quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Presidente calado, semana sem sobressaltos. Exceto pelos filhos e pela epopeia da CPMF, o retorno

A internação e a posterior cirurgia de Bolsonaro trouxeram, novamente, uma semana de tranquilidade no cenário político nacional, como há algum tempo não se via.
Sossego benéfico, necessário, quebrado apenas pela necessidade que a família do presidente tem de se manter nas mídias, custe o que custar.
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Não por outro motivo, exceto o de aparecer e se manter em evidência, a tropa de choque ou o BOPE - Batalhão de Operações Estapafúrdias, particular de Bolsonaro, composto por seus 01, 02 e 03, age sempre de forma a causar, para usar um modismo.
A propósito desse batalhão formado pelos filhos do presidente, não posso me furtar a fazer um comentário.
Afinal, quando tanto se critica a transformação de seres humanos em apenas números e estatísticas; quando há um movimento que busca a individualização, a personalização, o respeito à identidade das pessoas e o respeito a sua individualidade é, no mínimo sintomático que o Messias que comanda nosso país aja, justamente, na contramão de tal tendência.
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Sintomático, não estranho.
Não deve causar estranheza que uma medida de reconhecimento de valores pessoais dos indivíduos e de respeito à dignidade da pessoa humana, sua origem, sua história, sua trajetória de vida seja ignorada pelo presidente democraticamente eleito em nosso país.
Como é de conhecimento de todos, e a ninguém é pode ser permitido alegar desconhecimento, o presidente, ao longo de toda sua trajetória política em toda oportunidade que teve, demonstrou desprezo por valores que celebrem o respeito à dignidade humana.
Agora, eleito presidente e sob a influência do pretenso filósofo e seu guru Olavo de Carvalho, não seria razoável esperar mudança de seu comportamento.
Ainda mais se tratamento distinto pudesse ser vinculado a esse marxismo cultural que insiste em invadir, não a realidade, mas os piores pesadelos de Jair.
***cVai daí que, mesmo no recesso de seu lar, vê-lo tratando seus filhos como meros números, como em uma fila indiana, apenas mostra que, como dizia minha vó, "é de pequeno que se torce o pepino/'. Ou ainda outra: " pau que nasce torto..."
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Assim, dada a impossibilidade de o presidente se manifestar e ocupar o lugar privilegiado do palco dessa comédia pastelão a que vimos assistindo; dada a impossibilidade momentânea de prosseguir nos expondo ao ridículo com suas falas escatológicas, piadas sem qualquer graça, seu total descompromisso com a realidade e com interesses dignos de chamarem a atenção de quem ocupa o cargo que está ocupando, temos é fotos de Eduardo no hospital, acintosamente mostrando a arma que carrega em sua cintura.
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Aqui não quero discutir se Eduardo pode ou não andar armado, se tem ou não porte, ou se faz ou não propaganda para indústrias de armas.
Também não interessa discutir se poderia ou deveria estar em um apartamento de hospital armado. Como já foi tratado, compete ao Gabinete de Segurança Institucional avaliar o nível de risco tal situação pode trazer ao presidente, se algum.
Parece-me que, no caso do 03, pela relação peculiar filial que ele mantém com o presidente, o porte é tolerado.
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Mas que me instiga a curiosidade saber o que poderia temer Eduardo, ao entrar naquele quarto, capaz de justificar estar armando, isso não posso negar.
E de fato, até por ser filho, Eduardo sabe no quarto de quem estava entrando.
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Problema maior, em minha opinião é que esse é o filho a quem Jair reservou o filé. É Eduardo que terá seu nome indicado para ocupar a embaixada do Brasil nos Estados Unidos.
É esse o indivíduo que terá a incumbência de nos representar diplomaticamente, ainda que ele já tenha declarado abertamente sua preferência entre o uso de argumentos e ideias e as armas.
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Fico imaginando o que poderia acontecer com Eduardo, mesmo que longe das chapas de hamburguer, confortavelmente instalado nas poltronas dos jardins da Casa Branca de Trump, portando uma arma. Será que a segurança do presidente americano consideraria o revólver parte da indumentária convencional do nosso embaixador???
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Fora Eduardo,  Carlos, o filho vereador também decidiu praticar o esporte que mais atrai sua atenção e interesse: provocar problemas e atacar as instituições, as leis em vigor no país e o regime democrático em que vivemos.
Tenha apenas dado uma satisfação a seus apoiadores, que lhes cobram maior efetividade e maior velocidade na realização das mudanças políticas prometidas pelo pai, ou tenha mesmo aproveitado a oportunidade para lançar um balão de ensaio, a fim  de aferir o apoio para a tentativa de dar um golpe, o fato é que as postagens e comentários de Carluxo são e devem ser encaradas como são: um lixo. Um verdadeiro despautério, como diria uma amiga.
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Sim, é verdade que as democracias implicam no respeito às opiniões divergentes. É fato que para que possam ser tomadas e adotadas, as decisões devem ser acordadas entre os grupos de interesses sentados à mesa de negociação, depois de todos terem tido o espaço justo para se manifestarem.
É verdade que tal processo de escuta das distintas opiniões demanda tempo e que as decisões são mais lentas.
Assim, não se discute que em democracias todas as mudanças se dão em um ritmo diferente, menos intenso do que aquele que talvez fosse necessário ser adotado.
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Mas essa a beleza da democracia que levou Churchill a acreditar se tratar da melhor forma de governo, apesar de ser um regime muito ruim.
Tão ruim que na opinião do primeiro ministro, bastaria conversar cinco minutos com o eleitor mediano para ficar contra ela.
Ou modernizando o argumento, o melhor argumento contra a democracia é uma conversa de cinco minutos com algum bolsonarista.
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Bem, o diplomata da família correu em defesa do irmão e da frase matreira e idiota que ele postou. E comparou a fala do irmão à de Churchill.
Como se fosse possível comparar um golpista despreparado com um estadista da envergadura de Churchill. E sua visão de que a alternativa ao regime democrático seria o autoritarismo.
Pior ainda se tal autoritarismo se travestisse, não necessariamente da forma de um golpe, mas de uma democracia da maioria, incapaz de respeitar as opiniões das minorias.
Mais uma vez, outra invenção do marxismo cultural.
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A Volta da CPMF e a queda de Cintra

Mudando de assunto, também a Economia e questões afetas a essa área de conhecimento humano foram objeto de destaque na semana.
Aqui a novidade fica por conta do incansável Marcos Cintra, ex-professor,  ex-assessor de Maluf, ex-deputado e agora, felizmente, ex-Superintendente da Receita Federal.
Acompanho, como ex-aluno, a trajetória de Cintra já de longa data.
E tenho de admitir que me admira sua tenacidade na implantação de seu sonho de toda vida: a implantação de um imposto único.
Imposto que iria substituir todos os demais, cobrado sobre uma base mais ampla, as transações financeiras.
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Imposto que carrega inúmeras desvantagens para um tributo: é cumulativo; não é equãnime; não consegue respeitar o princípio da capacidade contributiva, já que todos os extratos sociais pagam o mesmo, independente de sua faixa de rendimentos.
Pior, em minha avaliação, tal imposto ainda impede qualquer utilização do instrumento consagrado na teoria macroeconômica, de Política Fiscal, pelo lado tributário, para administração da demanda agregada e dos problemas da economia.
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Suas vantagens, como a simplificação da arrecadação, são muito limitadas, frente a tudo aquilo que o administrador público tem de abrir mão para sua implantação.
Exceto para Marcos Cintra Cavalcante Albuquerque, para quem a passagem por Chicago foi tão marcante que todo seu pensamento se volta tão somente para afastar o Estado e a administração pública de qualquer ingerência ou intromissão no funcionamento divinatório do mercado.
Ou pior: para quem não tem qualquer outro interesse em governar para os ricos, para as raposas, já que como o gol para Parreira, o povo é apenas um mero detalhe.
A ser suprimido, preferencialmente.
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Em minha opinião, positivo mesmo na CPMF seria, desde que com algumas compensações como descontos e abatimentos no imposto de renda a pagar pelos indivíduos, a possibilidade de se identificar e rastrear todo e qualquer contribuinte, toda e qualquer movimentação financeira, mitigando a possibilidade de operações ilegais como caixa dois ou sonegação, etc.
O que ainda é pouco, já que pode-se esperar que, se não seria possível deixar de fora da tributação atividades como as igrejas, entidades assistencialistas, certamente dariam logo um jeito de dar a tais atividades, ou ao menos às de interesse algum tipo especial de compensação.
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Inegavelmente a arrecadação para compensar a perda de outros impostos, deveria se dar a alíquotas elevadas, o que mais uma vez oneraria sobremaneira os mais pobres. O que poderia paralisar o processo de inclusão financeira que o país vem tentando implementar, e rapidamente levar a uma completa desintermediação financeira, na contramão de todo o mundo.
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Mas, não nos iludamos: Cintra foi defenestrado por que falou demais, na hora errada, sem dar tempo para que o idiota que acreditou e votou em Bolsonaro pudesse Ja Ir se acostumando.
Porque foi o próprio Guedes que falou também do retorno da CPMF, em apoio à tese de seu subordinado.
E, ainda na semana passada, o próprio Bolsonaro admitia a possibilidade do retorno desse tributo, desde que acompanhado de compensações....
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Que compensações e para quem é que deveria estar nos intrigando. Porque o Superintendente caiu, mas a ideia continua de pé.
Talvez mais forte que antes...



quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Tortura nunca mais? Tortura no discurso, no elogio, no supermercado, no retorno da escravidão e até a tortura de Moro (essa merecida!)

Embora pesquisa do instituto Datafolha indique a manutenção da aprovação e do apoio da população ao ministro da Justiça Sérgio Moro, agora é a cúpula da Polícia Federal que já considera um pedido de demissão do ministro como uma saída honrosa para o herói de Curitiba.
E já começam a se manifestar sobre o assunto, engrossando o coro que passa a ser integrado, também pelo ex-presidente Fernando Henrique.
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Como já havia afirmado em nossa última postagem, não morro de amores por Moro e, pelo contrário, acredito que ele esteja apenas colhendo o que plantou.
Mas, em minha avaliação, não há dúvida que vem sendo alvo de mais que uma fritura, uma verdadeira humilhação por parte dessa verdadeira excrecência a quem a população brasileira decidiu entregar o destino da nação, no limite, até 2022.
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No entanto, o misto de juiz-soberano e divindade de Curitiba, parece não se incomodar ou faz de tonto, para prosseguir em sua "missão" que, a essa altura, já não consegue nem mesmo ser enunciada. Afinal, a alegação do juiz usada para justificar a troca da confortável posição de magistrado pela aceitação do convite para o ministério era, originariamente, a de ter mais poder para elaborar, fazer aprovar e implementar um plano ou pacote de medidas anti-crimes, favorecendo, especialmente a ampliação da segurança pública e o combate ao crime organizado e à corrupção.
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Nunca ficou claramente manifesta a vocação política ou a ambição por obtenção de cargos eletivos nas ações do juiz, agora cada vez mais evidentes. E que, por esse motivo mesmo, o reduzem a alvo preferencial do presidente a que se dispôs a servir de forma tão rastejante.
Mas, a verdade é que, mesmo não afetando sua avaliação pela população, as mensagens vazadas pela Vaza Jato desnudam aquilo que todos já desconfiavam e alguns poucos já davam como certo: responsável pela operação Lava Jato, o juiz agia todo o tempo de forma político-partidária, influenciando investigações, silenciando-se sobre investigações sobre aliados, tendo como principal objetivo menos o de passar o país a limpo, mas o de eliminar da política nacional um partido específico, ou todo um espectro de ideias do jogo democrático.
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Assim, independentemente de, em sã consciência, não acreditar que possa haver qualquer cidadão consciente politicamente, honesto e íntegro que seja contra a Lava Jato, em seu principal objetivo, também não consigo concordar, nem em pesadelos, com a ideia de que alguém com os predicados listados para o cidadão acima, possa ser a favor da forma, do como a operação foi operacionalizada até aqui.
Particularmente, a questão é que não concordo, não posso admitir que os fins justifiquem os meios, e se para pegar possíveis criminosos o Estado, o aparelho policial, a procuradoria, e até a magistratura rompe e ultrapassa os limites legais, o que temos não é apenas o fato de atos criminosos estarem sendo utilizados para desvendar possíveis crimes.
Passamos a assistir à disputa de gangues de criminosos, ao controle do crime por outros criminosos que se investiram da força da lei e da ordem, a que não respeitam.
Algo muito próximo do que temos visto ampliar sua força e seu raio de ação em nosso país: a atuação de milícias.
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Moro e os procuradores de Curitiba, longe de ser heróis, são apenas criminosos com mais acesso ao poder institucionalizado, que não hesitam em utilizar discriminadamente na defesa de seus interesses.
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E, se agindo com interesses políticos, Moro já havia sido sondado e até aceito, ao menos intimamente, se tornar ministro de alguém com a estatura moral (ínfima) de Bolsonaro, todas as suas ações e decisões deveriam passar por nova análise, novo crivo e, aquelas suportadas por medidas de exceção ou ilegais, todas culminarem em anulação de processos viciados.
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Talvez mordido pela mosca azul do poder, ou pela promessa de uma cadeira ainda mais tranquila de ministro do Supremo, esse ministrinho vendeu sua alma ao diabo.
E agora, justamente, paga por seu atrevimento.
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O que mostra, além de seu comportamento muito próximo ao de qualquer mau caráter, uma incapacidade de avaliação de situações e de pessoas assombrosa.
Afinal, foi combater crimes como o de formação de milícias, exatamente no meio em que tais criminosos encontram guarida e proteção.
Se não tiverem mais que apenas apoio...
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Dessa forma, o pacote anticrime de Moro, pleno de medidas e propostas de caráter autoritário, como o de excludente de ilicitude para o exagerado e desnecessário uso da força policial; o de aceitação de provas obtidas de forma não convencional, ou de forma ilegal em processos criminais; ou a possibilidade de, através do uso da ameaça velada e da chantagem conseguir quebrar a resistência de algum investigado, através de um possível reconhecimento de cometimento de crime, em troca de delações e punições simbólicas, a tal "plea bargain",  caminha melancolicamente pelos corredores da Câmara.
Aos olhos da imprensa, o pacote está sendo desidratado, aos poucos, o que não é de todo ruim.
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Sem força no Congresso, desrespeitado e humilhado pelo capitão que lhe reserva a posição de ordenança, sem qualquer atitude mais digna em defesa daquelas instituições a quem compete defender e zelar, Moro só continua com apoio público, por força da identificação do público que lhe dá apoio.
Explico: os mesmos que ainda apoiam o ex-juiz, e agora até ex-Ministro, ao menos com M maiúsculo, são aqueles que, desiludidos, ou iludidos, ou apenas desinformados, elegeram _ alguns agora até arrependidos, o presidente Bolsonaro.
É o mesmo público que acreditava em mitos e agora se depara com a verdade em sua pureza: não existem mitos.
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Não existem mitos, como bem o afirmou o ministro da Educação, o analfabeto Weintraub, quando posta em redes sociais o fato de que não existe Saci Pererê, nem terra redonda, nem Kafka, nem Boitatá, nem o boi Tatá, nem Moros ou Bolsonaros.
Como não existe ministro da Educação em nosso país.
Que paga e pagará muito mais caro no futuro por essa presença aparvalhada, puxassaco e esdrúxula.
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Retorno da Escravidão

De resto, o retorno da escravidão ganha cada vez mais adeptos e, com ela, as penas de castigos corporais.
Cada vez mais respaldados por quem tem em torturadores seus principais ídolos, e capaz de criticar qualquer pessoa ou discurso em defesa de direitos humanos.
Afinal, essa monstruosidade eleita para governar nosso país, deixou claro, várias vezes, que direitos existem apenas para os de sua turma: filhos, chegados, amigos, funcionários fantasmas ou não, policiais, milicianos.
Não existem direitos humanos para bandidos.
Esses devem ser execrados e, mesmo que por fome, mera gula de comer chocolate, ou por simples falta do que fazer, merecem é ser apanhados, retidos, desnudados, e torturados.
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E todo esse castigo imposto por quem tem a mesma origem, condição social, e até cor do meliante.
Independente do fato de o criminoso de tanta periculosidade ser menor de idade.
E de precisar que dois homens, DOIS, adultos, com algum treinamento como seguranças, sejam e sirvam como os agentes da punição.
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O que mais me preocuupa é que a reedição da figura dos capitães do mato, ou de capatazes, ainda mais filmada pelos próprios algozes é sintoma de que havia no ar, na cena gravada, no estabelecimento, ou nas redes sociais, a aprovação tácita para que o criminoso hediondo fosse punido. E tratado a chicotadas, para deleite daqueles que de humanos já perderam há muito qualquer atributo.
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Tortura nunca mais?

Mas, a ação dos seguranças, provavelmente aceita por baixo dos panos por muita gente que se considera honesta, de bons princípios, até cristã... e que causa agora comoção e leva os donos da loja a terem de adotar (constrangidos, talvez?) a medida de demissão nesse mundo de mi-mi-mi e desse inconveniente comportamento politicamente correto, não se dá ou ganha reforço à toa.
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A origem está no presidente e suas declarações, a favor do torturador e estuprador Ustra, que com seu comportamento desonra até o sobrenome, Brilhante.
De alguém como Stroessner e sua ditadura violenta e sanguinária no Paraguai.
Declarações a favor da repressão da Ditadura e dos porões que, curiosamente ele queria dinamitar, e que lhe valeu a exclusão da Força. (Ah! esses arroubos da juventude do tenentinho!!!)
Declarações a favor, agora, de Pinochet, o mais cruel e sanguinário, mais terrível ditador chileno.
Declarações que são ou podem servir como um salvo conduto a qualquer atitude, por mais bárbara que seja, mais humilhante ou mais abominável, desde que tal atitude seja adotada contra todos os que se posicionem contra suas posições e crenças.
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Ao defender a tortura, o presidente ofende a dignidade humana, e consegue colocar contra si e o país que infelizmente representa, todas as forças, inclusive as de mesma inclinação ideológica, que acreditam nas ideias como forma última de tentar melhorar a vida das civilizações e dos homens.
Essa a explicação para as reações de Pinera e de toda a direita chilena, como da própria direita mundial.
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Mas, para desencanto meu, ainda há os que insistem em defender esse estrupício que ocupa o Planalto e dá vexames em escala cada vez mais ampliada.
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Fico me perguntando o que será da abertura da sessão da ONU, dia 24 agora de setembro, ocasião em que o presidente do Brasil, por convenção é sempre quem pronuncia o primeiro discurso.
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Já antevejo Bozó alcançando a tribuna e as delegações se levantando e, em sua maioria, abandonando o plenário.
No que seria mais uma derrota vexatória para nosso país, senão a pior de todas.
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É isso.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Moro cada vez mais valendo menos e as queimadas: o que quer Bolsonaro com o discurso de soberania ferida? Uma nova Malvinas?

Em minha opinião, Moro colhe o que plantou. O que não deveria ser novidade para ninguém, muito menos para os habitantes de um país cuja principal atividade econômica está ligada à agricultura, ao agronegócio.
Assim, não nutro qualquer sensação de solidariedade ou simpatia por esse ex-juiz, cuja arrogância assumiu proporções tão gigantescas que, junto com o poder que o cargo de juiz lhe proporcionava, acabou por inebriá-lo.
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Como responsável pela operação Lava Jato, sempre adotou um comportamento em que foi mais que juiz, um justiceiro. Aplaudido e incensado pela mídia; por todos os políticos que não tinham vinculação estreita com o PT, independente do tipo de comportamento delituoso ou pleno de indícios de ilegalidades; transformado em herói nacional por uma parcela da população, muitas vezes sem condições de analisar de forma isenta e criticamente qualquer que fosse a novidade repercutida pelos meios de comunicação ou pior, alardeada pelas redes sociais, Moro rompeu por várias vezes o limite da legalidade.
Cínico, para justificar as arbitrariedades e ilegalidades cometidas, sempre que cobrado apresentou suas escusas mais singelas, sempre alegando algum tipo de descuido, algum tipo de engano no envio ou na publicação do que quer que fosse, o que é curioso em uma pessoa que, na maior parte das vezes mostrou-se extremamente cuidadoso e cioso de suas responsabilidades.
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Lembre-se que ele se encontrava em gozo de férias, no exterior, quando ao saber da decisão de um desembargador de plantão que concedia "habeas corpus" a Lula, imediatamente se pronunciou contrário à decisão, entrando em contato com autoridades da PF, orientando quanto ao descumprimento da ordem de soltura, ou seja, mostrando estar, mesmo em seu descanso, sempre atento ao que ocorria em seu domínio.
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Mas, sem querer, por um lapso, pelo qual se desculpou, gravou sem autoridade para tanto e, pior, divulgou mensagens de comunicação trocados entre a presidente da República e políticos (notadamente Lula!), além de ter repetido o engano, ao gravar e divulgar mensagens privadas de Lula e seus familiares. 
Aqui, nesse caso, se necessária a gravação de Lula e suas conversas com familiares, manda o respeito e o bom senso que não se divulgue o conteúdo sem relação com o objeto de investigação. 
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Mas, o juizinho de Curitiba se achava cada vez mais próximo de ser Deus. E aos deuses, é permitido tanto frequentar recepções e festividades em que estão presentes personalidades que poderão vir a ser objeto de seu julgamento futuro, ainda na mesma operação Lava Jato; quanto é permitido errar, ou pior, agir de forma criminosa ou ilegal ou aética, por sentimentos às vezes tão torpes quanto a vingança.
Afinal, para os que frequentam o Olimpo, tudo é permitido, exceto falhar. 
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Como todo ser humano, a soberba o dominou e a mosca azul do poder mais amplo deve tê-lo picado de forma trágica. 
A história todos sabem: antes mesmo da eleição de Bolsonaro, em segundo turno, Moro foi sondado para abandonar o cargo de magistrado e vir a se tornar ministro da Justiça. Um superministro, como se dizia na ocasião. Com superpoderes para implantar um pacote anticrimes e corrupção, cheio de abusos, como por exemplo, o da utilização de provas - conseguidas de que forma fossem obtidas, em processos de investigação criminal. Ou o ponto que tenta implantar o excludente de ilicitude para policiais no exercício de suas atividades e missões. 
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E aqui, devemos deixar claro que sempre a legítima defesa fez parte do nosso direito, apenas que quando tal ação de defesa se faz com as mesmas armas e intensidade do ataque devido. 
Afinal, uma pessoa armada que invade um ambiente e coloca em risco a todos que ali se encontravam, pode e deve até, ser tratada como alguém que ameaça a vida de outros e, como tal, ser recebida a tiros. Ninguém irá receitar que se jogue chinelos em tal pessoa. Ou que se tente desarmar tal pessoa com um canivete ou faca.
Mas, daí a permitir que uma pessoa com armada, ameaçando outras pudesse levar um tiro, à queima roupa, na nuca. Ou que, se estivesse, por exemplo, nas ruas de alguma cidade pudesse ter um carro atirado em sua direção, parece-me incabível. Caracterizaria muito tranquilamente o uso de força excessiva na reação. 
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A situação ficaria ainda mais estranha se o policial em missão fosse o agente autorizado a atirar e matar, com uso de uma desculpa de excludente como o mero risco ou a emoção do momento. 
Ora, não bastasse a aparência de que alguns policiais parece ter verdadeiro prazer sádico em matar, como o confirmam as vítimas - pobres, pretas, jovens, de comunidades da periferia - de balas perdidas, por exemplo, no Rio. 
Vá lá, é uma minoria, felizmente.
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Mas, supondo que essa forma de conduta seja algo incentivado dentro das academias ou cursos de formação militar, o que podemos esperar dos jovens militares lançados às ruas?
E se essa conduta ainda for acompanhada de postura como a de governador do Rio, antigo juiz, parece que também acreditar-se integrante da categoria dos semideuses, comemorando a morte de um jovem com problemas psiquiátricos, abatido - segundo o que consta, no caso corretamente, nos protocolos e manuais-  sem apelação.
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Ora, para uma polícia com membros que acreditam que bandido bom é o bandido morto, o excludente de ilicitude é uma ameaça. 
Mas, pior para Moro foi, em seu pacote, a questão da legalidade de obtenção de provas. 
Como o feitiço tende sempre a voltar-se contra o feiticeiro, com gravações que podem não ter sido obtidas legalmente, ou seja as provas que ele sempre desejou usar, ficamos sabendo de suas ações injustas e irregulares, criminosas mesmo, na operação Vaza Jato. 
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Dito tudo isso, há que se comemorar, as atitudes de total desrespeito que "nosso presidente" vem adotando em relação ao seu ministro. 
O que, em minha opinião, revela ao menos algum resultado positivo dessa gestão tão caótica e desequilibrada. 
Bolsonaro formatou e definiu Moro com a estatura que o juizinho merecia: minúscula. 
Como toda pessoa que é rancorosa e ressentida, enquanto pode usar o juiz, o capitão o usou. Foi assim que conseguiu que Moro, a poucos dias da eleição em segundo turno, mais uma vez viesse a público, divulgando fatos em ocasião mais que inoportuna, de delação cometida por palocci. 
Eleito, aproveitou para navegar na popularidade sem fundamento de seu ministro. Mas com medo da sombra em que o juiz poderia se transformar, e conhecedor da personalidade pouco confiável do juizinho,  antes de ser traído pelo ministro, tratou de divulgar as negociações que fizeram Moro abdicar de uma situação de total tranquilidade para o risco total do jogo político. 
Tendo deixado a magistratura, no futuro Moro seria indicado para o Supremo. Precedente já teria, no governo Collor, com Francisco Rezek. 
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Foi aí que Moro embarcou, ou mordido pela mosca azul, na aventura de se tornar o candidato de Bolsonaro para sucedê-lo, em 2022.
Mas Bolsonaro não irá entregar a rapadura com tanta facilidade e Moro corre o risco de, desmoralizado, nem ir para o Supremo, nem tornar-se candidato. Menos ainda de continuar ministro. 
Especialmente se a desmoralização de seu ministro fizer parte de um esquema de turmas de milicianos, e organizações criminosas de tal perfil, elaborado para enterrar qualquer possibilidade, até por vingança, de que um juizinho arrogante, creia ser possível endurecer penalidades e enquadrar criminosos de alta periculosidade. Alguns deles, muito bem relacionados no Planalto. 
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Só espero que, em meio a sua desventura, Moro não saia e Bolsonaro não chame para substituí-lo ao seu dileto amigo, Queiroz. 
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Queimadas e Amazônia

Chamar o planeta de nossa casa, é algo tão natural, como chamar a terra de nave mãe, considerar a todos nós como parte de uma mesma viagem. 
Chamar a Amazônia de nossa casa também é algo que não deveria escandalizar a qualquer pessoa que lembre que essa região do mundo não é apenas brasileira. Vários povos, nações, países têm territórios na região da selva. 
Inclusive a França, e sua Guiana. 
Tratar essa forma de expressão como algo que, ao contrário de servir de alerta e de solidariedade, ou de disposição de ajudar a resolver problemas com algum sinal de desejos de ataque à soberania brasileira, só pode ser coisa de algum paranoico. Maluco total. 
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Macron, como presidente da França tem toda a razão em se preocupar com a questão das queimadas na selva, que poderão em breve atingir seu próprio território. 
Tem toda a razão em querer discutir em nível internacional - no âmbito do G7, medidas que poderiam trazer alguma ajuda, por menor que fosse, especialmente em termos de recursos escassos, como dinheiro. 
Os países do G7, também preocupados, disponibilizarem recursos para ajudar no combate às queimadas no Brasil em montante de 90 milhões de reais, aproximadamente, é algo a se comemorar. 
Exceto se o presidente do Brasil se chamar Bolsonaro. E se, ao que parece, sua política externa é toda traçada com o objetivo de nos desmoralizar e, desfazendo tudo de positivo que Lula criou no cenário internacional, nos ridicularizar em escala planetária. 
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Situação que, para sermos exatos, tem conseguido alcançar com raro brilho. 
O Brasil virou chacota.
E Bolsonaro só pode justificar suas ações utilizando argumentos antiglobalistas, de isolamento de nosso país, ou ainda pior, como forma de criar um campo de batalha, naquilo que seria o equivalente a incentivar uma guerra pelas Malvinas, de forma a, como os militares autoritários e fascistas da Argentina dos anos 70/80, procurar obter coesão interna, à custa de um patriotismo tolo e descabido. 
O problema é que as ações de Bolsonaro são sempre contrárias ao que recomenda o bom senso, e se não induzem, acabam sendo interpretadas, como sinais de que a preservação ambiental é conversa de globalistas marxistas, que o governo jurou exterminar. 
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Assim,  desde as declarações de que a região amazônica deve ser objeto de exploração predatória (sob uma suspeita ideia de que os índios desejam ter uma vida integralmente aculturada); ou medidas de corte de gastos com a fiscalização ambiental ou as instituições de conservação do meio-ambiente; ou ainda de desmentir dados de pesquisa oficiais, apenas por não serem de seu agrado, trocando diretores de órgão de coleta de informações preciosas e científicas de alta qualidade - o conjunto de decisões de Bolsonaro acaba sendo entendido como um convite para todo aquele que quiser explorar de forma irresponsável e inconsequente nossa natureza. 
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Aos que têm interesses de lucro fácil, não há necessidade de um segundo convite. 
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Enquanto isso, o capitão dispensa a ajuda financeira internacional, sob a alegação de que serve a interesses contrários a nossa soberania.
Seu filho, em vias de ser indicado embaixador nos Estados Unidos, afirma que diplomacia se faz com armas, incentivando ainda mais o lobby da indústria americana. 
Bolsonaro só aprova ajuda dos Estados Unidos e Israel, o primeiro dos dois países que já foi até convidado a vir explorar nossas riquezas minerais da selva. 
E o mau gosto de tratar toda a questão, séria, como uma questão de primeira dama mais bonita é a peça que faltava para comprovar  mediocridade de nosso presidente. 
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Certo está Macron: o Brasil merecia coisa melhor. 
Melhor que uma primeira dama charmosa, elegante, jovem, bonita, mas com toda a família envolvida em atos ilícitos e criminosos. 
O que assegura que, em termos de folha corrida de antecedentes da família, ao menos, Michelle vence a francesa sem precisar fazer força. 
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Para terminar, um alerta a todos os navegantes, sem maiores condições de pesquisar e aprofundar o conhecimento.  
O desmate é feito com a passagem de tratores puxando correntes de ferro. 
As árvores abatidas ou arrancadas pelos tratores e máquinas pesadas, devem secar para poder ser utilizadas. 
Apenas depois de já aberta a clareira ou os vários campos de futebol, equivalentes, é que a limpeza do terreno é facilitada, caso seja feita por meio do uso do fogo. 
Ou seja: a queimada é depois que o desmate já foi feito. 
E a madeira já está seca. 
E o terreno pronto para o agronegócio irresponsável avançar contra a vida. 
***
É isso. 

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Guedes, o posto Ipiranga, o blefe do acerto de suas ideias e as denúncias de comportamento irregular de que sempre é acusado e de que sempre se safa

"Ainda é tempo de impedir que o fanatismo ideológico do senhor Guedes destrua 90 anos de história da economia brasileira, para atender ao interesse de um pequeno grupo de banqueiros, financistas e agroexportadores, passando por cima do interesse do “resto” da sociedade brasileira". 

Com esse parágrafo de alerta, o professor José Luís Fiori, professor titular de Economia Política Internacional do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisador conceituado e autor de vários livros, conclui seu artigo "O ditador, a sua "obra" e o grande blefe do senhor Guedes", cujo link para acesso ao texto integral passo a seguir: 
http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591628-o-ditador-a-sua-obra-e-o-grande-blefe-do-senhor-guedes-artigo-de-jose-luis-fiori
***
Como no caso de recomendação de leitura de um artigo de análise crítica, o "spoiler", antes de funcionar como um estraga prazeres pode atiçar a curiosidade do leitor, vou antecipar aqui que o artigo começa analisando a política econômica instaurada no Chile do ditador Pinochet, no período de 1973 a 1990, sob o comando de Sergio de Castro, então no papel de superministro.
***
Como se sabe, no período, as políticas adotadas transformaram o Chile em verdadeiro laboratório de implantação de políticas ultraliberais, inspiradas por Milton Friedman e seus colegas da Escola de Chicago.
Como salienta o professor Fiori, tal experiência,  sempre apresentada como um êxito retumbante, apenas se sustenta com base em uma descrição da história falsificada, capaz de permitir comparações espúrias, e de forte caráter ideológico, que não encontra suporte nos dados reais.
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Dessa forma, o artigo procura, de forma bastante, sucinta traçar um perfil da economia chilena antes do fatídico golpe de 11 de setembro, capaz de caracterizá-la como uma economia extremamente simples, primária exportadora, com base na produção de cobre, além de madeira, peixes, frutos e vinho.
O acesso a todos os demais produtos necessários, inclusive alimentos, petróleo, etc. se fazia por meio de importações, o que tornava as características econômicas, demográficas, geopolíticas daquele país extremamente simples.
Adicionalmente, o Chile podia ser considerado um país isolado do resto do mundo.
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Independente de tais características, foi aí que os liberais de Chicago resolveram experimentar todo seu estoque de reformas liberais, reformas que para serem colocadas em prática, aproveitaram-se de que a feroz e sanguinária ditadura chilena impôs um Toque de Recolher a toda a população, que se estendeu de 1973 até 1985.
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Mesmo sob tais circunstâncias, as estatísticas permitem identificar dois subperíodos, um de 1973 até 1982, e outro deste ano até 1990.
O primeiro deles, sob a inspiração dos Chicago Boys, gerou uma crise de dimensões tão catastróficas que Pinochet demitiu o ministro Sergio de Castro, e começou a reverter várias das medidas até então adotadas.
Segundo o artigo, o PIB chileno caíra 13,4%, o desemprego alcançou os 19,6% e 30% da população passou a sobreviver de assistencialismo.
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Se o Chile hoje apresenta crescimento invejável, situação econômica estável, tornando-se referência para outros países em estágio similar de desenvolvimento, tais conquistas só foram possibilitadas pelas medidas adotadas após a ditadura, de 1990 até 2019.
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Vale destacar que, por ter participado de equipes de trabalho e assessoria do programa ultraliberal, cujo resultado foi ter levado o Chile ao fim do poço, é que o senhor Guedes é considerado um economista de renome e expressão.
Sem querer questionar sua capacidade intelectual, reconhecida por muitos, a questão maior trata de ele se apresentar surfando uma onda liberal que arrastou o Chile para um caos econômico, mas mais importante ainda, social.
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E adota tal comportamento, de guru, ou Posto Ipiranga do capitão do presente desgoverno, assentado em uma farsa, ou melhor, uma fábula que a mídia ajuda a propagar, sabe-se lá com que tenebrosas intenções.
O Chile liberal foi um fiasco!
Guedes, ao que consta não teve papel de grande projeção!
Suas políticas pró mercado, no fundo nem podem ser assim chamadas, já que são mais pró grandes empreendedores, muito longe da ideia de mercados competitivos dos livros escolares.
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Fundamentando sua trajetória e ideias em uma visão corrompida - caso da economia chilena, não é de se estranhar que sobre o ministro pesem outras questões, de caráter moral até.
Como sua participação em gestão de fundos privados (e públicos) de investimento.
Ou, como agora noticiado pela Folha, sua participação ou a presença na gestão de empresas envolvidas em pagamentos efetuados a escritório de fachada, suspeito de esquema de propina no Paraná.
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Curiosamente, trazido ao conhecimento público ontem, a transação da empresa de Guedes, embora documentada foi considerada pela Lava Jato como não fortemente embasada em provas, o que permitiu que ele não fosse incluído, com seus sócios, na rol de acusados.
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O que faz com que eu compare a Lava Jato, e Guedes, mais uma vez ao uso do VAR no futebol.
Pois, como tem lances que o VAR é chamado para auxiliar o juiz a evitar um erro ou uma injustiça, outros casos passam sem sua sinalização. Como foi o caso da vergonhosa penalidade cometida pelo goleiro são paulino no jogador do Ceará.
Penalidade clara, que o juiz de campo interpretou como lance normal, e que o juiz de vídeo também preferiu interpretar a favor do time mais rico, de maior projeção e renome.
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Para não perder a deixa, já que estamos tratando de um ultraliberal e suas políticas, incluo abaixo um outro link, extraído de artigo publicado na Folha de São Paulo, caderno Ilustríssima de domingo último, de autoria de dois professores e pesquisadores.
O link é:
https://www1.folha.uol.com.br/ilustríssima/2019/08/anarquismo-ultraliberal-e-so-uma-moda-dizem-pesquisadores.shtml.
Discutindo a impossibilidade de existência do tal anarcapitalismo, fusão de ideias anarquistas com as liberdades de mercado, os autores, cujo texto recomendo enfaticamente, revelam a característica absolutamente anticapitalista do conceito de anarquismo.
E vão desenvolver a ideia de que o Estado, por mínimo que seja, é algo típico e indissociável de uma sociedade de classes, hierarquização, e de diferenciação, como a sociedade capitalista.
Ou seja, sem capitalismo não há Estado, e vice-versa.
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O que nos remete à antiga discussão, menos do papel do Estado, e mais do interesse de classe que está na alma dessa instituição.
Porque, mais assistencialista ou não, mais interventor ou não, mais enxuto ou não, no fim, o Estado apenas procura resguardar, proteger e ampliar os processos de reprodução da classe mais privilegiada, as elites financeiras do capital.
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Em minha opinião, grande parte da disputa e da tentativa de se refundar um novo aparelho de Estado se dá como reflexo da luta ou da disputa intercapitalista.
Agora, com algum tipo de dificuldades para as atividades produtoras, ligadas à produção industrial, e até mesmo à atividade do complexo agrícola ou agrário, tendo em vista que nossa política econômica está sob inspiração e cuidados de um financista.
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É isso.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

REFLEXÕES E PESADELO, mais um discurso de paraninfo em colação de grau da Una, ontem. Antes alguns comentários necessários

Tão estapafúrdias as atitudes, a postura e as declarações de Bolsonaro que, confesso, as palavras me fogem. Dessa forma, sinto a maior dificuldade em postar alguma análise ou comentário, razão do intervalo de tempo desde minha última publicação no blog.
No entanto, como diziam as camisetas de Collor, o tempo é o senhor da razão. E todo analista acaba se beneficiando de um certo distanciamento do calor dos acontecimentos.
Afinal, o tempo consegue amainar as paixões, impedindo que tenhamos nossa visão e capacidade de interpretação dos fatos (muito) alterados por nossas expectativas ou sonhos.
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E, convenhamos, são tão esdrúxulas as declarações de Bolsonaro a respeito da contribuição de cada um de nós para reduzir a emissão de gases que provocam o aquecimento global; ou sobre a pequena ou quase nula importância de uma ajuda financeira internacional de algo como R$ 130 milhões de reais, agora interrompida pela Noruega, colaboração que ele desdenha com sua costumeira e já comprovada grosseria e falta de educação, ou o respeito manifesto por ele à opinião - DEMOCRÁTICA - do povo argentino, nossos vizinhos, que não haveria blog ou coluna de jornal, ou algum comentarista sério que tolerasse ficar martelando um mesmo e único assunto, dias a fio.
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Apenas os humoristas, talvez, se tiverem estrutura suficiente e condições de competitividade podem aproveitar as deixas, os "cacos" desse personagem burlesco, nonsense, à procura de um autor, ou de um roteiro quem sabe?
O que justifica o fato de a maior parte dos colunistas da grande imprensa, já terem escrito algum artigo com uma profissão de fé: não continuar ocupando sua atenção e nossa paciência com esse tsunami de asneiras.
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O que nos leva, a todos, a nos perguntar atônitos: o que está por trás deste discurso tão destrambelhado?
Seria apenas o fato de ele ter o cérebro dominado por muita ... desculpem-me os poucos leitores, e apenas por muita merda. Caso ele tenha mesmo algum vestígio de cérebro!
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E, para além da tese de que ele está apenas forçando e reforçando o discurso junto à manada de idiotas que o consideram um mito, o que lhe asseguraria uma participação de ao menos 20 a 25% de eleitores, parcela bastante interessante para assegurar-lhe a presença em um segundo turno eleitoral, contando com a pulverização de candidaturas da centro direita à extrema esquerda.
Sob essa hipótese, mais uma vez iríamos assistir a toda uma grande maioria de pessoas comuns, cuja cabeça foi, ano pós ano, programada para rejeitarem qualquer que seja o espectro de algo que possa estar vinculado à esquerda, ou mais propriamente, rotulada de comunismo.
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Como ninguém nega, ao longo de mais de 70 anos, especialmente nossa mídia foi pródiga de criar e alimentar a ideia de que o comunista, antes de mais nada, é alguém que, sem querer ou gostar de trabalhar, de forma autoritária, deseja apenas distribuir todas as coisas que o trabalhador sério, comum, conquistou com seu suor e tanto sacrifício.
Isso, sem contar que os regimes e governos de cunho mais socialista são sempre identificados com governos autoritários e, pior, capazes apensa de generalizarem e distribuírem a pobreza.
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Não. Não vou aqui falar de excrecências, algumas vezes divulgadas pelo método  boca-a-boca entre a população de menor grau de educação formal e cultura, de que comunista faz mal a criancinhas ou às freiras das congregações religiosas, uma vez que não tementes a Deus.
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Na verdade, embora ninguém tenha sequer lido um mínimo - já que não leem nada mesmo,  a ideia e imagem deturpada difundida pela grande imprensa acaba apenas criando estereótipos equivocados. A ponto de levar maioria da população a temer o socialismo, mesmo que todos digam admirar os países nórdicos, ou a social democracia europeia.
Governos tão de esquerda, ou até mais que o de Lula, para citar apenas uma das personalidades vendidas como uma das "bestas do apocalipse".
Tudo bem que longe de ser santo, Lula ainda era um mero operário que ascendeu socialmente, roubando as oportunidades de gente de linhagem muito mais nobre e mais alta estirpe.
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Voltando ao tema inicial, acho que Bolsonaro, por mais mentalmente incapaz que seja, tem sim e representa um projeto de poder, autoritário, anti-democrático, excludente, e que privilegia uma minoria que se pretende representante de uma supremacia branca, misógina, de privilegiados.
Bolsonaro é o idiota útil, para levar a sociedade civil e os mecanismos de proteção dos direitos e da justiça social ao cansaço.
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Obtido o resultado, talvez seja afastado como fazemos com o bagaço da laranja já toda sugada.
Independente disso, nosso Bozó serve para nos distrair enquanto personagens de caráter mais duvidoso e intenções muito mais destrutivas, como nosso ministro Guedes, faz avançar reformas como a da Previdência, ou a tributária, ou ainda as medidas contra a burocratização.
Bem, Guedes é tão mais perigoso, e destila certas ideias que, à primeira vista, parecem tão mais benéficas à população em geral, que merece que voltemos a escrever mais rotineiramente, ao menos para discutir certas banalidades, frivolidades, e frases retóricas, que ele emite. Frases que agradam aos ouvidos distraídos, mas que são completamente vazias de sentido. E pior, capazes de distorcer a realidade.
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Cito apenas um exemplo: em evento na última semana, nosso ministro da perversão e Economia defendeu o fim das deduções do Imposto de Renda. A alegação é que tais deduções beneficiariam apenas os privilegiados, já que o pobre enfrenta o atendimento precário do SUS, onde não paga nada, não pega recibo e não pode abater nada do imposto que recolhe...
Ao contrário, os mais favorecidos pegam recibos que, às vezes, nem tiveram algum serviço real a lhe dar conteúdo e significado, servindo apenas para que tais pessoas possam pagar menos imposto.
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Dito assim, parece que o ministro está coberto de razão. E o fim das deduções falsas não é apenas uma questão de melhorar os esquemas de fiscalização, mas uma questão de justiça social e distribuição equitativa de ônus.
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O sinistro apenas não falou que a Constituição assegura, a todos os brasileiros, atendimento gratuito à saúde. E se nosso sistema de saúde não dá conta de atender a ninguém, a nenhuma das classes sociais, o correto seria verificar como arranjar recursos para suprir nossas carências na área. Não sem antes deixar claro que, em nossa opinião, melhor que gastar curando, é gastar com prevenção à saúde. O que implica, por exemplo, saneamento, etc. Todas essas políticas públicas que o sinistro deseja destruir, sob o mau argumento de que funcionam em caráter precário.
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Ora, quem tem condições paga o médico particular ou o plano privado de assistência médica - tão a gosto do ministro liberalóide, o que é flagrante descumprimento da nossa Lei maior. Daí, a dedução é uma compensação, um reconhecimento de que a legislação está sendo desrespeitada e que aquele contribuinte pode, pois, reaver, parcialmente ou até de forma insignificante, o montante gasto por culpa da ausência de governo e de políticas de governo.
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Não vou me alongar mais.
Volto ao tema posteriormente. Em postagens que prometo tornar mais amiúde.
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O resto da postagem traz o discurso que proferi ontem, como paraninfo da turma de Ciências Econômicas, na solenidade da colação de grau relativa à turma concluinte no 1º semestre de 2019.
Eis o discurso.


Reflexões e Pesadelo


Senhoras e senhores, prezados alunos, boa noite.
Meu discurso hoje tem uma estrutura diferente. Trata-se de um conjunto de reflexões que partilho com vocês.
Nessa noite não vou falar de Marielle. Não vou perguntar quem mandou matar Marielle, nem vou perguntar se alguém tem notícias do Queiroz.
Tampouco vou falar das delícias de uma sociedade dominada por milícias. Ou de um governo que se preocupa, a cada instante, em eliminar direitos sociais, governando em nome de uma minoria: as elites vinculadas ao grande capital.
Para o povo, o conselho de manter estoques...
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De início, parabenizo a todos vocês que concluem, vitoriosos, mais essa etapa da vida, e a todos aqui presentes - familiares, mães, pais, companheiros, parceiros, filhos e amigos-, que lhes proporcionaram as condições necessárias a essa conquista, ajudando-os a preservar a sanidade e a serenidade. Recebam todos minhas homenagens.
Mas, em meio a tantas e justas comemorações, não podemos nos alhear do ambiente que nos envolve e que, se não se confunde com a realidade paralela de Matrix, revela uma sociedade cada vez mais distópica, como o demonstra a experiência de Jean William, o tenor paulista, considerado um dos talentosos e promissores nomes da cena erudita brasileira.
Apadrinhado pelo maestro João Carlos Martins o cantor, que já se apresentou para o papa Francisco, o príncipe Albert 2º de Mônaco, e nos mais famosos palcos da Europa e Estados Unidos, como o famoso Avery Fisher Hall, no Lincoln Center, em Nova York tem sido vítima de ameaças e ofensas nas redes sociais, apenas por ter o nome semelhante ao de um ex-deputado, hoje fora do país.
***
Eu mesmo, em minha insignificância, ao fim de uma solenidade de colação de grau fui alvo da brincadeira de mau gosto de alguns poucos presentes, que me fizeram o sinal de arminhas com as mãos.
Tais episódios trazem-me à memória uma  tirinha em quadrinhos, publicada há muitos anos nos jornais, que tinha o  Reizinho  como personagem, de que me sirvo para uma primeira reflexão.
Na história, Reizinho observava o movimento de uma minúscula formiga, filosofando que valor teria a vida de alguém tão frágil, tão pequeno, tão insignificante. Para ele, pisar naquele reles inseto apenas poria fim a um sofrimento, uma nulidade. Mas, enquanto se decidia quanto a que atitude adotar, nos quadrinhos seguintes  o ilustrador ampliava seu foco, se elevando e se distanciando das duas figuras. Até o quadrinho fnal, em que a terra era um pontinho em meio ao cosmos e nem se distinguiam mais a formiga ou o vulto de Reizinho, meras partículas de poeira na imensidão do espaço.
***
A segunda reflexão me transporta à sala de aula e à imagem do vidro, que utilizo para divagar sobre a verdade. Por que como a verdade, o vidro  é uma estrutura única, concreta, sólida, mesmo que transparente. Mas o que se vê através dele depende da posição de início do observador.  O que eu vejo, olhando de fora para o interior, é diferente do que vê quem está olhando de dentro para fora.
Se a realidade concreta e palpável de ser vidro não se altera, muda a interpretação. O que deveria nos obrigar, como professores, analistas, cidadãos, a olhar, sempre, a raiz da divergência de nossas opiniões em relação à interpretação de outras pessoas de nosso convívio.
***
O que exige uma explicação, já que respeitar a visão dos outros não significa abrir mão de defender, com unhas e dentes, como meus alunos bem o sabem, o pensamento que eu possa ter em algum momento. Mesmo ciente de que meu raciocínio pode mudar em seguida. Evoluindo. Aperfeiçoando-se.
***
Razão porque, ainda que envaidecido de ter sido escolhido paraninfo da turma, como o Reizinho, devo admitir minha insignificância como professor.  
Não se trata de cansaço, de fadiga de material! A verdade é que estou convencido que, em todos esses anos em salas de aula, não demovi um aluno que fosse de suas ideias originais. Mesmo quando elas não existiam.
O que me permite entender o significado e a experiência contida na frase da professora emérita Maria da Conceição Tavares, para quem: “Os mestres, parece que nasceram para serem humilhados pelos alunos”.
***
No entanto, os professores temos sido acusados de participar de uma conspiração destinada a promover uma lavagem cerebral, visando fazer a cabeça de nossos alunos, de forma  a inculcar-lhes uma visão de mundo nem sempre aceita.
Se existe tal conspiração, confesso que, ao fim e ao cabo, sempre me senti sozinho, isolado. Talvez por ter estado, sempre, na defesa do lado derrotado. O que não me abate. Antes, me enche de orgulho, especialmente quando percebo que do lado derrotado, e sem se queixar, estiveram todos os meus ídolos.
Pessoas que nunca se abateram e, movidos pela fé, sempre buscaram construir um mundo melhor. 
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Capazes de acreditarem que “Quando o muro separa, uma ponte une; Se a vingança encara, o remorso pune; Você vem me agarra, alguém vem me solta....  Você corta um verso, eu escrevo outro; você me prende vivo, eu escapo morto; De repente olha eu de novo, perturbando a paz, exigindo o troco”.  Porque, como descrito por Paulo César Pinheiro em Pesadelo, “E se a força  é sua, ela um dia é nossa, olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando, que medo você tem de nós.”
***
O que nos traz à última reflexão, baseada em um filme italiano do final dos anos 1970: Pasqualino Sete Belezas. Órfão de pai e mãe, o jovem do interior da Itália, como irmão mais velho tornou-se o guardião da honra de sete irmãs, até quando descobriu que um aventureiro abusara de uma delas.
Para lavar a honra da família,  Pasqualino se vinga, matando e esquartejando o rapaz em sete partes, cada uma delas despachada em malas para um destino distinto. Preso e tratado como herói, foi condenado a muitos anos de cadeia.  É inesquecível a cena de sua chegada à cela, alvo da reverência e respeito de todos os demais prisioneiros. Exceto um, um ancião que já perdera a conta de há a quanto tempo estava preso.
Curioso, Pasqualino quis saber que crime tão hediondo aquele senhor poderia ter cometido. Ao que o velho respondeu: eu pensei.
***
Além da reflexão, a história serve para mostrar como a defesa dos valores da democracia e da justiça social, nem sempre bem vistos ou tolerados, devem exigir sempre nossa atenção. O que permite que eu transmita um conselho para meus afilhados de Ciências Econômicas, esta maltratada área das Ciências Sociais, citando uma vez mais a professora  Conceição Tavares:
 “Se não se preocupa com ajuste social, com quem paga a conta, você não é um economista sério. Você é um tecnocrata.”
***
Concluo com a consciência tranquila de não ter feito qualquer menção ao governo de nosso país. Desde cedo, aprendi que não devemos discutir o que não entendemos. Não há como discutir uma realidade distorcida.
Afinal,  distópico ou não, Matrix é apenas um filme de Hollywood.
Vão ser cientistas sociais. Vão transformar o mundo. Vão ser felizes.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Vamos usar o VAR para Bolsonaro

Não há mais uma partida de futebol que não tenha sua presença incômoda.
E, convenhamos, até de forma correta, o árbitro de vídeo, que atende pela sigla VAR  se transformou em mais que apenas um figurante, em um personagem chato. O personagem principal.  Que atrapalha o andamento e ritmo do jogo.
No afã de impedir ou evitar todo e qualquer erro ou falha humana, o VAR está sempre lá. Onipresente.
Impedindo que a torcida se manifeste espontaneamente na hora do "momento maior do futebol", o gol, constrangida agora a uma verificação pelo juiz de vídeo, pelo juiz de campo, quanto à legalidade do lance.
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Há casos em que o sofrido torcedor - conhecido pelos apelidos de geraldino ou arquibaldo antes de mais uma trapalhada patrocinada pela entidade máxima do nosso futebol, FIFA ou CBF e sua decisão de elitizar o esporte mais popular do mundo, transformando os estádios em arenas - deve esperar minutos preciosos para poder  vibrarem com a confirmação do gol.
Aliás, é forçoso reconhecer que o VAR está conseguindo atingir o anticlímax: em muitas ocasiões, a torcida vibra pela desconsideração do gol, pelo gol anulado.
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No início do pitaco de hoje, comparei aquilo que era para ser uma ferramenta para aumentar o brilho do jogo, a um personagem de teatro, um ator. Mesmo que canastrão.
Engano meu.
Como a maioria dos analistas, cronistas esportivos e integrantes das inúmeras mesas de debates de futebol admitem, o VAR se comporta mais como alguém que adentra o palco, invade o cenário e interrompe a exibição, interferindo no andamento e na dinâmica do texto representado. E isso, com a intenção de esclarecer para a plateia atônita alguma fala, algum gesto. Quando não para voltar a história alguns instantes antes, e passar a explicar, melhor dizendo, interpretar a trama a peça.
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Como vários dos amantes do futebol, confesso que aplaudi o surgimento da ferramenta.
Acreditava que, em alguns lances - como da bola que ultrapassou a linha do gol; do impedimento claro, antes da conclusão da jogada; como da expulsão por atitude antiesportiva, não vista pelo juiz, ou a marcação da falta dentro da área-, o espetáculo sairia beneficiado, pela possibilidade de impedir injustiças flagrantes.
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Entretanto, tão logo entrou em funcionamento, de forma concomitante, os "velhinhos do Board da FIFA" já resolveram que não ficariam de fora de mudança de tal magnitude. E, para não perderem a oportunidade de aparecer, alteraram algumas regras.
Como, por exemplo, a do impedimento. Que agora passa a ser anotado depois de concluído o lance e não quando do lance em andamento.
Ora, o mero ato de aguardar a definição da jogada, mesmo que com alguns segundos apenas de intervalo entre o fato e a conclusão, provoca uma sensação ruim, de perda de tempo, já que vários lances que acontecem, são vistos e registrados, acabam sendo anulados.
Como se a vida pudesse voltar atrás e uma borracha pudesse anular o que, de fato, aconteceu.
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E pior.
Temerosos de serem punidos ou sujeitos a punição por erros cometidos, mesmo que involuntariamente, os juízes, auxiliares, árbitros de campo, preferem acomodar-se e deixar "as águas rolarem e o barco seguir", para depois, em havendo necessidade, interromper o jogo, ficar vendo a telinha lateral ao campo, e decidirem o que valeu ou não, de tudo que o torcedor viu, sentiu, vibrou.
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Importante lembrar que uma das justificativas do uso do VAR era evitar a cena de jogadores em bolinho sobre o árbitro, reclamando, ofendendo, exigindo a marcação de algum lance discutível.
Pois esse comportamento não foi abolido. E em minha opinião apenas ficou mais grave. E o uso opcional do VAR pelo juiz tem contribuído ainda mais para o surgimento de reclamações e acusações de favorecimento.
Acusações que ganham agora mais força, com o apoio do emprego ou não do instrumento.
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Razão por que, utilizando da experiência de outros esportes em que o uso da tecnologia tem sido muito benéfico, a ponto de se tornarem exemplo para o futebol, acho que o uso do VAR deveria ter um limite.
Algo do tipo, cada time poderia ter dois ou três desafios ao longo de uma partida, ou de um tempo de futebol.
Tendo que, a partir daí, saber a hora de pedir a intervenção do vídeo,  a hora de desafiar o ponto, para não perderem uma oportunidade de fazerem valer seu direito em momento mais oportuno.
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Ora, se funciona como desafio, no volei, no tênis, não haveria como não trazer alguma melhoria para o futebol, deixando claro que os lances de se a bola entrou ou não, de alguma agressão que possa ter havido, etc. não deixariam de ser comunicadas ao árbitro principal.
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POR QUE O VAR?

Mas, não se iludam aqueles que puderem achar estranho que o pitaco hoje trate de tema tão banal quanto o do árbitro de vídeo.
Na verdade, não estamos apenas falando de futebol. Como diz a propaganda de um canal esportivo, não é só futebol...
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A ideia é aproveitar o uso do VAR para poder voltar atrás e corrigir a quantidade de trapalhadas que esse imbecil eleito presidente do Brasil reconheça-se, de forma democrática, consegue produzir.
Com grande mérito do personagem, também é necessário admitir.
Porque a impressão que se impõe é a de que Bolsonaro parece uma linha de montagem. De bobagens.
Isso sem falar em liturgia do cargo, em assumir as responsabilidades de quem, desde eleito deixou de ser líder de um partido ou de uma massa de eleitores, para se tornar presidente de todo o país.
O que me leva a crer que a ficha não caiu para ele, ainda. Se é que podemos aguardar que isso vá acontecer algum dia.
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Mais recentemente, se houvesse o VAR, poderíamos não ter registrado para a história que o presidente de todos os brasileiros trata os nordestinos como paraíbas. Uma gíria que, para os cariocas, de onde provém o presidente serve para designar todo mundo que nasceu da Bahia para cima.
Acontece que, no caso de Bolsonaro, e sua estúpida impulsividade - ou ele acha que estava sendo apenas engraçado-, a expressão faz lembrar a forma de referência pejorativa como alguns cariocas (a minoria, felizmente!) se refere ao nordestino de forma geral.
Um termo do mesmo tipo condenável que aquele adotado por alguns paulistas, quando se referem à "baianada" de algum indivíduo ou a algum comportamento de "baiano".
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O problema aqui não é de mimimi, ou de politicamente correto. Trata-se de um presidente da República, por mais plantadora de bananas seja esse república. Referindo-se de forma inapropriada, especialmente a um adversário político a quem está desejando tratar a pão e água.
E tendo como agravante que essa pessoa tratada como desafeto pelo presidente, não é apenas uma pessoa comum, já que representa, tanto quanto Bolsonaro para  seu público em nível mais amplo, a mesma importância para todo o povo do Maranhão.
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Dá-lhe VAR. E nós poderíamos não ter de assistir a cenas de constrangimento como o do presidente negando que exista fome no Brasil.
Ou criticando o fato de que os dados sobre desmatamento sejam falsos. Ou pior, manipulados.
Enquanto seu governo prossegue na sua generosidade com os empresários do agronegócio, ampliam a lista de uso de produtos tóxicos no plantio, e ele se preocupa em nomear seu filho embaixador do Brasil nos Estados Unidos.
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Alguns irão talvez, pensar que o presidente já utilize o VAR, tamanha a quantidade de asneiras que despeja e, depois, tem de se fazer a maior ginástica para reparar, reinterpretar, despejar mais besteiras (em quantidade), em substituição às mais graves ditas anteriormente.
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Foi assim, com o "golden shower", com o ministro do STF terrivelmente evangélico, com a fome no Brasil, e agora com o INPE.
Mas nesses  casos, o presidente não volta atrás apenas. Por mais difícil que possa ser para entender, ele vai além.
Como no caso do INPE, agora acusado de não poder divulgar dados, sempre divulgados antes, para não prejudicar relações comerciais do país com outras nações, defensoras do meio ambiente.
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Não nos esqueçamos que esse idiota que ocupa a presidência do país ameaçou abandonar o Acordo de Paris, para seguir ao seu modelo de autoridade, Trump; fez pouco caso dos acordos comerciais com a União Europeia, por não respeitar o Mercosul.
Também foi ele que deixou claro, várias vezes, que não se importava com a recusa de países como a Noruega em continuar financiando fundos em prol da Amazônia, o que sob sua ótica era apenas a demonstração cabal de nações que queriam vir explorar a virgindade de nossas riquezas naturais.
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Isso de um presidente que se insurgiu contra a propaganda do Banco do Brasil, tratando da diversidade, mas aprova a da Embratur que convida turistas estrangeiros a virem "amar".
Na lógica já exposta pelo próprio presidente, não há nada muito anormal, se o turista vier para namorar nossas mulheres.
O que não combina com seu modo de pensamento obtuso é que vendamos a imagem de que no Brasil, há uma população, não inexpressiva de GLBTs+.
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Mas, para quem está preocupado com Bruna Surfistinha e o que isso evoca de nossa moral e costumes, não é muito estranho ver o presidente ficar contra os números. Quando ele deveria ficar contra o desmatamento.
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E enquanto ele comete todas essas asneiras, o país segue às tontas, razão porque para terminar, retomo a questão do VAR.
Porque como tem ficado claro pelos comentários dos entendidos (se é que alguém entende!), o VAR deve sempre voltar e examinar a origem toda do lance. Foi assim por exemplo, que se manifestaram em relação ao pênalti claro sofrido por Elias, do Galo, no papelão que foi o jogo contra o Fortaleza. Tudo porque na origem da jogada, havia sido cometida falta no lateral do time cearense.
O que significa que o por mais claro que tivesse sido, o pênalti não deveria ter sido marcado.
***
Acontece que na origem de nossa história republicana, não houve debate, não houve apresentação de propostas. Houve apenas muita agressividade, muita declaração rancorosa, contra .... nunca a favor de nada.
Tudo centrado em uma facada que....
***
É isso.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

A reforma da previdência e a extinção dessa instituição

Não há como negar que tenho encontrado cada vez mais dificuldades para acompanhar, entender, analisar e redigir esses pitacos.
E olha que tenho feito força para tentar acompanhar a nossa realidade, por mais surreal que ela se manifeste. 
Senão vejamos.
Cumprindo promessa feita, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não só conseguiu colocar a proposta de Emenda Constitucional da Reforma da Previdência em votação em primeiro turno, como conseguiu aprová-la por uma esmagadora e inacreditável maioria, de 379 votos a favor. E isso, antes do recesso parlamentar de julho.
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Tamanha proeza, não passou despercebida aos analistas políticos, unânimes em creditar ao desempenho de Maia, a vitória. 
Mas, em minha opinião, seria o caso de se perguntar: Vitória? Vitória de quem, cara pálida?
Porque inegavelmente, embora inerte e sem condições de esboçar qualquer reação, por menor que fosse, a aprovação do primeiro turno não representa uma vitória do povo brasileiro.
Talvez sem se dar conta, o que a proposta tão cara a Maia promove é, tão somente, amputar, sem qualquer preocupação com anestesia ou assepsia, os direitos previdenciários da maior parte do povo brasileiro. 
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E gera justamente, de forma radical, aquilo que já estava embutido na proposta original do banqueiro Guedes, a implantação do regime de capitalização. Privilegiando a previdência individual em contraposição à previdência social. Eliminando o regime de repartição solidária intergeracional, pelo mais estreito, mas liberal, individualismo. 
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Por que fica claro que, dadas as condições de qualificação da maior parte de nossa mão de obra, e suas condições de trabalho, ficará cada vez mais difícil para um trabalhador comum, atuando sob condições mais adversas, conseguir alcançar os novos limites legais, de 65 anos homem, e 15 anos de contribuição. Em trabalho formal. 
Em um país que, perversamente, já fez  uma reforma trabalhista que em nada contribui para a manutenção do emprego formal por esse trabalhador. 
E pior, que continua fazendo essa reforma trabalhista, concluindo o trabalho sujo iniciado por Temer, e tão em sintonia com os interesses empresariais. 
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Mas, admitindo-se que o trabalhador, mesmo não tendo garantia de qualquer estabilidade em algum emprego, consiga alcançar os 15 anos de contribuição com a idade mínima exigida, o que veremos é a massa trabalhadora tendo assegurada apenas um percentual reduzido de sua remuneração da ativa. 
E, apenas para registro, se chegarmos ao absurdo de permitir o retrocesso do trabalho infantil, a partir dos 9, 10 anos de idade, conforme proposta desse presidente que consegue, sem sombra de dúvida ser o mais tosco, ignorante, que o país já viu. 
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Ok. Não houve, ainda tal proposta de adoção do trabalho infantil, como política de saúde pública, para livrar as ruas de meninos drogados. Mas... estamos a caminho. E muita gente de caráter boçal (no sentido original do termo, relativo à escravidão), ainda tem coragem de se manifestar favorável à tão estapafúrdia ideia. 
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Então dando asas à imaginação, aprovada a jornada, que pode até ser reduzida para menores, esses trabalhadores não terão condições ou tempo para  se dedicarem aos estudos. (A prova de que trabalhar de criança prejudica o desenvolvimento intelectual e a educação da pessoa, é prestada pelo próprio Bolsonaro!)
Sem maior qualificação, essa massa de jovens não irá conseguir empregos em condições que lhes permita nem um emprego decente, nem uma condição de negociação de salários com seus empregadores. Nem estabilidade. 
Lembremos que, tampouco o Exército, cada vez mais acossado por restrições orçamentárias, terá condições de servir de repositório para tais cidadãos sem formação. 
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O que a reforma da Previdência nos proporciona é, pois, um quadro de trabalhadores que terão que se sujeitar a trabalhar a vida inteira (e, talvez, mais seis meses...), sem conseguir uma remuneração digna quando sua força laboral estiver desaparecido. 
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A grande maioria da população, portanto, não terá aposentadoria, nem poderão ser acusados de responsáveis pelo déficit da Previdência. De resto, essa instituição não conseguirá assegurar fontes estáveis de recursos, acabando por se desmoralizar, ampliar o rombo, até ser completamente extinta.
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Em relação a parcela que está longe de ser majoritária, mas ainda assim, de proporções significativas em nosso país, a assim chamada classe média, aquela que tem maior qualificação, empregos de melhor qualidade e melhores condições de negociação salarial, ou ainda aquela camada que forma o grupo dos profissionais liberais de nosso país,  de bom grado irão comportar-se como desejado por seus patrões: correrão para a Previdência complementar, carreando parcela de suas rendas para os tubarões do mercado financeiro. 
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Essa casta de pessoas mais privilegiadas, justamente em reconhecimento àqueles que lhes permitem viver nas franjas do poder, com que se iludem, acabam sem perceber prestando relação de vassalagem e servidão tão ou mais agressivas que a classe mais desfavorecida. 
E, por isso mesmo, irão fazer a alegria dos bancos. 
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Mas, não deverão se aposentar também. E não por qualquer maldade que lhes reserva o futuro e sim por outra razão, mais séria e não tratada até agora. 
O que nos remete a essa outra razão. Não sem antes concluir o comentário inicial de nosso pitaco.
Visando obter um protagonismo tolo, Rodrigo Maia, ao ver tanto discurso de desconstrução e ruptura institucional de Bolsonaro e dos energúmenos que lhe seguem, reagiu como qualquer criança. 
Parece que para Maia a situação apresentou-se da seguinte forma: se a sociedade, embalada pelo discurso anti-democrático, fascista do presidente e seus gurus, está sendo cada vez mais atirada contra o Congresso, cabe pois ao Legislativo mostrar sua altivez. Dessa forma, cabe tomar do Executivo a sua proposta, alterá-la de alguma forma, e fazer a reforma passar, para mostrar que o Congresso está operando. 
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Mas, a proposta que está aprovada é a do Governo, com necessárias críticas e alterações, é forçoso se reconhecer, como a questão do trabalhador rural e do BPC, e até mesmo com a questão da capitalização. Embora essa última, como já dito acima, descendo por vias tortas, goela abaixo da sociedade. 
E não apenas a proposta aprovada é a do Governo, com espaço suficiente para agradar a categorias especiais, como os militares, as forças policiais e até os empresários do agronegócio (perdoados em algo como 84 bilhões de reais de dívidas!), como para sua aprovação, mais uma vez o Executivo foi peça chave, na compra de votos, agora travestidos sob a feição de emendas orçamentárias, de caráter impositivo, algumas.
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A abertura do cofre, retomando a velha política de coalizão e corrupção que tanto o pessoal que ocupa o poder denunciava, foi peça tão importante para a aprovação da PEC em primeiro turno, quanto o trabalho de interlocução de Maia. 
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E o que precisava ser realmente discutido não foi colocado em pauta em qualquer instante: a situação da Previdência no país. Um país que está envelhecendo, em que o crescimento populacional tem dado demonstrações de que não irá conseguir, no futuro imediato, nem mesmo manter o ritmo de substituição de mão de obra. 
Um país que, sob a tormenta da inovação tecnológica, cada vez menos terá condições ou necessidade de gerar ou manter empregos de grande parte de sua população. 
Esse último fato, o efeito das mudanças tecnológicas cada vez mais tirando espaço também de grande parte de nossos profissionais liberais, e da classe média que se acreditava acima do bem e do mal. 
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Nenhuma dessas questões foi levantada, de forma séria, pela imprensa, embora objeto de discussões por quem está, de fato, interessado em debater o problema e estudar soluções possíveis, sem ter que ficar prestando retribuições aos favores obtidos junto ao capital financeiro. 
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A reforma - não séria, nem necessária sob a forma que agora foi conduzida - foi aprovada, mas não se mostrará nem mesmo capaz de atender aos interesses do mercado financeiro, exceto no curtíssimo prazo. Porque em relação às contas públicas, atenderá muito menos ao que era necessário. 
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Até porque, a Previdência, parte da Seguridade Social consagrada na Constituição de 88 não apresenta déficit, como já mostrado pela tese da professora Denise Gentil e vários outros estudos. 
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Menos ainda irá contribuir para o crescimento do país. Que só apresentará algum soluço nesse final de ano, em razão das medidas populistas de Guedes, para favorecer a demanda agregada e a elevação do consumo, o que é no mínimo o reconhecimento da incapacidade de Guedes e suas teorias voltadas para o "supply side economics"  de funcionarem. 
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A liberação parcial de recursos do FGTS, mesmo contas ativas, e de PIS, são medidas paliativas, positivas. Mas não terão o alcance que se estima. 
A grande maioria da população irá aproveitar para sacar os recursos e pagar dívidas voltando a limpar o nome. 
Com o nome limpo e crediário reabilitado, poderá sim, ocorrer uma elevação do consumo, mas de fôlego curto, se algum.
Porque não devemos nos esquecer que, como bom gato escaldado, quem conseguir quitar seus compromissos irá pensar muito antes de retomar, num momento de desemprego elevado e ocupações precárias, novos compromissos. 
Não podemos esquecer que a população aprende com os traumas vividos, e que a psicologia social não recomenda que se comemore uma inesperada reação de vendas. 
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Enquanto isso, Moro e seus asseclas continuam blindados, já que do esquema, como cada vez vai ficando mais claro, fazia parte também pessoas de conduta ilibada, como Fux, Fachin (Aha! Uhu! O Fachin é nosso!!!) e até o promoter Barroso. 
Disso, e da falta de caráter, para não afirmarmos categoricamente que a turma de Curitiba estava cometendo crimes, já que há apenas em tese essa possibilidade, falamos em outro pitaco. 
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Da indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos Estados Unidos, e da vergonha da decisão provisória de Toffoli de suspender os inquéritos contra Flávio Bolsonaro e, de quebra, o amigo "in pectore" Queiroz, também tratamos em outros pitacos. 
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É isso.