terça-feira, 22 de março de 2022

Pitacos sortidos: ainda sobre guerras e sobre nosso país. Como diria Debord: um espetáculo

 Ainda de guerras

Já tive a oportunidade de reproduzir, aqui nos pitacos, a frase tornada chavão, que estabelece que a primeira vítima de qualquer guerra é a verdade.

Seja como forma de criar comoção, atrair apoios para um dos lados, afetar positivamente o moral de suas tropas e população, ou de forma negativa as forças oponentes, a banalização da frase não diminui o teor verdadeiro e trágico de seu significado.

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De fato, a concepção idealizada de verdade sempre sai derrotada nos relatos e comunicados apresentados pelos lados em conflito, o que contribui para reforçar – e tornar lugar-comum – o provérbio chinês, que diz que a verdade tem sempre 3 versões: a sua, a minha e a verdade verdadeira,  ideal.

No entanto, tendo como principal motivação uma análise das transformações e inovações geradas pela sociedade capitalista visando destacar e criticar sua transformação em uma sociedade doente - a sociedade de consumo- , o filósofo Guy Debord já havia enfatizado esse predomínio da aparência sobre o real.

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Em seu clássico A Sociedade do Espetáculo, importante obra de crítica às relações sociais resultantes da evolução de nossa sociedade, Debord nos leva a refletir nessa mesma direção da manipulação da verdade.

Baseado em seus argumentos, pode-se identificar algumas prioridades que vieram marcando as fases da sociedade e de suas relações humanas, desde a etapa em que privilegiava o SER, até aquela típica da sociedade capitalista, de priorização do TER, para chegar ao seu ponto culminante, de deformação, onde a principal preocupação é o PARECER TER, na condição do ESPETÁCULO.

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Daí sua denúncia da existência de um controle social, não determinado por uma pequena minoria consciente (autocrática?), mas que surge em resposta ao funcionamento aleatório, de forças individuais, autônomas, independentes, à semelhança e típicas do livre mercado, fundado em  “uma sociedade democrática” (mesmo que para poucos).

Tal espetáculo, que elimina a verdade e a submete às distintas narrativas e ao efeito das influências por ele geradas e transmitidas, afeta a consciência e a capacidade de pensamento de todos nós e nos induz a não duvidar das informações a que estamos expostos, a dizer apenas SIM. Em síntese: serve à mais pura ALIENAÇÃO.

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Mas, se a primeira vítima das guerras é a verdade, as vítimas definitivas são os seres humanos: civis ou militares, jovens ou idosos, solteiros ou casados, brancos, pretos, homens, mulheres, adultos ou crianças.

E estas são as vítimas que não deveriam nunca ser esquecidas ou abandonadas. No mínimo, para impedir que o espetáculo midiático a que a carnificina tem sido reduzida tivesse espaço para todo tipo de representação manipuladora ou deturpadora: dramática, chorosa, lírica até (crianças cantando, pianistas se apresentando, etc.).

No limite, para que as profusão de cores do espetáculo em torno de pessoas brancas, de olhos azuis, europeus de classe média, não roubasse a cena de outros palcos onde vítimas pobres, pretas, crianças e  mulheres morrem destroçados pelas forças aliadas dos pretensos gendarmes do mundo, se não das próprias forças que se arvoram no papel de responsáveis pelo policiamento mundial: os Estados Unidos.

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Nunca é demais revisitar o passado, antes até que seja alterado (por um equivalente ao Ministério da Verdade do livro 1984), para recordar que Berlim já havia sido sitiada em abril/maio de 45, encontrando-se derrotada. Que a Segunda Grande Guerra já estava definida e a rendição japonesa, era questão de tempo, dispensando o lançamento da bomba de Hiroshima.

Também não devemos esquecer de que nunca foram encontradas armas químicas no Iraque de Saddam Hussein, sob o fogo dos bombardeios, dos ataques e mortes.

E que ainda há guerras submetendo crianças e mulheres a todos os tipos de violência, inclusive à morte, por bombardeios como os promovidos pela Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, no Iêmen. Que persistem as atrocidades cometidas nas invasões de terrenos palestinos promovidas pelo exército de Israel, aliado preferencial dos americanos. Ou da permanência de conflitos, sob os olhares complacentes dos Estados Unidos, na Síria, Somália, etc. 

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No entanto, a hipocrisia nos faz dizer SIM a tudo que seu mestre mandar,  e o Tio Sam não está para brincadeira: pune a Rússia econômica e até esportivamente. Tira o país russo, suas delegações e atletas de competições em diversas modalidades, sob uma justificativa: sanção ao país agressor, responsável pela promoção de uma guerra; punição a um país que não respeita direitos humanos e valores democráticos.

Atos e manifestações contrários à guerra e ao desrespeito à democracia são promovidos em todas as competições, forma de mostrar um mundo unido em um mesmo ideal de combate à barbárie.

Chama a atenção, em meio a tais protestos, a presença de atletas israelenses, sauditas, árabes, americanos, ou seja, personagens de um espetáculo cujo pano já caiu. Ou de espetáculo sem cores vibrantes e comoventes.

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Pitacos breves sobre o Brasil

 

Em nosso país, a pedido da Polícia Federal, ministro indicado ao Supremo pelos ótimos e discretos serviços prestados à família de Temer, esgota todas as formas possíveis de estabelecer contatos com o Telegram, ameaçando bloquear o aplicativo.

Decidido o bloqueio depois de insistentes contatos, nunca atendidos, o dono do Telegram investe em outro espetáculo. Lider na área de comunicações e troca de mensagens, admite que seu aplicativo não estava informado das inúmeras tentativas de contato feitas por nossa Justiça.

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Eu não confiaria em um aplicativo de mensagens que incapaz de gerenciar suas próprias mensagens!

Mas sou apenas um, que não gosta de dizer sempre SIM!

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Pavel Durov, criador do aplicativo se justificou, pediu desculpas e atendeu a todas as solicitações do Supremo. Que suspendeu o bloqueio.

Ou seja: os responsáveis pelo aplicativo apostaram e blefaram. E perderam e tiveram que pagar. 

E não adiantou que adeptos do ex-capitão fizessem as críticas mais pesadas ao ministro, que não só agiu corretamente em sua decisão e postura, como ainda foi bem  parcimonioso e cauteloso em suas ações.

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A meu juízo, as críticas a Alexandre de Moraes são justas. Os motivos é que são questionáveis.

São sem sentido as críticas a ele por sua atuação, como advogado, na defesa de réus ligados ao ao PCC.  Afinal, independente de seus vínculos e das facções de que fazem parte, também aos criminosos está assegurado o direito constitucional de defesa.

Salvo se a raiva dos bolsotários é pelo ministro não ter optado por tomar a defesa dos interesses do miliciano e sua familícia: filhos, ex-esposas e agregados.

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Não confio em Moraes e, depois de tanto se antagonizar com o chefe da milícia, ele sempre vai parecer insuspeito, quaisquer que sejam as suas decisões como presidente do TSE, se favoráveis ao militar que o Exército não quis em suas fileiras.

Mas, admito que posso estar errado, apesar de sempre ter ouvido e lido que, na Inglaterra, o Partido Trabalhista ter sempre sido o mais rigoroso ao tratar as reivindicações dos trabalhadores. Afinal, tinham que mostrar que governavam para todos e não para um nicho.

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Quanto às falas do presidente, não há o que comentar: reclamando da retirada da informação falsa que postou no Telegram, ironizando a importância de sua fake news: e, mais tarde,  preocupado com o bloqueio ao aplicativo que, segundo seu discurso, prejudicaria até os contatos entre pessoas comuns e médicos,  o que poderia ocasionar prejuízo ao atendimento médico, podendo causar até algum óbito. 

Para quem não queria vacinas, recomendava cloroquina e ignorava a gravidade da pandemia; para quem carrega a responsabilidade pela morte de centenas de milhares de brasileiros, a fala do presidente é, no mínimo, risível. (pelo argumento! não a morte!)

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Mas vivemos no Brasil, já por si só, um espetáculo da natureza pujante. Tão pujante e esplendorosa que provoca ciúmes capazes de levarem à adoção de políticas de incentivo à destruição do meio ambiente.

Natureza capaz de ofuscar o espetáculo deprimente protagonizado pelo soldado que o Exército expulsou sob a acusação de atos de terrorismo.

Espetáculo rocambolesco, ao menos. Já que o ex-capitão é hoje o chefe dos Helenos, Bragas... ou seja, todas as pragas que insistem em destruir nosso país.

 

quarta-feira, 16 de março de 2022

A decisão de hoje do Copom: impactos da guerra, da inflação e de políticas equivocadas de governos e estatais

Uma das consequências mais notórias da guerra entre a Rússia e a Ucrânia se manifesta pela adoção de pesadas sanções impostas à Rússia, pelos países ocidentais, Estados Unidos à frente.

Entre tais sanções, o bloqueio dos ativos financeiros - das reservas e direitos mantidos junto ao sistema financeiro internacional pela Rússia, dos valores de propriedades de empresas e empresários (os oligarcas ou magnatas apoiadores de Putin) e de altos funcionários do governo de Putin, inclusive aqueles do próprio dirigente – destacam-se por seu indeditismo, violência e até de sua ilegalidade.

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Afinal, a medida caracteriza-se como um confisco de propriedade privada, investindo contra a propriedade privada tão cara ao capitalismo ocidental e à ideologia do respeito à liberdade individual e ao livre mercado tão cantado em prosa e verso.

Considerada excessivamente drástica, dramática, sua intenção é sufocar o funcionamento regular da atividade econômica na Rússia, privando aquele país dos recursos necessários para oxigenar os fluxos de comércio e produção mesmo no interior do país. Seu objetivo: cortar o ar que permite a respiração que alimenta a musculatura da produção.

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No fim, promover uma estagnação da economia russa que obrigue empresários e o povo a cobrarem de Putin o fim da guerra, chegando até a sua renúncia.

Em último caso, apearem Putin do poder, mesmo que pela força.

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Apenas que, ao que parece, a Rússia já vinha se preparando para a possibilidade de medidas adotadas como represália, destinadas a promover a fratura de sua coluna dorsal na economia.

Para isso, já teria acumulado reservas próximas de 600 bilhões de dólares, com algo em torno de 40% do total depositado em bancos de países do Ocidente. Além disso, ao que se diz, parte das reservas encontra-se sob a forma da moeda internacional – o ouro, não se devendo desconsiderar também a opção pelo uso de criptoativos.

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O que indica que a invasão da Ucrânia, já no radar há mais tempo e depois da emissão de vários sinais de insatisfação com a situação política que vinha se gestando no país vizinho, não foi uma atitude impensada, de um arrivista.

Foi planejada. O que não impede de a represália em tal nível e escala poder ter trazido surpresa a Putin e a seus assessores.

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Além do bloqueio inesperado, outra medida de represália, esta já esperada foi a adoção de embargos comerciais e da ameaça de punição a todos os países que mantivessem relações econômicas com a Rússia.

Grande fornecedor de petróleo e, especialmente de gás para a Europa, com destaque para a Alemanha, além de alimentos e fertilizantes à base de potássio para todo o mundo, o embargo, ainda que não atingindo no primeiro instante a todos os principais produtos,  não era de se estranhar uma elevação de preços nos mercados internacionais, para produtos como potássio, fertilizantes, trigo, milho, petróleo, gás.

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Elevação internacional de preços que impacta os níveis de inflação em todo o mundo, o que me leva a reescrever a frase inicial deste pitaco:

“Uma das consequências mais notórias da guerra entre a Rússia e a Ucrânia se manifesta pela” escalada de preços de produtos estratégicos em escala internacional, o que se traduz em elevação dos índices de preços na maioria dos países, ou seja, de uma realimentação do processo inflacionário já experimentado por vários deles, em razão da pandemia.

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Este fenômeno da inflação irá afetar de maneira distinta a cada país, elevando a preocupação das autoridades americanas, por exemplo, que já se encontravam às voltas com recorde de inflação desde a crise do petróleo nos anos 70.

No Brasil, já tendo atingido a casa dos dois dígitos em 2021, a inflação dá sinal de não perder força, nesse início de ano.

Apenas que, em nosso caso, mais que consequência específica da guerra, a inflação é mais reflexo da incúria de nosso des-governo.

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Senão vejamos: reduzido o fornecimento do petróleo russo, a menor oferta eleva o preço do barril do óleo tipo brent.

Não nos esqueçamos que, junto ao movimento real, os mercados de commodities e futuros passam a operar também com a criação e manipulação de expectativas, em caráter tipicamente especulativo.

Isso não apenas alimenta as cotações do petróleo, como amplia a volatilidade de seus preços.

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Como a Petrobras adota a política de preços do barril baseada na Paridade de Preços de Importação-PPI e, sabendo-se que não temos capacidade de refinar a quantidade necessária para atendimento a nossa demanda, é o impacto direto da volatilidade e elevação do preço internacional em nosso país.

Nunca é demais destacar: mesmo sendo um país capaz de se tornar autossuficiente na produção do produto, a formação de preços depende basicamente de dois fatores que não estão sob nosso controle: o preço do barril internacional e o câmbio, ou o preço do dólar.

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Não bastasse isso, a privatização levada a cabo pelos governos ‘nacionalistas’ recentes - de Temer e deste capitão de araque com seu posto Ipiranga  (antes com gasolina adulterada, agora, com resquício de não conter mais combustível) – entregou nossas refinarias a capital estrangeiro, que age com objetivos de desmantelar nossas refinarias, dentro de um planejamento em escala internacional que move os grupos econômicos a que pertencem.

Permitir a um país periférico atingir sua autonomia não é, definitivamente, uma alternativa.

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Em função desta política que favorece a acionistas, especialmente aos internacionais, mais que aos interesses estratégicos do país cujo governo é ou deveria ser o seu controlador, a Petrobras aumenta os combustíveis em 20%, em média, elevando o diesel ainda em maior proporção.

Com isso, toda a cadeia de distribuição e suprimento, assentada no transporte rodoviário, acaba penalizada: o custo de frete se eleva e pesa no preço final das mercadorias.

Isso, se ainda houver caminhoneiro em condições de pagar os custos de combustível para transportar os bens.

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Para não ficar muito extenso, não vou me aprofundar aqui nos impactos do aumento do potássio e dos fertilizantes em toda a cadeia de produção agrícola, capaz de afetar nossa produção, nossas importações e o preço de rações de frangos, porcos, etc. e o preço da carne desses animais.

Vou apenas falar de passagem do efeito sobre alimentos destinados a nossa população, também afetados, problema agravado pela decisão do governo de não mais adotar políticas de formação de estoques mínimos de segurança.

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Sobem combustíveis, repassados depois para os todos os preços da cesta de consumo, sobem as carnes, sobem os alimentos, e o des-governo, em desespero decide dar subsídio para diesel e até gasolina.

Para o povão, que “bate” de ônibus em sua luta pela sobrevivência diária, a redução do diesel terá algum impacto positivo.

Mas o que a população mais pobre, em geral, tem de alívio, ela perde no caso de possível subsídio à gasolina, que representa um gasto a mais nas despesas do governo, tirando recursos de outras áreas, para permitir que os mais ricos e privilegiados possam continuar se deslocando no conforto de seu carro particular.

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Agora, de forma superficial responda: você é diretor do Banco Central, responsável pela fixação da nova taxa básica bde juros da economia, a Selic. Você sabe que nosso país adota para combate à inflação o regime de metas inflacionárias que tem como principal, se não exclusiva ferramenta operacional, a taxa de juros. Sua elevação.

Os modelos econométricos e dados com que você toma decisões indicam que a inflação não dá sinais de arrefecimento. Suas expectativas, moldadas pela guerra e por possível impasse de mais longo prazo, indicam que a inflação deve continuar pressionada.

Você está vendo o celerado (que em raras ocasiões ocupa sua sala no Planalto, preferindo passear de jet-sky e desfilar com motos de alta cilindragem, ao ar livre, fora do gabinete), decidir adotar toda e qualquer medida não só para levar guedes de atropelo, mas para tentar melhorar sua avaliação nas pesquisas eleitorais, de quebra provocando uma escalada de gastos públicos.

Agora me diga: você iria decidir por elevar a taxa de juros em meros 1% ou 1,25%?

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Tomada sua decisão, baseada em regime de metas de viés monetarista, que tem apenas a taxa de juros como instrumento de ação, como se toda a inflação fosse apenas causada por excesso de demanda e não por exemplo, por choques de oferta, como uma guerra, o que você espera para possível elevação do custo do dinheiro?

E para o custo do capital de giro e manutenção das empresas em produção? E para o nível de emprego? E para o povo, esse eterno sacrificado, excluído dos gastos orçamentários que de fato são importantes para a construção de uma nação solidária e justa?

terça-feira, 15 de março de 2022

A guerra mostra que a humanidade não deu certo. A atuação da imprensa e mídia mundial, comandadas desde os EUA provam o acerto dessa conclusão

Em meu último pitaco, prometi voltar a tratar da invasão da Ucrânia patrocinada pela Rússia. Já naquela oportunidade, acreditava que, para impedir o avanço ameaçador da OTAN, leia-se Estados Unidos, sobre todos os vizinhos territoriais da Rússia, a opção de um Putin acuado, foi virar o jogo: partir para o ataque.

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Assim, entendia que o exército russo iria contar com facilidades em seu avanço por territórios das repúblicas independentes da região de Donbass, permitindo cumprir a estratégia inicial da campanha militar, de proteger a população pró-russa ali instalada, que vinha sendo vítima de severos ataques de forças ucranianas. Não necessariamente ataques de responsabilidade das forças do Exército legal ucraniano, mas de milícias de forte viés nazifascista, instaladas no mar de Azov.

Importante recordar que, conforme o discurso de  Putin, uma intenção da campanha militar no território vizinho era desnazificar aquele país.

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A partir de Donetsk e Luhasnk, acreditava eu que o exército russo aproveitaria a oportunidade para empreender uma  campanha rápida de conquista de cidades de significativa importância econômica e geopolítica, como Odessa,  o que facilitaria o acesso russo ao Mar Negro e Mariupol, que propiciava o estabelecimento de uma ligação  terrestre com a Crimeia, sob controle russo desde 2014.

Claro, a conquista de Kiev seria um trunfo importante de negociação para Putin, da mesma forma que o controle sobre as usinas nucleares de Chernobyl e Zaporizhia, por sua capacidade de geração de energia atômica.

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Talvez por ingenuidade de minha parte, não acreditava no desejo atribuído a Putin de conquistar um território apenas em razão de sua população ser descendente do mesmo Estado Rus, origem de russos e bielorussos, mesmo depois de sua afirmação de que a “Ucrânia nunca teve tradições próprias de Estado”.

Tampouco, acreditava que Putin era movido pelo interesse em dominar os recursos naturais que fazem da Ucrânia um dos países mais ricos de toda a região.

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Fora alguma ingenuidade e desconhecimento, que raciocínio embasava meu pensamento?

Primeiro, e principal motivo, a necessidade de reagir a um suposto estrangulamento promovido à Rússia pelos Estados Unidos, antes que já não houvesse qualquer capacidade de reação possível no futuro.

Além disso, o fato de que, fora a região mais oriental, de fortes influências russas desde sempre, o território ucraniano sempre foi ocupado por uma série de povos e impérios de distintas origens, o que lhes dá certa indiferença à Rússia.

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Piora o quadro, o fato de parte da população ucraniana, residente na região mais ocidental do país, ter maior identificação ou maior atração pela perspectiva (talvez enganosa) de um padrão de vida europeu.

Sem nos esquecer de algum tipo de repúdio a qualquer tipo de retorno ao jugo a que se sentiram submetidos, quando integrantes da União Soviética.

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Caso a Rússia de Putin quisesse de fato atacar, conquistar e manter o domínio sobre a Ucrânia, todos esses fatores levariam a um problema incontornável para um país detentor de imenso poder bélico, atômico, mas de economia de médio porte e bastante fragilizada.

Em minha opinião, além do gasto militar inerente ao ataque – que se amplia a cada dia a mais de combates em território ucraniano – as despesas com manutenção de tropas aquarteladas por longa duração em território derrotado seriam muito elevadas.

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Isso, sem considerar os problemas de perdas humanas na invasão, e posterior desgaste com a manutenção de combatentes fora de seu país, distante de seus familiares e amigos, fora de seu ambiente e sujeitos a potenciais ataques terroristas ou de forças de guerrilha. Estas, fortalecidas pelas tropas de milicianos ultrarradicais de direita.

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Invadir a Ucrânia como trunfo para a negociação, fazendo exigências como a do compromisso de não alinhamento à Otan, ou de condenação e combate às milícias nazistas, mantida a independência das repúblicas pró-russas, seria uma opção mais viável do ponto de vista humano e econômico.

Nesse meio tempo, negociar com os países adversários visando um abrandamento das sanções impostas à Rússia e aos seus principais empresários, seria outro importante ponto a considerar.

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Uma alternativa menos aceitável, mas tolerável seria a inclusão da Ucrânia no pacto do Atlântico Norte, com o compromisso expresso de não instalação de qualquer base militar ou armamento naquele território. Dessa forma, a Ucrânia e seu povo iriam aproveitar-se apenas de algum benefício econômico de pertencer àquela comunidade.

Encarada como uma “punição”, embora de menor peso, a Rússia ainda se comprometeria a devolver a capital Kiev e outras cidades conquistadas ao povo ucraniano e a respeitar a vontade do povo expressa na eleição de um novo governo, admitida a possibilidade de Zelensky concorrer a novo mandato.

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Finalmente, a Rússia admitiria algum tipo de pagamento de indenização de guerra, sob a forma de aquisição de produtos ou mesmo reconstrução de alguma infraestrutura danificada pela ação militar.

Ou seja, em minha opinião, a Rússia teria feito da campanha e da conquista de toda a Ucrânia apenas um grande e caro e sangrento blefe.

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Se eram estas minhas impressões quando do início da invasão, confesso que a guerra que eu acreditava que seria travada alterou-se completamente.

Isso porque a guerra principal não está sendo travada com apoio do exército e forças aéreas de combate russas. O Exército avança a passos lentos, como se a opção de conquistar territórios e mesmo a capital não fizesse parte dos planos.

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A utilização da artilharia parece ser, em alguns casos, de elevado grau de precisão e muito focada, com mísseis sendo disparados de forma a destruir bases importantes para defesa de forças ucranianas, e desbaratamento de possíveis instalações de organização das milícias ali existentes.

Pouco uso tem sido feito de potentes e sofisticados aviões de combate que, ao que parece, estão despejando bombas com prazo de validade vencido, em bombardeios com armas tradicionais e ultrapassadas. Com a grave consequência de tais armas, de precisão muito menor, causarem estragos não desejados junto à população civil.

O que aumenta o ódio dessa população em relação à Rússia. E permite antever que a conquista e manutenção da Ucrânia, pura e simples, seria como a criação de um Afeganistão para Putin.

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Mas, pior que tudo isso, é que a verdadeira guerra tem sido travada pelos meios de comunicação, pelas redes sociais e meios digitais, pelos constantes relatos manipulados seja por partidários da causa russa, seja por todos que se aliam aos interesses americanos.

Ou seja: a verdade, como é de se esperar, tem sido a maior vítima do conflito, em que pesem as perdas inúteis de vidas. Mesmo essas, parcialmente objetos de manipulações e 'fake news'.

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Um fato não pode ser negado: o Exército russo não avançou e destruiu o vizinho com o uso de seu potencial e toda sua estrutura e armamento. Razões para isso não são analisadas nem investigadas.

Toda a mídia, a favor e dominada por interesses outros que não a informação correta, prefere apontar como motivos o heroísmo do povo ucraniano; a liderança e a postura de estadista até então não percebida de Zelensky; o ego e o desejo de restabelecimento de um império ultrapassado por parte de Putin e o seu fracasso em convencer o povo russo de suas reais e justas preocupações.

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A mídia, a imprensa escolheu um lado e já relata os fatos ainda em fase de seu desenrolar, como história acontecida. Por essa visão, Putin e a Rússia já perderam.

Nos comentários, todos os analistas já programaram as próximas ações de Putin, já mostraram como ele está fraco e sem apoio, como será condenado, e já o consideram uma carta fora do baralho. Um tirano fora do poder.

Tomara que Putin seja mesmo destituído, e punido por crimes de guerra e outras atrocidades. Mas, torcer, o que fiz agora, não significa que isso é o que vai ocorrer.

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De resto, torcer não significa que sendo essa a narrativa vitoriosa, ao final, o mundo tenha sido vitorioso.

O(s) vencedor(es) mais que batatas, pode(m) deixar que sua arrogância e incontestável superioridade  se transforme em mal maior para toda a humanidade.

quinta-feira, 3 de março de 2022

De fato, a humanidade não deu certo. E a guerra, que deixou o russo Putin sem opção, por erro de estratégia americana

Um colega, meu amigo, aproveita sempre que pode para me ironizar e à minha ingenuidade, recomendando que eu aceite que dói menos: para ele o Brasil é um país que não deu certo... e nunca vai dar.

Simples assim.

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Mas, não. É pior: cada vez mais chego à conclusão que A HUMANIDADE NÃO DEU CERTO (conclusão a que já chegou o filosocômico José Simão!).

A verdade é que é o ser humano que não deu certo e que, talvez, não seria justo ter destino distinto ao dos dinos.... Em nosso caso, por nossos atos e decisões. Por responsabilidade ou IRRESPONSABILIDADE nossa.

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Sim. Refiro-me à guerra que completa hoje 8 dias e que, desde então é o único assunto que domina mentes e corações. Razão de a divulgação do número de óbitos diários da Covid no Brasil ter deixado de ser feita (o que vale o ‘meme’ de Putin ter conseguido eliminar a Covid!!) e da paralisação dos pitacos.

No caso mais prosaico dos pitacos, confesso, a culpa da necessidade de ler mais, pesquisar mais, conhecer mais, para poder emitir alguma opinião minimamente razoável.

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Mas, antes de abordar a guerra, devo tratar de um outro assunto, característico de nossa total e cada vez maior insânia.

E, não! Não falo dos ataques feitos por drones a Al Shabab, Somália, a grupos classificados pelo Comando Militar americano como terroristas, e com número de mortes de civis ainda não confirmados.

ATAQUES EFETUADOS NO ÚLTIMO DIA 22, DOIS DIAS ANTES DO ATAQUE RUSSO. (Revista Forum).

Você viu? Ou só ouviu falar de ataques no Iemen, na Palestina, Somália, Síria, um total de 28 países, feitos ininterruptamente?

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Direto ao ponto: minha incompreensão quanto a dimensão infinita da insensatez humana, diz respeito à colega economista mexicana Paola Schietekat, que trabalhava na empresa responsável pelas obras de estádios e infraestrurura da Copa do Qatar e foi ESTUPRADA e, depois,  CONDENADA A 7 anos de prisão e 100 chibatadas.

Paola, ajudada pelo Comitê organizador da Copa fugiu. Mas, nestes tempos de machismo cada vez mais tóxico e dogmas religiosos irracionais, vale repetir a pena: 7 anos de prisão e 100 chibatadas.

O motivo: ter tido relações sexuais extraconjugais com seu agressor, que afirmou manter uma relação amorosa com vítima.

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Retomo a guerra, condenável por todos os motivos, por todos os seres humanos, no mínimo, pelas vidas perdidas ou destroçadas; pelos sonhos e realizações de toda uma vida destruídos.

Guerra que todos sabem como começa, mas ninguém sabe como acaba. Onde a primeira vítima é sempre a verdade. Como nos lembra todo este conjunto de trivialidades citados nesse momento.

A verdade é que nas guerras tradicionais, sempre o povo é que perde. Sempre o mais pobre é o mais afetado e prejudicado.

Os ricos, ou oligarcas, até aproveitam-se para aumentar suas fortunas, não apenas pelos lucros expandidos da indústria bélica, e indústrias fornecedoras, mas também pelo aumento de preços resultantes de toda a desorganização imposta aos mercados e cadeias de fornecimento.

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Por mais que a propaganda faça questão de mostrar o cuidado com a proteção e segurança dos civis, a decisão de Putin, como qualquer ataque do gênero, atinge vidas de pessoas que eram contrárias ou inimigas ao agressor, e até daquelas que eram pró Putin ou pró Rússia.

A morte, em sua dinâmica não escolhe as vidas a serem ceifadas.

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Mas, condenado o ataque bélico e destruidor, o que minhas leituras exaustivas me indicam, mesmo reconhecendo não ter chegado a qualquer conclusão relevante.

Vamos tentar ser sucintos.

O que não me impede de recordar uma lição que um amigo e colega,que não vejo há mais de 40 anos me transmitiu. Em homenagem ao Luis Fructuoso Correia, narro a história da caçada ao rato.

Paulo, ele me disse, se você entra em um cômodo e procura acuar o rato, levando-o a um canto, onde pretende deixá-lo sem saída para liquidá-lo, você está cometendo um erro de estratégia. No canto, sem opção para onde ir, ele se encolhe, crispa os pelos, e salta para o espaço, para conquistar a vida e liberdade. Com dentes arregaçados e suas garras prontas, o ataque, em geral no rosto do caçador, provoca consequências e feridas terríveis.

Como proceder estrategicamente? perguntei.

Você prepara a ratoeira ou armadilha em um local. E começa a perseguir o rato cortando-lhe os caminhos de fuga, deixando SEMPRE uma rota de fuga. Essa rota é a que ele vai usar. É também a que o conduz à armadilha.

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Como estudante, no ensino médio ou na faculdade, na época da PEG (Política de Educação do Governo, militar) e do famigerado DL 477, ou no mestrado ou doutorado, confesso que a bibliografia utilizada era mais do tipo Yankees. Go Home! Nunca quis ler textos americanófilos, criado no quinta dos americanos (um país sem qualquer condição de implantação do comunismo e porso, longe de trazer preocupações para os americanos).

Se não merecíamos atenção e não éramos nem motivo de preocupação, também nunca tivemos financiamentos. (Texto de Demosthenes Madureira Pinho Neto, na Introdução ao livro dos 50 anos do Plano de Metas, do BNDES).

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Avesso aos americanos, sua pretensão a gendarme do mundo, e sua liderança imposta pelas armas, gostava de recitar No caminho com Maiakovski, então erroneamente atribuído ao poeta russo, de autoria de Eduardo Alves da Costa.

Dizia:                    Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
 

O poema finaliza quando não podemos fazer mais nada, quando o mais frágil deles entra em nossa casa e nos rouba a luz, e por nunca termos reagido, nosso medo impede-nos de dizer alguma coisa.

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Fui pesquisar o que é a Organização do Tratado do Atlântico Norte, para verificar a data de sua criação (1949), objetivos: inibir o avanço do bloco socialista, na Europa; oferecer ajuda militar a todos os países membros, etc.

Sem disfarçar seus reais motivos, esta associação política tem um orçamento com gastos que respondem por 70% de todo o gasto militar no planeta. Engloba as maiores economias do mundo, além da maior, os Estados Unidos e tem em seu artigo 5º a exigência de os estados membros auxiliarem a qualquer membro sob ataque.

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Procurei, mas não encontrei nada, embora reconheça, por deficiência minha, maiores informações sobre gastos em investimento, em financiamentos ao desenvolvimento dos seus membros. Coisas que, além da criação de demanda para a indústria bélico-militar, trariam benefícios a quem se associasse. Principalmente depois de a Guerra Fria ter acabado, a União Soviética ter se desestruturado por completo, dando origem a vários outros estados, e a Rússia, passar por períodos trágicos ao fim da experiência malfadada do socialismo real.

A Rússia hoje é tão capitalista, com grandes fortunas e capitais, quanto os Estados Unidos. Apenas com um PIB muito inferior.

Logo, não há qualquer razão para a persistência da OTAN. Nem para a entrada no clube, de nações antes integrantes do bloco soviético.

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Exceto para pressionar e cercar o líder ultradireitista Putin, com armas, exércitos, bases e mísseis, localizados em sua fronteira, para atemorizar o povo russo. E, talvez, cortar qualquer possibilidade de seu desenvolvimento.

Putin tem Aleksandr Dugin como guru e conselheiro, o filósofo fascista do atraso das Teorias Conservadoras que visam resgatar o tradicionalismo, o retorno da sociedade hierarquizada, a formação da grande Eurásia.

Dugin, amigo, parceiro de Olavo de Carvalho, defensor da invasão da Ucrânia.

Razão para o discurso de Putin, de estar desnazificando a Ucrânia cair no vazio.

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Não que a Ucrânia não tenha um forte movimento nazifascista, embora os movimentos existentes, mesmo unidos, não tenham conseguido eleger nenhum representante para Câmara.

Não que não haja conflitos entre os povos do lado oriental ou ao sudeste (Donbass), pró-russos ou de origem russa, e os povos do lado ocidental, que se sentem mais europeus.

Conflitos, até sangrentos, sempre aconteceram, mais recrudescidos pós 2014, e a quebra dos acordos de Minsk. Aliás, acordos que não foram os primeiros  a serem rompidos pelos Estados Unidos e seus interesses imperialistas.

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Quanto à frase, Faça Humor não faça a Guerra, corruptela de Faça Amor... não se aplica ou explica Volodymyr Zelensky, embora o presidente eleito e no poder na Ucrânia, seja um comediante de origem.

Forçoso reconhecer que, comunicador hábil, vindo de área da comédia, que considero uma das mais sensíveis ao ser humano, o que deve ajudá-lo na utilização de argumentos e falas que tocam a sensibilidade e o emocional das pessoas, tem se mostrado um líder hábil.

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Líder que poucos reconheceriam em sua figura, quando candidato mostrava-se antidemocrático. Ao extremo de pouco antes de sua eleição, representar um quadro satírico onde, presidente eleito, invadia o Congresso e metralhava os representantes eleitos pelo povo.

Líder popular e antipolítica, em mais uma contradição desta guerra.

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Há muito mais para analisar e tratar sobre o assunto, mas deixo para outro pitaco a análise da reação ocidental, de utilização de armas econômicas, na tentativa de sufocar a economia de porte limitado da Rússia. Ou as consequências do ataque e até de uma possível invasão vitoriosa e exitosa dos exércitos de Putin.

Até algum comentário sobre a amizade, solidariedade e imparcialidade de Bolsonaro a Putin, menos por questões de fertilizantes ou acesso a trigo, milho etc. Acredito que mais em razão do desejo de se aproveitar dos mesmos hackers que tanto ajudaram na eleição de Trump, e nos ciberataques a Hillary.

Nosso presidente, que questiona a segurança das urnas digitais, deve ter interesses muito maiores e inconfessáveis na arma cibernética dos ataques russsos.

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Mas não posso encerrar sem lembrar. Putin, o rato, estava sendo acuado. Calado, não reagia, talvez por medo.

Então, para não lhe roubarem a luz, partiu para o ataque de desespero(?).

À sua frente, a Ucrânia, dividida, com parte da população apoiando os russos e vários motivos para discursos capazes de justificarem até que a terra voltou a ser plana, como as teorias antigas de seu guru.

 

 

 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Descanso de férias em Aracajú, com dicas e referências. E os desastres deste período, humanos (dos medíocres que nos comandam) e naturais

Desde o início da pandemia de Covid há três anos resolvemos, minha família e eu, nos submeter e adotar a todas as medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades médico-sanitárias do país.

Assim, higienização frequente das mãos, uso de álcool em gel ou líquido a 70°, uso de máscaras em ambientes externos ou internos onde houvesse contato com outras pessoas, até a adoção desde março de 2019, da jornada de trabalho remoto foram medidas que procuramos cumprir com rigor.

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Antes de prosseguir, devo observar que, professor com 45 anos de ricas experiências, vivências e aprendizados conquistados em sala de aula, estar em “home office”, ou seja, dando aula para uma tela de computador via Zoom, com a visão de uma tela preenchida por retângulos de fotos congeladas de meus alunos foi das experiências mais desafiadoras e menos estimulantes de toda minha carreira.

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Quanto a minhas sensações, cheguei a comentar com colegas, amigos e alunos que compartilhavam comigo suas ansiedades e apreensões a dificuldade daquela forma de aula conseguir capturar e manter a atenção, o foco, a concentração, o espírito e o interesse de cada um dos participantes. Afinal, a tela fria me impedia ter a percepção do impacto causado pelo conteúdo e pela forma como eu o transmitia. Impedia aquela observação geral, das reações das fisionomias em face ao espanto, a confirmação de alguma ideia ou negação dela, ao surgimento da dúvida ou mesmo a reação atônita daquele que não entendeu nada.

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Dos alunos amigos, a confidência da interferência de ambientes os mais diversos e com muito mais obstáculos à concentração, muito mais atratividade, etc.

Se tudo aquilo valeu a pena, foi por nos permitir a oportunidade da incorporção de novas tecnologias e formas de transmissão dos conteúdos;  de novas e mais constantes formas de interação entre alunos e professores, via aplicativos;  o desenvolvimento comum de outros tipos de realização das atividades de aprendizado; tendo como objetivo maior a manutenção da saúde de todos.

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Ao longo desses três anos, em especial, minha mulher e eu, optamos pela adoção de um comportamento mais recluso, apenas saindo de casa para a realização das compras imprescindíveis à continuidade do funcionamento de nossa casa e da preservação de nosso padrão de vida.

No entanto, e a ênfase é fundamental, o cumprimento do cronograma e do esquema de vacinas deteminado pelas autoridades da área da saúde do país, inclusive com a dose de reforço foi a principal medida preventiva que adotamos, contribuindo para que chegássemos até aqui sem a contração do vírus.

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Por todo este período de sufoco, temor, ansiedade, cuidados que atravessamos e que não nos isentou dos impactos do convívio com sofrimentos e dores dos amigos contaminados, além das perdas de parentes, conhecidos e amigos de fé, resolvemos nos dar ao luxo de sair de férias.

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Hoje me questiono do acerto da decisão, tendo em vista que a ômicron, nova variante do vírus, tem provocado algo próximo a 1000 óbitos por dia.

Isso, apesar do declínio da curva de novos casos em todo mundo, inclusive em estados de nosso país, e da informação de que as novas vítimas são aqueles que desdenharam da vacina e desacreditaram as recomendações da ciência, adeptos da nova seita inaugurada pelos bolsotários cloroquínicos.

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Por medida de segurança, optamos por uma praia; pelas condições de preços de transporte e acomodações, e por ser um estado da região Nordeste que ainda não conhecíamos, decidimos ir a Aracaju.

Uma cidade planejada, construída para ser a capital do Estado, por sua condição litorânea, com a função de substituir a cidade de São Cristóvão, cujo bonito centro histórico é localização da Praça de São Francisco, considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco e situada a pouco mais de 30 km para o interior.

São Cristóvão, além de ter sido a cidade de início da vida de Irmã Dulce, a Santa Dulce dos pobres, é também terra de Nivaldo Oliveira, artista, artesão, produtor de xilogravuras com técnica própria e de peças de madeira vitrificada que impressionam pela semelhança com cerâmicas portuguesas.

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Em Aracajú (Cajueiro dos Papagaios), cujo nome de origem indígena deve-se à grande quantidade de papagaios nas menores quantidade de cajueiros, nos hospedamos no excelente hotel Aquarius, de serviço impecável, além de excelente localização, na orla.

Além de atendimento simpático, o hotel impressiona pelo café da manhã de primeiríssima qualidade e, nestes momentos de pandemia, com rigorosos procedimentos de serviço: máscara e luvas.

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De Aracajú, para não abusar da paciência de alguns leitores, cito sem comentários estendidos, os Arcos da Orla da Atalaia, a orla da Costa do Sol,  o agradável bar-restaurante Duna Beach, o passeio pelo mercado da cidade integrado por três mercados, entre os quais o de artesanato. Também o Museu da Gente Sergipana, interativo vale o passeio.

Outros passeios imperdíveis são a aventura da ida ao Canion do Xingó, de beleza natural rara, sem contar o passeio pela maravilha da grandiosidade da represa do Rio São Francisco, gerida pela Chesf.

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A menção à aventura aqui, é mais em função da estrada, que corta o interior do estado, em direção a Alagoas, e que se caracteriza por ser estreita, sem muitos pontos de ultrapassagem, com intenso trânsito de caminhões, e especialmente motos, utilizadas pelos habitantes das localidades para o trânsito entre as mesmas. Para agravar a situação, e para a proteção dos habitantes de tais municípios, vilarejos, a estrada é dotada de mais de 300 quebra-molas, alguns elevados o suficiente para raspar o fundo do carro.

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Outros passeios recomendados são a visita ao Parque Lagoa dos Tambaquis, onde se pode alimentar os peixes, ali lançados para povoarem a lagoa; o passeio às dunas da região da Praia do Saco, onde contamos com a perícia e simpatia dos bugreiros Ramon e Lenilson, que nos levaram, ainda, para assistir a um bonito pôr de sol na ponta da praia.

O passeio à simpática Mangue Seco e à ilha de Tieta, com direito à visita aos bancos de areia que formaram a Ilha da Sogra, do Sogro, contando com a simpatia do Wallace, e podendo aproveitar da presença de Astro, o peixe boi que frequenta o local.

Finalmente, a ida a Crôa do Goré, em lancha alugada por “Dona Gil e Paulo” e um piloto de primeira qualidade.

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Importante destacar que, tanto o passeio de bugre às dunas quanto o passeio de lancha a Mangue Seco, foram combinados com a Carolina, da Cooperativa que reúne os bugreiros e donos de lanchas da região, o que é transmite um sinal de segurança e tranquilidade.

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Assim, em meio a tanta diversão, restou pouco tempo para manifestações quanto a questões de maior importância, como a nova rodada de ataques do miliciano que nos desgoverna às eleições e a autoridades do Supremo e do Tribunal Superior Eleitoral.

Tal retomada típica do gangsterismo que ocupa o Executivo do país, põe fogo no parquinho, para usar expressão da moda, e dá cada vez mais razão ao temor de que venhamos a viver no país os transtornos antidemocráticos expressos anteriormente por frase de Carlos Lacerda, em relação à candidatura de Getúlio em 1950.

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Adaptando a frase golpista ao momento presente, parece que nossa ultradireita acredita que ‘Lula não deve se candidatar. Candidato, não deve ser eleito. Eleito não deverá tomar posse’.

Razão para admitir que os temores de Sakamoto venham a se concretizar e o país seja banhado por um rio de sangue, nas ruas e praças do país, na falta de um Capitólio para ser invadido.

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Dos desastres do capitão miliciano, expulso pelo Exército, seja em em viagens nacionais (de férias) ou internacionais (achando ter selado a paz, o que lhe daria um prêmio Ignobil de consagração a sua total incapacidade mental);  dos desastres causados pela exploração irracional dos recursos ambientais de que a crise climática é exemplo pavoroso; bem como a visão míope de sempre em relação à exploração da  ‘nossa Amazônia’, mantida por militares tão ultrapassados e tacanhos que ainda são capazes de idolatrarem um golpista insano trataremos nos próximos pitacos.

Estamos de volta, atentos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

A Economia em frangalhos: por que o Brasil era a 3a opção de investimentos externos em 2013, e hoje é apenas o 10º, com viés de queda constante

 As notícias econômicas relativas ao país, neste início de 2022 são, para dizer um mínimo, decepcionantes.

Não que pudesse se esperar resultado muito diferente de um governo cuja principal característica é justamente a de não mostrar qualquer preocupação em governar.

A começar do tosco chefe do Executivo que, depois de mais de 28 anos atuando como parlamentar, o equivalente a 7 mandatos, apresentou apenas 171 projetos de lei (uma média de 7 por ano ou 24 por mandato) com apenas 2 deles sendo aprovados.

Chamo a atenção para que 171 não é referência ao artigo do Código Penal que trata do crime do estelionato, aquele em que o sujeito busca obter para si ou outrem, vantagem ilícita ... induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artíficio, etc.

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Na condição de deputado, o atual mandatário se especializou em contratar assessores fantasmas que lhe possibilitou a prática da rachadinha, em que se especializou a ponto de poder transmitir o ensinamento e o “modus operandi” aos seus herdeiros.

Sempre é bom e necessário frisar: cada parlamentar tem o direito de contratar um certo número de assessores para auxiliá-lo em nas várias atividades desenvolvidas em seu gabinete. Para isso, conta com uma verba  definida pela Casa, que é alocada ao seu gabinete. Esse dinheiro é de origem pública.

Está previsto em orçamento e sua origem é o pagamento de impostos por todos os cidadãos brasileiros.

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Esta verba é tão pública e deve respeitar a utilização específica a que se destina, tanto quanto os apartamentos funcionais que a Câmara disponibiliza aos deputados de outros estados, para que possam ter condições e local onde ficarem enquanto exercendo o mandato popular, em Brasília.

Como se sabe, o deputado tem o direito ao apartamento, como os magistrados têm o direito ao auxílio moradia, enquanto estiverem fora de seu domicílio, por razões de serviço, desde que não sejam proprietários de imóveis na cidade onde trabalham.

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No caso dos magistrados, infelizmente faz-se vista grossa para o fato de que a tal verba é paga a todos, indiscriminadamente, e transforma-se em um expediente para elevar sua remuneração mensal. A ponto de tal ajuda ser paga para o casal de magistrados que, em geral,  moram na mesma residência, de sua propriedade.

A maioria da população se indigna com essa situação que é, normalmente, decidida por instâncias judiciais superiores, os tais colegiados, onde a maioria aproveita para se locupletar.

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Dito isso, não resisto à lembrança da frase magistral atribuída seja ao genial Barão de Itararé (Aparecido Torelly), seja ao outro gênio Sérgio Porto (o Stanislaw Ponte Preta) ou ainda ao monumental Millor: “Ou restaure a moralidade ou nos locuplementemo todos.”

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Fica evidente que, a prática adotada pelo chefe da familícia que corrói o Brasil faz é tão somente, peculato (no caso das rachadinhas) ou o famoso Estelionato. Mesmo amparado pelo foro privilegiado.

Nisso, os bolsopatas têm razão: a palavra que define o crime não é corrupção. O crime é outro. E, no tempo, expandido para comportar outras hipóteses: formação de famílicia (ou quadrilha familiar); lavagem de dinheiro, etc.

Da mesma forma, manter apartamento funcional para “comer gente” classifica-se como desvio de recursos públicos.

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Mas, em governo em que o inepto capitão é líder, e se dedica apenas a realizar motociatas, passeios de jet sky e apresentações em redes sociais particulares, ou a soltar absurdos  e obscenidades, para rádios de correligionários, apenas tendo em vista a reeleição, não é de se esperar muito do resto.

Inclusive do Posto Ypiranga, o tal homem do mercado financeiro que perdeu tanto tempo lendo Keynes no original, que não teve tempo de fazer qualquer proposta, plano, sequer acompanhar o controle da execução, e identificar ações de correção necessária de planos ao longo do mandato infeliz.

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Vindo do mercado financeiro, atividade que Keynes chamava de jogo bursátil, e equiparava a um cassino, não é de se surpreender que proposta alguma tenha sido feita pelo ministério da Economia, muito fortalecido no início do desgoverno, e tenha sido levada a  cabo.

Por mais que tenhamos de respeitar as qualificações dos técnicos que ocupavam postos no ministerião.

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O falastrão ministro mostrou aptidão apenas para abobrinhas, o que significa que pode ser que estivesse no lugar errado. Talvez devesse estar no ministério da Agricultura, no lugar de Tereza Cristina!

Por tal motivo, a reforma tributária, que nada reforma, não evoluiu; a reforma administrativa, em boa hora, empacou com todos os seus absurdos; a reforma previdenciária saiu apenas por interesse de Rodrigo Maia, então mordido pela mosca azul do poder, na expectativa de que se credenciar peranto os Farialimers poderia abrir para ele a oportunidade de se candidatar à vaga do ‘destruidor do futuro’. A trabalhista, continua empacada, no afã de retirar ainda mais direitos das classes trabalhadoras. O programa de privatizações pouco andou, e seu resultado mais efetivo foi a saída de Salim Mattar da função de secretário da área.

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Daí não é, nem deveria ser surpresa que o PIB durante o desgoverno tenha sido marcado por um crescimento médio pífio (algo como 0,81%), longe das promessas do despreparado capitão e seu posto de gasolina adulterada.

E nem se pode alegar uma suposta responsabilidade da pandemia, que levou o despreparado a desejar que as pessoas saíssem de casa para se contaminar e até morrer, já que, no ano de 2021 a economia, partindo de uma base bastante prejudicada pela Covid no ano anterior, vai crescer algo próximo de 4,5 ou 5%.

Mas, tal retomada está longe da recuperação em V, prometida pelo falastrão assessor de Pinochet, mas em raiz quadrada. Já dando sinais de que do V, sairá é uma curva descendente.

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O desemprego e a parcela da população em subemprego ou atividades autônomas aumentaram. A inflação de 10,06% é a maior desde os anos de pautas bombas, instabilidade e desespero do governo Dilma para tentar conter o golpe em marcha. A taxa Selic atinge 9,25%, com projeções de atingir até os 12%, em 2022.

Para culminar, foi feito o anúncio ontem que o Brasil caiu duas posições, no ranking dos principais países para atração de investimentos estrangeiros.

Isso, depois de ter sido o terceiro colocado em 2013, nos governos de .... “comunistas”. Ou seja, no Brasil, comunista se preocupa em criar condições de lucratividade, estabilidade e ambiente seguro e estimulante para os capitalistas.

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Em vários jornais (Band, Cultura), jornalistas e comentaristas ao analisarem o dado reclamaram da inoperância governamental. Da ausência das reformas estruturais que não foram levadas a cabo. Algumas nem mesmo tiradas do papel

Ou seja, tudo que foi objeto e tema de tratamento neste pitaco.
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Mas, não é que sejamos favoráveis às tais reformas, que não irão resolver conseguir destravar o problema de nosso subdesenvolvimento crônico, justamente por não colocar o trabalhador, ou a grande maioria da população excluída dos benefícios do desenvolvimento, ou não incorporar ao mercado de consumo as amplas massas populares, por meio de uma ampla e necessária reforma de distribuição de renda. E não só de renda, mas de participação na alocação de verbas do Orçamento Público. E ainda reformas na participação na Educação, na Cultura, nas preocupações e ações sanitárias, do saneamento e da saúde.

Ou seja, reformas que estão longe de agradar aos empresários nacionais ou aos seus porta-vozes na imprensa tradicional, que apenas pensam em como expandir seus lucros, sem ter de elevar custos, fazer sacrifícios, investir nos colabores, trabalhadores, empregados, parceiros.

Classe patrimonialista, sempre disposta a ganhar sem sacrificios, sem ceder nada.

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Algo bem diferente de empresários estrangeiros que fugiram do Brasil desde que perceberam a instabilidade política fomentada pelas elites, pela grande imprensa chapa branca, pelos poderosos de sempre. Desde a preparação do golpe em 2013.

Por que?

Por que os empresários estrangeiros sabem que não é possível crescer sem incorporar as massas ao processo. Sem consumo. Sem melhoria das condições de vida, rompendo a marginalidade, antes que os excluídos se cansem do papel que lhes é destinado, de serem meras sombras, vazias. Invólucros sem significado e sem direitos, nem ao mesmo ao sonho.

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O medo de que essas massas despertem, e como uma força selvagem da natureza resolvam se expressar, é o que leva quem tem recurso a preferir migrar para um país de economia sólida, do que para outro onde o primeiro responsável por atraí-los filosofa, mesmo que com propriedade: “Nada está tão ruim que não possa piorar” (o parceiro das milícias em 27/09/2021). Ou “Temos é que desconstruir muitas coisas.” (em março de 2019).

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Retornando do recesso com a transformação de Djokovic em herói do estado de barbárie, por defender direitos individuais SEUS, em antagonismo ao direito de todo um povo.

Tenho visto, em redes sociais, uma série de homenagens prestadas ao novo ídolo da liberdade individual e do direito que todo o cidadão tem de agir de acordo com suas convicções éticas, morais, religiosas, etc., o tenista sérvio Djokovic.

Transformado em herói pela extrema direita mundial, não poderia ser diferente em nosso país,  onde está ganhando o status de símbolo de defesa dos valores defendidos pelos bolsotários.

A continuar neste ritmo, em pouco alcançará o posto de muso do verão deste país tropical.

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Isso exige de nós que analisemos mais atentamente os tais valores dos grupos de nossa direita extrema, que o tenista parece representar.

Antes uma observação necessária em relação ao esportista, líder do ranking de tenistas profissionais; recordista de títulos de grandes “slams” ao lado de Federer e Rafael Nadal, com 20 conquistas; recordista de vitórias do Aberto da Austrália, onde venceu em nove ocasiões; e, franco favorito a superar a barreira dos 21 títulos dos maiores torneios da modalidade.

Dado seu currículo, o reconhecimento de suas qualidades de atleta se impõe sem dar margem a contestações.

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Reconhecida sua importância para o tênis profissional, há que se enumerar algumas outras observações  pertinentes para a compreensão da elevação do sérvio ao papel de ‘mártir’ na defesa dos direitos individuais.

A primeira delas trata de uma obviedade: como todo grande campeão, não é demais reconhecer que o sérvio deve se cercar de uma estrutura sofisticada de auxiliares, desde técnico ou técnicos, até ‘sparrings’, preparadores físicos, médicos, nutricionistas, relações públicas, responsáveis pela área de comunicação, ‘media training’, e toda uma equipe especializada que o cerca com o objetivo de responder pelo planejamento e administração de sua carreira.

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Outra observação se refere ao fato de que, já há alguns anos, o Aberto da Austrália (até então o torneio de encerramento da temporada anual) passou a ser o torneio de início da temporada, sendo realizado tradicionalmente no mês de janeiro.

Logo, não há como se alegar que o calendário era de desconhecimento de qualquer de seus atletas.

Ademais, o mundo atravessa, desde o final de 2019, uma crise de origem sanitária e humanitária, a Covid 19 (SARS cov 2), classificada como uma pandemia. Em função da pandemia, da facilidade de transmissão do vírus, e do elevado número de óbitos, vários países, têm, ao longo de todo este período, adotado medidas de cunho radical, extremas, de restrições severas a certos direitos individuais.

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Neste pitaco, não é meu propósito discutir o acerto ou mesmo o exagero das medidas de restrição recomendadas e adotadas, com maior ou menor rigor em praticamente todos os países do mundo.

Desejo frisar apenas que, ao lado da recomendação de medidas de adoção de higienização pessoal, como o uso de álcool ou a constante e correta lavagem das mãos, e do uso de máscaras, a medicina tem recomendado às pessoas evitarem aglomerações e ambientes fechados que, dada a evolução das condições de assistência médica-hospitalar, e o avanço da própria Covid, podem levar à decisão de decretação de ‘lock down”.

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Como muitos negacionistas não reconhecem ou admitem a crise de saúde que varre o mundo, muitos são contrários, não apenas às restrições aos direitos individuais de ir e vir, circular livremente, etc. Nesse caso, fazem questão de não usar as máscaras, se aglomeram, são contra as medidas que, se todos com consciência da necessidade do cuidado social viessem a praticar, poderia evitar o abarrotamento de hospitais, postos de saúde, clínicas, Unidades de Pronto Atendimento, macas, camas e enfermarias e, por fim, de Unidades de terapia intensiva.  

Se agissem menos preocupados com seu próprio umbigo, e com a tal e já desgastada EMPATIA, os ‘lock downs’ talvez não viessem a se tornar necessários.

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Mais tarde devo fazer alguma observação sobre o comportamento e a postura de Djokovic, frente à pandemia, ou mesmo frente a suas conviccções pessoais.

Aqui, quero apenas lembrar que, como vários outros países e instituições médicas de respeito e tradição têm reiteradamente negado a eficácia do combate à Covid pela criação de uma falaciosa imunidade de rebanho, a maioria dos países têm adotado medidas protetivas de sua população, entre as quais a de fixação de regras rígidas para a chegada de turistas ou viajantes ao país.

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O Brasil mesmo, sem que houvesse grita mais significativa dos pretensos defensores de direitos e liberdade, já adotou desde proibição simples da entrada de pessoas oriundas de determinados países, até a necessidade de testagem, comprovação de testes com resultados negativos, quarentenas, etc.

O Brasil, por forças equivocadas e falsas, de defesa sem limites da liberdade, é contrário ao passaporte vacinal, mas não se furta de estabelecer medidas que visem manter o acesso a nosso território seguro.

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Bem, como vários outros países, a Austrália adotou mais recentemente, restrições à chegada e à entrada no seu território, de todos aqueles não vacinados.

Ao que consta, não há qualquer obrigatoriedade de vacina para quem quer que seja. Não há compulsoriedade. Mas, se alguma pessoa tiver interesse de ir à Austrália, deve seguir a lei do país, que impõe a apresentação de passaporte vacinal.

Aos insatisfeitos, a opção é não irem àquele país.

Simples assim.

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Djokovic sabia bem disso, e não poderá nunca argumentar, acompanhado de toda sua assessoria técnica, desconhecer tal regulamentação legal.

Ele sabia que não poderia entrar naquele país para a disputa que tinha como objetivo conquistar.

E a prova de sua ciência é que alegou ter tido a doença em dezembro, o que já criaria anticorpos. Preencheu documentos – vá lá com ENGANOS -  para poder ludibriar as autoridades australianas. Tanto mentiu e  teve de retroceder, que até mesmo sua doença hoje é questionada.

Ou seja: defendendo a tal sagrada liberdade dele, jogou uma cartada alta. Blefou. E teve o tratamento e decisão merecida.

Fica de fora do torneio do ‘Australia Open’, perde o direito de tentar quebrar o recorde de slams.

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Vira ídolo? Vira símbolo de defesa dos direitos individuais?

Somente pode adotar tal postura aquele que despreza o estado de direito e a lei, fundamento de nosso convívio social. Aquele que é favorável à liberdade individual e até ao direito natural, inalienável, de ir e vir, de decidir o que é melhor para si, contrapondo-se até mesmo ao direito de outros povos.

Logo, quem coloca o tenista sérvio no pedestal, é apenas quem admite o desrespeito às normas; que admite o crime com método de comportamento dos frustrados; quem prega que a violência é arma lícita de defesa de seu direito, mesmo que contra o direito e a vontade expressa da maioria.

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Para os defensores do sérvio, vigora a lei do mais forte, mesmo que criminosos de qualquer periculosidade, desde que pretos, pobres, jovens, excluídos, sejam veementemente condenados.

Para estes, qualquer punição menos que a pena de morte é pequena.

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Estes, aqui extremistas bolsotários, pregam o estado do caos social, da barbárie, do desrespeito ao direito, contraditoriamente a título da defesa de .... curioso direito.

No fundo, direito só os meus ou dos de meu grupo!!!

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Mas, têm e fazem o herói que merecem ter. Um negacionista que por ter ignorado a pandemia e suas trágicas consequências promoveu torneios de tênis, com aglomeração de público, de onde vários atletas saíram infectados.

Inclusive ele mesmo, o pretenso atleta de saúde indestrutível.

Pior ainda, em minha opinião, são as ligações pessoais e de amizade do tenista com políticos e mandatários sérvios, como Milan Jolovic, aliado de Ratko Mladic, condenado por genocídio em seu país ou com Milorad Dodik, que nega a existência das atrocidades do massacre de Srebrenica.

Ok. O sérvio pode ser um grande atleta, mas não é tolo ou ingênuo.

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Pode ter a posição política ou ideológica que quiser. Isso é problema dele.

Mas elevá-lo à condição de defensor dos direitos é o mesmo que pregar a morte, como forma de defesa da vida.

Nada demais, para um país onde o ministro da Saúde alega que, como o presidente de quem é capacho, a liberdade vale mais que a vida!!!