terça-feira, 19 de março de 2013

E aqui: Secas de Março



Lá onde o vento faz a curva
chove torrencialmente
bem diferente daqui
onde as chuvas não chegam
e até as nuvens cumulonimbus
grandes, cinzas
e capazes de atemorizar a todos
são expulsas pelo vento
que fustiga as galhas das árvores
e traz um frio extemporâneo
Casacos saem dos armários
onde restam guardadas as sombrinhas
e as galochas
Nos barracos pendurados nas encostas
suspiros de alívio e  comemorações ressabiadas
são sinais da esperança
que nesse ano o barranco não desliza
E a enchente das goiabas que outrora
marcava o dia em homenagem a São José
ao menos nesse ano é só história
trazida pela chuva da memória.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Petrópolis afogada



Enquanto aqui
um calor sufocante nos oprime
e incomoda
e a umidade só faz ampliar o desconforto
na serra, como já é tradição
Petrópolis se desmancha em entulho
e a chuva torrencial arrasta consigo
ruas, casas, sonhos, vidas
e até as lágrimas                  
de quem já não possui nem esperança
para perder.

5 a 2 do Galo foi espetacular, mas segundo gol americano não pode se repetir

Vá lá que o time do Atlético, mesmo poupando alguns de seus principais jogadores é superior ao do América. Vá lá que o América jogou um primeiro tempo em que surpreendeu o Galo, saindo na frente no placar e marcando lá na frente a saída de bola, encurtando os espaços e dificultando que o Atlético pudesse armar suas jogadas. Isso, apesar de o Guilherme, que voltava ontem ao time, depois de um longo período de inatividade, estar jogando com mais disposição que em jornadas anteriores.
Também é possível que o América tenha sentido a correria do primeiro tempo, e que foi abrindo o bico, à medida que o segundo tempo ia passando.
Mas, com Réver em tarde-noite de grande inspiração, e muita dose de sorte, não dava para o panorama do jogo ser muito diferente do que foi visto. Subindo muito à área adversária, e surpreendendo o América, em especial em lances de bola parada, Réver ontem foi o grande destaque do jogo. Não só pelos gols que marcou, todos de rara beleza, mas por mostrar uma qualidade e uma tranquilidade, frente ao goleiro adversário que poucos atacantes têm demonstrado em nosso futebol.
No primeiro, infiltrou-se na defesa adversária, que tentava sem sucesso montar a linha burra do impedimento, matou a bola e, com leve toque matou o goleiro Neneca, encobrindo-o de forma sutil.
No segundo, um voleio na bola vinda da direita, de rara felicidade, sem qualquer chance de defesa para Neneca. O terceiro, em cruzamento agora da esquerda, para mostrar como é que um jogador deve subir para cabecear a bola.
E, isso tudo apesar de no primeiro tempo, Réver estar mancando em campo, reclamando dores no calcanhar. E de ter sido cogitada, inclusive sua substituição.
***
Mas esse pitaco não era para falar de Réver, ou da vitória maiúscula do Galo. E nem era para falar da falha, mais uma falha gritante da defesa do Galo, de seu miolo de área, no gol de Fábio Júnior. Falha de Gilberto Silva que não subiu nem que fosse para dificultar a vida do artilheiro americano, falha de Réver, que não estava bem posicionado no lance, não atrapalhando a jogada americana, e falha de saída do goleiro Victor.
Falhas que, já há muito tempo venho comentando, sempre reclamando que, parece, o time do Galo não faz treinamentos com bola cruzada sobre a área, forçando os goleiros a saírem do gol. Só para lembrar, foram erros na saída do gol quando da bola erguida na área, que queimaram Renan Ribeiro, Geovani. E que agora mostram uma fragilidade grande do Victor, em minha opinião.
***
Mas, o motivo principal do meu pitaco não é esse. Hoje, o motivo do pitaco é a jogada que deu origem ao segundo gol do América, que poderia ter trazido problemas para o final de um jogo que, àquela altura, já parecia liquidado.
Só para recordar, o time do Atlético, como já aconteceu outras vezes, para desespero da massa, começou a tocar bola no meio campo e, ao invés de fazer a bola rolar para a frente, mais uma vez, começou a retardar a bola.
Assim, a bola no ataque, foi trazida para o meio, que jogou para o companheiro que estava ao lado, que jogou ainda mais para trás, que jogou no meio da área, na fogueira, para outro zagueiro, até que nessa falta de objetividade e de seriedade, fosse interceptada por um adversário que tocou para que outro livre pudesse fazer o gol, de forma atabalhoada até.
É importante deixar claro que não estou condenando aqui a troca de passes, que longe de ser desrespeito ao time do América, longe de caracterizar um olé de deboche, é uma estratégia correta de fazer o tempo passar, evitando o desgaste físico de um time que já tem outro compromisso na próxima quarta feira.
Mas, o que acho absurdo aqui, e assim sim, um desrespeito com a sua própria torcida, é esse tal de jogar a bola que se encontrava lá na intermediária contrária, para trás, até a nossa defesa, deixando o jogo não apenas feio, mas arriscado desnecessariamente.
Cuca tem que chamar a atenção do time, para não repetir esse tipo de lances. Isso, se de tão praticada, não partir dele a sugestão para esse tipo de futebol que aproxima-se muito do anti-jogo, em minha opinião.
Que o segundo gol americano sirva de lição.

Discurso de Formatura - Turma Dez 2012



Prezados Formandos,
diz a lenda que o melhor discurso deveria começar com uma frase de saudação aos formandos, seguida de uma segunda frase, desejando-lhes felicidades e sucesso em sua futura carreira, acompanhada de um sonoro boa noite.
É fácil presumir que esse discurso seria forte candidato ao mais aplaudido da noite.
Pura lenda. Especialmente em se tratando de discurso de um paraninfo em uma colação de grau. Afinal, está lá no dicionário: paraninfo é a pessoa homenageada por sua atuação junto a um grupo de formandos. E, completa o Aurélio,  que em geral retribui a homenagem proferindo discurso.
Mas não pode ficar impune a escolha de um professor como paraninfo. Até para mostrar a todos aqueles que apoiaram e permitiram aos formandos concluírem com êxito mais essa etapa de sua jornada, a carga de sacrifícios e sofrimentos a que tiveram de se submeter, noite após noite. Refiro-me aos pais, namorados, companheiros, filhos e amigos a quem presto minhas homenagens castigando-os com uma última aula.
Mas, longe de falar em números, estatísticas, equações e fórmulas, gráficos e teorias, o discurso hoje é mais prosaico. Prometo que diferente dos discursos dos sábios gregos, os sophos e de sua tentativa de transmitir a sophia, ou sabedoria.
Afinal, para esses sofistas, que cobravam pela venda de seus serviços, o método preferível de exposição de seus conhecimentos era o discurso longo, com que impunham mais facilmente suas ideias, já que se tornava difícil para os ouvintes perceberem todos os detalhes e pormenores da transmissão do conhecimento.
Assim, enganavam e manipulavam os auditórios, tornando-se alvos de pesadas críticas e censura tanto de Sócrates quanto de Platão e Aristóteles. Platão em especial, em seu diálogo Protágoras, faz uso da figura de Sócrates para criticar o discurso longo, fazendo o personagem afirmar ser um homem esquecido e capaz de esquecer o discurso quando demorado. Tal qual se fosse surdo.  
Na mesma peça Protágoras, é feita uma recomendação aos jovens para terem cuidado com as lições transmitidas pelos sofistas, “ aqueles que levam a ciência de cidade em cidade, vendendo-a a retalho, elogiam sempre ao interessado tudo quanto vendem, mas talvez, .... desconheçam o que é que desses artigos que vendem é bom ou mau para a alma...”
Dos gregos para os árabes, e a história de um ancião que sempre estava sentado próximo a um poço na entrada de um povoado. Diz a fábula que ao passarem por ali dois jovens fizeram ao velho a mesma pergunta, querendo informações sobre os habitantes do povoado. A ambos o ancião perguntou como eram os habitantes da cidade de onde vinham.  Ao primeiro, que respondeu que os homens eram egoístas e maus, e que se sentia feliz de ter deixado a cidade, o velho respondeu que assim também eram os habitantes de seu povoado. Ao segundo, que considerava seus antigos vizinhos bons, generosos, hospitaleiros e trabalhadores o velho respondeu que assim também eram os habitantes do povoado.
A um homem que assistia a cena e perguntou a razão de o velho dar duas respostas tão diferentes, o velho explicou que cada pessoa carrega o universo em seu coração. As pessoas refletem o que existem em si mesmas. Encontram sempre o que esperam encontrar.
Existem várias histórias como essa da tradição árabe, ou como a preocupação de Platão se a transmissão de conteúdo era boa ou má para a alma, todas podendo ser resumidas na frase do famoso escritor russo, Leon Tolstoi, para quem: “É no coração do homem que reside o princípio e o fim de todas as coisas."
Aliás, confesso que, de Tolstoi, autor de Guerra e Paz e Anna Karenina, eu nada conhecia. Até que procurando ideias para a elaboração desse discurso, fui descobrir no santo Google, as frases e pensamentos do autor de "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia."
Pensamento coerente com outro que afirma que “Não existe grandeza onde não há simplicidade, bondade e verdade.", também de sua autoria. Ou a constatação de que “A razão não me ensinou nada. Tudo o que eu sei foi-me dado pelo coração."
Meus afilhados,
Em uma área das Ciências Sociais em que interesses são tão flagrantemente capazes de interferirem e guiarem nossas opiniões e ações, lembrem-se sempre de se guiarem e agirem de acordo com a voz que vem de seu interior. De acordo com a essência que lhes foi transmitida por seus pais, por seus familiares e seus amigos, e, além disso, por seu aprendizado próprio.
Para concluir, dois últimos pensamentos de Tolstoi:  um voltado para a vida em sociedade e o respeito ao outro, que afirma  “Para que os homens possam viver a vida comum sem oprimir-se mutuamente, não necessitam das instituições sustentadas pela força, mas sim de um estado moral dos homens, no qual, por convicção interior, e não por força, procedam com os outros como querem que os outros procedam com eles"
O último, que é uma importante reflexão sobre o preconceito, as diferenças entre os homens e o respeito a essas diferenças, que diz: “Um dos preconceitos mais conhecidos e mais espalhados consiste em crer que cada homem possui como sua propriedade certas qualidades definidas, que há homens bons ou maus, inteligentes ou estúpidos, enérgicos ou apáticos, e assim por diante. Os homens não são feitos assim. Podemos dizer que determinado homem se mostra mais frequentemente bom do que mau, mais frequentemente inteligente do que estúpido, mais frequentemente enérgico do que apático, ou inversamente; mas seria falso afirmar de um homem que é bom ou inteligente, e de outro que é mau ou estúpido. No entanto, é assim que os julgamos. Pois isso é falso. Os homens parecem-se com os rios: todos são feitos dos mesmos elementos, mas ora são estreitos, ora rápidos, ora largos, ora plácidos, claros ou frios, turvos ou tépidos."
Felicidades e que o seu coração possa lhes guiar em sua carreira.
Boa Noite.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Controvérsias



Saiba sempre que
se quiseres calar
sou todo ouvidos
não insisto
mesmo que te crive de perguntas
já que de minha índole
não faz parte a curiosidade
Mas, quando quiseres
saber minha opinião
conte com meu silêncio sagrado
e observe os gestos
que em minha imobilidade
são juras de amor
pra você

quinta-feira, 14 de março de 2013

Galo 100%

Galão da massa, classificado, com competência e muita sorte. Muita sorte mesmo.
Não que não merecesse por sua campanha 100%. Não que não merecesse, no jogo de ontem, um resultado positivo, depois de ter jogado todo o tempo com inteligência e com um olho no jogo e outro no regulamento.
Mas, se merecedor de um bom resultado, devo reconhecer que o Galo ganhou por muita sorte, depois de uma jogada boa, feita pelas laterais, de Serginho. Mas, em várias bolas lançadas à área à meia altura ou pelo chão, talvez uma vai chocar-se com a perna do zagueiro adversário que estará correndo na ânsia de tentar afastar o perigo.
Vá lá. Desde pequeno, sempre ouvi dizer que, enquanto vários times e jogadores ficam ensaiando e fazendo a "cavadinha" o jogo inteiro, alçando bolas na área para a cabeçada de algum jogador de elevada estatura, a jogada mais perigosa é aquela do cruzamento rasteiro, com força, que pode mesmo que não intencionalmente, acertar a canela de algum jogador que esteja no meio da área, a chamada zona do agrião.
Não sei se Serginho cruzou a bola pensando nessa possibilidade ou se desejava alçar a bola, como é costume. Mas, vale dizer que parece-me que ele brigou pelo lance, acreditou nele e, querendo ou não, jogou na área e o Galão saltou à frente no placar. Decretando a classificação e dando um passo gigantesco na conquista do título de time de melhor campanha, e assegurando vantagem de jogar a segunda partida em casa em todas as fases seguintes.
Mas, o Atlético deu sorte, como no lance em que Leonardo Silva tirou a bola em cima da risca do gol, com Victor já batido. Ou em outros lances de chutes a média distância que os bolivianos insistiram durante toda a partida, parece que não acreditando em nosso goleiro.
Aliás, em minha opinião, Victor falhou no gol do Strongest, mesmo com todas as desculpas de gramado pesado, bola escorregadia, bola mais leve por força da altitude, etc. etc.
***
Do jogo, a lamentar a bola que Tardelli deixou de chutar para o gol, já que tinha ângulo, preferindo tentar acionar Jô, e que desviou no beque da equipe boliviana. Ou o lance de Marcos Rocha, ao final, isolando a bola, talvez por cansaço, quando estava sozinho e frente a frente com o goleiro Vaca.
No mais, Bernard não apareceu no jogo, fazendo uma de suas mais apagadas partidas, o que indica que não devia ter ficado tanto tempo em campo, com sacrifício de sua saúde.
E, apesar da participação no lance que decretou nossa vitória, só Cuca mesmo, e vai saber porque, acredita que Serginho é jogador adequado para entrar no time do Galo.
Afinal, como sempre, esse Serginho, de futebol tão diminuto quanto seu apelido, foi de uma afoiteza total e mais uma vez de violência desnecessária, o que lhe rendeu mais um cartão amarelo. O que convenhamos, não é nenhuma novidade.
***
Mas, venceu o Galo e isso é que importa. 

O Papa Hermano: Papa Francisco

Um Papa hermano é o que de mais curioso poderia acontecer para nós, brasileiros, especialmente quando a maioria da população, convencida pelas principais matérias veiculadas pela imprensa,  relacionadas ao conclave, esperava e torcia por um Papa brasileiro.
Segundo a midia, impressa, televisiva, eletrônica, a "partida final" seria disputada entre o brasileiro, dom Odilo Scherer e o cardeal italiano d. Ângelo Scola.
Entretanto, correndo por fora como um autêntico azarão, surgiu Mario Jorge Bergoglio, agora Papa Francisco.
Confesso que, sem conhecer absolutamente nada da caminhada de vida do novo Papa, de imediato, e ao contrário da maioria dos meus patrícios, achei uma escolha mais conveniente que a de nosso cardeal favorito.
Nada contra D. Odilo, exceto o fato de a única informação que detenho dele estar ligada a uma atitude, em minha avaliação, de autoritarismo, poder-se-ia dizer truculência mesmo, representada pela escolha da atual Reitora da PUC-SP, o menos votado pela comunidade acadêmica e, por esse motivo, o último nome da lista tríplice encaminhada ao cardeal.
Rompendo a tradição e até mesmo desrespeitando um pacto ou acordo entre os postulantes ao cargo, um deles na verdade em busca da recondução, D. Odilo mostrou no episódio que não abre mão e não se curva à vontade de várias outras pessoas, impondo a sua decisão a todos. Isso, apesar de todo o protesto e até da greve que alunos e o corpo docente da universidade ensaiaram fazer.
Se ganhou no episódio da escolha do reitor, D. Odilo não obteve o mesmo resultado na eleição a que se candidatou para presidir a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, outrora tão ativa e combatente guardiã dos valores da democracia e dos direitos e liberdades individuais. Ao menos no que diz respeito aos que se opunham à ditadura militar que dominava nosso país.
***
Então, se não se deve esperar de qualquer padre um posicionamento minimamente conservador, menos ainda se deve esperar daqueles que ascenderam na hierarquia da Igreja que, como toda grande organização hierarquizada seleciona seus "executivos ou gestores" levando em conta o grau de fidelidade e respeito dos eleitos a seus princípios e crenças.
Mas, no mundo de hoje, e especialmente considerando-se que a Igreja Católica vem já há dois papados, quase 35 anos ininterruptos, atravessando um período de forte conteúdo conservador, com uma direção excessivamente centralizadora, em minha opinião é mais conveniente não continuar a tradição recente, escolhendo mais um representante autoritário, mesmo que brasileiro.
Afinal, há também que se considerar que não se trata aqui de uma partida de futebol, nem a prática de qualquer atividade esportiva e que a torcida aqui é .... completamente descabida.
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Do novo Papa, em minha avaliação, deve-se louvar a escolha do nome simbólico de Francisco, em referência a Francisco. Embora não seja, o Francisco,  Il Poverello de Assis, conforme esclarecimentos já  divulgados pela imprensa. De qualquer forma, traz à lembrança o homem que abandonou a pompa e riquezas e conforto material para se tornar o frade menor, de pés descalços.
Só a reminiscência já dá uma ideia, positiva, do que pode ser esperado do novo Papa, parecendo mesmo ter havido alguma influência de Deus, ou do Espírito Santo, ao bafejar o representante hermano.
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No mais, como todos que possam vir a ler esse pitaco, também vou procurar conhecer mais da personalidade e das atitudes e comportamentos, pensamentos e até das omissões do novo Papa,  procurando ler as milhares de referências que, a essa altura, já inundam a midia para poder avaliar melhor o que pode ser seu reinado...
E aguardar que seja mesmo um papado que traga mais igualdade, justiça, respeito e paz e fraternidade entre os homens, de todas as nacionalidades, de todas as raças, e de todos os credos.
Que Deus esteja contigo Papa Francisco e que te guie.
Embora alguns insistam em dizer que, como autêntico argentino, Deus não está com Bergoglio. Já é o  próprio. O que não passa de uma brincadeira de brasileiro, frustrado.