terça-feira, 12 de julho de 2022

Direto de Foz do Iguaçu à maternidade no Rio: sobre a barbárie que rompe nosso contrato social e a indignação que nos domina.

 Na falta de qualquer manifestação que possa ser minimamente confundida com sentimentos mais nobres  de sensibilidade, de empatia ou apenas de preocupação com o que acontece à sua volta, o psicopata no Planalto diz não ter nada a ver com a morte.

Para ele, foi apenas “uma briga de duas pessoas lá em Foz do Iguaçu”.

Para o general Mourão, seu vice, “evento lamentável. Ocorre tod final de semana... gente qeu provavelmente bebe e extravasa as coisas.”

***

Um parênteses: Mourão, o general vice... bem ser vice é algo que deveria ser melhor compreendido. Afinal, ser vice é uma opção pessoal. Mas uma coisa é ser vice de quem lustra nossa biografia.

No caso de Mourão, ele mostra que seu perfil encaixa-se à perfeição ao titular do cargo. E ele é o vice ideal de um miliciano, genocida e inculto sociopata. De recursos mentais reduzidos à mais completa indigência.

***

Mas Mourão assinala algo importante. Foi ele que expôs o fato de todos os envolvidos serem ‘da área policial’.

Sinal de que a deformação de caráter que a princípio poderia ser identificada apenas no Exército e na formação militar, tem impactos também entre grande parte dos que têm formação militar ou policial no nosso país.

Conclusão a que chego com todas as devidas e necessárias ressalvas, de policiais valorosos e heróicos, do Corpo de Bombeiros, e que sofrem em silêncio com os absurdos que assistem em outras companhias.

***

Destaco que não são apenas os militares, ou o pessoal policial – como a delegada Iane, justamente afastada – capazes de mostrarem comportamento tão próximo à selvageria e barbárie, tão ao gosto dos psicopatas e sociopatas, ou simplesmente inescrupulosos que infestam as hordas fascistas cujos líderes ocupam cargos importantes do governo.

Para o líder do governo Ricardo Barros, agressões podem ocorrer ‘eventualmente’ durante o período eleitoral, como ocorrem em estádios de futebol ou em brigas de trânsito, mas não são um elemento sistêmico do processo político brasileiro.  

Como é bom saber disso. A violência não é estrutural. É algo inusitado e fora de controle. A exceção!

***

Não!

Para Rodrigo Pacheco, o candidato a capacho e líder do valhacouto (=esconderijo ou abrigo) dos venais fiéis das verbas do Orçamento Secreto,  as cenas “repugnantes, chocantes, expressão pura .... do momento de muito ódio, de muita intolerância” devem merecer especial atenção dos pré-candidatos que têm quase 80% das intenções de voto.

Para ele, ambos os candidatos têm responsabilidade muito grande na fala, na forma de conduzir as campanhas, sem ficar jogando a culpa um para os outros.

Ambos devem repudiar qualquer ato de violência.

***

E chegamos na midia, que acordou para a polarização que o país está vivendo e que deve ser mantida sob controle.

Polarização. Do dicionário, concentração em extremos opostos.

Do que se depreende, dois bandos de pessoas armadas, tresloucadas, prontas para darem início a um conflito de dimensões jamais imaginadas, recheadas de sangue inimigo, transformado em troféu de guera.

***

Mas, o terrorista que ocupa a presidência do país alega que nada tem a ver com o a escalada de violência que estudos do Observatório da Violência Política e Eleitoral (vide Folha de São Paulo de hoje, p. A7), indicam ser maior nessa primeira metade do ano que os dados do último pleito.

Com o alerta de que o pior ainda pode estar por vir.

***

A bem da verdade, é importante recordar neste pitaco que, em nome de Jesus, o filho de Deus feito homem, e  maior representação do Amor e da compaixão e solidariedade, também a Igreja por ele erguida foi responsável por assassinatos e mortes cometidos em Seu nome. Para difundir sua mensagem de Paz na terra entre os homens de boa vontade.

Não há como esquecer que a Igreja é formada por homens, pecadores,  que a morte do Filho de Deus buscava redimir.

***

E se os seguidores do Cristo foram capazes de cometerem tantos atos contrários a suas lições, em seu nome, o que esperar de quem por mera figura de linguagem, teria dito que 30 mil teriam que ter morrido na ditadura militar de 64 a 85; que teria que levar os petistas e outros esquerdistas para a ponta da praia; ou teria que fuzilar petistas.

Para quem já ouviu o áudio do julgamento do Tribunal Militar que o considerou indigno de permanecer nas fileiras do Exército, é risível que o terrorista venha falar em sentido figurado. Um homem com vocabulário de menos de 500 vocábulos e incapaz de iniciar frases com maiúsculas.

Um homem para quem os livros e as bibliotecas são mais mortais que armas e clubes de tiro.

***

Minha indignação só não é maior com o crime de ódio e intolerância política, em razão de estarmos vivendo momentos sombrios em todos os campos de nossa vida social.

Onde os temerários guardas da esquina arvoram-se no direito de excluírem qualquer ilicitude de seus atos covardes, como a agressão de dois guardas municipais em Belo Horizonte a um motoqueiro, o advogado que viu e filmou a ação e sua namorada.

Onde balas perdidas sempre acham o corpo de um jovem negro de periferia, ou meninas de 4 anos de idade, disparadas tais balas sempre pelas forças policiais em constante conflito com as milícias ou as gangues do tráfico.

Onde membros da prestigiosa Polícia Rodoviária Federal reeditam câmaras de tortura e de gás eternizadas pelo Holocausto.

***

Onde médicos se dão ao direito de abusarem sexualmente de clientes indefesas, apenas para darem vazão a suas taras. Juízes se dão ao direito de não cumprirem sua missão de serem os responsáveis pelo cumprimento das leis.

Onde um criminoso, sob as vestes de um juiz, comete atos contrários à legislação apenas para punir desafetos portadores de opiniões políticas, ou convicções religiosas divergentes.

Onde militares são os primeiros a desrespeitarem a farda que usam, optando por se sobressaírem pela postura exclusiva de guardiões do monopólio da violência institucionalizada.

Sempre em detrimento da segurança que juraram defender, e dos interesses do povo que os sustenta.

***

De fato, o sociopata terrorista do desgoverno pode lavar as mãos em relação aos casos de violência insuflados por seu discurso de ódio.

Na verdade, talvez ele não seja mesmo o responsável por toda essa situação de mortes e ódio. Talvez isso seja imputar-lhe uma responsabilidade maior que a que lhe compete: como porta voz ou o idiota que dá rosto à manifestação de uma escória que insiste em resistir nas sombras do poder.

***

Termino com um poema expressão de toda minha indignação:

Não tenho lugar de fala

meu lugar é o que cala

dorme quieto, no fundo da garganta

rouca de tanto querer gritar.

                        Contra o peso dos grilhões e da chibata

da labuta que escraviza e que mata

extrai de mim o humano e me transforma

neste desejo de luta por liberdade e igualdade.

Meu lugar cala no peito

de quem,  sem medo de errar

deseja amar, seja como for ou do jeito que der

por saber que errado é não amar.

Cala no peito a injustiça cega

que omite a metade em mim, do que sou

um X apenas, metade da herança que domina a raça

humana  desde a maternidade

e que por ter a força de verdade

me cala em seu colo

lugar em que descanso em liberdade

colo onde me calo e me situo

enfim, alguém, inteiramente à vontade.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Dívida pública, cenário econômico e PEC da Corrupção (ou kamikaze?) e os vínculos com o maior mensalão da República, o orçamento secreto

Em Dívida – Os primeiros 5.000 anos, David Graeber argumentava contrariamente à necessidade de pagamento de dívidas, em especial as dívidas acumuladas pelos países da periferia do mundo, menos desenvolvidos, junto aos países centrais.

Em seu raciocínio, estas dívidas já teriam sido pagas em valores múltiplos ao empréstimo inicial, por força do pagamento de juros acumulados aplicados.

Além disso, argumentava que a constituição destas dívidas, sob a alegação de gastos realizados com obras de infraestrutura, por exemplo, incorporava um mecanismo perverso de exploração dos mais pobres pelos mais ricos.

Tentando ser sintético em assunto de tamanha complexidade, países ‘colonizadores’, mais desenvolvidos, tributavam as populações nativas, sob a justificativa de organizar um aparato que permitisse organizar as sociedades, suas relações sociais e econômicas.

Com o dinheiro arrecadado dos tributos, financiavam os gastos necessários ao desenvolvimento da produção e de sua comercialização, em geral atividades sob a gestão de cidadãos dos países ricos em atividades que exploravam os recursos e conhecimentos dos povos conquistados.

Estes recursos que facilitavam o trabalho de exploração e expropriação dos povos nativos, é que iriam constituir a dívida sobre a qual  os juros seriam capitalizados.

Dessa forma, os ganhos e lucros ficavam com os estrangeiros investidores, enquanto o ônus ficava com o país mais pobre.

Em resumo: a população do país pobre paga, coercitivamente, para que o estado mais desenvolvido use esses recursos em financiamentos destinados a aperfeiçoar o mecanismo de exploração e extração das riquezas naturais do país pobre. Ao final do processo, o país pobre ainda deve assumir a dívida formada em sua origem, com seus próprios recursos.

***

Interrompo aqui a extensa referência à análise de Graeber, antecipando desculpas por algum eventual engano em meu entendimento.

No entanto, gostaria de utilizar de um raciocínio análogo para tratar do tema desse pitaco: a aprovação da PEC que vem sendo chamada PEC do Desespero, ou PEC Kamikase nos meios mais ligados ao mercado financeiro.

Para mim, nem uma coisa nem outra. Prefiro chamá-la PEC da Corrupção ou do Golpe.

***

Explico: kamikase em razão do temor, justificado, de tratar-se de uma medida de fundo apenas eleitoreiro, populista, atrasada em relação a seu alegado motivo (o aumento da fome no país) e que ampliando gastos públicos, rompe as regras todas da boa governança das contas públicas. Ou seja: para tentar alavancar a intenção de votos no candidato à reeleição, o governo rompe todas as regras da prudência defendidas pelo mercado financeiro.

Com o controle das contas públicas sob risco, os mercados avaliam que o governo não terá alternativa a ampliar seu grau de endividamento, razão por quê, taxas de juros e dólar sobem. Os mercados tornam-se mais avessos ao risco, mais conservadores, em situações de incerteza.  ***

Ocorre que o pacote de gastos ou ‘bondades’ de curto prazo que a PEC promove (que poderão ser triturados e reduzidos a pó pela elevação da inflação que ele pode alimentar) é, em grande medida, bancado pela arrecadação de tributos, desviados de seus objetivos iniciais.

O que significa que parte da população (os miseráveis) está sendo beneficiada  com recursos extraídos de parte dessa mesma população (classe média? Mais ricos?).

E o governo ao conceder aumento de vale gás, às famílias mais carentes; vale diesel de 1000 reais aos caminhoneiros; ampliação do antigo Bolsa Família, hoje Auxílio Brasil, para um valor de 600 reais já cobrado pela oposição há mais de um ano, além de uma incorporação desordenada e sem controles das famílias a serem atingidas, acaba ‘VENDENDO’ a ideia de que, às portas da eleição, fez um tremendo esforço e um enorme favor para os mais necessitados.

***

Graeber destaca que dívida não é apenas aquele valor que pode ser submetido a cálculo, para sua liquidação. Neste ponto, dívida é mais moral. Pode ser uma dívida por um favor feito a alguém. Ou até dívida por algum evento inusual, atribuído a alguma divindade.

***

Então, a população poderá ser manipulada e convencida de que a dívida pública que está sendo criada pelo governo (e que é de toda a geração atual da sociedade!) é na verdade uma dívida para com o governo.

Os recursos da população, passados ao governo, são vendidos como um gasto que o governo está fazendo por meio de aumento de seu endividamento, para que essa população pague esta dívida mais à frente.

De preferência: pague em votos, em quantidade suficiente para sufragar o governante bonzinho.

***

O governante, seus aliados na montagem do negócio ilegal, contam com esse sentimento de gratidão dos mais miseráveis. E tramam a aprovação de um absurdo juridico, fora de hora – o Estado de Emergência – para corromperem uma ampla parcela da população.

***

PEC ou Proposta de Emenda à Constituição, que deve ser aprovada a toque de caixa na Câmara mais venal de que se tem notícia na história política do país, para que seja decretado o Estado de Emergência.

A necessidade dessa medida é que, sem ela, o governo estaria cometendo crime de responsabilidade, aprovando pacote de benefícios sociais em ano de eleições, o que é proibido pela Constituição e nossa legislação eleitoral.

Não houvesse esta proibição, qualquer governante, por mais inepto ou inescrupuloso que fosse, miliciano ou não, genocida ou não, passaria todo seu mandato sem fazer nada exceto turismo interno, e no momento final, despejaria sacos de dinheiro comprando os votos da população.

***

Uma PEC necessita de ao menos 2/3  mais 1 de votos em ambas as Casas legislativas. Exige votação qualificada, e em dois turnos.

A presente PEC provoca um problema de consciência grave, junto aos opositores: durante mais de ano, eles acusavam a inação do  governo, denunciando a falta de ações capazes de mitigarem o sofrimento dos mais necessitados.

Agora, quando o governo age de forma capciosa, eles irão contra tudo o que pregaram e defenderam?

***

A oposição está refém. De um governo que age com sadismo, frente a grande parte dos que jurou defender.

Daí, PEC da Corrupção. Dai PEC que desmonta o aparato jurídico institucional, e muda a Lei Maior de um país, num golpe, sem qualquer discussão ou estudo de suas consequências.

Desta PEC, para outra que instaure o fim do regime democrático de Direito, resta pouco chão a ser trilhado.

***

Mas, o governo responsável pela morte de 680 mil brasileiros na pandemia; pelo atraso de vacinas; pela agressão constante ao meio ambiente, de porteira distraidamente arreganhada; de queimadas incentivadas para a expansão do agronegócio troglodita, o desmatamento, a mineração devastadora; de falta de fiscalização de regiões destinadas ao crescimento de zonas de contrabando de flora, fauna, espaço de ampliação da atuação do narcotráfico; pelo armamento de todo tipo de criminoso, travestido de CACs (caçadores, frequentadores de clubes de tiros); pela morte de nossos ambientalistas, e povos nativos, ou qualquer um que se preocupe em resguardar matas, florestas, clima, riquezas naturais; esse governo é também o maior responsável pela velocidade inédita do avanço da corrupção em nosso país.

***

Não bastasse tirar o país da 6ª posição entre as maiores economias do mundo; nos colocar na 13ª posição na maior parte deste desgoverno; de apenas agora retornar ao 10º lugar no ranking; não bastasse trazer a inflação (saudosa?!) dos anos da ditadura militar de volta; ou não conseguir debelar o problema do desemprego, só abaixo de 10% em razão do aumento de pessoas desalentadas ou em ocupações por conta própria, ou seja, cada vez mais precarizados. Não bastasse a renda média estar em queda, a pobreza aumentando e a concentração de renda ficar cada vez mais dramática.

ESTAMOS ASSISTINDO À EVOLUÇÃO DO MAIOR MENSALÃO da história, agora disfarçado de Orçamento Secreto, ou verbas do relator.

***

 De quebra, o MEC tornou-se um antro ‘evangélico’ (?) de tramoias e trapaças de toda espécie: desde a compra de equipamentos de computação - à proporção de mais de 300 máquinas por aluno -, até a compra de kits de robótica para escolas sem água, em localidades, sem acesso regular à internet. Ou a negociação de obras junto à distribuição de bíblias gratuitas; tudo por apenas algumas barras de ouro...

***

Conseguimos a proeza de piorarmos em todos os quesitos que integram o mínimo necessário para o julgamento e classificação de uma sociedade que se deseja ética, moral, culturalmente desenvolvida; avançada e em condições de promover e incorporar novas e mais avançadas tecnologias, com respeito às diversidades e ao respeito à dignidade humana. Mais solidária e justa.

***

É contra o desatino e desconstrução promovidas pelos milicianos e suas famílias no poder do país, que temos de reagir.

Aceitando as esmolas com duração até o final do ano, dos benefícios com prazo para terminarem, porque delas depende a sobrevivência de muitos.

Mas sem abaixar a cabeça, derrotados pelo tratamento dispensado por nossos governantes, que insistem em tratar o povo como meras mercadorias.

É isso.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

A brasilidade de Deus e o caos na Amazônia: um alerta e uma homenagem à queda de dois defensores da Vida

Dizem que Deus é brasileiro.

A crer nos relatos dos antigos sacerdotes sumérios, da mitologia grega e dos versículos iniciais do Gênesis e sua descrição da criação do mundo,  reconheço o acerto da frase.

Porque antes de criar os céus e a terra, sendo um Ser atemporal, Deus convivia com o caos:  ‘No princípio era o caos”. Ou, como concluiu o poeta grego Hesíodo, em uma das primeiras formas de manifestação de consciência divina, ‘o Caos era o Deus primordial do universo’.

***

Com base em um raciocínio lógico mais para a falácia que para o silogismo, e utilizando um argumento empírico, que poucos irão contestar, concluimos que o Brasil é a expressão concreta do Caos.

Terra de constrastes e graves problemas, o Brasil se orgulha de ser o país de ideias criativas, eufemismo para tratar o método de soluções baseado na malandragem e no jeitinho, que conferem significado à conclusão do filósofo Olavo Leite Bastos, o Kafunga,  ex-atleta de futebol, comentarista e político, de que: “No Brasil, o errado é que está certo”.  

***

De fato, o caos é antigo e data da chegada dos portugueses visando a instalação de uma colônia de exploração, baseada em desigualdades, injustiças e na na vergonhosa nódoa do emprego e exploração secular, violenta e sangrenta, do trabalho escravo. Ganhou intensidade com a importação e implementação do regime  PATRIMONIALISTA, da confusão entre público e privado, que permitiu a transferência de resultados e a apropriação do esforço da maioria da população por uma uma casta privilegiada.

Como reservatório em que fundiram povos de raças, culturas, tradições, conhecimentos, interesses distintos, a realidade brasileira ajudou a forjar alguns dos traços e qualidades mais distintivas do caráter macunaímico de nosso povo e de nossa sociedade.

Caráter que se manifesta na velhaca e ardilosa ‘genialidade’ das elites, quando da decretação da abolição do trabalho escravo, evento que substituiu o tipo de exploração do trabalho com base na força da chibata por uma forma mais insidiosa, menos aparente e mais perversa de subjugação do trabalhador: aquela que, por falta de recursos para a sobrevivência, o obriga a se submeter ao mesmo trabalho, por ssalário aviltado. O que se traduz em redução de custos e responsabilidades do patrão perante o empregado.

***

Expressão da tragédia histórica que justifica nossa deformidade social, o CAOS não apenas continua existindo no presente de nosso país, como foi transformado em objetivo último a ser alcançado pelas forças de desconstrução que tomaram de assalto o poder e buscam destruir o mínimo de vida civilizada que vimos tentando construir.

O que faz da conquista do aparelho do Estado a reafirmação ANACRÔNICA de poder das elites e de minorias, visando retornar a uma situação de caos absoluto e da transformação do país em terra de ninguém, sem controle, direitos ou lei, salvo a vigência da lei do mais forte.

***

Para ter êxito, a conquista de poder político pelas elites dominantes, sem a deflagração de um golpe pelas armas, impunha a necessidade de algum político que, acéfalo, aceitasse desempenhar o papel do boneco inanimado de ventríloco, e permitisse dar visibilidade à voz destas castas.

Mesmo sem ter em estoque a quantidade suficiente de candidatos para preencher tal perfil, não foi difícil encontrar alguém que atendesse ao requisito complementar de ausência total ou parcial de capacidade cognitiva e intelectual, discernimento, e que apresentasse insuficiência de atributos em experiência, estatura moral, empatia, e até mesmo  autêntica liderança.

***

Um lance de oportunidade permitiu a seleção e escolha de alguém capaz de superar as expectativas e dono de outros prejdicados úteis como a inépcia, a incapacidade e desinteresse de governar e adotar decisões racionais, a falta de decoro, de educação, de traquejo, somada à arrogância própria dos tolos e à necessidade narcísica de demonstração de vigor físico, força e  jovialidade.

Coroando o perfil, tratava-se de um ex-militar tresloucado, simpático à prática de atos terroristas e da tortura, de caráter autoritário e inclinação política francamente fascista.

***

Como leigo, julgo que esta personalidade se enquadra com exatidão ao perfil de um indíviduo portador de quadro clínico de maior gravidade, seja aquele de uma personalidade paranóide ou esquizóide, ou ambos. Hipóteses que configuram um caso típico de inimputabilidade.

Digno de maior preocupação do ponto de vista político, dado o cargo para o qual foi eleito, embora tenha sido este temperamento que mostrou, em pouco tempo, o acerto da opção feita pelos donos dos interesses dominantes.

***

Outra verdade típica do senso comum é a de que “Deus escreve certo por linhas tortas”’. Cuja interpretação corrente tanto serve para expressar o reconhecimento da inferioridade humana frente ao Criador, como originar uma postura passiva, de resignação, senão de estímulo ao cultivo de uma fé inabalável.

Interpretação mais sofisticada considera a existência de um processo de planejamento estratégico de concepção e prazo mais amplos, passível de compreensão apenas da parte de uma divindade atemporal. Nesse caso, limitados pelo curto período de sua vida, os homens desenvolvem expectativas, criam visões e fixam objetivos mais imediatistas e falhos, decorrentes da impossibilitado de vislumbrarem o conjunto de alternativas à sua disposição.

***

Se de fato atribuímos a Deus a responsabilidade pela tarefa de planejamento, o mesmo não se aplica ao Messias colocado no comando de nosso país que, além de incapaz de assumir esse papel, recusa-se a assumir a responsabilidade pelo insucesso de qualquer decisão que lhe compete tomar.

Assim, terceiriza as falhas, sempre optando pela saída mais comôda de culpar a algum bode expiatório; seu dedo acusador apontado a outros personagens ou instituições obrigados a compartilharem a arena pública: magistrados, prefeitos, governadores, autoridades de outras esferas e até a imprensa e alguns políticos honestos.

***

Situações constrangedoras e de efeitos deletérios, frutos da insanidade do chefe deste desgoverno apresentam-se a todo instante, o que torna exaustiva a tarefa de elencá-las . No entanto, para desnudar seu total alheamento frente à realidade, convém recordar como equiparou a virulência de uma pandemia virótica a uma gripezinha; a defesa de medicação sem qualquer comprovação científica ou a campanha que liderou contra a vacina, sob argumentos no mínimo risíveis como de ela se destinar à implantação de um chip para o controle mental dos que a tomassem, ou de provocar a transformação de alguns dos vacinados em ‘jacaré’.

O resultado foi que ao menos 680 mil brasileiros perderam a vida, uma estatística que, para ele,  seria de interesse apenas para coveiros, já que do ponto de vista das famílias que perderam seus entes queridos não passaria de mero mimimi seu choro e seu luto.

***

Outras ilustrações de seu alheamento da realidade são a realização de motociatas no mesmo dia em que, de manhã, sobrevoou a região metropolitana de Recife, vítima de chuvas, deslizamentos de terra que causaram mais de 220 mortes. Ou pior: a transferência da responsabilização, PARA AS VÍTIMAS,  da execução com requintes de tortura que sofreram, por estarem defendendo o patrimônio nacional tão vilipendiado: o meio ambiente, as reservas florestais, os povos indígenas e todas as populações carentes e desprotegidas da Amazônia.

Proteção que nem o exército, ou as forças militares de segurança se interessaram ou foram capazes de assegurar, conforme sua missão funcional, contra a sanha de gangues criminosas.

***

O que revela mais uma contradição flagrante que o acéfalo fantoche no Executivo comete: para justificar o brutal assassinato de um repórter estrangeiro, observou que ele era mal visto na região (pelos bandidos, contrabandistas, narcotraficantes, grileiros, criminosos de todo tipo). Falso raciocínio que não se aplica quando são os soldados do tráfico e os gerentes das bocas que recebem a tiros de fuzis as forças policiais, a que não vêem com bons olhos, quando das incursões  que promovem nas comunidades cariocas.

***

No entanto, não podemos jamais esquecer que o inepto e despreparado governante não passa de  ‘menino de recados’ de um grupo de empresários e proprietários de capitais que, junto aos seus porta-vozes difundem uma concepção hipócrita e a-histórica da economia que atribui a um suposto gigantismo e intervencionismo estatal, a culpa por todas as mazelas do país.
Processo com base no argumento falacioso que visa apresentar o ‘livre mercado’ como a solução mágica e exclusiva para os graves problemas de desenvolvimento não inclusivo e desigual, resultantes da busca gananciosa por lucros posta em marcha por este mesmo livre mercado e donos de capitais que o defendem.  

***

Porque além da perversão imanente ao chefe do desgoverno desta república de “bananas” (síntese de todas as riquezas naturais que nos tornam explorados pelo grande capital), há que se desvendar e expor os  verdadeiros vilões e criminosos beneficiários desse processo de destruição do patrimônio do povo brasileiro: os empresários do agronegócio associados aos grileiros, desmatadores, incendiários da floresta e poluidores do Sistema do Aquífero da Grande Amazônia – SAGA. Capitalistas que mantêm notórias relações de simbiose com as quadrilhas de narcotraficantes; da pesca e caça ilegal; do contrabando de plantas nativas e animais silvestres; de madeireiros e mineradores ilegais.

Criminosos com espaço livre para a expansão das atividades predatórias que resultam na geração continuada de lucros que respingam sangue, face à omissão propositada do Estado e ao desvio de função do conjunto de organismos de controle, acompanhamento e fiscalização da exploração racional das riquezas naturais do país.

***

A redução do aparato de estado a um mínimo, que lhes interessa, até que não fique de pé qualquer instância ou agente capaz de cumprir os deveres de proteção e assistência devidas a toda a população do país é que cria a ‘ocasião que faz o ladrão’. Dessa ocasião o ladrão se aproveita para extrair ganhos com que financiarão a continuidade de tal situação, fechando um ciclo nefasto para a ampla maioria da população.

Circuito nefasto que é a origem dos ataques à democracia; aos direitos de propriedade (autênticos) dos indígenas; ao direito e à liberdade de expressão e ao livre exercício da função da imprensa; a que se somam ataques ao judiciário, imprensa e instituições democráticas.

***

 Contra  essa situação que devemos estar atentos e nos insurgir.

 

quarta-feira, 15 de junho de 2022

A apatia e a normalização da barbárie e a pergunta que não pode calar: por quem os sinos dobram?

 “Nenhum homem é uma ilha; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. John Dunne, citado por Hemingway em Por Quem os Sinos Dobram.

Lembro-me do forte impacto que me causou quando li a frase de Dunne, citada (imortalizada) por Hemingway, em Por Quem os Sinos Dobram. Essa mesma frase é a que tem martelado em minha cabeça desde que tomei conhecimento do sumiço, desaparecimento, execução de Dom Phillips e Bruno Pereira.

***

Confesso não saber se em função do ambiente, a região Amazônica, a imensa floresta tropical cuja maior extensão fica localizada em nosso país; se em razão das imagens que trago em minha imaginação e memória dos tempos do primário, quando ouvíamos fascinados a descrição de rios da dimensão do mar.

Daí a lembrança incontinenti da frase de Dunne: nenhum homem é uma ilha ... cada homem é uma partícula ... das margens; se um pedaço de terra é arrastado na cheia dos rios, a redução da dimensão de terra firme nos arrasta juntos. Por isso, choro pelas cheias. Pela terra arrastada. Pelas casas levadas como pluma, junto aos parcos – se alguns bens em seu interior. E choro pela morte de povos indígenas, os verdadeiros povos originários e proprietários da floresta.

***

Choro pelos ribeirinhos, indigenistas, pequenos agricultores, tanto os pais, quanto os familiares, eliminados, executados pelas hordas de assassinos trogloditas do agronegócio, do narcotráfico, das quadrilhas de madeireiros, grileiros, mineradores, cuja única ambição é fazer sumir do mapa aquele patrimônio que, de tão monumental, não merecia ter ficado, em grande parte, nas terras brasileiras das gangues de bolsonazi e seus apoiadores fascistas.

***

Também hoje fui impactado pela leitura de um texto de Eliane Brum, cujo link repasso:

Não é incompetência nem descaso: é método

https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2022/N%C3%A3o-%C3%A9-incompet%C3%AAncia-nem-descaso-%C3%A9-m%C3%A9todo

Embora longo, o texto, sua leitura torna-se fundamental. Necessária. Até para lembrar de outras vítimas dos bandidos,  escroques, gangsteres e assassinos e grileiros que invadiram o espaço deixado vago naquela região, por um Estado que nunca soube explorar, de forma científica, racional e preocupada com a preservação da própria vida em nosso planeta.

***

Alías que, ao contrário, atiça a malta de criminosos a invadirem, depredarem, destruírem tudo que encontram pela frente, já que sob o comando de quem apenas visa e instrumentaliza a ação da morte e da barbárie.

Estado sob o comando de assassinos genocidas, bandidos, ladrões como dizia a música, de gravata e capital, sempre dispostos a expandir suas propriedades, riquezas e atividades lucrativas em detrimento diretamente da vida humana daqueles que atravessarem seu caminho, ou a mais longo prazo e indiretamente, da vida em todo o planeta.

***

A propósito, é importante dizer que atividades lucrativas por não incorporarem os custos das externalidades que produzem e que crescem em magnitude e escala exponencial quando comparada à expansão da área plantada ou de pastagem, ou da produção de soja, gado, peixes, caça, minérios e madeiras ilegais.

Externalidades negativas dos custos irresponsavelmente transferidos para a sociedade, via devastação do meio ambiente, poluição e suas consequências, como doenças e morte.

***

Como o texto de Eliane Brum destaca, no rastro de morte incentivado pelo armamento sem limites, sem restrições e qualquer tipo de controle, infelizmente as vítimas nem sempre são um indigenista branco, como Bruno Pereira, agente público respeitado e que foi vítima de punição simplesmente por ter cumprido a legislação e as funções e atribuições do cargo que ocupava.

Tampouco entre as vítimas se encontra um jornalista branco, estrangeiro, vindo de um país desenvolvido, de primeiro mundo, como Dom Phillips, motivo suficiente para causar um verdadeiro alvoroço em escala mundial e resulatar na condenação do governo brasileiro e de suas autoridades.

***

Situação incapaz de causar maior constrangimento e vergonha a todos nós brasileiros, seja por existir entre nós, aqueles que optaram por entregar a condução do país a alguém sem qualquer preparo, condição intelectual ou dignidade pessoal, um ser desprezível que se preocupa exclusivamente com seus interesses e os de sua família, além dos milicianos que o cercam e de que se vale.

Mas não são apenas os apoiadores  - arrogantes, ressentidos, preconceituosos, de caráter minúsculo e inspiração fascista – que se mostram incapazes de sentir vergonha de tal estado de coisas. Aliás, muitos destes até justificam ações realizadas na Amazônia com base no falacioso e pobre argumento “da defesa de nossa soberania”, como o idiota e agressivo militar suspeito da prática de atos de terrorismos e, por tal motivo, expulso da tropa.

***

Todos nós ou a maioria de nós a quem tais eventos provocam repulsa e reprovação acabam, por omissão, contribuindo para a promoção de um fenômeno de naturalização, de banalização da morte.

Todos nós, assistentes passivos da ação de um governo que investe contra o seu próprio povo, transformado em inimigo interno de uma guerra tremendamente desigual – de milícias armadas até os dentes, contra grupos de população faminta e miserável – temos nossa parcela de responsabilidade.

***

Essa passividade ou temor, muitas vezes expressa sob a forma de desespero em meio à luta diária pela conquista da sobrevivência, da simples obtenção do pão, uma vez que povos famélicos não ousam se dar ao luxo de sonhar com saúde, educação, trabalho,  direitos, é que nos impede de exigir a punição dos criminosos e mandantes de crimes que se repetem ‘ad nauseam’ (até nos causar nojo).

A ausência de postura de cobrança mais rigorosa é que permite que continuemos apenas testemunhas mudas das mortes das Marielles, dos Anderson Gomes e outros motoristas como Evaldo dos Santos Rosa, e sua família, metralhados com mais de 80 tiros por soldados do Exército; por 28 seres humanos chacinados em Vila Cruzeiro, no Rio, suspeitos de serem bandidos ou não; dos Genivaldos no Sergipe e tantos outros torturados e assassinados por policiais.

Todos com a característica de serem negros, pobres, jovens, de comunidades e, muitas vezes sem explicação ou qualquer suspeição. Muitos trabalhadores honestos e portadores de sonhos.

***

Na região da Floresta Amazônica vários são os crimes cujas vítimas são famílias inteiras de ribeirinhos, de pequenos agricultores, de povos indígenas ou quilombolas, de pessoas humildes ou funcionários de organizações que lutam na defesa da vida e da integridade das pessoas e da floresta e de nosso meio ambiente.

Casos que vão se tornando tão corriqueiros que acabam não merecendo sequer uma nota na imprensa. Casos que passam despercebidos de todos nós e que integram estatísticas crescentes e aterradoras que atingiram apenas em 2021 um total de 35 mortes e 391 casos de violência contra a pessoa, inclusive torturas.

***

Não poderia deixar de mencionar minha indignação contra o Exército e os militares de patentes mais elevadas e mais tempo de serviço, especialmente aqueles da reserva, sempre dispostos a defenderem ações militares em defesa da Amazônia, de uma guerra imaginária e fantasiosa, contra inimigos cujas armas são apenas a preocupação com a preservação e a assistência a populações menos privilegiadas, ali instaladas há séculos.

Esta guerra fantasiosa serve para atestar o  despreparo de militares de nossas Forças Armadas que, por mais patentes e condecorações que ostentem não têm qualquer  experiência nos campos de batalha, nas trincheiras reais, a ponto de não saberem diferenciar civis comuns de exércitos inimigos, organizados, disciplinados e armados.

***

Daí a minha indignação, e minha revolta silenciosa e apática contra o governo, autoridades com cargo eletivo, militares com a missão de zelar e proteger aquele pedaço de nosso território, e preservá-lo em benefício de toda a vida no planeta.

Minha indignação contra os agrotrogloditas e empresários sem moral e sem caráter; os políticos e as quadrilhas que ocupam o espaço ocioso deixado pelo Estado nacional, com todo o tipo de crimes, corrompendo e aliciando os habitantes da região em troca de pouco mais que alimentos e alguns remédios.

E a razão de meus sinos interiores repicarem em homenagem póstuma a todas as vítimas da selvageria e da criminalidade. Esta a razão de meu choro.

terça-feira, 7 de junho de 2022

A infestação de protozoários no organismo social: o resultado da ópera bufa no Supremo. E que se decrete logo o estado de calamidade, já com 3 anos e meio de atraso

 Apequenado pelo minúsculo ocupante do cargo de Chefe do Executivo de nosso país, o Supremo Tribunal Federal vive momentos dignos daquilo que poderia ser classificado como uma autêntica comédia pastelão, financiada por recursos próprios dos magistrados, sem necessidade de utilização de fundos (comunistas) da Lei Rouanet.

(Oportuno destacar que, ao contrário da classe artística em geral, mas de forma análoga aos ditos “cantores” sertanejos, os vultosos subsídios dos ministros, inflados por vantagens pessoais inexplicáveis e imorais, posto que legais, são financiados por recursos públicos, da arrecadação de tributos, concorrendo com outros gastos mais prosaicos como os de saúde e educação).

***

Voltando à comédia, de roteiro medíocre, observa-se sua intenção única de continuar permitindo que a ameba que comanda o país tenha munição para continuar fustigando o Supremo e seus quadros e, acessoriamente, ao Tribunal Superior Eleitoral e suas decisões contrárias à disseminação e influência de “fake-news” nas disputas eleitorais, e à integridade das urnas eletrônicas, comprovadas há no mínimo 25 anos.

Para tanto, o parasita que ocupa o cargo de chefe do executivo, não apenas indicou, mas exerce toda sua influência sobre os ministros por ele conduzidos à Corte maior.

***

Como os parasitas caracterizam-se como microorganismos que vivem em grupos, o protozoário mor do país cerca-se de outros tantos, capazes de se deixarem servir à infestação pretendida pelo seu líder, de forma a dilapidar o organismo social do país.

A destacar apenas que, em geral, não é a indicação feita por um presidente da republica que torna o escolhido Ministro.

Embora todos saibamos que normalmente a sabatina a que o indicado deve se submeter não passa de outra encenação que ocorre no palco do Senado, cujo fim do espetáculo é a aprovação do indicado pelo presidente, sempre existe a possibilidade ainda que remota de o nome não ser ungido.

***

A tradição e o jogo de toma-lá-da-cá que envolve o Legislativo, no entanto, nos impede de ficar livres dessa impressão de que o novo ministro deve favores ao responsável por sua indicação.

Dessa forma, para cada ministro recém-chegado à Corte Suprema,  consciente de que a legislação de nosso país lhe assegura plenos direitos e poderes para exercer suas funções com independência e de acordo com seus princípios éticos e morais, além de seu necessário preparo jurídico, pelo menos outros cinco têm conhecimento da incapacidade para o exercício do cargo.

Resulta daí que tornam-se sabujos, dispostos à prestação da mais vagabunda vassalagem ao seu patrocinador.

***

A partir daí, como os Kássios que não têm qualquer pudor de mostrar sua gratidão ao líder da invasão de amebas, e como os terrivelmente astutos à la Mendonça,  que compete com o seu colega para ver quem mais se presta a curvar-se e deixar à mostra a profundeza de seu caráter, assistimos ao mais baixo nível de comportamento.

Capaz de fazer corar de vergonha a estátua da Justiça que representa a deusa Themis vendada, em obra de Cheschiatti, esculpida em bloco monolítico de granito de Petrópolis.

Observar a estátua me deixa penalizado com a deusa, impossibilitada de deixar cair a venda dos olhos, de forma a cobrir o nariz, sujeita a cheiro podre que exala do Palácio da Justiça.

***

A ópera bufa não tem nem prazo para se encerrar, resultado de pedido de mandado de segurança impetrado por candidato suplente que assumiu o mandato em razão da sentença do Tribunal Eleitoral, de punição de quem agiu de má-fé e espalhando ‘fakes’.

O mandado de segurança, em mãos da ministra Carmem Lúcia, pode servir para superar a chicana dos obsequiosos ‘paus mandados’ do parasita do Executivo.

***

Assim, basta que depois de ter pedido vistas para paralisar a derrota líquida e flagrante do seu “compadre” em julgamento do Pleno, dando tempo e ensejo a que Kássio enviasse sua decisão à análise da 2ª Turma onde a derrota lhe será menos contundente, Mendonça se sinta já em condições de manifestar seu voto.

Embora estranha a sua proficiência em estudar o caso da noite de um dia para a tarde do dia seguinte, esse seria apenas um detalhe adicional do erro de continuidade do roteiro mal elaborado, que o STF desempenha por força da reduzida capacidade intelectual do parasita mor.

***

Por outro lado, caso mendonça peça vistas também naquela Turma, onde caracterizam minoria junto aos kassios, imediatamente a ministra Carmem Lúcia poderá conceder o mandado, restituindo a ordem e impondo o respeito à decisão de outro Colegiado, do porte e importância do Tribunal Eleitoral.

A ver. E quem sabe rir da comédia velha, viciada e sem humor.

E, quem sabe, aguardar as próximas trapalhadas de kássio e seu ínfimo amor-próprio.

***

 

Preço de Combustíveis, inflação e o desespero que bate às portas do comitê da reeleição, no Planalto

 

À medida que aproxima-se o segundo semestre do ano e o início oficial de uma campanha eleitoral que já está em plena evolução e efervescência - por parte de todos os candidatos-, sob os olhares complacentes e turvos dos membros do TSE, cada vez mais destaque são dados aos resultados das pesquisas eleitorais.

Em especial, aquelas de institutos de pesquisa mais tradicionais e de maior respeitabilidade, conquistada ao longo de anos de participação em campanhas eleitorais.

***

Caso da pesquisa do Datafolha divulgada na semana passada, que colocou em polvorosa as campanhas de Ciro Gomes, o eterno ressentido, e do ameba miliciano, cada vez mais próximo de ser derrotado em primeiro turno.

Situação que lhe daria a honra de ser o primeiro presidente a não conseguir sua reeleição.

Apesar dos pesares e das jogadas de caráter puramente eleitoral.

***

Entre tais medidas, auxílios e benefícios em valores destinados a durarem somente até o final do ano (ATENÇÃO: a aprovação pelo Congresso da permanência do tal auxílio NÃO PODE, nem deve  ser considerado senão como uma derrota do governo e seus lacaios. Da mesma forma que o auxílio emergencial pago quando do início da pandemia); ou o malabarismo praticado para reduzir os preços de combustíveis, ou a redução de impostos federais de pequena participação na formação de preço dos combustíveis.

Medidas de cunho apenas populista, eleitoreiro.

***

Em razão do desespero que abateu sobre sua equipe e sua própria arrogância cretina, a semana passada permitiu o surgimento de mais uma ideia estapafúrdia, como a de se decretar situação de calamidade no país, capaz de permitir a liberação de gastos excepcionais por parte do Executivo, voltados à concessão de subsídios a proprietários de automóveis e caminhões.

Independente de se estar hipotecando o futuro do país por um presente de resultados questionáveis, a medida deveria se destinar apenas, se tanto, ao diesel, por seus efeitos sobre a toda a cadeia de distribuição de bens e serviços e, como tal, sobre a inflação.

Alcançar a gasolina seria, mais uma vez, medida destinada a agradar parcela mais privilegiada da população (proprietários de automóveis ou motos), deixando a maioria que utiliza os transportes coletivos urbanos, à mercê de todo tipo de desrespeito.

***

Curioso é que há que se concordar com a decretação do estado de calamidade.

Afinal, desde janeiro de 2019 o país, cumprindo promessa de seu presidente, encontra-se em total calamidade.

Agravada pela pandemia e pela morte de quase 700 mil brasileiros que não tinham “histórico de atletas” e que não foram abatidos apenas por uma gripezinha. Razão de todo o 'mimimi' daqueles que sofreram a perda de seus parentes.

***

Na esfera econômica, o retorno da inflação; a continuidade do desemprego em cifras alarmantes; a Selic em 12,75%, quebrando o país e agravando a situação de uma população sobreendividada, tudo mostra a calamidade.

***

Isso sem falar da devastação ambiental e das instituições cada vez mais atacadas e destruídas.

Como a calamidade é antiga, felizmente concluíram que a calamidade é de gestão, fruto da incapacidade de adotar qualquer medida de política que não tenha por objetivo os familiares da milícia.

***

Por fim, para encerrar, agora tentam vender a ilusão de que os Estados terão ressarcimento de perdas de receitas, caso aceitem zerar o ICMS sobre combustíveis.

Sabendo da dificuldade fiscal enfrentada por estados e municípios, da importância da receita de ICMS para que os entes subnacionais possam bancar os gastos necessários à prestação de serviços à população, tal proposta deve ser recebida com todas as ressalvas possíveis.

**

Afinal estados e municípios já foram vítimas de promessas anteriores de ressarcimento (lei Kandir, por exemplo) que não foram honradas ou o foram apenas parcialmente, com prejuízos para  ambas as unidades administrativas.

Adicionalmente, o custo da medida, não explicada ou não detalhada, atinge preliminarmente algo próximo de 50 bilhões, sem qualquer indicação das fontes e das condições para que tal ressarcimento seja cumprido.

É isso.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Moisés, jogador do Fortaleza: a grandeza e significado de um gesto. Pitacos vários para refletir sobre a Lei do Retorno

Confesso que  há muito tempo eu queria ter condições de dar alguns pitacos em outras esferas de nossa realidade, distante das baixarias da besta-fera que ocupa o Planalto.

Acho necessário enfatizar e qualificar a frase acima, “que ocupa”, uma vez que o faz apenas ocasionalmente, já que não é dado a trabalhar,  preferindo a emoção da vida ao ar livre. Ainda que o ambiente em que opte por estar seja sujeito a todo o tipo de poluição, seja a sonora dos roncos de escapamentos de centenas de motos, seja a provocada pela emissão de gases combustíveis expelidos por estas mesmas motos.

***

Admito e entendo a preferência do ex-militar por eventos de natureza agressiva ao ambiente, como as motociatas;  os passeios de jet-ski, como Collor;  ou as alegres tardes de passeios de lanchas, acompanhado ou não de outras embarcações deixando rastros de óleo nas águas marinhas, tudo sob a influência de trilha musical repleta de funks e danças desengonçadas.

No fundo, a poluição daí proveniente é preferível àquela causada pelos incêndios que consomem a nossa Floresta Amazônica, que ele finge não ver e não adota medidas para impedir de acontecer. Ao contrário, elogia.

***

O problema é, como dizia um seu comparsa em relação ao meio ambiente, a necessidade e urgência de que se aproveitar a porteira aberta para que o cowboy frustrado de nossa Roliude, possa tanger e passar a boiada.

Se o gado opta por ir de moto poluente e barulhenta, pouco importa. A festa é a mesma.

***

Mas o pitaco hoje é para tratar de questões mais amenas e registrar feitos mais dignificantes.

Quero tratar aqui, com destaque especial, do gesto do jogador Moisés do Fortaleza, em partida contra o Flu. Gesto que revela a capacidade de  grandeza de que são dotados os seres humanos. E que nos orgulham de sermos desta raça, que não campeia pelos campos e pastagens.

***

Desnecessário descrever o lance, mostrado por todas as tevês e programas esportivos do país, desde que, na disputa de uma jogada, com o Fortaleza em situação crítica na competição, o defensor do time adversário sentiu uma fisgada na coxa, parando de correr e, incontinenti, pedindo por substituição.

Ao invés de se aproveitar da situação que lhe favorecia às custas da contusão de um colega de profissão, o jogador optou por paralisar a jogada, deixando de correr em direção a um gol que poderia assegurar a vitória ao seu time.

***

A torcida do Fortaleza não deve ter ficado satisfeita, é bem verdade. Ou parte dela. Mas, Moisés, naquele momento, se preocupou mais em ser solidário. Como querendo transmitir a noção de que a vitória tem mais significado quando respeitadas as condições de igualdade na disputa.

Agindo assim, pode não ter ajudado seu time a vencer aquele jogo, mas alcançou vitória muito maior: a da capacidade de empatia, solidariedade, companheirismo da raça humana.

***

Muitos falam da existência de uma lei do retorno. No paredão, a bola de tênis volta na hora do treino com a mesma intensidade que o atleta solitário a lançou. Se o lançamento foi muito forte, a violência do retorno pode atingir e até ferir o jogador desatento.

Pois a lei do retorno funcionou ontem: Moisés foi autor de 2 dos 4 gols que classificaram o Fortaleza à fase seguinte, de mata-mata da Libertadores.

Feito  de toda a equipe do Fortaleza que merece destaque, seja por ter sido esta a primeira participação do clube no torneio sulamericano, seja por ter sido protagonista de uma arrancada digna de reconhecimento, em razão da garra rumo à classificação, uma vez que poucos confiavam na capacidade de reação do time, considerado derrotado depois de “jogos de ida” de insucessos.

***

Parabéns, Fortaleza.

Parabéns a você Moisés, que reabilita a questão de que o esporte não é, não deve, não pode ser tratado exceto como o que ele é: uma competição para ampliar as relações entre todas as pessoas.

O esporte não é uma guerra. Não pode levar a brigas, confrontos, selvageria e mortes.

***

Mais ligado à morte, infelizmente, é a ação da polícia militar despreparada do Rio de Janeiro, que parece estar constantemente em disputa para ver que corporações, que policiais, de que estado, são capazes de bater o recorde de assassinatos e execuções de criminosos das periferias.

No mais recente e triste episódio, mais de 25 mortos... mas todos criminosos. E acentuo a adjetivação dada pelo porta voz da PM às vítimas. Exceto uma mulher, que parece carregar a culpa de estar ali, no local errado e hora errada, como testemunha da selvageria dos policiais.

***

De minha parte, permaneço na opinião de que criminosos ou não, de alta ou baixa periculosidade, todos merecem ser tratados como seres dotados de direitos.

Ao argumento de que eles não respeitam direitos de outros, e merecem o que a lei do retorno lhes propicia, contraponho o argumento de que a força do Estado, em nome da sociedade não deve e nem pode ser usada em cumprimento da Lei atribuída a Talião do olho por olho e dente por dente, ausente de nosso sistema de regramento social.

Sob o risco de, ao admitirmos a racionalidade de aplicação da lei espúria, nos transformamos todos, ao final, numa sociedade de assassinos.

***

Que o militar expulso das Forças Armadas acusado da prática de atos de terrorismo tenha se manifestado elogiando a ação dos policiais na comunidade de Cruzeiro, morro da Penha, acentua apenas e mais uma vez sua verdadeira índole: a de mensageiro ou porta-voz da Morte.

Do que são testemunhas todos os parentes das mais de 666 mil vítimas de Covid que ele ironizou e acusou de estarem de mimimi.

***

Outros eventos poderiam ser abordados nesses pitacos. Infelizmente, a maioria deles sem a mesma inspiração e nobreza do comentário da atitude do jogador Moisés.

Refiro-me ao ataque, mais um, protagonizado por um rapaz desajustado e vítima de bullying por ser gago, Salvador Ramos, no estado do Texas, como relatam ex-colegas.

Até a invasão de uma escola de crianças, na faixa etária de 5 a 10 anos, portando  armas pesadas como dois rifles, de fácil aquisição para promover um massacre que culminou com mais de 21 mortos deve nos servir á reflexão.

***

Afinal, mistura-se aqui uma questão de educação e escola, de ensino e respeito às diferenças. De diferenças e agressões verbais sob a forma de críticas ao diferente. De falta de cuidado e atenção aos alunos, mesmo que eles estejam dando sinais evidentes de estarem se sentindo agredidos.

Da falta de um olhar de afeto, talvez por ser a  vítima do bullying, um rapaz estranho, nesse sentido, forasteiro, de fora. E, como tal, não merecedor da atenção dispensada aos que nos são iguais.

Mesmo que seja falsa, é corrente a noção de que as crianças são, sem educação, ensinamentos e limites autênticos tiranos.

Atitude que nelas se explica pelo desconhecimento da diversidade do mundo. E da riqueza acoplada a tal diversidade.

***

Nada justifica a barbárie, e o massacre. E menos ainda a morte, em sacrifício por uma sociedade doente, de crianças.

Mas se estes episódios podem ser classificados como exceções, a facilidade de aquisição, de acesso e porte de armamento tem parcela fundamental de contribuição para que o que era eventual cada vez mais vá se incorporando à normalidade – ainda que doentia – de nossa vida em sociedade.

Justo, e importante, registrar sempre, quando o inominável que nos desgoverna faz campanha para o armamento de nossa população.

***

E o que justifica a exacerbação de atos discriminatórios nas Câmaras e Assembleias de São Paulo, contra negros, contra mulheres, contra pessoas transfóbicas?

O que justifica tanta agressão no espaço que é de representação da sociedade, exceto a constatação de que a sociedade, ao que parece, está muito bem representada, por um conjunto de bárbaros selecionados e  reunidos em um antro.

***

E o que justifica a agressão ampliada às mulheres, vítimas de ataques, agressões e crimes contra a vida, tentados ou consumados.

Até que ponto a doença que grassa em nossa sociedade e que as coloca como vítimas pode ser tratada como provocada ou atribuída,  tal qual na época de condenação da bruxas às fogueiras, às mulheres, seu legítimo direito de conquista da liberdade, de condições de trabalho, renda, respeito, ao direito de não serem preteridas em locais de trabalho, de não serem importunadas em meios de transporte ou vias públicas, culminando até com o direito exclusivo sobre o seu próprio corpo.

***

Que razão tem levado tantos homens a se assenhorearem da vida daquelas que alegam ser a inspiração de sua vida, que lhe transmite a falsa sensação de terem o direito de propriedade sobre outras vidas?

A ponto de se julgarem autorizados a matarem como última atitude em defesa desse direito que se julgam detentores?

***

Termino com o lema que não pode cair no esquecimento, na luta pela preservação das condições de vida para as gerações futuras de nossa cidade:

Tira o pé da minha Serra.

 

 

terça-feira, 10 de maio de 2022

Do respeito aos militares (dignos de respeito) ao "quem cala consente" e os desejos da sociedade brasileira

 Diz a lenda que na maior parte do mundo os militares são profissionais reconhecidos e respeitados em razão de seu patriotismo, de sua disponibilidade e capacidade de sacrificar a própria vida na luta em defesa, muitas vezes, de ideais e valores caros à população que integram e constituem nossa nacionalidade.

Assim, este conjunto de homens e mulheres é capaz de colocar em risco sua própria vida, encarando e enfrentando várias guerras em defesa da implantação e permanência de valores abstratos que dão sentido e fazem a vida valer a pena, como:  Liberdade, Democracia, Soberania e Integridade do território nacional, entre outros.

***

Sabe-se, no entanto, que esta visão romântica (e heroica) situa-se muito distante da realidade, sendo não só uma falsidade.

No fundo, a imagem transforma-se em uma narrativa útil, capaz de justificar o envio de jovens inocentes, despreparados, a maioria ignorante, sem qualquer consciência das razões pelas quais estão sendo enviados a guerras espúrias.

Jovens que, sob a pressão de toda atrocidade e carnificina com que se confrontam, encontram nas drogas e na fuga da realidade ou no desenvolvimento de todo o tipo de distúrbio psíquico, a força para levarem à frente sua missão. Que se transforma apenas na sua sobrevivência.

***

O que levou Erich Hartman a cunhar a frase cada vez mais admitida como uma das que melhor define a guerra, como

                               é um lugar onde jovens, que não se conhecem e não se odeiam, se matam, por decisões de velhos que se conhecem e se odeiam, mas não se matam.”

***

Nem vou abusar, neste pitaco, da paciência dos que amigos que me leem para abordar as motivações reais de tais confrontos, muitas vezes injustificáveis. Algumas vezes baseados em justificativas sórdidas e apenas ilustrativas da pequenez do espírito humano.

Outras vezes, sem qualquer razão exceto as piores imagináveis: o delírio ou personalidade doentia de um líder ou de um conjunto deles; ou apenas a velha máxima econômica da lei da demanda e oferta, examinada sob  ótica e os interesses da indústria armamentista bélica, que estimula demandas que as possibilitem produzir, destruir e LUCRAR.

***

De militares, SERES HUMANOS, poderia abordar várias outras estórias, uma destacando entre todas as demais, pela capacidade que sempre teve de me sensibilizar: a história do Chico que mata o seu melhor amigo e protetor, em pleno Vietnã, na passagem que trago comigo da peça do distante 1977, Os Filhos de Kennedy.  

***

Mas neste pitaco a abordagem é de outra natureza e serve para tratar da inutilidade total de grande parte dos militares que integram, em especial, o Exército Brasileiro.

Porque sendo o Brasil um país sem a tradição de participação em guerras, exceção feita à discutível e questionável Guerra do Paraguai, e à aventura da despreparada, mal treinada e mal equipada Força Expedicionária Brasileira em terras italianas por ocasião da Segunda Grande Guerra, a única função real das Forças Armadas, quando entediadas da caserna, é vir imiscuir-se na vida política nacional.

***

Faço um rápido parênteses para duas observações:

i- a primeira quanto ao despreparo de nossas tropas, descritas em vários livros de combatentes, tanto americanos quanto de pracinhas brasileiros.

Despreparo que levou o Alto Comando do Exército a perceber a necessidade de profissionalização das Forças e de desenvolvimento e formação de programas de treinamento e especialização nos Estados Unidos, função em que o general Lyra Tavares teve destaque.

ii- embora a falta reconhecida de profissionalismo da nossa FEB, todos os militares e autores de livros americanos são unânimes em reconhecer o esforço e heroísmo de nossos pracinhas. A eles e sua dedicação, desassombro e coragem, rendo minhas homenagens. Deles, o Brasil e nosso Exército são devedores eternos.

***

Em razão de sua formação de cunho hermético, hierárquico, disciplinador e, como consequência, AUTORITÁRIA,  os militares tupiniquins são presas da realização de uma autoanálise falaciosa que os induz a se acharem os maiores entendidos das necessidades e das soluções para sanar os graves problemas da nossa sociedade.

Falácia que a história tem comprovado insistentemente, desde o golpe militar que redundou na instauração da República, ou que redundou na Revolução de 30, que levou Vargas ao poder e, posteriormente, ao Estado Novo. Ou ainda ao descalabro de 21 anos, implantado pela Ditadura de 64.

***

Sempre é bom lembrar que os generais atuais, condecorados por bravura nas guerras de travesseiro que travam nos quartéis, são aqueles que optaram pela carreira militar justamente na época dominada pelos generais da linha dura do pós 64, que são contemporâneos dessa fase trágica de nossas Forças Armadas.

 E que são estes militares que tiveram sua formação baseada nos cursos e apostilas de Segurança Nacional da Escola Superior de Guerra, formação deturpada e deformada pela visão antidemocrática, como já expressa antes pelo professor Sobral Pinto.

***

Essa turma de militares que, agora ao lado de um ex-colega, expulso das fileiras da tropa por atos de terrorismo, não tem qualquer pudor de mostrar seus interesses mais recônditos de poder e autoridade.

Nem mesmo se preocupam em disfarçar o fato de, em seguidas situações,  terem sido conduzidos à humilhação pública por esse ex-militar a quem hoje, por força da opção equivocada e enganada de mais de 30% da população votante em 2018, além da disciplina e da legislação, acabam tendo que prestar obediência, como comandante em chefe das Forças Armadas.

***

Militares com comportamento tão torpe e criticável que, por obediência cega (e interesses escusos) aceitam se submeterem a ordens ilegais emanadas do autoritário e intelectualmente limitado chefe de ocasião. Um chefe golpista, antidemocrático, sempre ameaçando rasgar e descumprir a Constituição que jurou obedecer e preservar.

Uma caricatura de ser humano, que faz questão de se mostrar admirador de valores contrários à preservação da vida e da dignidade humana e dos direitos humanos mais básicos.

Um homem que elogia a tortura e torturadores, ou seja, que demonstra satisfação não com o mais cruel, mas com o mais covarde ato causado pelo Estado contra seus cidadãos.

***

Nossos militares no poder, e os ministros militares desse descalabro de governo, como o general Heleno (de trágica e vergonhosa experiência no Haiti), além do outro, ávido por se tornar candidato a vice, o Braga Netto (comandante da intervenção de resultados negativos no Rio) e agora este general da defesa, Paulo Sérgio, são incapazes de entender que sua função é servir a um Estado. Não a um governo, mesmo que os benefícios que auferem dessa decisão sejam atrativos.

Não se intimidam de tentar promover a descrença fantasiosa no nosso sistema eleitoral, funcionando de forma exemplar há mais de 25 anos.

Assim se comportam, como instrumentos manipuláveis, para agradar aos desejos de seu chefe,  atemorizado por provável derrota eleitoral e as consequências de perda de imunidade que daí advinda.

***

Para posarem de democratas, aceitam o convite para participar da comissão do TSE que cuida de sugestões para aperfeiçoamento das eleições.

Como homens infantilizados que fazem “tudo que seu mestre mandar”, aceitam tentar criar narrativas que desrespeitam a lei, a Constituição, as instituições e até a Justiça e o Tribunal que lhes serviu como Anfitrião (o infeliz grego da mitologia!).

***

Rápido para soltar notas em tom de ameaça, exigindo retratação do ministro Barroso, quanto ao papel subalterno que estão se prestando exercer, o ministro da Defesa mostra-se extremamente lento para vir a público condenar e deixar clara a posição das Forças em defesa da democracia e do Estado de Direito, deixando claro não compactuarem com qualquer tentativa de tomada do poder, senão pelo voto.

Ao não se expressar, mesmo vendo o atual chefe desfilar entre partidários de medidas antidemocráticas no dia 1 de maio, como o fechamento do Supremo, do Congresso ou mesmo o golpe militar com o ex-militar, a Defesa, as Forças mostram-se no mínimo omissas, ou favoráveis ao golpe contra a democracia.

Afinal, diz o ditado que quem cala, consente.

***

Comportam-se bem diferentes da postura que, nos Estados Unidos, as forças militares – aquelas que lutam, guerreiam e têm o respeito do povo e o peito cheio de medalhas por atos de bravura no campo real de batalha -, demonstraram quando Trump irresponsavelmente sugeriu a invasão do Capitólio a 6 de janeiro último.

Agindo assim, dão apenas cada vez mais munição e argumentos para todos que são favoráveis a medidas como a tomada há mais de 70 anos na Costa Rica: a dissolução das Forças.

Afinal, para que ficar bancando e gastando com órgãos inúteis, dispostos a se voltarem contra o desejo da maioria da sociedade?