quinta-feira, 18 de julho de 2019

A reforma da previdência e a extinção dessa instituição

Não há como negar que tenho encontrado cada vez mais dificuldades para acompanhar, entender, analisar e redigir esses pitacos.
E olha que tenho feito força para tentar acompanhar a nossa realidade, por mais surreal que ela se manifeste. 
Senão vejamos.
Cumprindo promessa feita, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não só conseguiu colocar a proposta de Emenda Constitucional da Reforma da Previdência em votação em primeiro turno, como conseguiu aprová-la por uma esmagadora e inacreditável maioria, de 379 votos a favor. E isso, antes do recesso parlamentar de julho.
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Tamanha proeza, não passou despercebida aos analistas políticos, unânimes em creditar ao desempenho de Maia, a vitória. 
Mas, em minha opinião, seria o caso de se perguntar: Vitória? Vitória de quem, cara pálida?
Porque inegavelmente, embora inerte e sem condições de esboçar qualquer reação, por menor que fosse, a aprovação do primeiro turno não representa uma vitória do povo brasileiro.
Talvez sem se dar conta, o que a proposta tão cara a Maia promove é, tão somente, amputar, sem qualquer preocupação com anestesia ou assepsia, os direitos previdenciários da maior parte do povo brasileiro. 
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E gera justamente, de forma radical, aquilo que já estava embutido na proposta original do banqueiro Guedes, a implantação do regime de capitalização. Privilegiando a previdência individual em contraposição à previdência social. Eliminando o regime de repartição solidária intergeracional, pelo mais estreito, mas liberal, individualismo. 
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Por que fica claro que, dadas as condições de qualificação da maior parte de nossa mão de obra, e suas condições de trabalho, ficará cada vez mais difícil para um trabalhador comum, atuando sob condições mais adversas, conseguir alcançar os novos limites legais, de 65 anos homem, e 15 anos de contribuição. Em trabalho formal. 
Em um país que, perversamente, já fez  uma reforma trabalhista que em nada contribui para a manutenção do emprego formal por esse trabalhador. 
E pior, que continua fazendo essa reforma trabalhista, concluindo o trabalho sujo iniciado por Temer, e tão em sintonia com os interesses empresariais. 
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Mas, admitindo-se que o trabalhador, mesmo não tendo garantia de qualquer estabilidade em algum emprego, consiga alcançar os 15 anos de contribuição com a idade mínima exigida, o que veremos é a massa trabalhadora tendo assegurada apenas um percentual reduzido de sua remuneração da ativa. 
E, apenas para registro, se chegarmos ao absurdo de permitir o retrocesso do trabalho infantil, a partir dos 9, 10 anos de idade, conforme proposta desse presidente que consegue, sem sombra de dúvida ser o mais tosco, ignorante, que o país já viu. 
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Ok. Não houve, ainda tal proposta de adoção do trabalho infantil, como política de saúde pública, para livrar as ruas de meninos drogados. Mas... estamos a caminho. E muita gente de caráter boçal (no sentido original do termo, relativo à escravidão), ainda tem coragem de se manifestar favorável à tão estapafúrdia ideia. 
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Então dando asas à imaginação, aprovada a jornada, que pode até ser reduzida para menores, esses trabalhadores não terão condições ou tempo para  se dedicarem aos estudos. (A prova de que trabalhar de criança prejudica o desenvolvimento intelectual e a educação da pessoa, é prestada pelo próprio Bolsonaro!)
Sem maior qualificação, essa massa de jovens não irá conseguir empregos em condições que lhes permita nem um emprego decente, nem uma condição de negociação de salários com seus empregadores. Nem estabilidade. 
Lembremos que, tampouco o Exército, cada vez mais acossado por restrições orçamentárias, terá condições de servir de repositório para tais cidadãos sem formação. 
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O que a reforma da Previdência nos proporciona é, pois, um quadro de trabalhadores que terão que se sujeitar a trabalhar a vida inteira (e, talvez, mais seis meses...), sem conseguir uma remuneração digna quando sua força laboral estiver desaparecido. 
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A grande maioria da população, portanto, não terá aposentadoria, nem poderão ser acusados de responsáveis pelo déficit da Previdência. De resto, essa instituição não conseguirá assegurar fontes estáveis de recursos, acabando por se desmoralizar, ampliar o rombo, até ser completamente extinta.
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Em relação a parcela que está longe de ser majoritária, mas ainda assim, de proporções significativas em nosso país, a assim chamada classe média, aquela que tem maior qualificação, empregos de melhor qualidade e melhores condições de negociação salarial, ou ainda aquela camada que forma o grupo dos profissionais liberais de nosso país,  de bom grado irão comportar-se como desejado por seus patrões: correrão para a Previdência complementar, carreando parcela de suas rendas para os tubarões do mercado financeiro. 
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Essa casta de pessoas mais privilegiadas, justamente em reconhecimento àqueles que lhes permitem viver nas franjas do poder, com que se iludem, acabam sem perceber prestando relação de vassalagem e servidão tão ou mais agressivas que a classe mais desfavorecida. 
E, por isso mesmo, irão fazer a alegria dos bancos. 
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Mas, não deverão se aposentar também. E não por qualquer maldade que lhes reserva o futuro e sim por outra razão, mais séria e não tratada até agora. 
O que nos remete a essa outra razão. Não sem antes concluir o comentário inicial de nosso pitaco.
Visando obter um protagonismo tolo, Rodrigo Maia, ao ver tanto discurso de desconstrução e ruptura institucional de Bolsonaro e dos energúmenos que lhe seguem, reagiu como qualquer criança. 
Parece que para Maia a situação apresentou-se da seguinte forma: se a sociedade, embalada pelo discurso anti-democrático, fascista do presidente e seus gurus, está sendo cada vez mais atirada contra o Congresso, cabe pois ao Legislativo mostrar sua altivez. Dessa forma, cabe tomar do Executivo a sua proposta, alterá-la de alguma forma, e fazer a reforma passar, para mostrar que o Congresso está operando. 
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Mas, a proposta que está aprovada é a do Governo, com necessárias críticas e alterações, é forçoso se reconhecer, como a questão do trabalhador rural e do BPC, e até mesmo com a questão da capitalização. Embora essa última, como já dito acima, descendo por vias tortas, goela abaixo da sociedade. 
E não apenas a proposta aprovada é a do Governo, com espaço suficiente para agradar a categorias especiais, como os militares, as forças policiais e até os empresários do agronegócio (perdoados em algo como 84 bilhões de reais de dívidas!), como para sua aprovação, mais uma vez o Executivo foi peça chave, na compra de votos, agora travestidos sob a feição de emendas orçamentárias, de caráter impositivo, algumas.
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A abertura do cofre, retomando a velha política de coalizão e corrupção que tanto o pessoal que ocupa o poder denunciava, foi peça tão importante para a aprovação da PEC em primeiro turno, quanto o trabalho de interlocução de Maia. 
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E o que precisava ser realmente discutido não foi colocado em pauta em qualquer instante: a situação da Previdência no país. Um país que está envelhecendo, em que o crescimento populacional tem dado demonstrações de que não irá conseguir, no futuro imediato, nem mesmo manter o ritmo de substituição de mão de obra. 
Um país que, sob a tormenta da inovação tecnológica, cada vez menos terá condições ou necessidade de gerar ou manter empregos de grande parte de sua população. 
Esse último fato, o efeito das mudanças tecnológicas cada vez mais tirando espaço também de grande parte de nossos profissionais liberais, e da classe média que se acreditava acima do bem e do mal. 
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Nenhuma dessas questões foi levantada, de forma séria, pela imprensa, embora objeto de discussões por quem está, de fato, interessado em debater o problema e estudar soluções possíveis, sem ter que ficar prestando retribuições aos favores obtidos junto ao capital financeiro. 
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A reforma - não séria, nem necessária sob a forma que agora foi conduzida - foi aprovada, mas não se mostrará nem mesmo capaz de atender aos interesses do mercado financeiro, exceto no curtíssimo prazo. Porque em relação às contas públicas, atenderá muito menos ao que era necessário. 
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Até porque, a Previdência, parte da Seguridade Social consagrada na Constituição de 88 não apresenta déficit, como já mostrado pela tese da professora Denise Gentil e vários outros estudos. 
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Menos ainda irá contribuir para o crescimento do país. Que só apresentará algum soluço nesse final de ano, em razão das medidas populistas de Guedes, para favorecer a demanda agregada e a elevação do consumo, o que é no mínimo o reconhecimento da incapacidade de Guedes e suas teorias voltadas para o "supply side economics"  de funcionarem. 
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A liberação parcial de recursos do FGTS, mesmo contas ativas, e de PIS, são medidas paliativas, positivas. Mas não terão o alcance que se estima. 
A grande maioria da população irá aproveitar para sacar os recursos e pagar dívidas voltando a limpar o nome. 
Com o nome limpo e crediário reabilitado, poderá sim, ocorrer uma elevação do consumo, mas de fôlego curto, se algum.
Porque não devemos nos esquecer que, como bom gato escaldado, quem conseguir quitar seus compromissos irá pensar muito antes de retomar, num momento de desemprego elevado e ocupações precárias, novos compromissos. 
Não podemos esquecer que a população aprende com os traumas vividos, e que a psicologia social não recomenda que se comemore uma inesperada reação de vendas. 
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Enquanto isso, Moro e seus asseclas continuam blindados, já que do esquema, como cada vez vai ficando mais claro, fazia parte também pessoas de conduta ilibada, como Fux, Fachin (Aha! Uhu! O Fachin é nosso!!!) e até o promoter Barroso. 
Disso, e da falta de caráter, para não afirmarmos categoricamente que a turma de Curitiba estava cometendo crimes, já que há apenas em tese essa possibilidade, falamos em outro pitaco. 
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Da indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos Estados Unidos, e da vergonha da decisão provisória de Toffoli de suspender os inquéritos contra Flávio Bolsonaro e, de quebra, o amigo "in pectore" Queiroz, também tratamos em outros pitacos. 
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É isso. 


quinta-feira, 27 de junho de 2019

Desatinos a conta gotas

A conta gotas.
Dessa forma, tem funcionado o governo Bolsonaro e sua fantástica fábrica de geração de factóides.
Á la Jânio Quadros, que em meio a uma crise econômica sem precedentes em nosso país (considerada por vários economistas de renome, como a primeira grande crise de caráter industrial do país), e um conjunto de medidas na área das relações exteriores que conseguiram desagradar a toda a sua base de apoio, encontrava tempo para se dedicar às questões que, em sua visão, reclamavam a adoção de medidas de urgência urgentíssima.
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Foi assim que em seu curto período de "reinado" além de condecorar com a mais alta comenda do país a ninguém menos que o líder guerrilheiro "Che" Guevara, de reatar relações com países do chamado mundo comunista ou cortina de ferro, de adotar uma reforma cambial que promoveu uma desvalorização de nossa moeda que redundou na realimentação da inflação, o presidente da vassoura encontrou tempo para tratar de questões como a proibição do uso de biquini, ou do lança-perfume nos bailes carnavalescos. Ou ainda a criminalização da briga de galos...
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Sem entrar no mérito específico de cada uma das medidas citadas - afinal, a decisão de proibir e criminalizar a briga de galos seria considerada hoje como de grande relevância-, as preocupações de Jânio naquela oportunidade não têm como não nos vir à memória, para servir como base para comparação com Bolsonaro, o Messias.
Até mesmo em relação aos famosos bilhetinhos, que ficaram como marca da gestão Jânio, utilizados para a manifestação de suas preocupações, ordens e recomendações.
Bilhetinhos, hoje, substituídos pelo twitter e outras redes sociais.
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Na onda de desatinos que vimos acompanhando, e na falta de qualquer qualificação e de proposta séria para o exercício do cargo que parte da população lhe conferiu, o Messias deixa toda a gestão da crise econômica séria em que o país está mergulhado (a mais lenta recuperação de uma crise econômica de toda nossa história) para seu posto Ipiranga, Paulo Guedes.
O que não o impede de, talvez por desconhecimento, acabar interferindo em decisões econômicas como a da fixação de preços de combustíveis, ou outras que, não sendo diretamente relacionadas à política econômica, acabam tendo relações íntimas com aquela área sensível. Como, por exemplo, o projeto de lei que cuida da forma de governança das agências reguladoras.
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E, para não deixar dúvidas no ar, quando no parágrafo anterior, levantei a hipótese de desconhecimento do presidente, não estava me referindo apenas a questões econômicas em si. Mas desconhecimento em relação ao próprio perfil do ministro que ele escolheu para comandar a Economia do Brasil e seu caráter liberal até a medula.
Caráter que pode sempre ser um ponto gerador de conflitos e discórdias com o comportamento autoritário e desatinado do Messias.
Que pode ser cristão e até messiânico, mas não é onisciente. Nem Deus.
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Dentre os desatinos, a própria escolha dos nomes de integrantes de seu ministério, anunciado como a equipe do governo empenhada em combater a corrupção e o crime organizado no país.
Claro, sem contar o Queiroz e suas relações perigosas com Flávio Bolsonaro, ou com a milícia no Rio de Janeiro. Ou ainda sem fazer menção aos amigos dos filhos e até do próprio Messias, todos devidamente condecorados em reconhecimento por relevantes serviços prestados. A grande maioria dos quais devidamente presos, por envolvimento com o crime organizado.
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Mas, para não ficar apenas no núcleo familiar, é importante que a lista - extensa -, seja lembrada.
Afinal, o raivoso e dedicado general Augusto Heleno, aquele dos socos na mesa e das acusações a Lula e até da hipótese de retorno da prisão perpétua, foi homem de confiança, na Confederação Brasileira de Volei, de Nuzman, hoje reconhecido corrupto, embora fazendo companhia ao Queiroz, ou seja, bem distante das grades.
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Do general histérico, nem devemos nos referir ao Haiti, e sua passagem por lá, voltada para a promoção da  "limpeza"  daquele país.
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De Moro, não é preciso dizer mais muita coisa. Suas ações o definem. Sua falta de compromisso para cumprir as leis, mostram a ausência de qualquer traço de caráter, mesmo que sob a justificativa, não aceitável em qualquer circunstância, de fazer justiça.
Bom lembrar: no início do governo, questionado sobre a acusação feita a Onix, o ministro da Casa Civil, do crime de Caixa 2, o nosso super-herói no combate ao crime da corrupção argumentou que o colega já havia reconhecido o erro e pedido desculpas.
O mesmo ex-juiz de figura ridícula que nada fez em relação seja ao Queiroz, seja às investigações que nunca chegam aos verdadeiros mandantes do assassinato de Marielle, seja às acusações ao seu outro colega, agora do Turismo.
Isso para não falar das mensagens e juras de amor e fidelidade, trocadas com Dallagnol...
Ou ainda dos aviões da FAB, e suas carreiras internacionais...
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Vê-se, pois que o paralelismo do Messias com Jânio não pode abranger a questão da honestidade de propósitos daquele que usava a vassoura para promover uma limpeza e o combate à corrupção, contra esse que usa das armas, ou arminhas, para o mesmo trabalho de limpeza. O que, sabemos, se aplica apenas aos inimigos, vermelhos, comunistas, e é apenas figura de linguagem, ou tropos, em relação aos amigos e familiares.
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Mas, não contente com a questão de como trata a corrupção, o Messias se preocupa em não se tornar rainha da Inglaterra, não acatando o funcionamento das regras do jogo democrático, onde o Congresso tem peso, junto ao Judiciário.
Afinal, o que significa, senão uma tentativa de ir para o confronto, as manifestações de desprezo por votações e decisões das casas Legislativas, senão o intuito de criar condições para que a já conflagrada sociedade brasileira se arraste para uma luta fratricida.
Por que é disso que se trata quando o Congresso decide que a demarcação de terras indígenas deve permanecer na estrutura da Justiça, e ele insiste em passar a atribuição para a pasta da Agricultura, em desprezo pela decisão emanada do outro poder.
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O mesmo se dá no tocante à liberação de porte, e até posse de armas. Derrotado em seus decretos originais, dentro da conformidade do regime legal em vigor no país, ele retoma, na Câmara, a ideia que o move - de que segurança não é atribuição do Estado, mas do indivíduo- e reedita com modificações superficiais, em três decretos, o que já foi decidido no Senado.
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Como disse Airton Soares, em seus comentários no Jornal da Cultura, ou o presidente usa mesmo de má- fé, ou é o mais mal assessorado presidente da história recente, especialmente nas relações com o Congresso.
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E, em meio a esse torvelinho de disputas e queda de braço, de frituras de auxiliares sem qualquer pudor, de desrespeito, prepotência, grosseria e deselegância, o presidente ainda quer, segundo suas palavras, mostrar que a Alemanha e outras nações mais avançadas é que têm que aprender com nosso país, e seguir nossos exemplos, em questões de meio ambiente, etc.
Em sua afirmação, agora e daqui para a frente, o governante do país não irá mais ter sua atenção chamada e ser repreendido por líderes de nações europeias, que não têm condições morais para adoção de tais comportamentos.
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Bolsonaro, com tal discurso, apenas se aproxima cada vez mais da solidão de Trump. E relega o país à situação de exemplo do que há de mais atrasado, ridículo e autoritário em todo o mundo.
O que só faz com que o país perca posições no cenário internacional e deixe de ser convidado para participar dos encontros em que têm acento aqueles que sabem se fazer respeitar.
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Deixando essa situação de lado, temos a sucessão de preocupações que assolam a nosso presidente em suas redes sociais, desde o "golden shower" carnavalesco, até a higiene com o pênis, ou ainda a preocupação com a indicação de um evangélico para a Corte Suprema de um estado laico, como também a preocupação com a tomada de três pinos, ou agora mais recente, o apoio à construção do autódromo do Rio de Janeiro, e a certeza manifesta de que fórmula 1, doravante, passará a se realizar naquele estado.
Como se o Rio já não tivesse problema de sobra para ir arranjar mais esse, de construção de outro espaço inútil.
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E a lista ainda pode se agravar, com a consideração da exclusão de ilicitude penal por ele tanto desejada , em relação às ações, atitudes e comportamento das forças de segurança.
O que transformará qualquer soldado de esquina, desses que podem também ser usados para fechar o Supremo, em um verdadeiro 007, com licença para matar.
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Semelhanças com Jânio, claro que existem. Como diferenças, porque Jânio era um homem ao menos esclarecido, e se se envolvia com coisas de menor importância, não tinha essa formação e essa visão de que o que não agrada, ao invés de respeito, deve passar por processo de desmoralização, até que seja extirpado finalmente do cenário.
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Por mais lamentável que isso seja.
O que me leva a concluir o texto com uma incerteza em relação ao título do pitaco. Seria tudo isso um desatino, ou parte de uma estratégia maquiavélica, de diversionismo visando a implantação de um projeto de sociedade, em minha opinião, completamente distópico?

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Protagonismo de Guedes mostra lacunas em seu caráter, ao menos de solidariedade. E os vazamentos de Moro... que podem, e os que não podem

Uma semana repleta de leituras, diferentes interpretações  e novidades. Assim pode ser caracterizada a semana compreendida pelos dias 10 e 14 de junho.
No intervalo, entre os desmentidos, as mentiras, e o jogo de dissimulação provocado pelas reações do ex-juiz e seu bando de amigos da Procuradoria, também conhecida pela alcunha de República de Curitiba, a paralisação do dia 14.
Longe, muito longe de poder ser caracterizada como uma greve geral. E ao mesmo tempo, com uma participação popular que poderia ser classificada como impressionante, pela capacidade de aglutinar milhares de pessoas que ocuparam a Av. Paulista, em São Paulo, e vários quarteirões da Afonso Pena,  na capital mineira.
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Verdade que o principal motivo da manifestação, a Reforma da Previdência trata de uma questão que afeta a um público maior que aquele presente nas ruas. Mas, também é verdade que a maior parte dos debates, das notícias, dos anúncios, dos comentários sobre a Previdência, sua crise no Brasil, e a necessidade de promoção de alterações, além das propostas apresentadas não foram nunca adequadamente tratadas e debatidas.
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Que o regime de Previdência tem atravessado um período de crise em todo o mundo, especialmente maior longevidade que aqueles que são seus beneficiários têm  ostentado, não se discute.
Afinal e felizmente, uma das consequências consideradas mais benéficas do progresso de nossas sociedades, tem sido o avanço da medicina e de sua capacidade em assegurar maior tempo de vida, com maior qualidade para todos nós.
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Vivendo mais tempo, e aposentando depois de respeitados tempos obrigatórios de contribuição, independente da idade da pessoa ao se aposentar, verifica-se que, mesmo naqueles países em que existe a definição de uma idade mínima (o que não é o caso do Regime Geral de Previdência no Brasil), a Previdência de tempos em tempos enfrenta um problema sério: a expectativa de vida elevada e a atualização dos valores a serem pagos em todo esse período de vida como aposentado, indica uma fragilidade bastante consistente, comparada ao montante do fundo capitalizado (individualmente ou coletivamente) para financiar essa despesa.
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Foi assim no Japão, por exemplo, quando o governo resolveu elevar as idades mínimas limites para a aposentadoria, bem como as contribuições a serem pagas pela população. Como foi assim em outros países da Europa.
Em comum, sempre tais alterações ou reformas, acarretam manifestações, nem sempre disciplinadas, dos atingidos pelas mudanças.
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Então, as manifestações aqui realizadas são típicas do jogo democrático, juntando especialmente aqueles que se consideram os mais atingidos, tanto em seus direitos futuros, quanto em sua expectativa de direitos.
E, se aqui no Brasil as manifestações não são maiores, embora sejam importantes até como instrumentos de pressão sobre os políticos que deverão dar seus votos a favor das reformas, em parte isso é reflexo da nossa mídia, dos órgãos de comunicação que permitem que inverdades ou meias-verdades sejam disseminadas, contribuindo para a desinformação da maioria da população.
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Infelizmente, a ação das empresas da mídia tem a ver com seus interesses particulares, muito mais que com a obrigatoriedade de, detentoras de concessões públicas cedidas pelo governo, ajudar na divulgação da realidade da situação previdenciária no país.
Então além de não informar, a imprensa desinforma. Quando muitas vezes, sem qualquer análise crítica, procura atender ao interesse do governo e do governante de plantão, confundindo atender ao interesse público, do povo, com o interesse de quem está no poder.
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Ok, Devo admitir que estar no poder é sinal de que tem respaldo público, mas não necessariamente da maioria da população do país.
Afinal, aqui no Brasil, nas últimas eleições, o desencanto com a política em si mesma e seu exercício, levou ao poder um candidato derrotado pelo número de eleitores que, desencantados, optaram por anular seu voto, votar em ninguém, sem contar o fato de que ainda havia mais de 40 milhões de eleitores que se manifestaram pelo candidato da oposição.
Ou seja: Bolsonaro ganhou o governo, mas não é o porta-voz de anseios de toda a população. Longe disso.
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Mas, os interesses das empresas da imprensa ainda se unem aos interesses de outros grupos de capitais associados, como os bancos que as financiam e que, nesse momento de crise econômica e e crise das empresas da mídia, exigem divulgação parcial, apenas daquilo que favorece aos seus lucros.
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É isso que explica o porque da discussão da reforma ser tudo, menos democrática. E os comentários e análises terem de tudo, menos o chamado contraditório. Com opiniões contrárias sendo escamoteadas, ridicularizadas, ou apenas relegadas ao esquecimento.
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Mas, dito isso e perdido algum tempo com essas divagações, a semana foi também de leitura do Relatório da Reforma da Previdência, feita pelo relator, deputado Samuel Moreira e, posteriormente das interpretações daquele texto.
E nessa hora, em que há que se reconhecer que o projeto de Reforma encaminhado ao Congresso pelo governo foi aperfeiçoado em vários de seus aspectos, não pode passar despercebido o papel e os chiliques do ministro tigrão da Economia, o irado e raivoso e irônico Paulo Guedes, que em suas horas de lazer e folga, junto aos banqueiros seus colegas e amigos, deve se contentar em ser apenas um tchutchuca.
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Participando ativamente da grande usina de crises em que o governo se transformou, como bem disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ministro da Economia resolveu assumir o protagonismo de vez, nas hostes ou para agradá-las bolsonarianas.
Assim, veio a público criticar o relatório que se curvou à pressão dos funcionários públicos, principalmente aqueles do Congresso,e retirou 30 bilhões de economias da sua proposta original, por ter flexibilizado as regras de transição para o novo regime.
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Em boa hora, mais uma vez Maia defendeu seus pares, alegando que a proposta do relator era muito mais rigorosa que aquela que o próprio Guedes enviou ao Congresso, para cuidar das regras de transição dos militares.
O que serve para mostrar, de contrapeso, como Guedes consegue ser sabujo. E bajular aos seus patrões.
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Aliás, outro não é o motivo de seu histrionismo, ao alegar que a reforma, se feita conforme o Relatório, irá destruir a Previdência.
E aqui o problema não é nem o BPC, que felizmente não será alterado, como queria o tigrão para os idosos pobres, nem a aposentadoria do trabalhador rural.
Na verdade, a questão central é o Regime de Capitalização, derrotado e excluído do relatório. Como tem sido derrotado e eliminado dos países que adotaram esse regime - em total de 30, em todo o mundo, e já arrependidos em número de 18.
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Mas se a ideia é ruim, porque a insistência de Guedes em sua aprovação e implementação?
Por que os fundos que a previdência e/ou uma poupança individual para a aposentadoria poderiam criar, e que seriam geridas pelos grandes bancos, alcança a casa dos trilhões de reais.
Dinheiro demais, a custo muito reduzido, se algum, para ficar à disposição de bancos financiarem grandes interesses de agentes financeiros em suas operações especulativas nas bolsas, ou de megacorporações.
É essa fábula que Guedes, o tchutchuca do sistema financeiro se comprometeu a entregar aos seus colegas, e agora "patrões",  e que ele não poderá honrar.
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Logo ele, oriundo do sistema financeiro, ex-diretor de banco, ex-gestor de Fundos com operações suspeitas de vários milhões de reais em negociações, conforme a CVM, ávido para entregar os fundos da previdência para a gestão de seus camaradas....
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Por isso sua reação inusitada, seu esperneio...
E a tentativa de jogar para a claque de Bolsonaro, para ver se a pressão das redes sociais desse bando de idólatras consegue demover os deputados de suas convicções (se alguma...) fazendo retornar, em plenário essa semente do mal.
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Para isso, Guedes não hesita em queimar antigos amigos, desfazer-se de amizades. Jogá-las aos leões.
Por isso, esse capacho que ocupa o ministério da Economia, não se sentiu nem um pouco ofendido por ter visto Bolsonaro entrar em sua área, para sugerir que a Petrobras não aumentasse o preço de combustíveis; nem para proibir que propagandas fossem feitas pelo Banco do Brasil, de novo sem conhecimento de Guedes.
Agora, a conversa direta com um subordinado seu, sem seu conhecimento.
Afinal, foi o próprio Bolsonaro que afirmou que falou ao Levy que ou tirava o diretor indicado, ou na segunda feira, os dois estariam na rua.
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Fosse do conhecimento de Guedes o desejo manifesto pelo presidente, o mínimo que esse ex-banqueiro deveria fazer era dizer ao seu patrão que ele resolveria o problema internamente.
Até com a saída, mais honrosa, de Levy.
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Mas na verdade, o que esse ministrinho sem qualquer pejo (para ficar mais claro, sem qualquer vergonha ou pudor) está fazendo é calar-se para dar a entender que está preocupado com a pauta de seu chefe. Nem que para isso, tenha que demitir Levy, por esse ter seguido a legislação financeira e bancária, que impede que certas cláusulas contratuais tenham seu conteúdo aberto a conhecimento público.
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Nem Levy é bobo em incorrer em crime para agradar à miopia persecutória de Bolsonaro, nem o próprio Guedes desconhece que, a abertura desejada por seu capitão pateta dos financiamentos feitos pelo Banco, pode acabar criando instabilidade e medo em eventuais empresas/empresários internacionais, com intenção de investir no país.
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Mas vale passar a imagem de que ficou ao lado do presidente, seja porque o seu subordinado não abriu a "caixa-preta" do Banco, seja por que não repassou mais dinheiro do Banco ao Tesouro - quem sabe até porque tal medida poderia ser considerada, depois uma espécie de "pedalada".
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Se Guedes ficou chateado com Levy pela sua dificuldade em repassar os empréstimos ao Banco feitos pelo Tesouro, é mais compreensível.
Afinal, é na mão desse ministrinho liberal que pela primeira vez a Regra de Ouro teve de ser alterada para conseguir cobrir o rombo que ele, do alto de sua competência não conseguiu fazer.
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Por isso, acena com a crítica à Reforma da Previdência, para agradar aos seus aliados no mercado financeiro. E para conseguir o apoio das classes empresariais produtoras, já que a capitalização desenhada contém também a destruição da segurança ao trabalho, que a legislação trabalhista tentou, mas não conseguir atingir.
Ou apenas para mostrar - além de sua falta de caráter, e solidariedade, que joga o que seu mestre mandar. E deixa sua defesa ser feita por adoradores de mitos em redes sociais.
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De Moro, dizer o que? Depois que o pacote de medidas contra a corrupção e a criminalidade que ele apoiou e encampou propunha que qualquer prova poderia ser usada no combate ao crime, independente da forma que fosse obtida, só restaria mesmo clamar agora, pelo crime do vazamento de suas conversas e conchavos.
Afinal, Moro é apenas um ministro de desculpas, escusas e descuidos. E vazamentos são algo típico de sua praia, desde que ocupava a cadeira de juiz.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Tudo ao mesmo tempo, agora: Bolsonaro, Neymar e MC Reaça

Impossível, nos episódios que assistimos e nos tempos que o país atravessa, não nos deixarmos ser influenciados por alguns acontecimentos tornados públicos, alguns de natureza francamente particular, todos igualmente trágicos.
Como não estamos alienados do mundo à nossa volta, tal situação permite que dramas particulares ganhem uma dimensão gigantesca, como que inflados justamente para ocupar o vazio de notícias relevantes ou fatos realmente importantes ou até mesmo da apresentação de debates saudáveis, sobre a nossa sociedade, nosso ambiente político, nossa economia.
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Antecipo que não quero que nossa imprensa, a mídia se preocupe a ficar apenas repercutindo atos e fatos considerados de caráter nobre, ou de espírito elevado.
Acho que uma imprensa assim, rósea ou candidamente influenciada pelo espírito de Pollyana seria muito chata.
E a verdade é que a imprensa pode até noticiar ou destacar, mas não é ela que cria os fatos. Os problemas. As tragédias.
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E, torpedeado por tais fatos, que de forma alguma nos dizem respeito e sobre os quais deveríamos nos abster de emitir juízos de qualquer espécie, acabamos sendo levados a participar, a emitir opiniões, apoiar ou torcer, manifestar-nos.
Ou ainda, no meu caso, a procurar refletir não apenas sobre os eventos e seus desdobramentos, mas sobre outras questões que os cercam, como a coincidência temporal dos acontecimentos.
E, ao dar margem para que o pensamento se transforme em passageiro dessa viagem que é o livre pensar, acabo estabelecendo algumas conexões, ligando alguns fatos que, sem qualquer vinculação causal entre si, dão margem a que cheguemos à conclusão de que, no universo, tudo conspira para que sua ocorrência se dê AQUI e AGORA.
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Senão vejamos: ocupa a presidência de nosso país, eleito democraticamente pela maioria dos eleitores que se dispuseram a ir às urnas, um político que sempre que se manifestou, o fez de forma a destacar sua visão machista, preconceituosa, homofóbica e autoritária.
Que em campanha o candidato tivesse explorado características auto-apregoadas de virilidade para se destacar e conquistar votos de uma parcela do eleitorado, pode ser compreensível, embora sujeito a críticas.
Mas, não devemos nos esquecer que esse candidato, já na oportunidade, sofria um processo movido pela deputada Maria do Rosário, sua colega de Câmara, por declarações com claro conteúdo de estímulo ao crime de estupro.
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Eleito presidente, esse candidato não perdeu a oportunidade, em várias ocasiões, de continuar manifestando sua intolerância, desde a escolha de ministros, como as Damares das cores de roupas, até a exibição em suas redes sociais de cenas do carnaval, com claro conteúdo erótico.  Mas não ficou preso na chuva ou chuveirada carnavalesca, passando a protagonizar piadas ridículas sobre o povo japonês, além de outras manifestações descabidas, como a da censura à peça publicitária do Banco do Brasil, ou a assinatura do decreto de armas, etc.
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E aqui devo dizer que, justiça seja feita, o presidente, apelidado de Cavalão quando ainda estava no Exército, nunca mostrou outra imagem ou apresentou uma imagem falsa de sua pessoa ou de sua índole. Se votaram nele, ainda assim, é algo que, mais tarde, afastado do calor dos acontecimentos, deverá ser objeto de pesquisas em psicologia social, de massas, para entender o que representava tal "mito", no imaginário de seus seguidores.
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A ascensão de Bolsonaro e o papel de destaque que passa a ocupar, cada vez mais, no entanto, gera um certo aval, uma sinalização positiva, um certo estímulo a que aqueles que têm mentalidade tristemente comparável à sua, se sintam à vontade para dar asas a sua imaginação.
O que pode ser, mesmo involuntariamente e sem que o presidente compactuasse ou aprovasse tais comportamentos, uma explicação para o aumento recente dos casos de feminicídio, ou de violências policiais, para citar apenas alguns.
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Pois é nesse mesmo momento que vem a público mais dois casos, com ingredientes que misturam alguns desses mesmos elementos, "incentivados" por Bolsonaro.
O caso triste e lúgubre de MC Reaça, cujo espírito em busca de paz o levou ao auto-extermínio, e o caso de Neymar Jr. essa figura cada vez mais perdida, e seu assessor principal, seu pai, cada vez mais patético.
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Esse pitaco hoje não é para julgar a ninguém, nem apoiar a qualquer das partes envolvidas, nem condenar a quem quer que seja.
Seu sentido é muito mais destacar que em ambos os casos, do MC e do jogador, havia a questão da figura do macho alfa envolvido, da mulher submetida e/ou vítima, de agressões que podem ter sido físicas e até morais, e de certos tipos de reações típicas da autoridade que perde o controle da situação, quando contrariado por quem devia prestar apenas e tão somente obediência.
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MC Reaça ao que parece, deixou-se dominar pelo pânico, pelo temor de ter cometido um ato bárbaro e de suas consequências. Do pavor de não ter como encarar sua esposa e as famílias envolvidas.
Dominado por violenta emoção, preferiu a busca da felicidade sob outras vestes.
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Quanto a Neymar, infelizmente parece ter mudado muito.
Lembro-me ainda de quando o elogiava por ter adotado um ato dificilmente visto entre os rapazes que começam a se destacar e ganhar dinheiro, de grande maturidade como o do reconhecimento de seu filho.
Lembro-me de como se portou em todas as ocasiões em que estava presente seu menino, todas sempre dignas de elogios.
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Até me vem à memória uma reportagem feita pela Folha, há muito tempo, em que seu pai dizia que, apesar de estar já milionário, Neymar ainda pedia dinheiro para comprar até um carro, por não estar sob seu controle a administração do que ele recebia. Tudo para mostrar como Neymar era humilde, simples e um bom menino.
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Pena que o gênio tenha se deixado alterar em tão pouco tempo, ou que a máscara que lhe queriam impingir não conseguisse se manter por muito tempo.
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É isso, que MC Reaça descanse em paz. E os demais atores de nosso pitaco tenham condições de analisar e, até rever  seus comportamentos.
Para o bem deles mesmos.
Para o bem do ambiente que estamos vivendo

terça-feira, 28 de maio de 2019

Manifestações em prol de quem de mito, passou a mico. Pior: um mico que flerta com o golpe

Posso estar enganado, mas aprendi desde pequeno que se alguém pede socorro, é porque se encontra ou se sente em situação de perigo.
No caso de pedir apoio, ajuda, é um reconhecimento (nem sempre ruim!) de que não está em uma posição de força. Não está confortável.
Raras vezes o pedido de auxílio é sinal de humildade ou alguma atitude especial, visando incorporar muito maior quantidade de pessoas em projetos, ações, propostas, de forma a dar-lhes a oportunidade de se sentirem participantes, sujeitos da ação. Mesmo quando a tarefa é, reconhecidamente hercúlea.
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Por outro lado, dentre as muitas lições que tive a oportunidade de aprender com minha avó, uma lição que nunca esqueci foi a de que, quando você tem alguma queixa ou reclamação a fazer, você deve procurar direto a pessoa que tem a responsabilidade pela solução do problema enfrentado.
Por mais que todas as pessoas devam sempre ser valorizadas, qualquer que seja sua função, dirigir uma reclamação àquelas pessoas que não  têm condições ou autoridade para resolver a questão, pode soar como simples desabafo, apenas uma atitude para chamar a atenção, sem qualquer efeito senão o barulho,  além de se tornar uma perda de tempo.
Desta forma, a fazer alguma reclamação, procure quem pode ter a solução e trate direto com essa pessoa.
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Refiro-me a essas recordações em razão do instante que nosso país atravessa, marcado pelo envolvimento do próprio presidente da República em convocação de manifestações públicas de apoio a seu governo. A ponto de ter manifestado, em várias ocasiões, a vontade de ir às ruas, congratular-se com o povo.
Ora, se de fato tivesse o apoio da população, ou ainda a certeza de ter tal apoio, seria no mínimo perda de tempo patrocinar tais convocações.
Afinal, ou se tem ou não se tem o apoio ou a certeza dele. E não deveriam caber dúvidas disso.
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Exceto que o presidente esteja se sentindo fraco. O que não é o caso, por suas intervenções, comemorando o resultado das manifestações por ele convocadas.
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E, se é verdade que o presidente não foi às ruas, como manda a prudência e o aconselharam seus assessores, sabemos todos que esteve presente ao menos no mundo virtual, em que passa grande parte do tempo em que deveria estar governando o país.
E, se as manifestações não foram um fiasco, ao menos conseguiram juntar um contingente de pessoas, sempre prontas a, posteriormente, acorrerem às redes sociais e acreditarem em fotos manipuladas, para expandirem o número de participantes significativamente.
Afinal, há uma certa percepção equivocada de todos que estamos presentes em algum evento, muito por força de nosso envolvimento emocional, de que o movimento é mais poderoso e tem mais presença de público que o que a realidade fria nos indica.
Coisas da visão distorcida da paixão.
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E, embora ao pedir apoio a seu governo, o presidente mostre que não é o mito que se apregoa, estando mais próximo de ser um grande mico, impressiona-me o fato de não procurar ir direto levar suas queixas ou demandas àqueles que têm a responsabilidade e competência para ajudarem a resolver a situação.
Afinal, se Bolsonaro foi eleito (democrática e desgraçadamente!), também os deputados e senadores foram escolhidos pelo povo para representá-los. E é com os membros do Congresso que o presidente tem a obrigação de se sentar e entrar em entendimentos.
Se é de fato seu desejo promover reformas que permitam que o país possa evoluir e voltar a ser uma nação rica, de economia em crescimento, emprego e mais justiça e igualdade de oportunidades para todos.
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O problema é que alegando que isso é o jeito velho de se fazer política, através de entendimentos, negociações, acordos e soluções de compromisso, o irresponsável que ocupa a presidência aproveita para lançar sobre toda a classe política a pecha de corrupta e venal.
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Talvez por ter estado quase 30 anos no Congresso, vivendo nas sombras, nos espaços onde se realizam as negociações mais escusas e indecentes, o presidente tenha ficado tão viciado como o fumante de boca torta do cachimbo. E, a partir daí, acredite que todas as negociações sejam negociatas. Sempre abjetas.
O que o faz se recusar a se reunir e discutir qualquer assunto de caráter mais nobre. Mesmo que de discutível resultado para o povo, último beneficiário das medidas.
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Porque ou é isso, ou vai ficando cada vez mais claro que a intenção do presidente é muito mais autoritária, muito mais truculenta. Ou seja, suas reformas devem passar como ele as desenhou, sem qualquer espaço para alterações, mesmo que para seu aperfeiçoamento.
Especialmente porque aperfeiçoar as medidas, no sentido do atendimento aos interesses do povo, significa muitas vezes obrigar outros setores mais poderosos, a abrirem mão de todos os benefícios e vantagens que idealizaram.
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Digo isso, mas acho que, no fundo, o que move Bolsonaro não é o desejo de fazer o Congresso se amesquinhar, se apequenar e passar, por temor, a aprovar tudo que seu mestre enviar e mandar.
Pior que isso: acho que, no fundo, o que esse presidente deseja é fechar o Congresso, com apoio da população ou parte dela. No fundo, o que ele parece desejar é fechar tudo e, como já citado por um de seus filhos, mandar um cabo e um soldado para fechar até o Supremo.
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Importa observar que nessa função de jogar a Constituição na lata de lixo, a julgar por declarações que apenas mantiveram o mesmo tom e conteúdo das emitidas pelo presidente, Bolsonaro conta com o apoio de, ao menos, seu Ministro do Gabinete da Segurança Institucional, o general linha dura Augusto Heleno.
E confesso, que fiquei surpreso ao procurar pesquisar de que se trata a tal Segurança Institucional.
Porque, ingenuamente, acreditava que era o general responsável por cuidar da Segurança das Instituições do Brasil.
Mas, qual não foi minha surpresa ao descobrir que o cargo tem a função de prestar assistência direta e imediata ao Presidente, assessorando pessoalmente em assuntos militares e de segurança.
Logo, nada a ver com respeito às Instituições. Nem, necessariamente ao livrinho.
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Para ser justo, devo admitir que muitos que foram às manifestações, provavelmente repeliriam um golpe como o prenunciado.
Como foi dito pela imprensa, apenas uma minoria de pessoas, a pior espécie delas, as ressentidas, podem ter essa ambição, ainda não escancarada totalmente.
A maioria, pode sim ter ido às ruas para aprovar a reforma da Previdência de Paulo Guedes ou melhor dizendo de seus patrões do mercado financeiro.
Ou o pacote anticorrupção de Moro, o juiz que prende e arrebenta, desde que não seja colega de ministério, ou tenha mostrado arrependimento de práticas delituosas, como nos casos dos ministros da Casa Civil ou do Turismo.
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Alguns podem até achar mesmo que o COAF, que sempre esteve ligado ao Ministério da Fazenda, onde tinha autonomia e independência até para poder fornecer subsídios à Lava Jato, deveria ir parar sob o comando de um ministro desmoralizado, que poderia interromper investigações, especialmente contra colegas, filhos e outros que tais.
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Mas, que eu gostaria de ter acesso a resultados de pesquisas com tais pessoas, bem intencionadas, para poder avaliar o quanto se deixam iludir com as propostas que defendem sem conhecer, isso é fato.
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De minha parte, afirmo que tais reformas não irão permitir o país voltar a crescer. Até mesmo as contas do governo, é discutível que possam ter melhoras imediatas ou de médio prazo.
O país vai continuar tendo corrupção, por que isso é da parte podre da nossa sociedade, aqui ou em qualquer lugar do mundo.
A Previdência, em especial a proposta de capitalização, irá apenas aumentar a desigualdade e a conflagração entre os brasileiros.
Iremos sucatear nossa educação superior, de qualidade elevada, mas não iremos nos incomodar, já que meninas continuarão usando rosa e meninos se vestirão de azul.
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Sobretudo um alerta: Bolsonaro flerta com o golpe. E tem cheiro de golpe no ar.


segunda-feira, 20 de maio de 2019

Aproxima-se o Caos; ele atende pelo nome de Bolsonaro e na teoria da conspiração que formulo, foi plantado ali pelos militares linha dura de outrora


A verdade é que, a cada dia mais, em minha humilde opinião, fica difícil entender nosso país. A não ser que compartilhemos da ideia, que vinha sendo difundida já desde a campanha eleitoral, como galhofa, de que a posse de Bolsonaro, no primeiro dia de 2019, nos remeteria ao Brasil dos anos .... 60´s.
Pois bem, em 1961 tivemos a posse de Jânio da Silva Quadros na presidência do país, eleito com a espetacular marca de mais de 3 milhões de votos, para o cumprimento de um dos mandatos mais breves de nossa história republicana.
Como todos sabemos, Jânio, o Breve, não passou sentado na cadeira presidencial do dia 25 de agosto daquele mesmo ano, fruto de uma tentativa esdrúxula de golpe ou auto-golpe, que incluía o fechamento do Congresso, suportado por todos os seus eleitores.
A ideia, simples e engenhosa, era de ameaçar renunciar impulsionado por forças ocultas, para que os seus eleitores saíssem às ruas exigindo sua permanência e dispostos a intimidarem o Congresso e outros Poderes.  A oportunidade ímpar, já que dia 25, comemorava-se o dia do Soldado e, sendo essa data o início de mais um fim de semana, a carta renúncia – amplamente divulgada pela mídia, não seria lida em plenário tornando-a inútil.
Curioso era ter Pedroso Horta, ministro da Justiça do tresloucado líder, ter levado a carta – de existência concreta, real – à Casa Legislativa, na certeza de encontrar a Casa vazia, com a maioria dos deputados no se acotovelando no espaço que mais apreciavam na Capital Federal: o saguão do aeroporto.
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Os fatos hoje, já passaram à história, encontrando-se com Tancredo, uma das lideranças da oposição, e ao mencionar a carta, o matreiro político das Minas Gerais, correu ao seu gabinete de onde disparou telefonemas para o Aeroporto, solicitando que os deputados fossem comunicados de que deveriam voltar ao Congresso imediatamente.
A carta renúncia foi lida. O golpe de Jânio saíra pela culatra, o que foi reconhecido por ele mesmo, em aula/palestra que proferiu na FGV São Paulo, em que estive presente, em 1977/78.
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Agora, passados quase 60 anos de tal narrativa, vemos o presidente, o tenente sem noção afastado das Forças Armadas, em um acordo para não ser excluído ( o que lhe valeu a promoção a capitão, posto que ele nunca atingiu) ir às redes sociais e, tentando repetir o gesto de Jânio, o Breve, se lamuriar em relação às forças nada ocultas das corporações, não descritas ou identificadas para mantê-las obscuras.
E, em texto que compra a ideia de teoria da conspiração que os malucos e mal-intencionados de seus filhos são porta-vozes, resolveu divulgar um texto lamentando, não sua incapacidade total, plena de governar, mas sua incapacidade, tolhido por espectros de corporações que não consegue delinear.
Tudo senão arquitetado, bastante compatível com o seu guru, o astrólogo que, em um dia de sombras, chuvas e trovoadas, viu em seu mapa astral a presença do sol em sua casa do conhecimento. O que o tornou um .... filósofo.
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Situação que, com o perdão da brincadeira infame, virou bordão e meme das redes: se o filósofo que ele conhece é esse aí, um tal de Olavo, então melhor é mesmo fechar os cursos de Filosofia.
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O que talvez ele ignore é que seu guru nunca frequentou qualquer curso formal da ciência mãe, junto com a História das ciências sociais e humanas.
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Voltando ao texto, toda a imprensa não se deixou levar pelo blefe de Bolsonaro, o que não alivia a situação política, ao contrário a agrava em minha opinião.
E digo o porque. A tentativa canhestra, como toda a ação de nosso presidente, seja ao comentar as maniffestações populares contra os cortes da Educação, seja para ser engraçado e popular com fã (ele ainda tem isso?) de origem oriental, que lhe pediu para fazer uma “selfie”.
Feita a foto, com sua elegância o paspalhão foi falar do tamanho “pequenininho” do órgão sexual de seu admirador. Brincadeira que, sem mimimi e fugindo dessa postura de politicamente correto, cai muito bem para um presidente de um país onde se encontra a maior colônia de japoneses, depois do Japão.
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Mas o quadro é mais grave porque se sabe que o presidente está enfraquecido, não aprova nada na Câmara, além de agora estar vendo a própria Câmara derrubar seu projeto de reforma da Previdência para apresentar outro, de autoria do legislativo.  Um projeto que terá mais respaldo, mais votos, e o que temo sinceramente: maior rigor até, com certas questões, já que o BPC e o benefício do trabalhador rural são pontos de honra de toda a Casa.
Custo a crer que irão mexer mais fundo com os militares, mas com outras questões e categorias, é algo bastante provável.
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Já sem demononstrar qualquer apoio no Congresso, o presidente caricato presta-se a isso mesmo, tonar-se personagem de tirinhas, enquanto procura se desvencilhar das atrapalhadas de seus filhos, especialmente do Flávio, cujos laços com as milícias vão se tornando cada vez mais evidentes.
Afinal, não foram poucas as homenagens a policiais que envergonham a corporação e a farda que vestiam, e que Flávio tinha como amigos, heróis e ídolos.
Mas, porque citar Flávio?
Porque deixar passar de liso o pai, o “capitão”, que tinha como ídolo e ainda o tem, um Brilhante Ustra e outros torturadores; e que, como bem lembrado por Jânio de Freitas na Folha de ontem, foi que passou ao filho a votação, o gabinete, e os funcionários todos que estão envolvidos hoje com Flávio.
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Com uma chance muito grande de estar certo no palpite, não é difícil perceber que Flávio apenas saiu, herdou e vem mantendo a situação que, como filho, recebeu do pai.
O que atemoriza e enfraquece ainda mais o (des)governo de Jair. Aquele que, em tom de brincadeira lembrou que também era Messias.
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Nesse meio tempo, agiganta-se meu receio, já que ao publicar o texto em que alega ser refém da ingovernabilidade, o próprio presidente deve admitir ser verdadeiro o trecho do artigo, que diz que ele nada fez, e que seu governo é um não-governo, até aqui.
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Mas o texto, a difusão, a repercussão, tudo em como propósito fortalecer o movimento de apoio ao seu desgoverno, já convocado para domingo próximo, dia 26.
Uma manifestação em desagravo do capitão caricato.  Que, a julgar por áudios que já foram objeto de comentário da imprensa, pode se tornar algo muito mais agressivo e sério e violento.
Afinal, o caminhoneiro que já se manifestou, e foi citado pela midia, a julgar por sua educação, conhecimento e cultura, palavreado e mensagem, já está pintado com todas as cores da guerra.
Que pode se transformar em um grande divisor de águas no nosso país, pouco afeito a lutas fraticidas (peo que las hay, nos morros, nas comunidades, nos confrontos com a polícia, e até dentro dos lares, entre maridos e mulheres).
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Engano comparar a situação atual com o pedido de Collor nos anos 90, para o povo ocupar as praças vestidos de verde e amarelo! ( O povo saiu e foi às ruas no 7 de setembro, de preto!!! Pacificamente, para por a pá de cal no então presidente).
Embora esse seja outro espelho de Bolsonaro,  a verdade é que agora a cisão é mais pronunciada e o lado que apóia o presidente, está mais armado, tanto nos espíritos quanto nos preparativos para a luta.
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Em tudo isso, assusta-me o comportamento dos militares, já identificado por alguém (que me esqueci, como o silêncio de rádio, que antecipa o início da luta.
Quietos, silenciosos, parece que eles estão à espreita, para que, ao primeiro sinal de radicalização mais evidente ou de maior gravidade, as FsAs (forças armadas) cumpram as suas funções constitucionais e assumam o poder.
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O que me faz até ter pensado em se as Forças não terem planejado tudo isso, estrategicamente, como uma forma de vingar e restaurar a imagem tão arranhada que deixaram da última vez que frequentaram o poder.
Assim, em minhas viagens, fico pensando se não teria sido tudo programado. A descoberta de alguém que tendo origem militar, guarda algum carisma. Uma pessoa que fala bobagens sem qualquer pudor, por seu destempero. Que além disso, e por suas posturas junto ao povo e na Câmara, já se mostrou contra a liberdade e a democracia. Contra as esquerdas e os movimentos sociais. Contra a ordem e a justiça, já que tem como ídolos generais torturadores. Por acaso, colegas de nossos generais que o cercam e o vigiam para terem a certeza de que ele estará confinado a limites aceitáveis.
Esse militares, sabem ainda de que os pés de Jair são de barro, e que o discurso de corrupção, tanto quanto em Collor era só uma falseta.
Então, a hora que for necessário, tais militares estimulam guerras intestinas, entre os apoiadores do Jair, agora vítima de sua estupidez. E enquanto o Bolsonaro se mostra um trapalhão, os militares aguardam. Em silêncio. Sorvendo o prazer de ver seu plano funcionando como idealizado.
***
Ao fim, para evitar o mal maior, assumem.
E terão apoio e atenderão a chamados até da esquerda pouco atenta.
E os Mourões e Helenos e Villas Boas irão poder mostrar toda sua competência e genialidade, que de fato são detentores. E irão finalmente, vingar seus amigos, generais linha dura, tão vilipendiados pela história.
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O que permite que a história possa ser reescrita, com as mesmas tintas ou mais graves. As tintas da vingança.
Em um “1984” vermelho.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Governo fake, criador de mentiras e fatos pitorescos cômicos. No fundo, o uso da comédia como arma de desconstrução

Ausente por dois meses deste espaço, admito que várias são as explicações para tal afastamento. Desde uma sensação de desalento, de descrença na capacidade de minhas postagens contribuírem para a formação de uma mentalidade mais crítica de análise do ambiente e da sociedade em que vivemos, até uma autocrítica tão aguda, que chega a doer.
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Afinal, reconheço várias de minhas limitações, de várias espécies, inclusive intelectuais, e não me sinto nem  um pouco apto a me tornar um crítico de arte. Arte, de qualidade duvidosa, mas ainda assim, arte. Do tipo da realidade paralela tratada no filme Matrix, mas que, em nossa realidade, destacam uma competência avassaladora, dos atores, de desempenharem papéis tão nonsense.
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Ou pior: do tipo mais arrasador da comédia,  do pastelão escrachado, cuja capacidade de fazer rir da situação absurda em que a realidade é capaz de se transformar, acaba tendo o efeito mais corrosivo, da desconstrução do mundo. Da desconstrução do real.
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Tal situação de desconstrução pela crítica aguda que o humor permite pode ser ilustrada, por exemplo, pelo lamentável episódio protagonizado pela toda poderosa Rede Globo, e sua equipe de esportes, no jogo realizado no Maracanã, entre Santos e Vasco.
Premiar, por julgamento popular via redes sociais o atleta Sidão, goleiro do Vasco derrotado, como melhor em campo é, antes de mais nada um achincalhe. Uma piada de mau gosto, agressiva, desnecessária. Mais infame ainda, pelo fato de o goleiro ter, nitidamente sido o grande responsável pela derrota de seu time, determinante de ao menos dois gols do adversário.
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Pior em minha opinião, foi não apenas ir até o fim na gozação, entregando o prêmio ao aturdido jogador. Pior foi o fato que o ser humano Sidão, ainda nos trajes de goleiro, mostrou uma elegância e uma dignidade tão elevada, tão superior que reduziu a Globo, a repórter constrangida, e toda a equipe de esportes daquela estação de televisão a um bando de comediantes tão descartáveis e tão dignos de compaixão quanto o apresentador do programa que se pretende de humor nas noites do SBT.
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Constrangimento que não passou de fake, dadas as repetição desnecessária de toda a história no programa Fantástico, com gozações divertidas???, por parte do engraçadinho??? Tadeu Schmidt.
Aliás, fazendo um parênteses, que desserviço para a própria Globo, o Tiago Leifert prestou, ao introduzir, um novo jeito de apresentação de programas esportivos, desde 2009. Programas mais leves, mais divertidos??? e cheios de brincadeiras e gozações.
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Mas tudo que aconteceu com Sidão, teve como objeto o de desconstrução, pelo grande público, de uma promoção interativa da Globo.
Desconstrução tão exitosa que a própria Globo já se desculpou e mais ainda, já alertou que irá mudar o formato da premiação.
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A esse propósito, de interatividade e participação constante do telespectador, é preciso lembrar e criticar sempre a ideia. Não por ser contra a maior participação democrática, popular, etc.
Mas por que a eleição via redes sociais é, dado o volume de participações, uma situação que permite que o anonimato se estabeleça e prevaleça.
O que permite que situações protegidas por esse "não deixar pistas", possa causar problemas muito mais sérios.
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Estamos vivendo pois, uma situação de desconstrução. Processo tão grande e avassalador, que muitas vezes, imperceptível. E capaz de levar de roldão pessoas com um mínimo de capacidade intelectiva, crítica e racional.
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Daí a razão de à nossa volta vivermos situações cada vez mais kafkianas.
Tão despropositadas que o ministro da Educação, intelectual sobejamente reconhecido, ao querer ironizar e classificar a situação que o país atravessa em sua área de atuação, afirmar que vivemos em mundo como o descrito por Kafta.
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O que nos leva a registrar o lapso do ministro como apenas uma galhofa. Ou como uma mentira.
O ministro mente. E sabe que mente. E por mentir tanto, não se permite, classificar a realidade como Kafkiana, já que sabe que tal classificação não se aplica.
E ao mentir com consciência, traído por seu inconsciente, o ministro comete um ato falho. O que vivemos é uma situação de kafta. De alimentação. Pela ausência ou pela miséria. Ou porque a gente não quer só comida...
E ao mentir como o faz o ministro mente, consciente mente.
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Razão por que, também para desconstruir as universidades e o ensino público de qualidade reconhecida internacionalmente, com suas equipes de pesquisa e publicações, resolveu punir algumas Universidades.
Pelo fato de, naqueles espaços, os alunos e equipe de professores e funcionários em respeito à autonomia que lhes é assegurada pela Carta maior, procurarem exercer o direito legítimo de se reunirem, pesquisarem, questionarem, criticarem e chegarem a conclusões construtivas. Na contramão da desconstrução do grupo no governo.
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E como mente o ministro, para fugir às críticas, ele estende o corte. E mente que não era um corte generalizado, linear, mas um contingenciamento. E mente quando afirma que a partir de setembro, com a reforma da previdência aprovada, os gastos serão autorizados e retomados.
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Mais uma vez, como mente o ministro, sua consciência lhe trai. E desconstrói o saco de maldades que ele preparava. Afinal, o ministro de Educação pode ser tolo, ou parecer tolo. Pode ser divertido.
Mas obrigatoriamente, economista que é, deve saber fazer conta de chocolates.
Mesmo que tenha errado propositadamente, para que o presidente ao seu lado tivesse mais barrinhas para poder ir, com toda o recato que a situação exigia, comer o objeto da ilustração.
Um fato pândego!!!
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E é essa a conclusão a que chego, e que me faz ter dificuldades para analisar a situação que estamos vivenciando.
O presidente mente, ao dizer que prometeu ao ministro fazer dele membro do STF. O ministro, por quem cada vez menos moro de amores, mente descaradamente, ao dizer que não houve o acordo que o presidente afirma ter havido.
O presidente mente para contentar o ministro mentiroso, como quem mente para a criança mal comportada na festa de aniversário, visando constrangê-la a se comportar bem, já que terá um presente surpresinha ao final da festa.
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O presidente, antes, já tinha mentido ao convocar esse juizinho para sua equipe, mentindo e vendendo à população a ideia de que iria fazer um governo sério, justo, de combate, por exemplo, ao grave problema da corrupção no país.
O ministro já tinha mentido antes, quando transformou sua perseguição a um político específico, em combate geral a toda a classe política corrupta.
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O ministro mentiu quando assumiu um cargo para poder se projetar no Executivo, quem sabe almejando uma candidatura baseada em sua popularidade até ao cargo máximo.?
Paladino da mentira, teve suas asas cortadas em pleno voo pelo presidente mentiroso, cuja família percebeu o cheiro da traição no ar.
Por isso a desconstrução da figura do ministro da Justiça e o afago para manter o menino mentiroso quietinho em seu canto, até o fim da festa.
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Mas no atual governo, mente a ministra Damares, que quer ser a mamãe dos índios, e flagrante atitude de alienação parental, já que os índios não terão a visita de papai Moro.
E todos no governo mentem, ao brincar de casinha com a ministra Damares, de forma tão lúdica e divertida. E sadia.
Tão sadia quanto a população brasileira, alimentada pelos frutos que as cidades lhes proporcionam, como as mangas das árvores nos centros urbanos.
A ministra da Agricultura, autora da tirada divertida, não sabe, talvez, é que também há jacas plantadas, ao menos aqui, em certas regiões de Belo Horizonte.
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Mas, divertidamente, desconstrói a necessidade de se adotar políticas públicas voltadas à alimentação da população. Porque, afinal, seu interesse é a agricultura para exportação e divisas e lucros para fazendeiros que não se preocupam com sustentabilidade.
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Por fim, para não ficar muito extenso esse texto, o ministro Paulo Guedes mente. E mente descaradamente, ao afirmar que a Reforma da Previdência irá permitir ao governo  uma economia e uma poupança que lhe permitirá realizar investimentos que o país precisa para criar empregos e voltar a crescer.
Homem do mercado financeiro, ele começou mentindo em relação à cifra que seu projeto irá economizar. De 1 trilhão, saltou para 1,2 trilhão.
Depois mentiu, ao deixar claro que por menos de 700 bilhões de economia, não implanta a sua proposta principal, de previdência por capitalização.
Aqui sim, ele não apenas mente, como torna-se hilário. Logo sua principal meta está ameaçada???
Por fim, mente com o discurso de que irá utilizar os recursos poupados da previdência, para fazer investimentos.
Logo ele, um liberal, cuja filosofia é não interferir na economia.
Exceto se, comicamente, não quiser interferir diretamente, mas optar por auxiliar com subsídios, aos empresários a realizarem tais inversões tão necessárias.
Mas toda mentira do senhor Guedes o conduz a uma maior, que é também uma desconstrução. A desconstrução da Previdência Brasileira.
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No futuro, a desconstrução da nação e do povo.
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E nem precisamos falar das mentiras e desconstruções do guru do presidente e seus filhos. Aquele autoproclamado filósofo, Olavo de Carvalho e suas guerras mentirosas de tuítes com militares e outros parceiros do presidente, que insistem em não obedecer a suas maquinações.
Mas, parece-me que os militares, engolindo em seco, estão também mentindo. Ou só se divertindo. Vendo a desconstrução que o regime civil consegue protagonizar.
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E para encerrar, falando sério: os assassinos de Marielle ainda não foram todos identificados. Os mandantes continuam invisíveis. Mesmo após o oba oba de uma identificação de executores. E hoje, comemoram-se 14 meses de sua execução.
Por vários interesses que incluem o das milícias, de quem os filhos do presidente - e o próprio - são tão amigos.
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Enquanto isso, Queiroz mente e ganha dinheiro espertamente. E mente o Flávio, o senador, o que faz como mente.
***
E o presidente vai a Dallas, Texas, receber um prêmio fake. Mentiroso e de desconstrução. Dado pela Câmara de Comércio Brasil - Estados Unidos, a um presidente que ainda não fez nada para melhorar o comércio entre nosso país e os Estados Unidos.
Mas, vale o puxa-saquismo, como já lembrava Aldemar Vigário - personagem inesquecível do grande ator cômico (esse autêntico e verdadeiro) Lúcio Mauro.
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E o presidente vai para a região berço da KKK (a região Sul, não o Texas!) que se notabilizou no cinema por ser a terra dos ranchos e do bangue-bangue.
A terra da arminha...
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É isso. Difícil escrever em meio a tanto desatino.