segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Cruzeiro é rei mas ainda não é o campeão. E o rei ontem estava nu (mas ninguém quis ver)

A verdade é que não sei se a situação é digna de tristeza ou pena.
Afinal, durante muito tempo a imprensa cultivou e todos os que acompanham o futebol mais de perto se convenceram de que o jogo decisivo do campeonato para o Cruzeiro seria a partida contra o Grêmio. 
Segundo colocado na oportunidade, e distante uma quantidade de pontos suficiente para o time mineiro sagrar-se campeão com larga antecedência, o jogo contra o time gaúcho tinha dois outros ingredientes fundamentais: era um jogo contra adversário direto às pretensões dos mineiros e era um jogo contra o único adversário que o time de Fábio e Marcelo Oliveira não havia vencido no campeonato. 
Em relação à questão das pretensões, o jogo era um daqueles considerados "jogo de seis pontos", com o time gremista podendo reduzir a extraordinária vantagem mineira caso vencesse, o que serviria para continuar embalando o longínquo sonho de ser o campeão. Com relação ao segundo ponto, caso vencesse, o Cruzeiro teria conseguido uma façanha que ainda não fora obtida por nenhum dos campeões da era dos pontos corridos: vencer, ao menos uma vez, a todos os seus adversários.
Pois bem, a expectativa criada prosperou e ficaram todos à espera do jogão definidor do título: ganhando o Cruzeiro abriria vantagem que lhe asseguraria a conquista, sem dúvida alguma.
Em meio a tanta expectativa, um molho extra foi proporcionado pela penalidade, depois anulada ou cancelada que alcançou o time celeste, por força do mau comportamento de sua torcida no jogo contra o Galo. 
A princípio, julgado e tendo sido condenado à perda de um mando de campo, sem maiores explicações, ou mais convincentes, o Cruzeiro pode jogar exatamente a partida mais importante, contra o Grêmio em seus domínios, ao lado de sua torcida. Ajuda que o time quitou logo, com a atuação espetacular de seu representante, o senador Zezé Perrela, em Brasília.
***
Entretanto, imprevisível como ele só, o futebol pregou mais uma de suas peças e, faltando muito pouco para a partida tão ansiosamente aguardada, o Grêmio caiu de posição na tabela e o segundo lugar foi assumido pelo Atlético Paranaense. Por conta da queda do Grêmio, para alguns até de interesse dos atletas gremistas desejosos de derrubarem seu técnico Renato Gaúcho, o jogo contra o tricolor do sul perdeu sua importância e o Cruzeiro ser campeão já não dependia mais de qualquer partida contra o Grêmio, nem contra qualquer time. Afinal, conquistar o campeonato passou a ser questão de tempo.
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Mas, estava armado o ambiente. E não convinha a ninguém agir como a criança que, por ingenuidade, foi a única que viu que a roupa do rei não existia. O Rei estava nu.
A imprensa, como lhe é peculiar, especialmente quando é para criar fatos que possam repercutir e vender, não alertou que o jogo não valia mais nada. Que o que era para ser um jogo decisivo perdeu seu caráter definidor. 
A direção do time, aproveitando-se do ambiente, cobrou preços que, a julgar por comentários dos próprios torcedores cruzeirenses foram absurdamente inflados, aproveitando-se do fato de ser uma decisão, mesmo que de mentirinha. 
Os cruzeirenses colocaram seus mais novos e mais lustrados uniformes e acorreram em massa ao Mineirão, para o jogo que apenas cumpria tabela, como todos os demais jogos das rodadas que o antecederam.
Aliás, é justo dizer: o campeonato por pontos corridos não se decide em qualquer partida, o que constitui sua principal vantagem. E foi por isso que o Cruzeiro chegou onde chegou. Por ter vencido e levado a sério e respeitado todos os seus adversários em toda a competição. Não por um jogo contra o time que nem mais ocupava a vice-liderança.
Mas, os cruzeirenses em nenhum momento foram alertados de que o jogo não tinha mais o caráter de decisão que lhe fora atribuído. E fizeram o seu papel, indo a campo para comemorar uma vitória. Mais uma vitória e uma possível conquista. 
Possível, mas não real.
O time jogou, venceu, convenceu contra um Grêmio perdido mas valente. E o time mineiro, virtual campeão, não pode sair do estádio como campeão real, embora todos saibam que é questão de mais uma ou duas rodadas. 
Entretanto, o Atlético Paranaenses, seu único adversário em condições de ainda ter alguma expectativa - sonho fugaz-, venceu também seu compromisso, contra o bom time do São Paulo, em franca reabilitação na competição. E assim, ao invés de as próximas rodadas se tornarem meros amistosos, a sagração do campeão ficou adiado. Para quarta feira no Barradão, contra um Vitória que está correndo atrás, para se credenciar para disputar a Libertadores no próximo ano, ou para o domingo, quando então a punição ao Cruzeiro será cumprida. 
***
Como atleticano que sou, e que está sempre secando o Cruzeiro, o fato de nosso adversário principal não ter passado a régua ainda, não é significativo, nem motivo de satisfação. 
Ao menos para quem tem um mínimo de bom senso e raciocínio, o time de Marcelo Oliveira já é o dono do título. 
Mas, que é de dar pena ver a comemoração, a alegria e o buzinaço, a queima de fogos que os torcedores do time azul fizeram, apenas por mais uma partida, com a mesma importância que foram todas até aqui, já que embora gritassem que eram campeões, no fundo, no fundo, também eles, se tiverem bom senso, sabem que ainda não conquistaram nada. 
Pena ou tristeza por tê-los visto sendo tão ludibriados e tão explorados, mesmo que às vezes, algumas pessoas sintam até mais prazer, quando manipulados e feitos de inocentes úteis. 

Saber aproveitar

Melhor assim
que não me arrisco
divirto-me sem receio
gasto o que ganho
sem querer guardar dinheiro
A vida é curta
e não sei o amanhã
por isso vivo cada dia
e não me arrisco
a manter grana no banco
e sofrer algum confisco
Melhor assim
aproveitar cada instante
e ir adiante
vivendo intensamente
cada momento
que a vida é curta
e não há tempo a perder
e saber viver
sem qualquer dúvida
é a melhor forma já inventada
de aplicar a nossa grana pra render

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Devaneios de um dia de chuva

Vagas lembranças
Fragmentos de um sonho vão
Passam ligeiras
Sem deixar rastros
Meros detalhes
Tênues que são
São fantasias ou devaneios
Delírios que povoam a imaginação
E se escondem nos desvãos do tempo
E desvanecem
Tal qual fumaça
Mal se deparam com nova desilusão
É a construção jamais erguida
Projeto que nunca saiu do chão
Voo abortado
De asas cerradas
Que nega à vida outra dimensão
Ou são grilhões
Que mantêm presos
Nossos pés no chão
Terra batida
Onde descalços
Nossas passadas
Marcam os rastros

Que sinalizam nossa frustração

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A crise fiscal e a fantasia criada em torno dela pelo PSDB: afinal, já estamos vivendo o ambiente de eleição

Que o resultado das contas públicas em setembro tenha sido alarmante, não há dúvida. Conforme noticiado, o déficit primário alcançou a cifra de R$ 9 bilhões, reduzindo significativamente as expectativas do mercado quanto à capacidade do governo cumprir a sua meta de "economia" para pagamento dos juros da dívida.
Apenas recordando, quando o governo gasta mais que sua arrecadação, restam-lhe três mecanismos para financiar esse excesso de seus gastos: elevar a arrecadação, emitir mais moeda ou financiar-se junto ao mercado financeiro, operação que é também conhecida como a emissão e colocação no mercado de títulos públicos.
De forma bastante simplificada, cada uma das três formas de financiamento, todas de curto prazo, têm consequências negativas, conforme os ensinamentos dos manuais de economia.
A elevação de arrecadação consiste em extrair mais recursos reais do setor privado, transferindo-o para o setor público. Além de ser extremamente impopular, do ponto de vista político, enfrenta ainda alguns problemas de ordem prática, como a exigência de que aumentos de carga tributária cumpram o princípio da anualidade, ou seja, possam ser efetivados apenas no ano imediatamente seguinte ao da aprovação da lei que promoveu a elevação do tributo.
Por sua impopularidade pode gerar aumento da sonegação, fenômeno que está vinculado ao formato da curva de Laffer, que mostra que alíquotas mais elevadas provocam aumento da arrecadação até um certo limite, quando começam a apresentar declínio.
A emissão monetária, por sua vez pode provocar o fenômeno da elevação de preços, se cumpridas as hipóteses em que se baseiam as teorias que têm por base a teoria quantitativa da moeda em suas várias vertentes. Ou seja, não há garantia de que a maior emissão monetária seja causa da inflação, podendo ser apenas uma necessidade do mundo de negócios de contar com maior liquidez que permita a continuidade da realização desses negócios e consequentes pagamentos em uma sociedade que já experimenta elevação generalizada de preços proveniente de outras causas. Além disso, outras condições ou hipóteses precisam de ser atendidas, como a da manutenção em um valor constante da velocidade de circulação da moeda (ou do quanto de moeda as pessoas decidem manter em mãos, para realização de suas transações normais) ou ainda a de que a economia já se encontra em pleno emprego de recursos, situação em que não consegue mais elevar a produção para atender ao aumento de gastos que, supõe-se todas as pessoas com mais dinheiro irão promover.
Dito de outra forma, se as pessoas que tiverem mais dinheiro não quiserem correr às compras e aumentar suas despesas, optando por manterem esse dinheiro em aplicações financeiras, pensando em sua segurança no futuro, não haveria escassez de produtos e motivos para os preços se elevarem.
Claro está que não afastamos a possibilidade de ocorrer sim, inflação, caso o governo aumente a emissão de dinheiro, e por conta disso e das expectativas que isso cria e desenvolve no ambiente econômico e junto à sociedade, as pessoas - principalmente empresários, comecem a elevar seus preços -de serviços ou de produtos, antecipando uma possível retomada do fenômeno inflacionário, como uma espécie de hedge ou proteção.
De qualquer forma, a emissão monetária costuma não ser utilizada, por todos esses possíveis resultados.
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A terceira forma de financiamento é a da emissão de títulos da dívida ou o endividamento público.
Como qualquer tomador de recursos, para convencer os agentes com recursos excedentes a suas necessidades, ou seja, com dinheiro em mãos a usarem seus recursos emprestando-os ao governo, é necessário que se prometa pagar ao emprestador um juro, o que implica o compromisso futuro de o governo gerar recursos orçamentários para cumprir essa nova obrigação.
Desnecessário afirmar que tal endividamento significa também a transferência de recursos reais do setor privado ao setor público, mas por não ser compulsório como a tributação e por ser uma opção feita pelo emprestador dos recursos que considera - na abordagem mais convencional - sua preferência intertemporal de utilização de riqueza, representada por ter menos recursos à sua disposição no presente em troca de ter mais recursos no futuro, não se sujeita ao mesmo tipo de crítica que a primeira das alternativas listadas.
Apenas um parêntese, para lembrar que a mesma disposição do agente detentor de riqueza financeira, não reprodutível, encontra também explicação na teoria keynesiana, já que para ela, o indivíduo se sente recompensado na medida em que abre mão de liquidez (moeda), desde que obtenha um prêmio (os juros) por tal decisão.
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Como consequência do afirmado acima, uma vez criada a dívida pública, o governo deve adotar as medidas necessárias para que possa, nos exercícios seguintes, cumprir o seu compromisso, efetuando os pagamentos de juros aos seus financiadores.
Daí a necessidade de, daí em diante, o governo passar a reduzir seus gastos ou elevar a arrecadação para poder gerar o superávit primário, a economia para pagamento dos juros aos seus credores.
Um detalhe é que, de verdade, não há a necessidade de que seja feito um corte nos gastos públicos, que crescem vegetativamente, seja por força de aumentos dos preços de tudo aquilo que o governo necessita contar para poder funcionar e operar (aumento dos gastos de custeio, por força da variação de preços de um exercício para o outro), seja por força de aumentos dos gastos da folha de pessoal, por força das correções salariais para repor a desvalorização das remunerações, ou por força da elevação natural de despesas por promoções de tempo de serviço, ou ainda devido a necessidades de aumento do quadro de servidores, em substituição aos que se aposentam no serviço público ou por aumento mesmo da necessidade de recursos para prestação de serviços cada vez mais demandados pela sociedade.
Embora haja esse crescimento dos gastos públicos, por outro lado, cresce também a arrecadação acompanhando o crescimento do nível de atividade econômica, da produção e da renda.
Assim, o que o governo tem de impedir é que o crescimento da despesa supere a taxa de crescimento esperada da economia.
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Pois bem, do que foi apresentado até aqui, já deu para perceber que a situação econômica de nosso país hoje não é uma situação que poderia ser considerada tranquila.
Afinal, como a economia não cresce às taxas projetadas ou imaginadas, a receita não apresenta evolução capaz de compensar a elevação dos gastos. Para compensar esse baixo crescimento projetado, o governo, atendendo a reclamos dos setores empresariais, resolveu conceder estímulos à produção e vendas, promovendo uma grande desoneração de tributos.
Se o objetivo último do governo era manter um ambiente econômico estável, de forma a manter o nível de atividade visando impedir a elevação do nível de desemprego, resultado que foi obtido com a manutenção da demanda agregada aquecida, isso implicou, por outro lado, em mais redução da arrecadação, o que não foi, nem podia ser para não tornar a medida de redução de tributos inócua, acompanhada pela redução dos gastos públicos.
Nunca é demais lembrar que, além de importante elemento integrante da demanda agregada, que mantém o estímulo a que os empresários continuem produzindo e gerando empregos, o gasto público tem a característica de ser um gasto muitas vezes impossível de se comprimir, por suas características.
De mais a mais, lembre-se também que a redução de gasto público não assegura queda da demanda agregada, já que pode haver substituição de gastos públicos por gastos privados na mesma de mesma natureza. Apenas lembrando, se o governo corta despesas em saúde, aumenta o gasto privado com os planos de saúde; caso o corte se dê na educação pública, aumentam os gastos familiares com educação privada.
O problema é que ao haver a substituição de despesa pública por privada, apenas alguns setores mais privilegiados da população teriam acesso a bens e serviços de qualidade, muitos dos quais indispensáveis.
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Então, impossibilitado de cortar muito em seus gastos e com arrecadação em queda, até porque a economia continua não deslanchando e continua com taxa de crescimento esperada reduzida, é natural que o superávit primário previsto não se efetive. E que isso provoque algum tipo de preocupação.
Especialmente, se a tudo isso for acrescentado o fato de que, por força de uma série de fatores, um dos quais a situação que nossa economia atingiu que significa ter chegado ao nível de pleno emprego de sua força de trabalho o que eleva muito o custo desse recurso na produção, em especial de serviços - "non tradeables" - o país começou a conviver com elevação de preços, projetando o risco de termos uma inflação acima dos limites máximos tolerados para a inflação de acordo com o sistema de metas.
Tal situação como se sabe, obrigou o Banco Central a elevar os juros básicos da economia brasileira, elevando custo do carregamento da dívida pública.
Conforme dados apontados por André Perfeito, em coluna na Folha de São Paulo de ontem, o Brasil gasta hoje 5,7% do PIB só com juros. Perde apenas para a Grécia, na casa de 6,9% e ganha da Itália (4,6%).
Com isso, a economia deveria ser maior, e ao contrário está se reduzindo.
Situação clara de alerta.
Mas como o próprio André Perfeito mostra em sua análise (Caderno Mercado da Folha, B1), se a dinâmica fiscal não é confortável e ninguém o nega, hoje essa dívida é praticamente em sua maioria pré-fixada, não sendo afetada por elevação nem das taxas de juros e suas elevações, nem por mudanças do valor do dólar (outra fonte recente e cada vez mais importante de preocupação).
A situação que parece estar se deteriorando, não é desesperadora. E isso o leva a questionar porque o mercado deseja e cobra do governo o mesmo tipo de comportamento adotado em 2002, quando a situação da dívida era outra por força da forma de sua indexação.
A conclusão do articulista é que "é como se o investidor dissesse: o Brasil não reúne as qualidades suficientes para crescer, logo, ou o BC eleva a Selic para bem além dos dois dígitos, ou o governo reverte sua política fiscal. Em ambos os casos, o resultado líquido e certo é a recessão econômica.
***
Hoje, em sua coluna no primeiro caderno da mesma Folha, Delfim Netto argumenta que nada há cientificamente errado com a dívida pública quando ela ajuda no financiamento de obras de infraestrutura, ou é usada para reduzir o valor do gasto de investimento privado, graças a concessão de subsídios.
Argumenta que tudo isso deve ser feito de acordo com a exigência de transparência.
O ex-ministro afirma que seria absurdo, se a economia estando próxima do pleno emprego, utilizar a dívida pública para pagar despesas de custeio, já que isso elevaria a taxa de juro real.
Ora, a ministra do Planejamento tem, por outro lado, mostrado que a despesa pública está sob controle, com o montante dos gastos realizados como percentual em relação ao PIB apresentando redução, como no caso dos gastos com folha de pessoal e outros.
Não nega entretanto a forte elevação do percentual em relação ao PIB, dos gastos sociais, o que tem contribuído para a melhoria das condições de nosso país.
***
Portanto, não há porque tanta gritaria e até mesmo essa criação de  um ambiente de desconfiança quanto à capacidade de o governo manter o controle dos gastos, que beira o terrorismo, inclusive com declarações como a de Gustavo Franco, para quem o "governo colhe o que plantou. Quando há credibilidade, pode-se cometer pequenos erros, mas, quando a credibilidade se esgota, qualquer pequeno erro é um grande problema." E conclui: " a política fiscal é uma sucessão de equívocos e maquiagens, que só não é pior que o desempenho setorial e regulatório".
Bem, vindo do mágico do dólar fixo no início do Plano Real, que levou-nos á aventura do choque cambial de 1999, e uma das autoridades econômicas de menor credibilidade em nosso país, Gustavo Franco pode falar bem. Afinal de descrédito ele sabe como poucos.
Mas, nem é essa a situação pintada por Carlos Tadeu de Freitas, ex-diretor do BC, nem por Delfim, nem por André Perfeito, nem por qualquer economista que tenha ou juízo, ou não esteja engajado na campanha política, já lançada nas ruas por Aécio e seu PSDB.
É isso.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Curiosidades de final de ano

Fim de Ano
Mais um ano se finda
Outro ano que se vai
Ele que passou tão ligeiro
Que como o tempo e o dinheiro
Por entre os dedos se esvai
Fim de Ano
Apenas ainda novembro
Mas é que se ainda me lembro
Ali na frente é Natal
Com a correria das compras
Ruas apinhadas e o povo
Gastando o dinheiro suado
Comemorando a mudança
Que acontece apenas
Na folha do calendário
Já que a ninguém importa
Perder tempo precioso
Tentando encontrar respostas
A perguntas esquecidas
O que fizemos melhor?
O que fizemos de novo?
O que no ano que acaba
Valorizou nossas vidas?

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A hipocrisia e a arrogância de Felipão e seu autoritarismo babaca

Em 2002, comandante da 'família' que obteve o título de campeão mundial de futebol com a seleção canarinha do Brasil, em que homens e profissionais formados eram tratados como crianças pelo Papai sabe-tudo, Felipão anunciou que não continuaria à frente do selecionado vitorioso.
Atraído pelo desafio de elevar o nome dos técnicos brasileiros no mercado europeu, e até por alguns milhares ou milhões de euros, Scolari decidiu ir para a Europa, onde depois de campanhas que lhe asseguraram grande prestígio, acabou por se tornar o diretor técnico da seleção de Portugal na Copa de 2006.
Mesmo tendo sido técnico da seleção brasileira em oportunidade anterior, Scolari não se sentiu constrangido em estar sentado no banco de outro selecionado, inclusive defrontando-se com a possibilidade de ter que enfrentar o time de sua pátria.
Tudo bem, técnico felizmente não entra em campo e não ganha jogo. (E era bom que alguém avisasse a Felipão e outros idiotas da imprensa esportiva ou até mesmo outros luxemburgos da vida, dessa constatação óbvia!).
Em Portugal, Felipão mais uma vez tratando como infantilóides os jogadores portugueses convocou o jogador Deco, brasileiro nato, que se naturalizou. Creio eu que, naquela ocasião, pouco alteraria a situação caso Deco já tivesse participado ou não de algum jogo vestindo a camisa da seleção brasileira, desde que não tivesse o jogo caráter de disputa de torneio oficial.
Mas, consigo a situação é diferente, óbvio. O mesmo acontecendo quando seu interesse está envolvido, como foi no caso de Deco.
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Situação contrária à enfrentada agora por Diego Costa, que já era espanhol naturalizado quando da convocação anunciada por Felipão, e que, como o técnico nos idos de 2002, preferiu renunciar à uma vaga na seleção  brasileira e na família Scolari, atraído talvez por um reconhecimento de que nunca antes foi merecedor aqui em sua terra natal. E quem sabe, até por alguns euros a mais...
Daí a que o técnico brasileiro, do alto de sua arrogância se arvore em crítico de comportamento, fazendo beicinho e jogando a torcida contra Diego Costa, apenas por este ter adotado uma postura que deixa claro que ele não é menino, que não precisa ser curatelado, e que tem condições de tomar decisões maduras e arcar com as consequências, vai uma diferença grande.
Pior não é a postura de Felipão. É a grande quantidade de puxa-sacos e baba-ovos que o cerca e o veneram ainda mais, em face de sua reação nacionalista, patriótica, exagerada e completamente despropositada.
No caso, Felipão agiu e age como se fosse o soberano da razão e da verdade, condenando o jogador que o desprezou, como se fosse o dono da vida e das decisões de tudo que cerca a seleção.
Pena que agindo assim, apenas comece a cultivar em algumas pessoas, um certo conformismo com a possibilidade de a seleção perder a Copa que se realizará em seu país.
Para que Felipão, como já o fez antes no Palmeiras, a quem levou para a segunda divisão, possa tirar o corpo fora, arranjando culpados e responsáveis por um resultado pelo qual, como sempre, ele não se sentirá nenhum pouco responsável.
Afinal, até parece que o primeiro bode expiatório já foi apresentado. E ele marca gols, e atende pelo nome de Diego Costa.

Aumento do IPTU em São Paulo, uma história já nossa conhecida antiga

A situação por que estão passando os paulistanos, às voltas com a aprovação pela Câmara Municipal do projeto de correção dos valores da planta de imóveis da cidade encaminhado pelo prefeito Fernando Haddad e que representa, na prática uma elevação do valor de cobrança do IPTU  muito superior à inflação não é nem nova, nem exclusiva da capital paulista.
Em 2010, situação análoga e com consequências bastante semelhantes, foram vividas também em Belo Horizonte, quando o prefeito Márcio Lacerda do PSB, encaminhou para exame e aprovação, projeto de lei alterando a planta de valores do mesmo imposto.
Como anunciava o diário Hoje em Dia, o projeto de lei da PBH deveria ser aprovado na Câmara sob muitas críticas, queixas e reclamações, já que o reajuste do imposto poderia atingir até 150% em alguns casos, especialmente bairros de maior poder aquisitivo, como Lourdes e Belvedere.
Em meio a toda  a polêmica, a preocupação manifesta por alguns vereadores era quanto a uma possível elevação da inadimplência em relação ao tributo, então situada no patamar dos 13%, repetindo o mesmo comportamento observado em outras capitais que adotaram o reajuste.
Ao final das contas, a prefeitura da capital mineira decidiu promover o aumento do IPTU em duas parcelas, uma para entrar em vigor a partir daquele 2010, restando outra parcela para vigorar a partir de 2011.
Que eu me lembre, não houve qualquer outra alteração no tributo, que manteve a mesma alíquota, apenas que aplicada então ao novo valor (corrigido) do imóvel, acompanhando a evolução de preços observada no mercado.
Ressalta-se que durante muitos anos o preço de imóveis em Belo Horizonte não sofreu alterações, ficando reconhecidamente defasado, situação que alterou-se profundamente em anos mais recentes, como resultado da especulação imobiliária que teve início a partir dos anos 2000.
Sendo o IPTU um tributo sobre o patrimônio, e tendo em tese e de forma potencial, se elevado o valor do patrimônio dos munícipes, era justa a correção dos valores da planta, que serve de base para o cálculo do tributo, mesmo que, em tese, o fato de ser justo nem sempre é suficiente para eliminar o desagrado experimentado por todos nós, que temos que arcar com mais esse ônus.
De mais a mais, é sempre importante a observação feita acima, de que o aumento patrimonial é tão somente potencial, uma vez que não necessariamente ele irá se converter em aumento real já que grande parte dos proprietários dos imóveis irão realizar tal "ganho", vendendo aquele que é o local onde moram.
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Considerado apenas do ponto de vista da questão das finanças públicas, embora sempre desagradável, o aumento de tributação é a forma mais adequada para que se transfira recursos reais e financeiros, do setor privado para o setor público, de forma a permitir ao último, atender aos reclamos e demandas, sempre frequentes e crescentes, feitas pelo setor privado.
A grande questão é que, dada a diversidade de situações e públicos e interesses inserido no que chamamos de forma genérica setor privado, às vezes algumas das demandas dirigidas à administração pública não dizem respeito a meus interesses particulares ou aos do grupo de que considero fazer parte. Tal situação cria um problema sério e grave, uma vez que não sendo objeto da ação empreendida pelo governo e não sendo atendido por aquela ação, não me considero moralmente obrigado a contribuir de qualquer forma ou com qualquer recurso para que a demanda de outros seja atendida.
Ajo como se não tivesse nenhum compromisso de solidariedade, já que não serei eu que aproveitarei diretamente dos benefícios das ações executadas. Esqueço-me que, em outras ocasiões podem ter sido as minhas demandas ou as do grupo social a que pertenço que foram objeto de ação do governo, consumindo recursos em valor muito superior àqueles com que contávamos para financiar a concretização de nossos pleitos.
Mas, em sociedade é sempre assim, e sempre tem gente que vai reclamar de que está colaborando e não está sendo alvo da benesse, pensando sempre apenas em seu interesse mais individualista.
Postura compreensível, embora, de meu ponto de vista equivocada.
E, sendo compreendido que para que alguns grupos ganhem, a cada instante, todos têm que colaborar com o ônus, não há forma melhor que a da tributação para que os custos possam ser rateados entre todos. Especialmente, se tal tributação se basear naqueles princípios fundamentais de equidade e, principalmente da capacidade contributiva, que em todos os países mais avançados estabelece que quem pode mais, ou tem mais recursos contribui com parcela maior.
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Ora, isso implica que um sistema tributário eficiente e justo privilegie sempre a arrecadação que tome como base a renda pessoal ou o patrimônio, de preferência a outro que, como no Brasil, privilegie - e prejudique- a produção e circulação de bens.
Afinal, como estudos  internacionais já demonstraram à saciedade, o Brasil detém um dos mais pérfidos, iníquos e injustos sistemas tributários do mundo, justamente por ser um sistema tributário regressivo, que cobra mais de quem tem menos recursos.
Isso, porque tendo grande receita fundada em impostos sobre a produção e circulação de bens, cobra o mesmo valor de imposto de todos que consomem os bens disponíveis no mercado. O que faz com que pague o mesmo valor tanto o empregado quanto seu patrão, tanto o que tem pouca renda ou insuficiente quanto o que tem várias fontes e rendas muito elevadas.
Desse ponto de vista, da justiça tributária, admitindo-se desde antes que o tributo é necessário e justo, porque irá financiar demandas reais apresentadas pela maioria da população, não há como não reconhecer ser melhor a elevação da carga tributária por meio do aumento do IPTU, um imposto sobre o patrimônio, no caso de uma prefeitura, impedida de criar impostos sobre a renda.
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Entende-se a grita de todos que acham um absurdo e abuso a majoração, e que questionam inclusive a real destinação que será dada aos recursos, ou que pretendem levantar a discussão de se tais recursos não poderiam ser obtidos por outros mecanismos, como a maior preocupação em conter desperdícios e ineficiências em outras áreas e usos de recursos públicos.
Mas, a verdade é que, podendo haver a discussão sobre as formas de controle da sociedade sobre a utilização efetiva 'do seu, do meu, do nosso dinheirinho', ou sobre situações de alguns cidadãos, incluídos aí os mais idosos, os que não têm qualquer interesse em transacionar o imóvel em que moram, etc. etc. a verdade é que, em minha opinião, é justa a correção dos valores dos imóveis, e a consequente elevação do valor a ser pago.
Opinião aliás, bastante bem apresentada e argumentada em artigo publicado ontem na Folha (Folha  de São Paulo de 31/10/2013, caderno Mercado 2 - fl. 7) de autoria de Marcelo Miterhof, com quem concordo integralmente e cuja leitura recomendo.
Apesar da grita, ou até mesmo por conta do estardalhaço gerado pela repercussão que a midia e os profissionais de maior patrimônio e renda promovem.