As manchetes dessa quinta feira não poderiam ser diferentes. Afinal, a prisão do ex-homem forte do Congresso, ou do ainda homem forte da política (uma das razões alegadas a justificar sua prisão) Eduardo Cunha, domina todas as capas de jornais.
A julgar pela interpretação que pode ser extraída de uma série de leituras tratando do tema, Eduardo Cunha parece ter sabido de que seria preso. Avanço ainda mais: passa a impressão até de que, se não desejava esse desfecho, não se incomodou em que ele seguisse adiante.
Uma das razões, se se pode esperar atitudes nobres de quem é apresentado como um dos maiores operadores dos mercados marginais do país, poderia ser a de atrair para si as atenções da Lava Jato e seus personagens, o que permitiria tirar o foco, ou ao menos ganhar algum tempo para que fossem tomadas medidas contra sua esposa.
Outra razão possível, hipótese levantada pelo colunista da Folha, Jânio de Freitas, é a de que sua tranquilidade deve-se ao fato de que são tantos os casos de corrupção, tantos os nomes, tantas as operações que ele tem conhecimento ou participou, direta ou indiretamente, e que poderiam comprometer tanta gente que ocupa posições de relevo na nossa pobre e podre política nacional, que ele não teria que temer por qualquer punição mais dura.
Ou seja, o fato de ser um autêntico homem bomba, prestes a explodir, asseguraria por si só, a formação de uma barreira, uma blindagem a sua pessoa, por parte daqueles que poderiam ser atingidos por estilhaços de sua delação.
***
Acompanhamos todos as denúncias feitas contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados. Ao longo de mais de ano, vimos como ele tinha ascendência sobre um conjunto de colegas, que agiam como se fossem, não representantes eleitos de parcelas da população, mas integrantes de sua tropa de choque particular.
Vimos as explicações ou suspeitas de que tanto poder tinha ligações com o fato de ter financiado, seja por que métodos o fizera, lícitos ou não, as campanhas de eleição ou reeleição desses colegas, ou cúmplices.
Pudemos acompanhar sua participação voluntária, na Comissão instalada para tratar de questões da operação Lava Jato, e ser testemunhas de sua declaração de não ser portador de contas no estrangeiro.
Tudo para depois verificarmos que era ele sim, o principal beneficiário - exclusivo, até, de contas mantidas na Suíça, apenas que se os recursos fossem seus e a gestão toda sob sua coordenação e comando, sob a titularidade de uma truste.
Vimos a cada momento ele se enredar mais na teia de contradições e mentiras que o levaram, mais de um ano depois, à perda do mandato por quebra de decoro.
Sabemos todos, enfim, de quanto de informações ele não dispõe e de como, bem mais que qualquer operação Lava Jato, sua disposição de contar o que sabe poderia, sim, passar o Brasil definitivamente a limpo.
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E aí reside outra questão interessante, ou outra hipótese para seu comportamento de quem não tem qualquer dúvida de que não será molestado ou punido: sabe-se tanto do que ele sabe, e levantam-se tantas as hipóteses de questões nas quais ele teve algum papel de protagonismo, que não é muito difícil acreditar em matérias jornalísticas que, analisando o caso da prisão feita ontem, já aventam a possibilidade de que a Lava Jato pode não fechar um acordo de delação premiada com ele.
Simplesmente porque iriam extrair dele muito menos do que, provavelmente qualquer cidadão brasileiro hoje, imagina que ele poderia saber ou conhecer, para denunciar.
Ou seja: tanto se vendeu a imagem de que ele tudo conhece de todos, que se não entregarem aos procuradores ou investigadores da Operação, mais, bem mais que o que eles já imaginam, não haveria acordo algum de delação.
Principalmente se, como virou febre e todos acabam até suspeitando, se dentre tantos que poderão ter seus nomes citados por Cunha, não aparecer o nome que o pessoal da Operação mais procura, mais busca e que já virou sua obsessão: Lula, o grande demônio a ser derrotado, aniquilado e expulso do paraíso...
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Como há denúncias suficientes para encher páginas de jornais, de que aconteceu com funcionários da Odebrecht, cuja ameaça de não se beneficiarem de acordos caso não citassem Lula, são de conhecimento público.
Ou de delação como a de Leo Pinheiro, que Janot chegou a dizer que estaria cancelada, por ter vazado, mas sabe-se que muitos que o entrevistaram estavam, na verdade, esperando o nome que não veio: a indicação da propriedade do triplex para além de apenas conjecturas; ou do sítio, para mais que as suspeitas de que ninguém manda reformar sítios de outros, o que seria uma intolerável intromissão na casa de um amigo.
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Dizem as notícias que já foi dito Cunha terá que cuspir fogo, muito mais que a Odebrecht, para que possa transmitir, aos seus interrogadores, um mínimo interesse em iniciar as tratativas de acordo de delação.
Enquanto isso, Cunha fica em Curitiba, preso, e a minha curiosidade me leva a questionar, será que ele teria, nesta situação, condição de concluir seu livro?
O que traria seu livro, afinal de contas? Seria apenas informações de bastidores, de acordos, acertos, reuniões tramando golpes de destituição de quem foi legitimamente eleita pelo povo, nas urnas?
Sem qualquer manifestação clara de que negócios escusos, mais que o próprio golpe estavam também em curso, por baixo das aparências?
Seria esse livro apenas uma jogada de marketing, destinada a levá-lo a primeiro lugar nas listas de mais vendidos, de best sellers, para assegurar que ele ainda obtivesse mais dinheiro, com ainda e sempre, o mesmo caso, apenas que citado de raspão, nas entrelinhas?
E agora, caso ele tenha que fazer a delação que tanta gente graúda do governo ilegítimo teme, será que o livro ainda teria alguma serventia? Algum interesse? Algum leitor?
Ou seria sempre, mesmo sem considerar qualquer delação, a prova cabal e definitiva de tudo que todos nós imaginamos?
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Em meio a toda essa situação que acompanhamos curiosos, estupefatos, causa-me estranheza o fato de que há pessoas que vêm a público manifestar-se no sentido de elogiar o juiz Moro.
Há até quem já argumente que, para não fugir da regra de cair malhando o PT, a prisão de Cunha é ótima no sentido de que mostra a imparcialidade de Moro.!!!
Ora, que imparcialidade é essa que só foi exercida quase um ano depois que ele deu origem a sua cassação, e depois de tanto adiamento permitir a ele, Cunha, praticar as maiores vilanias possíveis, inclusive dando lugar a um golpe, de destituição de uma presidenta incompetente, mas eleita pela vontade popular?
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O que não consigo enxergar é o que faz um idiota que pensa dessa forma, ou do grupo de pessoas que pensem como esse idiota, deixar agora, de ir para as janelas defender o país contra a corrupção, como faziam antes quando os interesses mais escancarados da midia, permitiam à imprensa manipular a grande maioria da classe média. O que não consigo ver é porque o silêncio tão atordoante e audível, das pessoas para quem apenas a saída do PT do governo já é suficiente para acreditar que o país agora está limpinho...
Porque ninguém foi bater panelas quando temer diz que, se for para toda hora que tiver alguma acusação ou suspeição levantada contra um de seus ministros, o governo tiver de trocá-lo ou ir analisar o caso, não será possível governar?
Bem, ao menos a questão levantada pode ser a explicação de porque Dilma, tão acusada por essa turma de oportunistas, não podia governar. E olhe que tinha muito menos acusações em relação a seus ministros...
***
Da mesma forma não vejo ninguém fazendo estardalhaço em relação ao fato de o Banco Central ter sido pressionado e, pior, cedido à pressão do arremedo de governo, em relação à redução da taxa de juros básica.
Fico imaginando o que seria se tal decisão do COPOM se desse em mandato ainda de Tombini, com a gerentona interventora Dilma, no comando.
***
Mas, como já foi observado por um analista, a situação mudou. Melhorou muito, do início do ano para cá. A ponto de permitir que os ânimos exaltados dos que estavam nas ruas já se serenassem e eles passassem a ter mais tolerância, e passassem a aceitar melhor a situação que vêm presenciando.
Afinal, como diz o senso comum, o tempo é sábio conselheiro, e já se passou tanto tempo, desde o governo que empesteava nossa política e nossa república, não é!!!???
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Mudando o foco, mas ainda mantendo a crítica à incapacidade de reação da população manipulada pela grande imprensa e todos os interesses econômicos que a movem, coluna de Clóvis Rossi, no caderno principal da Folha de hoje, mostra que o teto não é nem o piso.
Trata, como é perceptível, da malfadada PEC 241, dos gastos públicos.
Mas, faz referência a professor Gray Newman, da Escola de Assuntos Públicos e Internacionais da Universidade de Colúmbia. A apresentação ainda cita que o professor foi ex-diretor-gerente e economista chefe para a América Latina, do banco Morgan Stanley.
Conforme o professor, o problema do Brasil, por mais que possa aparentar várias faces, tem apenas uma palavra para resumi-lo: produtividade.
Para concluir em artigo sobre a economia de nosso país, adaptado e publicado recentemente, para a Americas Quarterly, que os planos e propostas discutidos hoje, não terão efeito sobre a trajetória de crescimento do Brasil.
O que torna a medida tanto desejada pelos mercados - que a ela reagiram sempre, tão bem- apenas um exagero, que não terá capacidade para melhorar nem o que se propõe a corrigir.
***
Sobre esse tema, PEC, estivemos ontem, em programa de entrevista da Rede Minas, o Palavras Cruzadas. A entrevista foi ao ar ontem mesmo, mas normalmente o programa é reprisado no domingo, às 22 horas.
Embora ainda não seja de meu conhecimento, também fica à disposição no youtube, devendo ser procurado em endereço ligado à televisão pública de nosso Estado, que vem honrando seu papel de bem informar.
***
E para encerrar
Gostaria de ver reeditada uma final como a da Copa Brasil de 2014, entre o Galão e o time rival aqui da terra.
Mas acho isso cada vez mais improvável. Porque se o Galo já não mereceu ganhar ontem e passar pelo Juventude, não acredito que irá passar pelo difícil e tradicional, Internacional.
Que tem mais nome, mais peso de camisa e joga suas fichas todas no torneio.
***
O que me faz perguntar: será que só eu, e mais ninguém está vendo que Marcelo não conseguiu nada com o melhor e mais caro elenco do Brasil?
Que técnico é esse que, em entrevista ao fim de jogo, argumenta que todos viram que o time está cumprindo tudo que foi ensaiado, conversado, etc. e que com o Atlético é assim mesmo, sempre com sofrimento?
Ora o que todos vimos foi que o time não jogou nada, falta futebol.
E não tem conjunto, jogada ensaiada, nada. Nem futebol.
Pratto não dialoga com Robinho, que não sabe onde jogar e como se posicionar. Não consegue, por isso, fazer uma tabela, uma troca de passes com o nosso homem de área. Aliás, para não dizer que não é bem assim, ontem houve uma única triangulação entre os homens de frente.
No mais, não houve uma jogada que Robinho conseguiu, mesmo tentando e com toda sua genialidade, lançar Pratto em condições adequadas.
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Alguém precisa me dizer porque tanto elogio ao melhor passador do time do Galo, Rafael Carioca. Está bem que como PVC mostrou durante a transmissão da Fox, ele acertou 92% dos passes. Mas, só passa em sentido lateral ou pior, para trás. Assim, o que me assusta é que ele ainda erre...
Donizete tornou-se ontem nosso principal lançador de bolas, um jogador prá lá de limitado, que acerta um passe a cada dez ou doze jogos.
Erra tudo que tenta com a saída de bola.
A defesa, lenta e pesadona, é uma avenida. E pior, não tem o apoio dos cabeças de área.
Aqueles que criticavam Marcos Rocha ou Douglas Santos devem agora, estar sem ação. Fábio Santos é apenas um bom lançador de bolas na área adversária. E só.
Não marca ninguém e toda jogada que disputa, é sempre um problema. Além de velho, é lento, e não dá conta de marcar ninguém. Além de ser sempre facilmente driblado por qualquer jogador que resolver partir para cima, e encará-lo.
O miolo de área é muito bom para cabecear na área adversária, e Leo Silva não é artilheiro por acaso. O problema é que ele joga na defesa, e lá atrás, como foi ontem, a bola passa por cima da sua cabeça e ele apenas acompanha.
Quantos gols de cabeça a defesa do Galo tem levado, com Léo participando da jogada?
Contra o Botafogo no terceiro gol, de Dudu Cearense. Ontem, aos 33 segundos do jogo...
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Será que ninguém na direção do Galo está vendo que Marcelo não é o técnico que queríamos ao pedir seu nome, tal como Tite não foi o técnico desejado pela massa?
Será que ninguém no Galo o chama para ter uma conversa séria, mesmo vendo que ao fim do jogo, parece que saímos de campo, arrastando todo o gramado conosco, tamanho o peso que carregamos?
Será que ninguém vai cobrar o fato de ontem, como em outras ocasiões, ele mexeu na escalação do time, por medo de jogar para a frente. E querendo assegurar com o resultado escalou um time defensivo, com três volantes, para ser castigado logo no início?
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Podemos até chegar mas, hoje, não tenho certeza nem de manter o quarto lugar do Campeonato Brasileiro, quanto mais ser o campeão. Embora, sempre tenhamos que contar com o Santo das defesas impossíveis...
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Diversos pitacos
Em entrevista a órgãos da Globo, com quem parece que tem contrato de exclusividade, como qualquer outro empregadinho, o usurpador temer comentando a PEC 241 falou que a proposta, já aprovada em primeiro turno, não congela gastos por 20 anos.
Embora, a princípio ela se estende por dez anos, prorrogáveis por outro tanto, nada impede que outro governo, em 4 anos possa propor nova emenda constitucional e alterar a situação agora criada.
Acreditava eu que apenas um energúmeno poderia fazer uso de tal argumento. Ou isso ou alguém que, tendo chegado ao posto que chegou sem qualquer mérito, mais uma vez, por ausência de mérito e luz própria, resolveu assumir o papel de grande comandante político, capaz de convencer e bancar a aprovação, por larga margem de proposta que apenas os grandes líderes teriam capacidade para alcançar.
Se se tratar desse caso, e não do fato de ser um energúmeno, temos aí uma péssima ilustração de como as pessoas medíocres acreditam que são as responsáveis e as vitoriosas por apenas terem servido de títeres de quem, por trás do pano, puxa a cordinha.
***
A respeito, recomendo a leitura da coluna de Vladimir Safatle, na última página do caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo de hoje.
Sob o sugestivo título de que michel temer não existe, o professor disseca a razão fundamental subjacente à medida: a preocupação em se assegurar que a junta de interesses financeiros e banqueiros, que de fato manda no país, tenha tranquilidade e segurança asseguradas, de que o pagamento de seus juros não serão afetados.
Juros de uma dívida pública que, no fundo, em muitas situações foi se acumulando pela estatização da dívida assumida pelo setor privado.
Ou seja, o povo que, como sempre, paga duplamente: por não ter assegurado o seu acesso aos direitos básicos, mínimos, e por ver que é do seu, do meu, de nosso dinheirinho que sai a fortuna que é paga aos que rentistas, aquele pessoal que não paga e não gosta de pagar impostos, de qualquer espécie.
***
Quanto à ideia exposta pelo usurpador, ocupante indevido do Planalto, parece não ter aprendido nada com a situação vivenciada pela Argentina, em pleno período de implantação de seu plano de estabilização, no governo Menem, incluindo na Constituição daquele país o valor da taxa de câmbio do peso frente ao dólar.
E a dificuldade que foi para alterar a Constituiição, por meios democráticos, quando a situação econômica assim o exigiu.
***
E sabendo como agem os deputados, representantes dos interesses dos donos do dinheiro que bancam suas eleições, e que vêm a ser os verdadeiros interessados na PEC agora em tramitação, verificamos como será fácil outro governante, mesmo eleito, alterar o crime de lesa patria que está em curso.
A menos que o ocupante indevido do cargo estivesse pensando em algum tipo de manifestação popular, mais próxima de uma revolta.
***
Por seu turno, no Valor Econômico de hoje, Mansueto Almeida, secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, em artigo, tenta mostrar que não haverá a restrição de gastos tão propalada.
Primeiro porque a despesa irá se elevar, embora limitado pelo valor da inflação passada. Ora, em brilhante texto que circulava ontem pelas redes sociais, de autoria da professora Laura Carvalho, coloca-se claramente que o problema é a previsão de queda de gasto em educação por aluno, e gasto de saúde por habitante. O que já temos dito aqui: a população cresce. Com isso, cresce também a demanda, em especial com gastos de saúde e proteção para uma população que todos afirmam, está envelhecendo mais rapidamente.
Então, a situação vai piorar, sim.
***
Como lembra a professora, quando a situação por recursos transforma-se em uma espécie de disputa, é comum que os grupos de maior poder, inclusive de organização, sejam os beneficiados.
Assim, aproveito para concordar com meu colega Tarcício, do Banco Central, que postou um comentário em meu Facebook, perguntando se não seria melhor que a sociedade pudesse discutir e, efetivamente, definir o que seria prioritário, através de uma disputa pelos recursos capaz de estabelecer uma maior racionalidade no que o Estado deve fazer e como o governo deve gastar.
A resposta está aí, Tarcísio. Os grupos mais organizados e mais poderosos serão sempre os beneficiários. Em prejuízo do povo que mais precisa.
Pelo menos em minha opinião.
***
Mansueto, entre outros argumentos, alega que a proposta é a mais gradual possível, rebatendo quem, comparando nossa situação com a de países europeus que adotaram medidas semelhantes, acabaram em situação pior. E por que ele afirma isso?
Por que não está havendo corte nominal de despesas, nem aumento da carga tributária. Ou seja, os ricos que estão no comando da economia não serão taxados, como nunca foram em nosso país, para valer.
Quanto a não haver corte de gastos o próprio Mansueto nos dá a resposta, poderá sim, haver gastos maiores em certos setores, além do valor da inflação acrescentado ao gasto do ano anterior, desde que outro setor tenha sua despesa reduzida. Se isso não significa que alguns setores terão cortes nominais é interessante que alguém diga como seria o funcionamento desse corte.
***
Seguindo em seu raciocínio, a Educação não perderá recursos, uma vez que os gastos que serão contidos, que são os federais são uma parcela de apenas 23% dos gastos totais para a área, os gastos restantes sendo de responsabilidade dos demais entes administrativos.
Seria cômico, não fosse trágico, já que os Estados encontram-se, praticamente todos, de pires na mão, e o governo federal está condicionando o socorro a esses entes, à adoção de comportamento semelhante ao adotada na esfera da União.
***
Ao final do artigo, vemos ainda uma discussão sobre outro ponto tratado aqui, citando como seu principal autor o economista do PSDB, José Roberto Afonso: a questão do valor programado e orçado, em contraposição ao valor empenhado e o liquidado, esse último bem menor que os outros dois. O que acarreta como lembra o Secretário restos a pagar crescentes, a cada ano.
Diz Mansueto que a PEC trará equilíbrio fiscal e que com ..
***
Do trecho final do artigo, acima transcrito, vê-se que caso não seja feito o ajuste fiscal, sempre livrando o lado dos mais ricos, já que sem a necessidade de elevação da carga tributária, o baixo crescimento continuará. E dessa forma o Tesouro não terá recursos para pagar despesas sociais - que estarão congeladas em termos reais, ou pior, até em declínio nominal, nem aos seus credores.
E eu gostaria de frisar que é exatamente essa a questão de fundo: pagar os credores, os donos do dinheiro e agora, concordando com Safatle, os donos do poder.
***
Imperioso é afirmar que Nelson Barbosa e a presidenta Dilma, também em pleno curso de sua capitulação aos interesses do grande capital financeiro, a partir do início de 2015, haviam já encaminhado proposta próxima a essa de agora, de congelamento dos gastos em termos reais ao Congresso.
O que nos mostra que, nem nessa questão, o governo ilegítimo tem a originalidade ou a primazia.
Mas, o tempo de duração da medida não era como agora proposto.
***
Perdas
Além de Dario Fo, prêmio Nobel de Literatura, na data de ontem, foi anunciada também a perda do psiquiatra Flávio Gikovate, e do artista criador de Fofão e de outros personagens como o Patropi, da Escolinha do Professor Raimundo.
São perdas importantes e deixam o mundo e a humanidade mais pobre.
***
Por outro lado, o Nobel concedido a Bob Dylan, por mais estranhamento que provoque significa a abertura, sempre necessária, para novos horizontes, novos ares.
Parabéns ao autor de Like a Rolling Stones e Blowing in the Wind.
Embora, a princípio ela se estende por dez anos, prorrogáveis por outro tanto, nada impede que outro governo, em 4 anos possa propor nova emenda constitucional e alterar a situação agora criada.
Acreditava eu que apenas um energúmeno poderia fazer uso de tal argumento. Ou isso ou alguém que, tendo chegado ao posto que chegou sem qualquer mérito, mais uma vez, por ausência de mérito e luz própria, resolveu assumir o papel de grande comandante político, capaz de convencer e bancar a aprovação, por larga margem de proposta que apenas os grandes líderes teriam capacidade para alcançar.
Se se tratar desse caso, e não do fato de ser um energúmeno, temos aí uma péssima ilustração de como as pessoas medíocres acreditam que são as responsáveis e as vitoriosas por apenas terem servido de títeres de quem, por trás do pano, puxa a cordinha.
***
A respeito, recomendo a leitura da coluna de Vladimir Safatle, na última página do caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo de hoje.
Sob o sugestivo título de que michel temer não existe, o professor disseca a razão fundamental subjacente à medida: a preocupação em se assegurar que a junta de interesses financeiros e banqueiros, que de fato manda no país, tenha tranquilidade e segurança asseguradas, de que o pagamento de seus juros não serão afetados.
Juros de uma dívida pública que, no fundo, em muitas situações foi se acumulando pela estatização da dívida assumida pelo setor privado.
Ou seja, o povo que, como sempre, paga duplamente: por não ter assegurado o seu acesso aos direitos básicos, mínimos, e por ver que é do seu, do meu, de nosso dinheirinho que sai a fortuna que é paga aos que rentistas, aquele pessoal que não paga e não gosta de pagar impostos, de qualquer espécie.
***
Quanto à ideia exposta pelo usurpador, ocupante indevido do Planalto, parece não ter aprendido nada com a situação vivenciada pela Argentina, em pleno período de implantação de seu plano de estabilização, no governo Menem, incluindo na Constituição daquele país o valor da taxa de câmbio do peso frente ao dólar.
E a dificuldade que foi para alterar a Constituiição, por meios democráticos, quando a situação econômica assim o exigiu.
***
E sabendo como agem os deputados, representantes dos interesses dos donos do dinheiro que bancam suas eleições, e que vêm a ser os verdadeiros interessados na PEC agora em tramitação, verificamos como será fácil outro governante, mesmo eleito, alterar o crime de lesa patria que está em curso.
A menos que o ocupante indevido do cargo estivesse pensando em algum tipo de manifestação popular, mais próxima de uma revolta.
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Por seu turno, no Valor Econômico de hoje, Mansueto Almeida, secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, em artigo, tenta mostrar que não haverá a restrição de gastos tão propalada.
Primeiro porque a despesa irá se elevar, embora limitado pelo valor da inflação passada. Ora, em brilhante texto que circulava ontem pelas redes sociais, de autoria da professora Laura Carvalho, coloca-se claramente que o problema é a previsão de queda de gasto em educação por aluno, e gasto de saúde por habitante. O que já temos dito aqui: a população cresce. Com isso, cresce também a demanda, em especial com gastos de saúde e proteção para uma população que todos afirmam, está envelhecendo mais rapidamente.
Então, a situação vai piorar, sim.
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Como lembra a professora, quando a situação por recursos transforma-se em uma espécie de disputa, é comum que os grupos de maior poder, inclusive de organização, sejam os beneficiados.
Assim, aproveito para concordar com meu colega Tarcício, do Banco Central, que postou um comentário em meu Facebook, perguntando se não seria melhor que a sociedade pudesse discutir e, efetivamente, definir o que seria prioritário, através de uma disputa pelos recursos capaz de estabelecer uma maior racionalidade no que o Estado deve fazer e como o governo deve gastar.
A resposta está aí, Tarcísio. Os grupos mais organizados e mais poderosos serão sempre os beneficiários. Em prejuízo do povo que mais precisa.
Pelo menos em minha opinião.
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Mansueto, entre outros argumentos, alega que a proposta é a mais gradual possível, rebatendo quem, comparando nossa situação com a de países europeus que adotaram medidas semelhantes, acabaram em situação pior. E por que ele afirma isso?
Por que não está havendo corte nominal de despesas, nem aumento da carga tributária. Ou seja, os ricos que estão no comando da economia não serão taxados, como nunca foram em nosso país, para valer.
Quanto a não haver corte de gastos o próprio Mansueto nos dá a resposta, poderá sim, haver gastos maiores em certos setores, além do valor da inflação acrescentado ao gasto do ano anterior, desde que outro setor tenha sua despesa reduzida. Se isso não significa que alguns setores terão cortes nominais é interessante que alguém diga como seria o funcionamento desse corte.
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Seguindo em seu raciocínio, a Educação não perderá recursos, uma vez que os gastos que serão contidos, que são os federais são uma parcela de apenas 23% dos gastos totais para a área, os gastos restantes sendo de responsabilidade dos demais entes administrativos.
Seria cômico, não fosse trágico, já que os Estados encontram-se, praticamente todos, de pires na mão, e o governo federal está condicionando o socorro a esses entes, à adoção de comportamento semelhante ao adotada na esfera da União.
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Ao final do artigo, vemos ainda uma discussão sobre outro ponto tratado aqui, citando como seu principal autor o economista do PSDB, José Roberto Afonso: a questão do valor programado e orçado, em contraposição ao valor empenhado e o liquidado, esse último bem menor que os outros dois. O que acarreta como lembra o Secretário restos a pagar crescentes, a cada ano.
Diz Mansueto que a PEC trará equilíbrio fiscal e que com ..
"a volta do equilíbrio fiscal, despesas programadas serão efetivamente pagas, ao contrário do que ocorreu com a despesa com saúde de 2011 a 2015.
Mas se não fizermos o ajuste fiscal, o baixo crescimento continuará e o Tesouro Nacional não terá recursos para pagar nem as despesas sociais e nem os seus credores. Sem ajuste fiscal, o resultado será uma inflação crescente e um risco maior de calote da dívida pública, uma situação que todos perderiam, em especial, os mais pobres.
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Do trecho final do artigo, acima transcrito, vê-se que caso não seja feito o ajuste fiscal, sempre livrando o lado dos mais ricos, já que sem a necessidade de elevação da carga tributária, o baixo crescimento continuará. E dessa forma o Tesouro não terá recursos para pagar despesas sociais - que estarão congeladas em termos reais, ou pior, até em declínio nominal, nem aos seus credores.
E eu gostaria de frisar que é exatamente essa a questão de fundo: pagar os credores, os donos do dinheiro e agora, concordando com Safatle, os donos do poder.
***
Imperioso é afirmar que Nelson Barbosa e a presidenta Dilma, também em pleno curso de sua capitulação aos interesses do grande capital financeiro, a partir do início de 2015, haviam já encaminhado proposta próxima a essa de agora, de congelamento dos gastos em termos reais ao Congresso.
O que nos mostra que, nem nessa questão, o governo ilegítimo tem a originalidade ou a primazia.
Mas, o tempo de duração da medida não era como agora proposto.
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Perdas
Além de Dario Fo, prêmio Nobel de Literatura, na data de ontem, foi anunciada também a perda do psiquiatra Flávio Gikovate, e do artista criador de Fofão e de outros personagens como o Patropi, da Escolinha do Professor Raimundo.
São perdas importantes e deixam o mundo e a humanidade mais pobre.
***
Por outro lado, o Nobel concedido a Bob Dylan, por mais estranhamento que provoque significa a abertura, sempre necessária, para novos horizontes, novos ares.
Parabéns ao autor de Like a Rolling Stones e Blowing in the Wind.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Ainda a PEC, a pressão sobre os juros e a Previdência. Além do desencanto com pessoas que até pareciam ter capacidade para pensar por conta própria mas engolem o que lêem sem qualquer reflexão
Seguem as discussões sobre os efeitos da PEC 241, aprovada por uma grande maioria de votos em primeiro turno na Câmara, indicando a força do nosso ilegítimo ocupante do Planalto e de contrapeso, a força ainda maior dos argumentos, de sempre, utilizados para conseguir uma maioria de coalizão: a distribuição de cargos e a concessão de uma série de favores, inclusive, os relativos a liberação de emendas e muita, muita grana.
Isso depois de um jantar oferecido no domingo à noite para ao menos duas centenas de deputados, tudo a título de forçá-los a estarem em Brasília para obter o quorum necessário para a sessão que trataria da questão na segunda feira. Como se sabe, evento que, embora tratasse de redução de gastos deve ficado caro aos cofres públicos, embora ninguém tenha ido para as janelas bater panelas vazias, reclamando do (mau) uso de seu escorchante imposto.
***
Muito pelo contrário. Continuam circulando pelas redes sociais postagens que criticam a má vontade de o governo patrocinar cortes de gastos públicos, o que obriga a elevação de impostos sem fim.
Em outra postagem, a foto de uma nota fiscal, como sempre para informar que o brinquedo do dia da criança seria muito mais barato, muito mais em conta, não fosse ter um sujeito oculto como beneficiário do presente, talvez o sujeito que mais benefícios dele extrairia: o governo. E lá na foto, o destaque dado ao imposto incluído no preço do bem.
***
Comportamentos que me levam a lembrar de uma frase contida no livro dle Giambiagi e Além, intitulado Finanças Públicas, de que todos são a favor de um corte de gastos públicos, em geral, e como tal todos são defensores de um corte de impostos. O problema, dizem os autores que não podem ser acusados de serem petistas ou de terem qualquer parte com os atuais representantes do demo, é que quando você desce ao detalhe, sempre as pessoas querem que se corte o gasto que beneficie ao outro, à outra categoria, à outra classe social.
Ou seja: desde que corte os benefícios que afetam aos outros da sociedade, e permita a manutenção dos benefícios que atendem a minhas demandas.
***
Assim na discussão sobre corte de despesas, muitos não são favoráveis a programas de assistência social, como a postagem de alguém que afirmava que tem que cortar esse negócio de bolsa família, já que todo mundo tem é que trabalhar. E a pessoa ainda se manifestava com efetivo orgulho, por ter falado que o pagamento do programa de bolsa família -que é bom lembrar, todos os países do mundo, incluindo os mais desenvolvidos têm para cuidar das correções das desigualdades e injustiças que a distribuição de renda via mercado promove-, tinha que ser eliminado por estar sustentando a uma grande massa de vagabundos.
Ok. Ninguém precisa de ler redes sociais. Como também ninguém precisa de ter conhecimento sobre os assuntos que deseja tratar nessas redes. Esse, inclusive, um dos principais e mais democráticos motivos do sucesso e da explosão da utilização de tais redes e da própria internet.
Porque a verdade é que a internet e as redes criaram um espaço em que qualquer um, mesmo que o mais ignorante da face da terra, pode falar e tratar do tema e manifestar a opinião que quiser.
Mesmo que não entenda minimamente do assunto objeto da discussão e que tenha como principal fonte de informação para sustentar suas convicções um material informativo completamente distorcido e destinado a não trazer esclarecimentos mas a criar cada vez mais dúvidas e críticas.
A razão, claro, fazer a população que por ser mais medíocre e acomodada prefere ler os resumos semanais das revistas da imprensa marrom, ou os jornais de grande circulação, que pesquisar por conta própria as informações relevantes sobre os temas em debate.
***
A esse respeito, vejamos um exemplo ilustrativo. Por que o imposto sobre valor adcionado, que é adotado nos Estados Unidos é tão mais barato que no nosso país. Além de lá ser pago à parte e permitir a todos saberem quão pouco estão pagando?
Por que um carro lá custa muito mais barato que o mesmo carro quando chega aqui em nosso país?
A resposta é imediata. Lá o imposto é sobre o valor adicionado, e portanto mais racional e mais razoável. O imposto é pago à parte para que o público possa ser sempre bem informado de quanto paga em cada compra.
Oba! dirão alguns. Temos que copiar isso, aqui em nosso país.
Pois bem, está lá no livro do Giambiagi, um dos primeiros países que aprovaram o uso de impostos calculados sobre o valor adicionado, é exatamente o nosso. Todos os alunos da área do Direito Tributário e ou de Economia do Setor Público sabem que o imposto IPI e ICMS são calculados dessa forma.
Sabem também que, até por facilidade de cálculo e de arrecadação e simplificação da forma de cobrança, embora os impostos citados sejam do tipo que todos desejam, cada vez mais, ao longo do tempo, foram aparecendo cobranças sobre novos produtos que alteraram a forma de cálculo, tornando esses impostos cada vez menos sobre o valor agregado e mais cumulativos, ou seja, em cascata.
Mas é importante lembrar que desajustes introduzidos não significam que o princípio foi alterado.
Quanto à informação ao povo que paga os impostos, sempre esteve presente no nosso país, apenas que sob a forma menos visível e menos compreensível de ser apresentado em destaque, em quadro próprio no documento fiscal ou nota emitida pelo estabelecimento vendedor.
Que pouca gente saiba ou leve em conta aquela informação existente obrigatoriamente na nota, é questão ligada à falta de informação e de educação de nosso povo. Mas, já existe e está lá. Inclusive, mais recentemente até sendo destacada e informada por lei, nas fichas de caixa emitidas pelas máquinas PDV, mais modernas.
***
Ah! e por que o carro aqui é mais caro?
Simples, embora quanto mais complicada a questão seja apresentada, mais alguns interesses se beneficiam. Ocorre que nos Estados Unidos, por exemplo, os impostos indiretos, que são pagos por todos, têm alíquotas muito baixas, já que todos as pagam, ricos ou pobres. Desde que comprem os bens.
Percebe-se que, se for necessário ter uma receita maior de impostos, a solução seria ou a de se elevar a alíquota desse imposto ou criar e cobrar outros impostos, chamados diretos, que irão cobrar apenas de uma parte das pessoas. Por exemplo, o imposto de renda, que permite que se cobre cada vez mais dos que têm mais, os mais ricos.
Ou o imposto sobre fortunas, ou sobre heranças. Impostos chamados de progressivos, por cobrarem apenas dos mais ricos, liberando de seu pagamento a ampla maioria da população pobre ou remediada da classe média. E, no caso dos mais ricos, cobrando valores cada vez maiores de quem mais rico. Ou seja, praticando concretamente, um arremedo que seja, de justiça social.
Com isso os impostos que a todos atingem, por serem sobre produtos, e até carros, são baixos. E afetam pouco o preço dos bens, inclusive carros, que são vendidos mais baratos.
***
E aqui em nosso país?
A solução não é segredo para ninguém. Se necessário for que se eleve a receita, o imposto que atinge a todos é que deverá ser aumentado. Aqui, não existem impostos sobre fortunas, sobre heranças. O imposto mais sonegado e que menos arrecada é o sobre propriedade de terras, o ITR; e até o imposto de renda cobra mais de quem ganha menos. A alíquota cobrada de 27,5% sobre os salários é menor que os 20% cobrados, quando são, das aplicações financeiras. E outras aplicações, como as de renda variável, ações, por exemplo, nem pagam sobre dividendos ou juros sobre o capital.
Então, para compensar que os ricos não pagam, nem gostam de pagar ou ser cobrados, e sabendo-se que são os ricos que financiam e colocam seus funcionáriozinhos no Congresso, para aprovar matérias a seu favor, o que o Congresso faz é obedecer. E atender aos reclamos do governo, no caso da elevação de receita, elevando o imposto que encarece tudo.
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Para algumas pessoas com quem até convivo ou convivi, e que vejo se manifestando nas redes sociais e compartilhando sem qualquer filtro crítico um amontoado de asneiras e desinformações ou distorções mesmo, talvez fosse o caso de perguntar se está claro ou quer que desenhe.
Como no nosso país, grandes empresas, pessoas muito ricas não gostam de pagar impostos e, de resto mesmo tendo de pagar, não o fazem, sempre esperando que algum projeto de perdão ou facilitação de pagamentos seja proposto ou aprovado, a conta tem que ser paga por todos, indiretamente, regressivamente, injustamente, e encarecendo a vida para todos. Inclusive o preço dos carros, que tanto incomodam os mais ricos, mesmo que não tão ricos.
Só para lembrar que além do imposto de renda comentado ser cobrado antes de a pessoa receber o dinheiro de seu salário, na fonte, para os assalariados, a alíquota de 27,5% é a mesma receba a pessoa 5 mil, ou 50 mil. Ou 100 mil.
***
Mas e quanto ao programa de apoio e formação de vagabundos que uma pessoa não esclarecida qualquer pode ter comentado, sem saber do que estava falando?
Ele foi prêmio da ONU, várias instituições o recomendam e, se o governo Lula teve algum ponto positivo, foi a ampliação e melhoria e universalização do programa de bolsa família, para tirar mais de 40 milhões de pessoas de abaixo da linha de miséria.
Justiça seja feita, assim como até Collor trouxe algum benefício, para a abertura da economia brasileira e com isso, incentivou uma modernização de nossa indústria, Lula teve, além de outros esse ponto positivo, de um programa assistencialista já existente desde Sarney e que veio sendo aperfeiçoado por governos que o sucederam, inclusive chegando muito longe em seus objetivos, no governo Fernando Henrique.
O que mostra que a questão não é política ou ideológica com tem sido tratada por quem ouviu o galo cantar e sai falando, apenas para mostrar que a ignorância no Brasil tem também oportunidade de se manifestar.
***
Voltemos ao corte de gastos e à PEC 241, que já falamos aqui que não irá trazer por si só quaisquer benefícios para as contas do governo, já que pode, ao contrário, levar a maior redução dos estímulos de mercado para o investimento. Ou seja, pode reduzir ainda mais a demanda agregada, a expectativa de venda que o empresariado tem. E que o leva a querer produzir e até a aumentar sua capacidade de produzir.
Sem essa demanda, o país não irá crescer por magia ou apenas por nossa vontade de que volte a crescer. Aliás, com o teto de gastos sendo aplicados a qualquer ação ou tentativa de intervenção pública, exceto no pagamento de juros da dívida, o que podemos perceber é a perda ou enfraquecimento da capacidade do governo articular e liderar um projeto de desenvolvimento coordenado, capaz de assegurar o apoio das classes produtivas.
E, com isso, a arrecadação fiscal não terá necessariamente razões para reagir. O que não levará à cobertura dos rombos. Se como vem acontecendo, a arrecadação não crescer ou até mesmo, crescer menos que a inflação, então o nosso déficit estará se elevando, mesmo que o teto seja finalmente aprovado.
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O que muitos economistas têm mostrado, independente de sua filiação partidária, é isso, a medida por si só é fraca e não assegura o cumprimento de seu intento: o ajuste fiscal.
De mais a mais, independente da linha de pensamento, economistas vários têm mostrado que o corte irá sim, atingir aos mais pobres, principalmente na Saúde, Educação, e programas sociais.
A perda de 743 bilhões estimada na Saúde em estudo feito por analistas do IPEA não pode ser desprezada.
Embora a grande imprensa, que é mera porta voz dos setores econômicos mais privilegiados aplauda a iniciativa. Não sem razão. Ela, a imprensa tem razão e conhece e sabe do que está tratando. Diferente dos que acham que por ler Estado de Minas, Folha ou Globo, ou Veja ou Época, já são detentores da verdade e do saber.
Pois bem, esses jornais todos e revistas, que apenas manifestam suas opiniões tendo como objetivo seus próprios interesses e/ou o interesse dos setores de capital seus associados, sabem que, não é possível que uma medida de tal magnitude seja adotada, ainda mais no prazo previsto, de vinte anos, simplesmente porque nesse período de tempo, a população pode apresentar taxas de crescimento e evolução, que levará a aumento da demanda pela prestação de serviços públicos, que não poderão ser prestados por falta de recursos.
***
Nesse caso, os lapsos de atuação do Estado e do governo, deverão ficar ou na ausência total de atendimento, ou na mão dos setores privados.
Veja-se o exemplo dos morros cariocas, onde a ausência da figura do Estado e do governo, levou ao surgimento dos padrinhos das comunidades, não raras vezes, criminosos e traficantes, que dominaram os morros.
E, na ausência de policiamento, o que foi que surgiu para poder combater os pequenos assaltantes, que roubam o pequeno comércio que atende a essas comunidades, e que por isso, atraem polícia e atenção indesejada pelos chefões do tráfico? As milícias privadas, matando milhares de jovens, negros, para combater o mal pela raiz, como muitos aprovam.!!!???
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A falta do Estado traz a ocupação do espaço por interesses privados, no caso da Saúde, Educação, ou Previdência, por empresas que atuam em setores mais legítimos que o do tráfico.
E por isso, a midia aplaude sem maiores contestações ou discussões mais aprofundadas, as medidas dessa PEC. Por que isso abre mercado para a atuação ou ampliação da atuação de seus financiadores, como os bancos, os planos de saúde complementares, as instituições financeiras de previdência complementar. Que não apenas são as que, via publicidade asseguram a sobrevivência dos órgãos de imprensa, quanto também são as principais empresas em número de reclamações no PROCON.
Vai saber por que, né?
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Mas, apresentar opiniões contrárias ao governo usurpador, colocado lá pela mídia e setores do grande capital, que manipularam a opinião pública, com lhes aprouve, é sinal de que a pessoa está contra a Pátria.
Não à toa, a pátria de chuteiras e sua camisa símbolo, da CBF foi o uniforme preferido para ser utilizado nas manifestações de massa que essa gente bem intencionada mas mal informada protagonizou. Camisa da CBF para marcar, pelas cores, a luta contra a corrupção.... O que seria cômico, se não tivesse resultado em um golpe contra a democracia.
***
A PEC tem defeitos mas a imprensa não quer apontá-los ou discuti-los, pois vale mais preservar os interesses do capital que o da população que a medida, em discurso diz atender.
O que pode ser comprovado com o comportamento dos mercados financeiros e a euforia que a aprovação da medida trouxe, com as bolsas subindo e o dólar caindo...
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Mas, mais interessante é observar e registrar nesse pitaco, pelo menos a título de memória, o comportamento que tenho observado no mercado e na imprensa, com relação a um subproduto da aprovação da PEC.
Trato dessa forma, de subproduto, a possibilidade que vários analistas têm comentado, e a imprensa repercutido, de que agora os juros poderão começar a baixar em nosso país.
Antes de tratar diretamente da questão, acredito que não seria incorreto, lembrar que quando o governo eleito democraticamente, de Dilma Roussef começou um ciclo de baixas de juros, não houve quem no mercado ou na imprensa, não criticasse ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, por não ter forças para ir contra a ordem vinda do Planalto para derrubar os juros.
Pombini, para fazer um trocadilho com a postura passiva do pombo foi o que de menos agressivo foi falado da falta de autonomia e de altivez do presidente da Autoridade Monetária.
Lembro do fato, porque, desde o início de sua nova gestão, o presidente Ilan, do Banco Central vem sendo pressionado, até por declarações na imprensa por temer e seus assessorezinhos, para baixar a taxa de juros, como forma de retomar o estímulo à atividade econômica.
Ou melhor, para não abortar pela manutenção da taxa o movimento de recuperação dos negócios já iniciados.
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Mal sabem os que acreditam nessas falsidades de uma Miriam Leitão, que embora a inflação tenha, por força das condições da natureza e seus efeitos sobre o preço dos alimentos, caído, não há muita certeza de que irá se manter na mesma trajetória surpreendente de setembro, já que tradicionalmente ela se eleva no último trimestre do ano.
E, ao contrário do que as notícias antecipam, e gostariam de que fosse verdade, a atividade industrial tem apresentado retração.
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Então, não há razões objetivas para que a taxa de juros seja reduzida, mesmo considerando que ela é escandalosamente elevada. Mas, se toco nesse assunto é porque fosse no tempo de Tombini, e a reunião do Copom promovesse a redução de juros que o Planalto deseja e cria pressão par ser adotada, ou que os mercados impõem, a reação seria completamente outra.
Seria uma reação tal que na mesma hora todos se lembrariam de que era um absurdo a adoção da medida, apenas reveladora de quão intervencionista e voluntariosa ex-presidente era.
Hoje não, todos tentam, com inverdades justificar a medida, dada como certa.
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Nessa direção está no Valor Econômico de hoje, a entrevista com Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, e atualmente trabalhando no mercado financeiro, argumentando que, como para a trajetória da inflação 0,25 ou 0,5% de queda dos juros é irrelevante, mas como para a atividade a queda maior é mais importante, então, o BC não deveria ser rigoroso a ponto de perder a oportunidade de uma economia que ensaia os primeiros passos de reação, e reduzir os juros, para fortalecer tais sinais.
Ele até menciona que empréstimos para empresas são pouco afetados pela Selic, de forma direta, já que a maioria é baseada nas taxas de CDI, mas como argumenta, essa taxa segue a taxa básica.
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Ora, sabe-se que não é porque caiu a taxa Selic que as condições do ambiente econômico irão melhorar de repente, e são essas condições que justificam as decisões dos bancos e emprestarem e o preço a que concedem os empréstimos.
Ou admitimos isso, ou não há como entender que, nas explicações normalmente dadas para os níveis dos spreads bancários sempre se citar que uma parte que explica os elevados juros cobrados é a inadmplência, os riscos ampliados de negócios, as condições específicas do tomador, etc.
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O entrevistado até diz que se o BC for duro demais, mantendo a taxa ou evitando reduzi-la mais firmemente, sem contar com o benefício da inflação, não haverá ganho para a atividade econômica. Assim, o BC não pode errar para a inflação ser mais alta, nem pode errar para ser mais baixa. Ou seja, como ele reconhece, há um trade-off.
Ok, mas se tal pressão fosse feita nos governos anteriores e se o BC as acatasse, seria por estar subordinado ao governo autoritário. Agora, se o fizer será por estar subordinado a seu verdadeiro patrão, o mercado financeiro, que precisa, para ter a quem financiar, que as empresas desempenhem suas atividades em nível normal.
Subordinados ao mercado financeiro e a seu menino de recados, confortavelmente instalado em local em que não deveria estar, pela vontade do povo.
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Para terminar, reportagem da Band em seu Café com Notícias agora de manhã, sobre a situação da Previdência e suas necessárias modificações, mostra que a conta da previdência urbana é superávitária, em 6 bilhões. Mas, face ao pagamento da previdência rural, de mais de 98 bilhões, o déficit acumula mais de 90 bilhões.
Apenas não menciona o absurdo que é o fato de que os trabalhadores rurais não terem contribuído para terem direito ao que recebem.
E como não são culpados, até porque muitos deles sofreram descontos para o pagamento à Previdência, que seus patrões nunca repassaram para o órgão público, a sociedade muito justamente decidiu conceder-lhes o direito ao benefício.
Justo e correto. Incorreto é não ir atrás dos valores que os patrões nunca recolheram.
Mas, se é justo e toda a sociedade não pode discordar disso, exceto se acreditar que estamos incentivando a pessoas que não trabalham e que são vagabundas..., a verdade é que esse tipo de decisão da sociedade como um todo, deveria ser financiada por um recurso que a sociedade como um todo também tenha gerado. Ou seja: por impostos, de caráter geral.
Agora financiar tal medida JUSTÍSSIMA, com recursos de apenas parcela da sociedade, aquela que sempre contribuiu com a Previdência. é que não está correto. Porque apenas parte paga aquilo que todos deveriam (e concordaram com isso) estar pagando.
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E quando aparece o rombo nas contas previdenciárias, um rombo falseado, novamente são os contribuintes e até os já beneficiários que são chamados a cobrir.
Ou seja, mais uma vez, os que são mais ricos e privilegiados e que nem se preocupam em contribuir - por não precisarem - com a Previdência, é que saem ganhando.
Isso depois de um jantar oferecido no domingo à noite para ao menos duas centenas de deputados, tudo a título de forçá-los a estarem em Brasília para obter o quorum necessário para a sessão que trataria da questão na segunda feira. Como se sabe, evento que, embora tratasse de redução de gastos deve ficado caro aos cofres públicos, embora ninguém tenha ido para as janelas bater panelas vazias, reclamando do (mau) uso de seu escorchante imposto.
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Muito pelo contrário. Continuam circulando pelas redes sociais postagens que criticam a má vontade de o governo patrocinar cortes de gastos públicos, o que obriga a elevação de impostos sem fim.
Em outra postagem, a foto de uma nota fiscal, como sempre para informar que o brinquedo do dia da criança seria muito mais barato, muito mais em conta, não fosse ter um sujeito oculto como beneficiário do presente, talvez o sujeito que mais benefícios dele extrairia: o governo. E lá na foto, o destaque dado ao imposto incluído no preço do bem.
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Comportamentos que me levam a lembrar de uma frase contida no livro dle Giambiagi e Além, intitulado Finanças Públicas, de que todos são a favor de um corte de gastos públicos, em geral, e como tal todos são defensores de um corte de impostos. O problema, dizem os autores que não podem ser acusados de serem petistas ou de terem qualquer parte com os atuais representantes do demo, é que quando você desce ao detalhe, sempre as pessoas querem que se corte o gasto que beneficie ao outro, à outra categoria, à outra classe social.
Ou seja: desde que corte os benefícios que afetam aos outros da sociedade, e permita a manutenção dos benefícios que atendem a minhas demandas.
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Assim na discussão sobre corte de despesas, muitos não são favoráveis a programas de assistência social, como a postagem de alguém que afirmava que tem que cortar esse negócio de bolsa família, já que todo mundo tem é que trabalhar. E a pessoa ainda se manifestava com efetivo orgulho, por ter falado que o pagamento do programa de bolsa família -que é bom lembrar, todos os países do mundo, incluindo os mais desenvolvidos têm para cuidar das correções das desigualdades e injustiças que a distribuição de renda via mercado promove-, tinha que ser eliminado por estar sustentando a uma grande massa de vagabundos.
Ok. Ninguém precisa de ler redes sociais. Como também ninguém precisa de ter conhecimento sobre os assuntos que deseja tratar nessas redes. Esse, inclusive, um dos principais e mais democráticos motivos do sucesso e da explosão da utilização de tais redes e da própria internet.
Porque a verdade é que a internet e as redes criaram um espaço em que qualquer um, mesmo que o mais ignorante da face da terra, pode falar e tratar do tema e manifestar a opinião que quiser.
Mesmo que não entenda minimamente do assunto objeto da discussão e que tenha como principal fonte de informação para sustentar suas convicções um material informativo completamente distorcido e destinado a não trazer esclarecimentos mas a criar cada vez mais dúvidas e críticas.
A razão, claro, fazer a população que por ser mais medíocre e acomodada prefere ler os resumos semanais das revistas da imprensa marrom, ou os jornais de grande circulação, que pesquisar por conta própria as informações relevantes sobre os temas em debate.
***
A esse respeito, vejamos um exemplo ilustrativo. Por que o imposto sobre valor adcionado, que é adotado nos Estados Unidos é tão mais barato que no nosso país. Além de lá ser pago à parte e permitir a todos saberem quão pouco estão pagando?
Por que um carro lá custa muito mais barato que o mesmo carro quando chega aqui em nosso país?
A resposta é imediata. Lá o imposto é sobre o valor adicionado, e portanto mais racional e mais razoável. O imposto é pago à parte para que o público possa ser sempre bem informado de quanto paga em cada compra.
Oba! dirão alguns. Temos que copiar isso, aqui em nosso país.
Pois bem, está lá no livro do Giambiagi, um dos primeiros países que aprovaram o uso de impostos calculados sobre o valor adicionado, é exatamente o nosso. Todos os alunos da área do Direito Tributário e ou de Economia do Setor Público sabem que o imposto IPI e ICMS são calculados dessa forma.
Sabem também que, até por facilidade de cálculo e de arrecadação e simplificação da forma de cobrança, embora os impostos citados sejam do tipo que todos desejam, cada vez mais, ao longo do tempo, foram aparecendo cobranças sobre novos produtos que alteraram a forma de cálculo, tornando esses impostos cada vez menos sobre o valor agregado e mais cumulativos, ou seja, em cascata.
Mas é importante lembrar que desajustes introduzidos não significam que o princípio foi alterado.
Quanto à informação ao povo que paga os impostos, sempre esteve presente no nosso país, apenas que sob a forma menos visível e menos compreensível de ser apresentado em destaque, em quadro próprio no documento fiscal ou nota emitida pelo estabelecimento vendedor.
Que pouca gente saiba ou leve em conta aquela informação existente obrigatoriamente na nota, é questão ligada à falta de informação e de educação de nosso povo. Mas, já existe e está lá. Inclusive, mais recentemente até sendo destacada e informada por lei, nas fichas de caixa emitidas pelas máquinas PDV, mais modernas.
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Ah! e por que o carro aqui é mais caro?
Simples, embora quanto mais complicada a questão seja apresentada, mais alguns interesses se beneficiam. Ocorre que nos Estados Unidos, por exemplo, os impostos indiretos, que são pagos por todos, têm alíquotas muito baixas, já que todos as pagam, ricos ou pobres. Desde que comprem os bens.
Percebe-se que, se for necessário ter uma receita maior de impostos, a solução seria ou a de se elevar a alíquota desse imposto ou criar e cobrar outros impostos, chamados diretos, que irão cobrar apenas de uma parte das pessoas. Por exemplo, o imposto de renda, que permite que se cobre cada vez mais dos que têm mais, os mais ricos.
Ou o imposto sobre fortunas, ou sobre heranças. Impostos chamados de progressivos, por cobrarem apenas dos mais ricos, liberando de seu pagamento a ampla maioria da população pobre ou remediada da classe média. E, no caso dos mais ricos, cobrando valores cada vez maiores de quem mais rico. Ou seja, praticando concretamente, um arremedo que seja, de justiça social.
Com isso os impostos que a todos atingem, por serem sobre produtos, e até carros, são baixos. E afetam pouco o preço dos bens, inclusive carros, que são vendidos mais baratos.
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E aqui em nosso país?
A solução não é segredo para ninguém. Se necessário for que se eleve a receita, o imposto que atinge a todos é que deverá ser aumentado. Aqui, não existem impostos sobre fortunas, sobre heranças. O imposto mais sonegado e que menos arrecada é o sobre propriedade de terras, o ITR; e até o imposto de renda cobra mais de quem ganha menos. A alíquota cobrada de 27,5% sobre os salários é menor que os 20% cobrados, quando são, das aplicações financeiras. E outras aplicações, como as de renda variável, ações, por exemplo, nem pagam sobre dividendos ou juros sobre o capital.
Então, para compensar que os ricos não pagam, nem gostam de pagar ou ser cobrados, e sabendo-se que são os ricos que financiam e colocam seus funcionáriozinhos no Congresso, para aprovar matérias a seu favor, o que o Congresso faz é obedecer. E atender aos reclamos do governo, no caso da elevação de receita, elevando o imposto que encarece tudo.
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Para algumas pessoas com quem até convivo ou convivi, e que vejo se manifestando nas redes sociais e compartilhando sem qualquer filtro crítico um amontoado de asneiras e desinformações ou distorções mesmo, talvez fosse o caso de perguntar se está claro ou quer que desenhe.
Como no nosso país, grandes empresas, pessoas muito ricas não gostam de pagar impostos e, de resto mesmo tendo de pagar, não o fazem, sempre esperando que algum projeto de perdão ou facilitação de pagamentos seja proposto ou aprovado, a conta tem que ser paga por todos, indiretamente, regressivamente, injustamente, e encarecendo a vida para todos. Inclusive o preço dos carros, que tanto incomodam os mais ricos, mesmo que não tão ricos.
Só para lembrar que além do imposto de renda comentado ser cobrado antes de a pessoa receber o dinheiro de seu salário, na fonte, para os assalariados, a alíquota de 27,5% é a mesma receba a pessoa 5 mil, ou 50 mil. Ou 100 mil.
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Mas e quanto ao programa de apoio e formação de vagabundos que uma pessoa não esclarecida qualquer pode ter comentado, sem saber do que estava falando?
Ele foi prêmio da ONU, várias instituições o recomendam e, se o governo Lula teve algum ponto positivo, foi a ampliação e melhoria e universalização do programa de bolsa família, para tirar mais de 40 milhões de pessoas de abaixo da linha de miséria.
Justiça seja feita, assim como até Collor trouxe algum benefício, para a abertura da economia brasileira e com isso, incentivou uma modernização de nossa indústria, Lula teve, além de outros esse ponto positivo, de um programa assistencialista já existente desde Sarney e que veio sendo aperfeiçoado por governos que o sucederam, inclusive chegando muito longe em seus objetivos, no governo Fernando Henrique.
O que mostra que a questão não é política ou ideológica com tem sido tratada por quem ouviu o galo cantar e sai falando, apenas para mostrar que a ignorância no Brasil tem também oportunidade de se manifestar.
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Voltemos ao corte de gastos e à PEC 241, que já falamos aqui que não irá trazer por si só quaisquer benefícios para as contas do governo, já que pode, ao contrário, levar a maior redução dos estímulos de mercado para o investimento. Ou seja, pode reduzir ainda mais a demanda agregada, a expectativa de venda que o empresariado tem. E que o leva a querer produzir e até a aumentar sua capacidade de produzir.
Sem essa demanda, o país não irá crescer por magia ou apenas por nossa vontade de que volte a crescer. Aliás, com o teto de gastos sendo aplicados a qualquer ação ou tentativa de intervenção pública, exceto no pagamento de juros da dívida, o que podemos perceber é a perda ou enfraquecimento da capacidade do governo articular e liderar um projeto de desenvolvimento coordenado, capaz de assegurar o apoio das classes produtivas.
E, com isso, a arrecadação fiscal não terá necessariamente razões para reagir. O que não levará à cobertura dos rombos. Se como vem acontecendo, a arrecadação não crescer ou até mesmo, crescer menos que a inflação, então o nosso déficit estará se elevando, mesmo que o teto seja finalmente aprovado.
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O que muitos economistas têm mostrado, independente de sua filiação partidária, é isso, a medida por si só é fraca e não assegura o cumprimento de seu intento: o ajuste fiscal.
De mais a mais, independente da linha de pensamento, economistas vários têm mostrado que o corte irá sim, atingir aos mais pobres, principalmente na Saúde, Educação, e programas sociais.
A perda de 743 bilhões estimada na Saúde em estudo feito por analistas do IPEA não pode ser desprezada.
Embora a grande imprensa, que é mera porta voz dos setores econômicos mais privilegiados aplauda a iniciativa. Não sem razão. Ela, a imprensa tem razão e conhece e sabe do que está tratando. Diferente dos que acham que por ler Estado de Minas, Folha ou Globo, ou Veja ou Época, já são detentores da verdade e do saber.
Pois bem, esses jornais todos e revistas, que apenas manifestam suas opiniões tendo como objetivo seus próprios interesses e/ou o interesse dos setores de capital seus associados, sabem que, não é possível que uma medida de tal magnitude seja adotada, ainda mais no prazo previsto, de vinte anos, simplesmente porque nesse período de tempo, a população pode apresentar taxas de crescimento e evolução, que levará a aumento da demanda pela prestação de serviços públicos, que não poderão ser prestados por falta de recursos.
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Nesse caso, os lapsos de atuação do Estado e do governo, deverão ficar ou na ausência total de atendimento, ou na mão dos setores privados.
Veja-se o exemplo dos morros cariocas, onde a ausência da figura do Estado e do governo, levou ao surgimento dos padrinhos das comunidades, não raras vezes, criminosos e traficantes, que dominaram os morros.
E, na ausência de policiamento, o que foi que surgiu para poder combater os pequenos assaltantes, que roubam o pequeno comércio que atende a essas comunidades, e que por isso, atraem polícia e atenção indesejada pelos chefões do tráfico? As milícias privadas, matando milhares de jovens, negros, para combater o mal pela raiz, como muitos aprovam.!!!???
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A falta do Estado traz a ocupação do espaço por interesses privados, no caso da Saúde, Educação, ou Previdência, por empresas que atuam em setores mais legítimos que o do tráfico.
E por isso, a midia aplaude sem maiores contestações ou discussões mais aprofundadas, as medidas dessa PEC. Por que isso abre mercado para a atuação ou ampliação da atuação de seus financiadores, como os bancos, os planos de saúde complementares, as instituições financeiras de previdência complementar. Que não apenas são as que, via publicidade asseguram a sobrevivência dos órgãos de imprensa, quanto também são as principais empresas em número de reclamações no PROCON.
Vai saber por que, né?
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Mas, apresentar opiniões contrárias ao governo usurpador, colocado lá pela mídia e setores do grande capital, que manipularam a opinião pública, com lhes aprouve, é sinal de que a pessoa está contra a Pátria.
Não à toa, a pátria de chuteiras e sua camisa símbolo, da CBF foi o uniforme preferido para ser utilizado nas manifestações de massa que essa gente bem intencionada mas mal informada protagonizou. Camisa da CBF para marcar, pelas cores, a luta contra a corrupção.... O que seria cômico, se não tivesse resultado em um golpe contra a democracia.
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A PEC tem defeitos mas a imprensa não quer apontá-los ou discuti-los, pois vale mais preservar os interesses do capital que o da população que a medida, em discurso diz atender.
O que pode ser comprovado com o comportamento dos mercados financeiros e a euforia que a aprovação da medida trouxe, com as bolsas subindo e o dólar caindo...
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Mas, mais interessante é observar e registrar nesse pitaco, pelo menos a título de memória, o comportamento que tenho observado no mercado e na imprensa, com relação a um subproduto da aprovação da PEC.
Trato dessa forma, de subproduto, a possibilidade que vários analistas têm comentado, e a imprensa repercutido, de que agora os juros poderão começar a baixar em nosso país.
Antes de tratar diretamente da questão, acredito que não seria incorreto, lembrar que quando o governo eleito democraticamente, de Dilma Roussef começou um ciclo de baixas de juros, não houve quem no mercado ou na imprensa, não criticasse ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, por não ter forças para ir contra a ordem vinda do Planalto para derrubar os juros.
Pombini, para fazer um trocadilho com a postura passiva do pombo foi o que de menos agressivo foi falado da falta de autonomia e de altivez do presidente da Autoridade Monetária.
Lembro do fato, porque, desde o início de sua nova gestão, o presidente Ilan, do Banco Central vem sendo pressionado, até por declarações na imprensa por temer e seus assessorezinhos, para baixar a taxa de juros, como forma de retomar o estímulo à atividade econômica.
Ou melhor, para não abortar pela manutenção da taxa o movimento de recuperação dos negócios já iniciados.
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Mal sabem os que acreditam nessas falsidades de uma Miriam Leitão, que embora a inflação tenha, por força das condições da natureza e seus efeitos sobre o preço dos alimentos, caído, não há muita certeza de que irá se manter na mesma trajetória surpreendente de setembro, já que tradicionalmente ela se eleva no último trimestre do ano.
E, ao contrário do que as notícias antecipam, e gostariam de que fosse verdade, a atividade industrial tem apresentado retração.
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Então, não há razões objetivas para que a taxa de juros seja reduzida, mesmo considerando que ela é escandalosamente elevada. Mas, se toco nesse assunto é porque fosse no tempo de Tombini, e a reunião do Copom promovesse a redução de juros que o Planalto deseja e cria pressão par ser adotada, ou que os mercados impõem, a reação seria completamente outra.
Seria uma reação tal que na mesma hora todos se lembrariam de que era um absurdo a adoção da medida, apenas reveladora de quão intervencionista e voluntariosa ex-presidente era.
Hoje não, todos tentam, com inverdades justificar a medida, dada como certa.
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Nessa direção está no Valor Econômico de hoje, a entrevista com Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, e atualmente trabalhando no mercado financeiro, argumentando que, como para a trajetória da inflação 0,25 ou 0,5% de queda dos juros é irrelevante, mas como para a atividade a queda maior é mais importante, então, o BC não deveria ser rigoroso a ponto de perder a oportunidade de uma economia que ensaia os primeiros passos de reação, e reduzir os juros, para fortalecer tais sinais.
Ele até menciona que empréstimos para empresas são pouco afetados pela Selic, de forma direta, já que a maioria é baseada nas taxas de CDI, mas como argumenta, essa taxa segue a taxa básica.
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Ora, sabe-se que não é porque caiu a taxa Selic que as condições do ambiente econômico irão melhorar de repente, e são essas condições que justificam as decisões dos bancos e emprestarem e o preço a que concedem os empréstimos.
Ou admitimos isso, ou não há como entender que, nas explicações normalmente dadas para os níveis dos spreads bancários sempre se citar que uma parte que explica os elevados juros cobrados é a inadmplência, os riscos ampliados de negócios, as condições específicas do tomador, etc.
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O entrevistado até diz que se o BC for duro demais, mantendo a taxa ou evitando reduzi-la mais firmemente, sem contar com o benefício da inflação, não haverá ganho para a atividade econômica. Assim, o BC não pode errar para a inflação ser mais alta, nem pode errar para ser mais baixa. Ou seja, como ele reconhece, há um trade-off.
Ok, mas se tal pressão fosse feita nos governos anteriores e se o BC as acatasse, seria por estar subordinado ao governo autoritário. Agora, se o fizer será por estar subordinado a seu verdadeiro patrão, o mercado financeiro, que precisa, para ter a quem financiar, que as empresas desempenhem suas atividades em nível normal.
Subordinados ao mercado financeiro e a seu menino de recados, confortavelmente instalado em local em que não deveria estar, pela vontade do povo.
***
Para terminar, reportagem da Band em seu Café com Notícias agora de manhã, sobre a situação da Previdência e suas necessárias modificações, mostra que a conta da previdência urbana é superávitária, em 6 bilhões. Mas, face ao pagamento da previdência rural, de mais de 98 bilhões, o déficit acumula mais de 90 bilhões.
Apenas não menciona o absurdo que é o fato de que os trabalhadores rurais não terem contribuído para terem direito ao que recebem.
E como não são culpados, até porque muitos deles sofreram descontos para o pagamento à Previdência, que seus patrões nunca repassaram para o órgão público, a sociedade muito justamente decidiu conceder-lhes o direito ao benefício.
Justo e correto. Incorreto é não ir atrás dos valores que os patrões nunca recolheram.
Mas, se é justo e toda a sociedade não pode discordar disso, exceto se acreditar que estamos incentivando a pessoas que não trabalham e que são vagabundas..., a verdade é que esse tipo de decisão da sociedade como um todo, deveria ser financiada por um recurso que a sociedade como um todo também tenha gerado. Ou seja: por impostos, de caráter geral.
Agora financiar tal medida JUSTÍSSIMA, com recursos de apenas parcela da sociedade, aquela que sempre contribuiu com a Previdência. é que não está correto. Porque apenas parte paga aquilo que todos deveriam (e concordaram com isso) estar pagando.
***
E quando aparece o rombo nas contas previdenciárias, um rombo falseado, novamente são os contribuintes e até os já beneficiários que são chamados a cobrir.
Ou seja, mais uma vez, os que são mais ricos e privilegiados e que nem se preocupam em contribuir - por não precisarem - com a Previdência, é que saem ganhando.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Do jantar do golpista temer até o Galo cada vez mais distante de seu objetivo: afinal a quem interessa tanta movimentação?
Ângela é uma dessas pessoas especiais, que temos a felicidade de trabalhar aqui em casa.
Para minha mulher, entre outros predicados, ela possui um que supera todos os demais: o sorriso. E não estou dizendo isso, em comemoração, embora atrasada pelo dia do sorriso.
Mas é, de fato, um sorriso cativante.
O problema é que, como todos os seres humanos, às vezes ela também adoece, e fica impossibilitada de trabalhar.
O que nos obriga a fazer todo o pesado e cansativo trabalho doméstico.
A mim, na divisão de tarefas estabelecida, e até por opção minha, fica a parte de fazer o almoço.
E enquanto corria aqui de manhã para fazer o arroz sempre unidos venceremos, a carne moída, lavar a mostarda, a cenoura, a beterraba, e passar tudo no ralador, fazer a farofa, um cará antes que ele se perdesse, confesso ter ficado com uma ponta de inveja de todos que, ontem, puderam aproveitar do jantarzinho de temer.
Não fosse o fato de ter que ouvir o usurpador falar, em prol de uma medida que até a PGR já se manifestou contrária.
Confesso que não conheço as razões da Procuradoria, mas a argumentação é que a emenda que aprova o teto para os gastos é inconstitucional.
E, caso aprovada, irá imediatamente dar origem ao encaminhamento ao Supremo da decretação de sua inconstitucionalidade.
***
Acho que a Procuradoria, acredita ainda, e piamente, que o Supremo irá mesmo decretar a PEC inconstitucional, anulando quaisquer efeitos que ela pudesse acarretar.
Ledo engano.
Já se foi o tempo em que a principal Corte do país, zelava pela manutenção daquilo que a Carta consagrava.
Vide o exemplo da prisão para os casos de condenados em segunda instância, em que, tangido pela pressão popular (que só tem olhos e vista para a punição de políticos, condenados por corrupção, quando a questão é muito mais delicada e ampla, que a dessa sociedade cada vez mais conservadora, e como tal, sempre disposta a varrer de vez, para fora qualquer ato de corrupção, ou delituoso), o STF acabou atropelando a lei maior que expressamente institui que a prisão será apenas depois de sentença condenatória transitada em julgado.
***
Embora tenhamos que nos recordar que essa Casa, embora na ocasião com outros doutos magistrados, por força do bem público, admitiu e aprovou o confisco de depósitos de poupança, e até de contas correntes, acima de um valor mágico, o que era vedado pela Carta.
***
O que apenas reforça a nossa surpresa quanto à confiança que a Procuradoria manifesta em relação ao Supremo.
Que deverá tornar-se frustração, obviamente. A bem da estabilidade econômica e política do país...
***
E dos interesses de todas as associações de empresários que, atendendo a convocação de nosso usurpador mor, o indigesto temer, manifestaram-se já por duas ocasiões, que eu tenha visto, com exortações aos deputados para que votem a PEC do teto de gastos, sem alterá-la, de forma a que, contidos os gastos públicos, a economia volte a melhorar em função da confiança que tal medida trará aos investidores de que o país entrou na trilha da responsabilidade fiscal.
E, com a projeção da trajetória da dívida pública mais aceitável, possam cair a taxa de juros básica da economia, a Selic, e possam os empresários voltar a investir. E o país a crescer.
***
Para não ficar repetitivo, não vou dizer novamente nada a respeito do engano.
Apenas lembrar que, sem a possibilidade de elevar gastos públicos, o que introduz um elemento de contenção de demanda agregada, bastante rígido, o que veremos é a demanda continuar despencando, sem qualquer razão para nos convencer de que empresários irão investir e ampliar as capacidades produtivas, hoje já com grande ociosidade, sabendo que não encontrarão compradores.
***
Conforme afirmado acima, a razão da Procuradoria, parece-me, trata de que a PEC 241 é um instrumento que desequilibra a necessária harmonia entre os Poderes, principalmente por tirar do Congresso qualquer possibilidade de debater, alterar, modificar o orçamento, conforme é sua função e como manda a legislação que rege a matéria em nosso país, por um prazo muito longo de dez anos, prorrogáveis por outro tanto.
Pois bem, sem poder discutir a questão por falta de maior conhecimento dela e de embasamento, o que posso perceber é que a ideia - que tanto comove a empresários, é que, caso o governo não possa aumentar seus gastos, tendo que compensar alguns aumentos em umas áreas com redução em outras, vai sobrar: primeiro, dificuldade para contratação de funcionários para as atividades de fiscalização, em todos os sentidos e níveis; segundo, dado que a população vai demandar serviços de acordo com sua evolução natural, com uma expansão que não está sujeita a crescer, a cada ano, de acordo com a inflação do ano anterior, o que vemos é a necessidade de o setor privado entrar em muitas áreas, hoje praticamente entregues à gestão do setor público, aproveitando-se de novos mercados.
Ou seja: os empresários terão menos fiscalização, menos regulação, menos dissabores para poderem ampliar suas atividades e seus lucros, e também terão áreas de serviços novos a serem explorados.
Como o capital, ao contrário do setor público, não irá prestar serviços por ser bonzinho, nem por ser considerado sua função social, e é bom lembrar, ele visa sempre lucros, de preferência máximos, o que veremos é uma série de atividades serem cada vez mais dedicadas a um tipo de público que, em nada tem a ver com as demandas e características de nosso público maior: a população brasileira.
***
Antes que alguém possa me criticar pelo simples desejo de exercício da crítica, vejamos o que está acontecendo, por exemplo, com os estádios de futebol depois que viraram arenas. Antes, com os geraldinos e arquibaldos podendo pagar um percentual do salário mínimo razoável para ir ao campo e aproveitar uma de suas únicas e poucas distrações, os estádios ficavam cheios.
Agora, com as arenas, apenas quem pode pagar 120, 160 ou até mais de 200 reais pode ir ao jogo, o que está criando um futebol que presta-se a ser exemplo de tudo, menos de um esporte popular.
***
Agora, transfiramos isso para o exemplo dos planos de pensão, que depois de arrebentado o direito à previdência pública, irão ser dominados, cada vez mais por entidades do sistema financeiro, com programas e planos de previdência complementar.
Tirando de cada trabalhador, quem sabe, 5, 10% de seu salário mínimo, de fome, para poder guardar para uma vida melhor no futuro. Uma vida que ele não chegará a aproveitar, já que tirando essa parcela de um valor que já não é suficiente nem para sua sobrevivência, irá ficar sem condições de se alimentar, se cuidar, se educar, etc., quando jovem.
***
E nas escolas, agora descoberto que houve manipulação no resultado divulgado do ENEM, com o esquecimento de inclusão das boas escolas, de qualidade algumas, chamadas de Insitutos Federais.
Que razão pode explicar tal esquecimento, senão mostrar o quadro caótico que foi mostrado no primeiro instante, de forma a fazer todos os pais correrem para levar seus filhos para as escolas privadas?
E, sem FIES, que cada vez mais fica ameaçado pela falta de recursos, como irão os estudantes hoje matriculados em cursos superiores em nosso país, custear sua formação, tão necessária para eles quanto para o país?
Isso sem contar os planos de saúde, cada vez mais vorazes na exploração de seus associados, sempre dando desculpas em relação à cobrança de mensalidades mais elevadas para os beneficiários idosos; sempre deixando de aprovar a realização de exames, como os de ressonância (mais caros), embora necessários para sua clientela. Sempre deixando a desejar na forma de tratamento dispensado àqueles que, durante anos a fio, pagaram para que, como todo mundo sabe, ao final da vida tivessem de fazer maior uso dos benefícios dos planos.
Como a contribuição enquanto jovem é lucrativa, mas os gastos da terceira idade, ou quarta ou sexagésima, etc, são maiores que os valores pagos, o que dá início a uma redução do fundo acumulado com o cliente antes, os planos visando lucros acabam criando mil e um dificuldades para seus associados.
***
Tudo isso irá ficar ainda mais tranquilo, ampliando os ganhos pecuniários das empresas, que comemoram a chegada ao poder de um governo usurpador, ilegítimo, de quem não teria nunca aprovado pelas urnas seu programa de governo. Exceto se só pudessem votar os que cumprem certos prerequisitos, como o de estar inserido nos nívieis mais elevados de renda.
***
Mas, independente de tudo isso, o jantar de ontem, destinado a aprovar a medida de economia dos gastos públicos custou uma pequena bagatela, reunindo 400 deputados que, pelo nível que apresentam, teriam sido reunidos, babando ovo do temerário, para qualquer serviço de café, com pãozinho de queijo e, quem sabe, algum queijo com cafezinho.
Afinal para a turma do jantar, o melhor mesmo seria poder apertar a mão de temer, o usurpador, e avistar, sua bela e recatada esposa, Marcela.
***
Que venha o engodo e a falácia. A medida poderá até ajudar a baixar a dívida, a taxa e o pagamento dos juros, mas não irá, só por esse motivo, ajudar na retomada do crescimento.
Porque, aqui no nosso país, para haver crescimento, historicamente, o governo tem que estar gastando antes. Em investimentos públicos.
É isso.
***
E o campeonato já vai se decidindo
Como previa, com as vitórias de Palmeiras e Flamengo, fica cada dia mais difícil para o Atlético e seu milionário elenco, atingir o seu objetivo de mais de 40 anos.
A sete pontos do Palmeiras, a quatro do Flamengo, só o mais afoito torcedor poderia esperar que o primeiro iria tropeçar em duas partidas, além do confronto direto com o Galo.
Pior é esperar que o Flamengo também tropece ao menos mais uma vez, logo ele que tem a poderosa Globo a apoiá-lo, além de ter de perder para o Galo.
Galo que não consegue vencer os jogos mais importantes, nem sequer jogar bem, tomando sufoco e fazendo sofrer sua fiel e apaixonada massa.
Agora, a questão que se coloca é: o gasto com o time para obter apenas o terceiro lugar, não é um desperdício enorme?
E as outras dúvidas em relação ao preparo físico ruim do time, sempre abrindo o bico na etapa final; em relação a tanta contusão seguida; em relação a um técnico que, desde o Palmeiras não consegue montar um time minimamente equilibrado, sem que a defesa tome tanto gol, e com um ataque funcionando, mesmo que de forma mais econômica?
Para minha mulher, entre outros predicados, ela possui um que supera todos os demais: o sorriso. E não estou dizendo isso, em comemoração, embora atrasada pelo dia do sorriso.
Mas é, de fato, um sorriso cativante.
O problema é que, como todos os seres humanos, às vezes ela também adoece, e fica impossibilitada de trabalhar.
O que nos obriga a fazer todo o pesado e cansativo trabalho doméstico.
A mim, na divisão de tarefas estabelecida, e até por opção minha, fica a parte de fazer o almoço.
E enquanto corria aqui de manhã para fazer o arroz sempre unidos venceremos, a carne moída, lavar a mostarda, a cenoura, a beterraba, e passar tudo no ralador, fazer a farofa, um cará antes que ele se perdesse, confesso ter ficado com uma ponta de inveja de todos que, ontem, puderam aproveitar do jantarzinho de temer.
Não fosse o fato de ter que ouvir o usurpador falar, em prol de uma medida que até a PGR já se manifestou contrária.
Confesso que não conheço as razões da Procuradoria, mas a argumentação é que a emenda que aprova o teto para os gastos é inconstitucional.
E, caso aprovada, irá imediatamente dar origem ao encaminhamento ao Supremo da decretação de sua inconstitucionalidade.
***
Acho que a Procuradoria, acredita ainda, e piamente, que o Supremo irá mesmo decretar a PEC inconstitucional, anulando quaisquer efeitos que ela pudesse acarretar.
Ledo engano.
Já se foi o tempo em que a principal Corte do país, zelava pela manutenção daquilo que a Carta consagrava.
Vide o exemplo da prisão para os casos de condenados em segunda instância, em que, tangido pela pressão popular (que só tem olhos e vista para a punição de políticos, condenados por corrupção, quando a questão é muito mais delicada e ampla, que a dessa sociedade cada vez mais conservadora, e como tal, sempre disposta a varrer de vez, para fora qualquer ato de corrupção, ou delituoso), o STF acabou atropelando a lei maior que expressamente institui que a prisão será apenas depois de sentença condenatória transitada em julgado.
***
Embora tenhamos que nos recordar que essa Casa, embora na ocasião com outros doutos magistrados, por força do bem público, admitiu e aprovou o confisco de depósitos de poupança, e até de contas correntes, acima de um valor mágico, o que era vedado pela Carta.
***
O que apenas reforça a nossa surpresa quanto à confiança que a Procuradoria manifesta em relação ao Supremo.
Que deverá tornar-se frustração, obviamente. A bem da estabilidade econômica e política do país...
***
E dos interesses de todas as associações de empresários que, atendendo a convocação de nosso usurpador mor, o indigesto temer, manifestaram-se já por duas ocasiões, que eu tenha visto, com exortações aos deputados para que votem a PEC do teto de gastos, sem alterá-la, de forma a que, contidos os gastos públicos, a economia volte a melhorar em função da confiança que tal medida trará aos investidores de que o país entrou na trilha da responsabilidade fiscal.
E, com a projeção da trajetória da dívida pública mais aceitável, possam cair a taxa de juros básica da economia, a Selic, e possam os empresários voltar a investir. E o país a crescer.
***
Para não ficar repetitivo, não vou dizer novamente nada a respeito do engano.
Apenas lembrar que, sem a possibilidade de elevar gastos públicos, o que introduz um elemento de contenção de demanda agregada, bastante rígido, o que veremos é a demanda continuar despencando, sem qualquer razão para nos convencer de que empresários irão investir e ampliar as capacidades produtivas, hoje já com grande ociosidade, sabendo que não encontrarão compradores.
***
Conforme afirmado acima, a razão da Procuradoria, parece-me, trata de que a PEC 241 é um instrumento que desequilibra a necessária harmonia entre os Poderes, principalmente por tirar do Congresso qualquer possibilidade de debater, alterar, modificar o orçamento, conforme é sua função e como manda a legislação que rege a matéria em nosso país, por um prazo muito longo de dez anos, prorrogáveis por outro tanto.
Pois bem, sem poder discutir a questão por falta de maior conhecimento dela e de embasamento, o que posso perceber é que a ideia - que tanto comove a empresários, é que, caso o governo não possa aumentar seus gastos, tendo que compensar alguns aumentos em umas áreas com redução em outras, vai sobrar: primeiro, dificuldade para contratação de funcionários para as atividades de fiscalização, em todos os sentidos e níveis; segundo, dado que a população vai demandar serviços de acordo com sua evolução natural, com uma expansão que não está sujeita a crescer, a cada ano, de acordo com a inflação do ano anterior, o que vemos é a necessidade de o setor privado entrar em muitas áreas, hoje praticamente entregues à gestão do setor público, aproveitando-se de novos mercados.
Ou seja: os empresários terão menos fiscalização, menos regulação, menos dissabores para poderem ampliar suas atividades e seus lucros, e também terão áreas de serviços novos a serem explorados.
Como o capital, ao contrário do setor público, não irá prestar serviços por ser bonzinho, nem por ser considerado sua função social, e é bom lembrar, ele visa sempre lucros, de preferência máximos, o que veremos é uma série de atividades serem cada vez mais dedicadas a um tipo de público que, em nada tem a ver com as demandas e características de nosso público maior: a população brasileira.
***
Antes que alguém possa me criticar pelo simples desejo de exercício da crítica, vejamos o que está acontecendo, por exemplo, com os estádios de futebol depois que viraram arenas. Antes, com os geraldinos e arquibaldos podendo pagar um percentual do salário mínimo razoável para ir ao campo e aproveitar uma de suas únicas e poucas distrações, os estádios ficavam cheios.
Agora, com as arenas, apenas quem pode pagar 120, 160 ou até mais de 200 reais pode ir ao jogo, o que está criando um futebol que presta-se a ser exemplo de tudo, menos de um esporte popular.
***
Agora, transfiramos isso para o exemplo dos planos de pensão, que depois de arrebentado o direito à previdência pública, irão ser dominados, cada vez mais por entidades do sistema financeiro, com programas e planos de previdência complementar.
Tirando de cada trabalhador, quem sabe, 5, 10% de seu salário mínimo, de fome, para poder guardar para uma vida melhor no futuro. Uma vida que ele não chegará a aproveitar, já que tirando essa parcela de um valor que já não é suficiente nem para sua sobrevivência, irá ficar sem condições de se alimentar, se cuidar, se educar, etc., quando jovem.
***
E nas escolas, agora descoberto que houve manipulação no resultado divulgado do ENEM, com o esquecimento de inclusão das boas escolas, de qualidade algumas, chamadas de Insitutos Federais.
Que razão pode explicar tal esquecimento, senão mostrar o quadro caótico que foi mostrado no primeiro instante, de forma a fazer todos os pais correrem para levar seus filhos para as escolas privadas?
E, sem FIES, que cada vez mais fica ameaçado pela falta de recursos, como irão os estudantes hoje matriculados em cursos superiores em nosso país, custear sua formação, tão necessária para eles quanto para o país?
Isso sem contar os planos de saúde, cada vez mais vorazes na exploração de seus associados, sempre dando desculpas em relação à cobrança de mensalidades mais elevadas para os beneficiários idosos; sempre deixando de aprovar a realização de exames, como os de ressonância (mais caros), embora necessários para sua clientela. Sempre deixando a desejar na forma de tratamento dispensado àqueles que, durante anos a fio, pagaram para que, como todo mundo sabe, ao final da vida tivessem de fazer maior uso dos benefícios dos planos.
Como a contribuição enquanto jovem é lucrativa, mas os gastos da terceira idade, ou quarta ou sexagésima, etc, são maiores que os valores pagos, o que dá início a uma redução do fundo acumulado com o cliente antes, os planos visando lucros acabam criando mil e um dificuldades para seus associados.
***
Tudo isso irá ficar ainda mais tranquilo, ampliando os ganhos pecuniários das empresas, que comemoram a chegada ao poder de um governo usurpador, ilegítimo, de quem não teria nunca aprovado pelas urnas seu programa de governo. Exceto se só pudessem votar os que cumprem certos prerequisitos, como o de estar inserido nos nívieis mais elevados de renda.
***
Mas, independente de tudo isso, o jantar de ontem, destinado a aprovar a medida de economia dos gastos públicos custou uma pequena bagatela, reunindo 400 deputados que, pelo nível que apresentam, teriam sido reunidos, babando ovo do temerário, para qualquer serviço de café, com pãozinho de queijo e, quem sabe, algum queijo com cafezinho.
Afinal para a turma do jantar, o melhor mesmo seria poder apertar a mão de temer, o usurpador, e avistar, sua bela e recatada esposa, Marcela.
***
Que venha o engodo e a falácia. A medida poderá até ajudar a baixar a dívida, a taxa e o pagamento dos juros, mas não irá, só por esse motivo, ajudar na retomada do crescimento.
Porque, aqui no nosso país, para haver crescimento, historicamente, o governo tem que estar gastando antes. Em investimentos públicos.
É isso.
***
E o campeonato já vai se decidindo
Como previa, com as vitórias de Palmeiras e Flamengo, fica cada dia mais difícil para o Atlético e seu milionário elenco, atingir o seu objetivo de mais de 40 anos.
A sete pontos do Palmeiras, a quatro do Flamengo, só o mais afoito torcedor poderia esperar que o primeiro iria tropeçar em duas partidas, além do confronto direto com o Galo.
Pior é esperar que o Flamengo também tropece ao menos mais uma vez, logo ele que tem a poderosa Globo a apoiá-lo, além de ter de perder para o Galo.
Galo que não consegue vencer os jogos mais importantes, nem sequer jogar bem, tomando sufoco e fazendo sofrer sua fiel e apaixonada massa.
Agora, a questão que se coloca é: o gasto com o time para obter apenas o terceiro lugar, não é um desperdício enorme?
E as outras dúvidas em relação ao preparo físico ruim do time, sempre abrindo o bico na etapa final; em relação a tanta contusão seguida; em relação a um técnico que, desde o Palmeiras não consegue montar um time minimamente equilibrado, sem que a defesa tome tanto gol, e com um ataque funcionando, mesmo que de forma mais econômica?
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Revendo os pitacos nesse dia em que comemoramos 6 anos de postagens
Justo nesse dia 7 de outubro, data em que comemoramos 6 anos de existência do tambemquerodarpitaco, só consegui me aproximar do computador depois das 16 horas, tarde demais para postar qualquer mensagem que pudesse atrair a atenção dos colegas e amigos que, na falta de coisa melhor para fazer, resolvem dar uma passada por esse site ocasionalmente.
Amigos leitores e com um predicado ainda mais importante, com uma enorme paciência para ler meus pitacos.
Amigos que me criticam, pedem que eu dê uma maneirada, que cumprimentam, que elogiam, que me apoiam ou ainda, os me gozam em razão de minha paixão no futebol. Leitores assíduos como o Pieroni, sempre citado nesse espaço, o Helton, ooooooo .... e eu mesmo, para citar apenas alguns.
Mas, como se tivesse vida própria o computador resolveu entrar em uma rotina de atualização do Windows, e, como isso, só tivemos acesso a partir das 17 horas e 15 mnutos.
Mas, como é dia de comemoração, vamos postar ainda assim, uma espécie de prestação de contas. Ou de balanço dos pitacos ao longo desse tempo.
***
Em todo esse tempo de blog, tratamos de questões econômicas e vimos a economia crescer a taxas semelhantes às taxas médias do nosso crescimento do início do século vinte até os anos 1950, em torno de 7,5%.
Vimos e saudamos a incorporação de mais de 45 milhões de pessoas ao mercado de consumo, e vimos e criticamos a, assim chamada, distribuição de renda como estava sendo feita pelo governo Lula, como nunca na história desse país, houvera sido feita.
Distribuição de renda que não mudou e até agravou a participação relativa na renda nacional dos que recebiam salários e dos que recebiam as rendas da propriedade, especialmente, lucros, e pior, lucros, que ampliaram sua participação na divisão do bolo.
Não por acaso, Frei Beto, petista de primeira hora e assessor especial de Lula quando da chegada ao Planalto do ex-metalúrgico, não concordando com a política posta em prática por Lula, Palocci e Henrique Meirelles afastou-se do cargo e do partido que, ao que parece, em sua opinião estava cometendo um auto-engano.
Afinal, que distribuição de renda era aquela que redistribuía apenas salários, reduzindo os dos segmentos de maior remuneração em prol de uma elevação - importante, mas não suficiente para apresentar-se como um programa de distribuição de renda e redução da desigualdade -, dos salários menores, em particular o mínimo.
***
Ainda ontem, a excelente coluna de Clóvis Rossi na Folha de São Paulo abordava a questão levantada por Frei Beto, e corroborada por estudo de economistas ligados ao IPEA que critica a tão falada distribuição de renda. A título de exemplo, apenas um dado mencionado já deveria ser suficiente para que se colocasse em dúvida o tal êxito da política, a saber, o fato de o governo pagar em juros da dívida pública um valor superior em mais de 5 vezes o programa Bolsa Família, destinado a retirar milhões de famílias da miséria.
Sim, o programa Bolsa Família foi um êxito. Mas a Bolsa Banqueiro, ou Bolsa Rentista, cavalgando taxas de juros desnecessariamente elevadas, conseguiu ser muito mais exitosa.
Razão porque Frei Beto, em minha avaliação corretamente, como também o afirma Clóvis Rossi, concluiu, com base em todos os eventos políticos que se sucederam nos últimos meses, incluindo aí o resultado das as últimas eleições muniicpais que engana-se que acredita que a direita reecuperou ou conseguiu chegar novamente oa poder. Simplesmente por que al direita nunca saiu do poder.
O que, lamentavelmente, devemos reconhecer ser verdade.
***
De Lula e suas políticas de combate à marolinha, saltamos para o governo Dilma e sua gestão destinada a dar aos empresários todos os estímulos possíveis para que eles continuassem implementando seus programas de investimento, de forma a manter o elevado índice de emprego.
Criticamos aqui, em várias ocasiões, o fato de se criar tanta desoneração, tanto incentivo, tanto subsídio, sem a exigência de qualquer contrapartida, de qualquer garantia de que os recursos seriam destinados a assegurar o que o governo pretendia obter.
Como todos sabemos hoje, a preocupação em manter um superávit primário do início de seu governo, e a elevação de desonerações levaram à queda dos investimentos públicos, o que foi acompanhado por uma queda dos investimentos privados que não saíram das gavetas.
De quebra e somando com o problema gestado internamente, a crise internacional voltou a mostrar suas garras, com a recessão alcançando importantes países nossos parceiros, que reduziram as compras de nossos produtos e ajudaram a reduzir os preços das commodities em que Lula surgou por longo período durante seu mandato.
Sem perceber a conjugação de forças que estavam se formando, a presidenta apenas ampliava as concessões aos empresários que mantinham-se refratários a qualquer programa de inversões. O resultado sabe-se, foi a paulatina desaceleração da taxa de crescimento do PIB, em todo o primeiro mandato de Dilma, e a inversão dos sinais da política fiscal, com as contas públicas passando a se tornarem deficitárias.
Tal situação de geração de déficits não apenas gerou o esdrúxulo resultado da contabilidade criativa, como alimentou um processo de queda em espiral. Sem recursos, o governo era obrigado a cortar gastos, especialmente de investimentos - tendo chegado a patrocinar o maior contingenciamento de recursos orçamentários jamais visto antes, na história de nosso país - o que acarretou queda ainda maior da demanda de investimentos e da demanda agregada, com os impactos naturais sobre a arrecadação e sobre os déficits.
***
Ao redigir essas linhas, me ocorreu uma questão interessante, que vale a pena comentar.
Poste ou não de Lula, é forçoso reconhecer que Dilma foi eleita carregando consigo a fama de ser uma excelente gestora. A mãe do PAC. A durona ministra chefe da Casa Civil.
Muito era dito a respeito de sua capacidade enquanto presidente do Conselho da Petrobras, logo depois tão criticada, principalmente em relação à aquisição de Pasadena.
Não vou discutir aqui se a considero ou não boa gestora. Apenas quero firmar o ponto de que essa era a imagem que dela era vendida.
E que a população que a elegeu comprou.
E isso me deixa pensando em o que poderá advir de um governo, também em moldes empresariais de João Dória, o dublê de poste e empresário, eleito pelo PSDB em São Paulo.
Ou pior, no que poderia ser uma gestão do empresário falido, Alexandre Kalil, em Belo Horizonte.
***
Mas, nem só de economia se ocupou o blog.
Falamos, e muito de política. Em todos esses seis anos, se há algo a orgulhar é o fato de nunca termos ficado em cima do muro. Sempre emitimos nossa opinião, e solicitamos várias vezes que as críticas fossem feitas a nossas ideias. Sempre nos posicionamos. Certos ou errados. Mas, sempre expondo nossos argumentos e razões. Sempre na melhor das intenções, a de colaborarmos de alguma forma, mínima que fosse para construirmos uma sociedade mais justa, fraterna, de respeito e liberdade. Sociedade democrática na acepção mais ampla do termo democracia.
***
Razão que nos levou, por exemplo, a criticar a vergonhosa decisão, em minha opinião, cometida pelo Supremo de se rasgar a Constituição, e aceitar-se, por pressão da sociedade, que várias ações pudessem ser levadas a cabo, doravante, sob a égide de alguma excepcionalidade.
Nesse exemplo, inclui-se, por óbvio, a decisão de que a prisão possa se dar, sem que a sentença já tenha transitado em julgado, como está expresso, sem dar margem a sombra de dúvidas na nossa Constituição cidadã de 1988.
Constituição que foi aqui comentada, por não ter vários de seus dispositivos regulados já passados 28 anos de sua promulgação.
***
Comentamos de futebol, da violência urbana, da criminalidade. Deixamos clara nossa posição, quando necessário de que não há como tratar a questão de penalização de crimes como se fossem apenas a chance de conquistarmos uma vingança. Falamos de vários assuntos.
***
No início, até expus aqui meus poemas, obrigando meus amigos leitores, a torcerem para que minha inspiração se esgotasse, como de fato aconteceu.
Não que a inspiração, o sonho, a fantasia se esgotaram. O país ficou tão farsesco, tão kafkiano, que comentar a realidade já seria suficiente para não necessitarmos de criar abstrações.
Mesmo que poéticas, já que a pretensão também impulsionou minha vontade de publicar meus poemas.
***
Falamos de futebol, do Galo campeão de Libertadores e da Copa do Brasil, e das nossas esperanças, sempre frustradas, de conquistarmos novamente o título do campeonato brasileiro.
***
São seis anos de blog, e confesso que tenho me divertido, aprendindo a pensar e a respeitar cada vez mais as opiniões discordantes das minhas. Tem sido rico.
E vamos continuar com nossos pitacos. E esperamos que possamos continuar também com a inestimável presença dos amigos. Lendo, compartilhando e comentando. Criticando e sugerindo.
É isso.
Obrigado.
Amigos leitores e com um predicado ainda mais importante, com uma enorme paciência para ler meus pitacos.
Amigos que me criticam, pedem que eu dê uma maneirada, que cumprimentam, que elogiam, que me apoiam ou ainda, os me gozam em razão de minha paixão no futebol. Leitores assíduos como o Pieroni, sempre citado nesse espaço, o Helton, ooooooo .... e eu mesmo, para citar apenas alguns.
Mas, como se tivesse vida própria o computador resolveu entrar em uma rotina de atualização do Windows, e, como isso, só tivemos acesso a partir das 17 horas e 15 mnutos.
Mas, como é dia de comemoração, vamos postar ainda assim, uma espécie de prestação de contas. Ou de balanço dos pitacos ao longo desse tempo.
***
Em todo esse tempo de blog, tratamos de questões econômicas e vimos a economia crescer a taxas semelhantes às taxas médias do nosso crescimento do início do século vinte até os anos 1950, em torno de 7,5%.
Vimos e saudamos a incorporação de mais de 45 milhões de pessoas ao mercado de consumo, e vimos e criticamos a, assim chamada, distribuição de renda como estava sendo feita pelo governo Lula, como nunca na história desse país, houvera sido feita.
Distribuição de renda que não mudou e até agravou a participação relativa na renda nacional dos que recebiam salários e dos que recebiam as rendas da propriedade, especialmente, lucros, e pior, lucros, que ampliaram sua participação na divisão do bolo.
Não por acaso, Frei Beto, petista de primeira hora e assessor especial de Lula quando da chegada ao Planalto do ex-metalúrgico, não concordando com a política posta em prática por Lula, Palocci e Henrique Meirelles afastou-se do cargo e do partido que, ao que parece, em sua opinião estava cometendo um auto-engano.
Afinal, que distribuição de renda era aquela que redistribuía apenas salários, reduzindo os dos segmentos de maior remuneração em prol de uma elevação - importante, mas não suficiente para apresentar-se como um programa de distribuição de renda e redução da desigualdade -, dos salários menores, em particular o mínimo.
***
Ainda ontem, a excelente coluna de Clóvis Rossi na Folha de São Paulo abordava a questão levantada por Frei Beto, e corroborada por estudo de economistas ligados ao IPEA que critica a tão falada distribuição de renda. A título de exemplo, apenas um dado mencionado já deveria ser suficiente para que se colocasse em dúvida o tal êxito da política, a saber, o fato de o governo pagar em juros da dívida pública um valor superior em mais de 5 vezes o programa Bolsa Família, destinado a retirar milhões de famílias da miséria.
Sim, o programa Bolsa Família foi um êxito. Mas a Bolsa Banqueiro, ou Bolsa Rentista, cavalgando taxas de juros desnecessariamente elevadas, conseguiu ser muito mais exitosa.
Razão porque Frei Beto, em minha avaliação corretamente, como também o afirma Clóvis Rossi, concluiu, com base em todos os eventos políticos que se sucederam nos últimos meses, incluindo aí o resultado das as últimas eleições muniicpais que engana-se que acredita que a direita reecuperou ou conseguiu chegar novamente oa poder. Simplesmente por que al direita nunca saiu do poder.
O que, lamentavelmente, devemos reconhecer ser verdade.
***
De Lula e suas políticas de combate à marolinha, saltamos para o governo Dilma e sua gestão destinada a dar aos empresários todos os estímulos possíveis para que eles continuassem implementando seus programas de investimento, de forma a manter o elevado índice de emprego.
Criticamos aqui, em várias ocasiões, o fato de se criar tanta desoneração, tanto incentivo, tanto subsídio, sem a exigência de qualquer contrapartida, de qualquer garantia de que os recursos seriam destinados a assegurar o que o governo pretendia obter.
Como todos sabemos hoje, a preocupação em manter um superávit primário do início de seu governo, e a elevação de desonerações levaram à queda dos investimentos públicos, o que foi acompanhado por uma queda dos investimentos privados que não saíram das gavetas.
De quebra e somando com o problema gestado internamente, a crise internacional voltou a mostrar suas garras, com a recessão alcançando importantes países nossos parceiros, que reduziram as compras de nossos produtos e ajudaram a reduzir os preços das commodities em que Lula surgou por longo período durante seu mandato.
Sem perceber a conjugação de forças que estavam se formando, a presidenta apenas ampliava as concessões aos empresários que mantinham-se refratários a qualquer programa de inversões. O resultado sabe-se, foi a paulatina desaceleração da taxa de crescimento do PIB, em todo o primeiro mandato de Dilma, e a inversão dos sinais da política fiscal, com as contas públicas passando a se tornarem deficitárias.
Tal situação de geração de déficits não apenas gerou o esdrúxulo resultado da contabilidade criativa, como alimentou um processo de queda em espiral. Sem recursos, o governo era obrigado a cortar gastos, especialmente de investimentos - tendo chegado a patrocinar o maior contingenciamento de recursos orçamentários jamais visto antes, na história de nosso país - o que acarretou queda ainda maior da demanda de investimentos e da demanda agregada, com os impactos naturais sobre a arrecadação e sobre os déficits.
***
Ao redigir essas linhas, me ocorreu uma questão interessante, que vale a pena comentar.
Poste ou não de Lula, é forçoso reconhecer que Dilma foi eleita carregando consigo a fama de ser uma excelente gestora. A mãe do PAC. A durona ministra chefe da Casa Civil.
Muito era dito a respeito de sua capacidade enquanto presidente do Conselho da Petrobras, logo depois tão criticada, principalmente em relação à aquisição de Pasadena.
Não vou discutir aqui se a considero ou não boa gestora. Apenas quero firmar o ponto de que essa era a imagem que dela era vendida.
E que a população que a elegeu comprou.
E isso me deixa pensando em o que poderá advir de um governo, também em moldes empresariais de João Dória, o dublê de poste e empresário, eleito pelo PSDB em São Paulo.
Ou pior, no que poderia ser uma gestão do empresário falido, Alexandre Kalil, em Belo Horizonte.
***
Mas, nem só de economia se ocupou o blog.
Falamos, e muito de política. Em todos esses seis anos, se há algo a orgulhar é o fato de nunca termos ficado em cima do muro. Sempre emitimos nossa opinião, e solicitamos várias vezes que as críticas fossem feitas a nossas ideias. Sempre nos posicionamos. Certos ou errados. Mas, sempre expondo nossos argumentos e razões. Sempre na melhor das intenções, a de colaborarmos de alguma forma, mínima que fosse para construirmos uma sociedade mais justa, fraterna, de respeito e liberdade. Sociedade democrática na acepção mais ampla do termo democracia.
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Razão que nos levou, por exemplo, a criticar a vergonhosa decisão, em minha opinião, cometida pelo Supremo de se rasgar a Constituição, e aceitar-se, por pressão da sociedade, que várias ações pudessem ser levadas a cabo, doravante, sob a égide de alguma excepcionalidade.
Nesse exemplo, inclui-se, por óbvio, a decisão de que a prisão possa se dar, sem que a sentença já tenha transitado em julgado, como está expresso, sem dar margem a sombra de dúvidas na nossa Constituição cidadã de 1988.
Constituição que foi aqui comentada, por não ter vários de seus dispositivos regulados já passados 28 anos de sua promulgação.
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Comentamos de futebol, da violência urbana, da criminalidade. Deixamos clara nossa posição, quando necessário de que não há como tratar a questão de penalização de crimes como se fossem apenas a chance de conquistarmos uma vingança. Falamos de vários assuntos.
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No início, até expus aqui meus poemas, obrigando meus amigos leitores, a torcerem para que minha inspiração se esgotasse, como de fato aconteceu.
Não que a inspiração, o sonho, a fantasia se esgotaram. O país ficou tão farsesco, tão kafkiano, que comentar a realidade já seria suficiente para não necessitarmos de criar abstrações.
Mesmo que poéticas, já que a pretensão também impulsionou minha vontade de publicar meus poemas.
***
Falamos de futebol, do Galo campeão de Libertadores e da Copa do Brasil, e das nossas esperanças, sempre frustradas, de conquistarmos novamente o título do campeonato brasileiro.
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São seis anos de blog, e confesso que tenho me divertido, aprendindo a pensar e a respeitar cada vez mais as opiniões discordantes das minhas. Tem sido rico.
E vamos continuar com nossos pitacos. E esperamos que possamos continuar também com a inestimável presença dos amigos. Lendo, compartilhando e comentando. Criticando e sugerindo.
É isso.
Obrigado.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Uma reflexão necessária sobre os resutados do Enem e o princípio da meritocracia. O Galo e mais um distanciamento do líder e o aniversário, ontem, da Constituição de 1988
O resultado do ENEM divulgado no início dessa semana impõe que sejam feitas algumas reflexões necessárias.
Menos pelo que ficou escancarado, a piora da qualidade da educação de nível médio em nosso país, em relação ao ano anterior, ou à baixíssima qualidade dos serviços prestados pela rede pública de ensino.
E não apenas pelo ranking em si, mas pelo fato de que mais de 90% das escolas públicas tenham ficado abaixo da média, número por si só preocupante, não fosse o fato de que quase um quinto, mais apropriadamente 17% das escolas privadas também não alcançaram a nota média.
Ou seja, o ensino médio no nosso país, entrou coitado, na UTI, nesses dias em que a saúde dá sinais de estar deseducadamente ruim.
***
Um dado curioso, é o fato de que as melhores escolas públicas, segundo as divulgações, foram as de ensino técnico ou as federais. O que levará muita gente boa a dizer que isso pouco importa, já que os números não mentem e a situação não é para se ter qualquer condescendência. O número de escolas ruins é muito grande e ponto.
O problema é que pela nossa legislação e a distribuição de funções por ente administrativo, a responsabilidade da prestação do ensino médio é de âmbito estadual, como a do ensino fundamental é do município, cabendo à órbita federal o ensino superior.
Nem precisamos dizer que, de longe, o superior é o mais bem atendido de todos, graças às universidades públicas. A questão é descobrirmos que o ensino médio melhor também é aquele gerido pela esfera federal. Razão para que, ao se discutir uma possível reforma para o ensino médio, que poucos irão afirmar que não é necessária, uma das questões que deveriam ser debatidas e, quem sabe até implementadas, é aquela que já foi objeto de algumas discussões até recentes, ou seja, a de se transferir para o âmbito do MEC, federal, a responsabilidade pelo fornecimento do ensino médio, por sua maior capacidade na área.
***
Aliás, vale uma observação, que cada vez mais fica evidenciada a necessidade de uma reforma do ensino médio, não se discute. E nem venham alucinados de toda espécie dizer que o resultado do Enem serve para mostrar tal urgência e que serve para derrubar os argumentos contrários de esquerda.
Isso é querer enxergar assombração onde as pessoas mais mal intencionadas estão muito vivas, e até escrevendo artigos para revistas semanais.
Ninguém em sã consciência pode ficar contra a necessidade imperiosa de se fazer uma reforma. Ninguém é contrário à extensão do horário da jornada escolar para o período integral. Ninguém pode ser contrário ao fato de que o ensino em país de dimensão continental como o nosso, e com tantas diferenças e problemas, inclusive para a inclusão e pior, para a manutenção dos alunos em sala de aula, deve ter matérias e currículos que atendam à necessidade específica regional, ou às demandas mais prementes da localidade onde os alunos moram e irão trabalhar.
Todas essas ideias, desde há muito tempo foram apresentadas por educadores que viam a educação como a ferramenta necessária para romper o atraso de nosso país, e o modo de conquista da inclusão social e da conquista da cidadania.
Desde as ideias de Anísio Teixeira, até os Cieps de Darcy Ribeiro no governo Brizola, não há como negar que alguns elementos anunciados da Medida Provisória já eram propostas, pensando o Brasil e a educaçao de sua população sem viés ideológico, exceto o de querer possibilitar o acesso ao conhecimento de qualidade a todos.
***
Em todas as propostas se teria um núcleo duro, central, de que não se poderia abrir mão e, daí em diante, abrir-se-ia um leque de disciplinas e matérias distintas, específicas e com conteúdos e grau de aprofundamento diverso, de forma a atender às demandas locais.
O problema maior seria em relação à preparação das escolas e do corpo de professores para cumprir tal tarefa.
Isso, porque, embora seja muito ruim para alguém que seja da área comentar, afinal o corporativismo campeia à solta, talvez o problema primeiro que teria que ser resolvido, já que poucos desconhecem sua existência é a qualidade muito ruim da formação dos professores, e a qualidade ruim, e não me refiro apenas ao ensino médio, que eles apresentam.
A ponto de achar que se fossem submetidos à provas do tipo Enem, os resultados dos professores seriam, digamos para contemporizar, algo surpreendentes. Por semelhantes.
***
Considerando-se esse problema gravíssimo, já percebemos que a implantação da reforma teria dificuldades muito sérias, o que poderia acarretar a concentração pelo menor custo ou pela maior facilidade, de oferta de matérias em algumas áreas gerais, nada voltadas para a especificidade que se procurava.
De mais a mais, em meio a uma sociedade que dá sinais de estar em rota de completa regressão em valores, costumes, posições políticas, etc. seria muito interessante ver as matérias complementares serem todas em áreas ditas tecnológicas, ou matemáticas, sem pessoal qualificado, apenas para evitar que conteúdos ditos políticos pudessem ser oferecidos.
Formaríamos assim, mal formados, pessoas que pouco saberiam do conteúdo técnico, já que alunos de alguns mestres que tampouco saberiam do conteúdo que estariam ministrando, tudo para escapar da discussão de filosofia, sociologia, até história, matérias que trazem um conteúdo sempre de contestação, de crítica, de visão ideológica e comunista???!!!
E com isso, a escola sem partido poderia ser implantada apenas por estar na mão das escolas das distintas regiões, o que elas consideram que seria mais benéfico para os filhos dos.... pobres cuja submissão deveria ser assegurada.
Para que isso possibilitasse o aumento da produtividade, fruto da disciplina do trabalho. Ou de simples domesticação.
***
A opção de ofertar as disciplinas complementares sob a responsabilidade das escolas, de um lado, permitiria que os alunos de 14, 15, até 17 anos, ingressantes no ensino médio tivessem que decidir o que gostariam de cursar tendo em vista sua perspectiva de vida.
Tal decisão na idade que deveria ser adotada, já seria um crime, já que nesse momento de vida, ninguém em sã consciência pode acreditar que os jovens têm como saber o que será melhor para eles. Afinal, nem mesmo sabem bem o que querem, depois, quando da escolha de que curso superior que irão fazer.
Mas, tal problema nasce resolvido, por que a decisão será da escola e, com poucas oportunidades para fugir do que será o bloco de escolhas de matérias mais comuns, os alunos ficarão a mercê daquilo que lhes for apresentado.
***
Sem me alongar muito mais, uma reforma que fosse trazer resultados deveria consultar, primeiro a professores, educadores, orientadores, psicopedagogos, pedagogos, etc, diretores e proprietários de escolas, e até chegar à consulta popular mais ampla, não devendo ser decidida da forma autoritária que foi, através do envio de uma medida provisória.
***
Outra questão relevante a se discutir, e refletir, tendo em vista as notas do ENEM é aquela que as peneiras tentam, tentam, mas não conseguem impedir de vazar a luz do sol, ou a cristalina água.
Trata-se da questão sempre clamada da meritocracia, em geral, cobrada por todos aqueles que não vieram de escolas públicas, não tiveram ensino de qualidade tão ruim, vieram dos níveis de classe social e de renda que permitiram a eles frequentar as escolas que obtiveram melhor nota nos exames realizados.
Ou seja, fica cabalmente demonstrado que todos os que cobram a implantação do regime de mérito o fazem apenas por interesses próprios, egoísticos, ou até corporativos, de grupos sociais de que fazem parte.
Não pode existir mérito, em quem não tem acesso a qualquer conteúdo de qualidade da transmissão do ensino, ou da apropriação do conhecimento.
E aqui mais uma vez, percebemos a necessidade de, em nosso país e nossa sociedade, os fatores de produção, o conhecimento assim considerado, ser mais acessível à ampla maioria da população. E não apenas dos eternos proprietários de terras, máquinas, indústrias, e saberes.
Sob pena de nunca conseguirmos evoluir para uma sociedade mais justa, capaz de contemplar e lidar com todas as suas desigualdades. Claro, desde que tais desigualdades não sejam tão gritantes, a ponto de criar verdadeiros párias, multidão de analfabetos funcionais e políticos, e pessoas sem qualquer dignidade e cidadania.
***
Outro ponto que merece destaque, é se verificar que a grande maioria dos colégios particulares, são escolas que, embora algumas voltadas para preparar alunos para o vestibular, para concursos e provas, e não para a vida, têm a preocupação de fazer essa preparação ao longo de todo o tempo de curso, e não apenas na base de cursos de recuperação ou intensivões, de fim de ano.
A maior parte das escolas bem qualificadas é de escolas que são consideradas sugarem exageradamente os seus alunos em todo o período de formação, abusando de exercícios, provas, deveres de casa, etc. Ou seja, são consideradas muitas vezes máquinas de criar doidos ou frustrados, o que lhes vale muitas críticas.
Algumas não deixam as crianças ou jovens aproveitarem seu tempo de juventude e infância, mas aprovam. Isso é o que conta quando os rankings tornam-se tão importantes.
O que me leva a perguntar porque as notas de cada aluno ou as médias de cada colégio não são mantidas sob informação apenas do próprio colégio, o principal interessado a saber em que matérias ou conteúdos seus alunos estejam mais ou menos preparados.
Por que a divulgação feita e a transformação das notas em ranking ou concurso apenas é mais um lance de espetacularização do que deveria ser tratado de forma menos espetaculosa. Por seu próprio bem.
***
Ninguém fez uma outra análise, que me chamou a atenção em relação, ao menos de escolas bem avaliadas em Belo Horizonte, minha cidade.
Trata-se de que, grande parte das melhores escolas avaliadas é confessional, ou seja, ligadas à secular tradição de prestação de serviços de ensino de colégios religiosos.
Dentre as escolas bem classificadas encontram-se o Colégio Santo Antônio, o Loyola, o Santo Agostinho, em várias de suas unidades, o Santa Dorotéia, o Santa Marcelina, etc.
Não vi em outros estados, mas sabemos que Santo Inácio e outros colégios religiosos são sempre considerados entre os melhores.
Não são os únicos e nem os melhores ou primeiros classificados - posição ocupada pelo Bernoulli em BH.
Mas seria interessante comparar esse tipo de ensino que, até pela sua origem, não deveria ser muito preocupado apenas em ensinar nossa juventude a fazer provas e concursos.
***
Alterando o rumo da prosa
Vá lá que o time estava sem 7 titulares recentes, já que Luan, Marcos Rocha não podem ser considerados como desfalques tão pouco jogaram durante o ano.
O que me leva a questionar o que anda acontecendo com um time que tem, conforme consta, um dos melhores, senão o melhor preparador físico do país, o médico da seleção brasileira, um departamento médico e equipamentos de fisioterapia de primeiro mundo, e que o jogador que acaba de ser liberado, já na primeira partida se contunde e volta para o estaleiro?
Algo estranho e curioso anda acontecendo no Galo, e a última vítima de tanto problema foi Maicosuel.
Mas, mesmo com tanto reserva em campo, o meio campo tinha Leandro Donizete que acho muito ruim para um time da qualidade técnica do Galo, mas que ontem jogou bem, com disposição, garra e fazendo sua função, de dar o combate direto antes da zaga.
Tínhamos Robinho, Fred e Clayton, todos que vêm jogando há vários jogos e nosso ataque simplesmente não existiu. No segundo tempo, então, nem parece que o time estava em campo. E falo do ataque, que todo mundo sabe e concorda que é o melhor que o time tem apresentado em todo o campeonato.
A rigor, apenas dois lances bisonhos de Hyuri, muito pouco para 90 minutos de jogo.
A defesa esteve bem, com a exceção de Fábio Santos que me convence, a cada jogo, que o Atlético fez mal em vender Douglas Santos, muito mais jovem e com futuro mais promissor.
***
E não me venham dizer que o Atlético estava jogando com 10, porque isso só aconteceu a partir dos 30 e tantos minutos do segundo tempo, depois de o Galo já não ter feito nada até aquele momento.
Mas, mais uma vez, Marcelo trocou mal, pondo Patric, ao invés de já ter entrado de uma vez com Dátolo. E deixando de por Carlos Eduardo, para jogar, e não ter que reclamar depois que a bola não chegava até Fred.
***
O Galo está cada vez mais distante, e se afastando mais do líder, o Palmeiras, e até deixando que o Flamengo se distancie. E as falhas são nossas, o que é uma pena.
Mais uma vez que nossa incompetência está impedindo que o sonho de voltar a repetir o feito de 1971 se torne realidade.
***
Enquanto isso
No Supremo, ao invés de se cobrar mais agilidade na análise e resolução dos recuros, ou como o fez o miinistro Celso Mello, ao invés de se cobrar modificações na legislação que cuida do processo recursal, ou da mudança de leis que possam dar cobro ao número absurdo de práticas meramente delongatórias, os defensores da Constituiição patrocinaram a negação de um dos princípios ali inscritos.
Até entendo que agiram de acordo com a cobrança cada vez maior da sociedade para que se acabe com o que se chama paraíso da impunidade no país. Mas, devemos admitir que a maioria da sociedade ao cobrar a adoção de medidas mais eficazes do Supremo para punir os culpados, têm em vista apenas a questão dos políticos que recentemente dominou a atenção de todos.
E, com a adoção cada vez mais de um comportamento conservador, de cunho regressista, é lícito supor que não seria a sociedade, nessa hora, boa conselheira para que se interpretasse aquilo que a Constituição traz de forma cristalina, como o seu oposto. A negação da lei maior, isso por quem a jurou interpretar para fazer cumprir.
Esse o presente que o Supremo deu à Constituição cidadã, no dia de seu aniversário de 28 anos.
É isso.
Menos pelo que ficou escancarado, a piora da qualidade da educação de nível médio em nosso país, em relação ao ano anterior, ou à baixíssima qualidade dos serviços prestados pela rede pública de ensino.
E não apenas pelo ranking em si, mas pelo fato de que mais de 90% das escolas públicas tenham ficado abaixo da média, número por si só preocupante, não fosse o fato de que quase um quinto, mais apropriadamente 17% das escolas privadas também não alcançaram a nota média.
Ou seja, o ensino médio no nosso país, entrou coitado, na UTI, nesses dias em que a saúde dá sinais de estar deseducadamente ruim.
***
Um dado curioso, é o fato de que as melhores escolas públicas, segundo as divulgações, foram as de ensino técnico ou as federais. O que levará muita gente boa a dizer que isso pouco importa, já que os números não mentem e a situação não é para se ter qualquer condescendência. O número de escolas ruins é muito grande e ponto.
O problema é que pela nossa legislação e a distribuição de funções por ente administrativo, a responsabilidade da prestação do ensino médio é de âmbito estadual, como a do ensino fundamental é do município, cabendo à órbita federal o ensino superior.
Nem precisamos dizer que, de longe, o superior é o mais bem atendido de todos, graças às universidades públicas. A questão é descobrirmos que o ensino médio melhor também é aquele gerido pela esfera federal. Razão para que, ao se discutir uma possível reforma para o ensino médio, que poucos irão afirmar que não é necessária, uma das questões que deveriam ser debatidas e, quem sabe até implementadas, é aquela que já foi objeto de algumas discussões até recentes, ou seja, a de se transferir para o âmbito do MEC, federal, a responsabilidade pelo fornecimento do ensino médio, por sua maior capacidade na área.
***
Aliás, vale uma observação, que cada vez mais fica evidenciada a necessidade de uma reforma do ensino médio, não se discute. E nem venham alucinados de toda espécie dizer que o resultado do Enem serve para mostrar tal urgência e que serve para derrubar os argumentos contrários de esquerda.
Isso é querer enxergar assombração onde as pessoas mais mal intencionadas estão muito vivas, e até escrevendo artigos para revistas semanais.
Ninguém em sã consciência pode ficar contra a necessidade imperiosa de se fazer uma reforma. Ninguém é contrário à extensão do horário da jornada escolar para o período integral. Ninguém pode ser contrário ao fato de que o ensino em país de dimensão continental como o nosso, e com tantas diferenças e problemas, inclusive para a inclusão e pior, para a manutenção dos alunos em sala de aula, deve ter matérias e currículos que atendam à necessidade específica regional, ou às demandas mais prementes da localidade onde os alunos moram e irão trabalhar.
Todas essas ideias, desde há muito tempo foram apresentadas por educadores que viam a educação como a ferramenta necessária para romper o atraso de nosso país, e o modo de conquista da inclusão social e da conquista da cidadania.
Desde as ideias de Anísio Teixeira, até os Cieps de Darcy Ribeiro no governo Brizola, não há como negar que alguns elementos anunciados da Medida Provisória já eram propostas, pensando o Brasil e a educaçao de sua população sem viés ideológico, exceto o de querer possibilitar o acesso ao conhecimento de qualidade a todos.
***
Em todas as propostas se teria um núcleo duro, central, de que não se poderia abrir mão e, daí em diante, abrir-se-ia um leque de disciplinas e matérias distintas, específicas e com conteúdos e grau de aprofundamento diverso, de forma a atender às demandas locais.
O problema maior seria em relação à preparação das escolas e do corpo de professores para cumprir tal tarefa.
Isso, porque, embora seja muito ruim para alguém que seja da área comentar, afinal o corporativismo campeia à solta, talvez o problema primeiro que teria que ser resolvido, já que poucos desconhecem sua existência é a qualidade muito ruim da formação dos professores, e a qualidade ruim, e não me refiro apenas ao ensino médio, que eles apresentam.
A ponto de achar que se fossem submetidos à provas do tipo Enem, os resultados dos professores seriam, digamos para contemporizar, algo surpreendentes. Por semelhantes.
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Considerando-se esse problema gravíssimo, já percebemos que a implantação da reforma teria dificuldades muito sérias, o que poderia acarretar a concentração pelo menor custo ou pela maior facilidade, de oferta de matérias em algumas áreas gerais, nada voltadas para a especificidade que se procurava.
De mais a mais, em meio a uma sociedade que dá sinais de estar em rota de completa regressão em valores, costumes, posições políticas, etc. seria muito interessante ver as matérias complementares serem todas em áreas ditas tecnológicas, ou matemáticas, sem pessoal qualificado, apenas para evitar que conteúdos ditos políticos pudessem ser oferecidos.
Formaríamos assim, mal formados, pessoas que pouco saberiam do conteúdo técnico, já que alunos de alguns mestres que tampouco saberiam do conteúdo que estariam ministrando, tudo para escapar da discussão de filosofia, sociologia, até história, matérias que trazem um conteúdo sempre de contestação, de crítica, de visão ideológica e comunista???!!!
E com isso, a escola sem partido poderia ser implantada apenas por estar na mão das escolas das distintas regiões, o que elas consideram que seria mais benéfico para os filhos dos.... pobres cuja submissão deveria ser assegurada.
Para que isso possibilitasse o aumento da produtividade, fruto da disciplina do trabalho. Ou de simples domesticação.
***
A opção de ofertar as disciplinas complementares sob a responsabilidade das escolas, de um lado, permitiria que os alunos de 14, 15, até 17 anos, ingressantes no ensino médio tivessem que decidir o que gostariam de cursar tendo em vista sua perspectiva de vida.
Tal decisão na idade que deveria ser adotada, já seria um crime, já que nesse momento de vida, ninguém em sã consciência pode acreditar que os jovens têm como saber o que será melhor para eles. Afinal, nem mesmo sabem bem o que querem, depois, quando da escolha de que curso superior que irão fazer.
Mas, tal problema nasce resolvido, por que a decisão será da escola e, com poucas oportunidades para fugir do que será o bloco de escolhas de matérias mais comuns, os alunos ficarão a mercê daquilo que lhes for apresentado.
***
Sem me alongar muito mais, uma reforma que fosse trazer resultados deveria consultar, primeiro a professores, educadores, orientadores, psicopedagogos, pedagogos, etc, diretores e proprietários de escolas, e até chegar à consulta popular mais ampla, não devendo ser decidida da forma autoritária que foi, através do envio de uma medida provisória.
***
Outra questão relevante a se discutir, e refletir, tendo em vista as notas do ENEM é aquela que as peneiras tentam, tentam, mas não conseguem impedir de vazar a luz do sol, ou a cristalina água.
Trata-se da questão sempre clamada da meritocracia, em geral, cobrada por todos aqueles que não vieram de escolas públicas, não tiveram ensino de qualidade tão ruim, vieram dos níveis de classe social e de renda que permitiram a eles frequentar as escolas que obtiveram melhor nota nos exames realizados.
Ou seja, fica cabalmente demonstrado que todos os que cobram a implantação do regime de mérito o fazem apenas por interesses próprios, egoísticos, ou até corporativos, de grupos sociais de que fazem parte.
Não pode existir mérito, em quem não tem acesso a qualquer conteúdo de qualidade da transmissão do ensino, ou da apropriação do conhecimento.
E aqui mais uma vez, percebemos a necessidade de, em nosso país e nossa sociedade, os fatores de produção, o conhecimento assim considerado, ser mais acessível à ampla maioria da população. E não apenas dos eternos proprietários de terras, máquinas, indústrias, e saberes.
Sob pena de nunca conseguirmos evoluir para uma sociedade mais justa, capaz de contemplar e lidar com todas as suas desigualdades. Claro, desde que tais desigualdades não sejam tão gritantes, a ponto de criar verdadeiros párias, multidão de analfabetos funcionais e políticos, e pessoas sem qualquer dignidade e cidadania.
***
Outro ponto que merece destaque, é se verificar que a grande maioria dos colégios particulares, são escolas que, embora algumas voltadas para preparar alunos para o vestibular, para concursos e provas, e não para a vida, têm a preocupação de fazer essa preparação ao longo de todo o tempo de curso, e não apenas na base de cursos de recuperação ou intensivões, de fim de ano.
A maior parte das escolas bem qualificadas é de escolas que são consideradas sugarem exageradamente os seus alunos em todo o período de formação, abusando de exercícios, provas, deveres de casa, etc. Ou seja, são consideradas muitas vezes máquinas de criar doidos ou frustrados, o que lhes vale muitas críticas.
Algumas não deixam as crianças ou jovens aproveitarem seu tempo de juventude e infância, mas aprovam. Isso é o que conta quando os rankings tornam-se tão importantes.
O que me leva a perguntar porque as notas de cada aluno ou as médias de cada colégio não são mantidas sob informação apenas do próprio colégio, o principal interessado a saber em que matérias ou conteúdos seus alunos estejam mais ou menos preparados.
Por que a divulgação feita e a transformação das notas em ranking ou concurso apenas é mais um lance de espetacularização do que deveria ser tratado de forma menos espetaculosa. Por seu próprio bem.
***
Ninguém fez uma outra análise, que me chamou a atenção em relação, ao menos de escolas bem avaliadas em Belo Horizonte, minha cidade.
Trata-se de que, grande parte das melhores escolas avaliadas é confessional, ou seja, ligadas à secular tradição de prestação de serviços de ensino de colégios religiosos.
Dentre as escolas bem classificadas encontram-se o Colégio Santo Antônio, o Loyola, o Santo Agostinho, em várias de suas unidades, o Santa Dorotéia, o Santa Marcelina, etc.
Não vi em outros estados, mas sabemos que Santo Inácio e outros colégios religiosos são sempre considerados entre os melhores.
Não são os únicos e nem os melhores ou primeiros classificados - posição ocupada pelo Bernoulli em BH.
Mas seria interessante comparar esse tipo de ensino que, até pela sua origem, não deveria ser muito preocupado apenas em ensinar nossa juventude a fazer provas e concursos.
***
Alterando o rumo da prosa
Vá lá que o time estava sem 7 titulares recentes, já que Luan, Marcos Rocha não podem ser considerados como desfalques tão pouco jogaram durante o ano.
O que me leva a questionar o que anda acontecendo com um time que tem, conforme consta, um dos melhores, senão o melhor preparador físico do país, o médico da seleção brasileira, um departamento médico e equipamentos de fisioterapia de primeiro mundo, e que o jogador que acaba de ser liberado, já na primeira partida se contunde e volta para o estaleiro?
Algo estranho e curioso anda acontecendo no Galo, e a última vítima de tanto problema foi Maicosuel.
Mas, mesmo com tanto reserva em campo, o meio campo tinha Leandro Donizete que acho muito ruim para um time da qualidade técnica do Galo, mas que ontem jogou bem, com disposição, garra e fazendo sua função, de dar o combate direto antes da zaga.
Tínhamos Robinho, Fred e Clayton, todos que vêm jogando há vários jogos e nosso ataque simplesmente não existiu. No segundo tempo, então, nem parece que o time estava em campo. E falo do ataque, que todo mundo sabe e concorda que é o melhor que o time tem apresentado em todo o campeonato.
A rigor, apenas dois lances bisonhos de Hyuri, muito pouco para 90 minutos de jogo.
A defesa esteve bem, com a exceção de Fábio Santos que me convence, a cada jogo, que o Atlético fez mal em vender Douglas Santos, muito mais jovem e com futuro mais promissor.
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E não me venham dizer que o Atlético estava jogando com 10, porque isso só aconteceu a partir dos 30 e tantos minutos do segundo tempo, depois de o Galo já não ter feito nada até aquele momento.
Mas, mais uma vez, Marcelo trocou mal, pondo Patric, ao invés de já ter entrado de uma vez com Dátolo. E deixando de por Carlos Eduardo, para jogar, e não ter que reclamar depois que a bola não chegava até Fred.
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O Galo está cada vez mais distante, e se afastando mais do líder, o Palmeiras, e até deixando que o Flamengo se distancie. E as falhas são nossas, o que é uma pena.
Mais uma vez que nossa incompetência está impedindo que o sonho de voltar a repetir o feito de 1971 se torne realidade.
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Enquanto isso
No Supremo, ao invés de se cobrar mais agilidade na análise e resolução dos recuros, ou como o fez o miinistro Celso Mello, ao invés de se cobrar modificações na legislação que cuida do processo recursal, ou da mudança de leis que possam dar cobro ao número absurdo de práticas meramente delongatórias, os defensores da Constituiição patrocinaram a negação de um dos princípios ali inscritos.
Até entendo que agiram de acordo com a cobrança cada vez maior da sociedade para que se acabe com o que se chama paraíso da impunidade no país. Mas, devemos admitir que a maioria da sociedade ao cobrar a adoção de medidas mais eficazes do Supremo para punir os culpados, têm em vista apenas a questão dos políticos que recentemente dominou a atenção de todos.
E, com a adoção cada vez mais de um comportamento conservador, de cunho regressista, é lícito supor que não seria a sociedade, nessa hora, boa conselheira para que se interpretasse aquilo que a Constituição traz de forma cristalina, como o seu oposto. A negação da lei maior, isso por quem a jurou interpretar para fazer cumprir.
Esse o presente que o Supremo deu à Constituição cidadã, no dia de seu aniversário de 28 anos.
É isso.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
As eleições e seu resultado como eu os vi
Inegavelmente o PT sofreu uma derrota acachapante nas eleições municipais do último domingo. .
Mas não é do PT que gostaria de tratar nessa postagem, uma vez que não há como brigar com os números. Meu interesse maior é em refletir sobre algumas das análises que tenho visto serem feitas por cientistas políticos de todos os matizes, especialmente nas redes de televisão.
Porque tal como Dora Kramer, em programa sobre as eleições na Band, não acredito que as eleições municipais desse ano de 2016, tenham o poder de influenciar, diretamente, as eleições de 2018, como muitos pensam.
Posso e até devo estar enganado, mas fora a esmagadora vitória de Alckmim em São Paulo, o que o credencia a reivindicar a candidatura do PSDB à corrida presidencial, acredito que ainda é cedo para tirar maiores conclusões.
No caso de Alckmim, a exceção, é importante lembrar que ele já vinha tendo vitórias e acumulando pontos a seu favor desde 2014, quando assegurou a Aécio a vitória em São Paulo, contra Dilma Roussef.
Importante lembrar que o candidato não havia ganho nos dois estados em que ele era mais conhecido, o estado em que ele fora governador, Minas e no Rio.
Então, Alckmim forçosamente deve ser tratado de forma diferenciada.
***
Mas daí a todos os analistas considerarem que vivemos o fim do ciclo do PT, ou que o partido deverá conhecer uma situação de ostracismo, vai longa distância, além de dois anos completos, o que não é pouco.
A menos que algumas das opiniões que ouvi estejam expressando a opinião de que, derrotado inapelavelmente o Partido dos Trabalhadores, já apeado do poder, não há mais motivação para que a operação Lava Jato e o combate à corrupção em nosso país tenham continuidade.
Algo assim como, tirada a maçã podre, não há mais com que se preocupar no cesto, onde algumas frutas já haviam começado a apresentar sinais de contágio.
***
Bem, como devem reconhecer todos os que têm um mínimo de discernimento e que prezam pela aplicação da Justiça e do Direito, independente de quem esteja na berlinda, como investigado ou suspeito, se podemos tratar a Operação Lava Jato como uma das ações policiais mais exitosas e benéficas no nosso país, também não podemos deixar de observar, curiosos, que ela tem dedicado um tratamento desigual às suas investigações e às denúncias, aos materiais e provas coletados, em razão de ser ou não do partido que ocupava o governo.
***
Porque não há como negar que delações feitas envolvendo outros partidos e caciques, além daquelas que se referiam a Lula e seu partido, tiveram pouca, se alguma consequência concreta.
***
Mas, não é sobre a Lava Jato que gostaria de tratar, também. Embora como disse a jornalista Dora Kramer, já citada, ela ainda tem potencial para fazer muito estrago, caso seja mesmo levada adiante, criando uma situação completamente imprevisível para 2018. Inclusive, em relação a Alckmim, considerado por várias pessoas que o conhecem como um Santo, estranha coincidência com um dos apelidos da tão falada planilha da Odebrecht.
O que queria expressar e que tem sido pouco lembrado é que, já não é de agora, que a rejeição a Lula, em São Paulo é muito grande, mesmo ele tendo conseguido eleger um poste naquela cidade, na eleição anterior.
Apenas devemos considerar que era um poste que tinha um currículo acadêmico, que tinha feito um trabalho considerado de boa qualidade à frente do Ministério da Educação, e que era uma pessoa com um discurso bastante coerente.
***
Mas, até por ser berço do PSDB, e onde encontram-se os principais líderes tucanos, São Paulo sempre foi avessa aos petistas. Vide as eleições de Jânio, de Serra, de Pitta, de Gilberto Kassab, à prefeitura do município.
Pontos fora da curva, talvez possamos considerar as eleições de Erundina, Marta e Haddad.
E, nesse panorama, é importante considerar que, embora concorrendo à reeleição, a gestão do prefeito paulistano foi muito sujeita a críticas, seja por questões ligadas ao aumento do IPTU, seja por questões ligadas ao aumento do preço das passagens de ônibus - não nos esqueçamos que era ele o prefeito das manifestações de junho de 2013, iniciadas com o problema dos vinte centavos.
Da mesma forma, preocupado com a humanização da cidade, foi o prefeito que estabeleceu o limite de velocidade nas marginais, o que foi condenado por todos que compraram carrões potentes, agora para serem obrigados a transitarem com a mesma velocidade dos carros populares de muito tempo de uso, além de fechar a Paulista aos domingos, transformando-a em espaço de lazer.
Não foi apenas isso que a gestão do petista fez, e teve coisas boas, acertadas, mas algumas das que ocuparam a atenção da midia foram essas.
Ainda assim, com todas as críticas a sua gestão, com o fato de ser do Partido que estava sendo execrado, tendo Lula como padrinho, inclusive comparecendo a eventos de campanha, com as pesquisas apontando que ficaria em quarto ou quinto lugar, o resultado para Haddad não pode ser considerado uma derrota acachapante.
***
Tudo bem que o PSDB, pela primeira vez conquistou, ainda no primeiro turno a prefeitura. Mas, se Haddad tivesse ficado, como mostravam as pesquisas, atrás de Dória, de Marta, de Russomano, e caso quiséssemos somar os percentuais obtidos por tais candidatos, Haddad nãó teria tido uma derrota pior?
Ora, mesmo perdendo, ele ultrapassou a todos os outros candidatos, o que é mérito seu.
E, se o PT sempre teve um percentual de próximo de 30% na capital paulista, é importante lembrarmos que esse patamar deveria mesmo cair, tamanha a indignação que as coisas que vieram a público sobre a roubalheira em que o partido ou seus membros estavam metidos.
Mais uma vez devo frisar: apenas do PT.
***
Quanto às prefeituras do interior, sempre ouvi dizer que, fora as grandes cidades, em número limitado, as eleições são sempre divididas entre aqueles grupos que dominam a política local, que se revezam no comando do município.
Pelas características, que inclusive motivaram ainda na época da ditadura, a criação das sublegendas e dos votos para Arena 1, 2 e até Arena 3, etc. o que ouvia falar era que, as sublegendas justificavam-se por permitir que famílias com tradição, mas inimigas pudessem ficar em lados opostos, mesmo sendo de mesmo partido.
A questão era que o pensamento dominante podia ser um apenas, mas a briga familiar era que impunha as diferenças significativas.
Quero crer que não deve ter mudado muito a situação nos dias de hoje. E que muitas pessoas procuram os partidos menos por uma opção ideológica, mas por ser o lugar que lhes coube, para não terem de se submeter à liderança de famílias inimigas. Bem entendido, muitas vezes inimigas apenas na política.
***
Se se mantiver essa situação, como penso eu, não é difícil imaginar que as acusações de corrupção e roubalheira, estampadas pela Lava Jato, não teriam tanto peso assim, em conquista de prefeituras em cidades em que, ademais, os candidatos são todos conhecidos.
Embora há de se admitir que em milhares de pequenas cidades têm sido descobertas roubalheiras que fariam corar de vergonha muitos dos personagens envolvidos na operação Lava Jato, acredito que sejam ações de cunho mais municipal, no sentido de que acusações feitas em um caso mais nacional não teriam tanto como marcar o candidato do partido mais investigado.
Como disse, posso estar errado, mas acredito que a manutenção e até pequeno aumento de prefeituras do PMDB, revela bastante bem esse fato, mais que querer forçar a interpretação de que a população está apoiando temer, o usurpador, e seu partido.
***
Insisto, o resultado dessas eleições, ao menos nos núcleos urbanos menores não deveria ser levado tanto em conta para se projetar 2018.
Até lá, embora eu tenha pouca expectativa em relação a isso, Lula pode conseguir se safar, mesmo sendo o real proprietário. Nesse caso, caso não surgissem provas, apenas convicções, ele poderia utilizar o discurso de que, depois de tão investigado, ele teria tido uma certidão de bom comportamento da Polícia Federal e do MPF.
E os políticos de outras siglas poderiam ter seus nomes, finalmente, divulgados ou vazados, gerando uma sensação de revolta na população, cujas consequências são difíceis prever.
Apenas uma coisa deve ser sempre considerada: é nesse tipo de situações de descrédito generalizado em relação à classe política, que abre-se a oportunidade para que surjam os verdadeiros aproveitadores e as piores soluções. ´
É nesse cenário que se criam as soluções mais dramáticas e dolorosas.
***
Aqui outra observaçao: muito se fala da população desiludida, compareceu às urnas e anulou seu voto ou votou em branco.
O que revela uma profunda decepção com a política, os candidatos e partidos, com as insttiuições como a justiça eleitoral, e com o poder e até a dignidade do voto.
Afinal, há pouco tempo, 54,5 milhões de pessoas que votaram viram seu voto ser cassado pelo desejo de um bando de corruptos e 61 votos apenas.
No dia das eleições, vi postagens nas redes sociais, dizendo que era uma dureza ter de votar e depois ficar sabendo se o voto foi considerado apto para exercer seus efeitos pelos derrotados e chorões, pelos políticos de sempre, pelos tribunais eleitorais, etc.
***
Ok. Como entender que tanta gente foi às ruas, ainda há pouco, para promover mudanças e expressar o apoio ao combate à politicagem mais rasteira e ao roubo e corrupção, e agora tamanha apatia se revele?
Como explicar a animação dos jovens de ensino fundamental e médio que as próprias televisões registram fazendo exercícios de cidadania, reproduzindo no espaço da escola, as eleições, com candidaturas, discursos, apresentação de propostas e eleição em clima de alegria e civismo?
Será que tudo aquilo é apenas farsa? Que não forja cidadãos que queiram votar e poder interferir em seus destinos?
***
Acho que essas situações que descrevo mostram que, apesar de existir sim um certo desânimo em relação à questão do voto e a questão política, o cidadão manifestou-se contra o fato de que ainda há muito que ser investigado. Não duvido até que muitos querem que os outros delatados, suspeitos, acusados, de que partido forem sejam também identificados, presos, julgados, punidos.
Talvez o medo de votar hoje em alguém que amanhã descobrimos estar envolvido com o que não desejamos seja uma das explicações para o total de votos não válidos.
Prefiro achar assim do que pensar que o povo esteja dando um recado de que não deseja mais exercer o seu direito de opinar sobre as coisas que afetam sua vida diária.
***
Curiosamente, é essa a análise que os cientistas políticos que as redes de teve vão ouvir nos apresenta: o povo não quer mais ter a obrigação de votar.
O que nega toda a manifestação que as próprias televisões mostraram e tanto alardearam de povo na rua, de adolescentes nas escolas em campanhas.
Parece-me que interessa aos donos dos meios de comunicação e a outros grandes empresários como eles, que o povo não vá votar. Para não correr o risco de eleger-se um novo Lula, ou alguém com propostas menos favoráveis aos mercados e seus interesses de mudar tudo, para manter tudo na mesma.
***
Porque conscientes da importância do voto, apenas deixariam de votar aqueles que têm condições menos privilegiadas para entender a importância de seu gesto, ou as condições econômicas menos propícias para seu deslocamento até o posto de votação.
***
No meio de todas as análises vi muito pouca gente tocando em ponto que considero crucial. As novas regras eleitorais de propaganda, impediram a manifestação de vários candidatos, impedindo que tivessem tempo para sequer se apresentarem, quanto mais para expor suas ideias e pensamentos, e os problemas a que iriam se dedicar e as soluções que sugerem empregar.
Embora a eleição para a Câmara Municipal, voz do munícipe fosse talvez a que devese ser considerada mais importante, pela importância da função legislativa, pelo menos em tese, esses candidatos não tiveram tempo algum. Excetuados aqueles que, talvez pela situação gerada de quase silêncio obrigatório, optaram pela galhofa pura e simples. Protagonizando um show de horrores e bizarrices sem igual.
***
Há que se mudar as regras porque como está, dentro em pouco tempo, artistas, jogadores de futebol, ou gente ligada aos esportes de maior visibilidade, jornalistas e os políticos tradicionais de sempre serão os únicos em condições de pleitearem votos.
Com o perigo de, por serem os mais respeitados pela tradição, os políticos de sempre, ou seus afilhados, senão familiares, verem assegurado seu direito quase exclusivo de se elegerem.
***
Em meio a tanta novidade nas eleições, o crescimento do PSOL, ainda contribui para fazer surgir uma luz no fim do túnel.
A descoberta, aqui em BH, como nos Estados Unidos com Trump agora, que o candidato pode dizer o que quiser e prometer o que prometer, que não irá valer nada sua opinião, se não tiver apoio de políticos, especialmente daqueles que obtiveram, do povo, o direito de representá-lo nos órgãos responsáveis pela fiscalização dos atos do Executivo, como são as Câmaras de Vereadores.
Que como sempre no nosso país, o candidato que sai batendo no outro transforma suas acusações em bumerangue, já que tornam seu advesrário um coitadinho.
***
Por fim, temer não ganhou nada, apesar dos comentaristas seus amigos dizerem o contrário. Afinal, os verdadeiros embates vêm agora, com as medidas que visam aliviar o lado dos donos do capital e os grandes empresários, com evidentes ônus para a classe trabalhadora.
***
Finalmente, amanhã comento a ideia nada nova, da Conmebol, copiando a CBF do Almirante Heleno Nunes, para quem se o partido da ditadura ia mal, um clube no campeonato Nacional.
Heleno Nunes foi o responsável pelo inchaço do campeonato brasileiro cujas consequências, embora possam ser consideradas remotas, ajudam a explicar a queda de qualidade técnica de nossos times e nosso futebol.
Talvez até os 7 a 1, de tão trágica memória.
É isso.
Mas não é do PT que gostaria de tratar nessa postagem, uma vez que não há como brigar com os números. Meu interesse maior é em refletir sobre algumas das análises que tenho visto serem feitas por cientistas políticos de todos os matizes, especialmente nas redes de televisão.
Porque tal como Dora Kramer, em programa sobre as eleições na Band, não acredito que as eleições municipais desse ano de 2016, tenham o poder de influenciar, diretamente, as eleições de 2018, como muitos pensam.
Posso e até devo estar enganado, mas fora a esmagadora vitória de Alckmim em São Paulo, o que o credencia a reivindicar a candidatura do PSDB à corrida presidencial, acredito que ainda é cedo para tirar maiores conclusões.
No caso de Alckmim, a exceção, é importante lembrar que ele já vinha tendo vitórias e acumulando pontos a seu favor desde 2014, quando assegurou a Aécio a vitória em São Paulo, contra Dilma Roussef.
Importante lembrar que o candidato não havia ganho nos dois estados em que ele era mais conhecido, o estado em que ele fora governador, Minas e no Rio.
Então, Alckmim forçosamente deve ser tratado de forma diferenciada.
***
Mas daí a todos os analistas considerarem que vivemos o fim do ciclo do PT, ou que o partido deverá conhecer uma situação de ostracismo, vai longa distância, além de dois anos completos, o que não é pouco.
A menos que algumas das opiniões que ouvi estejam expressando a opinião de que, derrotado inapelavelmente o Partido dos Trabalhadores, já apeado do poder, não há mais motivação para que a operação Lava Jato e o combate à corrupção em nosso país tenham continuidade.
Algo assim como, tirada a maçã podre, não há mais com que se preocupar no cesto, onde algumas frutas já haviam começado a apresentar sinais de contágio.
***
Bem, como devem reconhecer todos os que têm um mínimo de discernimento e que prezam pela aplicação da Justiça e do Direito, independente de quem esteja na berlinda, como investigado ou suspeito, se podemos tratar a Operação Lava Jato como uma das ações policiais mais exitosas e benéficas no nosso país, também não podemos deixar de observar, curiosos, que ela tem dedicado um tratamento desigual às suas investigações e às denúncias, aos materiais e provas coletados, em razão de ser ou não do partido que ocupava o governo.
***
Porque não há como negar que delações feitas envolvendo outros partidos e caciques, além daquelas que se referiam a Lula e seu partido, tiveram pouca, se alguma consequência concreta.
***
Mas, não é sobre a Lava Jato que gostaria de tratar, também. Embora como disse a jornalista Dora Kramer, já citada, ela ainda tem potencial para fazer muito estrago, caso seja mesmo levada adiante, criando uma situação completamente imprevisível para 2018. Inclusive, em relação a Alckmim, considerado por várias pessoas que o conhecem como um Santo, estranha coincidência com um dos apelidos da tão falada planilha da Odebrecht.
O que queria expressar e que tem sido pouco lembrado é que, já não é de agora, que a rejeição a Lula, em São Paulo é muito grande, mesmo ele tendo conseguido eleger um poste naquela cidade, na eleição anterior.
Apenas devemos considerar que era um poste que tinha um currículo acadêmico, que tinha feito um trabalho considerado de boa qualidade à frente do Ministério da Educação, e que era uma pessoa com um discurso bastante coerente.
***
Mas, até por ser berço do PSDB, e onde encontram-se os principais líderes tucanos, São Paulo sempre foi avessa aos petistas. Vide as eleições de Jânio, de Serra, de Pitta, de Gilberto Kassab, à prefeitura do município.
Pontos fora da curva, talvez possamos considerar as eleições de Erundina, Marta e Haddad.
E, nesse panorama, é importante considerar que, embora concorrendo à reeleição, a gestão do prefeito paulistano foi muito sujeita a críticas, seja por questões ligadas ao aumento do IPTU, seja por questões ligadas ao aumento do preço das passagens de ônibus - não nos esqueçamos que era ele o prefeito das manifestações de junho de 2013, iniciadas com o problema dos vinte centavos.
Da mesma forma, preocupado com a humanização da cidade, foi o prefeito que estabeleceu o limite de velocidade nas marginais, o que foi condenado por todos que compraram carrões potentes, agora para serem obrigados a transitarem com a mesma velocidade dos carros populares de muito tempo de uso, além de fechar a Paulista aos domingos, transformando-a em espaço de lazer.
Não foi apenas isso que a gestão do petista fez, e teve coisas boas, acertadas, mas algumas das que ocuparam a atenção da midia foram essas.
Ainda assim, com todas as críticas a sua gestão, com o fato de ser do Partido que estava sendo execrado, tendo Lula como padrinho, inclusive comparecendo a eventos de campanha, com as pesquisas apontando que ficaria em quarto ou quinto lugar, o resultado para Haddad não pode ser considerado uma derrota acachapante.
***
Tudo bem que o PSDB, pela primeira vez conquistou, ainda no primeiro turno a prefeitura. Mas, se Haddad tivesse ficado, como mostravam as pesquisas, atrás de Dória, de Marta, de Russomano, e caso quiséssemos somar os percentuais obtidos por tais candidatos, Haddad nãó teria tido uma derrota pior?
Ora, mesmo perdendo, ele ultrapassou a todos os outros candidatos, o que é mérito seu.
E, se o PT sempre teve um percentual de próximo de 30% na capital paulista, é importante lembrarmos que esse patamar deveria mesmo cair, tamanha a indignação que as coisas que vieram a público sobre a roubalheira em que o partido ou seus membros estavam metidos.
Mais uma vez devo frisar: apenas do PT.
***
Quanto às prefeituras do interior, sempre ouvi dizer que, fora as grandes cidades, em número limitado, as eleições são sempre divididas entre aqueles grupos que dominam a política local, que se revezam no comando do município.
Pelas características, que inclusive motivaram ainda na época da ditadura, a criação das sublegendas e dos votos para Arena 1, 2 e até Arena 3, etc. o que ouvia falar era que, as sublegendas justificavam-se por permitir que famílias com tradição, mas inimigas pudessem ficar em lados opostos, mesmo sendo de mesmo partido.
A questão era que o pensamento dominante podia ser um apenas, mas a briga familiar era que impunha as diferenças significativas.
Quero crer que não deve ter mudado muito a situação nos dias de hoje. E que muitas pessoas procuram os partidos menos por uma opção ideológica, mas por ser o lugar que lhes coube, para não terem de se submeter à liderança de famílias inimigas. Bem entendido, muitas vezes inimigas apenas na política.
***
Se se mantiver essa situação, como penso eu, não é difícil imaginar que as acusações de corrupção e roubalheira, estampadas pela Lava Jato, não teriam tanto peso assim, em conquista de prefeituras em cidades em que, ademais, os candidatos são todos conhecidos.
Embora há de se admitir que em milhares de pequenas cidades têm sido descobertas roubalheiras que fariam corar de vergonha muitos dos personagens envolvidos na operação Lava Jato, acredito que sejam ações de cunho mais municipal, no sentido de que acusações feitas em um caso mais nacional não teriam tanto como marcar o candidato do partido mais investigado.
Como disse, posso estar errado, mas acredito que a manutenção e até pequeno aumento de prefeituras do PMDB, revela bastante bem esse fato, mais que querer forçar a interpretação de que a população está apoiando temer, o usurpador, e seu partido.
***
Insisto, o resultado dessas eleições, ao menos nos núcleos urbanos menores não deveria ser levado tanto em conta para se projetar 2018.
Até lá, embora eu tenha pouca expectativa em relação a isso, Lula pode conseguir se safar, mesmo sendo o real proprietário. Nesse caso, caso não surgissem provas, apenas convicções, ele poderia utilizar o discurso de que, depois de tão investigado, ele teria tido uma certidão de bom comportamento da Polícia Federal e do MPF.
E os políticos de outras siglas poderiam ter seus nomes, finalmente, divulgados ou vazados, gerando uma sensação de revolta na população, cujas consequências são difíceis prever.
Apenas uma coisa deve ser sempre considerada: é nesse tipo de situações de descrédito generalizado em relação à classe política, que abre-se a oportunidade para que surjam os verdadeiros aproveitadores e as piores soluções. ´
É nesse cenário que se criam as soluções mais dramáticas e dolorosas.
***
Aqui outra observaçao: muito se fala da população desiludida, compareceu às urnas e anulou seu voto ou votou em branco.
O que revela uma profunda decepção com a política, os candidatos e partidos, com as insttiuições como a justiça eleitoral, e com o poder e até a dignidade do voto.
Afinal, há pouco tempo, 54,5 milhões de pessoas que votaram viram seu voto ser cassado pelo desejo de um bando de corruptos e 61 votos apenas.
No dia das eleições, vi postagens nas redes sociais, dizendo que era uma dureza ter de votar e depois ficar sabendo se o voto foi considerado apto para exercer seus efeitos pelos derrotados e chorões, pelos políticos de sempre, pelos tribunais eleitorais, etc.
***
Ok. Como entender que tanta gente foi às ruas, ainda há pouco, para promover mudanças e expressar o apoio ao combate à politicagem mais rasteira e ao roubo e corrupção, e agora tamanha apatia se revele?
Como explicar a animação dos jovens de ensino fundamental e médio que as próprias televisões registram fazendo exercícios de cidadania, reproduzindo no espaço da escola, as eleições, com candidaturas, discursos, apresentação de propostas e eleição em clima de alegria e civismo?
Será que tudo aquilo é apenas farsa? Que não forja cidadãos que queiram votar e poder interferir em seus destinos?
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Acho que essas situações que descrevo mostram que, apesar de existir sim um certo desânimo em relação à questão do voto e a questão política, o cidadão manifestou-se contra o fato de que ainda há muito que ser investigado. Não duvido até que muitos querem que os outros delatados, suspeitos, acusados, de que partido forem sejam também identificados, presos, julgados, punidos.
Talvez o medo de votar hoje em alguém que amanhã descobrimos estar envolvido com o que não desejamos seja uma das explicações para o total de votos não válidos.
Prefiro achar assim do que pensar que o povo esteja dando um recado de que não deseja mais exercer o seu direito de opinar sobre as coisas que afetam sua vida diária.
***
Curiosamente, é essa a análise que os cientistas políticos que as redes de teve vão ouvir nos apresenta: o povo não quer mais ter a obrigação de votar.
O que nega toda a manifestação que as próprias televisões mostraram e tanto alardearam de povo na rua, de adolescentes nas escolas em campanhas.
Parece-me que interessa aos donos dos meios de comunicação e a outros grandes empresários como eles, que o povo não vá votar. Para não correr o risco de eleger-se um novo Lula, ou alguém com propostas menos favoráveis aos mercados e seus interesses de mudar tudo, para manter tudo na mesma.
***
Porque conscientes da importância do voto, apenas deixariam de votar aqueles que têm condições menos privilegiadas para entender a importância de seu gesto, ou as condições econômicas menos propícias para seu deslocamento até o posto de votação.
***
No meio de todas as análises vi muito pouca gente tocando em ponto que considero crucial. As novas regras eleitorais de propaganda, impediram a manifestação de vários candidatos, impedindo que tivessem tempo para sequer se apresentarem, quanto mais para expor suas ideias e pensamentos, e os problemas a que iriam se dedicar e as soluções que sugerem empregar.
Embora a eleição para a Câmara Municipal, voz do munícipe fosse talvez a que devese ser considerada mais importante, pela importância da função legislativa, pelo menos em tese, esses candidatos não tiveram tempo algum. Excetuados aqueles que, talvez pela situação gerada de quase silêncio obrigatório, optaram pela galhofa pura e simples. Protagonizando um show de horrores e bizarrices sem igual.
***
Há que se mudar as regras porque como está, dentro em pouco tempo, artistas, jogadores de futebol, ou gente ligada aos esportes de maior visibilidade, jornalistas e os políticos tradicionais de sempre serão os únicos em condições de pleitearem votos.
Com o perigo de, por serem os mais respeitados pela tradição, os políticos de sempre, ou seus afilhados, senão familiares, verem assegurado seu direito quase exclusivo de se elegerem.
***
Em meio a tanta novidade nas eleições, o crescimento do PSOL, ainda contribui para fazer surgir uma luz no fim do túnel.
A descoberta, aqui em BH, como nos Estados Unidos com Trump agora, que o candidato pode dizer o que quiser e prometer o que prometer, que não irá valer nada sua opinião, se não tiver apoio de políticos, especialmente daqueles que obtiveram, do povo, o direito de representá-lo nos órgãos responsáveis pela fiscalização dos atos do Executivo, como são as Câmaras de Vereadores.
Que como sempre no nosso país, o candidato que sai batendo no outro transforma suas acusações em bumerangue, já que tornam seu advesrário um coitadinho.
***
Por fim, temer não ganhou nada, apesar dos comentaristas seus amigos dizerem o contrário. Afinal, os verdadeiros embates vêm agora, com as medidas que visam aliviar o lado dos donos do capital e os grandes empresários, com evidentes ônus para a classe trabalhadora.
***
Finalmente, amanhã comento a ideia nada nova, da Conmebol, copiando a CBF do Almirante Heleno Nunes, para quem se o partido da ditadura ia mal, um clube no campeonato Nacional.
Heleno Nunes foi o responsável pelo inchaço do campeonato brasileiro cujas consequências, embora possam ser consideradas remotas, ajudam a explicar a queda de qualidade técnica de nossos times e nosso futebol.
Talvez até os 7 a 1, de tão trágica memória.
É isso.
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