quinta-feira, 27 de maio de 2021

O círculo de ódio: reflexões sobre movimentos extremistas da (ultra)direita e da manipulação das fraquezas de seus apoiadores

Este pitaco é para tratar do Brasil. Esse Brasil tão bem descrito na coluna de Sérgio Rodrigues, na edição impressa da Folha de hoje, como um país dividido, de forma maniqueísta em Brasil A e B, respectivamente o país das forças pró-vida e pró-morte. De forma tão simplesmente binária quanto organizada e oposta.

E, no entanto, é tudo um país único: Brasil. Brasil A.D ou D.D., antes ou depois da destruição.

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Mas, começo por registrar um evento ao qual ainda não fiz referência e que, de forma inequívoca, causou uma profunda cicatriz em minha forma de refletir nosso país e o mundo.

Trata-se da exclusão da deputada Liz Cheney,  filha do ex-vice presidente republicano Dick Cheney, da cúpula de líderes (ela ocupava um dos três cargos mais importantes) daquela bancada.

Pelas notícias e análises veiculadas, a deputada foi ferrenha advogada do impeachment do presidente derrotado Trump, após a invasão, por ele incentivada, ao Capitólio.

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Curioso é o fato de a deputada adotar comportamento neocon, ou seja, de cunho conservador, considerado à direita do partido dos vermelhos (os republicanos, o que mostra que a cor, em si, não pode ser responsabilizada por qualquer posicionamento político!). 

Isso antes da eleição de um populista da direita ultra-radical, que exigiu a destituição da deputada da liderança: Donald Trump.

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Levando em conta o histórico de fanfarrão de Trump, mais preocupado com o mundo das celebridades, mesmo que em níveis mais rasteiros do ponto de vista cultural, confesso ter sérias dúvidas quanto ao posicionamento político que imputam a Trump, de direitista extremado.

Ao contrário, minha opinião é que, atraído pelos holofotes proporcionados pelo cargo, e em função de seu desmesurado ego, Trump era o idiota ou o fantoche mais adequado para se envolver em uma luta, a princípio vista como derrotada, dentro de seu próprio partido.

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Por trás de Trump, as ligações espúrias, nefastas, dos irmãos Koch com Steve Bannon, o ideológo e responsável pela eleição do fanfarrão.

Creio que, ao longo de seu mandato, as ações de Trump foram, na maior parte das vezes, orientadas pela troica, ao menos até a morte de David Koch, em 2019.

Mas, é indiscutível que Trump conquistou, contra a maioria das apostas, não apenas a indicação de seu partido para a corrida eleitoral à presidência, como foi eleito, com manipulações ou não.

Claro, para tanto, muito contribuiu o movimento do Tea Party, já bastante robusto, desde a indicação de Sarah Palin como candidata a vice de John McCain, em 2008 (ou desde antes, das obras de Ayn Rand).

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Voltemos ao nosso país. Aqui, como na matriz, o miliciano genocida que ocupa a presidência da República sempre foi um boquirroto, um fanfarrão, capaz de abrir a boca para manifestações completamente toscas, abjetas, baixas, grosseiras.

Um idiota que se gabava de nunca ter feito nada na vida, de relevante, exceto ameaças, a maior parte das vezes, infundadas por delirantes ou espetaculosas.

Desde a ameaça terrorista de instalar artefatos explosivos na cidade do Rio de Janeiro, quando militar, até depois de sua expulsão por meio do “convite para se retirar”,  na carreira de representante do povo.

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Como deputado, sua folha corrida é como o grau de sua inteligência: nula.

Mas, se apresenta sinais de deficiência cognitiva e de intelecto, o deputado miliciano sabia como se comportar para, no esgoto e nas sombras, ganhar apoio, fazer fortuna e apropriar-se de dinheiro dos outros em favor próprio, seja por meio de contratações de funcionários fantasmas, seja por rachadinhas.

Esperto, logo encaminhou os filhos para, sob a governança de Queiroz, reproduzirem a apropriação indébita de recursos privados ou públicos.

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Além disso, é inegável sua vaidade, típica da personalidade de portadores de psicopatias ou sociopatias graves.

E o indivíduo com tal perfil foi escolhido, assim como Trump, para servir de invólucro para as ideias de um astrólogo com pretensões a filósofo mor e guru político, como Olavo de Carvalho. Personagem que mantém vínculos de amizade com Steve Bannon e Dugin.

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Surge aqui um terceiro nome, Aleksandr Dugin, referenciado como o guru de Putin.

A ligar os três gurus, uma visão baseada no tradicionalismo com base em trabalhos de filósofos tidos como esotéricos, como René Guénon e o italiano Julius Évola.

Em sua leitura dos filósofos responsáveis por estruturar o tradicionalismo, pontos em comum, como um olhar crítico à idade moderna, de que desdenham. Para eles, a queda de valores e símbolos da espiritualidade, o predomínio do raciocínio científico e da razão sobre os valores religiosos, o materialismo e a organização da vida social em organizações supranacionais, globalistas, são males que devem ser combatidos e destruídos, pela capacidade de tais valores estabelecerem comportamentos sociais comuns ou comunistas!!

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Sob tal ideia de manutenção do status quo, ou até da volta no tempo, para a época de sociedades de castas e direitos não reconhecidos para todos, sua linha de ação se baseia em negacionismo, construção de realidades paralelas, mentiras ou “fake news”, ou uma “fake reality”.

Para tocar tal disparate em frente, e transformá-lo em diretrizes de políticas públicas, só pessoas inteiramente ocas de conteúdo, conhecimento, ou discernimento.

Aqueles por quem sentimos vergonha alheia, já que incapazes, de se envergonharem por si mesmos.

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O que me causa estranheza é que tais políticos eleitos não representam apenas uma embalagem espalhafatosa para  ideias esotéricas. Eles têm seguidores. Logo, representam uma camada de indivíduos que, para mim, representam o pior dos seres vivos a habitarem o esgoto da sociedade humana.

Pessoas que, provavelmente, nem mesmo tinham consciência de toda a podridão que continham e vieram cultivando ao longo de uma vida, provavelmente de frustrações e incapacidade de lidarem com dificuldades, adversidades. Sempre desenvolvendo teorias conspiratórias centradas em inimigos que lhes roubaram o que era seu por direito (divino?).

Indivíduos limitados, medíocres, incapazes de extraírem lições das derrotas e de se tornarem vitoriosos.

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Daí, ausentes de valores mais dignos, passam a pregar e destilar ódio; discursos de negação da vida, do direito à diversidade, de proteção aos mais desvalidos e mais fracos; de desrespeito ao meio ambiente, à mãe Gaia, templo de toda a vida.

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Claro, aí no meio, alguns distraídos, cada vez mais arrependidos de terem tomado a embarcação que lhes vendeu o sonho utópico da viagem mais mirabolante. Alguns, como parte dos eleitores de Trump, incompetentes para lidarem com as mudanças de que se tornaram vítimas, que lhes roubaram o emprego, a renda, a vida digna.

O que lhes acarreta um problema sério, em uma sociedade em que pessoas sempre foram classificadas como vencedores ou perdedores (losers).

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Em um ambiente em que se vende a ilusão da concorrência entre iguais, livres, em igualdade de condições, perdedores criam a visão mais trágica de si mesmo, perdendo o auto-respeito e o amor próprio. Tornam-se, aos seus próprios olhos, uns párias. Dispostos a tudo.

Aqui a influência de personagens como os irmãos Koch, ou os magnatas do capital financeiro, os plutocratas que não se preocupam com a  utilização de dinheiro para a produção ou a geração de emprego e renda. Preocupam-se apenas em atividades especulativas, rent seeking.

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Ninguém fala ou expõe a realidade nua e crua: a concorrência não é livre nem todos têm as mesmas armas e condições. A meritocracia é apenas uma falácia.

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Se existem esses perdedores, ludibriados em sua fé no mercado e nas condições (falsas) de livre concorrência dos mercados, não devemos nos esquecer que, mais cedo ou mais tarde, o conhecimento das verdadeiras condições acaba por se impor. O que cria as condições favoráveis para o arrependimento.

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Pior são os que não nutrem essa visão idílica da sociedade em que vivemos. Os ratos de esgoto que, com o advento da internet e das redes sociais apropriaram-se do espaço novo, para destilarem suas ignomínias.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Pitacos vários, refletindo sobre a cloroquina; os decretos e as bravatas do Senhor da Morte; e a importância da Amazônia para a sobrevivência do Exército

 Já tive a oportunidade de me manifestar antes, mas não custa repetir a minha opinião: Bolsonaro é apenas um covarde.

Característica que, conforme os recentes casos noticiados e fartamente documentados, parece  um padrão de conduta típico, forjado nas escolas e academias militares ou no convívio na tropa.

Tal juízo se confirma pela observação do comportamento do ministro general Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, e sua decisão de se esconder para tomar a vacina contra a Covid; ou do general Pazuello, ex-ministro da Saúde, em sua covardia ridícula no atendimento à convocação para testemunhar na CPI da Covid, do Senado; ou o comportamento omisso do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, salientado em reportagem de março último da IstoÉ; e até mesmo do general Mourão, sempre solícito em expor suas opiniões discordantes aos jornalistas, embora preferindo se resguardar de apresentá-las diretamente ao presidente.

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Admitida a covardia ostensiva de Bolsonaro, há que se analisar seu discurso não como um conjunto de desculpas esfarrapadas e vadias. Há que se buscar, em suas falas, mesmo que desconexas, algum motivo recôndito. Motivo das reflexões deste pitaco.

Assim, por mais que não concordemos com a racionalidade (se alguma!) de seu comportamento, uma reflexão talvez permitisse lançar alguma luz sobre o caos de seu mandato.

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Nesse sentido, por mais que já tenha sido exposta a lógica de sustentação da sua defesa da cloroquina e outros medicamentos ineficazes, é importante destacar que a hipótese aqui  sustentada é a de que tal defesa, longe de estar ligada a questões médicas, farmacêuticas ou de saúde, tem a ver com a Economia.

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Em várias ocasiões Bolsonaro teve a oportunidade de manifestar sua preocupação com os rumos da economia, em especial com a taxa de crescimento do país e com a decorrente redução das taxas de desemprego. Ou vice-versa.

Nunca é demais lembrar que o inimigo com que se confronta, o oponente privilegiado que o capitão elegeu como alvo a ser batido, e até condenado ao esquecimento, não é outro senão o presidente Lula, que no último ano de seu mandato entregou uma taxa de crescimento de 7,5% do PIB.

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Daí seu temor e suas críticas à adoção das medidas recomendadas pela ciência, de restrição ou isolamento social, expressos desde o início da pandemia na afirmação de que  “ Se a economia afundar, acaba o governo...” .

Também não é demais lembrar que seu ídolo, Trump, apresentava números de desempenho econômico em seu país,  que Bolsonaro sonhava atingir. Isso, antes da chegada da Covid.

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E pouco importa que ele tivesse acreditado no discurso estapafúrdio e destrutivo de Paulo Guedes, indicando-o para o Ministério da Economia e para o papel de principal conselheiro.

Guedes não entregou nenhum resultado positivo prometido no primeiro ano de governo. O que não impediu de continuar angariando o apoio dos setores empresariais de nossa elite putrefata, espoliadora e especulativa, acrescida de uma rara capacidade de adotar um comportamento de puxa-saco. Além de seguir o perfil do chefe: negando em um dia a afirmação mais descabida que havia feito no dia anterior.

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Bolsonaro percebeu que não conseguiria levar a economia a um comportamento minimamente esperado, seja por culpa de Guedes e pelas políticas ou não-políticas adotadas; seja em razão da chegada da pandemia. Daí seu apego à cloroquina.

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Não que fosse sua intenção promover uma mortandade recorde da população do país (mesmo que intuísse que as vidas ceifadas seriam as da população mais pobre, mais necessitada e, em sua visão, menos merecedora de sua atenção e cuidados); nem que perseguisse a chamada imunidade de rebanho, conceito cujo significado tenho dúvidas que fosse capaz de enteder.

Não se tratava de saúde pública, mas de procurar estimular e levar a população às ruas em busca de emprego, com a ajuda do desmonte que Guedes arquitetara em relação às relações de trabalho, cada vez mais precarizadas e à retirada de direitos trabalhistas históricos.

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O que revela que, mesmo tendo afirmado ter lido a obra de Keynes, na língua original, Guedes foi incapaz de entender que o comportamento do nível de emprego não depende da disposição do trabalhador, senão que do estado de expectativas e das decisões do empresário,  dono dos meios de produção.

Comprando a ilusão vendida pelo bufão Guedes, e em busca da expansão do nível de atividade econômica, Bolsonaro parece ter visto na cloroquina o passaporte, ou o seguro para que o trabalhador pudesse se dirigir ao seu local de trabalho dando curso à produção.

Dessa forma, a cloroquina reduziria o medo de o trabalhador se infectar ou transformaria a infecção em algo banal, sem gravidade (“uma gripezinha”!).

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Por isso o desespero do ex-capitão quando o desenvolvimento de estudos médicos começou a demonstrar tanto a ineficácia da cloroquina no tratamento da pandemia, quanto os seus efeitos colaterais potencialmente letais.

Voltar atrás na recomendação do remédio significaria não apenas admitir seu erro, mas aceitar ficar a reboque de governadores e prefeitos, que ele encarava como potenciais concorrentes ao Planalto, na adoção das medidas sanitárias que ele tanto criticara.

Além disso, tal retrocesso poderia ser interpretado como a admissão de sua responsabilidade em relação a algumas das mortes ocorridas.

Talvez essa seja a razão de optar por partir para o tudo ou nada, aprofundando sua aposta, mantendo e intensificando o  comportamento omisso e irresponsável adotado desde o início da crise sanitária.

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Quanto à reiteração das bravatas de que teria pronto um decreto visando impedir as medidas de isolamento social decididas por prefeitos e governadores, à essa altura, quando a vacinação avança mesmo a passos lentos no território nacional, minha opinião é de que servem a outro propósito.

Acredito até que acabará emitinto o decreto, assim que os índices de vacinação em relação à população forem maiores, e os valores de contágio e óbitos estiverem em níveis tão reduzidos quanto aqueles de ocupação da capacidade dos serviços hospitalares.

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Nesse caso, e com a crise sob maior controle, o ex-capitão poderá tentar uma jogada para ser lembrado como o responsável por medidas que permitirão a tão necessária retomada da economia, como ele sempre pregou. Sem consequências maiores e mais graves para o povo.  

A ideia seria, então, procurar ser lembrado como a última referência na defesa dos interesses dos trabalhadores, para aproveitar-se da memória curta do eleitorado.

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Embora não vinculada imediatamente ao senhor da morte, outra questão que acho interessante discutir nesse pitaco  diz respeito à visão dos nossos militares (o que inclui o capitão) em relação à Amazônia.

É corrente a opinião de que os militares têm, a respeito daquela região, uma visão ultrapassada, anacrônica, de defesa das riquezas do território nacional e de nossa soberania. Sob essa ótica, os militares serviriam para impedir que forças militares estrangeiras promovessem uma invasão, com possível domínio e anexação daquelas terras aos seus países e interesses.

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Tal crença seria cômica, especialmente quando se sabe que, aos militares e ao governo atual, pouco importa que houvesse a exploração econômica das terras amazônicas e suas riquezas por empresas de capital e interesses estrangeiros.

O ponto focal é que houvesse a exploração econômica do bioma, que deixaria de ser tratado como um santuário, passando a gerar algum tipo de renda para o país ou grupos nacionais associados.

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Se a questão da exploração nacional versus estrangeira é uma falsa questão, qual o verdadeiro interesse dos militares na Amazônia?

A hipótese que apresento é a de que a soberania é mera cortina de fumaça, artifício para justificar o discurso da necessidade da presença das Forças Armadas no local. E justificar a existência e custeio de uma instituição como o Exército nacional, sem qualquer outra função aceitável e crível, em benefício do Estado e do povo brasileiro.  

terça-feira, 11 de maio de 2021

Nossa índole acovardada e a covardia de quem apenas ladra e ameaça. E o desejo de morte que ronda Bolsonaro desde os planos de explodir quartéis

Maio. Mês tradicionalmente dedicado às mães, essas guerreiras e... antigamente, até às noivas.

Diz a lenda, por ser o início do período de clima mais quente na Europa, o que facilitava a higienização necessária aos noivos.

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No Brasil da pandemia de 2021, mês de sequência de perdas, de mortes, embora em ritmo menos intenso que o da avassaladora mortalidade do mês de abril, como se a natureza estivesse nos dando um descanso, reunindo e reagrupando suas distintas forças, na definição e planejamento de novo e arrasador ataque.

Que os médicos e entendidos da área temem seja com o potencial devastador de um tsunami.

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Isso, apesar da quantidade de vacinas com que a ciência nos brindou, de forma e em tempo recorde. E das campanhas de imunização a que assistimos, com uma ponta de inveja, se espalharem pelos mundo.

No Brasil, reconhecidamente capaz de promover campanhas de vacinação em massa, exemplo de sistema de saúde pública para outros povos, a vacinação não avança: caminha a passos lentos.

Por falta de vacinas, não negociadas e não adquiridas de forma tempestiva por um governo que privilegia a morte. Um governo que opta por tratamentos de curandeirismo, charlatanismo, garrafadas e raízes, e remédios sem qualquer eficácia científica.

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Um governo que opta por acusar, irresponsavelmente, o maior senão exclusivo fornecedor dos insumos necessários para a produção e o envase das vacinas – Coronavac ou Astrazeneca – à disposição da sociedade brasileira.

O que leva, para agravar nossa situação, à interrupção da vacinação iniciada de forma precária, agravando o que já era um caos.

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De resultado, vacinação e proteção pela metade. Avanço da doença e mortes.

Morte como a de Paulo Gustavo, o último brasileiro de maior fama, vítima da “gripezinha” da Covid. Um brasileiro que deixa em nosso povo, por sua luta, suas bandeiras e sua forma de mostrar amor ao seu povo, marca semelhante àquela de Ayrton Senna. Por sua graça e leveza, e humor, a mesma marca dos Mamonas Assassinas.

Por ser um representante de nossa cultura, a mesma dor da perda de um Aldir Blanc, um Agnaldo Timótheo. E como um brasileiro comum, representar mais de 425 mil vidas (considerando-se apenas as contabilizadas corretamente!) que se perderam para tristeza de todos nós.

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Mas, destaca-se que a morte, marca da pandemia e da irresponsabilidade criminosa de Bolsonaro, não é apenas a provocada pelo contágio e falta de vacinas.

Inclui-se aqui, a morte de 3 crianças ainda bebês, além de uma professora e uma auxiliar de ensino, em Saudades, Santa Catarina, fruto de ataque de um rapaz  ainda adolescente, de 18 anos, sem motivação aparente, salvo forte indício de desvio de conduta e forte desajuste social.

Caso para estudo de psicólogos e psiquiatras. E esboço da sociedade em que podemos nos transformar, quando armas de fogo – e não armas brancas como adagas – se encontrarem à disposição de qualquer desajustado.

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Inclui-se também, e para pior, a chacina de Jacarezinho, praticada sem qualquer justificativa minimamente tolerável, autorizada por verdadeiros assassinos, genocidas. Políticos e autoridades que se acham deuses, capazes de não apenas julgarem, condenarem, mas executarem todos aqueles que insistem em querer sobreviver e existir, por mais precárias sejam as condições de vida, apenas por serem pretos, pobres, habitantes de comunidades.

Políciais que comemoram a “limpeza étnica” que foram autorizados a fazer ou pela qual recebem cumprimentos e reconhecimento de quem não respeita a lei, o Estado de direito e suas consequências.

Aqui o ponto é que, bandidos ou não, todos merecem um julgamento justo, um tratamento justo, uma prisão que permita sua reeducação e não a continuidade de seu processo de barbarização e selvageria, de educação para o crime.

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Processo que apenas tem sequência nas cadeias entre torturas de toda espécie, uma vez que iniciado na própria invisibilidade a que são condenados, seja como indivíduos, seja como comunidade, abandonada e esquecida pelo Estado.

Até que, no caso, algum interesse particular, abjeto e desumano venha surgir, seja de cunho imobiliário; seja por ordem dos chefões do tráfico, enfrentando a disputa de pontos de comando e influência; seja por um ignóbil, beócio, covarde sob as vestes de um tiranete, disposto a tensionar a situação e cutucar e desrespeitar ordens do Supremo Tribunal Federal.

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Ora, o sociopata que ocupa a “Casa de Vidro”, não mantém apenas relações próximas com milicianos e bandidos de toda espécie, sejam os senhores da mineração na Amazônia, ou os criminosos do desmate ilegal; sejam os militares reformados como o  coronel e ex-deputado Jairo e seu filho Jairinho, ou os Queiroz e Adrianos; sejam os verdadeiros empresários do tráfico de drogas, armas e até seres humanos, em qualquer Vieira Souto ou Alto de Pinheiros de nosso país.

E o prazer que extrai da morte não é de agora. Data de quando, ainda capitão, planejou explodir bombas em unidades militares, sem levar em conta as baixas que poderia provocar entre colegas de farda. O que provocou sua “expulsão” (mesmo disfarçada) do Exército, cujos generais agora se rastejam como sabujos aos seus pés.

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E é importante frisar: a medida terrorista e assassina contra seus colegas, visava apenas chamar a atenção para os seus interesses (financeiros) mais reles.

Como agora, todo o comportamento negacionista e genocida que adota tem apenas o interesse na reeleição e na blindagem aos delinquentes de seus filhos.

E  cônjuge (ou conge), para que não nos esqueçamos de perguntar por que Queiroz depositou 89 mil para Michelle?

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Quanto aos generais, trânsfugas ou apenas covardes pobres coitados, que se borram nas calças apenas por tomarem uma vacina, também eles têm seus objetivos escusos: o poder. Tão apenas o poder e a glória que o poder inebriante proporciona, e que eles acreditam, melancolicamente, que perderam em 85.

Exceto o nosso sargento Garcia, embora sem a grandeza do soldado do Zorro, o nosso Pazuello.

Este é apenas subserviente mesmo. E vive para obedecer quando “um manda”...

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Quanto a Bolsonaro, e suas ameaças de decretos contra isolamento social, de tomar medidas autorizadas pelos bolsotários que o acompanham como pescadores acompanham as sereias mais sem caráter, vale a certeza: ele apenas ladra.

Como todo bom cão rufião, apenas late e não morde.

Manda (policiais, como no Rio), mas não tem coragem nem capacidade de agir por conta própria.

Em síntese: apenas tem interesse em criar tumulto e ameaças, que nunca serão cumpridas.

No fundo é apenas um pobre covarde.

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Termino admitindo também eu, a minha covardia, como parte do povo brasileiro e dos cidadãos de bem: fosse outra nossa índole, já estaríamos ocupando as ruas, de onde só sairíamos depois de afastado o personagem por trás de tanta vilania.

 

terça-feira, 13 de abril de 2021

Divagando sobre as razões de tanto comportamento reles: de Kajuru, já que do presidente não se deve esperar coisa distinta

 Cercada de dúvidas, muitas delas pouco convincentes, algumas questões devem ser destacadas na tal gravação da conversa entre Kajuru e Bolsonaro.

A primeira delas, a preocupação do senador em demonstrar, até com insistência, toda a sua subserviência ao presidente. O que não o impediu de se referir e até criticar, de forma inteiramente deselegante, vários de seus colegas.

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Vá lá: mais que subserviência e um comportamento tipicamente cafajeste, que não deve surpreender a grande parte daqueles que o conhecem mais de perto, Kajuru ainda estava gravando a conversa.

Nada contra gravar as conversas que mantém com quem quer que seja: o deputado Mário Juruna, deputado federal pelo PDT no início da década de 80, já deixava claro que iria gravar todos os seus pronunciamentos, e outros feitos por seus colegas, da tribuna da Câmara.

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Eram outros tempos, talvez de maior decência nas relações particulares, e o deputado circulava pelo recinto da casa legislativa portando um gravador, para registrar tudo que o homem branco afirmava.

Afinal, como se justificava, a palavra do homem branco não era confiável.

Constatação que seria posteriormente, em 1993, confirmada por Lula, ao se referir à existência de 300 picaretas, naquela Casa.

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O interessante é que Juruna gravava à frente de todos os seus colegas, que tinham ciência de que estavam sendo gravados, bem como do uso que as fitas teriam.

Diferente de qualquer um mal intencionado, capaz de gravar conversas particulares, algumas até confidenciais, havidas, aproveitando-se da boa fé dos amigos. Que não foram alertados de que estariam sendo gravados.

E pior: que teriam trechos divulgados, sem conhecimento prévio.

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Independente de todos os atores envolvidos e de suas motivações, Kajuru deveria ser levado à Comissão de Ética, depois de essa comissão decidir se irá ou não aplicar alguma punição à deputada e pastora Flordelis, pelo ato trivial de mandar assassinar seu marido; ou decidir sobre falas de Eduardo Bolsonaro, o bananinha, contra a democracia; ou ainda de Flávio Bolsonaro, pela prática contumaz de rachadinhas ou aquisições milionárias de imóveis, etc.  

São muitas as questões sobre as quais a Comissão de Ética deveria se pronunciar, o que pode impedir dar um tratamento tempestivo, ao caso do senador Kajuru.

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E levado à apreciação de seus pares (e ímpares, em respeito a alguns dos representantes do povo!), não há como não concluir pela necessidade de cassação do mandato do político de comportamento sempre tão folclórico.

Salvo se, e aí está o centro da questão: salvo se Bolsonaro soubesse da gravação, como parece ser o caso.

O que aqueles que o conhecem admitem que deve corresponder à realidade, já que ele falou poucos palavrões!?!?!?!

Segundo essa versão, Bolsonaro teria se contido, para escandalizar menos que sua performance na reunião de 22 de abril de 2020.

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Peço desculpas, mas aqui não resisto a fazer um parêntese, para lembrar de JK e Juca Chaves, naquela ocasião em que, dominados por comunistas, o país assistia à acusação feita ao presidente de ser bossa nova. Afinal, “bossa nova é ser presidente, desta terra descoberta por Cabral”.

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Se ciente da conversa com Kajuru e até autorizada sua divulgação, o presidente teria incorrido em mais uma de suas já famosas ações de esticar a corda.

Provocando, mais uma vez, para sentir a receptividade da sociedade a alguma ação diretamente contra o STF, ou a reação dos Ministros.

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Rosa Weber, imediatamente, acusou o golpe: e decidiu pela suspensão de entrada em vigor do decreto sobre armas com que o genocida, decidiu reforçar o estímulo à morte, não bastasse o estrago feito pela Covid, com sua colaboração.

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O fato é que, mais uma vez, o presidente comete crime de responsabilidade ao procurar interferir em assuntos internos do Senado, como o motivo de instalação da CPI da Covid, já determinado.

Aqui, fica nítida sua intenção em tão somente provocar a dispersão de temas a serem investigados, de forma a que, no tumulto, nada se conclua no tempo determinado de funcionamento da Comissão de investigação.

Ainda assim, é uma interferência no mínimo indevida, mesmo que a abertura para essa manifestação tivesse sido oferecida pelo senador pelego.

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Pior é tentar articular com o sujeito vil, que se presta a tantos papéis desabonadores, a tentativa de intimidação contra o STF. Ou mais que isso, o crime de tentar romper a harmonia preceituada em nossa Constituição, entre os poderes.

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O drama é que propor um pedido de impeachment de ministro do Supremo, depende de, penso eu, a prática de atos juridicamente capazes de configurarem algum tipo de crime. Não me parece que seja o caso, especialmente, quando alguns atos criticados foram escudados pelo colegiado como um todo monolítico.

Mas, se CPI, como vários juristas têm mostrado, é instrumento típico do poder Legislativo, e tem normas definidas para serem definidos, um impeachment tem outra lógica, que passa muitas vezes pelo presidente do Senado, este outro serviçal do poder executivo, que é Rodrigo Pacheco.

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Não me venham falar que esse capacho é mineiro. Felizmente não é. Embora seja da escola de Minas, já tão sem prestígio há tanto tempo, a ponto de gerar senadores que não se avexam de se mostrarem como são, caso do radialista Carlos Viana.

Minas está muito mal de representatividade!

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Mas, porque razão Bolsonaro não deseja a instalação de uma CPI, de resto quando todo efeito dela pode apenas levar a uma pizza mais demorada?

Meu argumento é que não há mais nenhum brasileiro, dotado de um mínimo de condição de raciocinar, que ainda não percebeu a quantidade de atos criminosos, alguns, adotados por Bolsonaro no trato da pandemia.

Isso o comprova a queda de popularidade avassaladora que o presidente tem experimentado nas pesquisas de opinião pública.

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Se a ação do presidente é, no mínimo, considerada de grave omissão, o que o leva a temer uma CPI que pode se arrastar e, repito, acabar como várias outras, em pizza?

Confesso que pensei que era o medo de ficar cada vez mais dependente de votos favoráveis do Centrão. Mas, minha hipótese é que não é essa sua preocupação.

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Acredito que seja apenas o fato de tal CPI poder se arrastar, cada vez mais, até chegarmos às portas de 2022, com denúncias novas e novas acusações a cada dia, de forma a demonstrar, de vez, o descalabro que é o governo do responsável por toda a destruição do país, de sua economia, das instituições, e inclusive da população, depois de 355 mil mortes.

É isso.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

De vassalos e sabujos: os homens que compõem nossas forças militares e nosso governo civil

Confesso não saber as razões, mas como qualquer pessoa curiosa e com acesso à leitura de jornais, é de meu conhecimento que o ano astrológico tem início no dia 20 de março, quando o sol entra em aquário!!!

Portanto, em minha ignorância, acredito não estar cometendo um erro muito grosseiro se afirmar que o ano zodiacal tem início em abril.

O que, como brasileiro, significa que temos fartura de datas para marcar o início do Ano Novo: a oficial, de 1º de janeiro; a informal, de aceitação inquestionável pela maior parte da população, do final do Carnaval; e a astrológica, do mês de abril.

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E, estejamos entrando na Era de Aquário de mudanças prometidas ou desejadas, ou não, o certo é que Abril começou quente nesse ano de 2021.

Quente e mórbido, em razão do vírus da Covid e do comportamento tipicamente genocida de quem deveria assumir a liderança responsável no combate da pandemia que nos assola.

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Ao contrário, o comportamento perverso e genocida de Bolsonaro nos arrasta, cada vez mais, para o centro do desastre humanitário, demográfico, econômico e social, que varre nosso país, a partir do desdenho que insiste em demonstrar por medidas de isolamento social, ou o uso de máscaras, pelo respeito às recomendações cientificamente comprovadas, e até da importância tempestiva de adoção de campanhas de vacinação.

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Este comportamento de negação da crise e de sua dimensão ou de seus efeitos deletérios é que permite entender a sequência de trocas de ministros responsáveis pela Saúde, mas não apenas, aproveitando toda circunstância para desestabilizar o país e seu próprio governo.

Daí a dança de cadeiras nos ministérios da Justiça, das Relações Exteriores, da Secretaria de Governo, Cidadania, Educação, etc. etc.

E nesse abril quente, até mesmo na Defesa e nas Forças militares.

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A essa altura, apesar de decorridos apenas 7 dias de abril, fica cada vez mais evidente sua continuada tentativa de se cercar de militares confiáveis e adeptos de uma aventura golpista, autoritária, antidemocrática, sob seu comando, sonho que acalenta desde antes mesmo de eleito ou empossado.

Muito se disse da galhardia e compromisso democrático do general Fernando Azevedo, e sua disposição de conservar o papel das Forças Armadas como forças de defesa das instituições de Estado.

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Ok. Vamos esquecer que Azevedo estava presente, junto ao arremedo de ditador, no helicóptero que sobrevoou o Forte Apache em dia de manifestação antidemocrática promovida por aquela parcela da população que não se sente madura o suficiente para não precisar de viver sob tutela.

Vamos esquecer que Azevedo faz parte dessa mesma turma de militares que se considera responsável pela manutenção e pela guarda da democracia, do respeito à ordem e segurança e pela liberdade.

Guardiãs dos mais elevados valores nacionalistas, morais, éticos, dessa população brasileira infantilizada e incapacitada.

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Vamos esquecer da máxima popular, de que “Rei morto, Rei posto” e que, para cada Azevedo que sai, sempre tem um Braga Neto para assumir o lugar, com a mesma subserviência escudada pela disciplina, hierarquia e.... pelo sonho golpista.

O mesmo Braga Neto, defensor da democracia, que divulga nota em comemoração ao golpe militar que instaurou 21 anos de arbítrio, prisões, tortura e mortes, sem dar cabo, antes ao contrário, da corrupção civil ou fardada.

Ah! dirão, mas o golpe militar impediu a implantação do comunismo.

Uma inverdade: ninguém, nem nada retira das mentes doentias, os fantasmas que elas cultivam com tanto zelo, seja como resultado, de um lado, seja como forma de justificativa de seus arroubos e desvarios.

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É fato que os nossos militares não apresentam comportamento distinto de seus congêneres de outras nacionalidades.

Mas, para militares que se julgam os pais da Pátria, a última bolacha do pacote, mesmo em um país que não tem qualquer pretensão de domínio internacional, de conquistas típicas de império, o mais recomendável seria a extinção dessas forças.

Ao menos evitaria a tentação, futura, de repetição de algumas passagens convenientemente esquecidas de nossa história, em que  as forças armadas se voltaram contra o povo brasileiro (vide episódio de Canudos, ou  do sítio de Caldeirão, no governo Dutra).

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A extinção das forças armadas, além de tudo, serviria como fonte importante de economia de recursos públicos.

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Mas, se a subserviência militar de um general Braga Neto, ou Augusto Heleno, encontra amparo na disciplina, porque é difícil aceitar que generais se submetam a um ex-tenente, ainda mais considerado mau soldado, não fica atrás a subserviência de um cardiologista reconhecido por seus pares, como o dr. Marcelo Queiroga.  

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Vale dizer que o dr. Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, ainda levou algum tempo depois de sua nomeação para mostrar sua capacidade de se curvar ao poder.

Enquanto não se desvencilhava das clínicas de que era sócio para assumir a pasta da Saúde, até que se mostrou um homem voltado para a aplicação das melhores recomendações da prática médica científica.

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Correndo atrás do tempo perdido, procurou negociar e adquirir maior quantidade de vacinas com laboratórios produtores internacionais. Além disso, mostrou preocupação em promover o uso de máscaras, de hábitos de higiene, de medidas de isolamento social.

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No entanto, para não ser dispensado antes de ter tempo de poder mostrar e marcar sua carreira com os sinais de vassalagem explícita, deixou claro que a política de saúde não é do ministro, que é meramente um executor da política de governo.

Para bom entendedor, embora ele seja o médico, quem dá a receita é o ex-militar, com quadro clássico de psicopatia.

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E, para fazer referência a outro ditado popular, como não há bem que sempre dure, o ministro acaba de explicitar que seu apego à boa ciência não resiste à presença de seu chefe,  em viagem que fez acompanhando o irresponsável que dirige o país a Chapecó.

Em visita de solidariedade e confraternização ao prefeito negacionista e mentiroso daquela cidade catarinense, divulgador do tratamento precoce de ineficácia comprovada, Bolsonaro voltou a elogiar a independência e autonomia e liberdade dos médicos favoráveis à aplicação de placebos.

No que foi prontamente apoiado pelo ministro, cuja fala transcrevo a seguir: “ Aqui em Chapecó, ...., nós pudemos ter o exemplo de que é possível conciliar a autonomia do médico com a recuperação dos nossos pacientes.”

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Resta apenas assinalar que as UTIs estão lotadas de pacientes de Covid na cidade; que o número de óbitos supera a de outras cidades do estado; que tratamento precoce, na opinião do responsável pela saúde naquele município é o acolhimento precoce e não a aplicação de medicação sem eficácia e que o prefeito decretou o 'lockdown' tão temido pelo capitão, de 14 dias no mês de março.

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Queria tratar ainda da sabujice de Aras e de André Mendonça, mas deixo para outro momento. Afinal, ainda veremos mais ocasiões de os dois candidatos à cadeira no Supremo estarem  se arrastando heroicamente pelo chão.

Como as serpentes do Paraíso. Ou como os fariseus dos templos de Cristo.

quinta-feira, 18 de março de 2021

Elevação da Selic; câmbio; reservas internacionais: não basta matar 300 mil brasileiros, há que esgotar com 370 bilhões de dólares de nossas reservas

 Em reunião que se encerrou na noite de ontem, quarta feira, o COPOM – Comitê de Política Monetária, do Banco Central decidiu elevar a taxa básica de juros da economia, a SELIC, em 0,75%.

A elevação, como destacado pela grande imprensa, representa a primeira elevação dos juros desde julho de 2015, o que não significa que não fosse antecipapa por agentes do mercado, em razão da elevação dos indicadores da inflação no país.

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Dessa forma, se surpresa houve, deveu-se mais à variação de 0,75%, frente à expectativa de 0,5% no limite.

Além da medida, o Banco Central já antecipou a decisão de novo aumento, de mesma magnitude, para a próxima reunião a ser realizada no prazo de 45 dias.

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Embora pelo sistema de metas inflacionárias adotado pelo país a medida seja o instrumento quase exclusivo para o combate à inflação, a justificativa para a elevação da taxa não se prende, nesse momento, ao repique inflacionário, apenas.

Outro motivo ocupa o primeiro plano da preocupação do colegiado composto pelos diretores do Banco Central: a desvalorização do câmbio.

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Cabe aqui, recordar a frase atribuída a Mário Henrique Simonsen, o ministro da Fazenda do governo Geisel, para quem se “ a inflação aleija, o câmbio mata”.

A questão é que, para uma economia que cada vez mais se especializa e depende da produção e exportação de “commodities”, a elevação do preço do dólar significa maior receita de vendas em reais e maior lucro para os produtores que optarem por destinarem sua produção para venda no mercado externo.

O que é muito benéfico para as contas do setor externo do país.

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Assim, ao optar por deslocar sua produção para o mercado externo, haverá menor oferta de produtos internamente, redução que, frente à manutenção da demanda irá pressionar os preços. Ou seja: a desvalorização cambial alimenta, por esse lado, a elevação de preços, em especial de alimentos e minerais e matérias primas, indispensáveis para a indústria.

Situação que reflete de forma mais realista, o verdadeiro significado de inflação: a carestia. O desabastecimento; o sumiço dos produtos nas gôndolas, pela impossibilidade de os comerciantes reporem os estoques, cada vez mais caros, com o resultado das vendas dos produtos que realizaram.

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Fica fácil perceber, pois, que para que o desabastecimento não surja, o produtor deve tomar a decisão de vender sua produção no mercado interno, o que só fará aos mesmos preços que consegue obter, depois de feita a conversão do preço em dólar, cada vez maior, para a moeda nacional.

Por outro lado, em especial, em termos de insumos industriais, mais elaborados, de maior valor agregado e maior conteúdo tecnológico, na maior parte das vezes, a economia brasileira depende do fornecimento externo: as importações.

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Entre as razões para tanto, podem ser citadas o processo de desnacionalização enfrentado pelo país pós Plano Real e liberalização e flexibilização dos fluxos de capitais, via privatizações e privatarias; via tomada de controle de empresas nacionais por capitais externos. Além dessa processo, deve ser citado o processo de desindustrialização a que o país foi submetido desde os anos 90; a queda de produtividade da economia brasileira, fruto de uma série de fatores, dentre os quais destacamos a baixa qualificação e capacidade tecnológica de nossas empresas e trabalhadores.

Em duas palavras da moda, a falta de investimento em Educação e Ciência (e tecnologia).

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O problema é que a dependência de importações, inclusive na questão dos combustíveis fósseis, implica na realimentação da espiral inflacionária, mais uma vez, em função do câmbio desvalorizado.

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Observa-se que o câmbio provoca a elevação da inflação, como efeito de causas externas, que nada têm a ver, como alguns querem fazer crer, com a elevação da emissão monetária posta em curso pelo Banco Central, em razão da pandemia. Nem é culpa da elevação de gastos públicos, que representam muito mais nesse momento de crise sanitária que atravessamos, o resultado do gasto de transferências de renda que a compra de produtos, muito específicos, por parte do governo. Ou seja, se há gastança pelo governo, não é necessariamente do tipo de gasto que possa ser considerado capaz de pressionar a oferta interna de produtos.

Do lado dos beneficiados com o auxílio emergencial, seria até dispensável argumentar com sua quase irrisória participação na elevação de preços, em especial de alimentos.

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Ninguém igonora que o benefício pago permitiu a milhões de cidadãos brasileiros invisíveis terem sua existência descoberta pelo ministro Guedes. Tampouco que o pagamento permitiu a muitas famílias poderem se sustentar e adquirirem os produtos que lhes assegurassem sua subsistência.

Mas, nem o auxílio foi tão significativo, embora muito relevante para várias famílias, quando superou em muito a soma de outros auxílios sociais obtidos; nem se o auxílio foi capaz de permitir a compra de alguns produtos a mais que aqueles que compõem a cesta básica.

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Além disso, lembremos que as parcelas do auxílio foram declinantes, de 600 reais as quatro primeiras, para 300 reais as últimas. E as compras devem ter continuado a serem realizadas, embora em valores mais limitados, enquanto a inflação escalava, justo no período da redução do rendimento.

De mais a mais, o auxílio era destinado a dar condições de todo aquele prejudicado pelo desemprego ou pela impossibilidade de obter a sua sobrevivência dos bicos do mercado informal, poder continuar se sustentando.

Logo, informalmente todo esse contingente de 66 milhões de pessoas, já estaria obtendo recursos e participando do mercado.

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Se a inflação não se deve à elevação da demanda ou à emissão monetária, então sua origem encontra-se nos choques de oferta, pela quebra de safras. Ou a explicação que passa pelo câmbio.

Isso, independente de o Banco Central ter atuado para conter a escalada do dólar tendo, inclusive, utilizado as reservas internacionais formadas pelos governos petistas, para injetar dólar a vista no mercado forçando a queda de sua cotação.

As reservas internacionais, que encerraram 2020 no nível de 350 bilhões de dólares, estavam em 343,5 bilhões ao final de fevereiro depois de terem atingido os 378,1 bilhões em meados de 2019.

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A utilização das reservas constituídas, é preciso deixar bastante claro, pelos governos esquerdistas ou “comunistas” do PT, estão sendo dilapidadas aos poucos pelo  (des) governo liberal e sem propostas, do genocida Bolsonaro.

Não basta matar mais de 300 mil pessoas, há que esgotar também com os 370 bilhões de reservas que esse desgoverno herdou.

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Entendidas as razões que justificam a elevação da Selic, resta analisar, brevemente duas questões: a primeira, o país pode estar caminhando, celeremente para uma situação de estagflação, desemprego em alta, queda do PIB ou desempenho pífio, e inflação em escalada, mesmo que não acelerada.

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Tal situação que representa o pior dos dois mundos, teria a capacidade de alimentar o agravamento de ambas as situações. Senão vejamos: a incerteza de ganhos na esfera produtiva, seja pelos efeitos deletérios da pandemia e da mortalidade que ela acarreta, seja pela elevação dos juros, que impactam positivamente os ganhos financeiros da riqueza fictícia, às custas de adiamentos, atrasos, paralisações de decisões de investimento ou mesmo de produção do setor real da economia, acaba criando um panorama desfavorável aos negócios. Tal cenário leva os donos do capital, principalmente o externo, mas não só, a retirarem seus recursos do país. A saída ou fuga de capitais, alimentada por toda a situação de caos político, social, sanitário que o país atravessa, acaba pressionando para cima os preços do dólar.

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Dólar mais caro, realimenta o processo espiral de inflação maior, mais risco de reações sociais ou políticas (perda de popularidade dos governantes), mais fuga de capitais; ao mesmo tempo, preços mais caros, importações mais caras, dificuldades maiores de importação de insumos, redução das atividades produtivas, maior desemprego, mais invisíveis, necessidade de aumento dos prazos e valores de auxílios emergenciais, maior gasto público, maior endividamento interno...

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Ou seja: o cenário é trágico, embora não poderia dizer que é pessimista.

Como diz a lei de Murphy: não há situação nenhuma ruim que não possa piorar.

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Por tudo isso, acho que o Banco Central ao elevar a Selic, agiu mais de forma a atender à pressão ou chantagem dos agentes do mercado financeiro, que estão cada vez mais exigindo juros futuros maiores para continuarem financiando o governo, no processo de rolagem da dívida.

Ou seja: talvez a explicação seja fruto da captura do órgão regulador pelos regulados.

O que já era previsto.

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Uma última observação: em um país em que a instabilidade é a regra; a Justiça é morosa, e nem um pouco preocupada em fazer prevalecer o direito; o governante é um sociopata, genocida; os políticos vivem todos em um parque de diversões, aproveitando as cores, as luzes, a música em meio aos carrinhos de uma montanha russa; os ministros são meros capachos, e a população é composta de eleitores capazes de votarem em lixo, não sobra muito espaço para tratar de temas como o retorno e o discurso de estadista de Lula; as reações de Bolsonaro; o retorno cada vez mais acintoso da censura; as trocas de seis por meia dúzia nos ministérios do terror; a lives proponentes de golpes por parte do genocida.

Por isso, peço desculpas aos amigos que acompanham nossos pitacos.

quarta-feira, 3 de março de 2021

"Aliado da morte, Bolsonaro usa o vírus  para torpedear Guedes e evitar que a sociedade se dê conta de que o rei está nu e sua política econômica é um retumbante fracasso"

Nesses tempos de cólera e mortalidade em alta, tenho passado horas a procurar respostas para o comportamento, característico de um genocida, adotado por Jair Bolsonaro.

Devo confessar que perplexidade e frustração são, até agora, os únicos resultados a que minhas análises têm me conduzido. Provavelmente, por força de partir de hipóteses incorretas ou inaplicáveis.

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Talvez residisse aí meu principal engano: querer ver racionalidade em um comportamento de alguém, que apenas é revelador de uma personalidade sociopata. Antissocial. Alguém completamente incapaz de sentir empatia pelo outro ou remorso por suas ações e condutas.

Procurando entender melhor os portadores de tal transtorno, apoio-me no Google que informa que pessoas com tais características tendem a ser autoconfiantes, arrogantes e teimosos.

Traços que se aplicam bastante bem ao perfil do ex-capitão, até no que revelam de forma implícita. Afinal, especialistas argumentam que aqueles que fazem questão de mostrar quão autoconfiantes são, em geral são pessoas dotadas de enorme insegurança.

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Nesse sentido, autossuficiência e autoestima serviriam como um EPI, um equipamento para esconder a verdade interior, de insegurança e timidez.

Ao contrário, portadores de autoconfiança dentro de limites razoáveis seriam pessoas equilibradas, conscientes de suas capacidades, e que não precisariam ficar alardeando tais atributos.

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Sem conhecimentos mais amplos para dar pitacos sobre o tema, apenas assinalo que, em minha opinião, o presidente não passa de um inseguro.

Senão vejamos: dono da Bic -  mas poderia ser uma Mont Blanc, sem qualquer problema -  ninguém discuto o fato de que é dele, desde que dentro da lei, a assinatura com poder de fazer, deixar de fazer, vetar, nomear, escolher, direcionar ações, atividades e metas. Algumas, várias, envolvendo o que faz o mundo funcionar: recursos financeiros.

No entanto, sua preocupação em não se tornar uma rainha da Inglaterra, ou em demonstrar que ele é quem manda, ou quem demite ou convida ministros e assessores, que ele é que foi eleito, etc. chega a ser risível, tamanha a insistência em expressar o que é a essência do estado de direito, em relação ao candidato sufragado pela maioria do povo.

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Ora, a isso, dá-se o nome de democracia. E, dentro das atribuições e competências discriminadas em documentos legais, tudo que ele fizer ou se propuser a fazer, deve ser obedecido.

Até por militares, de patentes mais elevadas, conquistadas ao longo do exercício de toda uma carreira.

Sim, em nosso país, os generais de 4 estrelas devem prestar continência e obediência ao capitão, comandante em chefe das Forças Armadas.

Isso é o que está lá no livrinho.

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Mas, não é só em termos de poder e autoridade, que Bolsonaro parece ter dúvidas hamletianas.

Sua necessidade de se mostrar macho, imbrochável, um reprodutor de primeira linha, capaz de gerar outros vários machos com apenas uma fraquejada, é notória. Difundida como sua função de garanhão, justificativa usada para os recursos recebidos a título de auxílio moradia, enquanto deputado.

Ou ainda, sua referência ao passado de atleta, capaz de lhe assegurar imunidade e saúde, mesmo contra vírus poderosos, causadores de mera gripezinha, frente ao temível e saudável organismo. Status de atleta que procura transmitir por meio de sessões constrangedoras de flexões que realiza, ou com a prática de futebol, ou corridas rasas.

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Comportamentos que se alternam com outras em que exibe cenas de "golden shower", ou faz questão de tecer algum comentário de cunho homossexual.

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Mas acho que seria uma hipótese algo simplória, de minha parte, atribuir ao presidente um desejo sádico de assistir ou acompanhar o sofrimento do povo. Seria simplista alegar sua aliança com o vírus, e sua subordinação à morte.

Ele pode ser sádico, além de não ser coveiro, como fez questão de nos esclarecer. Já mostrou também  que não se acha todo poderoso, afinal, todos vão mesmo morrer, e ele lamenta, mas o que ele pode fazer?

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Mais sério, claro, foi sua comemoração em acertar, não as medidas de prevenção frente à pandemia, não as compras de vacinas capazes de asseguraram esperança à população: esperança de vida.

Ele preferiu comemorar que todas as previsões, os maus presságios, que havia feito, se concretizaram. O que era uma inverdade. Mas, preferiu comemorar a morte de um dos indivíduos do grupo de teste para a Coronavac, evento infeliz, sem qualquer vinculo com a realização dos testes.

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A mim, é difícil esquecer sua expressão de derrota ou decepção, ao se referir à chegada das vacinas e ao início do processo de vacinação em nosso país.

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Que ele indicasse tratamentos inócuos, como a montagem e distribuição de kits Covid, ineficazes e com efeitos colaterais desconhecidos ou arriscados, poderia ter explicação. Afinal, a compra e até a fabricação de medicamentos poderiam ter rendido gastos extravagantes, emergenciais e extrateto, com interesses outros, não explicitados.

Que mandasse uma delegação com funcionários graduados fazer um tour por Israel - país onde a vacinação foi considerada prioridade máxima e onde até o primeiro ministro se prontificou a participar da campanha de conscientização em prol da vacina- em busca de uma proteína sob a forma de spray nasal, ainda em estágio preliminar de testes contra o corona, dá para entender.

Afinal, é o tipo de negócios que, bem negociado, permite rachadinhas interessantes.

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Mas, minha hipótese mais atual é de que Bolsonaro preferiu se aliar ao vírus e aos seus efeitos deletérios apenas para não ter que reconhecer que o rei está nu. E assim, não ter que debater a real e frustrante realidade que é responsabilidade exclusivamente sua.

Afinal, é dele a escolha de ministros. Foi dele, por mais que os interesses do mercado financeiro pressionassem, a escolha de um economista de formação liberal, formado em Chicago e treinado no fracasso da experiência chilena de Pinochet: Paulo Guedes.

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Guedes, incensado pelos “mercados” representava o salvo conduto,  junto àqueles que, de fato possuem e exercem o poder, a assegurar a chegada de Bolsonaro ao governo.

Lembremos que Bolsonaro sempre deixou claro que nada entendia de economia, como também que, quando estudante da Academia Militar, estava em voga e sendo disseminada uma visão de desenvolvimento fortemente nacionalista, capitalista, desigual, com forte presença do Estado, então militarizado e autoritário, como indutor do programa destinado a transformar o país no Brasil grande, no Brasil potência.

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Difícil acreditar que quem sempre preferiu se meter com distribuição de recursos entre funcionários de seu gabinete, e distribuição de recursos entre milicianos, fosse ter visão macroeconômica, ou ainda visão liberal.

Mas Guedes era tudo aquilo que  o oportunismo do capitão recomendava. E faro ele sempre mostrou ter. Ao menos para as pequenas ilegalidades.

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Tal oportunismo eleitoral, levou à nomeação de Guedes à situação de Posto Ipiranga, justo no momento em que o petróleo iniciava uma recuperação de preços no mercado internacional. E, como preços elevados do óleo bruto representam aumento de custos de toda a cadeia dos combustíveis dele derivados, a alta do preço do barril e dos combustíveis, com a resultante alta dos custos de transportes, soma-se à nossa dependência do modal rodoviário para escoamento da nossa produção, afetando os preços em geral, especialmente de produtos como alimentos, de grande impacto na cesta básica das famílias brasileiras.

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Enquanto o óleo subia de preço, junto com combustíveis, transportes e preços em geral, que se elevaram 4,52%, acima da meta de inflação, o apoio de Bolsonaro junto a parcela importante de seus apoiadores, tratados como gado, descia ladeira abaixo. 

Junto com a queda de apoio, iniciava-se a perda de prestígio de Guedes. Afinal, a política de preços de mercado da Petrobrás segue a lógica de mercado da cartilha de Guedes.

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Mas, os conflitos entre o Guedes Ipiranga e o Bolsonaro, “militar” estatizante, já vinham durante todo o governo. E entre anúncios de medidas no sentido da liberalização e retrocessos, ficou claro para os donos do capital que haviam embarcado em uma canoa com maiores fugas de água que aquela que haviam previsto.

Investidores internacionais começaram a retirar recursos do país, repatriando recursos. A incerteza no ambiente econômico, fez o dólar se valorizar.

Com isso, preços de produtos internacionais tornaram-se mais elevados, com efeitos duplos: por um lado, encareciam produtos como o petróleo, e disparavam nova reação em cadeia de preços já tratada. De outro, tornavam mais interessante para produtores de “commodities” direcionarem sua produção para mercados no exterior. Vendas pagas em dólares valorizados representavam elevação de receitas e ganhos para os produtores do agronegócio, como: soja e derivados, milho, insumos para ração alimentar para rebanhos.

Vale assinalar que tais produtos já tinham demanda elevada por parte de mercados chineses, o que ajudava a elevar os preços em dólar.

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Internamente, o efeito foi nova elevação de preços de alimentos e produtos de primeira necessidade, realimentando a alta de preços.

Inflação que nada tem a ver com aumento de demanda interna como consequência de pagamento de auxílio emergencial ou a elevação de gastos e déficits, ou expansão monetária para dar curso ao pagamento de tais auxílios.

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Junto à inércia e inação de Guedes, acovardado para se manter no cargo, e a elevação inflacionária dos preços, a economia não cresceu como era a promessa quando do golpe contra a presidenta Dilma; o desemprego só fez aumentar, apesar das reformas ditas estruturantes ou modernizadoras, na verdade meras medidas de castração dos direitos trabalhistas e sociais, e emasculação da classe trabalhadora, até chegar ao resultado do PIB de queda de -4,1%, a maior da série, em 2020.

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Ora, como a queda do PIB pode facilmente ser atribuída ao vírus, a melhor estratégia para esconder o tremendo fracasso da área econômica seria dar corda e continuar dando corda ao seu efeito deletério, sobre a vida, a sociedade, a economia.

O governo cada vez apresenta um resultado pior. Mas Jair tem uma desculpa. E sem poder culpar a Guedes, sua escolha, melhor se aliar ao vírus.

Que mantém o sonho vivo para 2022, apesar de não dar a mesma certeza em relação à população e aos eleitores de Bolsonaro.

Certeza apenas a narrativa de que a bandeira do país jamais será vermelha. Como o sangue anêmico da população que segue bovinamente o presidente.