpasta da Infraestrutura, para ser o único centro, locus ou o antro da corrupção.
Ao menos, centralizaria a propina e negociatas... ou não?
Em relação a essa questão de ministérios, já tivemos a oportunidade de comentar aqui que dos 39 ministros de Dilma, 16 apenas têm o título, embora a função sempre tenha existido e sido executada, com outros status. Estrutura mesmo e gastos elevados, portanto, em princípio, apenas as 23 pastas que Aécio já afirmou que irá manter. 
Quanto a como vai combater a inflação sem mexer em juros, saiu pela tangente. Para ele, basta vencer e a previsibilidade se encarrega do resto.
Como vai fazer para retomar a trilha perdida pelo PT, na política econômica? O governo dele irá fazer o país crescer. E o país crescerá porque o governo dele não será intervencionista. Não irá promover quebra de contratos. A indústria vai voltar a ter importância, deixando de representar hoje, o que já representava nos tempos de JK, 13% do PIB.
Esse crescimento irá, por óbvio, dar mais segurança aos trabalhadores, e gerar mais empregos, ao contrário do governo Dilma que, em julho, gerou a menor taxa de desemprego da HISTÓRIA (?) do Brasil!!??????
Claro, isso não será da noite para o dia. Vai levar um tempo. Vai levar o tempo para a previsibilidade, seja lá o que isso signifique na cabeça do candidato, surtir efeitos...
Como não saiu desse discurso previsível, mesmo que quando cobrado pela Christiane Pelajo, apenas sabemos que ele acha um absurdo que o governo queira discutir taxa de retorno de empreendimentos privados. 
Ao menos fica claro que em seu governo, irá tolerar qualquer lucratividade obtida nos negócios que o Estado deve ao menos agir como provedor, o que sinaliza que irá tolerar a fixação de preços de produtos de utilidade pública, com a inclusão de qualquer mark-up.
Ah! sim. Irá voltar a dar força às agências reguladoras, que irão ajudar a debelar a inflação... 
Por ser previsível, irá também corrigir os preços represados dos produtos administrados pelo governo, como energia, combustíveis, mas isso, sem açodamento. Ao longo do tempo para que o realismo tarifário que propõe não ponha mais lenha na fogueira da inflação e os preços voltem a expressar a realidade dos mercados.
Completamente previsível. E vazio. Completamente vazio.

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Selic e Juros no BC refém

Sob a expectativa de que seu refém, o BC não tentaria fugir a suas determinações, o mercado apostou e... milagre!!! a aposta estava correta, em que a Selic não seria alterada, mantendo-se nos 11%.
Isso, independente de a economia estar apresentando sinais de recessão. 
É que a inflação continua resistente à queda e para que a meta não estoure no ano, os juros devem continuar no patamar em que se encontram.
Ok.
Apenas observar que nenhum comentarista lembrou que a inflação vem cedendo, nos últimos meses, apresentando valores declinantes mês a mês. E que a recessão também é circunstancial, já que os indicadores antecedentes já indicam alguma recuperação até mesmo da indústria. 
E já que o mercado, conforme a pesquisa Focus espera PIB de 0,5 positivo, o crescimento será pífio, sim. Mas não caracteriza nunca, nem pode caracterizar redução do nível de atividade econômica.
E ainda tem gente que diz que o BC não tem autonomia.


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Pesquisas

As pesquisas IBOPE e Datafolha indicam ligeira recuperação de Dilma, que ainda vence no primeiro turno e perde para Marina no segundo turno e a queda ladeira abaixo de Aécio. 
O que, aos olhos do candidato tucano deve ser também previsível, com seu discurso empolado e oco.
Já Marina mantém-se, transversalmente, iludindo aos vários públicos para os quais se apresenta, rainha da demagogia que é. 
Quanto a sua candidatura, e a coluna-parábola de Contardo Calligaris, apenas lembrar que existe sim, e não foi descrito pelo autor, a figura do crente hipócrita. 
Que reúne o pior dos mundos. Mas, acreditem, existe, e tem nome. 
Atualmente atende por Marina Silva.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A proposta destinada a queimar Aécio e seu PSDB e uma nova proposta para a política econômica do país

Cada vez mais, embora acredite que seja das atividades humanas mais nobres, torna-se difícil manter o interesse na política e acompanhar sua evolução pela leitura atenta aos jornais, sem sentir algum engulho.
E nem me refiro aqui ao fato de que não é possível ignorar que a midia, os jornais, etc. manipulam e distorcem informações, cometem e divulgam análises viciadas, ao contrário de levar ao público dados e notícias relevantes, de forma a permitir-lhe analisar e avaliar opções, formar opiniões e tomar decisões que contribuíssem para um amadurecimento e maior grau de conscientização do povo.
Esperar tal comportamento seria ingenuidade extremada, em relação a pessoas, órgãos, instituições que, como não podemos nos esquecer têm, representam, difundem e repercutem seus próprios interesses, o que é legítimo em regimes democráticos, em que qualquer espécie de regulamentação corre sempre o risco de ser confundida com a prática da censura.
Mas o próprio exercício da política conforme colocado em prática por seus principais atores é capaz de nos causar reações de nojo, ou no mínimo de perplexidade.
Não pode ser outra a reação perante o comportamento de assessores e pessoas que fazem parte de círculos afins ao senador Aécio Neves que, na esteira do voto útil que vai ganhando corpo junto ao eleitorado do candidato, começam a sugerir que o peessedebista renunciasse a sua candidatura já agora, de forma a assegurar a derrota do PT no primeiro turno, conforme revela notícia do dia de ontem do jornal Valor Econômico.
Mesmo que, para fazer justiça ao jornal e ao candidato, fique claro na publicação o quão improvável seja a aceitação por Aécio de um acordo com Marina, ao menos antes da definição do primeiro turno.
Porque caso viesse a fechar tal acordo, Aécio estaria, em minha opinião, cometendo um suicídio político, além de condenar seu partido, que pela vez primeira lançou um candidato não paulista, a cada vez mais se transformar em um partido bandeirante. E pior, sem o protagonismo que sempre ostentou quando era acusado de se preocupar apenas com os interesses do estado mais rico da federação.
Abandonar a disputa queimaria ainda a figura de Aécio, sempre lembrado pela imagem que vende de garotão de praia, playboy,  cujo nome seria associado para todo o sempre com o de alguém avesso às disputas mais renhidas e incapaz de enfrentar grandes combates.
Não parece ser esse o estilo de Aécio, especialmente depois de ter vendido ao eleitorado do país a ideia de ser capaz de formular propostas com a finalidade de ajudar a construir um lugar melhor para todos viverem.
Capitular agora, mais que uma rendição ao poder arrebatador de Marina e seu discurso grandiloquente e vazio, seria reconhecer que nunca pensou no Brasil ou no povo brasileiro, e que seu desejo era tão somente o de derrotar o PT.
Entretanto, como dizem que onde há fumaça, há fogo, quero crer que Aécio entra agora em uma etapa pior de sua campanha: aquela em que tem de enfrentar o fogo amigo (pero no mucho) de seus próprios partidários, especialmente os paulistas.

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E o que diz a evolução, nunca divulgada, dos dados macroeconômicos?

Enquanto isso, em excelente artigo publicado no caderno Mercado da Folha de 2 de setembro à pagina B6, Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores apresenta uma tabela com dados que são extremamente curiosos.
Dividindo a economia brasileira em três períodos, pós implantação do chamado tripé de política macroeconômica que, conforme os analistas de mercado garantiu a estabilidade econômica, Bráulio apresenta valores e extrai conclusões dignas de reflexão.
Os 3 períodos compreendem 1999/2003, quando a inflação medida pela variação média anual do IPCA foi de 8,9%, com o centro da meta de 5,1% em média; variação do câmbio acumulada sinalizando uma desvalorização do real de 165%, superávit em conta de transações correntes de 1%,  e PIB com variação média anual de 1,9%, aquém da variação do PIB mundial de 3,4.
Para o segundo período, de 2004/2008, a variação média do IPCA foi de 5,4%, para o centro da meta alcançando em média 4,7, valorização acumulada do Real de 40% e reversão do resultado em conta de transações correntes. Quanto ao PIB, apresentou variação média de 4,8 ao ano, para um PIB mundial de 4,6%.
O último período, de 2009 até 2014, apesentou variação anual do IPCA de 5,8%, com o centro da meta ficando em média em 4,5%. O real sofreu desvalorização de 24% acumulada e o PIB apresentou crescimento médio de 2,4% contra 3,1% do PIB mundial.
Sem nos esquecermos que o período a partir de 2009 foi escolhido por servir de data para o início das medidas anticíclicas que levaram ao abandono do tal tripé macroeconômico, o autor apresenta alguns exercícios para mostrar que não fosse o câmbio e seu comportamento, o sistema de metas teria se mostrado menos exitoso. Fosse outra a cotação do câmbio, com a moeda mais estável, a inflação teria sido maior no segundo intervalo, próxima de 6%, ou teria atingido algo próximo de 5% caso o real continuasse se valorizando no último dos períodos.
Quanto à evolução do PIB, o autor demonstra que houve importante influência do ciclo econômico global sobre nossa economia, em todos os períodos.
Por fim, questiona se, verificados os dados, não seria hora de deixarmos de dar espaço aos que cobram uma retomada, como a defendida pelo discurso de Marina, por exemplo, dos fundamentos econômicos que se confundem com as bases do tripé.
Em seu lugar sugere, acompanhando proposta embasada em estudos recentes, a adoção de metas de crescimento nominal do PIB, especialmente para economias emergentes.
Qualquer que seja a opinião, vale a recomendação da leitura do artigo e a abertura de espaço para uma discussão mais ampla sobre o tema.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Entrevista de Armínio, não diz nada e afirma tudo em seus silêncios

Muito interessante a entrevista do caderno principal da Folha, no dia de ontem, com Armínio Fraga, o já nomeado ministro da Fazenda de um eventual e improvável governo Aécio.
Primeiro, por ser a prova cabal de que é possível sim, falar de forma técnica e não dizer nada. Senão vejamos: perguntado se haverá mudança na regra de reajuste do salário mínimo, caso Aécio vença, saiu pela tangente, ao afirmar que Aécio já declarou que a política de aumento real do salário continua, lembrando, inclusive, que a fórmula pode promover reajustes baixos, caso a variação do PIB, um dos componentes da regra de cálculo não apresente variação importante. Como se espera um crescimento do PIB praticamente nulo para esse ano, essa é a alternativa mais provável.
Adicionalmente, considerando-se que o reajuste tem validade para um ano, e que  seu cálculo repõe a inflação do ano anterior mas não faz qualquer estimativa para a esperada para o ano em curso, ao observador atento não escapará a possibilidade de o novo salário poder sofrer perdas em seu poder de compra ao final do primeiro ano, caso o governo perca o controle da inflação e esta venha a atingir níveis mais elevados que a do ano anterior.
Ainda na mesma resposta, Armínio afirma ter sido mal interpretado ao afirmar que os salários tinham subido muito, em geral, dando a entender que também ele considera isso desejável.
Apenas, acrescenta a necessidade de que o país apresente também, no mesmo período, ganhos de produtividade. 
Ora, o que isso significa, senão o velho discurso que joga a responsabilidade da inflação sobre aumentos de salários reais não acompanhados por ganhos de produtividade. Ou seja, o mesmo argumento que, durante anos a fio, especialmente de governos autoritários, manteve os salários arrochados enquanto esperavam o bolo crescer, em face do fermento do aumento da produtividade. Política que gerou o aumento da concentração de renda e da desigualdade degradante que caracterizou nosso país ao menos até o surgimento do governo Lula. 
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Mas, o que aconteceria com os salários caso a produtividade não apresentasse o crescimento esperado por Armínio? Seria mantida a regra atual ou, por força dos requisitos por ele apresentados, a fórmula teria de ser alterada?
Mais importante ainda, que medidas ele adotaria para conseguir levar o setor empresarial a obter os aumentos de produtividade necessários, levando-se em consideração que, no primeiro momento, se propõe a retirar o apoio do crédito subsidiado do BNDES aos empresários, acenando com uma arrumação da casa por parte do governo que inclui até mesmo uma reforma tributária?
Porque desonerar exportações, investimentos, além de simplificar a tributação, medidas que ele afirma ter grande impacto, significa transferir para outros setores da sociedade o ônus do financiamento das atividades do governo, ou aprofundar radicalmente as reformas que ele prega sob o nome de pacto extraordinário, de delegar áreas do governo para o controle do setor privado.
Ora, mais privatização, nesse momento, implicaria em o governo se desfazer do controle da Petrobras, dos bancos públicos sob o argumento de focar mais em saúde e educação, áreas que já sofrem a influência da presença do capital privado, há muito tempo.
Ele dá a entender que tudo pode ser resolvido com a supervisão por parte do governo e seu poder de regulação. Como se a literatura, mesmo a internacional, não estão já repletas de demonstrações do problema da captura do agente regulador, por parte dos regulados.
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Questionado sobre a questão da Previdência, e o ônus suportado por ela, em face da fixação do salário mínimo pela atual regra, novamente sai pela tangente, ao afirmar que, como ministro, apenas deverá elaborar e apresentar para a sociedade o orçamento e sua tendência de evolução. 
Para não dizer que não afirmou nada, sai atirando que a política hoje adotada embute um populismo exacerbado e ponto. 
Ora, então a política é ruim, e ele deverá apresentá-la dessa forma para a sociedade, inclusive com as consequências de sua manutenção: o descalabro das contas públicas. 
Logo, democraticamente e sem qualquer manipulação, suponho, a população é que será chamada a aprovar ou não a continuidade da política que provoca o estouro das contas da Previdência e do governo.
Posso estar enganado, mas na segunda resposta ele responde a primeira: o salário mínimo deve ser alterado por razões vinculadas à saúde da Previdência, e não a qualquer outra questão, como a da inflação, ou da redistribuição de renda que ela induz.
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Questionado sobre a situação dramática da Previdência e de seus problemas de médio e longo prazo, inicia a resposta, respondendo que o governo já conta com uma estratégia bem mapeada, que se inicia pela reforma política - aquela mesma que Aécio no debate da Band, cobrado, afirmou ser um absurdo, porque a presidenta Dilma encaminhou ao Congresso proposta de que sua aprovação passasse por um plebiscito que definiria os pontos objeto de alterações. 
Agora vemos que também Aécio deseja a reforma, apenas que sem qualquer consulta ao povo, para que apenas os partidos convenientemente acomodados no governo possam dar suas contribuições. Ou não?
Mas, à reforma política seguirá a administrativa, e a reforma tributária. E segue por aí. 
Lá pelas tantas, lembra-se da questão apresentada, sobre a Previdência, para então, afirmar que como o tema se presta ao populismo, qualquer afirmação irá levar o PT a acusá-lo de arrochar salários e aposentados. 
E prossegue para afirmar que com as pessoas vivendo mais, a questão da idade de aposentadoria tem de ser revista, sem deixar de abordar a questão das pensões, que ele julga dever ser alterada. 
Embora concorde com ambas as situações, a idade tem de ser revista já que as pessoas vivem mais e estão mais tempo na idade ativa, graças aos avanços da medicina, e as pensões deveriam mesmo ser discutidas para eliminar privilégios injustificáveis, é inegável que ele deixa no ar uma acusação de populismo que não pode ser aceita.
Afinal, toda a imprensa tem dado espaço e destaque para o fato de que, indo na direção contrária à dos movimentos sindicais que apoiam o PT, seu partido, Dilma já afirmou que não muda o fator previdenciário, criação do governo do PSDB. Fator previdenciário que limita o valor do benefício para aqueles que, mesmo atendendo às condições exigidas, são penalizados por serem ainda considerados mais jovens.
Exatamente na direção que o assessor deseja.
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Por fim, questionado sobre a questão que ganhou algum destaque graças à Marina, relativa à autonomia do Banco Central, afirma que acha que o Banco não deve ter independência, mas apenas autonomia operacional, ideia que consta do projeto de Aécio. 
Curioso é que, ao tratar da existência ou não de tal autonomia nos dias de hoje, reconhece que sim, embora diga que não. 
Ao menos isso é o que se depreende quando se lê que ele acha, que há uma percepção de que o Tombini, presidente do BC, vem sofrendo muita pressão. 
Bem, como quem sofre pressão é aquele que não está fazendo o que foi exigido, ou determinado, ou cobrado e, mesmo contrariamente ao recomendado em termos de resultado da economia, os juros se mantêm em patamares elevados, pouco civilizados, então Tombini tem espaço para agir, contra tudo e o desejo de todos do governo. Ou Armínio desejava uma taxa de juros ainda maior?
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Para terminar, é importante saber que, caso Aécio não seja eleito, Armínio garante que não vai passar para o lado de Marina. O que nos assegura que dele e de suas divagações estamos livres. 
E para aproveitar a deixa, duas observações adicionais. 
Na página 3, do caderno principal, a Folha de 1 de setembro traz também um artigo que critica Armínio, pela sua arrogância no debate, ao tentar desqualificar os argumentos de seus oponentes, apenas por terem objetivos distintos dos que professa. 
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Por último, está impagável a coluna no caderno Ilustrada de Gregório Duvivier, do Porta dos Fundos e colunista da Folha às segundas, fazendo uma paródia da letra de Chico Buarque da Terezinha. 
Gregório nos remete à chegada de três Terezas, todas dignas de, assustado, o povo brasileiro dizer não.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Observações sobre as notícias econômicas que são a mesma coisa, mas que são tratadas como se fossem coisas distintas

Enquanto isso, o PIB trimestral cai pela segunda vez consecutiva, embora em valores que merecem alguma consideração. Afinal, é verdade que a queda do primeiro trimestre, é muito insignificante, dando a oportunidade para que revisões de dados possam alterar a situação.
Mas, e aí é que a coisa fica feia: o valor da queda de 0,2% já é uma revisão, uma vez que o dado originalmente anunciado era o seu contrário: 0,2% de crescimento.
No segundo trimestre, o valor de 0,6 negativo, é mais difícil de sofrer mudança que influencie em seu sinal. Pode alterar-se, claro, mas o valor de redução é mais firme.
A que atribuir tal comportamento do PIB? Crise internacional? Sim, existe e nos afeta, especialmente pela redução da demanda de nossas commodities pela freada no crescimento chinês. Some-se a isso, a situação econômica muito delicada da Argentina, nosso principal parceiro no Mercosul, e um dos principais mercados para nossa indústria automobilística.
Crise interna? Também é uma das causas. Tanto a crise real, que vem mostrando redução gradual nas estatísticas de geração de novos empregos, o que serve sempre de alerta para os trabalhadores, especialmente afetando suas expectativas de manutenção de emprego e renda. Aliado a essa situação há que se considerar ainda o fato de que o consumo puxado por bens de maior valor agregado já encontrou seus limites, uma vez feita a primeira compra, dificilmente a demanda irá continuar apresentando o crescimento do primeiro momento, em que as famílias que chegavam a mercado estavam ávidas pela aquisição de tais bens.
Além disso, é bom lembrar que as taxas de juros foram todas majoradas, principalmente nas linhas destinadas ao consumo popular, por força de o Banco Central ter sido constrangido a elevar a Selic.
Não nos esqueçamos que, todo o mercado e os analistas econômicos, foram unânimes em exigir que o Banco Central agisse, leia-se aumentasse os juros, para debelar a inflação, perigosamente próxima do limite superior da meta de inflação.
Ora, com a elevação das taxas de juros, surgem imediatamente algumas consequências: aumento da inadimplência, que vem praticamente se mantendo estável, o que indica a preferência das famílias por liquidarem seus compromissos anteriormente assumidos; redução da demanda de crédito, mais caro; redução de compras a prazo, junto ao comércio; elevação dos gastos públicos com pagamento da conta de juros.
Ou seja: não é de se espantar que o consumo e a demanda caiam, até porque era com esse intuito que o mercado todo exigia que o BC adotasse política monetária mais rígida e contracionista. É esse resultado, de queda da demanda que faz a inflação ceder, afinal. Nada mais que aquela situação que o próprio Mantega, denominou de a paz dos cemitérios.
Curioso, ou nem tanto, dados seus interesses inconfessáveis, é o mercado cobrar juros maiores em um momento e no momento seguinte passar a criticar a redução do crescimento do PIB.
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Quanto à elevação de gastos públicos e o resultado muito ruim obtido no resultado do orçamento fiscal, no mês de julho, não é também tão surpreendente, o que não significa que não seja preocupante. A própria queda da demanda, resultante do juro mais elevado, leva a queda da arrecadação fiscal, já suficientemente reduzida por políticas do governo, tentando incentivar aos empresários a retomarem investimentos.
Investimentos que não são lançados, também por que os empresários, sabem que juros maiores atraem mais capital externo com desvalorização do dólar e valorização do real. Em outras palavras, preços internos mais caros e menos mercado para os industriais enfrentarem os preços artificialmente mais baixos dos produtos importados.
Sem mercado interno assegurado e sem mercado externo, em crise, investir para aumentar a produção para vender para quem???
Se cai a receita de impostos, ao contrário a despesa pública não se reduz. Até se eleva, já quem em crise, é mais comum de a população apresentar mais problemas de saúde, etc.
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Então, não há nada que seja tão extraordinário nos resultados que vêm sendo divulgados para as variáveis da economia brasileira.
Que é vítima ainda da crise interna mais fundamental, a de confiança. Provocada, curiosamente, mais pela imprensa e o pessimismo que ela insiste em destilar, que por qualquer outra razão.
Porque é inegável que, se o mercado cobra do governo certas medidas, de resultados facilmente previsíveis quando a imprensa se nega a publicar as exigências do mercado e suas consequências, basta que o governo adote a medida cobrada, que toda a população vai ser induzida a achar que a situação vai se acertar e melhorar.
Ora, logo em seguida, a imprensa dá ouvidos e voz aos mesmos analistas de antes, aqueles que cobravam as medidas adotadas, mas que agora criticam o pequeno crescimento da produção, o descalabro das contas públicas, etc.
A impressão que fica é que uma coisa não é consequência nem vinculada à outra. O que ajuda a imprensa e aos mercados a continuarem promovendo medo e pavor nas pessoas comuns, de forma a que o terrorismo criado as faça ser contra o governo. Afinal, o governo é que parece ser muito fraco ou ruim, já que nem resolve o problema da inflação, nem os outros problemas que os analistas de mercado insistem em manter como coisas separadas.
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Em minha opinião, como tenho dito aqui várias vezes, é a crise fabricada pela midia. E, sem qualquer espanto ou surpresa, constato que, em um momento grave como esse que está sendo forjado, o nome de Armínio Fraga, volte a ser protagonista. Agora e mais uma vez, como homem forte do PSDB. O que só me faz lembrar sem qualquer saudade de sua política de terrorismo eleitoral - contra Lula, de 2002.
Sempre Armínio, cuja fisionomia até me lembra a do personagem da charge de Péricles: o amigo da onça.

O Galo e a letargia que dá ao vê-lo em campo

Sempre vai aparecer alguém para falar que o Galo jogou bem, trocou muitos passes, pressionou o Coritiba, mandou duas bolas na trave, e que afinal de contas, jogando no campo do adversário, o resultado de empate não é de todo mal.
Sempre vai aparecer alguém para falar que o time vai se entrosando aos poucos e que seu futebol está em evolução. Alguns até irão lembrar que, vindo de uma partida dura contra o Palmeiras, contra quem tem mais um confronto no meio dessa semana, o Galo se poupou, preferiu não se expor muito, para não perder mais titulares contra o time paulista pela Copa do Brasil, já que Tardelli não joga.
É possível que ao apaixonado torcedor do Galo seja vendida a fantasia de que o time é bom e, completo, irá se mostrar toda sua condição e qualidade para frequentar a zona dos times com acesso à Libertadores.
Tudo ilusão. Tudo engano.
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Ver o time do Galo jogando ontem, na capital paranaense, debaixo de muita chuva e com campo pesado, embora com a drenagem funcionando de forma bastante razoável foi um martírio. Ou um tédio.
Afinal, devemos lembrar que o Coritiba contra quem o Atlético jogou entrou no gramado na condição de pior time do campeonato, lanterna da competição.
E, foi o Coxa que saiu com mais determinação para o jogo, o que levou o time de Alex já aos dois minutos da primeira fase, a obrigar Victor a praticar excelente defesa em cobrança perigosa de falta, próxima à área.
Daí para a frente, o time do Atlético mostrava lentidão na saída de bola, nos passes, com não raras vezes a bola sendo passada de pé em pé, para Maicosuel, Alex Silva, Rafael Carioca, que atrasava a bola para Josué, que sem companheiro e categoria para passar a bola, atrasava ainda mais para que Leo Silva ou o próprio Victor dessem o chutão tentando encontrar Jô.
Algumas vezes, poucas, em que Tardelli foi acionado, jogando com Maicosuel pelo meio ou tentando alguma trama com Pedro Botelho, o Atlético ainda parecia mostrar alguma disposição para o jogo. Só que não. Tardelli prendia muito a bola e era facilmente dominado por dois, três jogadores contrários. Isso quando não errava passes de forma bisonha no meio campo.
Jô não conseguia participar de uma jogada em que estivesse com o corpo preparado para partir para cima do gol do Coxa.
Quanto à defesa do Galo, essa é inexplicável. Afinal, com tantos cabeça de área, como Josué, o próprio Rafael Carioca, contando com a volta até de Jô, às vezes, como as arrancadas de Zé Love levavam perigo? com que facilidade ele penetrava na nossa defesa, especialmente quando saía enfileirando toda a nossa retaguarda!
Do lado direito, Dudu, orientado por Alex, levava sufoco ao gol de Victor. E nem Pedro Botelho conseguia marcar a quem caísse por ali, muito menos Alex Silva. A favor de Botelho, deve ser dito que o lateral aproveitando-se da altura, ao menos andou cabeceando e tirando bolas alçadas no meio da área, local onde não estavam nem Jemerson, nem Leo Silva.
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O Coxa teve duas excelentes oportunidades de marcar, sempre com a bola indo morrer nas mãos de Victor, que ainda praticou excelente defesa em outra cobrança de falta de Alex, quase repetição da primeira.
Enquanto isso, ninguém precisava se preocupar em ficar com os olhos cravados no jogo, quando a bola estava nos pés do Atlético. Pior, poderia até cochilar, se a bola estivesse do meio campo para a frente, já que o retorno dela até as mãos de Victor, lá atrás, era o caminho mais provável de ser cursado.
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No segundo tempo, quem esperava alguma mudança de comportamento do Galo, especialmente pela saída de Josué, substituído por Donizete, não viu nada de novo no panorama do jogo. Situação que também não se alterou com a substituição de Marion ou de Maicosuel.
Ocorre que depois de perder novamente duas oportunidades de ataque que poderiam ter levado perigo, com Victor se destacando ainda mais uma vez, o Atlético percebeu o cansaço do time do Coritiba, o que deu oportunidade para que o time do Galo passasse a ficar mais  tempo com a bola no campo do adversário.
Daí, em jogada que poucos levavam fé, apareceu um cruzamento na área, que Tardelli espertamente cabeceou com perigo, para a bola caprichosamente ir se chocar contra a trave e voltar aos braços de Vanderlei.
Algum tempo depois, experimentando um chute de fora da área, novamente a bola foi se chocar com a trave do time do Paraná.
Fora isso, o jogo continuava andando, num ritmo lento, pesado, já com o cansaço interferindo nas atuações. O Galo lento, e sem que qualquer surpresa pudesse ser esperada, capaz de dar alguma emoção ao jogo.
No final, o Coritiba que tinha abdicado do ataque, ainda mandou também uma bola na trave de Victor, decretando o zero do placar.
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Posso estar enganado. Posso ter visto o jogo com o olhar de quem está decepcionado com o time e o futebol medíocre que vem sendo apresentado.
Eu que sempre defendi Levir, começo agora a rever minha posição quanto a sua capacidade de motivar e dar novo ânimo aos jogadores do Galo.
É uma pena. Mas, o fato é que do ponto de vista de nossas exigências e aspirações, a Libertadores trouxe apenas desalento para todos nós.
Acostumamos com um time vencedor, como diz nosso hino. Estamos vendo um time burocrático, que joga para trás e matando o tempo. Longe de ser o time que desejamos.
Embora ressalve-se o esforço individual de todos os jogadores, que estão correndo. O problema é que o que devia ser um time é um bando de atletas correndo, sem qualquer organização tática.

As pesquisas e o risco Marina, o novo Collor

Embora esperada, a marca obtida por Marina Silva nas pesquisas divulgadas no final da semana são, no mínimo, surpreendentes. Não apenas por ter rompido o patamar que sempre ostentou, e cujo máximo chegou a 27 pontos percentuais; nem por ter cravado um empate real com a presidenta Dilma, nos 34%, nem pela perspectiva de ser a eleita, a julgar pelas opiniões de hoje, em um eventual segundo turno.
Mais surpreendente, a julgar pelas tendências, é a possibilidade que não deve mais ser descartada, de Marina vir a conquistar a presidência, já no primeiro turno.
Hipótese fantasiosa? 
Não creio. Porque se é verdade que Dilma não arredará pé dos 33%, ou um terço do eleitorado, rondando dentro dos limites do intervalo de tolerância pouco para cima, pouco para baixo de um valor como 35%, o mesmo não se pode falar da candidatura Aécio. Principalmente, se levarmos em consideração que são esses eleitores de Aécio que mais ostentam as bandeiras do anti-petismo. Ou seja, não está fora de questão a possibilidade de, ao enxergarem maior sustentabilidade em Marina, passarem a pregar e ao final, praticarem o voto útil. 
Nesse caso, não pelas qualidades de Marina, com ou sem redes, os peessedebistas descarregariam nela suas frustrações, ou melhor dizendo, as frustrações com o Partido dos Trabalhadores, e tudo o que ele representa, seja em termos de corrupção, ou de políticas de conchavo (o que dá, mais ou menos no mesmo), e principalmente, na possibilidade um dia prevista  por Sérgio Motta de um partido ficar 20 anos no poder, embora ele se referisse erroneamente, em termos de tal possibilidade concreta, ao PSDB.
E, conquistado o voto útil de eleitores do PSDB, é muito forte a possibilidade de os votos dos ainda indecisos e sem candidato irem para a líder nas pesquisas, a essa altura, posição que já seria a da ex-senadora acreana.
Sina, afinal, de um povo que sempre sonhou com o novo, como  forma de fugir de sua vida de desalento e pobreza e como forma de conquistar finalmente sua dignidade e cidadania, sem no entanto, precisar de lutar, de enfrentar embates duros, de conquistar vitórias sempre marcadas pela ideia da superação do sacrifício. Novidade sempre encabeçada por um Messias, capaz de obter todas essas conquistas ou por seu destemor e capacidade de resistência, ou por sua inquebrantável fé na capacidade transformadora do Amor, da Paz, da reação pacífica e/ou  nihilista.
É essa imagem, esse discurso bom caratista que Marina tenta e vem conseguindo transmitir, e que arrasta consigo, como Collor já o fez anteriormente, os brasileiros que não se aperceberam que é apenas lutando, batalhando por seus direitos, arrancando de seus oponentes o reconhecimento e o respeito, que irão, enfim, conseguirem o que não se ganha de presente.
O que o povo brasileiro sonha em obter não é concessão, não pode sê-lo para não negar o próprio objeto de desejo. O que o povo todo deseja só se conquista, infelizmente, com luta. Com dor e sacrifício. Com perdas no caminho. Perdas que representam as pedras que irão construir o caminho que deve ser trilhado para que seja construída uma sociedade mais justa.
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Violência? Certamente haverá, embora não seja uma necessidade. Mas, certamente, luta. Muita luta. E não as promessas de uma candidata como Marina que usa bem o temor das pessoas de bem da luta que terão de empreender se quiserem mesmo realizar seus desejos.
Nesse sentido, a figura de Marina, mítica que seja, causa um desserviço à causa, e representa um atraso na luta para alcançá-la.
Porque, no fundo, a ex-senadora vinda de longe, das florestas, é exatamente a reencarnação da, não por acaso, figura do caçador que Collor buscava ostentar. 
E não se trata apenas do fato de o caçador e as florestas serem figuras pertencentes a um mesmo mundo imaginado. Ambos representam a novidade. Ambos tinham origem em partidos nanicos, ou de pequena expressão. Ambos tinham que falar direto às massas, seja no discurso guerreiro do cavaleiro andante contra marajás e a inflação, seja no discurso messiânico da pregação da paz e união.
Como Collor, Marina também terá de contar em seu governo, com a presença de pessoas que não guardam qualquer vínculo com suas ideias, independente de que motivações as justificassem. 
Esses tais quadros, essas pessoas, longe de serem pessoas do bem, como a candidata acredita, são pessoas oportunistas, guiadas por interesses inconfessos, escusos. 
Foi assim com Collor, e com alguns de seus principais auxiliares, especialmente aqueles que compunham seu quadro técnico, alguns vindos da Unicamp, e de formação completamente contrária a tudo que o jovem político alagoano representava. 
Mas, pouco importa, agora lembrar de Collor. Porque a situação é mais grave, já que a perspectiva de que se repita o mesmo erro agora é cada vez mais forte. 
Basta que venha a praga do voto útil, que um dia, em programa de debate entre candidatos ao governo de Minas Gerais, no ano de 1982, levou Theotônio dos Santos a cunhar uma belíssima frase, dirigida a Tancredo e sua campanha: pra que votar útil, em um inútil?
Se Tancredo nem se mostrou tão inútil assim, ao menos do ponto de vista do avanço dos ideias democráticos, o que Marina irá mostrar?
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Seu conservadorismo, revelado pela retirada de seu apoio à lei do casamento gay? Sua desfaçatez, por agir como todos os candidatos a quem sutilmente critica o comportamento? Sua forma nova de fazer política, com os mesmos arranjos e volteios e floreios de discurso, para conquistar os votos dos incautos, enquanto por baixo do tablado, costura as mesmas alianças que são o que ela mesma julga ser a razão da podridão do mundo político?
Porque sendo da mata, no lugar de se sentar e negociar com aqueles grupos que têm interesses na exploração e aproveitamento dos recursos naturais dali oriundos, prefere a companhia e o aconselhamento dos banqueiros? Porque sempre tão preocupada e atenta com as questões éticas que devem ser consideradas na elaboração da sua proposta de plano de governo, escapou-lhe, por exemplo, o fato de estar viajando em um jatinho de origem desconhecida, não declarada?
Porque, sendo a favor da transparência, não revela já que candidata, E APENAS POR ESSE MOTIVO, não revela como faturou, por que palestras e atividades, e quem pagou mais de um milhão e meio de reais, como foi anunciado ontem, pela Folha?
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Marina representa interesses bem intencionados. Sua postura, desde os tempos de PT, como representante no Legislativo ou como ministra de Lula, mostram alguém com personalidade forte, tenaz, que sabe muito bem o que deseja e como alcançar o seu intento. 
E toda sua determinação não a impediu de conviver muito bem, durante muito tempo, com toda a sorte de arranjos e acertos que agora questiona. 
Deixou o PT e foi filiar-se ao Partido Verde, menos pelas identidades de propósitos e defesa de interesses ecológicos, mas por oportunismo. Candidata pelo PV, onde se destacou com grande apelo nas eleições, em que terminou com próximo de um quinto dos votos, quis submeter o partido  a suas vontades pessoais. Autoritária, personalista, deixou o PV para fundar a Rede de Sustentabilidade, atividade em que sua capacidade de realizadora se revelou um grande fracasso. Mais uma vez, saiu culpando a outros, no caso a Justiça eleitoral e outros interesses escusos.
De forma oportuna, correu a se aliar ao PSB de Eduardo Campos, praticando o jogo de conchavos e acomodação que agora renega. 
Com o desaparecimento de Campos, alcançou seu objetivo de ser candidata. 
Que até as eleições o povo brasileiro possa descobrir a verdadeira face escondida sob o véu da candura e fragilidade que Marina transmite. 
Ou teremos um novo período aí pela frente, tão collorido quanto já experimentamos um dia.