Diz a lenda de que aqui no Brasil, o ano começa para valer apenas a partir do Carnaval. No entanto, como excepcionalmente nesse 2019, o calendário marcava os festejos de Momo para março, resolvi romper a tradição aqui nos pitacos, começando fevereiro com a proposta de elaborar uma espécie de dicionário que facilitasse entender o governo recém empossado e sua lógica de funcionamento. Se alguma (lógica).
***
A retomada das aulas; a antecipação, apesar de na 'marra', democrática, já que feita pelo povo nas ruas, da folia, e a sucessão de eventos protagonizados pelo (des)governo instalado em Brasília, no entanto, acabaram se impondo a meu ímpeto.
Sem conseguir entender a dimensão, a finalidade, a quantidade de eventos, que se desenrolava em vertiginosa velocidade, todos com a marca característica do governo mitológico de Bolsonaro, acabei derrotado pelo desânimo e resolvi promover Mais um recesso nestes pitacos.
***
Confesso que não sei dizer se queria ter tempo para entender e comentar, ou se estava apenas como no dito popular, dando corda para ver o novo e despreparado governo ir se enrolando em suas próprias atitudes.
Na verdade, sentia-me estupefato, já que surpreso é uma expressão pouco forte, e não considero honesto de quem quer que seja, alegar que não sabia...
Afinal, em minha opinião, a eleição de um mi...dessa vez um militar da reserva sem qualquer condição, conhecimento ou preparo para sequer atingir o alto oficialato, não poderia nos guiar a algum lugar diferente.
***
Pior ainda, em minha humilde opinião, há que sempre se retornar à história do mito das cavernas, e analisar o mito, qualquer que ele seja, mas especialmente a sua representação atual em nosso país, por um ponto de vista distinto.
Por que o mito, nas cavernas e na realidade da vida no mundo exterior, nada mais é do que sombras, invólucros, abstrações, sem existência concreta real, a que reputamos a capacidade de representar nossos anseios, nossos desejos, nossos medos.
***
Ou seja, os mitos, como sombras, são nossas histórias e histerias. São nossas desculpas para o exercício de nossas ações que, no mais íntimo de nós mesmos, racionalmente renegamos. São as nossas justificativas para que, em grupo, já que individualmente talvez nossa racionalidade acabasse prevalecendo, possamos agir. Em grupo, e como irracionais, apenas expressão de nossa barbárie, animais enfim libertos.
***
Mas, o que resta do mito quando descobrimos sua real função, sua volatilidade etérea, sua opacidade oca?
O que resta quando percebemos e vinculamos o mito criado à nossa imagem e semelhança, a nossa dimensão real, individual, mística e ínfima?
***
Diz a lenda que até se mata para preservar a história. O que nos faz adotar um comportamento, novamente irracional, para dar um mínimo de traços de coerência e razão para toda a nossa tradição. Sob pena de não nos aceitarmos mais, e não nos tolerando, partirmos para a guerra com todos os que, sendo iguais, nos são próximos. Ou pior ainda, sob a pena de partirmos para uma guerra com nosso próprio eu.
***
Pois bem, o resultado das minhas viagens e divagações está em parte exposta já aí em cima.
O povo que elegeu o mito está agora, em alguns poucos casos, tendo noção dos pés de barro do ídolo. Em outros, ainda, está já na fase de criar maiores fantasias, de forma a não terem que aceitar a trágica e dolorosa realidade de que o rei está nu.
***
Laranja é agro e agro é tech
Em meio ao alheamento autoimposto, ao afastamento, pude ver a deposição de um ministro, já sem forças desde a formação do governo em seu início, sob a forte influência de um seu desafeto, por acaso filho do presidente.
A medida teve como justificativa para sua adoção, a descoberta de que por baixo dos panos, havia um laranjal em plena floração.
E, como chefe da tropa da agricultura cítrica, estava Bebianno, presidente do partido nanico, de suporte ao presidente eleito.
***
A extrema imprensa
Claro, e a extrema-imprensa, como agora os mitômanos inconformados se referem a todos que insistem em apontar que as sombras das paredes da gruta são imagens refletidas da realidade exterior, a higienização não era mais que uma desculpa para a briga interna por poder, entre filhos aproveitadores das tetas do governo e da política de que sempre se serviram e políticos tradicionais, mesmo que de reputação questionável.
***
Em relação à tal extrema imprensa, vale observar que são acusadas de tentarem mostrar que a realidade exterior costuma ser muitas vezes melhor, outras nem tanto, algumas vezes até piores, mas sempre diferentes... das sombras das paredes da gruta.
Ou seja, desmontam o mito, contra o que se insurgem os que não reconhecem terem sido feitos de ingênuos por tanto tempo.
***
Pois no governo atual, pau que dá em Chico não alcança Marcelos, nem Álvaros Antônios, ainda firme no posto de Ministro de Turismo.
Embora sua jornada pelo laranjal em Minas, seja de conhecimento cada vez mais público.
***
O combate à corrupção e a tudo que foi feito de errado nos últimos anos
A verdade é que, em minha análise, a população brasileira ou grande parcela que a compõe, jamais teve a luta contra a corrupção como um bem comum, dir-se-ia um bem público, pelo qual todos deveríamos lutar, reivindicar e conservar.
***
Nesses dias de reflexão, lembrei-me do ex-governador paulista, Ademar de Barros, célebre pela expressão do rouba mas faz. Eleito tantas vezes, prefeito e até novamente governador do estado bandeirante.
***
Também me lembrei do ex-prefeito indicado pela Ditadura para a cidade de São Paulo, Maluf. Aquele que foi condenado por mau uso de verba pública quando, como prefeito, resolveu homenagear os jogadores da seleção tricampeã de futebol do mundo, com um fusca para cada um dos atletas.
***
Maluf ainda indicado por militares, seria governador de São Paulo, onde alardeava sua competência, face ao volume de obras e de, segundo denúncias, de propinas que alimentava seu governo.
Maluf voltaria a ser eleito prefeito por voto popular e, pior, conseguiu impor um poste à cidade, fazendo Celso Pitta seu sucessor.
Várias outras vezes, foi eleito deputado federal. Como se sabe, assim como Jânio Quadros, sempre foi um ídolo dos taxistas.
***
Também por São Paulo, foi várias vezes eleito deputado federal o ex-ministro da Fazenda da Ditadura, Delfim Netto.
Cuja passagem pelos ministérios que ocupou, lhe renderam várias suspeições, como o caso da formação do Bradesco, o caso da guerra à carne suína, em 1977/78.
De mais saudosa memória foi o caso da Delfin, de pessoas de seu círculo de amizades, que se transformou no escândalo da Delfin, até desaguar no famoso Caso Coroa Brastel.
Mais recentemente, teve o nome envolvido em obras de hidrelétricas suspeitas de corrupção dos governos petistas.
***
No Rio, a eleição e reeleição de Moreira Franco, Garotinho, Sérgio Cabral, mostram como parcela da classe média não se importa muito com a corrupção. Ao contrário, parece que parte dela deseja é estar se aproveitando, seja usufruindo algumas regalias, seja com indicações para postos onde também possam passar a aproveitar de rendimentos extraordinários.
***
Em Minas e seus Aécios, ou no Rio Grande do Sul, ou outros estados onde igualmente existem Marcelos Mirandas e Mestrinhos, eleitos todos, fico em dúvida se a população quer mesmo combater a corrupção.
Acho que, ao contrário o que não desejam é mudannça. No "status quo".
***
Assim, o que se tem de mágoa com o PT não é a questão da roubalheira. Mas de fazer ricos terem de conviver com pessoas menos aquinhoadas, nas rodovias, nas ruas, nos shoppings, nos aeroportos e até nos navios de cruzeiros pela costa.
***
O que se tem contra o PT foi ter feito a doméstica mais cara para o patrão da classe média alta, colocando em risco o equilíbrio financeiro de sua casa.
Ao passo que, para a doméstica beneficiada, sempre restava o pavor de, agora que passava a aproveitar as delícias do consumo, perder o emprego.
***
O PT trouxe foi desassossego, razão da autêntica raiva que deixou na sociedade.
***
E mais de desgovernos
Veio a reforma da previdência, ainda a ser toda detalhada em suas maldades embutidas.
Mas antes de isso poder se revelar, o próprio ex-capitão já tratou de desidratá-la, fazendo o papel de oposição a seu próprio projeto.
***
Claro que os homens do mercado financeiro, agora no governo, que visam expandir os negócios financeiros, especialmente pela capitalização de mercado nas contribuições previdenciárias, não ficaram satisfeitos.
Mas, tal qual o juizinho transformado em Ministro, se calam.
Correm o risco ainda semelhante, de se transformarem em fantoches.
***
E veio o Carnaval e os vídeos de fazer corar até mesmo Frota, esse titã na luta pela conservação da moral e dos costumes.
***
Na Educação, o ministro apalermado que queria crianças em fila, quem sabe batendo continência à bandeira e cantando o hino nacional, não se contentou com tal recomendação. Ainda queria que as crianças fossem filmadas e lessem o lema de campanha de seu mito maior.
***
Nem o autoproclamado, nesse mundo de gente que se quer e se acha tudo, filósofo Olavo de Carvalho aguentou o baque e já deu ordem para seus pupilos largarem o osso. Deixarem o governo.
O ministro da Educação já começou a atender ao seu outro mito, mesmo que de menor relevância.
***
No Itamarati, outro idiota, Araújo, enfia os pés pelas mãos e dá declarações e adota posturas que, se deixarem de pé a casa do Barão de Rio Branco, não irão contribuir, da mesma forma, para o comércio externo do país.
Que já perdeu contratos com árabes, chineses, e só tem beneficiado a produção e comércio americanos.
***
E voltando ao Carnaval
Antigamente havia uma marchinha General da Banda cujos versos dizia: " Mourão, Mourão, catuca por baixo que ele vai".
A única - honrosa, devo admitir, exceção no desgoverno de Brasília, chama-se general Mourão.
Que pode ser não só a vara a catucar no Carnaval mas talvez alguma esperança de arrumação.
***
Agora que o país, tal qual esse blog e suas postagens, poderia de fato só começar a funcionar depois do Carnaval, não há dúvidas.
Minha dúvida é se deveria voltar a funcionar depois do Carnaval, tendo em vista o que está aí.
É isso.
segunda-feira, 11 de março de 2019
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
Sequência do ABC da política, hoje com E e F... de fakes
E, de Exclusão de Ilicitude - mais uma das promessas da campanha vitoriosa do presidente do país. Particularmente, depois de vivenciar eleições e posses em que os eleitos praticaram o tristemente famoso "estelionato eleitoral", vejo, enfim, a preocupação em cumprir as promessas de campanha como algo positivo no governo que se inicia.
Dito isso e prestado o reconhecimento, devo deixar claro que é, exatamente por essa capacidade de, até aqui, fazer diferente e honrar suas promessas, e mais ainda pelo conteúdo dessas promessas, que não votei e fiz campanha contra a eleição de Bolsonaro.
***
Mas, só para refrescar a memória, em 2003, logo que assumiu seu mandato, Lula permitiu que o crápula mor de seu governo, Palocci, pusesse em prática nada mais que a continuidade da política econômica de Fernando Henrique Cardoso, que ele tanto criticara em campanha. Ninguém desconhece que tais críticas foram um dos motivos de sua eleição.
Muito embora, naquela oportunidade, parcela importante de seus eleitores desconhecessem que foi o próprio Lula que, em compromisso firmado com o FMI, por ocasião da crise de 2002, assumiu dar sequência às medidas de seu antecessor.
Se não se arrependeu por tomar tal decisão, é certo que Lula deve amargar, em Curitiba, o apoio que deu ao deficiente de caráter que ocupou seu governo, Palocci.
***
Mais tarde, em 2015 foi a vez de Dilma praticar, agora com Joaquim Levy no comando da Fazenda, o estelionato que foi uma das causas da queda da economia brasileira (que já vinha ladeira abaixo!) e do governo Dilma.
***
Ao contrário, Bolsonaro, com o apoio do ex e parcialíssimo juizeco de Curitiba, no papel que lhe fica muito bem de capataz, envia ao Congresso um pacote anticrime.
Embutido nele, o tal excludente de ilicitude, mal disfarçado sob uma proposta de alteração da definição e da interpretação do instituto da legítima defesa.
***
Como mostra a Folha, na sua edição impressa de hoje, "a lei em vigor define legítima defesa como situação em que a pessoa, "usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão atual ou iminente, a direito seu ou de outrem."
Aliás, já há 40 anos, quando era estudante do curso de Direito, o professor Décio Fulgêncio já ensinava esse mesmo conceito.
Ninguém pode, ao ser atacado por algum valentão, mais forte, desarmado, alegar legítima defesa para sacar de uma arma de fogo e matar o agressor.
Se você é agredido com uma arma branca, uma faca ou punhal, não pode alegar legítima defesa ao reagir com um 9 milímetros.
***
Menos ainda, poderá alegar legítima defesa de outrem, se se constatar que alguém matou o agressor com um tiro na nuca...
***
O que se propõe no atual pacote?
Que pode ser classificada como legítima defesa a ação que "decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção". E que a existência de tais circunstâncias permite reduzir a pena até a metade ou até deixar de aplicá-la.
Diz a Folha que esse é o ponto mais criticado da proposta, já que autoridades da área dos Direitos Humanos a veem como permissão para o policial matar em serviço.
***
Claro que o policial é o agente - público - que mais está sujeito a preencher as condições. Mas não é o único.
O agente do Posto de Saúde que está sob ameaça de agressão por algum parente de paciente, estará sob violenta emoção. Como o fiscal que estiver em campo, cercado por empregados da mina, ou da madereira que ele deve autuar. Nunca devemos nos esquecer dos fiscais do trabalho, e do ocorrido em Unaí.
***
O problema é que abre uma porta imensa para admitir que até uma briga de trânsito seja causa de algum ato sob a alegação de legítima defesa. O mais velho que discute com algum motorista mais novo e com mais vigor físico, e sob escusável medo reage ao avanço do atleta, é um caso. Ainda mais com a possível adoção de flexibilização pretendida e com vários projetos de lei já apresentados, da posse de armas.
***
No caso do policial, ninguém questiona que, sob fogo cruzado e ataque de bandidos, muitas vezes mais bem armados que os agentes da segurança, não há como questionar a situação que lhes assegura legítima defesa.
A legislação atual assegura já isso.
O que ninguém pode desconhecer é a quantidade de situações que uma minoria desqualificada que veste farda pratica. O que ninguém pode desconhecer é a velha máxima, cada vez mais atual e aceita e até elogiada no nosso Brasil tão cordato (e violento) de que bandido bom é o bandido morto.
A ninguém pode escapar o fato de que se o "indigitado elemento" nada fez, mas pode vir a fazer, então melhor é impedir que ele chegue as vias de fato. E daí para a aceitação comôda de limpeza ética, estaremos apenas a um passo.
***
Passo muito curto e bastante justificável se o indivíduo for preto, pobre, morador de favela e, como diz o Zé Simão, usar havaianas, e estiver trajado apenas de calção.
***
Todos sabemos e não podemos fingir que não! que maus policiais existem, e forjam situações de trocas de tiros, de ataques nunca consubstanciados. Não são raros os casos de pessoas presas, sem reação, até ajoelhadas ou deitadas de bruços que são mortas em "trocas de tiros com em ação policial".
Pior, pessoas desarmadas. Que apenas saíram para ir comprar um cigarro na birosca mais próxima.
***
Mas aqui devo admitir: a grande maioria da população brasileira, e não apenas dos eleitores de Bolsonaro, aceitam e se silenciam frente a isso.
Ao escusável medo, preferem se antecipar. E vão acabar tornando-se os principais dos assassinos a quem tanto criticavam.
***
Lembro para terminar, embora possa não ter minha opinião aceita: quando o filho pequeno perguntou ao pai se não seria correta a eliminação de todos os homens maus, já que sobrariam apenas os bons, o paí lhe respondeu que sobrariam então, só os assassinos.
***
F de Flávio, de Fabrício, de fake news
Flavinho que tantos criticaram por ser tratado como o "meu garoto" pelo presidente. Flavinho que não foi, seguramente uma fraquejada do presidente.
Flavinho que era o deputado estadual - agora senador da República! - cujo motorista é que mandava e comandava o gabinete. Contratando, fixando valores de remuneração, arrecadando os valores da "rachadinha", fazendo saques e depósitos, até em conta de madame Bolsonaro, quem sabe até sugerindo as homenagens que Flavinho deveria propor à Assembleia. Isso tudo enquanto negociava carro, já que é autoproclamado, excelente comerciante. O homem dos negocinhos.
***
A dúvida é que tempo lhe restava para cumprir sua função de dirigir e conduzir sua Excelência para baixo e para cima no Rio. Inclusive para o Rio das Pedras, onde parece foi se isolar, aguardando ansiosamente a chegada da Polícia que estava em seu encalço.
Ou onde foi se preparar para a cirurgia a que tinha que se submeter, junto aos milicianos seus parças.
Esses mesmos milicianos que Moro quer combater em seu projeto.
***
Será que Moro vai se insurgir contra o garoto de seu patrão?
***
Antes que pareça ironia, nada vejo de mais em chamar o filho de garoto. Para os pais, filhos com 60 anos continuam sendo os "meninos ou meninas" como nos referimos a eles aqui em Minas.
Isso é o de menos na história toda.
Mais, muito mais extravagante, é Queiroz ter um salário de 23 mil reais para ocupar o cargo de motorista, conforme a imprensa noticiou, como se ter esse salário fosse normal entre qualquer motorista privado.
***
Mais extravagante é o pai, presidente, homenagear, dar emprego, aceitar a indicação para seu gabinete, em Brasília, da filha do Queiroz (o faz tudo, fabuloso homem dos sete instrumentos!).
E ajuntar-se ao filho, nas homenagens e geração de emprego a milicianos, ex-policiais do Esquadrão da Morte, familiares do miliciano preso, indicando que não há problema algum acabar com o auxílio reclusão. Basta levar para os parentes do preso trabalharem - vá lá, vamos ser justos - terem emprego nos gabinetes dos Bolsonaros.
***
Pior em extravagância é que parcela dos que votaram no Bolsonaro, e que pareciam ter até certa capacidade de crítica, aceitarem tudo isso, como se a culpa fosse da imprensa que está perseguindo o pai, agora presidente.
Tudo para desestabilizar essa figura, há 29 anos na política e ainda impoluta, como convém a todo o baixo clero de nosso Legislativo de tanta tradição e dignidade!!!
***
Pior é estarem transformando mesmo o presidente em mito.
***
Mas F é também de fake, e depois de tanta mentira, tanta lorota, descobrimos que era verdade sim, que Onyx o todo poderoso ministro da Casa Civil praticou o caixa 2.
Esse mesmo Caixa 2, contra o qual Moro havia se posicionado radicalmente contra, e que agora quer, em boa hora, criminalizar. Com penas severas.
***
Onyx que, para Moro não poderia ser objeto de crítica, já que reconheceu o erro e pediu desculpas.
De onde se entende que Moro tem mais que incluir mesmo a novidade do Acordo, ou mais sofisticadamente, do "plea bargaining", em seu pacotaço.
Traduzindo, o acordo que possibilita facilidades para os Ônyx que, humildemente, reconhecerem seu erro.
***
Como é estranho, embora soe "fake" que Bolsonaro tenha tido que se submeter a uma cirurgia para retirada da bolsa coletora, resultado de uma colostomia, cujas imagens indicam uma extração de parcela muito maior do intestino.
Como não sou médico, não posso saber se havia ou não motivo para a retirada, em 7 longas horas, de tanto material. Ou se algum tipo de potencial problema tumoral pudesse ter sido já extirpado, por precaução.
***
Apenas, como brasileiro, e tendo vivido as peripécias da época de Tancredo, gostaria de que tudo fosse apenas mais uma deslavada mentira.
Porque o Mourão pode parecer mais lúcido. Mas a patente é maior. E ali, não há muito de jogo de cintura.
***
G de.... deixa para outro pitaco a sequência de nosso abc...
Dito isso e prestado o reconhecimento, devo deixar claro que é, exatamente por essa capacidade de, até aqui, fazer diferente e honrar suas promessas, e mais ainda pelo conteúdo dessas promessas, que não votei e fiz campanha contra a eleição de Bolsonaro.
***
Mas, só para refrescar a memória, em 2003, logo que assumiu seu mandato, Lula permitiu que o crápula mor de seu governo, Palocci, pusesse em prática nada mais que a continuidade da política econômica de Fernando Henrique Cardoso, que ele tanto criticara em campanha. Ninguém desconhece que tais críticas foram um dos motivos de sua eleição.
Muito embora, naquela oportunidade, parcela importante de seus eleitores desconhecessem que foi o próprio Lula que, em compromisso firmado com o FMI, por ocasião da crise de 2002, assumiu dar sequência às medidas de seu antecessor.
Se não se arrependeu por tomar tal decisão, é certo que Lula deve amargar, em Curitiba, o apoio que deu ao deficiente de caráter que ocupou seu governo, Palocci.
***
Mais tarde, em 2015 foi a vez de Dilma praticar, agora com Joaquim Levy no comando da Fazenda, o estelionato que foi uma das causas da queda da economia brasileira (que já vinha ladeira abaixo!) e do governo Dilma.
***
Ao contrário, Bolsonaro, com o apoio do ex e parcialíssimo juizeco de Curitiba, no papel que lhe fica muito bem de capataz, envia ao Congresso um pacote anticrime.
Embutido nele, o tal excludente de ilicitude, mal disfarçado sob uma proposta de alteração da definição e da interpretação do instituto da legítima defesa.
***
Como mostra a Folha, na sua edição impressa de hoje, "a lei em vigor define legítima defesa como situação em que a pessoa, "usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão atual ou iminente, a direito seu ou de outrem."
Aliás, já há 40 anos, quando era estudante do curso de Direito, o professor Décio Fulgêncio já ensinava esse mesmo conceito.
Ninguém pode, ao ser atacado por algum valentão, mais forte, desarmado, alegar legítima defesa para sacar de uma arma de fogo e matar o agressor.
Se você é agredido com uma arma branca, uma faca ou punhal, não pode alegar legítima defesa ao reagir com um 9 milímetros.
***
Menos ainda, poderá alegar legítima defesa de outrem, se se constatar que alguém matou o agressor com um tiro na nuca...
***
O que se propõe no atual pacote?
Que pode ser classificada como legítima defesa a ação que "decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção". E que a existência de tais circunstâncias permite reduzir a pena até a metade ou até deixar de aplicá-la.
Diz a Folha que esse é o ponto mais criticado da proposta, já que autoridades da área dos Direitos Humanos a veem como permissão para o policial matar em serviço.
***
Claro que o policial é o agente - público - que mais está sujeito a preencher as condições. Mas não é o único.
O agente do Posto de Saúde que está sob ameaça de agressão por algum parente de paciente, estará sob violenta emoção. Como o fiscal que estiver em campo, cercado por empregados da mina, ou da madereira que ele deve autuar. Nunca devemos nos esquecer dos fiscais do trabalho, e do ocorrido em Unaí.
***
O problema é que abre uma porta imensa para admitir que até uma briga de trânsito seja causa de algum ato sob a alegação de legítima defesa. O mais velho que discute com algum motorista mais novo e com mais vigor físico, e sob escusável medo reage ao avanço do atleta, é um caso. Ainda mais com a possível adoção de flexibilização pretendida e com vários projetos de lei já apresentados, da posse de armas.
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No caso do policial, ninguém questiona que, sob fogo cruzado e ataque de bandidos, muitas vezes mais bem armados que os agentes da segurança, não há como questionar a situação que lhes assegura legítima defesa.
A legislação atual assegura já isso.
O que ninguém pode desconhecer é a quantidade de situações que uma minoria desqualificada que veste farda pratica. O que ninguém pode desconhecer é a velha máxima, cada vez mais atual e aceita e até elogiada no nosso Brasil tão cordato (e violento) de que bandido bom é o bandido morto.
A ninguém pode escapar o fato de que se o "indigitado elemento" nada fez, mas pode vir a fazer, então melhor é impedir que ele chegue as vias de fato. E daí para a aceitação comôda de limpeza ética, estaremos apenas a um passo.
***
Passo muito curto e bastante justificável se o indivíduo for preto, pobre, morador de favela e, como diz o Zé Simão, usar havaianas, e estiver trajado apenas de calção.
***
Todos sabemos e não podemos fingir que não! que maus policiais existem, e forjam situações de trocas de tiros, de ataques nunca consubstanciados. Não são raros os casos de pessoas presas, sem reação, até ajoelhadas ou deitadas de bruços que são mortas em "trocas de tiros com em ação policial".
Pior, pessoas desarmadas. Que apenas saíram para ir comprar um cigarro na birosca mais próxima.
***
Mas aqui devo admitir: a grande maioria da população brasileira, e não apenas dos eleitores de Bolsonaro, aceitam e se silenciam frente a isso.
Ao escusável medo, preferem se antecipar. E vão acabar tornando-se os principais dos assassinos a quem tanto criticavam.
***
Lembro para terminar, embora possa não ter minha opinião aceita: quando o filho pequeno perguntou ao pai se não seria correta a eliminação de todos os homens maus, já que sobrariam apenas os bons, o paí lhe respondeu que sobrariam então, só os assassinos.
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F de Flávio, de Fabrício, de fake news
Flavinho que tantos criticaram por ser tratado como o "meu garoto" pelo presidente. Flavinho que não foi, seguramente uma fraquejada do presidente.
Flavinho que era o deputado estadual - agora senador da República! - cujo motorista é que mandava e comandava o gabinete. Contratando, fixando valores de remuneração, arrecadando os valores da "rachadinha", fazendo saques e depósitos, até em conta de madame Bolsonaro, quem sabe até sugerindo as homenagens que Flavinho deveria propor à Assembleia. Isso tudo enquanto negociava carro, já que é autoproclamado, excelente comerciante. O homem dos negocinhos.
***
A dúvida é que tempo lhe restava para cumprir sua função de dirigir e conduzir sua Excelência para baixo e para cima no Rio. Inclusive para o Rio das Pedras, onde parece foi se isolar, aguardando ansiosamente a chegada da Polícia que estava em seu encalço.
Ou onde foi se preparar para a cirurgia a que tinha que se submeter, junto aos milicianos seus parças.
Esses mesmos milicianos que Moro quer combater em seu projeto.
***
Será que Moro vai se insurgir contra o garoto de seu patrão?
***
Antes que pareça ironia, nada vejo de mais em chamar o filho de garoto. Para os pais, filhos com 60 anos continuam sendo os "meninos ou meninas" como nos referimos a eles aqui em Minas.
Isso é o de menos na história toda.
Mais, muito mais extravagante, é Queiroz ter um salário de 23 mil reais para ocupar o cargo de motorista, conforme a imprensa noticiou, como se ter esse salário fosse normal entre qualquer motorista privado.
***
Mais extravagante é o pai, presidente, homenagear, dar emprego, aceitar a indicação para seu gabinete, em Brasília, da filha do Queiroz (o faz tudo, fabuloso homem dos sete instrumentos!).
E ajuntar-se ao filho, nas homenagens e geração de emprego a milicianos, ex-policiais do Esquadrão da Morte, familiares do miliciano preso, indicando que não há problema algum acabar com o auxílio reclusão. Basta levar para os parentes do preso trabalharem - vá lá, vamos ser justos - terem emprego nos gabinetes dos Bolsonaros.
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Pior em extravagância é que parcela dos que votaram no Bolsonaro, e que pareciam ter até certa capacidade de crítica, aceitarem tudo isso, como se a culpa fosse da imprensa que está perseguindo o pai, agora presidente.
Tudo para desestabilizar essa figura, há 29 anos na política e ainda impoluta, como convém a todo o baixo clero de nosso Legislativo de tanta tradição e dignidade!!!
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Pior é estarem transformando mesmo o presidente em mito.
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Mas F é também de fake, e depois de tanta mentira, tanta lorota, descobrimos que era verdade sim, que Onyx o todo poderoso ministro da Casa Civil praticou o caixa 2.
Esse mesmo Caixa 2, contra o qual Moro havia se posicionado radicalmente contra, e que agora quer, em boa hora, criminalizar. Com penas severas.
***
Onyx que, para Moro não poderia ser objeto de crítica, já que reconheceu o erro e pediu desculpas.
De onde se entende que Moro tem mais que incluir mesmo a novidade do Acordo, ou mais sofisticadamente, do "plea bargaining", em seu pacotaço.
Traduzindo, o acordo que possibilita facilidades para os Ônyx que, humildemente, reconhecerem seu erro.
***
Como é estranho, embora soe "fake" que Bolsonaro tenha tido que se submeter a uma cirurgia para retirada da bolsa coletora, resultado de uma colostomia, cujas imagens indicam uma extração de parcela muito maior do intestino.
Como não sou médico, não posso saber se havia ou não motivo para a retirada, em 7 longas horas, de tanto material. Ou se algum tipo de potencial problema tumoral pudesse ter sido já extirpado, por precaução.
***
Apenas, como brasileiro, e tendo vivido as peripécias da época de Tancredo, gostaria de que tudo fosse apenas mais uma deslavada mentira.
Porque o Mourão pode parecer mais lúcido. Mas a patente é maior. E ali, não há muito de jogo de cintura.
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G de.... deixa para outro pitaco a sequência de nosso abc...
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
O A, B e C do início de ano político: que lástima...
A de Arma - cumprindo promessa de campanha, o presidente assinou decreto permitindo que, sob certas condições, o cidadão brasileiro possa manter armas em sua(s) casa(s), em total de até 4 armas, se possuir 4 propriedades.
De minha parte, continuo contrário à medida, cujo perigo é tão evidente que o próprio decreto manifesta a preocupação em como e onde a arma será guardada.
A obrigação de ter um cofre em casa que tenham crianças, por exemplo, mostra o absurdo da medida que, como acertadamente falou o vice-presidente, General Mourão, não se destina a segurança pessoal.
***
Afinal, como já tive a oportunidade de abordar aqui, o ladrão que assalta a residência tem sempre a vantagem da surpresa. Dificilmente irá encontrar o dono da arma preparado ou com a arma ao seu alcance e, achar que o dono do imóvel terá condições de ter acesso à arma, sem que o ladrão o impeça é ingenuidade total.
***
A possibilidade da arma cair em mãos de crianças em suas brincadeiras de polícia e ladrão (ou semelhantes), ou até o uso na hora de algum conflito de menor importância, trarão uma preocupação a mais, para os pais de família mais conscientes.
***
E é sempre bom lembrar, arma não é um liquidificador, apesar dos pesares, e dos ministros...
***
O que teremos, em minha opinião, é um maior número de acidentes domésticos, senão um aumento do número de homicídios, naquilo que, a princípio poderia ser mero assalto ou furto.
Ou o aumento do número de criminosos armados, com o furto de armas mantidos em residências, servindo para elevar o número de ocorrências de roubos.
***
Salvo se a medida tiver sido tomada pensando mais, e defendendo o direito de proprietários rurais. Não os urbanos.
E talvez mais para servir para combater invasões, como foi nos idos de 1963, quando fazendeiros acreditando que o presidente João Goulart, um estancieiro, fosse patrocinar uma reforma agrária radical.
Vários foram os fazendeiros que, na oportunidade, reuniram os empregados e os armaram, para aguardar a invasão patrocinada pelos ..."comunistas".
***
Se a intenção real for a de permitir armar os latifundiários, grileiros, posseiros, donos de terras improdutivas, contra ataques, entre outros, do pessoal do MST, então se justifica claramente a medida. Especialmente em um governo que já deixou muito claro de que lado da mesa ele senta.
Junto aos grandes proprietários, aos coitadinhos dos empregadores, aos que avançam contra o meio ambiente, contra a sustentabilidade, contra as ações dos fiscais e ambientalistas.
Ou seja, a posse de armas é apenas mais um tiro visando a eliminação dos movimentos de reivindicações sociais.
***
Aí incluídos sem terra, e os ambientalistas.
***
Ah! curiosamente, está lá em Marx, para os poucos que podem tê-lo lido se lembrarem: para se fazer uma revolução, há que se ter condições objetivas para que ela possa alcançar algum êxito.
A população armada é, quem sabe, uma dessas condições.
***
B de Brumadinho
O homem chega, já desfaz a natureza, tira gente põe represa diz que tudo vai mudar.... já cantavam Sá e Guarabyra, parece-me que, também Rodrix.
Em 1984, Drumomond já havia dito que
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Para terminar perguntando:
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
Eu mesmo, em meus devaneios, já tinha arriscado:
...
Falar o que?
Sobra-nos apenas a possibilidade de deixar as lágrimas e o choro rolar livre e falar por todos nós.
***
Mas, vale sempre a lembrança de que foi a Vale, em busca de lucros, dominada pela ganância.
Foi a Vale, privatizada, como poderia ter sido a Vale pública, mas sempre dominada pela ganância, em busca da maximização de lucros.
***
A destruição criativa de Schumpeter, substituída pela criação da destruição. Mas o próprio economista austríaco deixa concluir: novas tecnologias, novos métodos de produção, novos instrumentos apenas serão adotados, quando o custo da mudança assim permitir.
Senão, melhor manter a estrutura existente até que toda ela esteja contabilmente depreciada.
E que já tenha trazido com a depreciação, o apodrecimento.
***
Enquanto isso, brindamos ao capitalismo, e seu objetivo maior: o sacrossanto lucro.
E brindemos ao mercado, onde a competência se mede por lucros, cada vez maiores, e não por vidas, cada vez melhores...
***
C de corrupção
E o ex-juiz Moro, agora ministro, sua campanha anti-corrupção prefere manter silêncio quando o que está em jogo é ... a família de seu chefe, de seu patrão.
Com quantos Queiroz se constrói um Bolsonaro?
E quantas ligações com as milícias?
***
Enquanto Moro se silencia sobre as investigações que a Polícia Federal, sob seu comando, deverá fazer em relação a ligações escusas dos Bolsonaros com as milícias, e a grana que tais atividades podem propiciar, ele aparece nas telas de televisão para anunciar que está encaminhando ao Congresso, um pacote para endurecer as normas que tratam da punição, da penalização e das ações contra o crime organizado que, em sua opinião, sustenta a corrupção endêmica de nosso país.
***
Não vou discutir aqui o conteúdo do agravamento de penas, de dificultação para adoção do regime de liberalização de penas, etc.
Mas gostaria de perguntar o que é o crime organizado para Moro? Ou para a própria sociedade brasileira?
Seria as facções de Comando Vermelho, e os PCC's que dominam nossos sistemas prisionais? Ou a rede de tráfico que domina os morros de todo o país?
Ou incluiriam também as forças policiais que resolvem se tornar justiceiras? E acabam permitindo o desenvolvimento de forças paramilitares que, mais cedo ou mais tarde, percebem que o poder que granjeiam lhes dá o direito de vida e morte sobre as populações mais miseráveis?
Essa população para quem o Estado não existe. E que, por isso mesmo, não existe para o Estado.
***
C de Corpo de Bombeiros
Força Policial de maior respeitabilidade em nossa sociedade. Instituição sempre elogiada e de inegáveis ações em nosso benefício. Algumas vezes, raras, pouco reconhecidas em suas atividades mais rotineiras.
O Corpo de Bombeiros e os homens de fogo (embora não sejam só de Fogo), mas os homens que sempre estão NO FOGO das situações mais dramáticas, merecem sim a indicação para o Nobel da PAZ.
Justiça aos heróis de Brumadinho, que seria apenas mais um reconhecimento, já que a vitória maior todos são conscientes de que é o exercício que desempenham a cada momento, de salvar vidas.
De melhorar as vidas dos seus semelhantes.
***
C de Congresso
Nem vou falar de Alcolumbre, alvo de dois processos em curso no Supremo. Até porque, nesse quesito, parece-me que ele perde para Renan.
Mas que beira o ridículo, ver grande parte da população que votou na mudança, representada por ... Bolsonaro (risos em alto som! que pândego!!) estar satisfeita por que o nosso novo presidente do Congresso é ... um novato, que representa o novo na política é... sem comentários.
Até a inocência deve ter algum limite.
***
O papel de renovação que Alcolumbre, o Davi, proporcionou foi algo vexatório. Tanto quanto a dissimulada defesa que fez o senador Rodrigo Pacheco, infelizmente por Minas Gerais, de sua posição como presidente da sessão preparatória para as eleições do Senado, em que era declaradamente, escarradamente, candidato.
A propósito Rodrigo Pacheco mostra bem que é um excelente advogado, mesmo que para defender certas posições, falte com a ética, com a decência mínima, que se espera de um senador da República.
***
É bom deixar claro: nem todos os advogados são assim! Vários agem sob os ditames de suas consciências e não apenas de seus interesses vis.
***
Mas, a pergunta que não quer calar é: o que se espera mesmo de um senador da República do Brasil?
Isso o Senado nos respondeu na noite de sexta feira, dia 1 de fevereiro.
Nada.
***
Ao menos nada de sério.
Com Kajuru homenageando o discurso inaugural de Agnaldo Timóteo e sua saudação "Alô, mamãe" e depois fazendo piada sobre sua própria saúde, apenas para deixar o ambiente mais leve...
Com a novidade que quer fazer a nova política, aceitando a adoção dos mesmos hábitos e usos antigos, da manobra rasteira, da manipulação, das mudanças casuísticas de regras, apenas para atender a certos interesses de momento.
***
O Senado nos mostrou o lixo que é, e em que consiste.
E mais grave ainda, nos mostrou que, com os nomes que o compõem na atual legislatura, não vai mudar nada para melhor.
O que nos faz ficar alertas, por que mudar por mudar só não é pior que mudar para pior.
E o que vem aí, é indescritível. Muito pior, se é que é possível.
***
D de Dalmares
Nem tem o que falar. Por que respeito a quem tem problemas de indigência mental, é necessário. Mesmo que ela tenha tido o prazer de ter se encontrado com Jesus na goiabeira, ela de rosinha e sendo educada na fé. Para se tornar mestre em artes ... ocultas.
***
E Bolsonaro queria acabar com o Meio Ambiente. Ao menos a Instituição que cuida dele e da sustentabilidade no nosso sofrido país.
De minha parte, continuo contrário à medida, cujo perigo é tão evidente que o próprio decreto manifesta a preocupação em como e onde a arma será guardada.
A obrigação de ter um cofre em casa que tenham crianças, por exemplo, mostra o absurdo da medida que, como acertadamente falou o vice-presidente, General Mourão, não se destina a segurança pessoal.
***
Afinal, como já tive a oportunidade de abordar aqui, o ladrão que assalta a residência tem sempre a vantagem da surpresa. Dificilmente irá encontrar o dono da arma preparado ou com a arma ao seu alcance e, achar que o dono do imóvel terá condições de ter acesso à arma, sem que o ladrão o impeça é ingenuidade total.
***
A possibilidade da arma cair em mãos de crianças em suas brincadeiras de polícia e ladrão (ou semelhantes), ou até o uso na hora de algum conflito de menor importância, trarão uma preocupação a mais, para os pais de família mais conscientes.
***
E é sempre bom lembrar, arma não é um liquidificador, apesar dos pesares, e dos ministros...
***
O que teremos, em minha opinião, é um maior número de acidentes domésticos, senão um aumento do número de homicídios, naquilo que, a princípio poderia ser mero assalto ou furto.
Ou o aumento do número de criminosos armados, com o furto de armas mantidos em residências, servindo para elevar o número de ocorrências de roubos.
***
Salvo se a medida tiver sido tomada pensando mais, e defendendo o direito de proprietários rurais. Não os urbanos.
E talvez mais para servir para combater invasões, como foi nos idos de 1963, quando fazendeiros acreditando que o presidente João Goulart, um estancieiro, fosse patrocinar uma reforma agrária radical.
Vários foram os fazendeiros que, na oportunidade, reuniram os empregados e os armaram, para aguardar a invasão patrocinada pelos ..."comunistas".
***
Se a intenção real for a de permitir armar os latifundiários, grileiros, posseiros, donos de terras improdutivas, contra ataques, entre outros, do pessoal do MST, então se justifica claramente a medida. Especialmente em um governo que já deixou muito claro de que lado da mesa ele senta.
Junto aos grandes proprietários, aos coitadinhos dos empregadores, aos que avançam contra o meio ambiente, contra a sustentabilidade, contra as ações dos fiscais e ambientalistas.
Ou seja, a posse de armas é apenas mais um tiro visando a eliminação dos movimentos de reivindicações sociais.
***
Aí incluídos sem terra, e os ambientalistas.
***
Ah! curiosamente, está lá em Marx, para os poucos que podem tê-lo lido se lembrarem: para se fazer uma revolução, há que se ter condições objetivas para que ela possa alcançar algum êxito.
A população armada é, quem sabe, uma dessas condições.
***
B de Brumadinho
O homem chega, já desfaz a natureza, tira gente põe represa diz que tudo vai mudar.... já cantavam Sá e Guarabyra, parece-me que, também Rodrix.
Em 1984, Drumomond já havia dito que
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Para terminar perguntando:
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
Eu mesmo, em meus devaneios, já tinha arriscado:
Terra que incendeia viva
chama que explode insana
mata que se esvai, fumaça
fogo ardendo interior
Choro
que explode larva
jorrando
de um vulcão
por
onde passa o povo
o
suor molhando o chão
desfazendo
a natureza
gerando
poluição
Falar o que?
Sobra-nos apenas a possibilidade de deixar as lágrimas e o choro rolar livre e falar por todos nós.
***
Mas, vale sempre a lembrança de que foi a Vale, em busca de lucros, dominada pela ganância.
Foi a Vale, privatizada, como poderia ter sido a Vale pública, mas sempre dominada pela ganância, em busca da maximização de lucros.
***
A destruição criativa de Schumpeter, substituída pela criação da destruição. Mas o próprio economista austríaco deixa concluir: novas tecnologias, novos métodos de produção, novos instrumentos apenas serão adotados, quando o custo da mudança assim permitir.
Senão, melhor manter a estrutura existente até que toda ela esteja contabilmente depreciada.
E que já tenha trazido com a depreciação, o apodrecimento.
***
Enquanto isso, brindamos ao capitalismo, e seu objetivo maior: o sacrossanto lucro.
E brindemos ao mercado, onde a competência se mede por lucros, cada vez maiores, e não por vidas, cada vez melhores...
***
C de corrupção
E o ex-juiz Moro, agora ministro, sua campanha anti-corrupção prefere manter silêncio quando o que está em jogo é ... a família de seu chefe, de seu patrão.
Com quantos Queiroz se constrói um Bolsonaro?
E quantas ligações com as milícias?
***
Enquanto Moro se silencia sobre as investigações que a Polícia Federal, sob seu comando, deverá fazer em relação a ligações escusas dos Bolsonaros com as milícias, e a grana que tais atividades podem propiciar, ele aparece nas telas de televisão para anunciar que está encaminhando ao Congresso, um pacote para endurecer as normas que tratam da punição, da penalização e das ações contra o crime organizado que, em sua opinião, sustenta a corrupção endêmica de nosso país.
***
Não vou discutir aqui o conteúdo do agravamento de penas, de dificultação para adoção do regime de liberalização de penas, etc.
Mas gostaria de perguntar o que é o crime organizado para Moro? Ou para a própria sociedade brasileira?
Seria as facções de Comando Vermelho, e os PCC's que dominam nossos sistemas prisionais? Ou a rede de tráfico que domina os morros de todo o país?
Ou incluiriam também as forças policiais que resolvem se tornar justiceiras? E acabam permitindo o desenvolvimento de forças paramilitares que, mais cedo ou mais tarde, percebem que o poder que granjeiam lhes dá o direito de vida e morte sobre as populações mais miseráveis?
Essa população para quem o Estado não existe. E que, por isso mesmo, não existe para o Estado.
***
C de Corpo de Bombeiros
Força Policial de maior respeitabilidade em nossa sociedade. Instituição sempre elogiada e de inegáveis ações em nosso benefício. Algumas vezes, raras, pouco reconhecidas em suas atividades mais rotineiras.
O Corpo de Bombeiros e os homens de fogo (embora não sejam só de Fogo), mas os homens que sempre estão NO FOGO das situações mais dramáticas, merecem sim a indicação para o Nobel da PAZ.
Justiça aos heróis de Brumadinho, que seria apenas mais um reconhecimento, já que a vitória maior todos são conscientes de que é o exercício que desempenham a cada momento, de salvar vidas.
De melhorar as vidas dos seus semelhantes.
***
C de Congresso
Nem vou falar de Alcolumbre, alvo de dois processos em curso no Supremo. Até porque, nesse quesito, parece-me que ele perde para Renan.
Mas que beira o ridículo, ver grande parte da população que votou na mudança, representada por ... Bolsonaro (risos em alto som! que pândego!!) estar satisfeita por que o nosso novo presidente do Congresso é ... um novato, que representa o novo na política é... sem comentários.
Até a inocência deve ter algum limite.
***
O papel de renovação que Alcolumbre, o Davi, proporcionou foi algo vexatório. Tanto quanto a dissimulada defesa que fez o senador Rodrigo Pacheco, infelizmente por Minas Gerais, de sua posição como presidente da sessão preparatória para as eleições do Senado, em que era declaradamente, escarradamente, candidato.
A propósito Rodrigo Pacheco mostra bem que é um excelente advogado, mesmo que para defender certas posições, falte com a ética, com a decência mínima, que se espera de um senador da República.
***
É bom deixar claro: nem todos os advogados são assim! Vários agem sob os ditames de suas consciências e não apenas de seus interesses vis.
***
Mas, a pergunta que não quer calar é: o que se espera mesmo de um senador da República do Brasil?
Isso o Senado nos respondeu na noite de sexta feira, dia 1 de fevereiro.
Nada.
***
Ao menos nada de sério.
Com Kajuru homenageando o discurso inaugural de Agnaldo Timóteo e sua saudação "Alô, mamãe" e depois fazendo piada sobre sua própria saúde, apenas para deixar o ambiente mais leve...
Com a novidade que quer fazer a nova política, aceitando a adoção dos mesmos hábitos e usos antigos, da manobra rasteira, da manipulação, das mudanças casuísticas de regras, apenas para atender a certos interesses de momento.
***
O Senado nos mostrou o lixo que é, e em que consiste.
E mais grave ainda, nos mostrou que, com os nomes que o compõem na atual legislatura, não vai mudar nada para melhor.
O que nos faz ficar alertas, por que mudar por mudar só não é pior que mudar para pior.
E o que vem aí, é indescritível. Muito pior, se é que é possível.
***
D de Dalmares
Nem tem o que falar. Por que respeito a quem tem problemas de indigência mental, é necessário. Mesmo que ela tenha tido o prazer de ter se encontrado com Jesus na goiabeira, ela de rosinha e sendo educada na fé. Para se tornar mestre em artes ... ocultas.
***
E Bolsonaro queria acabar com o Meio Ambiente. Ao menos a Instituição que cuida dele e da sustentabilidade no nosso sofrido país.
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Repensando o dístico latino de que dura lex, sed lex
Dura lex, sed lex.
Goste-se ou não dela. Seja a lei dura em excesso, exagerada ou não.
E, como nos lembra o dito latino, deve ser aplicada em todas as circunstâncias.
Daí que, quando a Constituição acata o preceito da presunção de inocência e estabelece que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, ou seja, até que não caiba mais a apresentação de recurso de qualquer espécie, só nos cabe.....
***
Ei, espera! A coisa não é bem assim e não é assim que ela funciona.
Afinal, embora o Brasil tenha a tradição de adotar o direito positivo, que consagra a codificação, é imperativo reconhecer que, já nas primeiras lições jurídicas, aprende-se ser a hermenêutica uma das fontes básicas do Direito.
Tratando-se a hermenêutica da ciência ou técnica da interpretação dos textos codificados e de seus sentidos, abre-se um espaço amplo para que os costumes sociais, em constante mutação e evolução, acabem influenciando na própria compreensão do texto frio da lei, e afetando o julgamento de questões de fundo legal.
***
Isso explica porque nosso Direito e, mesmo as interpretações do guardião de nossa Constituição, o STF, mudem, ao sabor do tempo e dos ventos dominantes.
Como no caso da prisão após condenação em segunda instância, em minha opinião flagrantemente contrária ao preceito constitucional, da admissão da culpabilidade - fundamento lapidar para a condenação e prisão.
Dessa forma, já houve a interpretação que, já que a partir dessa segunda instância, não existe a possibilidade de recursos provocarem efeitos suspensivos, o início da pena de prisão já poderia se dar a partir desse instante.
***
O mesmo Supremo, em outro instante, alterou a forma de interpretar a letra da Lei maior, fazendo prevalecer aquilo que, em minha opinião pretensiosa seria o mais correto: a prisão apenas quando do trânsito em julgado.
Ainda mais recentemente, e sempre com julgamentos que indicam grande controvérsia, sinal de que a matéria não está pacificada, voltou a prevalecer a tese de que a prisão pode se dar após o julgamento em segunda instância.
***
Esse é o caso de Lula, razão porque eu o menciono.
Mas não é esse o tema desse pitaco.
A questão é que, existe em nosso marco regulatório, a previsão para que as leis possam ser alteradas, adequadas a novas situações ou até melhor redigidas, para eliminar a possibilidade de interpretações dúbias.
A própria Constituição pode ser alterada sob a forma de Emendas Constitucionais, existindo inúmeros exemplos de Emendas já aprovadas, que criam uma verdadeira jabuticaba digna de nosso Brasil, embora menos comentada: temos uma Constituição cheia de modificações e alterações, embora ainda existam, depois de 30 anos de sua vigência, artigos ainda não regulamentados, como o que trata do Sistema Financeiro Nacional.
O que serve para mostrar que nossa Constituição ainda sob a forma fetal, já é considerada anciã!!!
***
Se a lei pode ser alterada, nada há contra a mudança da lei, por exemplo, que puna crimes ambientais e que permita a fiscalização da área, lavrar penalidades quando constatadas infringências a seu comando.
E, mesmo sem alteração da lei, pode-se constatar que há um modo mais simples de paralisar a "indústria de multas" que a fiscalização do meio ambiente cria.
Ontem, por exemplo, fomos informados de que o novo Ministério e seu ministro, examinam a possibilidade de punir os fiscais cujas multas forem canceladas, já que consideradas inconsistentes.
Dito em outras palavras: estuda-se a possibilidade de responsabilizar o funcionário fiscal cujo feito de autuação tenha caído em outra instância de julgamento.
***
Há de admitir que essa é uma forma muito mais interessante de se transformar a legislação ambiental em letra morta, sem a necessidade de alterar a lei de forma a deixar clara a pouca atenção dada a questões como sustentabilidade, meio ambiente, preservação, etc.
***
De quebra, não causaria qualquer espanto que uma autuação lavrada a quem estivesse com barco de pesca, material de pesca, em área reservada e proibida para qualquer pessoa estar velejando, fosse perdoada.
Afinal, por temor dos fiscais de uma possível reversão futura do auto, com sua responsabilização e punição, não haveria nem autuação, nem a classificação da postura de quem fosse flagrado nessa situação, em crime ambiental.
***
Ou seja, o mito nacional, Bolsonaro, estaria isento da punição e a imprensa nada teria a criticar.
Solução bem melhor que a de a multa ter sido perdoada por motivos os mais fúteis possíveis, já que de que adiantaria apresentar mil e um tipos de justificativas, contra uma foto?
***
Na mesma linha de raciocínio, é importante lembrar que o Brasil tem ao que parece três dispositivos legais contra o nepotismo.
Inclusive um Decreto 7203, de junho de 2010, emitido por Lula, que trata da definição de nepotismo, das situações consideradas como tal, do fato de que filho de ministros, presidente e vice, não devem ser apontados, mesmo para o exercício de cargos de confiança que eles apresentem qualificações para ocupar.
***
Mas convenhamos, toda essa legislação é muito rigorosa.
O menino filho do general Mourão já atuava em coordenação na área do agronegócio, o que mostra que detinha as qualificações para atuar nesse setor.
E, de mais a mais, já que tem cursos, tempo de casa no Banco, e ainda é pessoa da mais irrestrita confiança do novo presidente do Banco do Brasil, a verdade é que não há qualquer problema de que o filho do vice assuma um cargo de Consultoria, mesmo que isso viesse a representar a triplicação de seu salário, coitadinho!!!
***
Sinceridade, nesse caso, não vejo nada de irregular. Apenas queria perguntar, como o macaco Sócrates do programa do Jô Soares, Planeta dos Homens, que tipo de relações anteriores o presidente indicado por Mourão e o filho do Mourão tinham que configuravam tamanha confiança????
***
Da mesma forma, a indicação de um amigo do capitão presidente para cargo de alto escalão na Petrobrás não significa que esteja havendo influência perniciosa de relações pessoais na escolha de quadros (que deveriam ser) técnicos.
Afinal, só quem analisa a indicação a partir de um viés ideológico flagrante e decadente, poderia achar estranha a indicação de amigos do rei.
Novo rei. E mais qualificado, já que puro e incorruptível.
***
Engana-se o leitor desses pitacos, se acredita que vou tratar da fábula de Flávio Bolsonaro e seu amigo e motorista particular, o Queiroz.
Como todos vimos e o Queiroz se deu ao trabalho de esclarecer, ele sempre comprou e vendeu automóveis, mesmo tendo que trabalhar na Assembleia do Estado do Rio e, como presumo, não tendo tanto tempo assim para ficar saindo e analisando oportunidades, examinando carros e os comprando ou vendendo carros, o que implica atender a interessados, dar voltas para mostrar o veículo, etc.
Em meio a tanta compra e venda que o homem dos "negocinhos" fazia, e com tanto êxito, gostaria de saber se o Queiroz utilizava celular próprio ou atendia a freguesia (para não ter de ficar se ausentando com frequência!) com celular pago pelo gabinete do deputado. Ou pior, se do fixo do gabinete do deputado.
***
Mas, acho que até eu, trabalhando ao lado do Queiroz iria ficar expert em transações (para não dizer trambiques) com... imóveis.
Afinal, como a movimentação suspeita de dinheiro por Flavinho Bolsonaro é muito mais volumosa, ele não poderia se apresentar como negociador de carros. Teria que ser algo mais substancioso, como imóveis.
***
Mas, não vou falar de Flávio, o senador, porque afinal, como no caso dele, está tudo suspenso - investigação, levantamento de provas, etc.- pode acontecer de o foro privilegiado que ele tenta obter, acabe atingindo-nos.
E ele possa escapar, como senador que é, de ter de dar provas de lisura.
***
E tem muita chance de tal situação ocorrer, não apenas por força da liminar de Fux, que Marco Aurélio já disse que não se sustenta, mas por força da nova demanda da defesa do senador: de que a turma do Supremo seja ouvida, para não restringir a apenas uma opinião, monocrática, a decisão.
***
E aqui, como todos os bolsominions que acreditam que tudo isso é fofoca ou fake news dessa mídia golpista, que não quer perder suas regalias, para poder continuar difundindo o marxismo cultural e posturas globalistas dele decorrentes, vou afirmar em letras maiúsculas:
URGE PARAR ESSA SANGRIA... (desculpe, Jucá, citar sua frase).
Mas temos que parar essa suruba... (de novo...)
***
Afinal, já se sabe que 24 mil foram parar na conta da mulher de Bolsonaro.
A princípio, até para a eventualidade de que aparecessem ou apareçam outros depósitos, o mito nacional já falou que o valor era maior: 40 mil.
Vá lá que apareçam outros valores, maiores.
Parem a investigação e desautorizem as provas desse castelo de areia, antes que cheguem na conta do nosso novo mito.
***
Aliás, para mim, mito é apenas Macunaíma. O retrato estilizado da alma do brasileiro eleitor de quem vende ilusões.
***
Para concluir, sem qualquer outro político de importância, nosso Macunaíma redivivo, discursa hoje em Davos.
Para tentar consertar o estrago de sua eleição, responsável pela saída ou interrupção de entrada de capitais externos no país.
***
Afinal, os investidores internacionais podem até se divertir com o exotismo de nosso país, nossa cultura, e nossa economia.
Mas, para eles conta mais outra questão: a conquista do lucro, o maior possível!
O que parece que, aos olhos de nosso governo, é mais uma trama macabra dos marxistas culturais e sua ideia de globalismo ... do lucro.
***
Estamos de volta.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
Pitacos preguiçosos de início de ano
Os pitacos começam, como o ano, preguiçosos.
Assim como a quadra que se inicia, espero ter a capacidade de tornar seus textos mais curtos. De leitura mais fácil.
Mas, antes, a todos aqueles que têm a paciência de visitarem essa página, a todos os que costumam me acompanhar, desejo o melhor 2019 possível.
O mais feliz.
Um ano em que possamos dar asas a nossos sonhos, significados e coerência a nossas realizações e em que nossos temores não possam vicejar.
***
O ano começa com a posse dos novos escolhidos pela população brasileira para comandarem os destinos do país e dos estados pelos próximos quatro anos.
Governos que se instalam e, todos sabemos e a midia não nos deixa esquecer, que deverão ser marcados pela situação de penúria das contas públicas.
Que obriga que sacrifícios sejam feitos em todos os níveis da administração pública e por todos os setores da sociedade.
Como sempre, embora reconheça a situação de calamidade das contas da União e dos entes subnacionais, que é uma unanimidade, os conflitos que deverão se apresentar se referem mais à forma que ao conteúdo final.
***
Dessa forma, embora suspeitando que as medidas de política a serem adotadas no futuro imediato de nosso país não serão no sentido e direção que acredito fossem as recomendadas, torço, pelo bem do povo e dos trabalhadores do Brasil, para que não sirvam para agravar e piorar a situação de miséria da maioria de nossa população.
Que as medidas de política sejam menos na direção de ampliar o fosso e mais no sentido de permitir o cumprimento de uma postulação muito cara a mim: de cada um segundo sua possibilidade, a cada um segundo sua necessidade.
***
Utopia?
Claro, mas se como diz a sabedoria popular, pau que dá em Chico tem de dar também em Francisco, espero que as promessas iniciais do governo, de destravar a economia, liberalizar geral, respeitar o esforço individual não deixem de afetar e reduzir privilégios, acabar com cartórios, benefícios, poderes de mercado exercidos por organizações oligopólicas.
Há que admitir que será uma grande conquista se a parcela de receita arrecadada pelo governo, que apenas passeia pelos cofres públicos e retorna sob a forma de incentivos, subsídios, favorecimentos - e vista grossa, que não é corrupção, mas é prima irmã dela - sejam reduzidas, senão eliminadas.
Afinal, se se quer passar a valorizar o mérito individual, que é meta de todos nós, é inegável que todos têm que começar do mesmo ponto de partida.
Com as mesmas condições e oportunidades.
E para isso, o fim de privilégios é a principal arma.
***
E como falei de utopia, apenas devo deixar registrado que não consigo enxergar, em meio a todos os apoios que levaram Bolsonaro ao poder, a vontade, o interesse, a disposição de alterar o "status quo".
Não consigo imaginar os empresários que desejam ainda uma maior precarização das relações trabalhistas, dispostos a apoiarem melhores remunerações e condições menos iníquas de trabalho.
Não consigo visualizar os mercados financeiros, que tanto apoiaram e aprovam os primeiros atos do novo governo (vide os resultados da Bolsa e do dólar), se contentarem com menores espaços para a obtenção e busca de rendimentos, em detrimento de interesses produtivos mais efetivos.
Menos ainda acredito que os interesses ruralistas, do agronegócio, que são os que têm segurado o desempenho da economia brasileira recente, possam sentar a mesa e discutir que comportamento deverão adotar, para não agredir o meio ambiente, e respeitar índios e outras comunidades mais fragilizadas.
***
Quanto à posse, algumas observações são interessantes de se fazer.
Primeiro o destaque dado à quebra de protocolo com o discurso/comunicado simpático, feito em Libras, por Michelle Bolsonaro.
Destaque justo, e um aceno no sentido da inclusão de todos os que têm problemas de deficiência auditiva, que pelo que informa a midia, atingem os 10 milhões de pessoas no nosso país.
***
Segundo, o fato de a oposição, ou parcela mais aguerrida dela, ter boicotado a posse, não estando presente à solenidade. Como se fosse antidemocrática a postura, perfeitamente normal e comum, de o bloco de representantes da minoria se ausentar ou se retirar do plenário para manifestar sua contrariedade ou insatisfação com algum tipo de ato político.
Pior seria se, como acontece por exemplo naquele país "antidemocrático" que é a Inglaterra, o grupo de oposição se manifestasse com vaias.
Que aqui no Brasil poderia dar motivo inclusive para a ação truculenta de certos membros da maioria ou ainda do corpo de seguranças do Legislativo.
***
Mas, como a maioria se acha a dona da cocada preta, até o comportamento da minoria ela deseja pautar. E, dá-lhe críticas, à ausência de PSOL, PT e PSB, da sessão de posse.
Esquecem que ser maioria não significa deter o monopólio da verdade ou dos comportamentos sociais.
***
Assim, li ontem, em um portal - talvez no UOL, uma série de justificativas que, segundo o autor dos comentários, não justificam em absoluto o comportamento DESELEGANTE da minoria.
Como se cumprir o seu papel político, representando aos que não votaram no candidato eleito e a ele se opõem, fosse algo deselegante!!!
***
Em meio à lista de comentários provocados pela percepção de que a oposição perdeu, mas não se entregou, nem se curvou, até criticou a argumentação adotada por alguns, de que o comportamento de agora, repete apenas o comportamento de PSDB e DEM de 2014.
Siglas cujos membros, também sem saber aceitar a derrota, se furtaram de comparecer à solenidade de posse de Dilma para o segundo mandato.
Contra o qual já estavam tramando desde aquele momento...
***
E ainda somos brindados com a fala do neto de ACM, presidente justamente do ... DEM, de que a oposição deveria comparecer e esquecer as divisões provenientes da campanha.
***
Em terceiro lugar e para não me estender muito, lembrar que, como todos fizeram questão de assinalar, Bolsonaro, mesmo eleito, continua em campanha: contrariando o discurso que ele mesmo proferiu na Câmara, de que irá governar para todos.???
E, em um instante supremo, ficamos informados de que a sociedade brasileira será, por seu intermédio, libertada do socialismo que corrompe suas tradições.
***
Aquele socialismo dos governos petistas que, a título de melhorar as condições de vida das populações mais carentes, com condições de vida menos dignas, resolveu ampliar os benefícios, EM RESPEITO AO QUE É PRECEITO CONSTITUCIONAL, de programas de assistência já praticados nos governos anteriores, que hoje apoiam o vencedor.
Isso, sem prejuízo de deixar os ricos mais ricos, e ampliar como nunca antes na história de nosso país, a participação dos estratos mais ricos na partilha do bolo que é a renda nacional (da riqueza, nem se fale!).
***
Socialismo de araque que sempre privilegiou os maiores, os campeões, em prol de conseguir espaço para dar migalhas aos mais pobres.
***
Enfim, o presidente disse no parlatório, puxando o coro dos idiotas que nossa bandeira nunca será vermelha.
Não bastasse o nome Brasil, de origem tupi, significar pau em brasa, de coloração vermelha viva, fui pesquisar para descobrir que, de 12 bandeiras que nosso país já ostentou, seja como colônia ou mesmo país independente de Portugal, ainda no Império, nove delas tinha não apenas a cor vermelha, como essa cor representava a maior parte do símbolo nacional.
***
Pena que os nossos novos governantes, e até a midia ou parte dela, não conheçam história, ou não tenham interesse em ir contra os detentores do poder, para esclarecer a população e dar a ela, condições de igualdade de conhecimento e de discernimento.
***
Não poderia deixar de concluir com uma observação sobre a fala de um dos ministros empossados, ao afirmar que o novo governo terá como regra o respeito aos contratos, sendo contrário à quebra de contratos.
Bom saber disso. Mas é importante espalhar isso na mídia, especialmente aquela que continua criticando o fato de o aumento do funcionalismo público, cuja última parcela, por LEI - não foi por um mero contrato, mas algo muito maior, uma lei - começa a vigorar agora a partir de janeiro, não foi, nem pode ser considerado nem um abuso, nem uma medida monocrática de Lewandowski destinada a colocar pedras no caminho do novo mandatário.
***
É isso.
Assim como a quadra que se inicia, espero ter a capacidade de tornar seus textos mais curtos. De leitura mais fácil.
Mas, antes, a todos aqueles que têm a paciência de visitarem essa página, a todos os que costumam me acompanhar, desejo o melhor 2019 possível.
O mais feliz.
Um ano em que possamos dar asas a nossos sonhos, significados e coerência a nossas realizações e em que nossos temores não possam vicejar.
***
O ano começa com a posse dos novos escolhidos pela população brasileira para comandarem os destinos do país e dos estados pelos próximos quatro anos.
Governos que se instalam e, todos sabemos e a midia não nos deixa esquecer, que deverão ser marcados pela situação de penúria das contas públicas.
Que obriga que sacrifícios sejam feitos em todos os níveis da administração pública e por todos os setores da sociedade.
Como sempre, embora reconheça a situação de calamidade das contas da União e dos entes subnacionais, que é uma unanimidade, os conflitos que deverão se apresentar se referem mais à forma que ao conteúdo final.
***
Dessa forma, embora suspeitando que as medidas de política a serem adotadas no futuro imediato de nosso país não serão no sentido e direção que acredito fossem as recomendadas, torço, pelo bem do povo e dos trabalhadores do Brasil, para que não sirvam para agravar e piorar a situação de miséria da maioria de nossa população.
Que as medidas de política sejam menos na direção de ampliar o fosso e mais no sentido de permitir o cumprimento de uma postulação muito cara a mim: de cada um segundo sua possibilidade, a cada um segundo sua necessidade.
***
Utopia?
Claro, mas se como diz a sabedoria popular, pau que dá em Chico tem de dar também em Francisco, espero que as promessas iniciais do governo, de destravar a economia, liberalizar geral, respeitar o esforço individual não deixem de afetar e reduzir privilégios, acabar com cartórios, benefícios, poderes de mercado exercidos por organizações oligopólicas.
Há que admitir que será uma grande conquista se a parcela de receita arrecadada pelo governo, que apenas passeia pelos cofres públicos e retorna sob a forma de incentivos, subsídios, favorecimentos - e vista grossa, que não é corrupção, mas é prima irmã dela - sejam reduzidas, senão eliminadas.
Afinal, se se quer passar a valorizar o mérito individual, que é meta de todos nós, é inegável que todos têm que começar do mesmo ponto de partida.
Com as mesmas condições e oportunidades.
E para isso, o fim de privilégios é a principal arma.
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E como falei de utopia, apenas devo deixar registrado que não consigo enxergar, em meio a todos os apoios que levaram Bolsonaro ao poder, a vontade, o interesse, a disposição de alterar o "status quo".
Não consigo imaginar os empresários que desejam ainda uma maior precarização das relações trabalhistas, dispostos a apoiarem melhores remunerações e condições menos iníquas de trabalho.
Não consigo visualizar os mercados financeiros, que tanto apoiaram e aprovam os primeiros atos do novo governo (vide os resultados da Bolsa e do dólar), se contentarem com menores espaços para a obtenção e busca de rendimentos, em detrimento de interesses produtivos mais efetivos.
Menos ainda acredito que os interesses ruralistas, do agronegócio, que são os que têm segurado o desempenho da economia brasileira recente, possam sentar a mesa e discutir que comportamento deverão adotar, para não agredir o meio ambiente, e respeitar índios e outras comunidades mais fragilizadas.
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Quanto à posse, algumas observações são interessantes de se fazer.
Primeiro o destaque dado à quebra de protocolo com o discurso/comunicado simpático, feito em Libras, por Michelle Bolsonaro.
Destaque justo, e um aceno no sentido da inclusão de todos os que têm problemas de deficiência auditiva, que pelo que informa a midia, atingem os 10 milhões de pessoas no nosso país.
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Segundo, o fato de a oposição, ou parcela mais aguerrida dela, ter boicotado a posse, não estando presente à solenidade. Como se fosse antidemocrática a postura, perfeitamente normal e comum, de o bloco de representantes da minoria se ausentar ou se retirar do plenário para manifestar sua contrariedade ou insatisfação com algum tipo de ato político.
Pior seria se, como acontece por exemplo naquele país "antidemocrático" que é a Inglaterra, o grupo de oposição se manifestasse com vaias.
Que aqui no Brasil poderia dar motivo inclusive para a ação truculenta de certos membros da maioria ou ainda do corpo de seguranças do Legislativo.
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Mas, como a maioria se acha a dona da cocada preta, até o comportamento da minoria ela deseja pautar. E, dá-lhe críticas, à ausência de PSOL, PT e PSB, da sessão de posse.
Esquecem que ser maioria não significa deter o monopólio da verdade ou dos comportamentos sociais.
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Assim, li ontem, em um portal - talvez no UOL, uma série de justificativas que, segundo o autor dos comentários, não justificam em absoluto o comportamento DESELEGANTE da minoria.
Como se cumprir o seu papel político, representando aos que não votaram no candidato eleito e a ele se opõem, fosse algo deselegante!!!
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Em meio à lista de comentários provocados pela percepção de que a oposição perdeu, mas não se entregou, nem se curvou, até criticou a argumentação adotada por alguns, de que o comportamento de agora, repete apenas o comportamento de PSDB e DEM de 2014.
Siglas cujos membros, também sem saber aceitar a derrota, se furtaram de comparecer à solenidade de posse de Dilma para o segundo mandato.
Contra o qual já estavam tramando desde aquele momento...
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E ainda somos brindados com a fala do neto de ACM, presidente justamente do ... DEM, de que a oposição deveria comparecer e esquecer as divisões provenientes da campanha.
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Em terceiro lugar e para não me estender muito, lembrar que, como todos fizeram questão de assinalar, Bolsonaro, mesmo eleito, continua em campanha: contrariando o discurso que ele mesmo proferiu na Câmara, de que irá governar para todos.???
E, em um instante supremo, ficamos informados de que a sociedade brasileira será, por seu intermédio, libertada do socialismo que corrompe suas tradições.
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Aquele socialismo dos governos petistas que, a título de melhorar as condições de vida das populações mais carentes, com condições de vida menos dignas, resolveu ampliar os benefícios, EM RESPEITO AO QUE É PRECEITO CONSTITUCIONAL, de programas de assistência já praticados nos governos anteriores, que hoje apoiam o vencedor.
Isso, sem prejuízo de deixar os ricos mais ricos, e ampliar como nunca antes na história de nosso país, a participação dos estratos mais ricos na partilha do bolo que é a renda nacional (da riqueza, nem se fale!).
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Socialismo de araque que sempre privilegiou os maiores, os campeões, em prol de conseguir espaço para dar migalhas aos mais pobres.
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Enfim, o presidente disse no parlatório, puxando o coro dos idiotas que nossa bandeira nunca será vermelha.
Não bastasse o nome Brasil, de origem tupi, significar pau em brasa, de coloração vermelha viva, fui pesquisar para descobrir que, de 12 bandeiras que nosso país já ostentou, seja como colônia ou mesmo país independente de Portugal, ainda no Império, nove delas tinha não apenas a cor vermelha, como essa cor representava a maior parte do símbolo nacional.
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Pena que os nossos novos governantes, e até a midia ou parte dela, não conheçam história, ou não tenham interesse em ir contra os detentores do poder, para esclarecer a população e dar a ela, condições de igualdade de conhecimento e de discernimento.
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Não poderia deixar de concluir com uma observação sobre a fala de um dos ministros empossados, ao afirmar que o novo governo terá como regra o respeito aos contratos, sendo contrário à quebra de contratos.
Bom saber disso. Mas é importante espalhar isso na mídia, especialmente aquela que continua criticando o fato de o aumento do funcionalismo público, cuja última parcela, por LEI - não foi por um mero contrato, mas algo muito maior, uma lei - começa a vigorar agora a partir de janeiro, não foi, nem pode ser considerado nem um abuso, nem uma medida monocrática de Lewandowski destinada a colocar pedras no caminho do novo mandatário.
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É isso.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
"Dorme minha pequena, não vale a pena despertar": retrato do Brasil da diplomação de Bolsonaro e do que antevejo de seu discurso
Em cerimônia na tarde da última segunda feira, 10 de dezembro, o Tribunal Superior Eleitoral- TSE procedeu à solenidade de diplomação do presidente eleito pelo voto de mais de 57 milhões de votos, Jair Bolsonaro.
Antes da cerimônia e para não perder a oportunidade de causar situações inusitadas, repetindo uma situação que parece que vai se tornando padrão, o eleito convidou um pastor da igreja frequentada por sua mulher, para realizar uma oração em sala reservada do Tribunal.
O fato polêmico criou algum constrangimento, sendo objeto da crítica de alguns poucos presentes por ter tido lugar em dependência de um prédio público, de um Estado que se define como laico.
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É interessante recordar que antes, já no seu primeiro pronunciamento depois de divulgada sua vitória, na porta de sua residência, o deputado passou a palavra ao senador e candidato derrotado, Magno Malta, para a realização de mais uma oração.
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Claro, nada contra a demonstração de fé por parte de alguém que julga ter recebido de Deus a graça de ter sobrevivido à facada que de que foi vítima na campanha eleitoral, na cidade de Juiz de Fora.
Mas, é no mínimo estranho que tal manifestação ocorra justamente em um ambiente onde o discurso realizado pelo diplomado trouxe o compromisso de, a partir de 1º de janeiro, ser o presidente não apenas dos que o elegeram, mas de todos os 210 milhões de brasileiros.
Afinal, são suas palavras e sua promessa que,
"A partir de 1º de janeiro serei o presidente de todos, dos 210 milhões de brasileiro. Governarei em benefício de todos sem distinção de origem social, raça, sexo, cor, idade, ou religião."
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Bem se vê, então, que ao menos no que se refere à questão religiosa o tratamento será semelhante ao dispensado a outras questões já abordadas pelo eleito e sua equipe.
Ou seja: o presidente tratará a todos como iguais, e aos desiguais como diferentes.
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Talvez essa seja a forma mais adequada de entender, por exemplo, a formação da equipe de seu governo que irá/iria promover "uma ruptura com práticas que historicamente retardam nosso progresso, NÃO MAIS A CORRUPÇÃO... não mais as mentiras, não mais a manipulação ideológica..."
E o que revela a análise dos indicados para os ministérios e, mais importante, como reage o presidente eleito?
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A verdade é que, cada nome escolhido e anunciado, com raras exceções, é sempre o nome de algum indiciado ou investigado, deixando de fora talvez apenas os ministros militares - que não são poucos.
E como reage o agora diplomado, ao ser confrontado pela imprensa com as informações de tais acusações?
Adota a posição arrogante que consiste em afirmar que aqui no Brasil, todos são investigados e que até ele é réu no Supremo.
E conclui com a frase que revela menosprezo, se não pelos 210 milhões de brasileiros, ao menos por parte daqueles 57 milhões que o elegeram, até para se tornar Mito.
Isso porque, em minha opinião, um governo que se deseja o bastião da moral não deveria iniciar sob nenhuma suspeita, seja em relação ao Caixa 2 de seu ministro da Casa Civil, seja sob a suspeita de atuação de seu ministro indicado pelo Meio Ambiente, seja de seu Posto Ipiranga, Paulo Guedes, suspeito em questões vinculadas aos Fundos de Pensões; seja de si mesmo e sua própria família.
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Mas antes de voltarmos a esse tema, é importante comentar um outro comportamento adotado pelo diplomado, no mínimo curioso.
Óbvio que, em meio a uma solenidade de celebração, no interior do TSE, o diplomado não poderia adotar comportamento distinto.
Mas é interessante observar como será, daqui em diante, o comportamento do eleito em relação às urnas eletrônicas, tão criticadas por ele e agora merecedoras de elogio, que se estendeu a toda a família da Justiça Eleitoral, pelo extraordinário trabalho realizado.
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Aqui no caso, confesso que me intriga mais a reação de todos os apoiadores e eleitores do capitão, que foram para as redes sociais manifestar seu repúdio e atacarem as urnas eletrônicas, todas viciadas, e tão sujeitas a manipulação.
E agora? Com que cara ficam esses eleitores?
Afinal, que resultado iria, em sua opinião, definir se as urnas e seu resultado eram mesmo, frutos de manipulação ... "ideológica"?
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Outra observação a respeito do discurso é a lista do que ele denomina a pauta histórica de reivindicações da população brasileira, em especial, no tocante à "igualdade de oportunidade com respeito ao mérito e ao esforço individual".
Nesse caso, o que me intriga é o tipo de interpretação que deve ser dada a tal frase. Porque ainda em campanha, não foram poucas as vezes que o discurso do mérito e do esforço individual não foi utilizado para justificar sua atitude contrária às políticas ativas em favor de populações com quem a sociedade brasileira, ou grande parte dela, admite que temos uma dívida social imensa.
Mais claramente, o que parece estar em pauta é o fim de políticas de cotas, por exemplo, para negros, pretos, índios, estudantes egressos do ensino público.
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Ora, ao tempo em que fala de igualdade de oportunidade e respeito ao mérito e esforço individual, há uma série de discursos contrários à categoria do funcionalismo público, aos que aprovados em concursos onde o mérito é a principal arma, acabam ganhando a estabilidade para não poder desempenharem suas funções em prol da sociedade, sem depender da boa vontade de qualquer governante de plantão.
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De mais a mais, como medir meritocracia e dispêndio de esforços quando a corrida é desigual e enquanto alguns têm que sair no meio da massa de atletas inscritos para a maratona da vida, outros podem se dar ao luxo de iniciarem sua corrida sem ter de disputar espaço com quem quer que seja, e a apenas alguns passos da faixa de chegada?
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O que a população de 210 milhões de brasileiros poderá esperar de fato?
A continuidade de políticas que visem oferecer à população o que lhe cabe por dever do Estado e da generosidade e solidariedade social, ou o desmantelamento dessas políticas, para poder reduzir o Estado -essa quimera - a um mínimo, capaz de não necessitar de grandes recursos para poder sobreviver e, com isso, reduzir os impostos por ele arrecadados?
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É importante, nesse sentido, observar que o eleito se impõe a obrigação de "oferecer condições para que o empreendedor crie empregos e gere renda ao trabalhador".
E, embora não forçando muito a barra para não ficar apelativo, a verdade é que em meu modo de ver, a atenção do eleito e seu discurso é sempre mais focado no empresário do que na maioria da população, composta pelos trabalhadores.
Aliás, não foi ele mesmo quem já afirmou várias vezes que o trabalhador deve fazer uma opção entre ter direitos e não ter emprego ou ter empregos, com direitos mínimos?
Também não foi ele que, há poucos dias, em uma de suas falas à mídia, falou que tentou ser empresário no Brasil, em várias ocasiões, e sabe o quanto sofre o empresário em nosso país?
O quanto sofre aquele que deseja empreender?
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Infelizmente não me lembro do nome do cartunista que fez a mais sábia crítica a tal discurso. Mas a verdade é que se sofre tanto assim o empresário, e unindo ambas as falas, o melhor mesmo é ser escravo em nosso país.
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Mas mais significativo em toda a fala o presidente diplomado, é a frase em que afirma que "o poder popular não precisa mais de intermediação, ... [já que] as novas tecnologias permitiram uma relação direta entre o eleitor e seus representantes."
Para prosseguir dizendo que, nesse novo ambiente a crença na liberdade é a garantia de respeito aos ideais ...
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Talvez por isso, a presença e a cortesia feita pelo capitão a Collor.
O presidente com quem guarda muitas semelhanças e que, entre elas, estava a das mensagens nas camisetas, em momento em que a internet ainda engatinhava e as redes sociais ainda não tinham a força e o poder que têm hoje.
Porque ou muito me engano, ou também Collor tinha um perfil que pode ser classificado como mais direto. Para falar direto ao povo, sem precisar de intermediários tradicionais.
***
Nesse sentido, dá para entender o tipo de negociação que Bolsonaro vem fazendo com bancadas e interesses diversos, sem passar pela intermediação dos partidos tradicionais.
Não é demais destacar que ambos, Collor antes, e agora o capitão, criaram partidos nanicos para os elegerem, o que demonstra que são mais, muito mais personalistas.
***
Também não é preciso entender muito de ciência política para saber que os líderes que insistem em falar direto ao público e eleitores, sempre foram os maiores tiranos. E sempre protagonizaram verdadeiras atrocidades.
A comunicação direta ao público, é arma possibilitada fortemente pelas redes sociais, mas acaba com uma das principais forças da representação da sociedade civil: a capacidade de se peneirar as verdadeiras e mais autênticas demandas populares. Não de apenas um grupo que mais tem capacidade de manifestação e esperneio.
***
E então, feitos tais comentários, chegamos a um complexo tema: os cheques voadores que frequentavam a conta corrente de ex-assessor legislativo de um filho de Bolsonaro.
Valores que coincidem com aqueles que foram pagos a outros 7 contratados pelo gabinete de Flávio Bolsonaro, para serem transferidos para o policial agora aposentado.
Em viagem cujo destino final foi, ao menos em um caso já apresentado, parar na conta da esposa de ... o mito: Bolsonaro.
***
E o que preocupa é que o eleito já declarou que era o pagamento por um empréstimo vultoso feito ao ex-assessor/motorista, ao menos por uma pessoa física e não uma instituição financeira.
Pois bem, aceitemos a versão mais simplória.
E o que faz Moro, o super-deus da luta anticorrupção? O suprassumo da moralidade em nosso país?
Age como o fez no caso das denúncias de Ônyx: reconhece que houve alguma irregularidade, mas que não vai agir, já que houve o reconhecimento do erro, o pedido de desculpas, ou a explicação já foi dada e é convincente.
***
Como foram convincentes os reclamos até agora apresentados por Aécio, Andréa e seu primo Fred. Como não foram convincentes as demonstrações e afirmações de Lula e da família Bittar, de que o sítio, como o triplex, não são propriedade do ex-presidente.
O que levou à condenação de Lula.
Para mostrar que Moro não é imparcial.
Parece-me que algum dia descobriremos que ele é apenas desonesto mesmo.
Ou muito rápido, quando lhe interessa o que, para um juiz (agora ex) está mais para a desonestidade mesmo.
***
Enquanto isso, a população e os eleitores de Bolsonaro, repousam inertes.
Curtem o maior torpor do sono dos justos.
***
E o médium João, agora desaparecido, não se materializa para dar explicações de seus maus feitos.
***
E a ministra dos direitos humanos deseja pagar um salário para que as mulheres estupradas possam comprar sua paz e o esquecimento da violência sofrida (talvez como castigo de Deus!), com os míseros trocados de um salário que nem tem recursos para ser pago.
***
Enquanto isso, o povo dorme.
E como diz Chico Buarque: dorme minha pequena, não vale a pena despertar.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Pautas-bombas; temas que devem merecer análise mais profunda; e para que manter os índios, índios?
O que são as chamadas pautas-bomba?
Passadas as eleições de 2014, com a vitória de Dilma, o seu oponente, o moleque (não há outra forma melhor de denominá-lo, exceto se para chamá-lo de corrupto!) Aécio prometeu que não deixaria a presidenta reeleita governar.
Daí para frente, seu partido, o mentor do Fator Previdenciário destinado a reduzir o valor das aposentadorias concedidas a trabalhadores que já tivessem cumprido as condições necessárias para obter o benefício, apenas que com uma expectativa de vida mais elevada, ajudou a aprovar no Congresso uma alteração na legislação, flexibilizando a aplicação do tal fator.
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Seguindo a mesma lógica, o Congresso alterou o projeto de lei, enviado à Casa pelo governo, que concedia desoneração da folha de salários como base para o pagamento dos encargos trabalhistas, com destaque para a Previdência.
Tal medida visava atingir empresas com atuação naqueles setores que se utilizassem de maior quantidade de mão de obra alguns e que, por esse motivo fossem setores responsáveis pela geração de elevado número de empregos formais.
A condição para a aprovação do projeto de lei é que as empresas se comprometiam a manter o nível de emprego, ou seja, a ideia era a proteção do nível de emprego.
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E o que fez o Congresso?
Em mais uma medida destinada a fragilizar as contas do governo, ampliou para algo em torno de 56 o número de setores que passavam a se aproveitar da benesse.
Benefício que, diga-se de passagem, como tudo que é incentivo e concessões feita ao empresariado nacional, nascia sem prazo definido de validade nem um criterioso modo de se mensurar se a contraparte do lado das empresas estava sendo honrada.
Ou seja, como sempre, o benefício que passou a trazer grande ônus para os cofres públicos, tendia a se perpetuar, sem qualquer controle e com evidente perda de sua eficácia.
Também como é comum no nosso país, não ficavam claras as punições para as empresas que não cumprissem os requisitos para a sua manutenção no regime especial.
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Pauta bomba maior, entretanto, foi a aceitação por um investigado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do pedido de impeachment que a oposição oportunista fez chegar à Câmara.
Que culminou com a medida que afastou Dilma do exercício do cargo para o qual havia sido, legitimamente eleita.
E que culminou na posse de seu vice, e um dos principais articuladores do golpe que o beneficiava, o deplorável traíra, Michel Temer.
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Um detalhe não deve escapar a quem analisa a situação que venho relembrando: em geral, as pautas bombas tinham em comum o fato de trazerem prejuízos potenciais de grande proporção para o Erário, e medidas que, no geral, beneficiavam principalmente aos interesses das classes empresariais.
Em muito maior escala que ao povo brasileiro.
O que explica sua aprovação por suas Excelências, independente da crise que poderiam estar provocando, e com algum apoio silencioso da mídia sem escrúpulos.
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Com a chegada de Temer ao poder, as pautas-bomba foram postas de lado.
Daí para a frente, a Casa passou a votar as matérias destinadas a, restabelecer a solvência das contas do governo central, invariavelmente com algum tipo de medida destinada a compensar aos empresários por seu apoio e pela redução de alguns dos exagerados incentivos de antes.
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Dentre essas medidas aprovadas, e destinadas a compensar às elites econômicas do país, uma mereceu grande destaque: a malfadada Reforma Trabalhista, destinada a aposentar a CLT e toda a legislação de proteção e apoio ao trabalhador e à sua segurança em seu trabalho.
A legislação reformada trouxe a novidade do trabalho temporário, a possibilidade da terceirização total nas empresas, e a precarização ampla dos direitos trabalhistas, amparada por uma argumentação mesquinha, canhestra, que conseguia valorizar mais o contratado sobre o legislado.
Ou seja: a lei, que alcança e deve tratar a todos sem diferenças - dentro do princípio bastante discutível de que "todos são iguais perante a lei" - passou a ficar a reboque ou completamente anulada pelo contrato livremente fixado entre as partes.
Contrato fixado entre, no dizer do saudoso professor e ex-ministro Aluísio Pimenta, a raposa e as galinhas. Sob o olhar complacente do dono do galinheiro. (A saborosa história revela que a raposa tinha o direito de comer uma galinha por dia. E às galinhas restava o direito de serem comidas, uma a cada dia!)
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Dentro desse cenário, não é de causar choque ou surpresa para qualquer pessoa de espírito mais crítico, ou leia-se aqui, de quem não está interessado por qualquer que seja sua motivação, a ficar puxando saco dos mais fortes e poderosos - os empresários - os resultados de estudos feitos pelo IBGE e divulgados ontem.
Estudos que mostram uma redução cruel de todos os indicadores sociais do país, com aumento do número de pessoas em estado de extrema pobreza ou miséria, que englobam pessoas que devem viver com menos de R$ 140 reais por mês; aumento do número de pessoas em estado de pobreza, sobrevivendo com menos de R$460 reais ao mês.
Aliás, devo me corrigir: sobrevivendo não, fazendo acontecer o milagre...
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Os mesmos indicadores revelam o grau de disparidade na distribuição de renda, com mais de 40% da população absorvendo menos de 15% da riqueza e uma vergonhosa concentração de renda no andar de cima.
Isso para não falar das questões raciais - pretos ocupando menos cargos de trabalho, sempre menos remunerados e com menores oportunidades de obtenção de educação formal. Nem me refiro a educação de qualidade, uma quimera.
Mas, a desigualdade também alcança questões de gênero, etc.
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Nesse ambiente é que o Congresso aprova o que vem sendo chamado de pautas-bomba, como se estivesse o Legislativo mandando um recado para Bolsonaro.
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Não há como discordar de que é uma bomba, no sentido de muito ruim, a aprovação do aumento do Judiciário no nosso país.
Menos pela questão do gasto em si que tal medida pode vir a acarretar. Mas pelo que a aprovação traz subtendido, e a que já me referi: o pagamento pela ilegalidade tolerada no caso do golpe contra a presidenta Dilma.
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Não se nega que, com as contas públicas em crise, tal aumento terá consequências desastrosas. Nem que isso irá acabar obrigando a que ajustes sejam feitos e que tais ajustes acabem recaindo, como é comum acontecer sobre o grosso da população, essa que recebe valores infinitamente menores que o dos Ministros do Supremo, esses seres divinos e iluminados (não é, Lewandowski?).
O que irá agravar ainda mais o quadro dos indicadores do país.
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Mas há outra lei, aprovada no dia de ontem, que é a flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal, no caso das penalidades para o município que estourar o limite de 60% da receita com o pagamento da folha de pessoal, que inclui servidores ativos e inativos.
Não há como negar que a LRF foi importante aprimoramento institucional em nosso país, destinada a impedir o uso do empreguismo com finalidade eleitoreira.
O que me causa espanto é que a LRF não tenha, pelo que parece, previsto o tipo de situação que o país está atravessando e que, sem dúvida merece, senão uma mudança como a aprovada, uma discussão mais séria.
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Ou seja, e para deixar mais claro, acho que devemos todos zelar pela manutenção da LRF.
Mas, acho que a aprovação da alteração feita ontem devesse ser classificada como pauta-bomba, sem uma discussão mais aprofundada.
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Justifico: tomemos como exemplo o INSS, cujos processos estão batendo recordes de demora de análise e concessão ou não do benefício.
A imprensa mesmo tem trazido matérias mostrando casos de gestantes que entraram com pedido de auxílio natalidade e que depois da licença de 5 meses já cumprida, o INSS ainda não analisou o pedido de pagamento da licença maternidade.
***
Processos com pedido de contagem de tempo, para efeito de aposentadoria, que pela legislação deveriam ter sido implementados quando aprovados em até 45 dias, estão completando mais de 5 meses de espera.
A justificativa para tais atrasos é sempre a de falta de contingente humano.
Ora, se as pessoas envelhecem e cumprem a totalidade das condições para se aposentarem, é justo que exerçam seu direito.
Isso vale também para aqueles funcionários do Instituto.
E tal situação é agravada com anúncios sempre desastrosos de medidas que visam alterar as regras da Previdência, levando pânico e causando correria de funcionários desejando se aposentarem, de forma a não perderem seus direitos.
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Isso leva à necessidade de contratação de novos funcionários, sob a ameaça de os serviços públicos que já funcionam muito mal, acabarem paralisando por completo.
Imagine-se isso em relação aos professores da rede pública de Educação, ou aos médicos, para citar apenas algumas categorias.
***
A questão é que, pelo regime especial do funcionalismo público, quem se aposenta não sai da folha de pagamentos, passando apenas a ser inativo. Quem deve, se concursado, entrar no seu lugar, infla a folha.
Em situações de crise, se a receita do ente público caiu por força de fatores dos quais ele não teve culpa, não seria correto que o ente fosse penalizado e punido, por ter a obrigação de manter os pagamentos dos servidores estáveis.
E isso não tem nada a ver com o instituto da estabilidade, que deve ser mantida, para evitar, como foi a justificativa para sua criação de que o corpo de servidores tivesse que se sujeitar às determinações, muitas vezes esdrúxulas dos políticos circunstancialmente no poder.
***
Se a folha incha pelo maior número de inativos e se não pode se reduzir pela estabilidade, então, se a receita cai, como punir quem pagou em dia?
Mesmo que o ente não tenha aberto concurso e contratado novos servidores, nem tenha concedido aumentos - nem os legais, de reposição da inflação, e tenha até promovido remanejamentos de pessoal, e redução de cargos comissionados, etc. etc.
***
A discussão tem de ser posta e aprofundada, antes de se sair acusando o absurdo da pauta aprovada. Acusações e falta de discussão que apenas é mais um desserviço que a mídia de nosso país nos presta a todo o povo brasileiro.
***
Agora, é óbvio que para poder se credenciar a não estar sujeito a penalização, o ente deveria comprovar ter adotado todas as medidas necessárias e ao seu alcance, para poder tentar evitar que o limite tivesse sido ultrapassado.
O que não deveria ser difícil de comprovação, perante, quem sabe a algum Tribunal de Contas, ou a algum Comitê representativo da Sociedade Civil.
***
Então, pode até ser que o interesse seja mesmo trazer a bomba e acender o pavio.
Mas que o assunto merece sim, discussão e seriedade no trato, não resta dúvidas.
***
Porque manter índios, índios
Ouvindo o presidente eleito falar, começo a ter que concordar com ele e seu raciocínio: porque manter índios na situação de índios?
Muito melhor é aculturá-los e transformá-los e a suas terras, posses, até sonhos e direitos, em uma mesma sopa de (falta) de direitos e inserção na sociedade capitalista, de consumo e exploração.
Como se os indígenas que não quisessem deixar de preservar sua cultura e tradições já não adotassem esse tipo de comportamento, tornando-se mais do mesmo: trabalhadores e consumidores, explorados.
***
Aliás, acabar com privilégios indígenas, apenas aumentaria e igualaria os índios aos trabalhadores sem direitos e sem empregos. E sem renda e condições (mais) dignas de sobrevivência.
***
Afinal, não é o próprio presidente eleito que sempre reafirma que não adianta ter direitos se não houver empregos?
E que as raposas possam ampliar seus direitos, enquanto nem se tenta mais preservar os direitos das galinhas.
***
Desde que a raposa divida seus ganhos e benefícios com o dono do galinheiro, que mesmo armado, não irá reclamar, salvo se a raposa não reconhecer, ao final e ao cabo, que ela viveu como uma vida de ostentação, luxo e riqueza, graças ao fazendeiro.
Nessa hora, a raposa deverá erguer estátua para o fazendeiro, demonstrando toda a gratidão por seu comportamento.
Não deverá deixar de criar outra estátua, para a galinha.
Para que ao menos em pedra ela possa sobreviver, depois de ter sido extinta, na memória que o tempo apaga.
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É isso.
Passadas as eleições de 2014, com a vitória de Dilma, o seu oponente, o moleque (não há outra forma melhor de denominá-lo, exceto se para chamá-lo de corrupto!) Aécio prometeu que não deixaria a presidenta reeleita governar.
Daí para frente, seu partido, o mentor do Fator Previdenciário destinado a reduzir o valor das aposentadorias concedidas a trabalhadores que já tivessem cumprido as condições necessárias para obter o benefício, apenas que com uma expectativa de vida mais elevada, ajudou a aprovar no Congresso uma alteração na legislação, flexibilizando a aplicação do tal fator.
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Seguindo a mesma lógica, o Congresso alterou o projeto de lei, enviado à Casa pelo governo, que concedia desoneração da folha de salários como base para o pagamento dos encargos trabalhistas, com destaque para a Previdência.
Tal medida visava atingir empresas com atuação naqueles setores que se utilizassem de maior quantidade de mão de obra alguns e que, por esse motivo fossem setores responsáveis pela geração de elevado número de empregos formais.
A condição para a aprovação do projeto de lei é que as empresas se comprometiam a manter o nível de emprego, ou seja, a ideia era a proteção do nível de emprego.
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E o que fez o Congresso?
Em mais uma medida destinada a fragilizar as contas do governo, ampliou para algo em torno de 56 o número de setores que passavam a se aproveitar da benesse.
Benefício que, diga-se de passagem, como tudo que é incentivo e concessões feita ao empresariado nacional, nascia sem prazo definido de validade nem um criterioso modo de se mensurar se a contraparte do lado das empresas estava sendo honrada.
Ou seja, como sempre, o benefício que passou a trazer grande ônus para os cofres públicos, tendia a se perpetuar, sem qualquer controle e com evidente perda de sua eficácia.
Também como é comum no nosso país, não ficavam claras as punições para as empresas que não cumprissem os requisitos para a sua manutenção no regime especial.
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Pauta bomba maior, entretanto, foi a aceitação por um investigado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do pedido de impeachment que a oposição oportunista fez chegar à Câmara.
Que culminou com a medida que afastou Dilma do exercício do cargo para o qual havia sido, legitimamente eleita.
E que culminou na posse de seu vice, e um dos principais articuladores do golpe que o beneficiava, o deplorável traíra, Michel Temer.
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Um detalhe não deve escapar a quem analisa a situação que venho relembrando: em geral, as pautas bombas tinham em comum o fato de trazerem prejuízos potenciais de grande proporção para o Erário, e medidas que, no geral, beneficiavam principalmente aos interesses das classes empresariais.
Em muito maior escala que ao povo brasileiro.
O que explica sua aprovação por suas Excelências, independente da crise que poderiam estar provocando, e com algum apoio silencioso da mídia sem escrúpulos.
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Com a chegada de Temer ao poder, as pautas-bomba foram postas de lado.
Daí para a frente, a Casa passou a votar as matérias destinadas a, restabelecer a solvência das contas do governo central, invariavelmente com algum tipo de medida destinada a compensar aos empresários por seu apoio e pela redução de alguns dos exagerados incentivos de antes.
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Dentre essas medidas aprovadas, e destinadas a compensar às elites econômicas do país, uma mereceu grande destaque: a malfadada Reforma Trabalhista, destinada a aposentar a CLT e toda a legislação de proteção e apoio ao trabalhador e à sua segurança em seu trabalho.
A legislação reformada trouxe a novidade do trabalho temporário, a possibilidade da terceirização total nas empresas, e a precarização ampla dos direitos trabalhistas, amparada por uma argumentação mesquinha, canhestra, que conseguia valorizar mais o contratado sobre o legislado.
Ou seja: a lei, que alcança e deve tratar a todos sem diferenças - dentro do princípio bastante discutível de que "todos são iguais perante a lei" - passou a ficar a reboque ou completamente anulada pelo contrato livremente fixado entre as partes.
Contrato fixado entre, no dizer do saudoso professor e ex-ministro Aluísio Pimenta, a raposa e as galinhas. Sob o olhar complacente do dono do galinheiro. (A saborosa história revela que a raposa tinha o direito de comer uma galinha por dia. E às galinhas restava o direito de serem comidas, uma a cada dia!)
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Dentro desse cenário, não é de causar choque ou surpresa para qualquer pessoa de espírito mais crítico, ou leia-se aqui, de quem não está interessado por qualquer que seja sua motivação, a ficar puxando saco dos mais fortes e poderosos - os empresários - os resultados de estudos feitos pelo IBGE e divulgados ontem.
Estudos que mostram uma redução cruel de todos os indicadores sociais do país, com aumento do número de pessoas em estado de extrema pobreza ou miséria, que englobam pessoas que devem viver com menos de R$ 140 reais por mês; aumento do número de pessoas em estado de pobreza, sobrevivendo com menos de R$460 reais ao mês.
Aliás, devo me corrigir: sobrevivendo não, fazendo acontecer o milagre...
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Os mesmos indicadores revelam o grau de disparidade na distribuição de renda, com mais de 40% da população absorvendo menos de 15% da riqueza e uma vergonhosa concentração de renda no andar de cima.
Isso para não falar das questões raciais - pretos ocupando menos cargos de trabalho, sempre menos remunerados e com menores oportunidades de obtenção de educação formal. Nem me refiro a educação de qualidade, uma quimera.
Mas, a desigualdade também alcança questões de gênero, etc.
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Nesse ambiente é que o Congresso aprova o que vem sendo chamado de pautas-bomba, como se estivesse o Legislativo mandando um recado para Bolsonaro.
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Não há como discordar de que é uma bomba, no sentido de muito ruim, a aprovação do aumento do Judiciário no nosso país.
Menos pela questão do gasto em si que tal medida pode vir a acarretar. Mas pelo que a aprovação traz subtendido, e a que já me referi: o pagamento pela ilegalidade tolerada no caso do golpe contra a presidenta Dilma.
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Não se nega que, com as contas públicas em crise, tal aumento terá consequências desastrosas. Nem que isso irá acabar obrigando a que ajustes sejam feitos e que tais ajustes acabem recaindo, como é comum acontecer sobre o grosso da população, essa que recebe valores infinitamente menores que o dos Ministros do Supremo, esses seres divinos e iluminados (não é, Lewandowski?).
O que irá agravar ainda mais o quadro dos indicadores do país.
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Mas há outra lei, aprovada no dia de ontem, que é a flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal, no caso das penalidades para o município que estourar o limite de 60% da receita com o pagamento da folha de pessoal, que inclui servidores ativos e inativos.
Não há como negar que a LRF foi importante aprimoramento institucional em nosso país, destinada a impedir o uso do empreguismo com finalidade eleitoreira.
O que me causa espanto é que a LRF não tenha, pelo que parece, previsto o tipo de situação que o país está atravessando e que, sem dúvida merece, senão uma mudança como a aprovada, uma discussão mais séria.
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Ou seja, e para deixar mais claro, acho que devemos todos zelar pela manutenção da LRF.
Mas, acho que a aprovação da alteração feita ontem devesse ser classificada como pauta-bomba, sem uma discussão mais aprofundada.
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Justifico: tomemos como exemplo o INSS, cujos processos estão batendo recordes de demora de análise e concessão ou não do benefício.
A imprensa mesmo tem trazido matérias mostrando casos de gestantes que entraram com pedido de auxílio natalidade e que depois da licença de 5 meses já cumprida, o INSS ainda não analisou o pedido de pagamento da licença maternidade.
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Processos com pedido de contagem de tempo, para efeito de aposentadoria, que pela legislação deveriam ter sido implementados quando aprovados em até 45 dias, estão completando mais de 5 meses de espera.
A justificativa para tais atrasos é sempre a de falta de contingente humano.
Ora, se as pessoas envelhecem e cumprem a totalidade das condições para se aposentarem, é justo que exerçam seu direito.
Isso vale também para aqueles funcionários do Instituto.
E tal situação é agravada com anúncios sempre desastrosos de medidas que visam alterar as regras da Previdência, levando pânico e causando correria de funcionários desejando se aposentarem, de forma a não perderem seus direitos.
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Isso leva à necessidade de contratação de novos funcionários, sob a ameaça de os serviços públicos que já funcionam muito mal, acabarem paralisando por completo.
Imagine-se isso em relação aos professores da rede pública de Educação, ou aos médicos, para citar apenas algumas categorias.
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A questão é que, pelo regime especial do funcionalismo público, quem se aposenta não sai da folha de pagamentos, passando apenas a ser inativo. Quem deve, se concursado, entrar no seu lugar, infla a folha.
Em situações de crise, se a receita do ente público caiu por força de fatores dos quais ele não teve culpa, não seria correto que o ente fosse penalizado e punido, por ter a obrigação de manter os pagamentos dos servidores estáveis.
E isso não tem nada a ver com o instituto da estabilidade, que deve ser mantida, para evitar, como foi a justificativa para sua criação de que o corpo de servidores tivesse que se sujeitar às determinações, muitas vezes esdrúxulas dos políticos circunstancialmente no poder.
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Se a folha incha pelo maior número de inativos e se não pode se reduzir pela estabilidade, então, se a receita cai, como punir quem pagou em dia?
Mesmo que o ente não tenha aberto concurso e contratado novos servidores, nem tenha concedido aumentos - nem os legais, de reposição da inflação, e tenha até promovido remanejamentos de pessoal, e redução de cargos comissionados, etc. etc.
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A discussão tem de ser posta e aprofundada, antes de se sair acusando o absurdo da pauta aprovada. Acusações e falta de discussão que apenas é mais um desserviço que a mídia de nosso país nos presta a todo o povo brasileiro.
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Agora, é óbvio que para poder se credenciar a não estar sujeito a penalização, o ente deveria comprovar ter adotado todas as medidas necessárias e ao seu alcance, para poder tentar evitar que o limite tivesse sido ultrapassado.
O que não deveria ser difícil de comprovação, perante, quem sabe a algum Tribunal de Contas, ou a algum Comitê representativo da Sociedade Civil.
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Então, pode até ser que o interesse seja mesmo trazer a bomba e acender o pavio.
Mas que o assunto merece sim, discussão e seriedade no trato, não resta dúvidas.
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Porque manter índios, índios
Ouvindo o presidente eleito falar, começo a ter que concordar com ele e seu raciocínio: porque manter índios na situação de índios?
Muito melhor é aculturá-los e transformá-los e a suas terras, posses, até sonhos e direitos, em uma mesma sopa de (falta) de direitos e inserção na sociedade capitalista, de consumo e exploração.
Como se os indígenas que não quisessem deixar de preservar sua cultura e tradições já não adotassem esse tipo de comportamento, tornando-se mais do mesmo: trabalhadores e consumidores, explorados.
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Aliás, acabar com privilégios indígenas, apenas aumentaria e igualaria os índios aos trabalhadores sem direitos e sem empregos. E sem renda e condições (mais) dignas de sobrevivência.
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Afinal, não é o próprio presidente eleito que sempre reafirma que não adianta ter direitos se não houver empregos?
E que as raposas possam ampliar seus direitos, enquanto nem se tenta mais preservar os direitos das galinhas.
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Desde que a raposa divida seus ganhos e benefícios com o dono do galinheiro, que mesmo armado, não irá reclamar, salvo se a raposa não reconhecer, ao final e ao cabo, que ela viveu como uma vida de ostentação, luxo e riqueza, graças ao fazendeiro.
Nessa hora, a raposa deverá erguer estátua para o fazendeiro, demonstrando toda a gratidão por seu comportamento.
Não deverá deixar de criar outra estátua, para a galinha.
Para que ao menos em pedra ela possa sobreviver, depois de ter sido extinta, na memória que o tempo apaga.
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É isso.
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