segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Novembro de ameaças de golpes (AI 5), golpes (o pacotaço de Guedes), contragolpes (a Constituição acatada) e o medo pânico de Lula

Começo atribulado do mês de novembro, sob o impacto da entrevista "balão de ensaio" de Eduardo Bolsonaro à jornalista Leda Nagle em seu programa do Youtube, em que uma pretensa radicalização da esquerda no Brasil poderia dar ensejo à edição de um novo AI-5.
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Reações imediatas da sociedade mostraram à família imperial, hoje no controle do poder, que os 21 anos de obscurantismo que culminaram em 1985 e a experiência posterior, de 34 anos de governos democráticos, não foram em vão.
Isso, apesar de os governos democráticos que experimentamos, talvez com a exceção do curto período de Itamar Franco, terem sido objeto de todo tipo de acusação, a principal delas, a de estarem longe de patrocinar operações republicanas.
Ou seja: negócios sob a inspiração - do respeito - da coisa pública (a res).
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Para não tomar tempo dos raros leitores com recordações, de resto já tratadas em vários livros de história, já o governo Sarney foi acusado de ser um governo de vergonhosas barganhas, grande parte delas, rondando a instalação e discussão da Assembleia Constituinte, mais tarde identificada com a Constituição Cidadã.
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Do plano heterodoxo de congelamento de preços do Cruzado ao estelionato eleitoral que marcou as eleições de 1986, em que o partido no poder varreu os adversários de norte a sul do país, passando pela formação do Centrão nos embates da Constituinte, não foram poucas as vezes em que ficou no ar o cheiro de corrupção e prevalência de interesses particulares, escusos.
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Curiosamente, apesar do Centrão, de Robertão (o deputado federal paulista Roberto Cardoso Alves) e sua interpretação malandra da oração de São Francisco, especialmente no trecho que afirma que é dando que se recebe, a maior acusação a Sarney e ao jogo de corrupção pesada foi, em minha opinião, fruto de  uma injustiça.
Na oportunidade, muitos acusavam Sarney de vender a alma ao diabo para obter mais um ano de mandato. Ao contrário, ao ser eleito indiretamente na chapa de Tancredo Neves, como vice do mineiro, a quem acabou sucedendo, Sarney tornou-se herdeiro de um mandato de 6 anos.
Sua luta foi para não reduzir seu mandato em 2 anos, como desejava a oposição, depois de ele já ter aceito a redução em um ano.
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Mas passou para a história as negociações do dando que se recebe, que moldou a nossa Carta, onde todas as demandas foram privilegiadas, de todos os grupamentos sociais, tendo em vista a falta de um projeto de país e nação, responsável por orientar um debate capaz de impedir a ocorrência de incongruências nítidas.
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Gostaria de afirmar que me lembro, do período, que a Constituição se caracterizava por total abertura e liberdade, o que privilegiou, por exemplo, a formação de novos municípios, desde que as populações das localidades se expressassem majoritariamente nesse sentido, por meio de eleições.
Ainda no quesito da municipalização, a Constituição preocupou-se em aumentar paulatinamente a parcela de participação nos Fundos Constitucionais de Estados e Municípios, os FPEs e FPMs.
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Apenas que à ideia de mais Brasil à mais Brasília, agora resgatada, mas nem um pouco inovadora, e em face de pressão de prefeitos e governadores, a Carta não foi responsável por desconcentração semelhante de encargos e custos de programas, de importância ímpar, mantidos sob a responsabilidade da União.
O que levou Sarney a ter que negociar, sabe-se lá de que forma, a alteração da desconcentração de receitas.
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Mas queria frisar: a Constituição tentava resgatar nosso passado e nossas dívidas com parcela importante da nossa Sociedade Civil. E mais ainda, se preocupou em melhorar as condições de vida de todos os cidadãos do país, privilegiando a formação de uma sociedade justa e digna.
Nesse contexto, como se preocupar com gerações futuras, senão pelo tratamento de certas questões como a previdenciária, através da solidariedade intergeracional.
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Essa mesma rede de proteção social que agora o liberal Guedes se propõe a destruir para olhar mais pela sobrevivência de nossas gerações futuras.
Os cidadãos que ainda não nasceram, filhos de outros que poderão não ter condições, sequer de tê-los.
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No que se refere à balbúrdia de municípios criados, alguns sem qualquer viabilidade financeira desde sua criação, é no mínimo interessante que o governo atual se esqueça de que foram decisões majoritárias, democráticas de populações inteiras.
Populações que podem ter se arrependido e, talvez a solução fosse nova eleição para decidir se gostariam de voltar atrás na decisão anterior.
Por opção e escolha própria. Livre.
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Não esse arremedo de liberalismo brasileiro, que ao invés de punir prefeituras insolventes - porque não alterar a lei e permitir a decretação de falência de municípios e estados, com a reprodução de todo o rigor da legislação atual de falências de instituições privadas?? - ao invés de, por meio de uma penada, suprimir municípios a partir de um critério ou alguns critérios técnicos.
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Do impeachment de Collor, acusado de corrupção por seu próprio irmão e até pelo motorista Eriberto, até as decisões de confisco da poupança, um estelionato na condição de pecado original, até as aberturas de "torneirinhas", destinadas a liberação de recursos confiscados, em casos estipulados, a corrupção e roubalheira teve espaço para se desenvolver sem travas.
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E nem preciso de me referir ao tesoureiro mor, Paulo César Farias, o PC, cuja trajetória e até morte são todas carregadas pelas tintas dos negócios escusos.
Ou de Cláudio Humberto, o secretário de comunicação que imprimiu o famoso bateu, levou.
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O mesmo bateu, levou que os príncipes herdeiros do nosso pretenso imperados, seguem à risca, apenas que agora, turbinados pelos avanços da tecnologia, da internet, das redes sociais.
Mas não são apenas os filhos não, o próprio capitãozinho, parece que sem muito o que fazer, também prefere gastar seu tempo ocioso, produzindo "lives".
Isso quando não está ameaçando liberdades democráticas, ou tentando resgatar a censura no país, ou pior ainda, corroendo a integridade - se alguma!! - de seu ministrozinho da Justiça, o  menino de recados Moro, sempre disposto a se escusar.
Mas, o bateu, levou na forma apresentada por Guedes em sua entrevista à Folha de São Paulo, essa ninguém comentou. Afinal, o ministro tem a pecha de liberal, mesmo com toda sua experiência no Chile de Pinochet.
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Esse mesmo Chile que hoje arde em chamas e tenta discutir uma nova Constituição, reabilitando tudo que Guedes tem como principal meta.
No Chile, não funcionou. Nem Pinochet matou todos os adversários, nem os pobres foram varridos da sociedade!!
Nada que não impeça Guedes de continuar acreditando e tentando...
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O governo FHC, da privataria, da compra de voto do Ronivon, em prol da reeleição, da decisão (que se mostrou acertada depois) que foi tomada na hora mais curiosa, do Proer (logo quando o Banco de sua então nora tinha decretada sua liquidação, em um fim de semana!!).
Isso para não falar de corrupção na participação de feiras internacionais, como a de Hanoover, nem no estelionato eleitoral de 1998, e a quebra do país em 99. E depois em 2002.
Fernando Henrique, herói da estabilização, imagem que usurpou de Itamar, o verdadeiro presidente do Plano Real.
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Fernando Henrique, o fazendeiro de Buritis, e como tratado respeitosamente por Zé Simão da Folha, nossa Maria Antonieta...
Aliás, hoje em dura disputa com Barroso, o Ministro do Supremo, outro candidato forte a ocupar o posto da rainha da França em ruínas.
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Aí veio Lula. E o estelionato praticado sob sua benção, por Palocci, o que tornou o médico de Ribeirão Preto, o queridinho do sistema financeiro.
Mas a política de Lula, em seu primeiro mandato foi uma decepção para quem votou nele, para que começasse uma verdadeira redistribuição - necessária - de renda no país.
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Com Lula, houve ganhos para os mais pobres: aumento real do salário mínimo e das remunerações da previdência; universalização do programa de Bolsa Família; abertura para a educação para os mais necessitados, são algumas das várias realizações do petista.
Mas houve problemas: o mensalão, é um deles. Nem de longe o pior. Pior foi ter se compactuado com banqueiros e grandes empresários.
O que permitiu que criássemos uma jabuticaba: enquanto pobres ganhavam, os ricos ganhavam mais ainda. Aumentando a diferença entre os estratos de renda mais elevada e os de renda menores.
Lula ainda nos deixou Dilma, uma escolha equivocada, até por ela ser, originariamente, pedetista, brizolista. Portanto, com dificuldades até mesmo no PT.
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O escândalo da corrupção da Petrobras, desnudado pela Lava Jato, só é compatível com o próprio escândalo da operação, toda viciada e com claros sinais de perseguição pessoal e política.
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De volta a esse novembro de trepidação

Em meio a tanta balbúrdia, que a própria imprensa não se cansa de citar, dado que o governo consegue ocupar função dupla de governo e oposição, simultaneamente,
houve um ato, um gesto digno de elogio.
Não sou advogado, mas se a Constituição diz que presume-se inocência até o trânsito em julgado, porque prender alguém antes de todos os possíveis níveis de discussão e até revisão da pena?
Não digo por Lula.
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O problema ser transformado na liberdade APENAS de Lula, por mais carismático seja o líder petista, é sinal de como o Brasil anda indigente de políticos e homens de responsabilidade e respeito.
Porque a Constituição prevê, bem como a legislação infra, as possibilidades de prisão antecipada, em flagrante, ou preventiva, quando risco à sociedade estiver manifesto, na própria conduta do infrator.
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Mas, discutir a liberação de Lula, por ter sido decidido respeitar a vontade originária do legislador, do constituinte, é o que desperta a comoção e a atenção de todos.
Embora muitos ministros do Supremo que foram contra a Constituição que juraram defender, tenham se utilizado do argumento oportunista de que só pobres seriam os punidos. Os ricos iriam até o último recurso, a última instância, a prescrição.
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Ninguém seriamente decide discutir e analisar o que deve ser feito para dar celeridade aos processos.
Aliás, a legislação atual, já prevê e pune a litigância de má fé, aquela que apenas procrastina as decisões.
Mas quem aplica as medidas previstas?
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Porque não se altera a legislação não para revogar uma cláusula pétrea e, como diria o Magri, imexível, mas para criar prazos rigorosos para que recursos sejam examinados? De forma a que, quando o prazo estivesse próximo de ser atingido, aquele processo teria total preferência, até de exame por mutirão.
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O problema maior de nossa Segurança e nosso sistema de punições, a prisão de milhares de pessoas, mantidas em cárcere, por anos até, sem qualquer processo legal em andamento, esses casos parecem não comover Luis Barroso algum ou Fux.
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A sociedade parece querer vingança. Não, Justiça.
Vingança por um pobre, nordestino, parcialmente analfabeto (aliás, Lula esqueceu todos os esses do plural na sala onde esteve preso!), ter chegado muito mais distante que outros tantos, bem nascidos, educados, com formação até no exterior. Em um país, em que as elites e o poder sempre se reproduziram como siameses, aguentar um trabalhador de Garanhuns é uma agressão.
Assistir às festas juninas de quadrilhas, de São João, e caipiras pulando fogueira nos Palácios do Poder é algo extremamente fora do contexto.
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Pior, Lula é, também para os pobres, uma ameaça e uma violência, por representar muitas vezes o que eles sonham, mas não têm a oportunidade de alcançar. Até por falta de sorte, dada sua vida severina.
Assim, se somos iguais ou comparáveis em nossa origem e processo de desenvolvimento, porque ele conseguiu e ... outros não?
Ah! só pode estar roubando. Só pode estar nos traindo, e às suas origens. Vendeu sua alma ao diabo (aqui mais corretamente, ao deus mercado).
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Lula solto é mais uma das questões desse novembro conturbado.
E as reações de Bolsonaro, e de seu lambe-botas, Moro, bem como de sua família.
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Queiroz solto há mais tempo, a ninguém incomoda. Há mais tempo.
Outros políticos de expressão que nem sequer chegaram a ser presos, por força muitas vezes de prescrição dos crimes que cometeram, e da solidariedade silenciosa dos mecanismos judiciais de nosso país, a ninguém incomoda.
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Incomoda mais esse pacote de Guedes, que rouba nosso presente, preocupado com uma geração futura que nem sabe se haverá condições de a população atual, massacrada, poder se reproduzir, para formar alguma geração futura.
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Unir Saúde e Educação, em um percentual único de gastos, como a PEC de Guedes, já que dá liberdade para os gestores atenderem às demandas prioritárias das populações que representam, é um sofisma.
Todos sabem que o envelhecimento populacional, inegável, inexorável, irá levar a um aumento de gastos com saúde da terceira idade, em especial, que irá restringir qualquer gasto, de longe considerados como os fundamentais ou estruturantes de um país: educação, formação e qualificação de trabalhadores e, também ligado à saúde, PREVENÇÃO.
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No fundo, o que Guedes deseja é reduzir os gastos sociais, garantidos pela Constituição. E age para tal fim, da mesma forma que deseja eliminar, senão direitos, a possibilidade de quem os tiver feridos, recorrer à Justiça.
Afinal, causas justas apenas poderão ser decididas depois de provada a existência de origem do recurso para seu pagamento.
Ou seja: você rouba, não paga direitos, e depois, se o reclamante ganha, fica o juiz que lhe deu ganho de causa, responsável por dizer onde estão os dinheiros para tal correção de injustiças.
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Ah! esse Guedes não me engana.
Pena que engana a todos que, não pertencendo aos mercados financeiros, se deixam iludir por uma realidade apresentada de forma deturpada. Onde milicianos são considerados acima de qualquer suspeita.
Políticos já no ocaso da vida são vendidos como o elixir da juventude e da renovação política.
E a imprensa, no morde-assopra com autoritários, é democrática em questões sociais e comportamentais. Mas liberal ou sem qualquer respeito por minorias e populações carentes, no aspecto da sobrevivência humana.
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O que explica que 13,5 milhões de conterrâneos nossos possam viver com renda mensal de 145 reais ao MÊS.
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É isso.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Tempos dolorosos. De luto. De lutas. E os Bolsonaros nos brindando com interrogações de toda espécie

Luto

Chegamos ao final desse mês de outubro, marcado por uma das perdas mais significativas que o desenrolar natural da vida nos proporciona: a passagem da minha mãe, no dia dos professores.
A data é ela mesma curiosa, em razão da origem profissional de minha mãe, normalista do Instituto de Educação e professora do ensino estadual.
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Anos depois, tendo se bacharelado em Biblioteconomia, passou a trabalhar na biblioteca do Instituto de Educação, e transferiu-se para a Secretaria de Administração, onde veio a ocupar o cargo de Diretora, até sua aposentadoria.
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De forma breve, devo fazer referência ao seu trabalho de conclusão do curso de Biblioteconomia, cujo conteúdo identificava, listava e apresentava a ficha catalográfica de todos os discursos da carreira de homem público do ex-presidente Juscelino Kubitschek.
Monografia que, tendo em vista o período autoritário de ditadura militar que caracterizava o país, não mereceu a atenção devida, exceto junto à Biblioteca do Congresso americano e, aqui em nossa terra, de Serafim Jardim, o incansável guardião da memória de JK.
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Vale assinalar que, em razão de dificuldades de toda ordem encontradas na tarefa de datilografia dos originais de seu TCC (trabalho de conclusão de curso), que por pouco não implicavam na temível perda de prazos, se propôs a datilografar trabalhos para amigos, colegas, e todos que lhe procuravam.
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Além de alguma remuneração, isso lhe valeu várias noites sentadas à frente da IBM elétrica, muitos novos saberes e conhecimentos e contatos pessoais, como o mantido com o professor Washington Peluso Albino de Souza, pioneiro do Direito Empresarial no Brasil, e autor de livros sobre o tema.
Um dos livros traz o agradecimento à Maria Coeli Machado, responsável pela datilografia dos originais da obra.
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De temperamento alegre, nem o Alzheimer que a acometeu nos últimos 9 anos de vida, conseguiu lhe tirar o sorriso discreto do rosto, que um tio classificou certa feita como, o sorriso enigmático de Monalisa.
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Ao longo de toda sua doença, minha mãe foi partindo dessa vida, culminando agora com sua partida física.
Mas está presente, como sempre esteve, na vida de todos nós, que tivemos o prazer e a honra de com ela termos convivido.
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Enquanto isso...

Um jovem esquizofrênico, com recente passagem policial vinculada ao tráfico, usuário de crack e ao que parece, sem fazer uso correto do medicamento recomendado por profissional da área médica, atacou e assassinou a golpes de faca uma menina inocente, de 5 anos de idade, que chegava para a aula na manhã de ontem, dia 30, em Betim.
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O fato trágico, deplorável, traz à memória outro, semelhante, acontecido no interior da Livraria Cultura em São Paulo, onde um rapaz foi golpeado com um taco de baseball, vindo a falecer em razão do golpe desferido também por um rapaz desequilibrado mental.
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A comoção que tais notícias geram, em especial, no caso de Betim, por se tratar de uma criança e por seu algoz ser um rapaz recém liberado da prisão, ainda em uso de tornozeleira eletrônica, justificam o tratamento de destaque dado pela mídia.
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Reconhecer a selvageria do ato e as circunstâncias que o cercam não deve, contudo, transformar o fato em um espetáculo, nem dar espaço para reações - naturais, a princípio - de cobrança, revolta, vingança.
Digo isso, porque não é a cadeia o lugar para pessoas portadoras de transtorno mental, o que não dá direito a que se lembre que "nossas leis não mantêm afastados do convívio social" aqueles que representam um problema potencial.
Identificado o transtorno, o correto seria o Estado ter condições de proporcionar o jovem recolhimento, do tipo de medida de segurança,  a um lugar adequado para tratamento, com acompanhamento especializado.
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Favorável que sempre fui, à luta antimanicomial, há que se debater de forma séria, e em foro apropriado, o tratamento a ser dispensado a tais pacientes, de maneira a resguardar a segurança e integridade das potenciais vítimas, que na maioria das vezes, nem conheciam ou mantinham relacionamento com os portadores dos transtornos.
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Fica meu respeito à menina, e meus sentimentos à família, e minha preocupação com o tratamento a ser dado ao jovem doente.
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Observação: o tema é delicado e merece tanto meu respeito que, apesar de tratá-lo, antecipo meus pedidos de desculpas se o tratei ou usei expressões ou externei opiniões, completamente leigas.


Mas em um país dominado por um ataque de loucura total

Volto para o tema da vez, Bolsonaro.
Para comentar o ridículo de sua viagem e seu comportamento, que nos envergonha a todos, exceto aos que creditam a um eterno mimimi o fato de um mínimo de compostura, respeito à dignidade do cargo, às tradições do país e nossa cultura, serem cobrados de nosso representante máximo no exterior.
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Amigo de miliciano ou não, participante de rachadinhas ou não, aproveitador de verbas públicas em proveito próprio ou empregador de funcionários fantasmas ou não, o mito para todos aqueles que mostram serem portadores de imenso recalque ou falta de intelecto, ou serem mal intencionados mesmo, Bolsonaro foi eleito para ser presidente do Brasil.
Presidente macunaímico, como nossa realidade. Que não precisa a cada instante ficar nos lembrando de como somos cidadãos inviáveis, de segunda categoria...
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Ao aparecer em redes sociais comendo uma espécie de macarrão instantâneo, o nosso miojo no Japão, comentando não se adaptar ao cardápio da recepção oficial, ou ao dar declarações de que estava em visita a um país capitalista, referindo-se à China, Bolsonaro joga no lixo toda nossa tradição de diplomacia e cortesia.
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A tais comportamentos, e na mesma linha, estão as inúmeras manifestações agressivas ao povo argentino, ou ao povo chileno, o primeiro por eleger alguém de oposição ao seu corte ideológico, o segundo por protestar legitimamente contra a usurpação de seus direitos.
Diga-se de passagem que a mesma usurpação de direitos que seu posto Ipiranga, o liberalzinho Paulo Guedes, tem como receita de bolo ou proposta para adotar em nossa economia.
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Não contente com tantas aberrações de comportamento, o presidente ainda, e mais uma vez, ofende as mulheres. Mas não é apenas misoginia. Ofende a trabalhadoras, jornalistas, obrigadas a cobrirem o show de insensatez que ele protagoniza, com comentários de que todas as mulheres, em especial as ali presentes a trabalho, assinale-se, estariam dispostas a fazer tudo para poderem estar a sós com um príncipe árabe.
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O mesmo príncipe com que ele diz ter tanta afinidade quanto com um irmão, apesar das suspeitas de que tal príncipe foi quem mandou executar o jornalista crítico ao governo árabe, em prédio de embaixada do país no exterior.
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Diga-me com quem tu andas...
Bolsonaro depois não gosta quando recaem sobre ele, suspeitas de suas ligações temerárias, para não dizer mais nada, com seus vizinhos milicianos, os queirozes da vida, e outras pessoas de mesmo tipo de comportamento suspeito.
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O que me dá uma saudade de quando o país era representado por um Lula, falastrão, tolo e ingênuo, talvez em alguns momentos até inebriado pela conquista pessoal e consagradora obtida, em especial, considerando sua origem.
Que saudade dá quando Lula era o cara. Sem precisar bajular e falar gracejos infelizes a respeito daqueles com quem tinha encontros agendados.
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Que saudade quando os irmãos de Lula eram do tipo de Vavá e não do tipo de um sheik sob suspeição.
Que saudade dá quando a quadrilha do Torto em Brasília, patrocinada por D. Marisa, era apenas a reunião de caipiras em festas de São João, não a quadrilha que infesta as cercanias da residência de Bolsonaro.
Não a gangue de filhos herdeiros de Bozó.
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Hoje, temos de ver o ex-futuro e fracassado indicado para embaixada nos EUA, postando retrato ao lado do filho do presidente argentino eleito, o nosso herdeiro com macho, com fuzil no colo.
Aliás, a fixação de Eduardo por fuzil e armas, pistolas, sempre em sua mão, são mais interessantes e, quem sabe, reveladoras de seus instintos, que o comportamento de seu irmão Carlucho.
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E a vergonha de estar se expondo ao lado de alguém que, independente de qualquer outra postura, é capaz de se assumir, como o filho de Fernadez.
Rapaz cuja resposta sábia e alto astral mostra que, de filhos e educação, temos muito a aprender com nossos hermanos e vizinhos.
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Isso tudo, depois de, da tribuna da Câmara, Eduardo ter feito um discurso de que, se as manifestações orquestradas pela esquerda internacional que hoje assolam o Chile, chegarem ao nosso país, tais movimentos serão repelidos como machos: à força de tropas militares.
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Para concluir a lista de comentários de desatinos, Bolsonaro já estando ciente há mais dias, até semanas de que houve quebra de sigilo por parte do governador do Rio, ao ser informado que fora citado no processo de investigação da morte de Marielle, preferiu se calar por que razão?
Afinal, se foi informado, como garantiu em seu discurso raivoso em rede social, não houve ali, já naquele instante a descoberta de que Witzel cometeu uma irregularidade?
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Ou Bolsonaro preferiu se calar para ter tempo para buscar, ou no limite, fosse outra pessoa, até forjar provas e documentos que pudessem lhe fornecer um álibi?
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Ora, o tal livro existe de fato ou não, com a letra do porteiro?
O que ganharia o porteiro ao citar, por engano, em mais de uma oportunidade, algo que em tese consta no livro?
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Porque Carlos conseguiu acesso à fita de áudio, que a Polícia parece não ter encontrado, ou visto, ou analisado?
Ok, em se tratando da Polícia do Rio, que não consegue encontrar e interrogar Queiroz. Aquele da fita de áudio com empregos e muita grana, junto à Câmara.
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Se foi enviado à Procuradoria Geral, porque, baseado em que documentação oficial, o Procurador mandou arquivar o processo com a citação do porteiro como improcedente?
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Vivemos, como diz o Ministro Marco Aurélio, tempos difíceis, malucos. Diria, tempos bicudos...
A Globo e parte da imprensa ameaçada, acovardada, os Tribunais como Juízos de Exceção, também acovardados.
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A PF, ao que parece agindo apenas sob ordens de Bolsonaro e seu moro predileto.
O Coaf sendo impedido de fazer seu papel, que cumpriu sem interferências em todo o período em que fomos governados por corruptos petistas, e agora, sob censura, a pedido do filho e interesses daquele que foi eleito para combater a corrupção...
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Nesse meio tempo, nossas praias têm mais óleo, piche, etc.
E na Esplanada em Brasília, nossos ministros têm mais ligações com laranjais, embora façam turismo em praias, uns; enquanto outros passeiam sua ignorância contra o Meio Ambiente, que deveriam preservar.
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Tempos de fato, dolorosos. De luto. De lutas




terça-feira, 15 de outubro de 2019

Homenagem aos professores, esses mestres da provocação em um país em que a Lei da Mordaça tenta voltar nas Escolas, sem partido

Terça feira, 15 de outubro, dia do professor.

Não poderia deixar de usar esse espaço para prestar minhas homenagens a todos os colegas que, dentro de sala de aula, nas bibliotecas, nos corredores, nos pátios, em qualquer espaço disponível nas escolas, colégios, faculdades, nos materiais e laboratórios da Educação à Distância, atendem à sugestão de Rubem Alves que atribui ao professor o papel de criar a alegria de pensar.
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Ser professor de espantos, mais que das matérias tradicionais em que o ensino se apresenta por motivações didáticas.
E atender àquilo que o Padre Geraldo Magela Teixeira, ex-reitor da PUC-MG e do Centro Universitário UNA, costumava afirmar, de forma a evitar que se perdesse o foco: nas escolas, até as paredes ensinam.
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É verdade. E, por ser verdade, importa destacar que se as coisas já estão todas à nossa volta, à nossa disposição, na Internet ou nas paredes das escolas, em todos os lugares, ou nos livros. o papel do educador é o de se tornar um provocador.
Não o dono das soluções acabadas e da palavra final. Mas aquele que provoca. Que aguça. Que estimula a curiosidade. Que questiona as verdades estabelecidas. E que ensina a pensar.
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Papel e comportamento bastante diferentes do que está sendo proposto hoje, em nosso país e em algumas de nossas instituições de ensino, para ser o padrão de comportamento do professor, e que atende pelo eufemístico nome de Escola sem partido.
Projeto que, aprovado em primeira votação na Câmara Municipal de Belo Horizonte, na data de ontem, procura, na verdade, servir como um tipo de censura. Feita justamente na intenção de não permitir que a apresentação de conteúdos de ensino deem espaço a questionamentos, contrapontos, debates, opiniões divergentes.
E eliminando aquilo que o senso comum e a sabedoria popular sempre destacaram, a ponto de transformar em um provérbio: Da discussão nasce a luz.
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O problema é que tal tipo de escola, capaz de levar a pensar, capaz de respeitar a divergência, capaz de entender a importância da provocação para aguçar o interesse do ser humano em aprender cria um cidadão mais consciente. Mais difícil de ser ludibriado. Mais difícil de ser manipulado.
E tal tipo de pessoa não se satisfaz com qualquer tipo de explicação simplista para os problemas e as dificuldades rotineiras da vida.
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Dessa forma, esse objetivo de criação do homem por inteiro, completo, íntegro, não combina com uma proposta de educação e transmissão do conhecimento que se pretende doutrinária. Dogmática.
Daí a proposição de que o professor em sala de aula seja apenas um conteudista, transmissor impassível e inerte de "verdades" que já existem e são apresentadas de forma muito mais divertida, muito mais agradável, muito mais fácil até, nas redes sociais, nos sites da internet.
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No fundo, a proposta de transformar o professor em um robô segue apenas a lógica de utilização dos programas de disparo automático de mensagens, de uso já bastante difundido, para entupir, entulhar, caixas de mensagem e correio eletrônico com material de interesse de grupos que buscam a dominação autoritária.
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Ao procurar limitar qualquer manifestação do professor, exceto a narrativa do conteúdo incluído nos livros, apostilas e outros materiais, impede que o conhecimento aproveite, para ser útil e se tornar uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e social, a realidade de cada aluno. Impossibilita que cada aprendiz possa ter sua atenção despertada para a relação que existe entre aquilo que é o objeto de conhecimento e sua realidade. Dificulta que o aprendizado possa se tornar útil para sua vida e, como tal, venha a despertar-lhe a curiosidade e o desejo genuíno de aprender e questionar e aprofundar em sua busca de saber.
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A questão é que, para chegar a esse nível de estimulação, de vinculação do conteúdo com a realidade experimentada por aluno, a escola teria que ter espaço para discutir as realidades e os ambientes sociais completamente distintos. e as carências e necessidades e demandas totalmente estranhas de cada aluno individualmente. E de cada grupo social em que o aluno estivesse inserido.
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No fundo, isso seria despertar justo o tipo de discussão, de viés social, culturalmente marxista, que os defensores da Escola sem partido desejam evitar a qualquer custo. Por que isso significaria tocar o dedo na ferida. Identificar as raízes da desigualdade vergonhosa que deveria nos envergonhar e que  assombra a todo o mundo. Significa questionar as razões de tanta diferença de tratamento entre os mais privilegiados e os desfavorecidos, em um país pródigo em riquezas de toda espécie.
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Talvez manter toda essa questão debaixo do tapete seja o mais importante, em uma sociedade em que políticos que nunca fizeram absolutamente nada pela sociedade, além de discursos de ódio e desrespeito possam se passar por mitos.
Uma sociedade que abusa dos privilégios e que não quer perder nenhuma fatia de qualquer um deles.
Afinal, perder direitos significa cada vez mais desgarrar-se do pelotão que vai à frente, aproximando-se perigosamente do grupo que segue na traseira.
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Entende-se por isso, a luta de pais de um Colégio tradicional, de classe média alta, como o Loyola de Belo Horizonte, para impedir que qualquer material que leve a questionar seu mito e todo o status quo possa ser utilizado em sala de aula, ou como material para questão de prova.
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Pouco importa que as tradições do Colégio e da Companhia de Jesus que o mantém se proponham a formar o ser humano compassivo, humanista, democrático, solidário. Pouco importa que o texto se encaixasse à perfeição no conteúdo sendo tratado naquele instante, a saber, a estrutura e a forma de apresentação do texto de HUMOR.
Seria trágico, não fosse cômico, se já não houvesse em nossa literatura toda a discussão do temor que a possível existência de um livro sobre a Comédia,  de Aristóteles tivesse de fato existido.
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Embora, mais uma vez, o texto do blog acabe ficando longo, não resisti a citar trecho de artigo de Sérgio Medeiros, sobre a teoria do riso, do filósofo grego.
Porque, segundo o artigo, "para Aristóteles, segundo seus historiadores, o riso seria "próprio do homem", sinal de racionalidade humana, a necessária ligação do homem com os deuses através das ideias que elevam o espírito - (teoria da felicidade)..." (Teoria do Riso - o livro perdido de Aristóteles, por Sérgio Medeiros - da internet).
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Pois bem, para os críticos do filósofo, o riso rebaixava o homem, destruía a solenidade ou quebrava o dogma da fé e do respeito devido à.... divindade.
Razão porque Jesus não ria.
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O que temos então é um grupo de pais que não podem ver qualquer texto caricaturizando seu mito. Ainda e mais uma vez, dentro da concepção do fundamentalismo e do sagrado, que torna um texto de Duvivier profano.
Independente de tal texto servir para discutir questão de colocação pronomial e estrutura de textos de humor.
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Os pais e famílias do Loyola que se insurgiram contra o texto, e censuraram a sua utilização, tanto quanto a direção do Colégio que anulou a prova, submetido à vontade de tal grupo de pais apenas revelam que a censura está de volta. Velada. Mas íntegra.
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Mas, lembrando texto que li outro dia, de uma brasileira que mora na Suécia, a respeito de Greta Thunberg, visando demonstrar o que é uma sociedade mais igualitária, e as razões para tanto, quando comparada com uma sociedade em que cada um pensa apenas em seu próprio interesse, como a brasileira.
Dizia o texto que a professora pediu que os alunos fizessem experiência com um bambolê, para ver quantos poderiam caber no interior de um.
Ao final da experiência, as crianças perceberam que, se abraçadas, poderiam muitas delas caberem em um jogado no chão.
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Abraço de afeto, de solidariedade. De sensação de sermos todos um só.
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Diferente de nosso sinistro da Educação, que nem em Português tem dado demonstrações de saber se expressar, talvez por não ter estudo no Loyola.
Também ele favorável à Escola sem Partido, a nova forma de fazer valer a  Lei da Mordaça.
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Isso para não falar de Eduardo, o chapeiro de hamburguer, ex-futuro e, tomara, fracassado representante de nosso país no Trumpistão e seu evento ou Convenção de Direita no Brasil, realizado no último fim-de-semana, em São Paulo.
Onde teve a oportunidade de mais uma vez, mostrar total desprezo por democracia e respeito e dignidade, ao vestir a camiseta com ironias à sigla LGBT, traduzida para Liberdade, Guns de Armas, Bolsonaro e Trump.
Como as redes sociais perceberam, esqueceu-se do Q, de Queiroz.
Mas esse é assunto para outro pitaco.
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É isso.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Hoje é dia de aniversário. São 9 anos de pitacos

7 de outubro. Completam-se, hoje, 9 anos deste blog, que eu gostaria fosse um espaço para registro de um pouco da história que vínhamos construindo, em conjunto com toda nossa sociedade, segundo minha ótica.
Criado com a proposta de permitir que comentássemos a situação econômica de nosso país, esse blog, desde seu primeiro pitaco, se propunha também a trazer alguma abordagem relativa à situação política, social, de artes, curiosidades, futebol, discursos, referências bibliográficas e até alguns poemas que costumo arriscar a deixar fluir.
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Se esse 7 de outubro é uma data festiva desse ponto de vista, é necessário comentar que tem ficado cada vez mais difícil fazer qualquer postagem.
Afinal, nossa economia, presa em  uma armadilha de falta de crescimento, apenas fica patinando.
As propostas de nossas autoridades econômicas, sempre privilegiando o corte de gastos, ao contrário do que a propaganda oficial difunde, serve apenas para aprofundar o corte de demanda, em nossa opinião, a principal variável para levar a uma melhoria das expectativas empresariais. Sem perspectiva de poder vender sua produção, o empresário não produz.
Corretamente do ponto de vista da racionalidade do capital, prefere utilizar seu capital monetário na aquisição de títulos e instrumentos financeiros, mais que na compra de insumos, matérias primas, força de trabalho.
Insumos, matérias primas, quando não se deterioram nos estoques, representam sempre um custo além de seu tradicional preço. Para sua manutenção, é necessário pagar seguros, há o custo de estocagem, de vigilância, etc.
Utilizá-los para produzir, sem a confiança em conseguir vender a produção, ou até pior, com o medo de vendê-la para depois não receber o valor da operação, não compensa a ninguém o risco que, nos mercados financeiros, embora semelhantes, trazem sempre a possibilidade de retorno maior.
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Sem utilizar seu capital no processo de produção, o empresário opta por desligar suas máquinas e não gerar emprego.
Assim, não admira que o número de desempregados se amplie, embora como o IBGE o demonstra, cresce o número de trabalhadores na informalidade.
Se positivo o fato de que o povo esteja começando a tentar "se virar" por conta própria, começando a empreender e sem ficar esperando a ajuda do Estado ou de alguma outra instituição de apoio, é importante também tratar do outro lado da história: afinal, o problema talvez não seja de empreender, mas de sobreviver, custe o que custar, seja no exercício de atividades degradantes, seja em atividades à margem da lei.
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No entanto, o governo só menciona políticas e medidas de cortes de gastos, o que deteriora a própria capacidade futura de geração de receitas tributárias. Como não escapa a ninguém, o corte de gastos da máquina pública prejudica, principalmente às classes sociais que mais dependem de funcionamento dos serviços públicos, seja na educação, seja na saúde.
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Assim, enquanto esperam a reforma da previdência, que atenta contra todos os direitos de trabalhadores em nosso país, e que transformou-se na reforma mãe de todas as reformas nos planos do governo, os trabalhadores perdem a qualidade de serviços e vêem agravar as condições de sua reprodução, até mesmo econômica.
O que talvez não seja um problema muito sério: afinal, a revolução tecnológica, da indústria 5.0 já vai dificultar a reprodução dessa mão de obra, em especial, quando desqualificada e sem educação básica, o que dirá da cientifica e tecnológica.
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Se no campo econômico a situação então rasteja, no campo político, temos um desgoverno cuja única preocupação é beneficiar os familiares, prejudicar e perseguir aqueles que têm opiniões divergentes, e apoiar medidas destinadas a ampliar o poder de matar por parte de todos os agentes do Estado, desde que fardados.
Difícil falar de política, quando o governo é de desconstrução, e o presidente, mesmo que suspeito de corrupção ainda é encarado como mito.
O que persiste, por força da manutenção de moro, esse ministro que mostra a cada dia mais, o tamanho de seu caráter, agora invisível até sob as lentes de microscópios eletrônicos de última geração.
Agindo sem respeito às leis, que deveria fazer cumprir, moro é o retrato acabado de um governo de farsantes.
Que continuam enganando parte importante da população por força de seu discurso sempre conservador e falso.
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Bolsonaro, Guedes, Ônyx, agora Marcelo Álvaro Antônio, são todos suspeitos de crimes, são todos investigados, assim como o Queiroz e Flávio, o filho, e os amigos e companheiros da família do presidente, os milicianos, os matadores de aluguel.
Mas as falas e discursos do presidente, completamente descabidas, falaciosas e tolas, além de chulas, prestam-se a criar uma cortina de fumaça, que a tudo esconde.
E permite que a Polícia Federal de seu moro, fique apenas na penumbra.
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De futebol, está difícil falar, dado que o Galo está quase chegando ao nível do Cruzeiro.
Não fosse o América, o futebol mineiro poderia estar em completo ostracismo.
Embora os dirigentes, como os do nosso rival, continuem agindo para não deixar o nome do Clube sair das páginas de jornal. Ao menos as policiais.
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Ou seja, o país mudou nesses últimos 9 anos.
E está trazendo desânimo ver a direção da mudança, o que se reflete no menor número de pitacos que temos postado.
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Mas estamos aí.
E como tomamos a decisão de não desistir, vamos tentar seguir em frente.
Quem sabe, assim procedendo, não contribuamos para que a racionalidade volte a prevalecer em nosso país, e não possamos voltar a ter uma sociedade com mais positivas fatos a serem comentados.
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É isso.
Que venham outros 9 anos.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

A solução contra a tentativa de destruição do Estado de Direito é pegar em armas com cada um lutando com as armas que possui. Não é possível aceitar passivamente que nosso "Custer" nos conduza para o abismo

Em meio às repercussões e perplexidades provocadas pelo discurso proferido por Bolsonaro na abertura da Assembleia-Geral da ONU, objeto de destaque em todos os meios de comunicação do país e do mundo, a coluna de Hélio Schwartsman, publicada na Folha de São Paulo de ontem, optou por tratar de tema, em minha opinião, menos constrangedor, mas nem por isso menos importante.
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Antes, é necessário deixar claro minha compreensão com a preocupação do colunista:  talvez a coluna já estivesse pronta antes do discurso. Talvez a opção tenha sido propositadamente a de esperar algum tempo, suficiente para que, distante do calor do momento em que foram proferidas,  as palavras e a mensagem de Bolsonaro pudessem ser filtradas e analisadas, levando em conta a forma como foram recebidas e interpretadas.
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Ainda assim, devo dizer que concordo com a opção de Schwartsman em focar a decisão da "sinistra" Damares, de solicitar a abertura de processo das autoras de reportagem sobre o aborto, publicadas na revista AzMina, sob o argumento de apologia à prática de um crime.
Inclusive sou capaz de afirmar que acredito tratar-se de uma questão mais importante que a do discurso feito na ONU.
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Primeiro, pelo comportamento de alguém que ocupa cargo de expressão no governo federal, mesmo sem merecê-lo, liderar mais uma vez, um ataque à Constituição Federal, especialmente no que diz respeito à agressão ao direito de liberdade de expressão, à liberdade à imprensa e, por fim, ao próprio estado democrático de direito.
Segundo porque, como já divulgado, a matéria sobre o tema que tanto causa temor à sinistra, e que, a princípio só deveria dizer respeito à mulher e ao inalienável direito sobre o que fazer com seu próprio corpo, apenas reproduz material de ampla divulgação internacional, elaborado pela Organização Mundial da Saúde, com recomendações relativas à questão de saúde públicas vinculadas ao aborto seguro.
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Corretamente Schwartsman aborda a questão como sendo, no fundo, a da criação de um novo crime, não previsto anteriormente em lei: o crime de tradução de documentos internacionais. Por mais corretos e científicos que sejam os argumentos apresentados.
Ou seja: no fundo, trata-se tão somente da prática de censura. Mais uma. Ou mera intimidação covarde, com vistas a gerar um clima de pânico e insegurança, capaz de levar a sociedade à adoção de procedimentos de auto-censura - a pior forma de prática deste crime contra a liberdade.
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Embora já suficientemente percebido e comentado, vale a pena deixar o meu registro quanto a como é curioso que um governo que apresenta-se como tão liberal, do ponto de vista de questões econômicas pode, concomitantemente, ser tão invasivo, tão controlador, tão impositivamente conservador em questões ligadas a comportamentos e aos costumes sociais.
O que nos leva a refletir que a linha central desse (des)governo não seja, de fato, uma filosofia liberal, individualista, senão seu inverso.
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O governo do ex-capitão se bate e se guia pela lógica da ordem unida da qual ninguém pode se afastar. Conservadora. Tosca. Terraplanista. Anticientífica. Obtusa.
Pior: fascista. Antinatural e contrária ao Homem e seu desenvolvimento e evolução.
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Dentro de tal norma de comportamento, como parte integrante de tal princípio de governo, a Economia e seu ministério passa a impressão de que é muito menos liberal do ponto de vista da lógica do funcionamento, ainda que questionável, dos mercados.
Cheira muito mais à adoção de medidas intencionalmente destinadas a ampliarem o fosso entre o povo, a população e seus valores pessoais, individuais e interesses, muito vezes classificados como muito permissivos, lascivos, repulsivos, e uma classe de pessoas de elite.
Uma elite branca, rica, parasitária, e cujo comportamento se guia por uma falsa moral, um discurso aético que se traduz em fazer o contrário do que prega para os demais.
Onde a liberdade só existe para os integrantes dessa raça superior, de iguais nos abusos que prática, no ódio que destila e na exploração que patrocinam.
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Schwartsman conclui sua coluna com a observação de que se esse desgoverno que está instalado no país além de desprezar informações científicas para a elaboração de políticas públicas passar a censurá-las, caberá apenas que nós, a parte da sociedade que deseja viver em regimes democráticos, "pegar em armas contra o obscurantismo deste governo."
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O articulista não menciona em sua coluna, mas enquanto a sinistra se preocupava em acionar sua equipe para ocupar inutilmente o Ministério Público com solicitações com tal conteúdo de mesquinharia e autoritarismo, a menina AGATHA, de apenas 8 anos de idade era fuzilada no Rio.
Por uma Polícia que em nada honra as tradições de outras épocas, em que seu comandante chefe não ficava pulando e dando socos no ar, para comemorar a morte de um bandido, na verdade um pobre coitado desajustado, portador de problemas mentais, levado ao ato insano por pressões do ambiente que o cerca.
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No caso da menina, o governador em solenidade na mesma data, dizia que a população de seu estado não concordava mais em conviver com aqueles personagens que levavam insegurança, e atiravam aleatoriamente, atentando contra a vida de cada um de nós.
Esses, tinham que ser tratados, segundo a linha de pensamento do governador, em conformidade com a lei do abate.
Mereciam ser mortos antes de colocarem em risco a vida de quem quer que fosse.
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Para cumprir fielmente as ordens do governador do Rio, ele deveria ser o primeiro a levar o tiro disparado pela parte de sua polícia formada por sádicos e monstros.
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Entretanto, tanto o comportamento desse capacho que é o ex-juiz Witzel, governador do Rio, quanto o de Damares, ou de Paulo Guedes, ou dos ministros menos cotados do Meio Ambiente ou da Educação, apenas reforçam a lógica que o governo Bolsonaro persegue e deseja implantar, como mostrado em seu discurso na ONU.
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Como se percebe, a lista de ministros acima não contém o nome de Sérgio Moro, o ex-juiz cujo comportamento cada vez mais se comprova apartado da lei e, desse ponto de vista mais amplo, criminoso.
Moro pode ser herói, como mencionado por Bolsonaro, para que tem o capitão como mito. Hoje em dia, a julgar por recente pesquisa IBOPE, quase ninguém. Ou muito pouca gente.
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Mas o ex-juiz, patrocinador da licença para matar por parte da Polícia, travestida da proposta de excludente de ilicitude para mortes provocada por policiais em ambiente e circunstâncias sob efeito de forte emoção ou temor não merece nem entrar na lista de puxa-sacos, lambe-botas de seu patrão, reproduzindo o comportamento de seu mito em relação a Trump.
E não merece porque não consegue manter nem mesmo a dignidade pessoal que se exige minimamente de qualquer pessoa vítima da fritura a que o presidente o submeteu publicamente.
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Mais uma vez vale a pena lembrar que moro, essa figura que se prestou tanto a se deixar diminuir que as minúsculas se agigantam para tratar dele, também era o autor da ideia de se aceitar e considerar provas obtidas mesmo que por meios ilícitos.
Que agora ele rechaça.
Prova de que o feitiço volta, sim, contra o feiticeiro.
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Já Guedes, o suspeito de comportamentos ilícitos no trato com fundos de investimentos, ou de proximidade espúria com interesses vinculados à educação privada e as instituições privadas que comercializam diplomas, esse mantém ao menos o nariz empinado.
Talvez por saber que se concordar em baixar a cabeça como o fez moro, poderá sentir náuseas do cheiro que subir do local onde estava postado.
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Chegamos então ao discurso de Bolsonaro na ONU.
Discurso que parece redigido pelo guru dessa lástima de governante - infelizmente eleito, democraticamente, ressalve-se, que é Olavo Carvalho.
O pensador que pensa, em nada de útil, senão que seja a reencarnação de Deus.
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Não vou abordar a quantidade de fakenews, de dados falsos ou meias verdades ditas por Bolsonaro.
Nem tampouco o tom patriótico de sua mensagem.
Afinal, como já foi dito pelo inglês Samuel Johnson, o patriotismo é o último refúgio do canalha.
Claro, a frase aceita plural: canalhas.
O que Bolsonaro fez foi criar uma atmosfera belicosa, rancorosa, quase paranoica, de alguém que reage com agressividade a injusta agressão. Agressão inexistente, fantasiosa.
Feita de encomenda para que a questão da soberania possa ser levantada como bandeira e um patriotismo tosco possa ser insuflado no povo que, mesmo sendo o grupo de pessoas que mais tem a perder com as medidas desse governo, é quem mais facilmente pode servir de massa de manobra.
Sem contar que, de longe é o maior contingente de pessoas da sociedade.
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Povo que pode perfeitamente servir de Exército Urbano de Reserva, já que há muito não tem mais emprego para ser denominado de Exército Industrial.
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O discurso de Bolsonaro foi isso. Coerente com a falta de qualquer ação política destinada a melhorar a forma de convívio social. Coerente com tudo que o presidente já falou, em campanha, ou depois de eleito. Ele que não tem qualquer conteúdo para expressar que faça ou tenha significado.
Daí trazer de volta a questão da guerra fria.
Ele que mostra claramente completa falta de sintonia com os tempos modernos.
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Por isso ele reabilita a figura mitômana e midiática do General Custer.
E agride os índios, mentindo sobre o número de agressões, invasões e mortes de que os nativos são vítimas.
O que serve também para transmitir o recado de que ações desse tipo, contra as tribos ainda existentes, serão toleradas. E não serão objeto de mensuração, não farão parte de estatísticas, nem mereceram qualquer punição.
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O Custer brasileiro quer matar os índios não por ataques traiçoeiros, aproveitando a saída dos guerreiros machos do acampamento, em busca de caça.
Nosso Custer quer instilar nos povos indígenas a ideia da cobiça, do consumo, da riqueza, para que eles possam aceitar se submeterem à exploração predatória das riquezas contidas no território que lhes foi assegurado pela Constituição.
Reconhecimento ao direito dos donos primitivos.
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Mais uma vez, a pílula é dourada mas nem de ouro, nem doce.
Aceita pela sociedade a proposta de exploração pelos índios dos recursos naturais de suas terras,  e convencidos os povos nativos que tal atividade econômica lhes permitirá obter a fonte de poder e riquezas que lhes permitirão ter uma vida de conforto e maior prazer material, os índios irão amargar um processo de aculturação sem precedentes.
A consequência a prazo não muito longo será seu desaparecimento como povo, como cultura, o desaparecimento de suas tradições sob a ação livre de mercado dominada pela especulação em torno das terras que, mais cedo do que pensam, estará na mão dos grandes grupos de interesses econômicos.
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A sociedade não pode permitir que nossos índios desapareçam, sob pena de sacrificar sua própria história.
E sob pena de amanhã a vítima ser os trabalhadores urbanos, a pequena burguesia que compõe a classe média e até mesmo profissionais liberais, de classes mais elevadas de poder aquisitivo.
***
Por esse motivo o discurso de ódio às manifestações, classificadas equivocadamente como colonialistas, em defesa de nossa floresta.
Ora, é sabido que, quando for a hora e se for o caso, se a sobrevivência dos Estados Unidos ou outros povos aliados e ricos estiver ameaçada pela questão do aquecimento global e pela destruição de nosso grande ecosistema capaz de por em risco a preservação da própria água doce no planeta, não haverá aliados ou amigos que impeçam de a Amazônia ser invadida e dominada à força.
Exemplos disso já foram dados na invasão do Iraque em função de armas químicas nunca encontradas, mas de um petróleo que continua jorrando na região.
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Mas, além da questão indígena que atormenta nosso Custer, ou da questão do desmatamento para gerar a expansão das atividades do capital de exploração predatória predominantemente de cunho primário, com destaque para as atividades do agronegócio e da pecuária, resta a postura de guardião dos valores da moral e dos costumes.
Postura de defensor da liberdade religiosa, da crença cristã, mero eufemismo para ganhar pontos com as igrejas evangélicas que o apoiam e que têm entre parte de seus rebanhos, grupos prontos a não aceitarem o convívio com outros tipos de credos e crenças.
***
O trecho que prega contra a perseguição religiosa, então, não pode ser levada em consideração, exceto como um grito falso, suspenso no ar, contra ataques terroristas, de fundamentalistas que, felizmente, ainda não têm ocorrido em nosso país.
Não por culpa de nossa segurança ou de nossa cultura democrática de aceitação e respeito à tudo que vai contra o que pensamos e acreditamos, como o comprova Damares.
***o
Se não existe terrorismo no nosso país, o que é uma falácia, é porque o terrorismo aqui é patrocinado pelo próprio Estado, que estabelece o monopólio do terror, como o comprova Witzel e as propostas de moro.
***
Daí a solução é mesmo aquela proposta por Schwartzman: a de pegar em armas.
Concretamente, sem perceber a existência de condições objetivas para se deflagrar um movimento nas ruas e praças e comunidades do nosso país, que leve a manifestações populares de maior expressão e peso, interpretando o pegar em armas, da forma de cada um cidadão consciente lutar com as armas que possui, contra o autoritarismo e alguns borrões de fascismo que podem ser percebidos em nossa sociedade.
Por uma minoria esclarecida, fazendo uso de uma maioria manipulável.
***
Que possamos em nossa luta diária pela sobrevivência, encontrarmos e criarmos sempre oportunidades para lutar pelos ideais de liberdade e respeito.
Eu continuarei a luta. Em sala de aula, com minha arma de ideias e palavras.
É isso.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Presidente calado, semana sem sobressaltos. Exceto pelos filhos e pela epopeia da CPMF, o retorno

A internação e a posterior cirurgia de Bolsonaro trouxeram, novamente, uma semana de tranquilidade no cenário político nacional, como há algum tempo não se via.
Sossego benéfico, necessário, quebrado apenas pela necessidade que a família do presidente tem de se manter nas mídias, custe o que custar.
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Não por outro motivo, exceto o de aparecer e se manter em evidência, a tropa de choque ou o BOPE - Batalhão de Operações Estapafúrdias, particular de Bolsonaro, composto por seus 01, 02 e 03, age sempre de forma a causar, para usar um modismo.
A propósito desse batalhão formado pelos filhos do presidente, não posso me furtar a fazer um comentário.
Afinal, quando tanto se critica a transformação de seres humanos em apenas números e estatísticas; quando há um movimento que busca a individualização, a personalização, o respeito à identidade das pessoas e o respeito a sua individualidade é, no mínimo sintomático que o Messias que comanda nosso país aja, justamente, na contramão de tal tendência.
***
Sintomático, não estranho.
Não deve causar estranheza que uma medida de reconhecimento de valores pessoais dos indivíduos e de respeito à dignidade da pessoa humana, sua origem, sua história, sua trajetória de vida seja ignorada pelo presidente democraticamente eleito em nosso país.
Como é de conhecimento de todos, e a ninguém é pode ser permitido alegar desconhecimento, o presidente, ao longo de toda sua trajetória política em toda oportunidade que teve, demonstrou desprezo por valores que celebrem o respeito à dignidade humana.
Agora, eleito presidente e sob a influência do pretenso filósofo e seu guru Olavo de Carvalho, não seria razoável esperar mudança de seu comportamento.
Ainda mais se tratamento distinto pudesse ser vinculado a esse marxismo cultural que insiste em invadir, não a realidade, mas os piores pesadelos de Jair.
***cVai daí que, mesmo no recesso de seu lar, vê-lo tratando seus filhos como meros números, como em uma fila indiana, apenas mostra que, como dizia minha vó, "é de pequeno que se torce o pepino/'. Ou ainda outra: " pau que nasce torto..."
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Assim, dada a impossibilidade de o presidente se manifestar e ocupar o lugar privilegiado do palco dessa comédia pastelão a que vimos assistindo; dada a impossibilidade momentânea de prosseguir nos expondo ao ridículo com suas falas escatológicas, piadas sem qualquer graça, seu total descompromisso com a realidade e com interesses dignos de chamarem a atenção de quem ocupa o cargo que está ocupando, temos é fotos de Eduardo no hospital, acintosamente mostrando a arma que carrega em sua cintura.
***
Aqui não quero discutir se Eduardo pode ou não andar armado, se tem ou não porte, ou se faz ou não propaganda para indústrias de armas.
Também não interessa discutir se poderia ou deveria estar em um apartamento de hospital armado. Como já foi tratado, compete ao Gabinete de Segurança Institucional avaliar o nível de risco tal situação pode trazer ao presidente, se algum.
Parece-me que, no caso do 03, pela relação peculiar filial que ele mantém com o presidente, o porte é tolerado.
***
Mas que me instiga a curiosidade saber o que poderia temer Eduardo, ao entrar naquele quarto, capaz de justificar estar armando, isso não posso negar.
E de fato, até por ser filho, Eduardo sabe no quarto de quem estava entrando.
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Problema maior, em minha opinião é que esse é o filho a quem Jair reservou o filé. É Eduardo que terá seu nome indicado para ocupar a embaixada do Brasil nos Estados Unidos.
É esse o indivíduo que terá a incumbência de nos representar diplomaticamente, ainda que ele já tenha declarado abertamente sua preferência entre o uso de argumentos e ideias e as armas.
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Fico imaginando o que poderia acontecer com Eduardo, mesmo que longe das chapas de hamburguer, confortavelmente instalado nas poltronas dos jardins da Casa Branca de Trump, portando uma arma. Será que a segurança do presidente americano consideraria o revólver parte da indumentária convencional do nosso embaixador???
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Fora Eduardo,  Carlos, o filho vereador também decidiu praticar o esporte que mais atrai sua atenção e interesse: provocar problemas e atacar as instituições, as leis em vigor no país e o regime democrático em que vivemos.
Tenha apenas dado uma satisfação a seus apoiadores, que lhes cobram maior efetividade e maior velocidade na realização das mudanças políticas prometidas pelo pai, ou tenha mesmo aproveitado a oportunidade para lançar um balão de ensaio, a fim  de aferir o apoio para a tentativa de dar um golpe, o fato é que as postagens e comentários de Carluxo são e devem ser encaradas como são: um lixo. Um verdadeiro despautério, como diria uma amiga.
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Sim, é verdade que as democracias implicam no respeito às opiniões divergentes. É fato que para que possam ser tomadas e adotadas, as decisões devem ser acordadas entre os grupos de interesses sentados à mesa de negociação, depois de todos terem tido o espaço justo para se manifestarem.
É verdade que tal processo de escuta das distintas opiniões demanda tempo e que as decisões são mais lentas.
Assim, não se discute que em democracias todas as mudanças se dão em um ritmo diferente, menos intenso do que aquele que talvez fosse necessário ser adotado.
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Mas essa a beleza da democracia que levou Churchill a acreditar se tratar da melhor forma de governo, apesar de ser um regime muito ruim.
Tão ruim que na opinião do primeiro ministro, bastaria conversar cinco minutos com o eleitor mediano para ficar contra ela.
Ou modernizando o argumento, o melhor argumento contra a democracia é uma conversa de cinco minutos com algum bolsonarista.
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Bem, o diplomata da família correu em defesa do irmão e da frase matreira e idiota que ele postou. E comparou a fala do irmão à de Churchill.
Como se fosse possível comparar um golpista despreparado com um estadista da envergadura de Churchill. E sua visão de que a alternativa ao regime democrático seria o autoritarismo.
Pior ainda se tal autoritarismo se travestisse, não necessariamente da forma de um golpe, mas de uma democracia da maioria, incapaz de respeitar as opiniões das minorias.
Mais uma vez, outra invenção do marxismo cultural.
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A Volta da CPMF e a queda de Cintra

Mudando de assunto, também a Economia e questões afetas a essa área de conhecimento humano foram objeto de destaque na semana.
Aqui a novidade fica por conta do incansável Marcos Cintra, ex-professor,  ex-assessor de Maluf, ex-deputado e agora, felizmente, ex-Superintendente da Receita Federal.
Acompanho, como ex-aluno, a trajetória de Cintra já de longa data.
E tenho de admitir que me admira sua tenacidade na implantação de seu sonho de toda vida: a implantação de um imposto único.
Imposto que iria substituir todos os demais, cobrado sobre uma base mais ampla, as transações financeiras.
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Imposto que carrega inúmeras desvantagens para um tributo: é cumulativo; não é equãnime; não consegue respeitar o princípio da capacidade contributiva, já que todos os extratos sociais pagam o mesmo, independente de sua faixa de rendimentos.
Pior, em minha avaliação, tal imposto ainda impede qualquer utilização do instrumento consagrado na teoria macroeconômica, de Política Fiscal, pelo lado tributário, para administração da demanda agregada e dos problemas da economia.
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Suas vantagens, como a simplificação da arrecadação, são muito limitadas, frente a tudo aquilo que o administrador público tem de abrir mão para sua implantação.
Exceto para Marcos Cintra Cavalcante Albuquerque, para quem a passagem por Chicago foi tão marcante que todo seu pensamento se volta tão somente para afastar o Estado e a administração pública de qualquer ingerência ou intromissão no funcionamento divinatório do mercado.
Ou pior: para quem não tem qualquer outro interesse em governar para os ricos, para as raposas, já que como o gol para Parreira, o povo é apenas um mero detalhe.
A ser suprimido, preferencialmente.
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Em minha opinião, positivo mesmo na CPMF seria, desde que com algumas compensações como descontos e abatimentos no imposto de renda a pagar pelos indivíduos, a possibilidade de se identificar e rastrear todo e qualquer contribuinte, toda e qualquer movimentação financeira, mitigando a possibilidade de operações ilegais como caixa dois ou sonegação, etc.
O que ainda é pouco, já que pode-se esperar que, se não seria possível deixar de fora da tributação atividades como as igrejas, entidades assistencialistas, certamente dariam logo um jeito de dar a tais atividades, ou ao menos às de interesse algum tipo especial de compensação.
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Inegavelmente a arrecadação para compensar a perda de outros impostos, deveria se dar a alíquotas elevadas, o que mais uma vez oneraria sobremaneira os mais pobres. O que poderia paralisar o processo de inclusão financeira que o país vem tentando implementar, e rapidamente levar a uma completa desintermediação financeira, na contramão de todo o mundo.
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Mas, não nos iludamos: Cintra foi defenestrado por que falou demais, na hora errada, sem dar tempo para que o idiota que acreditou e votou em Bolsonaro pudesse Ja Ir se acostumando.
Porque foi o próprio Guedes que falou também do retorno da CPMF, em apoio à tese de seu subordinado.
E, ainda na semana passada, o próprio Bolsonaro admitia a possibilidade do retorno desse tributo, desde que acompanhado de compensações....
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Que compensações e para quem é que deveria estar nos intrigando. Porque o Superintendente caiu, mas a ideia continua de pé.
Talvez mais forte que antes...



quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Tortura nunca mais? Tortura no discurso, no elogio, no supermercado, no retorno da escravidão e até a tortura de Moro (essa merecida!)

Embora pesquisa do instituto Datafolha indique a manutenção da aprovação e do apoio da população ao ministro da Justiça Sérgio Moro, agora é a cúpula da Polícia Federal que já considera um pedido de demissão do ministro como uma saída honrosa para o herói de Curitiba.
E já começam a se manifestar sobre o assunto, engrossando o coro que passa a ser integrado, também pelo ex-presidente Fernando Henrique.
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Como já havia afirmado em nossa última postagem, não morro de amores por Moro e, pelo contrário, acredito que ele esteja apenas colhendo o que plantou.
Mas, em minha avaliação, não há dúvida que vem sendo alvo de mais que uma fritura, uma verdadeira humilhação por parte dessa verdadeira excrecência a quem a população brasileira decidiu entregar o destino da nação, no limite, até 2022.
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No entanto, o misto de juiz-soberano e divindade de Curitiba, parece não se incomodar ou faz de tonto, para prosseguir em sua "missão" que, a essa altura, já não consegue nem mesmo ser enunciada. Afinal, a alegação do juiz usada para justificar a troca da confortável posição de magistrado pela aceitação do convite para o ministério era, originariamente, a de ter mais poder para elaborar, fazer aprovar e implementar um plano ou pacote de medidas anti-crimes, favorecendo, especialmente a ampliação da segurança pública e o combate ao crime organizado e à corrupção.
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Nunca ficou claramente manifesta a vocação política ou a ambição por obtenção de cargos eletivos nas ações do juiz, agora cada vez mais evidentes. E que, por esse motivo mesmo, o reduzem a alvo preferencial do presidente a que se dispôs a servir de forma tão rastejante.
Mas, a verdade é que, mesmo não afetando sua avaliação pela população, as mensagens vazadas pela Vaza Jato desnudam aquilo que todos já desconfiavam e alguns poucos já davam como certo: responsável pela operação Lava Jato, o juiz agia todo o tempo de forma político-partidária, influenciando investigações, silenciando-se sobre investigações sobre aliados, tendo como principal objetivo menos o de passar o país a limpo, mas o de eliminar da política nacional um partido específico, ou todo um espectro de ideias do jogo democrático.
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Assim, independentemente de, em sã consciência, não acreditar que possa haver qualquer cidadão consciente politicamente, honesto e íntegro que seja contra a Lava Jato, em seu principal objetivo, também não consigo concordar, nem em pesadelos, com a ideia de que alguém com os predicados listados para o cidadão acima, possa ser a favor da forma, do como a operação foi operacionalizada até aqui.
Particularmente, a questão é que não concordo, não posso admitir que os fins justifiquem os meios, e se para pegar possíveis criminosos o Estado, o aparelho policial, a procuradoria, e até a magistratura rompe e ultrapassa os limites legais, o que temos não é apenas o fato de atos criminosos estarem sendo utilizados para desvendar possíveis crimes.
Passamos a assistir à disputa de gangues de criminosos, ao controle do crime por outros criminosos que se investiram da força da lei e da ordem, a que não respeitam.
Algo muito próximo do que temos visto ampliar sua força e seu raio de ação em nosso país: a atuação de milícias.
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Moro e os procuradores de Curitiba, longe de ser heróis, são apenas criminosos com mais acesso ao poder institucionalizado, que não hesitam em utilizar discriminadamente na defesa de seus interesses.
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E, se agindo com interesses políticos, Moro já havia sido sondado e até aceito, ao menos intimamente, se tornar ministro de alguém com a estatura moral (ínfima) de Bolsonaro, todas as suas ações e decisões deveriam passar por nova análise, novo crivo e, aquelas suportadas por medidas de exceção ou ilegais, todas culminarem em anulação de processos viciados.
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Talvez mordido pela mosca azul do poder, ou pela promessa de uma cadeira ainda mais tranquila de ministro do Supremo, esse ministrinho vendeu sua alma ao diabo.
E agora, justamente, paga por seu atrevimento.
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O que mostra, além de seu comportamento muito próximo ao de qualquer mau caráter, uma incapacidade de avaliação de situações e de pessoas assombrosa.
Afinal, foi combater crimes como o de formação de milícias, exatamente no meio em que tais criminosos encontram guarida e proteção.
Se não tiverem mais que apenas apoio...
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Dessa forma, o pacote anticrime de Moro, pleno de medidas e propostas de caráter autoritário, como o de excludente de ilicitude para o exagerado e desnecessário uso da força policial; o de aceitação de provas obtidas de forma não convencional, ou de forma ilegal em processos criminais; ou a possibilidade de, através do uso da ameaça velada e da chantagem conseguir quebrar a resistência de algum investigado, através de um possível reconhecimento de cometimento de crime, em troca de delações e punições simbólicas, a tal "plea bargain",  caminha melancolicamente pelos corredores da Câmara.
Aos olhos da imprensa, o pacote está sendo desidratado, aos poucos, o que não é de todo ruim.
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Sem força no Congresso, desrespeitado e humilhado pelo capitão que lhe reserva a posição de ordenança, sem qualquer atitude mais digna em defesa daquelas instituições a quem compete defender e zelar, Moro só continua com apoio público, por força da identificação do público que lhe dá apoio.
Explico: os mesmos que ainda apoiam o ex-juiz, e agora até ex-Ministro, ao menos com M maiúsculo, são aqueles que, desiludidos, ou iludidos, ou apenas desinformados, elegeram _ alguns agora até arrependidos, o presidente Bolsonaro.
É o mesmo público que acreditava em mitos e agora se depara com a verdade em sua pureza: não existem mitos.
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Não existem mitos, como bem o afirmou o ministro da Educação, o analfabeto Weintraub, quando posta em redes sociais o fato de que não existe Saci Pererê, nem terra redonda, nem Kafka, nem Boitatá, nem o boi Tatá, nem Moros ou Bolsonaros.
Como não existe ministro da Educação em nosso país.
Que paga e pagará muito mais caro no futuro por essa presença aparvalhada, puxassaco e esdrúxula.
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Retorno da Escravidão

De resto, o retorno da escravidão ganha cada vez mais adeptos e, com ela, as penas de castigos corporais.
Cada vez mais respaldados por quem tem em torturadores seus principais ídolos, e capaz de criticar qualquer pessoa ou discurso em defesa de direitos humanos.
Afinal, essa monstruosidade eleita para governar nosso país, deixou claro, várias vezes, que direitos existem apenas para os de sua turma: filhos, chegados, amigos, funcionários fantasmas ou não, policiais, milicianos.
Não existem direitos humanos para bandidos.
Esses devem ser execrados e, mesmo que por fome, mera gula de comer chocolate, ou por simples falta do que fazer, merecem é ser apanhados, retidos, desnudados, e torturados.
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E todo esse castigo imposto por quem tem a mesma origem, condição social, e até cor do meliante.
Independente do fato de o criminoso de tanta periculosidade ser menor de idade.
E de precisar que dois homens, DOIS, adultos, com algum treinamento como seguranças, sejam e sirvam como os agentes da punição.
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O que mais me preocuupa é que a reedição da figura dos capitães do mato, ou de capatazes, ainda mais filmada pelos próprios algozes é sintoma de que havia no ar, na cena gravada, no estabelecimento, ou nas redes sociais, a aprovação tácita para que o criminoso hediondo fosse punido. E tratado a chicotadas, para deleite daqueles que de humanos já perderam há muito qualquer atributo.
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Tortura nunca mais?

Mas, a ação dos seguranças, provavelmente aceita por baixo dos panos por muita gente que se considera honesta, de bons princípios, até cristã... e que causa agora comoção e leva os donos da loja a terem de adotar (constrangidos, talvez?) a medida de demissão nesse mundo de mi-mi-mi e desse inconveniente comportamento politicamente correto, não se dá ou ganha reforço à toa.
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A origem está no presidente e suas declarações, a favor do torturador e estuprador Ustra, que com seu comportamento desonra até o sobrenome, Brilhante.
De alguém como Stroessner e sua ditadura violenta e sanguinária no Paraguai.
Declarações a favor da repressão da Ditadura e dos porões que, curiosamente ele queria dinamitar, e que lhe valeu a exclusão da Força. (Ah! esses arroubos da juventude do tenentinho!!!)
Declarações a favor, agora, de Pinochet, o mais cruel e sanguinário, mais terrível ditador chileno.
Declarações que são ou podem servir como um salvo conduto a qualquer atitude, por mais bárbara que seja, mais humilhante ou mais abominável, desde que tal atitude seja adotada contra todos os que se posicionem contra suas posições e crenças.
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Ao defender a tortura, o presidente ofende a dignidade humana, e consegue colocar contra si e o país que infelizmente representa, todas as forças, inclusive as de mesma inclinação ideológica, que acreditam nas ideias como forma última de tentar melhorar a vida das civilizações e dos homens.
Essa a explicação para as reações de Pinera e de toda a direita chilena, como da própria direita mundial.
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Mas, para desencanto meu, ainda há os que insistem em defender esse estrupício que ocupa o Planalto e dá vexames em escala cada vez mais ampliada.
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Fico me perguntando o que será da abertura da sessão da ONU, dia 24 agora de setembro, ocasião em que o presidente do Brasil, por convenção é sempre quem pronuncia o primeiro discurso.
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Já antevejo Bozó alcançando a tribuna e as delegações se levantando e, em sua maioria, abandonando o plenário.
No que seria mais uma derrota vexatória para nosso país, senão a pior de todas.
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É isso.