terça-feira, 14 de outubro de 2014

As mentiras todas do PSDB não dá para esquecer. Nem a corrupção que acompanha os tucanos

Nunca votei no PSDB para presidente da República.
Nunca tendo qualquer problema em declarar meu voto, nas três últimas eleições, eles foram sempre para o PSOL, respectivamente em Heloísa Helena, o saudoso e formidável Plínio de Arruda Sampaio e, agora, em Luciana Genro.
Em 2010, concordando com a atitude do partido, de não declarar apoio a qualquer candidato, anulei meu voto no segundo turno.
Antes, lembro-me que votava no engenheiro Leonel Brizola. Confesso que não me lembro de ter votado em Lula, exceto por total e completa falta de opção.
Aliás, nunca deixei de admitir que considerava o professor José Serra tecnicamente mais bem preparado que o candidato do PT, sentimento que não tinha qualquer relação com o fato muito explorado de que Lula não estudou. Ou que não quis estudar, mesmo quando teve oportunidade, por não ser dado a atividades que exijam algum sacrifício.
E, convenhamos, Lula mostrou que estava preparado para dirigir o país, por sua maior sensibilidade para as grandes questões nacionais que o professor Serra.
Lula mostrou a todos, e os prêmios que recebeu e o reconhecimento de órgãos internacionais o confirma, que estava sim preparado. E que nem sempre o diploma seja o sinal de preparo.
As provas estão aí e não mentem, quando se considera a quantidade de formandos e bacharéis, incapazes de se saírem bem nas provas da OAB, do Conselho de Medicina e até no ENADE.
Isso para não falar, por exemplo, de todas as vagas para o cargo de juiz, em todo o país, cujos concursos não conseguem selecionar qualquer candidato.
Mas, não era esse o assunto principal dessa postagem. Embora tudo que afirmei serve para dizer que decidi votar em Dilma, nesse segundo turno.
Porque de acordo com minhas convicções, acho sempre menos ruim para o país um governo que tenha um histórico de preocupações, uma tradição de realizações voltadas para as classes menos favorecidas da nossa população.
E, olhe que não tenho bolsa família, não recebo qualquer vale do governo ou juros subsidiados, não detenho títulos públicos para locupletar-me com as taxas de juros absurdas que se praticam no país, nem qualquer outra coisa que possa me caracterizar como pobre, ou versão do ex-presidente FHC, como desinformado.
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Ao contrário, as informações que detenho, permitem que saiba até que o professor FHC, então ciente de que os órgãos de repressão da ditadura estavam interessados em suas atividades, logo ele, filho do general Leônidas Cardoso e pertencente a família de tradição militar de longa data, optou por exilar-se no Chile, onde pelo que é relatado, viveu muito confortavelmente, tendo logo tido a oportunidade de se tornar funcionário da CEPAL.
Se FHC foi perseguido pela ditadura isso só se deu quando ao retornar ao país, e assumir cátedra na USP, foi cassado, um ano depois, tendo passado a viver de aposentadoria compulsória.
Logo ele, que considera pessoas como eu, que já se aposentaram, ou como Lula, que também recebe aposentadoria não passarem de vagabundos.
Mas não é de FHC que deveríamos estar falando, embora ele seja reconhecidamente um dos mentores dessa farsa que é a figura política bem sucedida de Aécio Neves.
Porque é importante que a memória que mantemos não se perca e que as mentiras que o programa de propaganda política do PSDB destila não passem despercebidas, especialmente, pelos mais novos.
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O PSDB mente nas propagandas e apenas consegue algum êxito, por ser o porta voz da reação conservadora e mesquinha de um parte da classe média brasileira, tão preocupada em correr atrás da realização de seus sonhos e suas riquezas, que esqueceu-se de que a riqueza compartilhada e fruto do trabalho em solidariedade é muito mais valorosa.
Essa parte da população, que vota em Aécio por ser ele que vai acabar com a corrupção do país, nada conhece do processo de privatização, em que grupos de empresas se associavam dentro dos gabinetes do governo, para definir que grupos seriam os beneficiários dos leilões.
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Não sabe que se Lula e Dilma fizeram governos onde os bancos tiveram lucros exorbitantes, foi no governo FHC que o Banco Central teve de lançar o PROER- Programa de Reestruturação do Sistema Bancário do país.
Não se lembram que o PROER foi lançado na madrugada da noite em que foi decretada a intervenção/liquidação do Banco Nacional. Logo o banco de propriedade de Ana Lúcia Magalhães Pinto, ex-nora do nosso presidente impoluto.
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Esquecem-se de que o Plano Real foi lançado em fins de 1993, quando o ministro da Fazenda era FHC, mas quem comandava os destinos do país era Itamar Franco, eleito vice de Collor, por outra sigla, distante, muito distante do PSDB.
Vá lá, o ministro então lançado candidato teve que deixar o cargo em abril, quando ainda tinha apenas dois meses de URV, a grande inovação do Plano. E três meses antes da troca definitiva da moeda para  o Real.
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É importante recordar que foram Ricúpero e depois de sua queda Ciro Gomes que comandaram o Real no festival de liberação de importações a que o país assistiu no final daquele ano, e que conseguiu amedrontar os empresários nacionais, impedindo-os de tentar restabelecer suas margens de lucro.
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Mas não podemos esquecer do choque de juros que Pedro Malan e Pérsio Arida foram forçados  a praticar enquanto presidentes do Banco Central, por força da crise que se abateu sobre o México e que poderia causar um efeito contágio, de fuga de capitais, logo no momento em que nossas contas externas tornavam-se tão vulneráveis.
Isso para não falar da criação da banda cambial, em que amigos do presidente do BC, Arida, ganharam grandes somas de dinheiro, sem esquecer que foi no sítio desse amigo que o presidente do BC havia passado o fim de semana.
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Também não vamos falar de diretores do Banco Central, condenados pelo Judiciário, por terem protagonizado um dos mais bizarros escândalos do governo FHC, o caso Marka-FonteCindam, no ano de 1999, logo em seu incio, em que o nome mais evidente foi o do banqueiro Salvatore Cacciola.
Ou as pessoas não se recordam de que tanto o diretor Mauch da Fiscalização e a gerente do departamento Tereza Grossi foram punidos posteriormente, tendo essa última por seus préstimos na trapalhada, sido nomeada, na ocasião,  diretora do Banco Central, prêmio que não pode usufruir por longo tempo.
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Mas não falemos desses indícios de corrupção. Falemos da compra de votos por FHC, por 200 mil reais, para que fosse aprovada a sua reeleição.
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E tem gente, coitada, que tão esquecida, vem pregar a alternância do poder, quando a ideia por todos agora condenada foi do Sérgio Motta, ministro de FHC e homem forte de seu governo. Aquele mesmo que previa ficarem os tucanos 20 anos no poder.
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Mas não é só. Fica fácil hoje mentir e culpar ao governo Dilma por um PIB pequeno, por uma inflação elevada.
A tabela abaixo, para os anos de 1995 até 2002,  extraída do Ipeadata mostra os números que não deixam margem a dúvidas:

           PIB     Variação real     IPCA    Metas 
705.640,89 4,42 22,41
843.965,63 2,15 9,56
939.146,62 3,38 5,22
979.275,75 0,04 1,65
1.064.999,71 0,25 8,94 8
1.179.482,00 4,31 5,97 6
1.302.136,00 1,31 7,67 4
1.477.822,00 2,66 12,53 3,5

Vale observar que o PIB está apresentado em milhões de reais, e as taxas em percentuais ao ano.  

A meta de inflação,  criada como instrumento de política após 1999, quando Armínio Fraga já era o presidente do Banco Central, não foi respeitada salvo em um ano, tendo sido superada em quase 200% no ano de 2001, e mais de 300% em 2002, último ano da malfadada gestão tucana.
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A variação do Pib real foi de 2,32 em média, com o êxito natural provocado pelo processo de estabilização, como acontece em toda a economia que passa por experiência semelhante. Nos últimos 4 anos, em que Lula foi o culpado pela inflação, segundo Armínio, a inflação também foi muto alta, talvez por força de o PT estar querendo lançar Lula candidato!!!!!
Bem no mesmo período de Armínio, tivemos taxas de juros elevadíssimas, e PIB crescendo em média 2,1%.
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Ora,  no governo de FHC o mundo vivenciou três crises. Todas localizadas, embora tenhamos de admitir que o projeto de globalização que tanto encanta e agrada aos economistas ligados aos tucanos e à Marina, acaba fazendo a crise atingir a proporções mais amplas. Foram as crises do México, da Rússia e da Ásia.
E elas foram sempre a desculpa usada pelo governo para os problemas de nossa economia. 
Mas nenhuma atingiu a dimensão da crise iniciada no coração do capitalismo liberal, os EUA.
E a ela o governo Dilma não pode responsabilizar, porque parece ser exclusividade do governo tucano não cometer erros e não assumir responsabilidades.
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Não vamos aqui falar da fama de Aristides Junqueira, o engavetador geral da República, que a tudo engavetou, Nem da nomeação por favores prestados do advogado geral da União, para uma cadeira no Supremo.
Também isso o PT copiou e fez semelhante. Infelizmente.
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Mas, poderíamos lembrar o problema com a Plataforma da Petrobras que deu origem a uma tentativa de aprovação de uma CPI, negada pelo partido do governo, Aécio, esse democrata, em meio ao movimento. 
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Vou falar apenas de que prefiro a Dilma me dando subsídio e/ou represando o preço da energia, do que o apagão dos tempos de FHC em 2001. 
Porque depois do apagão, também eu vi minhas tarifas de energia sendo elevadas, não por ter algum tempo me beneficiado de pagar menos. Ao contrário, porque o contrato das firmas privatizadas atribuíam ao governo a responsabilidade de cobrar pela energia não vendida, não entregue e nem produzida, por força de contrato.
Talvez para a obtenção de taxas de retorno do capital capazes de incentivarem tanta parceria público -privada, como Aécio gosta tanto de afirmar. 
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Afinal, não fosse o caso esdrúxulo de venda das ações e cessão do controle da Cemig pelo tucanato, em boa hora desfeito por ato de vontade política de Itamar, e não fosse a construção tão criticada, inclusive por erros de construção, da Cidade Administrativa que leva o nome de seu avô até pudéssemos acreditar que o PSDB mudou e Aécio representa essa mudança.
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Isso para não falar dos casos já muito citados e que em nada resultaram do mensalão mineiro, de Eduardo Azeredo e companhia, do aeroporto da família Neves, em Cláudio, da Alsstom e do Metrô de São Paulo, e tantas outras situações que ilustram tão bem o rigor e a ética do PSDB.
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Chega de mentiras e esquecimentos. 
Eu vou de Dilma.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Desconhecimentos, bolsa família e Galo repondo a ordem no terreiro, até em benefício do Cruzeiro

Vou aproveitar o dia de hoje para comentar o programa Bolsa Família, gerido pela Caixa Econômica Federal, e muito criticado, em especial nas redes sociais, por uma quantidade grande de pessoas que, apesar de terem a chance de não falar sobre assunto que desconhecem, não têm tempo de se informar melhor e saem repetindo inverdades e cometendo equívocos de toda espécie.
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As informações que irei colocar a seguir estão no site da CEF e podem ser acessados por todos que, no pouco tempo que o trabalho lhes deixa, preferem primeiro APRENDER, para depois sair comentando ou criticando o programa.
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Concordo que, quando o trabalho nos deixa muito pouco tempo para diversão, às vezes, sentimo-nos pouco estimulados a ir entender do que queremos falar mal. Mas é bom que se saiba que, a mesma cultura dos feeds do facebook é a cultura do wikipedia, ou seja, na maior parte das vezes uma cultura e conhecimento completamente raso.
O wikipedia, ao menos, alerta ao usuário para não confiar e procurar outras fontes de informação.
Então, o material aqui, é tirado direto e faz apenas uma síntese de parte do que está no site da CEF.
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Longe de mim, ao fazer isso, está ignorar que o para evitar fraudes, o programa prevê que as prefeituras de cada município é que irão cadastrar e acompanhar se as famílias estão cumprindo os compromissos. Tal postura é a mais correta, uma vez que vivendo em um município qualquer, ninguém melhor que os agentes municipais, para verificarem as informações, e o cumprimento das condições do bolsa família.
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Entretanto, longe, muito longe de mim achar que, com isso, as falcatruas tenham sido sanadas e o programa não padece de fiscalização, que impedisse, como normalmente os programas noticiosos das tevês nos apresentam, que a própria família do prefeito e outras autoridades sejam beneficiárias, usurpando o dinheiro que é nosso, destinado a outros mais carentes.
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O detalhe é lembrar que, nesses casos, a culpa não pode ser toda descarregada sobre os ombros da esfera federal, que criou o programa, sob o risco de quem agir assim, estar apenas alimentando os argumentos de quem é contrário à ideia de que deveríamos ter maior autonomia para os municípios e resgatar os preceitos federativos previstos em nossa Constituição.
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Então vamos lá às informações do Programa, extraídas do site da CEF, consultado hoje:

Programa de transferência direta de renda, com condicionalidades, buscando promover a superação da fome e da pobreza, o Bolsa Família está ancorado em três bases: a promoção do alívio imediato da pobreza; reforço ao exercício de direitos sociais básicos, em Saúde e Educação, que integram as condicionalidades que devem ser cumpridas; coordenação de programas complementares que visam o desenvolvimento das famílias, como alfabetização de adultos, geração de trabalho e renda, fornecimento de documentos, todos para que as famílias possam superar sua situação e .... conseguirem sair do Bolsa Família.

Para ter direito ao programa a família deve manter seus filhos na escola e adotar ações de acompanhamento da saúde, principalmente para crianças e gestantes.
Uma informação importante a ser divulgada é a de que apenas podem se cadastrar no programa, as famílias com renda mensal de apenas R$ 77 por pessoa, consideradas de extrema pobreza, NÃO PRECISANDO TER FILHOS.
Famílias cuja renda por mês seja entre 77,01 e 154 reais, caso tenham crianças e adolescentes, desde que abaixo de 16 anos, gestantes ou mães amamentando.
Famílias até zero até 154 reais, caso tenham adolescentes de 16 e 17 anos e famílias que atendam aos critérios do programa, e inscritas em outros.
E, quais os benefícios são obtidos?

1) benefício básico de R$ 77 para as famílias do primeiro grupo. 
2) benefício variável de R$ 35 para as mesmas famílias em situação dita de extrema pobreza, caso incluam gestantes, mães amamentando, crianças e adolescentes até 16 anos, com o benefício limitado a 5, ou totalizando R$ 175.
3) benefício variável jovem para as famílias em situação de extrema pobreza, com adolescentes entre 16 e 17 anos, sendo que o máximo do benefício é para 2 pessoas, no valor de R$ 42 cada, sendo o valor total pago de R$ 84.
4) um quarto benefício é paga apenas aos extremamente pobres e cada família só pode ganhar um benefício, cujo valor varia e é definido a partir da renda por pessoa da família.

O máximo benefício que pode ser acumulado ou recebido, somados todos os benefícios básico, variável ou variável para o jovem é de R$ 336 por mês, junto ao benefício de superação de pobreza - o último listado.
Entre as exigências para poder receber os benefícios, as famílias devem participar de atividades educativas do Ministério da Saúde, sobre aleitamento materno e alimentação saudável; comparecimento de gestantes a exames pré-natal; manutenção do cartão de vacinação em dia, para crianças até os 7 anos; acompanhamento da saúde da mulher, de 14 a 44 anos; garantia de frequência mínima de 85% de crianças e adolescentes, dos 6 aos 15 anos, na escola; e frequência mínima de 75% dos adolescentes de 16 e 17 anos na Escola.
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Quem sabe, agora, não vamos continuar postando no Face que a mulherada está aumentando o número de filhos, apenas porque vai viver de rendas.... do Bolsa Família?
Se ainda fosse viver de rendas como os proprietários de propriedades como a terra ou o capital, e mais ainda como os beneficiários de rendas obtidas com a especulação nas bolsas dava até para entender as críticas.
Mas, esses rentistas, completamento passivos e predadores, bem diferente dos empresários do setor produtivo, não são atacados pelos que atacam a Bolsa Família, já que são os modelos que quem posta tanta bobagem, sem conhecimento, querem alcançar.
Ou seja, esses parasitas -especialmente dos títulos da dívida pública quando não da boa fé do público são o que querem ser quando crescerem, ao  menos mentalmente os pobres - não de renda, mas de espírito que ainda insistem em criticar o desconhecido.

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Campeonato Brasileiro

Apenas para mencionar que, se o Cruzeiro, começou a atender a reivindicação de tantos que o secavam, passando a perder pontos em sua campanha, de modo a trazer mais emoção e dar mais graça ao campeonato, mantendo a dobradinha mineira, o Galão continua agindo para por as coisas em seu devido lugar.
Se o Cruzeiro quer correr emoções violentas, o Galo não deseja perder a exclusividade de ser o time que mais faz sofrer a torcida mineira e, como foi contra os times gaúchos, principalmente o Inter, derrotou também o São Paulo, em jogo morno, sem muita jogada de gol, mas que acabou com o passe de Alex Silva para Luan, livre na área, mandar Rogério Ceni, ir buscar lá dentro a redondinha.
Com as coisas de novo em seu devido lugar, o Cruzeiro mantém sua enorme frente, conquistada merecidamente. E para seus torcedores não ficarem se queixando de terem perdido para o Galo, nós estamos felizes de poder dizer que não estamos fazendo diferenças. 
Estão lá na ponta da tabela, só dá Atlético. E viva o Galão.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

As idas e vindas de Marina e suas razões e temores

Marina negaceia, faz que vai e não vai, e como a frase famosa do jogador de futebol, acaba fondo...
Mas, analisando friamente, até que ponto o apoio de um candidato, qualquer candidato é realmente importante?
Vejamos: Marina uniu-se a Eduardo Campo e a seu PSB, por não ter conseguido viabilizar seu partido, a Rede de Sustentabilidade.
Ao sair candidata a vice na chapa do político pernambucano, nitidamente passou a incorporar o desejo de mudança, o que já a colocaria  no campo anti-petista. Mesmo campo em que se encontram e se encontravam, como já foi mais que comentado pelos analistas políticos, os eleitores de Aécio.
Mas nem tanto.
Afinal, tanto Marina quanto Eduardo Campos haviam sido ministros do governo petista de Lula. Tanto um como o outro ainda tinham pessoas de seu círculo de convívio fazendo parte dos quadros petistas, alguns até ocupando cargos da administração petista.
Também são notórias as boas relações mantidas por Eduardo, até por ocupar um governo estadual, com a presidenta Dilma, o que lhe proporcionou, em nome de Pernambuco, apoio, recursos e obras.
Assim, embora tendo passado para a oposição ao final de seu mandato, mas só a partir do momento em que tomou a decisão de se candidatar, é plausível que parte de seu eleitorado e até dos filiados ao PSB fossem oposição, pero no mucho.
Ou seja, não tinham como outras correntes políticas aquele ímpeto ou espírito radicalmente oposicionista.
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Com a morte de Eduardo e a chegada de Marina ao centro da cena de disputa, a ex-senadora angariou novos apoios e agregou novos votos a seu projeto e às propostas do PSB. Mas, a trajetória pessoal de Marina, embora não pró-Dilma e, aceitemos, cada vez menos simpática ao PT, principalmente em função da forma inábil utilizada pelo partido no tratamento da corrupção que instalou-se e avançou muito em seu governo, não pode ser confundida com os interesses que movem os candidatos do PSDB.
Vá lá que o PSDB tem o socialismo em seu nome, em sua sigla, mas é necessário lembrar também que o PFL tinha entre as propostas de seu programa partidário, até mesmo a questão da reforma agrária.
Ora, como o papel aceita tudo e nada questiona, Aécio pode pousar de um político de centro-direita, mas não querendo compará-lo a Collor e a tudo que esse político alagoano representa e representou para o país, fica mais ou menos claro que entre Marina, vinda de classes mais humildes, sofridas, que passou fome e conhece de perto a miséria e a exploração, e Collor, filho de família rica e tradicional, inclusive do ponto de vista político, Aécio tem muito mais em comum - NA ORIGEM -  com Collor.
Estou fazendo essa analogia, porque enquanto Collor ao assumir preocupou-se não com o problema da fome e da pobreza, ou da desigual distribuição de renda no país, mas com o fato de que os carros que nossa população utilizava mais pareciam carroças, mostrando nitidamente a que classe sua atenção estava preferencialmente voltada, acredito que Aécio, até por não ter vivenciado as mesmas situações que Marina, teria muito mais preocupações com os problemas que eram também os que atraiam a atenção do alagoano.
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Nada de anormal, contudo, que tal como Collor na oportunidade teve apoio e muito voto e simpatia das classes menos favorecidas, Aécio também possa vir a ter apoio e votos. Afinal, para uma determinada classe de pessoas, pouco politizadas e pouco informadas, ambos representam um ideal a ser alcançado. Ou o sonho impossível.
Mas, como sonho ou ideal, encarnam a ideia da perfeição e do exemplo, de onde então a escolha por esse ideal, que não pode ser, por ideal, conspurcado.
Claro, estamos tratando de uma classe de pessoas que não têm nada que as torne objeto de qualquer reprovação. Apenas que, podendo até se sentirem integrantes de uma classe social, sentindo-se membros de uma classe em si, não conseguem acreditar, por tudo que passaram e toda sua experiência de vida em que foram sempre tratados de forma condenável, que podem transformar-se em uma classe para si, apenas para  utilizar a linguagem da análise sociológica de Marx.
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Marina, pessoalmente, pode não concordar como o PT, mas não compactua com os mesmos interesses que financiam, apoiam, saúdam e torcem para Aécio.
Daí a dificuldade de aceitar, sem hesitações, acenar com seu apoio a Aécio. De certa forma, tal manifestação de apoio àquele candidato e aos interesses de seu partido seria uma traição a toda sua trajetória de vida.
Até que ponto essa sua dificuldade não é sentida por todos que acompanharam a trajetória da ex-senadora e que sempre estiveram ao seu lado, desde quando em 2010 ela se lançou como candidata transformando-se na grande surpresa político-eleitoral de então?
E a pergunta que não quer calar: esses eleitores seguiriam uma recomendação de voto em Aécio, apenas porque Marina o indicou? Afinal, até que ponto que esses eleitores não viam em Marina a representação e voz de suas crenças e convicções, o que pode até mesmo chegar, no limite a perceberem as pressões que atuando sobre a sua porta-voz, a obrigam a tomar partido, apenas para não ficar na posição de em cima do muro.
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Postura de ficar em cima do muro, aliás, que sempre foi identificada com o partido dos tucanos, e especialmente com o famoso jogo de cintura do político matreiro que Aécio encarna com tamanha perfeição!!!
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Por isso Marina exige de Aécio, para apoiá-lo, a inclusão de certos princípios que lhe são caros, como a redução da maioridade penal, talvez maior respeito às questões vinculadas à economia sustentável, quem sabe à políticas de redução da desigualdade, demandas que, convenhamos, Aécio não pode aceitar, não por não concordar com elas, intimamente, mas por ir contra os interesses que o sustentam e a sua candidatura e ao seu partido.
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Por isso, ontem mesmo, em discurso, Aécio já declarou que não admite discutir ou retirar seu apoio à ideia, por exemplo, da redução da maioridade penal que é afinal, um projeto que ocupa o papel de menina dos olhos de seu vice.
Dai que acho que transferir apoio e votos, por si só tarefa já bastante difícil, será ainda muito mais difícil no caso de Marina, e de seus eleitores.
E, a julgar pelo desenrolar dos acontecimentos e dos sucessivos adiamentos que Marina vem solicitando para anunciar sua decisão, creio que o que veremos no caso da candidata derrotada é uma declaração de neutralidade, embora com declarações bastante contundentes até à gestão da presidenta Dilma e às denúncias de corrupção que cada vez mais se acumulam contra seu governo.
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Quanto a outros apoios que tem recebido, como o do pastor Everaldo, ou de Levy Fidelix, não há muito o que analisar. Em minha opinião, o próprio partido de Aécio, não estivesse tão empenhado em retornar ao Planalto, envergonhar-se-ia de tais aliados.
Mas, isso é o jogo político. E como se afirma, o jogo é jogado.
Curioso é o apoio de Eduardo Jorge e seu PV, embora o médico tenha sido secretário de administrações peessedebistas, como se sabe.
Logo, não causa estranheza que nesse momento, sob que alegações e desculpas sejam usadas, o PV e seu candidato se unam, mais uma vez, aos tucanos.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Pitacos de professor e declarações (muito) polêmicas. Mas o debate é que nos alimenta e faz evoluir

Cacoetes ou vícios de professor, exigem que os pitacos hoje sejam um pouco diferentes, mais na forma, menos no conteúdo.
Vamos a eles:

O capitalismo não é nem nunca foi a-histórico, embora o livro Curso de Introdução à Economia Política, do professor Paul Singer, em seu primeiro capítulo nos traga a observação de que devemos ter cuidado por que é assim que a escola neoclássica, que inunda os livros-texto e manuais de economia costuma apresentar o sistema.
O fato de dizer que os homens têm necessidades que devem satisfazer e que a atividade econômica é o estudo de como os homens usam recursos escassos para produzir os bens e serviços que mais os satisfaçam e que sempre foi assim, que os homens sempre tiveram necessidades e sempre as terão, é uma falácia. Um engodo.
A economia antes de ser o estudo de uma relação homens e meio ambiente, homens e recursos escassos ou não, deve ser ciência social, e entender as relações que os homens estabelecem entre si, enquanto envolvidos na necessária atividade para produzir o que lhes satisfaz.
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Não sendo acima ou superior à história, como todos os eventos na vida, o modo de produção capitalista é datado: tem princípio, meio e fim. Já vi material afirmando que a implantação do capitalismo pode ser datada a partir da unificação do Estado Nação, com Portugal, lá pelos idos de 1300 e alguma coisa, com a eliminação dos feudos existentes.
Como até o momento em que o capitalismo se impõe como ordem social hegemônica com a Revolução Industrial, passam-se no mínimo 400 anos, devemos observar que o capitalismo deve ter tido, como qualquer fenômeno social em marcha, idas e vindas, momentos de crescimento e de retrocessos, etc.
E vai chegar ao final, em algum momento dessa magnífica viagem do ser humano pela terra.
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Dessa forma, falar que o capitalismo vai continuar e ponto, é asneira ou completa falta de visão e compreensão da história da humanidade. E só vai chegar a termo por nossas ações, mais cedo ou mais tarde no tempo. Afinal, para a humanidade o tempo tem uma dimensão muito diferente do tempo histórico.
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Assim querer comparar, a essa altura, a experiência do capitalismo com mais de 700 anos de experiência com a experiência de implantação do sistema socialista, do socialismo real experimentado pela União Soviética e suas repúblicas satélites é, novamente, desconhecimento, ou má-fé.
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Isso não significa que o socialismo seja necessariamente nem melhor ou pior, apenas que é diferente. E que tudo que é diferente pode ser uma coisa ou outra.
A experiência da União Soviética, por vários motivos, assim como foi a experiência albanesa, chinesa ou da Coréia do Norte, ou ainda e pior a de Cuba, pode não ter sido boa. Mas era apenas o início de um processo que está em construção.
E como tal, que pode melhorar ou não.
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De mais a mais, nem há qualquer obrigatoriedade, apenas porque descrito por alguns teóricos que o que aconteça e seja desenvolvido pela raça humana seja mesmo algo como o sistema socialista. Pode ser outra coisa, com o mesmo nome ou não. Mas diferente. Melhor ou pior.
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Combater as ideias socialistas, da forma como se faz hoje, embora compreensível por indicar o medo que as mudanças infundem sempre, em qualquer um de nós é, no entanto, apenas medo. E deveríamos estar abertos, sempre, ao menos à discussão. O que se sabe é que o capitalismo tem também e cada vez mais problemas e equívocos.
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Não vou me aventurar a assegurar, porque me lembro de ter lido, há muitos anos e não consigo mais lembrar nem em que obra, nem exatamente a referência, mas creio que o próprio Lênin afirmava que se trouxe algo de bom, o capitalismo trouxe um padrão de consumo que merecia elogios. O problema é que tal padrão era para poucos privilegiados.
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Mas o próprio Marx afirmou várias vezes que o capitalismo era o sistema social que mais avanços promoveu e promoveria na evolução dos meios de produção (máquinas e equipamentos, instrumentos de trabalho, etc.) que permitem a acumulação de capital e o crescimento da produção.
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Mudando de assunto: não sou petista. Poderia até dizer, parafraseando Zélia Gattai, graças a Deus.
Mas, entre as propostas de Aécio e de Dilma, ambas com todos os defeitos dos interesses que carregam em seus meandros, creio que a melhor ou menos pior para o povo brasileiro, no geral, é representada por Dilma.
Como já disse, Aécio pode ser, pessoalmente mais afável, mais educado, mais simpático e carismático que Dilma. Mais fácil de lidar e até mais leve. Mas está atrelado aos interesses do capital financeiro internacional, cada vez mais impregnado das características do capital rentista, o capital financeiro.
Pode fazer o melhor governo do planeta e ser o melhor para o Brasil, mas pode também, como atuou nos Estados Unidos, nos anos 2007-2009 e de lá para cá, criar uma crise que duvido nós tenhamos condições de superá-la.
***

Há muito tempo atrás, um primo a quem eu assessorava na empresa em que trabalhava me disse que não acreditava que os partidos ou políticos quisessem o mal para o povo ou a sociedade. Os objetivos, regra geral, eram os mesmos. Os caminhos para se chegar lá, sim, eram diferentes.
É uma meia verdade, caro e saudoso, Roberto Pereira da Silva. Os objetivos muito gerais e abstratos, a felicidade geral, a paz mundial, todos com acesso a padrões de vida dignos, etc, podem ser comuns. Mas há sim, objetivos de aumento dos ganhos particulares, ou de grupos sociais, em detrimento, ou sem levar em conta, o custo disso para outros grupos.
Quanto aos caminhos concordamos plenamente. O que faz o inferno estar coalhado de boas intenções, como diz o ditado popular.
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Quando vejo Fernando Henrique e outros próceres de seu partido declarar que o PT é o partido que só vence nos grotões, onde a maioria mais ignorante está instalada, além de achar a frase preconceituosa, arrogante, e de péssimo gosto político, fico preocupado em saber se o ex-presidente, não está é com mal de Alzheimer.
Só isso justificaria o fato de ele ter se esquecido de que, até 2002, o partido vitorioso nos grotões ser o dele, o PSDB.
E o governo dele, reconheçamos fez muito menos pelas camadas mais populares que o elegiam que os de Lula ou do PT.
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Acredito que a verdadeira explicação para o ódio que muitos nutrem hoje pelo PT, traz a marca da decepção.
A grande maioria dos que estão mais próximos de mim, e que conheço ou mantenho algumas relações, são de pessoas que carregavam a bandeira do PT e da esperança do Lulinha paz e amor, em 2002.
Porque se decepcionaram? Talvez porque Lula tenha feito o que lhes prometeu e eles diziam acreditar. Talvez por Lula ter feito tudo que o PSDB disse que faria, com Meirelles no Banco Central e juros elevados às alturas; controle de inflação - que se situavam algumas vezes abaixo da meta; e de superávits primários colossais.
Talvez tão somente por não tolerarem a corrupção atrelada ao PT, esquecidos de que eram lulistas, entre outros motivos por força da corrupção que se comentava existia também nos subterrâneos dos processos de privatização.
***
Ninguém discorda que o PT falhou feio no trato com a questão da corrupção, em rechaçá-la mais pronta e eficazmente, embora alguns ex-simpatizantes do PT que passaram à oposição à Lula, tivessem tido a capacidade de comentarem comigo que estavam muito satisfeitos com a Dilma e a faxina que ela começou a fazer nos primeiros dias de seu mandato.
Porque Dilma parou a limpeza? Porque parou? Parou porque?
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Curioso que não falam, não aceitam, não condenam os casos de mensalão do PSDB mineiro, do metrô de São Paulo e outros vários, em que o dedo do partido de Aécio, o agora paladino da moralidade, é claro e comprovado.
Mas aceitam sem pestanejar as críticas que deveriam merecer no mínimo tratamento semelhante, em relação aos escândalos da Petrobrás, etc.
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No fundo, no fundo, PSDB e PT são de mesma matriz. Não é por acaso que várias vezes já foi falada uma possível fusão de ambas as siglas, se nada mais foi feito em direção a essa união.
E FHC e Lula, farinha do mesmo saco, para expressar que as diferenças entre eles podem ter surgido e crescido, mas são menos de fundo que de forma.
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E só para fazer uma elucubração até meio macabra: quem sabe, depois de oito anos de mandato, caso se eleja agora Aécio não resolva que Marina estava certa e que a polarização PSDB-PT se esgotou, dando lugar ao surgimento de um novo partido.
Será que ele poderia até mesmo indicar para sucedê-lo algum político da nova agremiação, com o perfil por exemplo de Pimentel, o mais peessedebista dos petistas?
Brincadeirinha.
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Só que não.

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Não vejo nada de extraordinário em que Aécio saia na frente nas pesquisas para o segundo turno. Vejo curioso é que, agora, ele estar na frente reabilita os institutos de pesquisa que há pouco foram tão criticados, em razão de suas falhas.
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Por outro lado, intriga-me cada vez mais, a razão de um terço do eleitorado, não querer se manifestar. Numa espécie de protesto do tipo: roubem, mas porque eu não estava nem aí. Agora não venham me passar para trás, me prejudicar e me roubar, iludindo-me com promessas e com o passaporte assegurado por meu voto.
Curioso e triste.
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Sou mais o povo brasileiro. Melhorias para o povo, para que possamos construir uma sociedade que nos honre como nação e como seres humanos: mais digna, mais fraterna, mais justa.
Não creio que o PT tenha justamente essa ambição. Tenho a certeza de que o PSDB não a possui.
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Mais uma mudança de tema

O Cruzeiro, por justiça e merecimento, deve ser o campeão nacional desse Brasileirão 2014, mas que perder para o Corínthians e se vier a perder mais uma partida, para o Flamengo, por exemplo, seria um molho extra para tornar o campeonato mais emocionante, e realmente, um grande campeonato, isso não tenho dúvidas.
Não significa que eu esteja secando o Cruzeiro. A quem, por estar óbvio demais, só um desastre é capaz de tirar o título.
***
Da mesma forma, vendo o time encardido e de futebol estreito do Corínthians jogar ontem, reforcei meu sentimento de que o Galo não consegue fazer os 3 gols no time paulista, que o levariam à classificação para a Copa do Brasil.
Fazer um gol, convenhamos já é muito difícil, nesse time que joga fechadinho, ao estilo Mano, como time pequeno.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Crianças e o futuro longínquo versus as eleições e o dia de amanhã

Na coluna que publica às terça-feiras na Folha, e que só pude ler acessando o site do UOL, tendo em vista que a Folha resolveu me entregar o jornal com um dia de atraso,- isso quando o jornal chega em minha residência - Rosely Sayão tratou de um assunto particularmente importante e que induz à reflexão e a um amplo debate, não fossem as eleições e a campanha eleitoral o único assunto a chamar a atenção das pessoas.
Nada contra a preocupação com os destinos de nosso país, que será decidido em segundo turno, no próximo dia 26 de outubro.
Mas, como o calendário preso na lateral da geladeira não nos deixa esquecer, antes do dia 26, o mês de outubro traz o dia 12. E nesse dia 12, além da comemoração do dia da santa padroeira de nosso país, Nossa Senhora Aparecida, festeja-se também o dia dedicado às crianças.
E, embora possa mesmo ser necessária a ajuda de nossa padroeira para que o povo brasileiro possa se dirigir às urnas em paz e possa votar com consciência e responsabilidade naquele que deverá ser o condutor de nosso país, nossas esperanças e expectativas nos próximos quatro anos, a verdade é que até por uma questão de impacto temporal, a discussão de Rosely sobre o tratamento dispensado às crianças é talvez, muito mais complexo.
Afinal, as crianças de hoje serão os adultos e os responsáveis por nossos destinos no futuro. E nosso futuro tem uma dimensão muito maior que apenas o prazo de 4 anos.
E o que diz Rosely? 
Além da necessária crítica da transformação de uma data como a do dia da criança em mero evento ou oportunidade de ampliação das vendas do comércio, a especialista nos convida a refletir no perfil dessa criança, consumista e pouco solidária que estamos gerando. E que se transformarão em adultos consumistas, individualistas e sem qualquer vínculo intergeracional.
Porque, como ela observa, estamos cada vez mais, a título da concessão de maior liberdade e espaço de criação, ou seja por que motivo for, segregando crianças de jovens; adolescentes de adultos; adultos de idosos.
De fato, além dos bailes do cabeça de prata, ou terceira idade, ou ainda, aumentando a ironia, bailes da melhor idade, o que temos são festas infantis cada vez mais caracterizadas, no lado oposto, pela ausência dos próprios pais das crianças. 
Já de há muito, os adultos levam seus filhos, suas crianças e as depositam em um salão qualquer de buffet, deixando para ir buscá-las ao final de um horário previamente acertado.
As festas de adolescentes, são completamente exclusivas para os companheiros daquela faixa etária, não sendo permitido ou tolerada a presença nem de pais, nem de irmãos menores ou dos avós, etc.
Bem diferente de como era antes, embora, até por ser fora de casa, na maior parte das vezes, muito mais cômodo.
E quais as consequências dessa situação?
Famílias onde as gerações não se encontram, exceto em batizados e enterros, e onde não se relacionam. Não trocam experiências e nem podem aproveitar para que os mais jovens saibam que não são eles os primeiros e únicos a trilharem os caminhos a que estão se dedicando. E que, por isso, podem contar, nos momentos de dificuldades, com o apoio e a compreensão e com a proposta de solução apresentada pelos mais velhos. 
Ao contrário, não incentivamos os nossos velhos a se renascerem e reviverem em seus descendentes, tal como é, parece-me, o espírito que guia o povo judeu. 
Para agravar mais a situação, a nossa sociedade e nossa cultura, ao contrário de outros povos como os orientais, insiste em tratar os velhos como sucata, promovendo uma sobrevalorização do jovem e de seus atributos. 
Assim, velhos ficam ilhados e sem motivação para viver de forma mais participativa e dinâmica. Deixados de lado, não podem passar a sua vivência, nem aprender/ensinar com as novidades de que a juventude é portadora. 
Jovens são deixados à própria sorte, tendo de estarem reinventando a roda a cada instante, por força de não poderem partilhar do processo de aprendizado e transmissão de conhecimentos. 
***
Tudo isso é responsável pela criação de jovens cada vez mais senhores de si e de suas verdades. Cada vez mais egoístas. E jovens que cada vez mais não têm qualquer preocupação com os velhos de quem as referências que guardam são sempre as menos abonadoras. 
Falta o convívio mais íntimo, familiar. A troca de colo, de carinho, de promover e distribuir amor. 
Enquanto isso cada vez mais, destratamos aqueles que um dia foram os responsáveis por nossa chegada a esse mundo, de que também eles foram os principais artífices. 
E pouco espaço tem sido dedicado a esse tipo de tema e de discussão, já que a sociedade, estamos mais preocupados em escolher e contentar os pequenos tiranos que estamos criando, com os presentes que, no fundo, quem ganha é apenas o comércio.


***
Entre surpreso e atônito

Estou assustado com a quantidade de postagens que tenho visto ser publicada nas redes sociais, em especial no Facebook, relativas à campanha eleitoral. 
Menos espantado com a quantidade de comentários, curtidas, vídeos, e muito mais com a virulência que, não raro, acompanham as tais publicações. 
Como se as pessoas que postam suas mensagens acreditassem que, maior a ênfase, maior a capacidade de convencimento suas ideias conquistariam.
Exatamente o contrário. Afinal, quando o argumento é bom, qualquer ruído apenas serve para tirar o foco e a concentração de nosso interlocutor. 
Também acho interessante que alguns possam estar achando que as postagens na rede irão ter alguma consequência prática, induzindo alguém a alterar suas convicções e opiniões, apenas porque houve aquela postagem. 
Curioso é que quem faz a postagem de qualquer tema, está falando apenas para seus amigos, ou parceiros, ou iguais, já que a rede social permite que você selecione com quem que rpartilhar comentários, opiniões, fotos e sabe-se lá mais o que.
Então tais postagens apenas reforçam a ideia que, em geral, os grupos de amigos já compartilham, não havendo qualquer ganho adicional pela mensagem divulgada. 
Por outro lado, a maior parte das pessoas já têm opinião formada e tais divulgações acabam se tornando meros desabafos, alguns de ódio. Outros de frustrações. 
Mas a violência de alguns é surpreendente. Como também surpreende alguns comentários, a respeito de assuntos e situações que apenas demonstram que a pessoa responsável pela publicação sequer se deu a trabalho de ir pesquisar, aprender mais e poder então, com argumentos que não sejam meras falácias, debater de forma mais crítica. Até de forma mais ácida. 
Só que não. As pessoas não pesquisam e se prestam a emitir opiniões e juízos sobre o que ignoram, apenas provando a todos - mesmo os amigos, toda a ignorância de que ela é dotada, e que apenas era imaginada por todos. 
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Também é preciso dizer que não há qualquer necessidade de ficar postando filmes e vídeos de qualquer candidato com pessoas de sua equipe, para tratar de temas que DESSA VEZ ESTÃO SENDO TRATADAS A SÉRIO. 
Ora, especialistas compondo equipes qualquer dos candidatos podem apresentar. E a maior parte deles, claro, com vasta experiência em governos anteriores, onde poderiam ter feito as propostas de agora, e não o fizeram. 
E o que isso prova? Nada.
Melhor é discutir os números e as realizações. As conquistas, se alguma houve e as falhas e lacunas. 
Mas isso não significa que eu esteja querendo ou propondo nem a censura nem o que é pior a autocensura nas redes. 
Por isso elas são abertas, democráticas, livres. Mesmo que algumas vezes alguns candidatos tenham tentado por motivos os mais variados, bloquear e tirar do ar alguma mensagem. 
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Observador distante dessa disputa de candidatos que não me representam, e que podem, quando muito ter alguma proximidade com algumas - poucas- posições que considero corretas e necessárias, apenas gostaria de aconselhar aqui aos que querem continuar defendendo seu preferido, ou criticando o outro, que antes de publicar qualquer coisa, procurem olhar a fonte, ver se o número é correto. Ver se o que está sendo publicado é razoável e se não estão apenas fazendo o papel de papagaio, que repete as coisas sem atinar para o significado delas. 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mudança é com Aécio. Embora mudar não seja sinônimo de evoluir ou melhorar

Há um ano atrás, uma parcela significativa da população invadiu as ruas em protesto contra a situação política e econômica e social do país.
Entre várias reivindicações, destacava-se aquela que deu origem ao movimento, o cancelamento do aumento concedido ao transporte público, em São Paulo, no valor de 20 centavos.
Acoplada a essa exigência, veio outra logo em seguida, e relativa ainda à questão do transporte público, expressa na demanda do transporte gratuito.
Por falta de uma leitura e uma interpretação mais atenta e mais cuidadosa do movimento popular, a reação em um primeiro momento foi reprimida com violência por parte da polícia militar do governo Alckmin, que contou ainda com a passividade do prefeito do PT, Fernando Haddad.
A reação policial descontrolada acabou servindo como um rastilho de pólvora alastrando as manifestações para outras capitais e estados, agora já com um número maior de demandas populares.
Como estávamos em plena realização da Copa das Confederações, evento umbilicalmente ligado à realização da Copa do Mundo, valendo-se do evento e da ingerência e benefícios obtidos pela FIFA junto às nossas autoridades constituídas, as manifestações passaram a exigir mais mudanças, não apenas na área do transporte público, mas na área da prestação dos serviços públicos em geral.
Saúde e Educação foram então transformados em novas bandeiras, embora não exclusivas. E um lema passou a estar colado a toda a gama de reivindicações: a exigência de serviços de qualidade com o PADRÃO FIFA.
Aproveitando-se do movimento popular e sem lideranças que o capitalizassem as passeatas passaram a dar espaço à ação de grupos de vândalos, marginais que provocavam arrastões, e outro tipo de ação de grupos mais violentos, esses últimos mais interessados em atacarem e promoverem quebradeiras em lojas comerciais e estabelecimentos bancários.
Apavorada e perdida em meio ao avanço de atos de violência uma parcela mais acomodada da população ficou sem saber a quem prestar seu apoio, o que contribuiu, por um lado para isolar os agressores, identificados como black blocks, e de outro ir fazendo o movimento ficar mais bem comportado, perdendo seu ímpeto inicial.
Nesse meio tempo, as autoridades, com interferência do Planalto, acabou por anular o aumento das passagens dos coletivos e, talvez por medo de que as manifestações pudessem provocar problemas para a própria realização da Copa do Mundo,
E assim, até agora, sem ficar muito claro se intencionalmente ou por erro de estratégia,  Dilma assumiu a responsabilidade e a liderança da reação oficial contra a manifestação do povo.
E foi Dilma quem saiu na frente tratando de questões como a necessidade de se proceder a uma reforma política, propondo, inclusive a realização de um plebiscito; propondo a vinda de médicos do exterior para tentar resolver, em parte, a ausência desses profissionais no interior do país, o que a fez lançar o programa Mais Médicos e a tratar com mais atenção de questões ligadas à formação e qualificação de nossa força de trabalho, especialmente os mais jovens, através de maior atenção a programas como o PRONATEC.
***
Pois bem. Passado um ano daquelas manifestações de junho de 2013, o desejo por mudanças, expresso nas ruas, embora um sentimento difuso, é sempre um dos principais elementos das análises que vêm sendo feitas para explicar e entender o resultado das urnas.
Assim é que durante um bom tempo, alguns analistas e comentaristas atribuíram a subida de Marina nas pesquisas de intenção de voto, como sendo decorrência de a ex-senadora ser identificada por alguns eleitores como a candidata mais capaz de levar adiante as mudanças tão desejadas.
Não apenas por seu discurso, enfocando uma pretensa forma nova de fazer política, mas por Marina ser considerada uma outsider, por força de vender também uma imagem de quem não deixa seus interesses e princípios sucumbirem aos interesses maiores do partido a que se vincula.
Além disso, Marina soube capitalizar o fato de sua Rede de Sustentabilidade não ter sido autorizada a participar formalmente do jogo político, o que já a coloca sempre ao lado dos que não estão satisfeitos com o quadro político atual.
Mas, Marina não conseguiu manter viva essa impressão de que seria capaz de patrocinar as mudanças desejadas pelo eleitor. E pior, demonstrou fragilidade, não apenas no sentido de que lhe faltavam apoio e quadros para assumir a tarefa de capitanear essas propostas de mudança, como no sentido de que começou a demonstrar que ela mesma era detentora de uma mentalidade conservadora, o que foi percebido pela população que lhe cassou a representação pretendida.
***
Para outros comentaristas, embora estranha, a preferência do eleitorado por Dilma era interpretada como sendo devida a um raciocínio de que as mudanças poderão ser realizadas sob o comando da presidenta, com a vantagem de não serem nada extravagantes. No fundo, tais mudanças apenas seguirão a trilha já antecipada pelas medidas adotadas pela presidenta, logo ao término das manifestações de junho.
Logo, as mudanças irão ter sequência, mas a um ritmo que não será capaz de trazer quaisquer rupturas sociais, essas sim, mais temidas.
***
Se essa análise está correta, então, a conclusão a que chegamos e que fica para nosso comentário final é que Aécio é sim, o candidato que representa e expressa esse sentimento de mudança.
Ocorre que o fato de ser o homem da mudança não faz e nem pode fazer do tucano o portador da esperança ou símbolo de um novo e modo de vida, mais digno, igual e solidário.
Porque Aécio representa a mudança para o passado. Para o atraso. Para a retomada do projeto que o PSDB tem e defende, e que teve sua implantação interrompida em 2002.
Aécio representa não a mudança possível mas a que vai tornar a vida das classes menos favorecidas completamente impossível, já que está cercado de pessoas cuja experiência de vida e carreira, que todos reconhecem como exitosa, é vinculada a modelos de sociedade de plena liberdade para a atuação do capital.
E nem se trata do capital produtivo, que gera emprego e produção e renda, que precisa de vender seus produtos e, portanto, depende da demanda seja da população seja do governo. Capital cujos donos, industriais ou comerciantes, do campo ou das cidades que precisa de estímulos para enfrentar as vicissitudes de uma atividade econômica eivada de riscos e incerteza. E que, por esse motivo, embora não devam depender do Estado e de seus tentáculos, não podem ser tratados como se, no caso de necessidade temporária, não teriam qualquer ajuda do governo, de forma a superar momentos mais agudos de crise.
Aécio, representa os interesses do capital rentista, financeiro, das finanças liberalizadas e do rentismo. Desse ponto de vista muito mais tecnológico e mais sofisticado, já que se utiliza dos avanços da técnica para dar curso a suas preocupações maiores, que são apenas com a obtenção de ganhos especulativos, levando a escala global a velha máxima de comprar barato para vender caro.
E para isso, condenando ao sucateamento as velhas práticas capitalistas e todo o seu entorno, em especial a mão de obra.
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Uma condição para que esse novo capitalismo possa ganhar mais espaço e poder é que as finanças públicas estejam equacionadas e que os títulos da dívida pública, principal ativo financeiro a servir de lastro para a financeirização e a aplicação especulativa, possa estar à disposição desses capitais, assegurando-lhes a valorização de sua riqueza fictícia.
Para isso, fundamental é a denominada disciplina fiscal. A geração de superávits primários que servem tanto para permitir controlar a inflação, o que lhes assegura apoio popular e elogios mas, principalmente, ganhos reais positivos, acima da inflação, apesar de taxas de juros em queda, já que tais capitais vivem menos dos rendimentos e mais da ciranda de compras e vendas que títulos seguros lhes permitem realizar. Ganhos nos mercados de capital mais que na produção.
***
Por isso, e não porque o PT irá jogar com o ódio contra o PSDB, nesse segundo turno, a campanha de Dilma deverá criticar a proposta de Aécio. Porque para conquistar os resultados de superávit requeridos, será necessária uma grande contenção de gastos fiscais, recaindo o principal ônus, sobre aqueles menos favorecidos, os funcionários públicos que vivem de vencimentos - sujeitos a serem congelados; os setores sociais menos favorecidos pela sorte que verão cortes nos programas de assistência social; o sistema de Previdência pública que irá aproveitar para tentar por um fim a seu propalado déficit, até que, por falta de informação e esclarecimentos, o regime de solidariedade seja considerado por toda a população prejudicada como o grande vilão, dando lugar à criação e fortalecimento de um sistema de capitalização individual, sob a gestão das grandes instituições financeiras.
***
Mudanças existem várias.
Sem dúvida Aécio representa a mudança, em relação a uma série de problemas e desmandos dos governos petistas.
Mas a mudança que Aécio representa é a pior de todas. Tão ruim, que já representaria um grande avanço se nós não fizéssemos nada que o candidato está se propondo a realizar.
De minha parte, melhor é a população procurar se informar melhor e não votar nesse projeto que nos remete de volta para o passado: sem inflação, sim, mas onde  apenas os ricos tinham conquistas.

***



Nesse dia 7 de outubro, completamos quatro anos de blog.
A todos que têm nos lido e acompanhado por todo esse tempo, nossos agradecimentos.
Vocês são a razão da insistência minha de continuar fazendo comentários e dando pitacos no que considero importante para todos nós.
Obrigado.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O que nos diz a "voz das urnas"

Surpreendente a reação de Aécio Neves e de seu PSDB nos momentos finais da corrida eleitoral. Não em função da ultrapassagem de Marina Silva, transformando-se no candidato a disputar o segundo turno. Afinal, pesquisas de última hora já mostravam que isso teria acontecido no apagar das luzes do último fim-de-semana.
Então, se a queda de Marina Silva já era prevista, surpreendente foi a ampla diferença, de aproximadamente 14 pontos que Aécio conseguiu colocar sobre sua concorrente. Diferença não captada por nenhuma pesquisa de qualquer dos institutos. Ou se captada, não divulgada.
Porque se as pesquisas realizadas logo antes da eleição indicavam a possibilidade de ultrapassagem, todas assinalavam que haveria uma pequena diferença entre os candidatos, todas demonstrando que a luta estava muito renhida.
Não é de meu conhecimento que algum dos institutos de pesquisa de opinião tenha dado uma vantagem tão expressiva quanto aquela vista nas urnas, para o candidato tucano. E, como hoje não dá para ficar criando teorias da conspiração e vendo monstros e perigos onde eles não existem, especialmente porque os institutos são vários e contratados por entidades as mais diversas, não acredito que alguém poderá, em sã consciência, alegar que estavam forjando os resultados.
Mais fácil seria imaginar que os eleitores todos de Aécio preferiram, mineira e desconfiadamente, ocultar seu voto, mostrando-se indefinidos ou, ao contrário e aí, propositadamente, informando o nome de outro candidato, poupando Aécio dos ataques de que seria alvo, caso se destacasse.
***
Mas, se a ida de Aécio ao segundo turno com quase 60% de votos à frente de sua oponente é um assombro, a votação de Marina não causa qualquer sensação de novidade. Basta lembrar que em 2010, quando surgiu como a novidade das eleições pelo PV, a candidata conquistou coisa de 20% do total de votos, o que mostra que ela pouco avançou desde então. Curioso é que naquela oportunidade ela teve um número de votos que chegou a chamar a atenção na capital mineira, votos que, agora iriam preferentemente para Aécio.
Também devemos levar em conta que se em seu discurso de campanha, foi dada muita ênfase ao novo, cada vez mais seu discurso foi se mostrando vazio de conteúdo e, pior, mostrando que do ponto de vista objetivo, a forma de fazer política em nosso país não funciona fora de seus padrões tradicionais.
Foi perceber que a realidade objetiva se impunha e exigia dela mais que um discurso cheio de boas intenções que fez Marina incluir e depois, pressionada por setores mais retrógrados, excluir de seu programa de governo, referências às uniões homo-afetivas, que tantas críticas lhe valeram.
Depois, Marina trouxe à luz a discussão de se criar um Banco Central independente, que ela classificou como autônomo mas com poderes de uma entidade independente. Ora, sem qualquer necessidade aparente, foi por a mão em um vespeiro, já que nem mesmo as escolas de pensamento econômico, que não são poucas, não entraram ainda em um consenso quanto às vantagens e a importância de um órgão dessa natureza.
Para muitos, essa proposta foi a que recebeu a principal e mais pesada das críticas que lhe foram feitas pela candidata à reeleição, Dilma e seus marqueteiros. Com algumas peças que, forçavam a barra em alguns momentos, transformando algumas hipóteses de causa e efeito em uma causação direta: banco central independente, banqueiro no poder, e exploração e empobrecimento maior da população mais pobre.
***
Vá lá que, praticando os juros escorchantes que praticam hoje, na plenitude das liberdades de mercado de que desfrutam, os bancos podem ser apresentados como exploradores e agentes privilegiados do empobrecimento da população. Mas de toda a população... e não apenas da mais pobre.
Mas, a passagem direta da imagem da reunião de banqueiros em torno de uma mesa de rostos felizes, para a mesa de jantar de uma família, com pratos vazios e caras tristes e famintas foi, inegavelmente, um exagero. Ou uma apelação.
E o que fez Marina nessa hora? Respondeu posando na personagem que representa com mais desenvoltura: a figura da vítima.
Poderia partir para o ataque, e mostrar que os juros altos praticados pelos bancos, nos cheques especiais, nos empréstimos não consignados, etc. já era uma  prática comum no governo atual, com a presença do BC sentado à mesa ou com lugar marcado para que ele se instalasse em volta do balcão de negócios, enquanto do outro lado, a família já cortava gastos para pagar os juros elevados tolerados pelos indicados pela presidenta Dilma.
O problema é que sair com um discurso e argumentação dessas lhe tiraria o apoio do sistema financeiro, do capital, e até de sua principal assessora, Neca.
Ou não?
***
Posando de vítima, até a expressão corporal de Marina foi mostrando a fragilidade que ela tentava esconder. E embora ela mudasse o tom de suas falas, elevando o nível de agressões e acusações para um patamar não condizente com quem se propôs a fazer uma campanha de união, não era essa e impressão que ela transmitia.
Frágil ela já demonstra ser, por força de sua saúde e seu tipo físico, que contrasta bem com o tipo já quase roliço de Aécio, bem nutrido e bem vestido, muitas vezes carregado em maquiagem.
Mas a fragilidade que conta é a moral para um candidato, e até essa foi a imagem que ela passou para o público.
Primeiro por não convencer a ninguém que não sofreu a influência do pastor Malafaia na mudança de seu programa de governo, depois por não convencer a qualquer pessoa que estava sim disposta a vender uma ideia, mesmo que visionária, mas portadora de futuro. Na verdade, acabou mostrando foi a ideia de alguém que, repetindo a quem tanto criticava, foi atrás de votos, abrindo mão de seus princípios, estivessem eles no agronegócio ou camuflados por efeito do uso de algum transgênico.
Talvez por esse motivo, foi pega em outra grande armadilha, em relação ao problema da CPMF. Que ela insistiu em afirmar ter sido favorável, já que pensava na saúde do país.
E o que foi mostrado pelo jornal o Globo, foi que os registros do Senado traziam a relação de votos e o dela era contra a criação do imposto do cheque.
Tudo bem que pudesse ter havido um erro, mas daí se portar como vítima, mais uma vez, e passar a dizer que aquilo era um mentira, que a afetava e que ela teve ao menos alguns anos para corrigir, ou exigir a correção pela Casa que ela ocupou, senadora que foi, vai um distância grande.
Arrepender de não ter votado, é uma coisa. Mostra que as pessoas erram, reconhecem o erro e se corrigem. Melhoram ou evoluem.
Dizer que votou e depois, pega em registro não forjados, ficar dando desculpas é terrível. Passa sempre a impressão de quem está se embolando na mentira que contou da primeira vez.
***
Mas o erro maior de Marina foi querer se mostrar superior à política tradicional que ela dizia querer mudar e que e levou a fazer as escolhas erradas.
Por isso, ainda vice na chapa de Eduardo, ela não concordou - corretamente, em minha opinião-, com o acerto que o político pernambucano costurou com o governador paulista, o que era no mínimo esdrúxulo para dizer o mínimo.
Afinal, se ao fazer esse acordo, Eduardo assegurava um palanque no estado, sabia que Alckmin tinha também presença no palanque de um adversário seu, Aécio.
Marina, como qualquer pessoa de bom senso não engoliu esse acerto e proibiu o uso de sua imagem junto ao governador paulista.
Quando assumiu a indicação à presidente, em substituição a Eduardo, manteve sua opinião. Opinião que veio mudando ao longo do tempo, ao perceber que Alckmin estava já praticamente eleito no primeiro turno e que ela poderia explorar uma certa mágoa que o paulista nutre em relação a Aécio, desde que o mineiro não lhe deu o apoio necessário em campanhas eleitorais anteriores.
Nesse momento, Marina começou a enviar sinais de aproximação a Alckmin, mas aí já era tarde demais, e todos perceberam mais uma guinada, em direção ao "velho" da candidata acreana.
***
Marina não perdeu por força de ataques de Dilma, de quem pode estar ressentida, já que essa é outra característica que parece ser parte de seu caráter.
Marina perdeu para sua arrogância e sua autoimagem. Pura e superior a todos que com ela convivem, no meio da política.
***
Quanto ao segundo turno, veremos se repetir o mesmo que aconteceu em 2014, quando ela não se manifestou favorável a qualquer dos dois candidatos em disputa.
Apenas que agora ela pode até se manifestar favorável a Aécio, mas enfrentará resistências muito grandes de setores de seu partido, que não aceitam ser considerados à direita do espectro político, imagem que Aécio tem feito questão de passar, mesmo sendo um centrista.
Para Dilma, certamente os seus votos não irão, ao menos em maioria, já que grande parte deles votou em uma mensagem de mudança, que a presidenta não representa a contento.
***
Bem, a sorte está lançada e, com ou sem o apoio de Marina, há uma grande oportunidade para Aécio conseguir se mostrar como o representante de todos aqueles que são contrários a qualquer política que não valorize apenas e tão somente o esforço pessoal, o mérito individual e o mais que se queira e possa ser atrelado a individualismo - onde cada  um acredita que é melhor e que pode se destacar em relação a todos os demais.
Por isso, ações e políticas de cunho social sempre são consideradas como escolas de vagabundagem, estimulando aqueles que não têm ou não apresentam competência.
São essas pessoas, de visão individualista que Aécio deve privilegiar, já que ao menos para os que o apoiam, e refiro-me aqui aos grandes capitais privados financeiros internacionais, vale a pena criar e manter essa imagem viva, do cidadão que lutando consegue atingir aos seus objetivos.
Aos que apoiam Aécio pouco se lhes importa se as condições dadas para que o esforço pessoal de quem quer que seja possa se mostrar exitoso. Importa apenas que qualquer êxito ou resultado esteja já previamente inserido no quadro maior e mais rigorosamente definido em que somos todos, deixados com espaço para agir. Típica liberdade controlada, como o filme O Show de Truman tão bem nos permite apreciar e refletir.
***
Apenas gostaria de tratar de um aspecto apenas que será objeto de muita análise e discussão nos próximos dias: a derrota que Aécio sofreu em seu Estado de Minas Gerais que seria uma arma importante a ser utilizada contra ele em relação ao segundo turno.
Estou para dizer que, embora Aécio seja tão mineiro quanto Dilma, o que elimina a bobagem de que Minas não tem político ocupando o Planalto nos últimos 50 anos, ele deverá se sair aqui em seu estado muito melhor que no primeiro turno.
E acho que tal melhora se dará por não estar também em disputa o cargo de governo do Estado e nem concorrendo a ele, Fernando Pimentel.
A respeito de Pimentel, agora governador eleito de Minas, tenho algumas dúvidas, não quanto a sua capacidade como economista e professor da UFMG, local onde ele foi recrutado para a política. nem quanto a sua capacidade como gestor.
Em relação a ele, o que mais me atrai a curiosidade é como ele, em um momento do tempo, resolveu de forma oportunista fazer um acordo justamente com Aécio, passando por cima de seu partido e do que seus correligionários estavam dispostos a fazer.
Tal comportamento, completamente reprovável quando considerado pela ótica partidária, enfraqueceu o PT em Belo Horizonte, e provocou uma cisão profunda, que custo a crer esteja curada.
Pois bem, Aécio e Pimentel tramaram e elegeram Márcio Lacerda para a prefeitura de BH. E se Pimentel esperava que fosse o nome de Aécio para substitui-lo no Palácio da Liberdade, tomou uma autêntica rasteira com a indicação de Anastasia.
Mas, Aécio estava em dívida com Pimentel e, agora que pode tentar alçar voos maiores, o que lhe permitira manter-se como a liderança inconteste do Estado, talvez fosse a hora de retribuir e pagar a dívida com Pimentel.
Por isso, quem sabe, não tenha indicado para concorrer ao governo do Estado um nome que já estava afastado de Minas e da política mineira ha tanto tempo?
Quem sabe a escolha de Pimenta foi feita para que um nome esquecido e mais fraco pudesse não impedir que Pimentel fosse agora, e finalmente, pago.
Quanto a Pimenta, um cargo de Ministro seguramente o tiraria do ostracismo, dando-lhe motivação para voltar a disputar cargos para valer no Estado, se for de seu interesse. E, se for assim, ainda terá sido ajudado por ter sido novamente trazido para o debate público por Aécio.
Bem, tudo isso, caso Aécio se eleja no segundo turno.
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E, caso eleito, pelo nome de seu ministro já indicado, vamos assistir sim a um governo que não irá conceder aumentos salariais para os servidores públicos, tal como vimos acontecer no governo FHC. Como Aécio é neto de Tancredo e sobrinho de Francisco Neves Dornelles, e a tradição da família é de sempre aumentar a carga tributária, não devemos esperar outra medida que não aumento de impostos, como um grande sacrifício para gerar ainda maiores superavits primários. Cortes de gastos de um lado (funcionalismo) e aumento de impostos de outro. Essa a receita. E juros, muitos juros pagos aos capitais financeiros internacionais, em especial.
Quanto à Petrobras, não será necessariamente privatizada mas a exploração do pré-sal seguramente se fará por meio das parcerias público-privadas.
E os bancos públicos serão levados ao pior dos mundos, sendo todos praticamente destruídos, já que nas finanças especulativas que caracterizam nossa situação econômica nos tempos atuais, não há espaço para instituições que tenham como principal função gerar recursos para operações de crédito para aplicação na esfera do capital produtivo. Principalmente se tais instituições forem de capital público.