"Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la".
As frases que expressam verdades absolutas, irrefutáveis, universais, caracterizam-se por uma dificuldade notável: adotadas por empréstimos nos discursos de várias personalidades, dificultam a referência ao seu autor original, passando a ter sua autoria atribuída a esses outros autores.
Como não poderia deixar de ser, também a afirmação que serve de abertura ao pitaco de hoje, incorre dessa dificuldade, tendo sido atribuída a autores tão distintos como Marx, Che Guevara, Edmund Burke, e até mesmo ao filósofo espanhol, Jorge Agustin Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás, que usava o pseudônimo de George Santayana.
***
Para não cometer qualquer equívoco, uso-a sem a devida citação autoral, para tratar do governo do militar Eurico Gaspar Dutra, presidente de nosso país de 1946 a 1951, período que coincide com o início da Guerra Fria.
Por essa razão, do ponto de vista de suas relações externas, o governo Dutra foi forçado a escolher um lado a quem se alinhar, rompendo com a União Soviética e adotando medidas de franca aproximação com os Estados Unidos. (Apenas para não perder a oportunidade, a ruptura com a União Soviética teve como um de seus desdobramentos, o cancelamento do registro do Partido Comunista do Brasil e a cassação de seus representantes, em 1947).
***
Do ponto de vista da sociedade e da economia, em seus primeiros anos e sob forte influência americana, houve a adoção de um conjunto de políticas e de medidas de cunho liberal.
Dentre tais medidas destaco, em primeiro lugar, a interferência nos direitos trabalhistas, com alterações em pontos consagrados da CLT, como o que regulava do direito de greves.
Assim, criaram-se as Limitações do Direito de Greve, restringindo o número de setores que permaneciam com esse direito.
A perda de direitos deu origem a manifestações e à decretação de algumas greves por parte dos trabalhadores afetados, que deram origem a violenta repressão, fechamento de sindicatos e várias prisões de lideranças.
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Do ponto de vista do setor externo, a postura francamente favorável à política americana levou à promoção de uma abertura para o mercado estrangeiro que, ao tempo em que estimulava e adotava medidas de atração ao capital externo, promoveu a liberalização do comércio, com destaque para a importação de produtos americanos.
Os incentivos à instalação de empresas estrangeiras em nosso país, somados à manutenção de um câmbio fixo, e ao grande interesse despertado por um mercado consumidor com o potencial do brasileiro, levou a que se desse uma grande elevação das importações, gerando desaceleração da indústria nacional, profundo desequilíbrio da balança comercial, e rápida elevação da dívida externa do país.
***
Um esclarecimento se faz necessário: no período de guerra, a destruição da indústria dos maiores países produtores de bens manufaturados acabou impedindo a manutenção do ritmo e nível de nossas importações.
Embora também as exportações de nossos produtos se tornassem menores, o fato de sermos país exportador de produtos primários, como minérios, algodão, alimentos, acabaram por nos beneficiar: a desaceleração das vendas foi menor que a das importações, permitindo o acúmulo das reservas já referido.
***
No entanto, em pouco tempo de exposição à sanha dos produtores e comerciantes estrangeiros, além do desequilíbrio nas contas externas, do endividamento externo causado, houve um completo esvaziamento das reservas internacionais do país.
Situação que obrigou Dutra a dar uma guinada em sua política rompendo com a política liberal nos anos finais de seu mandato.
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Ou seja: o experimento liberal que o país conheceu em meados do século XX terminou com a inflexão da situação externa, saindo de uma posição confortável para uma situação de ampliação de nossa dependência externa.
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Se acreditava que contaria com financiamento oficial do governo americano para compensar sua situação devedora, também nesse aspecto o governo Dutra se frustrou, já que o Brasil não era um dos países de interesse para os Estados Unidos, cada vez mais às voltas com a Guerra Fria.
A esse respeito, vide o excelente artigo de introdução de Demóstenes Madureira Pinho Neto, no livro publicado pelo BNDES, em comemoração aos 50 Anos do Plano de Metas.
***
Mais experimentos liberais em 60
Com o golpe da tomada do Estado em 1964, que contou com o apoio explícito de Dutra, assumiram a responsabilidade da área econômica do governo da ditadura militar implantada Gouveia de Bulhões (Fazenda) e Roberto Campos (Planejamento), dispostos a adotarem políticas de cunho liberal, sob a alegação de promoverem um saneamento da economia brasileira e promover um combate vigoroso contra a aceleração inflacionária.
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Várias medidas de realismo de mercado, juros em elevação, saneamento de empresas, sobrevivência dos mais aptos, etc. foram adotadas, culminando em dois anos de verdadeira eliminação de empresas e indústrias nacionais, geração de desemprego, recessão e níveis elevados de ociosidade da indústria.
***
Do ponto de vista das políticas ligadas ao trabalho e ao trabalhador, promoveu-se um verdadeiro arrocho do salário mínimo, medidas de proibição do direito de greves, perseguição e fechamento de sindicatos, além de prisão, tortura, e mortes, de alguns dos líderes populares.
***
Agora Bolsonaro
Não à toa, Bolsonaro gaba-se de sua formação militar, ele que foi convidado a sair do Exército.
Não à toa, vimos, novamente, seu projeto econômico, entregue ao Posto Ipiranga que atende pelo nome de Paulo Guedes, tomar feição ainda mais liberal.
***
Não à toa, direitos trabalhistas são flexibilizados, aprofundando processo iniciado pelo governo golpista de Temer. A precarização das relações contratuais de trabalho é a única explicação razoável por um arremedo de recuperação econômica que, por mais que gritada em prosa e verso nas midias do país, não consegue nem empolgar, nem se mostrar efetiva.
***
Assim, o desemprego cai, é verdade, mas ainda encontra-se na casa de 11 milhões de desempregados. Enquanto isso, o IBGE salienta que o número de trabalhadores informais é recorde, idem o número de desalentados.
Se o número de trabalhadores ocupados dá sinais de expansão, e as vendas apresentam indícios de crescimento, ao contrário do que as Pollyanas divulgam e querem nos convencer, a razão é tão somente o refresco da liberação dos recursos do FGTS para os seus proprietários.
Sobe o consumo, em números bem mais modestos do que os divulgados pelas associações de lojistas de shoppings, aumenta o endividamento das famílias, e todos nos contentamos com uma medida que sacrifica cada vez mais o futuro dos trabalhadores, em prol do presente que claudica.
***
Por força do nível de trabalhadores informais, a arrecadação da Previdência cai. O país vê o rombo da Previdência cada vez mais elevado, apesar da realização de reformas que apenas penalizam o trabalhador no futuro. Especialmente, privando-o do direito de se aposentar em condições dignas.
Temos, assim, instalado, um ciclo vicioso: a arrecadação da Previdência cai, os gastos se elevam, o rombo aumenta, e isso realimenta o discurso de que a previdência pública faliu.
Como salvação: a previdência privada, para contentar os interesses liberais dos amigos financistas, colegas de Guedes.
***
No front externo, declarações de abertura total dos fluxos comerciais ou financeiros de nosso país com o exterior, o que deverá acarretar apenas a quebra ainda mais acelerada de nossa indústria, já obsoleta, sem competitividade e sem apoio para sua recuperação.
Não por acaso, Skaf adota o comportamento de sabujo, tão à propósito dos interesses econômicos de categorias que estão vendo seu poder e prestígio serem cada vez mais solapados.
Enquanto os interesses de capitais rurais, agrários, ou especulativos financeiros são contemplados.
Claro: é tudo apenas a marcha da verdadeira concorrência capitalista: não a concorrência de produtos ou firmas de uma mesma indústria ou setor, mas o embate entre as facções de capitais, o financeiro contra o industrial, contra o comercial, etc.
***
Há, no entanto, os que acreditam nas mensagens otimistas dos meios de comunicação e do governo, e que se preparam para se tornarem empreendedores, micro empresários, etc.
Não percebem que esse empreendedorismo de araque nada mais revela que a transformação da mão de obra assalariada em sem salários, mas com a manutenção de todos os riscos, ônus e encargos sociais, de que os patrões desejam se livrar.
Não percebem que, apenas terão êxito, se algum, enquanto agirem como os lacaios serviçais do grande capital hegemônico: os magnatas do capital financeiro, sem pátria.
***
Nesse meio tempo, os juros baixam, seguindo movimento adotado pela política monetária de todos os principais países do mundo, o capital deixa o país em busca de refúgios mais sólidos e garantidos, o dólar explode seu preço e o governo de Guedes queima nossas reservas, tão duramente reunidas pelos governos anteriores.
***
Nossa balança de comércio apresenta o maior déficit para janeiro desde há muitos anos; a conta de transações correntes atinge mais de 50 bilhões de déficit, um recorde; o capital estrangeiro prefere sair que vir ao país.
E nossas reservas de mais de 370 bilhões de dólares vão sendo solapadas, aos poucos, em vendas diretas no mercado físico, para tentar conter a desvalorização de nosso real.
***
Ah! sim. A inflação está sob controle e abaixo da meta. Os juros não precisam estar em patamares mais elevados.
Mas se a inflação encontra-se nos níveis atuais, uma das causas, senão a principal é a recessão, o desemprego, a precariedade de emprego e renda da população. Que leva o empresário a não querer investir, ele que já ostenta níveis elevados de ociosidade.
Enquanto isso, o governo não investe, não gasta e a economia patina.
***
A política liberal não tem apoio da política mais geral, e desestimula a vinda de capitais dispostos a investirem em produção, movimento que já se nota também nos países mais desenvolvidos, onde a opção financeira é dominante em comparação com a produção real.
***
Enquanto isso, agredimos nossos clientes estrangeiros, com o equívoco de adotarmos uma política que nos transforma em capachos da política de Trump e seus Estados Unidos.
Tratamos com desdém os interesses palestinos, chineses, de nossos vizinhos sul-americanos, isolando-nos cada vez mais do mundo.
***
E isso, mesmo após várias vezes que Trump fez, prometeu e não cumpriu com nossas aspirações e desejos.
Ao final, se necessário, Guedes e Bolsonaro talvez esperem que recursos oficiais americanos nos tirem do fundo do poço.
***
Mas, tudo se dá, enquanto ministros são indiciados, a Polícia os investiga, existe um combate seletivo à corrupção e ao comportamento aético.
O responsável por esse combate adota comportamento de avestruz, ele que é tão igualmente criminoso como muitos de seus colegas, no descumprimento de leis, normas, regras, etc.
A presença de Moro, sem dúvida, é parte da explicação de o ministério ter tantos ministros que não deveriam estar onde estão, como Damares, Weintraub, Ricardo Salles, Marcelo Álvaro Antônio e até de Regina Duarte.
***
E assim, chegamos ao dia 400 desse desgoverno, com o presidente agindo cada vez mais próximo de atravessar a linha tênue que separa a brincadeira de mau gosto, ou a tentativa de ir tateando até onde vai a tolerância da sociedade a arroubos autoritários, do crime de responsabilidade: caso da fala que invade área de competência exclusiva dos governadores, o ICMS.
***
Ou então, já e cada vez mais claro o já motivo para sua condenação por crime, agora mais grave: a manifestação da vontade de criar campo de segregação na Amazônia, para todos os ambientalistas do país.
Isso não é uma mera brincadeira ou declaração sem fundamento. Isso é crime. Grave.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Ninguém larga a mão de ninguém. Esse governo está é testando os limites e a paciência da sociedade. Alvim é apenas mais um caso, em seguida ao do fascista que atacou o Porta dos Fundos.
Bem vindo 2020.
Bem vindo?
Sim. Afinal, 2019 foi-se embora, o Novo Ano chegou e... ao
que parece, poucas são as alterações significativas na situação de nossas vidas,
especialmente do ponto de vista da vida de nosso país.
E, se por pior que tivesse sido, conseguimos superar 2019, honestamente
não acredito que os piores pesadelos que tínhamos com a eleição de Jair
Bolsonaro podem se concretizar nesse ano de 2020.
Senão vejamos.
***
2019 foi um ano de uma constante e brutal tentativa de
desconstrução do país. De nossas instituições, de nossa democracia, da imprensa
livre, de nossa cultura, do respeito à nossa diversidade, de nosso meio
ambiente, da paz social.
Não à toa, até a Globo, seu Fantástico e seu amor nunca
disfarçado por Sérgio Moro, que sob as vestes de magistrado impoluto revelou
seu caráter criminoso ao descumprir a legislação, agindo como o inescrupuloso responsável
pelo descumprimento das mais comezinhas
regulamentações relativas ao amplo direito de defesa e a um julgamento imparcial,
impessoal e sem interesses escusos, não consegue mais evitar de tratar a
questão da segurança pública e da Justiça em nosso país.
Em sua edição de ontem, o Fantástico não pode se esquivar de
tratar do autêntico genocídio que tem sido praticado tendo como alvo
preferencial a população negra. Pretos, pobres, moradores de comunidade e
jovens.
É bom frisar essa última característica: jovens. Quem sabe
com a intenção de não deixar que se reproduzam para, “algum tempo depois, o
país estar livre desses afrodescendentes de 7 arrobas, que não fazem nada.”
***
Mas se pretos jovens são fuzilados e mortos nas comunidades,
especialmente nas terras que têm como governador Witzel, o sádico comemorador
de morte de bandidos, não dá mais para esconder que tais crimes são cometidos,
em sua maioria por policiais.
Ou seja: está em vigor a lei do cão. Que só não é pior em
selvageria que a de Talião, do olho por olho, porque grande parte das vítimas
nem bandido era. Muitas, ao contrário, trabalhadores, atletas, jovens que
apenas queriam se divertir ou pior, que estavam com a família dando um passeio
de carro ou em casa vendo tevê. Estão aí as meninas todas mortas por balas
perdidas pela Polícia de nosso país.
Essa mesma polícia que Moro, em consonância com seu chefete,
gostaria que fosse tratada de forma mais benevolente, com mudanças na
legislação para que seja aprovada a excludente de ilicitude.
***
Como acreditar que, com tal generosidade, o policial não
perceba que está liberado para atirar e matar, a esmo? Mais ainda se estiver
sob violenta comoção, ou tensão, que deve ser algo que dificilmente acontece
com patrulhamento na rua.
***
Claro, principalmente se os cidadãos, todos, puderem andar
armados. Outra das vontades de nosso presidente defensor da paz.
Os bons cidadãos, porque são bons (devem ter alguma estrela
na testa!) e devem poder se defenderem. Os maus cidadãos por que, poderão
ampliar o acesso, que se torna cada vez mais facilitado, às armas tomadas dos
bons cidadãos. Isso sem contar que esse são clientes preferenciais das armas trazidas
pelo tráfico ou contrabando nas fronteiras, quando não os principais clientes
atendidos pela venda de armas pelas milícias ou que deveriam estar em mãos dos
policiais...
***
Mas, mudou alguma coisa, para valer, com a entrada de
janeiro desse 2020?
O genocídio de índios continuou tão sem controle e sem causar
qualquer reação por parte das autoridades, quanto antes. Não é preciso ficar
todo o tempo lembrando que mais intenso, depois que o discurso bolsoneiro
indicou que as terras dos índios devem ser ocupadas por atividades tão mais
nobres e ambientalmente sustentadas como a agropecuária, o cultivo de soja, ou
mesmo a mineração desenfreada.
Todas atividades predatórias, mas produtivas. Mais
interessantes para o país que sustentar tanta gente que, à semelhança dos
negros, devem ser eliminadas, sob a ótica do nosso presidente.
***
Insisto, o que temos de novo nesse janeiro?
Por acaso, descobriram quem mandou matar e porque, Marielle
e seu motorista Anderson?
Já chegaram à conclusão de, a mando de quem, os executores
do crime entraram no Condomínio onde a família Bolsonaro convivia e se
confraternizava com os chefes da milícia no Rio? Esses mesmos que são responsabilizados
pela ordem de execução da vereadora carioca, lembremos: mulher, preta, homosexual,
e de esquerda.
E, afinal, já descobriram como o porteiro do condomínio na
Barra foi pressionado por ele mesmo para errar o registro de quem autorizou a
entrada no condomínio do executor da morte?
***
A lista é imensa.
Já descobriram em que escola, ou que curso foi feito por
Olavo de Carvalho, que lhe conferiu o grau de filósofo?
Ou que tipo de inglês que Eduardo Bolsonaro aprendeu durante
todo o tempo que esteve fazendo vários trabalhos de elevada significância nos Estados
Unidos, enquanto fritava hamburgueres por hobby?
Sou curioso: o trabalho que ele fazia era legal? Ele estava
lá com visto de trabalho?
***
Mas o que dizer de Weintraub?
Que escola ele cursou, que não conseguiu aprender minimamente
o português? Ou ele está querendo competir com os alunos que tanto critica, por
irem muito mal nas notas relativas ao teste de leitura do PISA?
Ou apenas deseja ser o legítimo representante dos estudantes
que constituem a imensa maioria desse país, completamente despreparados e
incapazes de escreverem qualquer vocábulo de forma correta?
O ministro Weintraub estaria apenas, de forma subliminar, querendo
desnudar nosso país e sua realidade, “digna de Kafta”?
Se for essa sua intenção, é forçoso reconhecer que é “imprecionante”
sua capacidade de mimetizar os nossos estudantes. Chega a causar “paralização”
ficar “vizualizando” a atuação do ministro.
***
Mudando de assunto,
alguém viu punição qualquer de que tenha sido alvo nosso ministro das laranjas,
Marcelo Álvaro Antônio? Ou ele não está trabalhando, fazendo apenas turismo?
Então, como querer cobrar alguma medida, nem que seja um
mero afastamento temporário de Wajngarten, o secretário da Comunicação que
aprova e autoriza gastos de verbas oficiais, reajusta contratos, negocia
valores com empresas que são clientes de sua empresa privada?
Como cobrar de quem manteve seu ministro titular da Casa
Civil, mesmo tendo o subordinado reconhecido ter utilizado do recurso de caixa
2 em sua eleição, qualquer ato em favor do combate ao crime e à corrupção?
Ah, sim! Onix reconheceu e se escusou, como bem lembrou esse
sabujo que usurpou a personalidade de Moro.
***
E o que falar de Ricardo Salles, notoriamente ministro
competente do Fim do Ambiente, já que em termos de meio ambiente, o que se sabe
é do processo em que foi condenado por fraude, ou do processo em que é
investigado por improbidade administrativa, para citar apenas alguns?
***
Dirão os mais crédulos: mas Bolsonaro agiu imediatamente no
caso de seu Secretário Ricardo Alvim, o secretario nazista da Cultura.
Sim, nesse caso pesou uma condenação que teria alcance
internacional e a perda total de suas condições de permanência no poder. Veja a
reação da própria Alemanha, da Comunidade Judaica, de tantas outras nações que
abominam a postura claramente nazifascista de Alvim em sua representação tupiniquim
de Goebbels.
Quanto ao secretário, apenas uma pergunta: como seu ídolo,
quando caído, será que ele também pode chegar a um ato tresloucado como o de ou
impor sua ideia ou ser NADA?
***
Sejamos sérios: Bolsonaro nem sequer se manifestou quando da
descoberta de que Eduardo Fauzi, o empresáro integralista e, pois, fascista,
foi o responsável pelo ato terrorista contra o
escritório do Porta dos Fundos.
Fauzi era e parece ser integralista. Material de propaganda
do partido de Plinio Salgado, a Aliança Integralista Nacional foi achada em seu
poder. Além disso, o empresário era filiado ao mesmo partido de que fazia parte
Bolsonaro: o PSL.
***
O silêncio de Bolsonaro em relação ao ataque integralista
não deve ser esquecido nessa hora, em que ele foi forçado a agir. Há que se
deixar claro que no início ele aceitou as escusas de seu auxiliar, para quem apenas
houve uma coincidência retórica.
OK. A ação de Alvim, em minha opinião (e daí me preocupo)
foi mais uma tentativa de se ir testando a sociedade e nossa capacidade de reação
em defesa da democracia e de seus valores.
Primeiro foi Carluxo, criticando a democracia por não
permitir a adoção das “medidas necessárias” para o desenvolvimento do país.
Houve reação, mas de pouco alarde.
Depois foi Eduardo, o 03, que falou em retorno do AI-5. Aqui
a reação foi mais ativa.
Mas, aí veio Guedes e o tiranete da Economia, menino bem
mandado da turma de Pinochet, também falou da possibilidade do retorno do Ato Institucional,
caso não fossem adotadas, por bem, suas propostas.
No caso do queridinho dos mercados financeiros e empresariais,
dos grandes meios de comunicação, a reação foi mais comedida.
Reação meia boca, como quando surgiu a notícia, tratada como
falsa, de que Guedes estaria sob suspeição e investigação da CVM, por força de sua
gestão junto a aplicações de Fundos de Pensão.
Pois bem: agora é seu assessor que está sendo processado por
esse mesmo crime financeiro. E mais uma vez, o tratamento da grande midia é
bastante insuficiente.
Para dizer o mínimo.
***
Tantas vezes tentada, a censura à imprensa, tem levado a
reações mais agudas da sociedade.
Mas, o que está em curso e não acaba com a demissão de
Alvim, é uma escalada de ações para levar a paciência da sociedade civil ao
limite.
Aí, quem sabe pelo cansaço de tantas idas e vindas, ao longo
do tempo, Bolsonaro não consiga emplacar algumas medidas capazes de não provocarem
comoção real do público, acabando por implantar o regime com que sonha.
Não podemos nos esquecer: Bolsonaro é um desequilibrado que
tem tudo para assumir e, no futuro passar para história como genocida da
liberdade no Brasil. E dos povos menos favorecidos.
Golpista, autoritário e antidemocrático, mas populista,
esperto e oportunista, a aprovação do Fundo Público partidário comprova que ele
sabe ser. Sempre seu desejo se impõe. Como no presente caso dos 2 bilhões sob
uma desculpa mais ridícula (não fosse ele o mentor da aprovação desse valor).
***
Daí que para mim, só nos resta uma atitude: não esmorecer
jamais. Não se calar. Não se deixar abater e cansar. Não deixar de dar o peso
real às ações que podem parecer menos significativas. Devemos evitar o avanço
das forças da obscuridade, embaladas pelos discursos de patriotismo, nacionalismo
e conservadorismo, inclusive religioso.
Para impedir a hecatombe, vale a dica: “ninguém larga a mão
de ninguém”.
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
O longo pitaco que tenta uma retrospectiva de um ano que nem deveria ter começado
Atendendo a um pedido especial, o pitaco de hoje procura servir
como uma retrospectiva do ano que, felizmente, se encerra hoje.
Ano marcado pela palavra DIFICULDADES, assim mesmo, no
plural, conforme pesquisa popular que o Jornal da Cultura difundiu em sua
edição de ontem, seguindo tradição trazida do estrangeiro e que já vai se consolidando
em nosso país, que busca selecionar uma
expressão para sintetizar o sentimento popular em relação ao ano que se esgota.
***
Ano cujo início mostrou total incapacidade ou desinteresse
das forças policiais em investigar e identificar os responsáveis pelo crime
político de execução da vereadora Marielle Franco e seu motorista Ânderson.
***
Letargia, de certa forma compreensível.
Afinal, Marielle era
a expressão, a representação de tudo que o país, a partir do resultado das
eleições de outubro de 2018, escolheu demonizar: mulher; negra; homossexual; vereadora
de partido de esquerda; originária e moradora da Comunidade da Maré, no Rio.
***
Nesses pitacos, sempre nos referimos à execução, aos seus
desdobramentos, e à inércia das investigações como algo deliberado. Vergonhoso.
Indigno de uma sociedade que se deseja democrática, livre, civilizada.
Marca da vergonha de uma sociedade invadida pela ação das
milícias, em substituição à presença PELO VAZIO, do Estado.
Esse mesmo Estado que, nesse ano de 2019, a sociedade
resolveu reduzir a suas dimensões mínimas. Liberando espaço para os avanços do
crime organizado. Símbolo, talvez, do empreendedorismo que se deseja implantar,
na sanha de se eliminar qualquer formalização do trabalho e do trabalhador.
***
Não é demais lembrar que, como um todo, o ano foi marcado
por ações, projetos e propostas vindas do Executivo, com a finalidade de
usurpar os direitos conquistados em anos de lutas, pela classe trabalhadora.
Tudo isso, no afã de reduzir os custos dos empresários.
Reduzir os ditos pesados encargos sociais, a maioria direitos sociais.
Tudo para baratear a folha de pagamentos das empresas e
permitir aumento das margens de lucro.
Tudo isso disfarçado pelo discurso oficial da “intenção de estimular
o empresário a contratar mais trabalhadores”, medida que já se provou falsa
desde que a presidenta Dilma tentou substituir a contribuição previdenciária
sobre a folha, por um percentual cobrado sobre o faturamento de empresas de uns
poucos setores selecionados e responsáveis pela maior geração de empregos.
***
Fazendo apenas um parênteses, a medida do governo Dilma
acabou sendo expandida, no Congresso para quase todos os setores da indústria nacional,
abrindo uma fenda gigantesca nas contas públicas e contribuindo para levar o o
país para a crise das finanças públicas que caracterizou o período que se
seguiu.
Claro: tudo sem que nenhuma contrapartida por parte dos
empresários beneficiados fosse cobrada. Ou seja, sem obter o resultado que se
esperava.
***
Mas, o ano de 2019 começou com um desastre sócio-cultural: a
posse de Bolsonaro. A elevação da “arminha com as mãos” a símbolo de um novo
governo.
E como no caso dos terremotos, onde o principal tremor se
faz seguir de outros secundários, de menor intensidade, assistimos a um desfile
de banalidades e falta de seriedade na posse dos ministros indicados.
Assim, para a Casa Civil, foi empossado Ônix Lorenzoni, sob
suspeita aliás confirmada da prática de Caixa 2. O que Moro, outro comparsa de
Ministério, tratou de contemporizar, sob a alegação de que o colega já teria
vindo a público reconhecer o erro e se desculpar.
***
Para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos
Humanos, a escolha recaiu sobre uma estilista, que chegou já definindo que “menino
veste azul, menina veste rosa”. Algo que deve ter deixado a indústria de corantes
e têxtil bastante insatisfeita.
Sinal de que ao subir no pau da goiabeira, e enxergar a figura
de Cristo a lhe aconselhar, a ministra deve ter perdido o equilíbrio e caído ao
solo. Talvez, nunca tenha se recuperado da pancada sofrida na cabeça.
***
O mineiro Marcelo Álvaro Antônio, assumiu o Ministério do
Turismo, disposto a fazer a plantação de laranjas desbancar o cajueiro como
monumento turístico do país.
Como notícias ruins vêm sempre aos borbotões, os nomes
indicados, incluindo Moro, o juiz arbitrário e mau intencionado pelo partidarismo
com que guiou suas ações nos processos da Lava Jato, formaram todos, uma das
piores equipes de ministros de todos os tempos, desde a redemocratização.
***
Fenômeno percebido pelo próprio Bolsonaro que já no início
de seu mandato se desfez do ministro Gustavo Bebianno, por uma mau contada
história que poderia envolver ao próprio presidente, relacionada ao laranjal do
PSL do ministro do Turismo.
Apenas um adendo: toda a plantação de laranjas tinha a
mulher como a figura a ser explorada, ou sacrificada.
***
De ministros da Educação, não é possível falar: tivemos a
indicação de dois, e não tivemos nenhum. Tanto que a Educação não fez
desenvolver qualquer projeto, salvo aquele que procura cortar verbas das
Universidades públicas, estabelecer regras menos democráticas para indicação de
reitores, a que procura reduzir o Fies.
Tudo bastante compatível com o ministro ou sinistro liberal
desde a época de Pinochet e sua sanguinária ditadura, o posto Ypiranga: Guedes.
Ou melhor, no caso, bastante conveniente para sua irmã e o papel por ela
exercido junto às entidades de ensino superior privadas.
***
Como o ministro das Comunicações efetivo foi Carluxo, o
filho, e o das Relações Exteriores, uma composição entre Eduardo, o 03, e o
astrólogo Olavo Carvalho, o Brasil, durante o ano beijou o chão pisado por Trump
e suas idiossincrasias, para amargar apenas o cheiro e sabor da lama que o americano
amassou.
Não fomos recomendados para a OCDE; não melhoramos as
relações comerciais com os americanos; estamos sendo constrangidos a não entrar
na tecnologia 5G, dominada pela Huawey, chinesa. Para coroar, esse
comportamento nos trouxe a ameaça de contratempos com nossos parceiros comerciais
árabes e chineses.
***
Mas ainda não falamos dos desastres naturais, que tanta dor
e sofrimento trouxeram ao país em 2019, como o desastre da barragem da Vale em
Brumadinho, em janeiro.
Os desastres do desmatamento que avançava no país, denunciado
por órgãos públicos como o INPE e que valeram a crítica de Bolsonaro ao cientista
de reconhecimento internacional que presidia o Instituto.
***
Acusando o cientista de estar ao lado da esquerda, Bolsonaro
o demitiu, como faria com gerente de marketing do Banco do Brasil, por causa de
uma propaganda que pregava inclusão social.
Mas o que esperar de quem, como uma das primeiras medidas, cobrou
punição para o fiscal do Meio Ambiente que o multou. Alega o presidente que não
estava pescando, embora segurasse artefato de pesca. Mas se o presidente não
pescava, porque estava com sua embarcação estacionada em lugar que é proibido ao
acesso de qualquer tipo de barco?
***
Confesso que estou tentando, mas não dá para fazer um texto
mais cômico, quando os fatos ao longo do ano vieram se atropelando: fogo na Amazônia,
com acusação a Leonardo DiCaprio e desmantelamento da fiscalização das
agressões à natureza; avanço da fronteira agrícola junto com a área desmatada
na região do Pantanal e da própria Amazônia; avanço de mancha de óleo nas praias
do litoral do nordeste.
Tudo isso com a complacência do condenado em São
Paulo por crimes ambientais e que não é outro senão o ministro do Meio
Ambiente, Ricardo Salles.
E some-se a tais lembranças o genocídio de grupos indígenas,
incluindo a destruição de sua cultura, seu estilo de vida, suas terras; o
genocídio da raça negra, a mortandade de jovens negros, sua demonização, junto
com a das religiões de matriz afros.
***
Mas não posso negar ter havido fatos engraçados: a fala do
presidente em relação à esposa do presidente francês, Emmanuel Macron (acompanhada
por comentário tão jocoso quanto deselegante desse exemplo de modernidade e visão
cosmopolita, Guedes); a fala em relação à defensora do meio ambiente, a
pirralha Greta Thunberg; o “golden shower” do carnaval; o discurso fake a favor
do meio ambiente desde Davos, culminando na ONU.
As respostas grosseiras, ríspidas, homofóbicas, misóginas,
aos repórteres postados na passagem do Palácio da Alvorada. As piadinhas com o
tamanho do órgão sexual dos japoneses.
***
Mas preocupa, e não dá para ficar feliz, o retorno da censura,
desde a propaganda do BB, até a crítica ao filme Bruna Surfistinha; à ideia de acabar
com a TV Escola, com a ANCINE, a suas escolhas sempre destinadas a colocar em
alguma instituição justamente a pessoa capaz de provocar sua destruição, como tem
sido na área da Cultura, na Fundação Palmares, na Secretaria de Cultura.
***
Para concluir, em 2019, ao menos descobrimos que os Beatles
eram espiões comunistas da KGB, infiltrados na cena musical inglesa; que o rock
é fábrica e inspiração para abortos; que o governo não teve nenhuma acusação da
prática de atos de corrupção. Descobrimos, enfim, que o filé mignon, embora
caro, deve ser reservado aos filhos; e que a experiência como ilegal na terra
do Tio Sam é suficiente para nos representar, na nova dinâmica que se exige de
quem precisa apenas ser capacho de Trump e do Tio Sam.
É isso.
sábado, 21 de dezembro de 2019
Pitacos vários de um ano que já está passando da hora de ir embora: Guedes e a economia dos ricos
Provável Veto de Bolsonaro ao Fundo Partidário
Guedes e suas teimosias
Há muito tempo, assisti a um filme em que, se não me falha a
memória, uma moça cega é a vítima de uma tentativa de assassinato.
Depois de tentar fugir sem êxito, ela descobre que seu algoz
já estava no interior de sua residência.
Em desespero, a única ação que lhe ocorre é a de quebrar as lâmpadas,
de forma que a escuridão do ambiente
pudesse eliminar a desvantagem de sua escuridão permanente.
Além disso, a ausência de claridade favorecia seu
conhecimento do ambiente em que a se travava a luta.
***
Cito a cena, porque é sob sua inspiração que encontro motivo
para que Bolsonaro, um típico influenciador digital, possa cumprir sua ameaça
de vetar a verba aprovada em Orçamento, de 2 bilhões para o financiamento do
Fundo Eleidtoral.
Sem a certeza de ter
seu partido aprovado em tempo hábil para participar da distribuição dos recursos,
nada melhor que igualar o jogo, ou seja: negar a todas as outras siglas, acesso
ao dinheiro para campanha que seu partido pode não ter direito de utilizar.
Nada a favor da sociedade. Nenhuma medida para combater esse
comportamento perdulário do Congresso, com dinheiro público, em detrimento de
saúde e educação, por exemplo, que atenderiam às demandas da grande maioria da
sociedade.
***
Guedes e suas teimosias
Guedes não perde a oportunidade de tentar fazer descer goela
abaixo da população a aprovação e criação de um imposto cuja operacionalização em
nada seria distinta de um retorno da CPMF.
Derrotado já em outras oportunidades, há que elogiar sua
insistência, destinada a fazer a nova tributação vencer pelo cansaço.
Apenas que, a cada vez, usa um argumento um pouco mais ou menos
palatável.
O argumento da hora é o de que o novo tributo iria incidir
apenas sobre as transações financeiras realizadas por meios digitais. A princípio
alcançaria o crescente número de operações realizadas por meio de celulares e
computadores.
***
Ou o ministro gostaria de caminhar em diração contrária à da
modernidade e da redução de custos, induzindo a população a frequentar as agências
bancárias, abandonando as funcionalidades que se tornariam mais caras, da vida digital,
ou então, já que mesmo nas agências, nos caixas, as transações se completam por
meio de registros digitais, acabaria a cobrança se generalizando para toda e
qualquer transação financeira, por meio bancário.
Sendo assim, que diferença tem o novo tributo, da antiga e
malvista CPMF?
***
Por outro lado, o ministro não se cansa de evidenciar a quem
deve obrigações, quem é seu verdadeiro patrão.
E seguramente seu patrão está longe de ser a população
brasileira a quem ele deveria servir.
Senão como entender sua fala de que o mais cruel e perverso imposto
ser a cobrança de encargos trabalhistas, que recaem por óbvio sobre os empresários?
Dessa forma, para que o empresário possa ter essa carga
reduzida, que se amplie a base e se faça toda a população pagar o valor que o
empresário terá de isenção.
***
Talvez o ministro não tenha conhecimento ou em conhecendo,
não dê valor ao trabalho de Michal Kalecki.
Em seu ensaio onde desenvolveu as Equações Marxistas de
Reprodução, o economista polonês conclui, magistralmente, com sua afirmação
célebre de que enquanto os trabalhadores gastam o que ganham, os capitalistas
ganham o que gastam.
O ministro pode não concordar com o princípio da demanda
efetiva, mas afirmar que se reduzidos os custos dos encargos, isso permitiria
que salários aumentassem ou que mais trabalhadores fossem contratados, é no
mínimo, desconhecer que, a redução de custos pode também aumentar a margem de
lucros.
E que talvez seja esse o único resultado da sua política
para melhor o ambiente para as classes mais favorecidas de nossa sociedade.
***
De mais a mais, também é questionável que a demanda cresça e
leve os empresários a desejarem investir no país, se os trabalhadores não têm
crescimento de sua remuneração.
Afinal, gastando tudo que ganham, é a partir da expectativa
de demanda de consumo dos trabalhadores que os empresários podem desejar correr
os riscos de adiantatem dinheiro em circulação, para obterem algum rendimento dessa
ação, no futuro.
A ideia contrária a essa tese, do ponto de vista econômico, caracteriza
o retorno da lei de Say.
***
A lógica de se favorecer o empresário, mantendo o trabalho
no estágio em que já se encontra é o retorno da política econômica do Chile de
Pinochet. Que parece ser o paradigma do ministro de Bolsonaro.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
Pitacos de um ano que não tem pressa de ir embora: Crime e Castigo de Queiroz; novas agressões à Educação e Humor, pela porta que quiser entrar
Finalmente Fabrício Queiroz, o personagem mais enigmático e
difícil de ser encontrado no Brasil, deu o ar da graça no dia de ontem.
Na verdade, o policial militar aposentado, ex-motorista,
ex-assessor legislativo de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio,
ex-faz tudo da quadrilha instalada no gabinete do atual senador pelo Rio, não
apareceu fisicamente.
Assim, como não se fez presente em situações anteriores, em
que não atendeu à convocação do Ministério Público para depor, também ontem,
não “deu as caras”.
Como também, em respeito à exatidão, não esteve
presente, ao vivo e a cores em qualquer
programa de televisão ou evento público.
O que não impediu de personagem de perfil tão secreto ter
sido destaque das manchetes e ocupado a atenção de toda midia e das redes
sociais.
***
Afinal, depois de decorrido tempo suficientemente longo, o
Ministério Público do Rio promoveu, no dia de ontem, uma ação envolvendo busca
e apreensão em endereços ligados ao desaparecido famoso, e ao seu ex-patrão, o
senador Bolsonaro.
No caso do senador, a ação se estendeu, inclusive aos
endereços de irmãos e da ex-mulher do atual presidente da República e pai do
senador, todos em tese envolvidos no esquema de desvio de recursos públicos
(peculato?) vinculado a funcionários fantasmas e na contumaz prática da “rachadinha”.
***
No entanto, de toda a operação, o assunto que mereceu o maior
destaque, tendo se tornado uma importante matéria levada ao público pelo Jornal
da Globo à noite, foi o conjunto de mensagens de conversas trocadas entre Queiroz
e funcionários do gabinete de Flávio.
Mensagens que mostram e ratificam a hipótese de utilização
de recursos públicos para pagamento a funcionários fantasmas, como é exemplo a
situação de Danielle, ex-mulher do ex-soldado e atual chefe de milícia, o “capitão”
Adriano.
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Mensagens que não deixam dúvidas quanto ao conhecimento de
Flávio de todo o esquema que tinha seu gabinete como local de execução, e que levaram
à preocupação de Queiroz em demitir a fantasma Danielle, substituindo-a pela
mãe do miliciano.
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Não há também como fingir que Adriano – que, parece, também
recebia valores da devolução do pagamento feito a sua ex – não mantinha
relações de grande amizade com o então deputado Bolsonaro, de quem chegou a
receber a indicação para ser homenageado pela ALERJ, por relevantes serviços prestados ao Rio.
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Como, apesar de toda a destruição a que o país está submetido,
não conseguiram acabar com alguns ditados tradicionais, nunca é demais lembrar
de um que afirmava: ‘diga-me com quem
andas e eu te direi quem és’.
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Agora, confirmada a presença de Flávio em meio a tanta falcatrua,
e sua participação em rachadinhas, contratação de fantasmas, lavagem de
dinheiro (na loja de chocolate que instalou), espera-se apenas que prossigam as
investigações, incluindo os pagamentos de supostos empréstimos feitos envolvendo
Jair Bolsonaro, a sua atual esposa e o nosso sumido favorito, o Queiroz.
E que se faça justiça, com as devidas penalizações.
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O que deveria fazer o presidente Ja ir temendo por sua permanência
no cargo.
Afinal, como seu outro filho, Carlos, já tinha postado em mensagem do Twitter, como
é possível que alguém que tenha todos os familiares envolvidos em escândalos e ilícitos,
possa alegar inocência e não saber de nada???
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Novas agressões à Educação
Enquanto isso, o presidente Jair prossegue sua tática de diversionismo,
sempre levantando temas controversos em suas redes sociais e declarações dadas na
mais completa sem cerimônia.
A mais recente, risível se não fosse trágica, aquela em que
taxou a figura do Patrono da Educação do Brasil, de energúmeno. Ou
desequilibrado.
Segundo o presidente paspalhão, o autor de método mundialmente
reconhecido de alfabetização como parte integrante da teoria construtivista,
apenas tem reconhecimento por suas ligações com a esquerda, de quem é ídolo.
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Pior! O audaz e intrépido 03, o ex-futuro e fracassado
representante do Brasil nos EUA, o deputado federal Eduardinho, ainda teima e
insiste em questionar o que fez e quem foi Paulo Freire.
Confirmando ser ignorante de pai e mãe, em suas redes
sociais se gaba de que o filósofo deles tem presença constante nas redes. O
filósofo deles... o astrólogo autoproclamado filósofo, Olavinho...
Pândego! Não há outra forma de tratar da metralhadora giratória
de asneiras com que a família nos brinda.
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E de risos e humor
Não vi ao episódio de Porta dos Fundos, sobre A Primeira Tentação
de Cristo.
Mas tenho lido e me divertido com as colunas de Duvivier, na
Folha, nas quais, com ironia, critica aos que querem censurar a obra, apenas
por tratar da sexualidade do filho de Deus.
E tratar tal questão a partir da hipótese de uma experiência,
uma iniciação e um relacionamento homofóbico de Cristo.
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Acho improvável que eu fosse ter rasgos de risos e gargalhadas,
com tal tema.
Que, como foi objeto de comentários lúcidos de Reinaldo José
Lopes e Contardo Calligaris, ambos na Folha, nem é capaz de ser uma novidade.
Já não de pouco tempo, a relação de Jesus com Madalena foi
objeto de estudos e análises.
O próprio Código Da Vinci de Dan Brown faz alusão à ligação entre
ambos.
Por outro lado, não escapa também a quem tenha um mínimo de
leitura, a relação especial que havia entre Jesus e João.
Mas uma coisa é tecer comentários sobre a qualidade do
humor, a necessidade de usar de recursos apelativos, de apelar para piadinhas
de gosto duvidoso. Outra, diferente, é fazer apologia da censura e pedir, sob a
desculpa que for, que uma obra não possa ser divulgada.
Principalmente quando a crítica parte de praticantes de religiões
que têm tanto telhado de vidro: religiosos que se aproveitam de sua posição
para cometer crimes sexuais; pedofilia; a intolerância, chegando à agressão
contra fiés de outras religiões, etc.
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Que a nossa sociedade não ceda a tais artimanhas capazes de
instaurarem cada vez mais, uma mentalidade e um estado fundamentalista.
E que o humor possa continuar sendo feito ou sendo tentado
por qualquer grupo, que entre pela porta da frente ou dos fundos.
***
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
Pitaco de professor estressado, em um país estressado, que se definha - bem como suas relações sociais no desgoverno a que estamos relegados
Já se aproximando o fim da primeira metade de dezembro, confesso que não sei como outros colegas, professores como eu, estão se comportando para dar conta de toda a correria de final de semestre.
É certo que alguns trabalham em escolas cujo calendário, feito de forma mais racional e humana, já permitiu que eles encerrassem o tumultuado período caracterizado por correção de trabalhos, provas finais, provas de segunda oportunidade e trabalhos de conclusão de curso.
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Também é certo que vários dos colegas devem ser mais, bem mais organizados do que eu, chegando ao final do período de aulas com toda sua tarefa avaliativa concluída.
Seja o primeiro caso, do calendário, seja o da organização pessoal, a verdade é que, para mim, é completamente estressante esse período.
De tal forma que chego a pensar em alguns momentos que não existe nada mais além do mundinho de trabalhos, provas, lançamento de notas, atendimento de reclamações ou apenas de pedidos de alunos por alguma ajuda extra.
Razão porque, pode o pau estar quebrando no mundo ou no nosso país; nosso governo pode prosseguir em sua sanha avassaladora de desconstrução, destruição, até barbárie, e apenas consigo estar atento aos prazos que me oprimem.
***
O que não significa que não há coisas demais acontecendo, que mereceriam mais atenção de minha parte. Quem sabe até mais estudo, análise, comentário ou pitacos.
Claro que a vida de nosso país não parou e nem a capacidade escandalosa de continuar criando atritos e problemas de nossas autoridades.
E nem apenas de nossas autoridades.
Afinal, democraticamente eleito pela maioria dos votos válidos, já que com percentual que não lhe assegura qualquer maioria quando considerado mesmo o número de eleitores, a verdade cristalina é que mais uma vez vigora a máxima: o povo escolhe sempre alguém que ele tem a certeza de que será capaz de representá-lo.
Essa é, afinal, a beleza e o problema do sistema de democracia representativa.
***
Assim, se ao final do ano passado, Bolsonaro foi eleito para presidir o país, apesar de toda sua ignorância, seu comportamento preconceituoso, desrespeitoso, incapaz de aceitar a existência de diferenças e conviver com elas; de seu comportamento homofóbico, misógino, autoritário e, além disso, de toda sua convivência saudável e por anos a fio com pessoas que poderiam ser consideradas a escória da sociedade humana, como os milicianos, é porque, grande parte de nossa gente, senão a maioria, se identifica com uma ou algumas dessas facetas desprezíveis.
E tanto conseguem se identificar que o elevaram ao pedestal dos mitos.
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Pois bem, no exercício do poder e sem qualquer condição ou qualificação para o cargo que ocupa, o presidente apenas se destacou por colocar o país em situações de verdadeiro ridículo no cenário internacional, começando por não apenas correr para bajular e se submeter aos caprichos de Trump, mas chegar ao cúmulo de indicar seu filho 03 para o cargo maior da representação diplomática de nosso país na terra do Tio Sam.
E olhe que as credenciais de 03 eram tão portentosas quanto ter trabalhado, talvez como ilegal, como chapeiro em lanchonete servindo hambúrgueres.
O que explica o porquê de, em meio à fumaça da chapa, aos gritos dos colegas e fregueses ou da ditadura das comandas, não conseguiu aprender a língua inglesa.
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Mas, tratávamos do pai, Bozó, que para bajular o seu ídolo Trump, talvez sob influência do demente autointitulado filósofo, Olavo de Carvalho ou pior, de Steve Bannon, o manipulador de ultradireita, imediatamente ao assumir rompeu a tradição brasileira de longo período, de manter minimamente de neutralidade em relação aos conflitos no Oriente Médio.
O que levou o país a sempre condenar a invasão, a ocupação e o estabelecimento de colônias israelenses em terrenos da Palestina; e a considerar a cidade de Jerusalém, cidade sob regime internacional especial.
E, em sua primeira manifestação sobre aquela região conflagrada do mundo, Bolsonaro anunciou que o Brasil iria reconhecer toda a cidade de Jerusalém como capital de Israel, transferindo para lá sua embaixada.
***
Felizmente, como vários outros assuntos e decisões, Bolsonaro voltou atrás e apenas decidiu instalar um escritório comercial na cidade berço de todas as religiões.
Mas isso não o impediu de continuar manifestando solidariedade total às causas de Trump, seja na guerra comercial contra a China, seja quanto às relações dos Estados Unidos com vizinhos nossos, como a Venezuela, a princípio, ou mais tarde a Bolívia, ambos os países sofrendo tentativas de golpe e execução de golpes para fazer prevalecer os interesses americanos na região.
***
Todo esse comportamento de submissão para que?
Para ao final, acreditar na promessa de que Trump iria apoiar a entrada do Brasil no conjunto da OCDE, ou de uma relação comercial preferencial entre os dois países.
Ambas com o resultado desastroso e risível para as pretensões do sabujo: a indicação feita para fazer parte da OCDE foi da Argentina (logo quem?) e, agora, a decisão de sobretaxar aço e outros produtos brasileiros pelos Estados Unidos.
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Ingênuo, por ignorante, o que Bolsonaro não conseguiu perceber foi que política internacional se faz com decisões estratégicas e fundamentadas em cálculo econômico, sob a égide dos interesses nacionais.
Não com o presidente idiota batendo continência para a bandeira americana. Isso para defender nossa soberania, segundo suas manifestações em redes sociais.
Política internacional não se faz com o fígado, ou com ideologias que mais se caracterizam como fantasias amalucadas, capazes de enxergarem conspiração comunista em todo lugar.
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Além disso, para países maduros, sérios e com política externa digna do nome, e representantes qualificados, bem diferentes de nosso chanceler Ernesto Araújo, o comportamento de apoiar, participar, querer interferir e até criticar a eleição de políticos de outra vertente ideológica em nações parceiras e vizinhas é, no mínimo, um equívoco.
Criando uma situação vergonhosa, capaz de permitir que políticos de mesma linha ideológica que a de Bolsonaro, se vissem em condição de manifestar até mesmo um tipo de censura velada à sua postura.
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Só em questões de política internacional, a lista é longa e exaustiva, razão porque esse pitaco para por aqui, abordando apenas dois últimos pontos: a reação às críticas em relação às queimadas na Amazônia e ao seu desmatamento recorde, e sua reação à crítica da postura do país em relação à não adoção de políticas sustentáveis voltadas para o meio ambiente, que o levou a tentar desmerecer ou diminuir uma ativista adolescente, ainda mais portadora de autismo, como Greta Thunberg, a quem tratou por Pirralha.
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No cenário interno, as medidas todas favoráveis ao relaxamento da fiscalização e das punições de transgressores de leis protetivas de terras indígenas, somam-se às invasões de terras e práticas de queimadas para fins de expansão da área agrícola cultivada, todas com um mesmo resultado: a violência contra os silvícolas, contra seus direitos às terras e reservas já demarcadas, à sobrevivência de seu "modus vivendi", o respeito a sua cultura.
Não à toa, as críticas às agressões feitas, indiretamente sob sua responsabilidade por força de sua indiferença, à preservação do meio ambiente e de nossas raízes étnicas, sociais e culturais.
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Claro, esses pitacos poderiam resvalar para o baixo nível dos representantes de nossa área da Cultura, onde o do diretor de órgão, cujo nome nem merece referência, foi capaz de agredir uma senhora de 90 anos, considerada uma das maiores atrizes de nossas artes cênicas. Ou abordar o infeliz que, escolhido para dirigir a Fundação Palmares, mostra apenas o quanto ser servil, para obter indicação para cargos públicos, pode gerar comentários contra sua própria história e passado.
Ou ainda outro, que acusou Caetano Veloso, autor de um monumento como a composição da música Língua, de favorecer o analfabetismo.
Isto, para não concluir citando o desprezo ao reconhecimento internacional a Chico Buarque, vencedor de um dos maiores prêmios, senão o maior da Literatura Portuguesa; ou a acusação que agora todos temos condições de verificar, da influência dos festivais de rock na questão do aborto, ou dos comunistas da KGB, que atendiam pelo nome de Beatles.
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São disparates demais, que poderiam até parecer propositais, para criar uma cortina de fumaça para esconder medidas adotadas muito mais graves, relacionadas à implantação da censura em nosso país.
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Não podemos ficar calados, ao menos enquanto o golpismo e autoritarismo de Bolsonaro e sua tropa buscam avançar na tentativa de implantação de um regime autoritário, uma ditadura por meio de um golpe, alicerçado em atos e medidas de exceção.
O QUE ESTAMOS VENDO SÃO AS RAÍZES DA CENSURA A TODA FORMA DE MANIFESTAÇÃO POPULAR.
E é contra isso que temos que lutar.
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Censura, transferência de todo poder da sociedade civil para o aparato policial-militar, propostas de armar a população, proposta de adoção de excludente de ilicitude para ações militares, tudo se adéqua à máxima: atire e mate antes. Interrogue depois.
Claro, a realização de investigações, nem pensar.
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Situação que explica a liberdade para cometer crimes, sob a proteção do Estado, como o cometido contra o músico, metralhado no Rio, quando transitava com sua família; ou a morte da menina por bala perdida, em razão do policial, alegando estar sob forte comoção, ter atirado contra quem levava algo que nem de longe poderia ser confundido com uma arma.
A situação de desvario e agressão consentida e até estimulada chegou a tal ponto que fica até difícil listar as Ágathas, Ketellens, ou as nove mortes do pancadão de Paraisópolis.
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E tudo isso acontecendo enquanto o Ministério Público, sob forte apoio da Globo e outras redes de desinformação, dá curso a uma campanha de perseguição e desmoralização pública de Lula e seus familiares, requentando uma investigação iniciada há longa data.
Enquanto isso, Queiroz continua sumido, comandando a massa e empregando a moça, e continua dando as ordens no terreiro (parafraseando a impagável Aquele Abraço de Gilberto Gil). Os porteiros do condomínio da morada de Bolsonaro revisam suas declarações, Carlos, Flávio e agora o 03, Eduardo, não sofrem qualquer investigação por suas ligações espúrias, declarações e postagens, idem.
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E Marielle continua uma alma penada, sem descanso, à espera de que se faça a justiça, se cumpra a justiça. Ou no mínimo, que a Polícia investigue.
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Não há como não atribuir a Bolsonaro, e seus rompantes e pensamentos (se algum!), as práticas instauradas por Witzel ou Dória, de total descompromisso com a vida humana, mesmo que de jovens de periferia, pobres, pretos.
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Só nesse clima de total individualismo agressivo e destemperado, em que se aplica a lei da selva, do mais forte engolindo o mais fraco, dá para entender a expansão de atos de covardia e desrespeito que geram, desde um aumento do número de vítimas de homicídio por ações policiais até, e pior, uma expansão do número de vítimas de feminicídio.
E não apenas o crescimento do feminicídio. Aumentam também, sob um ambiente de conservadorismo cristão hipócrita, os casos de agressões sexuais, estupros, pedofilia.
Isso, para não falar nos casos de agressões que terminam em mais mortes.
O que não significa que não existam outros tipos de abusos e desrespeito, de mesma gravidade, como o comprovam a expansão dos casos de homofobia, ou racismo.
Casos como o do Mineirão, onde atleticanos cometeram o crime de racismo por meio de palavras e atitudes (cusparada) contra um segurança. Justo a torcida do Galo, que logo no início do governo, entoou cânticos homofóbicos, dirigidos à torcida do Cruzeiro, em que usavam o nome do "mito" ! Uma verdadeira vergonha!
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Mas os casos se reproduzem: uma atendente de cozinha agredida em BH; outro motorista de táxi, agredido por uma advogada, que ainda se declarou, orgulhosamente, racista; ou ainda o aluno - filhote de alemão com cruz credo, dado seu fenótipo, estudante de ciências sociais, que se recusou a pegar a prova que sua professora lhe entregou, apenas por ser negra.
Danilo, o nome desse aluno infeliz, merece ser expulso da Faculdade além de ir parar atrás das grades pelo crime que cometeu.
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Nesse meio tempo, a selvageria invade até a área do lazer e da diversão, com torcedores cruzeirenses, poucos, que não sabem perder, se arvorando em justiceiros e promovendo quebra-quebra em pleno estádio ou arena.
Como se a agressão e quebradeira fosse capaz de promover a volta do futebol que o time não foi capaz de apresentar ao longo de 38 rodadas....
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Em um clima desses, como criticar as escolas que, visando a captação de alunos insatisfeitos nos estabelecimentos concorrentes, e a manutenção das turmas cheias e das receitas em elevação, moldam os calendários aos seus interesses?
Seria irracional o calendário que visa o lucro em princípio, mesmo que entrando dezembro a dentro?
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Como criticar a oportunidade que dou, e que cria parcela importante da minha desorganização e correria de última hora, quando aceito que os alunos entreguem trabalhos fora das datas previstas.
Afinal, mesmo sabendo estar contribuindo para a formação de profissionais que não saberão respeitar princípios como o da pontualidade, como não optar por essa atitude?
Penso eu que é melhor saber que eles, ao final, tiveram que ler ao menos o material utilizado durante o curso, quando nada para obterem pontos de trabalhos.
Com isso, não cumpri minha função de ensinar-lhes a aprender? De induzi-los a ler e estudar?
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Quanto à economia brasileira, ela cresce no terceiro trimestre e entusiasma a todos.
Alegra desde o liberal, que em governos anteriores criticava a adoção de medidas populistas destinadas a barateamento e expansão do crédito para alavancar o consumo; até aqueles que agora, no poder, adotam a liberação de recursos de fundos dos trabalhadores, para que esses mesmos trabalhadores possam consumir.
Com a diferença de que agora a medida não é populista. Ao contrário, apenas dá ao seu verdadeiro dono, o trabalhador, o recurso que era seu e estava indevidamente em um Fundo público.
Como cada um usa a desculpa que mais lhe agrada, não dá para discutir quanto às razões.
Apenas reconhecer que os efeitos são os mesmos...
Populistas ou populares.
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Se antes o crescimento era um voo de galinha, o país precisa, honestamente, que agora o consumo consiga alavancar um processo de retomada.
Mesmo que em situações cada vez mais precárias de relações de trabalho e emprego.
Mesmo com a assimetria que caracteriza, cada vez mais, as medidas adotadas pela equipe econômica, sempre em privilégio dos mais ricos e poderosos, e em detrimento da maioria e mais desamparada da parcela da população.
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Razão de nosso país estar há tanto tempo experimentando um processo de recuperação que não deslancha. E, em contrapartida, batendo recordes no grau de desigualdade e de concentração de renda.
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É isso. Tomara que esse período de provas termine, ainda enquanto resta o Brasil.
quinta-feira, 21 de novembro de 2019
A velocidade da passagem de 2019 é positiva para impedir que o país seja totalmente desconstruído neste ano
Para nossa felicidade, o ano de 2019 vai chegando, rapidamente, ao seu final.
Velocidade que deve ser comemorada por representar, ao menos, que o governo Bolsonaro não irá conseguir alcançar seu objetivo maior, o de desconstruir ou, mais radicalmente, destruir o Brasil.
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Da desconstrução em curso, já tivemos a oportunidade de tratar aqui, em variados pitacos sobre assuntos os mais diversos.
Foi assim que observamos as declarações, as ações, as medidas adotadas pelo governo Bolsonaro em relação ao desmatamento, à paralisação das ações de fiscalização, à proibição de queima de implementos agrícolas utilizados pelos criminosos ambientais, em relação ao questionamento dos dados de áreas desmatadas e de extensão de queimadas.
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Foi essa sua intenção ao criticar a divulgação de dados de áreas desmatadas e da extensão de queimadas, pelo INPE, Instituto de reconhecimento internacional.
Foi esse o padrão subjacente a cada declaração sua, sempre emitindo sinais de que não iria impedir ou limitar a expansão dos grandes negócios ligados ao setor agropecuário.
Permitindo, senão incentivando, ainda que veladamente, a continuidade das ações predatórias dos empresários vinculados ao agronegócio.
Importa observar que tal atitude significa fazer vistas grossas à prática, não só de crimes ambientais (o desmatamento ilegal, a extração madeireira, a promoção intencional de queimadas para limpeza de pasto), mas de crimes contra a raça humana, como o de genocídio de índios; ou ainda os crimes de invasões às suas propriedades, em flagrante desrespeito à demarcação das reservas, reguladas e protegidas por instrumentos legais.
A expulsão de indígenas, por grileiros, por grandes mineradoras, por garimpeiros são crimes cometidos e tolerados.
Capazes de porem em risco a própria continuidade da Amazônia e seu ecossistema.
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Afinal, em discurso a garimpeiros, foi o próprio Bolsonaro, esse exemplo de dignitário que serve de paradigma para o comportamento ético, de educação e elegância primorosas, que afirmou que o "interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore", como forma de se defender, passando ao ataque, das críticas de interesses estrangeiros, em defesa de nossa floresta (de que também são donos).
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Também foi o próprio capitão que, em inúmeras ocasiões, mostrou interesse em promover a total e radical integração do índio em nossa sociedade, o que caracterizaria uma forma de genocídio particular: o final de um grupo étnico e racial, por sua completa aculturação.
Para tanto, seu argumento é de que o índio é quem teria vantagens com a exploração permitida de riquezas em suas terras, por mais predatória e destrutiva fossem tais atividades.
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Para o capitão, um dia convidado a se retirar do Exército, nada disso deveria nos causar espanto.
Afinal, junto com seus filhos, atuando em vários níveis do Parlamento (federal, estadual e municipal) dá demonstração clara de desapreço pela manutenção da ordem democrática, sempre dando declarações com gritante conteúdo de intenções golpistas.
Nessa postura de desrespeito à lei, à ordem constituída, incluem-se as homenagens que prestaram, em várias oportunidades, a verdadeiros criminosos, a milicianos - bandidos comuns que se distinguem de outros tantos, apenas por serem todos ex-policiais ou vinculados ao aparato repressivo legal.
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Bolsonaro não apenas mantém relações com milicianos, um dos quais seu vizinho de condomínio, como mantém relações estreitas de compadrio com elementos destituídos de qualquer reputação, como o Queiroz, de quem empregou familiares e cuja intimidade chega ao ponto de fazer operações de empréstimos pessoais. Esse mesmo Queiroz que prossegue intermediando cargos na Câmara e que continua sumido, ao menos de nossa atenta, vigilante e interessada Polícia.
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Interessado na destruição da ordem democrática vigente, não se acanhou de elogiar torturadores, de nefasta memória.
Mas foi mais além, alimentando sempre que pode, pelo incentivo ou pelo silêncio, as postagens de seus filhos que atentam contra a manutenção do Estado democrático de Direito, algumas de conteúdo claramente autoritário e golpista, que vão desde a de que bastariam um cabo e um soldado para fechar o Supremo, até a do vídeo onde hienas (representando alguma das organizações democráticas que se opõem ou criticam o "mito", o Supremo entre elas, mais uma vez), cercam e desejam atacar sua majestade o leão, o rei dos animais, representando ele... o mitológico animal do Planalto.
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Aqui, um parênteses: Jô Soares, ironizando o vídeo, escreveu divertido texto na Folha, reconhecendo Bolsonaro como o que ele mesmo se declarou: um animal. Se quem foi rei não perde a majestade, é outra questão!
O engraçado foi ver leitores na coluna de Cartas, xingando Jô, por ter chamado de animais 57 milhões de eleitores, do autodenominado rei Leão...
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Destruindo, desconstruindo a passos ligeiros nossa realidade, o que o animal que reina conseguiu até o presente momento foi: recorde de desmatamento (salto de 29%), desta vez, medido conforme o mais adequado sistema de aferição, considerado acima de qualquer suspeita; recomendação de clientes americanos para evitarem a compra (até de insumos do tradicional hambúrguer), além de compradores de outras nações, de produtos do Brasil.
Todos agindo de forma a retaliar o governo e sua inoperância, em relação a medidas de apoio ao meio ambiente.
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Agora, de saída de seu Partido, o PSL
Não bastassem as atitudes e comportamentos já listados, Bolsonaro investe agora na destruição do partido que lhe deu legenda: o PSL.
E parte em direção à criação de um novo, uma Aliança pelo Brasil, formado por seus seguidores mais fiéis, e sob a orientação do prestidigitador Olavo de Carvalho, o astrólogo e filósofo autodidata que guia e ilumina a família do presidente.
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A decisão de deixar o PSL que lhe permitiu chegar ao Planalto não deveria causar surpresa, no entanto.
Afinal, faz parte de quem não preza pela democracia, se vincular a qualquer agremiação que lhe dê o direito de concorrer a vagas eletivas, independente de suas ideias e propostas serem antagônicas aos princípios, à linha ideológica daquela agremiação, conforme descritos em seu programa. Faz parte não tomar conhecimento e, por isso, desrespeitar seu estatuto e as normas internas quanto ao seu funcionamento, administração, patrimônio.
Desconhecendo o programa do partido, o político que assim se comporta nega os objetivos políticos que norteiam a atuação do partido.
Por seu lado, a sigla se transforma em mera sigla de aluguel, contribuindo para que aqueles que não prezam pela organização política consciente e representativa se estabeleçam na sociedade. Dessa forma, o partido deixa de contribuir para o aprimoramento do funcionamento da sociedade.
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Curioso, mas que reforça a ruptura com seu partido, é observar que o programa de um partido não pode contrariar o regime democrático, e deve respeitar a soberania nacional, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana.
Tais exigências, mais que declarações vazias de conteúdo e feitas por mera formalidade, servem no caso de Bolsonaro, para entender o seu interesse em não permanecer em uma agremiação contrária a seu projeto pessoal de poder autoritário.
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Digno de interesse é observar como o programa do novo partido irá dissimular suas verdadeiras intenções golpistas e de busca pela formação e aperfeiçoamento de uma sociedade que só respeita os iguais, em comportamento e forma de pensar e agir.
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E em se tratando de direitos e respeito...
Cada vez mais chocados vemos a barbárie tomar conta de nosso convívio social.
E pior! Mais que o desrespeito, a agressão gratuita, a falta de diálogo, o que vemos sendo plantado é a semente da intolerância, da discórdia.
Só assim para entender como que, no dia da Consciência Negra, um grupo reduzido de fiéis de católicos ultraconservadores invadisse uma igreja, com a intenção de impedir a celebração de um culto em homenagem à data e à raça negra que, ecumenicamente, incluiria alguns ritos sagrados das religiões afros.
Reduzidos em número, mas completamente afastados do intuito maior da religião e da fé que alegavam defender, que é o amor ao próximo, os invasores passaram a rezar em latim, tentaram tomar o microfone das mãos do celebrante, além de provocarem e tentarem agredir alguns dos presentes.
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Na Câmara, um imbecil que já tinha se notabilizado pela quebra de uma placa de rua em homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, ocupou a tribuna para defender a atitude ignorante, de censura, de um colega, que havia quebrado uma obra de arte em exposição no local, apenas por não concordar com a mensagem da obra.
O imbecil assumiu a tribuna, mas mais que a defesa de seu colega, patrocinou foi uma grande quantidade de ataques e ofensas a todos os pretos, negros, esses heroicos trabalhadores e não reconhecidos responsáveis por nossa formação social.
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Quanto ao outro deputado,o da agressão a uma obra de arte, ex-militar, seu comportamento nem tem vínculo necessário com uma atitude racista, contrária à raça negra.
Embora a obra retratasse um negro (talvez jovem), aparentemente sem qualquer instrumento de defesa, abatido por um policial militar que abandona a cena com a arma ainda fumegando, em minha opinião, o que o deixou o deputado revoltado foi a acusação implícita na gravura: um policial que mata a qualquer pretexto, antes de interrogar ou investigar.
Cena que é tão patética e realisticamente atual que as autoridades até pensam em criar a figura do excludente de ilicitude, por atos de policiais sujeitos a violenta comoção ou pressão emocional.
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No caso do ex-militar, se de todo o gesto é intolerável, não parece ter racismo como fundamento.
Mas condenável, independente de outros juízos, é esse autonomeado censor da exposição pedir que fizessem fotos de sua ação de vandalismo.
Fotos que sua excelência fez questão de postar em suas redes sociais quase que imediatamente.
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O que nos leva a perceber que Bolsonaro está no caminho certo na sua jornada de esgarçar a já frágil tessitura social existente nesse nosso país TÃO NEGRO na alma e no físico, tão diverso, mas tão desigual.
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É isso. Que bom que o ano está passando ligeiro e que não deverá ter tempo para destruições muito maiores.
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