terça-feira, 7 de março de 2017

Resultado do PIB e depressão; consequências e reformas. A da Previdência como necessidade por uma estratégia de risco mal calculado

Pelo segundo ano consecutivo o PIB do país, fruto da soma dos preços de todos os bens finais e dos serviços produzidos durante o ano, acrescido de variações positivas de estoques (ou excluídas as variações negativas, se houver), apresenta um resultado negativo, agora de 3,6%, conforme divulgado pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Somado o resultado à queda já ocorrida no ano anterior, de 3,8%, o número indica que a economia brasileira encolheu 7,5% no biênio, ou seja, que o país ficou 7,5% mais pobre.
O resultado, pior que as expectativas negativas do mercado, assinalam uma queda da produção no último trimestre de 2016, indicando um aprofundamento da recessão do país, resultado que mostra o quanto eram e são falsas e distorcidas as reportagens e comentários econômicos de nossa midia, principalmente televisiva, que insistem em tentar vender uma realidade paralela.
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Com o resultado obtido no último trimestre de 2016, 2,5% pior que o apresentado em igual período do ano anterior, o país atingiu o décimo primeiro resultado negativo seguido sob essa ótica, o que indica que o quadro recessivo é pior que o difundido pelos analistas, ou seja, que a economia está enfrentando um período mais grave, característico de uma depressão.
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Do ponto de vista da renda per capita, apenas em relação a 2015 cada brasileiro ficou 4,4% mais pobre, resultado que, em grande parte, elimina os ganhos obtidos nos anos de expansão e euforia do governo Lula, principalmente tendo em conta os segmentos mais pobres da população.
Situação que se agrava ainda mais, com a persistência do fechamento de vagas de trabalho formal em 2016, com o desemprego fechando o ano em 1,32 milhão de trabalhadores, tendência que persiste em janeiro desse ano, com a queda anunciada de 40,8 mil vagas.
Isso apesar de toda o esforço da imprensa para mostrar um país tingindo por tons mais róseos, e um ambiente mais otimista.
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Em relação à queda do PIB de 2016, todos os setores apresentaram resultados negativos, com a agropecuária destacando-se com a maior queda, em razão do comportamento da agricultura. O ponto a destacar, entretanto, é a generalização da queda, que alcançou também a indústria e o setor de serviços. 
Considerado da ótica dos gastos, outro ponto a destacar é a queda de 10,2% dos gastos com a formação bruta de capital fixo, que caracteriza os gastos com investimento.
Dessa forma, pelo terceiro ano consecutivo o país que precisa crescer apresenta um resultado negativo nos gastos que sustentam um crescimento na produção, emprego e renda.
Em grande parte, a explicação da queda da formação capital pode ser imputada à queda dos gastos em investimentos públicos, importante elemento indutor dos gastos empresariais de investimento.
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É importante assinalar a importância dos gastos de investimento hoje, para que a economia possa apresentar resultados melhores no futuro. O que não está acontecendo.
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Ainda em relação a esse ponto, algumas observações importantes devem ser assinaladas, como consequência da retração do PIB.
Em primeiro lugar, naturalmente há uma piora no indicador do endividamento bruto e líquido do setor público, o que agrava a situação das contas públicas e de sua análise pelos mercados e investidores,
independente de o governo estar restringindo ou não seus gastos. E também aqui, em relação à despesa pública - que costuma ser muito rígida a movimentos declinantes, o indicador Despesa em relação ao PIB deverá apresentar piora.
Se há relação positiva entre a queda do produto com os indicadores de despesa ou déficit e endividamento sobre o PIB, ao contrário, em relação às receitas, o movimento é contrário. O que faz a queda do PIB reduzir ainda mais a arrecadação total, seja em termos de valor, seja em indicador em relação ao PIB. Nesse último caso, a deterioração da arrecadação acaba sendo maior que a do próprio PIB.
Tais situações de agravamento dos indicadores podem levar analistas a cada vez mais cobrarem a redução dos gastos do governo, o que tem consequências, como se sabe, inclusive no longo prazo. Assim, a redução de gastos com transportes e conservação da malha rodoviária, por exemplo, agrava no futuro os gastos com saúde e benefícios assistenciais, em razão de possível aumento de acidentes rodoviários. 
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Por outro lado, ganhará importância cada vez mais, o argumento da necessidade de se privatizar a infraestrutura de nosso país, ampliando-se o movimento na direção das concessões de serviços públicos, entre outros, o que não é de forma nenhuma algo ruim, por si só. Ao contrário.
O problema é que, como já estamos nos habituando a assistir em nossa economia, fazer as empresas concessionárias cumprirem, a contento, as obrigações por elas assumidas, quando das assinaturas dos contratos de concessão. 
Em nosso país, temos visto a qualidade dos serviços públicos ficarem, em geral, aquém das necessárias, os preços ficarem cada vez mais elevados e a transferência de recursos para o governo minguarem cada vez mais.
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De tudo isso, percebe-se que mais discussão e mais seriedade no tratamento de nossas agências reguladoras, torna-se necessária. De forma a dotá-las de instrumentos mais capazes de que a regulação das atividades possa promover melhoria das condições e da qualidade dos serviços prestados.
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Em meio a tudo isso, não há como não abordar a política de estímulo ao crescimento adotada pelo governo ilegítimo que conduz nosso país, e que tem entre um de seus pilares, a lei do congelamento do teto dos gastos públicos, e de outras fontes de geração de demanda agregada. 
A essa redução de gastos, some-se a proposta de reforma tributária que, independente de discursos oficiais que apresentam como objetivo a simplificação do sistema e uma ou outra mudança pontual, não deverá perder a oportunidade para ampliar a carga tributária, como as declarações do relator do projeto, deputado Hauly, são excelente ilustração, com a proposta de recriação da CPMF.
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Ou seja: de um lado, amplia-se a arrecadação, o que retira renda do setor privado para o setor público, e reduz a demanda agregada. Por outro lado, comprimem-se, cada vez mais, as despesas públicas, principalmente as relativas ao investimento público, tão necessário, o que contribui para reduzir, mais uma vez, a demanda agregada. 
Nesse meio tempo, ameaça-se a promover cortes significativos na política de assistência social e da previdência, além de alterações na lei de salários etc.
Todas medidas destinadas a gerar redução de gastos e queda da demanda. 
Ao final e ao cabo, querem que a produção se expanda, para atender a uma demanda que apenas conseguiu ser deprimida até limites mínimos. 
Sem demanda, não há produção. E sem produção, não há emprego, nem renda, nem arrecadação, nem qualquer possibilidade de a economia funcionar, salvo como paraíso para aplicações financeiras especulativas, cada vez mais restrita e beneficiando a uma casta ínfima de pessoas.
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Nesse sentido é que a reforma da previdência deve ser interpretada agora. 
Já que, aprovada a lei do teto de gastos, como o foi e como já alertávamos nesses pitacos e alertavam outros economistas de viés mais crítico, caso a previdência agora não contenha seus gastos, que crescem inegavelmente a cada ano, mesmo que não sendo AINDA deficitária, não sobrará recursos para o governo funcionar enquanto tal, em prol da sociedade, em áreas como educação, saúde, transportes, segurança e tantas outras.
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Sempre é bom lembrar que a estratégia de, primeiro aprovar o limite do teto dos gastos para forçar depois uma reforma da previdência mais draconiana, sempre foi classificada como, no mínimo, perigosa, já que não havia certeza de que assunto tão emocional pudesse ser facilmente empurrada goela abaixo da população. 
Ou: o tiro pode sair pela culatra e o pacote de maldades de temer e seus assessores previdenciários, todos atuando mais como lobistas de interesses privados na área, não ser aprovado.
Caso que deixa no ar a pergunta: e o desgoverno, como ficaria? Acabaria, embora sem nunca ter começado por vontade popular?
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Em relação à reforma da previdência, não consigo entender a razão de a questão da idade mínima imediata, leia-se a partir de pelo menos 2018 ser tão fundamental. 
Não que não ache que a ideia de fixação de uma idade mínima não seja importante e necessária. Mas porque pela lei 13.183, de 4 de novembro de 2015, ainda no governo Dilma, essa definição já foi estabelecida, não como transição, mas como progressão.
E o que me deixa curioso é a razão de os órgãos de imprensa não apresentarem isso para o público em geral, de forma mais destacada.
Por aquela lei, em seu artigo 29 e parágrafos, quem quisesse aposentar-se sem aplicação do Fundo Previdenciário deveria completar um mínimo de 35 anos de serviço se homens e 30 no caso de mulheres, somados a 55 anos de idade a mulher, e 60 o homem. 
É a chamada lei do 85/95. 
Mas a lei também introduz uma progressividade nesse critério. De tal forma que em 2018, para quem tivesse 35 anos de contribuição, a idade mínima para requerer o benefício seria de 61, com a regra passando a ser 86/96. Daí em diante, a cada dois anos, mais um ano de idade seria exigido, até que em 2026 a idade fosse de 65 anos. 
Não seria mais fácil e mais lógico e menos agressivo, que houvesse uma alteração apenas nesse critério de progressividade, trazendo a idade para, digamos 62 anos em 2018, e 65 em 2020, por exemplo?
Podendo estabelecer até idade limite maior em 2025?
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A situação fiscal do país não teria melhoras embora a previdência pública não fosse, como parece ser a proposta do atual e corrupto desgoverno, completamente destruída, abrindo espaço para a previdência privada florescer e se tornar exclusiva/
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Infelizmente, parece ser essa privatização, o objetivo maior do desgoverno, o que não é de estranhar ninguém, uma vez que ele foi lá posto, e se sustenta mesmo em torno a todo mar de acusações que enfrenta, justamente para cumprir esse papel: de desmonte do Estado brasileiro. E ampliação do campo de produção de mercadoria e geração e expansão do valor.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Pitacos em momento de suspense e expectativa. Depois da lista de Tite, a de Janot. Teme-se que ambos fiquem muito presos a seus amigos leais

Ainda sob a ressaca de carnaval e do desfile das campeãs, a semana começa em compasso de espera da prometida lista de Janot, a ser encaminhada ao Supremo, com nome de vários dos principais políticos detentores de foro privilegiado. Leia-se: políticos em pleno exercício de seus mandatos.
Citados inúmeras vezes nas delações dos executivos do grupo Odebrecht, a medida é necessária para que tenham início as investigações contra os citados.
Como sempre, todos negam. Com alguns tendo a cara de pau de dizer que pediram financiamentos por dever da posição que ocupavam, como presidentes de partido.
Esse é o caso do desesperado aécio, pego em meio à poeira que sempe se levanta a sua volta. E que serve para anuviar o ambiente, permitindo que ele escapule de fininho.Bem ao estilo mineirinho come quieto, da anedota.
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Também, pelo que se lê no jornal, é o argumento da defesa do usurpador temer, que alcança a raia do ridículo ao utilizar como argumento o fato de ter pedido doações para campanha, como presidente de partido (embora no Palácio do Jaburu), e não para a chapa da que fez parte.
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Acho até interessante o fato de que, para justiificar o injustificável, tentando mostrar que não era golpe o que estava sendo posto em prática em Brasília, temer e seus prováveis  comparsas afirmavam que temer teria sido eleito na chapa vencedora, daí a razão de em sendo cumpridos os preceitos constitucionais e afastada a titular, era legítimo que ele, DA CHAPA, passar a ocupar o cargo.
E agora?
Agora o argumento da chapa a que ele pertencia não vale mais. Agora, para sua defesa, interessa mais tentar um argumento mirabolante, capaz de transmitir a ideia de que embora na chapa ele não fazia parte e nem adotou qualquer comportamento em seu favor.
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Nesse meio tempo, as oitivas dos delatores da Odebrecht pelo Ministro Herman Benjamin prosseguem, e vários nomes de outros partidos e políticos sempre vêm á baila, mesmo que o ministro já tenha deixado claro que referências a fatos estranhos à causa não devam ser levados em consideração, por não importarem na formação de seu juízo de valor.
No entanto, por mais que o Ministro tenha razão em relação ao fato específico que analisa, não resta dúvida que são importantes as referências a terceiros, não envolvidos diretamente na causa em julgamento, não como alibi da chapa vitoriosa. Se a chapa cometeu ilícitos na forma de obtenção de seu financiamento, deve ser punida, e de nada adianta a velha e surrada tese de que todo mundo agia assim.
Afinal, não deixa de ser crime algo assim capitulado em lei, apenas por ser prática comum.
Mas, é inegável que a desfaçatez de algumas pessoas chega a ser ridícula.
Algumas delas que como é de conhecimento público, cheiram mal.
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Assim, dar entrada em um pedido para que se excluam dos depoimentos referências a aecins ou outras figurinhas menos protegidas da midia, como se a mera censura às citações a sua pessoa poderiam esconder os possíveis delitos também por eles praticados é risível.
Uma situação tão esdrúxula que levou até mesmo Elio Gaspari a recorrer a seu delicioso personagem Eremildo, o idiota.
Ontem em sua coluna, o jornalista disse que Eremildo já percebeu que se o dinheiro que saiu da mesma empresa, do mesmo cofre, da mesma forma e obtido pelas mesmas obras, os mesmos contratos fraudados ou não, for para financiar a campanha de Dilma e do PT, indiscutivelmente é crime. Mas se for para financiar campanhas de outros partidos, seja vice na chapa de Dilma ou a chapa derrotada pelo povo na eleição, aí os recursos eram de origem legal e todos foram legalmente repassados aos beneficiários.
Não precisa de mais nada. Estamos entendidos, pois.
Vale apenas citar que, já de há muito tempo, nesse pitaco, expressei minha opinião, idêntica a essa.
Se o dinheiro foi obtido por obras obtidas com contratos irregulares, obras já superfaturadas, dinheiro público para financiamento de caixinhas eleitorais, ou departamentos de operações estruturadas de propinas, isso signfica que todos que o receberam e dele fizeram proveito estão na mesma barca.
E, como não sobra ninguém nem partido algum, a questão é condenar a todos e torná-los, todos, sem exceção, inelegíveis.
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Ainda em relação a essa questão, gostaria de saber como ficam agora, os responsáveis pelos panelaços, que tanto defendiam a lisura daqueles que estavam com eles nas manifestações de repúdio à corrupção, em praça pública, igualmente vestidos com camisetas amarelas da honrada CBF. Como reagem agora à afirmação de que os mesmos políticos que marcharam e gritaram com eles contra a corrupção, estão tão mergulhados no ambiente de mar de lama como os outros.
Como agora irão defender anastasias e seu excelente e tecnicamente brilhante relatório favorável a que o golpe contra Dilma pudesse prosseguir, quem sabe interessado em que a sangria da Lava Jato pudesse ser paralisada e seu nome não viesse a surgir em meio à lama?
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Triste. E, por triste, ninguém mais tem interesse em amassar panelas durante as noites, atrapalhado a novela. Porque já deve estar caindo a ficha de que apenas as panelas se amassam e as pessoas deixam de entender as tramas da novela. A corrupção fica toda mais escondida, mais sofisticada. Mais bem feita. E viva como sempre.
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No âmbito exterior

Nos Estados Unidos, Trump estuda meios que lhe permitam separar pais e filhos menores de ilegais. Como a lei impede que os menores sejam deportados, a medida é menos para causar a dolorosa separação e sim, para desencorajar os pais de tentarem entrar no país.
Mas que é no mínimo mais uma trumpada, não se questiona. Porque vai que tenha mesmo que separar pais e especialmente mães de seus filhos menores?
Lembra muito o caso de processos de adoção determinados no nosso país, por juízes que contrariamente à lei, e movido por motivos forjados e comprovados falsos, decidem que os pais não podem e não devem ficar com a guarda de seus filhos.
E que os menores devem ser entregues a famílias mais ricas e poderosas, a ponto de passarem à frente de outros casais interessados em adoção, há muito nas filas de espera.
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E Moro continua em sua luta anti-Lula

E, embora cada vez mais fique  evidente a parcialidade do juiz moro em relação a Lula, e a pequena estatura de quem julga, quando comparado à grandiosidade e significado do teor da matéria em julgamento, o certo é que esse tipo de questão não deveria causar surpresa em nosso país.
Afinal, aqui as regras foram estabelecidas para não serem cumpridas e os árbitros, no futebol, ou na vida jurídica agem como se deuses, no sempre espaço deixado para suas interpretações pessoais.
Por isso erram como poucos, e erros monumentais, como os de Palmeiras e Corinthians, que culminou com a expulsão injusta de quem não participara do lance.
Ou como o juiz de ontem, errando duas vezes a favor do mesmo São Paulo.
Ou ainda como esse juiz de Curitiba, que se acha Deus. E ungido, pode ser autoritário, agir ao arrepio da lei, destratar partes e seus advogados, ou agradar a outras de  mesmas simpatias políticas, tudo como se fosse a última bala do pacote de guloseimas.
O que lhe dá o direito de, com o apoio da midia e da população que mistura realidade com novelas de ficção que lhes são vendidas, tanto no horário do jornal da noite como nos programas que lhe seguem, se deixarem levar por seus egos e promoverem julgamentos capaz de corar a própria deusa da Justiça.
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Mas tudo bem. Ou ficará tudo bem, se ele conseguir tirar do cenário para 2018 o maior obstáculo às elites e à classe hegemônica do país: Lula.
Ah! que saudades do tempo em que você eliminava um candidato era no voto popular, da mesma forma que o povo derrotou aecim.



quinta-feira, 2 de março de 2017

Carnavalizar a vida não é sinal de que nossa vida é uma eterna festa

A mídia insiste, mas a bem da verdade, depois de ter de pagar IPTU, IPVA, material e uniforme escolar, renovar a taxa do transporte escolar dos filhos, ouvir dizer que agora, passado o carnaval, é que o ano de fato tem início, só pode ser considerada piada de péssimo gosto.
Anedota que tem seu sabor ampliado, a julgar pelas notícias que vêm de Brasília, mais especificamente aquelas do relator da dita reforma tributária que o usurpador temer tenta nos impingir, em nome de interesses cada vez menos inconfessáveis e mais notórios, a julgar pelo comportamento de euforia dos mercados financeiros e seus analistas de sempre.
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Claro, o comportamento do dito mundo real é bem diferente, já que segue em outra direção, o que Míriam Leitão se apressa em explicar na Globo: é que os mercados financeiros antecipam o futuro, embora para fazer justiça, ao comentar o comparativo dos resultados econômicos desses dois mundos, ela não se furtou a classificar a reação do mundo das finanças como algo exagerado.
Para a jornalista, com as reformas em andamento, o que destravaria nosso funcionamento dos mercados, e com alguns setores já começando a mostrar alguma reação, como por exemplo o setor de comércio de alimentos (que experimentou queda no faturamento nos últimos meses), que recolheu mais impostos nesse início de ano, há mais que indícios de para fazer a festa dos mercados financeiros. A cautela sendo recomendada apenas pela questão política.
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Mas, como a jornalista dá a notícia como compra ou passam para ela, sendo mera repetidora das mensagens que os interessados querem ver difundidas na mídia, não há qualquer informação quanto a esse montante de imposto recolhido, nem a que período se refere, nem quanto a sua base de incidência, etc.
É mera informação, e pode não guardar relação alguma com o movimento no comércio.
O que não nos impede de retomarmos nosso assunto original, da reforma tributária do ilegítimo ocupante da presidência da República. Para constatarmos com algum espanto, embora não tanto como seria de se esperar de um país e um povo sério, que o relator Hauly que na época do governo Dilma tanto vociferou contra o retorno da CPMF é agora o defensor da sua volta.
Panelas! Onde estão as panelas? onde o barulho das massas revoltadas com o aumento da carga tributária cuja única finalidade seria financiar a corrupção?
Onde as panelas, meu Deus, gritaria agora Beethoven, do alto de sua surdez!!!
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Bem, não há nem paneleiros, nem panelas disponíveis para qualquer protesto, já que os utensílios estão sobre as trempes dos fogões, repletas do alimento disponibilizado por temer, o inútil, e sua maravilhosa política econômica de salvação nacional.
Aquelas panelas que tiveram outra destinação, seus donos as venderam já que não tinham mais emprego, nem renda, nem grana, nem alimento que justificasse sua utilização.
A essas famílias, que temer e sua política favorável às classes mais privilegiadas conseguiu ampliar em quantidade, resta apenas uma imensa e terrível fome.
Uma fome que o carnaval conseguiu deixar esquecida, já que a época era de fantasia. E muita alegria.
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Por que Hauly, economista, tucano, tornou-se agora favorável à CPMF?
Simples. Porque o imposto é necessário, embora não se negue muitas das críticas a seu caráter cumulativo. Porque o PT já está fora do poder, atendendo ao germe nefasto representado pela figura do presidente de seu partido que, comportando-se como um garoto mimado, que não sabe perder, resolveu que ia impedir o governo Dilma de funcionar.
No que contou com a colaboração de gente tão séria quanto todos os que desejavam estancar a sangria da Lava Jato, ou os membros da nossa impoluta Justiça, interessada mais em expandir sua participação na geração da renda nacional e em sua destinação.
O Brasil ainda irá lembrar muito e a história fará justiça a essa figura minúscula de nossa política, aecim e toda a poeira que costuma cercá-lo.
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E pensar que em 2014 ele chegou a acreditar e até comemorava ter sido eleito.
O que o coloca em excelente companhia, junto à miss Colômbia, ao filme La la Land ...
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E vêm os tucanos de toda plumagem alegar que sempre pensaram e defenderam o Brasil?
Bem, em tempos de carnaval, a gente até aceita e sai acompanhando o bloco.
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Vimos então que o ano já começou, inclusive com Marcelo Odebrecht admitindo ter estado no palácio do Jaburu, onde o vice presidente da época solicitou-lhe apoio financeiro à campanha de seu partido.
O empresário nega que tenha falado em valores, tratando do assunto da doação apenas genericamente. Parece que foi seu auxiliar, ex-diretor do grupo, que se responsabilizou de, mais tarde, tratar dessas questões menores com o preposto de temer: Eliseu Padilha (nunca posso me esquecer de ACM, o Toninho Malvadeza e o nome carinhoso com que tratava o sombra de teme, Eliseu Quadrilha, como conta a lenda).
Pois bem, não é que quadrilha que participa de jantares, também participa de governos... e com alto cargo.
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E não é que não vi ninguém nos jornais destacando mais uma vez essa mistura vergonhosa entre a coisa pública e a privada, que é o vice presidente, no Palácio que é sua residência oficial, tratando de uma questão tão particular quanto muitas vezes muito próxima do que há de pior na política, que é o financiamento de campanha?
Porque ninguém pode ser tão ingênuo a ponto de achar que o político pede o dinheiro para a campanha e o recebe, sem assumir qualquer compromisso, mesmo que seja apenas tácito, de retribuir o favor? E o empresário contribui, ou melhor apenas faz os cálculos econômicos como é de praxe, ao tomar a decisão de realizar qualquer outro investimento?
Ou somos todos tolos e acreditamos que temer não sabia o que estava pedindo e de onde viria o recurso, e que Odebrecht sabia o retorno de cada um daqueles 10 milhões, dos quais 4 entregues em nome de eliseu? No escritório de Yunes, o amigão de temer que agora confessa a trama?
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Mas se a imprensa não comenta nada desse assunto, não é por que na época temer não estava no poder, o que não valeria, por exemplo, para uma acusação de crime de responsabilidade. Porque com ele no poder, ficou muito clara sua intervenção ou por ação, ou até mesmo por inação no caso do anão Geddel, também seu amigo.
Assunto que morreu. Não por que foi encerrado. Mas porque com esse governo os delitos e acusações não param. Apenas se acumulam, e um a cada dia, o que não permite nem mesmo dar a cada um deles a atenção devida.
Ou porque, independente de qualquer mácula, seja original na chegada ao poder, seja no exercício desse mesmo  poder, o que importa é que as ditas reformas salvadoras para as quais o mesoclítico usurpador foi instalado onde se encontra sejam levadas adiante.
Para o bem ou para o mal do povo brasileiro, o governo temer é o governo da redenção do grande capital e da manifestação de sua hegemonia.
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Daí a reforma tributária, que só em nosso país só foi efetivada em momentos de crise institucional, ou de golpes, amparado por um autoritarismo que mesmo disfarçado não deixou de mostrar seus dentes.
Pois agora, em que vivemos tempos estranhos, de grande divisão na nossa sociedade, o autoritarismo se instala sub-repticiamente, jogando exatamente com a divisão forjada.
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Entretanto, pior ainda que essa reforma tributária é a da Previdência, que de tão ruim, nem mesmo os deputados da base se atrevem a manifestarem-se favoráveis, como mostrou pesquisa ontem da Folha.
Reforma proposta e relatada por quem trabalha ou participa da administração ou teve sua campanha financiada por fundos de previdência privada e bancos. Os grandes bancos, cujo maior interesse é abocanhar esse filão da seguridade social.
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Mudando de assunto, em tempos de carnaval, vimos o goleiro Bruno ganhar as ruas, não sem antes admitir aquilo que alega não ter feito. Sua declaração de que sua prisão não trará de volta sua ex-amante, é o reconhecimento expresso de que ela está morta, mesmo que algumas pessoas ligadas ao goleiro pudessem alegar não ter havido crime, por falta de corpo.
Do alto de sua reconhecida arrogância, o ex-atleta faria melhor se desse indicações precisas de onde estão os restos de Eliza, ao invés de vir a público para informar que irá lutar para ficar com a guarda de seu filho, Bruninho. Aquele mesmo que o levou aos vários crimes de que foi vítima Eliza Samudio.
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Quanto à decisão de Marco Aurélio de conceder habeas-corpus a Bruno, há que se levar em consideração não o absurdo da decisão. Pior, muito pior é o atraso injustificável; a morosidade da justiça em nosso país, que mantém um homem - seja ele quem for - por quatro anos aguardando uma decisão para seu recurso.
Desse ponto de vista, embora julgado e condenado em primeira instância, e por mais que tenha sido revoltante todo o caso, Bruno sem sombra de dúvidas é dos poucos brasileiros que pagaram, ao menos em parte o seu erro.
Por que não foi esse o comportamento da Justiça com o jornalista do Estadão que matou sua ex-namorada, em caso que ficou célebre em São Paulo, nem foi esse o enredo com tantos outros criminosos que ficaram conhecidos, como Gil Rugai etc. parra não me estender muito.
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Deixar Bruno livre pode não ser o que gostaríamos de ver no debate em relação à impunidade, mas ele ficar preso, enquanto outros podem aguardar em liberdade por seus infindáveis recursos é para se pensar. E, dada a morosidade da Justiça, injusto.
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Como injusta a situação de todos os delatores da Lava Jato, corruptos e bandidos que cumprem penas domiciliares em verdadeiros spas, enquanto outro, mais especificamente quem os corrompeu, como Odebrecht, amarga uma cana há mais de quatorze meses. Algo que só na justiça de nosso país, onde desponta um homem com o grau de autoritarismo e messianismo de moro, pode permitir.
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Claro. Depois de tantas críticas às reformas executadas  por Lula no Alvorada, e dos jardins de gosto duvidoso de Dona Marisa, não poderia me furtar a dar um pitaco sobre a reforma patrocinada na mesma residência pela família temer, sob o comando da elegante, bela, recatada - bem nem tão recatada assim, depois da notícia do vazamento de suas imagens - e do lar, Marcela.
Que desfigou a fachada do Palácio com a colocaçao de redes para o "enfant terrible", Michelzinho.
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Já ouvi até dizer que o Palácio é completamente desfuncional e que é um castigo ter de morar naquele espaço. Já ouvi dizer que o que tinha de beleza e leveza nos traços de Niemeyer nunca conseguirá compensar a falta de funcionalidade de seus projetos.
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Mas, nem bem concluída mais uma reforma, saber que Marcela não se adaptou ao palácio e já está de mudança, novamente, para o Jaburu é, no mínimo, um acinte. Principalmente em um governo que zela pela contenção de gastos públicos. E pelo rigor nesse gasto.
Fico pensando se fosse com Dilma ou Lula, o que estaríamos vendo de carnaval na mídia.
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E as panelas? Onde estão as panelas, pergunta um Beethoven surdo e aflito?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Reunião do COPOM, sem interferência política; Moraes na CCJ, tomara que sem plagiar a ninguém; a perniciosa influência da Globo; e a pressão para tornar Lula inelegível

Enquanto começa a reunião do COPOM, que vai reduzir os juros como determinou ontem, em solenidade, o usurpador temer, aguardamos também a sabatina do plagiador Alexandre de Moraes na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que deverá ter lugar hoje.
Da reunião dos diretores do Banco Central, responsáveis pela definição da taxa básica de juros de mercado, admito que há pouco a comentar.
Afinal, não há qualquer pessoa com um mínimo de sensatez, especialmente os ligados à area econômica, que não seja favorável à redução das taxas de juros praticados no país, a maior taxa do mundo.
Principalmente quando a inflação dá sinais de estar em firme declínio, fruto especialmente da situação de depressão mais até que recessão, a que a política monetária de juros estratosféricos nos conduziu.
Sim. É verdade que a política de juros elevados contribuiu para a queda da inflação. Mas não foi esse instrumento o responsável pelo êxito obtido na busca da estabilização de preços.
Ao contrário, muitos economistas sempre se mostraram bastante críticos à medida adotada ainda na gestão de Alexandre Tombini, na fase de capitulação da presidente Dilma ao mercado financeiro e aos seus interesses.
Aqui mesmo, em meus pitacos, procurei chamar a atenção para o fato de que, tal qual o doente no hospital, há medicações que permitem baixar a febre (a inflação), não a prescrição do antibiótico fosse a correta, mas tão somente por ter conseguido levar o doente a óbito (recessão econômica).
Também não foram poucos os que argumentavam que as causas da inflação e de sua persistência, nada tinham a ver com uma pressão de demanda, capaz de provocar a escassez de produtos no mercado, e a elevação de preços.
Para esses economistas críticos, a inflação foi provocada pela correção de preços administrados empreendida por Levy, o homem do mercado que Dilma aceitou nomear como seu ministro da Fazenda, e representante do pensamento hegemônico do mercado financeiro e suas vozes conservadoras. Essa política, que buscava o resgate da verdade dos preços de mercado foi que serviu de combustível da fogueira da elevação de preços. No que teve a ajuda de problemas como a crise hídrica e climática que o país viveu no período, provocando elevação de preços de alimentos e produtos componentes da cesta básica. Tudo isso, sem contar a crise política provocada pela irresponsabilidade do presidente do maior partido da oposição, que qual menino mimado - que sempre mostrou ser-, acabou impedindo o país de funcionar e o governo de adotar e aprovar medidas recomendadas até mesmo pelos economistas de seu partido.
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Mas, se todos são favoráveis à redução da taxa de juros, para evitar os problemas que a taxa elevada acarreta, como a elevação da dívida pública; a geração de déficits cada vez mais elevados, impossíveis de serem acompanhados por elevações de receitas em momento em que os próprios juros altos induzem a redução do nível de atividade e aumento do desemprego; a preferência dos empresários pelas aplicações financeiras ao invés do estímulo ao investimento produtivo, entre outros males, qual a razão de meu comentário nesse pitaco?
A razão é apenas uma. E refere-se à postura de todos os analistas do mercado e da mídia em relação à pressão que o BC sofre para reduzir os juros. Pressão que vem do próprio usurpador, como a declaração mencionada no início, dada por ele em reunião com representantes do setor agropecuário ontem.
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Honestamente, apenas fico imaginando o que estaria sendo publicado, divulgado, comentado nas redes sociais e quais seriam as análises do mercado financeiro, caso essa pressão pela queda dos juros fosse uma ação de vontade da presidenta Dilma.
Imediatamente criticariam o voluntarismo da presidenta legítima. E não contentes, iriam argumentar de como era necessário transformar-se o Banco Central em órgão independente, para retirá-lo das garras e do assédio oriundo do campo político.
Naquele tempo....
Porque hoje, não é assim, já que o nome do eleito é.... refaçamos a frase, já que interesses escusos conseguiram colocar no posto de presidente, um mero paspalho. Pau mandado de interesses do grande capital, a quem serve de forma subserviente, razão de todo o apoio que recebe de seus patrões.
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Sem ser melancólico, é forçoso reconhecer que bem ou mal, e talvez mais mal que o contrário, Dilma tentava servir ao povo, eleita que foi. E ainda assim, o traiu, quando optou por capitular aos mercados no início de 2015.
O atual ocupante do cargo, lá levado por golpismo e um por um tipo de caráter prá lá de questionável tem como patrões os interesses de quem adulou seu enorme ego. E o colocou na posição em que se encontra, exatamente por seu caráter pulsilânime.
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Quanto a Moraes, indicado por temer para permitir blindar e estancar a sangria da Lava Jato, não precisamos comentar mais nada, em acréscimo ao postado ontem.
Vindo de um ex-ministro da Justiça, não há muito como tratar de alguém que pode chegar à Suprema Corte do país, para tratar da defesa do Estado democrático de Direito, conforme expresso em nossa Constituição, e que foi flagrado mentindo no seu currículo, mentindo em relação a seu comportamento frente a solicitação que lhe foi feita por uma governadora, e para concluir, apropriando-se indevidamente de ideias, pensamentos, textos de outros.
Como disse ontem, vai ter assento no STF, ao lado de seus iguais ou pares, gilmar, celso de mello, toffoli, carmens, etc.
O que, devo concordar, torna a casa mais homogênea.
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E o poder da Globo se esgueira e tenta se impor

Não poderia deixar de comentar o lamentável episódio de Curitiba, protagonizado pelo presidente da Federação Paranaense, que se intrometeu em questão comercial de dois de seus clubes filiados: Atlético Paranaense e Coritiba.
Alvos de verdadeiro desrespeito pela rede Globo, a manipuladora de todo o país, os clubes, em comum acordo, recusaram-se a vender os direitos de transmissão de seus jogos pelo preço de um Madureira, do falido e fracassado campeonato do Rio.
Usando do direito de que são detentores, preferiram fazer a transmissão pelo youtube, com possíveis rendimentos daí auferidos sendo vindo diretamente para os cofres dos clubes. Sem participação da Federação.
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Talvez como lacaio da Globo, ou como o capataz, que tratava do escravo com mais rigor que o próprio patrão escravagista, o tal presidente, acabou adotando medida destinada a obrigar os clubes a jogarem sem a transmissão via internet.
Altiva e conjuntamente, ambos preferiram não realizar a partida. E saíram de campo, frustrando mais de 20 mil torcedores presentes ao estádio.
O que poderia ter gerado uma reação popular e até uma tragédia, de que o presidente da FPF seria o principal responsável, talvez por achar que agindo com agiu, poderia ter algum benefício futuro, ou presente mesmo da globo.
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Mais tarde, mentiu tal qual Alexandre de Moraes, sem qualquer constrangimento, em programa da ESPN, para ser desmentido, não por uma governadora, mas pelo quarto árbitro, conforme mostrado pela tv UOL.
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Que sua mentira tivesse, como as demais, perna curta, é claro e cristalino, a partir do momento que não pode punir e não puniu qualquer das duas agremiações, limitando-se a remarcar o jogo para nova data.
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A pressão dos interesses do capital privado prossegue

E o Rio, sem qualquer estrutura, nem financeira, nem moral pode deixar de se curvar.
E sua Assembleia, aprova a autorização para a venda da Cedae - Companhia Estadual de Águas e Esgoto, ao menos no nome.
Porque água tratada tem, para atender a classe mais favorecida dos núcleos urbanos. Já esgoto, é uma lástima a proporção de residências atendidas.
E agora vai para as mãos de algum interessado em lucros. E que não irá fazer obras para melhoria das condições de quem não tem como pagar.
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Jucá e outros políticos

A mera reação de Jucá, ontem no Senado,  mostra todo seu desespero.
Pena que com ele, e como os amigos do usurpador, colocado para fazer o papel do rei, a Justiça não age como age com Lula e Dilma.
Mas, aqui é interessante observar que tudo que puder ser feito para evitar Lula em 2018, será feito. Inclusive obter uma condenação dele, alegando que cuspiu na rua, ou urinou em lugar público.
Interessa é retirá-lo da disputa política.
No entanto, não posso deixar de achar curioso que ele e Dilma atrapalharam o andamento de investigações, por ato que não pode se concretizar dada a pressa de gilmar mendes para cassar o direito de todo presidente nomear ministro a quem queira, já que sua prerrogativa.
Não é mesmo, celsinho???
Não foi esse o argumento com o Angorá???
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Sinal que a justiça dos homens age e é célere em nosso país. O que desmente aqueles que insistem em dizer que aqui é o reino da impunidade e da justiça falha e morosa.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Povo que ganha as ruas de volta no carnaval, afastando os desfiles de escolas pasteurizados, não reage às tramóias do poder para estancar a luta contra a corrupção

A proximidade do carnaval, com os blocos já tomando conta das ruas, das praças, dos bairros e das cidades, transforma nossa rotina e nossa vida, já em uma rotina de descompromisso e fantasia.
Um clima que é muito bom para um governo cuja preocupação central é a de tentar de todas as formas se blindar e, por que não?, estancar a sangria da operação Lava-Jato, que atinge em cheio a todos os seus principais colaboradores e apoiadores.
Assim, se os preparativos momescos indicam que o povo resolveu agir para voltar a ter as rédeas da brincadeira que sempre foi sua, e onde sua participação nunca precisou de organização de desfiles ou da existência de escolas para turista ver, a verdade é que o calendário permite também, que esse mesmo povo fique entorpecido, e ganhe novamente o direito de brincar o carnaval, mas vá perdendo a possiblidade de gerir o seu destino.
Ao menos gerir o destino de forma honesta, sem a corrupção que invadiu o Estado, os governos e até o país em todas as suas esferas.
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Uma observação a respeito do carnaval. Há muito tempo já vinha sendo dominado por um sentimento de que a maior e mais ansiada comemoração popular de nosso país vinha perdendo força. Justamente perdendo sua maior característica: ser popular.
Para isso, contribuía o indiscutível sucesso dos desfiles de escola de samba, cada vez mais sob um formato adequado às transmissões das televisões, com imagens que ganhavam e encantavam o mundo. Mas, cada vez mais dominados por alegorias e fantasias, o que mostra que a festa evoluia no sentido de assumir o formato de um espetáculo teatral, longe, muito longe do espetáculo da vida, da rua, do dia a dia, da representação do povo brasileiro. Dessa forma, até a alegria do povo tornava-se pasteurizada, mesmo quando em poucos momentos e oportunidades os enredos dos desfiles resvalavam mais próximo para o teatro do oprimido.
A pasteurização da festa e dos desfiles levou a que todas as escolas acabassem se tornando uma massa homogênea, uma coisa só, e com o tempo, os shows passassem a se tornar cansativos, repetitivos e tediosos.
Enquanto isso o povo, excetuada a ínfima parcela considerada passista ou integrantes das escolas, ficava como a musa da canção Quem te viu, quem te vê, de Chico Buarque, batendo palma com vontade e fazendo de conta que  é .
Nesse sentido, a formação dos blocos, que ganham as ruas de São Paulo, Rio, Belo Horizonte é a retomada da folia cidadã, participativa, onde todos são como são e representam aquilo que são.
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Já do ponto de vista da situação política do país, o povo que se lançou às janelas batendo panelas e condenando a corrupção petista, ou que foi às ruas e praças para protestar contra o estado de deterioração que, acreditavam, o país tinha atingido, tem estado, nos últimos dias, inerte. Passivo. Situação que, prefiro acreditar, seja causada pelo entorpecimento causado pelo carnaval.
Porque do ponto de vista da situação real do país e desse (des)governo, a situação está muito pior do que era, especialmente do ponto de vista da corrupção.
O que permite que, deixando de lado o presidente usurpador e golpista, cujo nome aparece em várias ocasiões nas delações a que temos acesso e conhecimento a conta gotas, sempre seletivas, a cada instante, um novo ministro, um novo aliado do governo, um novo partidário da base seja citado.
E, independente disso, o povo a tudo assiste em silêncio, sem esboçar qualquer reação.
A ponto de permitir que arbitrariedades típicas de situações de democracia de fachada sejam praticadas, sem qualquer manifestação.
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Entre tais arbitrariedades, o apoio a que Botafogo fosse o candidato ungido com as bênçãos do Planalto para a presidência da Câmara, mesmo atropelando a legislação e a Constituição que veta reeleição ao cargo.
A respeito de tal veto, apenas a observação de que a tudo o Supremo, o órgão defensor da Carta Maior é o primeiro a fazer vista grossa e tornar o interesse da lei, letra morta.
O que indica que, como já muitos suspeitavam, embora sem muita convicção, está agora escancarado, em relação ao comportamento dos membros do Supremo. Estão todos em um mesmo barco, representando os mesmos interesses, desde que os seus corporativistas sejam sempre preservados.
E passam ao país o exemplo pior, de que tudo pode e tudo é permitido, especialmente se você tiver flexibilidade e jogo de cintura e, ainda por cima, estiver no exercício do poder e daí dessa posição, puder assegurar que os dignos magistrados tenham cada vez mais vantagens acompanhando suas dignidades.
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Mas, dizia eu, não bastava Rodrigo Botafogo Maia, para ocupar a cadeira que vai pautar as principais medidas a serem adotadas no país, todas elas, em prejuízo do povo, todas em benefício dos grandes interesses empresariais, já que os interesses de empreendedores e pequenos e microempresários serve apenas como discurso para angariar apoio e desviar o foco do verdadeiro interesse por trás das reformas: ampliar o espaço da atuação, criar mercados e permitir que a classe empresarial de maior relevo e importância possa se fortalecer, recuperar sua hegemonia e voltar obter lucros monumentais.
Isso que os meios de comunicação chamam de recuperação da economia e crescimento. Já diagnosticado há muito tempo por um ditador, como a situação em que a economia vai bem, e o povo vai muito mal...
Tinha ainda que indicar para o Senado outro político denunciado em delações, e para presidir a Comissão de Constituição e Justiça, um terceiro, envolvido junto com seu filho, em atos duvidosos, desde ao menos a época do governo Sarney.
E vai caber à CCJ, e a seu presidente Lobão, sabatinar ao novo indicado para assumir a vaga no STF: o inaceitável Alexandre de Moraes. Cujo histórico de atuação, seja agindo contra movimentos sociais ou mandando agredir professores, seja agindo e MENTINDO, em situaações tão drásticas como os casos ocorridos nos presídios do país, no início do ano, só poderiam ter como complemento as mentiras de seu currículo pessoal, como a existência de cursos não realizados ou o flagrante plágio em suas obras.
Ou seja, Alexandre de Moraes tem estatura apenas para hombrear-se e para dignificar a Casa a que foi indicado, já ela também desmoralizada e repleta de gente capaz de afrontar a ética e a lei e o direito, dependendo dos interesses em jogo (e de seus interesses).
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Não será surpresa que gilmar mendes consiga adiar o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, de que é presidente, para dar a chance de duas vagas serem abertas no órgão, e os indicados para ocupar tais postos já virem com a tarefa de punir Dilma e livrar seu companheiro, e principal beneficiário de fazer parte de sua chapa.
Como não será surpresa que, na Segunda Turma, também influenciado por gilmar, mas sob os auspícios de Toffoli (que tanto interesse tem em que a Lava Jato seja estancada), e por esse decano que mais deveria receber a titulação honorífica de desencanto, celso de mello, acabem reconhecendo que o juiz moro não pode ficar mantendo em prisão indeterminada apenas aqueles que não interessam que fiquem mantidos presos. Para ser mais claro, interessa manter Marcelo Odebrecht preso, por seu potencial de delatar maus feitos de Lula e de petistas. Logo: mantenha-se Marcelo preso.
Não interessa a ninguém, nem a temer, nem a Erica ou a juízes, angorás, botafogos ou índios, que Eduardo Cunha - que tanto sabe, seja mantido em condições de ter de, como último recurso, partir para um esquema de delação premiada.
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Por ter muito a dizer e muita gente graúda a incomodar, melhor liberar Cunha. E, quem sabe, até fazer  uma advertência ao juiz amigo do PSDB e de seus líderes, para que evite tais prisões sem prazos.
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Certo, em nosso país, e antevendo o resultado da sabatina a que Alexandre de Moraes terá seu nome apreciado, especialmente em semana que inicia o Carnaval é que o governo vai tomando a forma do verdadeiro baile de fantasias, como assinalado por Zé Simão.
No executivo, um drácula a temer, no Senado um índio, na presidência da mais alta Corte, Bento Carneiro, o vampiro brasileiro. Com a posse de Alexandre de Moraes, o tio Funéreo. E enquanto o país vive de fantasia e bailes, a realidade se impõe. Nenhum dos citados acima está fantasiado. Eles são assim mesmo. A expressão de nosso descalabro. Em todos os sentidos

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Angorá com foro privilegiado não surpreende mais ninguém. Surpresa é o resultado do Barça

Alguma dúvida de que o amigo do usurpador, e ministro decano (de canto? Talvez sombrio) do Supremo, Celso de Mello, iria decidir de forma diferente, mantendo não apenas o Angorá como ministro, mas ainda lhe assegurando o foro privilegiado que o governante ilegítimo correu para lhe garantir?
É verdade que o impoluto magistrado chama a atenção para o fato de que ter foro privilegiado não exime ninguém de qualquer punição, até a prisão. E só faltou acrescentar que tal situação apenas atravanca a vida de quem dela se beneficia. Afinal, como lembrado por algum dos ministros seus colegas de Corte, uma vez que o Supremo é quem julga os beneficiários do privilégio, a eles é praticamente restringido o uso de recursos de apelação. Não há corte maior a quem atrelar. Dura a vida dos protegidos por tal instituto!
Tão dura que é provável de, em breve, assistirmos a Moreira Franco, do alto de sua altivez e espírito ético elevado, resolver pedir exoneração do cargo, para poder enfrentar como qualquer cidadão brasileiro normal, o juiz de 1ª instância.
Para ter o direito, como os demais cidadãos, a qualquer recurso eventualmente necessário.  E, de quebra, aproveitar que o juiz ainda responsável pelo caso é ninguém mais ou menos que Moro. Salvo se Moreira não estiver muito convencido de que Moro está interessado em cassar apenas os filiados do PT. Como de fato não está, o que pode ser comprovado por suas sentenças condenatórias de gente ligada ao PP, por exemplo.
Mas talvez o medo maior do Angorá seja o de não ser filiado ao PSDB. Senão poderíamos inferir, por todo seu passado limpo e honrado, que tomaria a atitude de abrir mão, senão do cargo, ao menos do foro.
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Em relação à afirmação de Celso de Mello de que não há impunidade assegurada ao detentor do privilégio, já que, se necessário, pode e será julgado pelo Supremo, podendo receber punições severas, nada a rebater. Ao contrário, é necessário admitir que essa situação realmente é o que temos visto.
Apenas que, segundo o ritmo de funcionamento do Supremo, o detentor do benefício pode levar mais tempo para ser julgado do que exigiria o exercício da justiça. O que significa que um político como Moreira pode levar alguns anos para ter sua situação analisada pela Corte. Tempo que pode levar a que o analisado consiga se safar de qualquer punição, seja pela prescrição, seja por atingir o limite de idade para iniciar o início de sua pena, como é exemplo a situação de Walfrido Mares Guia, ou ainda a possível situação de Eduardo Azeredo.
Será Celso de Mello quem irá dar agilidade a qualquer processo de políticos blindados pelo governo de seu amigo usurpador?
Difícil acreditar em tamanha eficiência, ainda mais para quem pretende ser meticuloso para ser um imparcial produtor da justiça.
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Embora o Supremo não se caracteriza por ser portador de um pensamento homogêneo,  nem deveria se preocupar em manter um pensamento uniforme, fruto de sua constituição como um colegiado, o fato de que Celso de Mello argumenta que o ato de temer não deve merecer censura por ser um ato legítimo (mesmo de um ilegítimo), choca-se com a interpretação do seu colega que viu sim, motivos para anular ato de autoridade de outro poder do Estado.
Mas, irão dizer os mais conhecedores do direito. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A Dilma e a Lula, tudo era negado. A temer, boneco de ventríloco dos representantes do poder econômico, tudo é permitido.
 Inclusive expor ou deixar expostas nudes ou melhor, a nudez de sua ação política encoberta apenas pelo mar de lama, que é, ao mesmo tempo, sua proteção.
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Para encerrar o assunto, apenas um comentário adicional, em relação ao conflito que a decisão do decano transmite e traduz, quando confrontada com a decisão de gilmar mendes no caso da nomeação de Lula como ministro.
O que nos mostra que o Supremo acaba sim, adotando posições que no fundo prestam-se a u m mesmo fim.
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Ah, sim. Por justiça, deve ser dito que gilmar mendes, embora considerando que há nuances nos casos de Lula e Angorá, e elogiando seu colega, manifestou que o caso deve ser levado ao pleno da Corte para decisão final.
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E já que as coisas andam completamente favoráveis ao governo e aos interesses que ele tem ou representa, um momento de total sinceridade do ministro eliseu padilha ao admitir que também o governo temer cedeu cargos para comprar o apoio de partidos políticos a suas manobras.
No caso, o ministro da Saúde, e defensor outrora do fim do Sistema público de Saúde, considerado ineficiente, logo por quem elegeu-se apoiado pela doação de recursos de planos de saúde privados.
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Em outros momentos isso seria considerado parte do mensalão, talvez.
E a tese do domínio do fato poderia ser arguida contra o ministro Chefe da Casa Civil.
Ops. Falha minha. Isso já foi feito e José Dirceu já está até preso.
Já padilha não. Como dizia Antônio Carlos Magalhães ao se referir ao atual ocupante do cargo, Eliseu Quadrilha não pode ser o único bode expiatório.
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Enquanto isso, Moro permanece intimidando uns, ameaçando outros, desrespeitando a advogados de defesa e induzindo o comportamento de alguns depoentes, enquanto trata com mesuras algumas testemunhas, até subserviência. E nada faz em relação àqueles que são seus amigos de confidências, fotos e sorrisos em solenidades a que comparece. Mesmo que esses amigos sejam os mais citados em delações de crimes de corrupção e até em ocorrência de crimes que geram muito pó. Pó que se acama com o passar do tempo. E se esquece. Só.
E nem vou falar de nosso paladino da moralidade e sua curiosa relação com o caso Banestado e o doleiro Youssef.
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E o Barça, hein?
Com Messi, Suárez e Neymar, os primeiros anulados pela defesa do time francês. E sem Di Maria, que insistia em jogar – e bem, pelo Paris Saint Germain.

Coisas que fazem o futebol uma “caixinha de surpresas”. 

Pitacos vários: saques do FGTS; queda das vendas no comércio; temer e a censura à liberdade da imprensa...

A semana começa sob a influência de várias expectativas, seja no campo econômico, seja no campo político. 
No campo econômico, aguarda-se a divulgação pela Caixa Econômica Federal, do cronograma de saques permitidos aos proprietários das contas inativas do Fundo de Garantia, já antecipada no dia de ontem, segunda 13, em linhas gerais.
Cálculos iniciais davam conta de que tal medida, decidida ao final do ano passado em um esforço de estímulo à recuperação da economia, iria ser responsável pela injeção de um valor próximo de 30 bilhões de reais.
Refeitos esses cálculos, hoje, o valor atinge a cifra de 43 bilhões, dos quais o governo espera que 34 bilhões sejam sacados, o que se explica talvez pela desinformação, pelo desconhecimento, pela inércia de uma parcela do povo brasileiro, que acaba deixando de receber valores que lhe são devidos, muitas vezes por ignorância. 
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Os valores, elevados, foram responsáveis, inclusive por críticas à medida provenientes da indústria da construção civil, temerosa de possíveis reduções dos recursos destinados ao financiamento de novos empreendimentos. Dessa forma, os órgãos representativos do setor pressionaram para a exclusão da medida do pacote anunciado pelo governo e, já derrotado em suas reivindicações, pressionou ainda para que o governo estabelecesse um valor limite para as retiradas. 
Ambas as sugestões foram rechaçadas sob a alegação de que os valores de retirada por trabalhador são, em sua maioria, limitados.
Conforme noticiado no globo.com de hoje, mais da metade dos trabalhadores poderão sacar, no máximo R$ 500,00. Outros 24%, totalizando cerca de três quartos do total, não ultrapassam situam-se entre esse valor e os R$ 1500,00.   
Assim, poucas são as pessoas que teriam recursos em maior quantidade que, uma vez sacado, poderiam ser transferidos para aplicações do setor financeiro, o que era um temor de alguns críticos da medida. O medo era que esse dinheiro não fosse dirigido para a chamada economia real, não alavancando gastos, sob a hipótese de que o trabalhador que tem quantias mais expressivas, deve ter também uma situação econômico-financeira mais controlada.
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Em tudo isso, a assinalar uma curiosidade: o número de trabalhadores que serão beneficiados com a medida. Para o site globo.com, algo como 30 milhões, para o portal UOL, cerca de 10 milhões de trabalhadores, o que é uma discrepância bastante significativa.
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Mas o que nos interessa aqui é mais a questão: os saques de contas inativas, por mais que façam justiça aos proprietários dos recursos que são seus, e pelos quais sempre receberam muito pouco, perdendo várias vezes para a inflação, utilizarão esses recursos para elevar seus gastos e como consequência, elevar a demanda agregada?
Em assim sendo, poderemos assistir a uma retomada do processo de produção e elevação do nível de contratações na economia?
Vejam que não me referi a queda do desemprego, devido a sua menor velocidade de recuperação, por vários motivos, tratados pela teoria econômica. 
Entre alguns desses motivos, o fato de que ao perceber a recuperação no nível de demanda de trabalhadores pelas empresas, trabalhadores que estavam fora do mercado, por desalento, voltam ao mercado para se oferecerem, o que faz que a oferta de trabalho cresça mais que a demanda, por exemplo.
Outro motivo é o tempo de espera que as empresas adotam, para verificarem se o aumento da demanda é sustentável e não mero fogo de palha. Nesse caso, preferem trabalhar com a mesma força de trabalho, em jornadas ampliadas, ou turnos extras.
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Mas deixando de lado a questão da reação dos níveis de emprego, por mais importante que sejam, o que gostaria de tratar aqui é a hipótese de que os trabalhadores que tiverem valores a sacar irão elevar seus gastos. 
A princípio, e os números vêm insistemente mostrando essa situação, as vendas têm apresentado quedas constantes, como divulgado pelo IBGE nessa manhã, mostrando o pior resultado em 15 anos, para o comércio. Em 2016, a queda das vendas no comércio atingiram 6,2% no ano passado.
Mais sério ainda, em dezembro, mês do Natal, as vendas caíram 2,1% comparado a novembro. Se comparado ao dezembro de 2015, a queda alcança 4,9%, sinal de que a economia deteriorou, e não o contrário, depois do golpe.
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Por tipo de atividade, a redução foi geral, destacando supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 3,1% de queda. Destaque não pelo número ruim, mas pelo que o setor representa: queda de consumo mais essencial ou básico da população.
Ao contrário, as estatísticas indicam que o grau de inadimplência está se reduzindo. Ou seja, as famílias têm feito grande esforço para liquidar suas dívidas, fugindo de juros estratosféricos e todas as consequências nefastas de ficar com restrições em seu crédito.
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De todo esse quadro, é uma hipótese bastante plausível esperar-se que os recursos sacados do fundo voltaram sim, ao mercado financeiro, não como aplicações, mas como pagamento de débitos anteriores. Ou total ou parcial. 
Suponhamos que seja total o pagamento das dívidas acumuladas, o que é a melhor hipótese para as intenções da equipe do governo. 
Nesse caso, seria razoável supor que, uma vez com o nome limpo, as famílias voltariam a se endividar, tornando a se encalacrar em uma situação experimentada recentemente, e da qual custaram a se ver livres? Ou seria melhor acreditar que as famílias aprendem com a experiência, e ao menos em um primeiro momento, iriam fazer o maior esforço para não se endividarem, gastando apenas o que puderem.
Até é bom lembrar aqui, que os que estão desempregados, por força de falta de comprovação de renda, nem mesmo poderão efetuar compras a crédito. 
Logo, a reação será mais de usar os recursos para liquidar dívidas e limpar o nome, e não a de ampliar o gasto.
Mantido o gasto em consumo nos limites determinados pela influência da renda ( a boa e velha propensão a consumir), e com a renda em queda, não há porque estar otimista, esperando uma recuperação das vendas, ao menos no primeiro momento. Ou nos próximos dois trimestres, por hipótese.
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Assim, os setores da construção civil deverão pressionar o governo para que crie estímulos para os bancos privados passem a financiar suas atividades que, como sabemos, por ser baseada em financiamentos de longo prazo, costumam criar a situação de mercados incompletos, essa falha de mercado que explica porque bancos públicos sejam os principais agentes financeiros do setor.
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No campo político, a expectativa é em relação à decisão do ministro Celso de Mello, tido como amigo de temer, o golpista. 
Com a decisão de ontem de temer, o ilegítimo, ele mesmo várias vezes delatado na Lava Jato, de demitir qualquer ministro transformado em réu na lava-jato, o decano do STF pode agora manter o Angorá como ministro. Ao menos por mais um período, o que seria uma vitória eivada de simbologia.
Afinal, Lula não pode. Mas com temer tudo é permitido.
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Até censura. 
Como a Justiça determinou a censura às matérias sobre o hacker do celular de Marcela. E não que o problema fosse a existência ou não de fotos íntimas, nudes, o que quer que seja, relativo à privacidade da moça linda, recatada e do lar. 
Embora antigamente as moças recatadas e do lar não fizessem nudes. Talvez por não existirem os celulares nem os aplicativos.
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No caso, em minha opinião, a questão real, como os jornais censurados (Folha e Globo) mostraram, é o áudio de Marcela e seu irmão, com conteúdo que poderia jogar o nome do usurpador na lama. 
Pois bem, esse aúdio que sumiu do processo, junto com outros arquivos, por tratar de questões políticas, marqueteiros, etc. Por tratar de questões políticas, muito embora o personagem presente na conversa fosse marido e cunhado dos participantes, não pode o conteúdo ser tratado como questão de privacidade. 
Em minha opinião, não se aplica aqui, ao aúdio, a lei Caroline Dieckmann. 
Aplica-se mais apropriadamente, o que disse moro, em outra ocasião. 
Conforme o InfoMoney: " o interesse público e o interesse constitucional de publicidade dos processos impedem a imposião da continuidade de sigilo sobre os autos."
Ok. Ele se referia na ocasião à gravação ilegal que fez de Lula e aí tudo era válido. Mas, vai que a regra de que pau que dá em Chico deve dar em Francisco comece a vigorar???
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Por falar em Lula, o UOL traz hoje a informação de que Lula foi contrário à demissão da médica "Dra. Jekyll" que divulgou exames de Marisa Letícia. Segundo Mônica Bergamo, o ex-presidente apenas sugeriu que ela passasse por um curso ética profissional. 
Muito mais sensato, portanto.
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E, para terminar: não acompanhei a violência no Espírito Santo, de perto.
Soube que os noticiários anunciavam o aumento de mortes a cada dia, conforme informação da associação de policiais civis, já que havia a informação de que os números oficiais não poderiam ser checados.
Então, pelo anúncio, ocorreram mais de cem mortes, nos dias de tumulto provocado pelas famílias dos militares capixabas.
Bem, não houve qualquer notícia de morte de políticos ou autoridades. Também não vi qualquer menção a mortes de grandes empresários, mega empresários, grandes capitalistas, ou pessoas de maior dimensão, a ponto de criar comoção, no estado ou fora dele. 
Sendo assim, e se verdadeiro o número de mortes anunciado, só se mataram pessoas comuns. Do povão. Quem sabe até aqueles pobres, moradores de rua, mendigos, ou meninos pretos da periferia da capital.
Ou pequenos bandidos, pequenos meliantes. 
Ou seja, tudo cheira mais a uma ação de "limpeza urbana" por mais que o nome possa chocar. 
Limpeza das cidades, com a eliminação de pessoas menos privilegiadas, junto a saques cometidos pela população, independente de suas classes sociais. 
O que mostra que, nos saques, somos uma sociedade capaz de nos unirmos. 
E nos clamores por justiça, também...