sexta-feira, 30 de maio de 2014

A aposentadoria de Joaquim Barbosa e porque insistem em não deixar o aposentado Ronaldo em paz...

O anúncio da aposentadoria de Joaquim Barbosa ganha destaque e as manchetes de nossos principais jornais. Alguns deles, questionando o porquê de o presidente do STF anunciar apenas agora sua decisão. Outros achando precipitada a decisão, já que o ministro, nesse momento, não poderá se lançar candidato a qualquer cargo eletivo nas eleições do próximo mês de outubro, como tanto se especulou.
Indagam as razões de o presidente do Supremo, que ganhou tanta notoriedade com o julgamento do mensalão chegando inclusive a ser apresentado como  nosso justiceiro-mór, por parte de nossa classe média de mentalidade conservadora e tacanha, ter preferido o ostracismo e o recolhimento.
Observe que não afirmei que Barbosão, como foi chamado em alguns momentos, posou de justiceiro. Apenas aceitou a imagem que lhe pespegaram, sem qualquer reação ou comentário, contra ou a favor.
Quanto à utilização do termo notoriedade, cuja utilização em inglês denota algum tom crítico, deve-se não ao seu comportamento como relator do mensalão, mas exclusivamente a algumas de suas reações.
Em minha opinião, tais reações, sempre destemperadas, autoritárias e impróprias irão, no futuro, ser lembradas, empanando uma biografia que tinha muitos pontos para ser elogiada, aí considerando-se, inclusive, o fato de ter cumprido seu papel funcional.
Porque embora no Brasil saibamos que isso é raro, e merecedor de comentários, o que ele fez como relator da Ação Penal 470 e depois, como presidente do Supremo, foi apenas o cumprimento de um dever funcional e profissional, que envolve claro, o dever de consciência.
Por raro, o tratamento dispensado por ele a poderosos e políticos como se fossem seres humanos comuns, em minha opinião não há muito que ficar elogiando e lembrando do ministro.
Mas, seu destempero e a dificuldade de aceitar a discordância, o contraditório, a opinião do outro, a falta de diálogo, essas ganharão destaque por não adequadas ao comportamento que se espera de um magistrado da mais alta Corte do país.
Ainda assim, prefiro ficar com a imagem do homem do povo, que venceu por seus méritos e por sua capacidade e inteligência, contra um ambiente que deve ter se apresentado a ele como bastante hostil em várias ocasiões.
Neste momento, curioso é que entre comentários e especulações sobre sua decisão anunciada, pouco espaço tenha sido dedicado pela imprensa a um detalhe simples: por tratar-se de uma opção pessoal  e um benefício de cunho íntimo, pessoal, não há o que ficar procurando razões para explicar o gesto. O que de resto, mesmo se houver, não interessa e não deveria ser preocupação de mais ninguém.

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Ronaldo, agora sim, e cada vez mais, um fenômeno

Que um jogador de futebol emita suas opiniões e as torne públicas, caso tenha espaço para tanto, não é problema algum.
Afinal, por muito tempo, acompanhamos as opiniões emitidas por Edson Arantes do Nascimento, cobrando dele uma postura distinta daquela que ele insiste em nos passar.
Dele, como não cansamos de nos lembrar, o deputado Romário em um momento de rara felicidade observou que, calado era um poeta.
Desta forma, como qualquer outro profissional e cidadão, nada tenho contra as opiniões de Ronaldo Nazário, o gordinho que se tornou o artilheiro recordista de Copas do Mundo, o que convenhamos, não é pouco.
Fato que será sempre digno de destaque ou menção nas páginas ou programas de esportes de nossos meios de comunicação.
Mas, daí dar a ele toda a atenção que lhe é dispensada, em assuntos que não creio que ele tenha autoridade para tratar, é culpa e falha de nossa imprensa, ávida por escândalos.
Em algumas ocasiões, inclusive, o que vemos é apenas e tão somente uma invasão de privacidade desmedida, como no caso das notícias sobre seu casamento em um palácio francês,  como também sua separação algumas semanas depois.
Ou como no caso que ganhou as páginas policiais, por força de desacordo comercial com três travestis em uma noitada no interior de um motel, no Rio.
Mas, em minha opinião, Ronaldo deveria se cuidar mais e sua assessoria está falhando muito, quando o ex-jogador concede entrevistas como membro do Comitê local responsável pela organização da Copa. Até para preservar sua imagem.
E para evitar que ele se mostre tão contraditório e meta tanto os pés pelas mãos, com tem feito, desde quando foi feito o anúncio de seu nome como membro do Comitê que, diga-se de passagem, também não tinha qualquer justificativa. Naquela ocasião, afirmou que uma Copa não se fazia com hospitais, e saúde pública de qualidade, criticando as manifestações populares contrárias à realização da Copa em nosso país. Agora, em entrevista concedida a órgão de imprensa alemã, declarou sentir-se envergonhado com tanta burocracia, atraso e tantas obras por fazer no nosso país, relativas à própria Copa.
Finalmente, para manifestar sua opinião de que, para os manifestantes mais exaltados, ou vândalos, como ele os definiu, o melhor era a polícia baixar o cacete.
Como disse, não há o que criticar de declarações de quem quer que seja. Mesmo que seja alguém de alguma visibilidade.
Mas, que não dá para entender como a imprensa insiste em ouvir a quem não entende nada do que é objeto da discussão, para isso é que não encontro qualquer justificativa.
A imprensa sim, é que agindo assim, merece toda nossa crítica pelo desserviço que presta à população e, pior, ao próprio entrevistado. Ronaldo no caso.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Galão no embalo e já no ritmo do trabalho de Levir

Em alguns momentos, parecia o mesmo time e o mesmo futebol, rápido, objetivo, empolgante que nos deu tantas alegrias  no ano passado.
Marcação sob pressão na saída de bola do adversário; toques rápidos, triangulações, jogadas pelas pontas; aqui a ali, em uma jogada ou outra, já se notava o dedo de Levir Culpi. Essas as observações a respeito do bom jogo do Galo ontem, contra o Fluminense, em Ipatinga.
Prosseguem, claro, algumas deficiências, de resto sobejamente conhecidas: Léo Silva, muito fraco no meio da defesa, muito lento, incapaz de conseguir impedir ou barrar as jogadas do "gordinho" Valter, que deu um show de categoria e inteligência, com e sem a bola em seus pés.
A propósito de Valter, chega a impressionar a capacidade que ele possui de proteger a bola, o que dificulta que consigam tirá-la de seus pés.
Como de hábito, saíram de seus pés, as jogadas mais perigosas do Flu.
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Os laterais, ainda muito inseguros e muito fracos, principalmente Alex Silva, já que em alguns momentos, Emerson Conceição apresenta lampejos de que pode ser útil ao Galo.
O meio que tem Donizete como um dos responsáveis pela saída de bola, não tem ninguém para ligar defesa ao ataque. Por mais esforçado que seja, e violento, que tem sido sua principal característica na destruição de jogadas dos adversários, ele é muito fraco na armação, persistindo em seu defeito de não conseguir acertar um passe de poucos metros.
Tardelli voltando a jogar mais livre, embora ainda distante da área que é sua verdadeira posição e onde se destaca, é uma grande alegria e esperança de dias melhores.
Fernandinho não fez falta e vê-se que, ao contrário, com seu individualismo mais prejudicava ao time que contribuía para as vitórias.
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Dátolo e Giovanni, esses em minha opinião os nomes do jogo. Dátolo, comandando o meio campo e aparecendo à frente, como elemento surpresa, o que lhe permitiu marcar o gol que deu início à vitória. De quebra, ainda foi de seus pés e de sua insistência que nasceu o gol de Tardelli.
Giovanni, transmitindo a segurança que permite à torcida não sentir tanta saudade de seu goleiro titular, defendendo a seleção brasileira.
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Parabéns a Levir e seu estilo, que vai aos poucos impondo em nosso Galão da massa.
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Mas tão notável quanto o bom futebol do Galo foi o fato de que nenhum lance de discussão, a favor do Galo mereceu reprise ou comentário do torcedor do Flu que estava na cabine de transmissão, fingindo ser comentarista. Acho que um tal de Lídio. Sei lá.
Nem me interessa saber o nome de um comentarista que esquece de sua função para torcer desavergonhadamente como esse pessoal da imprensa carioca.
Uma vergonha e que mostra bem o porque de tanto protecionismo ao time das Laranjeiras.
Pior foi ficar insistindo que o time do Atlético jogou de igual para igual com o tricolor, quase dando a entender que o placar mais justo talvez fosse outro, quem sabe um empate.
E ainda teve a cara de pau de elogiar o juiz, que distribuiu cartões a torto e a direito para jogadores do Galo, mas não mostrou o mesmo rigor, em jogadas como o lance de sola em Pierre, ou outras de agressão de jogadores do Flu, por exemplo, a Emerson Conceição, no final do jogo.
E não comentou nada a respeito de algumas faltas não assinaladas pelo juiz, que preferiu fazer vista grossa.

É UMA PENA QUE CARIOCAS TÃO POUCO PREPARADOS SEJAM DESIGNADOS PARA TRANSMITIR E COMENTAR NO Pay per view. Onde o torcedor do Galo é tido como o que mais receita dá à operadora. 
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Como o futebol é uma caixinha de surpresas, apenas para manter o chavão, o gol tomado ontem, pelo bom goleiro Fábio do time conhecido como das Marias, foi qualquer coisa de estranho. Na verdade um peru. Se não culpa do montinho artilheiro.
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COPOM interrompe política monetária restritiva. Selic se mantém a 11%, à espera de que seus efeitos se manifestem plenamente

Não era surpresa para ninguém e todos os agentes do mercado já contavam com a interrupção da política de elevação da taxa de juros básica da economia, a taxa Selic, que vinha sendo praticada pelo COPOM desde abril do ano passado.
Primeiro porque a inflação vem apresentando sinais de arrefecimento, embora as previsões feitas pelas consultorias de mercado continuem sinalizando que o índice deve terminar o ano próximo de limite do intervalo de 6,5% admitido no sistema de metas.
Segundo porque há um reconhecimento de que existe uma certa defasagem temporal entre o instante da tomada da decisão pelo colegiado de diretores do Banco Central e o período necessário para que a decisão conclua todo o seu efeito, o que pode levar algum tempo.
Dessa forma, ainda se espera que a elevação da taxa Selic para o patamar de 11% possa levar mais algum tempo para manifestar todos seus resultados, o que torna uma nova elevação, nesse momento, pouco prudente.
Não apenas os índices de preços vêm dando sinais de estarem se desacelerando, como alguns outros indicadores vêm dando sinais de que a economia emite sinais de estar reagindo à política do governo, reduzindo seu ritmo de atividade.
Nesse sentido, uma nova elevação dos juros a ser decretada pelo COPOM poderia dar início a um processo que, além da queda de preços mais veloz, poderia dar origem à uma queda da produção, em momento em que algumas indústrias como a automobilística já apresentam redução de vendas e pátios cheios de estoques, além de interrupção da queda recorde da taxa de desemprego no país.
Em seu comunicado, além de informar ter sido a decisão adotada por unanimidade e sem viés, o Banco Central revela que irá prosseguir monitorando a atividade econômica, de forma a manter o controle dos preços, sem afetar negativamente o nível da atividade econômica.
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Quanto às reações provocadas junto à indústria, embora órgãos representantes dos setores produtivos estejam comemorando a interrupção da política de elevação dos juros, alegando que o ônus do combate à inflação não deve ficar apenas sob sua responsabilidade, algumas declarações cobram do governo mais rigor no controle de sua política fiscal, lembrando que, apesar do extenso período de elevação da Selic, que subiu mais de 50% no período de pouco mais de um ano, a inflação ainda apresenta uma resistência à queda.
Reclamam ainda da manutenção de taxas de juros excessivamente elevadas e descoladas da realidade econômica do país, caracterizada por crescimento econômico em desaceleração e anêmico, o que os leva a responsabilizar o governo por deixar escapar mais uma oportunidade de estimular o crescimento econômico.
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Por outro lado, notícias advindas do Planalto indicam que a presidenta Dilma procura aproveitar a política de juros adotada por seu Banco Central,  de forma a poder reverter sua imagem junto ao mercado de ser leniente com a inflação.
Nesse sentido, embora seja contrária à manutenção de uma política de taxas de juros elevada, que dificulta o crescimento econômico, vai procurar vender a ideia de que seu governo não poupa esforços para manter a inflação controlada.
Tal ação de marketing é sem dúvida, interessante para calar a boca dos críticos que a acusavam de abandonar um dos principais pilares do tripé de política econômica que encontrou ao chegar ao poder, a que se soma a política de austeridade fiscal e geração de superávits primários, e a política de câmbio flexível.


terça-feira, 27 de maio de 2014

Fernandinho: quando a postura do jogador choca-se com o que se espera de um profissional

Cada cabeça, uma sentença. Com uma pequena alteração, pode-se dizer também que cada cabeça, uma versão.
Refiro-me ao caso de Fernandinho, o jogador contratado por empréstimo pelo Galo, para vir ocupar o lugar de Bernard.
Sem ter tido seus direitos econômicos adquiridos pelo Atlético, de forma definitiva, Fernandinho estava cumprindo os últimos dias de seu empréstimo.
Examinando sua passagem pelo Galo podemos identificar duas fases, bem distintas. Na primeira, logo após sua chegada, impressionou à massa com uma disposição e vigor físico, aliados a um futebol de qualidade, ágil, veloz, driblador, a ponto de fazer a torcida não ter oportunidade para ficar se lamentando da perda de seu ídolo de alegria nas pernas.
Depois de ganhar a confiança da massa, e à medida que ia se aproximando a disputa do mundial de clubes em Marrocos, seu futebol foi se tornando mais econômico, com sua velocidade e participação em prol da equipe dando lugar a um individualismo muitas vezes prejudicial. Da mesma forma que ia revelando sua pouca disposição de jogar para a equipe, começou a demonstrar também uma certa inaptidão para vir ajudar a fechar o meio campo, tornando-se o responsável pelo primeiro combate e ajudando o lateral na marcação do ataque adversário.
Depois do jogo contra o Cruzeiro, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro no ano passado, quando fez uma jogada espetacular, que culminou com o gol que permitiu o Atlético sair com a vitória de um a zero, não voltou mais a apresentar as características que o fizeram cair nas graças da torcida.
Passada a campanha vexatória do Marrocos, e as férias, não voltou mais a apresentar o futebol vistoso de antes. Na verdade, parou de jogar, o que pode ter sido também afetado pela contusão que sofreu e que o tirou do time por algum tempo.
Sua postura em campo deu origem a críticas cada vez mais contundentes, e o comentário de que não teria seu empréstimo prorrogado foi ganhando corpo.
Pesava para tanto, o valor de R$ 3 milhões que o Galo teria que dispor para obter a renovação.
Com a chegada de Levir Culpi, Fernandinho até voltou a apresentar uma disposição maior em campo, atuando com o mesmo espírito dos primeiros tempos, embora mantendo as suas características, como o individualismo, que vinham sendo alvo de críticas.
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Agora, iniciado o campeonato brasileiro, e completadas as seis primeiras partidas que ainda permitiriam que ele pudesse trocar de time aqui no país, o presidente do Galo anuncia que ele se recusou a viajar acompanhando a delegação e a envergar o manto alvinegro.
Dessa forma, Kalil anunciou ter suspendido seu contrato e rompido o vínculo do atleta com o Galo.
Por seu turno, Fernandinho alega que sua recusa em viajar foi fruto de um acordo com a direção do Atlético, para não vir a prejudicá-lo, no caso de o clube não querer permanecer contando com sua presença.
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Independente da versão correta, há que se entender que, desejando não retornar a seu compromisso com o time que mantém seus direitos econômicos, e na expectativa de poder ficar no Brasil, jogando por outra equipe, já que o Atlético não deu sinais de estar disposto a pagar por sua permanência,é compreensível que Fernandinho não se dispusesse a entrar em campo cumprindo a sétima partida, e impedindo qualquer possibilidade de continuar disputando o campeonato, depois da Copa do Mundo.
Desse ponto de vista, e levando em conta a situação do jogador, do ser humano, desejoso de poder continuar trabalhando em seu país é, no mínimo compreensível que ele negociasse com o clube, solicitando para não ter de entrar em campo.
E, se não fosse entrar em campo, manda a lógica que nem precisasse representar uma despesa para o clube, não tendo que viajar.
Mas, isso é a visão do ponto de vista do jogador, do homem.
Não é e nem seria de se esperar o contrário, a visão do torcedor apaixonado, para quem o jogador manifestou o desamor pelo Galo.
Passional como é, o torcedor não aceitaria nunca esse tipo de comportamento, o que significa que Fernandinho fechou definitivamente as portas do clube para si.
Que o maior mandatário do clube e que alguns comentaristas esportivos venham a adotar o mesmo comportamento, alimentando e reforçando a reação da torcida contra o jogador é que acho no mínimo uma insensatez.
Menos do presidente, que já deu demonstrações inequívocas de ser mais apaixonado e, como tal irracional em suas reações e suas atividades, que aquilo que o cargo pode lhe permitir adotar.
Mas alguns comentaristas têm adotado uma postura que só não é de causar estranheza por que todos concordam com o fato de que existem cronistas, comentaristas e repórteres esportivos que causam um desserviço à atividade a que se dedicam e, principalmente ao esporte.
Para não dizer que é muito fácil falar generalizando e que em todo lugar há profissionais muito ruins e outros muito bons. E até para ser justo, para não dizer que o comentarista ou comentaristas a que me refiro adotem esse comportamento de forma geral, e não manifestaram nesse caso uma antipatia que já nutriam por Fernandinho, estou me referindo especificamente ao responsável pelo programa de esportes que se intitula BH Sports, aquele mesmo que trata com casca e tudo aos seus convidados, caso suas opiniões não sejam as mesmas do apresentador.
Mas insisto, isso não significa que Afonso Alberto seja um comentarista mal intencionado. Apenas que, no caso Fernandinho, acredito que ele deveria adotar uma postura mais comedida.
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E, como postou Kalil, no Twitter, que Fernandinho siga sua carreira e tenha sucesso. Té logo e bença.
O assunto entretanto, dá margem para que se levante uma outra discussão, que apenas vou encaminhar nesse espaço, sem desenvover.
Falo da situação de jogadores que, não sendo considerados úteis para o time, por seu técnico ou pela comissão técnica ou diretoria, são disponibilizados por empréstimos para outras equipes.
Ora, se não são considerados aptos a envergarem a camisa do time, a ponto de serem colocados à disposição, qual a razão que leva os times a impedirem que esse jogador renegado entre em campo e venha a jogar contra seu time de origem?
Seria medo de que o jogador dispensado e dispensável pudesse provar em campo que tinha sim, qualidades para estar no outro lado do campo?
Parece-me que essa é uma situação que mereceria tratamento pelo pessoal dos programas especializados. Afinal, trata-se de uma limitação ao exercício da profissão pelo jogador que, na verdade, não deu origem a tal situação. E que pode estar sendo uma vítima, especialmente se for torcedor de coração do time de origem.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Programas assistencialistas e as discussões das mesas de boteco


Sábado à tarde. Começando a cair a noite. Uma brisa soprava de vez em quando ameaçando um friozinho de final de maio.
Em meio aos amigos de sempre, tomávamos umas cervejas, contando histórias.
De repente, do nada, um amigo puxa o assunto que a maioria procura evitar:  as eleições e a política.
Afinal, o pleito já está aí.
Para um amigo, país democrata é o que tem alternância de poder. O que é uma forma mais palatável de ele admitir que vai de Aécio. E não poderia ser diferente. Estamos em BH, capital das Minas Gerais, onde o menino do Rio foi governador por dois períodos. E de quebra, conseguiu eleger seu vice, o professor Anastasia, mostrando que o tal argumento da alternância de poder deve ser entendido de forma bastante relativa.
Outro vai de Aécio por ser mineiro. E o mineiro acha que só daqui sai político de respeito. Alegam a tradição da política mineira, embora também esse seja um mero discurso vago. E cheio de provincialismo, em minha opinião.
Que Aécio seja mineiro pouco deveria ser importante, em minha opinião. Afinal, Dilma também é, de nascimento tanto quanto o peessedebista. E se ela fez uma opção de coração, por ser gaúcha, onde conseguiu construir sua vida e sua reputação profissional, depois da prisão e do exílio, o menino do Rio não tem o apelido que tem, por acaso.
E talvez nunca tivesse pensado em se instalar em nossa capital, caso o avô não fosse político tradicional, governador e, não tivesse a preocupação de trazê-lo, jovem ainda, do Rio, para se transformar em seu secretário particular, como forma de afastá-lo da influência de más companhias, com quem costumava ser visto.
Isso deve ter sido à época que o candidato do PSDB diz ter experimentado maconha, e achado ruim, a ponto de não recomendar o seu uso para ninguém. Nem ser favorável à descriminalização da droga.
Na mesa, alguém lembrou que os três principais candidatos, Dilma, Aécio e Eduardo são todos formados em Economia. O que, segundo um deles, apenas depõe contra o curso.
Outro alegou que para a carreira política, apenas a Economia, ou o Direito dão mesmo uma base mais sólida.
Confesso que tal tese não tem meu apoio. Especialmente se algum candidato quiser aplicar um choque de gestão em nosso pais, tentando, quem sabe, superar no nível federal o fracasso que o tal choque representou no Estado piloto de tal proposta.
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Eduardo, é bom lembrar, tem a mesma tradição de vir de família de políticos, sendo neto de Miguel Arraes, governador de Pernambuco por inúmeras vezes. Assim, Eduardo é tão neto de ex-governador quanto Aécio. O mineiro tem a vantagem de ser neto de outro famoso político, Tristão da Cunha, pai de Aécio da Cunha, de quem nunca se ouviu falar qualquer coisa que não fosse elogios...
Quanto a Arraes, há um respeito grande, o que é importante reconhecer, já que o pernambucano sempre esteve mais ligado às esquerdas.
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Mas, como a discussão tomou o rumo anti-petista, vários disputando quem tinha os argumentos mais desfavoráveis à gestão "petralha", fomos passando por assuntos vários chegando, como não poderia deixar de ser à crítica à vagabundagem que o PT incentiva com o Bolsa Família.
Foi em vão que tentei mostrar que todos estavam falando de assunto que não conheciam. Já bêbados, o pior era que nem se interessavam em conhecer.
Dai veio a minha vontade de postar aqui nesse espaço algumas informações sobre esse programa destinado a dar condições de melhoria alimentar e de educação para pessoas extremamente pobres, tirando-as dessa situação terrível.
Assim, entrando no site da Caixa Econômica, que é o banco vinculado ao Programa, vê-se lá:
O programa Bolsa Família tem como alvo as famílias em situação de:
pobreza ou extrema pobreza. As famílias extremamente pobres são aquelas que têm renda per capita de até R$ 77,00 por mês. As famílias pobres são aquelas que têm a renda per capita entre R$ 77,01 a R$ 154,00 por mês, e que tenham em sua composição gestantes, nutrizes, crianças ou adolescentes entre 0 e 17 anos.

Ou seja, vale destacar, atende a famílias com renda por pessoa, por mês, de até R$ 77,00. O que significa que a família caso tenha 5 membros, deverá ter salário de R$ 385,00, que não dá nem o valor de um salário mínimo.
Além disso, para ser beneficiária do programa, as famílias com renda entre R$ 77 e R$ 154,00 por mês, têm que ter crianças e adolescentes com idade entre zero e dezesseis anos incompletos, ou serem gestantes ou nutrizes, que significa estarem amamentando. 
Com renda de zero a R$ 154,00, por pessoa, por mês, desde que tenham adolescentes entre 16 e 17 anos. 
Nitidamente, nota-se alguma preocupação com a questão da educação e com a necessidade de se impedir que crianças de menos idade fiquem fora da escola, ou precisando de ir às ruas para conseguir algum trocado para se manter vivo.

Prosseguindo, vemos que existem quatro tipos de benefícios, que transcrevo a seguir:

  • Básico
Concedido às famílias em situação de extrema pobreza. O valor desse benefício é de R$ 77,00 mensais, independentemente da composição e do número de membros do grupo familiar.
  • Variável
Destinado a famílias que se encontrem em situação de pobreza ou extrema pobreza e que tenham em sua composição, gestantes, nutrizes (mãe que amamenta), crianças e adolescentes de zero a 16 anos incompletos. O valor mínimo é de R$ 35,00 e cada família pode acumular até cinco benefícios, ou seja, R$ 175,00.
  • Variável para Jovem
Destinado a famílias que se encontrem em situação de pobreza ou extrema pobreza e que tenham em sua composição adolescentes entre 16 e 17 anos. O valor do benefício é de R$ 42,00 e cada família pode acumular até dois benefícios, ou seja, R$ 84,00.
  • Superação da Extrema Pobreza
Destina as famílias que se encontrem em situação de extrema pobreza. Cada família pode ter direito a um benefício. O valor do benefício varia em razão do cálculo realizado a partir da renda per-capita da família e do benefício já recebido no PBF.
  • As famílias em situação de extrema pobreza podem acumular o benefício Básico o Variável e o Variável para Jovem, até o máximo de R$ 336,00 por mês. Como também, podem acumular 1 (um) benefício para Superação da Extrema Pobreza.
  • Se o município tem programas próprios de transferência de renda, pode somar esforços com o Governo Federal para ampliar a base de atendimento de seus programas e, dessa forma, ampliar o valor máximo dos benefícios para as famílias atendidas.

Condições

  • Inclusão da família, pela prefeitura, no Cadastro Único dos Programas Sociais do Governo Federal.
  • Seleção pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
  • No caso de existência de gestantes, o comparecimento às consultas de pré-natal, conforme calendário preconizado pelo Ministério da Saúde (MS).
  • Participação em atividades educativas ofertadas pelo MS sobre aleitamento materno e alimentação saudável, no caso de inclusão de nutrizes.(mãe que amamenta).
  • Manter em dia o cartão de vacinação das crianças de 0 a 7 anos.
  • Acompanhamento da saúde de mulheres na faixa de 14 e 44 anos.
  • Garantir frequência mínima de 85% na escola, para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos.
  • Garantir frequência mínima de 75% na escola, para adolescentes de 16 e 17 anos.

Fiz questão de grifar e destacar alguns pontos, apenas para que alguns, que não conhecem, percebam que é a maior falácia o comentário de que, porque têm a seu dispor a fortuna dada pelo Bolsa Família, os beneficiários não querem trabalhar, abrindo mão de receber o salário mínimo que é, pelo menos duas vezes maior que o valor da assistência do governo.
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E não fica apenas nisso a questão do bolsa família. 
Porque alguns reclamam que é por esse tipo de gastos, que o governo aumenta a tributação, ou não dá conta de manter seu objetivo, relacionado à obtenção de um superávit primário (total de receitas arrecadadas menos os gastos para poder funcionar e pagar funcionalismo e programas assistenciais) cuja finalidade é assegurar o pagamento de juros da dívida pública. 
Pois bem, enquanto o Bolsa Família fica aí pelos R$ 13 bilhões, o pagamento dos juros - esse sim, destinado aos ricos, alcança cifra próxima de R$ 180 bilhões.
Os números não são exatos, mas são bastante bons para mostrar a ordem de grandezas dos gastos públicos. 
E há quem reclame de o governo petista, estar nos empobrecendo, nós da chamada classe média, para tirar dinheiro para passar para os pobres. 
Vai entender. Ou saber mais se quiser falar. Mesmo que já bêbado, em uma mesa de boteco.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Copa, manifestações, nada de novo no horizonte e o ócio brasileiro

Valho-me do caderno Mercado da Folha de São Paulo de hoje, 21 de maio,  para descrever a sensação que me domina faltando praticamente 3 semanas para o início da Copa do Mundo e que lembra mais a retração que, informam os especialistas, antecede a um tsunami ou a maremotos.
A imagem não é boa, seguramente, e preocupante. Afinal, ninguém em sã consciência pode saber e afirmar qualquer coisa em relação às manifestações que se anunciam para o período da realização do evento.
Uma coisa, é certa: vai haver Copa, independente e apesar da roubalheira, da corrupção, da falta de planejamento, de mais uma vez ter sido necessário desviar recursos públicos de outras finalidades mais importantes em prol do povo, para que o país pudesse atender a  um mínimo das condições impostas pela FIFA para a realização do torneio.
Curioso, como não deveria ser de se estranhar, é o fato de que a imprensa não faz o seu papel investigativo, informativo, analítico, que implicaria, a meu juízo, em confrontar as promessas e planos que embalaram a candidatura vitoriosa do país à sediar o evento, e onde pontificava o compromisso de as obras necessárias serem feitas com recursos privados, com o pouco entusiasmo, para não dizer nenhum, dos empresários tupiniquins.
Ao contrário, enquanto livra a cara de seus amigos empresários, parceiros, companheiros e financiadores, a imprensa apenas sabe dar destaque aos vultosos gastos públicos despendidos na construção, sempre com problemas e atrasos, da infraestrutura mínima para a realização da competição.
Tudo bem. O papel que a imprensa e a midia de forma geral desempenha em nosso país por várias vezes já foi objeto de nossas queixas, já que descumpre o seu principal objetivo, como beneficiário de uma concessão de serviço público, para privilegiar apenas os interesses particulares, e algumas vezes, até escusos, de seus proprietários: os concessionários.
Abre mão de fazer o que é seu papel: servir ao público, o que implicaria dar informação de forma mais isenta e ampla, para atender a seus objetivos próprios. 
E ainda reclama de qualquer discussão ou proposta de criação de controles SOCIAIS sobre seu funcionamento e sobre o enriquecimento e favorecimento de seus donos. 
A isso, chama CENSURA.
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Mas, voltando ao tema de nosso pitaco, Alexandre Schwartsman, economista, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, e colunista da Folha às quartas feiras, tecendo comentários sobre como é fácil a redação de uma coluna quando a gestão econômica do governo é de qualidade que ele considera tão duvidosa, decide tratar das declarações contraditórias de destacados ministros do governo Dilma.
Assunto requentado, uma vez que as declarações foram feitas na semana passada, com o ministro Mantega, da Fazenda, negando que o governo estivesse administrando ou controlando preços de forma a segurar a inflação, estratégia admitida como política de governo pelo ministro Mercadante, da Casa Civil.
Sinal de que a economia está em compasso de espera, como de resto toda a sociedade, creio eu, e que está faltando assunto para a manutenção de uma coluna semanal. Ou seja, o articulista vende como paraíso o que tem constituído, na verdade, seu inferno: a falta de novidades a comentar.
E nem mesmo é original no enfoque, apenas repetindo que, por força de estarmos já em  período eleitoral, o governo prefere não adotar as medidas corretivas amargas recomendadas por sua cartilha, que sempre privilegia o aumento do desemprego, como alternativa à política econômica que por provocar maior e melhor distribuição de salários, acaba tendo impactos sobre os índices de preços. Especialmente se a essa política, que não denominamos de distribuição de renda, mas tão somente de salários, se juntam fatores como a seca que tem provocado além da ameaça de problemas de fornecimento de energia, a frustração de culturas de alimentos e até mesmo do simples e trivial fornecimento de água - no governo não petista de São Paulo.
Bem, quanto à questão da energia, sempre a questão do represamento das tarifas terão prioridade na explicação de qualquer crise, aos olhos de nosso analista de mercado, cujo olhar privilegia sempre os andares mais elevados de nossa pirâmide social. 
E, curiosamente, em sua coluna ele não aborda que Mantega também declarou que a inflação estaria apresentando um arrefecimento, e que não iria superar o limite da meta, como a realidade está mostrando.
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Vale observar que isso não significa que os preços não estejam mesmo sendo administrados e com prejuízos, entre outras, da Petrobrás, ou das distribuidoras de energia. Apenas que, no caso da energia, a ideia do governo, que agora se mostra equivocada foi a de atender aos empresários que reclamavam das tarifas elevadas cobradas pelo serviço, e que não corresponderam quando tiveram atendidas suas reivindicações. 
No mais, como afirmou Jânio de Freitas, em coluna na semana passada, que governo não agiu de forma semelhante, no passado?
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Outro articulista, Vinícius Torres Freire comenta em sua coluna que a economia está esfriando aos poucos, mas que não há crise, na visão de empresários com quem manteve contato. Entretanto, todos falam de um clima ruim, de um ambiente que não inspira confiança.
Literalmente, " é raro ouvir de alguém que a empresa ou o setor deles vai demitir em breve.... A dúvida é saber o quanto dura essa situação. O salário está alto, apareceu estoque de novo...
Os indicadores econômicos do ano confirmam o esfriamento do clima, em ritmo no entanto lento e gradual, na média dos setores: alguma estagnação do emprego..., setor de serviços esfriando..... Mas o desemprego é baixo e o consumo de varejo cresce a 4,5%. O ambiente, porém, não está bom."
É ou não é a antevéspera do tsunami?
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Por sorte nossa, na mesma página da coluna de Vinícius, reportagem com Domenico de Masi tenta levantar nossa auto-estima. Afinal, para o sociólogo, o brasileiro herdou do índio o senso de ócio. E isso é a melhor imagem, mesmo que não aceita de nossas melhores qualidades. O que leva a Folha a bradar em manchete, Viva o Ócio brasileiro. 
O ócio criativo, longe da ideia de produtivismo e eficiência que o sociólogo atribui aos americanos e aos economistas.
Longe do que é a cultura do "manager" espalhada pela visão de mundo dos americanos pelo mundo. E que o italiano renega, elogiando o brasileiro e seu espírito criativo.
Afinal, herdamos o senso de ócio. "Felizmente. (já  que) O trabalho manual deve ser visto como algo negativo. Pensar é melhor."
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OK, mas que está esquisito, isso está.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Minha mãe aos oitenta anos

Então,
como se ainda não tivesse dado tempo,
percebemos que o tempo passou
e que não nos demos conta
E não foram poucos os anos,
não foram poucas as dores,
os sofrimentos,
os momentos de tristeza
não foram poucas as decepções
Como também não foram raras as alegrias
cada uma comemorada
cada uma como o troféu de uma batalha
diária, por uma vida melhor,
distinta,
digna de ser vivida.
Mas, como os momentos ruins passam rápido
passam velozes os instantes de alegria
que deveriam se tornar perenes,
também no desenrolar da vida,
como se perenizam nas nossas memórias.
E, sem que percebêssemos,
assim como se fosse um intruso,
à espreita do momento de entrar em cena
Chegam os oitenta anos
E que bom poder abraçar a quem te deu a vida
e comemorar toda a sua expressão de tranquilidade
estampada no rosto
que só os poucos e bons
são capazes de mostrar
Sinal de sabedoria
sinal de vida vivida
E muito bem vivida