De um lado, imagine um time de futebol precisando de vencer por qualquer placar para sagrar-se campeão. De outro, imagine o time adversário, entrando em campo jogando pela vantagem do empate, depois de ter jogado fechado um domingo antes, preocupado principalmente em não tomar gols.
Agora, suponha que o jogo seja realizado na casa do time que fez a melhor campanha do campeonato, fechando a competição com o melhor ataque, a defesa menos vazada, e o apoio de 90% da torcida presente ao campo, embora o estádio em si não favoreça a qualquer um dos times em disputa, assegurando apenas e tão somente as condições mais adequadas à prática do futebol.
Some a tudo isso o fato de que um time tem a mística da garra, do amor à camisa, da equipe que cresce nas adversidades, além do retorno de seu maior ídolo, na busca do terceiro título consecutivo.
E dê início ao jogo decisivo.
Mas cuidado. Porque apesar de todas as vantagens serem do time de uniforme azul, e de o time preto e branco ser o que precisa da vitória a qualquer custo, é o time de azul que avança e já no primeiro chute a gol, em bola completamente sem maiores pretensões, acerta o travessão.
Daí para a frente, o que a televisão nos permite acompanhar é o time de azul partindo para a frente, atacando, jogando com inteligência nas falhas do time de preto-e-branco, nos infindáveis erros de passe na saída de bola do time dito carijó.
E as jogadas vão se sucedendo, com ataques pela esquerda, com Ricardo Goulart, pela direita com Everton Ribeiro, todas parando nas mãos de Victor, o goleiro que tem salvado o Galo na hora do sufoco.
***
Para destoar do restante do grupo, que busca praticar um futebol corrido, há que se destacar dois jogadores do Cruzeiro: Dagoberto, como sempre, e Samúdio, repetindo o que ocorreu na primeira partida. Do Atlético, merece destaque Leonardo Silva, disparado na frente da disputa por quem merecia ser expulso desde o início do jogo, por terem esquecido a bola, preocupados apenas em agredir ao adversário.
Bem distante, do Atlético ainda poderiam ser citados Donizete e Alex Silva, esse último com menor culpa, tamanha a quantidade de provocações de que foi alvo deste destemperado Dagoberto.
***
Mas, enquanto o time que jogava pelo empate subia ao ataque levando sempre perigo ao gol do Galão, o Atlético, provavelmente instruído por seu técnico, optava por tocar a bola e trocar passes, sempre para trás, aliando o moderno e modorrento estilo de jogo de troca de passes dos times de Guardiola, à completa e total falta de objetividade ofensiva.
A rigor, Jô lutava sozinho, embora tendo que sair da área para vir buscar o jogo, o que fazia sempre faltar a presença de um homem de frente para aproveitar as bolas, poucas, lançadas para ele, Jô, na área.
Guilherme perdido em campo, parecia não saber o que fazer. Tardelli, como sempre, insistindo em prender a bola e inevitavelmente armando sucessivos contra-ataques para o time adversário.
Ronaldinho Gaúcho fez um lance durante o primeiro tempo. Quiçá, durante todo o jogo, ao tocar uma bola à la Ronaldinho para a penetração na área de Alex Silva, que cruzou para o meio da área, no único lance de perigo do Galo até o final do jogo.
Enquanto isso, do lado contrário, Júlio Batista acertava bicicleta no interior da grande área, para defesa precisa de Victor. Everton Ribeiro em contra-ataque em bola perdida de bobeira do time do Atlético aparecia livre na cara de Victor e jogava por cobertura para fora de alcance do goleirão atleticano à direita do gol e outros ataques iam sendo desperdiçados pelos ataques pouco inspirados do Cruzeiro.
***
A volta do segundo tempo viu um Atlético modificado, com a entrada de Fernandinho no lugar do inoperante e apagado Guilherme. Se o técnico do Galo desejava por fogo no jogo e empurrar o time para a frente, o que se viu foi a repetição do que já havia ocorrido no primeiro tempo. Exceto que, agora, o time do Galo tinha um jogador veloz e muito individualista, tentando resolver tudo sozinho e, dividindo com Tardelli e com Donizete a responsabilidade por perder a bola e provocar as avançadas mais perigosas do adversário.
Do lado do Galo, Léo Silva passou a bater menos, tanto quanto o próprio Dagoberto, e Otamendi continuou mostrando ser o melhor zagueiro do time em muitos anos. Embora jovem, e em posição para a qual não tem o menor cacoete, nem perna, Alex Silva era o que mais levava perigo, com suas investidas, ao setor defensivo do Cruzeiro. De resto, estava seguro na marcação, ao contrário de Michel, pela direita, que deve ter feito todos os atleticanos sentirem tanta saudade de Marcos Rocha quanto eu senti.
Pierre, sempre e mais uma vez, um leão.
E só. Ou melhor, Jô correndo só.
E então o técnico do time que tinha que partir para cima promove a entrada de quem???
Ninguém. Ou melhor, de um sempre esforçado, corredor e inútil Berola.
E chegando à conclusão de que o Atlético não tinha condições de levar qualquer perigo a sua defesa, Marcelo Oliveira começou a mexer em seu time, que tirou o pé do acelerador.
***
Mas, como o futebol é um esporte mágico e imprevisível, sobrou para Berola tocar uma bola para Jô, e o atacante da seleção, em posição completamente regular conseguir fazer o que faz melhor, o giro com a bola, para entrar na área e ... ser calçado vergonhosamente por trás.
Pênalti que poderia dar o título ao time que nada fez para merecer, jogando acovardado, até mesmo em um momento em que tinha que partir para a frente com a gana, a mística, a vontade, a tradição...
Pênalti que o juiz Vuaden chegou a assinalar e correr indicando a cal, até perceber o bandeirinha equivocado com a bandeira erguida, indicando um impedimento que nunca houve.
E a única esperança de alguma oportunidade real de gol para o Galo morreu na falha de um trio de arbitragem que alterou o resultado do jogo, talvez até para errando, poder ser mais justo.
***
Pouco importa, o time do Galo perdeu a oportunidade de ser tricampeão. E ontem, mais uma vez, jogou se poupando. Apático. Sem jogadas tramadas, sem esquema tático. Com um meio de campo sem inspiração, sem vontade de jogar. Ínsipido. Inodoro. Incolor.
Sem qualquer traço do Galo que foi campeão do Mineiro e da Libertadores, ano passado.
Mas com a mesma imagem que me passa seu treinador, postado à beira do campo: de alguém ultrapassado, e sem condições nem carisma para motivar um grupo e arrancar dele, na hora mais necessária, nada mais que um jogo burocrático.
Marasmo total para o Galo. Tristeza para a torcida alvi-negra.
E um campeonato justo para o melhor time, mesmo que, como foi, precisando da ajuda do juiz para fazer o resultado.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
Pouco futebol domingo. Muita expectativa para o próximo jogo
Convenhamos que, por mais que tenha tido um ou outro lance de emoção, o jogo no Independência foi de um nível técnico muito baixo.
Em minha opinião, por culpa de Marcelo Oliveira, que montou o time adversário para jogar como um timinho pequeno, na retranca, batendo muito. A ponto de, antes que algum cruzeirense venha discutir, como por exemplo, o Juliano, na hora que o time azulado mais atacava e dominava claramente o jogo, ganhando o meio campo, o técnico ter feito duas substituições que apenas serviram para colocar as coisas em seu devido lugar, ou seja, fazer o Galo retomar as rédeas da partida.
Porque na volta do segundo tempo, o Cruzeiro sobrou em campo, com o Atlético recuado, parecendo morto em campo. E depois das mudanças, o Galo voltou a pressionar e partir para cima.
Pressão que pode ser ilustrada pela melhor chance e jogada mais bonita de todo o jogo, em minha opinião, quando Marion, cuja substituição já estava pronta, com Autuori atendendo ao pedido da torcida, ter entrado driblando pelo miolo da zaga adversária e tocado para trás, para um Tardelli tão livre e tão disperso, que não aproveitou a chance de definir o jogo.
Tudo bem, os cruzeirenses irão comemorar o fato de não terem perdido a vantagem e terem jogado com o regulamento debaixo do braço, situação que, para quem gosta de futebol, independente de qualquer coisa, significa que eles não acreditavam ou não acreditam no time, cujo plantel é, no momento atual, superior ao do Galão. Afinal, é o Galo que tem, ou tinha, 11 jogadores sem condições de jogo.
Quanto ao Galo, é difícil analisar o que está acontecendo, quando peças chaves não vão bem, não mostrando inspiração, como foi o caso de Guilherme, de Tardelli, de Marcos Rocha.
Porque salvaram-se no time um firme e correto Léo Silva, que não perdeu bola nenhuma aérea, um bom e promissor Alex Silva, um Pierre como sempre incansável, um leão.
O resto, se não complicou, deixa a desejar, senão vejamos: Donizete, bom no desarme, embora tivesse abusado, também ele, da pancadaria, e péssimo na saída de bola. Marion, nitidamente sentindo a pressão de entrar jogando pela primeira vez um clássico, ainda mais no lugar de Ronaldinho Gaúcho. Principalmente quando todos os comentários eram de que quando ele estava em campo, o time ganhava mais movimentação.
Quanto a Jô, há muito o esquema montado por Autuori vem prejudicando o atacante da seleção, que parece estar de despedida do Galão, a julgar pela contratação de Anelka. Ele tenta, vem buscar a bola no meio do campo, sai da área e cai pelas laterais, faz o pivô para a chegada de ninguém, e sua posição verdadeira, no centro da área, é a única que ele não pode ocupar, pelo esquema.
Falei de Guilherme, que não repetiu as últimas atuações, já que muito marcado, embora correndo bem mais nesse ano que de vezes anteriores.
De Marcos Rocha, dizer que é o mais regular, e que considero o único que sabe e tem futebol para sair jogando com a bola nos pés, evitando os chutões tão criticados na era Cuca. Acontece que ele corre demais, e tem de se sacrificar fisicamente, transmitindo-me a impressão de que, algumas vezes, o cansaço impede que ele consiga fazer boas jogadas. Talvez por isso, ele tenha dificuldades para fazer os cruzamentos na área, e opte mais pela entrada na diagonal.
Tardelli até começou dando chapéu, fazendo firula e dando a tradicional gaúcha em Samúdio (outro que mostrou que sabe bater como gente grande). Mas foi só. Além do gol inacreditável que perdeu.
***
Não falei nada de Victor, embora ele tenha falhado em uma saída de bola levantada na área. e menos ainda falei de Otamendi, que falhou em alguns passes que armaram ataques perigosos dos adversários. Mas, no time e com o nível de qualidade que o resto dos companheiros está jogando, ambos estão sobrando.
Em nível tão mais elevado, que não dá para analisá-los, junto aos demais.
Só falar que são jogadores de seleção. O que não é ou deveria ser novidade para ninguém.
***
Quanto ao juiz, veio para fazer o que fez. Matar o jogo, não criar complicação para si, e mostrar que nossos juízes são muito superiores a esses turistas do apito.
Nem vou falar da complacência com o futebol desleal, às vezes. Nem do tempo que ele, por medo, não quis acrescentar. Nem vou falar do pênalte claro que houve no primeiro tempo, na área do Cruzeiro, quando Leo Silva foi seguro em bola levantada na área, porque os juízes, em geral, não apitam mesmo esse tipo de falta em que o jogador é impedido de subir na bola, seguro que é.
O juiz mostrou que é fraco, quando depois de passar o jogo todo sem aplicar qualquer cartão, conversando mais que o que devia, resolveu, em um lance apenas, dar três de uma só vez.
E sapecou três amarelos, quando devia ter dado ao menos 2 vermelhos, um para Marcos Rocha.
***
Jogo fraco, de nível baixo, para quem já assistiu a tantos jogos de emoção, nervosismo e times de craques, jogando bola.
Agora, é esperar o jogo de domingo, quando o Cruzeiro, com o regulamento na mão, jogará de que forma?
Será que, empurrado por sua torcida, irá ficar amarrando o jogo, gastando o tempo, e sem partir para a ofensiva?
E o Atlético?
Porque dizer que o jogo agora é na casa do adversário, como se o Mineirão fosse um campo onde a presença da torcida faz pressão e dificulta as coisas, ou como se apenas porque foi objeto de reforma o Atlético esqueceu como é jogar em um estádio em que tantas vitórias e conquistas importantes foram obtidas, é no mínimo, tripudiar de nossa inteligência. Ou de nossa memória.
Em minha opinião, por culpa de Marcelo Oliveira, que montou o time adversário para jogar como um timinho pequeno, na retranca, batendo muito. A ponto de, antes que algum cruzeirense venha discutir, como por exemplo, o Juliano, na hora que o time azulado mais atacava e dominava claramente o jogo, ganhando o meio campo, o técnico ter feito duas substituições que apenas serviram para colocar as coisas em seu devido lugar, ou seja, fazer o Galo retomar as rédeas da partida.
Porque na volta do segundo tempo, o Cruzeiro sobrou em campo, com o Atlético recuado, parecendo morto em campo. E depois das mudanças, o Galo voltou a pressionar e partir para cima.
Pressão que pode ser ilustrada pela melhor chance e jogada mais bonita de todo o jogo, em minha opinião, quando Marion, cuja substituição já estava pronta, com Autuori atendendo ao pedido da torcida, ter entrado driblando pelo miolo da zaga adversária e tocado para trás, para um Tardelli tão livre e tão disperso, que não aproveitou a chance de definir o jogo.
Tudo bem, os cruzeirenses irão comemorar o fato de não terem perdido a vantagem e terem jogado com o regulamento debaixo do braço, situação que, para quem gosta de futebol, independente de qualquer coisa, significa que eles não acreditavam ou não acreditam no time, cujo plantel é, no momento atual, superior ao do Galão. Afinal, é o Galo que tem, ou tinha, 11 jogadores sem condições de jogo.
Quanto ao Galo, é difícil analisar o que está acontecendo, quando peças chaves não vão bem, não mostrando inspiração, como foi o caso de Guilherme, de Tardelli, de Marcos Rocha.
Porque salvaram-se no time um firme e correto Léo Silva, que não perdeu bola nenhuma aérea, um bom e promissor Alex Silva, um Pierre como sempre incansável, um leão.
O resto, se não complicou, deixa a desejar, senão vejamos: Donizete, bom no desarme, embora tivesse abusado, também ele, da pancadaria, e péssimo na saída de bola. Marion, nitidamente sentindo a pressão de entrar jogando pela primeira vez um clássico, ainda mais no lugar de Ronaldinho Gaúcho. Principalmente quando todos os comentários eram de que quando ele estava em campo, o time ganhava mais movimentação.
Quanto a Jô, há muito o esquema montado por Autuori vem prejudicando o atacante da seleção, que parece estar de despedida do Galão, a julgar pela contratação de Anelka. Ele tenta, vem buscar a bola no meio do campo, sai da área e cai pelas laterais, faz o pivô para a chegada de ninguém, e sua posição verdadeira, no centro da área, é a única que ele não pode ocupar, pelo esquema.
Falei de Guilherme, que não repetiu as últimas atuações, já que muito marcado, embora correndo bem mais nesse ano que de vezes anteriores.
De Marcos Rocha, dizer que é o mais regular, e que considero o único que sabe e tem futebol para sair jogando com a bola nos pés, evitando os chutões tão criticados na era Cuca. Acontece que ele corre demais, e tem de se sacrificar fisicamente, transmitindo-me a impressão de que, algumas vezes, o cansaço impede que ele consiga fazer boas jogadas. Talvez por isso, ele tenha dificuldades para fazer os cruzamentos na área, e opte mais pela entrada na diagonal.
Tardelli até começou dando chapéu, fazendo firula e dando a tradicional gaúcha em Samúdio (outro que mostrou que sabe bater como gente grande). Mas foi só. Além do gol inacreditável que perdeu.
***
Não falei nada de Victor, embora ele tenha falhado em uma saída de bola levantada na área. e menos ainda falei de Otamendi, que falhou em alguns passes que armaram ataques perigosos dos adversários. Mas, no time e com o nível de qualidade que o resto dos companheiros está jogando, ambos estão sobrando.
Em nível tão mais elevado, que não dá para analisá-los, junto aos demais.
Só falar que são jogadores de seleção. O que não é ou deveria ser novidade para ninguém.
***
Quanto ao juiz, veio para fazer o que fez. Matar o jogo, não criar complicação para si, e mostrar que nossos juízes são muito superiores a esses turistas do apito.
Nem vou falar da complacência com o futebol desleal, às vezes. Nem do tempo que ele, por medo, não quis acrescentar. Nem vou falar do pênalte claro que houve no primeiro tempo, na área do Cruzeiro, quando Leo Silva foi seguro em bola levantada na área, porque os juízes, em geral, não apitam mesmo esse tipo de falta em que o jogador é impedido de subir na bola, seguro que é.
O juiz mostrou que é fraco, quando depois de passar o jogo todo sem aplicar qualquer cartão, conversando mais que o que devia, resolveu, em um lance apenas, dar três de uma só vez.
E sapecou três amarelos, quando devia ter dado ao menos 2 vermelhos, um para Marcos Rocha.
***
Jogo fraco, de nível baixo, para quem já assistiu a tantos jogos de emoção, nervosismo e times de craques, jogando bola.
Agora, é esperar o jogo de domingo, quando o Cruzeiro, com o regulamento na mão, jogará de que forma?
Será que, empurrado por sua torcida, irá ficar amarrando o jogo, gastando o tempo, e sem partir para a ofensiva?
E o Atlético?
Porque dizer que o jogo agora é na casa do adversário, como se o Mineirão fosse um campo onde a presença da torcida faz pressão e dificulta as coisas, ou como se apenas porque foi objeto de reforma o Atlético esqueceu como é jogar em um estádio em que tantas vitórias e conquistas importantes foram obtidas, é no mínimo, tripudiar de nossa inteligência. Ou de nossa memória.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Queda de popularidade de Dilma alegra os mercados: alguma novidade nisso?
Dilma cai 6 pontos percentuais na pesquisa Datafolha publicada no último sábado, 5 de abril.
Entretanto, indícios de que a popularidade da presidenta estava despencando, antes mesmo da tabulação final dos dados, fizeram os mercados reagirem. E a reação não poderia ser mais curiosa e sintomática: depois de muito tempo, a bolsa encerrou a semana apresentando um comportamento positivo. Por outro lado, o dólar bateu no menor valor em muito tempo, fechando próximo dos R$ 2,24.
Os mercados não poderiam ser mais explícitos: maiores as dificuldades enfrentadas pelo "inimigo", mais o otimismo toma conta das hostes que representam as classes mais favorecidas do país.
Sinal da insatisfação das classes mais ricas e poderosas com um governo que, durante longo tempo, de forma atabalhoada ou não; de forma intransigente ou não; de forma mais autoritária ou não; a partir da adoção de medidas fruto da discussão e diálogo, ou de decisões discricionárias ou não; tomou decisões que, na prática, visavam melhorar o ambiente econômico e reduzir os entraves que não permitiam o crescimento do nível de atividade e da expansão do crescimento da produção e da massa de lucros dos empresários?
Ora, vamos recapitular: foram os empresários que demandaram a desoneração das folhas de pagamento que o governo correu para atender, embora não necessariamente na extensão que o empresariado o desejava.
Foram os mesmos industriais que solicitaram a redução dos custos da energia elétrica, elemento importante e de participação significativa nos custos de produção e no chamado custo brasil, que tanto afeta a competitividade de nossos produtos.
E foi uma parcela importante do empresariado que sempre reclamou das taxas de juros praticadas em nosso país, cujo patamar parece ter como objetivo transformar toda a classe empresarial em mera classe rentista, já que são poucas as atividades que proporcionam uma rentabilidade capaz de superar ou sequer fazer frente à rentabilidade assegurada - com muito menos atropelos e riscos, oferecida pelas aplicações financeiras.
É certo que as medidas do governo, e especialmente a tentativa de reduzir a taxa Selic, interfere numa das questões mais sensíveis que é a da concorrência intercapitalista, aquela que se trava entre os blocos de distintos capitais, para ver quem abocanha a maior parcela do lucro gerado na sociedade.
E, nesse caso da redução dos juros, os mercados financeiros são preteridos em favor de outros tipos de capitais, de caráter mais produtivo.
Mas, que fique registrado que todas as medidas que Dilma e sua equipe econômica utilizaram, são medidas que, passíveis sempre de críticas e sugestões de melhorias, são medidas voltadas para se buscar o crescimento, a inserção de novos consumidores no mercado, a expansão dos mercados, a redução dos custos de produção dos empresários, todas medidas que têm como beneficiário último, os empresários.
Vejamos a questão do emprego mesmo, que alcançou as mais baixas taxas de desemprego em muitos anos em nosso país, e que tem gerado discussões apaixonadas, como a levada a cabo pelo professor Alexandre Schwartsman, para quem o pleno emprego, ou o estado próximo dele, não pode ser argumento do governo em defesa de sua política, que classifica de equivocada.
Ao que parece, o professor não dá a devida importância ao fato de que a redução do desemprego é sim, importante elemento tanto para a inserção de milhões de consumidores no mercado consumidor, o que serve inegavelmente ou deveria servir, de estímulo para que os empresários elevassem o nível de investimentos.
Mais que isso, a própria queda da taxa de juros, tornando o crediário mais acessível, aliado à melhora do nível de renda, é um elemento fundamental para o próprio mercado financeiro, em razão da redução do risco de inadimplência que está associado a essa situação.
***
Assim, se os índices de popularidade da presidenta caem e o mercado financeiro comemora, o que essa reação provoca em mim é apenas uma preocupação muito grande com relação ao tipo de política econômica seria adotada pelos candidatos de oposição, apoiados por esses analistas e interesses dos mercados.
E, com esse temor difuso, constato, mais uma vez, a correção do professor Thom Hartmann, em entrevista já comentada anteriormente nesse blog, ao canal GloboNews, em que ele afirmava que a reação que ele via no Brasil, era a mesma que ocorreu nos anos 50, 60 nos Estados Unidos, e que chegou ao fim com o governo Reagan.
Segundo o professor, a grande questão não é a política econômica de Dilma e as críticas que a ela podem ser dirigidas, mas o problema muito mais sério da luta distributiva.
Ou seja, o que as classes mais abastadas não aprovam na política de governo, é o fato de estarem reduzindo as disparidades gritantes de renda entre as classes sociais, o que tira cada vez mais das classes mais favorecidas, o status e a posição que crêem ostentar.
***
Curioso é que os índices de popularidade caem, mas ainda não há indícios de que as eleições exigirão a realização de um segundo turno.
Entretanto, indícios de que a popularidade da presidenta estava despencando, antes mesmo da tabulação final dos dados, fizeram os mercados reagirem. E a reação não poderia ser mais curiosa e sintomática: depois de muito tempo, a bolsa encerrou a semana apresentando um comportamento positivo. Por outro lado, o dólar bateu no menor valor em muito tempo, fechando próximo dos R$ 2,24.
Os mercados não poderiam ser mais explícitos: maiores as dificuldades enfrentadas pelo "inimigo", mais o otimismo toma conta das hostes que representam as classes mais favorecidas do país.
Sinal da insatisfação das classes mais ricas e poderosas com um governo que, durante longo tempo, de forma atabalhoada ou não; de forma intransigente ou não; de forma mais autoritária ou não; a partir da adoção de medidas fruto da discussão e diálogo, ou de decisões discricionárias ou não; tomou decisões que, na prática, visavam melhorar o ambiente econômico e reduzir os entraves que não permitiam o crescimento do nível de atividade e da expansão do crescimento da produção e da massa de lucros dos empresários?
Ora, vamos recapitular: foram os empresários que demandaram a desoneração das folhas de pagamento que o governo correu para atender, embora não necessariamente na extensão que o empresariado o desejava.
Foram os mesmos industriais que solicitaram a redução dos custos da energia elétrica, elemento importante e de participação significativa nos custos de produção e no chamado custo brasil, que tanto afeta a competitividade de nossos produtos.
E foi uma parcela importante do empresariado que sempre reclamou das taxas de juros praticadas em nosso país, cujo patamar parece ter como objetivo transformar toda a classe empresarial em mera classe rentista, já que são poucas as atividades que proporcionam uma rentabilidade capaz de superar ou sequer fazer frente à rentabilidade assegurada - com muito menos atropelos e riscos, oferecida pelas aplicações financeiras.
É certo que as medidas do governo, e especialmente a tentativa de reduzir a taxa Selic, interfere numa das questões mais sensíveis que é a da concorrência intercapitalista, aquela que se trava entre os blocos de distintos capitais, para ver quem abocanha a maior parcela do lucro gerado na sociedade.
E, nesse caso da redução dos juros, os mercados financeiros são preteridos em favor de outros tipos de capitais, de caráter mais produtivo.
Mas, que fique registrado que todas as medidas que Dilma e sua equipe econômica utilizaram, são medidas que, passíveis sempre de críticas e sugestões de melhorias, são medidas voltadas para se buscar o crescimento, a inserção de novos consumidores no mercado, a expansão dos mercados, a redução dos custos de produção dos empresários, todas medidas que têm como beneficiário último, os empresários.
Vejamos a questão do emprego mesmo, que alcançou as mais baixas taxas de desemprego em muitos anos em nosso país, e que tem gerado discussões apaixonadas, como a levada a cabo pelo professor Alexandre Schwartsman, para quem o pleno emprego, ou o estado próximo dele, não pode ser argumento do governo em defesa de sua política, que classifica de equivocada.
Ao que parece, o professor não dá a devida importância ao fato de que a redução do desemprego é sim, importante elemento tanto para a inserção de milhões de consumidores no mercado consumidor, o que serve inegavelmente ou deveria servir, de estímulo para que os empresários elevassem o nível de investimentos.
Mais que isso, a própria queda da taxa de juros, tornando o crediário mais acessível, aliado à melhora do nível de renda, é um elemento fundamental para o próprio mercado financeiro, em razão da redução do risco de inadimplência que está associado a essa situação.
***
Assim, se os índices de popularidade da presidenta caem e o mercado financeiro comemora, o que essa reação provoca em mim é apenas uma preocupação muito grande com relação ao tipo de política econômica seria adotada pelos candidatos de oposição, apoiados por esses analistas e interesses dos mercados.
E, com esse temor difuso, constato, mais uma vez, a correção do professor Thom Hartmann, em entrevista já comentada anteriormente nesse blog, ao canal GloboNews, em que ele afirmava que a reação que ele via no Brasil, era a mesma que ocorreu nos anos 50, 60 nos Estados Unidos, e que chegou ao fim com o governo Reagan.
Segundo o professor, a grande questão não é a política econômica de Dilma e as críticas que a ela podem ser dirigidas, mas o problema muito mais sério da luta distributiva.
Ou seja, o que as classes mais abastadas não aprovam na política de governo, é o fato de estarem reduzindo as disparidades gritantes de renda entre as classes sociais, o que tira cada vez mais das classes mais favorecidas, o status e a posição que crêem ostentar.
***
Curioso é que os índices de popularidade caem, mas ainda não há indícios de que as eleições exigirão a realização de um segundo turno.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Acertando contas
De repente,
fecha-se um ciclo
o passado foge pela janela aberta
do quarto por onde entram as águas das chuvas
e a memória escapa sem destino
para a eternidade
Ficam as lembranças
da época da casa cheia
e dos risos espalhados pelo ar
Das comemorações das vitórias
das perdas e momentos de tristeza
Fica a saudade
escondida sob o pó
que toma e cobre os móveis e o assoalho
dando a impressão de abandono
De repente
o apartamento do centro
transforma-se em apenas mais uma etapa
que se encerra
e dá início a outra era
outros tempos
onde vamos depositar nossas vidas
fecha-se um ciclo
o passado foge pela janela aberta
do quarto por onde entram as águas das chuvas
e a memória escapa sem destino
para a eternidade
Ficam as lembranças
da época da casa cheia
e dos risos espalhados pelo ar
Das comemorações das vitórias
das perdas e momentos de tristeza
Fica a saudade
escondida sob o pó
que toma e cobre os móveis e o assoalho
dando a impressão de abandono
De repente
o apartamento do centro
transforma-se em apenas mais uma etapa
que se encerra
e dá início a outra era
outros tempos
onde vamos depositar nossas vidas
COPOM eleva os juros e a mídia interpreta isso de forma a mais pedestre possível
Mais uma elevação da Selic foi decretada ontem, pelo Copom, elevando a taxa básica de juros da economia para 11%, maior valor desde o início do governo Dilma.
Comemorada pelo mercado, a elevação é justificada pela resistência que vem sendo constatada a cada anúncio do comportamento do índice de preços que mede a da inflação no país.
Conforme a imprensa, a elevação e o percentual de aumento, de 0,25% já era esperado pelos analistas, que passam a especular, agora, se essa teria sido a última elevação dos juros no ano, a partir do lacônico comunicado feito pelo BC na noite dessa quarta feira.
Na manhã dessa quinta, dia 3 de abril, no programa Bom dia Brasil, Miriam Leitão justificou a atitude do Banco Central afirmando pesar sobre os ombros daquela instituição a obrigação de combater, de forma solitária no governo, a ameaça da inflação de atingir e até mesmo superar o limite máximo da meta da inflação, de 6,5%.
Isso porque enquanto as receitas apresentaram crescimento de 7 %, o crescimento dos gastos públicos foi de 15%, a maior parte em função dos gastos relativos ao conjunto de "equívocos" que constituem a política de tarifas de energia elétrica, segundo a comentarista.
Pelos dados apresentados, só com a questão das tarifas de energia e a crise das distribuidoras do setor, o governo teve de gastar cifra superior a 10 bilhões de reais, fora de qualquer previsão.
Mais interessante que o comentário de Miriam, entretanto, é a análise publicada no portal UOL, a respeito dos efeitos da elevação da Selic.
Para o redator do portal:
Comemorada pelo mercado, a elevação é justificada pela resistência que vem sendo constatada a cada anúncio do comportamento do índice de preços que mede a da inflação no país.
Conforme a imprensa, a elevação e o percentual de aumento, de 0,25% já era esperado pelos analistas, que passam a especular, agora, se essa teria sido a última elevação dos juros no ano, a partir do lacônico comunicado feito pelo BC na noite dessa quarta feira.
Na manhã dessa quinta, dia 3 de abril, no programa Bom dia Brasil, Miriam Leitão justificou a atitude do Banco Central afirmando pesar sobre os ombros daquela instituição a obrigação de combater, de forma solitária no governo, a ameaça da inflação de atingir e até mesmo superar o limite máximo da meta da inflação, de 6,5%.
Isso porque enquanto as receitas apresentaram crescimento de 7 %, o crescimento dos gastos públicos foi de 15%, a maior parte em função dos gastos relativos ao conjunto de "equívocos" que constituem a política de tarifas de energia elétrica, segundo a comentarista.
Pelos dados apresentados, só com a questão das tarifas de energia e a crise das distribuidoras do setor, o governo teve de gastar cifra superior a 10 bilhões de reais, fora de qualquer previsão.
Mais interessante que o comentário de Miriam, entretanto, é a análise publicada no portal UOL, a respeito dos efeitos da elevação da Selic.
Para o redator do portal:
"Quando os juros sobem, as pessoas tendem a gastar menos e isso faz o preço das mercadorias cair, controlando a inflação, em tese. Por outro lado, juros altos seguram a economia e fazem o PIB (Produto Interno Bruto) ficar baixo."
E continua: "Se os juros estão elevados, as empresas investem menos, porque fica caro tomar empréstimos para produção, e as pessoas também reduzem seus gastos, porque o crediário fica mais alto. Essa situação deixa a economia com menos força. O lado bom é que investimentos baseados em juros são beneficiados e rendem mais para o aplicador.
Embora o conteúdo apenas reproduza o contido nos manuais de economia, a verdade é que a hipótese de juros elevados provocarem a redução de gastos aplica-se tão somente às compras a prazo.
Assim sendo, seria prudente que o comentário se cercasse de alguma cautela uma vez que, se a inflação está sendo impactada por elevação de preços de alimentos, por força da frustração da produção desses bens em função de problemas climáticos, pouco efeito a elevação dos juros poderá produzir, no sentido de combater a resistência da inflação.
É verdade que quando afirma os juros maiores fazem o preço das mercadorias cair, em tese, o redator adota aquele comportamento de cautela necessário, embora não arrede pé da hipótese inicial, que vincula a inflação a um excesso de demanda. Ao contrário, até retoma o argumento, no parágrafo seguinte, ao afirmar que empresas investem menos, e pessoas reduzem os gastos, dado que o custo do dinheiro está mais elevado.
E é exatamente essa ligeireza no tratamento das questões econômicas que me atormenta e me deixa preocupado. Porque se ninguém é obrigado a conhecer em detalhes de questões econômicas, parece-me óbvio que quem irá fazer uma matéria sobre o tema tenha que ter um maior cuidado com o que está afirmando, mesmo que tenha espaço limitado para uma análise mais profunda.
E mesmo que seu objetivo não fosse aprofundar a discussão, acredito que, no mínimo, a matéria deveria trazer alguma referência a argumentos que pudessem trazer questionamentos ao raciocínio do senso comum. Nem que fosse citando material de referência para aqueles leitores que desejassem aprofundar o assunto.
Afinal, já há muito tempo os estudos da área de gestão financeira demonstram que a ideia de que as empresas investem menos porque fica caro tomar recursos para a produção é apenas parte da história. De um lado, há toda a questão dos estudos da estrutura e custo do capital, que pode indicar ser mais viável e mais barato trabalhar com recursos próprios, capitalizando a empresa junto ao mercado de capitais. Tudo bem que essa hipótese, nesse momento de comportamento errático da bolsa de valores, não recomenda a captação desses recursos.
Mas, é importante também se lembrar de que grande parte das empresas conta com capacidade de autofinanciamento, representada por lucros não distribuídos e à disposição do grupo gestor, exatamente por esse motivo, escapar de juros elevados de financiamento.
Por outro lado, há que se recordar que pesquisas realizadas em várias ocasiões, e vários países, demonstram que uma parcela pequena dos gastos de investimento podem ser explicadas a partir do custo do dinheiro. Outros fatores como a necessidade de investir para acompanhar a concorrência, ou para adotar tecnologias mais eficientes, aumentando a produtividade e competitividade, justificam a realização de inversões, independente do custo do financiamento.
De mais a mais, há sempre a possibilidade de levantamento de recursos junto a órgãos oficiais de crédito, como o BNDES, a juros subsidiados.
Mas, mais interessante, é a afirmação final da frase transcrita, que afirma que há, entretanto, um lado bom: o investimento baseado em juros fica beneficiado, e o aplicador ganha mais rendimentos. Frase que revela total desconhecimento de questões básicas para a economia, como o fato de que investimentos são importantes na medida em que expandem a capacidade produtiva da economia, aumentando a possibilidade de o país atender a sua população em suas necessidades. De que apenas dessa forma, a oferta de produtos poderia se expandir, levando a indústria a produzir em quantidade suficiente para atender a demanda, impedindo que a escassez de produtos pudesse provocar a elevação dos preços, mencionada na própria matéria.
De resto, traz o ranço do mercado financeiro, dos rentistas que, na opinião de Keynes constituem autênticos parasitas da sociedade. Afinal, quanto mais elevados forem os juros, mais dinheiro será desviado da atividade produtiva, geradora de produtos, riqueza e empregos - mas também riscos e dores de cabeça, para a atividade especulativa típica dos mercados financeiros, o que não me parece seja o que o país precisa nesse momento.
Principalmente se o excesso de demanda - motivado por compras a prazo, for apontado como causa da elevação de preços.
***
O que nos leva a ficar pensando se a citada desinformação ou a ligeireza de análises não estaria a serviço de outros propósitos, destinado a difundir exatamente um conjunto de ideias que atendem a certos interesses que apresentar a realidade e cultivar a capacidade interpretativa e analítica do leitor.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Choro do América não esconde o choro e ranger de dentes - de preocupação - dos torcedores do Galo
E aproveitando ser o dia da mentira, apenas para me solidarizar com Salum, que reclamou do juiz desse último jogo do América contra o Galão.
Afinal, o juiz não viu, assim como o bandeira que o assistia, que o jogador americano puxou a bola para seu domínio, com o braço todo esticado.
Depois, não viu uma falta feita em Alex Silva, dentro da área, em um pênalte flagrante.
Não vendo nada que pudesse prejudicar ao Coelho, resolveu no segundo tempo, expulsar dois jogadores americanos, por faltas que ninguém da imprensa afirmou não existirem, ou não serem passíveis de cartão. Especialmente em relação a Obina que, assim como Ronaldinho Gaúcho, que não estava em campo, para ser expulso, deu para abrir os braços e acertar aos adversários com os cotovelos, a título de estarem se protegendo e/ou à bola.
Mas, se expulsou dois, deixou de expulsar a outro jogador do América, um mais claro, do meio campo, que fez faltas violentas e acabou substituído exatamente para não acabar eliminado do jogo.
***
Já o Galo, mostrou com 11 contra 10, durante mais de 35 minutos, e depois contra 9, durante 15 minutos, um futebol capaz de agradar até os cruzeirenses mais empedernidos.
E falar como Autuori o fez depois do jogo que foi uma boa partida e que o time mostrou...
Não mostrou nada. Foi muito ruim, mais uma vez, em minha opinião.
Tirando Alex Silva, Otamendi, o sempre bom Victor, o esforço de Dátolo, uma jogada brilhante de letra de Jô, o resto não mostrou nada. Ou sumiram muito bem marcados pela defesa americana, como Guilherme, ou ficaram errando passes no meio, como Donizete.
E ainda há quem reclame que Donizete não podia ficar fora desse time.
***
Domingo agora, começa a decisão no Horto, contra o time das meninas.
Mas, o pior adversário nosso não é o time do Barro Preto. Somos nós mesmos.
Porque não estamos jogando nada. Quando temos a posse de bola, como no fim do segundo tempo contra o América, domingo, ficamos trocando passes antes da linha do meio campo, como se estivéssemos goleando o adversário, que estava com dois jogadores a menos.
Continuo não gostando do time de Autuori, que diz estar jogando de forma diferente, mas no fundo, o que prevalece mesmo ainda é o chutão para um Jô escorar, cada vez mais abandonado no meio dos zagueiros adversários, já que a bola não chega na área onde ele se desespera de ficar esperando.
Antes de jogar domingo definindo o campeão de Minas, há entretanto, o jogo dificílimo e perigosíssimo de quinta na Colômbia, com a "volta" dos que ainda não estiveram em campo nesse ano. Ao menos não estiveram para valer. Para jogar o futebol que todos sabem que eles podem jogar.
É aguardar e torcer. Muito. E ter muita fé.
Afinal, o juiz não viu, assim como o bandeira que o assistia, que o jogador americano puxou a bola para seu domínio, com o braço todo esticado.
Depois, não viu uma falta feita em Alex Silva, dentro da área, em um pênalte flagrante.
Não vendo nada que pudesse prejudicar ao Coelho, resolveu no segundo tempo, expulsar dois jogadores americanos, por faltas que ninguém da imprensa afirmou não existirem, ou não serem passíveis de cartão. Especialmente em relação a Obina que, assim como Ronaldinho Gaúcho, que não estava em campo, para ser expulso, deu para abrir os braços e acertar aos adversários com os cotovelos, a título de estarem se protegendo e/ou à bola.
Mas, se expulsou dois, deixou de expulsar a outro jogador do América, um mais claro, do meio campo, que fez faltas violentas e acabou substituído exatamente para não acabar eliminado do jogo.
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Já o Galo, mostrou com 11 contra 10, durante mais de 35 minutos, e depois contra 9, durante 15 minutos, um futebol capaz de agradar até os cruzeirenses mais empedernidos.
E falar como Autuori o fez depois do jogo que foi uma boa partida e que o time mostrou...
Não mostrou nada. Foi muito ruim, mais uma vez, em minha opinião.
Tirando Alex Silva, Otamendi, o sempre bom Victor, o esforço de Dátolo, uma jogada brilhante de letra de Jô, o resto não mostrou nada. Ou sumiram muito bem marcados pela defesa americana, como Guilherme, ou ficaram errando passes no meio, como Donizete.
E ainda há quem reclame que Donizete não podia ficar fora desse time.
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Domingo agora, começa a decisão no Horto, contra o time das meninas.
Mas, o pior adversário nosso não é o time do Barro Preto. Somos nós mesmos.
Porque não estamos jogando nada. Quando temos a posse de bola, como no fim do segundo tempo contra o América, domingo, ficamos trocando passes antes da linha do meio campo, como se estivéssemos goleando o adversário, que estava com dois jogadores a menos.
Continuo não gostando do time de Autuori, que diz estar jogando de forma diferente, mas no fundo, o que prevalece mesmo ainda é o chutão para um Jô escorar, cada vez mais abandonado no meio dos zagueiros adversários, já que a bola não chega na área onde ele se desespera de ficar esperando.
Antes de jogar domingo definindo o campeão de Minas, há entretanto, o jogo dificílimo e perigosíssimo de quinta na Colômbia, com a "volta" dos que ainda não estiveram em campo nesse ano. Ao menos não estiveram para valer. Para jogar o futebol que todos sabem que eles podem jogar.
É aguardar e torcer. Muito. E ter muita fé.
Minhas memórias esparsas do golpe de 64
Primeiro de Abril. Não fosse o dia da mentira, eu deveria estar hoje comemorando a data verdadeira de aniversário do golpe que, nos idos de 64, foi responsável pela instalação da ditadura, o início da prática da tortura, vinte e um anos de terrorismo de Estado e concentração de renda, arrocho salarial e hiperinflação somada à dívida externa impagável.
Convenhamos, não é pouco.
E ainda há quem seja capaz de encaminhar emails que apenas têm a finalidade de emporcalhar MAIS a nossa caixa postal, reivindicando a volta dos militares, aqueles que, a seu tempo, governaram de forma a permitir que o país tivesse Ordem e Progresso.
Pessoas até, que mais que revelarem seu desejo de voltar ao período de obscurantismo e autoritarismo, foram capazes de pretenderem reeditar a Marcha da Família com Deus que, se há 50 anos lotou as ruas das principais capitais do país, não conseguiram angariar, agora, mais que meia dúzia ou dúzia e meia de saudosistas dos quartéis.
Pois bem, confesso que até me esforço para tentar entender as razões que levam algumas dessas pessoas a se posicionarem abertamente a favor de uma época que deveria ser atirada definitivamente na lata de lixo de nossa história, não fosse o fato de que nunca, mas NUNCA mesmo, devemos sepultar o passado, por pior que ele tenha sido, de forma a evitar que venhamos a repetir, no futuro, os erros do passado.
***
Em alguns casos, consigo até ver justificativas para uma certa simpatia com o movimento militar golpista, ao menos em seus primeiros movimentos.
Afinal, como Rui Castro afirmava ontem em sua coluna na Folha, pessoas de expressão e grande relevância em nosso país, ou que vieram a assumir um papel importante no desenrolar dos fatos, nos 21 anos que se seguiram àquele golpe, também adotaram postura de apoio, logo em seu nascedouro.
Casos de D. Paulo Evaristo Arns que mostrou-se solidário com a realização da Marcha, ou de Ulisses Guimarães, que não se opôs à ruptura democrática.
Mesmo em minha família, em minha casa, havia um sentimento de apoio aos golpistas muito grande. Lembro-me de que era época de Semana Santa, quando a semana começava ainda na segunda feira, com a celebração do terço e da Via Crucis e se estendia até a celebração da Eucarístia na quinta feira Santa.
Mas, diferente de outros anos, aquele ano as paredes da igreja de São José serviam para refletir filmes sobre a vida, paíxão e morte de Jesus, juntando no adro da Igreja milhares de pessoas. Havia pregações, cujo conteúdo não me lembro, mas o que me impressionava era o fato de eu não me lembrar de ter visto tanta gente junta, antes. E houve também uma celebração que ia contar com um religioso famoso, vindo especialmente para o evento, que iria se realizar na Praça Raul Soares e que juntou milhares de pessoas. Como se de repente toda a cidade fosse tomada por uma comoção religiosa extraordinária.
Nesse meio tempo, lembro-me de que o Estado de Minas anunciava a vinda de Leonel Brizola para realizar um comício no auditório da Secretaria de Saúde, hoje Minascentro, e que o jornal repercutia que aquele comunista não poderia ter espaço para fazer discursos aqui em Minas.
Pois bem, nesse comício que, ao que parece acabou não se realizando, alguém jogou um ácido em alguém na plateia, e o ácido atingiu uma parente, neta, se não me engano de um tio meu.
Ah! curiosamente, a menina era também parente pelo outro lado da família de alguns generais da família Morais de Barros.
***
Claro que não precisava muito para toda a família ficar indignada e a favor do golpe dos militares, antes que Jango implantasse o comunismo no Brasil.
Na escola, nos comentários com os colegas, todos aproximando-se dos 10 anos, o que se ouvia falar era dos pais, proprietários de fazendas, distribuindo armas para seus empregados, para evitar, à bala, a chegada dos invasores que pregavam por uma reforma agrária na marra.
Nesse clima, de defesa dos valores da propriedade e dos direitos, especialmente em um clima de guerra, que ativava a imaginação de todos os meninos, como nós, era fácil ficar ao lado dos golpistas.
Afinal, do lado deles estavam também políticos que prezávamos e com os quais tínhamos relações de parentesco, como José Maria Alkmin, que se transformaria no vice-presidente da chapa encabeçada por Castelo Branco, o primeiro militar eleito presidente pelo Congresso. E além dele, tinha JK, Pio Canêdo, Renato Azeredo.
Tudo bem, que tinha lá também um Carlos Lacerda e até Magalhães Pinto, mas ...
A noite de 31 de março começou com meu tio acompanhando entremeado pelo chiado do rádio de válvulas, a marcha das tropas de Juiz de Fora para o Rio.
Logo depois, a manchete da capa do Estado de Minas indicava que o presidente da Câmara era o novo presidente do país: Ranieri Mazzilli.
***
Embora um primo distante tivesse sido eleito vice, os amigos todos da família apoiassem o golpe, minha vida de menino mudou pouco, até que em 68, o paraninfo da turma de minha mãe no curso de Biblioteconomia da UFMG, foi ameaçado de prisão ou preso, depois de seu discurso na colação de grau.
Aí é que minha ficha começou a cair, para o que contribuiu também as marchas que os estudantes faziam e suas passeatas, com estudantes da Faculdade de Direito subindo Augusto de Lima (onde morávamos) para se encontrarem com o pessoal da Engenharia que subia Espírito Santo e da Economia que vinha pela mesmo Espírito Santo.
Em algumas ocasiões, estudantes que participavam da movimentação e moravam no meu prédio, o Cauê, entravam em fuga pelo edifício e, como morávamos no primeiro andar, pediam nossa ajuda. E, como havia uma área de serviço externa que ligava os dois apartamentos do primeiro andar, ganhavam a área e saiam pelo apartamento vizinho, enganando os militares que os perseguiam.
Aquilo para mim era hilário. E emocionante.
***
Mas, outros rapazes mais velhos provavelmente com idade próxima dos 18 anos, logo alcançaram a idade de prestação do serviço militar e, nos quartéis foram vítimas da lavagem cerebral responsável pela ordem unida. E, influenciados pelas lições da caserna, devem até hoje acreditar que os militares estavam acabando com a sujeira e a corrupção e salvando a pátria amada, mãe gentil.
Esses, terminado o serviço militar, ainda tiveram a oportunidade de entrarem em algum curso superior, e terminarem sua formação no período em que o Brasil atravessava o Milagre Econômico, o que assegurava emprego e bons salários. Pelo menos, para nós, filhos de uma classe média privilegiada.
Afinal, nunca é demais lembrar que não havia vagas para todos nas faculdades e o número de excedentes era muito elevado.
***
Por tudo isso que descrevi, algumas passagens até para resgatar e registrar minha memória, é que entendo que para alguns, que depois foram cuidar de sua própria vida, dando pouca importância ao que acontecia à sua volta, o período militar não deve ter sido tão prejudicial e tudo de ruim que ele proporcionou, como mortes, torturas, etc. deve ter passado ao largo.
***
De minha parte, eu mudei, estudando e aprendendo. Vendo que os golpistas militares de 64 eram, em geral, os mesmos que já tentavam desde a Revolta do Forte de Copacabana, conquistarem o poder, caso por exemplo, de Virgílio Távora. Vendo que os mesmos nomes, dos mesmos militares aparecerão depois, por ocasião de outros movimentos como o de Castelo Branco, Geisel, para citar apenas alguns, o que revela que os políticos ou vivandeiras que foram aos quartéis pedirem apoio para o golpe não sabiam com quem estavam lidando, nem as intenções de que os iria ajudar.
Depois que acompanhei a queda de Allende no Chile e, anos mais tarde, depois que assisti ao filme Missing de Costa Gravas, mostrando a participação do governo americano na implantação das ditaduras do continente, fui mudando minha opinião, até que não conseguisse que nada de positivo do regime pudesse ser argumento para que a ruptura institucional pudesse ser justificada, em qualquer tempo.
***
Entretanto, pior para mim, pessoalmente, foi ter caído na lábia de um Chatô, o dono dos Associados, que para evitar a quebra de seu grupo, inventou uma Campanha "Doe Ouro para o Bem do Brasil".
Perdi ali uma figa de ouro. E nem queria financiar ao país ou à ditadura, ou ao Estado de Minas.
Queria apenas, naquela oportunidade, poder falar na rádio que entrevistava aos que estavam no Peps (ali na Bahia entre Augusto de Lima e Goitacases) fazendo suas doações.
Convenhamos, não é pouco.
E ainda há quem seja capaz de encaminhar emails que apenas têm a finalidade de emporcalhar MAIS a nossa caixa postal, reivindicando a volta dos militares, aqueles que, a seu tempo, governaram de forma a permitir que o país tivesse Ordem e Progresso.
Pessoas até, que mais que revelarem seu desejo de voltar ao período de obscurantismo e autoritarismo, foram capazes de pretenderem reeditar a Marcha da Família com Deus que, se há 50 anos lotou as ruas das principais capitais do país, não conseguiram angariar, agora, mais que meia dúzia ou dúzia e meia de saudosistas dos quartéis.
Pois bem, confesso que até me esforço para tentar entender as razões que levam algumas dessas pessoas a se posicionarem abertamente a favor de uma época que deveria ser atirada definitivamente na lata de lixo de nossa história, não fosse o fato de que nunca, mas NUNCA mesmo, devemos sepultar o passado, por pior que ele tenha sido, de forma a evitar que venhamos a repetir, no futuro, os erros do passado.
***
Em alguns casos, consigo até ver justificativas para uma certa simpatia com o movimento militar golpista, ao menos em seus primeiros movimentos.
Afinal, como Rui Castro afirmava ontem em sua coluna na Folha, pessoas de expressão e grande relevância em nosso país, ou que vieram a assumir um papel importante no desenrolar dos fatos, nos 21 anos que se seguiram àquele golpe, também adotaram postura de apoio, logo em seu nascedouro.
Casos de D. Paulo Evaristo Arns que mostrou-se solidário com a realização da Marcha, ou de Ulisses Guimarães, que não se opôs à ruptura democrática.
Mesmo em minha família, em minha casa, havia um sentimento de apoio aos golpistas muito grande. Lembro-me de que era época de Semana Santa, quando a semana começava ainda na segunda feira, com a celebração do terço e da Via Crucis e se estendia até a celebração da Eucarístia na quinta feira Santa.
Mas, diferente de outros anos, aquele ano as paredes da igreja de São José serviam para refletir filmes sobre a vida, paíxão e morte de Jesus, juntando no adro da Igreja milhares de pessoas. Havia pregações, cujo conteúdo não me lembro, mas o que me impressionava era o fato de eu não me lembrar de ter visto tanta gente junta, antes. E houve também uma celebração que ia contar com um religioso famoso, vindo especialmente para o evento, que iria se realizar na Praça Raul Soares e que juntou milhares de pessoas. Como se de repente toda a cidade fosse tomada por uma comoção religiosa extraordinária.
Nesse meio tempo, lembro-me de que o Estado de Minas anunciava a vinda de Leonel Brizola para realizar um comício no auditório da Secretaria de Saúde, hoje Minascentro, e que o jornal repercutia que aquele comunista não poderia ter espaço para fazer discursos aqui em Minas.
Pois bem, nesse comício que, ao que parece acabou não se realizando, alguém jogou um ácido em alguém na plateia, e o ácido atingiu uma parente, neta, se não me engano de um tio meu.
Ah! curiosamente, a menina era também parente pelo outro lado da família de alguns generais da família Morais de Barros.
***
Claro que não precisava muito para toda a família ficar indignada e a favor do golpe dos militares, antes que Jango implantasse o comunismo no Brasil.
Na escola, nos comentários com os colegas, todos aproximando-se dos 10 anos, o que se ouvia falar era dos pais, proprietários de fazendas, distribuindo armas para seus empregados, para evitar, à bala, a chegada dos invasores que pregavam por uma reforma agrária na marra.
Nesse clima, de defesa dos valores da propriedade e dos direitos, especialmente em um clima de guerra, que ativava a imaginação de todos os meninos, como nós, era fácil ficar ao lado dos golpistas.
Afinal, do lado deles estavam também políticos que prezávamos e com os quais tínhamos relações de parentesco, como José Maria Alkmin, que se transformaria no vice-presidente da chapa encabeçada por Castelo Branco, o primeiro militar eleito presidente pelo Congresso. E além dele, tinha JK, Pio Canêdo, Renato Azeredo.
Tudo bem, que tinha lá também um Carlos Lacerda e até Magalhães Pinto, mas ...
A noite de 31 de março começou com meu tio acompanhando entremeado pelo chiado do rádio de válvulas, a marcha das tropas de Juiz de Fora para o Rio.
Logo depois, a manchete da capa do Estado de Minas indicava que o presidente da Câmara era o novo presidente do país: Ranieri Mazzilli.
***
Embora um primo distante tivesse sido eleito vice, os amigos todos da família apoiassem o golpe, minha vida de menino mudou pouco, até que em 68, o paraninfo da turma de minha mãe no curso de Biblioteconomia da UFMG, foi ameaçado de prisão ou preso, depois de seu discurso na colação de grau.
Aí é que minha ficha começou a cair, para o que contribuiu também as marchas que os estudantes faziam e suas passeatas, com estudantes da Faculdade de Direito subindo Augusto de Lima (onde morávamos) para se encontrarem com o pessoal da Engenharia que subia Espírito Santo e da Economia que vinha pela mesmo Espírito Santo.
Em algumas ocasiões, estudantes que participavam da movimentação e moravam no meu prédio, o Cauê, entravam em fuga pelo edifício e, como morávamos no primeiro andar, pediam nossa ajuda. E, como havia uma área de serviço externa que ligava os dois apartamentos do primeiro andar, ganhavam a área e saiam pelo apartamento vizinho, enganando os militares que os perseguiam.
Aquilo para mim era hilário. E emocionante.
***
Mas, outros rapazes mais velhos provavelmente com idade próxima dos 18 anos, logo alcançaram a idade de prestação do serviço militar e, nos quartéis foram vítimas da lavagem cerebral responsável pela ordem unida. E, influenciados pelas lições da caserna, devem até hoje acreditar que os militares estavam acabando com a sujeira e a corrupção e salvando a pátria amada, mãe gentil.
Esses, terminado o serviço militar, ainda tiveram a oportunidade de entrarem em algum curso superior, e terminarem sua formação no período em que o Brasil atravessava o Milagre Econômico, o que assegurava emprego e bons salários. Pelo menos, para nós, filhos de uma classe média privilegiada.
Afinal, nunca é demais lembrar que não havia vagas para todos nas faculdades e o número de excedentes era muito elevado.
***
Por tudo isso que descrevi, algumas passagens até para resgatar e registrar minha memória, é que entendo que para alguns, que depois foram cuidar de sua própria vida, dando pouca importância ao que acontecia à sua volta, o período militar não deve ter sido tão prejudicial e tudo de ruim que ele proporcionou, como mortes, torturas, etc. deve ter passado ao largo.
***
De minha parte, eu mudei, estudando e aprendendo. Vendo que os golpistas militares de 64 eram, em geral, os mesmos que já tentavam desde a Revolta do Forte de Copacabana, conquistarem o poder, caso por exemplo, de Virgílio Távora. Vendo que os mesmos nomes, dos mesmos militares aparecerão depois, por ocasião de outros movimentos como o de Castelo Branco, Geisel, para citar apenas alguns, o que revela que os políticos ou vivandeiras que foram aos quartéis pedirem apoio para o golpe não sabiam com quem estavam lidando, nem as intenções de que os iria ajudar.
Depois que acompanhei a queda de Allende no Chile e, anos mais tarde, depois que assisti ao filme Missing de Costa Gravas, mostrando a participação do governo americano na implantação das ditaduras do continente, fui mudando minha opinião, até que não conseguisse que nada de positivo do regime pudesse ser argumento para que a ruptura institucional pudesse ser justificada, em qualquer tempo.
***
Entretanto, pior para mim, pessoalmente, foi ter caído na lábia de um Chatô, o dono dos Associados, que para evitar a quebra de seu grupo, inventou uma Campanha "Doe Ouro para o Bem do Brasil".
Perdi ali uma figa de ouro. E nem queria financiar ao país ou à ditadura, ou ao Estado de Minas.
Queria apenas, naquela oportunidade, poder falar na rádio que entrevistava aos que estavam no Peps (ali na Bahia entre Augusto de Lima e Goitacases) fazendo suas doações.
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