segunda-feira, 16 de março de 2015

Domingo de manifestações, jogão do Galo e Colunas e definições completamente distorcidas

Não há como começar nosso comentário sem tratar do movimento, popular e pacífico, que tomou conta das ruas e praças das principais cidades e capitais do país. No dia em que se comemorava os 30 anos de aniversário da volta da democracia, que havia sido aprisionada por 21 anos de governos militares, caracterizados pela violência, abusos, corrupção e autoritarismo, a população deu uma manifestação inegável de civismo. Coisa rara de se ver em nosso país.
Aqui em nossa BH, já desde cedo a rádio Itatiaia transmitia da Praça da Liberdade e suas proximidades, relatando a chegada de pessoas de todas as idades, de todos os lugares, famílias inteiras portando bandeiras e cartazes de 'Fora Dilma', 'Fora PT' e, mais importante, 'Abaixo a Corrupção'.
Pelo que falaram ao longo do dia, perto de 30 mil pessoas se deslocaram, em uma manhã que começou de céu aberto e foi tomando um aspecto nublado, sem conseguir tirar o ânimo e alegria de tantos quantos foram às ruas protestar.
Nas ruas e avenidas, carros portando bandeiras do Brasil e integrantes de camisas verde e amarelas passavam buzinando, vez por outra bradando contra o governo. 
Foi assim, especialmente na Avenida Senhora do Carmo, no cruzamento com avenida Uruguai, caminho que liga o Belvedere e parte do Santa Lúcia, São Bento, Sion, à praça, local da manifestação.
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Quanto àqueles que, por vários motivos não tinham interesse em participar ativamente da manifestação, assistiam de longe e em silêncio à passagem dos carros que tentavam puxar um buzinaço. Algumas vezes, apenas levantavam os dedos, em sinal de apoio, e seguiam seu trajeto e suas vidas. 
Fora dos caminhos que conduziam à Praça da Liberdade, eram raros, muito raros, os carros que passavam buzinando, em uma forma de apoio isolada.
Na Praça JK, no Sion, pessoas idosas faziam caminhadas, pais acompanhavam as crianças menores em brincadeiras de futebol, ou as ensinavam a dar as primeiras pedaladas nas bicicletas com rodinhas, ou a darem os primeiros passos, e levarem os primeiros tombos, dos patins.
Na área destinada ao encontro dominical de cães de todas as raças, os animais corriam soltos, sem coleiras, fazendo festa entre os donos.
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Enquanto isso, não sei o que se  passava na Praça, embora tenha ouvido dizer que foi uma manifestação ordeira.
Pelo que ouvi, pelos noticiários vespertinos, não houve os discursos inflamados de políticos, que sempre foram a marca das grandes manifestações e comícios a que estive presente. 
Também, não existem hoje oradores da capacidade de emocionarem e arrastarem multidões, como foram Brizola, Tancredo Neves, Ulisses, Pedro Simon, e tantos outros que puseram fogo no movimento em favor das Diretas Já, na Avenida Afonso Pena, próximo à Estação Rodoviária.
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Também pelo que noticia a Folha, o movimento impediu a realização de qualquer discurso de político, mais preocupado em apoderar-se e capitalizar em proveito próprio, das bandeiras dos protestos. Pelo que informa a Folha, foi assim com Paulinho da Força, em São Paulo e com Bolsonaro.
O que me leva a concluir pela completa falta de capacidade de ler e entender o que estava se passando: um grande protesto contra toda a política. Contra todos os políticos.
Nada contra a democracia. Muito pouco de apelo autoritário, de fechar Congresso e prender políticos. Menos ainda, já que uma minoria, querendo a volta dos militares. Talvez apenas para trocar os corruptos ou sua indumentária, substituindo o traje civil pelo de campanha.
Porque só quem não viveu, não quer ver, ou não quis se informar, ou não deseja saber das coisas, pode mesmo acreditar que não houve corrupção e corruptos no período trágico da ditadura militar.
Houve. E foi pior. E foi acompanhada pela censura.
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Enfim, foi um dia em que ficou clara para mim, a fadiga de material que acometeu toda a política. Todos os partidos, sem exceção. Todas as esferas de governo. E, principalmente o PT, em minha opinião, não por ser o pior ou único corruptível dos partidos existentes, mas apenas por ser o que responde pelo exercício do poder e por ser, quem vem respondendo por esse exercício nesses últimos 13 anos. 
O que convenhamos, é tempo suficiente para deixar qualquer pessoa ou agremiação completamente exposta.
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E o Galo começa a se ajustar

Mais tarde, no mesmo domingo, pudemos constatar como que uma ou duas peças são importantes para dar outra configuração a todo um conjunto. 
Falo da volta ao time do Galo do melhor lateral direito em atividade no país, Marcos Rocha, o que não deve ser surpresa alguma para quem já me ouviu fazer comentários do time do Atlético. Afinal, nunca escondi minha preferência por Marcos Rocha, a quem sempre fiz questão de defender. 
Mas, não foi apenas o lateral que retornou ontem, dando outro ritmo de jogo ao time. 
A volta de Lucas Pratto também deve ser festejada, principalmente por transmitir a certeza de que, agora, lá na frente, há um jogador que, mesmo não sendo um centro avante fixo, sabe atuar no meio da área, enfiado e incomodando a defesa adversária. Mais que isso, há um jogador que sabe voltar para receber a bola, e abrir o jogo, em função de sua visão do que está acontecendo em campo.
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A volta de Pratto na frente, e Marcos Rocha na lateral, conseguiram dar outra dinâmica ao time do Galo, razão que permitiu o crescimento do futebol de Luan, eleito pela imprensa esportiva o melhor em campo.
Mas, se não foi dado destaque a sua participação em campo, para mim, o jogador que fez realmente a diferença foi Josué. Infinitas vezes melhor que Donizete, embora cometendo tantas faltas quanto o considerado titular.
Apenas que ao contrário de Donizete ou Pierre, Josué comete faltas com uma carga muito menor de agressividade, o que permite evitar cartões e a preocupação de Levir,  com um cabeça de área sempre amarelado.
Quanto aos passes, e à saída de bola, a diferença entre ambos é tão gigantesca, que impossível fazer qualquer comparação.
Josué deu tranquilidade e fez o futebol da defesa ficar mais seguro. Sem errar passes à frente da área, deixou todos menos preocupados em ficar marcando o próprio companheiro. E permitiu ainda que Rafael Carioca pudesse jogar com liberdade.
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Mesmo sabendo que o time da URT é muito fraco, e mostrou um futebol de pouca qualidade técnica, Josué, na minha opinião, o melhor. Luan, Marcos Rocha e Pratto foram uma grata presença em campo. E uma esperança para o jogo dificílimo e decisivo, contra o Santa Fé, na próxima quarta.
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Estelionatos eleitorais e outros tipos de estelionatos

Foi Paul Davidson, famoso economista e professor americano, da corrente pós-keynesiana que disse certa vez que alguns economistas vencedores de premiações, como o Nobel de Economia, mereciam mais o prêmio de estelionato intelectual.
Lembro-me desse episódio, em razão do artigo de ontem, na sua coluna do caderno Mercado, da Folha, de Samuel Pessôa.
Pois, o professor do Insper resolveu abordar, na coluna de ontem, o estelionato intelectual de Dilma, começando por determinar que estelionato intelectual é uma definição que se aplica à questão das contas públicas e sua desordem. 
Logo, a presidenta mentiu ao dizer que as contas estavam todas em ordem e que a situação fiscal do governo era boa. Eleita, e em reconhecimento de que seu discurso visava apenas agradar a população e ganhar votos, adotou as medidas de arrocho necessárias para reduzir o rombo das contas orçamentárias.
Comparando esse comportamento, com o que foi adotado por Fernando Henrique, em meados de 98, deixa claro e até transcreveu trechos de discursos feitos por FHC, ainda em campanha, afirmando que teria que adotar medidas fiscais duras. 
Logo, FHC não cometeu qualquer estelionato. Apenas Dilma o fez. 
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Timidamente e envergonhado, ao término de sua coluna, até reconhece que alguns falam de estelionato cambial, aplicado por FHC, procurando justificar o que o candidato à reeleição fez. 
Afinal, como diz o professor colunista, ninguém que atua com câmbio fixo, pode dar a entender que irá mexer no câmbio. Aqui ou lá fora. E dá a entender que isso é que dá sustentação ao câmbio fixo, de forma a evitar corridas contra a moeda. 
Logo, FHC não podia dar declarações contrárias às que emitiu, em 1998, antes da reeleição. E, por isso, embora alguns até achem que ele cometeu estelionato sim, Pessôa, o absolve.
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Usando tais argumentos, ocorre-me apenas, a frase de Davidson. 
E pior, há certas pessoas que nem percebem que estão cada vez mais perto de, com argumentos desse tipo, completamente distorcidos e imparciais, se tornarem mais um dos vários espertalhões que infestam nossa sociedade, com risco de jogar fora sua própria carreira ou reputação. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Reações e movimentos de uma sociedade fragmentada

A verdade é que não nutro qualquer simpatia pela presidenta Dilma.
Se votei nela no segundo turno da campanha eleitoral, é porque achava que era o mal menor. E quando me refiro a mal, em hipótese alguma estou fazendo menção à pessoa do candidato Aécio. Por quem também não tenho qualquer simpatia, embora pessoas de minha relação que o conhecem mais de perto, de Cláudio até, falam de seu carisma, de seu jeitão simples e de seu bom papo.
A questão é que não voto em pessoas, mas em ideias. E no que julgo serem as ideias mais adequadas para o país, em um dado momento.
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Em relação ao momento eleitoral de 2014, achava então, e continuo com o mesmo pensamento, que Aécio representava a volta dos interesses do capital financeiro internacional e de seus associados nacionais ao centro do poder em nosso país. 
Não. Não sou ingênuo. A verdade é que esses interesses nunca deixaram de ser dominantes e seus atores os mais privilegiados beneficiários das políticas praticadas, mesmo nos tempos de Lula e também nos tempos de Dilma 1.
Não é à toa que enquanto o Bolsa Família representava um gasto de uma quantia que poderíamos chamar de razoável, a bolsa banqueiro, representada pelo pagamento de juros sobre a dívida pública, calculado com base em taxas de juros vergonhosas, representava um gasto várias vezes mais elevado.
Sim. A mídia poucas vezes deu destaque a esse ponto. Afinal, sócia dos interesses financeiros dominantes, também ela se beneficiou da situação. O que transformava o silêncio em melhor postura.
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Mas na eleição de 2014 houve uma reviravolta. Os interesses hegemônicos estavam tão fortalecidos que se sentiram em condições de sair de seu lugar de observador privilegiado, situado atrás do cenário para vir ocupar o centro do palco, talvez em busca de aplausos a coroarem os ganhos exorbitantes. 
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Por várias vezes nesse blog comentei do desastre que eu imaginava que estaríamos preparando para nossa economia, caso os interesses do capital financeiro, internacional e especulativo, assumissem a condição de ator principal de nossa história.
Por esse motivo, em especial, fiquei contra a candidatura do PSDB.
Outros motivos haviam, claro. Menos importantes, mas também capazes de influenciarem minha opção de voto.
Entre tais motivos, a certeza de a candidatura Aécio trazer em seu entorno, um certo ranço de visão individualista, liberal, ao menos do ponto de vista da economia. Uma ideia de Estado mínimo, de sociedade baseada no cada um por si. Em minha opinião, uma visão de sociedade que nega o próprio fundamento de comunidade que é base para a vida social. 
Ao lado dessa visão econômica, muito difundida dentro de uma certa classe de pessoas em nossa sociedade, em geral situadas nos estratos mais elevados de renda, sempre achei que estava presente um certo conservadorismo de costumes. O que não é definitivamente contraditório, já que para as classes integrantes das elites, que se supõem suficientemente bem formadas, informadas, intelectualmente preparadas, etc. as regras da boa conduta e convívio são algo que já nascem com elas. Inerentes. Inatas.
Dessa forma, elas podem ser liberais tanto no campo econômico quanto do comportamento. Mas, devem exercer a eterna vigilância em relação ao comportamento, nem sempre adequado das classes que não tiveram a sorte de nascerem em berços esplêndidos.
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A esse propósito, relembro-me de Marx, no Manifesto, comentando a respeito das cobranças feitas ás classes trabalhadoras, de adoção de comportamentos mais afeitos à moral burguesa, em especial, os comportamentos de respeito às relações da fidelidade no casamento, etc. embora entre eles, tudo fosse permitido e liberado.
Logo, não há contradição aqui, como não havia quando o liberal comerciante de açúcar, que encantava os salões europeus com sua verve e filosofia, retornava a suas terras e seus canaviais, plantados e cuidados por braços escravos, como o descreveu tão bem Caio Prado.
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Pois bem, grande parte de pessoas dos extratos mais privilegiados da nossa população, embora não participando das benesses auferidas pelo grande capital, adotaram imediatamente a candidatura peessedebista, do chamado candidato playboy, com quem se identificavam nos modos, comportamentos, maneiras de ver o mundo. 
Dentre essas formas de ver o mundo, manifestavam, sempre que possível, sua insatisfação com o que o governo petista estava fazendo, reduzindo as diferenças entre eles, e os outros. Tornando cada vez mais difícil que eles pudessem ter e sustentar batalhões de empregados domésticos. Pior, ainda, dando asas a cobra, ao assegurar direitos e dar a eles a opção de não ter que se venderem a qualquer trocado. Afinal, agora havia a opção de uma renda que lhes permitia poder exigir um salário minimamente digno.
E, suprema arrogância, essa turma do andar de baixo começou a entulhar as ruas e estradas com seus carros populares de segunda mão, e encher os saguões dos aeroportos e até os iates de cruzeiros.
Tudo por conta de grana que o governo lhes assegurava, segundo seu pensamento, extraída de seus esforços.
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Quantas vezes, nos ambientes por mim frequentados, não ouvi essa ladainha: tinha de fazer pela gente, que é quem se esforça e luta. E faz por esse pessoal que nada fez para merecer. Porque eu tive de me esforçar, correr atrás e não recebi nada de mão beijada?
Pois bem, essas pessoas que eram eleitoras do PSDB derrotado é que, dando uma demonstração cabal de que não sabem perder, e que não respeitam a democracia, é que se articulam e tentam de todas as formas criarem condições para  que um golpe possa ser desferido em nosso país. 
Essas pessoas é que, mesmo sem perceber, estão fomentando uma crise que pode descambar em mais um período de autoritarismo. Que como todo autoritarismo é sempre muito pior que a pior democracia. 
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Mas, é direito deles irem às ruas, se manifestarem. Mostrarem sua indignação. 
Mesmo que, sem que tenham percebido, o governo contra o qual se levantam, é o que está adotando todo o comportamento que eles desejavam e pelo qual optaram, ao menos no campo econômico, 
Mas, esperar que percebam isso, é mesmo exigir demais. Acreditar que tenham a capacidade para ver que os interesses que continuam sendo atendidos nos dias de hoje, sob a batuta do ministro Levy, são aqueles mesmos que eles apoiavam em outubro, é não reconhecer a realidade. 
Achar, inclusive,  que eles tenham, ao lado de um nível melhor de vida e renda mais elevada, um padrão de educação que permita que suas manifestações sejam menos agressivas, menos grosseiras e com menos baixarias, é uma ilusão. 
O que nos força, mesmo a contragosto, começar a analisar a hipótese de que, por trás de toda essa movimentação existe apenas, e tão somente, a manifestação de um ódio de classe. Como todo ódio, sem qualquer fundamentação razoável.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Nova tabela de correção do IR mostra as vantagens das negociações e acordos

Conforme acordo estabelecido com o Congresso, o governo editou Medida Provisória com ajustes na tabela de Imposto de Renda escalonados.
Pela nova tabela, a partir do pagamento de salários de abril, os brasileiros que recebem até a quantia - já com deduções - de R$ 1 903,98 ficarão isentos, contra o valor de R$ 1 787,77 anterior, em reajuste de 6,5%.
Para aqueles que ganham acima de R$ 4 463,81 a correção será de apenas 4,5%, valor de reajuste que o governo desejava originariamente para toda a tabela, e que passa para R$ 4 664,68 a faixa de rendimento sujeito à taxação de 27,5%.
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A correção por faixas, que segundo o ministro Levy representa uma perda de aproximadamente 6 bilhões de reais, embora seja mais uma derrota do governo no Congresso, permite uma outra conclusão: quando as medidas adotadas pelo governo perdem seu caráter autoritário inicial, e são objeto de discussão, é possível sempre chegar-se a um consenso.
Claro, ter de negociar depois de ter sofrido uma derrota inicial é sempre sinal de dificuldades do Executivo.
Mas, se não obteve o resultado desejado de início, está na hora do Executivo se dar conta de que, sendo um acordo uma solução de compromisso, há sempre ganhos possíveis de serem conquistados, compensando as perdas.
No presente caso, a correção embora não aquela desejada, significa que, para as declarações relativas ao ajuste fiscal do ano de 2014, e cuja data de apresentação ao Fisco é o último dia útil de abril, não haverá qualquer reajuste.
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De todo o episódio, entretanto, vale destacar a dificuldade sempre manifesta de nossa presidenta admitir abrir mão de suas convicções pessoais e de se mostrar disposta a negociar. Em suma: a incapacidade de nossa presidenta colocar em prática aquilo que é tido como a arte de fazer política. Para o bem ou para o mal, já que a experiência com nossos políticos tem nos mostrado que em nosso país, às vezes o que se denomina fazer política é apenas o reconhecimento da institucionalização da pouca vergonha de acertos e conchavos em que interesses pessoais se sobrepõem aos interesses da coisa pública.
Talvez até por isso, mais que a uma incapacidade inata, Dilma possa ter dificuldades para negociar. Ou asco, simplesmente. Mas, se fosse esse o caso, deveria ao menos denunciar à população os achaques a que estava sendo sujeita. Ou então admitir simplesmente que quem está no jogo, tem mais é que jogar.
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Não sei a razão, nem estou aqui fazendo esses comentários em defesa da presidenta. Talvez toda sua rigidez e falta de jogo de cintura que lhe traz problemas no relacionamento com os políticos, seja fruto de seu perfil apregoado de gerentona.
Perfil de quem não planeja, não dirige, apenas cumpre ordens. Executa tarefas.
Perfil que ela mesma está se incumbindo, inclusive, de mostrar ser equivocado. Afinal, cada vez mais, nem mesmo essa postura de sargento ela consegue transmitir para a nação.
Ou talvez passe, da pior forma possível, como no caso levantado ontem no programa Entre Aspas, apresentado no canal de televisão fechada Globonews por Mônica Waldvogel. Conforme um entrevistado, sem qualquer condição legal para sequer se propor o início de um processo de impeachment, o que tem levado a própria oposição - pelo menos a séria, a evitar o assunto, Dilma foi trazer o assunto para a agenda política.
Ou seja, quando o melhor é não render o tema, e não permitir que ele reacenda todas as disputas rancorosas que marcaram as últimas eleições, ela é a primeira a abordar a ideia da declaração de seu impedimento em público.
O que de certa forma sinaliza que está aberta a possibilidade de o tema passar a ser tratado sem maiores pudores ou restrições.
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Não é a toa que Dilma, nessas horas, precisa correr para se aconselhar com Lula. Esse sim, um mestre da prestidigitação.




segunda-feira, 9 de março de 2015

Um jogo morno no Mineirão

Jogo de poucas emoções no Mineirão, na tarde de ontem.
Completamente alterado, por força de inexplicáveis contusões em início de temporada, o Atlético jogou mais como time pequeno. Todo fechado lá atrás, esperando uma bola de oportunidade.
Como no primeiro tempo essa bola surgiu apenas em um lance de cobrança de escanteio, Jemerson subiu e testou firme, em cima do corpo do goleiro Fábio.
Como estava na posição que o goleiro deve estar, em jogadas semelhantes, Fábio pegou. Poderia dizer que de susto.
Na sequência do lance, de reflexo, abafou o chute do próprio Jemerson, no rebote.
No segundo tempo, com Dodô correndo mais, ao contrário da fase inicial, o Atlético criou mais lances na intermediária, nas jogadas de troca de passes entre Dodô e Carlos.
Isso não foi suficiente para o Galo passar a mandar no jogo, nem alterar o panorama da partida. Tanto que o gol que fez foi de jogada completamente atípica, de atrapalhada da defesa do Cruzeiro. E infelicidade total do goleiro deles, para nossa sorte.
Daí para a frente, o Cruzeiro que até então jogava de forma muito parecida com o Atlético, partiu para a frente, tentando uma reação.
Que veio com Leandro Damião, que já deveria ter sido expulso antes, seja pela falta feita a Edcarlos no início  ainda do jogo, que poderia caracterizar até uma agressão, com o braço e o cotovelo no rosto do zagueiro do Galo, seja depois, em jogada em que deixou a perna em disputa com Victor.
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Vão dizer que foi um jogão. Eu não vi isso. Vi um jogo morno, sem vibração, sem intensidade. De pouquíssimos lances de gol e muita preocupação defensiva.
Times mais preocupados com a sequência da Libertadores, já que no Mineiro, ambos já estão assegurados nas finais, desde o seu início.

Discurso de Dilma e panelaço: quando Dilma muda o passo, a oposição muda a música

Também eu ouvi, ontem, os gritos de "Fora, Dilma" e algumas buzinas e panelas sendo batidas nas janelas da vizinhança, enquanto a presidenta discursava em rede nacional.
E apesar de janelas de meu apartamento estarem abertas, o barulho não foi capaz de impedir-me de ouvir a fala da presidenta, e suas justificativas, toscas em minha opinião, para a guinada que resolveu dar, em seu segundo mandato.
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É verdade que a crise internacional prossegue, e está longe de terminar. A Grécia, em destaque, e outros países da Europa, são exemplos de que ainda convivemos e iremos conviver por mais algum período com as consequências da crise financeira iniciada em 2007/2008 nos Estados Unidos.
Também é verdade que até a China foi forçada a reduzir seu crescimento vertiginoso, embora as razões para tal decisão não sejam exatamente aquelas que explicam o baixo crescimento do Japão, que já atravessa uma crise de estagnação há bastante mais tempo, ou dos maiores países da Europa.
Inegável, ainda, que ao contrário de outras épocas, a economia brasileira não sofreu os impactos da crise financeira internacional com problemas de estrangulamento de divisas e crise cambial. 
E, por fim, a economia brasileira não elevou seu desemprego, não praticou as tradicionais políticas que, em primeiro lugar, atingiam os salários, que foram mantidos crescendo acima da inflação, e o governo adotou sim, postura correta de defesa da população, absorvendo os efeitos da crise e utilizando seu arsenal de políticas fiscais para impedir que a crise reduzisse a pó, os ganhos recém conquistados pelas camadas menos privilegiadas.
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Mas, aí é que, em minha opinião, reside o principal problema da nossa economia e de Dilma e seu (des)governo.
Se tais políticas eram as adequadas para o momento, o que mudou de lá para cá, já que a própria presidenta reconhece que as mudanças no cenário externo foram até para pior?
Alegar, como a presidenta o fez em seu discurso, que não haveria como prever que a crise duraria tanto é, no mínimo, reconhecer um alheamento da realidade e a falta de um planejamento e de uma visão estratégica que nos deixam chocados. 
Ou a presidenta e sua equipe não viam os índices de desemprego na Espanha, na Grécia, as várias manifestações na França; não acompanhou as notícias relativas ao baixo crescimento da economia alemã, a mais forte da zona do Euro; ou não viu o quanto a economia americana patinava, a ponto de as medidas de restrição monetária, prometidas a mais de um ano, ainda estarem aguardando melhor oportunidade para saírem da gaveta; para não falar da crise de nosso parceiro preferencial no Mercosul.
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Ora, todos viam e percebiam que a situação do país no front externo não recomendava qualquer expectativa favorável. Mais ainda quando, a meio do caminho da política traçada, houve uma primeira guinada, e os juros voltaram a subir em nosso país, atraindo capitais externos, mantendo nossa moeda sobrevalorizada e, mais uma vez, retirando a chance de qualquer recuperação de nossa indústria, tanto em relação aos mercados externos quanto internos.
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Então, se é verdade que a governo tentou proteger a população mais desfavorecida, as medidas que adotou foram além de apenas promoverem redução de graus de liberdade na gestão do orçamento. E embora tais medidas beneficiassem a grande maioria das famílias brasileiras, que se aproveitaram da redução de preços de energia para aumentar seu consumo de forma irracional; que se aproveitaram da redução do preço dos combustíveis; que se aproveitaram da redução de impostos para trocarem os veículos ou renovarem a frota de carros da família, o governo foi conquistando cada vez mais inimigos. 
Especialmente, junto a setores mais conservadores da nossa sociedade, ou famílias de classe de renda mais favorecidas, inconformados muitas vezes mais com o discurso de Dilma e seu PT, e com o atrevimento deles, de sempre privilegiarem as famílias de menor poder aquisitivo.
Porque afinal, se houve Bolsa Família, houve também o Ciência Sem Fronteiras, programa que financiou a ida para estudar em universidades estrangeiras de muitos filhos de famílias mais ricas. Se houve o programa Minha Casa, minha Vida, as condições de obtenção de financiamentos permitiram que o setor de construção pudesse experimentar um boom, em parte sustentado por empreendimentos cujos imóveis não valiam menos que o milhão de dólares.
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Viagens aéreas, férias no exterior, automóveis cada vez mais sofisticados, foram produtos que cada vez mais fizeram a festa de pessoas e famílias de todos os níveis de renda, sem deixar de fora, claro, os mais ricos.
O que se constata facilmente, bastando observar os gastos de viagens de turismo e o resultado de nossa balança de serviços, nessa rubrica.
Mas, aí estava parte do problema. A distribuição de renda, ainda mais quando feita de forma mais concentrada no tempo, levanta imediatamente uma série de restrições e críticas. E quem diz isso não sou apenas eu. A esse respeito, e comparando o nosso país com o que aconteceu nos anos 50 nos Estados Unidos, Tom Hartmann já havia descrito o quadro em que estávamos mergulhando.
É verdade que, nesse meio tempo, e por motivos às vezes alheios às políticas do governo, a inflação andou dando sinais de resistência à queda. Nada muito sério, já que ainda sob controle. Mas, isso foi a senha para que o mercado e seus analistas, e a mídia deflagrasse uma campanha de amplas dimensões contra o governo Dilma e seu ministro Mantega.
A ponto de as medidas destinadas a favorecer o empresariado não surtirem efeito, não os estimulando a saírem da inércia e a decidirem a realização de investimentos, sob a alegação de falta de confiança nos fundamentos da economia.
Sem investimentos, a economia parou de crescer, apresentando pibinhos de que a imprensa se valeu para por mais lenha na fogueira e ampliar a crítica ao partido no poder.
Processo que se desenvolveu de tal forma, que quase transforma nossa última disputa eleitoral em um sério confronto direita versus esquerda.
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Pois bem. Dilma ganhou, mas o PSDB e os setores mais conservadores, não conseguiram absorver o resultado das urnas, partindo para o golpismo.
E o panelaço de ontem tem, claro, filiação nessa fissura criada na sociedade brasileira desde sempre.
E curiosamente, para mostrar que a questão é muito mais política e ideológica que econômica, tudo acontece quando a presidenta dá uma guinada monumental na política, adotando as recomendações e medidas que a oposição considerava suas.
Ou seja: como Dilma roubou a bandeira da oposição, a oposição age tal qual o governo. Rouba as preocupações do partido do governo. E enquanto Dilma faz política de corte recessivo, a oposição discursa favorável a políticas voltadas para assegurar as conquistas sociais.
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Seria cômico, não fosse o Brasil o país da pantomima. Seria trágico. E pode ainda vir a ser.
Mas, não pelo caráter das medidas que Dilma adota, sob a tutela de Joaquim Levy e do mercado que o apadrinha. Essas medidas são as que a classe mais privilegiada sempre cobrou, talvez por ser a única beneficiária do resultado final das mesmas.
O governo vai acertar suas contas, e Dilma apenas admite, timidamente, que estava errada. O governo vai aumentar a extração de riqueza gerada pela sociedade, elevando a carga tributária para pagar seus credores ricos, e Dilma continua prometendo que a classe mais desfavorecida não terá perdas de conquistas. Dilma anuncia redução de gastos em áreas fundamentais, mas continua anunciando serviços públicos melhores, mais eficientes. 
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Se antes era acusada pela oposição de viver em um país ficcional, completamente róseo, agora sim, tinge suas fantasias de cores mais berrantes prometendo que o povão extrairá vantagens de sua guinada. 
O interessante é que, ao mudar toda a política, querendo ou não reconheceu que estava errada e que ajudou a construir uma situação considerada próxima ao caos. 
Que o povo mais necessitado de nosso país, que se beneficiou da primeira parte, possa vir a se beneficiar ainda mais dessa segunda, que é justo o contrário, é onde deve residir o milagre. 
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Mas, abraçada a seus novos amigos, Dilma vai descobrir, e o panelaço pode influir nisso, que esses não são amigos verdadeiros. São amigos de ocasião. Falsos. Tão falsos como as promessas feitas por ela no discurso de ontem.
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Uma última observação: embora não tenha sido objeto de qualquer comentário, a reação de parte das classes médias de maior poder aquisitivo, que se beneficiaram de medidas do primeiro mandato; tanto como a reação de camadas mais pobres, que não negando os benefícios, ainda são contra a permanência de Dilma, passa muito pela questão dos escândalos.
E talvez o panelação seja mais a manifestação de que a sociedade brasileira não aceita mais conviver com a corrupção, a roubalheira e os privilégios, entre os quais a impunidade, que sempre foram características de nossa classe política e dirigente.
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Desse ponto de vista, a reação de ontem, a princípio restrita a bairros de classe média alta, faz mais sentido ao menos. E pode e deve ganhar mais adeptos junto à sociedade. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Pitacos da questão externa: endividamento externo, balança comercial e a dúvida: quanto custará a rebelião de Renan

As informações dão conta de que a dívida externa do setor privado, ou seja, dívidas de empresas e bancos dobrou nos últimos cinco anos, alcançando o valor de US$ 208 bilhões.
Segundo notícia de capa da Folha em sua versão escrita no dia de ontem, esse é o maior valor desde 1989, quando o Banco Central começou o registro.
As causas do endividamento: o grau acentuado de liquidez no mercado internacional e a diferença significativa dos juros no exterior, em relação aos praticados aqui em nosso país. Nesse sentido, ganharam destaque as dívidas feitas pelas filiais de empresas brasileiras no exterior, para as suas matrizes.
Duas preocupações principais acompanham essa elevação do nível de endividamento: o alto volume de dívidas que vencem já nesse ano de 2015, no valor de 102,5 bilhões de dólares, quase metade do total da dívida. Em segundo lugar, a perspectiva de elevação dos juros nos Estados Unidos, que poderia provocar fuga de recursos dos países emergentes, entre os quais o Brasil, o que poderia levar a uma alta do valor da moeda americana.
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Embora o Banco Central do Brasil mostre certa tranquilidade com a situação,  já que seus levantamentos indicam que aproximadamente apenas 17% das empresas não contam com algum tipo de mecanismo de proteção ou 'hedge' no caso de uma desvalorização, enquanto outros 16% contam com um 'hedge' imperfeito, a situação preocupa, em especial, ao BIS - Banco de Compensações Internacionais.
A razão é que para o Banco dos Bancos Centrais, esse volume de dinheiro não parece ter sido direcionado para o setor produtivo, tendo características de 'hot money'. Sem subterfúgios, capital especulativo, da pior espécie, que entra em nosso país apenas com o intuito de sugar nossas riquezas (estimulado pelos juros estratosféricos aqui praticados).
Dinheiro que pode ser retirado do país a qualquer momento, já que essa liberalização dos fluxos de capital é uma das principais características desse movimento já em curso há mais de uma década, de globalização financeira.
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Agora o mais importante, em minha opinião, desse pitaco. Embora a memória da maioria das pessoas possa ser, e normalmente é considerada muito curta, já vivemos situação semelhante antes.
Na década de 70, o mesmo quadro já foi vivido, com a economia enfrentando uma crescente situação de endividamento do setor privado.
Na ocasião, a dívida do setor público tinha participação menos importante no total.
Mas, conforme o demonstra excelente estudo de Júlio Sérgio Gomes de Almeida, à época na Unicamp e hoje diretor do IEDI - Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, a elevação do valor do dólar, trazendo a ameaça de uma quebradeira das empresas sobreendividadas, levou o governo da ocasião a promover um processo de estatização da dívida.
Ao final do processo, as empresas privadas estavam com suas contas em ordem, rodando certinhas e criticando o governo endividado e desorganizado.
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Essa estatização da dívida é uma das causas da crise da dívida que nosso país atravessou, durante toda a década perdida dos anos 80.


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E continua o problema de nossa Balança Comercial

E mesmo com o dólar cada vez mais valorizado, o que em tese deveria melhorar o desempenho de nossas exportações, o resultado de fevereiro mostra, mais uma vez, o que vem sendo considerado um expressivo déficit, agora, de US$ 2,84 bilhões.
No bimestre, o déficit já acumula 6 bilhões.
Justifica esse resultado a queda de vendas tanto em quantidades físicas quanto em relação aos preços das commodities que o Brasil cada vez mais vem se especializando em exportar, em parte por caausa da desaceleração econômica de países como a China, tradicional grande importadora.
Do ponto de vista dos produtos manufaturados, a queda de veículos, em face da crise econômica de nosso grande cliente, a Argentina, também é destaque, atingindo 25%.
Dentre nossos parceiros comerciais, apenas os Estados Unidos apresentaram algum aumento nas compras, principalmente de aviões e café em grão.
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As notícias dão conta de que a greve dos caminhoneiros não afetou os embarques.
O problema é mesmo de desaceleração na economia mundial, e da perda de competitividade de nossa indústria, e também de mercados, por força de vários anos de política cambial prejudicial ao nosso comércio exterior. Política cambial que esteve aprisionada à política monetária, de juros excessivamente altos com a desculpa de manter a inflação sob controle, mas mais efetivamente, destinada a promover a atração de capitais externos para nosso país.


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Enquanto isso, em Brasília

Para aumentar a confusão e deixar o clima político mais tenso, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, do PMDB, partido da base de apoio de Dilma, recusou-se a colocar em exame e devolveu a MP que mudava as alíquotas do regime de contribuição previdenciária sobre o faturamento bruto para o Planalto.
À primeira vista, o ato de insubordinação parece visar apenas o objetivo de Renan ampliar seu poder de negociação.
Afinal a alegação para a atitude de revolta foi de que uma Medida Provisória não se presta para esse tipo de finalidade. Imediatamente o Planalto reagiu, preparando e já enviando um projeto de lei ao Congresso, de mesmo teor.
O interessante a se assinalar é que a MP não foi recusada por seu conteúdo: a matéria não foi o principal motivo da reação do Congresso, o que assinala que não há uma discordância explícita em relação ao aumento da sanha arrecadadora do ministro Levy.
Sinal de que, como é comum, algumas negociações irão ocorrer por baixo dos panos e é provável que o Planalto acabe vendo o projeto aprovado.
A dúvida que fica é quanto isso irá custar, a mais para o país...

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terça-feira, 3 de março de 2015

O retorno dos pitacos que estão flutuando tanto quanto as bolsas

Mais uma vez, compromissos alheios a nossa vontade impediram-me de postar meus pitacos nesses últimos dias de muitas novidades.
A começar da sequência do pacotaço fiscal, com a mudança de critérios de contribuição previdenciária paga pelas empresas.
Embora travestida sob a forma de uma  opção, o que significa que não há uma imposição de retorno das empresas ao pagamento feito com base no cálculo de 20% sobre a folha de pagamentos, é importante assinalar, sempre, que o governo aumentou em mais de 120%, em média, as alíquotas para as empresas que desejarem permanecer contribuindo sobre o valor da receita bruta.
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Alegando que havia uma desoneração estimada em 25 bilhões de reais nesse ano de 2015, o governo resolveu retirar dos 56 setores a que foi dada a opção de pagar sobre o faturamento, o benefício que durante tanto tempo foi demanda do setor empresarial ao governo.
Especialmente os setores industriais mais intensivos em mão de obra, que sempre reclamaram do peso dos encargos sociais, dentre eles, especialmente, a contribuição ao INSS.
Como política destinada a manter o nível de emprego, e não de faturar, o governo adotou o novo mecanismo, para 6 setores.
Posteriormente, em 2014, o Congresso ampliou a possibilidade para 56 setores, aprovando uma lei que, por ser ano eleitoral, não mereceu veto do governo.
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Agora, está de volta a possibilidade de recolher a contribuição por um método ou outro, ou seja, sobre a folha de pagamento, pela alíquota de 20%, ou sobre o faturamento.
Tendo subido tanto a alíquota da opção de faturamento, a ninguém escapa que ao fazer o cálculo, o empresário descobrirá que a diferença entre os dois métodos deve ter caído para um mínimo.
Com isso, como disse o ministro em entrevista de péssimo tom, lembrando inclusive a entrevista da equipe econômica do confisco da poupança com a trupe de Collor, a Previdência volta a receber os valores a ela devidos.
Mas, devagar com o andor. Durante esse tempo de desoneração, a Previdência não deixou de arrecadar o devido. Apenas que o Tesouro Nacional é que complementava o valor não arrecadado. O que implica que, ou a medida era adotada, ou a Previdência passaria a contar com o rombo. O que é óbvio, deixa claro que o Tesouro não continuaria bancando. Dentro da sanha 'levítica', de obter um superávit primário para pagar os juros dos banqueiros.
Nada de novo no front, por esse ângulo, portanto.
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Outra medida que causou furor foi a autorização de novo aumento para as concessionárias de energia, algumas das quais poderão atingir percentual de reajuste de próximo de 50%.
Se precisasse de demonstração de que o governo está mais preocupado em poupar o Tesouro, essa medida era suficiente.
Mais uma vez, ao invés de repassar o custo para os consumidores de forma mais razoável, diluindo o valor no tempo para permitir percentuais menores de repasse,, o governo pratica um comportamento de choque, em minha opinião, desnecessário.
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Somados os efeitos da decisão de correção das tarifas de energia, cujos impactos sobre os custos industriais são evidentes, com aqueles da decisão que encarece o custo da mão de obra, justamente em momento em que o clima de pessimismo domina a economia, o que pode ser esperado é um aumento da taxa de desemprego. O que reforça a queda do nível de atividades, da redução da produção e das vendas, que trazem ainda a redução da própria receita tributária.
Isso significa que todo esforço do governo pode se transformar apenas em  um tiro no próprio pé. Em vão.
Razão porque achei muito boa a opinião de Vinícius Mota, secretário de redação da Folha, exposta ontem em sua coluna, mostrando que Joaquim Levy está indo com muita sede ao pote. Correndo o risco de provocar, por sua volúpia, a própria quebra do vasilhame.
Ao ler sua opinião, lembrei-me do time que vencendo partida fora de casa, pelo placar mínimo, parte com toda juventude e correria para a frente, para ampliar a vantagem. Quando o bom senso mostra que era hora de toda a correria ser substituída por algum jogador mais experiente, daqueles que colocasse a bola no chão, para rolar mansinha. Jogador que cadenciasse o esforço e, de quebra, pudesse enervar o time adversário, com catimba e malícia.
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Referência

Outra referência que acho importante fazer diz respeito à entrevista do Professor Bresser Pereira, na Folha de domingo, dia 1º de março. Na entrevista, o ex-ministro do governo FHC fala da necessidade de um pacto, a ser negociado, mais uma vez, na sociedade brasileira, para que o país possa decidir as medidas a serem adotadas para voltar a crescer.
Fala que o tal pacto, que com Lula teve uma última forma, foi destruído pelas classes mais favorecidas, especialmente revoltadas por estarem obrigadas a conviverem com um governo de esquerda, que governou para a esquerda.
Fala, ainda, da realidade que a última campanha eleitoral não consegue esconder, do ódio que os ricos passaram a nutrir pelo PT e por Dilma. Justo pela razão de o governo, pela primeira vez, não beneficiá-los.
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Conteúdo semelhante ao que o professor Tom Hartman já havia tratado em entrevista, já comentada aqui, para o Millenium do GloboNews.
Tema que, concorde-se ou não com toda a argumentação do professor Bresser, é de uma obviedade cada vez mais escancarada.


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Galo volta a vencer

Também o Galo voltou a vencer, embora contra o lanterna do Campeonato, o que acaba sendo uma conquista de menor vulto. Ainda mais depois de, durante todo o primeiro tempo do jogo, o Guarani ter dominado o jogo, embora tenha saído derrotado por gol de jogada parada, com Jemerson.
O problema é esse. Mais uma vez, a defesa tinha uma avenida pelo meio, que o Guarani aproveitou, embora sem pontaria.
A lateral direita era outra avenida, embora seja necessário reconhecer que Patric jogou bem, ao menos no apoio ao ataque.
A cabeça de área continuou não cobrindo o meio e protegendo os zagueiros, o que amplia o trabalho da defesa.
E achei Cárdenas mal posicionado. Fora de suas características.
Quanto ao segundo tempo, é verdadeiro que o Guarani cansou. Que Cesinha entrou muito bem no jogo, dando outro ritmo ao time do Galo, e que o time do Atlético voltou a apresentar lampejos do grande e vibrante time do final do ano passado.
Mas, muito pouco, ainda, para convencer ao seu torcedor que dá para vencer o bom time do Santa Fé, na Colômbia.
Quanto ao Cruzeiro, no próximo domingo, é um clássico. E, como sempre, pode dar qualquer coisa.
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Creio que agora voltamos aos pitacos com mais constância, passados os instantes de maior agitação, que não nos deixou tempo para poder apresentar nossa opinião.