terça-feira, 20 de agosto de 2019

Guedes, o posto Ipiranga, o blefe do acerto de suas ideias e as denúncias de comportamento irregular de que sempre é acusado e de que sempre se safa

"Ainda é tempo de impedir que o fanatismo ideológico do senhor Guedes destrua 90 anos de história da economia brasileira, para atender ao interesse de um pequeno grupo de banqueiros, financistas e agroexportadores, passando por cima do interesse do “resto” da sociedade brasileira". 

Com esse parágrafo de alerta, o professor José Luís Fiori, professor titular de Economia Política Internacional do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisador conceituado e autor de vários livros, conclui seu artigo "O ditador, a sua "obra" e o grande blefe do senhor Guedes", cujo link para acesso ao texto integral passo a seguir: 
http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591628-o-ditador-a-sua-obra-e-o-grande-blefe-do-senhor-guedes-artigo-de-jose-luis-fiori
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Como no caso de recomendação de leitura de um artigo de análise crítica, o "spoiler", antes de funcionar como um estraga prazeres pode atiçar a curiosidade do leitor, vou antecipar aqui que o artigo começa analisando a política econômica instaurada no Chile do ditador Pinochet, no período de 1973 a 1990, sob o comando de Sergio de Castro, então no papel de superministro.
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Como se sabe, no período, as políticas adotadas transformaram o Chile em verdadeiro laboratório de implantação de políticas ultraliberais, inspiradas por Milton Friedman e seus colegas da Escola de Chicago.
Como salienta o professor Fiori, tal experiência,  sempre apresentada como um êxito retumbante, apenas se sustenta com base em uma descrição da história falsificada, capaz de permitir comparações espúrias, e de forte caráter ideológico, que não encontra suporte nos dados reais.
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Dessa forma, o artigo procura, de forma bastante, sucinta traçar um perfil da economia chilena antes do fatídico golpe de 11 de setembro, capaz de caracterizá-la como uma economia extremamente simples, primária exportadora, com base na produção de cobre, além de madeira, peixes, frutos e vinho.
O acesso a todos os demais produtos necessários, inclusive alimentos, petróleo, etc. se fazia por meio de importações, o que tornava as características econômicas, demográficas, geopolíticas daquele país extremamente simples.
Adicionalmente, o Chile podia ser considerado um país isolado do resto do mundo.
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Independente de tais características, foi aí que os liberais de Chicago resolveram experimentar todo seu estoque de reformas liberais, reformas que para serem colocadas em prática, aproveitaram-se de que a feroz e sanguinária ditadura chilena impôs um Toque de Recolher a toda a população, que se estendeu de 1973 até 1985.
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Mesmo sob tais circunstâncias, as estatísticas permitem identificar dois subperíodos, um de 1973 até 1982, e outro deste ano até 1990.
O primeiro deles, sob a inspiração dos Chicago Boys, gerou uma crise de dimensões tão catastróficas que Pinochet demitiu o ministro Sergio de Castro, e começou a reverter várias das medidas até então adotadas.
Segundo o artigo, o PIB chileno caíra 13,4%, o desemprego alcançou os 19,6% e 30% da população passou a sobreviver de assistencialismo.
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Se o Chile hoje apresenta crescimento invejável, situação econômica estável, tornando-se referência para outros países em estágio similar de desenvolvimento, tais conquistas só foram possibilitadas pelas medidas adotadas após a ditadura, de 1990 até 2019.
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Vale destacar que, por ter participado de equipes de trabalho e assessoria do programa ultraliberal, cujo resultado foi ter levado o Chile ao fim do poço, é que o senhor Guedes é considerado um economista de renome e expressão.
Sem querer questionar sua capacidade intelectual, reconhecida por muitos, a questão maior trata de ele se apresentar surfando uma onda liberal que arrastou o Chile para um caos econômico, mas mais importante ainda, social.
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E adota tal comportamento, de guru, ou Posto Ipiranga do capitão do presente desgoverno, assentado em uma farsa, ou melhor, uma fábula que a mídia ajuda a propagar, sabe-se lá com que tenebrosas intenções.
O Chile liberal foi um fiasco!
Guedes, ao que consta não teve papel de grande projeção!
Suas políticas pró mercado, no fundo nem podem ser assim chamadas, já que são mais pró grandes empreendedores, muito longe da ideia de mercados competitivos dos livros escolares.
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Fundamentando sua trajetória e ideias em uma visão corrompida - caso da economia chilena, não é de se estranhar que sobre o ministro pesem outras questões, de caráter moral até.
Como sua participação em gestão de fundos privados (e públicos) de investimento.
Ou, como agora noticiado pela Folha, sua participação ou a presença na gestão de empresas envolvidas em pagamentos efetuados a escritório de fachada, suspeito de esquema de propina no Paraná.
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Curiosamente, trazido ao conhecimento público ontem, a transação da empresa de Guedes, embora documentada foi considerada pela Lava Jato como não fortemente embasada em provas, o que permitiu que ele não fosse incluído, com seus sócios, na rol de acusados.
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O que faz com que eu compare a Lava Jato, e Guedes, mais uma vez ao uso do VAR no futebol.
Pois, como tem lances que o VAR é chamado para auxiliar o juiz a evitar um erro ou uma injustiça, outros casos passam sem sua sinalização. Como foi o caso da vergonhosa penalidade cometida pelo goleiro são paulino no jogador do Ceará.
Penalidade clara, que o juiz de campo interpretou como lance normal, e que o juiz de vídeo também preferiu interpretar a favor do time mais rico, de maior projeção e renome.
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Para não perder a deixa, já que estamos tratando de um ultraliberal e suas políticas, incluo abaixo um outro link, extraído de artigo publicado na Folha de São Paulo, caderno Ilustríssima de domingo último, de autoria de dois professores e pesquisadores.
O link é:
https://www1.folha.uol.com.br/ilustríssima/2019/08/anarquismo-ultraliberal-e-so-uma-moda-dizem-pesquisadores.shtml.
Discutindo a impossibilidade de existência do tal anarcapitalismo, fusão de ideias anarquistas com as liberdades de mercado, os autores, cujo texto recomendo enfaticamente, revelam a característica absolutamente anticapitalista do conceito de anarquismo.
E vão desenvolver a ideia de que o Estado, por mínimo que seja, é algo típico e indissociável de uma sociedade de classes, hierarquização, e de diferenciação, como a sociedade capitalista.
Ou seja, sem capitalismo não há Estado, e vice-versa.
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O que nos remete à antiga discussão, menos do papel do Estado, e mais do interesse de classe que está na alma dessa instituição.
Porque, mais assistencialista ou não, mais interventor ou não, mais enxuto ou não, no fim, o Estado apenas procura resguardar, proteger e ampliar os processos de reprodução da classe mais privilegiada, as elites financeiras do capital.
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Em minha opinião, grande parte da disputa e da tentativa de se refundar um novo aparelho de Estado se dá como reflexo da luta ou da disputa intercapitalista.
Agora, com algum tipo de dificuldades para as atividades produtoras, ligadas à produção industrial, e até mesmo à atividade do complexo agrícola ou agrário, tendo em vista que nossa política econômica está sob inspiração e cuidados de um financista.
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É isso.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

REFLEXÕES E PESADELO, mais um discurso de paraninfo em colação de grau da Una, ontem. Antes alguns comentários necessários

Tão estapafúrdias as atitudes, a postura e as declarações de Bolsonaro que, confesso, as palavras me fogem. Dessa forma, sinto a maior dificuldade em postar alguma análise ou comentário, razão do intervalo de tempo desde minha última publicação no blog.
No entanto, como diziam as camisetas de Collor, o tempo é o senhor da razão. E todo analista acaba se beneficiando de um certo distanciamento do calor dos acontecimentos.
Afinal, o tempo consegue amainar as paixões, impedindo que tenhamos nossa visão e capacidade de interpretação dos fatos (muito) alterados por nossas expectativas ou sonhos.
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E, convenhamos, são tão esdrúxulas as declarações de Bolsonaro a respeito da contribuição de cada um de nós para reduzir a emissão de gases que provocam o aquecimento global; ou sobre a pequena ou quase nula importância de uma ajuda financeira internacional de algo como R$ 130 milhões de reais, agora interrompida pela Noruega, colaboração que ele desdenha com sua costumeira e já comprovada grosseria e falta de educação, ou o respeito manifesto por ele à opinião - DEMOCRÁTICA - do povo argentino, nossos vizinhos, que não haveria blog ou coluna de jornal, ou algum comentarista sério que tolerasse ficar martelando um mesmo e único assunto, dias a fio.
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Apenas os humoristas, talvez, se tiverem estrutura suficiente e condições de competitividade podem aproveitar as deixas, os "cacos" desse personagem burlesco, nonsense, à procura de um autor, ou de um roteiro quem sabe?
O que justifica o fato de a maior parte dos colunistas da grande imprensa, já terem escrito algum artigo com uma profissão de fé: não continuar ocupando sua atenção e nossa paciência com esse tsunami de asneiras.
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O que nos leva, a todos, a nos perguntar atônitos: o que está por trás deste discurso tão destrambelhado?
Seria apenas o fato de ele ter o cérebro dominado por muita ... desculpem-me os poucos leitores, e apenas por muita merda. Caso ele tenha mesmo algum vestígio de cérebro!
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E, para além da tese de que ele está apenas forçando e reforçando o discurso junto à manada de idiotas que o consideram um mito, o que lhe asseguraria uma participação de ao menos 20 a 25% de eleitores, parcela bastante interessante para assegurar-lhe a presença em um segundo turno eleitoral, contando com a pulverização de candidaturas da centro direita à extrema esquerda.
Sob essa hipótese, mais uma vez iríamos assistir a toda uma grande maioria de pessoas comuns, cuja cabeça foi, ano pós ano, programada para rejeitarem qualquer que seja o espectro de algo que possa estar vinculado à esquerda, ou mais propriamente, rotulada de comunismo.
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Como ninguém nega, ao longo de mais de 70 anos, especialmente nossa mídia foi pródiga de criar e alimentar a ideia de que o comunista, antes de mais nada, é alguém que, sem querer ou gostar de trabalhar, de forma autoritária, deseja apenas distribuir todas as coisas que o trabalhador sério, comum, conquistou com seu suor e tanto sacrifício.
Isso, sem contar que os regimes e governos de cunho mais socialista são sempre identificados com governos autoritários e, pior, capazes apensa de generalizarem e distribuírem a pobreza.
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Não. Não vou aqui falar de excrecências, algumas vezes divulgadas pelo método  boca-a-boca entre a população de menor grau de educação formal e cultura, de que comunista faz mal a criancinhas ou às freiras das congregações religiosas, uma vez que não tementes a Deus.
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Na verdade, embora ninguém tenha sequer lido um mínimo - já que não leem nada mesmo,  a ideia e imagem deturpada difundida pela grande imprensa acaba apenas criando estereótipos equivocados. A ponto de levar maioria da população a temer o socialismo, mesmo que todos digam admirar os países nórdicos, ou a social democracia europeia.
Governos tão de esquerda, ou até mais que o de Lula, para citar apenas uma das personalidades vendidas como uma das "bestas do apocalipse".
Tudo bem que longe de ser santo, Lula ainda era um mero operário que ascendeu socialmente, roubando as oportunidades de gente de linhagem muito mais nobre e mais alta estirpe.
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Voltando ao tema inicial, acho que Bolsonaro, por mais mentalmente incapaz que seja, tem sim e representa um projeto de poder, autoritário, anti-democrático, excludente, e que privilegia uma minoria que se pretende representante de uma supremacia branca, misógina, de privilegiados.
Bolsonaro é o idiota útil, para levar a sociedade civil e os mecanismos de proteção dos direitos e da justiça social ao cansaço.
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Obtido o resultado, talvez seja afastado como fazemos com o bagaço da laranja já toda sugada.
Independente disso, nosso Bozó serve para nos distrair enquanto personagens de caráter mais duvidoso e intenções muito mais destrutivas, como nosso ministro Guedes, faz avançar reformas como a da Previdência, ou a tributária, ou ainda as medidas contra a burocratização.
Bem, Guedes é tão mais perigoso, e destila certas ideias que, à primeira vista, parecem tão mais benéficas à população em geral, que merece que voltemos a escrever mais rotineiramente, ao menos para discutir certas banalidades, frivolidades, e frases retóricas, que ele emite. Frases que agradam aos ouvidos distraídos, mas que são completamente vazias de sentido. E pior, capazes de distorcer a realidade.
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Cito apenas um exemplo: em evento na última semana, nosso ministro da perversão e Economia defendeu o fim das deduções do Imposto de Renda. A alegação é que tais deduções beneficiariam apenas os privilegiados, já que o pobre enfrenta o atendimento precário do SUS, onde não paga nada, não pega recibo e não pode abater nada do imposto que recolhe...
Ao contrário, os mais favorecidos pegam recibos que, às vezes, nem tiveram algum serviço real a lhe dar conteúdo e significado, servindo apenas para que tais pessoas possam pagar menos imposto.
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Dito assim, parece que o ministro está coberto de razão. E o fim das deduções falsas não é apenas uma questão de melhorar os esquemas de fiscalização, mas uma questão de justiça social e distribuição equitativa de ônus.
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O sinistro apenas não falou que a Constituição assegura, a todos os brasileiros, atendimento gratuito à saúde. E se nosso sistema de saúde não dá conta de atender a ninguém, a nenhuma das classes sociais, o correto seria verificar como arranjar recursos para suprir nossas carências na área. Não sem antes deixar claro que, em nossa opinião, melhor que gastar curando, é gastar com prevenção à saúde. O que implica, por exemplo, saneamento, etc. Todas essas políticas públicas que o sinistro deseja destruir, sob o mau argumento de que funcionam em caráter precário.
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Ora, quem tem condições paga o médico particular ou o plano privado de assistência médica - tão a gosto do ministro liberalóide, o que é flagrante descumprimento da nossa Lei maior. Daí, a dedução é uma compensação, um reconhecimento de que a legislação está sendo desrespeitada e que aquele contribuinte pode, pois, reaver, parcialmente ou até de forma insignificante, o montante gasto por culpa da ausência de governo e de políticas de governo.
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Não vou me alongar mais.
Volto ao tema posteriormente. Em postagens que prometo tornar mais amiúde.
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O resto da postagem traz o discurso que proferi ontem, como paraninfo da turma de Ciências Econômicas, na solenidade da colação de grau relativa à turma concluinte no 1º semestre de 2019.
Eis o discurso.


Reflexões e Pesadelo


Senhoras e senhores, prezados alunos, boa noite.
Meu discurso hoje tem uma estrutura diferente. Trata-se de um conjunto de reflexões que partilho com vocês.
Nessa noite não vou falar de Marielle. Não vou perguntar quem mandou matar Marielle, nem vou perguntar se alguém tem notícias do Queiroz.
Tampouco vou falar das delícias de uma sociedade dominada por milícias. Ou de um governo que se preocupa, a cada instante, em eliminar direitos sociais, governando em nome de uma minoria: as elites vinculadas ao grande capital.
Para o povo, o conselho de manter estoques...
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De início, parabenizo a todos vocês que concluem, vitoriosos, mais essa etapa da vida, e a todos aqui presentes - familiares, mães, pais, companheiros, parceiros, filhos e amigos-, que lhes proporcionaram as condições necessárias a essa conquista, ajudando-os a preservar a sanidade e a serenidade. Recebam todos minhas homenagens.
Mas, em meio a tantas e justas comemorações, não podemos nos alhear do ambiente que nos envolve e que, se não se confunde com a realidade paralela de Matrix, revela uma sociedade cada vez mais distópica, como o demonstra a experiência de Jean William, o tenor paulista, considerado um dos talentosos e promissores nomes da cena erudita brasileira.
Apadrinhado pelo maestro João Carlos Martins o cantor, que já se apresentou para o papa Francisco, o príncipe Albert 2º de Mônaco, e nos mais famosos palcos da Europa e Estados Unidos, como o famoso Avery Fisher Hall, no Lincoln Center, em Nova York tem sido vítima de ameaças e ofensas nas redes sociais, apenas por ter o nome semelhante ao de um ex-deputado, hoje fora do país.
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Eu mesmo, em minha insignificância, ao fim de uma solenidade de colação de grau fui alvo da brincadeira de mau gosto de alguns poucos presentes, que me fizeram o sinal de arminhas com as mãos.
Tais episódios trazem-me à memória uma  tirinha em quadrinhos, publicada há muitos anos nos jornais, que tinha o  Reizinho  como personagem, de que me sirvo para uma primeira reflexão.
Na história, Reizinho observava o movimento de uma minúscula formiga, filosofando que valor teria a vida de alguém tão frágil, tão pequeno, tão insignificante. Para ele, pisar naquele reles inseto apenas poria fim a um sofrimento, uma nulidade. Mas, enquanto se decidia quanto a que atitude adotar, nos quadrinhos seguintes  o ilustrador ampliava seu foco, se elevando e se distanciando das duas figuras. Até o quadrinho fnal, em que a terra era um pontinho em meio ao cosmos e nem se distinguiam mais a formiga ou o vulto de Reizinho, meras partículas de poeira na imensidão do espaço.
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A segunda reflexão me transporta à sala de aula e à imagem do vidro, que utilizo para divagar sobre a verdade. Por que como a verdade, o vidro  é uma estrutura única, concreta, sólida, mesmo que transparente. Mas o que se vê através dele depende da posição de início do observador.  O que eu vejo, olhando de fora para o interior, é diferente do que vê quem está olhando de dentro para fora.
Se a realidade concreta e palpável de ser vidro não se altera, muda a interpretação. O que deveria nos obrigar, como professores, analistas, cidadãos, a olhar, sempre, a raiz da divergência de nossas opiniões em relação à interpretação de outras pessoas de nosso convívio.
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O que exige uma explicação, já que respeitar a visão dos outros não significa abrir mão de defender, com unhas e dentes, como meus alunos bem o sabem, o pensamento que eu possa ter em algum momento. Mesmo ciente de que meu raciocínio pode mudar em seguida. Evoluindo. Aperfeiçoando-se.
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Razão porque, ainda que envaidecido de ter sido escolhido paraninfo da turma, como o Reizinho, devo admitir minha insignificância como professor.  
Não se trata de cansaço, de fadiga de material! A verdade é que estou convencido que, em todos esses anos em salas de aula, não demovi um aluno que fosse de suas ideias originais. Mesmo quando elas não existiam.
O que me permite entender o significado e a experiência contida na frase da professora emérita Maria da Conceição Tavares, para quem: “Os mestres, parece que nasceram para serem humilhados pelos alunos”.
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No entanto, os professores temos sido acusados de participar de uma conspiração destinada a promover uma lavagem cerebral, visando fazer a cabeça de nossos alunos, de forma  a inculcar-lhes uma visão de mundo nem sempre aceita.
Se existe tal conspiração, confesso que, ao fim e ao cabo, sempre me senti sozinho, isolado. Talvez por ter estado, sempre, na defesa do lado derrotado. O que não me abate. Antes, me enche de orgulho, especialmente quando percebo que do lado derrotado, e sem se queixar, estiveram todos os meus ídolos.
Pessoas que nunca se abateram e, movidos pela fé, sempre buscaram construir um mundo melhor. 
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Capazes de acreditarem que “Quando o muro separa, uma ponte une; Se a vingança encara, o remorso pune; Você vem me agarra, alguém vem me solta....  Você corta um verso, eu escrevo outro; você me prende vivo, eu escapo morto; De repente olha eu de novo, perturbando a paz, exigindo o troco”.  Porque, como descrito por Paulo César Pinheiro em Pesadelo, “E se a força  é sua, ela um dia é nossa, olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando, que medo você tem de nós.”
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O que nos traz à última reflexão, baseada em um filme italiano do final dos anos 1970: Pasqualino Sete Belezas. Órfão de pai e mãe, o jovem do interior da Itália, como irmão mais velho tornou-se o guardião da honra de sete irmãs, até quando descobriu que um aventureiro abusara de uma delas.
Para lavar a honra da família,  Pasqualino se vinga, matando e esquartejando o rapaz em sete partes, cada uma delas despachada em malas para um destino distinto. Preso e tratado como herói, foi condenado a muitos anos de cadeia.  É inesquecível a cena de sua chegada à cela, alvo da reverência e respeito de todos os demais prisioneiros. Exceto um, um ancião que já perdera a conta de há a quanto tempo estava preso.
Curioso, Pasqualino quis saber que crime tão hediondo aquele senhor poderia ter cometido. Ao que o velho respondeu: eu pensei.
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Além da reflexão, a história serve para mostrar como a defesa dos valores da democracia e da justiça social, nem sempre bem vistos ou tolerados, devem exigir sempre nossa atenção. O que permite que eu transmita um conselho para meus afilhados de Ciências Econômicas, esta maltratada área das Ciências Sociais, citando uma vez mais a professora  Conceição Tavares:
 “Se não se preocupa com ajuste social, com quem paga a conta, você não é um economista sério. Você é um tecnocrata.”
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Concluo com a consciência tranquila de não ter feito qualquer menção ao governo de nosso país. Desde cedo, aprendi que não devemos discutir o que não entendemos. Não há como discutir uma realidade distorcida.
Afinal,  distópico ou não, Matrix é apenas um filme de Hollywood.
Vão ser cientistas sociais. Vão transformar o mundo. Vão ser felizes.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Vamos usar o VAR para Bolsonaro

Não há mais uma partida de futebol que não tenha sua presença incômoda.
E, convenhamos, até de forma correta, o árbitro de vídeo, que atende pela sigla VAR  se transformou em mais que apenas um figurante, em um personagem chato. O personagem principal.  Que atrapalha o andamento e ritmo do jogo.
No afã de impedir ou evitar todo e qualquer erro ou falha humana, o VAR está sempre lá. Onipresente.
Impedindo que a torcida se manifeste espontaneamente na hora do "momento maior do futebol", o gol, constrangida agora a uma verificação pelo juiz de vídeo, pelo juiz de campo, quanto à legalidade do lance.
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Há casos em que o sofrido torcedor - conhecido pelos apelidos de geraldino ou arquibaldo antes de mais uma trapalhada patrocinada pela entidade máxima do nosso futebol, FIFA ou CBF e sua decisão de elitizar o esporte mais popular do mundo, transformando os estádios em arenas - deve esperar minutos preciosos para poder  vibrarem com a confirmação do gol.
Aliás, é forçoso reconhecer que o VAR está conseguindo atingir o anticlímax: em muitas ocasiões, a torcida vibra pela desconsideração do gol, pelo gol anulado.
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No início do pitaco de hoje, comparei aquilo que era para ser uma ferramenta para aumentar o brilho do jogo, a um personagem de teatro, um ator. Mesmo que canastrão.
Engano meu.
Como a maioria dos analistas, cronistas esportivos e integrantes das inúmeras mesas de debates de futebol admitem, o VAR se comporta mais como alguém que adentra o palco, invade o cenário e interrompe a exibição, interferindo no andamento e na dinâmica do texto representado. E isso, com a intenção de esclarecer para a plateia atônita alguma fala, algum gesto. Quando não para voltar a história alguns instantes antes, e passar a explicar, melhor dizendo, interpretar a trama a peça.
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Como vários dos amantes do futebol, confesso que aplaudi o surgimento da ferramenta.
Acreditava que, em alguns lances - como da bola que ultrapassou a linha do gol; do impedimento claro, antes da conclusão da jogada; como da expulsão por atitude antiesportiva, não vista pelo juiz, ou a marcação da falta dentro da área-, o espetáculo sairia beneficiado, pela possibilidade de impedir injustiças flagrantes.
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Entretanto, tão logo entrou em funcionamento, de forma concomitante, os "velhinhos do Board da FIFA" já resolveram que não ficariam de fora de mudança de tal magnitude. E, para não perderem a oportunidade de aparecer, alteraram algumas regras.
Como, por exemplo, a do impedimento. Que agora passa a ser anotado depois de concluído o lance e não quando do lance em andamento.
Ora, o mero ato de aguardar a definição da jogada, mesmo que com alguns segundos apenas de intervalo entre o fato e a conclusão, provoca uma sensação ruim, de perda de tempo, já que vários lances que acontecem, são vistos e registrados, acabam sendo anulados.
Como se a vida pudesse voltar atrás e uma borracha pudesse anular o que, de fato, aconteceu.
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E pior.
Temerosos de serem punidos ou sujeitos a punição por erros cometidos, mesmo que involuntariamente, os juízes, auxiliares, árbitros de campo, preferem acomodar-se e deixar "as águas rolarem e o barco seguir", para depois, em havendo necessidade, interromper o jogo, ficar vendo a telinha lateral ao campo, e decidirem o que valeu ou não, de tudo que o torcedor viu, sentiu, vibrou.
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Importante lembrar que uma das justificativas do uso do VAR era evitar a cena de jogadores em bolinho sobre o árbitro, reclamando, ofendendo, exigindo a marcação de algum lance discutível.
Pois esse comportamento não foi abolido. E em minha opinião apenas ficou mais grave. E o uso opcional do VAR pelo juiz tem contribuído ainda mais para o surgimento de reclamações e acusações de favorecimento.
Acusações que ganham agora mais força, com o apoio do emprego ou não do instrumento.
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Razão por que, utilizando da experiência de outros esportes em que o uso da tecnologia tem sido muito benéfico, a ponto de se tornarem exemplo para o futebol, acho que o uso do VAR deveria ter um limite.
Algo do tipo, cada time poderia ter dois ou três desafios ao longo de uma partida, ou de um tempo de futebol.
Tendo que, a partir daí, saber a hora de pedir a intervenção do vídeo,  a hora de desafiar o ponto, para não perderem uma oportunidade de fazerem valer seu direito em momento mais oportuno.
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Ora, se funciona como desafio, no volei, no tênis, não haveria como não trazer alguma melhoria para o futebol, deixando claro que os lances de se a bola entrou ou não, de alguma agressão que possa ter havido, etc. não deixariam de ser comunicadas ao árbitro principal.
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POR QUE O VAR?

Mas, não se iludam aqueles que puderem achar estranho que o pitaco hoje trate de tema tão banal quanto o do árbitro de vídeo.
Na verdade, não estamos apenas falando de futebol. Como diz a propaganda de um canal esportivo, não é só futebol...
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A ideia é aproveitar o uso do VAR para poder voltar atrás e corrigir a quantidade de trapalhadas que esse imbecil eleito presidente do Brasil reconheça-se, de forma democrática, consegue produzir.
Com grande mérito do personagem, também é necessário admitir.
Porque a impressão que se impõe é a de que Bolsonaro parece uma linha de montagem. De bobagens.
Isso sem falar em liturgia do cargo, em assumir as responsabilidades de quem, desde eleito deixou de ser líder de um partido ou de uma massa de eleitores, para se tornar presidente de todo o país.
O que me leva a crer que a ficha não caiu para ele, ainda. Se é que podemos aguardar que isso vá acontecer algum dia.
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Mais recentemente, se houvesse o VAR, poderíamos não ter registrado para a história que o presidente de todos os brasileiros trata os nordestinos como paraíbas. Uma gíria que, para os cariocas, de onde provém o presidente serve para designar todo mundo que nasceu da Bahia para cima.
Acontece que, no caso de Bolsonaro, e sua estúpida impulsividade - ou ele acha que estava sendo apenas engraçado-, a expressão faz lembrar a forma de referência pejorativa como alguns cariocas (a minoria, felizmente!) se refere ao nordestino de forma geral.
Um termo do mesmo tipo condenável que aquele adotado por alguns paulistas, quando se referem à "baianada" de algum indivíduo ou a algum comportamento de "baiano".
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O problema aqui não é de mimimi, ou de politicamente correto. Trata-se de um presidente da República, por mais plantadora de bananas seja esse república. Referindo-se de forma inapropriada, especialmente a um adversário político a quem está desejando tratar a pão e água.
E tendo como agravante que essa pessoa tratada como desafeto pelo presidente, não é apenas uma pessoa comum, já que representa, tanto quanto Bolsonaro para  seu público em nível mais amplo, a mesma importância para todo o povo do Maranhão.
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Dá-lhe VAR. E nós poderíamos não ter de assistir a cenas de constrangimento como o do presidente negando que exista fome no Brasil.
Ou criticando o fato de que os dados sobre desmatamento sejam falsos. Ou pior, manipulados.
Enquanto seu governo prossegue na sua generosidade com os empresários do agronegócio, ampliam a lista de uso de produtos tóxicos no plantio, e ele se preocupa em nomear seu filho embaixador do Brasil nos Estados Unidos.
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Alguns irão talvez, pensar que o presidente já utilize o VAR, tamanha a quantidade de asneiras que despeja e, depois, tem de se fazer a maior ginástica para reparar, reinterpretar, despejar mais besteiras (em quantidade), em substituição às mais graves ditas anteriormente.
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Foi assim, com o "golden shower", com o ministro do STF terrivelmente evangélico, com a fome no Brasil, e agora com o INPE.
Mas nesses  casos, o presidente não volta atrás apenas. Por mais difícil que possa ser para entender, ele vai além.
Como no caso do INPE, agora acusado de não poder divulgar dados, sempre divulgados antes, para não prejudicar relações comerciais do país com outras nações, defensoras do meio ambiente.
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Não nos esqueçamos que esse idiota que ocupa a presidência do país ameaçou abandonar o Acordo de Paris, para seguir ao seu modelo de autoridade, Trump; fez pouco caso dos acordos comerciais com a União Europeia, por não respeitar o Mercosul.
Também foi ele que deixou claro, várias vezes, que não se importava com a recusa de países como a Noruega em continuar financiando fundos em prol da Amazônia, o que sob sua ótica era apenas a demonstração cabal de nações que queriam vir explorar a virgindade de nossas riquezas naturais.
***
Isso de um presidente que se insurgiu contra a propaganda do Banco do Brasil, tratando da diversidade, mas aprova a da Embratur que convida turistas estrangeiros a virem "amar".
Na lógica já exposta pelo próprio presidente, não há nada muito anormal, se o turista vier para namorar nossas mulheres.
O que não combina com seu modo de pensamento obtuso é que vendamos a imagem de que no Brasil, há uma população, não inexpressiva de GLBTs+.
***
Mas, para quem está preocupado com Bruna Surfistinha e o que isso evoca de nossa moral e costumes, não é muito estranho ver o presidente ficar contra os números. Quando ele deveria ficar contra o desmatamento.
***
E enquanto ele comete todas essas asneiras, o país segue às tontas, razão porque para terminar, retomo a questão do VAR.
Porque como tem ficado claro pelos comentários dos entendidos (se é que alguém entende!), o VAR deve sempre voltar e examinar a origem toda do lance. Foi assim por exemplo, que se manifestaram em relação ao pênalti claro sofrido por Elias, do Galo, no papelão que foi o jogo contra o Fortaleza. Tudo porque na origem da jogada, havia sido cometida falta no lateral do time cearense.
O que significa que o por mais claro que tivesse sido, o pênalti não deveria ter sido marcado.
***
Acontece que na origem de nossa história republicana, não houve debate, não houve apresentação de propostas. Houve apenas muita agressividade, muita declaração rancorosa, contra .... nunca a favor de nada.
Tudo centrado em uma facada que....
***
É isso.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

A reforma da previdência e a extinção dessa instituição

Não há como negar que tenho encontrado cada vez mais dificuldades para acompanhar, entender, analisar e redigir esses pitacos.
E olha que tenho feito força para tentar acompanhar a nossa realidade, por mais surreal que ela se manifeste. 
Senão vejamos.
Cumprindo promessa feita, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não só conseguiu colocar a proposta de Emenda Constitucional da Reforma da Previdência em votação em primeiro turno, como conseguiu aprová-la por uma esmagadora e inacreditável maioria, de 379 votos a favor. E isso, antes do recesso parlamentar de julho.
***
Tamanha proeza, não passou despercebida aos analistas políticos, unânimes em creditar ao desempenho de Maia, a vitória. 
Mas, em minha opinião, seria o caso de se perguntar: Vitória? Vitória de quem, cara pálida?
Porque inegavelmente, embora inerte e sem condições de esboçar qualquer reação, por menor que fosse, a aprovação do primeiro turno não representa uma vitória do povo brasileiro.
Talvez sem se dar conta, o que a proposta tão cara a Maia promove é, tão somente, amputar, sem qualquer preocupação com anestesia ou assepsia, os direitos previdenciários da maior parte do povo brasileiro. 
***
E gera justamente, de forma radical, aquilo que já estava embutido na proposta original do banqueiro Guedes, a implantação do regime de capitalização. Privilegiando a previdência individual em contraposição à previdência social. Eliminando o regime de repartição solidária intergeracional, pelo mais estreito, mas liberal, individualismo. 
***
Por que fica claro que, dadas as condições de qualificação da maior parte de nossa mão de obra, e suas condições de trabalho, ficará cada vez mais difícil para um trabalhador comum, atuando sob condições mais adversas, conseguir alcançar os novos limites legais, de 65 anos homem, e 15 anos de contribuição. Em trabalho formal. 
Em um país que, perversamente, já fez  uma reforma trabalhista que em nada contribui para a manutenção do emprego formal por esse trabalhador. 
E pior, que continua fazendo essa reforma trabalhista, concluindo o trabalho sujo iniciado por Temer, e tão em sintonia com os interesses empresariais. 
***
Mas, admitindo-se que o trabalhador, mesmo não tendo garantia de qualquer estabilidade em algum emprego, consiga alcançar os 15 anos de contribuição com a idade mínima exigida, o que veremos é a massa trabalhadora tendo assegurada apenas um percentual reduzido de sua remuneração da ativa. 
E, apenas para registro, se chegarmos ao absurdo de permitir o retrocesso do trabalho infantil, a partir dos 9, 10 anos de idade, conforme proposta desse presidente que consegue, sem sombra de dúvida ser o mais tosco, ignorante, que o país já viu. 
***
Ok. Não houve, ainda tal proposta de adoção do trabalho infantil, como política de saúde pública, para livrar as ruas de meninos drogados. Mas... estamos a caminho. E muita gente de caráter boçal (no sentido original do termo, relativo à escravidão), ainda tem coragem de se manifestar favorável à tão estapafúrdia ideia. 
***
Então dando asas à imaginação, aprovada a jornada, que pode até ser reduzida para menores, esses trabalhadores não terão condições ou tempo para  se dedicarem aos estudos. (A prova de que trabalhar de criança prejudica o desenvolvimento intelectual e a educação da pessoa, é prestada pelo próprio Bolsonaro!)
Sem maior qualificação, essa massa de jovens não irá conseguir empregos em condições que lhes permita nem um emprego decente, nem uma condição de negociação de salários com seus empregadores. Nem estabilidade. 
Lembremos que, tampouco o Exército, cada vez mais acossado por restrições orçamentárias, terá condições de servir de repositório para tais cidadãos sem formação. 
***
O que a reforma da Previdência nos proporciona é, pois, um quadro de trabalhadores que terão que se sujeitar a trabalhar a vida inteira (e, talvez, mais seis meses...), sem conseguir uma remuneração digna quando sua força laboral estiver desaparecido. 
***
A grande maioria da população, portanto, não terá aposentadoria, nem poderão ser acusados de responsáveis pelo déficit da Previdência. De resto, essa instituição não conseguirá assegurar fontes estáveis de recursos, acabando por se desmoralizar, ampliar o rombo, até ser completamente extinta.
***
Em relação a parcela que está longe de ser majoritária, mas ainda assim, de proporções significativas em nosso país, a assim chamada classe média, aquela que tem maior qualificação, empregos de melhor qualidade e melhores condições de negociação salarial, ou ainda aquela camada que forma o grupo dos profissionais liberais de nosso país,  de bom grado irão comportar-se como desejado por seus patrões: correrão para a Previdência complementar, carreando parcela de suas rendas para os tubarões do mercado financeiro. 
***
Essa casta de pessoas mais privilegiadas, justamente em reconhecimento àqueles que lhes permitem viver nas franjas do poder, com que se iludem, acabam sem perceber prestando relação de vassalagem e servidão tão ou mais agressivas que a classe mais desfavorecida. 
E, por isso mesmo, irão fazer a alegria dos bancos. 
***
Mas, não deverão se aposentar também. E não por qualquer maldade que lhes reserva o futuro e sim por outra razão, mais séria e não tratada até agora. 
O que nos remete a essa outra razão. Não sem antes concluir o comentário inicial de nosso pitaco.
Visando obter um protagonismo tolo, Rodrigo Maia, ao ver tanto discurso de desconstrução e ruptura institucional de Bolsonaro e dos energúmenos que lhe seguem, reagiu como qualquer criança. 
Parece que para Maia a situação apresentou-se da seguinte forma: se a sociedade, embalada pelo discurso anti-democrático, fascista do presidente e seus gurus, está sendo cada vez mais atirada contra o Congresso, cabe pois ao Legislativo mostrar sua altivez. Dessa forma, cabe tomar do Executivo a sua proposta, alterá-la de alguma forma, e fazer a reforma passar, para mostrar que o Congresso está operando. 
***
Mas, a proposta que está aprovada é a do Governo, com necessárias críticas e alterações, é forçoso se reconhecer, como a questão do trabalhador rural e do BPC, e até mesmo com a questão da capitalização. Embora essa última, como já dito acima, descendo por vias tortas, goela abaixo da sociedade. 
E não apenas a proposta aprovada é a do Governo, com espaço suficiente para agradar a categorias especiais, como os militares, as forças policiais e até os empresários do agronegócio (perdoados em algo como 84 bilhões de reais de dívidas!), como para sua aprovação, mais uma vez o Executivo foi peça chave, na compra de votos, agora travestidos sob a feição de emendas orçamentárias, de caráter impositivo, algumas.
***
A abertura do cofre, retomando a velha política de coalizão e corrupção que tanto o pessoal que ocupa o poder denunciava, foi peça tão importante para a aprovação da PEC em primeiro turno, quanto o trabalho de interlocução de Maia. 
***
E o que precisava ser realmente discutido não foi colocado em pauta em qualquer instante: a situação da Previdência no país. Um país que está envelhecendo, em que o crescimento populacional tem dado demonstrações de que não irá conseguir, no futuro imediato, nem mesmo manter o ritmo de substituição de mão de obra. 
Um país que, sob a tormenta da inovação tecnológica, cada vez menos terá condições ou necessidade de gerar ou manter empregos de grande parte de sua população. 
Esse último fato, o efeito das mudanças tecnológicas cada vez mais tirando espaço também de grande parte de nossos profissionais liberais, e da classe média que se acreditava acima do bem e do mal. 
***
Nenhuma dessas questões foi levantada, de forma séria, pela imprensa, embora objeto de discussões por quem está, de fato, interessado em debater o problema e estudar soluções possíveis, sem ter que ficar prestando retribuições aos favores obtidos junto ao capital financeiro. 
***
A reforma - não séria, nem necessária sob a forma que agora foi conduzida - foi aprovada, mas não se mostrará nem mesmo capaz de atender aos interesses do mercado financeiro, exceto no curtíssimo prazo. Porque em relação às contas públicas, atenderá muito menos ao que era necessário. 
***
Até porque, a Previdência, parte da Seguridade Social consagrada na Constituição de 88 não apresenta déficit, como já mostrado pela tese da professora Denise Gentil e vários outros estudos. 
***
Menos ainda irá contribuir para o crescimento do país. Que só apresentará algum soluço nesse final de ano, em razão das medidas populistas de Guedes, para favorecer a demanda agregada e a elevação do consumo, o que é no mínimo o reconhecimento da incapacidade de Guedes e suas teorias voltadas para o "supply side economics"  de funcionarem. 
***
A liberação parcial de recursos do FGTS, mesmo contas ativas, e de PIS, são medidas paliativas, positivas. Mas não terão o alcance que se estima. 
A grande maioria da população irá aproveitar para sacar os recursos e pagar dívidas voltando a limpar o nome. 
Com o nome limpo e crediário reabilitado, poderá sim, ocorrer uma elevação do consumo, mas de fôlego curto, se algum.
Porque não devemos nos esquecer que, como bom gato escaldado, quem conseguir quitar seus compromissos irá pensar muito antes de retomar, num momento de desemprego elevado e ocupações precárias, novos compromissos. 
Não podemos esquecer que a população aprende com os traumas vividos, e que a psicologia social não recomenda que se comemore uma inesperada reação de vendas. 
***
Enquanto isso, Moro e seus asseclas continuam blindados, já que do esquema, como cada vez vai ficando mais claro, fazia parte também pessoas de conduta ilibada, como Fux, Fachin (Aha! Uhu! O Fachin é nosso!!!) e até o promoter Barroso. 
Disso, e da falta de caráter, para não afirmarmos categoricamente que a turma de Curitiba estava cometendo crimes, já que há apenas em tese essa possibilidade, falamos em outro pitaco. 
***
Da indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos Estados Unidos, e da vergonha da decisão provisória de Toffoli de suspender os inquéritos contra Flávio Bolsonaro e, de quebra, o amigo "in pectore" Queiroz, também tratamos em outros pitacos. 
***
É isso. 


quinta-feira, 27 de junho de 2019

Desatinos a conta gotas

A conta gotas.
Dessa forma, tem funcionado o governo Bolsonaro e sua fantástica fábrica de geração de factóides.
Á la Jânio Quadros, que em meio a uma crise econômica sem precedentes em nosso país (considerada por vários economistas de renome, como a primeira grande crise de caráter industrial do país), e um conjunto de medidas na área das relações exteriores que conseguiram desagradar a toda a sua base de apoio, encontrava tempo para se dedicar às questões que, em sua visão, reclamavam a adoção de medidas de urgência urgentíssima.
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Foi assim que em seu curto período de "reinado" além de condecorar com a mais alta comenda do país a ninguém menos que o líder guerrilheiro "Che" Guevara, de reatar relações com países do chamado mundo comunista ou cortina de ferro, de adotar uma reforma cambial que promoveu uma desvalorização de nossa moeda que redundou na realimentação da inflação, o presidente da vassoura encontrou tempo para tratar de questões como a proibição do uso de biquini, ou do lança-perfume nos bailes carnavalescos. Ou ainda a criminalização da briga de galos...
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Sem entrar no mérito específico de cada uma das medidas citadas - afinal, a decisão de proibir e criminalizar a briga de galos seria considerada hoje como de grande relevância-, as preocupações de Jânio naquela oportunidade não têm como não nos vir à memória, para servir como base para comparação com Bolsonaro, o Messias.
Até mesmo em relação aos famosos bilhetinhos, que ficaram como marca da gestão Jânio, utilizados para a manifestação de suas preocupações, ordens e recomendações.
Bilhetinhos, hoje, substituídos pelo twitter e outras redes sociais.
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Na onda de desatinos que vimos acompanhando, e na falta de qualquer qualificação e de proposta séria para o exercício do cargo que parte da população lhe conferiu, o Messias deixa toda a gestão da crise econômica séria em que o país está mergulhado (a mais lenta recuperação de uma crise econômica de toda nossa história) para seu posto Ipiranga, Paulo Guedes.
O que não o impede de, talvez por desconhecimento, acabar interferindo em decisões econômicas como a da fixação de preços de combustíveis, ou outras que, não sendo diretamente relacionadas à política econômica, acabam tendo relações íntimas com aquela área sensível. Como, por exemplo, o projeto de lei que cuida da forma de governança das agências reguladoras.
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E, para não deixar dúvidas no ar, quando no parágrafo anterior, levantei a hipótese de desconhecimento do presidente, não estava me referindo apenas a questões econômicas em si. Mas desconhecimento em relação ao próprio perfil do ministro que ele escolheu para comandar a Economia do Brasil e seu caráter liberal até a medula.
Caráter que pode sempre ser um ponto gerador de conflitos e discórdias com o comportamento autoritário e desatinado do Messias.
Que pode ser cristão e até messiânico, mas não é onisciente. Nem Deus.
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Dentre os desatinos, a própria escolha dos nomes de integrantes de seu ministério, anunciado como a equipe do governo empenhada em combater a corrupção e o crime organizado no país.
Claro, sem contar o Queiroz e suas relações perigosas com Flávio Bolsonaro, ou com a milícia no Rio de Janeiro. Ou ainda sem fazer menção aos amigos dos filhos e até do próprio Messias, todos devidamente condecorados em reconhecimento por relevantes serviços prestados. A grande maioria dos quais devidamente presos, por envolvimento com o crime organizado.
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Mas, para não ficar apenas no núcleo familiar, é importante que a lista - extensa -, seja lembrada.
Afinal, o raivoso e dedicado general Augusto Heleno, aquele dos socos na mesa e das acusações a Lula e até da hipótese de retorno da prisão perpétua, foi homem de confiança, na Confederação Brasileira de Volei, de Nuzman, hoje reconhecido corrupto, embora fazendo companhia ao Queiroz, ou seja, bem distante das grades.
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Do general histérico, nem devemos nos referir ao Haiti, e sua passagem por lá, voltada para a promoção da  "limpeza"  daquele país.
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De Moro, não é preciso dizer mais muita coisa. Suas ações o definem. Sua falta de compromisso para cumprir as leis, mostram a ausência de qualquer traço de caráter, mesmo que sob a justificativa, não aceitável em qualquer circunstância, de fazer justiça.
Bom lembrar: no início do governo, questionado sobre a acusação feita a Onix, o ministro da Casa Civil, do crime de Caixa 2, o nosso super-herói no combate ao crime da corrupção argumentou que o colega já havia reconhecido o erro e pedido desculpas.
O mesmo ex-juiz de figura ridícula que nada fez em relação seja ao Queiroz, seja às investigações que nunca chegam aos verdadeiros mandantes do assassinato de Marielle, seja às acusações ao seu outro colega, agora do Turismo.
Isso para não falar das mensagens e juras de amor e fidelidade, trocadas com Dallagnol...
Ou ainda dos aviões da FAB, e suas carreiras internacionais...
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Vê-se, pois que o paralelismo do Messias com Jânio não pode abranger a questão da honestidade de propósitos daquele que usava a vassoura para promover uma limpeza e o combate à corrupção, contra esse que usa das armas, ou arminhas, para o mesmo trabalho de limpeza. O que, sabemos, se aplica apenas aos inimigos, vermelhos, comunistas, e é apenas figura de linguagem, ou tropos, em relação aos amigos e familiares.
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Mas, não contente com a questão de como trata a corrupção, o Messias se preocupa em não se tornar rainha da Inglaterra, não acatando o funcionamento das regras do jogo democrático, onde o Congresso tem peso, junto ao Judiciário.
Afinal, o que significa, senão uma tentativa de ir para o confronto, as manifestações de desprezo por votações e decisões das casas Legislativas, senão o intuito de criar condições para que a já conflagrada sociedade brasileira se arraste para uma luta fratricida.
Por que é disso que se trata quando o Congresso decide que a demarcação de terras indígenas deve permanecer na estrutura da Justiça, e ele insiste em passar a atribuição para a pasta da Agricultura, em desprezo pela decisão emanada do outro poder.
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O mesmo se dá no tocante à liberação de porte, e até posse de armas. Derrotado em seus decretos originais, dentro da conformidade do regime legal em vigor no país, ele retoma, na Câmara, a ideia que o move - de que segurança não é atribuição do Estado, mas do indivíduo- e reedita com modificações superficiais, em três decretos, o que já foi decidido no Senado.
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Como disse Airton Soares, em seus comentários no Jornal da Cultura, ou o presidente usa mesmo de má- fé, ou é o mais mal assessorado presidente da história recente, especialmente nas relações com o Congresso.
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E, em meio a esse torvelinho de disputas e queda de braço, de frituras de auxiliares sem qualquer pudor, de desrespeito, prepotência, grosseria e deselegância, o presidente ainda quer, segundo suas palavras, mostrar que a Alemanha e outras nações mais avançadas é que têm que aprender com nosso país, e seguir nossos exemplos, em questões de meio ambiente, etc.
Em sua afirmação, agora e daqui para a frente, o governante do país não irá mais ter sua atenção chamada e ser repreendido por líderes de nações europeias, que não têm condições morais para adoção de tais comportamentos.
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Bolsonaro, com tal discurso, apenas se aproxima cada vez mais da solidão de Trump. E relega o país à situação de exemplo do que há de mais atrasado, ridículo e autoritário em todo o mundo.
O que só faz com que o país perca posições no cenário internacional e deixe de ser convidado para participar dos encontros em que têm acento aqueles que sabem se fazer respeitar.
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Deixando essa situação de lado, temos a sucessão de preocupações que assolam a nosso presidente em suas redes sociais, desde o "golden shower" carnavalesco, até a higiene com o pênis, ou ainda a preocupação com a indicação de um evangélico para a Corte Suprema de um estado laico, como também a preocupação com a tomada de três pinos, ou agora mais recente, o apoio à construção do autódromo do Rio de Janeiro, e a certeza manifesta de que fórmula 1, doravante, passará a se realizar naquele estado.
Como se o Rio já não tivesse problema de sobra para ir arranjar mais esse, de construção de outro espaço inútil.
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E a lista ainda pode se agravar, com a consideração da exclusão de ilicitude penal por ele tanto desejada , em relação às ações, atitudes e comportamento das forças de segurança.
O que transformará qualquer soldado de esquina, desses que podem também ser usados para fechar o Supremo, em um verdadeiro 007, com licença para matar.
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Semelhanças com Jânio, claro que existem. Como diferenças, porque Jânio era um homem ao menos esclarecido, e se se envolvia com coisas de menor importância, não tinha essa formação e essa visão de que o que não agrada, ao invés de respeito, deve passar por processo de desmoralização, até que seja extirpado finalmente do cenário.
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Por mais lamentável que isso seja.
O que me leva a concluir o texto com uma incerteza em relação ao título do pitaco. Seria tudo isso um desatino, ou parte de uma estratégia maquiavélica, de diversionismo visando a implantação de um projeto de sociedade, em minha opinião, completamente distópico?

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Protagonismo de Guedes mostra lacunas em seu caráter, ao menos de solidariedade. E os vazamentos de Moro... que podem, e os que não podem

Uma semana repleta de leituras, diferentes interpretações  e novidades. Assim pode ser caracterizada a semana compreendida pelos dias 10 e 14 de junho.
No intervalo, entre os desmentidos, as mentiras, e o jogo de dissimulação provocado pelas reações do ex-juiz e seu bando de amigos da Procuradoria, também conhecida pela alcunha de República de Curitiba, a paralisação do dia 14.
Longe, muito longe de poder ser caracterizada como uma greve geral. E ao mesmo tempo, com uma participação popular que poderia ser classificada como impressionante, pela capacidade de aglutinar milhares de pessoas que ocuparam a Av. Paulista, em São Paulo, e vários quarteirões da Afonso Pena,  na capital mineira.
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Verdade que o principal motivo da manifestação, a Reforma da Previdência trata de uma questão que afeta a um público maior que aquele presente nas ruas. Mas, também é verdade que a maior parte dos debates, das notícias, dos anúncios, dos comentários sobre a Previdência, sua crise no Brasil, e a necessidade de promoção de alterações, além das propostas apresentadas não foram nunca adequadamente tratadas e debatidas.
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Que o regime de Previdência tem atravessado um período de crise em todo o mundo, especialmente maior longevidade que aqueles que são seus beneficiários têm  ostentado, não se discute.
Afinal e felizmente, uma das consequências consideradas mais benéficas do progresso de nossas sociedades, tem sido o avanço da medicina e de sua capacidade em assegurar maior tempo de vida, com maior qualidade para todos nós.
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Vivendo mais tempo, e aposentando depois de respeitados tempos obrigatórios de contribuição, independente da idade da pessoa ao se aposentar, verifica-se que, mesmo naqueles países em que existe a definição de uma idade mínima (o que não é o caso do Regime Geral de Previdência no Brasil), a Previdência de tempos em tempos enfrenta um problema sério: a expectativa de vida elevada e a atualização dos valores a serem pagos em todo esse período de vida como aposentado, indica uma fragilidade bastante consistente, comparada ao montante do fundo capitalizado (individualmente ou coletivamente) para financiar essa despesa.
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Foi assim no Japão, por exemplo, quando o governo resolveu elevar as idades mínimas limites para a aposentadoria, bem como as contribuições a serem pagas pela população. Como foi assim em outros países da Europa.
Em comum, sempre tais alterações ou reformas, acarretam manifestações, nem sempre disciplinadas, dos atingidos pelas mudanças.
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Então, as manifestações aqui realizadas são típicas do jogo democrático, juntando especialmente aqueles que se consideram os mais atingidos, tanto em seus direitos futuros, quanto em sua expectativa de direitos.
E, se aqui no Brasil as manifestações não são maiores, embora sejam importantes até como instrumentos de pressão sobre os políticos que deverão dar seus votos a favor das reformas, em parte isso é reflexo da nossa mídia, dos órgãos de comunicação que permitem que inverdades ou meias-verdades sejam disseminadas, contribuindo para a desinformação da maioria da população.
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Infelizmente, a ação das empresas da mídia tem a ver com seus interesses particulares, muito mais que com a obrigatoriedade de, detentoras de concessões públicas cedidas pelo governo, ajudar na divulgação da realidade da situação previdenciária no país.
Então além de não informar, a imprensa desinforma. Quando muitas vezes, sem qualquer análise crítica, procura atender ao interesse do governo e do governante de plantão, confundindo atender ao interesse público, do povo, com o interesse de quem está no poder.
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Ok, Devo admitir que estar no poder é sinal de que tem respaldo público, mas não necessariamente da maioria da população do país.
Afinal, aqui no Brasil, nas últimas eleições, o desencanto com a política em si mesma e seu exercício, levou ao poder um candidato derrotado pelo número de eleitores que, desencantados, optaram por anular seu voto, votar em ninguém, sem contar o fato de que ainda havia mais de 40 milhões de eleitores que se manifestaram pelo candidato da oposição.
Ou seja: Bolsonaro ganhou o governo, mas não é o porta-voz de anseios de toda a população. Longe disso.
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Mas, os interesses das empresas da imprensa ainda se unem aos interesses de outros grupos de capitais associados, como os bancos que as financiam e que, nesse momento de crise econômica e e crise das empresas da mídia, exigem divulgação parcial, apenas daquilo que favorece aos seus lucros.
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É isso que explica o porque da discussão da reforma ser tudo, menos democrática. E os comentários e análises terem de tudo, menos o chamado contraditório. Com opiniões contrárias sendo escamoteadas, ridicularizadas, ou apenas relegadas ao esquecimento.
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Mas, dito isso e perdido algum tempo com essas divagações, a semana foi também de leitura do Relatório da Reforma da Previdência, feita pelo relator, deputado Samuel Moreira e, posteriormente das interpretações daquele texto.
E nessa hora, em que há que se reconhecer que o projeto de Reforma encaminhado ao Congresso pelo governo foi aperfeiçoado em vários de seus aspectos, não pode passar despercebido o papel e os chiliques do ministro tigrão da Economia, o irado e raivoso e irônico Paulo Guedes, que em suas horas de lazer e folga, junto aos banqueiros seus colegas e amigos, deve se contentar em ser apenas um tchutchuca.
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Participando ativamente da grande usina de crises em que o governo se transformou, como bem disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ministro da Economia resolveu assumir o protagonismo de vez, nas hostes ou para agradá-las bolsonarianas.
Assim, veio a público criticar o relatório que se curvou à pressão dos funcionários públicos, principalmente aqueles do Congresso,e retirou 30 bilhões de economias da sua proposta original, por ter flexibilizado as regras de transição para o novo regime.
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Em boa hora, mais uma vez Maia defendeu seus pares, alegando que a proposta do relator era muito mais rigorosa que aquela que o próprio Guedes enviou ao Congresso, para cuidar das regras de transição dos militares.
O que serve para mostrar, de contrapeso, como Guedes consegue ser sabujo. E bajular aos seus patrões.
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Aliás, outro não é o motivo de seu histrionismo, ao alegar que a reforma, se feita conforme o Relatório, irá destruir a Previdência.
E aqui o problema não é nem o BPC, que felizmente não será alterado, como queria o tigrão para os idosos pobres, nem a aposentadoria do trabalhador rural.
Na verdade, a questão central é o Regime de Capitalização, derrotado e excluído do relatório. Como tem sido derrotado e eliminado dos países que adotaram esse regime - em total de 30, em todo o mundo, e já arrependidos em número de 18.
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Mas se a ideia é ruim, porque a insistência de Guedes em sua aprovação e implementação?
Por que os fundos que a previdência e/ou uma poupança individual para a aposentadoria poderiam criar, e que seriam geridas pelos grandes bancos, alcança a casa dos trilhões de reais.
Dinheiro demais, a custo muito reduzido, se algum, para ficar à disposição de bancos financiarem grandes interesses de agentes financeiros em suas operações especulativas nas bolsas, ou de megacorporações.
É essa fábula que Guedes, o tchutchuca do sistema financeiro se comprometeu a entregar aos seus colegas, e agora "patrões",  e que ele não poderá honrar.
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Logo ele, oriundo do sistema financeiro, ex-diretor de banco, ex-gestor de Fundos com operações suspeitas de vários milhões de reais em negociações, conforme a CVM, ávido para entregar os fundos da previdência para a gestão de seus camaradas....
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Por isso sua reação inusitada, seu esperneio...
E a tentativa de jogar para a claque de Bolsonaro, para ver se a pressão das redes sociais desse bando de idólatras consegue demover os deputados de suas convicções (se alguma...) fazendo retornar, em plenário essa semente do mal.
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Para isso, Guedes não hesita em queimar antigos amigos, desfazer-se de amizades. Jogá-las aos leões.
Por isso, esse capacho que ocupa o ministério da Economia, não se sentiu nem um pouco ofendido por ter visto Bolsonaro entrar em sua área, para sugerir que a Petrobras não aumentasse o preço de combustíveis; nem para proibir que propagandas fossem feitas pelo Banco do Brasil, de novo sem conhecimento de Guedes.
Agora, a conversa direta com um subordinado seu, sem seu conhecimento.
Afinal, foi o próprio Bolsonaro que afirmou que falou ao Levy que ou tirava o diretor indicado, ou na segunda feira, os dois estariam na rua.
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Fosse do conhecimento de Guedes o desejo manifesto pelo presidente, o mínimo que esse ex-banqueiro deveria fazer era dizer ao seu patrão que ele resolveria o problema internamente.
Até com a saída, mais honrosa, de Levy.
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Mas na verdade, o que esse ministrinho sem qualquer pejo (para ficar mais claro, sem qualquer vergonha ou pudor) está fazendo é calar-se para dar a entender que está preocupado com a pauta de seu chefe. Nem que para isso, tenha que demitir Levy, por esse ter seguido a legislação financeira e bancária, que impede que certas cláusulas contratuais tenham seu conteúdo aberto a conhecimento público.
***
Nem Levy é bobo em incorrer em crime para agradar à miopia persecutória de Bolsonaro, nem o próprio Guedes desconhece que, a abertura desejada por seu capitão pateta dos financiamentos feitos pelo Banco, pode acabar criando instabilidade e medo em eventuais empresas/empresários internacionais, com intenção de investir no país.
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Mas vale passar a imagem de que ficou ao lado do presidente, seja porque o seu subordinado não abriu a "caixa-preta" do Banco, seja por que não repassou mais dinheiro do Banco ao Tesouro - quem sabe até porque tal medida poderia ser considerada, depois uma espécie de "pedalada".
***
Se Guedes ficou chateado com Levy pela sua dificuldade em repassar os empréstimos ao Banco feitos pelo Tesouro, é mais compreensível.
Afinal, é na mão desse ministrinho liberal que pela primeira vez a Regra de Ouro teve de ser alterada para conseguir cobrir o rombo que ele, do alto de sua competência não conseguiu fazer.
***
Por isso, acena com a crítica à Reforma da Previdência, para agradar aos seus aliados no mercado financeiro. E para conseguir o apoio das classes empresariais produtoras, já que a capitalização desenhada contém também a destruição da segurança ao trabalho, que a legislação trabalhista tentou, mas não conseguir atingir.
Ou apenas para mostrar - além de sua falta de caráter, e solidariedade, que joga o que seu mestre mandar. E deixa sua defesa ser feita por adoradores de mitos em redes sociais.
***
De Moro, dizer o que? Depois que o pacote de medidas contra a corrupção e a criminalidade que ele apoiou e encampou propunha que qualquer prova poderia ser usada no combate ao crime, independente da forma que fosse obtida, só restaria mesmo clamar agora, pelo crime do vazamento de suas conversas e conchavos.
Afinal, Moro é apenas um ministro de desculpas, escusas e descuidos. E vazamentos são algo típico de sua praia, desde que ocupava a cadeira de juiz.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Tudo ao mesmo tempo, agora: Bolsonaro, Neymar e MC Reaça

Impossível, nos episódios que assistimos e nos tempos que o país atravessa, não nos deixarmos ser influenciados por alguns acontecimentos tornados públicos, alguns de natureza francamente particular, todos igualmente trágicos.
Como não estamos alienados do mundo à nossa volta, tal situação permite que dramas particulares ganhem uma dimensão gigantesca, como que inflados justamente para ocupar o vazio de notícias relevantes ou fatos realmente importantes ou até mesmo da apresentação de debates saudáveis, sobre a nossa sociedade, nosso ambiente político, nossa economia.
***
Antecipo que não quero que nossa imprensa, a mídia se preocupe a ficar apenas repercutindo atos e fatos considerados de caráter nobre, ou de espírito elevado.
Acho que uma imprensa assim, rósea ou candidamente influenciada pelo espírito de Pollyana seria muito chata.
E a verdade é que a imprensa pode até noticiar ou destacar, mas não é ela que cria os fatos. Os problemas. As tragédias.
***
E, torpedeado por tais fatos, que de forma alguma nos dizem respeito e sobre os quais deveríamos nos abster de emitir juízos de qualquer espécie, acabamos sendo levados a participar, a emitir opiniões, apoiar ou torcer, manifestar-nos.
Ou ainda, no meu caso, a procurar refletir não apenas sobre os eventos e seus desdobramentos, mas sobre outras questões que os cercam, como a coincidência temporal dos acontecimentos.
E, ao dar margem para que o pensamento se transforme em passageiro dessa viagem que é o livre pensar, acabo estabelecendo algumas conexões, ligando alguns fatos que, sem qualquer vinculação causal entre si, dão margem a que cheguemos à conclusão de que, no universo, tudo conspira para que sua ocorrência se dê AQUI e AGORA.
***
Senão vejamos: ocupa a presidência de nosso país, eleito democraticamente pela maioria dos eleitores que se dispuseram a ir às urnas, um político que sempre que se manifestou, o fez de forma a destacar sua visão machista, preconceituosa, homofóbica e autoritária.
Que em campanha o candidato tivesse explorado características auto-apregoadas de virilidade para se destacar e conquistar votos de uma parcela do eleitorado, pode ser compreensível, embora sujeito a críticas.
Mas, não devemos nos esquecer que esse candidato, já na oportunidade, sofria um processo movido pela deputada Maria do Rosário, sua colega de Câmara, por declarações com claro conteúdo de estímulo ao crime de estupro.
***
Eleito presidente, esse candidato não perdeu a oportunidade, em várias ocasiões, de continuar manifestando sua intolerância, desde a escolha de ministros, como as Damares das cores de roupas, até a exibição em suas redes sociais de cenas do carnaval, com claro conteúdo erótico.  Mas não ficou preso na chuva ou chuveirada carnavalesca, passando a protagonizar piadas ridículas sobre o povo japonês, além de outras manifestações descabidas, como a da censura à peça publicitária do Banco do Brasil, ou a assinatura do decreto de armas, etc.
***
E aqui devo dizer que, justiça seja feita, o presidente, apelidado de Cavalão quando ainda estava no Exército, nunca mostrou outra imagem ou apresentou uma imagem falsa de sua pessoa ou de sua índole. Se votaram nele, ainda assim, é algo que, mais tarde, afastado do calor dos acontecimentos, deverá ser objeto de pesquisas em psicologia social, de massas, para entender o que representava tal "mito", no imaginário de seus seguidores.
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A ascensão de Bolsonaro e o papel de destaque que passa a ocupar, cada vez mais, no entanto, gera um certo aval, uma sinalização positiva, um certo estímulo a que aqueles que têm mentalidade tristemente comparável à sua, se sintam à vontade para dar asas a sua imaginação.
O que pode ser, mesmo involuntariamente e sem que o presidente compactuasse ou aprovasse tais comportamentos, uma explicação para o aumento recente dos casos de feminicídio, ou de violências policiais, para citar apenas alguns.
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Pois é nesse mesmo momento que vem a público mais dois casos, com ingredientes que misturam alguns desses mesmos elementos, "incentivados" por Bolsonaro.
O caso triste e lúgubre de MC Reaça, cujo espírito em busca de paz o levou ao auto-extermínio, e o caso de Neymar Jr. essa figura cada vez mais perdida, e seu assessor principal, seu pai, cada vez mais patético.
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Esse pitaco hoje não é para julgar a ninguém, nem apoiar a qualquer das partes envolvidas, nem condenar a quem quer que seja.
Seu sentido é muito mais destacar que em ambos os casos, do MC e do jogador, havia a questão da figura do macho alfa envolvido, da mulher submetida e/ou vítima, de agressões que podem ter sido físicas e até morais, e de certos tipos de reações típicas da autoridade que perde o controle da situação, quando contrariado por quem devia prestar apenas e tão somente obediência.
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MC Reaça ao que parece, deixou-se dominar pelo pânico, pelo temor de ter cometido um ato bárbaro e de suas consequências. Do pavor de não ter como encarar sua esposa e as famílias envolvidas.
Dominado por violenta emoção, preferiu a busca da felicidade sob outras vestes.
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Quanto a Neymar, infelizmente parece ter mudado muito.
Lembro-me ainda de quando o elogiava por ter adotado um ato dificilmente visto entre os rapazes que começam a se destacar e ganhar dinheiro, de grande maturidade como o do reconhecimento de seu filho.
Lembro-me de como se portou em todas as ocasiões em que estava presente seu menino, todas sempre dignas de elogios.
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Até me vem à memória uma reportagem feita pela Folha, há muito tempo, em que seu pai dizia que, apesar de estar já milionário, Neymar ainda pedia dinheiro para comprar até um carro, por não estar sob seu controle a administração do que ele recebia. Tudo para mostrar como Neymar era humilde, simples e um bom menino.
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Pena que o gênio tenha se deixado alterar em tão pouco tempo, ou que a máscara que lhe queriam impingir não conseguisse se manter por muito tempo.
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É isso, que MC Reaça descanse em paz. E os demais atores de nosso pitaco tenham condições de analisar e, até rever  seus comportamentos.
Para o bem deles mesmos.
Para o bem do ambiente que estamos vivendo