terça-feira, 14 de agosto de 2018

Debate da Bandeirantes e algumas das razões de sua ineficácia. Como permitir um debate verdadeiro?

Ainda de volta ao debate da Bandeirantes, não há como negar a importância que assume um primeiro evento do tipo.
Mesmo que em um programa que não conseguiu, minimamente, atingir o objetivo principal: colocar os candidatos para discutirem ou debaterem suas propostas de governo, ou seja, permitir  a cada candidato um espaço para poder apresentar o que ele e seu partido enxergam como problemas principais do país; o que identifica como causas de tal problema e, em função disso, o tipo de soluções que pretende implementar, caso eleito.
A partir daí, pressupõe-se, para que haja um debate, que fosse dada, a outros candidatos, a oportunidade de: mostrar o grau de importância atribuída, por ele, ao problema considerado prioritário para seu adversário. Classificar o grau de importância que ele atribui ao problema, caso tenha outras prioridades. A partir daí, e tendo em vista o problema, analisar as causas apontadas pelo concorrente, indicando se concorda com elas, e até apontando outras. Para finalmente, tecer comentários sobre as soluções propostas por seu antagonista e, se for o caso, apontar as suas propostas específicas.
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Claro que sei que um programa como o aqui sugerido acabaria se arrastando por um tempo demasiado longo - um pecado na grade de programação de qualquer meio de comunicação - em razão do número de participantes muito elevado.
Debater com 8 candidatos, dando-lhes o espaço aqui pretendido, iria fazer com que um número muito limitado de questões fosse abordada.
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A favor de minha proposta, digo apenas que, por menor que fosse o número de temas tratados, eles seriam tratados com menos afoiteza e ligeireza que o que vimos na Band.
Primeiro porque evitaríamos que os candidatos pudessem, como é no formato atual, tratar os problemas nacionais - e a importância que atribuem a eles, em termos de hierarquia -, da forma tão geral e evasiva que lhes é peculiar.
Afinal, o candidato dizer que tem preocupação com Educação ou com Segurança ou Saúde é algo tão genérico, que seria curioso e estranho se algum candidato em seus parcos instantes de participação dissesse que discorda de que tais problemas sejam importantes.
Mas, em 2 minutos, apenas se permite que o candidato fale de forma geral, na questão guarda-chuva, e possa ganhar tempo, adotando o mesmo tipo de comportamento que, no futebol, convencionou-se denominar de cera. Ou seja, enchendo linguiça, para não ter que aprofundar a questão.
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Resultado: ficamos sabendo que, até o cabo Daciolo, também reputa que nossa educação é deficiente. E ponto, sob a glória do Senhor.
Nada contra a fé do candidato, ao contrário. Mas, depois de tanto trazer o discurso religioso para o lugar de destaque em sua participação, não seria justo que pudéssemos estabelecer como hipótese, apenas para ilustrar, que o cabo acredita que a questão central na Educação, principalmente na educação de base, é não se privilegiar o ensino criacionista?
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Vimos que Bolsonaro é a favor de uma Escola sem Partido. O que ele entende, exatamente, quanto a isso? Ninguém pergunta. Mas será que tal escola excluiria o ensino de fatos que, por enaltecerem ideias distintas das suas, não poderia ser tratado?
Em outras palavras, sem partido, de tal forma que não se permita a existência de uma, qualquer que seja, doutrinação, seria tratar das questões de conhecimento apenas pelo ângulo da sua (dele) visão?
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Com o debate no formato que está, tomamos conhecimento que Ciro irá tirar o nome de 63 milhões de brasileiros do SPC.
Como?
Ele irá mandar apagar arquivos? Irá mandar os bancos renegociarem dívidas em qualquer condição? Irá pagar para todos os devedores que se cadastrarem?
Ou irá tentar uma política econômica que assegure a recuperação do nível de demanda agregada, elevação do emprego e renda e, dai, permitir que cada um pague suas dívidas?
Nessa política de recuperação da demanda agregada, qual a importância, em meio à crise fiscal que se tanto se destaca, dos gastos públicos? E que tipo de gastos seriam privilegiados? Com que recursos?
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Pior: pudemos ver um candidato, escandalosamente, assumir a responsabilidade pela adoção de uma política como se fosse ele o seu principal mentor ou artífice, quando seu papel era limitado a um aspecto, importante, mas menos amplo, da mesma política.
É conveniente lembrar que Meirelles não foi o primeiro nome sondado para presidir o Banco Central. Até por ser deputado recém-eleito pelo PSDB de Goiás.
Ora, se acabou se tornando o indicado para presidir a Autoridade Monetária, é porque outros economistas convidados, declinaram do convite. Assim, de acordo com os nomes da lista de economistas que eram vistos com agrado pelo mercado, chegou-se a Meirelles.
E, por mais que Lula e o PT estivessem capturados pelo mercado, principalmente os financeiros internacionais - vide a Carta aos Brasileiros, da qual Meirelles não participou em nada-, a verdade é que é pouco provável que Lula, esperto como é, deixasse a formulação de área tão sensível, para dizer o mínimo, nas mãos de quem era do partido de oposição a seu governo.
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Mas ainda mais ridículo que querer posar de pai da política lulista - tão criticada por toda a oposição, para quem Lula só teve êxito por culpa das condições imensamente favoráveis gestadas no mercado internacional - foi Meirelles querer atribuir-se o papel de criador de 10 milhões de emprego.
Ou ainda criticar o PSDB, aproveitando-se para deixar Alckmin em  "saia curta", mesmo tendo demonstrado tanta afinidade com o partido tucano.
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E poucos se lembram, mas os juros eram extremamente elevados no período Meirelles, mesmo tendo sofrido sim, uma redução em sua gestão à frente do Banco Central.
Mas poucos se lembrarão que, mesmo os índices de inflação insistindo em ficar abaixo do centro da meta, ele não seguiu a política tão reclamada pelo setor produtivo empresarial, a de reduzir ainda mais a taxa próxima a 18, ou 20%.
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Naquela época, com sua insistência, muitos criticaram a manutenção elevada da taxa de juros, acusada de ser a razão de todo o influxo de capital externo em nosso país.
De quebra, também a razão de nosso câmbio valorizado, o que encarecia nossas exportações, estimulada as importações e, por fim, ajuda a entender o processo de desindustrialização de nosso país.
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Mas se manteve os juros elevados, sob críticas naquele período de Lula, como ministro da Fazenda, depois, adotou o mesmo comportamento, com a mesma lentidão para dar início ao processo, mais tarde iniciado de redução dos juros.
Ou podemos inferir que a redução de juros não é resultado de decisões de Meirelles, mas apenas decisão do presidente Ilan, do Banco?
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Da vaidade e oportunismo de Meirelles, é desnecessário tratar.
Mas para obter cargo e projeção, e poder, ele renunciou ao mandato conquistado, abandonou o partido com que se identificava e foi servir ao seu adversário.
Mais tarde, estava sempre disposto a assumir o papel de ministro do governo Dilma, até mesmo por recomendação de ... Lula.
E, não tendo obtido êxito nessa empreitada, aceitou, sem qualquer pudor, ser o ministro do golpista Temer.
E afundou a economia,  talvez por não perceber a necessidade de reduzir os juros antes, cegado por alguma incapacidade de enxergar o que não lhe interessa, como o demonstra o fato de não ter, em qualquer momento, percebido, como presidente do Conselho de Administração (cargo figurativo, eu sei) do grupo JBS, as mutretas de que o grupo se valia para crescer.
Ou então, mais uma vez, ele apenas optou por adotar comportamento mais interesseiro,  pendendo de vez para os interesses dos mercados e não dos trabalhadores desempregados do país, em oposição à postura adotada por ele no governo Lula.
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Ciro mostrou bom humor. Mostrou que não é da URSAL, ridicularizando ao cabo pastor, mas mostrou também estar mais preocupado em fazer demagogia de discursos de promessas vãs, o que se ilustra pela insistência em tratar de inadimplência de parte da população brasileira.
Foi simpático a tal ponto, e comedido em seu comportamento, que deixou Bolsonaro falar o que bem quis, sem criticá-lo.
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Marina foi a mesma de sempre. Verde... Ainda à espera de uma ocasião para mostrar mais maturidade, quem sabe, se conseguir escapar da Rede, em que se acha enredada.
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Boulos mostrou que é articulado, mas que não é elegante, em debates do tipo, não deixar os adversários ficarem fazendo elucubrações e devaneios.
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O que é permitido pelo formato do debate.
Onde situações como a que ilustro a seguir, confirmam que antes de mais nada, o programa é apenas uma oportunidade para que os candidatos possam aparecer, tentar agradar, mostrar sua cortesia, seu bom humor, etc.
Senão vejamos: o jornalista pergunta, o candidato responde à questão. Outro candidato é selecionado pelo jornalista para criticar a resposta ou pensamento do candidato questionado. E o que esse "comentarista" faz?
Desvia do que foi falado pelo oponente, para falar do que lhe interessa, às vezes sem qualquer ligação, inclusive, com a questão e sua resposta.
Na réplica, o mesmo comportamento - fugindo da questão e indo para outros assuntos, é adotado pelo candidato questionado.
Nesse meio tempo, o jornalista nada fala, não cobra, não mostra que o candidato está tergiversando, fugindo do assunto. Ou seja, não confronta a nenhum dos candidatos e suas respostas.
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Daí minha opinião: o programa foi muito fraco. Difícil de manter nosso interesse, em suas 3 longas horas de apresentação.
O que nos mostra que o debate e seu formato tem de ser repensado.
Se for mesmo para contribuir com o aperfeiçoamento de nossa democracia.
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Ausências no Debate

Morno como foi, o debate ainda mostra uma falha, em minha opinião insanável: a ausência do candidato do PT, Lula. Que poderia participar,  via internet, direto da prisão em Curitiba.
Isso, uma vez que sua candidatura ainda não foi impugnada. E por ser, até aqui o líder das pesquisas.
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Muitos dirão que Lula não tem o direito, por estar preso, condenado. Outros dirão que ele é inelegível e ponto.
Aliás, embora todos se silenciem, até mesmos os juízes que irão, imparcialmente, emitir seus julgamentos e manifestar-se a respeito no devido processo legal, já afirmam, abertamente, que Lula é inelegível.
Antecipam decisão que ainda não foi tomada.
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Por tanta curiosidade que insiste em acontecer no processo em que Lula está envolvido- com juízes reconhecendo que deixaram de respeitar a letra fria da lei (vide a coluna Radar da revista Veja, com referência a Gebran) - resta-nos a todos os brasileiros mais cientes de compete a nós exigir e manter o respeito primordial às leis, nos filiar à corrente dos que acham que debate sem Lula é golpe.
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Mas mais curioso que a ausência de Lula, é o manifesto que roda pelas redes sociais, pressionando para que Amoedo, do Novo, possa passar a participar dos debates agendados.
Isso, vindo de várias pessoas que não aceitam a participação de Lula, por ser contrária ao ordenamento vigente, na estreita e já antecipada decisão de inelegibilidade. Mas que no caso de Amoedo, não se constrangem em desejar que a lei não tenha eficácia.
Apenas por que o discurso do empresário é um discurso que soa como música aos seus ouvidos, e seja mais, muito mais fácil de deglutir que os destemperos de Bolsonaro ou Daciolo.
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Pergunte a quem pede que a lei, que pode ser falha ou não, mas existe, e diz que partidos Novos, sem um número mínimo de deputados não devem ser necessariamente convidados para participar desse tipo de programa.
O interessante seria poder perguntar a eles, se no caso de Lula, em que ainda não houve qualquer decisão pela impugnação ou não, se a lei não deveria ser cumprida?
Bobagem tratar de especular qual a resposta.
Porque para alguns, o ditado romano vale sempre: Dura lex, sed lex.
Mas apenas para alguns: de preferência, os adversários.
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E essa é a democracia que julgam estar construindo. (E devo dizer que acho que todos os candidatos deveriam ter o mesmo espaço para apresentação de suas ideias. Inclusive o Amoedo).

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Semana agitada na política: a falta de Estado na violência TAMBÉM contra a mulher. O cenário político em Minas e Bolsonaro, a principal atração da semana

E, de repente, a semana passada que havia se iniciado com a mesma letargia que dominava o ambiente desde ao menos o mês de julho, das férias, da frustração da Copa do Mundo, da persistência demonstrada por nossa economia em andar de lado, acabou me desmentindo, ganhando ares de novidade, de maior dinamismo.
Dinamismo que não se deveu a qualquer nova estatística divulgada pelos órgãos de pesquisa, capaz de mostrar, enfim, um ponto de inflexão. 
Poderia ser dito que, até pelo contrário, as estatísticas divulgadas apenas serviram para indicar a sequência, em escala algo maior, do grau de deterioração de nossa sociedade: aumentou de forma preocupante e assustadora o número de mortes violentas, por homicídios, feminicídios, mortes praticadas por policiais e, como não poderia deixar de ser, morte de policiais.
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Como a morte da soldado Juliane, tão reprovável quanto a morte de outros policiais e capaz de gerar, ou melhor, fato que deveria gerar tanta comoção e sentimento de indignidade quanto a morte de qualquer outra pessoa. No caso de Juliane, qualquer outra mulher. De qualquer outro policial. 
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Mas, se a estatística mostra o avanço das mortes violentas, é importante observar que isso é, em minha opinião, fruto de uma sociedade que já há algum tempo tem aprendido a conviver com a violência em sua prática. Em seu dia a dia. O que acarreta tão somente uma constante deterioração - previsível, do ambiente em que vivemos. 
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Parece que nos acostumamos e que a violência cotidiana começa a fazer parte e até ser aceita de nossa rotina. 
O que nos proporciona a oportunidade de assistir a mortes de, em apenas uma semana, ao menos 3 ou 4 mulheres, cujo único crime foi o de manifestarem seu desejo de deixar de ser uma propriedade, um objeto de humilhação de seus companheiros, na qualidade de "seus proprietários". 
Pior: várias delas, assassinadas quando estavam sob medidas protetivas ou sob a guarda e proteção do Estado. Do Estado não!
De todos nós!
De todos nós que muitas vezes já ouvimos, achando graça, que a mulher levou uns tapas para aprender a ficar calada. Ou que já fomos capazes de fingir ignorar e que até "entendemos" os corretivos aplicados à mulher que queria se divertir, ou que ousou usar roupas que ferem o direito de exclusividade de seus donos.
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A culpa do feminicídio é nossa, da sociedade como um todo. Por aceitarmos que em briga de marido e mulher, ninguém deve meter a colher. Frase que já gerou até uma observação bem humorada, mas ainda assim, que merece ser olhada de um novo ângulo, gracejo atribuído a Tancredo Neves, para quem, em briga de marido e mulher, se o marido for esperto, nem ele mete a colher...
A culpa do feminicídio é nossa, de cada um de nós, que se cala quando vê imagens de homens presos por agressão a sua companheira, chegando sorridentes à delegacia, como se tivessem praticado um ato de heroismo. De resgate da masculinidade e vingança.
Policiais, delegados, outros conduzidos, outros indiciados, nós mesmos, tratamos com desdém as queixas e abusos sofridos pelas mulheres. 
Posição que acaba se transformando na aprovação tácita da brutalidade contra a mulher.
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Mas, se havia medidas protetivas para as mulheres, porque elas não funcionam?
Pelo mesmo motivo de o número de mortes violentas ser, embora recriminável, algo previsível: a ausência do Estado. 
Não o seu contrário, como várias pessoas, muito bem intencionadas e preocupadas em resolver os problemas de nossa sociedade bradam: o excesso de Estado, de burocracia, de impostos, etc. etc.
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A morte de militares, é fruto da ausência do Estado e do poder cada vez maior que esse vácuo, propiciou aos marginais, às facções de bandidos, aos milicianos, até a gente de bem, ou que se acha acima de qualquer censura, por estarem apenas fazendo justiça com as próprias mãos. 
A morte de marginais, em acerto de contas, e brigas por espaços de atuação, é também fruto da ausência de um Estado capaz de punir, com rigor, mas sobretudo com respeito, aos que merecem penas duras, mas castigos justos. 
Antes de mais nada, para destacar bem a diferença entre nós, a maioria da sociedade, e eles. 
Entre nós que respeitamos direitos humanos dos que não respeitam humanos direitos. 
A menos que não queiramos, por princípio, sermos direitos. Já que, continua sendo válida sempre a frase de que se matarmos todos os homens maus, não sobraremos os bons. 
Ficaremos apenas os assassinos. 
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Que a falta do Estado é a maior causa do aumento da violência, fica claro na morte dos Amarildos, de Marielle Franco, e tantos outros, vítimas de crimes sem apuração.
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Agitos Políticos em Minas

Mas o agito da semana veio da política, da realização das convenções partidárias, e dos arranjos de última hora, capazes de trazerem maior tempo de exposição nas mídias, maior tempo de propaganda, ao tempo em que já se caracterizam como os acertos de loteamento da máquina do governo e de sequência assegurada, sem ameaças quaisquer da continuidade de falcatruas de toda espécie.
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Claro, de tais acertos não resultam apenas flores, e muito desgosto e frustração também acabam por surgir. 
Como no caso de Márcio Lacerda, o candidato ao governo de Minas, pelo PSB - Partido Socialista Brasileiro. 
Alijado do páreo, por manobra e acerto que o Diretório Nacional de seu partido fechou com o PT. 
E que apenas representa o mesmo comportamento, criticável e sem qualquer resquício ético, que o próprio Márcio adotou em 2016, em relação ao nome por ele indicado para concorrer, pelo partido, à Prefeitura de Belo Horizonte: Paulo Brant.
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Apenas que, ao contrário do economista, do técnico, do empresário Paulo Brant, que se retirou frustrado, mas em silêncio, Márcio resolveu se insurgir, como menino birrento, contra a decisão que julgou prejudicá-lo.
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A esse respeito, é interessante até notar que, a muitos passa despercebido, mas Márcio Lacerda ser filiado ao partido socialista, já é uma das excrecências de nosso sistema político-partidário. Logo ele, Márcio,  o empresário que conseguiu se despontar como dono de empresa considerada de área estratégica, na época da ditadura militar que tinham a incumbência de gerir e desenvolver a área de tecnologia e informática.
E veja bem: Márcio, cuja trajetória de vida em minha opinião pode indicar ser tudo, menos socialista, não é o responsável por essa extravagância. 
O PSB é muito mais responsável por tal situação. 
Razão porque quando Márcio se insurge contra o partido, ele não adota comportamento muito criticável. Porque típico de situação política em que pessoas se atribuem maior importância e valor que os próprios partidos. 
O que transforma os partidos em tipos de ônibus. Conduções ou veículos para permitir que as aspirações individuais possam ter espaço para se manifestar. 
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Jogadas que se reproduzem com o candidato do DEM, em Minas, Rodrigo Pacheco. Com a diferença que o deputado federal mineiro pode ter negociado mais que apenas o abandono de sua candidatura, sem muito apelo popular e apoio político e partidário, ao governo mineiro nesse momento. 
Ele pode ter acertado, desde agora, o apoio dos políticos tucanos, para eventual candidatura futura.
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E já que Minas é o nosso foco, vale lembrar que Fernando Pimentel, governador que tenta sua reeleição é justamente o mesmo político que, eleito, tratou o funcionalismo a pão e água. Em relação aos aposentados, não apenas propôs e parcelou o pagamento dos salários, como anda atrasando até mesmo o cronograma de pagamentos que insiste em divulgar. 
Apenas para trazer mais decepções, e para mostrar sua completa insensibilidade com a fatia da população menos apta para se defender e a seus interesses. 
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Mas isso não admira a quem se lembra que Pimentel também foi protagonista de um verdadeiro golpe quando, como prefeito de Belo Horizonte, se aliou a ... Aécio Neves, então governador, para lançar Márcio Lacerda candidato. 
Situação que, mais uma vez com a empresa do agora revoltado Márcio, serviu para desmobilizar e fragilizar companheiros de seu partido, o PT, de maior prestígio e até envergadura moral que Pimentel.
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Que a lembrança da tramoia de Pimentel, então com a promessa de se tornar o candidato de consenso de Aécio e do PT em Minas, e mais tarde ludibriado como qualquer criança inocente pelo esperto Aécio, que acabou indicando e fazendo Anastasia seu sucessor, possa servir para que Rodrigo Pacheco ponha suas barbas de molho. 
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Política nacional

No cenário nacional, dominado pelo debate inaugural, promovido pela Bandeirantes, a agitação da semana foi praticamente toda decorrência da presença de Jair Bolsonaro no páreo. Pior: com condições de passar ao segundo turno. 
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Bolsonaro já começou a semana, participando do programa Roda Viva, onde mostrou seu despreparo intelectual para poder pleitear o cargo. 
Despreparo que também era característica de Lula, e que não impediu o metalúrgico de se tornar presidente do país e, justiça seja feita, realizar um governo com mais méritos que desacertos em minha opinião. 
Falo aqui de governo de Lula, políticas e programas de governo colocados em marcha e não de questões e comportamentos pessoais. 
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Mas ao participar do programa, mais uma vez pode expor suas ideias, capazes de preencherem bastante perfeitamente o figurino do homem que trata a mulher como ser inferior, tal qual descrevemos no início desse post. 
Machista, homofóbico, autoritário como convém a todo aquele que considera, como ele deixou claro no debate da Band, que educação tem que ser com disciplina e autoridade. Só faltou falar com hierarquia. 
Como no Exército. Aliás, base de sua proposta para o ensino médio: a criação de vários colégios militares. 
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Nada contra colégios militares, de renomada tradição no ensino de qualidade reconhecida. O que valeu até movimentos, como o da sociedade mineira para evitar seu fechamento, e para dar suporte a sua continuidade, na década de 70, ou 80. 
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Mas, o que valeu mais críticas a Bolsonaro, já denunciado por ofensas racistas dirigidas a quilombolas, foi uma frase sua, para justificar sua postura contrária ao sistema de cotas para negros. 
Parece que, em seu entendimento, as gerações atuais nada devem à raça negra, por não serem os escravizadores. Por não terem culpa e não viverem o passado condenável de exploração do trabalho escravo, especialmente do negro. 
Bolsonaro chegou ao cúmulo, para se justificar, de afirmar que Portugal não esteve na África, para aprisionar e escravizar os povos da região. 
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Em se tratando dessa questão, Bolsonaro parece ter lido (se é que pratica essa modalidade violenta de comportamento!), ou ouvido o galo cantar, sem saber onde.
Mas, isso não significa que as críticas feitas a ele nas redes sociais, estivessem cobertas de razão. 
Pode-se até questionar a fonte, mas é verdade que negros africanos se não vieram navegando para nosso continente, para se entregarem à escravidão, também foram vítimas de guerras tribais, da situação de miséria extrema vivenciada no continente. 
Como falei antes, se aceitarmos a fonte, Geoffrey Blainey, em sua obra Uma Breve História do Mundo, publicação da Editora Fundamento, dedica um tópico à questão da escravidão.
Nesse tópico, recorda que: "A África, durante muito tempo, exportou uma mercadoria polêmica que tinha alta demanda em quase todos os lugares: os escravos.
Deve-se imediatamente ressaltar que a escravidão foi de extrema importância em vários outros países e tribos. A China antiga possuía milhões de escravos... Os indianos possuíam escravos antes e depois de Cristo. ...alguns estados da América, muito antes da chegada de Colombo...."
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Em outro trecho, infoma que "Em muitas partes do mundo, era quase uma regra que, em conflitos, os prisioneiros fossem mortos ou escravizados."
Como as guerras eram frequentes....
Mas, em se tratando de escravidão moderna, a que fere nossa ideia de dignidade e que, de fato, considerava o negro, a mais lucrativa das mercadorias, Blainey, afirma, sem que isso sirva de justificativa para o crime menor de portugueses:
"Muito antes de os navios europeus começarem a levar escravos da África, os próprios africanos eram atarefados comerciantes de escravos.
Na África, muitas pessoas eram escravizadas pelos próprios parentes. Pais, às vezes, vendiam seus próprios filhos para a escravidão; irmãos vendiam irmãos. .... Os escravos eram geralmente devedores, criminosos, desajustados, rebeldes e, principalmente, prisioneiros de guerra.
No século 16, a maioria dos escravos exportados da parte ocidental da África era de mulheres, ... para terras islâmicas. Um século depois, a maioria era de homens, ... em navios de bandeira européia para as colônias cristãs na América. Os portugueses foram os pioneiros do comércio de escravos para a América – eles já os usavam em suas plantações de açúcar, nas Ilhas de Cabo Verde e da Madeira..."
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É essa herança maldita da raça africana para aqui trazida, que merece, a meu juízo, que nós, nos dias de hoje, não esqueçamos que os negros não tiveram, não puderam ter a oportunidade que muitos de nós tivemos. E nem é uma questão social, na linha de "existem também brancos pobres, miseráveis".
Porque esse empobrecimento dos brancos é fruto do funcionamento desigual e injusto, em nosso país, mais que em qualquer outro lugar, do sistema capitalista de produção. Cheio de privilégios. 
Mas, a verdade é que os negros não chegaram nem a ter essa mesma oportunidade de se justificarem pelo funcionamento da máquina capitalista - da qual foram vítimas - mas a questão relativa a eles, antecede a implantação aqui, do capitalismo industrial, com suas feições de modernidade. 
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Para mim, temos sim, uma dívida com os negros, para poder permitir-lhes, a todos, já que há sempre aqueles que conseguiram por esforço próprio se destacarem. Mas a todos, sem qualquer distinção, há a necessidade de trazê-los, se for o caso, para o mesmo patamar que lhes permtiria, como outras raças, ser objeto de exploração, expropriação e empobrecimento, do sistema que já conta com mais de noventa anos de sua implantação no nosso país. 
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Por isso, aprovo e defendo o sistema de cotas, embora, sempre, como tudo na vida deveria ser, por um período que não poderia se expandir por várias e várias gerações.
Como é comum acontecer no Brasil, e que acaba, por não ter prazos delimitados de funcionamento, se transformando em privilégios ancestrais. 
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Em outro dia, Bolsonaro foi entrevistado na Globo News, onde lembrou aos jornalistas que o criticavam por ser um saudosista da ditadura, que a própria rede em que eles tinham emprego e ganhavam seu sustento, também apoiou a ditadura. 
Por ter dito verdades, levou os jornalistas a se calarem, ou pior, a terem de cumprir o papel de empregados em defesa de sua empresa, com a Míriam Leitão assumindo o papel de reproduzir um texto editorial, rabiscado às pressas, por seus patrões.
Antes tivessem a hombridade e independência de admitem que sim, trabalham em empresa que foi favorável à implantação do regime autoritário e torturador no país.
O que não significa que não houve mudanças da filosofia da própria empresa (o que é bastante questionável!!!) e que por serem empregados, os profissionais de imprensa não tenham direito de ter opiniões contrárias e até críticas a tal postura ( igualmente tão questionável).
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Do debate tedioso da Band, apenas assinalar que Bolsonaro se comportou de forma tranquila, e que não foi o que todos esperávamos. A ponto de ter se saído bem, nas avaliações feitas por várias análises. 
O que deixamos para comentar amanhã, o debate da Band, e que ainda assim vale o alerta: este Bolsonaro é o perigo, por seu comportamento camaleônico. 
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A ver...

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Pitacos em situação de economia paralisada. Por que parece que o Galo não gosta de jogar para a frente. Outros pitacos e a promessa de maior assiduidade

Com a economia brasileira andando de lado, confesso ser invadido por um certo desânimo, toda vez que me bate a vontade de dar alguns pitacos. 
E, parte dessa minha reação explica-se pelo fato de ter o sentimento de que o tambemquerodarpitaco não é e nem pode ser uma obrigação. Mas algo que deve ser feito com prazer, dominado pela inspiração. 
Porque desde o primeiro momento, além de ter a certeza de que não queria -e não quis -  fazer um blog apenas para tratar de questões econômicas, uma outra convicção que trazia e trago comigo é a que não teria nenhum sentido, e estaria apenas abusando da paciência de meus amigos e poucos leitores, se me dispusesse a ficar realizando e postando análises do tipo de elevador. Análises que todos conhecem bem, preocupadas apenas em ficar informando que o PIB ou a receita ou qualquer outra estatística relevante, subiu x ou caiu y, de um mês para o outro. 
Para mim, essa informação estatística, cuja importância é inegável já nos é transmitida pelos órgãos de imprensa, razão até por que como todos nós temos conhecimento, para dar informações econômicas e comentá-las em nossos órgãos de comunicação mais tradicionais, basta que a pessoa que o faça seja jornalista. 
Não há necessidade alguma de ter qualquer conhecimento de economia, das teorias que a embasam, ou basta apenas ter um conhecimento de manual, sem qualquer aprofundamento: quase um senso comum.
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Vide, a esse respeito, as notícias de discussões e desentendimentos entre o professor Samy Dana e alguns jornalistas da Rede Globo, quando da reunião para debater o formato de um novo programa de economia a ser apresentado na GloboNews. 
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Mas, se para se realizar uma análise de evolução, os dados de elevador são importantes, penso que, especialmente em um blog, e nesse, em particular, mais importante é buscar as causas, tentar entender as condições que explicam os eventos e fenômenos, e procurar tentar apresentar os desdobramentos dos eventos, em suas várias (embora não as esgotando, claro!), alternativas.
E, infelizmente, com a economia paralisada, a minha preocupação é não ficar me repetindo, ou pior ainda, fazendo postagens do tipo: " como já estávamos prevendo"; como já tínhamos falado, etc.
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Por que, sem entrar nessa linha de comentários, os que lêem esses pitacos sabem que desde o início do ano, quando as previsões de crescimento do PIB estava apontando para próximo de 3%, eu já postava que não via qualquer motivo para que a economia apresentasse crescimento tão robusto. Quem sabe, no máximo, algo como 1%, um pouco mais de 1%, não ultrapassando 1,5%. 
A razão para meu pessimismo, a proximidade de eleições, o ambiente de incerteza que iria tomar conta de empresários, por um lado. De outro, a trava que o resultado das contas públicas acaba impondo ao gasto do governo em investimentos. 
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Ora, como já nos ensinava Keynes, não basta que os juros sejam baixos para que o cálculo econômico aponte a viabilidade do empreendimento e isso possa vir a estimular o investimento privado. E isso porque esse cálculo leva em consideração e é influenciado pela perspectiva de vendas, ou expectativa de obtenção de lucros por parte do empresário. E, em economia em que a renda está estagnada, e onde o emprego não reage, apenas a adoção de medidas tópicas, ou ad hoc, são capazes de permitir alguma reação, mesmo que mínima. 
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Como já abordado aqui, em outras ocasiões, à economia não basta estar bem comportada, ela precisa de ter um constante estímulo, inclusive para poder gerar o ambiente econômico suficiente para levar o empresário a querer correr riscos, ou melhor, a não se deixar ficar imobilizado por qualquer incerteza futura. 
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Assim, e independente da greve dos caminhoneiros, que ninguém desconhece que trouxe consequências danosas para a economia do país, mas que foi o que poderia ser tratado como o motivo equivalente à ponta do iceberg, a produção começou a mostrar sinais de um crescimento inferior aos 2%. A taxa de desemprego apenas sofreu redução minúscula, por obra e graça da expansão do número de empregados informais, em condições precárias de trabalho e renda. 
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Os 13 milhões de brasileiros sem emprego, afinal, precisam sobreviver e estão dispostos a aceitar qualquer remuneração, fazer qualquer atividade, qualquer bico, para poder, ao menos por comida em casa. 
E, nesse momento, é inegável que grande ajuda adveio da reforma trabalhista, que apenas legalizou o abuso e a exploração do trabalho pelo empregador. Sob a justificativa do contrato particular firmado entre quem tem condições de sobrevivência e de espera, frente àquele que não tem como esperar, para poder continuar sobrevivendo. 
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Mas, de tudo isso já tínhamos falado e vimos falando há muito tempo, e não quero ficar na situação de ficar repetindo: eu te disse, eu te disse...
Apenas devo salientar que, apesar de críticas sempre feitas pelos que acreditam que a economia pode ser tratada como um mecanismo matemático, funcionando à perfeição, quem sabe um "deus ex-machine", e que classificam a todos os que não têm a mesma opinião como sendo keynesianos de quermesse, a verdade é que os poucos resultados positivos obtidos por esse desgoverno Temer, é fruto de medidas tipicamente de estímulo da demanda. 
Se a economia cresceu algo em 2017,  o fez por obra e graça do consumo, alimentado pela liberação de cotas do FGTS, do PIS/PASEP, etc. e não de medidas ortodoxas de contenção de gastos, lembrando aqui, não apenas o efeito multiplicador perverso de corte de gastos públicos para a recuperação econômica, mas o fato de que medidas de corte de gastos devem ser tomadas quando o país está em crescimento, não em queda livre.
***

Outros temas

Se a economia está inerte, porque não falar de futebol, atleticano que sou, convicto e doente?
Porque estou chegando à conclusão de que nada entendo desse esporte.
O que explica porque há alguns anos, não consegui entender a profundidade da frase de Parreira, de que o gol era apenas um detalhe.
Ora, em um esporte cuja origem é a Inglaterra, e onde goal é nada mais nada menos que o vocábulo para objetivo, inverte-se completamente a lógica do futebol, e aí a genialidade de Parreira, colocar o objetivo como mero detalhe. 
***
Vá lá. Dizer que o gol pode sair por acaso, e em geral são os gols mais bonitos, e defender que haja toda uma série de táticas, jogadas ensaiadas, etc, que podem levar com mais frequência ao gol, é uma frase que não dá para criticar. 
Mas daí dizer que o gol é detalhe...
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E porque estou tratando dessa situação? Porque toda a crítica e toda análise indicam, por exemplo, que o Atlético jogou mal na Bahia, e mereceu até perder - sendo uma conquista ter saído de Salvador com um empate, porque deu azar. Afinal, levou o gol de empate no último segundo do jogo. 
Mas, para mim, a história foi outra. 
O Atlético começou correndo e jogando em cima, deixando de respeitar os minutos iniciais de estudos do adversário. 
Dessa forma, com 4 minutos já tinha marcado um gol, em jogada que releva a qualidade e a inteligência de Chará, o colombiano. 
E daí para a frente o que o Atlético fez?
Quis jogar com a posse da bola, seja lá o que se entenda hoje por isso. 
E o que se viu?
Um repeteco: bola para o lateral, que volta para o volante, que atrasa para o zagueiro, que devolve para o lateral que passa para o meio... Em lugar de viradas de jogo, para pegar a defesa adversária desorganizada, a bola volta da direita para o meio, que rola mais atrás para o armador, que joga para o lateral esquerdo já mais avançado, que então lança o ponta esquerda, ou ala, depois de toda a defesa contrária perceber a manobra e se proteger ou reforçar a marcação. 
***
Pior é quando - e o Atlético irrita de tanto adotar esse comportamento - o jogador pela esquerda percebe que a defesa está já toda fechada, e rola para o armador, que joga para o meia na intermediária, que recua para o volante, daí para o lateral, e para a zaga. 
E tal suplício pode se tornar ainda pior, quando é recuada a bola, lá da intermediária para que Victor saia jogando com os pés. 
***
Alguém ainda quer que um time que gosta da bola como esse, mas que não gosta de partir para a definição, para o jogo, vença?
Só lembrando, contra o Paraná, o Galo finalizou pela primeira vez, aos 38 minutos do primeiro tempo, por sorte, no lance de gol de Leonardo Silva. Convenhamos que é muito pouco.
***
O que me intriga entretanto, é que o Galo pode e tem qualidade para partir para cima e tentar definir o jogo. Se contra o Bahia (e também contra o Paraná) de tanto ficar enrolando acabou tomando um sufoco, no caso do time baiano isso causou o gol de empate. Que era mais que justo para o time da casa. 
E o que aconteceu,  a partir de então?
Foi apenas então que o time voltou a correr, jogar para frente, com velocidade e, não custou muito, em 4 ou 5 ataques, voltou a marcar, em jogada de Ricardo Oliveira. 
Como a injustiça com o time da casa seria muito grande, no segundo final, a defesa deixou a bola pererecar sem que nenhum beque se aproximasse e o Bahia fez o gol do empate final. 
***
Ou seja: quando os jogadores desejam, partem para cima, jogam com garra e vontade, e definem. 
Na maior parte do tempo, parece que acham que é muito importante ficar fazendo troca de passes cujo objetivo final é tão somente, ficar trocando mais passes.
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Neymar

Eu deveria falar da propaganda absurda e ridícula em que Neymar, pela fábula que ganhou da Gillete, veio se justificar pelo seu  comportamento inadequado na Copa. 
Tanto e tantos já falaram do menino mimado, e do produto, que já não dá espaço para a existência de um ser humano comum por trás (ou por dentro) do invólucro, que não vou falar mais nada. 
Apenas registrar. 


Crimes

E os crimes contra mulheres continuam acontecendo, em um país em que Marielle continua sem ter seu brutal assassinato solucionado. 


E ainda teria que comentar da discussão sobre a descriminalização do aborto e das audiências que estão se realizando no Supremo; ou da atitude contra Márcio Lacerda, semelhante àquela adotada contra Paulinho Brant, pelo mesmo Lacerda, mostrando que o feitiço vira sim, contra o feiticeiro. 
E ainda tem a discussão das chapas que estão se formando para as eleições. 
Mas isso fica para amanhã ou para outra postagem essa semana. 
O que assegura assunto para nosso retorno. 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Copa, França campeã. A importância do negro no esporte e na vida, e o vexame do Galo. E só Lula continua preso

Domingo, 15 de julho. Dia da disputa do jogo de encerramento da Copa do Mundo de futebol. Com a conquista do título pela seleção da França, confirmando o favoritismo apontado por grande parte das casas de aposta em todo o mundo. 
Favoritismo que, é importante lembrar, já existia desde o início do torneio, ainda na primeira metade de junho. 
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Brasil, Alemanha, Espanha, França, desde o início eram essas as seleções que tinham a preferência da maior parte dos analistas, entendidos, ou meros torcedores de futebol. Entendidos que foram, aos poucos vendo seus palpites se frustrarem, com a queda consecutiva de Alemanha, ainda na primeira fase; da Espanha e Brasil, na fase seguinte. E que foram, aos poucos, passando a estarem mais atentos a times, de início pouco prestigiados, como Inglaterra, Bélgica e, por fim, Croácia. 
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Na partida final, a indiscutível supremacia do time francês, mesmo sem jogar tudo aquilo que, potencialmente, todos acreditavam que o esquadrão dos "bleu" podia apresentar, veio coroar ao time com o futebol mais vistoso, de jogadores mais técnicos. 
Não necessariamente daquela equipe capaz de entregar mais coração, mais luta em campo, atributo que, inegavelmente, caracterizou mais a seleção croata, capaz de correr em campo, mesmo tendo jogado praticamente uma partida a mais que os demais selecionados, depois da disputa de prorrogações estafantes e repletas de emoções.
Para aumentar o feito croata, é bom lembrar que a França jogou a partida da semifinal, vencendo sem a necessidade de prorrogação, um dia antes da definição da Croácia como seu adversário. Ou seja, o tempo de descanso da Croácia foi menor que o da equipe francesa. 
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Mas, deixando essa questão de lado, é inegável que a França fez por merecer a conquista, que a coloca ao lado de seleções como Uruguai, Argentina, com dois títulos conquistados. Valendo lembrar apenas que, enquanto os títulos dos "hermanos" sul-americanos foram conquistadas há mais de 30 anos, ou até mais, 68 anos no caso do Uruguai.
Enquanto os títulos da França foram conquistados nos últimos 20 anos, o que mostra a força do futebol naquele país europeu, e fazer ligar o alerta para países, como o Brasil que, independente ou apesar dos vexames consecutivos, continuam se achando os melhores do mundo. 
Culpa da mídia, ufanista e histriônica.
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Comportamento que apenas desnuda, ao contrário do que se imagina, o complexo de vira-lata de que o brasileiro parece estar condenado a ostentar.
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O mais interessante é observar que, pela média de idade do selecionado francês, não será surpresa, tudo o mais evoluindo de forma normal, que essa mesma seleção, mais experiente e calejada, não possa já ser incluída como a favorita dos jogos do Catar, dentro de quatro anos. 
Aliás, é bom observar e já divulgar que é indiferente redigir Catar ou Qatar. 
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Ainda sobre a Copa e a equipe vitoriosa, a que muitos têm se referido como um exemplo de uma maior interação étnica, e até do fenômeno do multiculturalismo, é importante observar, em minha opinião, que o simples fato de se destacar a presença de franceses de distintas origens e cor de pele, já é sinal suficiente para indicar que a questão racial não está ainda resolvida. Pior: mesmo com um certo reconhecimento de que, sem os jogadores de outras etnias e cores a França não teria jogado o futebol vistoso, nem obtido a conquista de que foi capaz.
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A esse respeito, o que é constatação minha, é que a inserção de atletas negros no futebol foi sempre o diferencial que permitiu que o futebol brasileiro se destacasse nos gramados de todo mundo. Afinal, como a dança nos lembra a todo momento, o negro tem um gingado diferente, um ritmo e uma mobilidade diferente, que lhe permite obter destaque em várias atividades esportivas, não se restringindo apenas ao futebol. É certo que a jogada de maior efeito plástico, de maior visibilidade, a do drible, capaz de entortar um "joão" adversário qualquer, é mais comum no futebol. 
Mas, exemplos de dribles também podem ser assinalados - e devem- no basquete, da NBA; nas transmissões das ligas do futebol americano; no voley e em tantos outros esportes em que os negros se destacam e se destacaram sempre.
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Na verdade, não é apenas a dança, a música, o esporte, os espaços em que os negros se destacam desde muito tempo atrás. Usain Bolt, no esporte considerado o mais  nobre dentre  todos os demais, os cem metros rasos do atletismo; o golfe com Tiger Woods ou o excelente piloto campeão Lewis Hamilton, no automobilismo, esportes típicos de espaço do domínio branco apenas ilustram que os negros apenas não conseguem se destacar com mais frequência nos esportes tidos como "de ricos". 
Ou seja, em todo o mundo, os negros não se destacam mais em outras áreas, por culpa do racismo, dos maiores obstáculos que o negro enfrenta para conseguir um espaço e para poder mostrar sua verdadeira competência na área também do conhecimento, da pesquisa, do mundo do trabalho, etc. 
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Bem, a questão é que a seleção inter-racial da França veio mostrar o óbvio. E não apenas ela. Basta observar como os times da Bélgica, da Inglaterra, melhoraram muito o estilo de seu futebol, pela inclusão de jogadores de outras origens e raças. 
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Enfim: parabéns à França, campeã mundial de futebol, de 2018.


E na volta do futebol, o Galo...

O término da Copa do Mundo marca também o retorno do futebol, ao menos em relação aos clubes da primeira divisão, no Brasil.
Já na segunda feira, jogos da Copa do Brasil definiram os dois times que avançam às quartas de final, com direito a receberem um prêmio de 6 milhões pelo feito. 
E na quarta, os jogos marcaram o reinício do campeonato brasileiro. 
Com direito do Galo ir ao Sul, enfrentar o melhor time brasileiro da atualidade, o Grêmio.
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E, devo admitir como atleticano que sou, que o Galo atingiu seu objetivo.
Afinal, para um time que saiu de BH para perder de pouco para o melhor time do país, o resultado, de derrota por apenas dois a zero, ficou de bom tamanho. 
O que mostra que isso não é um problema. 
Problema maior é o Galo jogar como time pequeno. Com medo. Traindo suas características mais conhecidas e famosas, a ponto de ser parte da letra de seu hino: Galo forte e vingador.
Onde?
Que time foi forte ontem? Porque o Galo foi covarde. E nem há a desculpa de estar sem Roger Guedes. Ou de Adilson. 
O problema estava na forma em que o time foi armado para enfrentar um time que, jogando em casa, caracteriza-se por gostar de jogar com a bola. Expressão que mostra uma indigência muito grande de todos os que se arvoram em comentar o futebol, suas estratégias e táticas. 
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Porque eu gostaria de saber que time que, sem a bola, consegue jogar futebol. Chutando o ar, trocando passes de vento?
Mas não foi só jogar com medo. 
Parece que o time do Galo e sua equipe técnica, não viu nada da Copa do Mundo. E entrou em campo, para ver o Grêmio jogar e, quem sabe, aprender como se joga ou que espírito deve ter alguém que queira jogar e vencer...
***
Apenas a título de ilustração, e desabafo, vamos recordar de um lance ocorrido na partida da final da Copa, entre a França e a Croácia, quando a partida estava já praticamente definida, com o placar mostrando 4 a 1 para les bleu. 
A bola já tinha ultrapassado a linha que demarca o meio campo, e o jogador francês que estava na posse dela optou por ganhar algum tempo, atrasando a bola para um companheiro. Que para fazer passar o tempo, atrasou ainda mais até o goleiro Lloris. 
Desnecessário lembrar que um goleiro, por definição o único jogador a quem é permitido jogar com as mãos no futebol, normalmente joga naquela posição considerada tão dramática que "nem grama nasce onde o goleiro joga", por ter uma menor habilidade com a bola nos pés. 
Também desnecessário dizer que a regra que pune a cera impede que o goleiro possa defender com as mãos a bola a ele recuada. 
O que significa que ele tem que despachá-la com os pés. Aquela parte do corpo que ele tem mais dificuldade de usar, em condições normais. 
***
O resto do lance todo mundo sabe: Lloris tentou driblar o atacante croata, enrolou-se com a bola, do que se originou o segundo gol da Croácia. 
Embora pudesse ter tido outro final, o erro não trouxe maiores consequências. 
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Lembro-me disso porque, jogando como time pequeno, quando já perdia o jogo pelo placar de 2 a zero, o Galo mostrou mais uma vez, que não perdeu a mania que já foi objeto de crítica minha, antes da Copa. 
E a bola foi atrasada do meio campo, para o Victor e sua perna esquerda, famosa o suficiente para colocar o goleirão do Galo como um dos piores goleiros no quesito reposição de bola. 
***
Parece até que Thiago Larghi enquanto foi técnico interino, por não ter muito a perder, decidiu escalar um time ofensivo, para frente, agressivo. E, agora, como técnico definitivo e tendo um posto a perder, preferiu montar um time para jogar com o resultado. 
Como não poderia deixar de ser, chamou o Grêmio para cima e acabou pagando caro por tal covardia. 
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No Brasil

Enquanto isso, em nosso país, os efeitos da economia empacada continuam sendo atribuídos à greve dos caminhoneiros. 
O desemprego de 13 milhões de pessoas; o retorno de doenças como o sarampo, e o fracasso de campanhas de vacinação apenas reforçam os dados trágicos que mostram o aumento da mortalidade infantil, desde o ano de 2015, e nossas instâncias do judiciário ficam batendo cabeça.
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Pior: uma série de pessoas são soltas; bandidos ganham as ruas - alguns se dando ao luxo de irem às ruas cometerem crimes e depois voltarem para a cadeia, para curtirem um justo repouso; deputados podem sair da prisão para participar de sessões de votação da Câmara e vários políticos são mantidos livres, leves e soltos. Caso de Geddel, contra quem não foram encontradas provas, apenas 51 milhões em cédulas de dinheiro. Caso de Aécio, aquele cujo primo, passível de ser morto caso falasse, foi visto e filmado recebendo o dinheiro destinado ao senador carioqueiro. Ou caso de Marum, e sua participação nos trambiques do Ministério do Trabalho. 
***
Só Lula continua preso. E impedido até de se manifestar e dar entrevistas. Proibição que não alcança Gil Rugai, Suzane Richthofen, e outros criminosos de menor periculosidade que o líder das pesquisas de voto. 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O torpor da Copa: as investigações do caso Marielle não avançam; a mídia endeusa um falso profeta, Tite; Neymar não amadurece; Carmem Lúcia promove uma desordem jurídica espantosa

Em nosso último pitaco, publicado nesse blog no dia 14 de junho, comentávamos que, junto ao maior campeonato de futebol do mundo, estava aberta também a estação de torpor que, com o apoio sempre imprescindível da imprensa, acaba contaminando o ambiente e criando uma situação inebriante de ufanismo e patriotismo - enganoso e falso. 
Uma sensação de orgulho coletivo nacional, embalado pela criação de heróis que cada vez mais acabam por revelar seus pés de barro e que, por esse motivo mesmo, raramente assumem o papel que deles se espera.
No embalo do desespero da mídia para ampliar seu faturamento e transformar o evento esportivo em principal fonte de arrecadação, de forma a compensar os custos elevadíssimos que a cenografia do espetáculo circense exige, todo nosso espaço é invadido por gritos e comemorações sempre exageradas, elogios vazios e tolos que alimentam uma arrogância desmedida.
E nas eternas queixas contra a arbitragem, e contra tudo e todos que, na teoria da conspiração que sempre é criada para justificar uma derrota, se recusa a reconhecer o óbvio: perdemos por encontrar algum time, em algum momento, melhor ou com mais gana e mais oportunidades de vencer que o nosso.
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Mas, aí de quem não é patriota o bastante para não se deixar comover pela comemoração ou pela tragédia programada. Situações com roteiros pífios e script pobres, como que a deixar claro o porque, não apenas no campo de futebol, mas também nas salas de nossas casas, quando invadem nosso ambiente de descanso, as novelas perdem conteúdo, importância e audiência.
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Começou a Copa e, já decorridos quase um mês, o caso Marielle continua sem qualquer solução. A Polícia continua sem pistas e as investigações esperando a prorrogação ou a cobrança de penalidades. Porque a cobrança por ação, justiça e respeito, esses valores toscos do que chamamos de democracia em época de Copa do Mundo ficam na banheira, mesmo na época de adoção do árbitro de vídeo, o VAR, fazendo a vida, mais que o jogo, permanecer em eterna suspensão.
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E no entanto o crime contra  Marielle ainda grita, embora encoberto por vuvuzelas e cornetas e gritos histéricos de prá frente Brasil. 
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DA COPA

Quanto à Copa, e ao selecionado brasileiro, apenas uns poucos comentários, sob a proteção e o alívio de já estarmos de volta para casa: o primeiro em relação a Tite e sua postura professoral, mítica, messiânica. Capaz de fazê-lo alterar até seu tom de voz e sua forma de comunicação com os torcedores todos do país, representados por uma dúzia de jornalistas baba-ovos e despreparados para fazer o mínimo que sua profissão exige: informar bem, questionar, criticar.
Tite, mesmo sendo um bom técnico, não é o porta-voz da verdade divina, não é a representação dos oráculos gregos ou romanos, e sua postura apenas reforça a sensação que, alimentado por órgãos de imprensa, passou a cultivar: de senhor de toda a verdade iluminadora.
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De Tite é bom que se fale que já há muito tempo é considerado senão o melhor, um entre os melhores técnicos de nosso país. O que o fez ser o preferido por toda a imensa maioria da torcida do Atlético Mineiro para assumir o cargo em 2005.
Aquela mesma massa de torcedores que Tite decepcionou e, sem qualquer escrúpulos ou caráter, em minha opinião, abandonou quando percebeu que o time estava muito próximo do fiasco representado pelo rebaixamento. 
E olhe que nem tão próximo estaria assim se o comandante fora do gramado não se acovardasse. 
Afinal, Levir chegou e pegou o time e, não fosse um pontinho do Vasco na partida da rodada final, o Galo não teria tido o desprazer de ir visitar - e ser campeão - da série B do Brasileiro. 
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Reconhecer que o próprio Tite já afirmou que tem uma dívida com um time, por acaso o Galo, não refresca muito. 
E seu comportamento entra para a lista de comportamentos que, adotados por alguns técnicos, tornam tais personas totalmente non gratas ao Clube mineiro. 
Entre elas, Geninho, que optou pelo Corínthians e sua grana deixando o Galo na mão; Cuca e seu mau-caratismo de abandonar o time, justo na estréia da disputa do torneio de Mundial de Clubes e Tite.
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Mas, já que Tite e sua comissão técnica não entra em campo, é importante que se destaque algo, positivo ou negativo de quem calçou as chuteiras. 
De Neymar o cai-cai, até o cavador de faltas ou penalidades que se voltam contra ele e seu eterno não amadurecimento. 
E, reconheçamos, Neymar não precisa, não precisava disso. E a prova é que ele conseguiu, em um momento de sua carreira, ter o lampejo do gênio, do líder em campo, quando levou o Barcelona à conquista épica da classificação contra o PSG, que havia goleado o time basco em Paris. 
Naquele dia, parece que dominado pelo espírito de grandes jogadores e líderes, Neymar deixou Messi e Luizito para trás e partiu lá para a frente, em direção à vitória. 
Porque voltou? Por que regrediu? Por que continua com sua postura de menino mimado, sempre mais ator que jogador, sempre mais banal e piegas que um ser humano que joga muita bola, mas também erra muito.
E não me venham dizer que ele - que quis humilhar um jogador da Costa Rica com a carretilha, completamente fora de ocasião e oportunidade; que depois da vitória contra o México, ridicularizou o retorno da delegação mexicana, ainda fazendo a torcida lembrar-se, nas comemorações, do Chaves - ninguém venha me dizer que Neymar estava diferente em campo, contra a Bélgica. 
Só se diferente por não ter conseguido jogar bem, errando a maioria do que tentou fazer, embora tenha feito um chute final que Courtois defendeu e tenha feito um lançamento para chute que Philipe Coutinho não conseguiu ajustar seu nariz, para mirar o gol.
Porque até naquele jogo, Neymar tentou simular e quando foi advertido pelo juiz, optou por parar de representar. O que, convenhamos o mais próximo de representar que ele consegue chegar é por meio de sua namorada. 
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Culpar Gabriel Jesus, por estar sendo cobrado de exercer funções para as quais não é talhado, ou William, ou até mesmo Paulinho, não é justo. Afinal, eles não se escalam, nem a teimosia do técnico pode ser atribuída a eles. 
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Mas que grande Copa fez Thiago Silva. O único a honrar a nobre arte do futebol.
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Enquanto a Copa rola

Enquanto isso, os meninos tailandeses emocionaram e emocionam o mundo todo, e a Tailândia dá show de organização e planejamento, apenas maculada pela perda do mergulhador voluntário. 
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A menina Victória, no interior de São Paulo, morta por engano, mostra a que ponto a leviandade e a maldade humana podem nos fazer chegar. 
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Temer, o suspeito de corrupção, vende parcela de ações golden share da Embraer, destruindo uma das quatro maiores empresas de construção aeroespacial do mundo, e com ela toda a tecnologia acumulada em anos de pesquisas e dedicação. 
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E Carmem Lúcia continua sem pautar a ação de prisão em segunda instância. 

Na mixórdia que esse país se transformou, especialmente, tendo em conta as questões relevantes do direito e da segurança jurídica, não é de se estranhar que um desembargador atropele a decisão de um tribunal colegiado; nem que um juizeco de quinta categoria, venha a dar palpite e mandar descumprir a ordem do juiz hierarquicamente superior, nem mesmo esse juizinho estando de férias. 
Ah! como seria bom se o juiz tivesse determinado a abertura de sua conta bancária e de sua família, desde ao menos o caso do Banestado, nunca bem explicado. 
E que bom se pudesse provar sua lisura, muitas vezes questionada, pelo tanto de voracidade em condenar Lula e vários políticos de sua base, embora, como mostram as fotos e as redes sociais, sempre esteja acompanhado de Dórias, Aécios, e outros pessedebistas de honra nunca suspeita. 
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Não vou entrar no mérito do oportunismo dos advogados que sem serem ligados ao PT ou ao ex-presidente, deram entrada com o pedido de habeas-corpus de Lula. 
Tiveram êxito, senão em soltar o prisioneiro, em deixar claro o mal que Carmem Lúcia provoca ao país. 
A culpada de tudo que aconteceu ontem é apenas dessa magistrada, que abusa de seu direito de pautar os temas do Supremo, e o faz com tremendo escárnio em relação às ambições, desejos e sentimentos da sociedade brasileira. 

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Retorno com os pitacos após a final da Copa que será entre a França e a Inglaterra, e a França sagrando-se campeã. Ou então entre a Bélgica e a Inglaterra, com o British Team comemorando ao final. 


quinta-feira, 14 de junho de 2018

14 de junho: três meses da execução de Marielle; início da Copa e de seu torpor e a quem Temer, de fato, serve

14 de junho.
Data que assinala a passagem de 3 meses do assassinato da vereadora carioca, pelo PSOL, Marielle Franco e de seu motorista Anderson.
Assassinato com toda característica de execução e, pior, crime político. 
Com características que mal conseguem disfarçar a participação de integrantes de setores da polícia e de milícias, quando não de ambas as estruturas. 
Ligadas, para o bem e para o mal, às forças de segurança, numa simbiose que Lúcio Flávio Vilar Lírio, o famoso bandido morto em 1975, já criticava abertamente. 
Como consta no filme Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, afinal de contas: "Bandido é bandido, polícia é polícia. Como água e azeite, não se misturam". 
***
Mas infelizmente, talvez pelo fato de nossa população ter um conhecimento muito raso da nossa história, as coisas aqui se repetem incessantemente. Monotonamente. 
Como tragédia. Como farsa. Como o ensaio para uma peça nunca concluída. 
E como já naquela época, eram completamente espúrias as ligações entre Lúcio Flávio e Mariel Mariscot, continuam hoje, completamente descabidas e criminosas as ligações entre membros da forças de segurança e os milicianos, que Marielle denunciava. 
***
Mais uma vez, em razão do pouco conhecimento de nossa história e sua contínua repetição, parte da população aprova ou não se opõe de forma mais contundente contra as operações das partes podres que infestam os corpos policiais, criados para nos proporcionar o contrário do que entregam: proteção e segurança e não terror, morte e medo. E extorsões. 
Curiosamente, as mesmas ligações que Mariscot, o policial valorizado, reconhecido e corrupto, mantinha com a famosa escuderia Le Cocq e com o Esquadrão da Morte. 
***
Como previsto, o bárbaro crime contra Marielle e seus 46 mil eleitores continua irresolvido, por mais que organismos internacionais, e até órgãos de imprensa tenham feito a máxima força para não deixá-lo repousando nas prateleiras do esquecimento. 
E da impunidade. 
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Continua, entretanto, ecoando a frase gritada nas manifestações que seguiram a morte. 
Marielle, PRESENTE. 
Anderson, PRESENTE.
***

Apenas para concluir o pitaco, e em referência à falta de conhecimento da história pela grande maioria do nosso povo, o que permite e facilita que se generalize a frase famosa sobre a falta de memória de nós brasileiros, duas observações.
A primeira delas: não é verdadeira a frase da falta de memória. Ninguém pode se esquecer daquilo que nunca teve ciência ou informação.
A alegada falta de memória é, na verdade, apenas uma forma de se transferir para o próprio cidadão, a responsabilidade que é de nossos políticos, de nossas autoridades, ou melhor, de nossos PODEROSOS  de sempre, que nunca se interessaram em informar, esclarecer e criar as condições necessárias para a participação do povo no que constitui a sua própria vida. 
***
A razão é óbvia: vai que o povo gosta de saber e resolve tomar os seus desígnios em suas mãos...
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A segunda observação tem a ver com o movimento de interesses obscuros e não democráticos sob todos os aspectos, da proposta de Escola sem partidos. 
A denominação do movimento revela bem os seus reais interesses, de criar uma escola incapaz de discutir a existência de interesses. 
Uma escola sem partidos é uma escola sem história. 
Um povo sem história é um povo destinado a ser apenas massa de manobra de interesses, em geral, contrários aos dos indivíduos que são seus integrantes. 
Uma escola sem história é uma escola sem verdade. Ou com a verdade dos poderosos e eternos exploradores e expropriadores da população. 




14 de março e tem início a Copa

E com a Copa, o país parece entrar em um estado de torpor, destinado a permitir que o tempo possa arrefecer os ânimos e ímpetos mais aguerridos de parte da população. 
Em certo sentido conseguindo, ainda que momentaneamente, desviar o foco dos problemas e das graves questões que o país atravessa e cujo governo, imerso na maior inépcia, não consegue tratar. Quanto mais tentar resolver. 
***
Deste ponto de vista, ao desviar a atenção de grande parte do povo, e dos eleitores, a Copa tem a capacidade de fazer adormecerem as tensões e, dessa forma, aliviarem o ambiente, contribuindo para desarmar os espíritos dos grupos que, cada vez mais têm levado as discussões políticas para o campo das ofensas e agressões pessoais. O que caracteriza a criação de um ambiente propício à explosões e manifestações que trazem em germe a violência e o desrespeito, principalmente às opiniões contrárias. 
***
Que a Copa, como outros eventos esportivos do porte, por exemplo, das Olimpíadas, além da característica de criar condições para o enriquecimento, ainda maior e mais cheio de pequenos (e grandes) delitos, consegue servir para distrair o povo, não se discute. 
É fato sobejamente conhecido. 
A ponto de ter dado origem a hipóteses, mesmo as sem muito sentido, como aquela defendida por David Nasser, o jornalista, compositor, para quem toda vez que o Brasil conquistava uma Copa do Mundo, o nível de satisfação da população atingia patamares que acabavam se transferindo para o próprio governo de ocasião. 
***
Pois bem, sem questionar o acerto ou o absurdo da observação do contraditório jornalista, a verdade é que eventos como a Copa sempre serviram como o circo romano, ou como o ópio do povo ao lado da religião, como a considerava Hegel, por exemplo. 
***
O que me faz lembrar de uma tarde trágica para nós brasileiros, que passa para a história conhecida pelo seu resultado: a tragédia do Sarriá, em distante 5 de julho de 1982.
Justamente a tarde em que a melhor seleção de futebol do mundo, na ocasião, montada pelo mestre Telê Santana, foi derrotada pela briosa e valente, e mais disposta e guerreira seleção italiana e seu avante Paolo Rossi. 
Lembro-me que, no abatimento que dominou o país e sua torcida, que já se considerava vitoriosa, o governo aproveitou para anunciar a inflação do mês de junho anterior, próxima dos 8% ao mês. 
***
Confesso que a memória não me ajuda, passados tantos anos daqueles dias, mas não me lembro de o anúncio do movimento descontrolado dos preços ter a repercussão que merecia, em especial e justamente por parte de todos aqueles que eram prejudicados por tal descontrole, quando comparado com a decepção e o sentimento de perda nacional que invadiu a todos nós. 
***
Repete-se, agora, a criação do mesmo ambiente de euforia, contagiante, emblemático, até. 
Embora, pesquisas indiquem uma queda do interesse, ao menos antes do início da disputa, da população pela Copa, o que demonstra talvez certo amadurecimento. 
Reflexo do distanciamento da vida de nababos dos jogadores de futebol, confrontado com a vida miserável do povo brasileiro, trabalhador e pouco reconhecido.
***

E Temer, do alto de sua inexpressividade revela a que veio

Começa a Copa, em momento em que a popularidade do usurpador e golpista Temer é o mais baixo de toda a história. 
E em que Temer é mais uma vez alvo de suspeitas cada vez mais difíceis de ignorar. 
O que o leva a mostrar total falta de sintonia com a vida dos brasileiros que, desgraçadamente e de forma ilegítima, ele governa. Afinal os jornais (mais especificamente a Folha em sua edição de ontem), anunciam que, em cerimônia de assinatura da regulamentação do código da mineração, ele foi capaz de afirmar que, segundo um ranking de preferência dos investidores estrangeiros, o país passou da sétima para a quarta posição nos últimos dois anos. 
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Ou seja: não bastava o Brasil ter voltado, 20 anos em 2, como o ato falho da propaganda oficial deixou a nu. 
Nem vale a pena ir conferir que pesquisa de preferência é essa, e sua existência, se real ou não. 
Interessa mais destacar que 72% da população consultada em pesquisa do Datafolha revela que, para eles, a situação econômica do país piorou nos últimos meses.
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Tampouco é possível se ignorar e deixar de mencionar a greve dos caminhoneiros e seus reflexos. Principalmente, e mais uma vez, para mostrar a falta de confiança da população no tal presidente, incapaz de honrar qualquer dos compromissos acertados com a categoria que o chantageou. 
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E não vou falar, por significar pura covardia, que apenas 3% da população aprovam seu governo. Mais que o ridículo do índice, é importante assinalar que o golpista e mau caráter comemora que os investidores estrangeiros, seus verdadeiros patrões, o aprovam e indicam ter melhorado o grau de satisfação com esse senhor que deveria, ao deixar o cargo que não tinha o direito de ocupar, ser julgado por lesa pátria. 
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É isso. 

E vamos à Copa e à maratona de jogos. Enquanto o Galo descansa na vice-liderança e o futebol brasileiro já sinaliza que será vítima da maior onda de evasão de jogadores dos últimos anos. 
É esperar para ver e confirmar. 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

É preciso falar de racismo. É preciso discutir a arte.

Começo tratando de algo que parece a mim muito sério e preocupante: a reação de vários grupos à indicação de Fabiana Cozza para viver D. Ivone Lara, a grande dama do samba, no teatro.
Reação que confesso desconhecer, por ter se dado principalmente por meio de redes sociais às quais não tenho acesso.
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Motivo suficiente para que eu, como várias outras pessoas, talvez preferisse não abordar, por uma série de razões, algumas das quais bastante aceitáveis, como por exemplo, pelo fato de o assunto ter chegado ao meu conhecimento já liquidado. Já resolvido. É bem verdade, em minha opinião, da forma mais lamentável possível: a desistência de Fabiana de aceitar o papel. Desistência anunciada por meio de suas redes sociais, às quais só tive conhecimento também por jornais. Mais especificamente pelas reportagens publicadas pela Folha de São Paulo.
Ou seja, toda a informação que detenho pode ser classificada como parcial, a terceira razão para não me manifestar.
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Mas...
É preciso afirmar que a indicação de Fabiana, por familiares da figura central da peça, a que se pretende homenagear, se deve à consideração, amizade e respeito que todos reconhecem que Fabiana sempre manifestou junto à Dona Ivone, parece-me que ainda enquanto viva.
Também importa afirmar que Fabiana já gravou com destaque músicas da sambista, tendo colhido elogios. O que a capacitaria como intérprete da homenageada.
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Finalmente, D. Ivone, sabemos todos era negra. E Fabiana é filha de pai negro, ostentando pele que as estatísticas classificariam de parda.
Ok. A pele de Fabiana é bem mais clara que a de D. Ivone, o que nem impediu a amizade entre as duas, nem a indicação pela família, nem a escolha pela produção da peça para o papel.
Mas foi o suficiente para disparar um movimento que foi classificado como uma grande pressão, via redes sociais, no sentido de condenar a indicação de Fabiana. Pressão patrocinada por vários movimentos sociais que lutam em favor da causa negra.
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Críticas tantas, não às qualidades vocais ou pessoais ou artísticas de Fabiana. Mas à falta de maior quantidade de melanina em sua pele.
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Nesse ponto faço uma interrupção em relação a esse assunto, para poder repercutir o absurdo que é o número de assassinatos cometidos no Brasil em apenas um ano ano, estatística contida no Atlas da Violência 2018, elaborado pelo IPEA e anunciado no dia de ontem, terça, 5 de junho.
O Atlas revela que foram mortos no país, no ano de 2016, 62,5 ou sessenta e dois mil e quinhentas pessoas, arredondando, em apenas um ano, o que dá a média absurda de 30,3 mortes para cada cem mil habitantes. Isso apenas no ano de 2016.
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São 172 pessoas assassinadas por dia, mais de 7 por hora. Muito maior número que a mesma estatística para a Europa. Isso em um país que vende a eterna ilusão de ser pacífico, amistoso. De boa, como dizem os mais jovens...
Mais que apenas a observação a respeito da escalada da violência, já que o número vem apresentando tendência de crescimento nos anos anteriores a 2016, o que mais choca é o fato de que 71,5% dos homicídios foram de jovens, pretos ou pardos.
Apenas em relação aos negros, o Atlas revela que a média supera os 40 por 100 mil habitantes.
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Falar que a maior parte dessas mortes se dá em Estados do Nordeste ou Norte do país, é uma informação relevante. Lembrar que os números mostram a escalada justo nos anos em que a crise da economia brasileira se tornou mais aguda também pode dar alguma contribuição para o entendimento da questão.
Mas não é suficiente para explicar porque mais de 70% das vítimas são jovens. São pretos. São pobres. Pode-se até arriscar: moradores em comunidades da periferia.
Um verdadeiro e autêntico genocídio.
Do mesmo tipo que já foi colocado em prática no Brasil colônia, em relação aos negros escravos, embora isso não fosse considerado preocupante por um país que cada vez mais quer eternizar o poema de Affonso Romano de Sant'anna, que afirma que há 500 anos matamos índios e mulheres e pobres e pretos. Especialmente jovens, pobres e pretos, como eu mesmo já comentei nesse espaço em postagem de 2017.
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Ainda agora no portal UOL há uma chamada de que até 5 mil índios e estudantes quilombolas podem ser obrigados a interromperem os estudos, por força de cortes de gastos nas bolsas permanência.
O que significa apenas a manutenção, especialmente dos quilombolas, como uma categoria de cidadãos de segunda classe.
Claro, o que alcança também à população indígena.
Coisas do des-governo temer.
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Aliás, antes de retornar ao tema cujo tratamento deu início ao pitaco de hoje, devo dizer que vou voltar a grafar o nome de Temer com maiúscula. A razão é simples: um reconhecimento de que nunca vi tanta incompetência. tanta inépcia, tanta prepotência juntas, essa última travestida, como é comum em que se arvora em forte, de insegurança.
O que faz Temer a qualquer instante ou problema que surja e que ele deve administrar, correr para a farda dos soldados, para fazer  uma analogia com aqueles meninos que, a qualquer mínima ameaça, correm para a saia das mães.
Temer, além de tudo, vai sair do governo e, diga-se de passagem, investigado e sujeito à condenação. Até por não ter feito nada em seu des-governo, além de dar asa a muita imaginação quanto a abusos em relação aos cofres públicos. Seu amigo coronel da reserva, PM Lima que o diga, flagrado com mais de 23 milhões em contas bancárias, isso depois da corridinha esperta de Loures, seu menino de recados.
A esperança que nutro é a de que para ele, nem se fala, nem se aventa em qualquer concessão de indulto. O que é uma garantia para nossa sociedade.
Por tudo isso, o mais corrupto governo, superando até mesmo o de seu companheiro de partido, Sarney, passo a respeitar sua distinção - nula- e volto a grafar Temer, com maiúscula.
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Mas comecei o pitaco com Fabiana, para voltar ao assunto da reação dos movimentos negros.
Acho que eles têm sim, que fazerem toda a manifestação do mundo possível, para resguardar os direitos que sempre lhe são devidos.
Toda essa postagem mostra esse quadro, e por isso, todos esses movimentos contam com minha mais irrestrita solidariedade.
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Exceto em relação à negra, de pele mais clara, Fabiana. Que me lembra do caso que aconteceu no início dos anos 60, talvez 61 ou 62, quando os concursos de miss eram tão famosos, em todo o país e no mundo.
Naquele ano, foi eleita miss Brasil, a mineira Stael Abelha, linda morena que, conta a lenda, não desejava viajar aos Estados Unidos para disputar o título máximo de miss Universo, como nossa representante, por temer ser desclassificada, como foi. Na época, a versão é que a desclassificação se deu por ter algum traço de sangue negro.
Outra versão diz que foram ciúmes de seu namorado que a fizeram abdicar do título nacional.
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Volto a Fabiana, não por achar ridícula a manifestação, em defesa de direitos negros, contra uma negra.
Mas por que os tais movimentos que merecem meu respeito, se equivocaram.
Afinal, o que é um teatro?
Uma busca na internet diz que é uma forma de arte em que um conjunto de atores interpretam ou representam uma história. Local onde o público vai para ver.
Ver arte!
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E o que é a arte?
Da mesma forma precária, poderíamos definir como a manifestação estética, de sentimentos, emoções, que se deseja transmitir para expressar ideias, percepções, que induzam a uma tomada de consciência, etc...
Está lá no google.
Como está lá também o fato de que, na Grécia antiga, onde a mulher não era considerada pessoa, ela não podia participar das representações das peças encenadas.
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E, por isso mesmo, os atores, homens, usavam personas, máscaras, que serviam para permitir melhor compreensão de sua fala, mas também para mostrar que, dependendo da figura da máscara, uma mulher ou outra, estivesse se manifestando.
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Minha memória é falha, mas acredito que foi em Marx (não me lembro em que passagem do texto, nem de que texto), que aprendi que persona do grego era usado apenas para representação do que se desejava mostrar.
Na passagem que a memória me traz, ele afirmava que  não tratava das figuras do capitalista ou do operário, exceto como personas. Sem entrar no mérito do juízo de valor individual de cada um. Tratava-os como as máscaras do teatro grego, para expressarem a representação de interesses de um grupo social.
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Pois bem, se desde a origem do teatro, e desde a Grécia, máscaras eram utilizadas pelos atores, para expressarem diferentes pessoas na peça, não haveria qualquer problema em se usar alguém branco e de sexo masculino, para representar D. Ivone Lara, se deixado claro que se colocava aquele ator, no papel de uma mulher negra genial.
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Foi assim que, quero crer, ninguém exigiu que se proibisse a representação nos espetáculos de ópera italianos, das figuras e vozes femininas, por jovens rapazes, submetidos até à tortura: os castrati.
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Ou seja, ao agir com agiu, os movimentos negros, demonstram antes de mais nada, uma ausência de conhecimento do que é cultura. O que apenas agrava a questão do preconceito e da falta de respeito.
Respeito à arte, e sua mensagem.
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Por isso, acho que um filme de Lars von Trier, com Nicole Kidman, chamado Dogville é um primor de filme. Apenas ou até mesmo porque faz toda uma representação de uma cidade, das casas, etc. a partir de marcações a giz dos ambientes, que são apenas imaginados.
E olhe que é um filme espetacular, e dos mais violentos, na representação do que é o ser humano, a que já assisti.
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Concluo: na arte, não há necessidade de o negro ser negro, nem do homem ser homem ou da mulher ser mulher; da criança ser criança, como os Autos de Natal nos mostram bem, na representação de soldados, Maria e José e até dos reis magos, por meio de crianças.
É isso.
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Mais poder aos negros. Mais respeito. Mais dignidade. Aos jovens, aos pobres, aos que vivem nas comunidades. Mais respeito também à arte. E à denúncia a que ela pode servir, mesmo que para denunciar o genocídio contra os negros, sendo a representação dessa realidade moderna, feita por atores/atrizes brancos. Brancos, mas conscientes de que somos todos iguais.