quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Economia estável a passos mais lentos, juros ainda em órbita, dívida e populismo e os interesses da grande imprensa

link youtube: https://youtu.be/wpI70rvrQUU Em A Elite do Atraso (2025), ao tratar de mudanças cruciais herdadas dos anos 90 do século passado, como a transformação do capital financeiro em fração hegemônica do capital, Jessé Souza assinala a importância dessa evolução, e seus impactos para o desmonte do Estado de bem-estar do pós guerra e para a corrosão da base financeira de sustentação do Estado. Para o autor, a tributação no Estado de bem-estar apresentava ao menos duas características: uma base econômica constituída por empresas de grande porte, com grandes plantas industriais e massas de capital fixo; e adotava uma visão distributivista, onde quem tem mais paga mais impostos. Já o capital financeiro, sem amarras ou grilhões pode se deslocar em instantes de um lugar para outro, o que incentiva a fuga de capitais e alimenta chantagens e ameaças aos Estados. Essa nova realidade, agravada por cada vez mais importante concentração de renda, permite aos privilegiados ficarem livres do pagamento de impostos e arruína a base financeira do Estado, que, sem forças para cobrar os recursos necessários para cumprir sua função junto à sociedade, opta por obter estes recursos se endividando junto ao 1% de sua população mais rica. Substitui-se o Estado fiscal pelo Estado devedor. *** No Brasil, embora as estatísticas indiquem algum espaço para o aumento da arrecadação, o que se confirma pelos recordes divulgados a cada mês, o Estado amplia seus gastos em velocidade muito maior. O que dá material suficiente para críticas pesadas e constantes feitas pela grande mídia: ou pela fúria arrecadadora, ou pela irresponsabilidade fiscal, de natureza populista. O que a imprensa não aborda de forma isenta, é que o crescimento da receita se dá em razão de ampliação da base, dado o crescimento (embora cada vez mais reduzido) do PIB, e o aumento do nível de ocupação e emprego e do nível de renda; além do surgimento de novas atividades econômicas, passíveis de tributação, até para evitar seus efeitos danosos à população, como as apostas on-line. Quanto aos gastos exorbitantes, cobrar imparcialidade dos grandes oligopólios e grupos empresariais do setor de comunicações e mídia seria ingenuidade e pedir demais. Eles teriam que falar do 1 trilhão de gastos com pagamentos de juros, aos privilegiados que não pagam impostos; ou dos mais de 525 bilhões de reais em renúncias fiscais para grandes empreendimentos empresariais (alguns até pagam impostos e depois recebem a devolução); ou de valores destinados pelo governo ao Plano Safra, de 525 bilhões apenas na faixa de agricultura empresarial. Muito mais cômodo, para não lhes afetar a lucratividade do negócio, criticar os gastos do programa Desenrola e sua prorrogação – MERAMENTE ELEITORAL; os gastos com bolsa família e outros programas previdenciários atrelados ao salário mínimo e, como tal, reajustados acima da inflação. Todos gastos com os menos privilegiados ou a ralé, que ampliam o déficit primário (quando os gastos para funcionamento da máquina do governo e outros destinados às camadas menos favorecidas são maiores que receitas). Note-se que o déficit primário não considera os juros pagos aos que pouco pagam de impostos. *** A imprensa não fala da prévia da inflação de 0,06% em junho; não se lembra de falar da criação de mais de 145 mil vagas formais de carteira assinada em junho, que totalizam 48 milhões de vínculos ativos; do aumento do salário médio. Divulga que os números estão perdendo força, a economia mais enfraquecida, a indústria apresentando queda expressiva, sem considerar que a causa principal desse desaquecimento é a pornográfica taxa de juros, baixada ontem em 0,25%, para o patamar de 14%, ainda 9% acima da inflação. Juros que os ricos que emprestam e compõem a elevadíssima e recorde Dívida Pública recebem e com cinismo ou falta de vergonha, recebem satisfeitos, mesmo criticando a perda de controle do governo em sua gestão, o que lhes permite cobrar mais juros para dívidas de prazo mais longo. Alegam risco de o governo não conseguir pagar. A cara de pau é tanta, que escondem que a dívida é na moeda que o governo é quem cria. Ou seja, basta criar mais se quiser trocar dívida que paga juros (em títulos), por dívida em moeda, que não paga juros. *** Para a mídia, gastos com a ralé são os que incomodam e são os populistas, já que não são direcionados a seus bolsos. A economia está bem, o ambiente é tranquilo e positivo, em crescimento, mesmo que dando sinais de desaquecimento. A pauta do fim da jornada de 6 x 1, obrigatória para dar mais liberdade e dignidade ao trabalhador e permitir que passe mais tempo com a família, para o lazer, sem perda de salários, o que seria uma nova etapa em direção ao fim da escravização é tratada sempre de forma viesada, dando voz a industriais, comerciantes, empresários e financistas. Essa pauta fundamental poderá, inclusive provocar aumento da produtividade do trabalhador mais feliz e saudável. *** Embora a leitura de Keynes seja sempre deturpada por interpretações equivocadas e míopes, que o apresentam como o pai da ideia da gastança do Estado, para aumentar a demanda agregada e o emprego, mas gerando apenas inflação, essa interpretação carece de fundamento e verdade. Para ele, na interpretação da abordagem pós-keynesiana, o papel do Estado é criar e manter um ambiente de negócios que permita ao empresário criar expectativas positivas. Essas expectativas é que o estimularão a investir, já que acreditarão que terão mais demanda e aumentos de vendas, em um mercado sempre cheio de incertezas. Ao Estado compete reduzir as incertezas e volatilidades o que poderá, no limite, tomar a forma de aumento de seus gastos. *** Embora pareça estarmos vivendo uma economia dominada pela monotonia, o que o governo Lula tem feito é preservado essa estabilidade. Daí que o país cresce, apesar dos pesares e dos juros pesados. Incertezas vêm de fora, de bravatas e arroubos dignos do império decadente, patrocinados pelo poder destruidor de agentes laranjas. Foi o fanfarrão alaranjado americano que iniciou gratuitamente a agressão ao Brasil e ao mundo, inclusive aliados, com tarifação comercial. Foi ele que voltou a tarifar o país, de forma autoritária, cuja única negociação ou acordo possível seria a capitulação. Foram eles que deixaram clara a intenção de interferir no processo eleitoral de um país amigo. Que chantageiam e cortam vistos de representantes diplomáticos. Mas a imprensa, a mídia e grupos empresariais desejam é que nos curvemos de joelhos, para não terem seus interesses particulares prejudicados. E criticam o governante que mostra um mínimo de amor próprio e noção de dever com a ampla maioria dos que não têm outro país para chamar de seu.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Da arte da Política, da politicagem e das raposas e das galinhas

No youtube o link é: https://youtu.be/7uPiVsTA-h4 Tem início hoje mais uma reunião do COPOM, o Comitê formado pela Diretoria Colegiada do Banco Central, com a finalidade de definir a taxa básica de juros – a Selic – a vigorar em nossa economia pelos próximos 45 dias. O objetivo, como exaustivamente difundido, é fixar uma taxa de juros que permita à Autoridade Monetária levar a inflação do país ao centro da meta – fantasiosa por excessivamente ambiciosa – de 3%. Economistas de competência reconhecida insistem em demonstrar o irrealismo da meta fixada pelo governo Lula, como meta contínua, o que significa que, a cada novo mês (por exemplo, junho de 2026), a inflação medida para o período de 12 meses - de julho de 2025 a junho de 26 – deverá ficar em 3%. *** Em economia como a brasileira, onde mecanismos de indexação insistem em transferir a inflação passada para preços futuros (como a prática de se corrigir uma série de preços pela inflação passada, inclusive salários, alugueis e serviços públicos), apenas uma vez – julho de 2009, a meta foi alcançada. Feito alcançado quando a meta era maior e a meta devia ser obtida a cada ano. A tais mecanismos, devem ser somados outros fatores capazes de afetarem a inflação. É o caso das guerras que afetam os preços de gás e petróleo, combustíveis, e insumos agrícolas, como fertilizantes. Outro importante fator é consequência de fatores e desastres climáticos, que afetam os preços dos alimentos e o custo de vida de toda a população. Ou ainda a estrutura da economia brasileira, exportadora de matérias primas e bens de pouco grau de transformação e importadora de bens muito mais caros, como manufaturados, máquinas e equipamentos, em situação onde os fluxos de capitais e controles cambiais são praticamente inexistentes. *** Para todos estes fatores que realimentam o processo de elevação da espiral de preços, a visão clássica adotada pelo Banco Central recomenda a retirada de dinheiro de circulação (enxugamento de liquidez) de forma a impedir a expansão dos gastos da demanda do conjunto de agentes econômicos, seja em bens de consumo ou investimento. É essa restrição monetária que torna o dinheiro raro e caro, e se manifesta por elevação da taxa de juros. Os raros leitores perceberão que a manutenção de taxas elevadas de juros não será capaz de combater elevações de preços cujas causas passam longe de excesso de gastos, tanto privados quanto públicos. *** Aqui há que se destacar: com preços elevados por fatores alheios à um excesso de gastos pela população, os juros altos apenas aumentam o endividamento das famílias e o seu grau de inadimplência, exigindo que o governo amplie os seus gastos sociais, de forma a permitir um mínimo de condições dignas de vida pela ampla maioria da população. Gastos que a grande imprensa e os analistas do mercado financeiro criticam como gastança desenfreada. Por seu aspecto curioso, vale a pena registrar: o desgoverno anterior e a gestão do liberal Guedes, para reduzir custos, deu sequência e aprofundou a destruição em andamento do programa de manutenção de estoques reguladores de alimentos e preços de produtos agrícolas. Só no governo anterior 27 armazéns foram fechados, cuja retomada é acusada de gastança desnecessária. *** A elevação da Selic, determinada pelo Banco Central, não causa problemas de endividamento apenas para as famílias. Também o governo é afetado por tal política inócua para combater a inflação e sua multiplicidade de causas. De longe, com pagamento de mais de 1 trilhão de reais, os juros pagos sobre a dívida pública é, de longe o maior e mais nocivo gasto do governo. E aumenta o endividamento ao tempo que provoca a queda do nível de atividade e do PIB do país. Em resumo: amplia o grau de endividamento do governo, o que leva os financiadores da dívida pública – os agentes financeiros – a exigirem juros maiores para continuarem rolando a dívida. Com isso, as expectativas de juros e preços não convergem para o centro da meta no longo prazo e o BC aumenta os juros, que beneficiam apenas os donos dos títulos públicos. *** Trato desse tema em razão de a finalidade primeira do Banco Central ser sempre considerada o combate à inflação, não levando em conta outros importantes objetivos, como a manutenção do nível de emprego, a estabilidade do sistema financeiro, a manutenção da solvabilidade dos bancos e outras instituições financeiras. Como visto, a política adotada, dependente apenas de juros altos está mais próxima de se tornar um fracasso, não tendo apresentado os resultados desejados. O que resta então ao Banco Central? Regular o sistema financeiro e seus agentes, para evitar casos como o escândalo do Banco Master e o prejuízo causado à população. Fiscalizar as instituições financeiras, dentro da boa técnica de que quem regula e estabelece as normas, o faz visando objetivos voltados para o fortalecimento e desenvolvimento deste importante setor de financiamento do crescimento de toda a sociedade. Daí decorre que quem regula é que deve fiscalizar as instituições e suas operações. *** Fui funcionário do Banco Central nos idos dos anos 90 e na virada dos anos 2000. Naquela época, o mercado era infestado por boatos, intrigas e balões de ensaio que davam conta de pressões dos bancos e as associações de seus representantes, visando dividir aquele órgão público, permitindo que ao Banco que sobrevivesse, fosse reservada a função do exercício da gestão de política monetária e controle da inflação, com seus juros altos. Quanto à atividade de fiscalização, seria exercida por um mecanismo de autorregulação: os bancos fiscalizando a si mesmo e sua atuação. A raposa gerindo o clube de raposas e cuidando das galinhas. Mas eram outros tempos. Tempos que a PEC 65 pode resgatar, depois de aberta a porteira (tanto a giratória quanto aquela que permite aos bancos não se submeterem a quaisquer controles). Esse é um resultado que a PEC 65, se aprovada, tem potencial para colocar em curso. Depois de retirar o Banco do aparelho de que ele faz parte por sua própria origem: o aparelho do Estado e de privatizar o dinheiro que ele, por este motivo, é o responsável pela emissão. Ou ainda apoderar-se das reservas internacionais do país e de seus rendimentos. Não à PEC 65.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A arte da Política e a PEC 65, aprovada na CCJ do Senado

no youtube: https://youtu.be/7JwsJK3rtoE Entre as lendas que povoam o imaginário popular e vão se tornando uma tradição com o passar do tempo, sem dúvida deve ser incluída a da sabedoria ou astúcia mineira em relação ao domínio da arte de se fazer política. Vários são os fatos, os causos, as nuvens de diferentes formatos acompanhadas de mudanças de opinião e argumentos que embasam decisões, e que asseguram ao matreiro político mineiro estar sempre do lado vencedor, ao lado da decisão adotada. *** Não à toa, buscando inspiração para iniciar este pitaco e em dúvida quanto ao uso do termo matreirice, recorri ao Google, e o mestre à indefectível “Visão geral criada por IA”, que desconfio ser muito pouco infalível. De qualquer forma, está lá: “O termo é frequentemente associado à política mineira (especialmente na Primeira República), onde a "matreirice" descrevia a habilidade dos líderes de usar o jogo de cintura, a sutileza e a persuasão para contornar rivalidades e moldar as situações a seu favor. “ Ou seja: a esperteza de, ficando rouco de tanto ouvir, acabar sempre se aproveitando da lei de Gerson, aquela de levar vantagem em tudo, vendendo a ideia de, por não se manifestar de forma clara, estar sempre da ideia ou da melhor opinião ou solução para alguma situação problema. *** É verdade que a fama decorre da República Velha, dos coronéis da política do café com leite que, com a chegada da Revolução de 1930 ao poder, tiveram que se adaptar, sob outra roupagem, sem, contudo, perderem o poder que nunca deixaram de exercer. Mesmo nos regimes militares ditatoriais. Como também é verdade que a experiência autoritária gerou, como não surpreende a ninguém, a perda do vigor e do aprendizado que apenas o processo de eleições democráticas permite desenvolver. O que permitiu que, na virada do novo milênio, Minas elegesse golpistas cuja única referência era uma suposta tradição de família ou, mais recentemente, empresários sem qualquer brilho empresarial, social ou intelectual. *** Na antiga tradição mineira, dizia-se que só se inicia uma reunião para votar aquilo que já foi decidido antecipadamente. E que não se leva nenhum assunto à discussão e votação, se houver uma mínima chance de derrota. Foi não levar a sério a advertência mineira que fez o governo Lula e sua liderança, amargarem a derrota que lhe foi imposta na CCJ do Senado, na semana passada, pela oposição ao Brasil, com a aprovação simbólica da PEC 65, que dá ao Banco Central o estatuto de 4º Poder do Estado Brasileiro. *** Muito já foi dito do mal que a independência do Banco Central representa para a sociedade brasileira e seus mecanismos de exercício democrático do poder, via processo eleitoral, livre de influências do poder econômico e dos interesses dos grandes grupos, seja da grande imprensa tradicional, seja das big techs e das redes sociais que comandam. No entanto, o poder do sistema financeiro e suas instituições, todas aplaudindo e apoiando a independência do Banco Central; a capacidade de exercerem o poder de financiamento de campanhas por formas oblíquas, ao arrepio das leis; a bancada de seus defensores entre os parlamentares do Legislativo, nunca exagerada como o caso Master não nos deixa esquecer, todo o peso de um setor empresarial que ânsia por dominar e deter a chave do Banco Central, capaz de emitir dinheiro, acabaram se impondo e exigindo a imediata votação, em plenário, da PEC da Privatização do Banco Central. *** Foi um Rothschild da família dos banqueiros quem disse “"Permitam-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação, e não me importarei com quem faça suas leis." Para quem deseja apenas obter mais dinheiro do uso de dinheiro, sem nenhum benefício de produção real (gerador de bens, utilidades ou empregos), sem contribuir para o PIB, para o desenvolvimento social inclusivo e harmônico do país, nada melhor que ter controle sobre a fábrica de dinheiro do país. E é isso que a PEC faz, transfere para o Banco Central, sob a fiscalização e controle do Congresso, os ganhos provenientes de se emitir dinheiro por parte do governo: a senhoriagem. *** Sob a falácia de se promover uma modernização na nossa Autoridade Monetária, capaz de equipará-la a outros Bancos Centrais internacionais, ou pior ainda, de visar tornar o Banco Central independente da política e dos interesses politiqueiros que podem vir a contaminar seu trabalho, buscam afastá-lo completamente do governo, do Estado e da sociedade, que no Estado de Direito nele se faz representar. Não por acaso, Rothschild queria apenas ter o poder de emitir, sabendo que o controle legislativo é uma piada de mau gosto. *** Se o Estado perde, o governo fica sem condições de fazer política econômica e de desenvolvimento social, se perdem os poucos empresários que ainda se preocupam em produzirem riqueza real não contaminada pelas meras aplicações financeiras, se perde a população, quem se beneficia com a PEC 65? Os banqueiros que poderão continuar controlando as taxas de juros e impondo suas previsões e expectativas ao Banco Central, sob a pretensa defesa da missão de combate à inflação do Banco. Todos os que estimulam a permanência da divisão profunda da sociedade em distintas classes, em que a uma minoria tudo é permitido, enquanto à maioria tudo é dificultado, com o acesso à saúde, educação e a bens coletivos sendo liberado apenas aos poucos que puderem pagar por eles. *** Talvez a uma minoria de funcionários do Banco Central, ao menos nos sonhos que acalentam de poder ter o direito de decidirem quanto irão passar a ter de remuneração, livre de tetos e quem sabe, também, no futuro, até de empregos, já que regidos pela legislação madrasta da CLT e eventuais futuras reformas. Estes, além do risco ao seu emprego, poderão deixar de ver seu trabalho e a qualidade dele respeitados. Mas isso pode não incomodar aos que sonham em frequentar o ir e vir da porta giratória dos regulados e reguladores.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Análise do Programa Desenrola 2: Entrevista ao programa Da Prática Política

Youtube do pitaco: https://youtu.be/w2JkEjKhAUU Acima o link da live gravada ontem (https://youtu.be/w2JkEjKhAUU), analisando o novo programa do governo Lula, para reduzir o endividamento da população com renda até R$ 8 105,00, dívidas assumidas até 31 de janeiro deste 2026, e inadimplência já entre 90 dias e 2 anos. O Desenrola procura dar alívio imediato a um público estimado em até 82 milhões de pessoas (número de negativados, Fonte: SERASA) e um volume de recursos, conforme cenário de elegibilidade entre 42,8 e 64,2 Bilhões de reais. Com inegável propósito eleitoreiro, há pouco mais de 5 meses do primeiro turno das eleições, a preocupação do governo e dos agentes e instituições do Sistema Financeiro que, juntos e de forma coordenada, discutiram e acordaram as principais medidas se deve à existência de um estoque de dívidas estimado em 107 bilhões de reais (fonte:CITI); ao indicador financeiro divulgado pelo Banco Central, de que as famílias estão comprometendo 49,9% de sua renda apenas para o pagamento de dívidas, e que o número de inadimplentes alcança quase 30% da população. Outro problema, segundo a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento - ACREFI, está relacionado à um desenho da oferta de crédito equivocado, despontando-se dois problemas, um estrutural - a opção preferencial pelo uso de linhas de crédito mais caras, para financiamento de caixa ou despesas do dia a dia. Outro, conjuntural, de juros elevados e a ilusão vendida pelas BETS. Outros especialistas indicam o ELEVADO nível de juros das operações, cobrados pelos fornecedores de crédito e o perfil das linhas mais utilizadas: o rotativo do cartão de crédito e a disponibilidade do cheque especial. *** Pesquisas realizadas indicam que as principais despesas que levam ao endividamento das famílias estão relacionadas a gastos de saúde, em especial, planos de saúde e medicamentos e gastos com alimentação, cujos preços se elevam especialmente devido aos efeitos climáticos sobre a produção agrícola e, mais recentemente, por força da consequência dos problemas de geopolítica e guerra. Se as linhas mais utilizadas são as mais caras, um dos fatores explicativos é consequência da expansão da bancarização ou a inclusão financeira proporcionada pelo surgimento e evolução dos agentes e plataformas financeiras digitais, somado a estímulos a esse processo por meio de regulamentação do Banco Central. Se permite que um maior número de cidadãos tenha acesso a serviços financeiros, ponto positivo, o maior empoderamento aumenta a oportunidade de venda de serviços financeiros por parte desses agentes, com concessão de cartões de crédito e oferta de créditos facilitados. Sem o constrangimento de ter que entrar em um estabelecimento físico para solicitar um financiamento, as pessoas usam o cartão que lhes empodera para suas despesas comuns, sendo obrigadas a usar o parcelamento do cartão ou rotativo (cujos juros são limitados a 100% do valor da dívida). No entanto, a partir de uma política monetária desnecessariamente contracionista, com taxas de juros básicas - a SELIC - situada no nivel de 15% por muito tempo - taxa considerada com muito superior à taxa neutra de juros (aquela que não afeta o equilíbrio entre demanda e oferta) os juros para as operações de crédito ou na ponta ganham proporções estratosféricas. Se a SELIC já indica juros pornográficos - a segunda mais alta taxa acima da inflação em todo o mundo, fica difícil adjetivar as taxas de operações para as camadas de pessoas mais carentes da sociedade. Juros do rotativo do cartão de crédito apresentam variação entre 436 a 451% ao ano. Em relação aos juros do cheque especial, a variação indicada pelo Banco Central alcança de 2,18 a 8,89% ao mês, alcançando o valor acumulado entre 29,5 a 177,8% no ano. Já o CDC opera com taxas entre 15,52 e 47,18% ao ano. Por trás dessas taxas, está o peso do Spread bancário, a diferença entre a taxa que a instituição financeira cobra ao cliente tomador do crédito e a taxa que ela paga para aqueles clientes que aplicam seus recursos na instituição. Ou seja, se paga 1,5% ao mês de taxa por um CDB para seu cliente, usa esse recurso para emprestar aos mais necessitados cobrando módicos 15% ao mês. O Spread é o montante de onde os bancos irão retirar o dinheiro para pagar suas despesas administrativas (pessoal, funcionamento de agências, luz, água, material de escritório, etc.) que representam 25% do spread total. Outros 20% servem para pagamento dos tributos (que os bancos embutem no valor dos juros e transferem para ser pago pela clientela, mais obrigações que lhes servem como seguro, tipo o FGC). Do resto do montante, 20,9% são para pagar pela captação (clientes que aplicam no Banco) E LUCRO. Dentro do spread está incluído também o valor correspondente às perdas em que o banco incorre, em razão da inadimmplência dos pagadores "caloteiros". Calote, dificuldade de recuperar garantias das operações são alegadas causas de o Brasil ter o 5º maior spread do mundo, em 2024. Indicadores que nos colocam em lugar de destaque no pódio mundial de que sistema financeiro extrai mais recursos da maioria da população, para transferir recursos para a minoria mais abastada: vice-campeão em taxa básica de juros e 5º lugar em spread. *** Com spread tão elevado, não se admira que os bancos apresentem indicadores de rentabilidade (ROE) em seus balanços, de 17%. Fato que leva o Banco Central a publicar no seu Relatório de Estabilidade Financeira que houve "moderada melhora" de 15 para 17%. Confesso que não sei se a informação gera comemoração na autoridade responsável por regular o sistema financeiro, que todos sabem ser capturada por quem devia controlar. Sabe-se que enquanto o ROE no Brasil atinge 17,4, nos Estados Unidos - um país mais pobre? - ele atinge 11,02%. Complementa a informação o fato de 2 dos maiores bancos com ações em Bolsa apresentam rentabilidade acima de 20%. Ou seja: os bancos ganham muito e a atividade rentista permite alimentar e fazer crescer a participação na renda nacional de 0,1% de privilegiados, para os quais por mais que o governo tente, o Congresso reage e não aprova a cobrança justa de impostos sobre seus ganhos. No Brasil, de elevada carga tributária, são os mais pobres os que mais pagam, seja embutido nos preços de produtos que são obrigados a consumir - impostos indiretos, seja de forma direta como impostos sobre seu patrimônio, se algum (IPVA, IPTU) ou imposto de renda, em geral de forma antecipada. Já a parcela mais rica da população, são os menos afetados por impostos diretos - sobre patrimõnio e renda - o que provoca maior desigualdade de renda e inequidade ou justiça fiscal. *** Muitos especialistas apontam que o DESENROLA não ataca a principal causa da situação de inadimplência recorde: a GASTANÇA pública. Acusam o governo de gastar sem controle, de forma demagógica, populista, em especial quando está preocupado em promover um mínimo de redistribuição de renda, transferindo renda para os mais carentes, na tentativa de lhes permitir um mínimo de dignidade de vida. O raciocínio é que o GASTO PÚBLICO sem limites eleva a demanda agregada, e tem como efeito o aumento de consumo das famílias mais pobres. Somados ambos os gastos, a demanda supera a capacidade de produção da economia e gera inflação. Para controlar a alta dos preços o Banco Central eleva os juros a níveis pornográficos. Aumentam os juros das operações de crédito e a inadimplência, que realimenta o spread em função de expectativas de calote, e os juros. Daí, a inadimplência se torna maior ainda. Na verdade, é o velho problema do ovo ou da galinha ou do biscoito Tostines (se ele vende mais por ser mais fresquinho ou se é mais fresquinho porque vende mais). O que se sabe é que chegamos à situação conhecida como RISCO MORAL: o tomador de empréstimo aceita pagar juros astronômicos, porque não tem a intenção de pagar. O Banco aceita emprestar por estes juros, por saber que não vai receber. O que não é dito é que, dado o spread elevado, já nas primeiras parcelas de qualquer crédito o banco já consegue assegurar o retorno de parcela importante e significativa do principal do empréstimo. O que permite reduzir sua perda. *** A tal elevação da Selic para reduzir a inflação é argumento no mínimo falacioso, já que inflação de alimentos provocada por efeitos climáticos (perda de lavouras por chuvas ou seca) não se cura com juros altos e menor demanda. A falta de oferta não tem como ser resolvida e os juros apenas assegura, materialmente, mais oferta para os mais ricos. Aliás, os juros pornográficos é a forma mais perversa de transferir dinheiro dos mais pobres para os mais ricoss. E de ampliar os gastos públicos, dando força aos que acusam o governo de descontrole fiscal (1 trilhão de pagamentos de juros aos mais ricos). O Banco Central, instituição com pretensão de se tornar completamente independente do governo e da sociedadede (via malfadada PEC 65 que tramita no Senado) revela descaradamente a que interesses presta serviços. E é um dos maiores responsáveis pelo aumento da desigualdade distributiva no país. No entanto, no mundo neoliberal, individualista, egocêntrico em que a solidariedade é apenas uma lembrança do passado, um quadro pendurado na parede, como diria o poeta, o governo se preocupar em dar um mínimo de melhor qualidade de vida à maioria da população é alvo de críticas. Que, infelizmente, acabam sendo difundidas pela mídia corporativa e empresarial, até levar à própria camada carente a culpar o governo que visa lhe ajudar. O que se mostra nas pesquisas eleitorais que apontam preferência, neste momento, para candidatos que pregam o fim do aumento real de salários, a ruptura do nível de aposentadorias da política salarial praticada, o fim de SUS e farmácia popular, de educação pública e até a ideia cômica de estimular o trabalho infantil. O DESENROLA é apenas um paliativo e em pouco tempo o problema estará reposto e novos programas serão necessários. Falta mesmo educação financeira para evitar que os mais pobres estejam submetidos à exploração por parte dos bancos e agentes financeiros. Mas, antes de mais nada, falta juízo e formação política para uma massa mantida em condições de ignorância, fake news e inverdades de todo tipo. Afinal, uma massa sem informação e capacidade de interpretação de sua realidade e dos fatos é muito mais fácil de ser tangida. É isso aí.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

A deterioração da Política em Minas Gerais e uma primeira hipótese para a insatisfação com o governo Lula

https://youtu.be/r6EpBuf6bc0 Esquenta, e só dá destaque ao candidato Zema, do Novo e filhote do fascismo tupiniquim, a intervenção abrupta do ministro Gilmar Mendes no episódio da publicação de vídeos criados por Inteligência Artificial e fantoches ironizando ministros do Supremo. Considerado já o principal cabo eleitoral do ex-governador, ao solicitar a inclusão de Zema no inquérito do “balaio de gatos (ou trem mineiro e suas coisas)”, nascido como inquérito das fake news, o ministro ajuda Zema a sair da obscuridade, tornando-se um nome conhecido nacionalmente. *** Pior é que dá a oportunidade para a postagem de novos vídeos de Zema, com ataques à Suprema Corte, permitindo que ele prossiga com suas ironias e deboches. Ao mesmo tempo, alimenta e dá combustível a colunistas e repórteres de toda a imprensa, com interesses feridos, que acusam o Supremo de praticar atos de intimidação e censura à manifestações satíricas e de humor. Sentindo-se atingido em sua honra pelo teor das falas do fantoche que o representou, e cuja voz replicava seu modo de falar, competia ao ministro como qualquer cidadão comum, registar um BO e ajuizar uma queixa-crime por calúnia (na hipótese de a sátira fazer referência a comportamento criminoso, como a corrupção passiva) ou por difamação (menção a fato que fere o decoro). *** Ao adotar este comportamento, além de menos exposição a Zema, Gilmar não passaria a imagem de estar se valendo e tirando proveito de sua posição de importância. Mas aqui é que mora o problema: alguns ministros do Supremo têm verdadeira ojeriza a serem considerados pessoas comuns, semideuses que se consideram. Enquanto isso, o empresário e ex-governador, pode ser considerado um dos piores governantes recentes das Minas Gerais, renunciando ao seu mandato depois de fazer um acordo em relação à dívida da União em razão da lei Kandir, abrindo mão de R$ 65,6 bilhões em troca do pagamento de R$ 8,7 bilhões, até 2037. *** Não bastasse esse exemplo de gestão eficiente, de 2019 a outubro de 2024 Zema deixou de pagar as parcelas da dívida do Estado com a União, por força de liminar obtida pelo governo de seu antecessor Fernando Pimentel junto ao STF. Situação que não o impediu de elevar a dívida do Estado em mais de 75%, fechando o ano de 2025 na casa de mais de R$ 177 bilhões. Apesar de ter contado com os recursos bilionários da indenização paga ao Estado, devido aos desastres ambientais. Assinale-se que de bobo Zema só tem a imagem do mineirim simplório, desconfiado e matreiro, que cultiva e tenta vender a partir do sotaque que utiliza. Sotaque difícil de se aceitar, para quem, como ele, formou-se em Administração pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com especialização nos Estados Unidos e em Oxford. *** Mas se a política mineira e sua ala fascista tem Zema, tem também o deputado Nikolas Ferreira, contra quem o Conselho Nacional dos Direitos Humanos representou junto ao Ministério Público do Trabalho por calúnia, difamação e injúria, por afirmar que professores exibem vídeos pornográficos em sala de aula, promovendo a erotização por obrigar alunos a se beijarem. E, na mesma linha, temos a deselegância de Mateus Simões, governador do Estado por pegar carona na chapa de Zema, ao reagir a críticas a um projeto de educação autoritária em lugar de outro, de educação democrática, civíco-militante, proposto por Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto. *** São esses traços autoritários, de inspiração fascista, daqueles que não respeitam a liberdade que afirmam desejar, e não conseguem conviver com visões diferentes de mundo, que têm chamado a atenção neste período pré-eleitoral, muitas vezes com apoio da mídia tradicional. A grande empresa de comunicação e mídia, ao lado de grandes empresários de outros setores, ao invés de destacar os bons números e estatísticas da economia brasileira preferem destacar o crescimento da dívida, seja a dívida pública da União, seja a dívida de mais de 80% da população, que se manifesta por elevação recorde da inadimplência. *** A incapacidade de honrar suas contas, com a consequente inclusão de seu nome na lista negativa dos órgãos de proteção ao crédito tem sigo apontada como uma das causas da baixa popularidade atribuída a Lula e sua busca de reeleição, nas pesquisas eleitorais. Isso, somada aos gastos feitos nas Bets, por uma população desesperada para obter uma quantia de dinheiro mais fácil. Como é mais fácil, atribui-se ao governo a responsabilidade pelo endividamento dos cidadãos, e até pelo aumento de gastos de apostas, em razão da aprovação do funcionamento desse tipo de atividade. *** O fato de o Banco Central estar praticando juros reais pornográficos, com a taxa básica superior a 10% ao ano acima da inflação; de a Selic ser o piso para todas as taxas de juros para operações de crédito no país, ou de juros de cartão de crédito alcançarem a taxa criminosa de até 15% ao mês ou 450% ao ano, que as administradoras alegam ser em razão do elevado risco de inadimplência que tais taxas reforçam, acabam alimentando críticas aos gastos do governo, em especial os sociais, considerados exorbitantes, embora as maiores categorias de despesas incluam o pagamento de juros (mais de 1 trilhão) e os gastos ditos tributários (isenções a empresários) de mais de 500 bilhões de reais. Fica nítida a razão da crítica aos gastos que privilegiam à maior parcela da população, em detrimento da casta mais privilegiada, a minoria de detentores do dinheiro e poder. Crítica falaciosa de que o aumento dos gastos conduz ao aumento da dívida pública em relação ao PIB, podendo tornar o governo inadimplente. *** Com contas cada vez maiores, consumindo parcela significativa da renda recebida pelos trabalhadores, fruto do sobre-endividamento a juros escorchantes; e cada vez mais bombardeados pela crítica da imprensa que só dá destaque a eventuais e futuros problemas do governo, fica fácil entender como se forma e fermenta o caldo de insatisfação nas camadas que mais atenção receberam do governo. Essa causa, em minha opinião, dos resultados de pesquisas que indicam a preferência, ao menos neste instante, por políticos que sempre se manifestaram e apoiaram interesses contrários aos mais carentes. E, não satisfeitos, anunciam cortes de benefícios previdenciários e de aumentos salariais acima da inflação; redução de gastos em saúde e educação e privatização ou privataria, se possível, geradoras de polpudas “rachadinhas e comissões”. É isso aí.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Economia brasileira, percepção popular do governo Lula e a falta dos pitacos, que retornam em breve.

No youtube: https://youtu.be/2V43JhpkwIk Atônito, confuso com as loucuras do Agente Laranja e seu trágico enredo de Guerra e Paz, cujas consequências para nossa economia tornam-se totalmente imprevisíveis, estou em falta com a publicação dos meus pitacos (tambemquerodarpitaco.blogspot.com). A confusão é tanta que, por mais que os números da economia brasileira sejam positivos, ainda que em queda, fica difícil falar, sem ser repetitivo, e mais ainda entender a percepção dos resultados do governo Lula, junto à populacao. Complexo buscar as razões por trás dos resultados das pesquisas eleitorais. Mas, nao nos desanimamos. Vamos em frente e os pitacos retornam em breve. Enquanto isso, apresento o link de artigo sobre propostas de mudança do Banco Central. Para favorecimento dos de sempre. https://www.brasil247.com/authors/paulo-cesar-machado-feitosa. Até

quarta-feira, 4 de março de 2026

Pitacos em um mundo em convulsão

link: https://youtu.be/3j47MVW6o9A Os (poucos) seguidores desses pitacos perceberam, aliviados, a falta de postagem de pitacos no mês de fevereiro. Não por falta de assuntos ou oportunidades. Muito antes, pelo contrário! Tantas, tão velozes e significativas as situações que despertaram minha vontade de “também querer dar meus pitacos” que confesso ter me ficado perdido frente à sucessão de fatos novos, atropelando eventos que não tiveram tempo de serem observados e avaliados. *** Foi assim com a decisão do COPOM (reunião de final de janeiro), de manter a Selic em 15% anuais, em obediência aos analistas do mercado consultados, em razão das incertezas do ambiente externo e das condições financeiras globais. Isso, apesar de reconhecer o recuo da inflação e do dólar; da desaceleração do nível de atividade econômica e da geração de novos empregos formais. Para atenuar as esperadas e corretas críticas dos agentes da economia real, que produzem, trabalham, vendem e pagam impostos, diferente dos rentistas do mercado financeiro, a Ata do COPOM (de fevereiro) anunciou que, confirmadas as expectativas para o ambiente econômico, começaria o processo de redução, lenta e gradual dos juros no país, sem perder de vista a convergência da inflação real para meta inatingível de 3%. *** Aí veio o carnaval, o desfile da Sapucaí inflando o ego de todos os homenageados, inclusive o de Lula, cuja interferência na opção e no formato de apresentação do resumo da involução recente da política em nosso país só se sustenta para aquela fração da oposição que, acostumada a motociatas, passeios de jet-ski e intensa atividade nas redes sociais desconhece o mundo real, do trabalho. E vieram o recorde de feminicídios, os estupros coletivos, as acusações de assédio por parte das mais altas autoridades do Judiciário, quando não de interesses cruzados rompendo a imparcialidade necessária, ocorrências incapazes de serem lavadas/levadas pelas chuvas torrenciais que provocaram mortes e destruição em cidades da região sudeste, em especial na Zona da Mata mineira, vitimando, principalmente, a população socialmente menos privilegiada. *** Por fim, o agente laranja, fascista, ególatra, falastrão, que gosta de agir como se fosse o dono do mundo que, acossado pelos interesses de autopreservação dos políticos no comando do governo de Israel, dá início a mais uma empreitada beligerante, agora no Oriente Médio, em busca não de armas químicas, mas de armas nucleares, até uma possível bomba. Líder internacional de triste e patética figura, que opta por tirar da inércia seus eventuais inimigos externos, seja para poder sair dos holofotes e manchetes que o vinculam ao caso do predador e abusador sexual Epstein; seja para reverter a sua previsível derrota política nas eleições de meio de mandato, dadas as consequências da política econômica errática que adota, e penalizam o povo americano. *** No Brasil, março inicia com a notícia do crescimento menor do PIB comparados aos anos anteriores, de apenas 2,3%, puxado pela produção e exportações do agro. Sim, o resultado mostra a eficácia do BC para, sob a desculpa de combater a inflação, trabalhar para prejudicar o processo de desenvolvimento econômico e social da economia brasileira; implodir os projetos e planos econômicos do governo; fazer os rentistas ganharem lucros recordes sem arregaçar as mangas e por mãos à obra; atrair fluxos de dólar e provocar a valorização das receitas de nossos produtores do agronegócio e de commodities, cuja receita em real se expande; provocar o sucateamento da nossa indústria, e fazer a economia evoluir para o modelo primário exportador de 100 anos atrás. *** Na outra ponta, o desemprego formal para de ser reduzido; o consumo familiar cai, com a menor demanda desestimulando investimentos privados; e o país cai para a posição de 11ª primeira maior economia do mundo. E analistas econômicos da mídia elegem e combatem a crise fiscal e os gastos sociais, como inimigos públicos nº 1 do país, forma de tirar o foco do principal item de gasto a explicar os déficits públicos: o pagamento de 1 trilhão de juros. *** A mesma mídia que elogia os gastos com planos safra, dedicados à agricultura de soja e milho, gado, frango e ovos, que financiam os grandes empresários do agro ou os gastos com pesquisa e inovação tecnológica que as empresas públicas executam e se espalham para as grandes empresas. Infelizmente, gastos que não atendem ao pequeno produtor agrícola, ao produtor familiar, responsável pela produção de gêneros alimentícios que saciam a fome do povo. Ou seja: para os ricos, tudo é possível e tolerado. *** Duas outras questões devem ainda ser tratadas, de forma rápida: A proposta de redução da jornada de trabalho de 6 x 1, considerada eleitoreira, e que, mais uma vez, coloca de mesmo lado e reúne, a grande imprensa e os grandes interesses econômicos - o agronegócio, a indústria, até do setor de serviços que tanto poderá se beneficiar –, permitindo mais horário para os trabalhadores se dedicarem à família, ao lazer, à educação, ao descanso. E há economistas que defendem o interesse dos mais poderosos, destacando o efeito prejudicial da medida em nosso país, dada a baixa produtividade de nossa mão de obra. Para eles, menores horas de trabalho provocariam queda acentuada da produção, da oferta e aumento de preços. Ignoram que um trabalhador mais feliz, mais tranquilo, mais respeitado, trabalha mais e melhor, com mais eficiência. Sequer aventam a possibilidade de aumento do número de contratações. *** Outros, para agradar aos patrões, sugerem que os empresários deixem de pagar a Contribuição à Previdência Social. Com isso, propõem romper o esquema de financiamento da Previdência em nosso país, criado a partir do sistema de solidariedade tripartite, onde empregados, patrões e governo contribuiriam em partes iguais. Curioso é que não falam o porquê de a mera redução do custo do empresário conseguir melhorar a produtividade do trabalhador. Melhora o lucro do patrão. Mas com a produção do país, parecem não se preocupar. *** O segundo ponto é o escândalo do Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, que resultou em prejuízo de mais de 50 bilhões ao mercado, alimentado por crimes financeiros de gestão temerária e má gestão. Tratamos este assunto e do papel da fiscalização do Banco Central na live de 23 de fevereiro do programa de Cláudio Porto, Da Prática Política (https://www.youtube.com/live/lzppiWfvZkc?si=lfXB7ACHTxCc3HjQ). E tem gente bem intencionada que ainda defende a total autonomia do Banco Central, sua separação completa do governo, para permitir que sua direção e corpo funcional possam vir a se tornar meros prepostos do mercado financeiro, como a teia de maus feitos e de cumplicidade armada por Vorcaro permite imaginar. Daí, NÃO À PEC 65, e à privatização do BC. É isso.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Um mês de Agnotologia e de distopia: a criação do mundo da fantasia.

link: https://youtu.be/8tyAitqmt0Y Tive a oportunidade e o prazer de assistir, uma vez, uma palestra da professora Nayla Lopes da UFMG (palestra que recomendo e gostaria de contratar!), sobre o tema de sua tese de doutorado, a AGNOTOLOGIA. Ou o estudo da produção intencional da ignorância e das políticas de produção de ignorância. Acho que não há nada mais apropriado para o início deste ano de 2026 que a referência à produção e difusão propositada do desconhecimento, de forma a embaralhar a realidade, confundir e tornar normal qualquer absurdo ou barbaridade que se queira. E tirar proveito da criação dessa distopia. *** Porque é por meio das lentes da agnotologia (Dr. Robert Proctor, e ainda o livro 1984, de Orwell) que vejo o ano de 2026, já quase terminado seu primeiro mês. Afinal, bastou que fossem abertos os arquivos do pervertido Epstein, vindo a público fotos de Trump beijando e apalpando ninfetas de forma luxuriosa que, para desviar a atenção, o agente laranja praticou ato de guerra sem qualquer declaração formal anterior de guerra. (Em 1970, o filme Tora! Tora! Tora!, sobre o ataque japonês a Pearl Harbor, tratava a ausência deste comunicado como ato de traição! A 3 de janeiro, o agente laranja, de alta toxicidade, desrespeitando todo o direito internacional, invadiu, bombardeou e sequestrou o presidente (ditador) da Venezuela, Nicolás Maduro, levando-o para prisão e julgamento fictício, semelhante às armas químicas do Iraque de Sadam Hussein. *** Estima-se que mais de 150 civis morreram no ato de agressão americana, justificado como medida para libertar o povo venezuelano da ditadura de Maduro, mero pretexto para avançar sobre as riquezas minerais do país com maior reserva de petróleo do mundo. (Só para lembrar, regimes ditatoriais, autoritários e até chefiados por reconhecidos assassinos continuam tendo não só o apoio do agente laranja que, inclusive, recebe com tapete vermelho o assassino na Casa Branca). A curta duração do ato covarde, dada a ausência de reação das autoridades e forças militares da Venezuela, levou à necessidade da fabricação de outra crise fake, com a ameaça de controle e até invasão da Groenlândia, ilha sob o controle legal da Dinamarca. *** A firme reação das nações da OTAN levou o agente laranja a procurar criar outra situação problema, dando sequência à operação abafa, da conduta imoral de Trump; da alta da inflação americana, como consequência do disparate do tarifaço; e de carona nas ameaças de Israel e seu líder extremista Netanyahu, ao Irã. No caso israelense, o fictício cessar fogo em Gaza, exigia que Netanyahu continuasse alimentando conflitos fora do país, ameaçando o Irã, desviando a atenção da mídia internacional das acusações internas que pesam sobre ele, e da selvageria da matança indiscriminada contra crianças e civis, ainda presentes em Gaza. *** Mas Netanyahu é amigo e protegido de Trump que faz vistas grossas à ação de limpeza étnica que libera a faixa – rica – do solo de Gaza para que o agente laranja ali instale ressortes de um empreendimento imobiliário faraônico. O que levou Trump a propor a criação de um Conselho de Gestão de Gaza permanente, sem a presença “incômoda” de palestinos que o transformaria em presidente soberano e vitalício. Assim, para infelicidade do povo americano, que assiste aterrorizado à selvageria contra imigrantes e até de americanos, Trump parece procurar, tal como Hitler, expandir o espaço vital do território americano. *** No Brasil, além da apresentação de estatísticas que mostram crescimento da economia, redução do desemprego para nível recorde (ou situação de pleno emprego), expansão de políticas sociais exitosas, com mais de 1,5 milhão de pessoas saindo do Bolsa Família, em razão do aumento de renda, o que se vê são interpretações da grande imprensa da irresponsabilidade fiscal do governo, com projeções de estouro do indicador Dívida Pública em relação ao PIB. O indicador Dívida Bruta/ PIB sobe, mas a agnotologia leva os agentes do mercado financeiro a criticarem, com a mídia sempre lhes dando voz e espaço, as políticas públicas destinadas a reduzirem, minimamente, a desigualdade. E ainda criticam a fala do ministro Haddad, responsabilizando os juros pornográficos de 15% ao ano, de serem o principal responsável pelo maior item de gasto do governo, as despesas financeiras – fora do teto ou do arcabouço. *** Com juros elevados a ponto de tornarem o Brasil o país com segunda maior taxa de juros acima da inflação no mundo (mais de 10%), a economia mostra sinais de paralisia, andando de lado. Por esse motivo, e não necessariamente pelo mecanismo de transmissão dos juros, os preços sobem menos e assistimos a uma desinflação (inflação a níveis cada vez menores). O BC assinala e comemora a convergência para a meta absurda da inflação no horizonte relevante. E mantém a Selic e as ameaças de que poderá não iniciar o processo de redução das taxas, dada a incerteza no ambiente, para a qual pouco contribuímos. *** Pergunto-me, mais uma vez, se o BC é que decide o comportamento a ser adotado pelos agentes financeiros ou se é o Banco que obedece às determinações do mercado, que já precificava: ontem não teria alteração e até o fim do ano a Selic chega a pouco mais de 12%. Que o Banco deve explicações não há dúvida: do porquê manter a meta irreal de inflação de 3%; de porque deixou o caso do Banco Master, já suficientemente comentado no mercado assumir as proporções e valores que tomou; de porque o presidente anterior, Campos Neto, não agiu para liquidar um banco insolvente, ilíquido, que não cumpria o compulsório e com ativos falsos; porque o Banco se arvora e arbitrar o que é “good bank” ou a parte podre, sem punir, imediatamente ao gestor. É verdade, o escroque do Vorcaro tinha meia república na mão ou em sua contabilidade. Entre agentes do mercado e do Estado, criou uma blindagem que serve para criar várias justificativas. Todas de acordo com a agnotologia. *** Para escapar de dar as devidas explicações em relação ao comportamento das Igrejas no escândalo do desvio do dinheiro dos aposentados do INSS, Nikolas Ferreira, o deputado virtual, faz peregrinação e um fenômeno da natureza ajuda a distrair a atenção. Para não aparecer na condição de presidiário sem mais qualquer importância, o ex-presidente golpista, lança seu filho candidato à presidência. Ao menos o sobrenome continua na berlinda. E o chocolateiro rachadinha, da sua mansão de milhões em Brasília, procura dar sequência à atuação de sua familícia e dos sabujos que cercam seu pai, estes com apoio dos agentes financeiros do mercado e de toda a grande imprensa. O que sinaliza a direção perigosa que o andar de cima deseja para o Brasil e seu projeto de descarrilamento.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Última reunião do Copom em meio a continuidade dos golpes a nossa democracia

link: https://youtu.be/4lffaPTiUm4 Nesta quarta-feira, 10 de dezembro, realiza-se a última reunião do ano do Comitê de Política Monetária – COPOM, o colegiado composto pelos Diretores do Banco Central, que detêm a missão de fixar a taxa básica de juros da economia, a Selic. Frase que passa a falsa impressão de que os diretores do BC, 7 deles indicados por Lula, inclusive seu presidente, decidem a taxa básica de juros, que afeta o custo do capital e do crédito e, dessa forma, influenciam as decisões de investimento produtivo e consumo. Trágico engano. *** Na verdade, o Copom é apenas uma marionete, e age como ventríloquo dos interesses rentistas do mercado financeiro que decidiram, no início deste ano, que a Selic deveria ficar nos pornográficos 15% ao ano, mais de 10% de juros acima da inflação prevista pelos agentes do mercado financeiro. Como são poucos os negócios honestos com lucratividade acima de 10% (apesar de todo o trabalho e incertezas que caracterizam o ambiente econômico), o patamar é um convite para que os donos do capital apliquem seus recursos na riqueza fictícia dos títulos financeiros. E com isso a economia pare de produzir, crescer e gerar empregos. *** Verdade que a economia política permite a existência de escolas de pensamento e teorias que sustentam a surrada e mais que criticada ideia de que o único remédio para a inflação é a alta de juros, por sua capacidade de reduzir a demanda (investimentos mais consumo). Recomendam a paz dos cemitérios: a febre, sintoma de desajuste, é combatida com remédios que matam o organismo doente. E, nisso, não há nada de técnico. Há apenas política, e decisões de se favorecer a uma parcela mínima da população: o grupo que pode pagar por pareceres, consultorias e seminários e homenagens aos egos dos arautos de seus interesses especulativos. *** A mesma escola que critica a gastança e o endividamento irracional do governo, vendendo mentiras quanto à elevação do risco de calote e a capacidade de pagamento da dívida acumulada. Não dizem é que o governo é o responsável por emitir o dinheiro para pagar a tal dívida. O que faz o tal risco de crédito virar fumaça. Também não dizem que o efeito da emissão de dinheiro pelo governo, que não paga juros, ou a emissão de título da dívida pública é o mesmo, apenas que o título paga juros elevado, para a classe mais privilegiada, que pode financiar o governo. O que ajuda a entender a razão de a dívida crescente e juros nas alturas, ser um mecanismo perverso de concentração de renda e riqueza. *** Ao contrário, vendem a ideia ao emitir dinheiro, o governo gera inflação. Sem considerar que a grande maioria do dinheiro em circulação no país é o dinheiro criado pelas operações de empréstimos feitos pelos bancos. Que injetam dinheiro e depois cobram que o governo enxugue a liquidez, para o que os juros devem ser elevados. Não apenas a economia é política e as decisões têm lado. Nossa estrutura econômica injusta, desigual e iníqua ainda recebe a contribuição de um sistema tributário que isenta os mais ricos do pagamento de impostos, onerando os mais pobres e a atividade produtiva que lhe permite ter o emprego e a renda para sua sobrevivência. *** Esse conjunto de desigualdades, que coloca o Brasil em 5º lugar em concentração de renda no cenário mundial é que causa o desajuste que gera a luta distributiva expressa pela inflação. E ainda tem jornalistas e jornais (Folha), que criticam as ideias de o Estado ser o responsável pela criação de um bom ambiente de negócios, procurando reduzir as incertezas, ou seja, agindo como indutor do desenvolvimento. Como sempre aconteceu nas grandes nações que conseguiram superar o subdesenvolvimento. Que pregam a prática do livre mercado e da meritocracia, criticando os gastos sociais, enquanto fecham os olhos para os gastos tributários, com isenções e incentivos, sustentado por uma rede de amizades influentes nas estruturas corrompidas do poder. E, por fim, criticam as indicações de Lula para a diretoria do BC e a adoção de políticas ligadas ao rentismo, sem perceber as forças a que estão sujeitos, sob a influência da teoria da captura e do pote de ouro do lado de lá da porta giratória. *** Sob o domínio e a influência dos interesses econômicos mais poderosos, mesmo que de origem questionável ou desonesta, estamos longe e ficamos cada vez mais distantes de uma sociedade democrática, voltada para o atendimento dos interesses da maioria da sua população. O que alimenta um ambiente de frustração e desespero, que descamba para aventuras autoritárias, fascistas e onde as tentativas de golpe se acumulam, gerando golpes continuados. *** Golpe como o do presidente da Câmara e a votação da lei que reduz penas de todos os condenados pela tentativa frustrada de derrubada do Estado Democrático de Direito: um projeto de lei urdido, discutido, aprovado e ordenado de dentro da cadeia, para mostrar toda a fragilidade de nosso sistema prisional, pelo líder maior da organização criminosa que, infelizmente, infesta o país. E que mostra o poder da corrupção que invade e domina as instituições do país. Corrupção que culmina com a agressão covarde, dentro do plenário da Câmara, de deputados que não se dobram e insistem em honrar a representação popular de que foram investidos, com risco à própria vida e segurança, como o caso do deputado Glauber Braga e outros deputados a ele solidários, e os interesses republicanos que teimam em respeitar. É isso aí.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Paradoxos do Brasil, em meio à polarização de uma sociedade dominada pelo medo e pela insegurança e violência: institucional ou não

https://youtu.be/EbtiP4wgKtI A economia brasileira cresce; de carona nos transportes, o setor de serviços apresenta 8 meses de um crescimento vigoroso, qualquer que seja a base de comparação (setembro 25 sobre 2024, no acumulado no ano ou de 12 meses). O desemprego mantém-se estável no menor nível da série histórica e o rendimento médio mensal apresenta viés de alta. Enquanto isso, a inflação de 0,09% em outubro é a menor para o mês, em 27 anos, dado o recuo do preço administrado da energia elétrica (redução do nível da bandeira tarifária) e da baixa do preço, por razões climáticas, de alimentos importantes (arroz, leite longa vida). *** Não é a teimosia do Banco Central em manter a Selic em 15% ao ano, nem a fixação dos juros pornográficos de mais de 10% acima da inflação que tem domado a inflação, fenômeno que está longe de ser explicado pela pressão de excesso de demanda sobre nossa capacidade produtiva. Mas se os juros não são A EXPLICAÇÃO para o comportamento dos preços, em favor da população, poucos irão negar que são a causa da elevação do indicador Dívida Bruta/PIB, instrumento de terror, pressão e tortura feita pelos agentes do mercado financeiro, e da mídia em geral, e das críticas descabidas feitas a eventual gastança do governo ou desordem fiscal. *** Ou seja, se juros exorbitantes são incapazes de beneficiar a população levando os preços a caírem, asseguram a captura do Banco Central pelos interesses dos rentistas que vivem de juros – o mercado financeiro, seus agentes e instituições - que, desde o início do ano previam, ou ordenavam (?) que a Selic deveria estar a 15% no fim do ano. Dado o crescimento do endividamento referido, a despesa de pagamentos de juros aos detentores dos títulos públicos aumenta o total de gastos – a tal gastança. Ou seja, se os juros são incapazes de beneficiarem a maioria da população, não há dúvidas de que beneficiam a parcela mais rica da população que empresta ao governo. *** O que cria uma situação paradoxal: apesar de a economia, o país, as condições de vida da população apresentarem melhoras, a grande imprensa, unida à maioria dos membros do Congresso Nacional (cuja baixíssima qualidade ética e moral causa perplexidade jamais vista) apenas destacam e divulgam as críticas, narrativas ou mentiras que visam fragilizar o apoio da maior parte da população ao governo. Assim, omitem a melhoria das condições de vida, aproveitando da desinformação para a adoção de medidas voltadas ao interesse personalista, da política rasteira, eleitoreira, longe dos mais relevantes interesses nacionais. *** Por trás da polarização do país, é possível identificar, sob novas roupagens, o ressurgimento da surrada luta de classes, agora entre milionários e pobres; entre os rentistas do capitalismo financeiro e os setores capitalistas voltados à geração de riqueza real; entre os patrões e empregados, ou sob nova face, patrões e autônomos, explorados, cuja por meio da utilização de plataformas tecnológicas disfarçadas pela imagem falaciosa do empreendedorismo. Inclui-se nessa luta, aquela entre a população dos bairros mais nobres e privilegiados das cidades e as camadas penduradas nas comunidades, nas periferias, nas favelas – lugar de pobres, muitos deles pretos, sem educação, sem saberes, sem saúde e sem oportunidades. *** Nesses morros, abandonados há muito pelos equipamentos e agentes do aparelho de governo, a ausência do Estado cria um vácuo que abre espaço ao surgimento de facções, organizações criminosas, milícias. Afinal, é senso comum que não há espaço vago na âmbito da política: alguém vai ocupar o poder. Se vai usá-lo segundo regras estabelecidas, contratadas, de convivência, fruto do consenso e do respeito mínimo à dignidade de todos e de cada um ou, ao contrário, em benefício próprio, que acarreta a redução do outro a mera peça na engrenagem da exploração, onde vigoram regras pessoais, flexíveis e instáveis, conforme interesses circunstanciais, voltadas à submissão do outro e à anulação de sua dignidade e sua humanidade, é que vai fazer a distinção. *** Thomas Hobbes desde há muito falava da consequência do vazio do poder, da selvageria e barbárie: em que o homem é o lobo do homem. Nas favelas e morros abandonados, sempre surgirão aqueles que vão tentar se impor aos demais vizinhos, por sua força, barbárie e brutalidade, muitas vezes sanguinária. Elementos que exploram, torturam, abusam, matam, escorcham seus vizinhos amedrontados, em espiral sem fim. Pessoas que sabem que seu poder exige a manutenção da tensão, da ameaça, do medo e da violência por meio de execuções sumárias: dos desafetos, dos comparsas de lealdade duvidosa, ou dos recalcitrantes. *** Assim fazem um inferno da vida dos demais, e não é de se admirar que aqueles explorados passem a nutrir o sentimento de ódio, vingança, o que os leva a aplaudir e aprovar atitudes de barbárie idêntica, adotada contra seus algozes. Se a violência visando sua libertação é patrocinada pelo Estado, ainda melhor, já que creem que as regras garantidas pelo Estado, em tese de alcance e garantia impessoais são mais permanentes, menos instáveis e mais respeitadas. Infelizmente não sabem que, nessas situações, a utilização do aparato de segurança, policial-militar do Estado, não vai eliminar, exceto momentaneamente, seu pesadelo. E que, passado o primeiro momento de violência institucionalizada e aceita, o aparato do Estado não vai se estabelecer e sua presença se fazer frequente para assegurar sua segurança, até por força de contenção de gastos sociais, em visão fiscalista tosca. O que significa que, caídas no esquecimento, as operações policiais de desocupação de morros, apenas reproduzem o vácuo, em que outros, ainda piores, irão se instalar. *** E a questão central dessas reflexões ainda nem sequer foi tangenciada. Não cabe ao Estado matar, cabe punir. Não cabe ao Estado decidir sobre a vida ou morte de quem quer que seja. Não cabe ao Estado torturar, amedrontar. Não cabe, aos representantes eleitos pelo povo, decidir quem pode viver e quem deve ser eliminado de forma bárbara e sanguinária. Aos governantes não cabe matar, atitude típica, e reconhecida no Código Penal, dos assassinos.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

15 anos de pitacos, sem bailes de comemoração ou uma valsa envolvente

Completamos neste 7 de outubro, 15 anos do blog Também quero dar pitaco (link tambemquerodarpitaco.blogspot.com). Neste dia, ia começar recordando a apresentação feita na ocasião, em que dizia que achava que pudesse ter algum conteúdo a abordar, alguma coisa a dizer ou a escrever, de algum interesse. Afirmava: “No fim das contas, uma certeza eu tenho. Mesmo que não te acrescente nada, alguma coisa que eu postar vai te incomodar. E as dores mais incômodas nos fazem parar e refletir.” *** No texto que rascunhei tratando desse período, abordava a deterioração de nossa qualidade de vida, do apodrecimento de nossas relações sociais e humanas, do esgarçamento de nosso tecido social, acarretando o aumento da barbárie urbana, da violência e a banalização da vida, em especial de jovens adolescentes, pretos, pobres, moradores das periferias. Constatava a ampliação do descaso pela vida, pelo respeito e dignidade; a naturalização dos sinais de exclusão e invisibilidade social; o aumento de todo tipo de radicalismo, como o racismo, a xenofobia, a misoginia, a intolerância religiosa, exemplos de formas de negação da alteridade e não aceitação das diferenças. *** No cenário internacional, atentados, golpes, guerras frias e quentes, passaram a ocupar cada vez mais nossa atenção, sob as desculpas mais inescrupulosas e fajutas, como a existência de armas químicas ou nucleares, os narcoestados, o patrocínio de atos terroristas. Inertes, acompanhamos o ressurgimento de partidos e filosofias proscritas, ocupando espaços públicos e provocando o protagonismo de governos de inspiração fascista, nazista, autoritários. Sob um silêncio cúmplice e omissão criminosa, assistimos até mesmo ao genocídio, à aniquilação ou solução final de todo um povo, praticada por aqueles que, há pouco tempo, foram vítimas de tal infâmia. *** Em nossa sanha inconsequente e irresponsável, agredimos e destruímos o nosso meio ambiente, nossa casa, nossa terra, nosso planeta, nosso alimento e nossa salvação. Observar e refletir sobre tais mazelas não é, nem pode ser considerado, desespero ou ato de desestímulo. Ao contrário, deve servir como marco de tomada de consciência e ponto de partida para que retomemos nosso ímpeto e nossas lutas. Afinal, compete a cada um de nós lutar para preservar e manter vivo aquilo por que mais nos interessamos: a qualidade de nossa vida. *** Sempre sem deixar perder a fibra e disposição e, de forma cândida ou panglossiana, optando por ter em mente a lição de Gonzaguinha: viver e não ter a vergonha de ser feliz. Porque: “É a vida, é bonita e é bonita”.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

O discutível impacto dos juros sobre preços de alimentos e mapa da fome e a falácia da austeridade

https://youtu.be/-ons166y51A. Atribuir à política monetária - de juros pornográficos – do Banco Central parte da responsabilidade, ainda que subsidiária, da redução da alta dos preços dos alimentos, em razão da criação de um ambiente de estabilidade de preços fruto de uma política monetária responsável, como o faz Paulo Gala em seu artigo “Inflação de Alimentos e mapa da fome: Impacto Social e o Papel do Banco Central”, publicado em 26 de setembro último em seu site, expressa muito mais que apenas boa vontade com o Banco Central e sua diretoria. Professor de Economia da FGV-SP, além de gestor de fundos e CEO de instituições do mercado financeiro, a abordagem do professor quanto ao papel do Banco e ao efeito da elevação da Selic na contenção da inflação entre 2021 e 2023, provocando a estabilidade de preços e reduzindo a alta de preços dos alimentos de 14% ao ano para menos de 3% em 2024 merece cautela. *** Afinal, defender a política esquizofrênica de juros praticada no Brasil, que interessa e beneficia apenas aos agentes do mercado financeiro, permite ao professor defender a sua manutenção futura, sob o argumento de risco de “nova aceleração dos preços de alimentos”, que deve ser monitorado com atenção redobrada. Embora se reconheça a existência de uma correlação negativa entre taxas de juros e níveis de preços, com preços e juros se movendo ao mesmo tempo, isso não assegura a existência de causalidade dos juros para os preços. Ou, a elevação dos juros não provoca, necessariamente, queda de preços, que podem responder a outras causas implícitas. O professor e seus colegas do mercado sabem disso. No entanto, o senso comum diz que “business is business”. *** Partindo da informação do peso relevante do gasto com alimentação no orçamento das famílias mais pobres (algo próximo a 47% da população ou cerca de 100 milhões de pessoas), o professor argumenta que mesmo variações reduzidas nestes preços podem ter consequências em seu poder de compra, sua percepção de bem estar e até na avaliação do governo e na confiança no chefe do Executivo, o que representa um risco para a manutenção da estabilidade política. Com base nesse raciocínio, o professor atribui um papel importante à inflação dos alimentos para a segurança alimentar da população, apontando à redução de preços dos alimentos entre 2022 e 2024, a explicação para a saída do país do mapa da fome, e a redução do número de pessoas em insegurança alimentar grave, de 33 milhões para 18 milhões de pessoas. *** Aqui a análise do professor avança em terreno movediço ou escorregadio, uma vez que atribui papel de relevância nesse combate à fome, ainda que coadjuvante, à política de juros praticada pelo Banco Central. O professor não deixa de reconhecer papel preponderante ao conjunto de políticas públicas praticadas pelo governo, visando expandir o crescimento econômico e elevar o nível de emprego e renda, catalisadas por políticas sociais e programas de transferência de renda, como a política de aumento real do salário mínimo e o programa do Bolsa Família, que permitiram às famílias recuperarem seu poder de compra e terem um acesso mais efetivo aos alimentos. Assim, atribuir um papel auxiliar à política de juros pornográficos do Banco Central, parece mais uma preocupação em amenizar os efeitos da política de juros praticada, que o professor classifica com política monetária responsável. *** Fosse verdadeira a conclusão, os preços dos produtos agrícolas e outros como carne, ovos, e até energia teriam se mantido em baixa desde 2022 até 2024, quando os juros passaram a ser elevados. Não foi esse o comportamento dos preços dos produtos citados em 2024, reflexo do resultado de efeitos perversos da crise ambiental, das mudanças climáticas, dos desastres naturais que provocaram a redução de suas ofertas e aumento dos preços dos produtos, de que são exemplos as enchentes no Rio Grande do Sul; a escassez hídrica ou efeito de queimadas que afetaram a cultura do milho, do café; ou a crise da gripe aviária nos Estados Unidos ou a quebra de safra em outros países, afetando olivais, a produção de azeite, etc. Às tragédias naturais, somam-se a destruição, posta em marcha no governo anterior, das políticas de formação de estoques reguladores, somadas ao desmonte da infraestrutura de estocagem, função da política de caráter liberal de privativação e venda dos armazéns da Conab, de resultados desastrosos. *** Embora os juros não tivessem declinado nesse ano de 2025, os produtos citados passaram a experimentar uma queda em seus preços – embora ainda em patamares elevados – em função do reequilíbrio das condições climáticas, com a normalização do regime de chuvas e a redução danosa de eventos de natureza catastróficas. O que indica que a redução não se deu por influência dos juros e confirma que o movimento simultâneo, em direções contrárias, de juros e preços, não implica necessária causalidade entre elas, mas a presença de variáveis outras, não consideradas no modelo teórico explicativo. *** Admitir um efeito positivo aos juros é adotar a visão dos agentes do mercado financeiro, que se beneficiam da manutenção de juros elevados, às custas dos efeitos disruptivos dos juros sobre variáveis como investimentos, nível da atividade econômica e de emprego, renda, gastos públicos, receitas públicas, resultado primário e resultado nominal, dívida bruta, câmbio, e até mesmo custos (financeiros) e seus impactos nos preços, além da produtividade; e sobre outros importantes setores da economia como o industrial, ou ações de desenvolvimento científico e tecnológico. *** Em acréscimo, os juros elevados aumentam os gastos financeiros do governo, elevando o déficit nominal e afetando o indicador Dívida Bruta/PIB. Assim, alimenta a falsa sensação de descontrole de gastos do governo, o que reforça a demanda de toda a mídia conservadora e da sociedade por adoção de políticas de austeridade, e corte de gastos sempre voltados à redução dos gastos sociais e transferência de renda. Anula-se assim o esforço governamental da adoção de políticas públicas que visam a desconcentração da renda no país. *** Sem esquecer o engodo que o conceito de austeridade contém, considerado a receita infalível para se atingir uma hipotética e falaciosa posição equilíbrio estável, a ser alcançado e se manter em uma economia instável, pois dinâmica por excelência. No fundo, a ideia liberal de austeridade não significa nada mais que a criação de mecanismos que perpetuem e ampliem o grau de exploração do trabalhador e o impeçam de se apropriar dos frutos de seu trabalho - seja pela ampliação do nível de desemprego, seja pela fragilização de sua posição de negociação de salários e direitos. Apropriação dos frutos do trabalho que se transformarão nos lucros dos patrões. Ou seja, a austeridade significa criar mecanismos para perpetuar e ampliar o grau de exploração do trabalhador, possibilitando uma maior apropriação, por parte dos patrões e sob a forma de lucros, dos frutos resultantes de seu trabalho.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Galípolo, a coerência de sua trajetória e a (in)coerência na defesa da PEC 65

https://youtu.be/fXeaKof1ED0 Presidente Galípolo, o chamado menino de ouro do Lula, em razão de ser o mais jovem economista a ocupar a presidência do Banco Central é bem mais que essa referência carinhosa. E já é portador de uma experiência bem significativa, apesar da pouca idade. Mestre pela PUC-SP, professor, coautor de livros em parceria com intelectuais renomados como o professor Belluzzo, conta com experiências exitosas na administração paulista, além de se qualificar ao maior cargo da Autoridade Monetária, por sua passagem pelo mercado financeiro, na presidência do Banco Fator e por sua atuação em processos de privatização. *** Tem, portanto, importante bagagem e formação adequada dentro do espírito econômico dominante. Ao reconhecimento de sua trajetória deve-se acrescentar sua indicação, pelo atual governo, para o cargo de Diretor de Política Monetária, efetivamente o mais importante cargo em uma instituição cujo papel é o de servir de Autoridade Monetária. Embora Lula tenha criticado severamente ao seu antecessor Roberto Campos Neto, jamais deve ser desprezada a responsabilidade de Galípolo na decisão de elevar em mais de 4% - e manter - os juros básicos da economia. *** Não é justo tirar de Galípolo o mérito de estar presidindo o órgão responsável pela rubrica do maior gasto público atual, com pagamento de juros, e a elevação da dívida pública nominal. Aquela dívida e a gastança exagerada que as Atas do Copom utilizam para justificar a manutenção de juros pornográficos de 10% em termos reais. *** Mas seu bom mocismo, apesar da ausência de coerência com o discurso de desenvolvimento econômico e social do governo que integra, não se revela apenas pelos efeitos estrutivos que a política de juros que conduz provoca sobre o nível de emprego, de renda, de crescimento da atividade produtiva. A contradição torna-se mais clara ao assumir a defesa da PEC 65 que, sob o argumento de dar maior autonomia financeira e orçamentária ao Banco, advoga a completa independência do Banco em relação ao governo, tornando o órgão um 4º poder da República. *** Isso implica que, bem ao sabor do ideário neoliberal e dos interesses do mercado financeiro, o Banco Central fica livre de interferências políticas do governo para exercer sua missão, embora submetido às pressões e chantagens – POLÍTICAS – feitas pelo mercado na defesa de seus resultados, advindos do rentismo. E tudo sob aplausos dos grandes empresários e da mídia, também ela dominada por grandes capitais. *** Em corte postado em redes sociais, de evento em defesa da PEC, Galípolo faz uma digressão da origem e evolução a proposta, citando na abertura de sua manifestação, a fala a frase célebre de ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos, para quem a luz do sol é o melhor desinfetante. A partir daí, apresenta um histórico da PEC, como resultado de “… vários anos, anos mesmo de discussão com o relator, … ouvir bastante servidores aqui da casa, se chegou a um texto” … que não era pautado por falta de concordância do governo. *** A seguir relata “várias reuniões e vários diálogos” em que houve pessoas que discordaram totalmente, outras parcialmente, até com argumentos jurídicos de vício de origem em proposta apresentada no Senado com alteração na estrutura administrativa do governo. E prossegue dizendo que depois de conversas em que o governo admitiu apoiar a autonomia do Banco, chegou-se a um impasse: o governo não admite a mudança de regime do Banco, de autarquia regida pelo Direito Público, para um tipo de “estrovenga” do Direito Privado nem a alteração do regime trabalhista dos servidores, do RJU para a CLT. *** Tal impasse levou o Senado a afirmar que não colocaria a proposta em pauta e votação, sem a concordância do governo. Por outro lado, como o projeto sofreu alterações em relação ao que havia sido “dialogado com os servidores e os representantes dos servidores” aqui da casa, para que o governo aprovasse a proposta, o presidente reuniu-se com os chefes de Departamento, que ficaram irredutíveis quanto a não acatar a proposta do governo, com base na visão de que a mudança do status jurídico da instituição deve ser considerado o cerne da proposta. *** Infelizmente o breve histórico feito contém distorções, penumbras, sombras ou trevas que impedem a ação detergente da luz do sol. Por exemplo, o diálogo com os servidores não pode se reduzir aos chefes de departamentos ou ao grupo de servidores comissionados, com interesses bastante claros, e lícitos de, como celetistas, passarem a ter remuneração a nível de mercado. Bem além dos limites de tetos que devem respeitar hoje, no serviço público. Se houve reuniões de apresentação da proposta para os servidores, com participação muito efetiva dos diretores Aílton e Rodrigo, de Fiscalização e Administração respectivamente, o diálogo foi interditado, com as reuniões se prestando mais a vender a ideia da redenção de um corpo de servidores que vem sofrendo corrosão salarial há anos, e vendo crescer as diferenças entre carreiras de Estado de mesma importância, classificadas como típicas de Estado como as do Banco. *** Há por certo, servidores da ativa que, não satisfeitos com resultado de votação eletrônica com participação de toda a categoria, em que 74% rechaçaram a integralidade da proposta, sem admitir alterações superficiais, se batem pela PEC e a defendem, e são os que têm voz e encontros agendados com a Diretoria do Banco. Mas estão longe de serem os representantes dos servidores, tarefa que cabe ao Sinal, o sindicato oficial reconhecido legalmente. E, por mais que o Sinal enviasse ofícios e solicitações de agendamento de reuniões, nunca foram recebidos para tratar do tema. *** Pior: reunião com servidores inativos, veementemente contrários à proposa, sugerida e agendada pela própria Diretoria, foi cancelada por falta de horário na agenda(?). Argumento, no mínimo falacioso, senão cômico. Na verdade, a PEC é contra o Banco Central, contra o Governo e o Estado e contra a sociedade brasileira. Esse o verdadeiro motivo da desfaçatez daqueles que a defendem. Afinal, se são legítimas as reivindicações de remunerações mais elevadas e mais próximas daquelas obtidas por outras carreiras típicas de Estado, com o mesmo nível de qualidade de serviços prestados, a solução mais solar é uma negociação mais realista e criteriosa com o governo, visando reduzir as assimetrias externas (e internas!!!) ao banco.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Reflexões sobre anistia e a PEC da blindagem

Youtube: https://youtu.be/QBVE4AGVM3I Reflexões sobre anistia e a PEC da blindagem No embrulho que conduz a nossa vida, o que a vida quer da gente é coragem. Daí a necessidade de encarar as ideias e desmistificar o seu conteúdo, muitas vezes enganoso. Este é o caso de quem alega que apenas uma anistia pode vir a pacificar o país. Muitos alegam que foi assim na ditadura militar: anistia ampla, geral e irrestrita. Permitindo que todos aqueles obrigados a sair do país para preservar sua sobrevivência, pudessem retornar de um doloroso exílio. Brasileiros perseguidos por lutarem pelo retorno da democracia, pelo resgate da vontade popular e a igualdade de direitos. Ao lado desses, não poderiam ser excluídos todos os que lutaram pela liberdade e foram presos. Atirados nas celas das casas da detenção e do terror, onde sofreram torturas, humilhações e até esquecimento. *** Pessoas que tiveram suas ações e crimes perdoados por uma anistia que, mesmo sendo aspiração de toda a sociedade, apenas foi levada à frente por incluir a todos os criminosos do Estado: policiais, agentes da repressão, militares, torturadores, sádicos de toda espécie, cujos crimes, de muito maior grau de covardia e perversão, foram igualmente perdoados. Sob o manto da hipocrisia, a anistia de 1979 pacificou o país? *** Perguntemos aos pais de um jovem (em geral negro, pobre, favelado e de pouca instrução!), ou aos familiares de uma mulher vítima de feminicídio ou aos pais de crianças sexualmente exploradas, muitos dos quais alimentam sentimento de vingança em sua dor ou apenas confiam em que a justiça dos homens possa ser feita, qual seria a sua reação, se informados de que o criminoso seria perdoado e solto, para pacificar a sociedade. Tal proposta seria considerada uma agressão e uma violência maior que aquela sofrida: uma crueldade. Um escárnio. Pode-se classificar um golpe de Estado como um democraticídio: ação para provocar a morte do Estado democrático de direito, um tipo de crime intencional, doloso. Crime de assassinato, dos piores, senão o pior de todos. Porque a morte da liberdade traz em germe, em suas entranhas, a possibilidade do assassinato dos contrários; dos insatisfeitos e inconformados; dos críticos do autoritarismo, dos adversários tratados como inimigos, como são exemplo as muitas vítimas das ditaduras militares recentes do continente sul-americano. Anistiar os criminosos golpistas, que abrem a passagem e facilitam o surgimento, entre aqueles que os acompanham, de pessoas com intenções criminosas, reais ou potenciais, equivale a perdoar e liberar o autor dos crimes hediondos contra a vida. Não pacifica. Apenas desnuda a violência e o tratamento desigual dado a tipos distintos de criminosos, ao sabor das desculpas mais desavergonhadas. Mais desmascaradas e desrespeitosas. *** Em tal circunstância, a anistia se transforma apenas no símbolo de impunidade e salvo conduto para o cometimento de futuros crimes semelhantes. O mesmo tipo de impunidade que a Câmara, demonstrando ou a total ingenuidade de parte importante de seus membros, ou a completa ausência de caráter de uma minoria, resolveu se conceder, a título de resguardar as suas prerrogativas e imunidades. Ao aprovar a emenda à Constituição que blinda, protege e impede a investigação ou a punição de detentores de mandatos, permite que a Casa se torne abrigo de eventuais criminosos que ali se refugiam sob a capa de representantes do povo. *** Sabe-se que os tentáculos das organizações ligadas ao crime organizado se espraiam, se difundem a partir das atividades ilegais que deram origem ao seu surgimento e crescimento. O próprio êxito da organização acaba criando a necessidade de se revestir as suas atividades da aparência de legalidade, da roupagem de negócios respeitáveis para disfarçar suas atividades nocivas. Até os Corleone procuraram se instalar e operar em ramos de negócios acima de qualquer suspeita, sob as bênçãos de setores mais confiáveis e mais poderosos. *** Claro que esta hipótese pode, infelizmente, vir a se configurar também em nossa Câmara, em futuro próximo. Que esta possibilidade não seja facilitada por deputados honestos e de boa índole, mas ingênuos quanto à identificação e percepção da capacidade de difusão do mal. Para que não se vejam enredados em um pântano, presos em um lodaçal onde serão obrigados a conviverem com todos os piores e mais perigosos tipos de companheiros.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

A quem o COPOM atende, ao manter a taxa Selic?

Youtube: https://youtu.be/QPK_QCFNFNo Para surpresa de zero pessoas, o COPOM, órgão que define a taxa básica de juros da economia brasileira (sic), manteve a taxa Selic no nível dos 15%, apesar de o país estar dando demonstração nítida de estar vivendo um processo de desinflação, quando a alta dos preços torna-se menor a cada mês. No parágrafo acima, me referi ao COPOM como o órgão responsável pela definição da taxa Selic. Um ERRO grotesco. Na verdade, o colegiado, formado pelo conjunto de diretores do Banco Central, apenas DIVULGA a taxa, determinada pelo mercado financeiro e seus agentes, com base na defesa de seus interesses. *** Não à toa, a pressão que o mercado exerce, melhor definida como chantagem sobre a Autoridade Monetária, ao mínimo sinal de que os juros poderão adotar comportamento por eles não determinado. O que explica, como várias vezes dito nestes pitacos, o porquê de a Diretoria do Banco pressionar por garantia de sua autonomia operacional, quando não por ampliar esta autonomia a ponto de torná-la não apenas uma independência absoluta do governo eleito democraticamente, interesse último da PEC 65, adormecida na CCJ do Senado. *** Para não me tornar repetitivo, vamos insistir apenas em que, sob a desculpa falaciosa de um caráter supostamente técnico (e esotérico!) que envolve as decisões do Banco Central, a proposta de emenda à Constituição – PEC 65 pretende transformá-lo no 4º poder da República. Responsável pela formulação e execução da política monetária totalmente INDEPENDENTE de qualquer vinculação com a política econômica apresentada à sociedade e eleita pela população. Em boa hora o Executivo percebeu a armadilha colocada pela proposta à execução de sua política econômica, voltada ao crescimento econômico, à redução do nível de desemprego e melhoria da distribuição de renda, ao desenvolvimento científico e tecnológico, tanto na área do agronegócio, quanto na indústria e no setor de serviços. Percepção que levou o governo a determinar a paralisação da tramitação dessa outra forma de golpe de tomada do poder. *** Voltemos ao ponto inicial: o índice que mede a inflação no país teve QUEDA de 0,11% em agosto, depois de alta de 0,26% em julho. A inflação em 12 meses, desacelerou para 5,13%. Ao mesmo tempo, o Brasil atingiu a menor taxa de desemprego, de 5,6% no trimestre até julho. Apesar do tarifaço do agente laranja americano, colhemos safra recorde de grãos e fechamos acordos comerciais que ampliam as possibilidades de exportação de nossos produtos. Ora, para o mercado financeiro usurário e especulativo, o desemprego recorde está levando a economia para o pleno emprego, o que INDICARIA uma impossibilidade de se elevar a produção e o crescimento. Maior número de empregados, amplia a renda familiar e o consumo, elevando a demanda e pressionando por aumento da produção, o que seria impossível. Daí, o resultado da maior demanda SERIA um aumento de preços: mais inflação. *** Utilizei e destaquei verbos no condicional, para mostrar que o raciocínio parte de hipóteses, como a de estarmos já no pleno emprego, algo que não é possível mensurar objetivamente mas ajuda a criar pânico e na manutenção de juros elevados. Agindo para elevar os juros, os agentes do mercado asseguram maior rendimento para suas operações, e acabam ajudando ao aumento da lucratividade dos demais setores empresariais, a aumentar a taxa de exploração de suas atividades. Senão vejamos: maiores juros, provocam queda da demanda e suposto alívio para a inflação. Menor demanda gera menor emprego e, daí, fragiliza os empregados que, sem segurança, não terão como reivindicar maiores remunerações. O setor de serviços, maior empregador do país, passa a ter acesso a uma oferta maior de pessoas, necessitadas de trabalhar, o que permite pagamento de menores rendas. *** A experiência mostra que juros elevados reduzem a demanda, provocam desemprego, recessão, podendo reduzir custos e até preços. Pioram a qualidade e dignidade de vida da ampla maioria da população, mas isso não é relevante: menor custo de mão de obra, permite aumentar os lucros. E até os preços… dependendo de condições de poder de mercado dos empresários. Mas, juros elevados, especialmente quando os FED reduz a taxa de juros nos Estados Unidos e amplia a diferença da taxa deles para a nossa, provocam um movimento de atração de capitais para o Brasil. A entrada de dólares, em busca de aplicações que pagam maiores juros, valoriza o real. Barato o dólar, as importações ficam mais estimuladas, mais em conta. Com as matérias primas e insumos mais baratos, a inflação pode cair em terras tupiniquins. *** Esse raciocínio, VERDADEIRO, destrói nossa capacidade de exportar, com reais mais caros. O estímulo às importações provoca a quebra das empresas e da indústria nacional, nos tornando cada vez mais um país exportador de commodities agrícolas e minerais. O desenvolvimento econômico, industrial, tecnológico, científico, social do país fica prejudicado no médio prazo. Mas os financistas ganham com operações de tomar dinheiro ou intermediar a entrada de dólares baratos no nosso país e aplicar tais capitais à taxa pornográficas. Além d disso, mantido o processo, o dólar tende a se desvalorizar sempre, tornando muito rentável, depois de algum tempo, tirar o dinheiro das aplicações em reais valorizados e trocá-los por muito maior quantidade de dólares, para enviá-los de volta ao estrangeiro. Saída de dólares muito maior que a que entrou. Ganho na diferença de taxas de juros e nas transações cambiais. Podendo causar déficits em conta de transações internacionais correntes e provocando a eliminação do colchão de reservas de dólares de 370 bilhões, mantida pelo país a tanto custo. *** Os diretores do Banco Central têm conhecimento dessas possibilidades, mas não podem lutar contra a chantagem do mercado. Alguém se lembra que, ao final do ano passado, sem motivo razoável, o dólar escalou a próximo de 6,40 reais? Além disso, mesmo que não fossem chantageados, a possibilidade de, encerrado seu mandato, terem lugar cativo nas vice-presidências das instituições financeiras, desde que comportados, pode agir como o pote de ouro ao fim do arco-íris. Quanto à PEC, que seria a submissão total da Diretoria ao mercado, mesmo que sem razões ideológicas que a sustentem, não se pode negar que todo grupo gestor sempre vai mostrar melhores resultados se administrar sem restrições de recursos. Daí a busca de uma fantasia de independência e acesso ilimitado a todo e qualquer tipo de recurso. Para alguns servidores, que apoiam a PEC, é muito melhor receber salários acima do teto. Afinal, em um país onde o Congresso precisa se blindar para não ser punido em trapaças e maracutaias, que mal tem se alguns se locupletarem, mesmo que para isso seja necessário lembrar Jarbas Passarinho: às favas, …, nesse momento, todos os escrúpulos de consciência.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Agosto, o "mês do cachorro louco" e seus impactos recentes] na vida de nosso país

link: https://youtu.be/TDAGAKTVYNg Foi anunciado ontem pelo IBGE o resultado do IPCA 15 para o mês de agosto, índice estatístico considerado a prévia da inflação e que difere do IPCA, índice de inflação oficial apenas pelo período de coleta dos dados. Enquanto o índice oficial abrange os dias de 1 a 30, o IPCA 15 abrange o período de do dia 16 de um mês ao dia 15 do mês em curso. Recebida sob comemoração da grande imprensa, o índice revelou uma redução da inflação em agosto, indicando ter havido queda de 0,14% nos preços, fazendo o valor acumulado em 12 meses alcançar 4,95%, contra 5,30% em julho e o acumulado nos 8 meses de 2025 atingir os 3,26%. Os dados, dignos de otimismo por indicarem a tão desejada convergência da inflação para o intervalo de tolerância do regime de metas, de 4,5 % ( 3% da meta alvo mais 1,5%), foram causados, por quedas nos preços do grupo Habitação, em grande parte em razão da queda na energia elétrica; à queda na energia elétrica residencial e no grupo de alimentação e bebidas, conforme apurado pelo IBGE. *** De meu ponto de vista, a justa comemoração pelo resultado divulgado e a tendência que sinaliza, exigem perguntar que contribuição para este resultado deve ser atribuída à política monetária recessiva e de arrocho praticada pelo Banco Central, capaz de elevar a taxa básica de juros para o patamar pornográfico de 15%. E, como dissemos em vários pitacos anteriores, além de transferir renda para os endinheirados agentes do mercado financeiro, detentores dos títulos da dívida pública, desviando para estes “glutões de apetite insaciável” recursos que toda a população paga para o financiamento de gastos em prol da melhoria da condição de vida de todos, os juros pornográficos em nada contribuíram para a queda dos preços. Afinal, se caiu o preço da energia elétrica foi devido ao pagamento de um bônus que reduziu as contas residenciais pagos por Itaipú, devido a valores indevidos pagos a mais em períodos anteriores. Isso, apesar da cobrança de bandeiras vermelhas, em razão da escassez de chuvas e do reduzido nível dos reservatórios. Por outro lado, ao contrário de anos anteriores, as condições climáticas e a maior regularidade do regime pluviométrico contribuiu para maior regularidade na produção, colheita e comercialização de produtos alimentícios, com queda de preços de vários produtos da cesta básica (frutas, tomates, batata, cebola, arroz, feijão, café, etc.). O que o Banco Central fez foi apenas e mais uma vez obedecer às ordens do mercado, a quem está subordinado, informalmente, razão que o leva a pressionar, pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 65, de 2023, que formaliza a submissão do Banco aos capital financeiro, além de “privatizar” a autarquia, e permitir a privatização das funções geradoras de resultado do Banco (gestão de reservas, controle e definição dos meios de pagamento), além de permitir que talvez meia centena de auditores possam romper o teto de pagamento do funcionalismo público, caso não percam o emprego para experts do mercado. Conclui-se que, apesar de ter efeitos importantes, inclusive antecipar eventual movimento de queda dos juros, dando mais gás ao processo de crescimento da economia, e apesar da chantagem do Trumpista alaranjado e seu tarifaço, em conluio com a família dos traidores golpistas, meros falsos patriotas, nada indica êxito da política do Banco em relação ao controle da inflação e nem a continuidade de prévias deflacionárias. *** Outro destaque do mês de agosto que vai se encerrarndo foi o segundo tempo do golpe iniciado em 8 de janeiro de 2023, por congressistas da oposição que ocuparam, mais uma vez, as dependências do Congresso, no retorno das atividades legislativas. A invasão e o assalto à Mesa da Câmara, praticada pela oposição e, felizmente frustrada, revelam o baixo nível de respeito à democracia e ao povo brasileiro e à Casa para que foram eleitos. E serve para mostrar a coerência e consistência de objetivos de quem quer o Brazil cada vez mais big (bigger), seja lá fora, como o poeta romântico Bananinha bolsotário e o neto do último ditador, Figueiredo, seja aqui dentro do território que pretendem transformar em quintal. Mesmo que sem a competência do Fundo de Quintal, e de Arlindo Cruz, que se foi no mês do “cachorro louco”. *** Em agosto o partido Novo, defensor das bandeiras mais emboloradas e antigas da política nacional – muito adequadas ao tempo da República Velha, lançou Zema candidato à presidência da República. O político que, sem pagar um tostão da dívida do Estado, por força de liminar de que se valeu, do STF, conseguiu fazer multiplicar a dívida total recebida mostrou, desde logo, sua vocação para ocupar os ‘trending topics”, o que é muito positivo em tempo de likes e redes sociais. Desta vez, mais que o político que quer subsidiar e até vender o patrimônio público do Estado aos amigos, de preferência àqueles que financiaram sua campanha, Zema obteve likes em se mostrar como um político da paz, não “beliscoso”. Que se soma a sua capacidade de escutar (“eu ouvo bem”) e ao seu conhecimento literário (perguntando se Adélia Prado era funcionária da rádio em que dava entrevista). *** E, apesar do trumpista alaranjado mostrar sua vontade imperial, desrespeitando o mandato fixo de Lisa Cook, diretora do FED, o que serve para mostrar que, mesmo em países antes democráticos e republicanos, a tal independência do Banco Central só funciona quando os músicos seguem a batuta do maestro sem questionamento, não há como reconhecer: os Estados Unidos caminham para uma forma autocrática de governo, senão uma plutocracia. E apesar de todas as ameaças do efeito laranja, não há como, cada vez mais, não perceber e se manifestar: o povo de Israel não é, nem poderia ser, genocida. Essa acusação deve ser atribuída ao governo de Israel, sem apoio popular, mas com apoio e armas do trumpista. Genocida, e responsável por crimes de guerra são Netanyahu e seus ministros, e os sionistas que os elegem e apoiam. É isso.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Galípolo, o menino de ouro, o PIX e o tarifaço de Trump

https://youtu.be/Qn6FJNih3xs Vai se encerrando o mês de julho. Inaugurado em meio à disputa entre o Executivo e o Congresso Nacional, centrada na elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras - IOF promovida pelo governo federal (Decretos 12 466, 12 467 de maio e Decreto 12 499, de junho). Alegando desvio de função na utilização de um imposto de caráter regulatório para elevação da arrecadação federal, visando o alcance das metas previstas no arcabouço fiscal, o Congresso Nacional votou e aprovou o Decreto Legislativo nº 176, de 26 de junho, sustando a eficácia da medida do governo. *** Com a medida o Legislativo colocava o governo nas cordas, usando como pretexto o discurso de a sociedade não tolerar mais a prática de se elevar a carga tributária, com a finalidade de se restaurar o equilíbrio fiscal, em detrimento de um corte no gasto classificado como perdulário (especialmente os gastos sociais). No fundo, a medida mal disfarçava uma espécie de chantagem cuja finalidade era tão somente permitir a liberação de emendas. Intenção que, de verdade, pode ser provado pelo fato de os deputados ampliarem o número de cadeiras – e os gastos – do número de representantes na Câmara, além de apresentação de projeto que anula a proibição de acúmulo de aposentadoria parlamentar com exercícios de cargos no legislativo, em qualquer esfera do governo. *** Judicializada a questão, o STF se pronunciou de forma salomônica em 16 de julho, declarando a validade do normativo governamental, com a supressão da cobrança do IOF em operações de risco sacado. Em sua justificativa, a decisão reconhecia a competência do governo para promover alterações nas alíquotas do IOF, sob amparo de dispositivo constitucional e sob o argumento de correção em distorções de operações financeiras e cambiais. Quanto ao risco sacado, quando o lojista negocia recursos com um banco para pagar antecipadamente aos seus fornecedores, tornando-se devedor do banco a um prazo maior, a operação não foi considerada ser uma operação de crédito. *** Com o Congresso em recesso parlamentar a partir de 18 de julho, e praticamente às moscas, e a economia mantendo sua trajetória de crescimento e queda do desemprego, aliada à redução percebida nos preços de alguns produtos alimentícios nos supermercados, os fatos de maior repercussão no mês ficaram restritos às medidas para reposição dos valores indevidamente descontados dos pagamentos dos aposentados e pensionistas do INSS; às medidas cautelares decididas pelo Ministro Alexandre de Moraes e aprovadas por outros 3 de seus compamheiros, com uma única exceção, em relação ao ex-presidente, inelegível e acusado de crimes contra o Estado democrático de Direito, Bolsonaro; e às medidas adotadas pelo boneco reborn alaranjado que, agindo como criança mimada, resolveu tarifar em 50% todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Quanto ao alarido do trumpete alaranjado desafinado, suas decisões flutuam ao sabor do vento e, como aconteceu com outros países anteriormente, suas decisões já se modificaram, sofrendo atraso no início de sua vigência e com vários produtos ficando de fora da pesada tarifação. *** Mas eu não poderia e nem me sentiria bem em tratar das questões ligadas ao tarifaço, se não abordasse o verdadeiro genocídio promovido por Israel e políticos e partidos sionistas na Faixa de Gaza. Algo que nos traz descrença e desesperança no ser humano e em sua capacidade de aprender e não repetir os erros. Afinal, logo as vítimas do brutal crime do Holocausto, na primeira metade do século passado, tornaram-se, alguns deles, algozes de uma nova proposta de solução final. Agora contra a totalidade do povo palestino que, sob a desculpa de necessária punição a grupos classificados como terroristas como o Hamas, estão sujeitos às mais bárbaras atrocidades: deslocamentos forçados de grupos populacionais, falta de água, gás, energia, medicamentos, além de serem vítimas de ataques com armas de alto poder de destruição, quando não são vítimas de cruel plano de morte por destrunição e fome. Queria começar este texto com a frase “Um fantasma ronda o Oriente Médio: o fantasma do genodídio e dos crimes contra a humanidade”. Somos todos a favor do Estado da Palestina. *** Curiosamente, entre as desculpas várias, múltiplas, usadas pelo trumpete laranja, está a de que nossa Justiça e os responsáveis por sua aplicação abusam de seu poder e autoridade, devendo, alguns dos mais altos magistrados, serem objeto de punição por lei draconiana, com a aplicação da lei da morte financeira, da classe de leis como a de Talião. Estranha forma de se fazer intervenção, sem declaração formal de estado de beligerância, em países cuja soberania não se encontra em negociação. Tudo sob a desculpa ou a chantagem em benefício de quem está sendo julgado por crimes contra a democracia, com todo o direito de defesa assegurado. *** Tudo sob a alegação de os magistrados estarem afrontando os direitos humanos mais fundamentais. Isso usado como desculpa por quem atua contra os imigrantes sem reconhecer o direito mínimo de que deveriam ser merecedores. Por quem apoia e pune ou ameaça sancionar a todos que se manifestam, não contra Israel e a maioria do povo judeu digno de respeito, mas contra dirigentes fascistoides para quem a vida não passa de mercadoria de segunda categoria, a depender do outro. *** Aqui no Brasil, Galípolo, tratado como o “menino de ouro” por Lula, tem se mostrado o que nunca deixou de ser, melífluo, ouro de tolo. Um engodo! Ou o menino de ouro do mercado financeiro para quem, com muita dedicação, se propõe a trabalhar. O que lhe permite manter as taxas de juros em patamar elevado, mesmo quando a economia começa a dar sinais de desaceleração, inclusive na esteira das medidas anunciadas por trump. Mas desde o início do ano o mercado já havia previsto 15% de juros até o meio do ano e a manutenção dessa taxa por longo período. Tal como o comunicado da decisão de ontem do COPOM assinala. Juros que deverão ser mantidos por um bom e longo período. Não à toa Galípolo e seus companheiros de Diretoria Colegiada do BC fazem tanta questão da aprovação da PEC 65, que facilita a privatização do Banco Central e sua captura total pelo mercado a quem deveria controlar. O que fica mais evidente com o ataque risível do trumpete laranja ao PIX, em defesa das instituições de pagamentos estrangeiras. Ataque ao PIX de tamanha gravidade que a Diretoria do Banco Central ainda não conseguiu se pronunciar em sua defesa, com a contundência cobrada até mesmo pelo Planalto.