sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Pitacos de início de novembro

Devo começar pelo resultado do jogo de domingo passado, em que o Galão da massa foi derrotado pelo Corínthians, sem qualquer contestação possível.
Porque se ao longo do campeonato, e especialmente no primeiro turno, quando ainda estava em perseguição ao Galo, o time paulista foi bastante beneficiado por erros das arbitragens, é necessário reconhecer que depois de ter assumido a liderança, ainda no final da primeira parte da competição, o Corínthians foi o time de melhor campanha entre todos os 20 do campeonato. E não teve qualquer ajuda dos juízes para servir de motivo de queixas, salvo as falhas de sempre das más arbitragens.
Mas, essas, as falhas, tanto ajudaram quanto prejudicaram. E não apenas ao Corínthians.
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Domingo, mais uma vez, o Corínthians fez uma exibição sem falhas. E, por esse motivo superou um Atlético que esteve inseguro nos primeiros 15 a 20 minutos de jogo, foi melhor daí até o final do primeiro tempo, embora sem conseguir fazer valer sua superioridade.
A rigor, embora mostrando maior volume de jogo, o Galão não levou perigo ao gol de Cássio e quando tentou chegar à frente, sempre encontrou uma barreira no bom goleiro corintiano.
Já no segundo tempo, o time paulista voltou em alta rotação enquanto o Atlético, time que precisava desesperadamente da vitória, para seguir sonhando e sua torcida acreditando, parece que retornou ao jogo em baixíssima rotação.
Quem via o tempo passar das cadeiras do Independência poderia até ser levado a crer em que era o time bandeirante e não o Galo que precisava da vitória. 
O time mineiro errava passes bobos no meio campo, tentava investidas sem qualquer perigo com um muito pouco inspirado Luan pela direita, e não conseguia dar sequência a qualquer jogada mais aguda de ataque. 
Contribuía para isso o fato de Lucas Pratto nunca estar na área, retornando para buscar bolas no meio campo, para lançar para .... ele mesmo???
Dátolo, embora tentasse, era lento, tendo sempre dificuldades para dominar a bola com sua perna esquerda, a única. Com isso, dava chance para a defesa do Corínthians se armar e roubar a bola facilmente.
Giovanni Augusto não conseguiu ser nem uma sombra do jogador que foi em algumas partidas do primeiro tempo.
E, por infelicidade, Edcarlos que estava com um corte, fruto de trombada que deu ainda no início do primeiro tempo com seu companheiro Léo Silva, quando bateram cabeça literalmente, no centro da área, falhou feio em uma rebatida de bola na defesa, de que se aproveitou Jadson para centrar para o perigosíssimo Malcom. 
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Como era de se esperar esse gol desarticulou o Atlético, que já não vinha bem e o fez partir em desespero para a frente, sem qualquer inspiração e êxito. O que apenas facilitou para o time adversário, praticamente campeão do ano, dilatar ainda mais o placar. 
De forma cirúrgica, o que permitiu a alguns de nós sair com a impressão de que se foi melhor e mereceu a vitória, o placar foi dilatado demais e puniu o Galão. Três era muito.
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Outros detalhes ainda, do jogo. Talvez por perceber a apatia do time e saber que a vitória era o único resultado que favorecia as nossas pretensões, a torcida do Galo se calou durante praticamente todo o segundo tempo. O que permitiu que os 1800 torcedores do Coringão se impusessem e abafassem o grito dos mineiros.
A fiel torcida paulista deu um show de vibração e a torcida do Eu acredito apenas assistiu a festa promovida pelos adversários.
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Muita gente criticou Levir Culpi, antes do jogo, e principalmente depois, atribuindo-lhe a derrota e a culpa do Atlético não ter sabido se impor ao time do Corínthians, nesse jogo, no jogo de São Paulo, pelo primeiro turno, quando o Galão foi infinitamente melhor que o time paulista, e ao longo do campeonato.
Como futebol não tem muita lógica, e a falta de lógica impera na nossa imprensa e especialmente na crônica especializada em esportes, não faltaram críticas às burrices, invencionices e etc. atribuídas a Levir.
Falta sobretudo memória à crônica do futebol.
Porque lembro-me que no início do campeonato, quando estava na frente, vencendo e convencendo, enchendo os olhos de todos, Levir estava jogando com apenas um volante, o Carioca. A seu lado, ajudando-o, Dátolo, Luan e Carlos, ou Giovanni Augusto.
E era unânime o comentário de que o time de Levir praticava um jogo coletivo, solidário, e moderno.
Isso, até que Dátolo se machucou e que Giovanni tornou-se o cérebro do time(?).
Claro, não poderia dar certo. E todo mundo começou a cobrar Levir, por jogar ou querer armar o time com apenas um volante.
E tivemos de engolir a volta de Donizette, que reconheçamos, por mais que tenha o espírito de luta de um leão, é muito fraco. 
Disso, inclusive a torcida já se deu conta, ao saudar o volante com o grito de acabou o caô. O general chegou.
A figura evoca apenas truculência, e violência. E a imposição da autoridade pela força. Diria que, em algumas ocasiões, no caso de Donizette, pelo espírito "patriótico". Ou pela ignorância.
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Depois, quando caíram de produção, Rafael Carioca, Giovanni Augusto, o próprio Dátolo, que não voltou bem, da primeira contusão, todos já tinham Levir como o inventor. E em minha opinião, ele inventou sim, apenas ao tentar insistir com Patric, jogando como coringa, quando não tinha condições de ficar nem no banco. Mas, esforçado, justiça seja feita o lateral se mostrou.
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A saída de Maicossuel, que muitos acusam Levir de ter sido favorável passa por um fato que poucos se lembram, ele entrava no segundo tempo e punha fogo no jogo, mas toda vez que começou jogando foi substituído por não estar bem. Por não corresponder.
E quanto a Guilherme, toda a inteligência dele não supre a pouca aptidão que demonstrou em muitas ocasiões, vestindo a camisa do Glorioso.
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Ora, se temos de culpar Levir é por não ter aproveitado mais os jogadores da base, que ele mesmo lançou no ano passado e que tanto sucesso obtiveram, como Dodô, Eduardo, e o próprio Carlos.
Mas, com Carlos jogando na área, onde sempre mostrou que sabe jogar, desde a base, e não na função de desarmar no meio e ir buscar jogo, para armar jogadas para Pratto.
Quanto a Dodô, é uma incógnita, pois em alguns momentos lembrou muito outros jogadores que passaram pelo Galo, como Renan Oliveira e toda a sonolência dele em campo.
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Mas, em  minha opinião, pior erro de Levir foi ter obrigado Marcos Rocha a jogar plantado. Ele que marca mal, reconhecidamente, mas sai jogando como poucos no Galo, e tem um passe muito bom, embora dificuldades para chegar à linha de fundo e cruzar, passou a ficar mais dedicado à função em que ele é pior, a de marcação. E parece que proibido de subir para fazer a ligação da defesa com o ataque, em que ele se destacava no time de Cuca.
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Só para concluir. Acho que o time deve prosseguir com Levir, embora parte da torcida e toda a crônica imbecil dessas Minas não pense assim. 
Mas pelo amor de Deus, no caso de sua saída, Cuca não! Chega do futebol do chutão para cima, do bumba meu boi, do pivô jogando como Jô, fora da área, para deixar a bola para Ronaldinho Gaúcho armar jogadas mortais. 
Afinal, nem Jô, pivô, nem Ronaldinho estão mais no time para salvar o técnico. E R10, se bobear nem disposição de jogar mais apresenta.
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E não podemos nos esquecer do papelão que Cuca protagonizou na disputa do campeonato mundial, abandonando o time a sua própria sorte, momentos antes do início da competição, atraído por proposta milionária da China. 
Cuca, Luxemburgo, Felipão e até Tite, responsável por ter nos lançado na segunda divisão, NÃO!!
E se o campeonato do Corínthians tem algo que não me agrada é justamente consagrar um dos técnicos de pior campanha no nosso Galão.


Inflação recorde

Na economia, 0,82% de inflação em outubro nos leva ao pior mês de outubro em anos. E a uma inflação que beira os 10% em 12 meses. E 8,52% durante 2015.
Muito além da meta acrescida do limite superior. E isso tudo em um momento em que o mecanismo da taxa de juros está desmoralizado, já que a economia não está com demanda aquecida, muito ao contrário. 
E que o ministro que tanto prometeu crescimento com estabilidade apenas conseguiu agravar a situação entregando desemprego, mais inflação, queda da produção que já vai chegando próxima dos 3%, nas previsões, dólar em elevada alta, e déficit primário que mostra que o ajuste fiscal que tanto orientou o discurso do ministro não tinha qualquer consistência. 
E que o ministro pouco entende do que estava falando. Afinal, errar de forma tão clamorosa é demais, mesmo admitindo que o Congresso deixou a parte ruim do ajuste passar, mas não ajudou em nada na parte da elevação de receitas, etc.
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Ah, menos mal. Lembro-me agora que o Itaú teve um lucro espetacular. E que o próprio Abílio Diniz, nos Estados Unidos, afirmou que o Brasil tem um patrimônio em liquidação semelhante ao de final de ponta de estoque. Ou seja, quem tiver capital a investir no mundo, pode vir e comprar o país e suas empresas a preço de banana. Não a banana que pagamos na feira, de preço muito alto. 
Pois bem, isso deve servir para mostrar que o ministro Levy está conseguindo o que veio para implantar: uma total entrega do país ao capital financeiro internacional. 
E isso, sob a batuta de Dilma e sua capitulação ao mercado. 
Matando de raiva aqueles que, como eu, acreditava que entregar a economia aos representantes do capital financeiro internacional era coisa do PSDB.
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Esocial

Nem dá para falar de tanta incompetência e confusão quanto a causada pelo processamento do pagamento de INSS e outros direitos trabalhistas do empregado doméstico. Isso que a zombaria e o espírito de bom humor nacional apelidou de simples. 
E que foi apenas símbolo, mais um da arrogância e do despreparo de algumas autoridades da Fazenda e da Receita. 
Que felizmente, ao que consta, tendo a ordem partido da própria Dilma alguém viu que era um abuso e um soco no estômago de cada patrão brasileiro. 
Felizmente, sendo a autora a presidente ou não, alguém de bom senso percebeu que devia adiar a data de pagamento.
Mas foi o Simples que roubou tempo precioso de meus dias iniciais de novembro, desgastando-me como a milhares de outros brasileiros. No meu caso, atrapalhando de postar meus comentários antes, nessa página.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pedaladas, valor real do déficit primário em 2015, Previdência e Absurdos com que estamos sendo obrigados a conviver

E o tempo quente e seco continua, apesar da pancada de chuva, violenta e passageira que atingiu BH na última quinta feira.
Tão passageira que apenas limpou o ar,  afastando a poeira que pairava sobre a cidade, mais em função da ventania. Mas insuficiente para fazer a temperatura ficar mais amena, já que na sexta feira o mesmo calor estava de volta.
Com a vida política e econômica do país andando em ritmo de banho-maria, o assunto que predominou nas manchetes foi relativo ao valor que o governo deverá indicar, agora, ao Congresso, para promover nova alteração da lei orçamentária, por força de correção do déficit primário esperado. 
Como já era esperado pelos mais realistas, a conjunção de política monetária violentamente contracionista - com juros básicos da Selic na casa de 14,25%, com uma política fiscal de cortes de gastos por meio de contingenciamentos, além de atrasos nos pagamentos de despesas obrigatórias, acabaram por criar um movimento de redução de expectativas muito forte, que acarretou a queda acentuada da demanda agregada. E tal queda se deu em todos os tipos de despesas, seja de consumo, seja dos gastos públicos, com paralisação de obras, interrupção e atrasos de pagamentos para programas até mesmo da área prioritária do governo, a educação (!?!?)- e, principalmente de investimentos, estes explicados por vários motivos, a saber. 
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Primeiro o investimento se reduz em reação ao estado de expectativas cada vez mais degradado, em função da crise tão alardeada pela imprensa, aproveitando todo e qualquer pretexto. Em outras ocasiões, aqui mesmo nesse espaço, comentei que a crise tinha muito mais um elemento de política que econômico. E tinha, como pano de fundo,  muito mais o interesse de desestabilização do governo petista que qualquer outra questão. Daí a pressão, desde o primeiro momento, para fazer alguns ajustes necessários na questão das contas públicas, de uma vez só. Pressão que vinha dos mercados e que todos sabiam que levariam a aumento de preços administrados pelo governo e tarifas, com consequências na inflação. Bem, se esses são os resultados da leitura mais básica da questão econômica, para uma leitura algo mais aprofundada, isso trazia embutida a elevação das taxas de juros, o que interessa sempre ao mercado financeiro e a todas as instituições, como até mesmo os fundos de pensão e aposentadoria privados que têm muito a ganhar, como os bancos, com a elevação da Selic. 
Afinal, por força de regulamentação da Autoridade Monetária, essas instituições têm que seguir certas normas de aplicação dos recursos por elas captados junto a seus clientes, que determinam percentuais de aplicação em títulos públicos, assegurando a elas um bom retorno e ao governo a tranquilidade de assegurar o carregamento de sua dívida mobiliária.
Portanto, juros altos seriam a consequência da política de combate à inflação e o rápido ajuste fiscal, muito mais interessante ao tipo de público que interessa agradar.
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Iniciado o ajuste fiscal severo, com aumento de juros e impostos, e cortes apenas parciais, embora também existentes, vimos as expectativas empresariais serem contaminadas pela desesperança e medo que começou a tomar conta da população brasileira como um todo. Desemprego, queda de renda real, redução de salários, queda de operações de crédito e aumento do endividamento das famílias e empresas, e aumento da inadimplência são então os elementos que começaram a estarem presentes no cenário nacional. E, nessas condições de expectativas de crise e queda nas vendas, apenas alguns poucos empresários, operando em nichos muito específicos, e na contramão da crise, irão investir.  A maioria deles, pequenos empresário irão até ter êxito e crescer, servindo de temas de reportagens de televisão que correm a mostrar que nem tudo está perdido. 
E que com empreendedorismo você consegue chegar lá. 
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Outro motivo é que os empresários, ou uma parte deles, preferirá a tranquilidade de obter a lucratividade de seu capital, aplicando-o no mercado financeiro que assegura uma rentabilidade que a esfera produtiva não alcança, ou apenas consegue alcançar com muito sacrifício e ansiedade e preocupação. 
Melhor deixar o dinheiro trabalhando enquanto a noite cai e o empresário dorme que perder a noite de sono, imaginando se conseguirá vender o produzido, ou receber o valor da venda, ou até mesmo achar matéria prima para dar prosseguimento ao programa de produção, etc.
A vida do empresário, convenhamos, como dava a entender o próprio Keynes é muito imprevisível e, desse ponto de vista, de quem gasta antes sem saber se terá de volta sequer o valor gasto ao final de todo o processo, é muito cheio de incertezas.
O que remete os empresários, nessa hora de incertezas e crise, a decidirem por manter sua riqueza em formas mais líquidas, aplicando seus capitais e adquirindo formas de riqueza não reprodutíveis: títulos e moeda.
Bem sabia Keynes que, sob tanta incerteza, explicar ainda assim o espírito do empresário que se arrisca em lançar capital na esfera produtiva só pode ter sucesso recorrendo a algo que escapa ao raciocínio mais lógico, ou racional: o "animal spirits".
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Curioso nisso tudo é que o empresariado alega também que não investe por culpa do governo, e da carga elevada de impostos. Ainda agora vemos campanha de que o empresário não quer e não vai quem irá pagar o pato. Assim, não aceita nenhuma nova criação de impostos como a CPMF, nem a elevação de alíquotas de outros. 
A frase que não quer calar é sempre a de que como o governo não cortou seus gastos, na carne, não poderia querer fazer o acerto de suas contas, jogando a responsabilidade do ajuste na população em geral. 
OK. Até entendo o argumento. Embora parte do tal corte nos gastos, até a carne, não pode ser feita por ter compromissos agendados e, parte deles com os próprios empresários, beneficiados em período recente, muito recente, com políticas de desoneração fiscal contra a qual, naquele instante da concessão ninguém reclamava. 
Naquela hora, em que o governo reduzia impostos para os empresários e eles tinham ganhos, não havia pato, nem ovo de pato chocando a situação que agora se configura....
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Mas, em função de tudo isso, a queda no ânimo fez um ambiente de crise alastrar-se, derrubando a demanda agregada e as expectativas, que alimentam o processo de crescimento da economia. E a economia só não ficou ainda pior por conta de certa reação de nosso setor exportador, principalmente em razão da desvalorização - mais que necessária - de nossa moeda, artificialmente elevada até aqui.
E com a queda de crescimento, a queda de receita. E o superávit primário previsto, sendo reduzido a pó. E até a um déficit. 
Que pode ser de mais de 75 bilhões, podendo chegar até 90 bilhões para não cometer pedaladas. Porque, embora possa não ser correta a ação da pedalada, ela tem um lado que apenas alguns poucos analistas têm se lembrado de comentar. Entre deixar de pagar um compromisso e ficar devendo ou sendo financiado pelo credor não consultado, qual a situação pior: que esse credor seja uma instituição financeira do próprio governo ou seja o público, o patrão do governo?
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Ou seja, não dar pedalada representa não honrar o compromisso primeiro inscrito na Constituição de honrar os compromissos assumidos junto ao público, em seu nome, e para atendimento dele, o público.
Ficar devendo uma instituição financeira é ruim, e até se o devedor é o controlador da instituição, isso é vedado por lei. 
Mas... a questão é mais moral que legal, infelizmente. E política, já que outros governos optaram por adotar as pedaladas, e nada lhes foi imputado de ilegalidade. Nem foram acusados de nenhum crime.
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Pioram as contas quando sabe-se que o governo tinha créditos, ao final do exercício, contra o banco a quem ele devia parcela de pagamentos das contas de benefícios sociais. Ou essa informação de que, ao final do ano o governo tinha 140 bilhões de crédito contra a CEF é infundada ou inverídica?
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Bem, a dúvida agora é: para não serem acusados de fazerem pedaladas, ficando devendo aos bancos, não era melhor efetuar o pagamento integral de todos os recursos dos repasses conveniados, e para obter tais recursos, tomar dívida junto à população? 
E do ponto de vista financeiro, não seria melhor que pagar algum juro para o banco público, pagar os 14,25% da Selic sobre essa dívida nova,  muito mais cara???
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O governo quer pagar para não ser acusado de estar cometendo irregularidades, mesmo que essas custem mais ao bolso dos contribuintes, sobre quem recaem as consequências dessas decisões, que o custo da irregularidade.
Mas, como a questão é mais política que econômica, e em política, aquilo que é o errado é que está certo como dizia o velho Cafunga, não há o que ficar tentando argumentar. A questão é tocar o barco...
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A propósito da questão de gastos, vem sempre a situação desesperadora da Previdência à baila. Situação de déficit crescente que a população, no geral, continua desconhecendo e a imprensa, como de costume, não tem qualquer interesse em informar, esclarecer e até fazer o papel didático de ensinar.
Melhor, para a imprensa e mais cômodo apenas aproveitar as labaredas na fogueira. E atiçar cada vez mais o fogo.
Por isso, amanhã voltarei a tratar da questão da previdência, com a informação que vi confirmada no programa de sábado, da Band News, canal 77 da Net, no programa Ponto a Ponto, com a Mônica Bérgamo e o Antônio Lavareda. 
Entrevistada a professora Rosa Maria Marques, da PUC-SP, da área de Economia, e especialista na questão. 
E para espanto de vários, a afirmação de que a Seguridade Social em 2014, ano de crise, deu superávit de 54 bilhões ide reais. Isso, independente da desoneração de 22 bilhões da folha de pagamento, concedida pelo governo ao empresariado que agora tanto chora para não pagar o pato. E sabendo-se que esses 22 bilhões reduziram o valor do superávit que teria sido de 76 bilhões, portanto. 
E onde foram parar esses recursos? 
No pagamento de juros da dívida pública, nada a ver com Previdência ou Seguridade, exceto pelo fato de ser a famosa bolsa banqueiro. 
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Algum tempo antes, estava assistindo a um curta metragem, documentário que pode ser visto no Youtube: Um sonho intenso.
Onde Carlos Lessa dizia que a Seguridade, maior conquista social de cidadania da Constituição de 88, foi vilipendiada quando o orçamento da seguridade virou, por força da Lei de Responsabilidade Fiscal, recursos com destinação ao Caixa único do governo.
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Recomendo a quem tiver a paciência de chegar até a esse ponto da leitura, tentar baixar os dois programas e assisti-los, para ter mais informações e não se deixar enganar.
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Termino com duas observações que me deixaram estupefato:
uma das participantes do Master Chef Júnior ( que minha mulher acha um absurdo, tamanho o grau de pressão que joga sobre adolescentes, desnecessariamente e muitas vezes apenas para agradar o ego de papais e mamães), de doze anos despertou comentários de caráter pedófilo nas redes sociais. 
A situação ficou tão grave, que o Ministério Público está julgando medidas que devem ser adotadas no caso, que podem chegar até a impedir a exibição do programa.
Outra: o premier israelense defendendo que Hitler não quis promover o Holocausto, apenas queria a expulsão dos judeus de solo alemão.
Antes, quando algum palestino dizia isso, diziam estar negando a verdade histórica. Mas, um judeu, líder dizer isso, é só demonstração de que o final do mundo está próximo.
Não o final do mundo previsto na Bíblia. O final do mundo da razão.
Para isso estamos caminhando ao que parece: a barbárie.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Postagens de um outubro seco e árido, e não apenas no clima, mas de ideias

Difícil tecer quaisquer comentários quando as notícias que a imprensa repercute tratam do nada edificante bate-boca entre a presidenta da República, Dilma e ninguém menos que o deputado Eduardo Cunha, que vem a ser apenas o presidente da Câmara de Deputados do país.
Tudo bem que Renan Calheiros seja o presidente do Senado, Aécio o presidente do partido de oposição (faz-me rir!!!) e Delcídio Amaral, um dos próceres do PT.
Aliás, justiça seja feita, do grupo citado acima, é mais que necessário deixar claro que duas pessoas não estão na lista de suspeitos de terem se aproveitado do repasse de comissões e propinas e verbas para campanha das denúncias da operação Lava-Jato: a presidenta Dilma (ao menos diretamente) e Aécio, que só aparece na lista por, em minha opinião tentar se passar por algo que, definitivamente não consegue ser.
Afinal nem Aécio, cujo comportamento está mais afeto à tradição "de cima do muro" tanto quanto seu avô Tancredo, quanto o PSDB embora tente não consegue chegar a incomodar o governo como gostaria ou deveria.
Já os demais nomes estão sob suspeição, especialmente o do deputado Eduardo Cunha, dono de polpudas contas na Suíça.
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Mas, para não perder definitivamente o foco, o que eu gostaria de abordar é a viagem da presidenta Dilma a dois países da Escandinávia, Suécia e Finlândia, com o objetivo divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores de dinamizar as relações bilaterais, adotando o "Novo Plano de Ação de Parceria Estratégica", discutindo a cooperação do Brasil em áreas como investimentos, comércio, energia renovável e educação.
Aproveitando a viagem, Dilma esteve também em visita à fábrica da Saab, parceira comercial de nosso país na operação que envolveu a aquisição dos caças Gripen daquela empresa, em negócio de mais de 5,4 bilhões de dólares.
Apenas torço para que no futuro Dilma não venha a ser acusada de estar em viagem, em visita à Saab e até tendo a oportunidade de entrar e ter assento em um dos jatos, por favorecimento àquela empresa.
Porque esse é ou passa a ser o temor doravante: o presidente que sai mundo afora vendendo a imagem das empresas de seu país e de seus bens e serviços, como todo os presidentes de todas as Repúblicas do mundo o fazem, ser acusado de estar a soldo de tal ou qual empresa.
Como está ocorrendo com Lula, no caso da Odebrecht, OAS e outras empresas de construção pesada.
Embora seja necessário também dar o devido desconto, já que na época de FHC, embora ironizando as viagens de nosso caixeiro viajante, a imprensa não chegava a ponto de apresentar nosso mandatário como garoto de recados ou boy de qualquer interesse empresarial.
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Não percamos o foco. Tradicionalmente, a viagem de um presidente gera uma calmaria, ao menos no mundo político e nas notícias que envolvem esse assunto.
Mas, tendo em vista o momento especial e interessante que estamos atravessando no país, não é o que temos visto.
Tanto que, para surpresa de quantos puderam acompanhar a evolução dos acontecimentos, já na segunda feira, tradicionalmente um dia morto, sem vida e assunto em Brasília, especialmente nas dependências do Congresso, tivermos movimentação, com Eduardo Cunha presente em seu gabinete e não perdendo a oportunidade de alfinetar a presidenta e sua declaração em relação às acusações que pesam sobre o deputado.
O que foi o bastante, nesse deserto de ideias e de clima seco e árido que cerca a região Sudeste e Centro-Oeste do país, para dar o tom das principais manchetes dos noticiários. Eduardo acusa o governo de ser o mais corrupto da história do país; Dilma rebate dizendo que não é ela nem seu governo que está sob suspeição; Cunha volta à carga dizendo desconhecer que a Petrobras tivesse deixado de fazer parte do governo.
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Em meio ao tiroteio que nos enche de orgulho, outros tiroteios e assassinatos continuam acontecendo, mas merecedores de menos destaques, como agora o caso do cadáver do vigilante em São Paulo que voltava para casa e que soldados da Polícia Militar, acusados de serem os autores do disparo, registraram como morte por atropelamento.
Ou como o caso do haitiano morto barbaramente em Santa Catarina, no município de Navegantes, apenas por ser haitiano, ou ser negro. Em mais um escabroso caso de falta de respeito e de humanidade, para dizer o mínimo, de quem se acha superior apenas por ser de nossa nacionalidade ou de uma cor de pele diferente.
Ou seja: situação que nos leva a concordar com a frase célebre de Blaise Pascal, de que "quanto mais conhecia os homens, mais gostava de seu cachorro."
O pior é que essa idiotia ou essa ação inominável, irracional, indefensável, não é apenas um episódio isolado no nosso Brasil, cada vez mais retrógrado e  conservador, cada vez mais atrasado em sua mentalidade, com uma população cada vez mais desrespeitosa. Vide a campanha nas redes sociais, contra o novo e aguardado filme da série Guerra nas Estrelas, sugerindo um boicote ao filme tão somente por contar com um ator negro como um dos personagens principais.
Ou seja: a intolerância cada vez maior, em escala planetária. Sinal dos tempos. Tempos cada vez mais difíceis.
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Nesse meio tempo, no Senado, é feita a leitura do relatório do TCU, que recomenda a não aprovação das contas do governo de 2014, o que permite seu envio à Comissão de Orçamento para análise e emissão de parecer quanto à acusação de pedaladas fiscais.
Por outro lado, na esfera econômica, o COPOM reúne-se para deliberar sobre a manutenção da taxa de juros básica - a Selic, dando sequência à política, equivocada em minha opinião de combate à inflação, cujas previsões só fazem  aumentar, acompanhando as taxas de juros.
Enquanto isso, despenca o nível de atividade econômica, o nível de emprego, a renda do brasileiro e do país, trazendo a reboque a arrecadação fiscal.
Razão para que o déficit estimado do governo já se encontre em mais de 50 bilhões, apenas para esse ano.
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E, para contornar o problema do déficit orçamentário ao menos para o próximo ano, as propostas variam da recriação da CPMF, ao aumento da CIDE, que traria impactos maiores para a inflação, graças ao repasse do imposto para os combustíveis, ou o pior: corte pura e simples na única grande conquista ainda mantida pelo desvario desse segundo governo Dilma, o programa do Bolsa Família.
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Trágica situação para quem, como eu, acreditou que ao menos os programas sociais iriam ser mantidos por um governo que, no resto da gestão econômica e financeira, apenas capitulou e cedeu às determinações dos mercados...
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Quanto ao futebol, depois do vareio de bola do Sport, que sapecou 4 a 1 no Galo em Recife, agora é esperar que o Flamengo resgate parte de sua mística, que a Ponte não seja mais uma vez madrasta para o Galo, e que possamos recuperar os pontos que perdemos por culpa de nossos erros.
Enquanto isso, a solução que nos cabe é acompanhar as partidas que dão início às semifinais da Copa do Brasil, lembrando com saudades da campanha do Galão, no ano passado.

É isso.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O Brasil e suas jabuticabas

Em sua última coluna na Folha de São Paulo, o colunista André Singer faz uma queixa em relação ao tipo de trabalho e de (des)informação prestado pela grande imprensa em nosso país.
Conforme Singer, nenhum órgão da imprensa deu destaque a um argumento apresentado pelo advogado geral da União, contra a acusação de pedaladas fiscais do governo Dilma, no ano de 2014, no transcurso do julgamento da apreciação das contas pelo Tribunal de Contas da União.
Consta que Adams teria dito ser impossível ter havido financiamento de programas do governo, conforme alegava Nardes, o ministro relator, tendo em vista que ao final do exercício, teria sido a Caixa que ficara em situação devedora junto à União.
Logo, como quem deve não pode, ao mesmo tempo ser credor, o problema derivaria de um encontro de contas que deveria ter sido feito, e não o foi.
Pois bem. Admitamos que seja falsa a informação de Singer, ou o argumento de defesa de Adams. Não seria o caso de a imprensa, dita investigativa, ir procurar os números e repercutir, com entrevistas, análises etc. a verdade dos fatos?
Ou melhor mesmo seria esconder tais argumentos e continuar botando lenha na fogueira, de forma a continuar incentivando um golpe na tenra democracia e nas frágeis instituições nacionais?
E tudo a bem de que? De PSDB e Aécio, que nem capacidade de ser oposição mostrou ter, como  a figura de Cunha tão bem ilustra?
Para entregar o poder ao PMDB e a Temer? Ou ao próprio Cunha e/ou Renan e seus escândalos?
***
Certo parece mesmo estar José Simão: tantas aulas de tênis financiadas com dinheiro público, permitiu que a esposa de Cunha ficasse craque em sacar... das contas ‘nossas’ na Suíca.
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Outra jabuticaba
Não bastasse isso, temos uma presidenta que é capaz de saudar a mandioca como um patrimônio nacional;  fixar uma meta que vai ficar em aberto, para depois, caso alcançada poder ser dobrada; ou elogiar a mulher sapiens, e agora, querer estocar vento.
Haja energia e cabeça oca. Ou haja vento circulando para ocupar o espaço que nossa presidenta sapiens insiste em querer demonstrar possuir.
Pelo visto o que falta mesmo é mandioca.
***
E, no futebol, a selecinha do Dunga perdeu para o Chile. Normal, o resultado.
Afinal, já de há muito tempo, as partidas contra o Chile têm sido cada vez mais difíceis, mesmo quando vencidas pela seleção canarinha.
Mais normal ainda, quando se sabe que Neymar está fora do time, por força da estupidez que cometeu na Copa América.
E continua tudo normal, quando se lembra que o selecionado é um amontoado de jogadores de boa qualidade, mas nenhum excepcional, que jogam fora do país e que se reúnem espasmodicamente.
Quase sempre, para protagonizar alguns vexames.
Além disso, Dunga é uma tentativa de construção fracassada de um treinador. Nada de técnico e muito menos, pelo amor de Deus, de professor.
Dunga só está onde se encontra, por ser um dos protegidos pelos esquemas que mais interessam por coisas distantes da prática do futebol. E Dunga, a bem da verdade, se não chegou a ser um craque em nenhum momento da sua carreira, apenas se mostrando um esforçado volante, apenas é a imagem de um futebol ultrapassado. Ainda da época do ludopédio.
E é um técnico de convicções arraigadas e fora de moda.
Mas, pior que isso, e das desculpas esfarrapadas, dadas para tentar nos convencer que a seleção foi, se não melhor, igual ao time que nos derrotou por dois a zero, é a toda poderosa Globo.
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Ok. Eles têm de manter a briga em busca de audiência, mesmo quando o futebol da seleção brasileira só inspire sono e acarrete prejuízo para a Globo e patrocinadores.
Mas, daí a ficar comemorando que a seleção perdeu, mas no Chile, contra uma equipe boa e que, maior vexame deu a Argentina, derrotada pelo Equador em casa, vai uma distância.
Ou a Argentina incomoda tanto assim à Globo, e especialmente ao chato do Galvão Bueno, a ponto de não ter problemas grandes se perdermos, ou nem classificarmos, bastando para isso que também a Argentina não se classifique.
Que miséria a nossa crônica e pior, o pessoal da Globo.
***
Enquanto as enchentes castigam o Rio Grande do Sul, com a maior enchente dos últimos meio século, ou mais, Pirapora, em Minas, banhada pelo São Francisco, vive dias de clima árido. Não há nem mais como falar de umidade.
É clima de deserto, onde o Rio banha e deveria dar um refresco.
E estamos em outubro, época das jabuticabas, caso tivesse havido a necessária chuva para que elas pudessem estar viçosas, grandes, graúdas, seria melhor, e doces. Como sabem ser.
Mas, as poucas que temos visto estão  pequenas, sem gosto e sem sabor.
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A semana iniciada ontem, no dia de Nossa Senhora Aparecida e das Crianças, prossegue hoje, com a possibilidade de Cunha aceitar o pedido de abertura do processo de impeachment de Dilma.
Na pior das hipóteses, o que não acredito que seja, o roto julgando o sujo, porque ainda nada foi constatado de estar rasgado.
A semana promete. Ainda mais que há novas acusações de pedaladas, também em 2015, já desmentidas por toda a equipe econômica, Levy à frente.
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E promete também no futebol, na volta do campeonato brasileiro. Que amanhã assiste ao jogão entre Atlético e Internacional. Motivo para o Independência ficar lotado e a torcida do Galo ter mais uma oportunidade de manifestar sua esperança e sua fé.
Porque ser atleticano é, antes de mais nada, ser alguém que acredita.

E, eu acredito. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Cinco anos de pitacos: agradecimentos e pitacos vários sobre a ida de Dilma ao STF e o senador Aloysio Nunes em entrevista na TV

Chegamos ao aniversário de cinco anos do nosso tambemquerodarpitaco.
Nesse período, de assuntos de economia e política a assuntos gerais, com destaque para o futebol e as conquistas do Galão da massa, tentamos abordar os fatos que vieram se destacando em nosso dia a dia.
Claro que a paciência, comentários e críticas de nossos amigos leitores são em grande parte responsável por nossa jornada. Não fosse o Pieroni e sua defesa sempre apaixonada do Galo e do Aécio; ou o Rodrigo Burato, com comentários elogiosos a alguns textos; ou o Wesley solicitando que eu tratasse de algum tema específico da economia, fosse em termos teóricos ou tendo a economia brasileira como pano de fundo, não teríamos chegado até esse ponto.
Claro, cito aqui apenas alguns dos amigos leitores, sabendo que ao adotar essa atitude, estarei sendo injusto com vários outros, como a Alíria; o grande colega e companheiro de Banco, Élcio e suas reclamações de que estou dando muita atenção ao Atlético, ele que é cruzeirense fanático; o Fernando Baiano, também do Bancos; o Fernando Mota da Una, o Paulo Bretas, colega da Una, e tantos outros.
Aos que não mencionei, solicito que não fiquem chateados. Lembrem-se apenas de que sei que eles estão me acompanhando e que tento ao menos oferecer-lhes minhas opiniões, corretas ou não, respeitando a opinião de cada um deles e, principalmente, às minhas crenças e convicções.
Obrigado a todos.
E, embora esse ano de 2015 o número de postagens tenha se reduzido, em parte por culpa da crise e do marasmo da economia brasileira, em parte por culpa de não querer ficar me repetindo em minhas análises, em parte por um certo desencanto com a situação a que nosso país está sendo levado - e aqui não por culpa exclusiva do governo, mas de toda nossa sociedade, espero que possamos ter pelo menos outros cinco anos de contato via esses pitacos.
E continuo aberto a receber as críticas, opiniões e dar a elas espaço, sobre qualquer dos assuntos aqui tratados.
***
Uma observação adicional ainda relativa às postagens. Ao início, ousei abusar da paciência de alguns amigos, publicando poemas e versos de pé quebrados de minha autoria.
Entre aplausos de uns poucos e queixas de outros, os poemas foram sendo publicados até que aqueles de alguma qualidade (se é que havia algum) foram todos apresentados.
Esse o motivo de não ter dado sequência a sua publicação.
No mais, é agradecer aos que têm tempo e usam seu tempo deixando de fazer coisas talvez mais úteis, dando-me o privilégio de frequentar esse espaço.
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Pitacos diversos

E continua a presidenta, e o governo, agindo, mesmo sob fogo cerrado da oposição, para garantir aquilo que considera seu direito: ter um julgamento justo e sem interferências políticas ou de qualquer ordem em relação às contas sob exame do Tribunal de Contas.
Embora dentro da lei, e agindo como qualquer cidadão brasileiro ou pessoa jurídica o faria, ao sentir-se prejudicado, já que recorrer à Justiça para buscar resguardar seus pretensos direitos é um dos principais pilares do Estado de Direito e da democracia, a solicitação de afastamento do relator do processo no TCU, o ministro Augusto Nardes, ainda não acatada, e a ida do governo ao Supremo, com a finalidade de adiar o julgamento das contas são ações apenas de caráter protelatório.
Como de caráter protelatório é ou parece ser a grande maioria das ações que vão se acumulando junto aos tribunais de nosso país.
Mas, como aprende-se logo que adentramos à qualquer faculdade ou curso de direito, o direito não socorre aos que dormem. E o governo acredita que, mesmo já antevendo sua derrota, ao ganhar tempo, terá condições de já ter conquistado mais espaço e votos no Congresso, especialmente junto à Câmara dos Deputados, para impedirem a instauração de um processo de impeachment.
Que no fundo é tudo que o governo deseja, já que parece estar pouco preocupado com o fato de ter suas contas reprovadas.
Importa mesmo é evitar a abertura de um processo de impedimento da presidenta que, mesmo que legalmente sem amparo legal, iria atear fogo no país, com consequências imprevisíveis, tamanha a situação de ódio e cisão a que a sociedade brasileira chegou.
Ao me referir ao amparo legal, apenas tenho em mente a tese de que as pedaladas fiscais foram cometidas em mandato anterior, o que se encerrou em 2014. Situação que embora séria, não dá ensejo a que se abra um processo contra o principal mandatário do país.
Ao que consta, para tanto, os crimes de responsabilidade teriam de ser frutos do atual mandato.
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Mas, se a presidenta e seu governo usam de suas armas mostrando que não estão dormindo, também a oposição usa de outro velho argumento do direito, o famoso direito de espernear.
Principalmente o PSDB, que hipotecou e tem hipotecado tanta solidariedade ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, embora já na noite de ontem, 6 de outubro, já tenha começado a dar sinais de que pode desembarcar dessa barca furada, que é ficar do lado de um deputado que o próprio ex-presidente FHC cita em suas memórias do Palácio como alguém não merecedor de qualquer consideração, dados os desvios de comportamento ético.
Bem, se FHC afirma isso, quem sou eu para discordar. E como o PSDB poderá prosseguir apoiando essa figura dona de tantas contas em bancos da Suíça?
***
Nesse meio tempo, enquanto Dilma tenta adiar a votação no TCU e ganhar tempo para que mais fatos sobre de a trajetória de Eduardo Cunha possam chegar ao conhecimento público, levando o presidente da Câmara a uma situação de completa desmoralização, também a Polícia Federal busca apurar a participação de Nardes, o relator das contas do governo no TCU, em fraudes fiscais.
Que teriam rendido ao ministro a bagatela de 1,65 milhões de reais.
E desmoralizaria mais ainda o julgamento das contas de Dilma, por mais que elas tenham sido analisadas por um órgão técnico e competente, como os quadros do TCU.
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De minha parte, fico me perguntando é como um ex-deputado ou político profissional, detentor de mandato, mas com comportamento sujeito a suspeições pode chegar a ser indicado e, pior, chegar a se tornar ministro de um Tribunal de Contas.
Que deveria exigir como prega a norma, reputação e comportamento ilibado, conhecimento jurídico e mais outros especializados, para ocupar o posto que ocupa.
Embora eu saiba também que a indicação de ex-políticos para tais cargos serve apenas para ajudar alguns amigos, a fugirem de investigações sobre maus procedimentos, já que o TCU assegura foro privilegiado.
Com isso, pouco importa se a conduta do indicado é reprovável, basta que mais tarde ele seja capaz de retribuir o favor a quem o indicou e o livrou, dessa forma, de investigações comuns.
Retribuições que costumam ficar muito caras.
Para o povo, que é sempre quem paga o pato.


NO Espaço Público de ontem, Aloysio Nunes

Tratando de financiamento privado de campanhas, o senador paulista, um dos investigados da Lava-Jato foi irônico ao afirmar, entre outras coisas, que esse tipo de financiamento ou doação para campanha não é porta aberta para a corrupção, servindo muito mais ao enriquecimento ilícito.
Como exemplo, citou filho de ex-presidente que ficou rico do nada. Da noite para o dia.
Só não conseguiu foi responder a diferença que existe entre o partido dele, o PSDB que recebeu mais de 8 milhões de reais em doações na campanha de 2014, enquanto o PT recebia algo próximo de 7 milhões, da UTC, uma das empresas da corrupção.
Para o senador, o PT, por estar no poder, podia achacar a UTC, ameaçando com a retirada da empresa das obras milionárias da Petrobras.
Já seu partido, por não ter esse mesmo poder, já que não é governo, foi beneficiada por outros motivos. Talvez apenas por ser mais bonzinho em relação ao comportamento adotado com a empresa.
Ou não?
Quem sabe não era uma aposta da empresa em outro resultado no pleito, o que a levou a já se antecipar, financiando e doando recursos para garantir outras tantas obras na Petrobras ou junto a outras empresas, por exemplo, responsáveis pela construção de metro em São Paulo?
***
De minha parte, como a receita da UTC, usada para bancar tais doações vieram parcialmente da fraude nas concorrências da Petrobras e da corrupção ali constatada, não há como dizer que do mesmo caixa, um recurso seja honesto e outro sujo.
São todos recursos do mesmo caixa. Ou farinha do mesmo saco.
Como o senador, que é, como todo político, hábil em falar, falar e não conseguir se explicar.
Tudo igual. Até nas denúncias, como o senador já pode confirmar e comprovar.
É isso.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Pedaladas e Nardes; o governo procura ganhar tempo, mas está jogando as regras do jogo

Por um lado, o governo acha-se prejudicado e, como faria qualquer pessoa, ou empresa, ou agremiação política ou mesmo partido de oposição, busca resguardar seus direitos, solicitando o afastamento ou impedimento da participação de Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União, da relatoria do processo de análise da correção das contas do governo, cuja incumbência é daquele órgão técnico.
Alega que o Ministro antecipou seu voto e, em entrevistas pela imprensa, deu inúmeras declarações antecipando que seu voto será no sentido de recomendar à corte que encaminhe ao Congresso, a rejeição das contas contendo as chamadas pedaladas fiscais.
Situação que seria um estímulo à oposição para tentar levar adiante um processo de impeachment da presidenta Dilma, virando, no tapetão o resultado do jogo em que foi derrotada, em campo.
***
A recomendação do Tribunal tem peso, claro.
Ao menos do ponto de vista político, mesmo que se saiba que não haja a obrigação de ao Congresso acatar a sugestão do TCU, podendo aprovar, ou aprovar com ressalvas as contas de Dilma I.
E embora a rejeição das contas não constitua um argumento jurídico eficaz para que um processo de impeachment seja instaurado, dada a situação política em que se encontra o país, é no mínimo temerária a posição suficientemente conhecida do relator do TCU.
O que leva o governo a deixar claro que adotará todas as medidas que estejam ao seu alcance, para impedir que o ministro boquirroto permaneça na relatoria, acenando, inclusive com a possibilidade de recorrer ao Supremo.
***
A oposição esbraveja, berra, xinga, denuncia a manobra governista, em seu papel de procurar dar celeridade ao exame das contas e sua provável rejeição, tanto na instância técnica - o tribunal, quanto na política, o Congresso.
Anseia conquistar o que o povo lhe negou nas urnas, embora o resultado de um impeachment seria benéfico tão somente ao PMDB, Temer e, quem sabe a José Serra, que já conviveu tantos anos naquela sigla e com aqueles companheiros.
De qualquer forma, apear o PT e os petistas do poder já é suficiente vitória para o maior partido da oposição, que é o .... vá lá, PSDB. Porque oposição mesmo até agora, foi feita pelo PMDB, esse sim, o partido que, conforme FHC mesmo definiu é o próprio demônio.
Afinal, em entrevista na semana passada ou atrasada, foi o ex-presidente quem afirmou que Dilma havia vendido sua alma ao demônio. E referia-se ao PMDB.
***
Interessante seria ou será observar o que além da alma o PSDB irá ceder ao PMDB, caso o impeachment seja mesmo decidido e aprovado.
Porque alguma coisa deverá ser dada em troca, por exemplo, do Ministério da Fazenda e da presença de Serra...
Aguardemos porque a situação que até aqui foi apenas de crise e pasmaceira deve ficar divertida. Ao menos para os Neros, que gostariam de pintar telas retratando as labaredas de modernas Romas. Ou para os palhaços que querem ver o circo em chamas.
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Se a oposição esbraveja, e está no seu papel, justiça seja feita, e até Boris Casoy reconheceu isso, o governo está estritamente agindo dentro daquilo que é seu direito. Mesmo que como outras ações e outros casos sob análise da justiça em nosso país, no fundo o governo busque apenas protelar as decisões. Ou seja, adota o mesmo comportamento procrastinatório de centenas de pessoas, organizações, instituições, órgãos até da administração pública, especializados na tarefa de apresentar recursos que apenas têm o efeito de retardar as decisões.
E quantos de nós já não fomos ou ainda somos vítimas desses ardis jurídicos?
***
E qual o interesse do governo em protelar aquilo que ele sabe que já está praticamente derrotado, ao menos no TCU, especialmente adotando medida que traz consigo um caráter de arbitrariedade, de força, de truculência?
Afinal, já não se sabe da posição de Nardes desde o início do andamento da análise das contas? Porque já não foi tomada essa medida desde aquele momento? Porque deixaram chegar tão longe a sua participação e capacidade de influenciar aos colegas de Colegiado?
E pior, nem é Nardes o grande vilão, ou responsável, já que o relatório, como é óbvio, foi feito por um conjunto de técnicos de alta qualificação, todos servidores públicos com anos de trabalho, e concursados. Aprovados em um dos concursos de maior grau de dificuldade no país. O que mostra sua capacidade técnica.
Nardes foi apenas a vedete que de tanto querer aparecer, pode ter levado um tombo no centro do palco.
E, hoje, já é consenso do próprio governo que as contas irão ser rechaçadas.
E nem me venha com essa argumentação de que todos fizeram. Era ilegal. Ponto. E era ilegal para todos.
Embora a vítima seja Dilma e ela é a única que ainda pode ser alcançada pela irregularidade.
***
O que me leva a perguntar uma questão mais grave, em minha opinião. Se tanto a imprensa repercute a defesa do governo, em especial o fato de que todos os demais governos adotaram o recurso das pedaladas fiscais, desde FHC, porque não examinam votos de relatores e de ministros em relação às contas dos governos anteriores? Porque não nos informam se houve omissão de ministros em seus votos, ou se houve referências a tais comportamentos e de que tipo tais referências?
Seria interessante verificar como em outros votos, Nardes teria argumentado em relação a essa irregularidade. Ou se omitiu, tão somente?
Porque esse tipo de pesquisa e informação é sonegada à sociedade, por nossa imprensa que só quer ver tudo esclarecido? Ou não?
***
Curiosa essa participação da imprensa ou o comportamento que ela adota: alega que o governo foi derrotado porque o TCU vai decidir se afasta ou não o relator na própria sessão em que irá examinar as contas. Ou seja: não houve decisão ainda de quem quer que seja quanto ao afastamento de Nardes. Embora a midia já tenha estabelecido que isso é uma derrota do governo.
Particularmente até acho isso mesmo. E o governo conta com essa derrota. Até no Supremo se recorrer à corte maior.
Afinal não é no Supremo que tem assento um Ministro que volta e meia dá palpites exorbitando suas funções e prerrogativas? Não é no STF que Gilmar Mendes faz política e interfere em decisões, como no caso do julgamento do financiamento privado de campanhas, quando pediu vistas do processo mesmo já derrotado, ficou mais de ano com o processo em sua gaveta, depois fez campanha aberta por sua aprovação e, ao final, ainda bateu boca e quis impor sua vontade aos demais companheiros de Corte?
Já imaginou a opinião de Gilmar Mendes em relação ao comportamento - até tímido, de Nardes?
***
Se o governo perde, o que deseja ele com a manobra para ganhar tempo?
Somente enfraquecer Cunha? Ter tempo para que mais documentos sobre o presidente da Câmara venham a público e possam arrastar o principal líder da oposição e seus parceiros, como o ex-candidato a presidente, no mar de lama que circunda o nosso impoluto deputado?
E, nesse meio tempo, continuar vendo os líderes do DEM, serem denunciados como aconteceu ontem com Agripino Maia?
***
Em minha opinião, essa é a jogada do governo, embora vergonhosa em sua essência, embora não tenha santo em casa de má reputação e ninguém é ingênuo de achar que o governo está agindo assim, mas que a oposição não esteja se comportando da mesma forma: o governo quer poder vencer a tese do impeachment, ao menos no campo político, mostrando que não é apenas em seu interior que existe podridão.
Mas, isso, toda a sociedade já sabe.
Mesmo os idiotas que têm aproveitado todo o ambiente, para destilarem ódio, apenas pelo prazer de poder por fora, aquilo que é sua própria essência: um monte de estrume, como é a substância que deve rechear aqueles que lançaram folhetos no velório de José Eduardo Dutra, com dizeres que petista bom é petista morto.
***
Não falo por Dutra. Pouco sei dele. Mas qualquer pessoa que está sendo velada merecia ao menos mais respeito.
Ou teremos em pouco tempo que chegar à conclusão de que os anormais que patrocinaram tal ato melhor seria, se estivessem também eles, mortos.
***
Um último comentário, sobre o ministério de Dilma.
Tudo certo. Do tamanho e da estatura da presidenta e de sua popularidade.
Mas, já desde o início do mandato, comentei nesse espaço que apenas Patrus Ananias se destacava. Mais tarde teve Renato Janine Ribeiro.
Agora o ministério voltou a sua dimensão. Sem menosprezar a quem quer que seja, um bando de anões. E não estou me referindo à questão física ou biológica.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O debate que faz falta: ajuste fiscal ou soluções alternativas para a crise

O flagrante feito ontem e mostrado em todas as principais edições dos jornais noturnos das tevês,  mostrando a farsa perpetrada por três homens vestindo fardas da PM do Rio de Janeiro alterando a cena de um crime e forjando uma troca de tiros merece uma reflexão e uma reação muito mais aprofundada que a mera condenação pública dos três assassinos.
Não que a reação pública não seja bem vinda e que as manifestações de repúdio manifestadas pelo comando da Polícia carioca não sejam mais que louváveis, necessárias. Manifestações que, saliente-se, foram acompanhadas das necessárias ações visando a rigorosa punição dos bandidos: afastamento dos 'policiais' de suas atividades, abertura de inquérito, tomada de depoimentos, iniciativas que poderão levar, ao final, à necessária e merecida expulsão dos bandidos de farda.
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Mas, se a Polícia Militar, como corporação, reage a esse tipo de violência descabida, não podemos deixar de assinalar que o comportamento dos três assassinos fardados não é um fato isolado e nem aceito e até pregado por parte de nossa sociedade. Aquela parte que enche o peito e a boca para proclamar que 'bandido bom é o bandido morto', mesmo que ao suposto bandido não seja dada a menor condição de se explicar, de se defender, ou que lhe seja dispensado o tratamento que até aos animais deve ser dado.
E pior: a rigor, nem precisa que o bandido seja mesmo bandido, ou tenha sido pego cometendo algum tipo de ilícito.
Basta, como temos visto, que seja jovem; preto ou tenha a pela mais escura, mesmo que encardida; que more nas comunidades da periferia; que tenha baixo nível de escolaridade ou qualificação ou, que esteja classificado, como agora tomamos conhecimento, como morador de zona norte, que se dirige para as praias da zona sul, sem dinheiro.
Porque, afinal, como disse uma senhora entrevistada, o que esse povo vem fazer nas nossas praias?
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Então, o que se esperar de uma corporação e de seus integrantes, que tipo de comportamento podemos cobrar dos seus membros, quando o próprio secretário de Segurança do estado é um dos defensores de que, independente de ter ou não cometido algum delito, o simples fato de poder vir a fazê-lo já é suficiente para que a liberdade de ir e vir que a Constituição assegura a todos, seja negada.
Não importa que a pessoa seja criminosa ou que o menor seja bandido. Basta parecer ser.
E isso, tão somente por não ter tido as oportunidades de educação, moradia, emprego e renda que embora assegurada pelas leis, o Estado e a sociedade lhes negou.
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Como tem negado ainda agora, nesse momento, ao propor e querer praticar uma política econômica que, assentada em juros estratosféricos, apenas beneficia aos donos do grande capital, aos donos do dinheiro.
Que fundada na busca de um necessário acerto nas contas públicas, acaba privilegiando não o bem estar ou equilíbrio da sociedade, mas o equilíbrio das contas do governo.
Insisto: não sou contra a necessária revisão de gastos públicos ou a adoção de medidas que busquem tornar tais gastos mais eficientes, com resultados mais eficazes para a população. Afinal, já tive a oportunidade de afirmar aqui, em outros pitacos que o governo cometeu erros que deve agora tratar de consertar, entre os quais o de se submeter ao interesse da classe empresarial, concedendo-lhes favores, incentivos, benefícios que além da conta, nem foram demandados em algumas ocasiões. O que, por óbvio, levou o empresariado a adotar a postura cômoda da inação, em uma espécie de chantagem ao governo, como se para forçá-lo a ampliar as benesses.
E o governo, em minha visão caiu no jogo do empresariado, fazendo concessões cada vez maiores, e ampliando gastos, sem qualquer exigência de contrapartida da parte dos beneficiários.
Embora não discuta que a preocupação última do governo fosse com os estratos da população de renda e condições de vida piores, os maiores e verdadeiros beneficiários foram os intermediários do processo, a classe empresarial.
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E agora, para consertar as finanças abaladas, o governo propõe uma política fiscal pesadamente recessiva, que trará efeitos e consequências futuras com as quais teremos dificuldades para lidar. Exemplo dessas políticas é o corte anunciado no programa da farmácia popular, que irá prejudicar milhões de brasileiros que necessitam de remédios para minorar os males que enfrentam. E que, com o final dos descontos que o programa assegurava, irão ter de interromper os tratamentos, com todas as consequências que isso significa. Ou que terão que abrir mão de ter uma vida digna, apenas para ter o direito de ter, muitas vezes, um prolongamento dessa vida.
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E aí vemos surgir nas telas das tevês, o ministro Joaquim Levy, com sua receita simples ou simplória de bolo, apelidada de 1-2-3: primeiro promover o ajuste fiscal rigoroso, com mais cortes de gastos governamentais; em segundo lugar, com as contas públicas em ordem e gerando superávits primários, sem a necessidade de ir ao mercado tomar financiamentos, a juros elevados, permitir a queda dos juros; por fim, realizar as reformas estruturais que irão fazer o país retomar o ritmo de crescimento.
O que é recebido com aplausos e ampla aprovação por comentaristas econômicos, e jornalistas que cobrem os temas da área econômica, muitos dos quais com conhecimentos limitados do assunto que procuram cobrir. Ou influenciados por suas fontes ou informantes, com quem buscam entender os movimentos da equipe econômica para tentar depois, qual um papagaio, sem qualquer reflexão, repetir ou traduzir as explicações para o grande público. Ou alguns jornalistas ou comentaristas econômicos que apenas visam agradar aos seus patrões, defendendo os interesses daqueles que os remuneram.
***
Com a ideia equivocada de que a inflação é de demanda, e que só pode ser contida por utilização do instrumento da política monetária, a taxa de juros, o governo pratica uma das mais elevadas, senão a maior taxa do planeta, mesmo já descontada a inflação.
Com tal comportamento, derruba a demanda agregada, impedindo o uso do crediário (cujas taxas se elevam, trazendo junto a inadimplência, o nome sujo e as restrições cadastrais) e derrubando as compras a prazo.
Os empresários, sem terem para quem vender, não produzem, evitando e reduzindo a necessidade de capitais para o giro mesmo do seu negócio, já que nem vamos aqui tratar da questão do financiamento de investimentos visando ampliação de capacidade ou reorganização, etc.
A queda da produção leva os empresários a decidirem pela demissão de seus funcionários, o que lhes retira renda e contribui para reduzir ainda mais a demanda por consumo.
Juntos, consumo e investimento se reduzem, no afã de controlar a inflação e derrubam as receitas do governo, mais de 60% das quais, obtidas sobre a produção e circulação de bens.
E com isso, o fosso entre receitas em queda e despesas estáveis se abre ainda mais.
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Por isso que é voz corrente que além da política fiscal torna-se necessário o uso da política fiscal, cortando gastos do governo, de forma a assegurar que a demanda caia de fato. E que se reponha toda a problemática descrita no parágrafo anterior.
As pessoas gastam menos, o setor privado gasta menos, o setor público gasta menos e a demanda menor ajuda a resolver as contas públicas (pelo corte dos gastos públicos), gera superávits primários, e permite debelar a inflação, o que irá permitir, no futuro a queda dos juros.
Só que não.
Primeiro porque gastos públicos não são apenas, muitas vezes difíceis de comprimir, quando considerados pela ótica da demanda agregada. Como vimos e já falamos acima, a redução dos gastos com saúde ou educação, gastos significativos, dão origem a um gasto maior, compensatório, por parte das famílias. Ou seja, apenas assiste-se à substituição dos gastos financiados por recursos públicos, por aqueles financiados pelos recursos privados. Do ponto de vista da demanda agregada, a redução dos gastos, ao menos em um primeiro momento, não ocorre.
Depois, o povo morre sem saúde a aí sim, pode ser que melhore o ambiente social.....
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Mas, se os gastos públicos, considerados vilões da demanda em alta, são cortados, tais cortes afetam apenas os gastos que estimulam a produção, o funcionamento dos serviços públicos, e até a fiscalização (ah! essa sim!) que, em tese, o governo deve exercer em relação ao funcionamento dos setores privados.
Curioso como poucas vezes isso é tratado explicitamente pelo ministro, ou pelos comentaristas, o corte de gastos muitas vezes inviabiliza que o Estado tenha condições de agir fiscalizando e fazendo cumprir as regulamentações tão necessárias em ambientes onde a atividade econômica é toda provida pelo setor privado.
Aliás essa é uma das questões centrais da desregulação. O governo sai da produção e deixa de fazer, por não ter vocação para tanto, mas passa a fiscalizar.
Mas, os gastos com o pagamento aos banqueiros, e aos financiadores da dívida pública não são atingidos. E percebe-se que, no fim e de fato, todo o esforço do governo e de seu ministro é para que esses pagamentos dos juros da dívida pública sejam feitos em dia.
Não por acaso, um sujeito hoje esquecido e considerado ultrapassado, já escrevia nos idos de 1860, em seu O Capital, a respeito da dívida pública o que reproduzo parcialmente abaixo:

"(…) O sistema de crédito público, i. é, das dívidas do Estado, cujas origens descobrimos em Génova e Veneza já na Idade Média, tomou posse da Europa toda durante o período da manufactura. O sistema colonial, com o seu comércio marítimo e as suas guerras comerciais, serviu-lhe de estufa. Deste modo, fixou-se primeiramente na Holanda. A dívida do Estado, i. é, a alienação do Estado – tanto despótico como constitucional ou republicano – marcou com o seu selo a era capitalista. A única parte da chamada riqueza nacional que realmente está na posse colectiva dos povos modernos é – a sua dívida de Estado.
 O crédito público torna-se credo do capital. E com o surgir do endividamento de Estado, vai para o lugar do pecado contra o Espírito Santo – para o qual não há qualquer perdão – a blasfêmia contra a dívida pública. A dívida pública tornou-se uma das mais enérgicas alavancas da acumulação original. Como com o toque da varinha mágica, reveste o dinheiro improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital, sem que, para tal, tivesse precisão de se expor às canseiras e riscos inseparáveis da sua aplicação industrial e mesmo usurária. Na realidade, os credores do Estado não dão nada, pois a soma emprestada é transformada em títulos de dívida públicos facilmente negociáveis que, nas mãos deles, continuam a funcionar totalmente como se fossem dinheiro sonante. Mas também – abstraindo da classe dos que desocupados vivem de rendimentos assim criados e da riqueza improvisada dos financeiros que fazem de mediador entre governo e nação, como também da dos arrendatários de impostos, mercadores, fabricantes privados, aos quais uma boa porção de cada empréstimo do Estado realiza o serviço de um capital caído do céu – a dívida do Estado impulsionou as sociedades por acções, o comércio com títulos negociáveis de toda a espécie, a agiotagem, numa palavra: o jogo da bolsa e a moderna bancocracia." (trecho do capítulo de Marx, sobre a Acumulação Primitiva do Capital, no livro I do Capital).

***
Mas, se a economia moribunda e sem inflação poderá assistir finalmente à queda das taxas de juros, porque isso iria animar os empresários a tomarem recursos para investir? Apenas por ter dinheiro barato? Mas e os compradores para a sua produção ampliada serão encontrados onde?
E, por fim, seriam eles encontrados em meio à classe trabalhadora, que terá direitos flexibilizados, e remunerações idem, ao menos e sempre para baixo?
***
Mas a questão é que, acertadas ou não, essas medidas são sempre objeto de apresentação e comentários elogiosos pela imprensa e pela mídia, que não se dá ao trabalho ou não é  capaz  de fazer uma análise mais criteriosa das reais consequências das medidas.
E que, no jogo de interesses que sempre está envolvido nesse tipo de questões que dizem respeito ao funcionamento das sociedades, principalmente na distribuição dos frutos de suas conquistas, não procura analisar e contrapor essa ideia hegemônica (e nem por isso correta!), com outras alternativas.
Ideias alternativas recebidas com escárnio, ou indiferença, como as ideias apresentadas no documento em dois volumes que pode ser encontrado e baixado da internet, feito pela Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT.
Feito com a colaboração de mais de 100 economistas ou analistas, Mudar para sair da crise - alternativas para o Brasil voltar a crescer (vol. 1) e o Brasil que queremos - Subsídios para um processo de desenvolvimento nacional (vol 2), deve ser lido e debatido com o máximo de isenção possível. E pode ser visto no endereço: fpabramo.org. br.

Ainda não li. Mas já baixei os dois volumes para ler com calma assim que tiver mais tempo livre. E antes que o país não tenha mais alternativas visíveis no horizonte.
O endereço da