sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Revendo os pitacos nesse dia em que comemoramos 6 anos de postagens

Justo nesse dia 7 de outubro, data em que comemoramos 6 anos de existência do tambemquerodarpitaco, só consegui me aproximar do computador depois das 16 horas, tarde demais para postar qualquer mensagem que pudesse atrair a atenção dos colegas e amigos que, na falta de coisa melhor para fazer, resolvem dar uma passada por esse site ocasionalmente.
Amigos leitores e com um predicado ainda mais importante, com uma enorme paciência para ler meus pitacos.
Amigos que me criticam, pedem que eu dê uma maneirada, que cumprimentam, que elogiam, que me apoiam ou ainda, os me gozam em razão de minha paixão no futebol. Leitores assíduos como o Pieroni, sempre citado nesse espaço, o Helton, ooooooo .... e eu mesmo, para citar apenas alguns.
Mas, como se tivesse vida própria o computador resolveu entrar em uma rotina de atualização do Windows, e, como isso, só tivemos acesso a partir das 17 horas e 15 mnutos.
Mas, como é dia de comemoração, vamos postar ainda assim, uma espécie de prestação de contas. Ou de balanço dos pitacos ao longo desse tempo.
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Em todo esse tempo de blog, tratamos de questões econômicas e vimos a economia crescer a taxas semelhantes às taxas médias do nosso crescimento do início do século vinte até os anos 1950, em torno de 7,5%.
Vimos e saudamos a incorporação de mais de 45 milhões de pessoas ao mercado de consumo, e vimos e criticamos a, assim chamada, distribuição de renda como estava sendo feita pelo governo Lula, como nunca na história desse país, houvera sido feita.
Distribuição de renda que não mudou e até agravou a participação relativa na renda nacional dos que recebiam salários e dos que recebiam as rendas da propriedade, especialmente, lucros, e pior, lucros, que ampliaram sua participação na divisão do bolo.
Não por acaso, Frei Beto, petista de primeira hora e assessor especial de Lula quando da chegada ao Planalto do ex-metalúrgico, não concordando com a política posta em prática por Lula, Palocci e Henrique Meirelles afastou-se do cargo e do partido que, ao que parece, em sua opinião estava cometendo um auto-engano.
Afinal, que distribuição de renda era aquela que redistribuía apenas salários, reduzindo os dos segmentos de maior remuneração em prol de uma elevação - importante, mas não suficiente para apresentar-se como  um programa de distribuição de renda e redução da desigualdade -, dos salários menores, em particular o mínimo.
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Ainda ontem, a excelente coluna de Clóvis Rossi  na Folha de São Paulo abordava a questão levantada por Frei Beto, e corroborada por estudo de economistas ligados ao IPEA que critica a tão falada distribuição de renda. A título de exemplo, apenas um dado mencionado já deveria ser suficiente para que se colocasse em dúvida o tal êxito da política, a saber, o fato de o governo pagar em juros da dívida pública um valor superior em mais de 5 vezes o programa Bolsa Família, destinado a retirar milhões de famílias da miséria.
Sim, o programa Bolsa Família foi um êxito. Mas a Bolsa Banqueiro, ou Bolsa Rentista, cavalgando taxas de juros desnecessariamente elevadas, conseguiu ser muito mais exitosa.
Razão porque Frei Beto, em minha avaliação corretamente, como também o afirma Clóvis Rossi, concluiu, com base em todos os eventos políticos que se sucederam nos últimos meses, incluindo aí o resultado das as últimas eleições muniicpais que engana-se que acredita que a direita reecuperou ou conseguiu chegar novamente oa poder. Simplesmente por que al direita nunca saiu do poder.
O que, lamentavelmente, devemos reconhecer ser verdade.
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De Lula e suas políticas de combate à marolinha, saltamos para o governo Dilma e sua gestão destinada a dar aos empresários todos os estímulos possíveis para que eles continuassem implementando seus programas de investimento, de forma a manter o elevado índice de emprego.
Criticamos aqui, em várias ocasiões, o fato de se criar tanta desoneração, tanto incentivo, tanto subsídio, sem a exigência de qualquer contrapartida, de qualquer garantia de que os recursos seriam destinados a assegurar o que o governo pretendia obter.
Como todos sabemos hoje, a preocupação em manter um superávit primário do início de seu governo, e a elevação de desonerações levaram à queda dos investimentos públicos, o que foi acompanhado por uma queda dos investimentos privados que não saíram das gavetas.
De quebra e somando com o problema gestado internamente, a crise internacional voltou a mostrar suas garras, com a recessão alcançando importantes países nossos parceiros, que reduziram as compras de nossos produtos e ajudaram a reduzir os preços das commodities em que Lula surgou por longo período durante seu mandato.
Sem perceber a conjugação de forças que estavam se formando, a presidenta apenas ampliava as concessões aos empresários que mantinham-se refratários a qualquer programa de inversões. O resultado sabe-se, foi a paulatina desaceleração da taxa de crescimento do PIB, em todo o primeiro mandato de Dilma, e a inversão dos sinais da política fiscal, com as contas públicas passando a se tornarem deficitárias.
Tal situação de geração de déficits não apenas gerou o esdrúxulo resultado da contabilidade criativa, como alimentou um processo de queda em espiral. Sem recursos, o governo era obrigado a cortar gastos, especialmente de investimentos - tendo chegado a patrocinar o maior contingenciamento de recursos orçamentários jamais visto antes, na história de nosso país - o que acarretou queda ainda maior da demanda de investimentos e da demanda agregada, com os impactos naturais sobre a arrecadação e sobre os déficits.
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Ao redigir essas linhas, me ocorreu uma questão interessante, que vale a pena comentar.
Poste ou não de Lula, é forçoso reconhecer que Dilma foi eleita carregando consigo a fama de ser uma excelente gestora. A mãe do PAC. A durona ministra chefe da Casa Civil.
Muito era dito a respeito de sua capacidade enquanto presidente do Conselho da Petrobras, logo depois tão criticada, principalmente em relação à aquisição de Pasadena.
Não vou discutir aqui se a considero ou não boa gestora. Apenas quero firmar o ponto de que essa era a imagem que dela era vendida.
E que a população que a elegeu comprou.
E isso me deixa pensando em o que poderá advir de um governo, também em moldes empresariais de João Dória, o dublê de poste e empresário, eleito pelo PSDB em São Paulo.
Ou pior, no que poderia ser uma gestão do empresário falido, Alexandre Kalil, em Belo Horizonte.
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Mas, nem só de economia se ocupou o blog.
Falamos, e muito de política. Em todos esses seis anos, se há algo a orgulhar é o fato de nunca termos ficado em cima do muro. Sempre emitimos nossa opinião, e solicitamos várias vezes que as críticas fossem feitas a nossas ideias. Sempre nos posicionamos. Certos ou errados. Mas, sempre expondo nossos argumentos e razões. Sempre na melhor das intenções, a de colaborarmos de alguma forma, mínima que fosse para construirmos uma sociedade mais justa, fraterna, de respeito e liberdade. Sociedade democrática na acepção mais ampla do termo democracia.
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Razão que nos levou, por exemplo, a criticar a vergonhosa decisão, em minha opinião, cometida pelo Supremo de se rasgar a Constituição, e aceitar-se, por pressão da sociedade, que várias ações pudessem ser levadas a cabo, doravante, sob a égide de alguma excepcionalidade.
Nesse exemplo, inclui-se, por óbvio, a decisão de que a prisão possa se dar, sem que a sentença já tenha transitado em julgado, como está expresso, sem dar margem a sombra de dúvidas na nossa Constituição cidadã de 1988.
Constituição que foi aqui comentada, por não ter vários de seus dispositivos regulados já passados 28 anos de sua promulgação.
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Comentamos de futebol, da violência urbana, da criminalidade. Deixamos clara nossa posição, quando necessário de que não há como tratar a questão de penalização de crimes como se fossem apenas a chance de conquistarmos uma vingança. Falamos de vários assuntos.
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No início, até expus aqui meus poemas, obrigando meus amigos leitores,  a torcerem para que minha inspiração se esgotasse, como de fato aconteceu.
Não que a inspiração, o sonho, a fantasia se esgotaram. O país ficou tão farsesco, tão kafkiano, que comentar a realidade já seria suficiente para não necessitarmos de criar abstrações.
Mesmo que poéticas, já que a pretensão também impulsionou minha vontade de publicar meus poemas.
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Falamos de futebol, do Galo campeão de Libertadores e da Copa do Brasil, e das nossas esperanças, sempre frustradas, de conquistarmos novamente o título do campeonato brasileiro.
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São seis anos de blog, e confesso que tenho me divertido, aprendindo a pensar e a respeitar cada vez mais as opiniões discordantes das minhas. Tem sido rico.
E vamos continuar com nossos pitacos. E esperamos que possamos continuar também com a inestimável presença dos amigos. Lendo, compartilhando e comentando. Criticando e sugerindo.
É isso.
Obrigado.

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