Embora ilegítimo, o governo temer cumpre a mesma sina do primeiro mandato de sua antecessora Dilma, que tanto encantou uma parcela da mesma população que, depois, acorreu às ruas para pedir por seu impeachment.
Naquela oportunidade, Dilma passou a impressão de que não toleraria fossem maus feitos, fossem meras insinuações ou suposições sobre o comportamento de seus principais ajudantes, o que a levou a promover a troca, entre outros, de nomes de peso de sua equipe, como a do poderoso Palocci.
Pois bem, depois de toda a campanha arquitetada e posta em prática pelo que há de pior e mais corrupto na classe política brasileira, e de todo o apoio dos meios de comunicação do país, justamente sob o signo do combate à corrupção, a presidenta foi afastada e o usurpador que ocupa ilegitimamente a cadeira da presidência, vive a mesma experiência de ter de trocar seus homens de confiança.
***
Situação que, havemos de convir, não é nem um pouco surpreendente, a julgar pela figura e pelo que representa e sempre representou a figura do usurpador, ao longo de toda sua vida pública, especialmente como presidente do partido mais oportunista e mais repleto de acusações de corrupção e obtenção de benefícios indevidos dos últimos anos.
A esse propósito, basta lembrar do ex-deputado Roberto Cardoso Alves, o Robertão que, na época da Constituinte de 1997 e 98, ganhou destaque como líder do Centrão e responsável por trazer à lembrança a frase célebre da oração não menos célebre de São Francisco de Assis: a de que é dando que se recebe.
***
Ora, tendo ao longo de tantos anos conseguido aglutinar um partido que tem em seus quadros, de anões de orçamento a políticos de escândalos como o dos financiamentos para ranários, concedidos pela Sudam; de Eunícios a Sarneys; de Jucás a Renans, isso para não citar a figura sempre de projeção de Eduardo Cunha, e agora Cabral, e tantos outros que seria uma verdadeira injustiça mencionar apenas alguns, deixando de lado, por esquecimento e falta de espaço, tantos outros sobejamente conhecidos, não seria surpresa que o time de amigos de confiança do obscuro usurpador não fosse composto de pessoas dessa espécie.
O que me leva a questionar apenas a título de desabafo, o que foi feito da expressão e sabedoria popular, do diga-me com quem andas...
***
Mas, a luta da população em prol do combate à corrupção, finalmente vitoriosa, a julgar pelo fim de tanta manifestação ruidosa e de tanto apoio que o novo governo recebe de amplos segmentos de nossa sociedade, como os setores mais abastados, talvez mais educados, mais cultos, mais capazes de não se deixarem manipular pelas redes de notícias, etc., e mais preocupados com o país e sua população como um todo conduziu, curiosamente, à mesma necessidade de faxina que tanto encanta nossa população.
E no papel de mordomo, a quem a faxina não é de todo uma tarefa estranha, assistimos a substituição de Jucá, do Advogado Geral da União, de Henrique Eduardo Alves, e agora, quem sabe, do anão do Orçamento: Geddel.
***
Tudo por que o todo poderoso ministro Chefe da Secretaria de Governo, pressionou o ministro da Cultura para que alterasse ou fizesse por onde, alterar um parecer técnico que limita a construção de um empreendimento imobiliário onde o ministro anão teria adquirido um imóvel.
Algo como um valor que gira pela casa de 2,5 milhões de reais.
E que fontes que sempre merecem ressalvas, alegam que talvez nem tivesse sido adquirido efetivamente pelo ministro, mas quem sabe não fosse um pequeno mimo.
Aliás, em um país em que a esposa de um governador, por ocasião da passagem de seu aniversário recebe como presente um anel de perto de 800 mil dólares de um dos principais empreiteiros de obras para o Estado, e em que ela mesma consegue graças a seu escritório de advocacia auferir ganhos capazes de multiplicarem por dez seu patrimônio, não deve ser nada anormal que tal apartamento fosse mesmo um mimo apenas.
***
Claro, desde que não fosse de Lula ou de qualquer de seus amigos. Nem que o empreendimento pudesse ser frequentado pelo ex-presidente.
Porque é Lula e não Geddel o inimigo que a frente de pessoas de bem do país, comandada pela turma dos irresponsabilizáveis de Curitiba, elegeram como a expressão do Mal e, por isso, aquele que deverá padecer nas profundas do inferno.
***
Nada a favor de Lula e de seus sempre suspeitos empreendimentos. Muito ao contrário.
Mas, menos ainda a favor de um tratamento completamente discriminatório que para uns faz pesar a mão da justiça, enquanto para outros ignora, desconsidera, ou deixa o tempo fazer o seu papel de gerar esquecimento.
***
Todo esse discurso vem a propósito da convocação e da realização de novas manifestações da população, ávida por combater a corrupção, a favor da proposta de medidas apresentada pelos procuradores de Curitiba e em análise no Congresso.
Mais uma vez, para ratificar a minha posição de que, pouco talvez seria necessário para punir a corrupção em nosso país, caso aplicássemos a enorme quantidade de leis que existem, e que tal punição fosse conduzida com a celeridade que os processos judiciais merecem respeitar, caso a justiça fosse mesmo para ser feita, doa a quem doer, de forma imparcial e cega a tudo que fugir às regras do convívio social.
E não é isso a que assistimos. A começar pelo discurso sempre suspeito, de que incluir procuradores e magistrados em certos crimes de responsabilidade, por abuso de autoridade, o que se deseja é impedir a investigação, é interromper ou esvaziar a operação Lava Jato.
Como se essa operação e qualquer outra que torçamos para que continuem sendo realizadas, só pudesse ser feita sob a forma da arbirtrariedade, do autoritarismo que a cada dia mais se percebe ser a arma preferencial da República de Curitiba.
***
Daí que as medidas anti-corrupção trazem pegadinhas para funcionários públicos, cuja idoneidade, a princípio é tão aceita quanto a de qualquer dos procuradores que se acreditam acima do bem e do mal. Além desse absurdo de permitir que alguns funcionários públicos, que é o que os procuradores ou juízes também são, possam criar situações de embaraço e desconfiança para outros seus colegas, o que cria duas categorias no lugar de apenas uma, há ainda a questão das provas e sua obtenção.
A ninguém passa despercebido que a coleta de provas é, sempre, o mais complicado e difícil momento de qualquer investigação. Mas, daí permitir que provas possam ser forjadas, ou obtidas de forma ilegal, apenas para ao final, em encontrando o material que se buscava, alegar do acerto da busca é ir contra o que é a essência mesmo da Justiça e do Direito.
Porque trata-se de abandonar as regras que devem pautar o comportamento social, e adotar o princípio de que os fins justificam os meios. Que nega o direito, embora sirva para curvar-se magistralmente à força.
O que vale rediscutir a velha questão entre a primazia do direito ou da força.
***
Um absurdo o comportamento de toda a classe de advogados, bacharéis, juízes e procuradores, etc, que silenciosamente, assistem o desfilar de tais medidas bizarras, propostas por egos autoritários e fascitóides como aquele de alguns procuradores que, infelizmente, ocupam as manchetes de jornais e revistas, como os heróis da Lava Jato. Heróis ou semideuses, a poucos passos do Olimpo.
***
E a propósito de tal questão da força ou do direito, vamos ao último pitaco de hoje.
Para mencionar a campanha que invadiu as redes sociais, de selfies de pessoas com cartazes que anunciam que elas escolhem os policiais.
Pelo que entendo, todos os que têm um mínimo de senso de justiça e que carregam os princípios da legalidade deveriam ser favoráveis, ou escolherem o lado certo da questão. Independente de vestir ou não farda.
Não são poucos os casos de policiais que foram abusivos, arbitrários e que foram mais violentos ou animalescos que os criminosos. Às vezes, pessoas que nem criminosos eram de fato. Apenas suspeitos.
E tais policiais, apenas por usaram fardas e terem o monopólio institucionalizado da violência, a eles atribuído pelo Estado, não podem ter apoio de quem acredita no estado de Direito e na máxima de que ningúem é culpado ou pode ser condenado, sem que se prove sua culpa em ambiente em que lhe são asseguradas todas as chances de defesa.
Felizmente, a grande maioria dos policiais é composta de pessoas de bem. Que não agem de forma autoritária ou selvagem apenas para mostrarem seu poder ou importância.
Felizmente esse comportamento é de uma minoria, uma exceção que compõem os bandidos que existem na corporação, como existem em qualquer área de negócios da vida social.
Desnecessário é dizer que o policial, estando a serviço da sociedade, não pode e não merece ser vítima de qualquer tipo de violência, ainda mais de ataques de criminosos, alguns que terminam em morte.
A esses criminosos que matam os agentes responsáveis por nossa proteção, as penas deveriam ser muito mais pesadas. Sem qualquer regalia ou afroxamentos.
***
Mas, daí a antecipadamente se colocar a favor do policial, em qualquer circunstância, apenas por ele ser quem nos defende é, em minha opinião, dar a qualquer pessoa que usa farda, um cheque em branco; o direito de atirar primeiro e conversar depois. Uma autoridade que me assusta, como assustava ao grande mineiro Miltom Campos.
Diz a lenda que para o ex-governador de Minas, essa era a pior característica da ditadura militar: o poder que o guarda da esquina acreditava passar a deter.
É isso. Bons soldados, policiais, merecem como qualquer cidadão o nosso apoio. E em relação aos suspeitos, o tratamento que todo ser humano merece, mesmo que sua culpa seja reconhecida. Até por que o tratamento adequado à suspeição pode também valer para o mau policial arbitrário e autoritário.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Pitacos de perplexidades
Feriado prolongado. Chuvas. Fim de ano. E, de minha parte, uma completa e total perplexidade.
Não sem razão. Senão vejamos.
Às vezes, esperando o jornal da noite da Band, assisto algum trecho do programa Brasil Urgente, do Datena.
Claro que sei que era melhor esperar o início da edição do nosso estado com o aparelho desligado, ou rodando o controle por canais da teve fechada. Mas, fico no Datena mesmo.
Onde, invariavelmente, vejo o apresentador apresentando os crimes mais bárbaros, mais estúpidos, os quais atribui à nossa impunidade, à nossa legislação extremamente benevolente.
***
Claro, nenhum de nós irá negar que nossa legislação, mais que benevolente, não funciona graças a uma série de problemas e falhas do sistema judiciário, mais que da ausência da lei. A lei existe, todos sabemos. Se há algo que não falta no Brasil são leis. Algumas não apenas existem, como em vários casos podem ser consideradas até rigorosas, e aí reside, em minha opinião, um problema: ela seria adequada, precisando talvez alguns pequenos ajustes, caso fosse aplicada.
E a morosidade da justiça, nosso sistema prisional, completamente deteriorado. Nossa polícia muitas vezes mal preparada e equipada, a falta de recursos, tudo acaba contribuindo para que a sensação de impunidade se imponha.
***
Mas, meu espanto maior não decorre das queixas de Datena, atrás de IBOPE fácil, a partir da exploração e da sede de vingança de seu público de caráter conservador e menor condição cultural, capaz de justificar um comportamento mais voltado à aplicação da lei de Talião.
Porque, em minha opinião, o que acontece no país é, muitas vezes, uma punição excessiva.
Justifico: vejamos o caso recente dos 5 rapazes de São Paulo, cujos corpos foram encontrados em cova rasa, depois de atraídos para uma festa (melhor seria dizer, uma orgia?), por um integrante de Polícia Municipal. Justamente essa Polícia que Dória prometia armar mais, lá em São Paulo, mesma promessa de nosso prefeito Kalil.
Pois bem. No caso, que chocou parte da população do estado e do país, o que houve não pode de forma alguma ser considerado impunidade. Ao contrário, o que houve foi um julgamento sumário. Sem protelações e recursos de defesa para ganhar tempo. Sem até mesmo defesa.
Isso porque um dos cinco executados, o mais velho, apenas dirigia seu carro, contratado que foi para levar os demais jovens para uma suposta festa. As notícias não deixam claro se ele conhecia, tinha amizade com os demais rapazes. Apenas prestava um serviço, na hora errada, para o grupo de pessoas errado.
Um outro dos jovens era cadeirante. Com problemas de mobilidade, o que indica que não deve ter tido nem mesmo a chance que, em geral, filmes de terror costumam apresentar para as vítimas. A de poder correr o quanto aguentar, antes de, como caça, ser abatido.
***
E tudo isso, por que? Porque dois jovens do grupo eram considerados suspeitos de participação em assalto que terminou com a morte de um colega da corporação municipal.
Simples assim. Apenas a possibilidade, ou suspeita. E, sem provas, sem defesa, sem nada, os jovens foram punidos.
***
Em outra notícia de jornais ou portais da internet, lê-se que, no Rio, uma senhora, filha de policial militar não deseja mais ver, nem de longe, a farda que aprendeu a respeitar em função de seu pai.
Pela simples razão que seu filho foi assassinado, sem razão aparente, por policiais militares.
Em mais uma ação que não deu qualquer chance a que houvesse defesa, protelações, nada. Apenas o cumprimento sumário da pena ... de MORTE.
Pena que, ainda, não existe no nosso país (e seria o caso de colocar caracteres representativos de risadas, não fosse o assunto lamentável e vergonhoso!).
***
Nem bem os corpos dos jovens em São Paulo foram reconhecidos e liberados para o enterro, chega-nos ao conhecimento a prisão de um militar em Goias, ocupante de algum ato cargo de comando na corporação da capital.
Esse, já inocentado e absolvido por acusações de homicídio em ano anterior, foi preso por ter participado ou liderado um grupo de extermínio de mais de 100 bandidos naquele estado.
Pelas notícias, veementemente contestadas por autoridades públicas do Estado, tudo em função de um grupo de comerciantes que, cansados de serem assaltados, contratavam pessoas para fazerem justiça com as próprias mãos.
Nas notícias não consta que os bandidos fossem identificados, perseguidos, capturados e conduzidos a julgamento pelos policiais. Apenas que eram eliminados em uma espécie de operação de limpeza.
E mais de cem, parece, encontraram e agora estão cumprindo suas penas. De forma inapelável.
***
Então minha perplexidade refere-se a onde anda a impunidade tão falada por Datena?
Claro. Sempre vem a nossa lembrança o caso do jornalista diretor do Estadão, que asssassinou sua ex-namorada a sangue frio, e confessou o crime. E que, por sua influência, poder, dinheiro e advogados competentes, etc. levou anos para ir parar na cadeia.
Sempre nos lembramos do caso de pessoas de maior nível cultural, social, econômico, seja lá como sejam classificados, que conseguem contratar batalhões de advogados para que seus julgamentos sejam sempre estendidos ao máximo. Alguns casos, até, que não são passíveis de qualquer ação da justiça, tão somente porque passado muito tempo, o crime torna-se prescrito.
***
Entre esses casos, claro, os que envolvem outros tipos de crimes, alguns dos quais com muito maior potencial de provocação de males, como os crimes cometidos por políticos que, por terem foro privilegiado, conseguem que a prescrição de seus casos aconteça por força de pequenos descuidos, ou até esquecimentos, por parte dos nossos eminentes integrantes do Supremo Federal.
Em reportagem que deve ter interesses inconfessáveis por trás, já que cada vez mais a força da imprensa como quarto poder constituído se faz presente, a Folha trás informações a cerca da quantidade de políticos cujos crimes acabaram perdendo o prazo de validade.
Situações que, ao que parece, beneficiam pessoas da espécie de um Jucá, um Maluf, e vários outros.
Pessoas que, embora não tivessem manipulado qualquer arma de fogo, em uma canetada conseguiram fazer mais mal, e talvez causar mais mortes que os supostos assassinos que a Polícia Municipal de São Paulo tratou de punir exemplarmente.
***
Penso em situações como a dos prefeitos da região serrana do Rio, acusados de desvio de dinheiro que foi enviado aos seus municípios para que pudessem minimamente resolver as situações das áreas de encosta e de risco das populações daqueles municípios, afetadas pela força da natureza e das chuvas de 2011.
Prefeitos que, ao contrário de usarem os recursos para retirar as famílias dos locais de risco, ou de tentarem reconstruir as casas derrubadas, com maior proteção à vida, usaram o dinheiro em proveito próprio.
O que os torna cúmplices de mais dois crimes ao menos: as mortes desse último fim de semana, ainda causada pelo desabamento de encostas e muros, nas mesmas cidades.
***
Ora, ficar reclamando das leis em nosso país e ficar fazendo apologia de maior rigor nas punições, inclusive apoiando movimentos que possam culminar com maior liberdade para o uso de armamentos, ou com a implantação da pena de morte, eu considero uma desfaçatez.
Porque a pena de morte já existe na prática, para o bandido pobre, jovem, negro, favelado. Enquanto a justiça não consegue funcionar para os ricos, brancos, poderosos, de olhos claros, ou mesmo para os nem tão ricos assim, mas que detenham algum poder pessoal. O que explica a diferença de tratamento entre um Fernandinho Beira Mar e de um Amarildo, ou de um grupo de jovens da periferia paulistana.
***
E isso para não falar das várias acusações e suspeições que se levantam contra políticos de maior plumagem, de maior visibilidade, de maior relacionamento com a mídia, que lhes permite escapar ilesos de qualquer investigação ou mesmo referência nas páginas de jornais.
Entre esses, para não perder a oportunidade e contribuir para o seu ostracismo, as acusações de desvio de dinheiro em obras públicas, de falcatruas em processos de licitação fraudadas, ou mesmo de uso de recursos de origem duvidosa em campanhas eleitorais e para o enriquecimento pessoal, nunca investigados sequer, em que surgem os nomes dos senhores Alckmim, Aécio, Serra, Caiado, Temer (o anão), Jucá, Fernando Pimentel, Caiado, Gleisi, Lindbergh, Garotinho, Sérgio Cabral, e tantos outros.
Senhores a quem, injustamente, nem mesmo é dada a oportunidade de mostrarem as provas, não os indícios apenas, de que de fato são aquilo que sempre fizeram crer: cidadãos honrados.
***
Bem Garotinho, Sérgio Cabral têm agora a oportunidade, para seu benefício.
E, antes que me acusem de não falar de Lula, apenas deixo-o de fora, em razão de estar sob a mira e a investigação de todas as instâncias de nosso país, MP federal e estadual, Polícia Federal, etc.já há algum tempo, chegando mesmo a monopolizar a atenção das autoridades policiais em nosso país, o que talvez explique o porquê de não haver pessoal suficiente para investigar os demais citados.
***
O projeto contra impunidade
No pitaco acima, disse em certo momento, não entender a razão da Folha estar fazendo reportagens mostrando a morosidade dos julgamentos no STF.
Na verdade, a razão é suficientemente clara. A Folha está de corpo inteiro na campanha e na defesa do projeto que visa dar fim ao foro privilegiado.
Uma aberração de nosso sistema político e penal.
Afinal, que o político possa ter algumas regalias enquanto no exercício de seu mandato legal, é uma coisa. Prevalecer-se de sua condição de representante popular, para poder escapar de outras situações que, muitas vezes não têm nenhuma relação com o comportamento de representante do povo, é diferente.
***
Acho um absurdo que crimes comuns sejam tratados de forma diferenciada por que seu autor tenha algum tipo de imunidade ou preferência.
Acho um absurdo que crimes cometidos antes do cumprimento do mandato não possam ser levados avante nas investigações, apenas por que seu responsável adquiriu um status novo.
Acho absurdo que no exercício alegado de seus deveres, a lei possa ser desrespeitada por quem quer que seja. Exceto, como já disse, da tribuna, o que vale mais para o caso de crimes cometidos em discursos. Claro que não me refiro a crimes como o de algum político, da tribuna, descarregar sua arma, em algum desafeto. Caso que já aconteceu, certa feita, no Congresso...
***
E é exatamente por esse motivo, que também me invade a perplexidade quando o relator de um projeto destinado a tentar coibir a corrupção, deixa de fora, por pressão dos interessados, magistrados, procuradores, e agentes policiais.
Como se essa casta não pudesse cometer crimes de responsabilidade. Melhor dizendo, de irresponsabilidade.
Entendo as razões de Deltan, o semideus, ou de Moro, para querer escapar das garras da lei, eles que, por serem e se considerarem o que se acham, propõem que passemos a viver em um país onde as liberdades democráticas, e o respeito aos princípios consagrados na nossa Carta maior não possam vigorar integralmente. Tais direitos que a Constituição reconhece a qualquer cidadão, na opinião deles, deve passar pelo crivo deles mesmos, o que os torna maior que a lei.
Entre os absurdos do tal projeto anticorrupção, que nos querem engolir a todo custo, garganta abaixo e a seco, estão, como já comentado aqui: as restrições ditatoriais ao uso do habeas corpus; a possibilidade da pegadinha ou teste de fidelidade do funcionário público ao seu dever ético e moral; a possibilidade de que a obtenção de provas possa ser feita pelas formas mais ilegais, bastando que as provas que a investigação não conseguiu identificar sejam comprovadas, e que se alegue depois que foram obtidas de boa fé.
Isso, se não fosse de nosso conhecimento a quantidade de provas plantadas que são noticiadas nos nossos jornais.
***
Mas, não há qualquer problema maior, ou ao menos a imprensa se cala, quando os paladinos de nossa moralidade se reunem e achacam ou constrangem o relator do projeto para que fiquem de fora de qualquer ação destinada a caracterizar crimes de responsabilidade, o que involve autoridades e comportamentos autoritários.
***
Programa de Entrevistas
Não entendi muito bem porque não perdi meu tempo assistindo, ao programa de entrevistas com temer, o anão golpista, no outrora respeitado Roda Viva.
Pelo que soube, jornalistas como Noblat se apaixonaram com a personalidade de nosso Boris Karloff. Mais, em momento em que um cheque de 1 milhão de reais, nominal a um tal de Michel Temer surge, a pergunta que não quer calar é como um homem tão maravilhoso conhece, conquista uma prenda, recatada e do lar, como Marcela.
Realmente, assuntos muito importantes para que nosso usurpador se confundisse (ou foi ato falho?) e chamasse o programa de propaganda. (se é que isso ocorreu mesmo!)
***
Melhor ver o filme que obteve o Oscar de melhor roteiro adaptado, a Grande Aposta, aproveitando o fim de semana e feriado de chuva incessante.
Filme que todo mundo que gosta dos mercados e de seu funcionamento ou das opiniões desinteressadas de seus analistas deveria assistir. Ao menos uma vez por mês.
***
E Trump
Continua dando margem a análises de toda espécie a eleição de Trump e sua capacidade ou não de cumprir as promessas de campanha.
Trump, como sabemos, afirma que vai sim cumprir o que se propôs a fazer.
Mas como bom republicano, que deseja resgatar a força do império e sua indústria, deve adotar uma política muito parecida com a reaganomics, ou seja: corte de impostos para os mais ricos, esperando que eles aproveitem a renda assim disponibilizada para passarem a investir e produzir nos Estados Unidos, o que é mais barato e produzido com maior facilidade em outros países do mundo.
Ou seja: no final, apenas irá deteriorar ainda mais a situação de distribuição de renda no país.
Como fez a administração Reagan. E Bush. Pai e filho.
Não sem razão. Senão vejamos.
Às vezes, esperando o jornal da noite da Band, assisto algum trecho do programa Brasil Urgente, do Datena.
Claro que sei que era melhor esperar o início da edição do nosso estado com o aparelho desligado, ou rodando o controle por canais da teve fechada. Mas, fico no Datena mesmo.
Onde, invariavelmente, vejo o apresentador apresentando os crimes mais bárbaros, mais estúpidos, os quais atribui à nossa impunidade, à nossa legislação extremamente benevolente.
***
Claro, nenhum de nós irá negar que nossa legislação, mais que benevolente, não funciona graças a uma série de problemas e falhas do sistema judiciário, mais que da ausência da lei. A lei existe, todos sabemos. Se há algo que não falta no Brasil são leis. Algumas não apenas existem, como em vários casos podem ser consideradas até rigorosas, e aí reside, em minha opinião, um problema: ela seria adequada, precisando talvez alguns pequenos ajustes, caso fosse aplicada.
E a morosidade da justiça, nosso sistema prisional, completamente deteriorado. Nossa polícia muitas vezes mal preparada e equipada, a falta de recursos, tudo acaba contribuindo para que a sensação de impunidade se imponha.
***
Mas, meu espanto maior não decorre das queixas de Datena, atrás de IBOPE fácil, a partir da exploração e da sede de vingança de seu público de caráter conservador e menor condição cultural, capaz de justificar um comportamento mais voltado à aplicação da lei de Talião.
Porque, em minha opinião, o que acontece no país é, muitas vezes, uma punição excessiva.
Justifico: vejamos o caso recente dos 5 rapazes de São Paulo, cujos corpos foram encontrados em cova rasa, depois de atraídos para uma festa (melhor seria dizer, uma orgia?), por um integrante de Polícia Municipal. Justamente essa Polícia que Dória prometia armar mais, lá em São Paulo, mesma promessa de nosso prefeito Kalil.
Pois bem. No caso, que chocou parte da população do estado e do país, o que houve não pode de forma alguma ser considerado impunidade. Ao contrário, o que houve foi um julgamento sumário. Sem protelações e recursos de defesa para ganhar tempo. Sem até mesmo defesa.
Isso porque um dos cinco executados, o mais velho, apenas dirigia seu carro, contratado que foi para levar os demais jovens para uma suposta festa. As notícias não deixam claro se ele conhecia, tinha amizade com os demais rapazes. Apenas prestava um serviço, na hora errada, para o grupo de pessoas errado.
Um outro dos jovens era cadeirante. Com problemas de mobilidade, o que indica que não deve ter tido nem mesmo a chance que, em geral, filmes de terror costumam apresentar para as vítimas. A de poder correr o quanto aguentar, antes de, como caça, ser abatido.
***
E tudo isso, por que? Porque dois jovens do grupo eram considerados suspeitos de participação em assalto que terminou com a morte de um colega da corporação municipal.
Simples assim. Apenas a possibilidade, ou suspeita. E, sem provas, sem defesa, sem nada, os jovens foram punidos.
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Em outra notícia de jornais ou portais da internet, lê-se que, no Rio, uma senhora, filha de policial militar não deseja mais ver, nem de longe, a farda que aprendeu a respeitar em função de seu pai.
Pela simples razão que seu filho foi assassinado, sem razão aparente, por policiais militares.
Em mais uma ação que não deu qualquer chance a que houvesse defesa, protelações, nada. Apenas o cumprimento sumário da pena ... de MORTE.
Pena que, ainda, não existe no nosso país (e seria o caso de colocar caracteres representativos de risadas, não fosse o assunto lamentável e vergonhoso!).
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Nem bem os corpos dos jovens em São Paulo foram reconhecidos e liberados para o enterro, chega-nos ao conhecimento a prisão de um militar em Goias, ocupante de algum ato cargo de comando na corporação da capital.
Esse, já inocentado e absolvido por acusações de homicídio em ano anterior, foi preso por ter participado ou liderado um grupo de extermínio de mais de 100 bandidos naquele estado.
Pelas notícias, veementemente contestadas por autoridades públicas do Estado, tudo em função de um grupo de comerciantes que, cansados de serem assaltados, contratavam pessoas para fazerem justiça com as próprias mãos.
Nas notícias não consta que os bandidos fossem identificados, perseguidos, capturados e conduzidos a julgamento pelos policiais. Apenas que eram eliminados em uma espécie de operação de limpeza.
E mais de cem, parece, encontraram e agora estão cumprindo suas penas. De forma inapelável.
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Então minha perplexidade refere-se a onde anda a impunidade tão falada por Datena?
Claro. Sempre vem a nossa lembrança o caso do jornalista diretor do Estadão, que asssassinou sua ex-namorada a sangue frio, e confessou o crime. E que, por sua influência, poder, dinheiro e advogados competentes, etc. levou anos para ir parar na cadeia.
Sempre nos lembramos do caso de pessoas de maior nível cultural, social, econômico, seja lá como sejam classificados, que conseguem contratar batalhões de advogados para que seus julgamentos sejam sempre estendidos ao máximo. Alguns casos, até, que não são passíveis de qualquer ação da justiça, tão somente porque passado muito tempo, o crime torna-se prescrito.
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Entre esses casos, claro, os que envolvem outros tipos de crimes, alguns dos quais com muito maior potencial de provocação de males, como os crimes cometidos por políticos que, por terem foro privilegiado, conseguem que a prescrição de seus casos aconteça por força de pequenos descuidos, ou até esquecimentos, por parte dos nossos eminentes integrantes do Supremo Federal.
Em reportagem que deve ter interesses inconfessáveis por trás, já que cada vez mais a força da imprensa como quarto poder constituído se faz presente, a Folha trás informações a cerca da quantidade de políticos cujos crimes acabaram perdendo o prazo de validade.
Situações que, ao que parece, beneficiam pessoas da espécie de um Jucá, um Maluf, e vários outros.
Pessoas que, embora não tivessem manipulado qualquer arma de fogo, em uma canetada conseguiram fazer mais mal, e talvez causar mais mortes que os supostos assassinos que a Polícia Municipal de São Paulo tratou de punir exemplarmente.
***
Penso em situações como a dos prefeitos da região serrana do Rio, acusados de desvio de dinheiro que foi enviado aos seus municípios para que pudessem minimamente resolver as situações das áreas de encosta e de risco das populações daqueles municípios, afetadas pela força da natureza e das chuvas de 2011.
Prefeitos que, ao contrário de usarem os recursos para retirar as famílias dos locais de risco, ou de tentarem reconstruir as casas derrubadas, com maior proteção à vida, usaram o dinheiro em proveito próprio.
O que os torna cúmplices de mais dois crimes ao menos: as mortes desse último fim de semana, ainda causada pelo desabamento de encostas e muros, nas mesmas cidades.
***
Ora, ficar reclamando das leis em nosso país e ficar fazendo apologia de maior rigor nas punições, inclusive apoiando movimentos que possam culminar com maior liberdade para o uso de armamentos, ou com a implantação da pena de morte, eu considero uma desfaçatez.
Porque a pena de morte já existe na prática, para o bandido pobre, jovem, negro, favelado. Enquanto a justiça não consegue funcionar para os ricos, brancos, poderosos, de olhos claros, ou mesmo para os nem tão ricos assim, mas que detenham algum poder pessoal. O que explica a diferença de tratamento entre um Fernandinho Beira Mar e de um Amarildo, ou de um grupo de jovens da periferia paulistana.
***
E isso para não falar das várias acusações e suspeições que se levantam contra políticos de maior plumagem, de maior visibilidade, de maior relacionamento com a mídia, que lhes permite escapar ilesos de qualquer investigação ou mesmo referência nas páginas de jornais.
Entre esses, para não perder a oportunidade e contribuir para o seu ostracismo, as acusações de desvio de dinheiro em obras públicas, de falcatruas em processos de licitação fraudadas, ou mesmo de uso de recursos de origem duvidosa em campanhas eleitorais e para o enriquecimento pessoal, nunca investigados sequer, em que surgem os nomes dos senhores Alckmim, Aécio, Serra, Caiado, Temer (o anão), Jucá, Fernando Pimentel, Caiado, Gleisi, Lindbergh, Garotinho, Sérgio Cabral, e tantos outros.
Senhores a quem, injustamente, nem mesmo é dada a oportunidade de mostrarem as provas, não os indícios apenas, de que de fato são aquilo que sempre fizeram crer: cidadãos honrados.
***
Bem Garotinho, Sérgio Cabral têm agora a oportunidade, para seu benefício.
E, antes que me acusem de não falar de Lula, apenas deixo-o de fora, em razão de estar sob a mira e a investigação de todas as instâncias de nosso país, MP federal e estadual, Polícia Federal, etc.já há algum tempo, chegando mesmo a monopolizar a atenção das autoridades policiais em nosso país, o que talvez explique o porquê de não haver pessoal suficiente para investigar os demais citados.
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O projeto contra impunidade
No pitaco acima, disse em certo momento, não entender a razão da Folha estar fazendo reportagens mostrando a morosidade dos julgamentos no STF.
Na verdade, a razão é suficientemente clara. A Folha está de corpo inteiro na campanha e na defesa do projeto que visa dar fim ao foro privilegiado.
Uma aberração de nosso sistema político e penal.
Afinal, que o político possa ter algumas regalias enquanto no exercício de seu mandato legal, é uma coisa. Prevalecer-se de sua condição de representante popular, para poder escapar de outras situações que, muitas vezes não têm nenhuma relação com o comportamento de representante do povo, é diferente.
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Acho um absurdo que crimes comuns sejam tratados de forma diferenciada por que seu autor tenha algum tipo de imunidade ou preferência.
Acho um absurdo que crimes cometidos antes do cumprimento do mandato não possam ser levados avante nas investigações, apenas por que seu responsável adquiriu um status novo.
Acho absurdo que no exercício alegado de seus deveres, a lei possa ser desrespeitada por quem quer que seja. Exceto, como já disse, da tribuna, o que vale mais para o caso de crimes cometidos em discursos. Claro que não me refiro a crimes como o de algum político, da tribuna, descarregar sua arma, em algum desafeto. Caso que já aconteceu, certa feita, no Congresso...
***
E é exatamente por esse motivo, que também me invade a perplexidade quando o relator de um projeto destinado a tentar coibir a corrupção, deixa de fora, por pressão dos interessados, magistrados, procuradores, e agentes policiais.
Como se essa casta não pudesse cometer crimes de responsabilidade. Melhor dizendo, de irresponsabilidade.
Entendo as razões de Deltan, o semideus, ou de Moro, para querer escapar das garras da lei, eles que, por serem e se considerarem o que se acham, propõem que passemos a viver em um país onde as liberdades democráticas, e o respeito aos princípios consagrados na nossa Carta maior não possam vigorar integralmente. Tais direitos que a Constituição reconhece a qualquer cidadão, na opinião deles, deve passar pelo crivo deles mesmos, o que os torna maior que a lei.
Entre os absurdos do tal projeto anticorrupção, que nos querem engolir a todo custo, garganta abaixo e a seco, estão, como já comentado aqui: as restrições ditatoriais ao uso do habeas corpus; a possibilidade da pegadinha ou teste de fidelidade do funcionário público ao seu dever ético e moral; a possibilidade de que a obtenção de provas possa ser feita pelas formas mais ilegais, bastando que as provas que a investigação não conseguiu identificar sejam comprovadas, e que se alegue depois que foram obtidas de boa fé.
Isso, se não fosse de nosso conhecimento a quantidade de provas plantadas que são noticiadas nos nossos jornais.
***
Mas, não há qualquer problema maior, ou ao menos a imprensa se cala, quando os paladinos de nossa moralidade se reunem e achacam ou constrangem o relator do projeto para que fiquem de fora de qualquer ação destinada a caracterizar crimes de responsabilidade, o que involve autoridades e comportamentos autoritários.
***
Programa de Entrevistas
Não entendi muito bem porque não perdi meu tempo assistindo, ao programa de entrevistas com temer, o anão golpista, no outrora respeitado Roda Viva.
Pelo que soube, jornalistas como Noblat se apaixonaram com a personalidade de nosso Boris Karloff. Mais, em momento em que um cheque de 1 milhão de reais, nominal a um tal de Michel Temer surge, a pergunta que não quer calar é como um homem tão maravilhoso conhece, conquista uma prenda, recatada e do lar, como Marcela.
Realmente, assuntos muito importantes para que nosso usurpador se confundisse (ou foi ato falho?) e chamasse o programa de propaganda. (se é que isso ocorreu mesmo!)
***
Melhor ver o filme que obteve o Oscar de melhor roteiro adaptado, a Grande Aposta, aproveitando o fim de semana e feriado de chuva incessante.
Filme que todo mundo que gosta dos mercados e de seu funcionamento ou das opiniões desinteressadas de seus analistas deveria assistir. Ao menos uma vez por mês.
***
E Trump
Continua dando margem a análises de toda espécie a eleição de Trump e sua capacidade ou não de cumprir as promessas de campanha.
Trump, como sabemos, afirma que vai sim cumprir o que se propôs a fazer.
Mas como bom republicano, que deseja resgatar a força do império e sua indústria, deve adotar uma política muito parecida com a reaganomics, ou seja: corte de impostos para os mais ricos, esperando que eles aproveitem a renda assim disponibilizada para passarem a investir e produzir nos Estados Unidos, o que é mais barato e produzido com maior facilidade em outros países do mundo.
Ou seja: no final, apenas irá deteriorar ainda mais a situação de distribuição de renda no país.
Como fez a administração Reagan. E Bush. Pai e filho.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
A eleição de Trump e as razões que a justificam
Claro. O assunto do dia é a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos. Com o resultado sendo anunciado, como insinuam maliciosamente a internet, as redes sociais e vários analistas, em um dia 9/11, justamente o inverso da data fatídica dos atentados ao World Trade Center, o 11/9.
Mas além de dizer que é um empresário que nem de longe pode ser considerado um outsider, no senndo estrito do termo, já que não é a primeira vez que participou da corrida à Casa Branca, tendo sido candidato a candidato pelo Partido Republicano anos atrás, o que temos é a figura de um falastrão. Um candidato sem papas na língua que, por isso mesmo e em vários instantes, perdeu excelente oportunidade de ficar de boca fechada.
Ou não.
***
Afinal, o discurso agora vitorioso de Trump, foi todo construído e calcado em uma completa aversão ao discurso político tradicional, voltado e mais preocupado em atingir o homem da rua, em geral com perfil menos esclarecido, mais ignorante, e que por esse mesmo baixo nível de conhecimento acaba analisando a sua situação individual, suas dificuldades e problemas, a partir de um ponto de vista, de um ângulo, completamente individual.
Melhor dizendo, o discurso atinge o homem comum, do povo, que perdeu seu emprego e que, por falta de conhecimento, não é capaz de vincular esse problema que é geral, às verdadeiras razões a ele subjacentes.
E quais são as razões da sua situação de dificuldade e inutilidade?
Parte da explicação pode ser buscada ainda na década de 90, quando da proposta e da difusão apoiada por todo o pensamento conservador do ideário e dos princípios que ficaram conhecidos como o Consenso de Washington.
Consenso que tinha como princípios a liberalização das finanças, principalmente no nível internacional, a desregulamentação dos mercados, dentro do espírito da retomada das boas e velhas práticas, a longo tempo conhecidas, do mercado livre.
***
Pois bem, esse ideário, cujos principais apoiadores estavam encastelados no governo de Thatcher na Inglaterra e Ronald Reagan, nos Estados Unidos, representava mais que o processo de globalização pelo qual ficou popularmente conhecido, mais que o processo de integração comercial em escala planetária, um processo de expansão e quase hegemonia das relações financeiras globais, consagrando definitivamente a vitória do capital financeiro, de caráter especulativo e artificial, sobre o capital produtivo, industrial, gerador de produção, emprego, renda e comércio real.
Embora extremamente rentável, o capital financeiro em troca apenas podia e pode oferecer a valorização da riqueza fictícia, atrelada a uma montanha de papéis frutos de cada vez mais engenhosos esquemas de inovações que permitiam operações de engenharia financeira em escalas cada vez maiores.
***
Ora, globalização no sentido de integração do mundo já havia, e em várias áreas como a das comunicações, desde décadas anteriores, quando Mcluhan afirmou que os meios de comunicação tinham transformado o mundo em uma aldeia global.
Expansão comercial e, nesse sentido de aumento dos fluxos de comércio o mundo já havia experimentado ainda de forma mais vertiginosa em períodos como aquele que marcou a era da pax britanica no início do século XX.
Mas, não era esse o sentido da globalização da década de 1990, ao menos é o que se constata ao se analisar as estatísticas que mostram as taxas de crescimento das operações comerciais, comparadas com o acréscimo das operações, por exemplo, com derivativos.
***
O predomínio do capital financeiro e das grandes operações financeiras, aproveitando-se do desenvolvimento e da expansão das atividades vinculadas à aplicação da tecnologia da informática aos meios de comunicação, que lhes proporcionou oportunidades exponenciais de expansão, representou tanto um maior crescimento das atividades situadas no setor de serviços quanto, do ponto de vista do emprego, uma redução substancial do emprego, ao menos com as características dos postos de trabalho até a década de 70.
Ou seja, é inegável que a telemática aproximou o mundo mas afastou o trabalho tradicional dos postos de trabalho na indústria.
E na nova área dinâmica da economia, a necessidade de educação e conhecimento tornou-se fundamental, ao passo que a cada vez maior presença de atividades de conteúdo tecnológico era poupadora de trabalho.
E, justamente por força da visão liberal de não intervencionismo e de estado cada vez mais mínimo, não foi dada a atenção necessária à preparação para o trabalho do homem branco, de classe média mais baixa, e caracterizado como de pouca instrução. Não apto às exigências do atual mercado de trabalho.
Justamente o eleitor de Trump, conforme mostravam as pesquisas qualitativas de opinião anteriores à eleição.
***
E foi também o crescimento das relações financeiras liberalizadas e desreguladas que acabou engendrando uma série de crises econômicas, entre as quais para citar apenas alguns poucos exemplos, a crise das empresas ponto com, e posteriormente a crise muito mais séria e de muito maior proporção tanto em extensão quanto em intensidade, a crise do subprime, de 2007/2008.. Crise que ainda não chegou ao seu final até os dias de hoje.
Crise que roubou o trabalho de tipo mais tradicional dos operários da construção civil, por exemplo, grande empregadora de mão de obra.
***
É bom destacar que, nesse momento, são percebidos cada vez em maior escala o resultado das políticas adotadas pelo governo Reagan e outros que o sucederam, de redução das políticas de seguridade destinadas a criarem uma rede social de proteção ao indíviduos. Políticas adotadas com base na ideia fundamental da redução do tamanho e do peso do Estado Leviatã, o que implicarava na redução da carga tributária extraída da sociedade civil (leia-se os mais ricos); e na busca do equilíbrio fiscal (e corte de gastos sociais). Tudo em nome da sacrossanta liberdade do mercado.
***
Sentindo-se desvalidos, abandonados, não é de se admirar que cada indivíduo, cuja capacidade de análise não o leva a entender as causas mais profundas de sua inadequação, passasse a aceitar o discurso fácil de que seu trabalho foi perdido por culpa da globalização comercial, da elevada importação de produtos chineses e/ou asiáticos de outras origens; ou que a culpa de seu desemprego ou dos baixos níveis de salário a que estava submetido era dos imigrantes de toda origem.
Ou seja, começa a olhar o mundo de uma perspectiva mais tosca até, individualista, mais míope. E passa a acreditar na venda de sonhos e miragens de que, com algum candidato com um discurso semelhante ao de Trump, esteja mais apto a resolver sua situação individual.
Sem se preocupar com a situação de outros que, como ele, também vivenciam os mesmos problemas, já que suas agruras são de caráter mais abrangente.
***
Não é difícil perceber que esse tipo de evolução da sociedade americana já vinha apresentando sinais de um esgarçamento das relações sociais cada vez mais profundo, de uma divisão cada vez maior, de uma volta ao individualismo mais exacerbado, muito bem capturado pelo discurso avesso ao discurso do político tradicional de Trump.
E, se minha análise está minimamente correta, não deve ser outro o motivo que uma mulher ( que já levanta uma questão importante da discussão de gênero!), de formação liberal, mas ligada a um discurso mais tradicional, mais voltado à tentativa de recomposição e ampliação dos suportes do Estado mais intervencionista do Bem Estar Social (e cinicamente, mais INÓCUO, já que sempre derrotado nas suas propostas por uma Casa Legislativa dominada pela oposição) como Hillary Clinton, tenha sido identificada como a representante do "establishment".
***
Em minha opinião, e pelo perfil da candidata traçado por toda a mídia, não representante do establishment ou do "status quo" financeiro ou empresarial, capitalista (embora possa ter sim, alguma representatividade nesse sentido), mas da situação política e do discurso tradicional.
***
Trump ganhou por ser o responsável pelo discurso que a população em desencanto e já com uma visão individualista dominante, queria ouvir. O que mostra sua maior habilidade nesse sentido.
E ganhou como um outsider, por fazer o discurso mais discriminatório, mais preconceituoso, mais cheio de todo o rancor que o desencanto gerou em seu mal preparado e mal formado eleitor.
E brandindo a fama de gestor, embora fracassado várias vezes em seus empreendimentos. O que apenas auxiliaria sua imagem de alguém que, fracassado como seu eleitor, não desiste nunca.
E persevera.
***
Estou esticando mais na análise, apenas por querer tirar do fenômeno Trump, alguma lição. E até mais, uma analogia com os candidato Kalil, eleito prefeito em Belo Horizonte, e em muitas de suas características e até de sua campanha, muito semelhantes ao que foi a candidatura Trump.
Como o novo presidente americano, Kalil veio do mundo empresarial, amargando alguns fracassos. Como Trump, também Kalil já tinha feito incursões na política, e fracassado.
Como Kalil, o discurso de Trump foi avesso aos políticos tradicionais e suas preocupações retóricas.
Ambos foram avessos a apoios e promessas mirabolantes, baseado no velho e surrado discurso de governar para melhoria das condições de vida da população como um todo.
E Trump, não apenas ameaçou proferiu ameaças, como a da expulsão dos imigrantes, como chegou a falar da construção do muro, na fronteira com o México.
O que fez que seu próprio partido, ou seus principais representantes lhes tirassem qualquer apoio.
Que ele dispensou de forma displicente.
***
Depois de ouvir seu discurso de comemoração da vitória, em um tom de apaziguamento, e de elogios a sua adversária, no feitio mais tradicional possível, chego a ficar em dúvida se ele vai mesmo cumprir suas promessas e ameaças, ou se não irá tornar-se uma personagem de estelionato, como foi Dilma aqui em 2015.
Daí não dá para afirmar ou inferir o que poderá advir de sua eleição para o mundo, para os próprios Estados Unidos e para o Brasil, em particular.
***
Alguns meros detalhes que não podem passar despercebidos.
Não é de hoje que o americano médio, em especial, aquele de menor formação, já adota uma posição naturalmente mais de fechamento ao resto do mundo.
Já desde Theodore Roosevelt, e as discussões de participação ou não dos Estados Unidos em conflagrações mundiais, como a Primeira Guerra, é conhecida a divisão do país americano entre os que não apoiavam a tal participação por não se sentirem na obrigação de participarem de problemas de que não eram parte integrante. Parte da população, especialmente do Meio Oeste, parece-me não achar que havia a obrigação nem moral de seu país lutar em defesa de seus aliados.
Logo, o isolacionismo não é algo avesso à formação e ao padrão cultural do cidadão americano comum.
***
Outra questão: ao contrário de Obama, Trump vai ter a maioria para aprovar o que bem entender, nas duas Casas Legislativas.
Se vai conseguir pressionar aqueles que não o desejavam ou não o apoiavam, mesmo sendo integrantes de um mesmo partido é outra questão.
Como outra questão em aberto é até que ponto as loucuras de um Executivo podem ser impedidas por um Legislativo atuante.
***
Outros pitacos vários:
Deveria hoje, aproveitando a última postagem sobre Ana Júlia, fazer menção a um comentário que me foi enviado por um colega e amigo, embora de posição, diria, radicalmente contrária à minha, Tarcísio, do Banco Central.
Dada sua dificuldade de postar o comentário no blog, enviou-me um email, com sua visão do assunto, que prometo publicar e talvez até comentar em uma próxima postagem.
***
Para dizer que, como eu já temia e tinha comentado aqui, a passagem de Marcelo Oliveira como técnico do Galo, dessa feita trouxe uma frustração muito grande,
Com o material que tinha em mãos, é muito pouco ter a chance, ainda apenas em tese, de ser campeão da Copa do Brasil.
Ou seja, como é um jogo de mata-mata, pode terminar sem o título desse torneio, depois de não ter conseguido montar um time capaz de disputar um campeonato de maior fôlego, apesar de a qualidade de seus adversários ser bastante limitada.
Para mim, e parece a grande maioria da torcida, Marcelo chegou ao seu limite.
Ja deu.
***
E é isso. Acho eu.
Mas além de dizer que é um empresário que nem de longe pode ser considerado um outsider, no senndo estrito do termo, já que não é a primeira vez que participou da corrida à Casa Branca, tendo sido candidato a candidato pelo Partido Republicano anos atrás, o que temos é a figura de um falastrão. Um candidato sem papas na língua que, por isso mesmo e em vários instantes, perdeu excelente oportunidade de ficar de boca fechada.
Ou não.
***
Afinal, o discurso agora vitorioso de Trump, foi todo construído e calcado em uma completa aversão ao discurso político tradicional, voltado e mais preocupado em atingir o homem da rua, em geral com perfil menos esclarecido, mais ignorante, e que por esse mesmo baixo nível de conhecimento acaba analisando a sua situação individual, suas dificuldades e problemas, a partir de um ponto de vista, de um ângulo, completamente individual.
Melhor dizendo, o discurso atinge o homem comum, do povo, que perdeu seu emprego e que, por falta de conhecimento, não é capaz de vincular esse problema que é geral, às verdadeiras razões a ele subjacentes.
E quais são as razões da sua situação de dificuldade e inutilidade?
Parte da explicação pode ser buscada ainda na década de 90, quando da proposta e da difusão apoiada por todo o pensamento conservador do ideário e dos princípios que ficaram conhecidos como o Consenso de Washington.
Consenso que tinha como princípios a liberalização das finanças, principalmente no nível internacional, a desregulamentação dos mercados, dentro do espírito da retomada das boas e velhas práticas, a longo tempo conhecidas, do mercado livre.
***
Pois bem, esse ideário, cujos principais apoiadores estavam encastelados no governo de Thatcher na Inglaterra e Ronald Reagan, nos Estados Unidos, representava mais que o processo de globalização pelo qual ficou popularmente conhecido, mais que o processo de integração comercial em escala planetária, um processo de expansão e quase hegemonia das relações financeiras globais, consagrando definitivamente a vitória do capital financeiro, de caráter especulativo e artificial, sobre o capital produtivo, industrial, gerador de produção, emprego, renda e comércio real.
Embora extremamente rentável, o capital financeiro em troca apenas podia e pode oferecer a valorização da riqueza fictícia, atrelada a uma montanha de papéis frutos de cada vez mais engenhosos esquemas de inovações que permitiam operações de engenharia financeira em escalas cada vez maiores.
***
Ora, globalização no sentido de integração do mundo já havia, e em várias áreas como a das comunicações, desde décadas anteriores, quando Mcluhan afirmou que os meios de comunicação tinham transformado o mundo em uma aldeia global.
Expansão comercial e, nesse sentido de aumento dos fluxos de comércio o mundo já havia experimentado ainda de forma mais vertiginosa em períodos como aquele que marcou a era da pax britanica no início do século XX.
Mas, não era esse o sentido da globalização da década de 1990, ao menos é o que se constata ao se analisar as estatísticas que mostram as taxas de crescimento das operações comerciais, comparadas com o acréscimo das operações, por exemplo, com derivativos.
***
O predomínio do capital financeiro e das grandes operações financeiras, aproveitando-se do desenvolvimento e da expansão das atividades vinculadas à aplicação da tecnologia da informática aos meios de comunicação, que lhes proporcionou oportunidades exponenciais de expansão, representou tanto um maior crescimento das atividades situadas no setor de serviços quanto, do ponto de vista do emprego, uma redução substancial do emprego, ao menos com as características dos postos de trabalho até a década de 70.
Ou seja, é inegável que a telemática aproximou o mundo mas afastou o trabalho tradicional dos postos de trabalho na indústria.
E na nova área dinâmica da economia, a necessidade de educação e conhecimento tornou-se fundamental, ao passo que a cada vez maior presença de atividades de conteúdo tecnológico era poupadora de trabalho.
E, justamente por força da visão liberal de não intervencionismo e de estado cada vez mais mínimo, não foi dada a atenção necessária à preparação para o trabalho do homem branco, de classe média mais baixa, e caracterizado como de pouca instrução. Não apto às exigências do atual mercado de trabalho.
Justamente o eleitor de Trump, conforme mostravam as pesquisas qualitativas de opinião anteriores à eleição.
***
E foi também o crescimento das relações financeiras liberalizadas e desreguladas que acabou engendrando uma série de crises econômicas, entre as quais para citar apenas alguns poucos exemplos, a crise das empresas ponto com, e posteriormente a crise muito mais séria e de muito maior proporção tanto em extensão quanto em intensidade, a crise do subprime, de 2007/2008.. Crise que ainda não chegou ao seu final até os dias de hoje.
Crise que roubou o trabalho de tipo mais tradicional dos operários da construção civil, por exemplo, grande empregadora de mão de obra.
***
É bom destacar que, nesse momento, são percebidos cada vez em maior escala o resultado das políticas adotadas pelo governo Reagan e outros que o sucederam, de redução das políticas de seguridade destinadas a criarem uma rede social de proteção ao indíviduos. Políticas adotadas com base na ideia fundamental da redução do tamanho e do peso do Estado Leviatã, o que implicarava na redução da carga tributária extraída da sociedade civil (leia-se os mais ricos); e na busca do equilíbrio fiscal (e corte de gastos sociais). Tudo em nome da sacrossanta liberdade do mercado.
***
Sentindo-se desvalidos, abandonados, não é de se admirar que cada indivíduo, cuja capacidade de análise não o leva a entender as causas mais profundas de sua inadequação, passasse a aceitar o discurso fácil de que seu trabalho foi perdido por culpa da globalização comercial, da elevada importação de produtos chineses e/ou asiáticos de outras origens; ou que a culpa de seu desemprego ou dos baixos níveis de salário a que estava submetido era dos imigrantes de toda origem.
Ou seja, começa a olhar o mundo de uma perspectiva mais tosca até, individualista, mais míope. E passa a acreditar na venda de sonhos e miragens de que, com algum candidato com um discurso semelhante ao de Trump, esteja mais apto a resolver sua situação individual.
Sem se preocupar com a situação de outros que, como ele, também vivenciam os mesmos problemas, já que suas agruras são de caráter mais abrangente.
***
Não é difícil perceber que esse tipo de evolução da sociedade americana já vinha apresentando sinais de um esgarçamento das relações sociais cada vez mais profundo, de uma divisão cada vez maior, de uma volta ao individualismo mais exacerbado, muito bem capturado pelo discurso avesso ao discurso do político tradicional de Trump.
E, se minha análise está minimamente correta, não deve ser outro o motivo que uma mulher ( que já levanta uma questão importante da discussão de gênero!), de formação liberal, mas ligada a um discurso mais tradicional, mais voltado à tentativa de recomposição e ampliação dos suportes do Estado mais intervencionista do Bem Estar Social (e cinicamente, mais INÓCUO, já que sempre derrotado nas suas propostas por uma Casa Legislativa dominada pela oposição) como Hillary Clinton, tenha sido identificada como a representante do "establishment".
***
Em minha opinião, e pelo perfil da candidata traçado por toda a mídia, não representante do establishment ou do "status quo" financeiro ou empresarial, capitalista (embora possa ter sim, alguma representatividade nesse sentido), mas da situação política e do discurso tradicional.
***
Trump ganhou por ser o responsável pelo discurso que a população em desencanto e já com uma visão individualista dominante, queria ouvir. O que mostra sua maior habilidade nesse sentido.
E ganhou como um outsider, por fazer o discurso mais discriminatório, mais preconceituoso, mais cheio de todo o rancor que o desencanto gerou em seu mal preparado e mal formado eleitor.
E brandindo a fama de gestor, embora fracassado várias vezes em seus empreendimentos. O que apenas auxiliaria sua imagem de alguém que, fracassado como seu eleitor, não desiste nunca.
E persevera.
***
Estou esticando mais na análise, apenas por querer tirar do fenômeno Trump, alguma lição. E até mais, uma analogia com os candidato Kalil, eleito prefeito em Belo Horizonte, e em muitas de suas características e até de sua campanha, muito semelhantes ao que foi a candidatura Trump.
Como o novo presidente americano, Kalil veio do mundo empresarial, amargando alguns fracassos. Como Trump, também Kalil já tinha feito incursões na política, e fracassado.
Como Kalil, o discurso de Trump foi avesso aos políticos tradicionais e suas preocupações retóricas.
Ambos foram avessos a apoios e promessas mirabolantes, baseado no velho e surrado discurso de governar para melhoria das condições de vida da população como um todo.
E Trump, não apenas ameaçou proferiu ameaças, como a da expulsão dos imigrantes, como chegou a falar da construção do muro, na fronteira com o México.
O que fez que seu próprio partido, ou seus principais representantes lhes tirassem qualquer apoio.
Que ele dispensou de forma displicente.
***
Depois de ouvir seu discurso de comemoração da vitória, em um tom de apaziguamento, e de elogios a sua adversária, no feitio mais tradicional possível, chego a ficar em dúvida se ele vai mesmo cumprir suas promessas e ameaças, ou se não irá tornar-se uma personagem de estelionato, como foi Dilma aqui em 2015.
Daí não dá para afirmar ou inferir o que poderá advir de sua eleição para o mundo, para os próprios Estados Unidos e para o Brasil, em particular.
***
Alguns meros detalhes que não podem passar despercebidos.
Não é de hoje que o americano médio, em especial, aquele de menor formação, já adota uma posição naturalmente mais de fechamento ao resto do mundo.
Já desde Theodore Roosevelt, e as discussões de participação ou não dos Estados Unidos em conflagrações mundiais, como a Primeira Guerra, é conhecida a divisão do país americano entre os que não apoiavam a tal participação por não se sentirem na obrigação de participarem de problemas de que não eram parte integrante. Parte da população, especialmente do Meio Oeste, parece-me não achar que havia a obrigação nem moral de seu país lutar em defesa de seus aliados.
Logo, o isolacionismo não é algo avesso à formação e ao padrão cultural do cidadão americano comum.
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Outra questão: ao contrário de Obama, Trump vai ter a maioria para aprovar o que bem entender, nas duas Casas Legislativas.
Se vai conseguir pressionar aqueles que não o desejavam ou não o apoiavam, mesmo sendo integrantes de um mesmo partido é outra questão.
Como outra questão em aberto é até que ponto as loucuras de um Executivo podem ser impedidas por um Legislativo atuante.
***
Outros pitacos vários:
Deveria hoje, aproveitando a última postagem sobre Ana Júlia, fazer menção a um comentário que me foi enviado por um colega e amigo, embora de posição, diria, radicalmente contrária à minha, Tarcísio, do Banco Central.
Dada sua dificuldade de postar o comentário no blog, enviou-me um email, com sua visão do assunto, que prometo publicar e talvez até comentar em uma próxima postagem.
***
Para dizer que, como eu já temia e tinha comentado aqui, a passagem de Marcelo Oliveira como técnico do Galo, dessa feita trouxe uma frustração muito grande,
Com o material que tinha em mãos, é muito pouco ter a chance, ainda apenas em tese, de ser campeão da Copa do Brasil.
Ou seja, como é um jogo de mata-mata, pode terminar sem o título desse torneio, depois de não ter conseguido montar um time capaz de disputar um campeonato de maior fôlego, apesar de a qualidade de seus adversários ser bastante limitada.
Para mim, e parece a grande maioria da torcida, Marcelo chegou ao seu limite.
Ja deu.
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E é isso. Acho eu.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Ana Júlia e a inveja de pais que não conseguiram transmitir aos filhos seus princípios; e um pouco de questões econômicas
Chegamos ao fim do ano. Nas ruas, as árvores já começam a receber cordões e fios de pequenas lâmpadas, preparando a cidade para a chegada do Natal. Nas lojas e shoppings, enfeites natalinos e cartazes anunciando várias promoções já ganham espaços de forma definitiva. Em algumas, já desde o mês de outubro. O que está escasso é freguês.
E, embora as insistentes lembranças da chegada do final do ano, pouco ou muito pouco avançam as investigações da Lava Jato, como consequência das delações que Odebrecht e OAS se comprometeram fazer.
Não por culpa do juiz Moro, ou dos intrépidos procuradores de Curitiba, incansáveis em seu trabalho. Nem culpa dos panelaços ou das manifestações que ocupam as ruas e praças das capitais, exigindo, agora e sempre, um combate sem tréguas à corrupção!!!
Ah! Você que lê esse pitaco, não ouve o ruído ensurdecedor das ruas? Os panelaços nas janelas?
Não vê as manchetes de jornais escancarando os novos nomes dos políticos denunciados de sempre?
A explicação é que, agora, as investigações chegam aos caciques do PSDB, o partido das vestais. E, por respeito às honradas virgens, a imprensa prefere adotar um silencio obsequioso.
O que é completamente justo.
***
Melhor é destratar a menina Ana Júlia, a estudante do ensino médio paranaense, que ganhou manchetes e atenções de jornais e fez por merecer postagens e mais postagens nas redes sociais depois de ter comparecido, e calado a Assembleia Legislativa daquele estado.
Embora brilhante a apresentação da menina de 16 anos, alguns passaram a criticar, não o seu discurso articulado, mas o fato de ela ser filha de um petista.
Aliás, nem sei se as críticas são pelo fato de ela ter pai, ou de o pai dela ter conseguido, mesmo que parte das pessoas não goste ou não concorde, passar para ela seus valores, seus princípios, sua maneira de ver a vida.
Daí que parece-me que a maioria das pessoas que criticam e querem desconstruir a imagem da menina alegando que ela tinha já um discurso decorado, redigido pelo seu pai, no fundo têm é alguma inveja ou não conseguem conviver com o fato de que seus filhos, por mais que tivessem ouvido um discurso por toda a vida, seja em que direção tenha sido, não terem conseguido absorver ou chegar nem aos pés da capacidade de se posicionar da estudante paranaense.
Que aliás, embora muito coerente, todo o tempo, não fez nenhum discurso retumbante. Até pelo contrário, fez um discurso bem adequado a quem tem a idade de 16 anos, com direito a toda a insegurança de quem, nessa idade, falava para um grupo de deputados, no plenário da Assembleia, em nome de um grupo de alunos como ela, que ocuparam uma escola: a escola dela.
Por isso, a pergunta inicial, feita por ela: de quem é a escola?
Porque se a escola é dela, é nossa, é dos estudantes, é pública, não está sendo invadida. Ao menos, nunca soube de que o ato de o dono estar em sua propriedade seria equivalente a promover invasão, ou invadir.
Ana Júlia, inclusive, mostrou-se insegura, ao início de sua fala. E mostrou-se nervosa, trêmula, quase não conseguindo fazer suas palavras serem audíveis.
Mas, levou avante seu discurso, e ganhou força quando desafiada e ameaçada de ter a palavra cortada, apenas porque falou o óbvio: as ocupações dos prédios escolares, é tão somente para alertar à sociedade de como a condução da política educacional, por parte do usurpador temer, vai na contramão de tudo que a sociedade dita democrática necessita.
Afinal, a reforma educacional do ensino médio passada a fórceps, por Medida Provisória, como lembrou a estudante, é necessária, mas está conduzida com um viés autoritário que não é admissível.
E a ela assiste razão, não há como negar, já que os que mais poderiam discutir e sugerir em termos de mudanças, os professores não foram ouvidos.
No fundo, a reforma é apenas um mecanismo para tentar eliminar de currículos as matérias capazes de despertarem a consciência crítica da população. E, despertando sua consciência, desenvolver no povo, um sentido de cidadania.
Além da reforma a luta é também contra a PEC renumerada agora, no Senado, para PEC 55: a do famigerado teto de gastos públicos, por 20 anos.
Medida que vários setores sérios da sociedade, e inclusive manifestações de organismos internacionais, já rotularam de desastrosa, devido o corte de gastos na área de educação, saúde e benefícios sociais que a medida traz embutida.
***
Mas, a população que se acha esclarecida, por ler Veja e Época, ou por ter acesso à informação ouvindo o Jornal Nacional, ou seja, a classe média conservadora, reacionária e manipulada, que de nada entende e finge de tudo ter conhecimento, comprou a ideia nefasta de que é necessário cortar os gastos públicos. Para equilibrar as contas fiscais. E para chegar a esse equilíbrio sem ter de aumentar impostos que os ricos não querem pagar. E que a classe média que paga por todos, sem consciência disso, acredita que não podem ser majorados.
Classe média que, ao não aceitar qualquer alteração no sistema tributário, por miopia, não consegue enxergar que uma reforma tributária, na direção necessária, poderia até resultar em menor ônus recaindo sobre seus ombros.
Confusa, essa parte da população deixa-se ludibriar e acaba defendendo não os seus interesses, mas os da classe mais favorecida.
***
E não é só. Mal informada ou com informações deturpadas, muitos desses que criticam Ana Júlia e seus motivos, acreditam que o ajuste fiscal prometido pelo governo irá ser feito mesmo que as medidas do desgoverno não tenham a mínima capacidade para fazer elevar as receitas públicas.
Que, ao que tudo indica, irão continuar declinando, a aprofundando o déficit.
***
Mas, voltando ao início desse pitaco, as críticas à Ana Júlia e a possíveis interferências de seu pai, petista, mostram mais o fato de tais pais não serem capazes de elaborarem um discurso positivo, capaz de convencer aos seus próprios filhos quanto à correção de suas ideias e da justiça nelas entranhada, especialmente por seu conteúdo fortemente social. Solidário. Voltado para causas que atingem a todos e a todos beneficiem. E não apenas aos umbigos próprios.
***
Independente de tudo, Ana Júlia, doutrinada ou não, conseguiu mostrar capacidade de se indignar e reagir, que não estava no script, combinado. E silenciou aos parlamentares, mostrando que a responsabilidade pela integridade de todos os menores, adolescentes, é de todos nós, E deles, principalmente, já que representantes do Estado.
***
Poucos dias depois, convidada para ir ao Senado onde iria poder fazer outra apresentação de suas ideias, foi também criticada apenas por ter estado em companhia da Senadora do seu Estado, o Paraná.
Como se não fosse mais que uma cortesia, uma obrigação, que qualquer outra pessoa que fosse convidada a fazer uma apresentação no Senado, fosse recebida por TODOS os senadores que representassem seu estado.
***
No entanto, nesse caso, as críticas que foram compartilhadas em redes sociais, mostram não desconhecimento de causa, ou desinformação, mas apenas falta de educação mesmo de quem se acha, muitas vezes, portador de educação de padrões mais elevados. Padrão Socila, das meninas candidatas a misses.
***
Deixando de lado a menina, que tanto deveria nos orgulhar, e passando para uma questão que, embora, distinta, tem muito a ver com as preocupações da estudante e de seus colegas, pelo Brasil afora.
Refiro-me novamente à questão do ajuste fiscal.
Agora, para citar ao colunista da Folha de São Paulo, Vinícius Torres Freire que, ontem, sem qualquer desfaçatez, abordou a questão da repatriação de recursos mantidos no exterior, de forma ilegal já que característica do crime de evasão de divisas.
A propósito de um novo prazo que o governo pretende abrir para permitir que os dinheiros mantidos ilegalmente possam ser trazidos para o país e serem legalizados, o colunista saiu-se com o que poderia ser classificado simplesmente como verdadeiro escárnio.
Por sua lógica perversa, a medida que conseguiu arrecadar 50 bilhões de reais em sua primeira fase, está funcionando como um imposto sobre fortunas, tão demandado pelos setores da esquerda do país. Afinal, ao contribuir para elevar a arrecadação, de certa forma, estaria obrigando os mais ricos, que são os possuidores principais de tais recursos, a pagar impostos e multas à Receita.
***
Nem acho que vale a pena discutir se a multa é elevada, ou se os impostos são os devidos, ou os que deveriam ter sido recolhidos quando o seu detentor resolveu passar a perna na lei e tirar dinheiro por baixo do pano do país.
O escárnio está em chamar isso, que os fascínoras chamariam de esquentar dinheiro sujo, de uma espécie de castigo, uma espécie de imposto sobre fortuna.
Melhor seria dar o nome verdadeiro aos bois, e quem sabe mostrar que, esses que agora trazem os recursos foram pela sonegação que protagonizaram, antes, os responsáveis ou parte dos responsáveis pela geração do déficit que o governo apresenta.
Mas, essa espécie de colunista vinculado ao mercado obviamente não tem essa visão da questão. Ao contrário, apenas tem a preocupação de alertar para o fato de que esse tipo de dinheiro arrecadado agora, é de uma lavra apenas. E não passa de dinheiro extraordinário, que alivia agora a dívida, mas não vai entrar novamente em outros anos.
***
Em tempos de Dilma e Arno Augustin, isso seria considerado minimamente como contabilidade criativa. Agora, não. É tratado como alívio da dívida. E só.
Mas nem isso pode ser correto. Afinal, medidas como essa do perdão de parte de multas e juros para que criminosos, em tese, tragam seus recursos evadidos do país, pode sim ter vida longa, na medida em que acarretar o que a teoria econômica denomina risco moral.
Afinal, vale a pena, sempre, cometer o ilícito, já que mais tarde todos seremos perdoados, como o Pai perdoou aos pecadores.
Simples assim.
E como o governo estará sempre com dificuldades de caixa, a repatriação poderá ser medida adotada mais vezes no futuro.
***
Termino comentando a prepotência de quem se acha ungido especial de Deus, e dono da verdade única e absoluta: o economista e, talvez muito apropriadamente colunista da Folha, Alexandre Schwartsman.
Do economista, cuja figura, em minha opinião é inequívoca demonstração e sinal de arrogância, apenas assinalar que, ao contrário de argumentos, vem se notabilizando por sempre apelar para a tentativa de detratar as seus adversários, ou aqueles que têm pontos de vista e são de escolas de pensamento contrários.
Mas, tudo bem, já que como disse antes, ele se acha o dono exclusivo da verdade universal.
***
Tal comentário vem a propósito de sua coluna de ontem, em que fazendo o que mais gosta ou consegue, em sua limitação, critica a todos que têm se manifestado contrários às medidas de contenção de gastos, por seu potencial de provocar estagnação.
Diz ele que, ao contrário do que a teoria mais comum mostra, apenas o gasto público não impulsionaria a demanda, como ocorre nos países mais ricos, dada a existência de um trade off, entre o dispêndio público e a taxa de juros.
Por outro lado, argumenta que um ajuste fiscal bem sucedido, poderia reduzir os juros, estimulando o investimento. Em defesa de sua ideia alega que menores gastos permitem reduzir a inflação, o que permitiria ao Banco Central reduzir a Selic. Além disso, contribuiria para a redução de nosso risco país. E aponta que o risco país caiu apenas pelo anúncio das medidas de contenção dos gastos anunciadas.
***
Mas fazendo uso de seus ataques a, como ele se refere, esse pessoal keynesiano de quermesse, que participa do debate sempre brandindo os mesmos defeitos de má teoria, e aplicando a ele essa mesma adjetivação, parece que o professor pouco ou nada sabe da história do país.
Por exemplo, não deve ter conhecimento de trabalho de Rogério Furquim Werneck que mostrou a importância para a decisão empresarial de investir em nosso país, da precedência do gasto público em investimento.
Tampouco deve ter tomado ciência da política de gastos públicos e elevação de crédito e de demanda agregada que Delfim Netto pôs em prática nos idos de 1967, sem gerar inflação, tão somente por ter capacidade ociosa abundante na economia. Justo como agora.
Demais, diz que apenas o gasto público não impulsionaria a demanda, como se algum de seus opositores, achasse mesmo que apenas o gasto público deveria ser favorecido.
Não percebe que a elevação de gasto público teria a capacidade de despertar o efeito multiplicador, que levaria a aumento de emprego e renda e, com isso, aumento de gastos de consumo. Isso, sem contar, com a melhoria das expectativas empresariais, que são importante razão para que os empresários se animem a investir.
***
Ora, se há motivos, como a queda da inflação para que os juros básicos possam ser reduzidos, como ele aponta, é importante lembrar que os empresários não irão investir apenas por trabalharem com menor custo de capital.
Como já mostrado por outros professores, e autores com mais projeção que o pretenso semideus, a facilidade de obtenção de recursos no mercado irá levar, primeiro os empresários a reduzirem o custo de sua estrutura atual de capital. Após, irão se preocupar em aplicar seus recursos no mercado financeiro onde, mesmo com rentabilidade menor, têm tranquilidade de que ela é assegurada.
Ao contrário de tomarem decisões de investir, mesmo sabendo que não irão ter quem queira realizar, no mercado, o valor gasto para a produção das mercadorias. Ou seja, a produção para se expandir depende de um ambiente econômico que seja favorável e não o ambiente recessivo que o país enfrenta no presente quadro.
***
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Eleições em BH. Comentários e divagações sobre o novo quadro na capital mineira
Passadas as eleições municipais em seu segundo turno, a sensação que me domina é a de que entre a direita envergonhada e a direita escancarada, a população da capital mineira optou pela direita escancarada.
Por um posicionamento que poderia ser chamado de nihilista, até, e que expõe em toda sua crueza os pés de barro da maior liderança política do Estado, o senador playbou, Aécio Neves.
Menos que optar por Kalil em contraposição a João Leite, o comportamento adotado por parcela importante da população de BH foi ratificar, de forma definitiva, sua repulsa à um tipo de política que não levou em qualquer instante em consideraçao a vontade, as necessidades, o interesse popular.
A discordância com uma espécie de político e de modo de se fazer política ultrapassada, de conchavos e acertos de pé de orelha, de conversa mole e vazia de conteúdo, de autocelebração, sempre e tão somente para poder buscar sustentação para alçar vôos maiores.
***
Em minha opinião foi essa a característica mais marcante dos governos de Aécio, cujas práticas foram repetidas mais tarde por seu menino de recados, o também ex-governador Anastasia.
No caso de Aécio, um governo que se propôs a fazer um choque de gestão que acabou com a situação sólida de caixa estadual a ele legada pelo governo Itamar Franco, e que se preocupou mais com a ostentação e as obras, ainda faraônicas, como a construção da Cidade Administrativa e seus acessórios, como o Boulevard e a linha verde, que visavam, em primeiro lugar, a valorização de terrenos de uma região de nossa capital onde, por acaso, Anastasia, era proprietário de imóveis. (e não investigadas ou comprovadas por ora), por empreiteiros responsáveis por sua construção como origem de um canal de pagamento de propinas e utilização de caixa dois.
Importa frisar que não se nega alguma racionalidade à instalação, em um mesmo local, de todas as repartições públicas estaduais, responsáveis pela prestação de serviços ao público. A questão no caso específico da cidade administrativa foi a distância do centro da capital, onde o acesso seria muito mais facilitado. Isso, sem contar com a questão de que havia outros locais e até outras construções, já prontas que poderiam servir para alojar as secretarias e órgãos integrantes da composição da máquina de administração estadual.
O resultado, além de uma construção cara que estourou os orçamentos previstos, e cheia de problemas ao menos em seus primeiros anos de funcionamento, foi que não conseguiu centralizar, nem mesmo apenas concentrar em um mesmo lugar toda a atividade da máquina do Estado, que continua tendo a necessidade de alugar prédios mais próximos da população que deve ser atendida, com os custos daí decorrentes e que eram os que se desejava evitar.
***
Mas, não foi apenas esse o problema do governo Aécio, que promoveu uma reforma administrativa, que entre outras medidas, propôs aumentos diferenciados que privilegiaram mais os ocupantes de cargos e menos os funcionários menos graduados, em uma política bem ao estilo do governador, de favorecimento a seus amigos e iguais.
Fenômeno que, aliás, teve como ilustração cabal a realização de um jogo de futebol, entre Brasil e Argentina, o mesmo jogo que marca a volta da seleção ao estádio onde passou seu maior vexame.
Já naquela oportunidade pelas eliminatórias de Copa anterior, os privilégios e distribuição de convites para os amigos foram tantos que valeram o comentário e a manifestação contrária do comentarista Jorge Kajuru.
Bem, como todos hão de se lembrar, Kajuru não foi apenas demitido da rádio em que trabalhava, como por pressões feitas pelo imperadorzinho que ocupava o Palácio da Liberdade, teve de sair do Estado.
***
Na noite de ontem, em programa que analisava o resultado das eleições, um cientista político afirmava que o erro de Aécio foi, diferente de seu avô, não gostar de fazer política no interior, mantendo controle e pulso firme sobre os deputados de sua base de apoio e suas bases eleitorais.
Acredito que a diferença possa ser essa, em parte, já que o menino do Rio preferia mesmo estar na orla da praia, e nas festas cariocas, que cortando o interior do estado que dirigia.
Mas, há outra diferença maior entre avô e neto: o avô era um democrata, e lutava pela liberdade, como compromisso primeiro do mineiro. O neto é um mero menino mimado, oportunista e pior, GOLPISTA.
E foi também esse traço de seu caráter que sofreu outra, mais uma derrota, nas eleições de ontem.
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Perdeu o poroso Aécio, como já havia perdido as eleições para presidente na capital do Estado que governou com mão de ferro, por doze anos. Tanto no primeiro como no segundo turno. E perdeu o governo de Minas, para alguém politicamente de situação tão frágil quanto Fernando Pimentel.
E torna a sofrer uma derrota significativa para seus sonhos e pretensões, com o Leito Ninho. Derrotados por um arrivista, neófito e oportunista dono de um discurso com grande carga de perigo.
Sinal de que não valeu compor com a imprensa, dominar o fraquíssimo jornal Estado de Minas, dos Diários Associados, obter benesses da Globo (a quem tanto ajudou) ou da Isto é, nem mesmo manter uma censura férrea em Minas, como vez por outra, algum site internacional mencionava em denúncias que nunca puderam repercutir.
A censura de Aécio, outro traço de seu caráter marcado pelo autoritarismo, acabou, por linhas tortas, tornando-se de conhecimento público, tendo se espalhado como se espalhavam as apostilas de textos proibidos, pelas escolas, na época da repressão da ditadura militar.
***
O Leite Ninho perdeu por estar em má companhia, por estar com políticos que a população já havia manifestado não desejar mais no comando da política mineira.
E perdeu por ter, entre outras coisas, em minha opinião, por ter mostrado pouca firmeza e muito destempero.
Que seu pai tenha sido militar, que ele tenha nascido e se criado na Vila Oeste, que tenha passado alguma dificuldade em sua juventude, nada disso impedia que ele reconhecesse, até por conhecer bem a origem sem apoios, ter sido sim, um lutador incansável dos direitos humanos daqueles que falharam e cometeram atos contrários ao convívio social.
E isso não significou, em momento algum, em minha opinião, estar passando a mão na cabeça de bandido. Apenas que, mesmo falhando, todos merecem uma chance de recuperação e, se ainda não se recuperarem para a vida em sociedade, merecem, no mínimo, serem tratados com a dignidade que merece um ser humano.
Afinal, cada vez mais não se fazem campanhas para se libertar animais do cativeiro, não se prendem e condenam e se denunciam maus tratos a animais, e a sociedade não se horroriza com atos de crueldade e castigos contra animais?
E que contradição é essa que parece defender que seres humanos, mesmo que criminosos, não tivessem um tratamento ao menos semelhante ao que se exige para os animais?
***
Por isso, em eleições anteriores, votei no João Leite, que defendia o que eu acreditava como defendeu com brilho o gol de meu time do coração.
Mas Leite Ninho, talvez até influenciado pela responsável de sua campanha, agora no segundo turno, passou a negar esse seu comportamento merecedor de elogios.
Preferiu ficar como presidente da Comissão de Segurança, para prender bandidos, conforme dizia nos debates, do que admitir que tinha sim uma diferença com o discurso de Kalil, que também adotava comportamentos sociais abjetos ou criticáveis: a de não acreditar que bandido não tinha direito a um tratamento digno.
Perdeu aí, meu voto, negando seu próprio passado, que deveria deixá-lo orgulhoso.
E saiu para uma baixaria de acusações, muito típicas de campanhas em que Andréa Neves esteja presente, de deconstrução do adversário, para depois acusar esse mesmo adversário de ter iniciado as trocas de acusações.
A população mineira já aprendeu com a experiência que essas acusações, não são nem significam propostas que irão melhorar sua vida no futuro.
***
Quanto a Kalil, nem coxinha, nem mortadela, agora kibe, não apresentou nada de propostas concretas, nem promessas que não iria cumprir.
Foi um discurso típico de um vazio completo de programa de ações. E perigoso, por alguns de seus comentários, seja acusando João Leite de passar a mão em cabeça de bandido, seja de que vai armar a guarda municipal, vai fazer um governo, conversando com todo mundo ... ou não conversando com ninguém, dado seu caráter autoritário até na hora que agradece por ter aprendido com o povo.
Pior, embora não seja cientista político, e seja apenas curioso no tema, acho que seu discurso dá margem à criação de verdadeiros aproveitadores da boa fé do povo, para alicerçar um governo populista, voluntarista, e muito próximo de alguns acontecimentos históricos que permitiram a ocupação do poder por alguns nomes como os de Hitler, Mussolini, e outros políticos autoritários famosos.
***
Mas, isso é um risco apenas, e podemos como sempre nos surpreender com a administração e comportamento de Kalil.
E que seja uma administração de segurança e paz. Mas sobretudo respeito aos direitos humanos, e não alguém que trata presidiários ou bandidos, como ele deu a entender que deveriam ser tratados. Nem as mulheres, com o desrespeito que tentaram lhe imputar. Nem os trabalhadores, como o acusaram de fazer com os empregados de sua empreiteira.
***
Aesse propósito, apenas gostaria de terminar, deixando uma mensagem gravada, para que ela não se perca, ao menos em minha memória, sem compartilhá-la com outros.
Diz que o menino pequeno perguntou ao pai: papai, se matarmos todos os bandidos vão ficar só os homens bons, não?
_ Não meu filho, respondeu o pai. Vão ficar os assassinos.
***
É isso.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Declaração de voto para a Prefeitura de nossa capital; desapotenção e um argumento de peso a seu favor; e Teori mostrando o que é ser magistrado para a presidenta do STF
Acredito, sinceramente, que nenhum eleitor deve ficar muito preocupado com as consequências de seu voto, caso queira votar em Alexandre Kalil, no segundo turno das eleições de domingo próximo, dia 30.
Por mais que muitos possam ter receio do temperamento que o ex-presidente do Galo demonstrou e demonstra ao longo de sua trajetória, ou por mais que possam estar preocupados com as denúncias do tipo de tratamento dispensado pelo Kalil empresário aos funcionários de sua empresa, ou ainda, por mais que tenham medo de estar elegendo para a administração da nossa cidade alguém que nunca respeitou a coisa pública, a ponto de não ter pago o imposto sem o qual a cidade teria dificuldades de funcionar, a verdade é que cada vez mais fica claro que nada disso deve ser motivo para deixar de votar no número 31.
***
Por quê?
A resposta é simples, clara, cristalina.
E vinha já sendo sinalizada na campanha do Leite Ninho na última semana e ficou mais que evidenciada no programa da propaganga eleitoral de ontem.
Como todos vimos, o Leite Ninho primeiro adotou a tática das agressões a seu oponente, deixando de apresentar suas propostas para tentar achincalhar o outro candidato.
Não satisfeito e desesperado por sua queda nas pesquisas de intenção de voto, colocou um locutor para vir chorar que estava sendo atacado, em completa inversão da verdade dos fatos. A partir da mentira que passou a veicular, na tentativa de construir uma realidade virtual capaz de substituir a vida real, passou a dizer que foi ele, sua pessoa, seu partido e seus chefes que foram vítimas de agressão desde o início da campanha.
É bom dizer, quando Kalil tinha menos que meio minuto para poder atacar tanta gente, a falar ainda um discurso fácil e oco. Afinal, também Kalil nunca disse a que veio e que propostas concretas tem para nossa cidade, caracterizando-se por um discurso piegas, do tipo daquele que Leonardo Quintão empregou quando foi candidato ao mesmo cargo.
***
Mas, agora, sabemos que o malvado Kalil, que está virando, pelo visto, o malvado favorito da cidade e de Leite Ninho que não o tira da boca, foi quem agrediu e vilipendiou o nome de seu adversário.
Nao bastasse isso, a campanha do Leite em pó, tão desidratada que se encontra, apresentou agora uma peça publicitária, em que aparece o nosso menino do Rio, o golpista do poroso Aecinho, pedindo votos. Para o bem do país. Para o bem da cidade. Para o bem de Alckmim em 2018....
***
E vê-lo falar do avô e das liberdades que ele sempre defendeu, e ouvi-lo citar a Constituição cidadã, que Ulisses ajudou a aprovar, com todas as suas conquistas sociais e benefícios que ele, golpista que deve estar fazendo o avô rolar de raiva no túmulo, agora ajuda a destruir, resolvi atender ao pedido que ele fazia com tanta convicção.
Nestas eleições vou votar em Aécio, para prefeito de BH.
Para poder fazer com que o menino do Rio possa ficar mais tempo aqui conosco, nos ensinando o que é liberdade, o que é respeito à democracia e à vontade do povo.
***
Mas, se de todo acontecer como em 2014, que ninguém queira comprá-lo ou às suas ideias elitistas e preconceituosas, também você que escolheu votar em Kalil pode ficar despreocupado.
Caso seja Kalil o eleito, já no dia seguinte o golpista irá, com sua tropa e o Leite desidratado, alegar que as urnas foram adulteradas.
Posteriormente, entrarão com pedidos de anulação do pleito nos tribunais eleitorais.
Em último caso, arranjarão algum amigo que mesmo não sendo o próprio poderá atender pela al..cunha de Cunha e, antes que possamos perceber, o impeachment de Kalil estará sendo votado e estaremos sob nova direção.
***
Ou seja: você eleitor de quem quer que seja, tem de agora em diante a opção sempre de votar no PSDB, ou votar em alguém cujo mandato será interrompido por quem se considera e age como dono do apito, da bola, e do jogo de camisas, e por tudo isso, não aceitará que é perna de pau, e que a torcida não quer vê-lo no time.
Como sabem todos que já viveram histórias semelhantes na infância, chorão, o menino vai embora com seus pertences, dando fim, democraticamente, ao jogo.
***
Quanto à desaposentação
Dentre alguns dos argumentos que ouvi, justificando a decisão adotada pelo STF, um me pareceu bastante bem fundamentado. Trata-se daquele raciocínio de que, sendo nosso sistema previdenciário fundado na ideia de solidariedade, inclusive intergeracional, o que significa que os contribuintes de hoje pagam para os aposentados de agora, e não para gerar os recursos que, capitalizados, irão retornar sob a forma de benefícios amanhã,, não seria legítimo que os aposentados que voltaram ao trabalho e continuaram a contribuir pudessem pleitear, a melhoria de seus ganhos.
Caso tal ideia fosse aprovada, transformaria mesmo que canhestramente, a contribuição e nosso sistema em um tipo baseado na capitalização individual, negando o princípio maior e mais justo que o rege, nos dias de hoje.
Acho que esse é um argumento válido e correto.
Mas, se acredito que o argumento e a decisão do STF são corretos, o INSS querer o ressarcimento dos valores pagos a esse título, daqueles que vêm recebendo por decisão judicial conquistada em outras instâncias, ou seja, recebidos de boa fé, é um disparate.
Abuso absurdo cuja única responsabilidade é de nosso Poder Judiciário e suas constantes demoras em julgar questões controversas, que se arrastam por longo período de tempo.
Tivesse o Supremo já tomado a decisão adotada desta feita, não teria havido nenhum pagamento a ser ressarcido nem prejuízos acumulados para o INSS.
***
Teori põe ordem na confusão e faz o STF recobrar o juízo
Como já havíamos dito ontem, a reação da ministra Carmem Lúcia havia sido uma resposta corporativista, de nosso ponto de vista, à reação desesperada e para além do exagero, de Renan Calheiros.
Entretanto, e por mais que a figura de Renan como autoridade da República e presidente do Senado, ou até mesmo como senador por Alagoas, seja merecedora da nossa mais veemente repulsa, dados todos seus antecedentes e suspeitas, indícios e acusações que recaem sobre sua pessoa, a verdade é que Renan estava certo em alegar o abuso de autoridade por parte do juiz de 1a instância que emitiu a ordem de busca e apreensão no Senado.
Afinal, se o senador tem foro privilegiado assegurado por lei, mesmo que esse instituto do foro privilegiado não tenha qualquer amparo ético, moral, assim como outras autoridades, nem a Polícia Federal teria poder para investigar esses privilegiados, sem que o Supremo os autorizasse, nem a Casa como um todo poderia estar sofrendo a invasão que a PF protagonizou. Pior ainda, estar recolhendo equipamentos, prendendo funcionários que apenas cumprem ordens.
Qual a razão de tal postura, senão o mero autoritarismo? E como justificar a incompetência de um juiz para tratar do assunto, embora talvex estando repleto de boas intenções, esse juiz tenha exorbitado sua competência, como tão bem mostrou, como de costume, Jânio de Freitas, em sua coluna na Folha.
***
Pois, a sorte é que, para além das fanfarronices e do espírito de corpo, além de um Gilmar Mendes, e de uma Carmem Lúcia, que parece querer estar precisando provar à sociedade que, embora indicada por Lula, não fez parte, nem concorda com os esquemas de que Lula é acusado de ter armado no Poder, o nosso Supremo tem um Teori.
E Teori, alheio às luzes e brilho dedicado a quem se crê no centro do palco, repôs as coisas em seus devidos lugares.
Tal como já havia feito com os procuradores e seu ridículo espetáculo de power point, em que tentavam condenar Lula, mesmo sem terem mostrado capacidade para investigá-lo e provar qualquer das acusações. Condenação por indícios e convicções tão somente.
Desta feita, Teori deixou claro que o juiz não poderia ter adotado a decisão que resultou na invasão do Senado, e requisitando todo o fruto da visita da PF àquela Casa Legislativa, para a alçada do Supremo.
Ou seja: Teori mostrou à Carmem Lúcia e a todos os idiotas autoritários que aplaudiram a brilhante resposta da presidenta do Supremo, que para ser um grande magistrado, não é necessário estar solidário com práticas que ferem a legislação.
Basta, na verdade, que se dê cumprimento à própria legislação. Seja ela boa ou não. Questionável ou não. Carente de reforma e reformulação ou não.
Teori veio nos lembrar, que dura lex, sed lex. E ponto.
Obrigado por mais isso, Teori.
Por mais que muitos possam ter receio do temperamento que o ex-presidente do Galo demonstrou e demonstra ao longo de sua trajetória, ou por mais que possam estar preocupados com as denúncias do tipo de tratamento dispensado pelo Kalil empresário aos funcionários de sua empresa, ou ainda, por mais que tenham medo de estar elegendo para a administração da nossa cidade alguém que nunca respeitou a coisa pública, a ponto de não ter pago o imposto sem o qual a cidade teria dificuldades de funcionar, a verdade é que cada vez mais fica claro que nada disso deve ser motivo para deixar de votar no número 31.
***
Por quê?
A resposta é simples, clara, cristalina.
E vinha já sendo sinalizada na campanha do Leite Ninho na última semana e ficou mais que evidenciada no programa da propaganga eleitoral de ontem.
Como todos vimos, o Leite Ninho primeiro adotou a tática das agressões a seu oponente, deixando de apresentar suas propostas para tentar achincalhar o outro candidato.
Não satisfeito e desesperado por sua queda nas pesquisas de intenção de voto, colocou um locutor para vir chorar que estava sendo atacado, em completa inversão da verdade dos fatos. A partir da mentira que passou a veicular, na tentativa de construir uma realidade virtual capaz de substituir a vida real, passou a dizer que foi ele, sua pessoa, seu partido e seus chefes que foram vítimas de agressão desde o início da campanha.
É bom dizer, quando Kalil tinha menos que meio minuto para poder atacar tanta gente, a falar ainda um discurso fácil e oco. Afinal, também Kalil nunca disse a que veio e que propostas concretas tem para nossa cidade, caracterizando-se por um discurso piegas, do tipo daquele que Leonardo Quintão empregou quando foi candidato ao mesmo cargo.
***
Mas, agora, sabemos que o malvado Kalil, que está virando, pelo visto, o malvado favorito da cidade e de Leite Ninho que não o tira da boca, foi quem agrediu e vilipendiou o nome de seu adversário.
Nao bastasse isso, a campanha do Leite em pó, tão desidratada que se encontra, apresentou agora uma peça publicitária, em que aparece o nosso menino do Rio, o golpista do poroso Aecinho, pedindo votos. Para o bem do país. Para o bem da cidade. Para o bem de Alckmim em 2018....
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E vê-lo falar do avô e das liberdades que ele sempre defendeu, e ouvi-lo citar a Constituição cidadã, que Ulisses ajudou a aprovar, com todas as suas conquistas sociais e benefícios que ele, golpista que deve estar fazendo o avô rolar de raiva no túmulo, agora ajuda a destruir, resolvi atender ao pedido que ele fazia com tanta convicção.
Nestas eleições vou votar em Aécio, para prefeito de BH.
Para poder fazer com que o menino do Rio possa ficar mais tempo aqui conosco, nos ensinando o que é liberdade, o que é respeito à democracia e à vontade do povo.
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Mas, se de todo acontecer como em 2014, que ninguém queira comprá-lo ou às suas ideias elitistas e preconceituosas, também você que escolheu votar em Kalil pode ficar despreocupado.
Caso seja Kalil o eleito, já no dia seguinte o golpista irá, com sua tropa e o Leite desidratado, alegar que as urnas foram adulteradas.
Posteriormente, entrarão com pedidos de anulação do pleito nos tribunais eleitorais.
Em último caso, arranjarão algum amigo que mesmo não sendo o próprio poderá atender pela al..cunha de Cunha e, antes que possamos perceber, o impeachment de Kalil estará sendo votado e estaremos sob nova direção.
***
Ou seja: você eleitor de quem quer que seja, tem de agora em diante a opção sempre de votar no PSDB, ou votar em alguém cujo mandato será interrompido por quem se considera e age como dono do apito, da bola, e do jogo de camisas, e por tudo isso, não aceitará que é perna de pau, e que a torcida não quer vê-lo no time.
Como sabem todos que já viveram histórias semelhantes na infância, chorão, o menino vai embora com seus pertences, dando fim, democraticamente, ao jogo.
***
Quanto à desaposentação
Dentre alguns dos argumentos que ouvi, justificando a decisão adotada pelo STF, um me pareceu bastante bem fundamentado. Trata-se daquele raciocínio de que, sendo nosso sistema previdenciário fundado na ideia de solidariedade, inclusive intergeracional, o que significa que os contribuintes de hoje pagam para os aposentados de agora, e não para gerar os recursos que, capitalizados, irão retornar sob a forma de benefícios amanhã,, não seria legítimo que os aposentados que voltaram ao trabalho e continuaram a contribuir pudessem pleitear, a melhoria de seus ganhos.
Caso tal ideia fosse aprovada, transformaria mesmo que canhestramente, a contribuição e nosso sistema em um tipo baseado na capitalização individual, negando o princípio maior e mais justo que o rege, nos dias de hoje.
Acho que esse é um argumento válido e correto.
Mas, se acredito que o argumento e a decisão do STF são corretos, o INSS querer o ressarcimento dos valores pagos a esse título, daqueles que vêm recebendo por decisão judicial conquistada em outras instâncias, ou seja, recebidos de boa fé, é um disparate.
Abuso absurdo cuja única responsabilidade é de nosso Poder Judiciário e suas constantes demoras em julgar questões controversas, que se arrastam por longo período de tempo.
Tivesse o Supremo já tomado a decisão adotada desta feita, não teria havido nenhum pagamento a ser ressarcido nem prejuízos acumulados para o INSS.
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Teori põe ordem na confusão e faz o STF recobrar o juízo
Como já havíamos dito ontem, a reação da ministra Carmem Lúcia havia sido uma resposta corporativista, de nosso ponto de vista, à reação desesperada e para além do exagero, de Renan Calheiros.
Entretanto, e por mais que a figura de Renan como autoridade da República e presidente do Senado, ou até mesmo como senador por Alagoas, seja merecedora da nossa mais veemente repulsa, dados todos seus antecedentes e suspeitas, indícios e acusações que recaem sobre sua pessoa, a verdade é que Renan estava certo em alegar o abuso de autoridade por parte do juiz de 1a instância que emitiu a ordem de busca e apreensão no Senado.
Afinal, se o senador tem foro privilegiado assegurado por lei, mesmo que esse instituto do foro privilegiado não tenha qualquer amparo ético, moral, assim como outras autoridades, nem a Polícia Federal teria poder para investigar esses privilegiados, sem que o Supremo os autorizasse, nem a Casa como um todo poderia estar sofrendo a invasão que a PF protagonizou. Pior ainda, estar recolhendo equipamentos, prendendo funcionários que apenas cumprem ordens.
Qual a razão de tal postura, senão o mero autoritarismo? E como justificar a incompetência de um juiz para tratar do assunto, embora talvex estando repleto de boas intenções, esse juiz tenha exorbitado sua competência, como tão bem mostrou, como de costume, Jânio de Freitas, em sua coluna na Folha.
***
Pois, a sorte é que, para além das fanfarronices e do espírito de corpo, além de um Gilmar Mendes, e de uma Carmem Lúcia, que parece querer estar precisando provar à sociedade que, embora indicada por Lula, não fez parte, nem concorda com os esquemas de que Lula é acusado de ter armado no Poder, o nosso Supremo tem um Teori.
E Teori, alheio às luzes e brilho dedicado a quem se crê no centro do palco, repôs as coisas em seus devidos lugares.
Tal como já havia feito com os procuradores e seu ridículo espetáculo de power point, em que tentavam condenar Lula, mesmo sem terem mostrado capacidade para investigá-lo e provar qualquer das acusações. Condenação por indícios e convicções tão somente.
Desta feita, Teori deixou claro que o juiz não poderia ter adotado a decisão que resultou na invasão do Senado, e requisitando todo o fruto da visita da PF àquela Casa Legislativa, para a alçada do Supremo.
Ou seja: Teori mostrou à Carmem Lúcia e a todos os idiotas autoritários que aplaudiram a brilhante resposta da presidenta do Supremo, que para ser um grande magistrado, não é necessário estar solidário com práticas que ferem a legislação.
Basta, na verdade, que se dê cumprimento à própria legislação. Seja ela boa ou não. Questionável ou não. Carente de reforma e reformulação ou não.
Teori veio nos lembrar, que dura lex, sed lex. E ponto.
Obrigado por mais isso, Teori.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
A corporativa resposta de Carmem Lúcia, a indicada por Lula para o STF; o Galo em Porto Alegre; o que não sabemos da desaposentação; e debate em BH: o que Leite Ninho (não) vai fazer com a região da Izidora
É forçoso reconhecer que o Galo saiu com um resultado muito bom de Porto Alegre ontem, mesmo não jogando bem de forma que algum desavisado pudesse acreditar que a vitória tenha sido um resultado justo.
Como já estamos nos acostumando, ou estamos acostumados, o Atlético mais uma vez sofreu para obter o resultado, e embora seja mesmo esse o estilo do time de Marcelo Oliveira, jogou recuado, sem posse de bola, diria até com medo. Mas fazendo o suficiente para garantir a vantagem que a sorte lhe permitiu construir ao lograr marcar um gol logo ainda aos três minutos de partida.
Desse momento em diante, como era de se esperar, o Internacional partiu para cima do Galo buscando virar o placar a seu favor, e contando com o apoio de sua torcida, que apoiou o time até que o juiz apitasse o final do jogo. Interessante observar que só então ouviram-se vaias vindas dos próprios colorados e gritos de segunda divisão dirigidas ao time.
Ao longo do jogo não.
A torcida cantou, gritou, pressionou o juiz que, em minha opinião não cometeu erros importantes de arbitragem.
Contando com o placar a seu favor, e algum nervosismo e ansiedade do time gaúcho, o time do Galo se encolheu e ficou apenas esperando uma bola para arrancar em contra ataques em velocidade.
Velocidade que teve dificuldade para imprimir à saída de bola, não só pela postura da defesa do Inter, mas por falta de inspiração, e algumas vezes de pernas de Robinho.
Com Robinho parecendo mais lento, Otero cercado e sem o apoio dos laterais que ficaram impedidos de subir ao ataque pelo esquema armado por Celso Roth, o time deu espaço e foi dominado pelo meio campo do adversário, que conseguiu construir várias jogadas de grande perigo.
***
Assisti o jogo acompanhando a transmissão da Fox, e embora PVC tenha dito que havia uma avenida nova em Porto Alegre, a avenida Carlos César, dada a facilidade encontrada pelo Inter para penetrar na defesa mineira pelo lado direito da defesa, a verdade é que fiquei observando, e como qualquer aluno em sala de aula, que começa a anotar a quantidade de vezes que o professor usa (e abusa) uma expressão marcante, repetitiva e cansativa, pus-me a marcar mentalmente a quantidade de vezes que Fábio Santos cometeu erros.
E a conclusão a que cheguei é que foi Fábio Santos e não o jogador William do Colorado, jogando ontem pelo meio, que merecia o título de melhor jogador do time gaúcho.
Fábio Santos errou tudo que tentou e que fez.
E nem estou falando da falta de seriedade dele, ao querer enfeitar uma jogada dentro da área, depois de cabeçada completamente equivocada tentada por Valdívia e que cruzou a área para ir sair à lateral.
Pois ao invés de fazer o simples, enfiar um bico na bola afastando-a daquele local, Fábio quis fazer embaixadinha, perdendo a bola para Anderson e depois, atingindo o jogador adversário.
Antes disso, já no primeiro tempo, dos passes errados dele saíram os principais lances de ataques perigosos do Internacional. E, quanto à capacidade de marcação dele, nem convém falar. Como já disse aqui em outras oportunidades, é completamente nula.
Fábio Santos não tem pernas, não consegue correr atrás de quem quer que seja que corra pelo lado direito do ataque do time que esteja enfrentando o Galo e sempre é facilmente batido, quando é dele a obrigação de dar o primeiro combate.
Porque às vezes, nem isso dá conta de fazer. Aí corre para o meio da área, onde também mais complica a vida de seus companheiros de defesa, já que obriga Erazo a sair da área, para fazer o que ele não teve condições de fazer.
***
Para não ficar muito repetitivo, mais uma vez acho que Marcelo falhou ao não trocar mais cedo Robinho por Cazares, muito mais rápido e parece-me que com mais preparo físico que o nosso Pedalada.
E isso ficou claro, em duas participações do equatoriano, ambas em saídas com velocidade, quando a partida já parecia estar com o placar definido, e um empate em 1 a 1, não era resultado ruim para o Galo.
E devo reconhecer que o domínio de bola de Cazares, sua calma para lançar a corrida de Luan e o toque do Maluquinho para Pratto livre aniquilar o Inter, foi das coisas e das jogadas mais bonitas dos últimos jogos, ao menos do Galo.
***
O gol de Pratto coroou o esforço do jogador que mais se doou na partida e que apenas reforça a mística de que o jogador argentino, qualquer que seja, realmente dá o sangue por seu time e por uma conquista.
Não bastasse o primeiro gol, em que toda a jogada, mesmo quando parecia perdida foi de Pratto, durante todo o primeiro tempo, não havia bola em que o argentino não estava tentando recuperar quando os defensores do time gaúcho tentavam sair trocando passes.
Pratto foi um leão, como de costume. E só não foi mais efetivo, porque Robinho parecia não ter pernas na maioria das jogadas.
***
Para concluir, é importante destacar a presença, sempre destacada, e mais destacada quando a defesa joga com um jogador a menos como esse Fábio Santos, de Victor, novamente fazendo o que poderíamos falar de milagres.
Também é importante fazer referência a Gabriel, jogando seguro e sem ficar enfeitando; Donizete, e seu esforço costumeiro; e Júnior Urso, também muito bom ajudando a Carlos César pela direita de nossa defesa.
Otero muito marcado parece ter recebido uma pancada no joelho, impedindo que seu futebol pudesse se desenvolver de forma mais objetiva.
***
Agora é esperar e torcer para que o segundo jogo possa não trazer tanto sofrimento à massa que deverá lotar o Independência.
***
De futebol à política
Interessante apenas repercutir os comentários de alguns amigos, e suas postagens nas redes sociais, criticando a fala de Carmem Lúcia, a presidenta do Supremo Tribunal Federal, em solidariedade ao juiz de primeira instância, "ofendido" por Renan.
Disse a ministra, com vários comentários em seu apoio, que toda vez que um juiz sofrer uma agressão, ela também está sendo agredida, assim como toda a justiça.
Bem, nada mais corporativista que essa frase ou comentário, que foi tão aplaudida pelos ignorantes que a trataram como se fora uma reprimenda ao presidente do Senado, Renan Calheiros.
Aliás, esses que correram a elogiar a ministra, o fizeram apenas por ser Renan a figura que todos, muito justamente não respeitam.
Mas daí, de achar que o político alagoano é corrupto e que já passou da hora de estar também pagando por seus possíveis abusos, a aplaudir a frase da magistrada vai uma grande distância, ao menos em minha opinião.
Porque quando o povo ou parcela da população brasileira é alvo de comentários agressivos ou ataques de deputados na tribuna da Câmara e até fora do âmbito da casa legislativa, a ministra mantém silêncio, não sai em defesa do povo agredido.
Talvez porque não seja ou se sinta parte do povo. O que é mais provável, ela não se incomoda por não se sentir agredida por não fazer parte do povo, já que tem assento no Olimpo.
Uma pena. Mas nada estranho vindo de uma juíza que já deu demonstrações anteriores de, na situação que o país atravessa atualmente, já ter tomado partido. Infelizmente, o partido das elites e do poder do grande empresariado e do capital.
***
Curioso: agora transformada em grande exemplo de caráter e dignidade, e assumindo o papel de ídolo nacional, para as pessoas mais conservadoras e de mentalidade mais embotada de nosso país, a ministra, tal como Joaquim Barbosa antes, na época do julgamento do mensalão, também foi indicada pelo PT, para chegar à corte superior.
Ou seja: a "ídola" atual desses que se recusam a perceber que o cérebro foi feito para que as pessoas o utilizem, era até pouco tempo, um dos exemplos de como o PT só colocou gente desqualificada ou mal intencionada no Supremo.
Carmem Lúcia é pois, mais uma das consequências nefastas do governo de Lula.
***
A desaposentação
E no STF ontem, foi negado o direito ao funcionário que se aposentou pela regra de aplicação do Fator Previdenciário e continuou trabalhando e recolhendo contribuição ao INSS, de obter o recálculo do valor de sua aposentadoria.
O assunto é complexo e exige mais estudos e análises, mas se o funcionário não irá poder aproveitar as contribuições que continua fazendo em seu benefício futuro, também não seria justo que não precisasse de recolher as contribuições?
Ou para ele, pode ter se iniciado novo período de contagem de tempo de serviço e, cumprido o tempo mínimo, hoje de 15 anos, ele poderia pleitear junto ao INSS, uma nova aposentadoria, baseada nessa contribuição?
Confesso que não acompanhei a questão e a discussão travada, e que pouco vi os jornais tratarem. O que é uma pena.
Caso algum advogado que entenda de Direito Previdenciário pudesse dar alguma explicação, eu teria imenso prazer em ter mais informação do tema.
***
E em BH, continua Leite Ninho, desesperado, apenas falando do nome de Kalil
Parece que o Leite Ninho, não tem mais qualquer proposta para a Prefeitura de BH, se é que já teve alguma, séria, em algum momento.
A única proposta que demonstra é a do projeto de poder que seu padrinho apresenta (e o candidato contrário passou a veicular em sua propaganda eleitoral), tentando aplainar a dura caminhada até o Planalto em 2018.
***
Mas o curioso é que, agora, parte majoritária da imprensa, especialmente aquela que está no bolso do padrinho de Leite Ninho, aquele político golpista de imagem poluída, está fazendo tudo para mostrar que o candidato das forças tradicionais recuperou-se nas pesquisas.
E esforçam-se para mostrar que as pesquisas apontam um empate técnico, claro que, se a margem de erro for toda aproveitada contra o candidato que está à frente e a favor do seu preferido.
Ora, se era para fazer as contas com 6 pontos a mais para o Leite em pó, dos 3 pontos da margem de erro, porque não apresentarem de uma vez esses pontos a favor do candidato que desejam seja vitorioso?
É no mínimo estranho o tratamento que dão ao resultado da pesquisa e à distribuição da margem de erro entre os dois postulantes (melhor talvez fosse pustulantes, caso a palavra existisse!).
***
Tão estranho o comportamento, quanto a afirmação de Leite Ninho, de que vai dar títulos de regularização de propriedades para quem já tem mais de 30 anos ou 40 anos de ocupação de alguma área.
Ora, isso a lei assegura, pelo usucapião urbano.
A Izidora, e as ocupações de sua vasta área, que parecem não ter tanto tempo assim (embora seja região até de quilombolas), então não vai ser tratada.
E foi essa a pergunta feita ao Leite Ninho no debate do SBT, por seu opositor.
Mas, não falar da região, era o que se poderia mesmo esperar, de quem tanto tem a ganhar se, retiradas as famílias lá instaladas, os amigos do construtor visionário da Cidade Administrativa de Belo Horizonte, puderem construir empreendimentos imobiliários de alto padrão, cujo projeto até já existe.
O que faz a Izidora e as regiões de Rosa Leão, Vitória e Esperança ficarem mais uma vez sujeitas às ações de despejo.
#ResisteIzidora.
Como já estamos nos acostumando, ou estamos acostumados, o Atlético mais uma vez sofreu para obter o resultado, e embora seja mesmo esse o estilo do time de Marcelo Oliveira, jogou recuado, sem posse de bola, diria até com medo. Mas fazendo o suficiente para garantir a vantagem que a sorte lhe permitiu construir ao lograr marcar um gol logo ainda aos três minutos de partida.
Desse momento em diante, como era de se esperar, o Internacional partiu para cima do Galo buscando virar o placar a seu favor, e contando com o apoio de sua torcida, que apoiou o time até que o juiz apitasse o final do jogo. Interessante observar que só então ouviram-se vaias vindas dos próprios colorados e gritos de segunda divisão dirigidas ao time.
Ao longo do jogo não.
A torcida cantou, gritou, pressionou o juiz que, em minha opinião não cometeu erros importantes de arbitragem.
Contando com o placar a seu favor, e algum nervosismo e ansiedade do time gaúcho, o time do Galo se encolheu e ficou apenas esperando uma bola para arrancar em contra ataques em velocidade.
Velocidade que teve dificuldade para imprimir à saída de bola, não só pela postura da defesa do Inter, mas por falta de inspiração, e algumas vezes de pernas de Robinho.
Com Robinho parecendo mais lento, Otero cercado e sem o apoio dos laterais que ficaram impedidos de subir ao ataque pelo esquema armado por Celso Roth, o time deu espaço e foi dominado pelo meio campo do adversário, que conseguiu construir várias jogadas de grande perigo.
***
Assisti o jogo acompanhando a transmissão da Fox, e embora PVC tenha dito que havia uma avenida nova em Porto Alegre, a avenida Carlos César, dada a facilidade encontrada pelo Inter para penetrar na defesa mineira pelo lado direito da defesa, a verdade é que fiquei observando, e como qualquer aluno em sala de aula, que começa a anotar a quantidade de vezes que o professor usa (e abusa) uma expressão marcante, repetitiva e cansativa, pus-me a marcar mentalmente a quantidade de vezes que Fábio Santos cometeu erros.
E a conclusão a que cheguei é que foi Fábio Santos e não o jogador William do Colorado, jogando ontem pelo meio, que merecia o título de melhor jogador do time gaúcho.
Fábio Santos errou tudo que tentou e que fez.
E nem estou falando da falta de seriedade dele, ao querer enfeitar uma jogada dentro da área, depois de cabeçada completamente equivocada tentada por Valdívia e que cruzou a área para ir sair à lateral.
Pois ao invés de fazer o simples, enfiar um bico na bola afastando-a daquele local, Fábio quis fazer embaixadinha, perdendo a bola para Anderson e depois, atingindo o jogador adversário.
Antes disso, já no primeiro tempo, dos passes errados dele saíram os principais lances de ataques perigosos do Internacional. E, quanto à capacidade de marcação dele, nem convém falar. Como já disse aqui em outras oportunidades, é completamente nula.
Fábio Santos não tem pernas, não consegue correr atrás de quem quer que seja que corra pelo lado direito do ataque do time que esteja enfrentando o Galo e sempre é facilmente batido, quando é dele a obrigação de dar o primeiro combate.
Porque às vezes, nem isso dá conta de fazer. Aí corre para o meio da área, onde também mais complica a vida de seus companheiros de defesa, já que obriga Erazo a sair da área, para fazer o que ele não teve condições de fazer.
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Para não ficar muito repetitivo, mais uma vez acho que Marcelo falhou ao não trocar mais cedo Robinho por Cazares, muito mais rápido e parece-me que com mais preparo físico que o nosso Pedalada.
E isso ficou claro, em duas participações do equatoriano, ambas em saídas com velocidade, quando a partida já parecia estar com o placar definido, e um empate em 1 a 1, não era resultado ruim para o Galo.
E devo reconhecer que o domínio de bola de Cazares, sua calma para lançar a corrida de Luan e o toque do Maluquinho para Pratto livre aniquilar o Inter, foi das coisas e das jogadas mais bonitas dos últimos jogos, ao menos do Galo.
***
O gol de Pratto coroou o esforço do jogador que mais se doou na partida e que apenas reforça a mística de que o jogador argentino, qualquer que seja, realmente dá o sangue por seu time e por uma conquista.
Não bastasse o primeiro gol, em que toda a jogada, mesmo quando parecia perdida foi de Pratto, durante todo o primeiro tempo, não havia bola em que o argentino não estava tentando recuperar quando os defensores do time gaúcho tentavam sair trocando passes.
Pratto foi um leão, como de costume. E só não foi mais efetivo, porque Robinho parecia não ter pernas na maioria das jogadas.
***
Para concluir, é importante destacar a presença, sempre destacada, e mais destacada quando a defesa joga com um jogador a menos como esse Fábio Santos, de Victor, novamente fazendo o que poderíamos falar de milagres.
Também é importante fazer referência a Gabriel, jogando seguro e sem ficar enfeitando; Donizete, e seu esforço costumeiro; e Júnior Urso, também muito bom ajudando a Carlos César pela direita de nossa defesa.
Otero muito marcado parece ter recebido uma pancada no joelho, impedindo que seu futebol pudesse se desenvolver de forma mais objetiva.
***
Agora é esperar e torcer para que o segundo jogo possa não trazer tanto sofrimento à massa que deverá lotar o Independência.
***
De futebol à política
Interessante apenas repercutir os comentários de alguns amigos, e suas postagens nas redes sociais, criticando a fala de Carmem Lúcia, a presidenta do Supremo Tribunal Federal, em solidariedade ao juiz de primeira instância, "ofendido" por Renan.
Disse a ministra, com vários comentários em seu apoio, que toda vez que um juiz sofrer uma agressão, ela também está sendo agredida, assim como toda a justiça.
Bem, nada mais corporativista que essa frase ou comentário, que foi tão aplaudida pelos ignorantes que a trataram como se fora uma reprimenda ao presidente do Senado, Renan Calheiros.
Aliás, esses que correram a elogiar a ministra, o fizeram apenas por ser Renan a figura que todos, muito justamente não respeitam.
Mas daí, de achar que o político alagoano é corrupto e que já passou da hora de estar também pagando por seus possíveis abusos, a aplaudir a frase da magistrada vai uma grande distância, ao menos em minha opinião.
Porque quando o povo ou parcela da população brasileira é alvo de comentários agressivos ou ataques de deputados na tribuna da Câmara e até fora do âmbito da casa legislativa, a ministra mantém silêncio, não sai em defesa do povo agredido.
Talvez porque não seja ou se sinta parte do povo. O que é mais provável, ela não se incomoda por não se sentir agredida por não fazer parte do povo, já que tem assento no Olimpo.
Uma pena. Mas nada estranho vindo de uma juíza que já deu demonstrações anteriores de, na situação que o país atravessa atualmente, já ter tomado partido. Infelizmente, o partido das elites e do poder do grande empresariado e do capital.
***
Curioso: agora transformada em grande exemplo de caráter e dignidade, e assumindo o papel de ídolo nacional, para as pessoas mais conservadoras e de mentalidade mais embotada de nosso país, a ministra, tal como Joaquim Barbosa antes, na época do julgamento do mensalão, também foi indicada pelo PT, para chegar à corte superior.
Ou seja: a "ídola" atual desses que se recusam a perceber que o cérebro foi feito para que as pessoas o utilizem, era até pouco tempo, um dos exemplos de como o PT só colocou gente desqualificada ou mal intencionada no Supremo.
Carmem Lúcia é pois, mais uma das consequências nefastas do governo de Lula.
***
A desaposentação
E no STF ontem, foi negado o direito ao funcionário que se aposentou pela regra de aplicação do Fator Previdenciário e continuou trabalhando e recolhendo contribuição ao INSS, de obter o recálculo do valor de sua aposentadoria.
O assunto é complexo e exige mais estudos e análises, mas se o funcionário não irá poder aproveitar as contribuições que continua fazendo em seu benefício futuro, também não seria justo que não precisasse de recolher as contribuições?
Ou para ele, pode ter se iniciado novo período de contagem de tempo de serviço e, cumprido o tempo mínimo, hoje de 15 anos, ele poderia pleitear junto ao INSS, uma nova aposentadoria, baseada nessa contribuição?
Confesso que não acompanhei a questão e a discussão travada, e que pouco vi os jornais tratarem. O que é uma pena.
Caso algum advogado que entenda de Direito Previdenciário pudesse dar alguma explicação, eu teria imenso prazer em ter mais informação do tema.
***
E em BH, continua Leite Ninho, desesperado, apenas falando do nome de Kalil
Parece que o Leite Ninho, não tem mais qualquer proposta para a Prefeitura de BH, se é que já teve alguma, séria, em algum momento.
A única proposta que demonstra é a do projeto de poder que seu padrinho apresenta (e o candidato contrário passou a veicular em sua propaganda eleitoral), tentando aplainar a dura caminhada até o Planalto em 2018.
***
Mas o curioso é que, agora, parte majoritária da imprensa, especialmente aquela que está no bolso do padrinho de Leite Ninho, aquele político golpista de imagem poluída, está fazendo tudo para mostrar que o candidato das forças tradicionais recuperou-se nas pesquisas.
E esforçam-se para mostrar que as pesquisas apontam um empate técnico, claro que, se a margem de erro for toda aproveitada contra o candidato que está à frente e a favor do seu preferido.
Ora, se era para fazer as contas com 6 pontos a mais para o Leite em pó, dos 3 pontos da margem de erro, porque não apresentarem de uma vez esses pontos a favor do candidato que desejam seja vitorioso?
É no mínimo estranho o tratamento que dão ao resultado da pesquisa e à distribuição da margem de erro entre os dois postulantes (melhor talvez fosse pustulantes, caso a palavra existisse!).
***
Tão estranho o comportamento, quanto a afirmação de Leite Ninho, de que vai dar títulos de regularização de propriedades para quem já tem mais de 30 anos ou 40 anos de ocupação de alguma área.
Ora, isso a lei assegura, pelo usucapião urbano.
A Izidora, e as ocupações de sua vasta área, que parecem não ter tanto tempo assim (embora seja região até de quilombolas), então não vai ser tratada.
E foi essa a pergunta feita ao Leite Ninho no debate do SBT, por seu opositor.
Mas, não falar da região, era o que se poderia mesmo esperar, de quem tanto tem a ganhar se, retiradas as famílias lá instaladas, os amigos do construtor visionário da Cidade Administrativa de Belo Horizonte, puderem construir empreendimentos imobiliários de alto padrão, cujo projeto até já existe.
O que faz a Izidora e as regiões de Rosa Leão, Vitória e Esperança ficarem mais uma vez sujeitas às ações de despejo.
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