Em palestra promovida na noite de ontem, em São Paulo, o professor Belluzzo, um dos mais conceituados economistas do país e conselheiro da presidenta Dilma Roussef afirmou que são dois os principais riscos que desafiam nossa economia: a possibilidade de entrarmos em recessão - tecnicamente, dois trimestres sucessivos de queda do PIB, e o processo de desindustrialização ou pior, a continuidade desse processo, sinal de uma indústria cada vez mais fraca.
Repercutindo as opiniões do professor, o jornal Valor Econômico destaca que Belluzzo apontou que especialmente o problema da indústria será um dos principais desafios a merecerem a atenção do futuro ocupante do Planalto, ao lado da necessidade de se promover reformas estruturais e estruturantes.
Entre as reformas, cita a política, visando reduzir o número de siglas partidárias que inviabilizam o funcionamento de qualquer democracia, e a reforma institucional, voltada para desobstruir os caminhos do investimento.
Quanto à recessão, indica que o modelo baseado no dinamismo dos gastos do consumo já alcançou seus limites, particularmente por força do tipo de bem que alavancou a nossa economia nos anos recentes. Isso é: sendo o consumo puxado por bens duráveis, como automóveis e eletroeletrônicos, uma vez adquiridos, não há um movimento de troca ou de novas compras em curto período de tempo.
Além disso, o professor constata que as famílias atingiram seus limites de endividamento, o que as faz reduzir a utilização das opções de crédito.
***
Quem acompanha nossos comentários sabe que também essa, coincidentemente é nossa opinião, tanto pelo lado do consumo que não vai continuar se expandindo, por força da compra de um segundo ou terceiro automóvel, ou de uma segunda geladeira ou de um novo fogão, quanto pela preocupação em não se sobreendividar, em um momento em que o pessimismo que domina a conjuntura, recomenda cautela e redução de riscos. Afinal, configurando-se uma desaceleração da produção, como a que está em curso, é inegável que a situação dos empregos passa a ficar cada vez mais vulnerável.
De mais a mais, lembre-se que, comprados os bens de consumo que inserem as famílias no maravilhoso mundo do consumo, as famílias são atraídas e passam a se dedicar mais a um outro tipo de gasto, dessa forma, gastos em serviços. Razão porque salões de beleza, gastos com produtos de maquiagem e outros do gênero, gastos com academias e até mesmo em viagens, nacionais ou internacionais, começam a frequentar o menu de opções das famílias recém-chegadas ao mercado do consumo.
***
Quanto à questão da preocupação com o enfraquecimento de nossa indústria, o professor afirmou que caímos no conto da pouca importância da manufatura, o que nos levou a dedicar pouca, se alguma atenção a esse importante setor da economia. Em lugar disso, passamos cada vez mais a dar atenção e ficarmos satisfeitos em nos tornarmos, cada vez mais, produtores de commodities.
Na verdade, em relação a esse ponto, devemos relembrar que esse não foi um movimento necessariamente intencional, ligado às ideias antigas das teorias de vantagens comparativas no comércio internacional, que culminam sempre na conclusão de que o Brasil é o celeiro do mundo, etc.
Como já tive a oportunidade de manifestar antes, minha opinião é que tudo isso foi e tem sido fruto da grande liquidez que predominava nos mercados do mundo durante os anos 90, com maciças quantidades de capitais vultosos em busca de sua valorização, uma vez esgotadas as oportunidades nas economias mais maduras ou desenvolvidas.
Procurando se valorizar, migraram para as economias, como a brasileira, que em um primeiro momento puderam se beneficiar desses recursos, servindo-se deles para eliminarem a situação de hiperinflação que muitas delas experimentavam.
Ora, se devemos o êxito do Plano Real, em parte e como o mostra o livro em que Cesar Benjamin nos apresenta as conclusões de um encontro de economistas em Itaici, à grande liquidez internacional, tal liquidez em nada nos beneficiaria, não fossem a liberalização financeira internacional, a queda das regulações aos fluxos de capitais, a livre mobilidade que daí decorreu e as taxas de juros de que os governos brasileiros se valeram para manter a inflação sob controle.
Com juros elevados, e a inundação de dólares em nossa economia, seguiu-se a valorização do real, responsável por derrubar nossas exportações de manufaturas, ao tempo em que estimulava, por baratas, as importações de peças, partes, componentes e matérias primas. Tudo isso, agindo no sentido de destruir nossa produção industrial.
Ao mesmo tempo, a entrada da China no cenário internacional e seu crescimento deu ensejo a que uma grande demanda de produtos como minério de ferro, soja e outras commodities tivesse lugar, o que beneficiou a nosso país duplamente. Primeiro pela expansão da produção e venda de tais produtos, depois pela elevação da receita de vendas dos produtos exportáveis, tanto em moeda internacional, quanto em moeda nacional, com os grandes empresários dos setores primários ganhando também pela valorização do real.
***
Bem, foi o que bastou para criar essa situação que o professor identifica de fraqueza da nossa indústria, que corre o risco de criar outro problema caso o dólar seja valorizado, no futuro imediato.
Afinal, com dólar mais caro, pagaremos pela imprevidência de termos deixado grande parte de nossas cadeias produtivas terem sido sucateadas, quando substituímos os fornecedores internos por outros estrangeiros.
Sinal de que, nem sempre o que é uma decisão correta do ponto de vista microeconômico (redução de custos e preços dos produtos manufaturados) de curto prazo, gera benefícios macroeconômicos ou sociais, em prazos mais longos. Ou seja, as decisões micro podem sim, se revelarem portadoras tão somente de uma importante miopia.
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O professor está correto e, embora temporalmente difícil, como ele mesmo afirma, recuperar a força de nosso parque manufatureiro, esse será certamente um dos mais importantes desafios de qualquer que seja o próximo governo eleito.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Burro com sorte
Burro com sorte. Essa a expressão que tem caracterizado as conversas de Levir Culpi com alguns jornalistas da Globo, SportTv e PFC, o serviço de pay-per-view dos jogos da série A do campeonato brasileiro, quando perguntado de como se sente em relação às manifestações da torcida do Galo.
E foi assim ontem, como já tinha sido no jogo contra o Lanús, na conquista da Recopa.
Ao insistir na manutenção de Emerson Conceição em campo, atuando e falhando em todos lances de que participa pela lateral esquerda, e ao promover substituições não aprovadas pela torcida, imediatamente começa o coro de burro, burro, dirigido ao técnico, quando não são gritadas outras rimas, de mais baixo nível cultural.
A propósito desse coro que manda Levir ir tomar ... caracu, é importante deixar claro que, em geral o coro é puxado pela torcida que, no Independência senta-se exatamente atrás do banco em que fica instalada a delegação do Atlético. Ou seja, no setor dos privilegiados sócios do Galo na Veia. E é importante que essa condição dos torcedores que partem para o baixo calão seja destacada porque, a rigor, mais que se acharem os donos do clube, pelos 500 merrecas que pagam a cada mês conforme declaração de Kalil, esses torcedores é que, por hipótese, têm maior poder aquisitivo. Embora não haja vínculo necessário entre o nível econômico e de renda de qualquer pessoa com seu grau de educação, a ninguém escapa o fato óbvio de que, em nosso país, em geral os mais ricos são também, os que têm maior acesso à educação formal. Isso significa que, em geral, os mais ricos são também os mais letrados, os mais educados e mais cultos.
Mas, nesses tempos bicudos que estamos vivendo em nosso país, especialmente em função de pela vez primeira políticas públicas estarem sendo implantadas para reduzir as disparidades de nossa sociedade, diminuindo principalmente a desigualdade de renda e acesso a bens culturais, parece que certos setores compostos pelos únicos atendidos antes perderam sua proeminência. E, junto com a sua pretensa importância, perderam também a paciência, a postura e até a educação. No fundo, apenas reagem mostrando a mediocridade que lhes era característica desde sempre, mas que ficava obscurecida por sua posição e status.
Só isso, em minha opinião, para explicar o coro dirigido à presidenta Dilma por duas ou três ocasiões, durante os jogos da Copa e até mesmo o coro dirigido a Levir no último domingo.
Em resumo: são os mesmos ignorantes de sempre, arrogantes, que se consideram donos do mundo e que, em sua pequenez, apenas sentem que estão cada vez - felizmente valendo menos e obtendo menos privilégios - e por isso reagem como qualquer animal faria, desde que não educado.
***
Mas, burro ou não, o certo é que o Atlético de Levir dá mesmo sorte e, especialmente em função do uso do amuleto Luan, foi capaz de virar o placar na prorrogação contra o Lanús e vencer a partida difícil contra o Atlético Paranaense, ontem.
Justiça seja feita: Luan não é apenas, como muitos o tratam, um talismã. O problema é que ele insiste, entra, disputa, briga pela bola e, deixando a defesa adversária em situação de desconforto, acaba induzindo tais defesas a erro. De onde surgem os gols contra, um contra o Lanús, outros dois ontem.
Mas, se a entrada de Luan sempre é de agrado da torcida, as mexidas de Levir são, no mínimo, estranhas.
Contra o Lanús, sacou R10, quando Maicosuel estava pior em campo. Ontem, tirou Guilherme, talvez cansado, mas certamente o cérebro do time.
Depois tirou Jô e lançou Dátolo, de novo estranha mudança, já que tinha André no banco...
E, enquanto isso, a torcida continua sem entender o porquê de Marion não ter qualquer chance...
***
Independente disso, o Atlético movimentou-se muito e jogava muito bem com trocas de passes envolventes, levando perigo ao gol paranaense, embora a superioridade demonstrada em todo o primeiro tempo, não se transformou em superioridade numérica. Não fosse o gol, meio espírita de Léo Silva, em mais um lançamento com as mãos de Marcos Rocha, o placar teria ficado em brando. Jô perdendo gols, por pura ansiedade, a bola explodindo no travessão e até uma bola que parece ter cruzado a linha de gol, mas o chip eletrônico da Copa não funcionou, tudo tramava contra o Galo.
No segundo tempo, logo em seu início, um frango de Victor pegou o time de surpresa e, com isso, o time passou a cometer seguidos erros.
Foi então que Levir fez as mudanças e burro ou não, sortudo ou não, fez o Galo voltar a tocar bola, com qualidade e trocar passes em velocidade, a ponto de até Emerson Conceição começar a jogar bem.
E o Galo conseguiu, por sorte, impor-se ao xará conquistando mais 3 pontos preciosos.
***
Não poderia deixar de falar da disposição de todo os jogadores, agora atuando sem terem ficado concentrados e, mostrando responsabilidade e profissionalismo.
Mas, tanto se fala de Guilherme e sua inteligência, jogadas e lançamentos preciosos, sempre deixando os colegas em boa situação, o que é verdadeiro, mas tenho de deixar registrado que, também Tardelli com sua movimentação e correria, e Jô, voltando para buscar jogo e fazer tabelas, merecem destaque.
Pierre e Donizete continuaram fazendo o que sempre fizeram e sabem bem... bateram muito. E foi só.
E Léo Silva voltou a jogar bem, com Réver sério.
Mas, cada vez mais, enche os olhos de toda a torcida que não se recusa a ver é o futebol de Marcos Rocha, de onde saem as melhores jogadas de ataque, ou de ligação entre a defesa e o meio. Dos passes de quem saem inversões de jogada, cruzamentos perigosos, lançamentos, tabelas, etc.
Marcos Rocha está sobrando tanto, que até cobrindo as falhas poucas de seus colegas do meio da zaga ele está. Está jogando o fino, e merece aplausos.
***
A propósito de um pouco mais de respeito por opiniões contrárias
Não gosto do programa comandado por Afonso Alberto, no canal 6 da Net. Por culpa do apresentador, arrogante que se acha o dono da verdade. Mas, de vez em quando, é tão ruim a programação de nossa telinha, que acabo passando por lá.
Também concordo que o ex-juiz José Alberto Teixeira é muito chato, e até desagradável em seus comentários, às vezes.
Mas, o que vi na última semana foi estarrecedor. Contra a opinião de todos que elogiavam o time do Cruzeiro e que cantavam vitória antes a hora, inclusive prevendo uma goleada, o José Alberto insistiu em que o Cruzeiro não podia se sentir com a mão na taça, como Afonso falava.
Afinal, se para Afonso, ao final de setembro o Cruzeiro já será o campeão com 12 pontos de frente, o ex-juiz afirmava que, bastava um tropeço do time azul contra o Botafogo que o campeonato embolava.
Olha, embora o Cruzeiro seja o time de melhor campanha, e que está fazendo por merecer (infelizmente!) ser novamente campeão, o fato é que o futebol só acaba quando termina.
E, o José Alberto de forma desagradável parecia estar torcendo para o time mineiro perder, mais que apenas alertando contra um já ganhou no jogo do Rio.
Pois foi ironizado e escrachado e ... não sei, porque não aguentei a baixaria do apresentador e de seu filho e outros convidados ao programa.
Mudei de canal.
Mas, gostaria de saber o que passa pela cabeça de quem não teve respeito algum por um seu convidado, depois de o Cruzeiro ter tropeçado contra o time da estrela solitária no Rio, onde os jogadores jogam por amor à arte, já que, como é sabido, não recebem salários há muitos meses.
Lastimável... Pra não ver, ou como dizia um crítico de arte parece-me do Jornal da Tarde, de São Paulo: evite.
E foi assim ontem, como já tinha sido no jogo contra o Lanús, na conquista da Recopa.
Ao insistir na manutenção de Emerson Conceição em campo, atuando e falhando em todos lances de que participa pela lateral esquerda, e ao promover substituições não aprovadas pela torcida, imediatamente começa o coro de burro, burro, dirigido ao técnico, quando não são gritadas outras rimas, de mais baixo nível cultural.
A propósito desse coro que manda Levir ir tomar ... caracu, é importante deixar claro que, em geral o coro é puxado pela torcida que, no Independência senta-se exatamente atrás do banco em que fica instalada a delegação do Atlético. Ou seja, no setor dos privilegiados sócios do Galo na Veia. E é importante que essa condição dos torcedores que partem para o baixo calão seja destacada porque, a rigor, mais que se acharem os donos do clube, pelos 500 merrecas que pagam a cada mês conforme declaração de Kalil, esses torcedores é que, por hipótese, têm maior poder aquisitivo. Embora não haja vínculo necessário entre o nível econômico e de renda de qualquer pessoa com seu grau de educação, a ninguém escapa o fato óbvio de que, em nosso país, em geral os mais ricos são também, os que têm maior acesso à educação formal. Isso significa que, em geral, os mais ricos são também os mais letrados, os mais educados e mais cultos.
Mas, nesses tempos bicudos que estamos vivendo em nosso país, especialmente em função de pela vez primeira políticas públicas estarem sendo implantadas para reduzir as disparidades de nossa sociedade, diminuindo principalmente a desigualdade de renda e acesso a bens culturais, parece que certos setores compostos pelos únicos atendidos antes perderam sua proeminência. E, junto com a sua pretensa importância, perderam também a paciência, a postura e até a educação. No fundo, apenas reagem mostrando a mediocridade que lhes era característica desde sempre, mas que ficava obscurecida por sua posição e status.
Só isso, em minha opinião, para explicar o coro dirigido à presidenta Dilma por duas ou três ocasiões, durante os jogos da Copa e até mesmo o coro dirigido a Levir no último domingo.
Em resumo: são os mesmos ignorantes de sempre, arrogantes, que se consideram donos do mundo e que, em sua pequenez, apenas sentem que estão cada vez - felizmente valendo menos e obtendo menos privilégios - e por isso reagem como qualquer animal faria, desde que não educado.
***
Mas, burro ou não, o certo é que o Atlético de Levir dá mesmo sorte e, especialmente em função do uso do amuleto Luan, foi capaz de virar o placar na prorrogação contra o Lanús e vencer a partida difícil contra o Atlético Paranaense, ontem.
Justiça seja feita: Luan não é apenas, como muitos o tratam, um talismã. O problema é que ele insiste, entra, disputa, briga pela bola e, deixando a defesa adversária em situação de desconforto, acaba induzindo tais defesas a erro. De onde surgem os gols contra, um contra o Lanús, outros dois ontem.
Mas, se a entrada de Luan sempre é de agrado da torcida, as mexidas de Levir são, no mínimo, estranhas.
Contra o Lanús, sacou R10, quando Maicosuel estava pior em campo. Ontem, tirou Guilherme, talvez cansado, mas certamente o cérebro do time.
Depois tirou Jô e lançou Dátolo, de novo estranha mudança, já que tinha André no banco...
E, enquanto isso, a torcida continua sem entender o porquê de Marion não ter qualquer chance...
***
Independente disso, o Atlético movimentou-se muito e jogava muito bem com trocas de passes envolventes, levando perigo ao gol paranaense, embora a superioridade demonstrada em todo o primeiro tempo, não se transformou em superioridade numérica. Não fosse o gol, meio espírita de Léo Silva, em mais um lançamento com as mãos de Marcos Rocha, o placar teria ficado em brando. Jô perdendo gols, por pura ansiedade, a bola explodindo no travessão e até uma bola que parece ter cruzado a linha de gol, mas o chip eletrônico da Copa não funcionou, tudo tramava contra o Galo.
No segundo tempo, logo em seu início, um frango de Victor pegou o time de surpresa e, com isso, o time passou a cometer seguidos erros.
Foi então que Levir fez as mudanças e burro ou não, sortudo ou não, fez o Galo voltar a tocar bola, com qualidade e trocar passes em velocidade, a ponto de até Emerson Conceição começar a jogar bem.
E o Galo conseguiu, por sorte, impor-se ao xará conquistando mais 3 pontos preciosos.
***
Não poderia deixar de falar da disposição de todo os jogadores, agora atuando sem terem ficado concentrados e, mostrando responsabilidade e profissionalismo.
Mas, tanto se fala de Guilherme e sua inteligência, jogadas e lançamentos preciosos, sempre deixando os colegas em boa situação, o que é verdadeiro, mas tenho de deixar registrado que, também Tardelli com sua movimentação e correria, e Jô, voltando para buscar jogo e fazer tabelas, merecem destaque.
Pierre e Donizete continuaram fazendo o que sempre fizeram e sabem bem... bateram muito. E foi só.
E Léo Silva voltou a jogar bem, com Réver sério.
Mas, cada vez mais, enche os olhos de toda a torcida que não se recusa a ver é o futebol de Marcos Rocha, de onde saem as melhores jogadas de ataque, ou de ligação entre a defesa e o meio. Dos passes de quem saem inversões de jogada, cruzamentos perigosos, lançamentos, tabelas, etc.
Marcos Rocha está sobrando tanto, que até cobrindo as falhas poucas de seus colegas do meio da zaga ele está. Está jogando o fino, e merece aplausos.
***
A propósito de um pouco mais de respeito por opiniões contrárias
Não gosto do programa comandado por Afonso Alberto, no canal 6 da Net. Por culpa do apresentador, arrogante que se acha o dono da verdade. Mas, de vez em quando, é tão ruim a programação de nossa telinha, que acabo passando por lá.
Também concordo que o ex-juiz José Alberto Teixeira é muito chato, e até desagradável em seus comentários, às vezes.
Mas, o que vi na última semana foi estarrecedor. Contra a opinião de todos que elogiavam o time do Cruzeiro e que cantavam vitória antes a hora, inclusive prevendo uma goleada, o José Alberto insistiu em que o Cruzeiro não podia se sentir com a mão na taça, como Afonso falava.
Afinal, se para Afonso, ao final de setembro o Cruzeiro já será o campeão com 12 pontos de frente, o ex-juiz afirmava que, bastava um tropeço do time azul contra o Botafogo que o campeonato embolava.
Olha, embora o Cruzeiro seja o time de melhor campanha, e que está fazendo por merecer (infelizmente!) ser novamente campeão, o fato é que o futebol só acaba quando termina.
E, o José Alberto de forma desagradável parecia estar torcendo para o time mineiro perder, mais que apenas alertando contra um já ganhou no jogo do Rio.
Pois foi ironizado e escrachado e ... não sei, porque não aguentei a baixaria do apresentador e de seu filho e outros convidados ao programa.
Mudei de canal.
Mas, gostaria de saber o que passa pela cabeça de quem não teve respeito algum por um seu convidado, depois de o Cruzeiro ter tropeçado contra o time da estrela solitária no Rio, onde os jogadores jogam por amor à arte, já que, como é sabido, não recebem salários há muitos meses.
Lastimável... Pra não ver, ou como dizia um crítico de arte parece-me do Jornal da Tarde, de São Paulo: evite.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
As aflições de Agosto e o presente que me foi enviado, mostrando o vazio do discurso de certos ideólogos do deus mercado
Começa o mês de agosto. Mês do cachorro louco, considerado aziago, de muitas datas marcantes, nem sempre de forma positiva no cenário político nacional.
Mês de ventania, que amplia e realça o frio de fim de inverno, e aumenta nossa sensação térmica.
Na política, a importância atribuída ao mês é relevante, resultado da ocorrência de eventos que alteraram definitivamente os eventos que lhes seguiram, sendo exemplo desde o suicídio de Getúlio, em um dia 24 do ano longínquo de 1954, até a renúncia de Jânio, como parte da trama da tentativa frustrada de golpe intentado pelo ex-presidente, mal completados sete meses de seu mandato. Renúncia que marcaria o princípio do período de incertezas e instabilidade que se abateria sobre o país, culminando com o golpe que implantou vinte e um anos de autoritarismo.
Agosto marca também a data de falecimento do presidente Juscelino Kubistschek, em acidente automobilístico, cercado de muitas suspeitas, em um dia 22 do ano de 1976.
Mas, deixando de lado a coincidência de datas marcadas por eventos históricos em distintos lugares do mundo, alguns tão nefastos como o massacre da noite de São Bartolomeu, ordenado por Catarina de Médici, no ano de 1572, e que apenas reforçam e alimentam a crendice popular como uma ligeira consulta ao Google serve para confirmar, a tradição talvez se justifique, ao menos nos países de língua portuguesa, apenas pela rima que agosto permite obter com desgosto.
Aliás, consta no Google que, por ser agosto o mês em que as naus portuguesas lançavam-se ao mar, as mulheres lusitanas evitavam casar-se nesse período, para não terem de passar solitárias seu período de lua de mel.
Curioso é que, considerado como mês do demônio, inclusive no candomblé, que homenageia Exu no dia 24, o mês, oitavo no ano, tenha surgido como homenagem a Augusto, que é um termo utilizado para se referir à divindade.
***
Mas, nesse dia primeiro de agosto, e em outros dias que se seguem, em que tanta gente parente, amiga, comemora seu aniversário, fui eu que tive a satisfação de receber um presente, que me foi enviado sob a forma de um link.
Trata-se do endereço do youtube, de um debate em que participavam Ciro Gomes, ex-ministro, ex-governador e Rodrigo Constantino, dessa nova leva de economistas ultradireitistas que a Veja e seu grupo editorial acolhem, na companhia de tantos outros autênticos picaretas que julgam expressarem a opinião dos mercados livres, ou do mercado sacrossanto, e que na verdade apenas ficam recitando fórmulas surradas e vazias contra a presença do Estado e a importância do governo no cenário econômico.
Ao ver tal link e depois a passagem do programa a que compareceram, fica clara a ignorância de alguns petistas que estavam preocupados em listar os integrantes da midia e os que dela se valem para desatar a falar asneiras de cunho ideológico, como se fossem donos da verdade absoluta.
Ao invés de elaborar uma lista e divulgá-la, como que demonizando os tais donos da verdade universal, melhor seria tão somente dar destaque e divulgar e repercutir como for possível, as tais verdades insofismáveis que pregam. Ou seja, basta que fosse dado aos tolos mais alguns poucos metros de corda, para que eles se pudessem se enforcar por conta própria, escancarando a todos quantos os virem, o nível de sua imbecilidade.
Ciro, no debate, chama as alegações vazias de significado feitas por Constantino, de truísmos. Eu chamo de argumentos falaciosos e imbecis.
Eis o link, para aqueles que não tiveram a oportunidade de assistirem ao despreparo de Constantino e ao show que Ciro soube proporcionar:
https://www.youtube.com/watch?v=k3pKgGEo0GA
Caso o endereço não leve ao curioso leitor à página indicada, basta acessar o youtube, mandando localizar o debate Ciro e Constantino.
É uma verdadeira aula. E, como tal, imperdível, mesmo devendo eu admitir não nutrir simpatias por Ciro Gomes.
***
Apenas para constar, devo ainda me referir mais uma vez à tal lista de caça aos representantes da direita ultrapassada que agem na midia. É que, concordando com vários nomes ali citados, como já tive oportunidade de manifestar aqui mesmo nesse blog, em comentário feito a propósito de episódio que envolveu a participação também de José Trajano, da ESPN, acho que a melhor postura em relação a tais figuras midiáticas é a de ignorá-las.
Assim, tão logo aparece na Globo, a figura de Arnaldo Jabor, uso da liberdade que o controle remoto nos dá e que torna esse instrumento uma das maiores invenções de todos os tempos. E pensar que Arnaldo, em uma de suas primeiras participações, comentando a entrega do Oscar, mereceu críticas minhas por fazer comentários completamente equivocados, de teor mais de esquerda. Está certo que, depois, desculpou-se, afirmando que acreditou que o seu papel era o de criticar a superficialidade ou futilidade dos filmes de Hollywood!!!!
Outro nome da lista é o de Diogo Mainardi, que confesso que nunca perdi tempo lendo, aliás, como não perco tempo lendo Veja. Acho a propósito, que Caras tem matérias mais ilustrativas...
Mas outro nome é o de Danilo Gentili, que eu acompanhava na Band, no seu Agora é Tarde, inclusive torcendo para que pudesse desbancar o programa do pernóstico Jô Soares. Mas, mesmo antes de ter se transferido para o SBT, comecei a perceber para além da comédia ou do humor, um certo ranço do apresentador, o que me fez não acompanhá-lo quando de sua mudança.
Que esteja fazendo sucesso, junto com seu programa, é questão que não me interessa nem diz respeito. Apenas torço para que, como Constantino, possa algum dia, encontrar alguém que possa lhe mostrar como seu discurso é vazio. E sem graça.
Mês de ventania, que amplia e realça o frio de fim de inverno, e aumenta nossa sensação térmica.
Na política, a importância atribuída ao mês é relevante, resultado da ocorrência de eventos que alteraram definitivamente os eventos que lhes seguiram, sendo exemplo desde o suicídio de Getúlio, em um dia 24 do ano longínquo de 1954, até a renúncia de Jânio, como parte da trama da tentativa frustrada de golpe intentado pelo ex-presidente, mal completados sete meses de seu mandato. Renúncia que marcaria o princípio do período de incertezas e instabilidade que se abateria sobre o país, culminando com o golpe que implantou vinte e um anos de autoritarismo.
Agosto marca também a data de falecimento do presidente Juscelino Kubistschek, em acidente automobilístico, cercado de muitas suspeitas, em um dia 22 do ano de 1976.
Mas, deixando de lado a coincidência de datas marcadas por eventos históricos em distintos lugares do mundo, alguns tão nefastos como o massacre da noite de São Bartolomeu, ordenado por Catarina de Médici, no ano de 1572, e que apenas reforçam e alimentam a crendice popular como uma ligeira consulta ao Google serve para confirmar, a tradição talvez se justifique, ao menos nos países de língua portuguesa, apenas pela rima que agosto permite obter com desgosto.
Aliás, consta no Google que, por ser agosto o mês em que as naus portuguesas lançavam-se ao mar, as mulheres lusitanas evitavam casar-se nesse período, para não terem de passar solitárias seu período de lua de mel.
Curioso é que, considerado como mês do demônio, inclusive no candomblé, que homenageia Exu no dia 24, o mês, oitavo no ano, tenha surgido como homenagem a Augusto, que é um termo utilizado para se referir à divindade.
***
Mas, nesse dia primeiro de agosto, e em outros dias que se seguem, em que tanta gente parente, amiga, comemora seu aniversário, fui eu que tive a satisfação de receber um presente, que me foi enviado sob a forma de um link.
Trata-se do endereço do youtube, de um debate em que participavam Ciro Gomes, ex-ministro, ex-governador e Rodrigo Constantino, dessa nova leva de economistas ultradireitistas que a Veja e seu grupo editorial acolhem, na companhia de tantos outros autênticos picaretas que julgam expressarem a opinião dos mercados livres, ou do mercado sacrossanto, e que na verdade apenas ficam recitando fórmulas surradas e vazias contra a presença do Estado e a importância do governo no cenário econômico.
Ao ver tal link e depois a passagem do programa a que compareceram, fica clara a ignorância de alguns petistas que estavam preocupados em listar os integrantes da midia e os que dela se valem para desatar a falar asneiras de cunho ideológico, como se fossem donos da verdade absoluta.
Ao invés de elaborar uma lista e divulgá-la, como que demonizando os tais donos da verdade universal, melhor seria tão somente dar destaque e divulgar e repercutir como for possível, as tais verdades insofismáveis que pregam. Ou seja, basta que fosse dado aos tolos mais alguns poucos metros de corda, para que eles se pudessem se enforcar por conta própria, escancarando a todos quantos os virem, o nível de sua imbecilidade.
Ciro, no debate, chama as alegações vazias de significado feitas por Constantino, de truísmos. Eu chamo de argumentos falaciosos e imbecis.
Eis o link, para aqueles que não tiveram a oportunidade de assistirem ao despreparo de Constantino e ao show que Ciro soube proporcionar:
https://www.youtube.com/watch?v=k3pKgGEo0GA
Caso o endereço não leve ao curioso leitor à página indicada, basta acessar o youtube, mandando localizar o debate Ciro e Constantino.
É uma verdadeira aula. E, como tal, imperdível, mesmo devendo eu admitir não nutrir simpatias por Ciro Gomes.
***
Apenas para constar, devo ainda me referir mais uma vez à tal lista de caça aos representantes da direita ultrapassada que agem na midia. É que, concordando com vários nomes ali citados, como já tive oportunidade de manifestar aqui mesmo nesse blog, em comentário feito a propósito de episódio que envolveu a participação também de José Trajano, da ESPN, acho que a melhor postura em relação a tais figuras midiáticas é a de ignorá-las.
Assim, tão logo aparece na Globo, a figura de Arnaldo Jabor, uso da liberdade que o controle remoto nos dá e que torna esse instrumento uma das maiores invenções de todos os tempos. E pensar que Arnaldo, em uma de suas primeiras participações, comentando a entrega do Oscar, mereceu críticas minhas por fazer comentários completamente equivocados, de teor mais de esquerda. Está certo que, depois, desculpou-se, afirmando que acreditou que o seu papel era o de criticar a superficialidade ou futilidade dos filmes de Hollywood!!!!
Outro nome da lista é o de Diogo Mainardi, que confesso que nunca perdi tempo lendo, aliás, como não perco tempo lendo Veja. Acho a propósito, que Caras tem matérias mais ilustrativas...
Mas outro nome é o de Danilo Gentili, que eu acompanhava na Band, no seu Agora é Tarde, inclusive torcendo para que pudesse desbancar o programa do pernóstico Jô Soares. Mas, mesmo antes de ter se transferido para o SBT, comecei a perceber para além da comédia ou do humor, um certo ranço do apresentador, o que me fez não acompanhá-lo quando de sua mudança.
Que esteja fazendo sucesso, junto com seu programa, é questão que não me interessa nem diz respeito. Apenas torço para que, como Constantino, possa algum dia, encontrar alguém que possa lhe mostrar como seu discurso é vazio. E sem graça.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Questões de educação e conhecimento: os fazeres e os seres
Rosely Sayão, psicóloga e colunista também da Folha de São Paulo (caderno Cotidiano, todas as terças feiras) tratou em sua última coluna, intitulada de Ser e Fazer, de uma questão muito interessante e contraditória, ou para usar a sua expressão, equivocada. A questão é a de que, por nossos exemplos, temos transmitido aos mais jovens a impressão de que a coisa mais importante em nossa vida é o trabalho, o que dá um destaque significativo à vida profissional e a toda a preparação que deve ser feita para permitir e assegurar a cada um a realização nessa pequena dimensão de nossa vida pessoal.
A autora não desconhece a importância do trabalho em nossa vida, seja por assegurar nossa sobrevivência, seja por permitir que por meio dele possamos interferir na vida em grupo e até obter reconhecimento social. Entretanto, assinala que é por nossa vida pessoal, conceito de maior amplitude, que estamos em condições de realizar nosso potencial produtivo e não o contrário, o que pode ser ilustrado pelo fato de algumas pessoas poderem passar certo período de tempo sem exercer uma atividade profissional, e ainda assim, conseguirem suportar o lapso de tempo até que nova atividade remunerada seja encontrada, em razão de continuarem dando curso a sua vida pessoal.
Segundo ela, a vida profissional, equiparado ao fazer, por mais importante que seja, não pode se sobrepor ao Ser, identificado a nossa vida pessoal.
Em sua argumentação trata de várias situações de pessoas que, já formadas e no exercício de uma profissão, acabam descobrindo novas áreas de interesse, novos campos de atuação que as leva a mudar o rumo de seus fazeres, e permite que se realizem de forma mais completa como seres humanos. Afinal, como ela coloca, cada profissão pode ser exercida em uma variedade muito grande de campos e o que devemos ter sempre em mente é que a escolha do curso universitário, por exemplo, ou de uma formação qualquer voltada para o trabalho, não pode restringir a vida profissional, senão ampliá-la.
***
No caso de Rosely, mais preocupada em cuidar de problemas dos jovens e de suas escolhas, principalmente aquelas relativas a que curso fazer, para que curso prestar vestibular e se preparar, a abordagem que amplia e não restringe as escolhas, a abordagem que permite aos jovens perceberem que a escolha de uma profissão não pode ser considerada uma camisa de força, etc. além de valorizar mais o que cada um é em essência que aquilo que faz ou poderia vir a fazer, tiraria dos ombros de cada um deles uma grande responsabilidade, causadora de tensão e angústia.
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Na mesma direção, mas em outro contexto, assisti ontem a palestra promovida pelo prof. Dr. Renato Janine Ribeiro, da USP, em que uma das questões por ele abordadas foi a da inclusão social, especialmente aquela de raiz, ou seja a inclusão pela educação, diferente da inclusão importante, mas efêmera pelo consumo.
Chamo de raiz, porque concordo com ele que a educação, ao contrário dos demais bens de consumo, é aquilo que ninguém pode nunca mais nos tirar, uma vez obtida.
Aliás, esse sempre foi meu discurso, em relação ao comportamento frente a um assalto e à reação que muitos que já experimentaram essa situação alegam ter de impotência, de pequenez, por ter seus valores tão arduamente conquistados retirados de sua posse.
Sempre afirmei, mesmo que apenas por uma questão de marcar posição, que desde que me levassem os bens materiais, não me sentiria afetada, já que esses, com meu trabalho e conhecimento e preparo, seria capaz de obter novamente. Não poderiam, entretanto, levar de mim, aquilo que sou, meu cérebro, meu corpo, meu espírito.
Mas, Janine Ribeiro, em certo momento tratava exatamente do fato de que estamos em salas de aulas - a palestra era para o grupo de professores dos cursos superiores do Centro Universitário UNA - formando e treinando, muitas vezes, profissionais, quando o curso superior deveria ter como preocupação maior, formar pessoas de forma inteira e ética. Ou seja, estamos preocupados em formar pessoas para se engajarem no mercado de trabalho, para aprenderem rotinas e fórmulas de solução de problemas, quando o ensino universitário, UNIVERSAL no sentido de abrangente da formação humana, deveria se preocupar em colocar e apresentar problemas, não soluções.
Afinal, as soluções mudam com o tempo, as técnicas e ferramentas evoluem, e o conteúdo de nosso aprendizado caduca, fica obsoleto. Razão porque não há mais a formação, se é que já houve em algum instante do tempo, que ao término, apresenta o profissional pronto e acabado.
Na verdade, como é comum, ou era, em alguns sites que estão passando por mudanças, estamos em permanente construção.
E mesmo aqueles que, em algum momento aprenderam e tiveram a oportunidade de dominarem técnicas, como foi citado pelo palestrante, da máquina fotográfica analógica, tornando-se os profissionais mais gabaritados de fotografia, perderam completamente o sentido e o espaço, tão logo tenha sido desenvolvida a máquina digital.
O que exige, de cada profissional, um constante reconhecimento socrático de que só sabem que não sabem mais nada. Situação que exige de cada um, uma disponibilidade e abertura para um eterno recomeçar.
***
Trato dessas questões, aqui, porque sempre foi minha preocupação deixar claro para meus alunos, que eles não devem se preocupar em saber as fórmulas certas e ideais para conquistar empregos e colocações, mas em identificar as situações que vivem, os problemas que os cercam e analisar suas causas, para discutirem soluções. Cientes de que nem sempre terão as soluções corretas ou as melhores, o que apenas irá contribuir com o aprendizado de cada um deles. Cada solução tentada e frustrada, aponta sempre uma falha, mas também aponta um avanço, ao menos para os que reconhecendo suas limitações e falhas, empenham-se ainda mais para continuar buscando outras soluções mais completas.
Nesse sentido, aprendendo com os erros é que acredito que nós seres humanos, somos material em permanente evolução, que se faz sim, em grande parte das vezes, por tentativa e erro. Desde que os erros sejam absorvidos e deles possamos extrair lições.
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Por isso que, às vezes, sinto-me frustrado, em saber que os saberes codificados, obrigam-nos a apresentar conceitos e modelos, sem os quais os alunos não seriam capazes de serem reconhecidos como aptos a enfrentarem o mundo e fazerem seus ofícios. Porque essa apresentação, por mais que seja feita de forma cada vez mais criativa, com os recursos tecnológicos cada vez maiores de que dispomos, na verdade corre o risco de virar apenas uma nova forma de dourar a pílula, ou uma forma inovadora de apresentar o velho conteúdo que, dos alunos, não exige uma reflexão mais elaborada, uma dosa maior de imaginação, senão o velho hábito de ouvir, gravar ou decorar, e aplicar, alguns com êxito, outros com algum desconforto. Mas poucos cientes de que estão fazendo algo que vale realmente a pena.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Pitacos apenas para registro
Finalmente, como estampado em nossas folhas, Aécio reconhece ter feito uso do aécioporto de Cláudio, onde pousou de helicóptero. Entretanto, se reconhece e passa a admitir a utilização da pista, seus assessores desmentem veementemente o fato de que, na briga judiciária em curso, tendo como matéria de fundo o valor da desapropriação do terreno, sua família pode ter ganhos significativos.
Como noticiado, a questão é que havia uma dívida anterior não saldada com o Erário mineiro, e a grana da desapropriação seria suficiente para liquidar o débito, com lucros.
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E, repetindo a mesma atitude do anão diplomático brasileiro, mais dois países, Chile e Perú convocaram no dia de ontem, seus embaixadores credenciados em Israel para consultas e explicações. Eufemismo que representa o desacordo de ambos com o nanismo moral e ético do Estado israelense e seus mandatários.
Que é bom que se diga, continuam bombardeando escolas e prédios civis e matando civis de forma indiscriminada, entre os quais crianças e mulheres.
Além de terem bombardeado a estação geradora de energia de Gaza, agravando ainda mais a situação da população que agora passa a ser atendida por energia fornecida pelo Egito.
***
E como não há limites para a defesa dos interesses ditos do mercado, o dono de consultoria econômica, colunista da Folha e ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwarsman, publica hoje uma defesa da análise realizada pelo Banco Santander, e enviada aos clientes de maior capacidade de renda, o que os torna aptos a aplicarem no mercado financeiro.
Para o consultor, não apenas o que foi expresso no documento nada tem de controverso, pois apenas aponta fatos acontecidos e divulgados já na imprensa, como a reação à análise revela apenas, MAIS uma forma de censura.
Tudo isso para provar que o cinismo não tem limites, uma vez que, dominados pelos analistas e interesses do mercado, o colunista muito convenientemente se esquece que as notícias que utiliza para mostrar que as opiniões espelham voz corrente, são sim manifestações da voz corrente dos próprios analistas de mercado. E, como tal, por eles influenciado.
Como o colunista pode ter intenções outras, mas não é ingênuo, mais que admitir que já chefiou a área econômica do próprio banco Santander, deveria era reconhecer que tais notícias e os episódios que elas tratam podem ter sido, como seguramente o foram em parte, fruto de um ambiente criado por força, e visando os interesses desses setores financeiros.
Curioso, é que as notícias que começam a ser divulgadas, indicam que, puxado pelo Itaú e Bradesco, os lucros do setor bancário apresentaram crescimento mesmo em uma economia onde quem ganha dinheiro produzindo passa dificuldades.
Ah! Banco do Brasil e Santander, logo ele, não apresentaram o mesmo desempenho de seus concorrentes.
***
E para mostrar que continua tudo como dantes, no quartel ou melhor na esculhambação que é nosso futebol brasileiro, somos informados de que Felipão não apenas recebeu 4,5 milhões de reais por força do rompimento de seu compromisso com a CBF, como já está empregado.
Agora no Grêmio e nem completados mais que 18 dias de ter deixado o cargo na seleção brasileira, como um dos protagonistas de um dos maiores vexames da nossa seleção.
Sinal de que renovação é palavra que não existe no futebol de nosso país, como o demonstra o fato de Luxemburgo e seus projetos mirabolantes estarem de volta no Flamengo, Dunga de volta à seleção nacional, e agora Felipão...
Pelo currículo de todos eles, e pelas últimas lembranças de cada um, podemos esperar que Luxemburgo conduza o Flamengo à mesma situação que o deixou quando de sua última passagem pelo time carioca, ou seja, em vias de ser rebaixado.
Felipão conduza o Grêmio ao mesmo lugar honroso a que conduziu o Palmeiras, na segunda divisão. E Dunga consiga mostrar que em futebol dominado por interesses escusos, em geral, extremamente lucrativos, o que menos interessa é a capacidade de dirigir e inovar no campo de jogo, e sim de intervir em negociações que envolvam somas e porcentagens cada vez mais elevadas.
terça-feira, 29 de julho de 2014
A despedida de R10
Ronaldinho Gaúcho chegou ao Atlético completamente desacreditado, como uma aposta de alto risco. Sua passagem pelo Flamengo, embora exitosa no inicio, havia chegado ao final de uma forma que poderia ser chamada, no mínimo, de melancólica.
Não por culpa do atleta que, embora jogando mal e mais presente em festas e boates, não recebia do clube carioca os valores acertados, estando reclamando atrasados que atingiam os 40 milhões de reais.
Como sempre, em lugar de admitir sua responsabilidade, o clube carioca, com apoio de grande parcela da midia, que fica babando ovo dos times do Rio e do Flamengo, em especial, procurou desmoralizar o jogador, passando ao ataque e baixando o nível de forma tal que até imagens de R10 em um hotel, acompanhado de uma moça que deixava seu quarto, foram divulgadas.
O Flamengo só não explicou porque ao ter acesso às imagens gravadas pelas câmeras de segurança, não adotou qualquer medida disciplinar, fingindo não ver o que depois mostrou ao Brasil inteiro.
***
Ronaldinho foi um golpe de marketing e, devo admitir, de genialidade da direção do Atlético, com méritos para Kalil, claro, mas principalmente para Cuca, que por amizade com Assis, intermediou a vinda do craque.
E ao ser anunciado, com desconfiança de grande parcela da massa atleticana, de minha parte corri para me associar ao Galo na Veia, antes que fosse anunciada a data da estréia daquele que já tinha sido eleito duas vezes o melhor jogador do mundo.
Estréia contra o Bahia, no Independência.
Em minha avaliação, Ronaldinho desacreditado precisava mostrar ao Brasil e ao mundo que ainda era o jogador que encantou a tantos admiradores do futebol arte, e que o Flamengo e não ele é que estava errado na disputa.
***
Postei aqui, especialmente contra o Vitória no último jogo do time do Galo pelo campeonato brasileiro do ano passado, e na última partida antes do embarque para Marrocos que a volta de Ronaldinho de uma contusão muscular que o mantivera afastado do campo, era uma bênção.
Lembro-me que, encantado com a facilidade que o craque tinha de jogar, descobrir espaços e companheiros livres para tocar a bola, fazer lançamentos sempre perigosos, comentei do prazer de vê-lo em campo, superior ao próprio resultado do jogo, vencido pelo Atlético.
***
Da trajetória do camisa 49 e depois camisa 10 pelo campo, desncessário dizer alguma coisa. Entretanto, há situações e imagens marcantes, como aquela do dia em que a Galoucura o homenageou, estampando um grande painel com sua mãe, então em recuperação de um câncer. Na foto, aparecia a mãe do ídolo e o retrato do craque, com votos de recuperação plena a D. Miguelina.
Foi ele também o comandante do passeio que permitiu ao Galo e a um clube brasileiro vencer, em território argentino, pela primeira vez, um time da terra, por uma sonora goleada de 5 a 1.
E foi também ele quem primeiro calou de forma definitiva a voz arrogante do imbecil Paulo Morsa, para quem o Atlético não iria longe na Libertadores de 2013, por ser um grande cavalo paraguaio.
Posteriormente, em jogo contra o São Paulo, vencido pelo time paulista, já com o Galo classificado na fase de grupos, declarou que o São Paulo ganhou porque aquela partida representava a sua classificação, enquanto para o Galo, a partida poderia representar um teste para as etapas seguintes.
Quis a sorte que os dois voltassem a se enfrentar na fase exatamente seguinte. E o Galo, contrário a todos os prognósticos, superou o tricolor paulista, tendo Ronaldinho declarado que na hora do jogo para valer a história era outra.
O Galo, como se sabe, foi campeão, mas Ronaldinho já nas partidas finais, apresentava menor rendimento que o esperado dele.
No campeonato brasileiro foi poupado em várias ocasiões e, embora tivesse feito inclusive gols no Marrocos, não conseguiu comandar o time de forma a escapar do vexame na disputa do Mundial de Clubes.
Em 2014 pouco entrou em campo e, quando entrou agora, com Levir, acho que não mereceu do técnico o respeito merecido.
***
Importante deixar claro que não culpo Levir, por sua decisão de sair, embora ele afirme que foi a relação como treinador que o fez tomar a decisão de rescindir o contrato.
O problema é que, com Autuori, o time não jogava nada, e muitos jogadores eram acusados de estarem fazendo corpo mole, especialmente, influenciados por problemas extra-campo, como a frequência de baladas noturnas.
Ao chegar, imediatamente a imprensa se lembrou de que Levir, em passagem anterior pelo Galo, adotou uma postura mais de disciplinador, não se importando de tirar do time jogadores tido como intocáveis como Éder e Renato Gaúcho.
Essa história era relembrada para mostrar que Levir não se intimida nem se intimidaria com quaisquer estrelas que estivessem sob seu comando, o que é positivo.
Mas, no caso de Ronaldinho, houve certa prepotência de Levir. Em minha opinião, uma certa necessidade de confirmar o que dele diziam os comentaristas, de seu rigor e seriedade, o que o levou a ser implacável com Ronaldinho.
Afinal, estava no campo contra o Lanús, na partida em que o Galo foi derrotado pelo time argentino, na disputa da partida final da Recopa. E é verdadeiro que R10 não estava jogando bem, tendo inclusive perdido um gol, no ínicio do segundo tempo, tentando encobrir o goleiro, mas dando oportunidade para que o beque interceptasse a bola.
O problema é que Maicosuel não jogava nada. Que o meio campo era uma avenida, parecendo que Pierre tinha problemas intestinais que o impediam de correr. E nem vou insistir em falar da zaga, que parte da imprensa ainda elogiou, considerando Léo Silva como o melhor do jogo????
Mas, quem foi sacado do time para a entrada de Luan, nosso talismã, foi Ronaldinho.
E, depois, ao final, mais uma vez Levir dizia que em suas estatísticas, R10 pouco fazia ou fez, ao passo que Emerson Conceição foi até elogiado como um jogador em evolução.
Confesso que ainda estou procurando encontrar a evolução de Emerson, que se melhorou no final do jogo, contribuindo para que o Galo vencesse na prorrogação e se tornasse campeão, voltou a jogar o mesmo futebol pobre e sem qualquer qualidade contra o Sport, no Recife.
***
Por esse motivo, entre outros, entendo sim que Levir quis provar que era mesmo rigoroso, e sempre ouvi falar e acredito que todo mundo que tem alguma coisa a provar, não tem confiança em sua própria capacidade.
R10 não foi desrespeitado por Levir, mas outros mereceram tratamento mais condescendente do técnico e continuam recebendo tal tratamento. E com R10 ele foi completamente inflexível.
Mas, se não foi desrespeitado R10, Levir faltou sim com alguma consideração especial, em minha opinião, ao passado do craque. Que não merecia, depois de tanto quanto fez pelo Galo, o tratamento e a despedida que estamos vendo acontecer.
***
Obrigado R10, o jogador de maior qualidade técnica que vi passar pelos gramados com a camisa do Galo. Diferente de outro craque que foi o Reinaldo, que era mais incisivo, até por jogar no comando do ataque. Mas R10 não foi eleito duas vezes o melhor do mundo, nem foi campeão da Copa de 2002, por acaso.
É um monstro. E joga como um monstro.
E agradeço poder te-lo visto em atuação.
Vá e seja feliz, Ronaldinho, jogando onde for que você possa continuar desfilando sua qualidade, que é a própria matéria prima da magia e encantamento do futebol.
Obrigado por tudo.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa: Inflação, juros elevados e medidas prudenciais de redução do compulsório
Quando o Banco Central começou a adotar uma postura mais condizente com a de uma economia estabilizada, atendendo a reclamos de várias categorias empresariais, no sentido de promover uma distensão de sua política monetária e reduzir as taxas de juros a patamares mais civilizados, foi alvo de críticas contundentes dos analistas de mercado, mais propriamente do mercado financeiro.
Tal fato não deveria ser surpresa, já que é lícito que aqueles que tenham seus interesses prejudicados e comecem a ver seus ganhos se escassearem venham a reagir, mesmo que suas perdas se revertam em benefício da maioria da sociedade.
Afinal, esse é o espírito do capitalismo, a busca da maximização de sua função utilidade, no caso do consumidor, do prazer máximo pelo consumo, mesmo que de produtos danosos ao meio ambiente, por exemplo, ou no caso de empresários, da maximização de seu lucro. Tal regra vale, claro, inclusive para o parasita social que extrai seus ganhos da atividade especulativa, que nada agrega para o aumento da capacidade e da riqueza do país.
A reação e as críticas são o famoso jus esperneandi, ou o direito de berrar se se sentir prejudicado.
Mas é preciso lembrar que a queda das taxas de juros capitaneada pela redução da taxa básica, a Selic, no país, teve início ainda na gestão de Meirelles, no período final do governo Lula, como resposta à crise internacional, que por esse e outros motivos, virou marolinha em nosso país.
Lula entregou o governo a sua sucessora com crescimento de 7,5% do PIB, em grande parte motivado por novos investimentos e maiores gastos de consumo, em função de juros menores.
***
Só para lembrar, ao tomar posse na presidência do Banco Central, o ministro Tombini junto ao COPOM adotou, como primeiras medidas, uma elevação das taxas de juros, no país, em parte com a justificativa de procurar reduzir a inflação.
Foi apenas em agosto de 2011 que começou a política destinada a reduzir a SELIC a níveis mais adequados. Mas estamos antecipando as coisas.
Retornemos pois, ao tempo de Meirelles à frente do Banco Central, e da queda da Selic, mesmo que tímida, para impedir que fôssemos alcançados pelo tsunami da crise internacional.
Porque naquela oportunidade, ao mesmo tempo que reduzia a taxa de juros, o Banco Central tratava de adotar medidas de caráter prudencial, tornando mais apertadas as condições para a concessão de empréstimos pelas instituições financeiras.
Entre as medidas prudenciais, a obrigatoriedade de comprovação de capital no valor de 100% das operações de crédito concedidas, ou seja, a consideração de um risco no patamar de 100% para ponderar os ativos de crédito, exigências de provisionamento em percentuais mais elevados para operações de tesouraria como as de derivativos e swaps, etc, todas eram medidas que juntas à elevação do compulsório cobrado dos bancos, permitiriam assegurar a solidez do sistema financeiro nacional, justo no momento em que o sistema internacional se desmanchava.
Nos meios econômicos e financeiros, não foram poucos os que comentaram do sinal contraditório das medidas adotadas, já que ao tempo em que juros eram reduzidos, as medidas prudenciais elevavam o custo do financiamento para os bancos, podendo comprimir suas margens.
No entanto, enquanto a política de matiz keynesiano era adotada e começava a funcionar, o mercado era obrigado a admitir que, parte do êxito brasileiro em contornar a crise foi devido à intervenção e às medidas que o Banco Central adotava, que limitavam a capacidade de operar irresponsavelmente dos bancos.
O próprio Comitê da Basileia resolveu adotar uma postura mais intervencionista e a propor a adoção de medidas de cunho mais prudencial, para evitar que novas crises pudessem surgir no futuro, ou que tivessem a mesma intensidade.
***
Quando começou a política de queda da Selic no governo Dilma, visando estimular o aumento da demanda agregada, os critérios de supervisão prudencial não foram abonados, sendo alguns deles até ao contrário, melhorados.
Razão porque melhorou a qualidade do crédito, o que se comprova com a redução das taxas de inadimplência, independente de ter se ampliado a concessão de crédito.
Entretanto, com a pressão sempre muito presente e influente dos interesses prejudicados dos setores financeiros, e a resistência à queda mostrada pelas taxas de inflação, que insistem em permanecer acima do centro ou alvo da meta, flertando sempre com o limite máximo fixado pelo sistema, o Banco Central foi obrigado a infletir sua política e começou a elevar sucessivamente a Selic.
Ora, se a economia quando estava com a Selic em queda ampliava seus controles regulamentares, e se a estabilidade das instituições financeiras do país é suficiente para assegurar a existência de capacidade para enfrentar crises, por que não reduzir PARTE APENAS das restrições à ampliação do crédito, em momento em que o crédito está mais reduzido e a inadimplência menor?
***
Não há pois, em minha opinião, qualquer problema em se reduzir o compulsório nesse momento, colocando mais dinheiro em circulação, em mais uma tentativa de estimular o consumo e a demanda por investimentos, principalmente essa, voltada para as pequeno e micro empresas.
Exceto a questão a ser verificada e discutida, de o modelo baseado em estímulo ao consumo já estar chegando a seu limite, ou seja, já estar se esgotando.
Mas, do ponto de vista do mercado financeiro é no mínimo injusto, ou desonesto, vir apontar que tal medida, contrária à da elevação da taxa de juros emite sinais contrários ao mercado.
Ora, o que mudou afinal, se como comentei acima, foi assim que as coisas funcionaram nos últimos tempos?
Ao subir a taxa de juros, a que os economistas conservadores e parte a mídia que ignora o assunto, atribuem a capacidade de combater e reduzir a inflação, os preços irão cair segundo a cartilha da teoria mainstream.
Se os instrumentos para debelar a inflação já estão em funcionamento, porque a necessidade de se manter controles prudenciais tão estritos, já que a própria taxa de juros mais elevada assusta e afasta o tomador do crédito?
Importa observar que a maior ou menor quantidade de dinheiro em circulação não é o elemento fundamental para o combate à inflação, já que a teoria insiste em política de juros elevados, tão somente.
Ou o que temos é o conflito, ou trade-off, entre controle da quantidade de moeda versus controle dos juros, que se acaba fazendo com que a autoridade ao estabelecer uma das variáveis como fixa, perda a condição de controle sobre a outra. O que deveria ao menos, levar à aceitação de que nem sempre são os juros o remédio universal para a cura da inflação.
***
De mais a mais, o fato de os bancos não terem a obrigação de recolherem mais compulsório nem mesmo assegura que irão criar mais operações de crédito, ampliando a quantidade de dinheiro em circulação.
Mesmo admitindo-se que o multiplicador dos meios de pagamento seja ampliado, o que supõe que outras variáveis mantiveram seus valores constantes, há que se recordar que restrição de crédito, devido a problemas de assimetria de informação, devem ser levados em consideração, como decorrência de problemas de seleção adversa (afinal a maior quantidade de dinheiro a ser emprestado, o será a juros mais altos) ou mesmo de outros tipos de riscos, como é exemplo o risco moral (moral hazard).
Ou seja, os bancos podem ter mais dinheiro para emprestarem, mas menos disposição de correrem riscos de emprestá-los, em um momento em que os bons devedores, os adimplentes, estão temerosos de tomarem mais créditos, em função de estimativas pessimistas - espalhadas pelos mesmos analistas de mercado e órgãos da midia - sobre a evolução da economia brasileira e a manutenção dos empregos e dos salários reais.
***
Logo, a adoção das medidas de redução do compulsório nem é contraditória como querem fazer crer, nem haverá necessariamente elevação do crédito e do consumo, como espera o governo e as forças de oposição criticam.
Tal fato não deveria ser surpresa, já que é lícito que aqueles que tenham seus interesses prejudicados e comecem a ver seus ganhos se escassearem venham a reagir, mesmo que suas perdas se revertam em benefício da maioria da sociedade.
Afinal, esse é o espírito do capitalismo, a busca da maximização de sua função utilidade, no caso do consumidor, do prazer máximo pelo consumo, mesmo que de produtos danosos ao meio ambiente, por exemplo, ou no caso de empresários, da maximização de seu lucro. Tal regra vale, claro, inclusive para o parasita social que extrai seus ganhos da atividade especulativa, que nada agrega para o aumento da capacidade e da riqueza do país.
A reação e as críticas são o famoso jus esperneandi, ou o direito de berrar se se sentir prejudicado.
Mas é preciso lembrar que a queda das taxas de juros capitaneada pela redução da taxa básica, a Selic, no país, teve início ainda na gestão de Meirelles, no período final do governo Lula, como resposta à crise internacional, que por esse e outros motivos, virou marolinha em nosso país.
Lula entregou o governo a sua sucessora com crescimento de 7,5% do PIB, em grande parte motivado por novos investimentos e maiores gastos de consumo, em função de juros menores.
***
Só para lembrar, ao tomar posse na presidência do Banco Central, o ministro Tombini junto ao COPOM adotou, como primeiras medidas, uma elevação das taxas de juros, no país, em parte com a justificativa de procurar reduzir a inflação.
Foi apenas em agosto de 2011 que começou a política destinada a reduzir a SELIC a níveis mais adequados. Mas estamos antecipando as coisas.
Retornemos pois, ao tempo de Meirelles à frente do Banco Central, e da queda da Selic, mesmo que tímida, para impedir que fôssemos alcançados pelo tsunami da crise internacional.
Porque naquela oportunidade, ao mesmo tempo que reduzia a taxa de juros, o Banco Central tratava de adotar medidas de caráter prudencial, tornando mais apertadas as condições para a concessão de empréstimos pelas instituições financeiras.
Entre as medidas prudenciais, a obrigatoriedade de comprovação de capital no valor de 100% das operações de crédito concedidas, ou seja, a consideração de um risco no patamar de 100% para ponderar os ativos de crédito, exigências de provisionamento em percentuais mais elevados para operações de tesouraria como as de derivativos e swaps, etc, todas eram medidas que juntas à elevação do compulsório cobrado dos bancos, permitiriam assegurar a solidez do sistema financeiro nacional, justo no momento em que o sistema internacional se desmanchava.
Nos meios econômicos e financeiros, não foram poucos os que comentaram do sinal contraditório das medidas adotadas, já que ao tempo em que juros eram reduzidos, as medidas prudenciais elevavam o custo do financiamento para os bancos, podendo comprimir suas margens.
No entanto, enquanto a política de matiz keynesiano era adotada e começava a funcionar, o mercado era obrigado a admitir que, parte do êxito brasileiro em contornar a crise foi devido à intervenção e às medidas que o Banco Central adotava, que limitavam a capacidade de operar irresponsavelmente dos bancos.
O próprio Comitê da Basileia resolveu adotar uma postura mais intervencionista e a propor a adoção de medidas de cunho mais prudencial, para evitar que novas crises pudessem surgir no futuro, ou que tivessem a mesma intensidade.
***
Quando começou a política de queda da Selic no governo Dilma, visando estimular o aumento da demanda agregada, os critérios de supervisão prudencial não foram abonados, sendo alguns deles até ao contrário, melhorados.
Razão porque melhorou a qualidade do crédito, o que se comprova com a redução das taxas de inadimplência, independente de ter se ampliado a concessão de crédito.
Entretanto, com a pressão sempre muito presente e influente dos interesses prejudicados dos setores financeiros, e a resistência à queda mostrada pelas taxas de inflação, que insistem em permanecer acima do centro ou alvo da meta, flertando sempre com o limite máximo fixado pelo sistema, o Banco Central foi obrigado a infletir sua política e começou a elevar sucessivamente a Selic.
Ora, se a economia quando estava com a Selic em queda ampliava seus controles regulamentares, e se a estabilidade das instituições financeiras do país é suficiente para assegurar a existência de capacidade para enfrentar crises, por que não reduzir PARTE APENAS das restrições à ampliação do crédito, em momento em que o crédito está mais reduzido e a inadimplência menor?
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Não há pois, em minha opinião, qualquer problema em se reduzir o compulsório nesse momento, colocando mais dinheiro em circulação, em mais uma tentativa de estimular o consumo e a demanda por investimentos, principalmente essa, voltada para as pequeno e micro empresas.
Exceto a questão a ser verificada e discutida, de o modelo baseado em estímulo ao consumo já estar chegando a seu limite, ou seja, já estar se esgotando.
Mas, do ponto de vista do mercado financeiro é no mínimo injusto, ou desonesto, vir apontar que tal medida, contrária à da elevação da taxa de juros emite sinais contrários ao mercado.
Ora, o que mudou afinal, se como comentei acima, foi assim que as coisas funcionaram nos últimos tempos?
Ao subir a taxa de juros, a que os economistas conservadores e parte a mídia que ignora o assunto, atribuem a capacidade de combater e reduzir a inflação, os preços irão cair segundo a cartilha da teoria mainstream.
Se os instrumentos para debelar a inflação já estão em funcionamento, porque a necessidade de se manter controles prudenciais tão estritos, já que a própria taxa de juros mais elevada assusta e afasta o tomador do crédito?
Importa observar que a maior ou menor quantidade de dinheiro em circulação não é o elemento fundamental para o combate à inflação, já que a teoria insiste em política de juros elevados, tão somente.
Ou o que temos é o conflito, ou trade-off, entre controle da quantidade de moeda versus controle dos juros, que se acaba fazendo com que a autoridade ao estabelecer uma das variáveis como fixa, perda a condição de controle sobre a outra. O que deveria ao menos, levar à aceitação de que nem sempre são os juros o remédio universal para a cura da inflação.
***
De mais a mais, o fato de os bancos não terem a obrigação de recolherem mais compulsório nem mesmo assegura que irão criar mais operações de crédito, ampliando a quantidade de dinheiro em circulação.
Mesmo admitindo-se que o multiplicador dos meios de pagamento seja ampliado, o que supõe que outras variáveis mantiveram seus valores constantes, há que se recordar que restrição de crédito, devido a problemas de assimetria de informação, devem ser levados em consideração, como decorrência de problemas de seleção adversa (afinal a maior quantidade de dinheiro a ser emprestado, o será a juros mais altos) ou mesmo de outros tipos de riscos, como é exemplo o risco moral (moral hazard).
Ou seja, os bancos podem ter mais dinheiro para emprestarem, mas menos disposição de correrem riscos de emprestá-los, em um momento em que os bons devedores, os adimplentes, estão temerosos de tomarem mais créditos, em função de estimativas pessimistas - espalhadas pelos mesmos analistas de mercado e órgãos da midia - sobre a evolução da economia brasileira e a manutenção dos empregos e dos salários reais.
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Logo, a adoção das medidas de redução do compulsório nem é contraditória como querem fazer crer, nem haverá necessariamente elevação do crédito e do consumo, como espera o governo e as forças de oposição criticam.
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