sexta-feira, 8 de abril de 2011

A barbárie perto de nós

O que leva um rapaz de 20 e poucos anos, a entrar em uma escola armado, com farta munição, andar livremente por corredores, ser reconhecido e conversar brevemente com uma professora, pelas fotos, parece ter alcançado um andar superior ao nível da rua, entrar em uma sala e provocar uma matança como a que aconteceu ontem em Realengo, Rio de Janeiro?
Uma série de circunstâncias que poderiam ser atribuídas a um mero acidente fortuito? Uma psicopatologia qualquer, que nada explica mas justifica o ato insano a que todos poderíamos estar sujeitos, como vítimas?
Em minha opinião, e apenas acompanhando perplexo, de longe, como tantos outros milhares de brasileiros, o desenrolar dessa tragédia, há questões que não podem ser postas de lado, nessa hora. E, felizmente, a comoção está fazendo essas questões todas aflorarem, como não poderia deixar de acontecer.
Primeiro: a questão da arma. Mais que procurar saber como o rapaz obteve treinamento para lidar com armas de fogo, mais que se questionar onde teria obtido as armas e a munição já que a ninguém passa despercebido que existe um mercado para esse tipo de produtos, mesmo que marginal, operando sob sombras, o problema que acho que deve ser discutido é o porte de arma.
Digo isso, por existir uma lei em nosso país, que pune ao portador de armas, sem autorização. Ou deveria punir. O que torna essa lei um exemplo daqueles outros tantos de leis que pegam.
Mas pior que a impunidade, é o fato de que, mesmo pessoas esclarecidas, algumas até de nosso convívio e a quem temos respeito e amizade, insistem ainda em dar prosseguimento a campanhas favoráveis ao porte de arma.
Se o porte de arma é uma excrescência, de mesmo nível ou até pior é a admissão da existência de um mercado de armas, mesmo às margens da lei, a ponto de ser considerado o segundo maior mercado, atrás apenas do mercado de drogas.
Porque não se debater e estudar medidas destinadas a criar o máximo de obstáculos não apenas à existência da circulação, mas da própria produção de armas, estreitando cada vez mais os controles da fabricação, inclusive, atribuindo parcela da responsabilidade do mal uso do artefato ao fabricante e comerciante?
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E o que falar do nível de segurança das escolas? Como em um ambiente em que se reunem crianças, adolescentes, jovens, o trânsito é livre, a ponto de qualquer pessoa poder entrar, circular livremente, inclusive portando uma mochila ou mais de uma?
Era um  ex-aluno da instituição, tanto que foi reconhecido por uma professora, mas podia ser um tarado, ou um pedófilo, ou o namorado de alguma das meninas não aceito pela família, ou apenas rejeitado... São tantas as possibilidades, que fico assustado em perceber a fragilidade do controle de portaria - se existia algum, ou o controle de acesso ao prédio nessa escola.
Alegar que estava indo fazer uma palestra e passar impunemente... Ora, e quem convidou, que palestra, para que ano, ligado a que tema, em que horário, em que local, em um auditório? E existia auditório?
Aqui em Belo Horizonte, namorados ou ex-namorados entraram nas salas de aula e estapearam, apontaram armas, chegaram a atirar em alunos.
Um professor foi morto, em discussão no corredor da escola. Mas aí, por um aluno inconformado com a nota que lhe foi atribuída.
No Rio Grande do Sul, professores foram vítimas de espancamento e agressões, também por alunos.
Em São Paulo, na Uniban, o comportamento completamente selvagem e irracional de alguns alunos criou esse monstro que hoje todos temos que aturar nas telas de tv, a Geisy Arruda.
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Parece que todos esses acontecimentos foram no estrangeiro, longe daqui. Ou a escola carioca, preocupada em lecionar e transmitir conhecimentos não viu, não se informou e não tinha conhecimento de fatos tão atuais?
O problema maior, em minha opinião foi da segurança da escola, completamente inoperante. Diria até, irresponsável.
E se fosse pai de qualquer das pequenas ou jovens vítimas, a direção da escola seria a primeira a sofrer um processo por omissão. Cabal e insofismável.
E, por ser pública a escola, a Prefeitura do Rio seria a maior responsável pelo nefasto acontecimento.
Razão para as autoridades começarem já a tentar atribuir a atitude do agressor, a uma ação maior ou uma reação, coordenada pela facções do crime organizado que continua agindo no Rio de Janeiro.

Passagem do tempo

                                   Passar o tempo
pássaro
pássaro
passa voando amor
livre daqui.
                                                           Passa a vontade então
                                                           de fugir
                                                           de fingir
                                                           que ser feliz até
                                                           pode ser
                                                           pode ser
Passar o tempo em vão
passará 
pássaro solto, buscando enfim
brechas no céu
e passar prá outra dimensão
prá deixar fluir a imensidão
                                                Passa assim a alegria
                                               de flutuar
                                               sem grilhões, sem senões
                                               leve no ar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O combate entre o dragão da inflação contra o câmbio guerreiro!!!

E o dólar, hein?
Na briga do mercado com as autoridades econômicas ganham os especuladores, os aplicadores internacionais, os detentores de capital externo.
Perde a indústria nacional, o setor real da economia, o trabalhador que, em pouco tempo estará perdendo postos de trabalho. A própria economia, em franca desaceleração.
Mas, o mercado financeiro, guiando-se apenas pelo deus mercado e pela bíblia do lucro, quanto mais fácil melhor, não está nem aí. E continua cobrando do Banco Central medidas destinadas a controlar a inflação. Em especial, baseadas na elevação de taxas de juros.
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Em minha opinião, bem mais significativo que o problema da aceleração inflacionária é a fragilização a que, pelo fato de o câmbio estar completamente fora de nível, nossa balança de transações correntes está submetida.
Em última instância a fragilização de nossas contas externas, que nos torna cada vez mais refém do capital externo, necessário para financiar nosso déficit corrente.
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Mas o mercado não está nem aí para isso. Insiste nos juros elevados, responsáveis por atrair para ser aplicado em nosso país, um volume recorde de recursos externos, como anunciado ontem.
Juros altos, num mundo em que as taxas praticadas por outras economias estão muito baixas, quando não nulas, acaba tornando nossa economia extremamente atraente. E a enxurrada de dólares para cá direcionados é prova disso.
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Vá lá. O real excessivamente valorizado significa preços internacionais mais baixos e uma forma de o governo conseguir manter certo controle sobre o nível de preços aqui praticados. Seja por força da concorrência dos produtos internacionais, seja porque insumos e matérias primas e partes, peças, componentes importados entrarem aqui mais baratos, rebaixando o custo de produção das montagens e produtos aqui gerados.
Mas, se ajuda a combater a inflação, representa também, e cada vez mais, a possibilidade de desnacionalização (quebra) dos setores produtores desses insumos, matérias primas e etc. E, quando a liquidez internacional se evaporar, os preços de nossas commodities exportáveis ficarem mais comportados, e o capital internacional não estiver mais disposto a continuar nos financiando (devido à elevação do risco de crédito), então...
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Ou quem sabe, para o pessoal do mercado financeiro, como dizia Keynes, isso é futuro, e no futuro, todos estaremos mesmo mortos...

A desclassificação anunciada

Como já havíamos previsto nesse espaço, mais uma vez o Atlético não avança na Copa do Brasil, o caminho mais curto para se chegar à Copa Libertadores da América.
Dessa feita, incapazes de derrotar o Grêmio Prudente, último colocado do campeonato paulista, onde se encontra, praticamente, rebaixado.
E ontem, mais uma vez, por incapacidade de marcar um único gol, simples, salvador. Gol até marcado, para sermos justos, mas anulado por erro do bandeira, que arrastou consigo o juiz.
Mas, a pergunta que não quer calar é: merecíamos?
Depois do fiasco de quinta feira passada, quando fomos derrotados por 2 a 1 sem jogar absolutamente nada, e que até nos levou a homenagear o time e o futebol, comparando-o à data do primeiro de abril. Time de mentira, jogadores de mentira. Clube grande de araque, a não ser na memória.
A mesma memória que me fez recordar, ainda nos idos de 80, de um Atlético e Coritiba, ou de um Atlético e Santos, em que não tivemos competência para fazer um golzinho sequer, que nos classificaria. E olha que, naquela época havia time. E naquela época, metade do time do Galo frequentava, em todas as convocações, o time da seleção canarinho.
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De quinta feira para cá, mudou o time. Dois jogadores foram excluídos do plantel, um deles que sempre foi um leão em campo, Zé Luiz, e que por seu estilo pode-se dizer, incorporou a mística da camisa alvi-negra. Ricardinho, não. Sempre foi um jogador diferenciado, mas muito lento. E, tal qual os Torós, Guilhermes (atacante), Leandros, Fernandinhos da vida, não contava com minha simpatia.
Curioso, em Ricardinho, é que desde o anúncio de sua contratação, foi abordado o fato de ser um jogador desagregador. Lembro-me de que o Estado de Minas até o entrevistou e a questão foi levantada. Ele, claro, se defendendo.
Ora, com a fama que o precedia, e depois de Celso Roth pedir sua dispensa, Vanderlei fazer o mesmo, o presidente do Galo vir, apenas agora, dizer que estava observando... faça-me o favor, quem é sério não engole essa.
E, para quem tem boa memória, o time do Galo, que vinha muito bem em 2009, disputando na cabeça até a partida contra o Flamengo, só começou a jogar mal depois que Ricardinho entrou no time. Não por ser um mal jogador. Mas por, em sendo lento demais, tirar do Atlético a sua principal arma, a velocidade.
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Dito tudo isso, o fato é que, nesse início de ano, não apenas Ricardinho vinha sendo o mais lúcido dos jogadores do meio-campo do Galo, como também escalado sempre como titular pelo técnico.
No mínimo estranho que o técnico que o escala, é o que quer vê-lo fora.
Enfim .... no Galo isso não é anormal. Como dizia mestre Kafunga, no Galo o errado é que é o certo.
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Pelo menos ontem não levamos gol. Não creio que por mérito nosso. Apenas porque o Grêmio Prudente veio para não jogar. Não correr riscos desnecessários. Só sair na boa.
E olhe que tiveram chances muito claras de gol...
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Bem, para repetir o chavão: fica para a próxima....

Das sombras

                                                                      De repente
perdeu-se o viço
o verde
perdeu-se a praça
a paz
o pássaro
a palmeira imperial
Perdeu-se o azul do céu
o riso da criança

                        E então fez-se o escuro
                        a divisória soturna
                        e as sombras da noite
                        invadiram um instante de alegria.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pare no P ......da poesia?!

PARE NO P

Pare no p do pecado
da pobreza disfarçada em jornais
do presidiário torturado
do preto que marca a entrada
da preta que marca a saída
polidamente.
                                                           Pare no p da palavra
                                                           do político falastrão
                                                           do plano de emergência
                                                           do técnico de plantão.
Pare no p da propina
no p da pura piscina
de água azul cristalina
no pé daquela menina
mais p que a própria retina
pode sequer vislumbrar.
                                                           Pare no p do poema
                                                           do grito de pavor do poeta
                                                           no p do apito
                                                            que paira no ar
                                                           abaixo da placa
                                                           Proibindo parar.

Sem festas ou fantasias

                                               Não há festa
nem fantasia
não é carnaval
nem tem balões
pelo céu.
                                                           Não há festa
                                                           nem batuque no morro
                                                           nem foguete, nem rojão
                                                           prá explodir a alegria
                                                           prá manter a tradição
Não há festa
na verdade
pois decreto não traz
a liberdade
não há festa popular
se havia o povo não soube
quem sabe outro alguém tomou seu lugar.