quinta-feira, 30 de julho de 2015

Pitacos sobre economia, Copom e Selic e as mudanças incompreensíveis de Levir no Galão

Está chegando agosto. Mês considerado aziago do ponto de vista da política nacional.
Afinal, o chamado mês do cachorro louco é marcado tanto pela morte de Getúlio Vargas, em 1954, quanto pela renúncia de Jânio, em 1961, estopim de toda a série de eventos que vieram a desembocar no golpe militar de 64. Foi ainda no dia 22 de agosto, do ano de 1976 que ocorreu o acidente que vitimou Juscelino Kubitscheck.
Mas, curioso, recorri à internet buscando conhecer a razão da fama do mês, cuja característica mais marcante, registrada em minha memória, é a de ser um mês de muito vento.
E descobri que foi em agosto que Hitler tornou-se o chefe do Estado alemão, além de ter tido início a Primeira Grande Guerra, de terem sido lançadas as bombas atômicas sobre o Japão, ou de ter sido iniciada a construção do Muro de Berlim.
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A explicação considerada mais razoável, contudo, diz respeito ao período do cio das cachorras, cuja maior concentração, segundo consta, se dá  nesse mês. O que leva os cachorros à loucura e a brigas.
Há ainda a informação de que era esse o mês em que os navegantes portugueses costumavam sair em suas expedições de exploração de novas terras, o que levava à redução de casamentos em Portugal, no período. Entretanto, o mês é considerado o mês das noivas na Alemanha.
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Deixando de lado as tradições e eventos que fazem a fama do mês, o mês promete do ponto de vista da política nacional.
Afinal, além do retorno dos trabalhos legislativos, interrompidos pelo recesso de julho, com uma pauta considerada de alto poder de explosão, a expectativa é de que sejam apresentadas as denúnicas pela Procuradoria Geral do senador Collor e do Presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
Também devemos testemunhar algum tipo de manifestação, pelo TSE, em relação às acusações feitas à Dilma e a sua campanha à reeleição de 2014 e teremos o pronunciamento e, talvez a decisão do TCU em relação às "pedaladas" protagonizadas pela presidenta em seu primeiro mandato.
Ou seja, especialmente com Eduardo Cunha procurando vingar-se de Dilma e seu PT, a quem atribui os descuidos de que é acusado na Lava Jato, teremos a ampliação do espaço para a pirotecnia e o espetáculo midiático que são as CPIs, com a promessa de instalação e início dos trabalhos da Comissão sobre o BNDES, e sobre os Fundos de Pensão.
Pólvora suficiente para tornar o mês muito agitado.
Adicionalmente, manifestações já programadas, uma contra o governo no dia 16 de agosto, outras favoráveis ao governo, e até em desagravo, durante o mês também podem trazer momentos de tensão e exaltação.
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Do ponto de vista da economia brasileira, depois da redução da meta de superávit primário, de 1,1% para 0,15% , anunciada na última semana pelos ministros da Fazenda e Planejamento, e da elevação da Selic em mais 0,5% no ano, conforme decisão do COPOM anunciada ontem, a expectativa é apenas de maior elevação dos níveis de desemprego na economia brasileira.
A primeira medida, que já havíamos tratado na semana passada, representou o reconhecimento, pelo governo da inviabilidade de se manter, e perseguir, a meta absurda projetada para o ano.
Enfim, as equipes do governo concluíram que não havia como elevar as receitas fiscais de um país onde a economia e o nível de atividade despenca ladeira abaixo.
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Como os gastos do governo costumam ser incompressíveis, sob risco inclusive de certo tipo de despesas acabarem acarretarem a elevação, em escala ampliada, de gastos no futuro, a queda  observada na receita traria, já devidamente precificada pelo mercado obrigou a equipe econômica a admitir a necessidade de alterar suas projeções. A bem da manutenção de uma certa transparência e da credibilidade junto ao mercado.
Entretanto se já esperada e até cobrada pelos analistas de mercado, a redução do superávit para algo equivalente a pouco mais de 10% da meta anterior foi uma surpresa.
E, desprevenido, o mercado reagiu de forma a provocar a elevação do câmbio e da queda da bolsa.
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Com relação a esse comportamento da área econômica, o destaque deve ser dado à perspectiva de que nem mesmo o superávit sugerido de 0,15% seja alcançado.
Nesse caso, e para se antecipar e não ser acusado de omitir informações, o governo já reconheceu, ele mesmo, a possibilidade de o superávit transformar-se em mais um déficit primário, agora por responsabilidade (ou irresponsabilidade) do Congresso.
Ou seja, caso o Congresso continue com sua intenção de manter o sangramento do governo Dilma, não aprovando as medidas encaminhadas pelo Executivo visando a elevação da arrecadação, já está presente no cenário a possibilidade de novo déficit. Dessa forma, a equipe econômica conseguiu limitar o espaço de atuação do legislativo, colocando-o em situação de beco sem saída.
Sob a ameaça de transferir para aquele Poder, a responsabilidade que é, primeiramente do Executivo.
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A mesma chantagem, em prol da aprovação das medidas de elevação da arrecadação, já começa a tomar corpo, agora motivada pela sinalização da possibilidade de as agências avaliadoras do grau de risco de um país retirarem a classificação do Brasil como economia merecedora de crédito.
Mais uma vez, espertamente as equipes econômicas já se manifestaram no sentido de que ou o Congresso aprova as medidas encaminhadas para sua apreciação, ou será responsabilizado por algo cuja responsabilidade maior é apenas das próprias equipes econômicas.
E que medidas são essas?
Basicamente, a questão da desoneração das folhas de pagamentos das empresas e outras medidas como a taxação do dinheiro remetido sem o pagamento de tributos para fora do país.
O que é interessante, mas inexplorado pela imprensa de forma geral.
Porque se é possível que o envio de recursos seja feito para fora do país, havendo regulamentação para tal remessa, alegar-se que haverá algum tipo de 'perdão' para que os donos desses recursos possam esquentar ou legalizar esse recurso e permitir sua internalização é, no mínimo, curioso.
No mínimo, por ser sinal de que há ciência no governo de que teve gente cometendo as irregularidades, ou mesmo crimes, quando da remessa de tais dinheiros.
E não é pouco o valor remetido ilegalmente para fora do país, já que o governo tem a expectativa de arrecadação de mais de 20 bilhões de reais.
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O que acho curioso e que ninguém destaca é que esses recursos significativos, não poderiam ser de ampla parcela da população, devendo ser vinculado a uma proporção muito pequena da população, e muito rica.
E nesse caso, a medida destinada a promover a repatriação do dinheiro deveria ser considerada como MAIS uma de impunidade. A mesma impunidade que a sociedade diz não aceitar mais de forma passiva.
A mesma impunidade que leva a verdadeiras campanhas em prol do aumento do rigor da aplicação das penas, especialmente quando os atos ilegais correspondem a atos tido como mais violentos, e cometidos, em geral pelo rapaz preto, pobre, de pequena escolaridade e morador da periferia.
Grita capaz de gerar até mesmo a adoção de medidas absurdas como a de redução da maioridade penal, tão somente para quem cometar crimes considerados hediondos.
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Pois bem. E o que é pior, se há alguma escala de comparação ou forma de mensuração: um assalto violento, a mão armada, cujo desfecho pode gerar a perda de uma vida, a da vítima, ou a canetada ou o ato de corrupção que, ao desviar recursos da educação, da merenda escolar, ou da saúde, acaba condenando, muitas vezes à própria morte milhares, ou até milhões de pessoas, por falta de recursos para proporcionar a assistência que lhes é devida?
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Bem, voltando à economia, ao elevar a Selic, pela sétima vez consecutiva, o COPOM mostra não apenas independência em relação ao governo. Mas mostra uma incapacidade grande de enxergar, por trás de estatísticas e números, os aspectos sociais que estão no cerne da economia. E que asseguram à economia ser enquadrada no âmbito das ciências sociais.
Demonstra também uma espécie de miopia, ao continuar enxergando apenas uma justificativa para o fenômeno da inflação, que vai expandindo seus tentáculos e sua influência pela economia do país.
Afinal, se os custos industriais estão elevados, não são por excesso de encomendas, ou de compras que pressionam a capacidade de produção de fornecedores.
São por decisões da própria equipe econômica, de realinhar as tarifas e preços públicos em uma tacada só.
São por força da elevação de preços de alimentos, ainda pressionados pela questão do clima.
São provenientes do poder de mercado da maior parcela dos setores produtores do país, que perdem vendas, mas não reduzem as margens de lucro com que operam.
São provenientes do câmbio, fruto da elevada taxa de juros que atraindo vultosas massas de capitais, promoveram a valorização esdrúxula do real, comprometendo nossa já abalada competitividade e levando os empresários a perceberem que a importação de insumos era mais interessante, dados os preços desses produtos no exterior, em contraposição aos valores dos mesmos bens, em reais.
Não apenas tal situação condenou vários setores da cadeia de fornecedores à quebra, como ainda gerou uma elevação significativa de nosso déficit em conta de transações correntes.
Agora, com a economia brasileira completamente estropiada, a produção em baixa, o desemprego em alta, queda na renda real do trabalhador, e aumento alucinante e alucinado dos juros, as agências internacionais avaliadoras de riscos alegam justamente a situação de nossa combalida economia, como forma de justificar a possibilidade de o país sofrer um rebaixamento de sua nota.
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Como fica claro que a situação que levou agora à mudança na sinalização da capacidade de a economia brasileira reagir e começar a ganhar força deverá se arrastar por todo o ano de 2016, a possibilidade de se concretizar a ameaça da perda do grau de bom pagador é cada vez maior.
Nada a favor das agências de risco, que em minha opinião atribuem algumas notas e emitem avaliações muitas vezes sob a ótica de interesses especulativos, que nada têm com a estrutura ou dinâmica real da economia.
Entretanto, o problema é que, se o país perde essa classificação, os grandes gestores de fundos e capitais externos devem, por força de medidas regulamentares, deixarem de aplicar no país, o que promoveria uma inflexão da entrada de captais e até, no limite, a uma inversão desse fluxo.
Com isso, a procura por dólares iria crescer o que levaria a aumento do preço da moeda estrangeira. Por força da substituição de cadeias de fornecedores de insumos nacionais por estrangeiros, já comentada, os custos industriais tenderão a se elevar ainda mais, com a elevação do preço do dólar.
Daí para que novo repique da inflação não seja elemento estranho ao cenário, obrigando o Banco Central e ao COPOM, voltarem atrás na sua decisão de que essa elevação efetuada no dia de ontem, seja a última.
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Esse quadro pode se tornar mais grave, caso o FED eleve ainda nesse ano as taxas de juros básicas dos Estados Unidos, com a transferência de recursos de nossa economia em busca da maior segurança da economia americana.
Ontem o FED não elevou as taxas, mantidas em 0,25% anuais por mais um período. Mas, a possibilidade de elevação existe e pode estar já sendo praticada em setembro.
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Apenas para reforçar o quadro: nesse caso, o dólar se valorizaria, os preços de insumos importados e alimentos e outras commodities, ou de "bens tradeables" acabaria trazendo impactos nos índices de preços, o COPOM elevaria novamente as taxas de juros; a economia brasileira aprofundaria sua recessão; a população perderia poder de compra e empregos; as receitas do governo iriam declinar e o país iria ter de conviver com novas explicações do ministro em relação às razões de ter de elevar mais uma vez a carga tributária, etc. Nossa avaliação seria agravada e novos rebaixamentos de notas poderiam ser efetuados.
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De futebol e do Galo

Em meio a todo esse cenário de crise, apenas o Galo continua sendo um oásis de alegria e otimismo.
Embora Levir Culpi, às vezes, se equivoque e faça, também ele, alguma lambança.
Foi isso que eu vi, ontem, no Mineirão, no jogo contra o São Paulo.
Sem entender bem as razões que o motivaram, Levir mudou o time e o estilo de jogo no segundo tempo, tirando Cárdenas que vinha cumprindo bem sua missão e colocando um inoperante Carlos em seu lugar.
A lambança foi ampliada com a entrada de Danilo Pires, que desmontou o que podia ainda ter sobrado do desmonte anterior, feito na estrutura do time.
Por sorte o Atlético tinha Pratto, sempre levando perigo e preocupando a defesa adversária e o meio estava bem, ontem.
Mas com um placar favorável, de 3 a zero, é inexplicável que o São Paulo tenha conseguido levar apreensão e sufoco ao time do Galo na etapa final.
Nós que ganhávamos e jogávamos bem, mas o São Paulo calou a torcida atleticana e deixou a todos nós preocupados ou temerosos.
Estranho. Mas justificado pelas mudanças malucas que Levir patrocinou.
Enfim,  Galo permanece na frente. Mas não pode dar bobeira como aconteceu ontem.
É isso.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Pitacos do recesso

Recesso de aulas. O trânsito fluindo de forma a permitir que os motoristas possam observar o espetáculo que a natureza nos oferece, da floração dos ipês rosas. Ou roxos. Pouco importa a cor. Vale o espetáculo das cores. Dos cachos que despontam dos ipês. Das flores.
Enquanto isso, a umidade continua marcando sua presença, embora um friozinho de inverno e o céu azul firme não nos deixam esquecer dos agasalhos.
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Mas a questão do tempo,em especial a do aquecimento global preocupa, a ponto de o Papa Francisco ter concedido uma audiência a 60 prefeitos de várias cidades de todo o mundo, como parte da conferência climática para tratar - e cobrar das autoridades nacionais -, do tema do aquecimento global. Que só faz aumentar a preocupação de todos.
Especialmente quando se noticia que o mês de junho foi o de maior aquecimento experimentado desde 1880.
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Quente o tempo. Quente também os bastidores da política nacional, contrariando a calmaria que costuma marcar o período de recesso parlamentar, iniciado no último dia 17.
Tudo por conta da operação Lava Jato e das estrepolias de funcionários da Petrobras, empreiteiros, políticos, juízes, procuradores e advogados que insistem em não deixar o calor da fogueira abaixar.
Mais especificamente, as páginas dos jornais são dominadas pela figura desse impoluto presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ex-assistente de Paulo César Farias, de saudosa memória do período mais collorido da nossa história republicana.
Depois de aprontar estrepolias outras na Telerj, e alçado a um dos principais postos na linha de sucessão oficial da República, o nosso valoroso deputado foi citado em depoimento de um dos delatores da Lava Jato, como tendo usado da chantagem para achacar a soma de U$ 5 milhões de dólares, em proveito pessoal.
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Ninguém nega que seja para lá de suspeitos esses vazamentos de depoimentos de um processo que, ao que se noticia, corre em segredo de justiça. E mais ainda, ninguém considera correto que os vazamentos sejam feitos da forma com vêm sendo realizados, sempre em finais de semana, sempre prontos para estampar a capa desse revista que nos enche de orgulho, a revista que a rigor ninguém nem precisaria ler. Porque basta vê-la e aqueles que nas suas páginas têm guarida.
Mas, deixa para lá.
Aproveito a deixa apenas, para recordar Jânio de Freitas em sua coluna de ontem na Folha, comentando a resposta dada pelo Juiz Moro, à razão de ter deixado o nome do deputado presidente da Câmara ter vindo a público.
Conforme Freitas, o juiz teria, corretamente, informado que não há como paralisar a verdade, ou o depoimento.
Embora, como nos lembra o jornalista, para escapar de ter de repassar parte do que investigava para o Supremo, como manda o instituto do foro privilegiado, toda vez, no início dos depoimentos tomados, que aparecia o nome de algum político, o juiz rapidamente interrompia a fala do depoente, impedindo que sobre o citado fosse dito qualquer coisa que pudesse dar indício de mal comportamento. Apenas ficava para todo o sempre, pairando no ambiente da audiência o nome...
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Agora não. Já está na hora de queimar nosso presidente ditatorial da Câmara e, agora, não há como impedir o depoente de se manifestar, em mais uma das várias estrepolias que cercam a operação, o crime, e seu desvendamento, inclusive na esfera judicial.
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Eduardo Cunha, a se defender, prefere sair atirando. Fazendo ameaças que nem mesmo disfarçam mais a chantagem que trazem embutidas.
Passar à oposição. Instalar as CPIs do BNDES, e outras que podem trazer prejuízo ao ambiente de segurança já suficientemente degradado no país. Votar a aprovação - justíssima- da correção do FGTS, elevando as despesas do governo em momento em que só se fala e se pensa em ajuste fiscal. Votar a toque de caixa, sem qualquer exame mais aprofundado as contas de presidentes anteriores à Dilma para permitir que as contas de 2014 possam entrar em pauta com rapidez. Acenar - inclusive participando de almoços com ministros do Supremo, para a aceitação de qualquer solicitação encaminhada pela oposição da tese do impeachment da presidenta.
Ou seja, atira para todos os lados, inclusive indo ao STF, para inquirir o porquê de seu processo estar em juizado de importância inferior, quando ele tem por sua condição, o direito de apenas o Supremo poder tratar de seus desvios de conduta.
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Apenas um detalhe: se há razões para ameaças e até onde essas razões se sustentam, não há como negar que é por culpa ou falha do governo. Ninguém pode ser objeto ou vítima de chantagem apenas por ter o comportamento ilibado de uma freira castiça.
Além do mais, várias das medidas votadas ou ameaçadas irem à pauta por Cunha são, sem sombra de dúvida justas e em benefício do povo brasileiro. Nesse caso refiro-me APENAS AO PROBLEMA DA CORREÇÃO DO FGTS. Em letras garrafais para não parecer que aprovo outras atrocidades que a agenda atrasada e conservadora do presidente da Câmara está colocando em votação.
Para completar, se é absurdo que a presidenta Dilma se encontre em almoço ou jantar com o presidente do Supremo, em viagem a Portugal,  tendo apenas o ministro da Justiça como testemunha, claro que não se pode dar o mesmo tratamento ao encontro de Cunha com Gilmar Mendes.
Afinal, pela folha de ambos, os dois parecem ser muito semelhantes. E sempre muito cônscios de suas responsabilidades para com o país.
Verdadeiros altruístas e desambicionados das causas que interessam ao povo brasileiro.
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Mas Cunha sai atirando, ameaçando e, para não ficar assistindo ao circo pegar fogo quieta, Dilma por seu turno, faz peregrinação por esse Tribunal de exceção, não por ser fora da lei, mas por ter muito pouco de tribunal e da seriedade que se espera dos órgãos da Justiça, e que eles fizeram por granjear ao longo do tempo.
TCU cujo filho do presidente também já teve seu nome ligado aos delatores e delações da Lava Jato.
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No meio da lama que insistem em fabricar, mesmo em período de clima quente e seco, apenas um pitaco a mais, sobre o assunto, por agora.
É no mínimo curioso o comportamento adotado pela mídia impressa e televisiva, em relação às delações. Quando feitas em relação a alguém vinculado ao governo, ou dos partidos da base aliada, ou alguma autoridade, só falta o mundo vir abaixo.
É feito um verdadeiro escarcéu e, a cada vez, mais perto de Lula e de Dilma as cobranças vão chegando. E a presidenta, seu governo, o país ficam por um fio.
Mas, quando o nome do delatado é de senador do PSB, ou do PSDB, como o do senador paulista candidato a vice-presidente na chapa do Menino do Rio, ou do ex-governador de Minas, ou de Cunha (esse com menos preocupação com a "honra" do atingido), o que se vê é o mesmo manto sepulcral de silêncio que mantém o mensalão mineiro fora dos holofotes, dormindo em berço ou arquivos esplêndidos.
Ou o mesmo destino do caso dos escândalos do Metrô de São Paulo...
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Melhor deixar a política de lado, no momento, já que a degradação do ar não precisa de muito mais ajuda.
Mas, é que o recesso que atingiu ao país e não atingiu ao mundo oficial tem provocado intensa discussão sobre a incapacidade de o governo honrar sua meta prometida de superávit fiscal para o ano de 2015.
No mesmo tipo de derrota a que a imprensa acompanha muda, hoje, com Levy no comando da economia e, antes, já estaria fazendo o maior carnaval de críticas ao ministro Mantega, ou melhor Dilma, já que o ministro genovês era apenas um pau-mandado.
Pois bem, recurso a receitas não recorrentes, como o caso da receita de quem mandou dinheiro para fora do país, sem pagar impostos, não apenas são citados como são medidas elogiadas. Afinal podem trazer perto de 30 bilhões ao Tesouro.
Na época de primeiro mandato, não apenas iriam dizer que era mais um artifício politiqueiro, para tapar buracos da má administração federal, como iriam também lembrar de que tais recursos que se tenta agora atrair são frutos de crimes fiscais, caixas dois, etc. que estariam sendo, devidamente sendo legalizados.
E aplausos estariam soando, sem dúvidas para os donos de tais recursos.
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Mas, deixemos o fato de que o PIB do primeiro mandato não cresceu, mas não caiu feio, como se prevê. Que a inflação não ficou na meta, nem se comportou, sempre lambendo ali ou flertando com a ruptura do limite superior de 6,5%, quando agora parece que deve superar os 9,5%, etc. E que o superávit primário não deverá superar 0,4%, o que tem levado o governo a discutir a redução da meta fiscal.
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Enquanto discute nova meta, bem inferior à primeira anunciada, o governo estuda mais cortes.
Começando com Dilma vetando o aumento de 70%, algo mais ou menos, para os funcionários do Poder Judiciário, alegando o interesse público.
A verdade é que já passou da hora de algum órgão de imprensa sério divulgar que há muito tempo as perdas salariais dos servidores federais vêm se acumulando. Alcançando já mais de 27% apenas no período correspondente ao primeiro mandato da doutora.
Mas, isso iria jogar por terra o discurso de quem é contra o governo, apenas por ser contra, ou apenas por não saber do que está falando...
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Enquanto isso, tal qual a chuva de gols da Alemanha, a inflação sobe. O desemprego aumenta. Amplia-se a queda da renda real do trabalhador no país, o que deixa Samuel Pessoa e sua turma de colegas bastante satisfeitos por estar em curso a medida dita pelo professor, necessária para combater a inflação, ou seja, de arrocho salarial. Ou redução real do salário.
Afinal, parece que o professor acredita que o melhor para o país é pobre não ter ganhos de salários, nem distribuição de renda, nem nada que limite os privilégios daqueles a quem gosta de agradar.
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No futebol, o refresco temporário. O Galo vai bem. Líder e com o time jogando muito bem, mesmo nas derrotas.
Enfim, estamos de recesso, mas assunto é o que não falta.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Crise Política de ocasião? Ou a crise é real?

Enquanto Aécio continua comportando-se como a criança mimada, o "enfant terrible" que tanta preocupação trouxe a seu avô Tancredo no passado, dando demonstrações inequívocas de não ter absorvido a derrota que a maioria do povo brasileiro lhe impôs em 2014 e, inclusive cometendo o tresloucado ato de flertar com o golpismo, traindo toda a tradição aprendida em família, o Planalto parece, cada vez mais, completamente atônito e perdido em meio à situação política do país.
Tal situação de perplexidade e descoordenação pode ser ilustrada pela notícia publicada ontem na coluna Painel, da Folha, de que, embora avisado, o governo nada fez para impedir que a CPI da Petrobras aprove a convocação de Aloísio Mercadante e Edinho Silva para prestarem depoimentos em relação às denúncias feitas contra ambos, por Ricardo Pessoa, da UTC.
Mesmo que não tivesse nada a temer, a presença do mais forte e próximo ministro de Dilma, o ministro chefe da Casa Civil, Mercadante, transformar-se-ia em espetáculo, dando margem a que a oposição fizesse desse momento, mais um instante para continuar colocando mais combustível na fogueira do golpismo.
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Sem confiança na capacidade de atuação de seu ministro mais forte, inclusive quanto à necessidade de que o governo reaja e não deixe prosperar o ambiente de crise que a oposição e parte da midia conservadora insiste em difundir, o que resta à presidenta é antecipar-se a seus auxiliares e sair em público, para contestar as acusações que lhe são imputadas e denunciar o que chama de golpismo.
Foi isso que se viu na entrevista de Dilma, concedida à Folha e publicada no dia de ontem, 7 de julho, cuja repercussão mostra que a presidenta não está disposta a cair sem lutar em defesa do mandato que o povo lhe conferiu.
Mesmo que reagindo de forma considerada pesada, típica de quem está acuada, o que é sinal, para alguns, de que o objetivo primeiro da oposição foi alcançado. A crise finalmente foi levada para o interior do próprio governo. E pelas mãos da própria presidenta.
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Enquanto isso, em entrevista concedida também no dia de ontem à Rádio Gaúcha, como notinha de pé de página, sem qualquer destaque maior nos informa, Aécio comete o ato falho ao afirmar que foi "reeleito presidente da República", quando queria referir-se à reeleição para o comando de seu partido.
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De toda a situação a que estamos assistindo, o que podemos admitir é que, cada vez mais, Dilma depende do PMDB e de seu vice, Temer, o que é curioso, já que o peemedebista é um dos que mais têm a ganhar com qualquer manobra que acabasse interrompendo o mandato de Dilma.
Enfim, para quem tem um ministro como Mercadante, na posição de relevo que ele ocupa e com a inabilidade que o ministro parece cultivar, só mesmo dependendo de aliados tão sujeitos a pressões e interesses próprios como a base aliada tem demonstrado agir.
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Mas, se Dilma está fragilizada e reage até com certo tom de desespero, como os próprios aliados reconhecem, o PSDB passa a imagem ainda pior de arrogância e de que, como afirma Elio Gaspari em sua coluna de hoje, na Folha (Caderno Poder - A6), "age como se tivesse recebido do Padre Eterno um mandato para governar o país. Replica a soberba de Lula e do comissariado petista ao solidarizarem-se com os mensaleiros".
Tudo isso, a propósito da convenção que reconduziu Aécio, domingo último, ao comando de seu partido e que, ao contrário do destaque dado pela midia em relação à recepção dada pelos petistas a seu ex-tesoureiro Vaccari na convenção petista, não teve muita repercussão.
Mas, como nos informa Gaspari, Eduardo Azeredo, o mensaleiro mineiro, que renunciou à presidência do partido justamente por sua posição de réu no caso, foi tratado como convidado de honra no evento.
Não satisfeitos, os peessedebistas incluíram na lista de oradores, a filha de Roberto Jefferson, outro mensaleiro, esse ao contrário de Azeredo, já condenado, no caso do mensalão petista.
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Mas, como diz Gaspari, com grande dose de ironia, se o petismo reage mal às  críticas e acusações, procurando culpados a quem responsabilizar por seus erros, o membro do PSDB, mais elegante, finge que não ouviu e, apenas explica de novo.
Ou seja, quer vencer pelo cansaço, ao menos àqueles que não são influenciáveis por descrições tendenciosas que a imprensa divulga como se fossem isentas de qualquer interesse.
Gaspari lembra bem.
No TSE, basta que um pedido de vistas de um ministro seja feito que, independente do placar que já esteja o julgamento paralisa-se qualquer processo de análise contra a lisura das eleições do ano passado.
Gilmar Mendes, aliás, já nos deu inequívocas demonstrações de que tal comportamento pode ser adotado e tem efeitos importantes. Afinal, o pedido de vista bloqueia a conclusão do julgamento.
Por outro lado, conforme afirmei ontem, nesse espaço, não basta o TCU indicar ou vetar as contas de Dilma no primeiro mandato.
Há que tal recomendação, para surtir efeitos, passar pela apreciação da Câmara, essa mesma instância institucional que não se preocupa em julgar desde 2002, qualquer conta de qualquer governo.
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Fica claro de tudo que o julgamento de Dilma será político, caso ocorra, e como tal, haverá reações que não são triviais.
Mas, nenhum sujeito honesto, mesmo que anti-petista e veementemente contrário a Dilma, não poderá de admitir que um julgamento por esse Congresso de contas do último de 12 anos é, no mínimo, algo escabroso, em termos de decência.
Ou então, tal julgamento é a mão do Padre Eterno, fazendo o curso das coisas voltarem à situação da qual nunca deveriam ter saído.
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Apenas uma observação, que não pode ser esquecida e que não me canso de tentar resgatar, para conservar ao menos a minha memória: arrogância maior que a do comissariado petista e de Lula foi a do idealizador do plano de governo do país por 20 anos: Serjão, o homem forte do governo FHC.
Aquele mesmo que lançou a ideia de que o PSDB ficaria 20 anos no poder, mas que, infelizmente, acabou vitimado por uma infecção pulmonar.
Pois bem, foi na declaração de Sérgio Motta que Lula se inspirou, ao que parece, para querer ficar 20 anos no poder com seu PT.
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Outra questão importante, que para muitos passa despercebida, diz respeito à relação entre Dilma, a criatura e Lula, o criador.
Em sua origem, Dilma era pedetista. Ao que parece, mais brizolista. Ou seja, mais favorável e vinculada àquele que um dia chamou Lula de "esse sapo barbudo" que deveríamos engolir.
Foi com gestões pedetistas no Rio Grande do Sul que Dilma ocupou cargos de relevo, dentre os quais o de secretaria de Energia, que a catapultou para o governo federal.
Dilma nunca foi, até então e mesmo depois, integrante do PT, filiada ao PT.
Apenas filiou-se para poder ser indicada por Lula, para sucedê-lo.
Daí que fica difícil apenas afirmar que há, na relação entre ambos, uma traição ou uma ruptura da relação entre criador e criatura. Relação que, claro, existe, mas que nunca havia existido antes, como costuma ser difundido.
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Traição maior de uma relação entre criador e criatura poderia, com mais justiça e acerto, ser demonstrada no caso de Aécio e seu avô.
Aécio agindo cada vez mais como se fosse da antiga Banda de Música dos golpistas da UDN. Contra o PSD de que seu avô era um dos expoentes.
Mas, com relação a essa postura do neto, traindo o comportamento mais cordato e pacificador do avô, ninguém se preocupa.
Uma pena.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Pitacos econômicos, políticos e futebolísticos

A correria de correção de trabalhos e provas, típica do encerramento de semestre letivo na vida de um professor acaba impedindo, muitas vezes de podermos manter uma regularidade na postagem dos pitacos, por mais que a situação recomendasse algum comentário.
Não que o ambiente econômico tivesse apresentado alguma diferença significativa do último pitaco, postado no já distante junho.
Na verdade, se houve alguma mudança, nesse aspecto, tal alteração deveu-se, exclusivamente, ao agravamento do pessimismo generalizado, capaz de fazer com que as previsões de nossos analistas de mercado, banqueiros e grandes empresários se deteriorasse.
Ao menos, isso é o que o Banco Central nos informa no seu boletim Focus, divulgado na data de ontem, que mostra que as previsões são de inflação de 9,2% para o ano.
Ou seja, quanto mais as autoridades econômicas insistem em utilizar o Sistema de Metas, que atribui ao excesso de demanda agregada a responsabilidade pela inflação, e mais adotam a política monetária contracionista, de juros elevados, para derrubar o movimento de alta generalizada de preços, mais os preços insistem em contrariá-los.
Quanto mais o Banco Central sobe os juros, mais cara fica a vida, embora a demanda esteja despencando a olhos vistos.
Situação que exigiu do governo a adoção de medidas na direção de estancar o desemprego que já ia se alastrando de forma expressiva.
Junto ao desemprego, o fechamento anunciado nos jornais de televisão, de mais de 800 concessionárias de automóveis, que já não têm mais a quem vender.
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Antes que mude de assunto e deixe de emitir a minha opinião, a medida, que vai na contra-mão do tal ajuste fiscal, é oportuna, e tenta resgatar o discurso de Dilma de que não deixaria o desemprego retornar às taxas que ela conseguiu derrubar, de forma recorde, em seu primeiro mandato.
Chamado de Programa de Proteção ao Emprego, e criado por Medida Provisória, o governo tenta evitar o aumento de demissões, permitindo que, caso haja acordo entre patrões e trabalhadores, seja reduzida a jornada de trabalho em até 30% , acompanhada de redução proporcional dos salários, pelo prazo de 6 meses, prorrogáveis por outro tanto de tempo.
Para não prejudicar o trabalhador, metade da redução da renda será complementada por recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), até o limite de R$ 900,84.
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Vale observar que se a medida é benéfica, é curioso ter sido tomada pouco tempo depois de o mesmo governo adotar medidas jogando o pagamento de abono do PIS para a frente.
A MP tem prazo de validade, até dezembro, e vai na direção correta já que, as empresas sem vendas não têm por que produzir. Sem produzirem não têm por que manter empregados. E a política do governo de derrubar a demanda leva a que ninguém queira se arriscar a fazer dívidas, passando a comprar o estritamente necessário. Quando der para comprar o necessário.
E se der para quitar as dívidas acumuladas no tempo de vacas gordas.
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Mas, voltemos ao Sistema de Metas de Inflação que eleva os juros, já que tem como principal ferramenta a elevação da taxa de juros básica da economia. A partir daí, cai o consumo a prazo, aumenta a inadimplência, empresários do comércio (especialmente do pequeno comércio, que mais emprega mão de obra) passam a não receber aquilo a que tinham direito, passam a não dar conta de honrar fornecedores, param as encomendas.
No lado da indústria, não vende o que produziu, acumula estoques e para de produzir. Nem demandam insumos (a queda no consumo de energia tem explicado o porque não houve problemas com o fornecimento desse insumo, nesse ano!), muito menos realizam inversões.
Cai o consumo, cai o investimento, mas aumentam os gastos do governo. Não por responsabilidade dos gastos correntes, ou de custeio, suficientemente podados.
Mas por força do pagamento de juros sobre a dívida. Que se eleva e se deteriora, não porque o governo gasta mais do que o que arrecada, mesmo com a arrecadação despencando, mas por força de pagamentos cada vez maiores de juros sobre uma dívida que não teria outros motivos para crescer.
A relação dívida pública/PIB se agrava, por dois motivos: a queda do PIB e a elevação do pagamento de juros.
Mas, o governo e os analistas de mercado acreditam que o governo está na direção correta...
Ou não.
Já tem gente começando a questionar o próprio ministro Levy, e não é gente que costuma estar contra esse tipo de medidas conservadoras, não!
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Na política

Do ponto de vista político, as condições tiveram perceptível agravamento, nesse início de segundo semestre, talvez por estar se aproximando a data em que Dilma terá que apresentar suas justificativas e apresentar respostas aos questionamentos que o TCU, em hora no mínimo curiosa, resolveu agir.
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No PSDB, que aproveita-se do momento para voltar à carga, seja com o discurso do impedimento da presidenta, seja por uma possível anulação das eleições pelo TSE. No primeiro caso, a razão seria a não recomendação da aprovação das contas do governo, feita pelo TCU,ou a não aprovação das contas pelo Congresso, independente da recomendação do TCU - situação esdrúxula, tendo em vista que desde 2002 o Congresso não aprecia as contas de qualquer governante.
No segundo caso, novas eleições colocam o partido que perdeu nas urnas, no primeiro e segundo turno, na situação invejável do Fluminense, campeão absoluto do Tapetão.
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Mas, vejamos rapidamente essa situação, o TSE anula as eleições de 2014, Aécio candidata-se e perde, para Eduardo Cunha, por exemplo. Ou para o ex-ministro Joaquim Barbosa. Ou ainda para a carta que não pode ser retirada do baralho, Sérgio Moro.
O que restaria do país com o presidente da Câmara governando, ele que já deu demonstrações de que é extremamente democrático, a tal ponto que sempre está votando todas as matérias em que seus interesses foram derrotados...
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Mas vai que dá Aécio. Depois de o PSDB, visando o poder, querer tocar fogo no circo, votando medidas que ampliam o gasto público e que, uma vez admitidas, levarão a movimentos de reivindicações semelhantes por outros setores da sociedade.
Ou os aposentados que conquistaram o reajuste semelhante ao do salário mínimo não irão servir de exemplo? Ou os servidores do Judiciário, com seu reajuste de 70% em média não irão levar categorias do funcionalismo - como os do Executivo, a quererem tratamento ao menos semelhante, eles que não tiveram aumento em 2011, tiveram 5% de aumento a cada ano de 2012, 13 e 14, sempre pago no início do ano posterior, com a inflação dando mais que esses valores em cada um dos anos. E agora a proposta de vinte e poucos por cento, na mesma forma de 4 parcelas anuais, sempre ao fim do ano, sendo que apenas no primeiro ano, o aumento não irá chegar nem perto dos 9,2% de inflação gerada pelo próprio governo e seu ajuste de araque...
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Porque ajuste mesmo está sendo feito apenas nas costas do povão via elevação de impostos, e dos funcionários, via reajustes que não lhes permitem manter o mesmo padrão de vida, ano após ano.
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Mas, Aécio e seu PSDB votaram e têm votado contra o Fator Previdenciário, essa cria do PSDB de tempos atrás, e caso assumissem o governo nos leva a perguntar. Conseguiriam governar com o rolo que criaram ou vêm criando?
Ou apenas irão anular as leis, por não serem mais necessárias, já que o estrago que elas criam é apenas ou deve servir apenas para limar o partido do governo?
Claro, nesse caso, teríamos um autêntico golpe de Estado.
Mas não é nessa situação que muita gente anda apostando fichas?
E Aécio, neto de um democrata, não se apercebeu disso? Que está sendo usado, talvez como inocente útil? Ou nem tão inocente assim???
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Dilma afirma que não sai. Fibra para aguentar ela tem. Mas o povo na rua é mais poderoso, e mais irresponsável, dependendo do tipo de direcionamento que pode ser dado ao movimento...
Que o povo é agressivo, não é cordial, é individualista e interesseiro, e nem honesto tem aparentado ser, várias manifestações têm ilustrado.
A situação é grave. E há cheiro de golpe no ar.
Dada a divisão em que se encontra nossa sociedade, temo por tal catinga...

Mas no Futebol

Dá Galo. Líder do campeonato, mas ainda um time com problemas. Ao menos em minha opinião.
Não sei dos outros, claro. Mas aquele enervante toque de bola que o time resolveu  adotar no jogo contra o Inter, com o time gaúcho com um jogador a menos, em alguns momentos me trazia verdadeiro pânico.
Afinal, o Inter em seus contra-ataques trazia perigo, ao menos até que Leandro Donizete tivesse sido substituído.
Mas, como não gosto do Donizete, para não parecer que estou pegando no pé, vou apenas lembrar que toda vez que ele joga, o time leva maior quantidade de gols; fica mais exposto, já que não tem jogada de saída de bola, e sai com um jogador com cartão. Quando não dois cartões...
Mas com o Inter já esgotado, o Atlético conseguiu fazer mais dois gols, podendo fazer outros.
Mas ainda há coisas a acertar e Levir sabe disso bem.
Enquanto estava onze contra onze ou no primeiro tempo, o Inter levou mais perigo ao Galo que o contrário.
Sinal de que há coisas ainda que não encaixaram...
Mas, a alegria de ver o Galo lá em cima, compensa certas falhas que têm tudo para ser corrigidas...

terça-feira, 30 de junho de 2015

Crise econômica e crise moral: aonde pode nos levar esse tipo de delações?

Economistas ditos de esquerda reagem: o país não aguenta o arrocho a que está submetido!
O mercado já prevê uma inflação de 9% para o ano cuja metade já se esgota.
Felizmente, diria o otimista, o ano está passando rápido.
Ao que o pessimista, sempre de plantão, complementaria: também 2016 será um ano de crise econômica. Com as previsões de que a meta de inflação, de 4,5% apenas deverá ser atingida no final do período.
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Que haveria impacto da liberação das contas de energia represadas no primeiro mandato Dilma, todos sabiam.
O próprio Mercadante, ministro hoje da Casa Civil, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo ainda em meados do ano eleitoral de 2014 admitiu que havia alguma correção de preços que deveria ser feita mais à frente, já que, SIM, os preços estavam sendo contidos extra-mercado.
Mas... a correção seria feita, caso Dilma fosse reeleita, em um prazo mais dilatado, para evitar que todo o impacto atingisse a economia brasileira de um só golpe.
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Que a elevação de preços de tarifas de energia elétrica e também do combustível era necessária, então, parece que era admitido tanto fora quanto dentro do governo.
A divergência era em relação a como fazer esse processo de correção de preços. Para evitar que, como elemento integrante e importante da matriz de custos industriais e de outros setores econômicos do país, o reflexo de tais correções não se alastrasse de forma descontrolada.  
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Feita a descompressão como o foi, de uma só vez, o que se viu foi uma reação em cadeia, com repasses sendo feitos para todos os produtos, gerando um fenômeno de dispersão da inflação que passa a obrigar a correção de todos os preços relativos, e nominais.
A boa notícia é que, caso não haja novos choques do lado da oferta, não deve haver muito espaço para continuar alimentando a fogueira da inflação, e os preços podem continuar subindo, embora em velocidade cada vez menor.
Creio que foi a isso que Luiz Carlos Mendonça de Barros se referiu, em sua coluna da Folha de São Paulo da semana passada, ao afirmar que acredita que uma política monetária tão severa quanto a que está em curso no país, seja capaz de acabar não dando margem a qualquer novo movimento de elevação de preços em função de demanda, mais especificamente de demanda de consumo financiada justamente por crédito.
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Bem, com a taxa de juros básica postada no patamar em que se encontra, e já tendo circulado a informação de que deverá subir ainda mais, de forma a obrigar a convergência o mais rápido possível para o centro da meta, realmente seria muito difícil que restasse algum agente, suficientemente corajoso ou louco, para continuar elevando seus gastos, com recursos de empréstimos.
O problema aqui é bem diferente. Nada a ver com a inflação, com excesso de demanda.
Mas ao chegar a sua conclusão, o ex-ministro apenas destacou algo que todos já sabem, embora esqueçam ou ignorem. E, às vezes, o óbvio deve mesmo ser posto a nu.
O que o ex-ministro afirmou é apenas, de forma mais esclarecida, que ao desligar as máquinas que irrigam o organismo do paciente hospitalizado e com febre muito elevada, a febre irá ceder. Assim, como a vida do paciente que irá, ao menos, ter seu sofrimento interrompido.
Essa é a ação da política monetária: equivalente ao corte do oxigênio ou o sangue filtrado para o paciente em agonia.
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Ocorre que outro problema também começa a se manifestar, e esse mais sério. Agentes que se endividaram na época da bonança são obrigados, agora, e em função da combinação perversa de inflação, alta do custo de vida e, talvez perda de emprego, queda de sua renda média, perda de oportunidade de fazer extras, a renegociarem os compromissos financeiros em andamento.
E, se aquelas prestações ou parcelas que foram negociadas em épocas de juros mais decentes já não estão conseguindo ser pagas, já que competem com o aluguel mais caro, o combustível, a energia, os alimentos, as parcelas da escola, a renegociação necessária deve ser feita no pior momento da economia. Quando os juros mais castigam, o que acarreta apenas o desespero do endividado que, sem dinheiro novo, vê apenas expandir-se o prazo de sua dívida.
O que apenas renova o temor de mais lá adiante, a situação volte a ficar crítica.
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Mas, essa questão que afeta a milhares de famílias, não parece afetar muito os analistas de mercado nem os economistas do governo, que continuam pautando suas ações pela ideia de que a credibilidade da instituição que controla a política econômica é mais importante que a situação da população do país.
A política tem que se manter crível e com força, com energia. O povo, esse....
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Enquanto isso, no país das delações

No meio desse caminho por si só bastante sinuoso, assistimos ao verdadeiro carnaval promovido pela midia irresponsável, a partir do combustível da delação premiada do dono da UTC.
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Meu amigo Pieroni, que já criticou outro dia minha postura, e meus pitacos, não vai gostar mas, paciência. Meu respeito por ele não diminui por esse motivo, muito ao contrário.
Mas eu não sabia, e talvez nem ele, é que na delação, Ricardo Pessoa afirma que deu recursos de caixa dois ao PT, à campanha de Lula e de Dilma, ao prefeito Fernando Haddad e até ao ministro Mercadante e Edinho Silva, mas deu mais, muito mais dinheiro à campanha de Aécio e do PSDB.
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Seria risível a hipótese, mas parece que é isso mesmo que os advogados do Fluminense e dos partidos de oposição estão tentando nos convencer: as doações para PSDB e outros partidos - na verdade praticamente todos os maiores - foram todas lícitas. No caso do PSDB, apenas a doação de Aloysio Nunes, o vice de Aécio, veio de forma escusa já que seu nome foi o único que a imprensa deu destaque.
Já para Paulinho do Solidariedade, a alegação é que a doação foi para se ver livre de greves.
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Ora, que é necessário uma faxina em nosso país, isso é mais que certo, mas que estamos vivendo um período muito perigoso, que pode descambar para algo muito pior, mais sério e, seguramente menos democrático, isso não há muita dúvida, infelizmente.
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Ainda ontem, na Folha, Celso Antônio Bandeira de Mello, jurista respeitado e reconhecido, mesmo que não da simpatia da oposição, afirmava do risco de transformação da nossa sociedade em palco para a implantação de um movimento fascista.
Desnecessário dizer que também temo por isso.
Mas, mesmo certo de que a luz do sol é o melhor dos detergentes, e que tudo e todos têm de ser investigados, não há como não admitir que Sérgio Moro, o juiz da Lava-Jato está extrapolando. Cometendo abusos como já foram reconhecidos por ministros do próprio Supremo, ao menos parcialmente, ao simpatizarem e se manifestarem a favor da ideia de que é sim, coação a prisão para obrigar alguém a concordar em fazer a delação.
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Foi a isso que Dilma se referiu ontem nos Estados Unidos e que, infelizmente, Boris Casoy e seu apreço por extratos sociais menos favorecidos da nossa sociedade, que talvez já tenham sido varridos pelos garis para as deslembranças, não entendeu. Ou não quis entender, ao comentar que há diferença entre a delação espontânea e aquela que os torturadores tentaram extrair da presidenta.
O problema que Bóris não quis ver é que a delação sob coação mesmo moral, é tão violenta quanto a outra.
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Precisamos passar o país a limpo, mas não fingindo que apenas há uma parte podre, no cesto que, de longe, exala podridão.
Mas, não há de ser com um juiz que, cada vez mais mostra seu caráter autoritário, messiânico que o país saberá descobrir e punir a todos que o merecem. E depois construir juntos e de forma democrática a sociedade que saberá impedir que tais eventos venham a se repetir.
Sérgio Moro tem um papel importante na nossa necessária operação de faxina. Mas não pode querer ir além do papel que lhe cabe e é tão honroso que já lhe assegura lugar na história, de ter sido que iniciou o processo. E só.
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De mais a mais, não há como tratar de forma desigual quem foi pego com a boca na mesma botija, como a imprensa mais canhestra está fazendo, justo essa imprensa que incensa o juiz Moro.
Mercadante, por exemplo, declarou as doações da UTC, pelo que alega. Nos valores citados pelo delator.
Ora, se eram recursos de caixa 2 e foram declarados ao Tribunal, algo de podre acontece não apenas no reino da política, mas também na imprensa, nos tribunais responsáveis por julgarem as contas, etc. etc.
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A verdade é que não dá para acreditar, apenas.
Afinal, não tem virgem nesse tipo de casa...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Pitacos sobre aspectos da crise econômica

Relatório do Banco Central, divulgado no dia de ontem, 23, dá conta de que o estoque de crédito atingiu a cifra de R$ 3,08 trilhões, correspondendo a 54,5% do PIB.
O mesmo documento revela que a inadimplência caiu no período de um ano, tendo como referência o mês de maio, de 5,7% para 5,4%, em se tratando de pessoas físicas.
A inadimplência maior, e crescente, atingindo 4% é observada nas operações para empresas, quadro mais problemático, até porque dificuldades das empresas em honrar suas dívidas podem ser indício do risco de uma quebradeira, com os efeitos daí decorrentes, como o desemprego.
A previsão para o ano é que haja um aumento das operações de crédito de aproximadamente 9%, embora menor que o resultado de 2014.
A explicação para a previsão para baixo encontra-se no crédito com recursos oficiais, em especial, o financiamento imobiliário para pessoas físicas que deve crescer 14%, contra um avanço de 24% no ano anterior.
A queda prevista tem como causas a queda no volume de recursos da poupança, o aumento de juros e maiores dificuldades na concessão do crédito determinados pela CEF. Apenas em relação a abril, maio apresenta queda na modalidade de 29%.
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O relatório informa ainda, algumas das taxas de juros praticadas pelo sistema financeiro, como a taxa do cheque especial, que alcançou 232% ao ano, contra 171,7% há 12 meses atrás, e a taxa média do rotativo do cartão de crédito, de 360%.
Para o crédito ao consumo, o valor atingiu 57,3% ao ano, o que é, no mínimo, curioso, já que a Selic, parâmetro para o custo do dinheiro é de 13,75%.
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Claro que os bancos irão alegar que há um risco maior de crédito a ser incorporado nas taxas praticadas, embora a inadimplência esteja em queda.
Também deverão alegar maiores custos administrativos, embora esses sejam cobertos em grande medida, pelas tarifas cobradas pelos bancos e, como se sabe, subiram muito em verdadeiro tarifação já nesse início de ano.
Há justificativas vinculadas ao custo do dinheiro mantido no compulsório e outras do tipo mas, ainda assim, somente o fato de o setor ser fortemente oligopolizado, fortemente concentrado pode ajudar a entender diferenças tão significativas entre a taxa paga a título de "funding" e a cobrada na concessão do crédito.
Afinal, 232% no cheque especial, em tese, aquele recurso que o banco coloca à disposição de seus clientes mais bem avaliados, mais fiéis, com maiores operações junto ao estabelecimento, etc. etc. é muito elevado. E os bancos nem poderiam alegar que trata-se de um dinheiro que envolve outros riscos maiores, como o de liquidez, já que não têm condições de prever quem e quando ou quanto será utilizado.
Ora, se a política de concessão de crédito é séria e bem cumprida e fiscalizada, não deveria haver tanto aumento de risco na concessão potencial de recursos para clientes cujo perfil o banco já conhece, às vezes, mais que o próprio tomador do crédito.
Ou não?
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E ainda tem gente que insiste em continuar comprando valores elevados, e parcelando, muitas vezes o valor dos pagamentos no cartão de crédito, sem ter condições de liquidarem a fatura toda no dia da cobrança. Única forma de não deixar o crédito no cartão virar uma bola de neve.
E tem gente que não consegue sair do cheque especial, mesmo sabendo que o consignado, se possível o acesso a ele, ou o resgate de qualquer aplicação, caso existente, são opções muito melhores e saudáveis para quem não consegue viver dentro dos limites dos rendimentos mensais.
Essa sim, a receita para o sucesso.
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Enquanto isso, no ajuste fiscal...

Comparada à arrecadação de 2003, a desse ano está muito mais difícil, alega o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.
Embora os dados de arrecadação não tenham sido ainda divulgados, as expectativas são negativas, o que mostra e reforça a expectativa de que a meta do superávit primário não será alcançada, como prometida.

Mas a meta da inflação pode ter alterações

Para 2017 a meta pode ser mantida em 4,5%, mas com redução do limite de tolerância em torno da meta. Ou até ser reduzida, visando transmitir ao mercado a noção de maior rigor e permitir maior credibilidade à política adotada pelo Banco Central.
O que levaria, conforme alguns analistas, a uma convergência mais rápida da expectativa dos preços em direção à meta, com efeitos benéficos sobre a fixação de preços e salários já em 2016.
Tudo de acordo com o figurino do modelo das expectativas adaptativas ou racionais, a diferença pouco importa, não fosse o fato de que os agentes econômicos não se comportam com a racionalidade e sabedoria e conhecimento que lhes são imputados.
O trabalhador raciocina menos no sentido de criar expectativas para o futuro, do que no de recompor as perdas já sentidas na própria carne ou no bolso.
Assim, a indexação ainda tem mais força e age com mais vigor que a noção de que, o que passou, passou e o melhor é reconhecer as perdas e tocar o barco (no caso, a vida) para a frente.
Exceto que, como os apologistas da teoria não admitem, não haja espaço para qualquer negociação de fixação de salários e o poder do capital imponha sua vontade, determinando o valor que está disposto a pagar para manter a taxa de desemprego próximo a sua taxa natural...
O que, se não quisermos ser taxados de inocentes, é o que deve acontecer, na maior parte das ocasiões, para o que a elevação que assistimos da taxa de desemprego tem uma função muito estratégica.
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E a previdência...

Muito interessante as matérias sobre a Previdência e sua trajetória, publicada pela Folha no domingo último, mesmo depois da mudança das regras de aposentadoria, com a introdução do fator 85/95.
Ainda não consegui entender é a razão da manutenção da diferença entre as idades para mulheres e homens, antecipando que não tenho nada contra.
Como diria o macaco, é que eu só queria entender...

terça-feira, 23 de junho de 2015

Inflação e política monetária de asfixia: contradições de analistas do mercado.

Que o sistema de metas de inflação eleja como principal, para não dizer único instrumento de combate à inflação o uso das taxas de juros, não passa despercebido a ninguém.
Que desde sua implantação, às vezes até desnecessariamente já que a inflação estava abaixo da meta, as taxas de juros no Brasil foram mantidas muito mais elevadas do que seria o necessário ou o recomendável, gerando críticas de vários setores e analistas da economia, também é do conhecimento público, mesmo que a memória coletiva do país já vá se definhando a esse respeito.
Apenas para reavivar a memória, vide governo Lula e a política monetária de Henrique Meirelles, à frente do Banco Central.
Também não é fato desconhecido, ao menos dos que atuam nos mercados,  que a manutenção de taxas de juros estratosféricas teve colaboração decisiva na transformação do nosso país na Meca dos capitais estrangeiros, que visavam obter a remuneração recorde aqui prometida, situação que remonta, ao menos à época de implantação do Plano Real e, portanto, anterior à utilização do sistema de metas de inflação.
Por outro lado, a consequência natural de fluxos de capitais desregulamentados, câmbio flutuante e taxas de juros recordistas, como os manuais de economia insistem em apontar é a apreciação da moeda nacional, com todos os efeitos deletérios que isso acarreta. Em especial no tocante aos reflexos sobre nossa indústria e nossa competitividade.
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Ainda assim, quando em agosto de 2011, ao voltar de reunião do grupo dos países mais ricos extremamente preocupado com o teor das informações que circulavam a respeito da possibilidade de agravamento da crise de depressão que varria o mundo, ainda como resultado da crise financeira de 2008,  o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini começou a liderar uma queda inusitada das taxas de juros, não foram poucos os que passaram a acusá-lo de estar na direção contrária da política recomendada apenas para agradar a "patroa", a presidenta Dilma.
Os analistas e consultores dos mercados, normalmente identificados com os interesses dos capitais financeiros que eram também os que mais perderiam com a queda das remunerações dos títulos financeiros (em especial, públicos), aproveitaram a oportunidade para torpedearem a queda de juros sem a menor consideração dos efeitos positivos que isso poderia provocar para a economia do país, em especial para interromper o processo de sucateamento de nossa indústria. 
Alegando que a inflação estava saindo de controle, não foram poucos os que, com a colaboração do discurso oficial, passaram a assistir e anunciar o que chamaram de abandono dos fundamentos macroeconômicos da nossa economia, substituído por uma nova matriz macroeconômica. 
Para os críticos, tratava de abandonar o sistema de metas de inflação que tanto benefícios (?) havia gerado, o câmbio flutuante, já que o Banco Central começou a atuar mais fortemente no mercado futuro do câmbio, com operações de swap, e o rigor fiscal, medidas que compunham o tripé da boa economia.
Note-se que, para os críticos, o abandono do sistema de metas seria dar margem ao retorno de uma inflação que começava a mostrar seus dentes, muito em função de problemas climáticos, que afetavam os alimentos e seus preços.
No entanto, para os analistas de mercado consultados, a grande responsabilidade da retomada da inflação era o populismo de Dilma Roussef e sua política de elevação real dos salários, já que trabalhador naquele momento, como sempre não pode ser o protagonista nem o principal beneficiário das políticas econômicas, de cunho distributivista. 
Contribuía para a sustentabilidade da inflação a leniência do Banco Central em relação à política monetária, o que não seria necessário enfatizar, apenas se dava por força da prática de política monetária mais frouxa.  De juros menores. 
Nem importava se as políticas macroprudenciais adotadas pelo Banco serviam para, de certa forma, atenuar a redução promovida dos juros.
Nada disso era considerado. Nem mesmo o fato de que foi Tombini, quando esteve à frente do equivalente à Diretoria de Política Econômica do BC quem elaborou o projeto do sistema de metas, que agora era acusado de estar desmontando.
Tudo para agradar à chefa.
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Pois bem, hoje sabemos que o país não respondeu, as classes empresariais não responderam como se esperava a todo o arsenal de medidas com que o governo, até afoitamente, procurou estimular a retomada do crescimento econômico. 
Os empresários não investiram, e o governo continuou lhes concedendo benesses sem justificativa em função do não retorno, o que colocou a própria situação de caixa do governo em situação debilitada.
Mas, pouco se comenta de uma questão que é tão crucial para o modelo teórico que fundamenta as críticas que é a macroeconomia novo-clássica: a questão da transparência do mercado. Da fluidez das informações que circulam e permitem aos agentes otimizadores, tomarem decisões e/ou se anteciparem a qualquer decisão de política econômica do governo, o que torna tais políticas inócuas.
Refiro-me ao fato de que com tanta análise e tanta opinião dos analistas de mercado contrárias à política adotada pelo Banco Central, de redução dos juros, todas elas criticando a medida como inflacionária, não é de se estranhar que todos os agentes começaram a incorporar tal expectativa de elevação de preços em suas projeções. Mesmo nas projeções mais precárias. 
E, também isso ajudou a que os empresários não se sentissem estimulados a investirem. E pior: ajudou a que todos começassem a se preocupar em se defender da alta de preços, antecipando os repasses de seus preços de forma a não ficar atrás na corrida que o mercado divulgava já estar em pleno desenvolvimento.
Não deveria trazer estranheza o fato de que houve, como alguns estudos mostraram, dispersão de preços ou seja, os preços começaram a se elevar em vários setores, o que demonstra que o movimento de resistência da inflação se disseminava.
Mas ninguém lembrou-se de imputar às informações transparentes do mercado e suficientemente difundidas qualquer responsabilidade por estarem agindo como indutoras e não como difusoras do comportamento. 
O que, de resto, é muito difícil se mensurar.
***
Mas, Dilma conquista o segundo mandato e muda toda a política econômica. De uma penada apenas, altera o comando da economia, trazendo para a frente da batalha um liberal, ou neo-liberal, Joaquim Levy. 
Com isso, ganha força e tem ânimo para reagir a porção Tombini mais liberal, e o Banco Central que já vinha praticando uma política atendendo aos reclamos dos mercados, de elevação dos juros, assume a postura dele exigida, e passa a evitar a leniência, com uma desmedida agressividade na política monetária. 
E, em função do sistema de Metas, e de sua cobrança pelo mercado, os juros começaram a subir até atingir alturas não imagináveis há quatro anos. E, pior, carregando a inflação de carona.
Mais sobem os juros, mais a inflação responde. 
Mais sobem os juros, mais a demanda cai, mais os empresários que têm poder de formação de preços elevam suas margens, compensando a queda nas vendas. Ou então: mais sobem os juros, mais a disseminação da inflação provoca a necessária correção de preços por parte dos agentes formadores de preços, antecipando-se e fazendo realizar aquilo que era apenas uma profecia.
Ou ainda: mais sobem os juros, mais se elevam os custos financeiros, o que faz com que caia a demanda agregada, a produção, a renda, a receita do governo, se reduza a possibilidade do superávit primário prometido, se eleve a necessidade de colocação de títulos públicos para financiamento do governo, e mais sobem os juros, mais capitais externos são atraídos, e mais o real se valoriza e mais a indústria se desmorona. 
O desemprego aumenta, como os gastos do governo com seguro desemprego, e liberação de FGTS, e mais o mercado atemorizado pela deterioração da dívida pública ou de sua relação com o PIB, acusa do governo de...
Bem, a inflação não cede, mesmo assim.
***
Mas o mercado acusa o governo de... estar praticando política monetária muito rigorosa em meio a um ajuste fiscal que necessita ser agressivo.
É isso que se depreende de entrevistas que os jornais têm trazido com economistas como José Roberto Mendonça de Barros, que acusa o Banco Central de estar exagerando a dose, elevando os juros mais que a capacidade de nossa economia é capaz de suportar, já que o BC encontra-se em uma armadilha. 
Para o economista, a armadilha é que o BC se comprometeu e divulgou que iria elevar os juros até que a previsão dos analistas de mercado convergisse para a meta de 4,5% ao final de 2016. Como a pergunta que não quer calar não foi feita, se os analistas de mercado querem mesmo que a meta convirja para o centro ao final de 2016, resta a dúvida se eles estão satisfeitos com a remuneração que estão obtendo, enquanto os juros sobem por não haver a tal convergência. 
Diz Mendonça de Barros que o BC agora não pode voltar atrás e deverá continuar praticando a política que está   asfixiando nossa economia. Como quem quisesse eliminar a leniência de três anos em um. 
Faça-me o favor, não é a alma do regime de metas, que também Mendonça de Barros cobrava ter continuidade, a utilização dos juros, sob o risco de a política monetária ficar desacreditada?
Ou o professor esqueceu-se de que o uso da política monetária, tão somente, acarreta mesmo o óbito do paciente, que estava internado apenas para obter a redução da febre e mal estar que o acometia?
***
Ao menos Henrique Meirelles tem mais coerência, ao admitir em sua coluna da Folha de São Paulo que, mesmo com a economia sofrendo da recessão que se aprofunda em função da política monetária apertada, esse é o único caminho.
Eu posso não concordar, mas que é melhor ouvir quem não muda de opinião ao sabor das circunstâncias, já que tais mudanças podem apenas esconder questões políticas (mais até que ideológicas)  por trás de toda a análise isso lá é verdade. 
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Enquanto isso, o mercado continua estimando queda do PIB que não deve ficar diferente de 2%, queda de receitas,  superávit não cumprido, chegando à metade da promessa. Em compensação, a dívida pública em relação ao PIB irá crescer, e o desemprego junto. 
E a inflação, hein... que surpresa, provocada ainda e sempre pelo aumento das tarifas de energia, resquício ainda de Dilma I. 
Pergunto-me quando o fantasma de Dilma I não puder mais ser utilizado como justificativa de tudo de ruim que ocorre na nossa economia, o que será usado como seu substituto?
A ver.