segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Dezembro


Nas ruas,
Abraçadas às árvores
Acompanhando o contorno dos prédios
Milhares de pequenas lâmpadas invadem a noite
Piscam sem cessar
E se misturam às gotas da chuva
Que lavam a cidade
Arrastam para longe a poluição da atmosfera
E deixam o ar mais limpo
E respirável
Nos shoppings
Pessoas se acotovelam entre corredores lotados
Trombando embrulhos e pacotes
Na orgia de gastos e presentes
Sob as bênçãos de um Papai Noel
Cada vez mais mercenário
Aproxima-se dezembro
Mais uma vez renovam-se as esperanças
De um Ano Novo que se espera mais feliz

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Enfim, satisfeito


Não posso viver sua vida
Nem vivenciar suas experiências
Assim, não posso ter a sensação que você descreve,
Da brisa do ar no campo,
Ou do passeio em meio à mata (e à revoada)
Das borboletas
Mas sei imaginar e crio em fantasia
A sensação que você deve ter experimentado
Mesmo sabendo não ser a mesma coisa
Como sei da impossibilidade de criar
A mesma melodia, a mesma letra da canção
Que tanta emoção me trouxe
Afinal, não fui eu o personagem do amor
Que se perdeu
Nem tive  aquela mulher em minha companhia
Mas não me incomoda ter vivido a minha vida
Experimentado e vivenciado minhas experiências
Ter passado por meus instantes de amores
E desamores
Momentos que são meus
Eternizados na memória
E na substância que me faz hoje
Ser o que sou.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O caso Bruno e uma novela de sexo, drogas e muito flash

Inspirado nos romances policiais lidos ao longo de minha vida, alguns dos quais desenvolvidos a partir de fatos reais, devidamente distorcidos, resolvi criar hoje uma pequena história a respeito do momentoso julgamento do ex-goleiro Bruno Fernandes, acusado pela morte de Eliza Samúdio. Claro está que, para uma publicação, os nomes deverão ser alterados para outros fictícios.
Mas, só a título de se tentar um esboço, digamos que o argumento de minha novela seja mais ou menos o seguinte: em uma festa, Breno é apresentado, se encanta e tem um romance com a modelo Elena. Esperta, a modelo engravida do atleta famoso. A essa altura, casado e já de olho em outras duas ou três modelinhos, Breno recusa-se a aceitar e reconhecer o filho. Ameaça, propõe um aborto, faz pressão...
Elena não admite jogar pela janela o bilhete que lhe assegura um prêmio para o resto da vida.
Em meio a essa confusão, Eliza descobre as relações entre Bruno e seu amigo e fiel escudeiro Luis com o tráfico de drogas. Sem se dar conta da trama que envolve e se desenrola entre Breno (o financiador), Lucas (o gerente) e outros personagens da equipe de acompanhantes do atleta, Eliza resolve usar da chantagem como forma de pressionar o pai de seu filho a conceder-lhe, além de uma pensão, algumas regalias, como uma casa própria, longe do programa Minha Casa, Minha Vida.
Por não se incluir no programa, não vai ganhar nem a casa, e nem a vida.
A ameaça de denunciar todo o esquema à Polícia, mais que fazer o grupo de amigos diminuir a pressão, leva a gangue a perceber que Elena era um arquivo por demais indesejável e que deveria ser queimado.
***
Cumpre-se o plano arquitetado de eliminar a modelo. Mas, ela havia deixado gravadas declarações que comprometiam o atleta. Embora relacionadas ao problema da paternidade não reconhecida, o sumiço da moça acabou colocando o atleta sob no centro das atenções.
Agindo rápido, a partir de denúncias anônimas de um possível crime, a polícia descobre que Elena fora sequestrada, com o filho recém nascido. E, embora a moça não voltasse mais a aparecer, nem mesmo sua ossatura ou restos, a criança foi descoberta na casa de pessoas completamente estranhas, exceto pelo fato de serem pessoas das relações da ex-esposa do atleta.
***
Feita toda a investigação, descobertas vários indícios de que havia sido cometido um crime, exceto o surgimento do corpo, o atleta é preso, junto com seu amigo Lucas e tem início um sem número de trapalhadas. A começar do advogado constituído para a defesa do jogador que, flagrado, admitiu ser usuário de crack. (Evito o trocadilho, pela seriedade do problema do vício).
Destituído sob o argumento de que estava querendo depenar o patrimônio do atleta, o advogado sai de cena, para frequentar um programa de reabilitação. Mais tarde, irá voltar à cena, como defensor do acusado de ter sido o real executor do homicídio.
O novo advogado de Breno, resolve adotar outra estratégia, que consistia em incriminar Lucas, sob a hipóteses de que tudo não teria passado de um crime passional. Lucas, homossexual não admitia o romance de Breno com Elena, nem que o jogador reconhecesse a paternidade do bebê,  morrendo de ciúmes.
Ao advogado pouco importava a lógica, capaz de entender a causa dos ciúmes de Elena, sendo que outras duas namoradas, além da ex-esposa apareceram na trama, e o jogador já era pai de duas meninas.
***
Claro que Lucas não admitiu a história e, reagiu, negando ser homossexual, e ter cometido ou participado do crime, se é que teria havido crime, já que o corpo insistia em não aparecer, apesar de todas as buscas realizadas.
E aí, aproveitando que foram enviados ao tribunal do juri, vem outra reviravolta da trama. De forma teatral o jogador destitui o advogado que tentava defendê-lo e, poucas horas depois, contrata um jovem advogado, que havia acabado de postar, nas redes sociais o comentário de que Breno deveria reconhecer ser o mandante do homicídio. E deveria ser apenado em 38 anos.
Ou seja: a estratégia de defesa agora era comandada pelo tráfico. Ao ler a opinião do jovem advogado, o crime organizado resolveu se organizar definitivamente e, deu a ordem para que ele fosse contratado.
Dessa forma, Lucas seria considerado, talvez,  apenas cúmplice do crime, da ocultação do cadáver, do sequestro, da formação de quadrilha, pegando uma pena mais leve.
Breno seria condenado aos 38 anos, o que o obrigaria a cumprir, pela legislação penal em vigor, apenas 7 anos em cárcere privado. Considerando que ele já havia passado 3 anos preso e que, para cada dia de trabalho no presídio, sua pena teria o benefício da redução de 1 dia, com mais 2 anos, ele estaria de novo nas ruas.

Ou seja, o crime organizado sairia vitorioso mais uma vez, assegurando pena mais branda para seu gerente e, de quebra, livrando-se para sempre da moça que sabia demais.
***
Bom, como não há corpo, pode nem ter havido o homícidio que se imputa ao ex-goleiro.
Mas que a trama serve perfeitamente para servir de suporte a algum enredo de romance policial, e até quem sabe, roteiro para filme, creio que ninguém nega.

Declarações e devaneios


Minha mão boba
Passeia sob o seu vestido
Para sentir a maciez
Da sua pele aveludada
Escondida sob o tecido
De sua pele perfumada
Que contrasta com o colorido
A cor dourada do verão
A marca branca do biquíni
O arrepio de tesão
Meu desejo à flor da pele

E minha boca
Sedenta, busca pela sua
Meus lábios procuram os seus
E minha língua penetra o céu
E estrelas brilham em seus olhos
Que irradiam todo o fogo
Que insiste em arder
Em pleno oásis
Você tão fértil
E eu deserto

Minha vontade
É me esconder da tempestade
Que trás a nuvem de areia
Agride o meu corpo nu
Castigo que me incendeia

Minha mão boba
Passeia sobre a sua pele
Provocando um arrepio
Que te arranca um gemido
Ao deslizar suavemente
No interior de seu vestido

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Desabafos


O que somos?
Como crescemos?
E como deixamos que nossas cabeças
Fossem invadidas por tantos conceitos equivocados?
Como não nos demos conta
De tantas ideias que iam minando
Justo os valores que nos tornavam mais humanos?
Mais solidários?
Como não percebemos o quanto íamos consumindo
De preconceitos
Que nos invadiram sorrateiros
E nos consumiram por inteiro
A ponto de restar em cada um de nós
Só eus solitários
Eus e meus
Junto a nossos egoísmos
Mesquinhos, apequenados
E esse nosso mundinho que se exaure
Em um monte de nadas
Que compõem nossa vida
Que julgamos tão melhor
E tão mais rica que a de nossos iguais
A quem queremos condenar e quem sabe fazer desaparecer
Para que não possam mais refletir nossas mazelas

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A maior emoção do jogo de ontem: Fica Ronaldinho

Reconheço que há coisas que por mais emocionantes que sejam não são capazes de assegurarem a manutenção de nossa conta corrente no azul. Tampouco permitem que a vida seja uma sucessão de festas, recheadas das melhores bebidas e das melhores companhias que o dinheiro é capaz de proporcionar. Ou adquirir.
Mas que o "Fica Ronaldinho" gritado por mais de 15 mil vozes, no início, durante parte do jogo, e por mais de 2 ou 3 minutos ao final do jogo ontem no Independência comove, e deve emocionar mesmo as pedras ou as cadeiras plantadas no cimento frio do estádio, isso não há dúvidas.
Como inegavelmente deve mexer com Ronaldinho, mesmo que após o banho,  já de cabeça fresca e ainda nos vestiários, os cifrões devam voltar a ocupar muito mais espaço e atenção no coração e cérebro do atleta, até por que mais compatível com o próprio ambiente esportivo.
***
Do jogo em si, talvez valha mais comentar da presença e da companhia do Pieroni e toda sua imensa capacidade, como bom italiano, de fazer barulho e falar alto, e sofrer de forma apaixonada. Sempre um número extra.
Porque de futebol...Antes do jogo começar, acompanhando a entrada do time do xará goianiense, alguns torcedores ensaiaram o coro que os lembrava da desclassificação e da queda para a segunda divisão, em 2013.
Confesso que, nesse momento, não tive um bom pressentimento, chegando a comentar que não se deve chutar cachorro morto. Afinal, esse time, já desclassificado havia acabado de surpreender o Santos, ostentando ainda a façanha de ter sido um dos poucos times a baterem o campeão Fluminense. Feito difícil de ser obtido, e que iguala o lanterna, ao próprio Galo e ao time 'das Marias'.
Então, o Atlético Goianiense, que já tinha aprontado no jogo do primeiro turno em Goiás arrancando um  empate e um ponto precioso do Galo, e que vinha para jogar como franco atirador não devia ser tratado como um adversário já batido, mesmo que seus jogadores tivessem entrado em campo, como o fizeram de cabeça baixa, entre tímidos e envergonhados.
E não deu outra. Com menos de 5 minutos, já havia descido pela direita com perigo, e aproveitando de falhas de Réver que viu e cantou a jogada, mas que não correu com o adversário, e de Víctor, que devia ter socado a bola ao invés do tapinha que deu, acabou marcando o seu primeiro gol, e jogando uma ducha de água fria em todos os que esperavam uma vitória fácil do Galo.
***
Nesse momento é preciso parar um instante para comentar que, no início do jogo, para surpresa de quantos estavam no estádio, Guilherme estava correndo e, parece, mais ligado no jogo. Mas, foi por pouco tempo. Não mais talvez que 20 minutos, quando a torcida o elegeu como um dos culpados do segundo gol, que o time goianiense já havia assinalado.
A partir daí, as vaias da torcida o fizeram voltar a ser o "velho" Guilherme de sempre, frio, apático, desligado do jogo e, como disse um vizinho na torcida, cruzeirense.
Talvez sentindo as vaias, o 10 do Galo desapareceu em campo e nas poucas jogadas de que participou,  pode-se dizer apenas que tudo que tentou, deu errado.
Também é preciso comentar que Cuca continua com o mesmo esquema de jogo. Ronaldinho lança pelo alto para Jô fazer o pivô e não aparecer ninguém a seu lado, desperdiçando a bola. Ou pior, a bola rodando de pé em pé, de Marcos Rocha (talvez o mais lúcido, embora não em 100% dos lances de que participa) para Donizete, que passa para Leonardo Silva, que toca para Marcos Rocha, que tentava Guilherme ou Ronaldinho, e quando nos assustávamos a bola estava sendo atrasada para Pierre ou Donizete e daí até chegar .... à defesa do Galo. Onde Victor ou Réver, ou o próprio Léo Silva davam um chutão, fazendo a ligação direta e inútil com o ataque.
Bernard, pouco lançado, nas poucas vezes que foi acionado, passou pelo marcador e levou perigo, cruzando a bola para o meio da área. Mas, foi só. Não vi um chute da entrada da área, não vi uma jogada de troca de passes veloz entre os jogadores.
Aliás, MINTO. Vi sim. Vimos Pieroni, eu e todos os nossos amigos que acompanham o jogo a nosso lado, numa corrente positiva. O xará fez exatamente isso, e levou perigo em algumas ocasiões, embora não arrematasse as jogadas.
***
No esquema de Cuca, Marcos Rocha é mais ala que marcador, o que é correto, para aproveitar a sua característica de passar bem, ter boa visão de jogo, correr bastante. Mas, se no início do campeonato, Danilinho tinha pulmão para voltar e ajudar a cobertura, e Pierre ficava quase plantado na posição de lateral direito, agora compete a Pierre fazer a cobertura, e Léo Silva é que tem de sair da área para tentar interceptar a jogada adversária, o que deixa buracos no meio da área e a defesa meio manca. Ou completamente manca.
E é por ali que nascem gols como o segundo do time rubro negro de Goiás, em que o jogador desceu em velocidade, Marcos Rocha não estava guardando o local - reconheça-se que é difícil para ele subir e voltar todo o tempo, já que ninguém tem pique para isso, ainda mais que às vezes, ele nem na direita se encontra, já que tenta entrar pelo meio para surpreender a defesa contrária. Mas, sobrou para Guilherme a cobertura que ele não dá conta de fazer e ele não acompanhou o jogador contrário, que avançou livre.
Falha de Marcos Rocha ou de Cuca e o esquema, e de Guilherme ou de Cuca e a insistência em colocar Guilherme.
Logo em seguida, para se redimir da falha, Réver subiu para a área com a garra que lhe é característica e marcou um bonito gol para o Galo.
E daí para a frente foi ver o Galo martelando jogadas aéreas, e nada.
Ou ao contrário: 5 bolas na trave. O que significa que além de tudo falta ao time pontaria. Ou então que o time tem pontaria em excesso. Afinal, com tanta distância entre as traves, para marcar a distância do gol. Tanto espaço de linha de fundo, de cada lado, acertar os poucos centímetros do poste é coisa difícil de entender.
***
Quanto ao segundo tempo, apenas uma observação e uma frase já dita. O time goiano tramava melhor as jogadas, embora não levando real perigo ao gol do Galo. E a entrada de Berola só veio mostrar aquilo que todos sabem de longo tempo. Ele é um jogador esforçado. E só. Além de um tremendo cai-cai que prejudica os nossos ataques toda vez que a bola lhe é lançada e que, parece que sem preparo físico adequado para correr, ele se projeta, tentando cavar alguma falta.
Mas, pegar no pé dele, xingando-o em coro como fez a torcida é exagero. A culpa não é dele, pelo fato de ter menos futebol que alguns acreditavam que ele tivesse, inclusive Cuca. Berola não é culpado de ser escalado e de ser um cara que dá sorte, às vezes e corre muito, inutilmente, a maioria delas.
Bem, não fosse o gol salvador de Ronaldinho ao final, teríamos amargado um resultado ruim e que nos afastaria da possibilidade de sermos vice-campeões.
Mas cada vez mais vai ficando evidente que: mesmo ajudado pelos juízes (ontem, já sem necessidade de ajuda, até os penaltis de Gum voltaram a ser marcados), ou pela CBF, ou pela sorte, o Fluminense foi campeão por sua competência. E nós perdemos de nossa incompetência e nossas falhas.
O que sinaliza que ainda há muito o que fazer para 2013. Se é que o Galo almeja mesmo conquistas no ano que vem aí.

De viagens


Há pessoas que voam nas palavras
Nas imagens
Nos contornos das nuvens
Nas sombras da noite
Nas fantasias que povoam a imaginação
Outros viajam nas estrelas
Brincando de esconde-esconde entre astros
Transformando as nebulosas
Em montanhas russas repletas de emoções
São os que viajam sem sair do lugar
Outros  viajam de forma mais concreta
E saem à procura da paz da praia
Ou da imensidão do mar
Do cheiro de mato
Do contorno sedutor e insinuante das montanhas
Há os que procuram agito
Há os que buscam sossego
Meus filhos estão no Peru
À procura de segredos incas
Enquanto outros curtem as águas cristalinas do Caribe
Onde encantam as paisagens de Cancun