segunda-feira, 27 de abril de 2020

Desgoverno e fábrica de crises: o que esperar mais do final - melancólico - de Bolsonaro?


Acho muito curioso e até me esforço para tentar entender o tipo de lógica  subjacente ao comportamento das pessoas que se mostram totalmente favoráveis ao liberalismo econômico, à liberdade individual de empreender, produzir e buscar ganhar os recursos necessários a sua vida. Liimitadas tais liberdades ao exercício de atividades consideradas legais, ou que não firam a liberdade de outros.
Minha estranheza vem especialmente em relação àqueles que, se abraçam essa postura no tocante ao domínio econômico, mostram-se completamtente avessos ao exercício dos mesmos direitos e liberdades individuais  no que se refere a outras esferas do comportamento humano.
Exemplo disso é a questão do aborto, criminalizado desde sempre, como se o corpo da mulher não fosse propriedade exclusiva dela, sobre a qual não poderiam prevalecer as regras definidas por sua proprietária.
Penso que, talvez, a contradição entre a não aceitação de uma filosofia liberal, individualista, como norma de conduta na questão dos costumes, ao contrário da aceitação do mesmo viés individual no campo econômico poderia ser explicado por questões de fundo religioso.
No entanto, partindo do princípio fundamental de que também o religioso é uma questão de opção individual, duvido que fosse possível que a decisão maior, relativa à forma de expressão da religiosidade não se impusesse a qualquer ação ou decisão decorrente dos preceitos secundários (em termos de relevância), cuja validade seria inquestionável apenas para os seguidores e iniciados.
Ou seja: como ninguém é obrigado a ter uma religião específica, nem sequer a ter uma religião, não seria coerente que os princípios daquela crença pudessem se impor a todos.
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Faço essas reflexões, quem sabe bizantinas, a propósito do discurso, completamente desconexo, com que Jair Bolsonaro tentou por em pratos limpos, ou esclarecer cabalmente,  a saída de seu governo do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Aquele ex-juiz que, na feliz manifestação de Reinaldo Azevedo saiu de onde esteve sempre ausente.
No patético discurso em que tentou desconstruir a imagem de heroi nacional de Moro, o presidente fez referência à nomeação de Ilona Szabó para cargo por indicação do ministro, deixando claro sua incompatibilidade com as bandeiras de seu governo, entre as quais a questão do aborto.
A mim, soou como se Bolsonaro tentasse passar a mensagem, aos seus eleitores, em geral, e evangélicos em particular, de que Moo não seria contrário à legalização do aborto, assim como a armamento da população, e tantas outras bandeiras que em defesa da causa dos milicianos.
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Essas questão do aborto mexeu comigo, primeiro por que era um assunto que não tinha qualquer vínculuo com o que estava em discussão.
Em segundo lugar, despertou mais uma vez minha perplexidade. Afinal, pela fala do presidente, ficamos todos sabendo que ele respeita e até adota comportamentos de rompante na defesa da liberdade individual de ir e vir; em favor de que as pessoas tenham liberdade para se exercitarem na praia, ainda que em flagrante desrespeito a normas de convívio social baixadas com o objetivo de preservação da vida e da saúde dos outros cidadãos; enquanto no âmbito econômico, tenham plena liberdade para agirem como bem entenderem.
Refletindo, cheguei à conclusão de que a questão é toda uma só: DINHEIRO.
O que envolve dinheiro e as formas de obtê-lo ou gastá-lo, não devem ser objeto de intervenção ou regulação. Ideias e comportamentos que não envolverem diretamente ao maldito senhor, podem e devem ser tutelados pelo Estado ou pelos governantes de ocasião.
O que não deixa de ter sua graça, considerando-se que a própria Bíblia se incumbe de nos alertar que ninguém deve servir a dois senhores.
Mas, como também afirmava o filósofo e economista francês  Serge Latouche, em seu Análise Econômica e Materialismo Histórico, o dinheiro está para a superação de nossas fases de desenvolvimento da personalidade, como o excremento.
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Para personalidades deformadas ou mau formadas, como a do ocupante da presidência, não é de se admirar que o que envolve dinheiro seja tolerado sem restrições.
Como são exemplo a discussão da reabertura dos cassinos, ou da prática dos crimes ambientais, ou ainda a política explícita pró-armamento, ou qualquer outra que fira direitos consagrados como incentivo à invasão de reservas indígenas com garimpos e outras tantas.
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E enquanto o Brasil se vê às voltas com a  ressaca provocada pela quarentena, e pasmo com a quantidade de crises que os ocupantes do poder - Bolsonaro e seus três filhoes - , conseguem produzir, vão passando despercebidos outras medidas de governo, mais sérias e mais preocupantes, em especial em relação à manutenção de um ambiente minimamente preservado, para assegurar o futuro de nossos filhos.
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Afinal, sem que fosse dado o devido alarde, seja por todas as atenções estarem focadas na evolução da pandemia, seja por força das crises infinitas do poder, o sinistro e condenado Ricardo Salles, que ocupa a pasta do Meio Ambiente apenas com a finalidade de destruir o que resta ainda de nosso patrimônio natural, assinou despacho concedendo anistira para desmatadores de uma das regiões mais devastadas de nosso meio ambiente: a Mata Atlântica.
Seu despacho encontra amparo em parecer emitido pela Advocacia Geral da União, desse desgoverno que está infelicitando o país, mas o despacho tem força vinculante, o que além de beneficiar a retomada das atividades de exploração econômica da área invadida até 2008, sem que seus responsáveis tivessem que promover sua regeneração, vai permitir que todas as multas aplicadas em todo o período de destruição da Mata, possam ser anuladas.
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Por trás da decisão da AGU, a poderosa CNA, que agora se congratula e comemora, mesmo que a Área de Preservação Ambiental continue sendo objeto de cobiça, de agressões, inclusive com desmate de matas ciliares e espécies de árvores importantes para a preservação de mananciais.
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Depois irão dizer que não há corrupção nesse governo!
Na verdade, nem precisa que a corrupçãó se manifeste de forma aberta e desavergonhada. Basta para isso que medidas de interesse óbvio para setores empresariais possam ser adotadas, reforçando a capacidade de geração de dinheiro e poder, para esses grupos no presente, e que no futuro, estejamos atentos ao financiamento de campanhas de bandidos como Salles, que no lugar de estar no Ministério, deveria estar atrás das grades.
Fazendo companhia, na prisão ao dono do laranjal, que ocupa o Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, ou ao Queiroz, amigo do peito, ou ao comandante do gabinete do ódio, agora também suspeito de comandar o esquema de “fakes news”, ou ainda a Flávio, o responsável pela rachadinha. 
Parece que, das grades, escapam apenas Eduardo, o bananinha que teria o risco de se tornar mero lanche na cadeia ou o 04, esse raro exemplar de garanhão, em condomínios da Barra da Tijuca.
Mas, devo me penitenciar, e deixar claro para os poucos amigos leitores, que o meu desejo de verem presos o próprio Marcelo Álvaro Antônio, ou Carluxo e Flávio, ou ainda Guedes por suas propaladas falcatruas em gestão de fundos de pensão, não passa de manifestação de vontade, ou delírio meu.
Isso porque nenhum deles foi condenado. A rigor, nem foram investigados e, a julgar pela nova direção da PF e do ministério da Justiça, nem serão.
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Quanto à saída do grupo ministerial de Mandetta, primeiro, e depois de Moro, não há muito a comentar. Tudo já foi dito, antes que eu tivesse tempo para dar meus pitacos.
Mandetta, que saiu como heroi ,era um deputado do grupo do baixo clero, ocupando não apenas gabinete mas até mesmo a posição de amigo e conselheiro de Bolsonaro. Ambos insignificantes.
Oportunista e inteligente, algo de que Bolsonaro já provou que não pode ser acusado, percebeu, quando da chegada da pandemia que sua responsabilidade de médico não poderia ser colocada em segundo plano. Para ficar bem com os colegas e interesses que sempre representou, tinha que continuar mantendo a postura de médico preocupado com sua reputação. Por isso, e por prudência, optou por seguir o que a OMS recomendava, como o isolamento social, por exemplo.
Nem mesmo no caso de remédios, embarcou em indicação de curas milagrosas, como seu chefe, que não tem nenhum perfil a zelar.
Foi defenestrado por isso mesmo. E não saiu atirando, já que o assunto em discussão era não apenas restrito, mas de futuro imprevisível.
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Mas não custa lembrar que, enquanto deputado pelo despudorado DEM, foi um dos que participaram do golpe parlamentar (ou pra lamentar) que culminou com o afastamento da presidenta Dilma.
Depois, votou contra a continuidade do programa Mais Médicos e deu outras demonstrações de que a saúde da população era apenas uma capa, tênue e frágil, para seus interesses menores.
Saiu engrandecido, menos por seu papel,  e mais por não pertencer mais a um governo que tenta desconstruir, para se impor.
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Quanto a Moro, todos que já leram esses pitacos sabem bem meu pensamento a seu respeito. Para mim, juiz que rompeu os limites da legalidade de seus atos, a impessoalidade, a própria justiça, a que manipulou sem escrúpulos, é tão criminoso quanto outros a que condenou, ou expôs em público.
Exposições, às vezes, por meio de vazamentos ilegais, como o da conversa da presidenta Dilma, findo o prazo legal de realização das gravações.
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Em todos os momentos em que seu comportamento foi o de mero delinquente, ou bandido de toga, ele não se fez de rogado, e reconheceu o erro, e se escusou!!!
Mas o ilícito já estava cometido e suas consequências surtindo efeito.
Como não sou de defender bandido, nunca o vi como paladino da moralidade nem da luta anticorrupçãó. Isso não me deixa esquecer que, para ele, não houve problema com o caixa 2 da campanha de Onyx, que de resto reconheceu o erro e se desculpou.
Depois, quando da questão do laranjal de seu colega do Turismo, nada fez para que a apuração pudesse fluir de forma a não dar a impressão de que dependendo do lado do criminoso, não havia problema algum.
Em passagens outras, agiu sempre na defesa de seu chefe, advogando a seu favor, ou se omitindo, seja nas tentativas de interferência na Polícia Federal, seja na questão de atos contraários à Constituição, ao Estado de Direito e à democracia.
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Quando flagrado nas gravações da Vaza Jato, optou por não reconhecer a forma como as gravações vieram à luz. Dessa forma, se omitiu e, mais uma vez, não comentou das acusações que lhe eram atribuídas, ainda que elas não tivessem força de acusações formais.
Se naquela ocasião, deixou clao que gravações sem consentimento não eram material apto a servir de prova, agora, como na ocasião dos julgamentos de Lula, não se fez de rogado, e expõe, faz vazar gravações semelhantes àquelas que criticava.
Ou seja: o que vale para fortalecer seu lado e sua versão, não tem validade para ser usada contra ele.
Assim fica fácil. E ainda sai como paladino e candidato potencial para infelicitar o país em 2022.
Aliás, só não consegue ser pior que o chefe de quem agora se separa, traindo.
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Queira Deus que a Globo pare de insistir em cosntruir sua fama e imagem de bom moço. E que a sociedade brasileira, já vacinada, não sucumba aos encantos do marreco.
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Para mim, já sai tarde de onde não deveria ter estado.
E o que estamos assistindo é a discussão entre comparsas, do mesmo tipo de outras discussões acaloradas e até acareações de que a nossa história judicial tem tantos exemplos.
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Resta agora, que o presidente, já desnudado por seu ex-ajudante, seja também investigado, deposto e preso pelos crimes que cometeu, em tese. E leve consigo os numerais que atendem pela alcunha de seus filhos.


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Troca de ministros e manutenção do sofrimento de sempre do povo. E você, aceitaria o convite?


Finalmente, chegou ao fim a passagem do deputado médico Luiz Henrique Mandetra pelo cargo de ministro da Saúde do desgoverno Bolsonaro.
Não me entendam mal. Iniciar esse pitaco com o advérbio “finalmente” não deve ser interpretado como expressão de alívio. Antes, revela o desfecho da ilustração mais recente, arrastada e inequívoca do que se convencionou chamar de morte anunciada.  
Queda que, nesse momento, todos os brasileiros devemos lamentar.
Principalmente considerando-se os motivos de sua demissão, em minha opinião, distantes da mera questão de sua competência como médico, da postura técnica adotada conforme recomendação dos principais e mais reconhecidos órgãos de saúde do país e do mundo, OMS à frente, e mais afastada ainda de uma preocupação autêntica com a saúde do povo brasileiro.
Não custa lembrar que Mandetta foi um dos deputados que se aliaram ao golpe contra os interesses do povo, senão de sua totalidade, da maioria que elegeu Dilma presidente, em 2014.
Se vale para Bolsonaro e os estúpidos que lhe servem de claque e apoio o argumento de que Bolsonaro foi eleito democraticamente e, portanto, representa a vontade da maioria, em termos de lógica pura e simples, o mesmo argumento deve valer, ou deveria, para o mandato conquistada por Dilma nas urnas.
Por mais que a presidenta tenha pisado na bola e, no melhor estilo cavalo de pau, tenha dado uma guinada tão feroz em seus planos e sua agenda, que tenha cometido, SIM, um estelionato eleitoral.
Mas, fazendo um breve parênteses, creio que em situações de estelionato, apenas quem se sentiu iludido e enganado tem o direito de prestar queixa e reclamar.
Seguramente não seria esse, nem foi esse o caso dos eleitores do escroquinho Aécio, então o dono da mais brilhante carreira jamais vista em nosso país.
Mas, eleita ou não por uma maioria, a minoria derrotada não deu sossego, não deixou Dilma governar, e acabou patrocinando o golpe que culminou com seu impeachment: águas passadas.
Mas nessas águas, Mandetta nadou de braçada, mostrando que o povo e a vontade popular, para ele, não são tão dignas de respeito e consideração.
Golpista, o médico Mandetta aceitou trabalhar na campanha em prol da candidatura e, depois, das eleições, na equipe de um homem que sempre foi favorável à tortura e à morte.
Não foi Bolsonaro o autor da frase que o problema do golpe de 1964 foi não matar uns 30 mil?
Não foi ele que sempre elogiou a ditadura sanguinária que se implantou em nosso país?
Não foi ele quem, nas oportunidades que teve, elogiou um autor e comandante das torturas?
Em relação a Mandetta, é no mínimo curioso que quem tenha feito o juramento de Hipócrates, em defesa da vida, pudesse estar ao lado, apoiar, e participar de um governo sob tal comando.
Mandetta sai como herói do povo mais oprimido, defensor das causas mais populares talvez por ter, agora no estágio final de sua presença sob holofotes, ter se recordado do juramento feito um dia, e ter ficado do lado da conservação da... Saúde!!!
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O que não o impediu de, ao lado de Bolsonaro, dos ideologopatas, principalmente os da extrema direita que infestam o país, até mais perniciosos que o Covid 19, ter ficado contra o programa Mais Médicos, que ajudou a extinguir.
Nesse caso, convenhamos, grande parte dos médicos brasileiros, com capacitação semelhante até àquela de seus colegas cubanos, adotou a mesma posição, o que valeu o apoio da categoria, de forma maciça ao candidato da morte.
Mandetta, então, está longe de ser o santo, ou o médico preocupado com a saúde no geral, e em especial da população menos favorecida do nosso país, que alguns desavisados agora lhe atribuem.
Foi um político e pode ter aproveitado uma janela de oportunidade para se redimir, ou tão somente, para voltar à política com mais, muito mais respaldo, apoio e força.
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E o que esperar de seu substituto, Teich?
Especialmente sabendo-se que foi nomeado para um cargo de confiança de Messias, o Bolsonaro?
O que esperar depois de terem conversado, a sós, por algum tempo? Será que a ingenuidade de alguém pode fazer supor que o novo ministro tem uma linha de pensamento e foi apresentdo como novo titular da saúde para fazer algo distinto do que seu mestre mandar?
Ora, ele tem um currículo. Sim, respeitável. Em sua especialidade de oncologia, merece todo o respeito.
O mesmo dizem os que o conhecem quanto a sua capacidade como gestor. Afinal, como gestor, alguns tiram do baú a informação e trazem à baila sua amizade com Guedes... Para mim menos um ponto na sua avaliação.
Como gestor, mostra a sua racionalidade suprema, como alguém que, frente a recursos escassos consegue tomar decisões cruas, duras e, talvez necessárias. A ter que gastar recursos escassos com alguma parcela da população, que o seja com os mais jovens.
Afinal, os velhos estão condenados mesmo a apenas cumprirem a trajetória final de sua existência.
Mas..... onde fica mesmo a questão dos conhecimentos e experiências incorporados ao longo da trajetória e que na literatura se convencionou chamar de “learning by doing”?
Não são os mais velhos que, detentores de conhecimento adquirido pela experiência (“tacitness”) teriam que ser preservados para transmitir e ensinar lições aos tais jovens que o novo ministro acredita serem mais úteis à sociedade e mais merecedores de sacrifícios?
Correndo o risco de ser acusado de estar apelando, quem pensa e se manifesta como o ministro no aúdio que correu as redes sociais na noite de ontem, não está apenas deixando claro que deseja que sempre esteja sendo reinventada a roda?
Onde a evolução? Onde a visão evolutiva que marca a tecnologia, o avanço das técnicas de produção, e até da economia, que Bolsonaro e o ministro parece terem interesse comum e proteger?
E não digo isso nem como idoso, nem como professor. Meus alunos têm muito mais a aprender com outros colegas meus, sem dúvida.
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Mas, vamos nos colocar no lugar do ministro Teich e aplicar o tão propalado conceito de empatia.
Estivesse no lugar do doutor, eu recusaria o convite de ser ministro, coroamento e reconhecimento de toda uma vida de lutas e sacrifícios?
Confesso que, convidado em minha área, a Economia, talvez eu aceitasse me tornar ministro mesmo desse desgoverno.
Mas já vou logo avisando, para adotar a minha linha de ação e pensamento, sem arredar pé em nem um milímetro do que penso ser o correto a fazer.
O que significa que não duraria mais que um ou dois dias no cargo, já qual João Batista, teria logo minha cabeça requisitada, em bandeja de prata pelas Salomé que dominam o mercado financeiro.
E, afinal, não sejamos nem injustos, nem inocentes, dominam todo o poder e sua manifestação política.
Razão porque Bolsonaro não está preocupado, ou não se mostra assim, com a saúde e sobrevivência de seu povo, principalmente dos mais humildes e mais velhos: ele se preocupa com a possibilidade de quebra ou de dificuldades de liquidez ou até mesmo de sobrevivência de seus financiadores, os empresários. Com destaque para o famoso Veio da Havan, e sua preocupação especial com a manutenção do emprego.
Razão porque demitiu ao que se noticia, 11 mil funcionários.
Ou o grande empresário Sílvio Santos cuja mulher é a responsável pela participação do presidente em lives de religiosos na Páscoa.
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Bolsonaro tanto não se preocupa com nossos mais necessitados, que declara que o gasto já está orçado em 600 bilhões e pode chegar a 1 trilhão, a continuar no ritmo que apresenta.
Se você tivesse que gastar até o fundo do tacho para dar ao menos uma morte melhor, com mais conforto a sua mãe, o que você faria? Deixaria a senhora na enfermaria para aplicar o dinheiro em títulos de maior rentabilidade no mercado?
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Triste o país em que sua população opta por salvar os negócios, em prejuízo da saúde e dos negócios.
Afinal com todos na pindaíba, quem iria depois se eximir de ajudar a recuperar, caso salvo por atitudes e decisões heroicas da morte certa e infalível?
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A esse respeito fico pensando: nos anos 1918-1920, deve ter havido a mesma discussão, por ocasião da gripe espanhola.
O que aprendemos, depois de tanto tempo, em relação à questão da recuperação – e crescimento exponencial da economia em todo o mundo?
O que aprendemos em termos de saída da crise derivada da pandemia? O mundo tornou-se mais humano, mais solidário, depois dos anos 20? Ou o capitalismo se implantou definitivamente com força propulsora de toda nossa vida, para o bem ou para o mal?
É importante destacar que a sociedade humana nunca antes viu e se aproveitou de tamanha opulência.
Em contrapartida, nunca a desigualdade foi tão feroz e a consideração da pessoa do outro, a tal alteridade, tão frustrada?
Para que pensar no coletivo, se eu estou bem, e os iguais a mim me acompanham?
É isso.



quinta-feira, 9 de abril de 2020

O discurso sem nexo de quem não sabe para onde aponta o nariz.

Bolsonaro fez um pronunciamento tranquilo na noite de ontem. Fica a dúvida de até quando vai durar essa tranquilidade.
Ao contráriio da opinião de Emerson Kapaz, exposta em seu comentário para o Jornal da Cultura, não achei um discurso de conciliação, nem de união. Menos ainda de um líder ou, nas palavras de Kapaz, de um capitão por analogia à função de um jogador mais respeitado no futebol, e não em referência à patente.
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E vamos admitir, Mandetta não teve qualquer influência no pronunciamento.
E, poucas horas antes, na entrevista diária da área da Saúde com a imprensa, destinada a promover a atualização da evolução da pandemia no país, o ministro da Saúde fez o possível para adotar um tom conciliatório, amistoso. Até subalterno.
Mostrando já maior conhecimento da personalidade esquizotípica, ou paranóide, ou ambas, de seu chefe, Mandetta fez questão de salientar estarem “jogando no mesmo time”, para prosseguir utilizando a analogia de Kapaz.
Aí, foi suficientemente claro: olhamos todos o mesmo parabrisa, para frente. Estamos unidos. E quem manda no time tem nome: Jair Messias Bolsonaro.
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Mesmo com o ego massageado, em seu pronunciamento noturno, melhor seria soturno, o “capitão” mostrou que o time encontra-se completamente à deriva. Mandetta não apenas não foi citado. Pior: Bolsonaro fez questão de mostrar que se o seu jogador mais avançado, nessa oportunidade, joga para a frente, ele continua fazendo questão de dar chutões para os lados.
Mas tais chutões não têm o objetivo de espantar o perigo de um ataque adversário: são apenas para, sob sorrisos de soslaios por entre a boca torta, arremessar a bola para a pequena claque que, sem prestar atenção ao jogo, se compraz em aplaudir e incentivar seu ídolo mor.
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Nesse sentido, Bolsonaro parece continuar agindo como a criança mimada que, independente dos problemas que pode estar causando, se dispõe a qualquer tipo de comportamento para continuar sendo o centro das atenções.
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Mandetta não joga no mesmo time de Bolsonaro e, a julgar pelo comportamento da tropa de choque de brucutus que põem em movimento as redes sociais de seu Messias, cada vez mais parece estar sendo deslocado para a extrema esquerda. Logo ele, que não tem nada de canhoto.
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Não contente de não fazer referência ao seu subordinado, Bolsonaro ainda se referiu aos encontros que vem mantendo com outros médicos, para tratar da aplicação do remédio que, em sua abalizada opinião, é a panaceia universal: o emplasto Brás Cubas.
Mas, como na história genial do personagem de Machado, Bolsonaro corre o risco de se submeter a enorme frustração.
O que poderia ser evitado se tivessse se dedicado a alguma leitura que permitisse o desenvolvimento do cerébro, ao invés de optar por desenvolver tão somente a musculatura.
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E reconheçamos que Mandetta demonstrou não se opor à prescrição da receita milagrosa. Apenas não quer correr riscos de sua utilização indiscriminada para toda a população, sem a identificação exata sequer da contaminação pelo vírus, temendo possíveis efeitos colaterais.  
Sem qualquer compromisso, exceto com seu pensamento mágico, Bolsonaro não se constrange de receitar o medicamento. Vai mais além: gaba-se de conversar pessoalmente com o primeiro ministro indiano, de forma a assegurar a aquisição e entrega de insumos necessários à continuidade da produção da cloroquina.
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Aqui um parênteses: ao fazer questão de manifestar o telefonema ao premier indiano, Bolsonaro não estava querendo demonstrar prestígio. Tão somente estava reconhecendo que no Ministério das Relações Exteriores, completamente acéfalo de algum ser racional, não há ninguém que possa ser indicado para cumprir os trâmites necessários a tal negócio.
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Não podemos deixar de destacar que, em certo momento e mais uma vez, como um disco arranhado que fica repetindo sempre o mesmo trecho da música, fez questão de deixar claro sua intenção de respeitar a autonomia dos entes federativos, indicador de que já tinha tomado ciência da decisão do Ministro Alexandre de Moraes, assegurando a autonomia das instâncias subnacionais para tomar decisões sobre como lidar com a pandemia.
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Bolsonaro acusou o golpe. Tanto que, novamente, fez questão de transferir a responsabilidade ou o ônus das medidas de isolamento social para governadores e prefeitos.
Mais tarde, e sempre, qualquer que seja o resultado ele poderá apontar o dedo e falar: eu avisei.
Exatamente, o que ele falou ninguém sabe, mas... não é ele o responsável.
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Dois comentários: o primeiro, relativo aos ataques que começarão a ter como foco a figura do ministro Moraes, em razão da sentença contrária ao interesse do megalomâno e suas legiões.
Não há problema: além dos brucutus descerebrados, os ataques virão de quem não conhece nem para onde aponta o nariz, quanto mais o que significa o respeito Constitucional à autonomia dos poderes.
Curiosamente: a verdadeira ilustração do dito mais Brasil, menos Brasília a que os desmemoriados de sempre (e os sem caráter) poderão fazer vistas grossas.
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Segundo: os ataques e transferência de responsabilidades para governadores como Witzel e Dória funcionam com a história de Caramuru. Bolsonaro atira no que vê, e erra. E acerta o que não viu.
Eleitos na esteira da histeria provocada pelo vírus corrosivo para os neurônios que levou ao poder o energúmeno lá instalado, Dória e Witzel, além da mesma truculência e despreparo, apenas mostram o mesmo problema de ego de Bolsonaro.
O que explica a ridícula disputa da paternidade da aplicação da cloroquina.
Isso independente de, em minha opiniao, bem assessorados, terem os dois governadores agido como as autoridades devem agir, em momentos de insegurança.
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Procurando não se alterar, Bolsonaro mudou o tema de seu discurso passando a tratar de questões econômicas, e aproveitando para, mais uma vez, como agulha emperrada, falar da liberação dos R$ 600,00 reais para os mais necessitados. Além da liberação de cota de um salário mínimo do FGTS.
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Quanto a essa parte do discurso, apenas um registro. O capitão começou afirmando que seu governo tinha duas preocupações: a luta contra o vírus, e a luta contra o desemprego.
Ora, dado que seu (des)governo já completou um ano de exercício de mandato, e que a Covid-19 nos atingiu apenas recentemente, o fato de colocar a luta contra o vírus como preocupação é algo a se comemorar.
Afinal, não há muito tempo, esse vírus era causador apenas de uma gripezinha.
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Quanto ao desemprego é forçoso reconhecer que, transcorrido já um ano, nada foi alterado. Independente de medidas destinadas à precarização do trabalho e à retirada cada vez mais agressiva dos direitos dos trabalhadores (o que inclui a possibilidade de, no futuro próximo, assistirmos, no limite da retirada de sua própria remuneração), os dados mostram que o aumento de emprego se deveu à elevação dos informais, ou autônomos. Aqueles que vivem de bicos, mas por terem CNPJ, acreditam que se transformaram em empresários empreendedores.
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Bem, com um ministro da Economia capaz de vender a imagem de superior competência, entregando um resultado como o obtido até aqui, convenhamos que o corona vírus é até uma excelente desculpa para tanta incompetência.
Do jogador, e do técnico que o escalou e o  mantém.
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Ainda assim, prefiro Bolsonaro, o ex, esquentando a cadeira, já que a tinta da caneta se esgotou, que uma farda ocupando aquele espaço.
É isso aí.  Como ele falou, boa Páscoa. Que não seja apenas a passagem para o outro mundo, mas a reabilitação da vida e dos ideiais que a fazem dignas de serem vividas.

terça-feira, 7 de abril de 2020

A pergunta de um milhão de dólares: Quando Mandetta vai dispensar Bolsonaro?

É triste e forçoso ter de reconhecer a veracidade do ditado popular de que "não há nada tão ruim que não possa ficar pior". 
Frase que uma pesquisa no Google não permitiu a identificação da autoria. Menos mal, o site "Quem disse" informa tratar-se de um provérbio de origem inglesa. 
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E não é que, em meio à pandemia do Covid-19, insatisfeito com o protagonismo de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o destemperado ex-militar do Exército Nacional, "convidado a pedir para passar à reserva", e que, infelizmente, ocupa o principal posto do Executivo nacional, resolve que vai exonerar o ministro do seu cargo. 
Tudo porque o brilho do ministro e o apoio popular revelado pelas pesquisas de opinião pública mais mais que dobrou a aprovação do presidente. 
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Confesso que não sei se é apenas insegurança, se é alguma característica de personalidade narcísica, bastante fora da normalidade,  doentia, mórbida até,  ou se a explicação para o comportamento do presidente se deve à canalhice de um indivíduo que se compraz em elogiar a tortura e torturadores.
Ou se segue alguma lógica perversa, alguma estratégia que o obriga a prosseguir dando voz, seja por que forma ou meio ele tenha que chamar a atenção, para que seja mantida em fogo alto uma pretensa batalha contra tudo que a imaginação,  a fantasia ou o delírio possam caracterizar como fruto de ações da esquerda ou dos esquerdopatas, do marxismo cultural ou do multiculturalismo que se instalou em todo o mundo e que domina os principais foruns e organismos multilaterais existentes.
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Curiosa, em minha opinião, o fato de a proximidade com a loucura em seu estágio mais bruto, afetar algumas pessoas consideradas mais informadas, formalmente mais educadas, com nível mais elevado de qualificação, a ponto de permitir-lhes identificar a patologia em tudo e todos. Razão do gozo que sentem ao se referirem a qualquer pessoa que não pense ou aja da forma deturpada como estão agindo e pensando, como esquerdopatas. 
Ou seja: são suficientemente inteligentes para identificarem a patologia à sua volta. Mas não conseguem desvencilhar-se do mal que lhes capturou e que vai envolvendo-os e transformando-os na antítese do estudioso que um dia desejaram ser. 
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Transformaram-se em meras marionetes, meras caixas de ressonância de  um movimento que, em outras circunstâncias mereceriam deles a repulsa.
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Mas, foi assim também quando da ascensão de Hitler na Alemanha, ou de Mussolini na Itália ou até de Franco na Espanha. Cidadãos do bem, de boa índole e alguns de alta qualificação foram cooptados, ludibriados e, sem que se dessem conta transformaram-se nos arautos, nos relações públicas de toda a banalidade do mal. 
Entre esses,  a história revela cientistas, filósofos, músicos, artistas, profissionais liberais, gentes tanto da oligarquia financeira quanto do capital industrial e da pequena burguesia.
Em comum, todos apresentando a mesma cegueira ou envergando a mesma viseira, que os levava a identificar ao alcance da imaginação e não apenas da visão, um verdadeiro terror, representado pelas massas comunistas, na defesa de seus interesses e de seus direitos, sempre negados.
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Essa mesma visão dantesca, continua sendo permanentemente cultivada para permitir a manutenção do domínio sobre mentes e corações mais suscetíveis às ameaças de um pretenso e até folclórico movimento destinado a lhes roubar a liberdade, a individualidade, as propriedades, posses, riquezas e até a esperança. 
De fato, o medo que alimenta esses pobres coitados nasce da consciência de que  sua independência e liberdade se fundamentam na desigualdade e na exploração que assistem ter lugar e a qual apoiam. E que, um dia, irá acabar por desnudar-se, quando serão obrigados a repartir com outros os nacos que sempre reservaram para si. 
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Mas, deixando essas elucubrações de lado, retornemos ao tema central do pitaco: as ações do Cavalão da triste figura em que, cada vez mais, vai se transformando Bolsonaro. 
Fosse um líder e não um paspalho, teria sido o primeiro a admitir que teria muito a ganhar em prestígio e popularidade eleitoral se em todo os instantes, aparecesse ao lado, incentivando, dando força, reiterando o acerto das medidas adotadas por Mandetta e sua equipe.
Afinal, proporcionasse tal apoio, a cada momento poderia lembrar a toda a população de que não poderia ter feito  melhor escolha para comandar uma área tão importante de qualquer governo, principalmente em momento em que essa área, a Saúde, passa por teste de tal envergadura. 
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Trump, seu ídolo, começou a tratar do problema da pandemia com a mesma displicência e desprezo. 
Ao que se sabe, até chegando a se atritar com seu secretário responsável pelas ações de saúde. Até que "caiu a ficha" para o também egocêntrico presidente americano. 
E Trump percebeu que ao invés de fritar, queimar e até destituir seu auxiliar, deveria capitalizar o apoio que esse funcionário atraía para quem o nomeou e o apoiava.
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Porque razão os ideólogos de seu governo, os filhos do mal e os funcionários do Gabinete do Mal que coordenam, não perceberam que essa seria uma forma de manter a popularidade de Jair em alta é, para mim, um mistério. 
Porque não fizeram o Messias, nessa época de Páscoa, cavalgar na onda de popularidade de seu auxiliar eu confesso não entender. 
Afinal, duvido que fosse por achar que ao agir dessa forma, seria Bolsonaro que estaria se submetendo a Mandetta, invertendo aquilo que só não reconhece alguém que fosse mal intencionado. Por que é claro que Mandetta era um ilustre desconhecido, mesmo que médico competente, técnico, político e até deputado. 
O alegado mito, até meados de 2019, era o outro. 
***
Daí, entende-se a razão de o presidente resolver apostar uma queda de braço com seu ministro, em um instante em que todo o resto do governo teme os efeitos do corona vírus e prefere ficar ao lado de quem sabe do que está falando e transmite a impressão de ter segurança no que está falando e em suas ações. 
***
Motivo porque Bolsonaro, tentando mostrar sua importância, poder e força, acabou mostrando que não passa de um fantasma, um espectro a vagar pelos palácios e até ruas de Brasília, um morto vivo  capaz apenas de agradar aos populares que, acreditando no poder do sobrenatural em relação à ciência, ainda continuam acorrendo à portaria do Palácio, atrás de risos fáceis e falsos de seu guru maior. 
***
Alegar que o apoio à Mandetta implicaria em desarticulação da Economia, o que levaria seu des-governo para o lugar de o mais desastrado de todo o período republicano (não digo nem depois da redemocratização) é uma tolice total. 
Ao contrário, agindo como líder, mesmo indo contrário ao seu posto Ipiranga, cada vez com combustível mais falsificado, e imediatamente tomando decisões semelhantes àquelas de Trump, seu guru, ou de outros líderes de Executivo mundo afora, Bolsonaro poderia se cacifar junto a toda a população, principalmente os mais desvalidos. 
Para tanto, bastaria determinar a concessão de apoio financeiro, ágil, em montante razoável a todos os que pudessem estar prejudicados na crise, empresários, autônomos, informais, etc. 
***
Evitasse se agarrar às opções preferenciais da equipe liberal da Economia, pela manutenção do orçamento e do equilíbrio fiscal; pela projeção de evolução da dívida pública futura; pela necessidade de se privatizar nesse momento, ele poderia ganhar mais apoio, suficiente para, lá na frente, poder cobrar dos beneficiados de agora, sua parcela de sacrifício e contribuição para o ajuste das contas do país. 
***
Mas, na direção contrária desse comportamento, o que o governo faz, cada vez mais flagrantemente é postegar, adiar, protelar qualquer apoio. O que é perigoso, pois depois de acenar com benesses, e criar no povo uma expectativa, negar tais esperanças ou adiá-las é criar a pressão que pode fazer explodir a panela já em fogo alto. 
***
Pior ainda, é verificar a quantidade de agressões que seu governo, sem sua desautorização, e até mesmo seu filho, fazem em relação a parceiro comercial do país, que não apenas tem se mostrado o maior dos parceiros, mas pode prestar o auxílio para nos ajudar a sair da crise da Covid. 
O que tem se repetido tão constantemente, que parece ser uma campanha orquestrada para criar mesmo uma situação de total beligerância com a China e seus possíveis aliados, ainda que de ocasião. 
***
O que quer o Brasil?
O que querem os Eduardos Bananinhas e os iletrados Weintraubs? O que quer o Ernesto Araújo, outro espantalho inútil na casa do Barão do Rio Branco?
O quer o Carluxo em sala no Planalto, sem cargo para tanto? O que quer o oligofrênico Olavo de Carvalho?
Será apenas tumultuar pelo tumulto?
Ou sua estratégia é manter uma constante chama crepitando o fogo da discórdia entre os homens?  
Será que é a persistente sobrevivência do comunismo como mal maior da humanidade?
***
Porque o que é certo é que tão autoritário como pode ter sido o regime comunista, tão tirânico e criminoso, também não há como negar terem sido os regimes escudados pela ultra-direita, tais como o nazi-fascismo, o fascismo do Duce, o franquismo ou o salazarismo, para não falar em Orbán na Hungria. 
***
Então, o mal não está na posição em que se situa o autoritarismo, mas na possibilidade de sua vigência. 
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Para concluir as divagações desse pitaco, revelo apenas a expectativa criada depois da reunião ministerial de ontem em que Bolsonaro perdeu a chance de ficar quieto, perdeu poder, e perdeu espaço em seu governo: a pergunta que não quer calar e que vale um milhão de dólares.
Quando é que Mandetta vai demitir Bolsonaro?


terça-feira, 31 de março de 2020

Zig e Zog. Brasil, pandemia, isolamento social, impactos econômicos e um presidente que não está a altura de um mero vírus

Foi Paul Samuelson quem proporcionou meu primeiro contato com a disciplina de Economia I, na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, por meio de seu livro Introdução à Análise Econômica, na época utilizado como bibliografia básica.livro texto.
E devo confessar que, desde o início, tive minha atenção atraída por um trecho em que o afamado professor, laureado com o prêmio Nobel de Economia, procurava demonstrar as vantagens da organização do sistema de preços, baseado no livre mercado, como forma de resolução dos problemas econômicos fundamentais, de o que, como e para quem produzir.
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É desse livro que transcrevo integralmente a seguinte parábola:

"Em Flandres havia dois reinos. Em Zig, o bom Rei Juan requisitava os gêneros alimentícios levados à cidade em época de fome, pagando aos camponeses um preço justo (mas generoso) e racionando os suprimentos em proporções satisfatórias para todos. Como a fome persistisse, os cidadãos moribundos abençoavam o Rei moribundo. Em Zog, que ficava perto, em época de fartura, cada um dos doze comerciantes construiu em segredo (e encheu de cereais baratos) um armazém de gêneros alimentícios. Quando veio a fome, venderam o produto pelo dobro do preço comum, chegando até a despojar as pessoas de seus relógios e de suas jóias. Algumas (mas não todas, em absoluto) das jóias eles as deram a camponeses menos atingidos, para provocar a saída da maior quantidade de gêneros. E quando a notícia se espalhou, de lugares que ficavam à distância de Zig vieram camponeses trazendo alimentos. Quanto mais durasse o período de fome, maior era o preço que os Zoguitas pagavam pelos gêneros, até que finalmente o mercado os limitou a uma dieta mínima. Quando passou a crise, a cidade inteira devia aos comerciantes, mas estava viva, e cada um dos comerciantes lamentava que a concorrência por parte de seus colegas havia impedido que ele aumentasse vinte vezes a sua fortuna, em vez de apenas quatro. (extraído de Samuelson - Introdução à Análise Econômica - vol 1 - página 74 - Agir/MEC, 1972).

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Desde minha primeira leitura, e por pior que fossem os resultados apresentados, me solidarizei com o Rei Juan e sua preocupação em pagar o justo valor dos gêneros alimentícios encomendados aos camponeses. Da mesma forma, a distribuição de rações satisfatórias de alimentos a toda a população, sem se importar com atributos dos cidadãos como sobrenome, linhagem, posses e riquezas, função social desempenhada, classe social, etc. provocou marcas na minha forma de encarar a realidade social, o ambiente em que eu vivia. 
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Por outro lado, não há como deixar de reconhecer e questionar as razões de apresentação tão desigual, desde seu início, da situação dos dois reinos. 
Afinal, em Zig, já somos lançados em meio à fome avassaladora. Nenhum detalhe adicional nos permite identificar as razões da crise. Não somos informados se houve algum tipo de previsão, se houve inépcia, negligência, imprudência por parte do bom Rei Juan. Sabemos que, em meio à tormenta, ele tratou a todos como cidadãos iguais, com direitos iguais aos dele.
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Completamente diferente é a situação em Zog, onde sabemos que foi feita provisão de gêneros nos tempos de "vacas gordas", à semelhança da história do sonho do Faraó e José do Egito, ou de políticas de estoques mínimos, mantida por vários governos, de distintos matizes ideológicos. 
Mas, sabemos mais. Não se tratava de um mercado de concorrência pura ou perfeita, como a tese vendida nos manuais, e que ampara o altar ao deus mercado: afinal, eram apenas 12 comerciantes. Situação característica de mercados oligopólicos, e de todas as consequências daí decorrentes, como a prática de colusão de preços!!!
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Talvez não intencionalmente, também somos apresentados à verdadeira face do comerciante, no auge de seu processo de acumulação de capital, de forma a mais selvagem e bárbara possível. Somos apresentados a pessoas que, para aumentarem suas riquezas em apenas 4 vezes, chegaram às raias da extorsão, cobrando preços exorbitantes, jóias, tesouros. 
Vá saber quantos não morreram de fome, na miséria, à míngua, por não terem nem um pedaço de grão de areia para poderem ter acesso ao alimento necessário. 
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Chama-me também a atenção que não houve roubos, agressões, violências, saques e roubos aos depósitos onde se estocavam os alimentos. E que à custa da rapina feita aos seus clientes, puderam encomendar e ampliar a compra e fornecimento de alimentos em localidades vizinhas. 
Nenhuma palavra sobre a organização do reino de Zog, como se já há muito o Estado de tão mínimo já não tivesse mais razão de existir, e seu Rei tivesse sido deposto pelos comerciantes unidos e poderosos. 
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Nesse momento específico experimentado em nosso país, não passa despercebido também o fato de que os comerciantes sabidamente concederam créditos aos seus clientes, independente dos riscos incorridos, já que não apenas tratava-se de uma situação extraordinária, mas da possibilidade de os sobreviventes endividados poderem ter que saldar suas dívidas com seu próprio suor e trabalho, sob as condições impostas por donos de capitais talvez em fase de industrialização.
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Da pouca consciência de classe em si, ou ausência da consciência de classe para si, percebemos que não estávamos nos defrontando com cidadãos conscientes de seu futuro proletário...
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Mas, acima de tudo, uma observação que mexe muito comigo é a relativa às razões de os camponeses, de Zog ou de reinos que passaram a lhes abastecer, não terem resolvido, em momento de tragédia humanitária, procurado assegurar a venda, com menores margens sem dúvida, de sua produção para o reino de Zig, de mesma distância que Zog. 
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De toda a passagem e por meus comentários, fica nítida a minha aversão a esse sistema que se transformou em religião, dogmática, mecanicista, falsa e ilusória, que cultua o "deus ex-machine", o deus Mercado. 
Em relação a esse deus, afirmo que sou completamente ateu. 
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Gripe, Economia e Brasil

Todo o trecho introdutório, que serve mais para caracterizar e deixar claras as raízes de minha visão de mundo, permitindo que todos entendam minhas limitações e os argumentos que utilizo, nesse pitaco têm a função de embasar minha opinião a respeito do momento de crise que atravessamos em função da Covid 19.
E, de quebra, da recomendação de todos os cientistas, médicos, epidemiologistas, estatísticos, para que toda a população se mantenha em isolamento social, o máximo que for possível.
Afinal, a nenhum de nós é alheia a noção da necessidade de se fazer a provisão, o sortimento das dispensas das casas; como também é necessário que se façam compras de medicamentos, carnes, outros tipos de gêneros de bens, de limpeza, etc. 
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Nesses casos, há que se sair às ruas, e voltar imediatamente terminada a tarefa, não sem antes lembrar os cuidados devidos a todos, independente de qualquer outra visão ou comportamento. 
Lavar as mãos, higienizar bem, com água e sabão. Passar álcool e/ou água sanitária em todas as superfícies ou embalagens e produtos trazidos da rua. 
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No entanto, não há como não reconhecermos, ao menos os que não vivem nas nuvens, que tais cuidados dificilmente poderão ser tomados por todos aqueles que vivem em condições de higiene sanitária completamente precárias, muito por culpa de nossos "gestores de Zog". 
É tão difícil pedir que quem não tem água tratada ou esgoto em casa possa manter as condições de higiene pessoal recomendadas, quanto de que se mantenham em isolamento social. 
Afinal, é muito difícil, em cubículos em que convivem mais de 7 ou 8 pessoas, espremidas umas sobre as outras, que mantenham a distância de um metro ou metro e meio, ou que evitem tossir sem jogar perdigotos nos seus familiares e agregados. 
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Para esses, não é completamente descabido acreditar que estarão mais protegidos nas ruelas, nas calçadas que em seus "lares".
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Em meio ao surgimento dessa crise, tive a oportunidade de ser chamado por duas vezes para emitir opiniões sobre os impactos da gripe no nosso processo produtivo, na nossa economia, professor de Economia que sou. 
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Em todas as minhas entrevistas, citei que a questão de fábricas onde se aglomeram trabalhadores, tomando a decisão de interromperem suas atividades, em especial na China, então principal oficina e fornecedora de insumos em todo o mundo, acabaria nos levando a uma paralisação total. 
Entraríamos em recessão por não termos o que ou com que recursos produzir, o que levaria à decisão lógica e racional de não mantermos nossas unidades produtivas funcionando. 
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Ou seja: se vai faltar insumos e materiais para que as fábricas possam operar; se elas irão paralisar as atividades por falta de condições materiais, por que razão continuar cobrando a presença, a marcação de ponto de seus operários?
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A mim, em nenhum momento passou despercebido que não adianta mandar todo esse pessoal de volta a suas estações de  trabalho. Eles não terão muito o que fazer, ou farão muito menos que antes. 
Para mim também fica claro que as empresas não conseguirão suportar os ônus de pagamento de todas as suas obrigações, com funcionários, com operários, com os tributos, com fornecedores, com bancos e financiadores, estando de portas fechadas. 
Muito embora várias delas estão sobrecapitalizadas e com muitos recursos sendo mantidos em operações meramente especulativas no mercado financeiro. 
***
A verdade é que nesse momento, como os comerciantes de Zog, era necessário que o governo emprestasse recursos, emitisse dinheiro, fizesse os gastos necessários para assegurar a renda que os empregados teriam direito a receber. 
Como na França, acredito que não poderíamos ser tímidos. Deveríamos, o governo em nome de toda a sociedade, isentar, na crise e tão somente nesse momento, as empresas de pagarem serviços de utilidade pública, aluguéis, tributos, encargos sociais. 
Ao governo competiria a obrigação de pagar os salários, integralmente, dos empregados de pequenas, micro e médias empresas. Parcialmente, poderia até se propor a pagar o salário de empresas maiores.
***
Tudo para manter a população tranquila, segura, satisfeita e preocupada em manter sua saúde e sua vida. 
***
Para autônomos, para os que vivem de bicos, seria dada uma renda mínima, por período limitado, sujeita a ampliação do tempo se necessário, para que eles não se vissem na contingência de terem de sair de casa, para tentarem algum tipo de garantia de sustento. 
Não há como lidar com a realidade ou dar murro em ponta de faca: mesmo que todos os "empreendedores" de nosso país fossem para as regiões centrais dos núcleos urbanos, não teriam clientes em número suficiente para demandarem seus serviços e sua renda seria sempre muito pequena. 
***
Estando já no meio da rua, restaria a eles o chamado "trade-off", pegar a gripe e vir a morrer da pandemia, ou morrer de fome. 
Nessa situação, até o estado de emergência poderia caracterizar e servir de argumento para os saques, roubos, invasões de estabelecimentos comerciais. 
***
Bem as medidas são conhecidas de todos. O problema é que vai tirar o país de seu esforço de contenção de gastos, preocupação central do sinistro liberal, Guedes. 
Para esse, ministro típico de Zog, desde que os comerciantes sobrevivam e o Estado não venha interferir ou impactar a nossa economia, não venha assumir dívidas gigantescas (que nada mais são de dívidas da sociedade - hoje - com ela mesma, no futuro!), não deve o governo adotar medidas que visam aumentar a intervenção no domínio público. 
***
Não fora o Legislativo, a Câmara antes, e o Senado ontem, o vale de R$ 600,00 reais não iria se tornar uma possibilidade. Mera possibilidade, se lembrarmos o que nos ensinam cientistas políticos: não basta a legislação, há sempre a possibilidade de tudo não funcionar, dependendo da forma de implementação da política decidida. 
***
Mas, estou certo de que Guedes tentará se assenhorear da decisão de que foi apenas espectador passivo. 
Assim como o seu chefe, que ao invés de preocupar-se com as vidas de seus eleitores, está mais preocupado com a economia que sem funcionar pode transformá-lo no pior presidente de toda a história do país. 
O que ele já está próximo de se tornar. 
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Daí a preocupação de Bolsonaro de mandar todos os cidadãos para a volta à vida normal. 
Daí sua preocupação em que a economia volte a produzir, sem o governo precisar de emitir (como acertadamente está fazendo o Banco Central), sem precisar de assumir riscos de crédito, ou dívidas particulares e itens de custo de produção das empresas. 
***
Esse demente que ocupa a presidência, e que só pensa em seus problemas de imagem, já suficientemente queimada para todo o sempre, no mundo inteiro, não consegue perceber que um verdadeiro estadista é aquele que está adotando as medidas que permitam seu povo superar os momentos mais tenebrosos de crise. 
***
A economia pode não ir bem. Mas, a população tendo saído da pandemia, com pequenas e inevitáveis perdas, irá saber ser reconhecida àqueles que lutaram para que as dimensões da catástrofe fossem menores. 
***
O Rei de Zig, moribundo era saudado pelo seu povo. Pela fábula, Zog nem tinha rei, nem qualquer governante a ser lembrado. 
E aí Bozo? Qual a razão para seus temores?

quarta-feira, 25 de março de 2020

Vida, longa, intensa causa mais morte que outras causas. Doenças com as quais o país foi incapaz de lidar também. Mas a causa aguda agora é o corona virus.



É verdade.  Vivendo em  um país onde a população menos favorecida não tem qualquer cuidado por parte das autoridades públicas, carecendo do mínimo básico para sua sobrevivência, o Brasil é espaço privilegiado para o surgimento e a disseminação de doenças responsáveis por alto índice de letalidade.
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Sem poder contar com tratamento sanitário mínimo de água e esgoto, no que ironicamente acabam por se igualar a famílias da chamada classe média, as famílias de menor poder aquisitivo e visibilidade social não têm outra opção exceto a de permitir que suas crianças brinquem ao lado de esgoto a céu aberto e convivam com condições tão precárias que a surpresa não é a quantidade de mortes na primeira infância, ainda por doenças já sob controle ou extintas naqueles países que atribuem alguma importância à manutenção de uma vida digna para sua população.
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Não é surpresa pois, que crianças continuem sendo afetadas e acabem vindo a óbito por verminoses várias; que sejam vítimas de gastroenterite,  coqueluche; para não falar de dengue, zica (com as suas nefastas consequências sobre o sistema nervoso central) e, agora até o retorno do sarampo, ou pólio, etc. etc.
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A lista é longa e não sou médico, o que me leva a parar por aqui.
Mas, mesmo não frequentando centros de saúde, postos de urgência ou hospitais, não creio que esteja exagerando ao dizer que tais doenças acometem e causam danos, embora com intensidade distinta, também em adultos, jovens ou mais velhos.
E estaria exagerando menos ainda se me referisse à grande quantidade de óbitos e outros males, causados pela desnutrição.
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Pois é, a fome mata. E muito.
E, ao contrário de ampliar a rede de saúde pública, de prestação de serviços gratuitos, o governo Bolsonaro e seu Posto de combustíveis adulterados, que atende pelo nome de Paulo Guedes, se preocupa em cortar gastos,  ou dividí-los entre a saúde e a educação (isso em um país que além de população idosa que só faz aumentar, precisa urgentemente de melhorar a qualidade da educação e formação em geral e profissional, em particular).
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O tal Posto de contaminação briga para manter o teto de gastos, independente do momento que o país atravessa e, não está longe do momento que iremos assistir a sua apresentação das vantagens da substituição da saúde pública, do SUS caro, pelos serviços de saúde complementar, privados.
Afinal, nada como o mercado, sob  ótica de um liberal, mesmo que falido (em ideias, já que em termos de gestão de fundos, próprios e dos outros que nele confiaram, parece ter tido êxito), para resolver qualquer problema das sociedades humanas.
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E não venham aqueles que se recusam a fazer funcionar seus neurônios, em defesa do(s) vendilhão(lhões) do templo do deus mercado, alegar que a culpa da falta de mais recursos para a saúde ou a falta de hospitais e equipamentos de emergência se deva à opção por construção de portos em Cuba, ou de arenas para a FIFA.
Vários de nós que nos opomos com virulência até ao atual governo e sua trupe de idiotizados (até o Mandetta percebeu que o melhor é se calar e manter-se no cargo, tal qual já se dera conta o ministro que não tem o costume de respeitar as regras legasis, embora responda pela Justiça!?!?!?).
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Importa lembrar que as críticas ao padrão FIFA exigido nas obras dos eventos esportivos do período 2014 a 2016, deram não apenas origem a passeatas, em geral de indivíduos portando bandeiras e estandartes vermelhos, mas chegaram, inclusive, à sugestão/proposta de que se cancelasse os Jogos.
A critica dos partidários de esquerda, forte, era justamente a de que a verba usada para os Jogos teria melhor utilização na adoção de políticas de inclusão social e de sua maximização.
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Se tais críticas de movimentos de esquerda (a bem da verdade, houve críticas no mesmo sentido de adeptos de outras vertentes do pensamento político) não prosperaram ou renderam algum benefício para a população mais carente, é porque a construção das obras dos jogos interessava PRINCIPALMENTE aos empresários, aos mesmos que agora se apavoram com a possibilidade de uma depressão profunda que irá lhes reduzir o lucro. Afinal, para alguns empresários, preocupa o lucro em queda, não a morte de 5 a 7 mil queridos velhinhos).
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Para não parecer sectário, importa dizer que o PT obteve também rendimentos de toda ordem com as tais obras. Embora não estivesse sozinho nessa dolorosa empreitada de gerir e se aproveitar de propinodutos.
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Felizmente, do ponto de vista meramente esportivo, o Brasil conheceu, à la Napoleão, seu Waterloo: os 7 a 1 da Alemanha.
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Volto às causas de mortes tão lembradas agora, em nosso país, que incluem a violência urbana, a selvageria que caracteriza as relações sociais esgarçadas e que dá origem a um grau de insegurança pública raras vezes tão perceptível.
É verdade que temos uma população mais numerosa; que temos um número cada vez maior de desempregados, o que se agrava à medida que além de cada vez mais escassos, os empregos tornam-se cada vez mais precarizados. O que aumenta a insegurança e se transforma em gatilho para a explosão de doenças psíquicas de caráter social.
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Se esses fatos são fatores capazes de explicar, parcialmente, a bárbarie a que temos assistido, com homicídios banais, feminicídio, agressões por pura crueldade, qual a principal medida adotada na área da Segurança Pública, senão a de aumentar o trancafiamento de criminosos (o que não inclui os criminosos sob suspeição, que ocupam cargos no governo).
Criamos assim um sistema penitenciário que serve de escola para o crime, mais voltada para a promoção da vingança social que alcançar uma eventual reeducação.
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As respostas de nosso desgoverno em curso? Mais cadeias e mais superlotação. Tratamento às bestas feras humanas mais desumanos e indignos, muitas vezes que aqueles de que foram autores.
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Mais repostas? Aumentar o porte de armas, para que cada cidadão em situação próxima do stress possa dar vazão à pressão e insegurança de que é portador. Permitindo, no limite, até que os mais pobres, tratados como invisíveis sociais, ou seres fantasmas, possam finalmente tomar uma postura capaz de lhes permitir o retrato na primeira página do jornal, policial!
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Há muita morte por acidentes de trânsito, o que nos dá a liderança folgada nesse tipo de óbito?
Então a medida é reduzir todas as normas e ações voltadas à redução de velocidade, de obrigação de comprovação de manutenção da capacidade de condução de veículos, a eliminação dos equipamentos de fiscalização.
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E vêm alguns estatísticos, matemáticos, construtores de mitos  e fantasias irracionais, tão bossais quanto o governante que insistem em defender, alegar que estamos propagando um ambiente de histeria no Brasil, já que a COVID-19 mata apenas nossos queridos velhinhos...
Insistem em divulgar que outras causas são estatisticamente mais letais, como a influenza, por exemplo, no Brasil.
E esses indíviduos, que insistem em renegar a ciência, não se incomodam em mostrar seu apoio à política de distribuição de renda mais liberal que pode ser imaginada: a que elimina parcela significativa da população.
Dada a capacidade instalada da economia, afinal, a mesma produção poderá, em bom economês, ceteris paribus, permitir aos sobreviventes acesso a maior cesta de bens.
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E eles talvez tenham razão, mas as causas que citam para a letalidade já está presente, sem que eles se incomodem ou façam algo para mudar já há algum tempo. Não é uma causa aguda, que por essa sua agudicidade, merece tratamento privilegiado, ao menos nesses tempos.
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Porque se eles continuarem apresentando argumentos dessa espécie, é bom lembrar que a maior causa de mortalidade no mundo, creio eu, é a Vida.
Vida extensa, longa, intensa, com amor, paixão e prazer, provavelmente seja, até hoje, e não apenas no nosso país, a causa maior de toda a mortalidade.
É isso.


segunda-feira, 23 de março de 2020

Crise séria de saúde e o respeito dos pitacos pelo momento razão para não falar mal do vírus maior de nosso país

Confesso a meus (raros) leitores, sentir uma dificuldade imensa de postar pitacos, qualquer pitaco, nesses tempos de pandemia de Covid-19.
Várias são as justificativas para tal dificuldade.
Primeiro, o medo de em uma hora como essa, acabar postando algum conteúdo que, ao contrário de trazer informações úteis, acabe servindo de mecanismo de difusão de inverdades, as famosas "fake news", ou de notícias capazes de provocar alarmismo, mais que a tranquilidade que o momento exige.
Por óbvio, e por não ser da área médica, é minha crença que entre as precauções que todos dotados de um mínimo de juízo devemos ter, é evitar disseminar o pânico, procurar transmitir tranquilidade e solidariedade, contribuindo para a criação de um ambiente mais amistoso e solidário em nossa comunidade.
Nesse momento, trazer palavras de estímulo, e esperança de que o ciclo do vírus irá logo estar encerrado é, em minha opinião, o mais importante. 
***
Por outro lado, não devemos adotar  uma postura panglossiana, tão equivocada ou até pior que a do pessimismo depressivo. 
Uma coisa é ser otimista. Outra, muito mais agradável, simpática e mais irresponsável é adotar a posição de que o vírus não existe, ou existe sem a carga de transmissão a ele atribuída, o que apenas contribui para que ele se alastre aumentando assim, sua letalidade, cujo grau ainda parece ser reduzida embora o desconhecimento que o cerca não nos permite cravar qualquer veredito sobre o saldo final. 
***
Outra razão para evitar postar os pitacos é que, em meio a uma crise de saúde pública séria, confesso ficar pouco à vontade para fazer comentários envolvendo, por exemplo, a postura, o comportamento alienado, irresponsável daquele que, em outros países, situações e épocas, deveria despontar como o grande líder, o timoneiro da nação, o ocupante do Executivo em nosso país.
Poderia dar a impressão de que eu estava me aproveitando de uma verdadeira e imensa catástrofe, para manifestar minhas opiniões políticas a respeito desse amigo e protetor de milicianos, esse oportunista e aproveitador cujo único objetivo político depois de chegar ao poder é o de manter-se nele, de preferência, destruindo tudo aquilo que minimamente a sociedade brasileira conseguiu construir, erigir e fazer evoluir na direção de uma sociedade mais democrática e justa. 
***
Ora, Bolsonaro, todos já sabem e souberam desde sempre, é um mentiroso contumaz, desde os tempos de seu engajamento no exército, ainda no posto de tenente. 
Desde os tempos em que, boquirroto e sem qualquer autocontrole ou autoconfiança ( o que a psicologia deve explicar melhor que meus parcos conhecimentos do tema), transformou-se em porta-voz de um movimento de reivindicação salarial para a tropa. 
Movimento que, como é comum acontecer, coloca à frente, como bucha de canhão, não seus verdadeiros líderes. Mas os inseguros e incapazes de perceberem a real dimensão do que pensam estar representando. 
***
Só para abrir um parênteses, essa é, por exemplo, uma das hipóteses por trás da figura mítica e falsa, do herói construído, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, por ocasião da Inconfidência Mineira. 
Pela hipótese, o alferes tinha uma personalidade, talvez por insegurança pessoal, que o levava a assumir o papel de frente, sempre aquele mais espinhoso ou perigoso, chamando a atenção para si, o bobo da corte, cuja proeminência serviria como biombo protetor dos verdadeiros líderes da trama. No caso, de fato é interessante que Tiradentes fosse a liderança de um movimento que afetava muito mais as posses, riquezas e patrimônio de intelectuais de origem portuguesa mais elevada na escala social. 
E, no entanto, Tiradentes foi quem assumiu toda a responsabilidade pelo movimento, o que lhe valeu o direito de ser o único a receber a pena capital. 
***
Bem, o Cavalão, apelido dado ao Bolsonaro das fileiras do Exército, conforme nos relata Elio Gaspari, é a típica figura que, para aparecer e esconder sua falta de confiança e insegurança, até doentia, é capaz de se tornar a voz, ventríloco, de um movimento de que se beneficiaria, claro, embora em menor proporção que outros, mais dotados. 
E, fantasiosamente, falando como líder do movimento dos oficiais seus colegas, expôs em entrevista concedida, um plano maluco de explodir instalações militares, distribuindo bombas em alguns quartéis. 
Curiosamente, isso em uma época que se admite que os militares não tinham qualquer simpatia pela imprensa, nem gostavam de sair apresentando ou expondo suas ideias, especialmente as criminosas. 
***
Há até a hipótese de que tal aversão dos quartéis à mídia foi que ajudou a salvá-lo de uma expulsão desonrosa do Exército, depois de ter negado que apresentara croquis de implantação das supostas bombas. 
Desenhos que laudos feitos mostraram ter sido de sua autoria. 
A bem da verdade, deve-se dizer que o Cavalão apresentou laudos negando sua autoria, o que lhe valeu o benefício da dúvida. 
E, daí, a saída negociada de seu pedido de passagem para a reserva, com a promoção a capitão, de onde partiu para o exercício de uma carreira política medíocre de mais de 30 anos...
***

Todo esse parênteses, apenas para abordar, de forma superficial, o comportamento infantil, guiado pela insegurança e a ciumeira em relação a quem lhe faz sombra, caso do ministro Mandetta, que apenas revela aquilo que a maioria dos eleitores já tinha alguma desconfiança: Bolsonaro é uma personalidade patológica. 
Um indivíduo facilmente classificável como abnormal, ou incapaz de lidar com a realidade de forma madura e racional. 
O que permitiu-lhe as manifestações todas, ridículas e displicentes, em relação à Covid-19.
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Ainda bem que o governo tem, além de seu presidente, o ministro Mandetta, com equipe séria de assessores, entre os quais não podemos situar o dirigente maior da ANVISA que, talvez para se manter no poder, rebaixa-se ao papel reles de puxa-saco.
***

Então, se fosse para ficar dando pitacos apenas contra a questão de nosso desgovernante, melhor seria ficar quieto em meu canto. 
Ainda mais que, do ponto de vista da economia, tema que talvez eu pudesse ou devesse abordar com maior conhecimento de causa, o que tivemos foi, a princípio, uma total paralisação e inércia.
***
Tão preocupado estava, ou está o ministro liberal de araque - aquele que trabalhou com Pinochet, no Chile dos tempos de golpe; aquele que já manifestou a vontade de edição de um AI5, etc. - com a continuidade de sua agenda de destruição de todo e qualquer direito dos menos favorecidos, dos direitos trabalhistas e sociais, dos idosos, dos mais pobres, do Estado brasileiro e de sua possibilidade de procurar transformar-se em um Estado de bem estar, que até no momento de anúncio de algumas medidas, completamente insuficientes para enfrentar a crise econômica de caráter secundário à crise de saúde, esse sinistro preocupou-se em abordar a privatização da Eletrobras. 
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Ou seja, em momento de crise em que as consequências mais trágicas são questões de manutenção da vida, de sobrevivência, o sinistro se preocupa em vender para seus amigos, do sistema financeiro internacional, talvez, o patrimônio do povo brasileiro agonizante. 
Isso em momento em que todo o mundo está enfrentando a mesma crise, com as mesmas consequências e preocupação para com a economia. O que leva governos sérios a adotarem medidas destinadas a criar moeda, ampliar os dispositivos de apoio e sustentação de renda e empregos em meio a medidas que também se preocupam em assegurar a solvabilidade de famílias e empresas. Essas últimas, as empresas,  cujos acionistas e proprietários, tomados por medo genuíno, vêem seu valor dissolver nos pregões das bolsas em torno de todo mundo. 
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E o Posto Ipiranga de Bolsonaro faz o que, em meio à crise, além de querer aproveitar-se do momento de pânico, para prosseguir implantando o conteúdo do saco de maldades que, ao final, irá deixar o povo brasileiro à mingua?
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Aparece em entrevista coletiva, para bajular o chefe de quinta categoria a quem deve prestar vassalagem, já que sustentáculo de sua prática dedicada aos seus verdadeiros comandantes, os interesses dos mais abastados, dos donos do capital, na ordem financeiro, internacional, financeiro nacional ou até produtivo.
E anuncia medidas que apenas antecipam o que o governo, por dever e respeito às leis, deveria fazer ao longo do ano, como a antecipação dos pagamentos de décimo terceiro. 
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Mas, em minha opinião, pior ainda é o anúncio de difícil implementação, e que pelo valor chega mais ao nível de escárnio, de concessão de R$ 200,00 por 3 meses, de um auxílio para os brasileiros que lhe fazem encher a boca para mostrar que sua política tem reduzido o desemprego: os que vivem de bico. 
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Pacote de medidas, agora complementado pela Medida Provisória que permite ao patrão conceder licença por 4 meses, suspendendo o contrato de trabalho, SEM REMUNERAÇÃO, em troca de uma oferta de curso de qualificação "on line" e de difícil fiscalização...
Mais uma vez, na contramão de tudo que os verdadeiros lideres e governantes de países europeus estão fazendo. Na contramão do que o próprio Trump, que parece ser o Mito do mito subdesenvolvido de nosso Brasil, vem adotando. 
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Outros países estão preocupados em dar tranquilidade e recursos para a sua população poder ficar tranquila em casa, sem a preocupação de lutar para ganhar sua sobrevivência.
Aqui no Brasil, estamos preocupados em que os empresários não tenham custos, para não reivindicarem posterior ajuda ao governo. 
Aqui, os poderosos são, mais uma vez os privilegiados pelas medidas. 
Mas, seria mesmo realista esperar coisa diferente?
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Ah! sim. 
Poderíamos ter nossa economia recebendo a ajuda de um imbecil que aproveitando-se do sobrenome e da sua posição de detentor de mandato, agride gratuitamente nosso maior parceiro comercial.
Poderíamos ter um chanceler que mostra que até pano de chão pode ter mais altivez que qualquer ministro escolhido pela indicação de gurus como Olavo de Carvalho, talvez depois de ler mapas astrológicos nas estrelas. 
Poderíamos ter mais uma morte curiosa de um outro colaborador arrependido, a bem da verdade,  agora sem interferência visível, de quem quer que seja. 
Falo de Bebianno, o ex-ministro e ex-amigo, vítima de ataque cardíaco, a quem não foi direcionada qualquer manifestação seja do Cavalão, seja dos equídeos de sua linhagem. 
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Para não falar de coisas que perdem a importância em meio à nossa luta - que deve ser de todos- pela manutenção da VIDA, é que os pitacos estão meio que paralisados. 
Evitando o contato social e nos resguardando para quando o vendaval passar. 
É isso.