Intrigante esse nosso país, o Brasil.
Tão curioso que João Augusto Nardes, ex-vereador pela Arena e ex-deputado do PDS que a sucedeu, ambos de triste e vergonhosa memória, e agora, mais recentemente, ex-deputado federal do PP, o partido que mostrou maior capacidade de progredir sobre as propinas geradas pela operação Lava-Jato, torna-se o paladino da moralidade e da defesa dos cofres e do interesse público.
Nomeado por Lula para o TCU, depois de eleito por seus pares, em eleições que todos que já ouvimos alguma espécie de comentário nutrimos, ao menos, algumas restrições quanto à seriedade, Nardes protagonizou ontem um interessante episódio, inédito na história de nossa República.
Pela primeira vez, um ministro relator do processo de julgamento das contas de um governo, pede diretamente ao governante, explicações sobre atos considerados irregulares, ligados ao cumprimento do orçamento.
Para deixar bem claro: não há qualquer questão de desvio de recursos ou roubo, ou corrupção. Trata-se de questão de menor capacidade de criar escândalos, nem por isso de menor gravidade ou importância.
Nardes, agora paladino da moralidade, solicitou que a presidenta Dilma forneça explicações para decisões que envolveram 13 de 31 atos considerados irregulares, na prestação de contas de 2014.
***
Antes de mais nada, é necessário deixar claro, nesse pitaco, que não estou trazendo a luz a folha de serviços do relator apenas para criticar seu comportamento.
Longe disso, é importante frisar que, finalmente, parece, o TCU resolveu cumprir com zelo sua missão e sua finalidade principal, em nome de toda a sociedade brasileira. O que só merece elogios e aplausos.
Ou não?
Afinal, embora nada justifique o que é errado ou ilegal por natureza, é no mínimo curioso que apenas agora, no instante em que a sociedade passa por uma turbulência importante, fruto da última disputa eleitoral que tanto exacerbou os ânimos, a medida inédita seja tomada.
Mais curioso ainda, é que tal imbroglio tem lugar justo no instante em que o Procurador Geral da União, indica uma lista de políticos, alguns ligados ao PP, para que seja instaurado contra eles, processo de investigação em decorrência do escândalo do Petrolão.
***
Ora, se o próprio TCU dá a entender, e Nardes contribuiu para isso com seu voto na tarde de ontem, que normalmente o tribunal apenas constatava irregularidades e as comunicava ao Congresso, como ressalvas, sem maiores consequências, é correto, mas suspeito que agora, justo agora, ele queira dar um basta nessa política que já se arrasta há anos.
Pior ainda é que ele tenha dado o prazo para que a presidenta se explique, apenas para evitar a judicialização da questão, com o governo recorrendo ao Supremo, sob a alegação de não ter tido direito à ampla defesa.
Porque pelo que a midia publica no dia de hoje, ele deixou claro que não irá mudar sua opinião e que seu voto não irá se alterar. Ou seja, há um reconhecimento de que não adianta qualquer que seja a defesa, se há de fato condições para que a defesa apresente algo a seu favor: o julgamento já foi feito. Certo ou errado, o governo será condenado da mesma forma.
***
Pior. Que o relator que com tanto afinco e dedicação debruçou-se sobre as contas de Dilma e suas pedaladas aponte e não concorde com as irregularidades, vá lá. Mas, as consequências de tal comportamento é que são mais difíceis de engolir.
Afinal, por mais respeito que eu possa ter por qualquer jornalista, e a opinião expressa por tal profissional, quem é mesmo Vera Magalhães, nesse caso específico das contas públicas, para já ter condenado Dilma, a ponto de em coluna assinada na Folha de hoje (caderno A, p. A2) concluir dizendo que o TCU não tem outro caminho, senão recomendar a rejeição das contas, sob o risco de se desmoralizar.
Ora, o que a jornalista tem de informações e está tão bem informada quanto aos documentos, números, justificativas, etc, para poder já sair condenando, exceto talvez, o fato de que, como outros tantos, não conseguiram aceitar a derrota que lhe foi imposta em outubro do ano passado pela presidenta reeleita?
***
Insisto: não estou defendendo Dilma. Acho que as pedaladas podem mesmo ter sido irregulares e como tal, acredito que deveria haver algum tipo de punição para quem as determinou. Se foi Dilma, que se instaure contra ela os procedimentos que o crime de responsabilidade que caracteriza esse caso, enseja.
Mas, que o TCU, como todos os demais tribunais de contas que são mais tribunais de faz de contas, é um órgão que se caracteriza por fazer julgamentos políticos e, como tal, as questões de interesses políticos é que dão o tom dos julgamentos, não há como negar.
Tanto que, jamais, até agora, presidente algum havia sido interpelado diretamente. Tanto que o próprio Nardes declara ontem que o Tribunal tem de dar um basta nesse seu comportamento de faz de conta.
Afinal, como o próprio governo já deu a entender, também FHC em seu governo adotou as mesmas medidas, como também o presidente Lula.
Ora, se um mal feito não justifica o outro, e se não há mais como punir aos ex-presidentes, especialmente FHC, que pela idade, não teria mais qualquer interesse futuro na política, isso não deve isentar Dilma de um processo, e até punição.
***
Mas, que o episódio deve servir não apenas para mostrar mais uma vez a cisão que o governo petista deixou em nossa sociedade, tão somente porque resolveu afrontar aos senhores donos do poder, ou parte deles, para dar algumas migalhas para os menos afortunados, isso é inegável.
Porque mostra a verdadeira causa da reação contrária ao governo de Dilma e do avanço do conservadorismo que vem infestando e infelizmente se alastrando em nossa sociedade. Travestida, como não poderia deixar de ser de um moralismo falso, que usa do discurso anti-corrupção, etc.
Senão porque as indicações de simples ressalvas para as contas anteriores?
E, mais grave, porque desde 2002 nenhuma conta examinada pelo Congresso, nenhum exame dos relatórios e das recomendações do TCU foram objeto de votação, essa mesma votação que, parece, irá agora acontecer, independente de se respeitar a ordem dos governos e dos relatórios.
***
Não fosse o governo vítima de tanta fragilidade, nesse momento, no Congresso, e não fosse Cunha na Câmara e Renan no Senado, também indicados como passíveis de investigação pela Lava-Jato, ambos apenas esperando as oportunidades que o PT e o próprio governo não se cansam em lhes proporcionar para que eles continuem fazendo sangrar o governo.
***
Confesso que gostaria de ver punições serem aplicadas, especialmente em função de desrespeito à coisa pública, aos recursos públicos, ao nosso dinheirinho.
Mas que a mim não passa despercebido que esse comportamento do TCU indica mais um fato esporádico que uma mudança de postura como a prometida pelo relator Nardes, isso não há como negar.
O que é uma pena. Mas revela o nosso país e suas idiossincrasias.
***
Regra 85/95 vetada
Assistia ontem a parte da sessão da Câmara, justamente aquela que tratava da desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel.
Minha primeira impressão ao ver o comportamento de certos deputados é que, quem tem uma Câmara composta de pessoas capazes do tipo de comportamento que eles demonstravam, não pode esperar muita coisa séria daquela Casa.
Mas em meio a toda a discussão e ataques trocados entre o líder do PT, José Guimarães e um deputado do PSDB, e da intervenção de, entre outros, Espiridião Amin, que culminou com a desoneração contrabandeada em medida que nada tinha a ver com aquele assunto dos caminhoneiros, subiu à tribuna Arnaldo Faria de Sá.
E subiu para conclamar á vitória todos que sejam contrários ao tratamento que Dilma insiste em dar, e que penaliza aos aposentados do país.
E, informando ter conhecimento de que nova Medida Provisória sairia do Planalto, junto ao veto à aprovação da regra de aposentadoria pelo critério 85/95, com a introdução de alteração desses valores à medida que a expectativa de vida fosse aumentando, conclamava a todos que votassem pela derrubada do veto.
Em sua fala, uma parte merece meu destaque. Disse ele que o governo ameaça com o fato de que, em 2060, a regra do 85/95 iria provocar uma necessidade de recursos da ordem de 3,2 trilhões de reais, o que de fato tem sido anunciado pela imprensa.
Mas, embora nenhum número tivesse sido apresentado, é fato que apenas elevar a regra para 86/96, no ano seguinte, ou 87/97, até chegar à regra de 95/100, como deseja o governo iria apenas protelar mais uns dois ou três anos, aquela necessidade de recursos tão vultosa.
Ou seja, se a regra vai sofrer reajustes, e ganhar talvez algum prazo, isso apenas irá adiar por mais alguns anos, o surgimento daquele rombo.
Ora, se não resolve de vez o problema, então a nova regra do governo é tão ruim quanto a aprovada pela Câmara e, sendo assim, ruim por ruim, porque não manter aquela regra que a própria Dilma prometeu introduzir na legislação, quando da campanha eleitoral?
***
De minha parte, sem maiores estudos, confesso que não há como dar uma opinião séria.
Mas, que é cada vez mais necessário que todos nós, da sociedade, nos debrucemos sobre os reais problemas que afligem a nossa Previdência, isso não há dúvidas.
Mas, que tal discussão pudesse ser desenvolvida com todos admitindo que o que é bem comum deveria prevalecer sobre interesses particulares mais imediatistas. O que, embora quimérico, significa que todos deveríamos ter informações completas e corretas, e analisarmos tais dados, sabendo que esse é o tipo de acordo em que todos devem estar dispostos a abrir mão de alguma coisa.
Ou seja: trata-se de discutir o que estamos dispostos a perder. Porque todos iremos ter de sacrificar alguma coisa, em prol da sobrevivência desse importante colchão de proteção social.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
quarta-feira, 17 de junho de 2015
A marcha do conservadorismo e os projetos e ambições de Cunha, o líder dessa aventura
Depois de mais uma escaramuça entre o presidente da Câmara Eduardo Cunha e o PT de Aloísio Mercadante, com mais uma ameaça de ruptura e implosão da base de sustentação do governo Dilma, os líderes da base aliada acertaram as condições de votação da última medida do ajuste fiscal, aquela que trata da questão das desonerações da folha de pagamentos à Previdência Social.
Pelo acordo feito, alguns poucos setores - seis no total, incluindo empresas de call center, transporte de passageiros e de comunicação, - que optarem por continuar recolhendo a contribuição previdenciária incidente sobre o faturamento terão aumentos menores nas alíquotas, mantendo em parte o incentivo concedido para a manutenção do nível de emprego.
Para os demais setores que se aproveitaram da expansão dos benefícios, as alíquotas sobem mais de 100%, o que irá fazer com que muitas empresas optem por voltar a contribuir pela sistemática antiga, cuja base era o valor da folha de pagamento.
O governo acredita em economia de mais de 12 bilhões de reais com a alteração que, negociada pelo articulador político Temer, deve ir a votação ainda nessa semana.
***
Interessante, e mais que isso, bastante preocupante são algumas das imposições da "base aliada", para manter a medida do ministro da Fazenda, Levy. Pelo que nos informa a Folha de São Paulo, o Planalto se compromete a não vetar emendas de interesse de aliados de Cunha, que foram incluídas na Medida Provisória que elevou a tributação de importados.
As medidas "contrabandeadas" pelas emendas dos amigos de Cunha, e que o Planalto concorda em não vetar, incluem a anistia de multas aplicadas a igrejas evangélicas pela Receita Federal, além de ficar assegurado que não será vetada a emenda que permite a construção do shopping da Câmara. aquele espaço que transforma a Câmara naquilo que todos sempre acreditaram que fosse aquele espaço: um amplo local de comércio. Ou balcão de negócios.
Em minha avaliação, pior é que o perdão para as igrejas evangélicas fortalece ainda mais ao deputado Cunha, além de fortalecer às igrejas, o que contribui para o cada vez maior fortalecimento do conservadorismo que vem se alastrando por todos os segmentos da vida social de nosso país.
***
Por outro lado, mostra também ou dá a entender a que projeto Cunha se dedica, deixando claro que não há no projeto do presidente da Câmara, nenhuma preocupação com o país e a melhoria das condições de vida da população que a Casa diz representar.
O projeto de Cunha é tão somente pessoal, o que lhe permite tornar-se cada vez mais forte para pleitear, em 2018, a indicação pelo seu partido para a disputa à presidência da República. Com o apoio de todos os setores de maior conservadorismo e representantes do maior obscurantismo que pode ser imaginado.
***
Nesse meio tempo, o incansável Cunha promove acordo com o PSDB e leva à Câmara, provavelmente nessa quarta feira o projeto que visa reduzir a maioridade penal, de 18 para 16 anos, que passaria a valer apenas para os casos de crimes hediondos, entre os quais os de estupro e latrocínio, ou seja, o roubo seguido de morte.
Interessante que, em minha opinião, mais uma vez às pressas, como que para dar uma satisfação apenas parcial à sociedade, a Câmara corre para reduzir a maioridade penal sem qualquer discussão mais ampla e mais séria de alternativas e condições objetivas para que a medida surta os efeitos desejados.
E quando falo em condições objetivas, refiro-me ao caso do adolescente acusado logo no primeiro instante de ser um dos autores do homicídio do médico que pedalava pela Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, há poucas semanas.
Pois bem, sabe-se hoje que, ao contrário do que afirmava com toda a convicção nossa Polícia, o adolescente, o primeiro, não participou do crime, sendo acusado injustamente. Tudo bem que a Polícia se redimiu e, parece, já prendeu os dois verdadeiros autores, também menores.
Mas, em um país em que a Polícia sempre opta por prender em primeiro lugar, os jovens negros, adolescentes, moradores da periferia de nossas metrópoles, sejam eles culpados ou não, será mesmo que estaríamos preparados para a redução da idade penal?
E, ao reduzir a idade, porque apenas para crimes com requintes de crueldade? Será que o crime menos violento, ao menos do ponto de vista físico, não seria tanto crime, e tão prejudicial à vítima quanto o outro?
Porque e, na verdade, qual a diferença há entre um estuprador adolescente e outro adolescente que, invade a privacidade de alguma menina ou jovem, e expõe na internet fotos que podem comprometer toda a vida da vítima?
Não seria uma espécie de estupro tal invasão de privacidade? Tal ação que os autores sabem tão bem o mal que estão fazendo, que muitas vezes agem exatamente por vingança, vaidade pessoal ferida, apenas pelo prazer de difamar e expor as vítimas?
Ora, se o menor sabe avaliar as consequências de seus atos, deve saber tais efeitos em qualquer circunstância. mesmo naquelas em que as vítimas vão carregar o peso da agressão, de forma que poucos irão se dar conta que a agressão deixou marcas, pelo resto da vida.
Não à toa, várias meninas, vítimas de exposição na internet de fotos comprometedoras, acabam optando por colocarem um fim em suas vidas.
E, nesse caso, como ficam os responsáveis, os que divulgaram as fotos, muitas vezes filhinhos de papai, bem educados e nascidos em famílias de bem?
***
E quantas vezes, as vítimas de simples roubos, não dão depoimentos que deixam perceber que se sentiram invadidas, humilhadas, mesmo que apenas pela agressão de terem levado parte daquilo que conquistaram com o esforço e sacrifício de muito de suas vidas?
Ora, se as vítimas sentem-se invadidas, humilhadas, algumas desenvolvem síndromes de pânico, entram em depressão, isso não faz do autor do crime alguém tão responsável e tão merecedor de punição quanto aqueles dos crimes "mais" hediondos?
***
Mas, o que a sociedade discutiu que poderia fazer ou deveria fazer para lidar objetivamente com a questão de que, ao reduzir a maioridade, o risco que passamos a correr é o de os grupos de criminosos passem a introduzir na vida criminosa meninos ainda com menos idade, reduzindo o recrutamento desses menores de 16 para 14 anos, por exemplo.
E, o que a sociedade discutiu ou criou para evitar que esses menores de 15, 14 anos ou até menos, possam ficar livres do assédio dos criminosos mais velhos, que lhes oferecem, prestígio, segurança, proteção, grana, visibilidade que se confunde com respeito, imposto pelo medo, mas ainda assim, respeito?
Como a sociedade vai se antepor ao que até aqui tem sido a tônica, do abandono de tais menores, do desamparo a suas famílias, da falta da presença do Estado, para trazer respeito e fazer respeitar as regras de convívio nas comunidades em que eles são criados?
E como fazer esses menores deixarem de ser apenas os pivetes dos sinais, sem nome, sem identidade, sem reconhecimento e tratados sem qualquer respeito, com não seres?
***
Mas vá lá. Isso pouco importa a Cunha e a seu projeto de poder. Isso importa pouco ao pensamento que ele capitaneia, cada vez mais conservador e repressor.
O que é uma pena.
Mas, revelador de um país que sempre foi autoritário, e que vende bom humor e alegria, forjada, falsa, apenas nas propagandas de tevês, que deixa de ser uma abstração apenas no Carnaval.
***
Capaz de tratar um jornalista que é e tem sido um dos expoentes do conservadorismo esclarecido, como Jô Soares, da forma que o tratou apenas por ter entrevistado, de forma educada e sem querer criar um ambiente de confronto, à presidenta Dilma.
Isso porque quando a entrevista era com outros presidentes, FHC, inclusive, tudo era tolerado e permitido.
Afinal, foi Dilma e o PT que incomodou sobremaneira a esse grupo de zés ninguéns que, por terem maior condição financeira, acreditam que eles são os únicos que merecem ter direito aos privilégios dos reinos da terra.
Quanto ao acesso ao reino dos céus, isso são outros quinhentos. São outras vidas...
Pelo acordo feito, alguns poucos setores - seis no total, incluindo empresas de call center, transporte de passageiros e de comunicação, - que optarem por continuar recolhendo a contribuição previdenciária incidente sobre o faturamento terão aumentos menores nas alíquotas, mantendo em parte o incentivo concedido para a manutenção do nível de emprego.
Para os demais setores que se aproveitaram da expansão dos benefícios, as alíquotas sobem mais de 100%, o que irá fazer com que muitas empresas optem por voltar a contribuir pela sistemática antiga, cuja base era o valor da folha de pagamento.
O governo acredita em economia de mais de 12 bilhões de reais com a alteração que, negociada pelo articulador político Temer, deve ir a votação ainda nessa semana.
***
Interessante, e mais que isso, bastante preocupante são algumas das imposições da "base aliada", para manter a medida do ministro da Fazenda, Levy. Pelo que nos informa a Folha de São Paulo, o Planalto se compromete a não vetar emendas de interesse de aliados de Cunha, que foram incluídas na Medida Provisória que elevou a tributação de importados.
As medidas "contrabandeadas" pelas emendas dos amigos de Cunha, e que o Planalto concorda em não vetar, incluem a anistia de multas aplicadas a igrejas evangélicas pela Receita Federal, além de ficar assegurado que não será vetada a emenda que permite a construção do shopping da Câmara. aquele espaço que transforma a Câmara naquilo que todos sempre acreditaram que fosse aquele espaço: um amplo local de comércio. Ou balcão de negócios.
Em minha avaliação, pior é que o perdão para as igrejas evangélicas fortalece ainda mais ao deputado Cunha, além de fortalecer às igrejas, o que contribui para o cada vez maior fortalecimento do conservadorismo que vem se alastrando por todos os segmentos da vida social de nosso país.
***
Por outro lado, mostra também ou dá a entender a que projeto Cunha se dedica, deixando claro que não há no projeto do presidente da Câmara, nenhuma preocupação com o país e a melhoria das condições de vida da população que a Casa diz representar.
O projeto de Cunha é tão somente pessoal, o que lhe permite tornar-se cada vez mais forte para pleitear, em 2018, a indicação pelo seu partido para a disputa à presidência da República. Com o apoio de todos os setores de maior conservadorismo e representantes do maior obscurantismo que pode ser imaginado.
***
Nesse meio tempo, o incansável Cunha promove acordo com o PSDB e leva à Câmara, provavelmente nessa quarta feira o projeto que visa reduzir a maioridade penal, de 18 para 16 anos, que passaria a valer apenas para os casos de crimes hediondos, entre os quais os de estupro e latrocínio, ou seja, o roubo seguido de morte.
Interessante que, em minha opinião, mais uma vez às pressas, como que para dar uma satisfação apenas parcial à sociedade, a Câmara corre para reduzir a maioridade penal sem qualquer discussão mais ampla e mais séria de alternativas e condições objetivas para que a medida surta os efeitos desejados.
E quando falo em condições objetivas, refiro-me ao caso do adolescente acusado logo no primeiro instante de ser um dos autores do homicídio do médico que pedalava pela Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, há poucas semanas.
Pois bem, sabe-se hoje que, ao contrário do que afirmava com toda a convicção nossa Polícia, o adolescente, o primeiro, não participou do crime, sendo acusado injustamente. Tudo bem que a Polícia se redimiu e, parece, já prendeu os dois verdadeiros autores, também menores.
Mas, em um país em que a Polícia sempre opta por prender em primeiro lugar, os jovens negros, adolescentes, moradores da periferia de nossas metrópoles, sejam eles culpados ou não, será mesmo que estaríamos preparados para a redução da idade penal?
E, ao reduzir a idade, porque apenas para crimes com requintes de crueldade? Será que o crime menos violento, ao menos do ponto de vista físico, não seria tanto crime, e tão prejudicial à vítima quanto o outro?
Porque e, na verdade, qual a diferença há entre um estuprador adolescente e outro adolescente que, invade a privacidade de alguma menina ou jovem, e expõe na internet fotos que podem comprometer toda a vida da vítima?
Não seria uma espécie de estupro tal invasão de privacidade? Tal ação que os autores sabem tão bem o mal que estão fazendo, que muitas vezes agem exatamente por vingança, vaidade pessoal ferida, apenas pelo prazer de difamar e expor as vítimas?
Ora, se o menor sabe avaliar as consequências de seus atos, deve saber tais efeitos em qualquer circunstância. mesmo naquelas em que as vítimas vão carregar o peso da agressão, de forma que poucos irão se dar conta que a agressão deixou marcas, pelo resto da vida.
Não à toa, várias meninas, vítimas de exposição na internet de fotos comprometedoras, acabam optando por colocarem um fim em suas vidas.
E, nesse caso, como ficam os responsáveis, os que divulgaram as fotos, muitas vezes filhinhos de papai, bem educados e nascidos em famílias de bem?
***
E quantas vezes, as vítimas de simples roubos, não dão depoimentos que deixam perceber que se sentiram invadidas, humilhadas, mesmo que apenas pela agressão de terem levado parte daquilo que conquistaram com o esforço e sacrifício de muito de suas vidas?
Ora, se as vítimas sentem-se invadidas, humilhadas, algumas desenvolvem síndromes de pânico, entram em depressão, isso não faz do autor do crime alguém tão responsável e tão merecedor de punição quanto aqueles dos crimes "mais" hediondos?
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Mas, o que a sociedade discutiu que poderia fazer ou deveria fazer para lidar objetivamente com a questão de que, ao reduzir a maioridade, o risco que passamos a correr é o de os grupos de criminosos passem a introduzir na vida criminosa meninos ainda com menos idade, reduzindo o recrutamento desses menores de 16 para 14 anos, por exemplo.
E, o que a sociedade discutiu ou criou para evitar que esses menores de 15, 14 anos ou até menos, possam ficar livres do assédio dos criminosos mais velhos, que lhes oferecem, prestígio, segurança, proteção, grana, visibilidade que se confunde com respeito, imposto pelo medo, mas ainda assim, respeito?
Como a sociedade vai se antepor ao que até aqui tem sido a tônica, do abandono de tais menores, do desamparo a suas famílias, da falta da presença do Estado, para trazer respeito e fazer respeitar as regras de convívio nas comunidades em que eles são criados?
E como fazer esses menores deixarem de ser apenas os pivetes dos sinais, sem nome, sem identidade, sem reconhecimento e tratados sem qualquer respeito, com não seres?
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Mas vá lá. Isso pouco importa a Cunha e a seu projeto de poder. Isso importa pouco ao pensamento que ele capitaneia, cada vez mais conservador e repressor.
O que é uma pena.
Mas, revelador de um país que sempre foi autoritário, e que vende bom humor e alegria, forjada, falsa, apenas nas propagandas de tevês, que deixa de ser uma abstração apenas no Carnaval.
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Capaz de tratar um jornalista que é e tem sido um dos expoentes do conservadorismo esclarecido, como Jô Soares, da forma que o tratou apenas por ter entrevistado, de forma educada e sem querer criar um ambiente de confronto, à presidenta Dilma.
Isso porque quando a entrevista era com outros presidentes, FHC, inclusive, tudo era tolerado e permitido.
Afinal, foi Dilma e o PT que incomodou sobremaneira a esse grupo de zés ninguéns que, por terem maior condição financeira, acreditam que eles são os únicos que merecem ter direito aos privilégios dos reinos da terra.
Quanto ao acesso ao reino dos céus, isso são outros quinhentos. São outras vidas...
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Inflação, obras de infraestrutura e novo vexame do Galo, em casa!
É certo que há notícias econômicas que poderiam ser o assunto inicial de nosso pitaco. Por exemplo, há o anúncio, suficientemente alardeado pela mídia, de que o IPCA, o índice de preços que é o balizador do regime de metas de inflação, alcançou 0,74% em maio, acumulando uma alta de 8,47%, no espaço de 12 meses.
Certo que para o regime de metas deve ser considerado tão somente o período de 12 meses que se estende de janeiro a dezembro do ano civil. Mas, no presente caso, mesmo que a inflação ficasse bem comportadinha nos sete meses que restam, de junho até dezembro, seria uma aposta muito arriscada, independente de ser completamente fora da realidade, contar com uma taxa de inflação situada dentro dos limites da meta, de 4,5% mais dois pontos percentuais.
Afinal, até o mês de maio o índice acumula já 5,34%, superior ao valor do centro da meta em quase 1%.
***
O número, que parece ter surpreendido às pitonisas do mercado, já traz como uma de suas consequências, a revisão, para maior, da expectativa de inflação para o ano, pelo mercado, esse nosso deus supremo.
E já tem assessorias e analistas apostando em 9% no ano.
Previsão que deve alimentar nova rodada de cobranças para que o Copom eleve as taxas de juros básicos da economia, superando a taxa atual, pelo visto ainda ineficaz de 13,75%.
Curiosa é a lista de vilões da puxada de preços: mais uma vez o tomate, a cebola, tarifa de energia elétrica e, pasme, jogos de azar.
O que nos fornece um retrato no mínimo curioso desse país em que o Banco Central eleva as taxas de juros; a demanda agregada, que vinha se alimentando das despesas das famílias em consumo, grande parte delas sustentada pelo crediário, despenca. A indústria super-estocada paralisa a produção e demite, e as famílias sem uma fonte de renda assegurada correm para as loterias, para tentarem as sorte grande.
E, em face da elevação de preços das apostas da Caixa, para obter mais recursos para ajudar no esforço fiscal, a inflação sobe.
E retomamos a ciranda: nova reunião do Copom, nova subida de juros, nova queda de vendas, novas demissões, e mais jogos, que é para ver se a sorte muda...
***
Ao contrário do que víamos acontecer durante a gestão do ministro trapalhão Mantega (trapalhão aos olhos da imprensa e do sacrossanto mercado, a que ele não se curvava sem resistências), a grande imprensa aceita, agora, a responsabilidade da questão climática nos preços de produtos como tomate, já o principal vilão da inflação dos alimentos em 2013.
Apenas que, como é curioso, mas verdadeiro, desta vez não foi a crise hídrica a responsável pelos problemas da safra. Ao contrário, dessa vez foi a chuva e, pela primeira vez, vejo o jornal (no caso específico à Folha - edição do dia de hoje, 11 de junho, página A 19) dar espaço à explicação da coordenadora do IBGE, para quem as chuvas aumentam a umidade, o que propicia o surgimento de pragas, cujo custo para combatê-las é muito elevado.
Daí o problema com o tomate, esse sim, preferência nacional, e com a cebola.
Além da explicação climática, um outro problema surge da elevação do preço do dólar, que encarece produtos como o pão de sal, dependente da farinha de trigo importada.
Na mesma direção entende-se porque da cebola argentina, que começou a frequentar as bancas das feiras e sacolões há poucas semanas, não é capaz de promover a queda do preço da nossa cebola.
***
Mais uma vez a energia, também vinculada ao clima, no caso e contrariamente à questão da seca no Nordeste, tem grande parcela da responsabilidade, na alta de preços, afetando mais a região Nordeste. E afetando também Vitória, mas aqui, mais uma vez, em função do esforço fiscal do governo, ou seja, devido ao aumento do PIS/Cofins, incidente sobre a energia elétrica.
***
Ou seja, à ciranda dos juros, podemos acrescentar outra justificativa; visando acertar as contas públicas, sobem os impostos, o governo corta despesas, muitas das quais fundamentais como o Fies, etc. e com isso cai a demanda agregada, e cai a produção, e cai o nível de atividade e emprego, e o governo perde receita. E, com os juros mais elevados, o déficit fiscal se eleva ainda mais, e o governo deve elevar novamente as receitas, que pressionarão os preços, exigindo elevação dos juros, que levarão a nova elevação do déficit nominal...
E eu me pergunto até quando o ministro Levy continuará sendo poupado pelo mercado, e a culpa de políticas econômicas que já mostraram em outras ocasiões não serem capazes de resolver os problemas, principalmente da inflação, continuará sendo despejada em Mantega.
***
Mas, não há razão para maiores problemas. Afinal, em meio a tantas tesouradas nos gastos públicos, gerando o que Marcos Pestana, o deputado peesedebista de Minas, deu a entender que seria o final melancólico do PAC, empacado conforme discurso por ele proferido na tribuna da Câmara no dia de ontem, o governo lança um grande programa de concessões para obras de infraestrutura.
Para o deputado mineiro, uma atitude merecedora de festas e grande alegria, por marcar o reconhecimento definitivo pelo PT, das vantagens e benefícios da privatização, e a entrada daquele partido, outrora tão crítico, no espírito maior da unanimidade burra do neoliberalismo.
Em minha opinião, nada de novo sob o sol, já que o programa prevê a realização de investimentos de 198 bilhões de reais, dos quais perto de 70 bilhões ainda no mandato de Dilma, isso caso o setor privado resolva gastar nos projetos apresentados, o que depende, antes de mais nada, de boa vontade dos empresários e de obtenção de recursos.
Como lembra em sua coluna Jânio de Freitas, no Brasil, seriam as grandes empreiteiras, todas envolvidas no escândalo da Lava Jato, que teriam condições, talvez, e interesse em tais concessões. Isso se lhes for facultado o direito de continuarem participando de licitações e concorrências para fornecimento de serviços ao governo.
Mas, o escândalo apenas, já levou várias delas a situações bastante críticas do ponto de vista financeiro, o que as levaria a depender de financiamentos. A essa taxa de juros que estamos praticando no país, às taxas de juros de mercado, já que agora nem o BNDES poderá mais ficar fazendo empréstimos mais semelhantes a doações de pai para filhos, à taxa de juros da TJLP?
***
Como disse Jânio, cheira mesmo a expediente para atrair capitais estrangeiros, empresas de engenharia internacionais, alicerçadas e alimentadas por dinheiro a custo quase zero, do capital financeiro internacional que Levy dá demonstrações de estar tão preocupado em representar e defender.
***
Mas, não há problema! Internamente muita gente irá ficar satisfeita se nossos serviços de engenharia forem derrotados pela concorrência, o que evitará, para todo o sempre, que possamos participar de construção de obras tão importantes como o porto de Cuba. Aquela ilha comunista que cada vez mais os nossos setores conservadores querem ver longe, e por isso, mais ela se aproxima e estreita laços com aquele outro grande país comunista, os Estados Unidos...
***
Só para lembrar, grande parte do tal programa de concessões é, conforme a Folha de ontem, uma versão reciclada de outro anunciado em 2012.
Cujo modelo na época foi criticado pela presidenta, por ser oneroso para o usuário. Mas, agora, com Levy à frente, não, já que agora o povo é quem menos importa.
***
Chegou a hora de parar de ficar bajulando e exigir mais futebol
Não vi o jogo todo do Galo ontem, apenas trechos do primeiro tempo.
Mas vi um comentarista da rádio Itatiaia, que reconheceu que foi um dos que acreditaram e difundiram a ideia de favoritismo do Atlético para a conquista do Brasileiro, e continua acreditando nisso, dizer que acendeu-se uma luzinha de preocupação.
Para o tal comentarista, ao golear, Fluminense, Vasco, Avaí, o Galo mostrou linhas compactas, velozes, ultrapassagens, triangulações, que o credenciam a ser considerado o melhor ou um dos melhores times na disputa.
Mas, nas duas últimas partidas, contra Cruzeiro e Santos, ontem, essas jogadas em velocidade, mas sincronizadas, etc. etc, não aconteceram. E, para ele, está na hora de o Galo verificar o que está acontecendo, para não perder o senso do coletivo.
***
Paro aqui. Em minha opinião, o tal comentarista, independente de torcer ou não para o Glorioso, acaba fazendo mais mal que bem para o time.
Falar de partidas contra autênticas galinhas mortas, como o Fluminense do início do campeonato, e Vasco e Avaí, candidatos fortíssimos a caírem, mais o carioca que o catarinense, é brincadeira.
Pior, o Galo jogou contra aqueles times já mostrando que estava de salto alto. Marcava um, dois gols e já se sentia vitorioso, começando a se poupar, quando os adversários se fossem respeitados, deveriam levar 7, 8 gols, já que eram forma para isso.
***
É isso que atrapalha o Galo. Esses comentaristas de araque, que não vêem um palmo à frente do nariz e acham que o time está às mil maravilhas, quando percebe-se a existência de falhas cada vez mais grotescas.
Afinal, entrar de primeira como Léo Silva foi na jogada de Ricardo Oliveira no primeiro gol do Santos, é brincadeira. Colocar apenas Léo Silva, já com mais idade, para disputar na corrida com o avante do Santos, é outra brincadeira.
Há muito tempo venho falando que a defesa do Galo fica muito desguarnecida. Não que eu seja contrário ao uso de apenas um volante, já que sempre critiquei a incapacidade de Donizete sair jogando e trocando passes que sempre acabam nos pés do adversário e em lances de perigo de gol contra o arco de Victor.
Mas, para jogar com um só volante, como Carioca, há que se manter um esquema que impeça que fique apenas um único jogador no mano a mano, como aconteceu ontem.
***
Felizmente não vi o segundo tempo, por compromissos profissionais.
Mas, que está faltando ao Galo mais que apenas um espírito coletivo, isso fica cada vez mais claro. Está faltando, na verdade, é futebol. E raça, muita raça e vontade de vencer.
Certo que para o regime de metas deve ser considerado tão somente o período de 12 meses que se estende de janeiro a dezembro do ano civil. Mas, no presente caso, mesmo que a inflação ficasse bem comportadinha nos sete meses que restam, de junho até dezembro, seria uma aposta muito arriscada, independente de ser completamente fora da realidade, contar com uma taxa de inflação situada dentro dos limites da meta, de 4,5% mais dois pontos percentuais.
Afinal, até o mês de maio o índice acumula já 5,34%, superior ao valor do centro da meta em quase 1%.
***
O número, que parece ter surpreendido às pitonisas do mercado, já traz como uma de suas consequências, a revisão, para maior, da expectativa de inflação para o ano, pelo mercado, esse nosso deus supremo.
E já tem assessorias e analistas apostando em 9% no ano.
Previsão que deve alimentar nova rodada de cobranças para que o Copom eleve as taxas de juros básicos da economia, superando a taxa atual, pelo visto ainda ineficaz de 13,75%.
Curiosa é a lista de vilões da puxada de preços: mais uma vez o tomate, a cebola, tarifa de energia elétrica e, pasme, jogos de azar.
O que nos fornece um retrato no mínimo curioso desse país em que o Banco Central eleva as taxas de juros; a demanda agregada, que vinha se alimentando das despesas das famílias em consumo, grande parte delas sustentada pelo crediário, despenca. A indústria super-estocada paralisa a produção e demite, e as famílias sem uma fonte de renda assegurada correm para as loterias, para tentarem as sorte grande.
E, em face da elevação de preços das apostas da Caixa, para obter mais recursos para ajudar no esforço fiscal, a inflação sobe.
E retomamos a ciranda: nova reunião do Copom, nova subida de juros, nova queda de vendas, novas demissões, e mais jogos, que é para ver se a sorte muda...
***
Ao contrário do que víamos acontecer durante a gestão do ministro trapalhão Mantega (trapalhão aos olhos da imprensa e do sacrossanto mercado, a que ele não se curvava sem resistências), a grande imprensa aceita, agora, a responsabilidade da questão climática nos preços de produtos como tomate, já o principal vilão da inflação dos alimentos em 2013.
Apenas que, como é curioso, mas verdadeiro, desta vez não foi a crise hídrica a responsável pelos problemas da safra. Ao contrário, dessa vez foi a chuva e, pela primeira vez, vejo o jornal (no caso específico à Folha - edição do dia de hoje, 11 de junho, página A 19) dar espaço à explicação da coordenadora do IBGE, para quem as chuvas aumentam a umidade, o que propicia o surgimento de pragas, cujo custo para combatê-las é muito elevado.
Daí o problema com o tomate, esse sim, preferência nacional, e com a cebola.
Além da explicação climática, um outro problema surge da elevação do preço do dólar, que encarece produtos como o pão de sal, dependente da farinha de trigo importada.
Na mesma direção entende-se porque da cebola argentina, que começou a frequentar as bancas das feiras e sacolões há poucas semanas, não é capaz de promover a queda do preço da nossa cebola.
***
Mais uma vez a energia, também vinculada ao clima, no caso e contrariamente à questão da seca no Nordeste, tem grande parcela da responsabilidade, na alta de preços, afetando mais a região Nordeste. E afetando também Vitória, mas aqui, mais uma vez, em função do esforço fiscal do governo, ou seja, devido ao aumento do PIS/Cofins, incidente sobre a energia elétrica.
***
Ou seja, à ciranda dos juros, podemos acrescentar outra justificativa; visando acertar as contas públicas, sobem os impostos, o governo corta despesas, muitas das quais fundamentais como o Fies, etc. e com isso cai a demanda agregada, e cai a produção, e cai o nível de atividade e emprego, e o governo perde receita. E, com os juros mais elevados, o déficit fiscal se eleva ainda mais, e o governo deve elevar novamente as receitas, que pressionarão os preços, exigindo elevação dos juros, que levarão a nova elevação do déficit nominal...
E eu me pergunto até quando o ministro Levy continuará sendo poupado pelo mercado, e a culpa de políticas econômicas que já mostraram em outras ocasiões não serem capazes de resolver os problemas, principalmente da inflação, continuará sendo despejada em Mantega.
***
Mas, não há razão para maiores problemas. Afinal, em meio a tantas tesouradas nos gastos públicos, gerando o que Marcos Pestana, o deputado peesedebista de Minas, deu a entender que seria o final melancólico do PAC, empacado conforme discurso por ele proferido na tribuna da Câmara no dia de ontem, o governo lança um grande programa de concessões para obras de infraestrutura.
Para o deputado mineiro, uma atitude merecedora de festas e grande alegria, por marcar o reconhecimento definitivo pelo PT, das vantagens e benefícios da privatização, e a entrada daquele partido, outrora tão crítico, no espírito maior da unanimidade burra do neoliberalismo.
Em minha opinião, nada de novo sob o sol, já que o programa prevê a realização de investimentos de 198 bilhões de reais, dos quais perto de 70 bilhões ainda no mandato de Dilma, isso caso o setor privado resolva gastar nos projetos apresentados, o que depende, antes de mais nada, de boa vontade dos empresários e de obtenção de recursos.
Como lembra em sua coluna Jânio de Freitas, no Brasil, seriam as grandes empreiteiras, todas envolvidas no escândalo da Lava Jato, que teriam condições, talvez, e interesse em tais concessões. Isso se lhes for facultado o direito de continuarem participando de licitações e concorrências para fornecimento de serviços ao governo.
Mas, o escândalo apenas, já levou várias delas a situações bastante críticas do ponto de vista financeiro, o que as levaria a depender de financiamentos. A essa taxa de juros que estamos praticando no país, às taxas de juros de mercado, já que agora nem o BNDES poderá mais ficar fazendo empréstimos mais semelhantes a doações de pai para filhos, à taxa de juros da TJLP?
***
Como disse Jânio, cheira mesmo a expediente para atrair capitais estrangeiros, empresas de engenharia internacionais, alicerçadas e alimentadas por dinheiro a custo quase zero, do capital financeiro internacional que Levy dá demonstrações de estar tão preocupado em representar e defender.
***
Mas, não há problema! Internamente muita gente irá ficar satisfeita se nossos serviços de engenharia forem derrotados pela concorrência, o que evitará, para todo o sempre, que possamos participar de construção de obras tão importantes como o porto de Cuba. Aquela ilha comunista que cada vez mais os nossos setores conservadores querem ver longe, e por isso, mais ela se aproxima e estreita laços com aquele outro grande país comunista, os Estados Unidos...
***
Só para lembrar, grande parte do tal programa de concessões é, conforme a Folha de ontem, uma versão reciclada de outro anunciado em 2012.
Cujo modelo na época foi criticado pela presidenta, por ser oneroso para o usuário. Mas, agora, com Levy à frente, não, já que agora o povo é quem menos importa.
***
Chegou a hora de parar de ficar bajulando e exigir mais futebol
Não vi o jogo todo do Galo ontem, apenas trechos do primeiro tempo.
Mas vi um comentarista da rádio Itatiaia, que reconheceu que foi um dos que acreditaram e difundiram a ideia de favoritismo do Atlético para a conquista do Brasileiro, e continua acreditando nisso, dizer que acendeu-se uma luzinha de preocupação.
Para o tal comentarista, ao golear, Fluminense, Vasco, Avaí, o Galo mostrou linhas compactas, velozes, ultrapassagens, triangulações, que o credenciam a ser considerado o melhor ou um dos melhores times na disputa.
Mas, nas duas últimas partidas, contra Cruzeiro e Santos, ontem, essas jogadas em velocidade, mas sincronizadas, etc. etc, não aconteceram. E, para ele, está na hora de o Galo verificar o que está acontecendo, para não perder o senso do coletivo.
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Paro aqui. Em minha opinião, o tal comentarista, independente de torcer ou não para o Glorioso, acaba fazendo mais mal que bem para o time.
Falar de partidas contra autênticas galinhas mortas, como o Fluminense do início do campeonato, e Vasco e Avaí, candidatos fortíssimos a caírem, mais o carioca que o catarinense, é brincadeira.
Pior, o Galo jogou contra aqueles times já mostrando que estava de salto alto. Marcava um, dois gols e já se sentia vitorioso, começando a se poupar, quando os adversários se fossem respeitados, deveriam levar 7, 8 gols, já que eram forma para isso.
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É isso que atrapalha o Galo. Esses comentaristas de araque, que não vêem um palmo à frente do nariz e acham que o time está às mil maravilhas, quando percebe-se a existência de falhas cada vez mais grotescas.
Afinal, entrar de primeira como Léo Silva foi na jogada de Ricardo Oliveira no primeiro gol do Santos, é brincadeira. Colocar apenas Léo Silva, já com mais idade, para disputar na corrida com o avante do Santos, é outra brincadeira.
Há muito tempo venho falando que a defesa do Galo fica muito desguarnecida. Não que eu seja contrário ao uso de apenas um volante, já que sempre critiquei a incapacidade de Donizete sair jogando e trocando passes que sempre acabam nos pés do adversário e em lances de perigo de gol contra o arco de Victor.
Mas, para jogar com um só volante, como Carioca, há que se manter um esquema que impeça que fique apenas um único jogador no mano a mano, como aconteceu ontem.
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Felizmente não vi o segundo tempo, por compromissos profissionais.
Mas, que está faltando ao Galo mais que apenas um espírito coletivo, isso fica cada vez mais claro. Está faltando, na verdade, é futebol. E raça, muita raça e vontade de vencer.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Mais uma vez falta futebol e vontade ao Galo, especialmente vontade, que sobrou no Cruzeiro. E a entrevista de Delfim Netto na Folha
Não há muito a falar do jogo de domingo, em que um time entrou para jogar futebol e outro entrou acreditando que ia dar mais um espetáculo. E o que se viu foi exatamente isso, inclusive no resultado. Um time com jogadores como se estivessem famintos em campo, disputando a bola como se fosse o último prato de comida na face da terra.
O outro, insistentemente e irritantemente insistindo em dar ao goleirão Victor, a chance de se destacar na armação de jogadas, nos lançamentos, tão ao estilo da tática do chutão que predominou em 2013, na conquista da Libertadores.
Com a diferença que, naquela oportunidade, mais inspirado, quem fazia o pivô era Jô, que apesar de ser melhor para cumprir esse papel que Lucas Pratto, até pela altura e maior agilidade, estava assistindo a partida do banco.
Então, para não perder o embalo, já antes dos 3 minutos de jogo, Rafael Carioca havia, sozinho e do meio campo, atrasado uma bola em direção de Victor, a primeira de muitas que ele atrasou como se lhe faltasse recursos para tentar outra jogada, e de outras tantas, que seus companheiros imitando-o, também devolveram para o goleiro.
***
Já era hora de Levir avisar aos seus comandados que futebol é bola para a frente e que Victor não possui tanta habilidade para fazer lançamentos com sua perna esquerda, rifando a bola na maioria das vezes, já que a regra do futebol impede que o goleiro pegue a bola com suas mãos, caso ela seja atrasada por seus companheiros.
Talvez seja isso, que ainda não foi comunicado ao time do Galo, especialmente ao Carioca: que o goleiro não pode pegar a bola atrasada com as mãos o que sempre o coloca em situação complicada, especialmente quando um atacante adversário avançar contra ele, e ele tiver que se desvencilhar da bola de qualquer jeito.
***
Inegável que o time é melhor com Rafael Carioca, que sabe defender e sabe chutar de fora da área, além de ter maior qualidade que o tanque Donizete, que apenas sabe fazer jogadas violentas, para cobrir seu futebol curto, feito apenas de vontade.
Justiça seja feita, garra e vontade não lhe falta, ao Donizete.
E, talvez, até fosse isso que o time estava sentindo falta no jogo contra o Cruzeiro. De alguém que, na base do chutão e da força, mostrasse que o jogo era sério e de campeonato.
Porque enquanto o Cruzeiro mordia, beliscava, incomodava e jogava sério, o time do Atlético parecia querer esbanjar uma qualidade técnica que ainda está longe de poder apresentar.
Ainda mais contra um time que é, nada mais, nada menos, seu principal adversário.
***
Pois bem, o que vi em campo foi o time do Galo querendo trocar passes curtos, fazendo triangulações sem qualquer objetividade, e embolando com a bola nos pés, como nos bobinhos que antigamente eram chamados de jogo do peru, que os reservas usam para se aquecerem no intervalo dos jogos.
Basta observar que, sem poder dar mais que um ou dois toques na bola, e com área muito limitada para a troca de passes entre eles, normalmente nesses "bobinhos", há muita embolação, com a bola ficando no meio de um bate-rebate que acaba sempre fazendo com que o time contrário recupere sua posse. Até que nova confusão e embolação reverta, logo em seguida a situação.
Luan, Dátolo, Gustavo Augusto, Patrick, abusaram dessa troca de passes curtos, laterais, sem conseguirem criar qualquer jogada e levar perigo ao gol defendido por Fábio. Ao menos no início do jogo.
Isso, sem falar na dificuldade visível de Dátolo conseguir se virar, consertar o corpo para poder dar sequência a qualquer jogada já que só joga com a canhota.
Até que ele vire o corpo e consiga domínio, dois jogadores ou até mais, contrários, já partiram para cima dele e embolaram o lance.
***
A bem da verdade, devo dizer que o Galo foi melhor que o Cruzeiro até que conseguiu marcar seu gol, em jogada muito truncada, como truncado foi todo o jogo.
Dizer que foi pegado é pouco. Achei mais que foi muito cheio de jogadas faltosas, nenhuma delas com tanta violência, o que não retira delas o caráter de faltosa.
Assim, no gol do Galo mesmo, dois choques, em minha opinião que poderiam ter sido penalizados com uma falta aconteceram antes de no sufoco, Luan empurrar para as redes.
***
Ah! Muitos irão dizer que o juiz foi muito bom, pois deixou o jogo correr. E que deu sempre, e bem a lei da vantagem. Do que me lembro, em jogada do ataque do Galo, houve duas faltas ao menos que o time levou vantagem. E o juizão corretamente aplicou a lei.
Mas, não deveria depois do lance concluído advertir, ou aplicar cartão no lance, que julgo ter sido de jogada mais ríspida.
E para não falar que estou apenas chorando, a verdade é que Douglas Santos mereceu cartão, e nada em lance que foi vergonhoso.
E não apenas ele, no segundo tempo. Ainda no primeiro tempo também houve falta feita no meio campo do Galo, que deveria ter sido punido com mais que apenas uma sinalização manual.
***
Não gostei do juiz, e acho que ele usou de dois pesos e duas medidas. Para o Cruzeiro, marcou um número muito maior de faltas que para o Galo, inclusive na jogada que deu origem ao terceiro gol do time adversário, que houve falta no lance, com um puxão de camisa do jogador do Galo.
O que não altera o fato de que o Cruzeiro foi melhor. Jogou com vontade e infelizmente, Luxemburgo pode começar, novamente, a assumir sua atitude arrogante e de falastrão genial de sempre.
***
Quanto a Levir, acho que falhou desde a escalação. Afinal, embora não goste de Thiago Ribeiro, ele andou entrando e se constituindo além de goleador, no melhor jogador do time. Então, porque tirá-lo justo no jogo contra nosso maior rival?
E porque não mudar o time já aos 30 ou 35 minutos do primeiro tempo, quando o Cruzeiro mandava em campo e quem estava lá via que só dava Cruzeiro?
Vá lá que Carlos, para não perder o costume teve duas oportunidades de gol claras, que ele atrasou para Fábio, talvez até por treinar tanto atrasar bola para Victor....
E que se tivesse havido a marcação do gol, outro teria sido o final da história.
Ou não.
***
Dátolo já estava mal desde o início e, para a bola ficar sendo chutada para a frente para Pratto escorar, era melhor ter posto Jô em campo.
A defesa estava bem, mais segura, até que teve a infelicidade de marcar o gol contra, em jogada que William chutou para a lateral.
Acho que Victor falhou no gol do Cruzeiro, o segundo, talvez assustado com a falha de Patrick, tanto ao tentar sair brincando e driblando naquele lugar, quanto por ter levado o drible que levou infantilmente.
***
E só para terminar, acho que foi errado entrar com Guilherme, que a torcida pedia.
Deve ser lembrado que o jogador, embora craque, estava voltando de uma contusão, com muitas partidas sem jogar, sem ritmo e sem condições, em minha opinião, de entrar em jogo tão pesado e tão disputado.
Mas, para não ser taxado de burro, e tendo em vista as falhas consecutivas que Gustavo Augusto começou a cometer, Levir mexeu. Mais uma vez, mal, em minha avaliação.
Pois bem. Perdemos e foi merecido.
Que ao menos mostre aos jogadores do Galo que um time bom, com técnica, não pode esquecer que raça, vontade, disposição e luta ainda são importantes requisitos de qualquer time.
***
E para não dizer que não falei de Economia
Não apenas, mais uma vez, na quarta feira tivemos nova elevação dos juros, fazendo a taxa Selic bater um recorde não visto há mais de 6 anos, como ainda vimos a admissão, pelo ministro Levy, de que o ajuste será mais recessivo, e talvez mais duradouro que ele acreditava.
Mas, acredito que, mais importante que esses fatos, inclusive com a admissão de alguns setores que a queda do PIB pode alcançar os 2% no ano de 2015, o que me chamou a atenção nesse feriadão prolongado, foi a entrevista de Delfim Netto ao jornal da Folha de São Paulo, no último domingo.
Como sempre, mesmo não gostando do ex-ministro dos governos militares, há que se reconhecer que ele tem o que falar.
Especialmente quando diz que já está passando da hora de Dilma reassumir o governo que ela, na opinião do professor deixou de lado, envergonhada talvez por estar traindo todo o discurso de campanha, em estelionato que Delfim não nega ter havido.
***
Um detalhe, além de elogiar a política de equilíbrio fiscal, que era mais que necessária, em sua opinião, Delfim destaca que a política era tão necessária, que para fazer justiça, as medidas mais importantes até agora tomadas foram idealizadas ou sugeridas por Mantega.
Até agora, do que vimos de Levy, e o professor deixa no ar, apenas aumento de receita. Cortes de gastos muito poucos.
E visando o crescimento, até aqui nada. O que leva o ex-ministro a cobrar do ministro do Planejamento que comece a agir, junto a outros de seus colegas, para que tenha um projeto para o país, depois que o ajuste fiscal for todo aprovado e o protagonismo de Levy já não tiver mais o que oferecer.
É isso, o professor mais uma vez mostrando que não basta boa intenção e a adoção de um modo de pensar que é dominado pelo pensamento único. Mesmo que o pensamento único agrade tanto aos mercados.
O outro, insistentemente e irritantemente insistindo em dar ao goleirão Victor, a chance de se destacar na armação de jogadas, nos lançamentos, tão ao estilo da tática do chutão que predominou em 2013, na conquista da Libertadores.
Com a diferença que, naquela oportunidade, mais inspirado, quem fazia o pivô era Jô, que apesar de ser melhor para cumprir esse papel que Lucas Pratto, até pela altura e maior agilidade, estava assistindo a partida do banco.
Então, para não perder o embalo, já antes dos 3 minutos de jogo, Rafael Carioca havia, sozinho e do meio campo, atrasado uma bola em direção de Victor, a primeira de muitas que ele atrasou como se lhe faltasse recursos para tentar outra jogada, e de outras tantas, que seus companheiros imitando-o, também devolveram para o goleiro.
***
Já era hora de Levir avisar aos seus comandados que futebol é bola para a frente e que Victor não possui tanta habilidade para fazer lançamentos com sua perna esquerda, rifando a bola na maioria das vezes, já que a regra do futebol impede que o goleiro pegue a bola com suas mãos, caso ela seja atrasada por seus companheiros.
Talvez seja isso, que ainda não foi comunicado ao time do Galo, especialmente ao Carioca: que o goleiro não pode pegar a bola atrasada com as mãos o que sempre o coloca em situação complicada, especialmente quando um atacante adversário avançar contra ele, e ele tiver que se desvencilhar da bola de qualquer jeito.
***
Inegável que o time é melhor com Rafael Carioca, que sabe defender e sabe chutar de fora da área, além de ter maior qualidade que o tanque Donizete, que apenas sabe fazer jogadas violentas, para cobrir seu futebol curto, feito apenas de vontade.
Justiça seja feita, garra e vontade não lhe falta, ao Donizete.
E, talvez, até fosse isso que o time estava sentindo falta no jogo contra o Cruzeiro. De alguém que, na base do chutão e da força, mostrasse que o jogo era sério e de campeonato.
Porque enquanto o Cruzeiro mordia, beliscava, incomodava e jogava sério, o time do Atlético parecia querer esbanjar uma qualidade técnica que ainda está longe de poder apresentar.
Ainda mais contra um time que é, nada mais, nada menos, seu principal adversário.
***
Pois bem, o que vi em campo foi o time do Galo querendo trocar passes curtos, fazendo triangulações sem qualquer objetividade, e embolando com a bola nos pés, como nos bobinhos que antigamente eram chamados de jogo do peru, que os reservas usam para se aquecerem no intervalo dos jogos.
Basta observar que, sem poder dar mais que um ou dois toques na bola, e com área muito limitada para a troca de passes entre eles, normalmente nesses "bobinhos", há muita embolação, com a bola ficando no meio de um bate-rebate que acaba sempre fazendo com que o time contrário recupere sua posse. Até que nova confusão e embolação reverta, logo em seguida a situação.
Luan, Dátolo, Gustavo Augusto, Patrick, abusaram dessa troca de passes curtos, laterais, sem conseguirem criar qualquer jogada e levar perigo ao gol defendido por Fábio. Ao menos no início do jogo.
Isso, sem falar na dificuldade visível de Dátolo conseguir se virar, consertar o corpo para poder dar sequência a qualquer jogada já que só joga com a canhota.
Até que ele vire o corpo e consiga domínio, dois jogadores ou até mais, contrários, já partiram para cima dele e embolaram o lance.
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A bem da verdade, devo dizer que o Galo foi melhor que o Cruzeiro até que conseguiu marcar seu gol, em jogada muito truncada, como truncado foi todo o jogo.
Dizer que foi pegado é pouco. Achei mais que foi muito cheio de jogadas faltosas, nenhuma delas com tanta violência, o que não retira delas o caráter de faltosa.
Assim, no gol do Galo mesmo, dois choques, em minha opinião que poderiam ter sido penalizados com uma falta aconteceram antes de no sufoco, Luan empurrar para as redes.
***
Ah! Muitos irão dizer que o juiz foi muito bom, pois deixou o jogo correr. E que deu sempre, e bem a lei da vantagem. Do que me lembro, em jogada do ataque do Galo, houve duas faltas ao menos que o time levou vantagem. E o juizão corretamente aplicou a lei.
Mas, não deveria depois do lance concluído advertir, ou aplicar cartão no lance, que julgo ter sido de jogada mais ríspida.
E para não falar que estou apenas chorando, a verdade é que Douglas Santos mereceu cartão, e nada em lance que foi vergonhoso.
E não apenas ele, no segundo tempo. Ainda no primeiro tempo também houve falta feita no meio campo do Galo, que deveria ter sido punido com mais que apenas uma sinalização manual.
***
Não gostei do juiz, e acho que ele usou de dois pesos e duas medidas. Para o Cruzeiro, marcou um número muito maior de faltas que para o Galo, inclusive na jogada que deu origem ao terceiro gol do time adversário, que houve falta no lance, com um puxão de camisa do jogador do Galo.
O que não altera o fato de que o Cruzeiro foi melhor. Jogou com vontade e infelizmente, Luxemburgo pode começar, novamente, a assumir sua atitude arrogante e de falastrão genial de sempre.
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Quanto a Levir, acho que falhou desde a escalação. Afinal, embora não goste de Thiago Ribeiro, ele andou entrando e se constituindo além de goleador, no melhor jogador do time. Então, porque tirá-lo justo no jogo contra nosso maior rival?
E porque não mudar o time já aos 30 ou 35 minutos do primeiro tempo, quando o Cruzeiro mandava em campo e quem estava lá via que só dava Cruzeiro?
Vá lá que Carlos, para não perder o costume teve duas oportunidades de gol claras, que ele atrasou para Fábio, talvez até por treinar tanto atrasar bola para Victor....
E que se tivesse havido a marcação do gol, outro teria sido o final da história.
Ou não.
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Dátolo já estava mal desde o início e, para a bola ficar sendo chutada para a frente para Pratto escorar, era melhor ter posto Jô em campo.
A defesa estava bem, mais segura, até que teve a infelicidade de marcar o gol contra, em jogada que William chutou para a lateral.
Acho que Victor falhou no gol do Cruzeiro, o segundo, talvez assustado com a falha de Patrick, tanto ao tentar sair brincando e driblando naquele lugar, quanto por ter levado o drible que levou infantilmente.
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E só para terminar, acho que foi errado entrar com Guilherme, que a torcida pedia.
Deve ser lembrado que o jogador, embora craque, estava voltando de uma contusão, com muitas partidas sem jogar, sem ritmo e sem condições, em minha opinião, de entrar em jogo tão pesado e tão disputado.
Mas, para não ser taxado de burro, e tendo em vista as falhas consecutivas que Gustavo Augusto começou a cometer, Levir mexeu. Mais uma vez, mal, em minha avaliação.
Pois bem. Perdemos e foi merecido.
Que ao menos mostre aos jogadores do Galo que um time bom, com técnica, não pode esquecer que raça, vontade, disposição e luta ainda são importantes requisitos de qualquer time.
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E para não dizer que não falei de Economia
Não apenas, mais uma vez, na quarta feira tivemos nova elevação dos juros, fazendo a taxa Selic bater um recorde não visto há mais de 6 anos, como ainda vimos a admissão, pelo ministro Levy, de que o ajuste será mais recessivo, e talvez mais duradouro que ele acreditava.
Mas, acredito que, mais importante que esses fatos, inclusive com a admissão de alguns setores que a queda do PIB pode alcançar os 2% no ano de 2015, o que me chamou a atenção nesse feriadão prolongado, foi a entrevista de Delfim Netto ao jornal da Folha de São Paulo, no último domingo.
Como sempre, mesmo não gostando do ex-ministro dos governos militares, há que se reconhecer que ele tem o que falar.
Especialmente quando diz que já está passando da hora de Dilma reassumir o governo que ela, na opinião do professor deixou de lado, envergonhada talvez por estar traindo todo o discurso de campanha, em estelionato que Delfim não nega ter havido.
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Um detalhe, além de elogiar a política de equilíbrio fiscal, que era mais que necessária, em sua opinião, Delfim destaca que a política era tão necessária, que para fazer justiça, as medidas mais importantes até agora tomadas foram idealizadas ou sugeridas por Mantega.
Até agora, do que vimos de Levy, e o professor deixa no ar, apenas aumento de receita. Cortes de gastos muito poucos.
E visando o crescimento, até aqui nada. O que leva o ex-ministro a cobrar do ministro do Planejamento que comece a agir, junto a outros de seus colegas, para que tenha um projeto para o país, depois que o ajuste fiscal for todo aprovado e o protagonismo de Levy já não tiver mais o que oferecer.
É isso, o professor mais uma vez mostrando que não basta boa intenção e a adoção de um modo de pensar que é dominado pelo pensamento único. Mesmo que o pensamento único agrade tanto aos mercados.
terça-feira, 2 de junho de 2015
O Galo e o futebol carioca. Enquanto isso, na Europa, os grandes quando podem ganham de 6, 7 gols
Mais uma rodada do campeonato brasileiro no último fim de semana. Mais uma partida do Galo contra time carioca e mais uma vez, como já tinha acontecido contra o Fluminense, mais um jogo em que o Atlético podia ter disparado uma goleada impiedosa e ..... nada.
Até ameaçou. Até que parecia que dessa vez ia, mas ficou apenas na ameaça.
E em um futebol de alta velocidade no primeiro tempo, de constante troca de posições entre os jogadores de frente, que desnortearam a defesa vascaína e deram a impressão de que o time sairia com uma goleada inesquecível.
Mas, diferente dos grandes times de futebol europeus, como Barcelona, Real Madri ou Bayern, que ao jogarem contra times de nenhuma expressão ou força aplicam sonoras goleadas, até em respeito ao futebol, ao time adversário, aos torcedores, o Atlético acomodou-se, como é comum acontecer no futebol brasileiro.
E o que poderia ter sido um massacre, foi um jogo vibrante no início e morno na etapa final.
Está certo que Lucas Pratto perdeu ao menos uns dois gols praticamente feitos, mas o ritmo do jogo caiu demais.
***
A ponto de começar a sobrar em campo, mais pela disposição, pela garra, pela vontade, o futebol de Patric.
Não que ele não tenha feito uma bela partida. Aliás, que não venha fazendo bons jogos, indo ao ataque, trocando sempre de posição com Luan, colaborando em jogadas muitas vezes capazes de levarem grande perigo à defesa do time oponente.
Patric tem evoluído, é necessário reconhecer.
Mas, se merece elogios por suas atuações recentes, independente do feio drible que tomou de Nikão, contra o xará do Paraná, que resultou em gol do time líder do campeonato, é forçoso reconhecer que ele mais apareceu para o jogo, e foi o protagonista de jogadas de efeito, inclusive um drible em que passou no meio de dois vascaínos, já no segundo tempo, quando o Galo já não queria mais nada com a bola e o Vasco... mostrou que é apenas mais um time carioca, de futebol tão ruim quanto todos os demais que jogam apenas nas manchetes de jornais.
***
A esse respeito, é bom que seja registrado, mais uma vez, o que sempre foi o pensamento nosso e de mais uma série de profissionais da área da imprensa esportiva, sérios: o futebol carioca iria morrer de tanto oba, oba. De tanta comemoração e elogios, a maioria falsos. A maioria mais visando a tapar o sol com a peneira, iludir os torcedores dos grandes times e fingir que estava tudo bem. Quando o retrato do futebol praticado no Rio é outro. E é digno de pena.
E, apenas a título de alerta, a julgar pelo que ando acompanhando em relação ao comportamento da imprensa e de alguns comentaristas de futebol de São Paulo, a mesma situação está prestes a acontecer em Sampa. Vide aí o "Barcelona das Américas", o Corínthians, aquele que foi apontado como o único time nacional em condições de disputar e até vencer uma Champions League.
E tudo isso apenas por ser um time popular, que precisava de ser endeusado até para que a imprensa desse sua colaboração na criação de um ambiente mais festivo, mais de circo, já que o pão.... esse, há muito já não estaria sendo oferecido.
Pois bem. E o Corínthians, tão cantado em verso e prosa mostrou ao que veio, ao ser eliminado da Libertadores, de forma trágica, e agora, ao desmontar seu time, e começar a descer a ladeira do Brasileirão.
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Mas, esse pitaco não é para ficar falando do mal que a imprensa pode causar quando deixa de ser séria, para ser apenas mais uma peça do espetáculo de prestidigitação.
E, antes que isso venha a acontecer com o Galo em Minas, vamos deixar claro. O time só jogou muito bem e ganhou, contra os times do Rio.
Sustentou um empate com o Palmeiras, com o time recheado de jogadores que não estão jogando sempre, mas poderia ter aplicado uma goleada e parou de jogar no meio do segundo tempo, satisfeito com o placar.
Já comentei esse jogo aqui. Por parar de jogar satisfeitos, antes do jogo ter terminado, tomamos o castigo do empate.
Depois perdemos para o xará do Paraná, jogando bem, mas sem qualquer objetividade no ataque. Sinal de que não basta ficar mais tempo, ou muito tempo trocando bola na intermediária. Tem que saber chegar lá na frente e não apenas isso, mas saber definir o lance.
Nem vou falar de Fluminense e Vasco, porque sinceramente não contam. E por isso não fui ao Independência no último domingo.
Tinha a convicção de que, se não ganhasse de seis ou mais, não teria valido a pena. E, não deu outra. Ao chegar a três, o time parou.
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Ainda a respeito do jogo, em que também Dátolo se destacou, e Thiago Ribeiro, gostaria de fazer um último comentário. Pelo amor de Deus, ou como dizia o Sílvio Luiz, pelo amor de meus filhinhos, não escala mais o Donizete, não Levir!
Até contra o inexistente time carioca, Donizete não conseguiu acertar nada. E mais uma vez, o que conseguiu foi perder passes na frente da defesa, levando perigo ao gol que ele devia estar protegendo.
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Vão falar, claro, que o time se poupou, já que tem uma semana cheia, inclusive com o clássico contra o Cruzeiro.
Mas na verdade, o que o time fez foi evitar de treinar com mais afinco. Porque não tinha adversário para dizer que estava disputando uma partida difícil.
Econômicas
E começa hoje nova reunião do COPOM, para decidir, mais uma vez, o que fazer com a taxa de juros.
Não por acaso, o boletim Focus, que pauta a conduta do Banco Central já mostrou que as expectativas do mercado continuam sinalizando alta da inflação. Agora de 8,39%.
E queda do PIB, e queda da receita de impostos, e .... bem e Levy vai fazendo seu trabalho. Aos poucos.
Quebrando as empresas, reduzindo a renda dos menos favorecidos e melhorando as contas... não as públicas, pelo visto.
Mas as dos bancos.
Começa hoje mais uma reunião do COPOM, em que o mercado já determinou mais um aumento da taxa básica de juros.
Deve vir mais 0,25% por aí.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Demissões, desemprego e aplausos do mercado ao ajuste fiscal
Mais do mesmo.
Recebi ontem, de um aluno, o Matheus Meireles, uma mensagem de facebook. Na mensagem, um filme gravado com um celular, mostrando a fila que se formou de pessoas interessadas, candidatas a uma das 100 vagas para trabalhar no Carrefour, em Betim.
Mais de 5000 pessoas na fila, segundo dizia o responsável pela filmagem!
E isso, para trabalhar em um supermercado, ou seja, nenhum trabalho tão empolgante ou de remuneração tão atraente.
Mas é trabalho. E isso é que conta.
***
Agora, no portal UAI do Estado de Minas, a manchete de que a FIAT deverá dispensar 16 mil trabalhadores em junho.
GM, Mercedes e Scania também deverão fazer ajustes no número de funcionários de seus quadros, seja usando o eufemismo das férias coletivas, seja suspensão de contratos de trabalho.
Na GM, a produção será suspensa praticamente durante todo o mês.
Em minha opinião, o que deve ser salientado é que não se trata apenas de paralisação ou queda de vendas apenas de automóveis de passeio, mas também caminhões e ônibus.
***
E ainda tem gente que insiste em falar que tudo isso é resultado do estrago da política econômica de Dilma I.
Não há como negar que houve muito problema na política de Dilma I. Afinal, foram concessões em grande quantidade, feitas na tentativa de se estimular o setor industrial, especialmente as grandes empresas dos setores industriais mais poderosos, a manterem seus planos de produção. Na verdade, o que se objetivava era a manutenção a qualquer custo do nível de emprego.
E, convenhamos, com ou sem a ajuda de Fies, com ou sem o reconhecimento de que os que perdiam seu emprego abandonavam a força de trabalho, deixando de serem parte da População Economicamente Ativa do país já que os programas assistencialistas permitiam essa opção, o fato é que o emprego foi mantido. Inclusive com elevação do emprego formal, aquele de carteira assinada, o que significa que apenas em parte a explicação da retirada de pessoas da PEA pode explicar a situação.
Mas, é forçoso reconhecer que os empresários, seja por que motivo for, até mesmo pelo de desconfiança em Dilma e suas políticas, não se sentiram estimulados a ampliar a produção, muito menos a investirem.
E, se mantiveram empregos, pode ter sido justamente por estarem sendo aquinhoados com benesses oficiais que mais que compensavam o custo de manter o número de funcionários. Além de os empresários preferirem essa situação que o sempre elevado custo de demissão.
***
Pois bem. Percebido que os empresários não reagiam aos estímulos, ao invés de ampliar o leque de bondades o que o governo deveria ter feito era parar com tais ações e medidas, que apenas estavam fragilizando suas contas. De um lado, nem o país crescia, trazendo junto a arrecadação, e apenas os gastos se elevavam.
Bem, o desequilíbrio fiscal foi a consequência de tudo isso.
***
Mas, quando vamos parar de fingir que essa política que está sendo adotada, de caráter profundamente recessivo é que vai reabilitar e reequilibrar o país? Quando vamos começar a dar a César o que é de César, ou a Levy e ao sistema financeiro de quem ele é subordinado, o reconhecimento de que eles irão mesmo resolver a situação dos ricos do país. Enquanto a dos pobres, bem... e quem está preocupado com eles, entre os analistas do mercado?
Não é preciso ser suficientemente esperto e inteligente, nem entender profundamente de economia para saber que a conta do ajuste recairá toda nos ombros da classe mais beneficiada até aqui, por todos esses anos de políticas assistencialistas do PT.
***
Também não é preciso ser muito atento, para verificar que a intenção é essa mesma, ao menos dos que comandam os destinos do país: fazer regredir todas as conquistas que permitiram às classes mais desfavorecidas passarem a fazer parte do mercado de consumo, gastando em shoppings, comprando automóveis e entulhando as ruas, ou ocupando os espaços de aeroportos e fazendo algazarra em aviões ou navios, incomodando por sua falta de cuidados (para não dizer de educação) a nossa classe mais favorecida.
***
E o financiamento de campanha acabou passando
Ao menos em primeiro turno, por mais de 330 votos, e depois de deputados do PSOL terem, inutilmente tentado mostrar que a proposta já havia sido derrotada na noite de anteontem. Que a votação da nova emenda aglutinativa era apenas a tentativa de um segundo turno.
Discursos para cá, discursos para lá, a nova proposta de Celso Russomano foi aprovada. Permitindo o financiamento de pessoas jurídicas para os partidos, e não diretamente para os candidatos.
E ainda querem nos convencer que houve mudanças. Afinal, não era isso que os partidos, inclusive o PT, o PP e outros que tais alegaram todo o tempo, no caso do Petrolão, por exemplo?
Não foi isso que Vaccari falou, as doações foram legais, todas para o partido, o que exime de responsabilidade qualquer Lula, ou Dilma ou outro candidato?
***
Ainda há a necessidade de que se faça uma segunda votação da matéria mas, a julgar pelo rolo compressor que os interesses das grandes empresas pode colocar em funcionamento, não creio que essa reforma será capaz de engrandecer a Casa ou a atividade política.
O que apenas serve para confirmar como nossa omissão, a omissão da sociedade, nosso desinteresse pelas questões que atingem diretamente nossa vida coletiva, social, permite gerar.
Verdadeiros monstros, como os Eduardos Cunhas que ainda têm poder na Casa.
Recebi ontem, de um aluno, o Matheus Meireles, uma mensagem de facebook. Na mensagem, um filme gravado com um celular, mostrando a fila que se formou de pessoas interessadas, candidatas a uma das 100 vagas para trabalhar no Carrefour, em Betim.
Mais de 5000 pessoas na fila, segundo dizia o responsável pela filmagem!
E isso, para trabalhar em um supermercado, ou seja, nenhum trabalho tão empolgante ou de remuneração tão atraente.
Mas é trabalho. E isso é que conta.
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Agora, no portal UAI do Estado de Minas, a manchete de que a FIAT deverá dispensar 16 mil trabalhadores em junho.
GM, Mercedes e Scania também deverão fazer ajustes no número de funcionários de seus quadros, seja usando o eufemismo das férias coletivas, seja suspensão de contratos de trabalho.
Na GM, a produção será suspensa praticamente durante todo o mês.
Em minha opinião, o que deve ser salientado é que não se trata apenas de paralisação ou queda de vendas apenas de automóveis de passeio, mas também caminhões e ônibus.
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E ainda tem gente que insiste em falar que tudo isso é resultado do estrago da política econômica de Dilma I.
Não há como negar que houve muito problema na política de Dilma I. Afinal, foram concessões em grande quantidade, feitas na tentativa de se estimular o setor industrial, especialmente as grandes empresas dos setores industriais mais poderosos, a manterem seus planos de produção. Na verdade, o que se objetivava era a manutenção a qualquer custo do nível de emprego.
E, convenhamos, com ou sem a ajuda de Fies, com ou sem o reconhecimento de que os que perdiam seu emprego abandonavam a força de trabalho, deixando de serem parte da População Economicamente Ativa do país já que os programas assistencialistas permitiam essa opção, o fato é que o emprego foi mantido. Inclusive com elevação do emprego formal, aquele de carteira assinada, o que significa que apenas em parte a explicação da retirada de pessoas da PEA pode explicar a situação.
Mas, é forçoso reconhecer que os empresários, seja por que motivo for, até mesmo pelo de desconfiança em Dilma e suas políticas, não se sentiram estimulados a ampliar a produção, muito menos a investirem.
E, se mantiveram empregos, pode ter sido justamente por estarem sendo aquinhoados com benesses oficiais que mais que compensavam o custo de manter o número de funcionários. Além de os empresários preferirem essa situação que o sempre elevado custo de demissão.
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Pois bem. Percebido que os empresários não reagiam aos estímulos, ao invés de ampliar o leque de bondades o que o governo deveria ter feito era parar com tais ações e medidas, que apenas estavam fragilizando suas contas. De um lado, nem o país crescia, trazendo junto a arrecadação, e apenas os gastos se elevavam.
Bem, o desequilíbrio fiscal foi a consequência de tudo isso.
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Mas, quando vamos parar de fingir que essa política que está sendo adotada, de caráter profundamente recessivo é que vai reabilitar e reequilibrar o país? Quando vamos começar a dar a César o que é de César, ou a Levy e ao sistema financeiro de quem ele é subordinado, o reconhecimento de que eles irão mesmo resolver a situação dos ricos do país. Enquanto a dos pobres, bem... e quem está preocupado com eles, entre os analistas do mercado?
Não é preciso ser suficientemente esperto e inteligente, nem entender profundamente de economia para saber que a conta do ajuste recairá toda nos ombros da classe mais beneficiada até aqui, por todos esses anos de políticas assistencialistas do PT.
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Também não é preciso ser muito atento, para verificar que a intenção é essa mesma, ao menos dos que comandam os destinos do país: fazer regredir todas as conquistas que permitiram às classes mais desfavorecidas passarem a fazer parte do mercado de consumo, gastando em shoppings, comprando automóveis e entulhando as ruas, ou ocupando os espaços de aeroportos e fazendo algazarra em aviões ou navios, incomodando por sua falta de cuidados (para não dizer de educação) a nossa classe mais favorecida.
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E o financiamento de campanha acabou passando
Ao menos em primeiro turno, por mais de 330 votos, e depois de deputados do PSOL terem, inutilmente tentado mostrar que a proposta já havia sido derrotada na noite de anteontem. Que a votação da nova emenda aglutinativa era apenas a tentativa de um segundo turno.
Discursos para cá, discursos para lá, a nova proposta de Celso Russomano foi aprovada. Permitindo o financiamento de pessoas jurídicas para os partidos, e não diretamente para os candidatos.
E ainda querem nos convencer que houve mudanças. Afinal, não era isso que os partidos, inclusive o PT, o PP e outros que tais alegaram todo o tempo, no caso do Petrolão, por exemplo?
Não foi isso que Vaccari falou, as doações foram legais, todas para o partido, o que exime de responsabilidade qualquer Lula, ou Dilma ou outro candidato?
***
Ainda há a necessidade de que se faça uma segunda votação da matéria mas, a julgar pelo rolo compressor que os interesses das grandes empresas pode colocar em funcionamento, não creio que essa reforma será capaz de engrandecer a Casa ou a atividade política.
O que apenas serve para confirmar como nossa omissão, a omissão da sociedade, nosso desinteresse pelas questões que atingem diretamente nossa vida coletiva, social, permite gerar.
Verdadeiros monstros, como os Eduardos Cunhas que ainda têm poder na Casa.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
De debates econômicos; A quem interessa (ou quem se beneficia) dos ajustes; Cunha e a reforma política
Debates econômicos travados pelos jornais não costumam ser de interesse de muitas pessoas, mesmo economistas ou aqueles que estão estudando para se tornarem profissionais da área.
Justamente por esse motivo, vou reproduzir aqui, sem pedir a autorização da autora, a coluna em réplica que a professora Leda Paulani, da FEA-USP publicou na edição de ontem, da Folha de São Paulo.
O artigo, intitulado "Alexandre e o país das finanças" é uma resposta a coluna anterior de Alexandre Schwartsman, publicada na mesma Folha em 20 de maio, em que o professor do INSPER e ex-diretor do Banco Central fazia críticas à artigo da professora.
Mas, vamos ao texto que é o que interessa e está, além de muito bem escrito, colocando os pingos nos is e mostrando a verdadeira face e os interesses de Alexandre, e outros como ele, que rezam pela mesma cartilha indigesta do capital financeiro.
Ao texto pois:
Mas, vamos ao texto que é o que interessa e está, além de muito bem escrito, colocando os pingos nos is e mostrando a verdadeira face e os interesses de Alexandre, e outros como ele, que rezam pela mesma cartilha indigesta do capital financeiro.
Ao texto pois:
OPINIÃO
Alexandre e o país das finanças
LEDA PAULANI
ESPECIAL PARA A FOLHA
ESPECIAL PARA A FOLHA
Alexandre tem séria dificuldade em compreender o que é substantivo (Leda e o País das Maravilhas, Schwartsman, Folha, 20/5/2015). Vendo adjetivos por toda parte, não distingue o que realmente conta. Tentemos despertá-lo do sono dogmático.
Sugere ele que o que deveria me inquietar é a evolução da dívida pública em relação ao PIB, não seu valor absoluto, pois em cinco anos, de 2010 a 2015, passou ela de 52% para 62% (acréscimo de dez pontos percentuais).
A quem tanto aprecia história, lembro que, entre 1997 e 2002 (intervalo igual de cinco anos), a dívida passou de 31,8% para 50,5% do PIB, acréscimo portanto de quase 20 pontos, sem que se percebesse então qualquer sinal de desespero dos analistas. É exagero falar em terrorismo econômico?
Mais dados: nos 12 meses encerrados em março último, as necessidades de financiamento do setor público bateram os 7,8% do PIB, cerca de R$ 436 bilhões. Desse valor, porém, apenas R$ 39 bilhões (0,7%) devem-se a despesas governamentais acima das receitas. O restante, por assim dizer, a bagatela de R$ 397 bilhões, deve-se ao pagamento de juros da dívida, um "serviço" cujo "preço" (a "taxa de juros") é o governo quem determina. Onde está a gordura?
E não venham dizer ele e seus pares que a estratosférica taxa de juros é necessária para conter a inflação. Concedendo algum crédito à tese de que a taxa de juros é variável incontornável na determinação do comportamento dos preços, o que importa aí é a evolução das expectativas –a qual, independente da direção, pode ser a mesma no nível dos 5% ao ano, dos 8%, dos 12%, dos 15%, ou outro número qualquer.
Por que 13% é pergunta que deve responder o Copom, o mercado que avaliza a taxa e os colunistas que aplaudem tamanha aberração.
Nem venham dizer ele e seus pares que a absurda taxa é necessária para garantir a atratividade dos capitais externos.
Em primeiro lugar porque, faz anos, as taxas nominais nos principais mercados do mundo são extremamente baixas, quando não negativas em termos reais. Em segundo lugar porque esse capital cigano, que não esquenta assento, não ajuda o país, antes o contrário.
Ninguém é contra o governo ajustar suas contas, racionalizar despesas, otimizar recursos etc. O ajuste fiscal, porém, em bases sempre conservadoras, punindo o trabalho e os mais pobres, enquanto eleva despudoradamente a renda mínima do capital, interessa exatamente a quem?
Infelizmente para a maioria esmagadora e esmagada da população, o país de Alexandre e seus pares tem triunfado e tripudiado, minando os esforços, mesmo mínimos, de engendrar uma nação.
Eis por que, entre o país das finanças de Alexandre e as maravilhas de ter um país digno do nome, nunca hesitei um instante em minha vida, um sonho do qual ainda não podemos acordar, sob pena de se perder o sentido substantivo de estudar economia.
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Acho esse fecho especialmente feliz. Não apenas por se tratar e fazer referência a um sonho de promover as mudanças sociais capazes de transformarem nossa sociedade em um lugar mais digno de se viver, mais humano, mais solidário.
Mas por deixar claro o sentido substantivo de todos os que escolheram fazer o curso de economia: o de ser o elemento ou um dos elementos capazes de provocarem as mudanças necessárias. Mesmo que alguns classifiquem tais mudanças de utópicas.
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Reforma Política
Enquanto isso, Eduardo Cunha vai autoritariamente impondo sua vontade na Câmara, especialmente na votação dessa Reforma Política que vai acabar atendendo apenas aos seus interesses e aos interesses dos grupos que representa.
Daí ter desconsiderado o relatório da Comissão que passou mais de três meses analisando propostas de Reforma, e cujo relator, indicado por ele, deixou de ser completamente subserviente, como interessava ao presidente da Casa.
O resultado foi que Cunha levou direto o texto da reforma para votação na Câmara, já tendo obtido a primeira vitória, vendo a Casa rejeitar as sugestões de PT e PSDB, de alteração do sistema eleitoral.
Com isso, o modelo distrital misto ou de lista fechada foram derrotados, abrindo espaço para a aprovação do voto apelidado de distritão.
Conforme já comentamos, não há como formar opinião sobre cada sistema, já que a reforma não foi nunca objeto de uma campanha popular de esclarecimento, onde prós e contras foram analisados, ou sequer, apresentados.
Pois bem, particularmente, até acho que o distritão, onde se elege o mais votado, é o melhor. Mas, já se disse que isso interessa de perto à Igreja Evangélica, da qual Cunha faz parte.
E só a existência desse tipo de interesses já exigia que a discussão fosse mais ampla, e menos a toque de caixa.
Pior é que Cunha quer incluir na Constituição o financiamento de campanhas por empresas, que é a fonte de toda a corrupção que temos assistido há tempos em nosso país.
Mas, vindo de Cunha, nada é impossível.
E, assim, ele se fortalece cada vez mais para se transformar no candidato à presidência em 2018, defendendo os interesses mais direitistas e conservadores que se puder imaginar.
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