quinta-feira, 19 de julho de 2018

Copa, França campeã. A importância do negro no esporte e na vida, e o vexame do Galo. E só Lula continua preso

Domingo, 15 de julho. Dia da disputa do jogo de encerramento da Copa do Mundo de futebol. Com a conquista do título pela seleção da França, confirmando o favoritismo apontado por grande parte das casas de aposta em todo o mundo. 
Favoritismo que, é importante lembrar, já existia desde o início do torneio, ainda na primeira metade de junho. 
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Brasil, Alemanha, Espanha, França, desde o início eram essas as seleções que tinham a preferência da maior parte dos analistas, entendidos, ou meros torcedores de futebol. Entendidos que foram, aos poucos vendo seus palpites se frustrarem, com a queda consecutiva de Alemanha, ainda na primeira fase; da Espanha e Brasil, na fase seguinte. E que foram, aos poucos, passando a estarem mais atentos a times, de início pouco prestigiados, como Inglaterra, Bélgica e, por fim, Croácia. 
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Na partida final, a indiscutível supremacia do time francês, mesmo sem jogar tudo aquilo que, potencialmente, todos acreditavam que o esquadrão dos "bleu" podia apresentar, veio coroar ao time com o futebol mais vistoso, de jogadores mais técnicos. 
Não necessariamente daquela equipe capaz de entregar mais coração, mais luta em campo, atributo que, inegavelmente, caracterizou mais a seleção croata, capaz de correr em campo, mesmo tendo jogado praticamente uma partida a mais que os demais selecionados, depois da disputa de prorrogações estafantes e repletas de emoções.
Para aumentar o feito croata, é bom lembrar que a França jogou a partida da semifinal, vencendo sem a necessidade de prorrogação, um dia antes da definição da Croácia como seu adversário. Ou seja, o tempo de descanso da Croácia foi menor que o da equipe francesa. 
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Mas, deixando essa questão de lado, é inegável que a França fez por merecer a conquista, que a coloca ao lado de seleções como Uruguai, Argentina, com dois títulos conquistados. Valendo lembrar apenas que, enquanto os títulos dos "hermanos" sul-americanos foram conquistadas há mais de 30 anos, ou até mais, 68 anos no caso do Uruguai.
Enquanto os títulos da França foram conquistados nos últimos 20 anos, o que mostra a força do futebol naquele país europeu, e fazer ligar o alerta para países, como o Brasil que, independente ou apesar dos vexames consecutivos, continuam se achando os melhores do mundo. 
Culpa da mídia, ufanista e histriônica.
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Comportamento que apenas desnuda, ao contrário do que se imagina, o complexo de vira-lata de que o brasileiro parece estar condenado a ostentar.
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O mais interessante é observar que, pela média de idade do selecionado francês, não será surpresa, tudo o mais evoluindo de forma normal, que essa mesma seleção, mais experiente e calejada, não possa já ser incluída como a favorita dos jogos do Catar, dentro de quatro anos. 
Aliás, é bom observar e já divulgar que é indiferente redigir Catar ou Qatar. 
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Ainda sobre a Copa e a equipe vitoriosa, a que muitos têm se referido como um exemplo de uma maior interação étnica, e até do fenômeno do multiculturalismo, é importante observar, em minha opinião, que o simples fato de se destacar a presença de franceses de distintas origens e cor de pele, já é sinal suficiente para indicar que a questão racial não está ainda resolvida. Pior: mesmo com um certo reconhecimento de que, sem os jogadores de outras etnias e cores a França não teria jogado o futebol vistoso, nem obtido a conquista de que foi capaz.
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A esse respeito, o que é constatação minha, é que a inserção de atletas negros no futebol foi sempre o diferencial que permitiu que o futebol brasileiro se destacasse nos gramados de todo mundo. Afinal, como a dança nos lembra a todo momento, o negro tem um gingado diferente, um ritmo e uma mobilidade diferente, que lhe permite obter destaque em várias atividades esportivas, não se restringindo apenas ao futebol. É certo que a jogada de maior efeito plástico, de maior visibilidade, a do drible, capaz de entortar um "joão" adversário qualquer, é mais comum no futebol. 
Mas, exemplos de dribles também podem ser assinalados - e devem- no basquete, da NBA; nas transmissões das ligas do futebol americano; no voley e em tantos outros esportes em que os negros se destacam e se destacaram sempre.
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Na verdade, não é apenas a dança, a música, o esporte, os espaços em que os negros se destacam desde muito tempo atrás. Usain Bolt, no esporte considerado o mais  nobre dentre  todos os demais, os cem metros rasos do atletismo; o golfe com Tiger Woods ou o excelente piloto campeão Lewis Hamilton, no automobilismo, esportes típicos de espaço do domínio branco apenas ilustram que os negros apenas não conseguem se destacar com mais frequência nos esportes tidos como "de ricos". 
Ou seja, em todo o mundo, os negros não se destacam mais em outras áreas, por culpa do racismo, dos maiores obstáculos que o negro enfrenta para conseguir um espaço e para poder mostrar sua verdadeira competência na área também do conhecimento, da pesquisa, do mundo do trabalho, etc. 
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Bem, a questão é que a seleção inter-racial da França veio mostrar o óbvio. E não apenas ela. Basta observar como os times da Bélgica, da Inglaterra, melhoraram muito o estilo de seu futebol, pela inclusão de jogadores de outras origens e raças. 
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Enfim: parabéns à França, campeã mundial de futebol, de 2018.


E na volta do futebol, o Galo...

O término da Copa do Mundo marca também o retorno do futebol, ao menos em relação aos clubes da primeira divisão, no Brasil.
Já na segunda feira, jogos da Copa do Brasil definiram os dois times que avançam às quartas de final, com direito a receberem um prêmio de 6 milhões pelo feito. 
E na quarta, os jogos marcaram o reinício do campeonato brasileiro. 
Com direito do Galo ir ao Sul, enfrentar o melhor time brasileiro da atualidade, o Grêmio.
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E, devo admitir como atleticano que sou, que o Galo atingiu seu objetivo.
Afinal, para um time que saiu de BH para perder de pouco para o melhor time do país, o resultado, de derrota por apenas dois a zero, ficou de bom tamanho. 
O que mostra que isso não é um problema. 
Problema maior é o Galo jogar como time pequeno. Com medo. Traindo suas características mais conhecidas e famosas, a ponto de ser parte da letra de seu hino: Galo forte e vingador.
Onde?
Que time foi forte ontem? Porque o Galo foi covarde. E nem há a desculpa de estar sem Roger Guedes. Ou de Adilson. 
O problema estava na forma em que o time foi armado para enfrentar um time que, jogando em casa, caracteriza-se por gostar de jogar com a bola. Expressão que mostra uma indigência muito grande de todos os que se arvoram em comentar o futebol, suas estratégias e táticas. 
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Porque eu gostaria de saber que time que, sem a bola, consegue jogar futebol. Chutando o ar, trocando passes de vento?
Mas não foi só jogar com medo. 
Parece que o time do Galo e sua equipe técnica, não viu nada da Copa do Mundo. E entrou em campo, para ver o Grêmio jogar e, quem sabe, aprender como se joga ou que espírito deve ter alguém que queira jogar e vencer...
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Apenas a título de ilustração, e desabafo, vamos recordar de um lance ocorrido na partida da final da Copa, entre a França e a Croácia, quando a partida estava já praticamente definida, com o placar mostrando 4 a 1 para les bleu. 
A bola já tinha ultrapassado a linha que demarca o meio campo, e o jogador francês que estava na posse dela optou por ganhar algum tempo, atrasando a bola para um companheiro. Que para fazer passar o tempo, atrasou ainda mais até o goleiro Lloris. 
Desnecessário lembrar que um goleiro, por definição o único jogador a quem é permitido jogar com as mãos no futebol, normalmente joga naquela posição considerada tão dramática que "nem grama nasce onde o goleiro joga", por ter uma menor habilidade com a bola nos pés. 
Também desnecessário dizer que a regra que pune a cera impede que o goleiro possa defender com as mãos a bola a ele recuada. 
O que significa que ele tem que despachá-la com os pés. Aquela parte do corpo que ele tem mais dificuldade de usar, em condições normais. 
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O resto do lance todo mundo sabe: Lloris tentou driblar o atacante croata, enrolou-se com a bola, do que se originou o segundo gol da Croácia. 
Embora pudesse ter tido outro final, o erro não trouxe maiores consequências. 
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Lembro-me disso porque, jogando como time pequeno, quando já perdia o jogo pelo placar de 2 a zero, o Galo mostrou mais uma vez, que não perdeu a mania que já foi objeto de crítica minha, antes da Copa. 
E a bola foi atrasada do meio campo, para o Victor e sua perna esquerda, famosa o suficiente para colocar o goleirão do Galo como um dos piores goleiros no quesito reposição de bola. 
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Parece até que Thiago Larghi enquanto foi técnico interino, por não ter muito a perder, decidiu escalar um time ofensivo, para frente, agressivo. E, agora, como técnico definitivo e tendo um posto a perder, preferiu montar um time para jogar com o resultado. 
Como não poderia deixar de ser, chamou o Grêmio para cima e acabou pagando caro por tal covardia. 
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No Brasil

Enquanto isso, em nosso país, os efeitos da economia empacada continuam sendo atribuídos à greve dos caminhoneiros. 
O desemprego de 13 milhões de pessoas; o retorno de doenças como o sarampo, e o fracasso de campanhas de vacinação apenas reforçam os dados trágicos que mostram o aumento da mortalidade infantil, desde o ano de 2015, e nossas instâncias do judiciário ficam batendo cabeça.
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Pior: uma série de pessoas são soltas; bandidos ganham as ruas - alguns se dando ao luxo de irem às ruas cometerem crimes e depois voltarem para a cadeia, para curtirem um justo repouso; deputados podem sair da prisão para participar de sessões de votação da Câmara e vários políticos são mantidos livres, leves e soltos. Caso de Geddel, contra quem não foram encontradas provas, apenas 51 milhões em cédulas de dinheiro. Caso de Aécio, aquele cujo primo, passível de ser morto caso falasse, foi visto e filmado recebendo o dinheiro destinado ao senador carioqueiro. Ou caso de Marum, e sua participação nos trambiques do Ministério do Trabalho. 
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Só Lula continua preso. E impedido até de se manifestar e dar entrevistas. Proibição que não alcança Gil Rugai, Suzane Richthofen, e outros criminosos de menor periculosidade que o líder das pesquisas de voto. 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O torpor da Copa: as investigações do caso Marielle não avançam; a mídia endeusa um falso profeta, Tite; Neymar não amadurece; Carmem Lúcia promove uma desordem jurídica espantosa

Em nosso último pitaco, publicado nesse blog no dia 14 de junho, comentávamos que, junto ao maior campeonato de futebol do mundo, estava aberta também a estação de torpor que, com o apoio sempre imprescindível da imprensa, acaba contaminando o ambiente e criando uma situação inebriante de ufanismo e patriotismo - enganoso e falso. 
Uma sensação de orgulho coletivo nacional, embalado pela criação de heróis que cada vez mais acabam por revelar seus pés de barro e que, por esse motivo mesmo, raramente assumem o papel que deles se espera.
No embalo do desespero da mídia para ampliar seu faturamento e transformar o evento esportivo em principal fonte de arrecadação, de forma a compensar os custos elevadíssimos que a cenografia do espetáculo circense exige, todo nosso espaço é invadido por gritos e comemorações sempre exageradas, elogios vazios e tolos que alimentam uma arrogância desmedida.
E nas eternas queixas contra a arbitragem, e contra tudo e todos que, na teoria da conspiração que sempre é criada para justificar uma derrota, se recusa a reconhecer o óbvio: perdemos por encontrar algum time, em algum momento, melhor ou com mais gana e mais oportunidades de vencer que o nosso.
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Mas, aí de quem não é patriota o bastante para não se deixar comover pela comemoração ou pela tragédia programada. Situações com roteiros pífios e script pobres, como que a deixar claro o porque, não apenas no campo de futebol, mas também nas salas de nossas casas, quando invadem nosso ambiente de descanso, as novelas perdem conteúdo, importância e audiência.
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Começou a Copa e, já decorridos quase um mês, o caso Marielle continua sem qualquer solução. A Polícia continua sem pistas e as investigações esperando a prorrogação ou a cobrança de penalidades. Porque a cobrança por ação, justiça e respeito, esses valores toscos do que chamamos de democracia em época de Copa do Mundo ficam na banheira, mesmo na época de adoção do árbitro de vídeo, o VAR, fazendo a vida, mais que o jogo, permanecer em eterna suspensão.
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E no entanto o crime contra  Marielle ainda grita, embora encoberto por vuvuzelas e cornetas e gritos histéricos de prá frente Brasil. 
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DA COPA

Quanto à Copa, e ao selecionado brasileiro, apenas uns poucos comentários, sob a proteção e o alívio de já estarmos de volta para casa: o primeiro em relação a Tite e sua postura professoral, mítica, messiânica. Capaz de fazê-lo alterar até seu tom de voz e sua forma de comunicação com os torcedores todos do país, representados por uma dúzia de jornalistas baba-ovos e despreparados para fazer o mínimo que sua profissão exige: informar bem, questionar, criticar.
Tite, mesmo sendo um bom técnico, não é o porta-voz da verdade divina, não é a representação dos oráculos gregos ou romanos, e sua postura apenas reforça a sensação que, alimentado por órgãos de imprensa, passou a cultivar: de senhor de toda a verdade iluminadora.
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De Tite é bom que se fale que já há muito tempo é considerado senão o melhor, um entre os melhores técnicos de nosso país. O que o fez ser o preferido por toda a imensa maioria da torcida do Atlético Mineiro para assumir o cargo em 2005.
Aquela mesma massa de torcedores que Tite decepcionou e, sem qualquer escrúpulos ou caráter, em minha opinião, abandonou quando percebeu que o time estava muito próximo do fiasco representado pelo rebaixamento. 
E olhe que nem tão próximo estaria assim se o comandante fora do gramado não se acovardasse. 
Afinal, Levir chegou e pegou o time e, não fosse um pontinho do Vasco na partida da rodada final, o Galo não teria tido o desprazer de ir visitar - e ser campeão - da série B do Brasileiro. 
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Reconhecer que o próprio Tite já afirmou que tem uma dívida com um time, por acaso o Galo, não refresca muito. 
E seu comportamento entra para a lista de comportamentos que, adotados por alguns técnicos, tornam tais personas totalmente non gratas ao Clube mineiro. 
Entre elas, Geninho, que optou pelo Corínthians e sua grana deixando o Galo na mão; Cuca e seu mau-caratismo de abandonar o time, justo na estréia da disputa do torneio de Mundial de Clubes e Tite.
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Mas, já que Tite e sua comissão técnica não entra em campo, é importante que se destaque algo, positivo ou negativo de quem calçou as chuteiras. 
De Neymar o cai-cai, até o cavador de faltas ou penalidades que se voltam contra ele e seu eterno não amadurecimento. 
E, reconheçamos, Neymar não precisa, não precisava disso. E a prova é que ele conseguiu, em um momento de sua carreira, ter o lampejo do gênio, do líder em campo, quando levou o Barcelona à conquista épica da classificação contra o PSG, que havia goleado o time basco em Paris. 
Naquele dia, parece que dominado pelo espírito de grandes jogadores e líderes, Neymar deixou Messi e Luizito para trás e partiu lá para a frente, em direção à vitória. 
Porque voltou? Por que regrediu? Por que continua com sua postura de menino mimado, sempre mais ator que jogador, sempre mais banal e piegas que um ser humano que joga muita bola, mas também erra muito.
E não me venham dizer que ele - que quis humilhar um jogador da Costa Rica com a carretilha, completamente fora de ocasião e oportunidade; que depois da vitória contra o México, ridicularizou o retorno da delegação mexicana, ainda fazendo a torcida lembrar-se, nas comemorações, do Chaves - ninguém venha me dizer que Neymar estava diferente em campo, contra a Bélgica. 
Só se diferente por não ter conseguido jogar bem, errando a maioria do que tentou fazer, embora tenha feito um chute final que Courtois defendeu e tenha feito um lançamento para chute que Philipe Coutinho não conseguiu ajustar seu nariz, para mirar o gol.
Porque até naquele jogo, Neymar tentou simular e quando foi advertido pelo juiz, optou por parar de representar. O que, convenhamos o mais próximo de representar que ele consegue chegar é por meio de sua namorada. 
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Culpar Gabriel Jesus, por estar sendo cobrado de exercer funções para as quais não é talhado, ou William, ou até mesmo Paulinho, não é justo. Afinal, eles não se escalam, nem a teimosia do técnico pode ser atribuída a eles. 
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Mas que grande Copa fez Thiago Silva. O único a honrar a nobre arte do futebol.
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Enquanto a Copa rola

Enquanto isso, os meninos tailandeses emocionaram e emocionam o mundo todo, e a Tailândia dá show de organização e planejamento, apenas maculada pela perda do mergulhador voluntário. 
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A menina Victória, no interior de São Paulo, morta por engano, mostra a que ponto a leviandade e a maldade humana podem nos fazer chegar. 
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Temer, o suspeito de corrupção, vende parcela de ações golden share da Embraer, destruindo uma das quatro maiores empresas de construção aeroespacial do mundo, e com ela toda a tecnologia acumulada em anos de pesquisas e dedicação. 
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E Carmem Lúcia continua sem pautar a ação de prisão em segunda instância. 

Na mixórdia que esse país se transformou, especialmente, tendo em conta as questões relevantes do direito e da segurança jurídica, não é de se estranhar que um desembargador atropele a decisão de um tribunal colegiado; nem que um juizeco de quinta categoria, venha a dar palpite e mandar descumprir a ordem do juiz hierarquicamente superior, nem mesmo esse juizinho estando de férias. 
Ah! como seria bom se o juiz tivesse determinado a abertura de sua conta bancária e de sua família, desde ao menos o caso do Banestado, nunca bem explicado. 
E que bom se pudesse provar sua lisura, muitas vezes questionada, pelo tanto de voracidade em condenar Lula e vários políticos de sua base, embora, como mostram as fotos e as redes sociais, sempre esteja acompanhado de Dórias, Aécios, e outros pessedebistas de honra nunca suspeita. 
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Não vou entrar no mérito do oportunismo dos advogados que sem serem ligados ao PT ou ao ex-presidente, deram entrada com o pedido de habeas-corpus de Lula. 
Tiveram êxito, senão em soltar o prisioneiro, em deixar claro o mal que Carmem Lúcia provoca ao país. 
A culpada de tudo que aconteceu ontem é apenas dessa magistrada, que abusa de seu direito de pautar os temas do Supremo, e o faz com tremendo escárnio em relação às ambições, desejos e sentimentos da sociedade brasileira. 

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Retorno com os pitacos após a final da Copa que será entre a França e a Inglaterra, e a França sagrando-se campeã. Ou então entre a Bélgica e a Inglaterra, com o British Team comemorando ao final. 


quinta-feira, 14 de junho de 2018

14 de junho: três meses da execução de Marielle; início da Copa e de seu torpor e a quem Temer, de fato, serve

14 de junho.
Data que assinala a passagem de 3 meses do assassinato da vereadora carioca, pelo PSOL, Marielle Franco e de seu motorista Anderson.
Assassinato com toda característica de execução e, pior, crime político. 
Com características que mal conseguem disfarçar a participação de integrantes de setores da polícia e de milícias, quando não de ambas as estruturas. 
Ligadas, para o bem e para o mal, às forças de segurança, numa simbiose que Lúcio Flávio Vilar Lírio, o famoso bandido morto em 1975, já criticava abertamente. 
Como consta no filme Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, afinal de contas: "Bandido é bandido, polícia é polícia. Como água e azeite, não se misturam". 
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Mas infelizmente, talvez pelo fato de nossa população ter um conhecimento muito raso da nossa história, as coisas aqui se repetem incessantemente. Monotonamente. 
Como tragédia. Como farsa. Como o ensaio para uma peça nunca concluída. 
E como já naquela época, eram completamente espúrias as ligações entre Lúcio Flávio e Mariel Mariscot, continuam hoje, completamente descabidas e criminosas as ligações entre membros da forças de segurança e os milicianos, que Marielle denunciava. 
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Mais uma vez, em razão do pouco conhecimento de nossa história e sua contínua repetição, parte da população aprova ou não se opõe de forma mais contundente contra as operações das partes podres que infestam os corpos policiais, criados para nos proporcionar o contrário do que entregam: proteção e segurança e não terror, morte e medo. E extorsões. 
Curiosamente, as mesmas ligações que Mariscot, o policial valorizado, reconhecido e corrupto, mantinha com a famosa escuderia Le Cocq e com o Esquadrão da Morte. 
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Como previsto, o bárbaro crime contra Marielle e seus 46 mil eleitores continua irresolvido, por mais que organismos internacionais, e até órgãos de imprensa tenham feito a máxima força para não deixá-lo repousando nas prateleiras do esquecimento. 
E da impunidade. 
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Continua, entretanto, ecoando a frase gritada nas manifestações que seguiram a morte. 
Marielle, PRESENTE. 
Anderson, PRESENTE.
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Apenas para concluir o pitaco, e em referência à falta de conhecimento da história pela grande maioria do nosso povo, o que permite e facilita que se generalize a frase famosa sobre a falta de memória de nós brasileiros, duas observações.
A primeira delas: não é verdadeira a frase da falta de memória. Ninguém pode se esquecer daquilo que nunca teve ciência ou informação.
A alegada falta de memória é, na verdade, apenas uma forma de se transferir para o próprio cidadão, a responsabilidade que é de nossos políticos, de nossas autoridades, ou melhor, de nossos PODEROSOS  de sempre, que nunca se interessaram em informar, esclarecer e criar as condições necessárias para a participação do povo no que constitui a sua própria vida. 
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A razão é óbvia: vai que o povo gosta de saber e resolve tomar os seus desígnios em suas mãos...
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A segunda observação tem a ver com o movimento de interesses obscuros e não democráticos sob todos os aspectos, da proposta de Escola sem partidos. 
A denominação do movimento revela bem os seus reais interesses, de criar uma escola incapaz de discutir a existência de interesses. 
Uma escola sem partidos é uma escola sem história. 
Um povo sem história é um povo destinado a ser apenas massa de manobra de interesses, em geral, contrários aos dos indivíduos que são seus integrantes. 
Uma escola sem história é uma escola sem verdade. Ou com a verdade dos poderosos e eternos exploradores e expropriadores da população. 




14 de março e tem início a Copa

E com a Copa, o país parece entrar em um estado de torpor, destinado a permitir que o tempo possa arrefecer os ânimos e ímpetos mais aguerridos de parte da população. 
Em certo sentido conseguindo, ainda que momentaneamente, desviar o foco dos problemas e das graves questões que o país atravessa e cujo governo, imerso na maior inépcia, não consegue tratar. Quanto mais tentar resolver. 
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Deste ponto de vista, ao desviar a atenção de grande parte do povo, e dos eleitores, a Copa tem a capacidade de fazer adormecerem as tensões e, dessa forma, aliviarem o ambiente, contribuindo para desarmar os espíritos dos grupos que, cada vez mais têm levado as discussões políticas para o campo das ofensas e agressões pessoais. O que caracteriza a criação de um ambiente propício à explosões e manifestações que trazem em germe a violência e o desrespeito, principalmente às opiniões contrárias. 
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Que a Copa, como outros eventos esportivos do porte, por exemplo, das Olimpíadas, além da característica de criar condições para o enriquecimento, ainda maior e mais cheio de pequenos (e grandes) delitos, consegue servir para distrair o povo, não se discute. 
É fato sobejamente conhecido. 
A ponto de ter dado origem a hipóteses, mesmo as sem muito sentido, como aquela defendida por David Nasser, o jornalista, compositor, para quem toda vez que o Brasil conquistava uma Copa do Mundo, o nível de satisfação da população atingia patamares que acabavam se transferindo para o próprio governo de ocasião. 
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Pois bem, sem questionar o acerto ou o absurdo da observação do contraditório jornalista, a verdade é que eventos como a Copa sempre serviram como o circo romano, ou como o ópio do povo ao lado da religião, como a considerava Hegel, por exemplo. 
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O que me faz lembrar de uma tarde trágica para nós brasileiros, que passa para a história conhecida pelo seu resultado: a tragédia do Sarriá, em distante 5 de julho de 1982.
Justamente a tarde em que a melhor seleção de futebol do mundo, na ocasião, montada pelo mestre Telê Santana, foi derrotada pela briosa e valente, e mais disposta e guerreira seleção italiana e seu avante Paolo Rossi. 
Lembro-me que, no abatimento que dominou o país e sua torcida, que já se considerava vitoriosa, o governo aproveitou para anunciar a inflação do mês de junho anterior, próxima dos 8% ao mês. 
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Confesso que a memória não me ajuda, passados tantos anos daqueles dias, mas não me lembro de o anúncio do movimento descontrolado dos preços ter a repercussão que merecia, em especial e justamente por parte de todos aqueles que eram prejudicados por tal descontrole, quando comparado com a decepção e o sentimento de perda nacional que invadiu a todos nós. 
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Repete-se, agora, a criação do mesmo ambiente de euforia, contagiante, emblemático, até. 
Embora, pesquisas indiquem uma queda do interesse, ao menos antes do início da disputa, da população pela Copa, o que demonstra talvez certo amadurecimento. 
Reflexo do distanciamento da vida de nababos dos jogadores de futebol, confrontado com a vida miserável do povo brasileiro, trabalhador e pouco reconhecido.
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E Temer, do alto de sua inexpressividade revela a que veio

Começa a Copa, em momento em que a popularidade do usurpador e golpista Temer é o mais baixo de toda a história. 
E em que Temer é mais uma vez alvo de suspeitas cada vez mais difíceis de ignorar. 
O que o leva a mostrar total falta de sintonia com a vida dos brasileiros que, desgraçadamente e de forma ilegítima, ele governa. Afinal os jornais (mais especificamente a Folha em sua edição de ontem), anunciam que, em cerimônia de assinatura da regulamentação do código da mineração, ele foi capaz de afirmar que, segundo um ranking de preferência dos investidores estrangeiros, o país passou da sétima para a quarta posição nos últimos dois anos. 
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Ou seja: não bastava o Brasil ter voltado, 20 anos em 2, como o ato falho da propaganda oficial deixou a nu. 
Nem vale a pena ir conferir que pesquisa de preferência é essa, e sua existência, se real ou não. 
Interessa mais destacar que 72% da população consultada em pesquisa do Datafolha revela que, para eles, a situação econômica do país piorou nos últimos meses.
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Tampouco é possível se ignorar e deixar de mencionar a greve dos caminhoneiros e seus reflexos. Principalmente, e mais uma vez, para mostrar a falta de confiança da população no tal presidente, incapaz de honrar qualquer dos compromissos acertados com a categoria que o chantageou. 
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E não vou falar, por significar pura covardia, que apenas 3% da população aprovam seu governo. Mais que o ridículo do índice, é importante assinalar que o golpista e mau caráter comemora que os investidores estrangeiros, seus verdadeiros patrões, o aprovam e indicam ter melhorado o grau de satisfação com esse senhor que deveria, ao deixar o cargo que não tinha o direito de ocupar, ser julgado por lesa pátria. 
***
É isso. 

E vamos à Copa e à maratona de jogos. Enquanto o Galo descansa na vice-liderança e o futebol brasileiro já sinaliza que será vítima da maior onda de evasão de jogadores dos últimos anos. 
É esperar para ver e confirmar. 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

É preciso falar de racismo. É preciso discutir a arte.

Começo tratando de algo que parece a mim muito sério e preocupante: a reação de vários grupos à indicação de Fabiana Cozza para viver D. Ivone Lara, a grande dama do samba, no teatro.
Reação que confesso desconhecer, por ter se dado principalmente por meio de redes sociais às quais não tenho acesso.
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Motivo suficiente para que eu, como várias outras pessoas, talvez preferisse não abordar, por uma série de razões, algumas das quais bastante aceitáveis, como por exemplo, pelo fato de o assunto ter chegado ao meu conhecimento já liquidado. Já resolvido. É bem verdade, em minha opinião, da forma mais lamentável possível: a desistência de Fabiana de aceitar o papel. Desistência anunciada por meio de suas redes sociais, às quais só tive conhecimento também por jornais. Mais especificamente pelas reportagens publicadas pela Folha de São Paulo.
Ou seja, toda a informação que detenho pode ser classificada como parcial, a terceira razão para não me manifestar.
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Mas...
É preciso afirmar que a indicação de Fabiana, por familiares da figura central da peça, a que se pretende homenagear, se deve à consideração, amizade e respeito que todos reconhecem que Fabiana sempre manifestou junto à Dona Ivone, parece-me que ainda enquanto viva.
Também importa afirmar que Fabiana já gravou com destaque músicas da sambista, tendo colhido elogios. O que a capacitaria como intérprete da homenageada.
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Finalmente, D. Ivone, sabemos todos era negra. E Fabiana é filha de pai negro, ostentando pele que as estatísticas classificariam de parda.
Ok. A pele de Fabiana é bem mais clara que a de D. Ivone, o que nem impediu a amizade entre as duas, nem a indicação pela família, nem a escolha pela produção da peça para o papel.
Mas foi o suficiente para disparar um movimento que foi classificado como uma grande pressão, via redes sociais, no sentido de condenar a indicação de Fabiana. Pressão patrocinada por vários movimentos sociais que lutam em favor da causa negra.
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Críticas tantas, não às qualidades vocais ou pessoais ou artísticas de Fabiana. Mas à falta de maior quantidade de melanina em sua pele.
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Nesse ponto faço uma interrupção em relação a esse assunto, para poder repercutir o absurdo que é o número de assassinatos cometidos no Brasil em apenas um ano ano, estatística contida no Atlas da Violência 2018, elaborado pelo IPEA e anunciado no dia de ontem, terça, 5 de junho.
O Atlas revela que foram mortos no país, no ano de 2016, 62,5 ou sessenta e dois mil e quinhentas pessoas, arredondando, em apenas um ano, o que dá a média absurda de 30,3 mortes para cada cem mil habitantes. Isso apenas no ano de 2016.
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São 172 pessoas assassinadas por dia, mais de 7 por hora. Muito maior número que a mesma estatística para a Europa. Isso em um país que vende a eterna ilusão de ser pacífico, amistoso. De boa, como dizem os mais jovens...
Mais que apenas a observação a respeito da escalada da violência, já que o número vem apresentando tendência de crescimento nos anos anteriores a 2016, o que mais choca é o fato de que 71,5% dos homicídios foram de jovens, pretos ou pardos.
Apenas em relação aos negros, o Atlas revela que a média supera os 40 por 100 mil habitantes.
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Falar que a maior parte dessas mortes se dá em Estados do Nordeste ou Norte do país, é uma informação relevante. Lembrar que os números mostram a escalada justo nos anos em que a crise da economia brasileira se tornou mais aguda também pode dar alguma contribuição para o entendimento da questão.
Mas não é suficiente para explicar porque mais de 70% das vítimas são jovens. São pretos. São pobres. Pode-se até arriscar: moradores em comunidades da periferia.
Um verdadeiro e autêntico genocídio.
Do mesmo tipo que já foi colocado em prática no Brasil colônia, em relação aos negros escravos, embora isso não fosse considerado preocupante por um país que cada vez mais quer eternizar o poema de Affonso Romano de Sant'anna, que afirma que há 500 anos matamos índios e mulheres e pobres e pretos. Especialmente jovens, pobres e pretos, como eu mesmo já comentei nesse espaço em postagem de 2017.
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Ainda agora no portal UOL há uma chamada de que até 5 mil índios e estudantes quilombolas podem ser obrigados a interromperem os estudos, por força de cortes de gastos nas bolsas permanência.
O que significa apenas a manutenção, especialmente dos quilombolas, como uma categoria de cidadãos de segunda classe.
Claro, o que alcança também à população indígena.
Coisas do des-governo temer.
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Aliás, antes de retornar ao tema cujo tratamento deu início ao pitaco de hoje, devo dizer que vou voltar a grafar o nome de Temer com maiúscula. A razão é simples: um reconhecimento de que nunca vi tanta incompetência. tanta inépcia, tanta prepotência juntas, essa última travestida, como é comum em que se arvora em forte, de insegurança.
O que faz Temer a qualquer instante ou problema que surja e que ele deve administrar, correr para a farda dos soldados, para fazer  uma analogia com aqueles meninos que, a qualquer mínima ameaça, correm para a saia das mães.
Temer, além de tudo, vai sair do governo e, diga-se de passagem, investigado e sujeito à condenação. Até por não ter feito nada em seu des-governo, além de dar asa a muita imaginação quanto a abusos em relação aos cofres públicos. Seu amigo coronel da reserva, PM Lima que o diga, flagrado com mais de 23 milhões em contas bancárias, isso depois da corridinha esperta de Loures, seu menino de recados.
A esperança que nutro é a de que para ele, nem se fala, nem se aventa em qualquer concessão de indulto. O que é uma garantia para nossa sociedade.
Por tudo isso, o mais corrupto governo, superando até mesmo o de seu companheiro de partido, Sarney, passo a respeitar sua distinção - nula- e volto a grafar Temer, com maiúscula.
***
Mas comecei o pitaco com Fabiana, para voltar ao assunto da reação dos movimentos negros.
Acho que eles têm sim, que fazerem toda a manifestação do mundo possível, para resguardar os direitos que sempre lhe são devidos.
Toda essa postagem mostra esse quadro, e por isso, todos esses movimentos contam com minha mais irrestrita solidariedade.
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Exceto em relação à negra, de pele mais clara, Fabiana. Que me lembra do caso que aconteceu no início dos anos 60, talvez 61 ou 62, quando os concursos de miss eram tão famosos, em todo o país e no mundo.
Naquele ano, foi eleita miss Brasil, a mineira Stael Abelha, linda morena que, conta a lenda, não desejava viajar aos Estados Unidos para disputar o título máximo de miss Universo, como nossa representante, por temer ser desclassificada, como foi. Na época, a versão é que a desclassificação se deu por ter algum traço de sangue negro.
Outra versão diz que foram ciúmes de seu namorado que a fizeram abdicar do título nacional.
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Volto a Fabiana, não por achar ridícula a manifestação, em defesa de direitos negros, contra uma negra.
Mas por que os tais movimentos que merecem meu respeito, se equivocaram.
Afinal, o que é um teatro?
Uma busca na internet diz que é uma forma de arte em que um conjunto de atores interpretam ou representam uma história. Local onde o público vai para ver.
Ver arte!
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E o que é a arte?
Da mesma forma precária, poderíamos definir como a manifestação estética, de sentimentos, emoções, que se deseja transmitir para expressar ideias, percepções, que induzam a uma tomada de consciência, etc...
Está lá no google.
Como está lá também o fato de que, na Grécia antiga, onde a mulher não era considerada pessoa, ela não podia participar das representações das peças encenadas.
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E, por isso mesmo, os atores, homens, usavam personas, máscaras, que serviam para permitir melhor compreensão de sua fala, mas também para mostrar que, dependendo da figura da máscara, uma mulher ou outra, estivesse se manifestando.
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Minha memória é falha, mas acredito que foi em Marx (não me lembro em que passagem do texto, nem de que texto), que aprendi que persona do grego era usado apenas para representação do que se desejava mostrar.
Na passagem que a memória me traz, ele afirmava que  não tratava das figuras do capitalista ou do operário, exceto como personas. Sem entrar no mérito do juízo de valor individual de cada um. Tratava-os como as máscaras do teatro grego, para expressarem a representação de interesses de um grupo social.
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Pois bem, se desde a origem do teatro, e desde a Grécia, máscaras eram utilizadas pelos atores, para expressarem diferentes pessoas na peça, não haveria qualquer problema em se usar alguém branco e de sexo masculino, para representar D. Ivone Lara, se deixado claro que se colocava aquele ator, no papel de uma mulher negra genial.
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Foi assim que, quero crer, ninguém exigiu que se proibisse a representação nos espetáculos de ópera italianos, das figuras e vozes femininas, por jovens rapazes, submetidos até à tortura: os castrati.
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Ou seja, ao agir com agiu, os movimentos negros, demonstram antes de mais nada, uma ausência de conhecimento do que é cultura. O que apenas agrava a questão do preconceito e da falta de respeito.
Respeito à arte, e sua mensagem.
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Por isso, acho que um filme de Lars von Trier, com Nicole Kidman, chamado Dogville é um primor de filme. Apenas ou até mesmo porque faz toda uma representação de uma cidade, das casas, etc. a partir de marcações a giz dos ambientes, que são apenas imaginados.
E olhe que é um filme espetacular, e dos mais violentos, na representação do que é o ser humano, a que já assisti.
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Concluo: na arte, não há necessidade de o negro ser negro, nem do homem ser homem ou da mulher ser mulher; da criança ser criança, como os Autos de Natal nos mostram bem, na representação de soldados, Maria e José e até dos reis magos, por meio de crianças.
É isso.
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Mais poder aos negros. Mais respeito. Mais dignidade. Aos jovens, aos pobres, aos que vivem nas comunidades. Mais respeito também à arte. E à denúncia a que ela pode servir, mesmo que para denunciar o genocídio contra os negros, sendo a representação dessa realidade moderna, feita por atores/atrizes brancos. Brancos, mas conscientes de que somos todos iguais.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Senado aprova medida que adia a solução que passa pela alteração da política de preços da Petrobrás

Em sessão marcada pela pressa, como já está se tornando normal no Senado, foi aprovado ontem à noite naquela casa, o projeto que aprovado na Câmara que propõe a reoneração da folha de pagamento das empresas.
De carona no projeto, foi aprovada também a redução para zero da alíquota da CIDE e a do PIS/COFINS, incidentes sobre os combustíveis.
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Importa aqui destacar algumas questões, como a levantada pela senadora Vanessa Grazziotin, entre outras líderes dos partidos da oposição, relativa à já costumeira pressa para que votações sejam realizadas, sem que as questões importantes que estejam sendo tratadas, possam ser mais bem discutidas.
Ou seja: votam-se matérias importantes no escuro. Sem que se aprofunde nas causas dos problemas e nas soluções possíveis. O que deve ser reconhecido, não é culpa apenas do Congresso.
Em especial no caso presente, dos caminhoneiros, grande parte da responsabilidade recai sobre os ombros do Planalto, avisado antecipadamente das reivindicações da categoria dos transportadores, e que deu de ombros, não levando as ameaças de paralisação a sério.
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Sem demonstrar qualquer aptidão para governar, exceto ficar fazendo política rasteira e negociando verbas em troca de manter-se no cargo, brecando as investigações necessárias em relação a suas decisões, principalmente em relação ao Porto de Santos, temer ainda demorou-se demais a reagir. E quando o fez, foi para mostrar ao país sua total falta de autoridade.
Tanto que Pedro Parente, mero presidente da Petrobras, fez de temer gato e sapato, primeiro afirmando que não modificaria a política de preços dos combustíveis em vigor, para depois vir a público afirmar que decidira reduzir em 10%, por 15 dias.
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Que Pedro Parente, representante dos interesses do capital e dos investidores estrangeiros na Petrobrás e na estratégica questão da exploração do pré-sal, tenha costas largas para peitar o usurpador que ocupa o Planalto, não é de se estranhar.
Mas mostra como temer e nada é, como diz a Globo golpista, tudo a ver.
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Mas, discutido e aprovado às pressas ou não, também deve-se reconhecer que, à exceção do líder do governo, o outro indiciado e homem das grandes surubas, Romero Jucá, a maioria dos líderes partidários quando do encaminhamento do voto de seus pares, deixavam claro que recomendavam o voto favorável por respeito e por darem crédito à palavra de Eunício de Oliveira, presidente da Casa.
Exceto os líderes da oposição, contrários ao projeto, os demais, ditos dos partidos da base, deixavam claro não terem qualquer respeito e nem darem crédito a temer, o golpista.
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Quanto a Jucá, não se fez de rogado e admitiu a possibilidade de veto do usurpador ao projeto, afirmando que a matéria era, como de fato é, inconstitucional.
Afinal, sem dizer a fonte de onde viriam os recursos, foi a Câmara que propôs a medida de zerar o PIS/COFINS, o que altera o orçamento.
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Altera o orçamento e retira recursos de destinação obrigatória à Seguridade Social. O que significa amplificar os problemas que a Previdência Social do país apresenta, mesmo que não a questão do déficit da Previdência, da forma enganosa que o executivo costuma calcular e divulgar.
Porque, a bem da verdade, desde a implantação do caixa único no governo, esses recursos com previsão constitucional de serem obrigatoriamente destinados à Seguridade acabam, como todos sabemos, indo pagar despesas do governo, como as emendas parlamentares, negociadas como moeda de troca para salvar o mandato do suspeito de corrupção que usurpou e ocupa o Planalto.
Quando não os juros dos grandes interesses financeiros do país e internacionais, que aqui aplicam, e que são os principais interessados na manutenção dessa sombra decadente que é o atual ocupante do Planalto.
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Tanto o país se encontra, efetivamente acéfalo, que Pedro Parente já definiu que não vai alterar a política de preços adotada, e que findos os 15 dias de sua promessa, vai voltar a acompanhar a oscilação dos preços internacionais do óleo cru e do câmbio. E vai espetar a conta no governo, exigindo a reposição das perdas geradas pela decisão de temer, de expandir o prazo da redução do preço do diesel para 60 dias, e da alteração posterior da política de preços para os caminhoneiros.
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Que ninguém se iluda. Há no meio dos caminhoneiros muita gente que deseja ver o circo pegar fogo e aproveitando a inépcia de temer, está apostando no agravamento da situação social, até que seja justificada uma intervenção militar.
Essa, já cansamos de afirmar, é a pior saída. A pior medida. O pior dos mundos.
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Já afirmamos nesse blog, tanto quanto os políticos, e os profissionais de outras áreas de atuação, os militares não são, nem nunca foram vestais. Não são a representação da honestidade em abstrato, como não são transformados em santos, apenas por vergarem fardas.
Se parece serem puros é apenas por estarem na posse de armas. E assim podem silenciar, como já o fizeram em vários momentos de nossa história, aqueles que descobrem seus crimes e seus pecados, entre os quais o da corrupção, do enriquecimento ilícito e do favorecimento, de que não estão imunes.
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E existem caminhoneiros que, como alguns outros que clamam pela intervenção militar, não puderam, não tiveram tempo ou interesse em estudar história do Brasil.
Rodando pelas estradas sempre precárias que cortam nosso país, é compreensível que os caminhoneiros não tenham tido tempo de se informarem das torturas, da ruptura dos direitos individuais e sociais, patrocinados pelos maus militares. Nem dos crimes de assassinato de quem lhes fazia oposição. Vários desses opositores na cadeia, indefesos.
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Por isso, a preocupação legítima de deputados na nossa Câmara, em relação à possibilidade de um golpe vir a depor temer.
Afinal, como parece ser a ideia de Rodrigo Maia, ruim com temer, pior sem ele, se for para seu substituto usar uniforme e dragonas.
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Mas, ainda voltando à paralisação dos caminhoneiros, é justo que alguns, mesmo que a minoria, continue seu movimento paredista.
Porque pouca atenção tem sido dada a sua reivindicação real. Eles querem, como toda a população, uma política de preços dos combustíveis que não os impeça de trabalharem, gerarem renda e viverem com dignidade. Ou sobreviverem, no mínimo.
Não lhes interessa uma solução provisória para seu problema, como a de zerar a alíquota do PIS/COFINS até o final do ano.
Porque o ano acaba, e o problema volta a afligi-los.
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Isso sem contar que, até lá, se para recuperar as perdas orçamentárias representadas pela medida de exceção for necessário aumentar a tributação sobre outros produtos, não há qualquer certeza de que eles não serão alcançados pela elevação dos impostos.
Ou seja, eles poderão ter que dar com uma mão, o que estão recebendo nesse instante, na outra mão.
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Por isso, a senadora Grazziotin estava coberta de razão: a aprovação do projeto devia ser feita depois de longa discussão sobre as fontes de recursos que seriam usadas para bancar a perda estimada de entre 9,5 e 13 bilhões de reais por esse governo e seus técnicos, que apenas são eficientes em bater cabeça.
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A discussão prioritária a ser feita, a da alteração da política de preços da Petrobrás, essa nem pensar. O que não resolve nada. Apenas remete para 2019 a necessária solução do problema.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Caminhoneiros, temer e um grito que devemos fazer ecoar: Militares nunca mais.

Uma semana de greve dos caminhoneiros e, apesar de todo o temor, seja em relação à possibilidade de desabastecimento, seja de questões mais delicadas, como a  da deflagração de uma convulsão social, da queda de governo e até de intervenção militar, parece que, aos poucos, o nível de estresse vai diminuindo e algumas soluções vão sendo encontradas, tendo em vista o retorno à realidade. 
Não em razão do governo e do usurpador temer, que apenas mostrou, mais uma vez, o quanto era incompetente para assumir o cargo que o golpe, do qual foi participante ativo, lhe jogou no colo. 
E ainda tem gente que, na ignorância de como funcionam nossas instituições, ou como não funcionam, em especial nosso sistema político, argumenta que temer foi eleito por aqueles mesmos que elegeram Dilma. 
Como se, em nosso país, a escolha de um vice não fosse meramente protocolar, ou pior, para negociar tempo e base de apoio junto às casas legislativas. Apoio nunca suficiente e nunca efetivo, o que impõe e implica na necessidade da realização de todas as negociações espúrias de que somos testemunhas passivas. 
Então, quem elegeu Dilma não elegeu temer, quem votou no projeto (se é que havia algum) de Dilma e do seu partido, não votou no projeto de um político abjeto, fruto do que há de pior no ambiente político de nosso país. 
***
Alegar que temer é fruto de quem elegeu Dilma, ainda que no segundo turno, é dar espaço que seja dito que quem colocou temer lá foi o eleitor de aécio, o senador mineiroca que, por puro despeito ou orgulho de playboy ferido, irá passar para a história como aquele que fez valer o que era a intenção de Carlos Lacerda, em relação a Getúlio: se candidato não deverá assumir, se assumir não deverá governar... 
Pois bem, e é curioso que Tancredo, o avô do menino mimado  que descobriu-se ser empregadinho embora muito bem remunerado da JBS, foi um adversário tão aguerrido de Lacerda e de sua udenista golpista, para agora, esse seu neto cheio de acusações e más intenções, repetiu o político carioca, de quem parece copiar o perfil. 
Afinal, se Lacerda como político nada valia, tampouco aecim, essa figura sem qualquer brilho. 
E os eleitores de aecim, os mesmos que circularam dizendo que não tinham culpa no desgoverno ou no estelionato eleitoral aplicado por Dilma, são também a base de apoio de quem prometeu e cumpriu a promessa de derrubar um governo democraticamente eleito pelo povo, apenas por não saber conviver com o contrário. 
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Se os eleitores de Dilma foram os que elegeram temer, foram os incautos eleitores de aecim que, sem conhecer sua face autoritária urdiram o golpe. Inventaram um crime de responsabilidade fajuto, baseado em uma situação corriqueira nos governos anteriores, as tais pedaladas, e comemoraram com dancinhas e camisetas com as cores da corrupta CBF, a retomada do poder e da hegemonia só permitida com o retorno dos privilegiados ao poder.
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E foi isso que temer, o medíocre, ousou fazer. Correr para bajular e tentar manter sua sobrevivência, agradando não à maioria do povo brasileiro, mas aos interesses de alguns poucos capitalistas nacionais, umbilicalmente articulados aos interesses de grandes capitais internacionais. 
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E devo ressaltar: não foi uma política voltada para os interesses nem mesmo do grosso do empresariado nacional, embora esse grupo alimentasse uma ilusão de que estaria sendo beneficiado pelas medidas que, no fundo também afetam a todos eles, de forma negativa, como a reforma trabalhista, a lei do teto dos gastos, e principalmente essa política de juros que sob a argumentação de estar a serviço do combate à inflação, fez saltar os níveis de desemprego e provocou a recuperação mais lenta da economia brasileira em toda sua história. 
***
Tudo começou com a indicação de Pedro Parente para a Petrobrás e o desejo de promover a recuperação da lucratividade e concomitantemente,  privatizar a exploração do pré-sal. Para ambos os objetivos, contribuía o alinhamento do preço do petróleo, até então usado como instrumento da política de desenvolvimento e da normalidade do funcionamento da economia brasileira, com o preço internacional. 
Ao atrelar o preço de nosso produto, ao de uma "commodity" que é objeto constante de manipulação nas bolsas de todo mundo; ao vincular o nosso óleo ao de uma mercadoria que é das mais voláteis no mercado internacional, por força de ter sido sempre transformada em arma de interesses de estratégia geo-política; ao estabelecer nossos preços no mesmo patamar de um produto que, além de tudo é cotado em dólar, o que o senhor Pedro Parente, com o beneplácito do inútil temer conseguiu foi fazer nosso produto depender, basicamente de dois fatores, sobre os quais não temos qualquer controle. 
Mas isso não importa, para quem conseguiu atingir o objetivo de recuperar a lucratividade da companhia, agradando aos grandes investidores internacionais, entre os quais se encontram, justamente aqueles que se prestaram a adquirir o direito de exploração do pré-sal. Com lucros fabulosos. 
Enquanto isso, nossos combustíveis sobem a níveis estratosféricos, e os lucros dos acionistas estrangeiros, detentores do que já foi um dia distante, o petróleo nosso. 
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O plano seguiu com Parente, ao adotar a nova política de preços, abrir espaço para que petróleo importado chegasse aqui, ao nosso país, com preços mais reduzidos, situação que acabaria levando à redução da utilização de nossas instalações e da nossa capacidade de refino.  
***
E culminou com a elevação, determinada por temer em julho de 2017, dos impostos incidentes sobre combustíveis, para cobrir o rombo do caixa que só se elevou com sua política econômica e com a quantidade de renúncias que foi sendo obrigado a fazer, para curvar-se à Câmara, aos deputados que lhe permitiram escapar de duas investigações, e à aprovação do saco de maldades que os empresários lhe exigiam. 
***
A facilidade em  elevar as alíquotas de combustíveis para tentar minorar o rombo das contas públicas, dado que a política de recessão impedia a recuperação da produção e, com ela, a elevação da carga tributária, foi outro dos motivos que alimentaram o movimento dos caminhoneiros. 
Afinal, a elevação de impostos, e a variabilidade dos preços do diesel, foram os principais motivos, embora não os únicos alegados por parte dos caminhoneiros para reagirem. 
E, diga-se que eles, demoraram a reagir. E ainda enviaram ao Planalto uma correspondência em que já cobravam a adoção de medidas que os favorecessem, sob a ameaça de entrarem em greve a partir de 21 de maio. 
***
A inépcia do governo, sua descrença na ameaça, as preocupações mais em se safar e locupletar-se, talvez, tenham soado mais importantes do que tratar da potencial ameaça dos homens responsáveis pelo transporte de 2/3 de nossas riquezas. 
***
Até entende-se que um presidente que ao deixar o cargo deverá ir parar atrás das grades, se preocupe mais em como se safar. E diga-se de passagem, temer tem tentado não precisar acertar suas contas com a justiça. Primeiro tentando se candidatar, ainda na vã ilusão de que seria possível se candidatar e, novamente, sabujo que é, representar os interesses da minoria dona de grandes fortunas. Depois, tentando indicar alguém de sua equipe, ao qual transferiria o ínfimo apoio de seus 5% de índice de satisfação junto ao povo. 
Percebe-se que, temer tem sim, motivos e assuntos mais importantes para lhe assombrar e para tratar. Daí deixar de cuidar dos problemas do país e dos caminhoneiros em particular. 
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Como também não tratou por covardia e falta de qualquer estofo moral, de punir aos militares, a quem adula, mesmo que esses já estejam praticando o motim, ou a quebra da hierarquia que, em muitas outras ocasiões já teriam tido consequências mais drásticas. 
Um presidente pinóquio, segundo o dizer do tenente coronel da Polícia de Goiás; um governo sem mando, aos olhos do brigadeiro Dias, apenas segue o mesmo rumo do general Olímpio Mourão ou do candidato da excrecência total, o senhor capital da reserva Bolsonaro. 
***
Mas não apenas ainda tem gente que prefere não acreditar em como o candidato militar não é preparado nem tem qualquer condição de dirigir um país, pelas agressões de que sempre foi protagonista, contra mulheres, negros, gêneros de toda espécie e contra a própria democracia. Pior, ainda tem gente que acha mesmo que esse caminho, da autoridade ou autoritarismo é o melhor para tirar o país do caos, e levá-lo à ordem e ao progresso. 
Gente que acredita que a farda transforma o ser humano em santo, assim como outrora fora a batina que tenha encarnado essa condição. Pois bem, hoje sabemos que a batina esconde toda uma série de atos onde talvez, a pedofilia seja apenas mais um, de menor gravidade. (Afinal, já se incendiou muitas mulheres na fogueira da ignorância!). 
Falta descobrir que a farda também não redime quem a usa, nem transforma as almas ruins em boas. 
***
Para comprovar isso, basta recordar o recente período de regime militar, e todas suas roubalheiras, concentração de renda, privilégios, enriquecimento ilícito, mortalidade, torturas e outras ações que não dá mais para esconder. 
Não é que apenas devemos lutar e gritar que TORTURA NUNCA MAIS. 
Precisamos de ser menos ignorantes ou menos iludidos para gritarmos com todas as nossas forças: MILITARES NUNCA MAIS.
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Pelo bem do Brasil. E dos brasileiros como um todo. E não de alguns brasileiros ricos e seus abnegados bajuladores.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Cardim de Carvalho e os pós keynesianos; os juros e a reação do mercado e Polícia - para quem precisa de polícia

Comentei rapidamente no facebook a notícia da morte, em Portugal, do professor Fernando Cardim de Carvalho, professor da UFRJ, participante do grupo de Estudos da Moeda do Instituto de Economia daquela instituição acadêmica e coordenador de um dos livros mais adotados de Economia Monetária e Financeira dos cursos de Economia Monetária em nossas escolas.
Pós-Keynesiano, considerado como um heterodoxo em nosso país, o que o coloca em linha de choque com o pensamento novo-clássico dominante em nossas instituições, a divulgação de seu falecimento em Portugal, na quarta feira da semana passada mereceu uma notícia que considerei algo acanhada na Folha de São Paulo. Até mesmo por sua linha contrária ao pensamento hegemônico que domina mentes e corações de nossa academia, neoliberal e de seus pilares, os economistas que se curvam em orações e preces ao deus mercado.
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Na nota da Folha, curiosamente há uma referência ao fato de que ele achava importante haver aqui no país, um espaço maior para discutir-se uma abordagem mais heterodoxa, o que era uma vantagem em relação aos demais centros de estudo.
Pois bem, como aconteceu em outras ocasiões com outros autores e economistas de viés mais crítico, parece que tal conquista não era tão robusta, a julgar pelo tratamento dispensado a sua perda.
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Entende-se, Cardim de Carvalho ajudou a divulgar em nosso país, passagens de quem, como Keynes, dizia ser no mínimo estranho que em um mundo em que a moeda estava presente em todas as transações, a moeda fosse ignorada, junto a seus possíveis efeitos, na análise da vida econômica.
Por outro lado, ajudou a difundir Minsky e sua importante contribuição para a justificativa da presença do 'Big Government', para resolver a instabilidade que é algo inerente ao sistema capitalista., como está proposto em Estabilizando uma Economia Instável.
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A Fernando Cardim de Carvalho, meu agradecimento, pelo pouco que pude aprender estudando seus textos e livros.
E que descanse em paz.
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Juros e Comportamento do Dólar

Justo na ocasião em que o dólar dá sinais de que está rompendo limites previstos, em razão de motivos de natureza alheias a nossa vontade, o COPOM anuncia, também na quarta feira passada, a manutenção da taxa de juros básica da nossa economia, a SELIC.
A manutenção que contraria e, como é óbvio, deve ter imposto perdas aos analistas do mercado, que já contavam com mais uma redução da taxa básica de juros, foi motivo de crítica de toda a comunidade financeira.
Como se o fato de a Autoridade Monetária não ter obedecido ao seu patrão natural - o mercado financeiro, não o povo - fosse um absurdo inominável.
Tal comportamento, algo meio histérico, chegou ao ponto de criticar o presidente do Banco Central que preside o Comitê da Política Monetária, como se ele estivesse vendo e evitando fantasmas debaixo de sua cama.
E fez-me lembrar de outra ocasião - agosto de 2011, quando o presidente do Banco Central, na oportunidade Tombini, em regresso de encontro internacional sob os auspícios do FMI, foi convencido de que a situação de crise internacional, de recessão, alcançaria níveis muito elevados, o que demandava a adoção de medidas imediatas.
Ao chegar ao Brasil, na reunião do COPOM, a provável divulgação dos temores dos analistas internacionais, levou o COPOM a providenciar a imediata queda das taxas de juros, de forma a se antecipar a possível depressão no horizonte.
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Na ocasião, também Tombini foi vítima de críticas pesadas dos analistas que diziam que ele tinha perdido sua autonomia e a do órgão que dirigia e que seguia as ordens da presidenta Dilma, em sua desesperada tentativa de manter os níveis de crescimento do governo que lhe antecedeu: o de seu criador, Lula.
A história da obediência do BC e do COPOM, chegou inclusive a esquecer o fato de que o Comitê é composto de todos os membros da Diretoria Colegiada do Banco, com a presença de membros vindos do mercado e de linhas diferentes de formação e pensamento.
Nas críticas mais ácidas, o nome pelo qual o presidente do Banco Central era tratado era o de Pombini, em uma referência ao fato de que o que deveria ser sempre um "falcão" ("hawk") ter virado um pombo...
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Agora o mesmo acontece com o tão homenageado e cantado em verso e prosa, Ilan, o homem do mercado.
Acusado de estar dando ao problema, mais uma vez de origem externa, uma importância que é muito maior que sua verdadeira dimensão.
Afinal, muito da explosão do dólar nos principais mercados de câmbio, provocando a desvalorização de grande parte das moedas das moedas das economias mais fortes, inclusive a brasileira, deve-se a dois fatos principais: a política monetária americana, que sinaliza uma inflexão maior, para a elevação das taxas de juros, já que suas autoridades já se preocupam com a possibilidade de uma elevação da inflação, em razão dos níveis de crescimento da produção e a redução da taxa de desemprego estar indicando uma aproximação de uma situação de pleno emprego. A segunda, o problema da crise no Oriente Médio e nos países árabes, produtores de petróleo, o que vem levando o barril da "commodity" a alcançar níveis recordes.
Importante lembrar que até mesmo a crise naquela região do mundo tem muito a ver com a política ou as medidas de Trump, em apoio ao Estado de Israel, como a transferência da embaixada americana para Jerusalém, a saída do acordo nuclear com o Irã.
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Bem, Trump deve isso aos seus eleitores, certamente. O que o leva a adotar medidas provocativas, que ao invés de solucionar o conflito, apenas atiça ainda mais o fogo que arde, em terreno tão cheio de material combustível.
Assim, ao invés de promover a paz; exigir a devolução das terras ocupadas por Israel, ou a paralisação e destruição de todos os assentamentos irregulares; em lugar de usar de todo o peso e prestígio e força de sua nação, para finalmente dar início à formação do Estado palestino, o que ele faz é sinalizar àquele país agressor, sua concordância com a política de tolerância com atos de morte contra o povo árabe.
Ou seja, dá aval a uma política que, de há muito deixou de ser de defesa da sobrevivência israelense, para se tornar quase um genocídio, logo por quem deveria ter se tornado, por tudo que passou e sofreu de horrores, o povo que mais lutaria contra tal comportamento.
Enfim, em Israel, na região ocupada, na faixa de Gaza, parece que matar árabes a cada dia, está se tornando um esporte. Sob as mais diversas alegações, incapazes de justificarem a barbárie promovida.
***
Mas no Brasil, a situação é de inflação abaixo da meta. Economia incapaz de reagir, exceto pela contribuição sempre positiva e recorde, proveniente da agroindústria, o que assegura uma taxa de crescimento do PIB de não menos de 1%, não mais que uns 2%, isso se a proximidade das eleições e seu ambiente de incertezas não reduzir ainda mais as previsões.
Por isso, e contando com reservas de mais de 375 bilhões de dólares, o país não deveria estar tão temeroso a possíveis explosões do preço do dólar, ainda que tal fato pudesse servir para elevar alguns pontos percentuais em nossa inflação.
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Afinal, não há como esquecer que se nossa indústria não reage, como não vem reagindo, deve muito desse comportamento à doença holandesa, das taxas de juros elevadíssimas ainda da época de Meirelles no Banco Central do governo Lula, que provocou a perda de competitividade de vários setores nacionais, incapazes de competirem com preços internacionais mais baixos.
Agora, com setores das cadeias produtivas com maior grau de participação de conteúdo importado, a alta dos juros poderia trazer algum ressalto, mesmo que pequeno, na inflação.
Mas não é apenas isso, em minha opinião, que move o Banco Central, já que a inflação subir um pouco até parece ser desejo da Autoridade Monetária, já que encontra-se abaixo do limite inferior da faixa de tolerância do regime de metas.
No fundo a questão é ainda manter os influxos de capitais internacionais, evitando uma fuga para os Estados Unidos, em momento que o dólar em alta, limita o ganho cambial nos donos dos grandes capitais internacionais.
***
Ou seja: mesmo que as apostas feitas pelo mercado financeiro nacional e seus analistas fossem desastrosas, com a manutenção dos juros, a verdadeira intenção das autoridades é sustentar a entrada dos dólares ou sua permanência, para evitar que uma fuga, em momento de sua valorização representasse perdas no chamado risco cambial para os grandes interesses financeiros internacionais.
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Mas Ilan experimenta agora, a mesma ira de Tombini, e se quiser pode extrair lições desses analistas e consultores de mercado, fartos em elogios, especialmente se as políticas adotadas asseguram os ganhos de suas operações.
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Mais novidades das atrocidades do período militar

Divulga-se hoje no Bom dia Brasil, da Globo, documento da CIA, indicando que desde o seu início o governo da ditadura militar sanguinária do Brasil sabia da verdadeira história do atentado ao Riocentro em 1981.
O que era um segredo de Polichinelo, já que todos sabiam ou sempre souberam que a bomba que explodiu no colo do sargento era mais uma das atitudes desesperadas dos setores militares, desejosos de criarem tumulto e impedirem o processo de redemocratização em curso.
Embora ainda tenha inocentes ou mal intencionados que acreditem que os militares não seriam capazes disso, já que são tão bonzinhos...
***
Entre alguns que questionam porque tais notícias só surgem agora, quando o medíocre ex-capitão bolsonaro está na liderança da disputa eleitoral, desde que o impeachment antecipado de Lula parece decretado; e outros que acreditam que tudo não passa de armação ou farsa "fake news" patrocinado pela esquerda, vemos ganhar corpo a tese de que policial bom é o que reage e mata bandidos.
Afinal, como o afirmou o governador de São Paulo, uma agressão à farda é uma agressão equivalente à agressão ao próprio policial em sua integridade.
Com isso, parece-me está dada a ordem para que, ao estilo de James Bond, o 007 famoso de Ian Fleming, também nossos valorosos policiais militares adquiriram o direito de matar...
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Que os policias à paisana possam estar armados, uma exigência de sua própria função e sua segurança, ninguém há de negar. Mas que ao começarem a agir, e reagir, chegando até a matar bandidos, e serem premiados por tal comportamento, o que temo é que a corrente que demanda a liberdade de andar armado para sua segurança pessoal ganhe força e adeptos.
Afinal, porque o policial, mesmo em trajes e agindo como civil pode???
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O meu temor é que, tal reforço para a campanha de fim da lei do desarmamento, possa fazer de nosso pais, e nossas escolas o campo de extermínio que as escolas americanas vêm se tornando.
Enfim... há sempre gente que não está nem aí para essas tragédias tipicamente americanas...