terça-feira, 27 de agosto de 2013

Homenagens a jogadores que se vão

Como tudo na vida, e como também ocorre em outros setores de atividade, também o futebol vai sofrendo a ação do tempo.  E das perdas.
Ainda há alguns dias, o futebol perdeu Djalma Santos, o grande lateral direito da Seleção Brasileira.
Agora, foi a vez de De Sordi, o lateral titular, a quem coube a Djalma Santos substituir, no final da Copa da Suécia em 58.
Pouco ouvi falar de De Sordi, exceto de que foi um dos heróis da conquista de 58.
Mas, por coincidência, no mesmo dia e hora, também veio a notícia da morte de Gylmar dos Santos Neves, o goleiraço titular da seleção campeã de 58 e bicampeã de 62.
De Gylmar, guardo maiores recordações, em especial por sua passagem pelo Santos Futebol Clube, aquele invejável time de Pelé, Coutinho, e companhia.
Sim, porque naquela época, independente do time para o que nós meninos torcíamos, todos éramos santistas, em São Paulo, e botafoguenses no Rio, com raras exceções. Ou melhor, todos éramos torcedores de Pelé e de Garrincha.
A esse propósito, lembro-me que lá pelos idos dos anos 60, talvez entre 66 e 68, D. Serafim Fernandes de Araújo, o então arcebispo auxiliar de D. João Resende Costa junto à arquidiocese de Belo Horizonte, e atleticano fanático, promoveu um concurso de votação para avaliar qual o clube mais querido do Brasil.
Curiosamente, os votos eram dados para o mais querido de BH, de São Paulo e do Rio. A apuração ia sendo divulgada por um placar montado ali no estacionamento da igreja de São José, próximo à saída da R. Tamoios com Tupis.
Como não poderia deixar de ser, ganharam o Atlético, em Belo Horizonte, o Santos e o Botafogo.
Acho que, muito disso, por influência das transmissões de futebol que nas tardes de domingo, proibidas que foram de transmitirem jogos do Mineirão, para não atrapalharem a renda,  optavam por passar as partidas do Rio, com transmissão de Mauro Montalvão, entre outros.
Poucos jogos eram transmitidos direto, de São Paulo. Para acompanhar a essas partidas, devíamos nos valer do famoso Canal 100, que antecedia a apresentação dos filmes, no cine Jacques (antes Tupis), ou Palladium ou Metrópole, ou ainda Guarani, na R. da Bahia.
***
Mas, se todos os meninos de minha época recitavam de cor e salteado o famoso ataque santista, que fechava com Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe, muitos de nós também se lembram de Orlando; Rildo,  o lateral esquerdo:, de Zito, Lima e Mengálvio no meio campo. 
Claro, havia outros, cujo nome ficaria gravado para a história pelas conquistas internacionais do time praiano, como Toninho Guerreiro e até o pernambucaninho Almir, o endiabrado e já falecido maluquinho a quem o Santos deve muito da conquista do bicampeonato do título mundial interclubes, no Maracanã, contra o Milan, em partida em que Pelé contundido, não pode jogar.
Mas, lembro-me dos nomes desses jogadores, para manifestar minha homenagem ao goleiro.
Independente de quem fosse participar na zaga, ou que jogasse no meio de campo, a certeza de que Gylmar estaria debaixo das traves, era uma tranquilidade e dava confiança de que o Santos dificilmente sairia derrotado.
Curiosamente, no Santos, Gylmar nem tanto brilho parecia ter, quanto quando envergava o uniforme da seleção canarinha. Ao contrário de seu substituto, Castilho, sempre fechando o gol no Fluminense, onde era o dono da leiteria, mas parecia sentir toda a responsabilidade da camisa da seleção, quando acionado.

Pois bem, só nessa postagem foram citados Garrincha, Castilho, Djalma Santos e De Sordi, Almir e Gylmar. Vários nomes que engrandeceram nosso futebol e que já não se encontram mais entre nós, o que indica que seja onde estiverem, deve estar sendo organizada uma “pelada” das mais agradáveis de se ver. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Por pouco a Lusa não encaçapa o Galo. O que está faltando em nossa defesa?

Em meu último comentário, comentei da péssima atuação, a meu modo de ver, do grande pilar da segurança de nossa defesa, Pierre. Tão importante para nossa estabilidade, que quando joga mal, ou falha, costuma ser o responsável por nossa derrota.
Foi assim contra o Botafogo.
E, embora seja um absurdo colocar sobre os ombros de apenas um jogador, a responsabilidade que acabo de imputar a Pierre, essa tem sido a verdade de nosso sistema defensivo, em especial, por força das subidas de Marcos Rocha, e da dificuldade de nossa zaga, Leo Silva e Réver, em jogar contra adversários mais rápidos, mais novos, mais velozes, mais ágeis...
***
De Marcos Rocha, vou apenas comentar que, suas subidas, fora os chutões, são uma das poucas formas lúcidas da bola chegar a nossos jogadores de frente. Por isso não o culpo por ser mais um meia que o lateral que, originariamente ele estava escalado para ser.
Tanto que melhora infinitamente o time, e as jogadas de Marcos Rocha têm muito mais resultado quando Tardelli está em campo. Comentário perfeitamente dispensável, concordo, já que a categoria de Tardelli e sua condição superior já foi reconhecida por tantos quantos acompanham os jogos do Galo.,
Mas, ainda não consigo entender nossa torcida, que suporta 10, 12 erros de passes cometideos por qualquer jogador, por exemplo, Josué, no jogo de ontem, antes de começar a vaiá-lo e é incapaz de ter a mesma tolerância em relação a nosso bom lateral direito.
Marcos Rocha já começa a ser vaiado a partir do segundo erro, mesmo que antes tenha feito um gol, ou dado a assistência para outro...
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Pois bem, Josué ontem esteve ridículo, nos passes. O que estava matando nossa defesa. Não fosse Giovani estar em tarde inspirada, a Portuguesa teria saído com um resultado elástico do Independência.
Especialmente em um lance no segundo tempo, em que Josué errou feio.
Mas, se não estava bem nos passes, também não dava conta de, sozinho, dar o primeiro combate ao ataque da Lusa, que deu trabalho.
E Tardelli, com felicidade é que expressou aquilo que acontecia: a Lusa poderia e teve condições de sair com, no mínimo, 3 a zero, no primeiro tempo.
E creio eu que por Josué não estar dando conta de marcar, Réver e Léo Silva, estarem sendo facilmente envolvidos nas jogadas de velocidade (continuo achando que os dois gigantes são muito bons pelo alto, mas pesadões para parar um ataque mais ligeiro, com um contra-ataque muito bem treinado).
Quanto a Rosinei, não há o que falar, já que entrou para marcar e não conseguiu fazer a sua função em campo. Pior: também não conseguiu fazer nada à frente.
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Por isso insisto: Cuca tem que voltar suas atenções para nosso sistema defensivo, embora Jô mais uma vez tenha passado em branco, aumentando o número de jogos em que não cumpre o papel que o levou à seleção.
Tudo bem que, ontem, deu assistência para o gol de Dátolo, com grande inteligência na jogada.
Mas, e os gols que não saem e o colocam em companhia do Alecsandro, só na expectativa... e na vontade.
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Quarta tem o Botafogo, no péssimo horário das 19:30 hs, por culpa da Globo e seu monopólio...
E o time do Bota tem um ataque rápido, ágil, com um jogador da qualidade de Vitinho...
O time carioca não é nenhum bicho-papão. Mas não podemos levar nenhum gol.
E, de quebra, ainda fazer dois lá na frente.
De qualquer forma, ainda e mais uma vez: EU ACREDITO!!
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Para corrigir uma injustiça que fiz semana passada e que nenhum amante do futebol poderia deixar de comentar: que golaço do Everton Ribeiro. Digno de placa em qualquer estádio e, principalmente de uma placa na memória  de todos que gostam de futebol, sejam atleticanos ou não.
Gol semelhante ao de Pelé no Corinthians de Ditão. Ou de Pelé na final contra a Suécia.
Mas, pela beleza do chute de finalização, e pela violência do chute, acho que o de Everton, ainda é mais bonito.
Parabéns!

Asilo, Fuga da Bolívia e a reação brasileira: me engana que mi gusta mucho!!!

Vá lá. Pelo bem da diplomacia de nosso país e da manutenção das boas e cordiais relações com nossos vizinhos, vamos concordar que o governo brasileiro, incluído aí o Itamaraty, não sabia do plano - exitoso- de fuga do senador Roger Pinto Molina.
Mas, se concordamos que entre rapapés e salamaleques nos salões festivos e iluminados de Brasília, nossos funcionários portadores de punhos de seda não sabiam de nada, nós, a plebe rude e ignara dessa Pindorama não podemos nos furtar a reconhecer a coragem e o bom senso, além da capacidade demonstrada no planejamento e execução da operação por Eduardo Sabóia.
Apenas questionar o porquê da demora de mais de 450 dias para que essa solução fosse tramada: afinal, há mais de um ano Roger Molina já havia solicitado e visto aprovado seu pedido de asilo junto ao governo brasileiro.
E durante todo esse tempo, preso no interior da representação brasileira em La Paz, o governo boliviano não se dignou a conceder o salvo-conduto necessário para sua transferência para nosso país.
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E tudo isso acontecendo justo com o presidente Evo Morales, cujo vôo foi intercept dado e retido em viagem à Europa, proibido que estava de cruzar espaços aéreos de países daquele continente, tão somente por haver a suspeita de que estivesse dando uma carona a Edward Snowden, o ex-agente da Cia, responsável por denúncia de espionagem feita pelo governo americano junto às redes sociais e emails trocados pela rede mundial de computadores.
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Acertadamente e de acordo com a suas tradições, imediatamente o governo brasileiro manifestou sua indignação com o tratamento discriminatório contra um legítimo e democraticamente eleito mandatário de um governo amigo.
Isso, no que se refere diretamente ao presidente boliviano. Porque antes, já havia dado demonstrações claras de sua posição contrária à atitude e comportamento que o governo britânico vem adotando, em assunto exatamente semelhante, recusando-se a conceder salvo-conduto a Julian Assange, o responsável pela divulgação de documentos secretos via Wikileaks.
Recorde-se que Assange teve seu pedido de asilo concedido pelo governo do Equador, cuja embaixada já chegou, inclusive, a receber ameaça de ser invadida por forças britânicas.
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Dessa forma, pelo visto, as relações diplomáticas internacionais chegaram a um momento de exaustão, já não conseguindo resolverem qualquer dos problemas que estariam afetos sua alçada.
Mas, se rápido em manifestar-se em situações para as quais não haveria  outro comportamento a ser adotado, especialmente, em relação à defesa da dignidade de seus parceiros e vizinhos, agindo, inclusive, no papel que se espera de uma nação que se deseja líder mundial, o mesmo não se pode dizer do governo brasileiro e do Itamaraty, quando ou o povo e o cidadão brasileiro é que é vítima de desmandos dos governos aliados.
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Assim, é que durante todo o tempo em que esteve asilado na embaixada brasileira em La Paz, não se ouviu, ou a imprensa não noticiou qualquer que seja a atitude de nossas autoridades, no sentido de resolver a pendência, exigindo o respeito a normas internacionais de proteção aos asilados políticos e a acordos entre os dois países.
Convenhamos que, de fato, seria mais difícil a imprensa ficar repercutindo atos do nosso governo nessa área, onde as negociações devem ser encaminhadas com certo sigilo e cuidado. Até pelo fato de que implica em se estar protegendo aquele que, em tese, teria sido considerado persona non grata exatamente por quem deveria estar autorizando a medida protetora.
Mas, a imprensa tem acesso a agendas e poderia sim, caso pesquisasse mais a fundo, pelo menos levantar indícios de que o governo brasileiro estaria dando alguma atenção ao problema diplomático.
E isso não aconteceu, nem mesmo quando 12 cidadãos brasileiros foram presos na Bolívia, apenas por estarem próximo, ou no local em que um irresponsável acendeu um sinalizador, que foi direcionado para a torcida boliviana, indo acertar em cheio e causar a morte infeliz sob toda a análise, de Kevin Spada. Jovem vítima da irresponsabilidade que se alastra por nossos estádios dando vazão à violência.
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Na oportunidade, os doze paulistas presos em Oruro não tiveram, ao menos com o destaque que o caso impunha, grande apoio do governo brasileiro, que parece agir sendo mais solidário quando uma autoridade amiga é atacada, e se transforma em vítima, que quando essa mesma autoridade muda de lado e torna-se o algoz, e brasileiros é que se tornam as vítimas.
Curioso é que, já naquele momento, a filha do senador foi à midia para declarar para quem quisesse ouvir, que o comportamento do governo boliviano tratava-se no fundo, de uma chantagem, e que o objetivo era a troca dos torcedores do Corinthians, pelo senador sob nossa proteção.
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Depois do caso dos 12 torcedores, já houve o caso do presidente Evo e seu vôo conturbado de regresso para seu país. E já houve o caso da prisão de David Miranda, pelas mesmas autoridades britânicas que negam salvo conduto a Assange, no caso do brasileiro, apenas pelo fato de ser namorado do divulgador dos documentos secretos do caso da espionagem da internet.
Reconheçamos que o governo brasileiro fez sua parte: adotar o jus sperneandi, e que não resta mesmo muito mais que isso.
Ainda mais se considerarmos que os países envolvidos, seja Inglaterra ( nesse último caso), seja a Bolívia, são países com quem mantemos e devemos manter relações comerciais e que... cada vez mais, em nosso mundo, o dinheiro vale e manda mais que a dignidade pessoal... e até de toda uma nação.
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Bem, no caso de Molina, o salvo-conduto não é mais necessário e em ação espetacular, foi empreendida a transferência do ex-senador para nosso país. Fosse com cidadão norte-americano ou israelense, fosse em países da antiga cortina de ferro ou vinculados de alguma forma à países considerados como apoiadores de ações terroristas, a história com final feliz já estaria tendo seus direitos negociados com Hollywood, para aparecer nas telas dos cinemas.
Mas no Brasil, conforme nota do Itamaraty, o embaixador será chamado, para dar explicações, já que ninguém sabia de nada. Até a ameaça de punição com a instauração de um processo administrativo já foi divulgada.
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Quanto à Bolívia, está mais que em seu direito de reclamar e fazer as bravatas julgar necessárias, para resgatar, perante sua população e seu público interno, seu prestígio. Embora, seja difícil que uma viagem de 22 horas, cortando grande extensão do território e, inclusive cruzando fronteiras, não tivesse sido percebida. Ou até mesmo autorizada, embora essa parte da história, nunca nós pobres mortais iremos tomar conhecimento.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Mais uma vez, sofrimento. É o Galo nos mata-matas. Agora, contra o ligeiro e bom time do Botafogo

Sem dúvidas, Cuca terá muitas dificuldades para conseguir montar o time do Galo, de forma a que ele volte a praticar o mesmo futebol que jogou no campeonato brasileiro do ano passado, ou ainda com mais brilho, o vistoso futebol praticado na primeira fase da Taça Libertadores da América.
E, embora admitamos que o Atlético tem entrado em campo a cada partida com um time diferente, impedido por uma série de razões de repetir a mesma escalação, a verdade é que a grande maioria das vezes, as contusões, expulsões, suspensões, convocações para a seleção têm afetado os jogadores de frente.
Mas, em minha opinião, não é na frente que está o maior problema da equipe e, para mim a causa da sua instabilidade.
É certo, e não se discute,que o ataque perdeu aquela força ofensiva que caracterizou o time, mais uma vez, na primeira e espetacular fase da Libertadores, quando aplicou goleadas históricas e inesquecíveis nos adversários da fase de grupos.
De lá para cá, Jô parou de fazer gols e já acumula um bom número de partidas passando em branco.
Também houve a saída do time de Bernard, vendido à Ucrânia, e a contusão de Tardelli.
Entretanto, não é aí na frente que o time tem demonstrado sua maior fraqueza.
O problema maior, que tem tirado o time de seu equilíbrio situa-se atrás. E nem diria na defesa, embora acredite que os gigantes Réver e Léo Silva estão passando dos limites toleráveis de cometer falhas.
Na verdade, ambos parecem muito mais preocupados em irem à frente, e tentarem fazer os gols que seus colegas atacantes não têm tido êxito em fazer.
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E, embora pudesse listar várias falhas da dupla de zaga do Galo, como por exemplo as cometidas por Réver na partida contra o Atlético Paranaense, que nos custou a invencibilidade na Arena Independência, cada vez mais acredito que o problema maior nem é do miolo da defesa.
Tampouco acredito que a principal deficiência de nosso time esteja nas laterais como muitos torcedores parecem crer. Mesmo sabendo que há uma intolerância da torcida de maneira geral em relação a Marcos Rocha, na minha opinião injustificável e incompreensível.
A esse respeito, acho até que, por força dessa marcação e, provavelmente de alguma orientação de Cuca, para que o lateral direito não fique muito exposto, Marcos Rocha perdeu parte de seu ímpeto e da alegria de jogar futebol.
Tenho reparado, já há algum tempo, que ele não parte mais, como antes, para cima da defesa adversária, entrando em diagonal pela defesa adversária, nem se apresentando como autêntico ala para as jogadas de linha de fundo, lá na frente.
Ao contrário, tenho percebido que, em muitas situações, ao receber a bola sua primeira preocupação é rolar a bola para trás, seja para Josué, seja para Léo Silva ou Réver.
Para mim, inclusive, foi uma grata surpresa vê-lo surgir ontem, completamente livre no meio do ataque, em condições de receber o passe adocicado de Ronaldinho e de partir em direção ao gol, abrindo o placar contra o Botafogo.
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E, vá lá. Embora não me passe muita tranquilidade, não há o que ficar culpando seja Júnior César, seja Richarlyson, embora o primeiro tenha dado mais segurança à defesa.
Quanto a Victor, embora uma ou outra falha de colocação, como acho que foi o caso ontem, no gol de empate do Botafogo, em que acho que ele estava adiantado, é inegável que ele tem sido o grande salvador do time, evitando derrotas e garantindo muito de nossos resultados.
Mesmo ontem, contra o Botafogo, é inegável que mesmo que tenha estado mal colocado no primeiro gol, ainda assim não teve culpa nos demais gols que tomou, e ainda foi responsável por defesas importantes, que poderiam ter causado um desastre ainda maior.
Ou seja: mesmo falhando como todo goleiro, ainda assim, há sempre tempo suficiente nos jogos para que ele se recupere, e acabe, com suas defesas, reabilitando-se e apagando de nossa memória o gol tomado por sua falha.
***
Então, onde está a falha crucial de nosso time, que está nos matando?
Em minha opinião, no meio campo, onde Josué tem mostrado uma capacidade de marcação mais acanhada e onde Pierre tem cada vez mais dado a impressão de não estar no melhor de sua condição física, na maioria das jogadas chegando atrasado e tendo de cometer faltas para parar as jogadas.
Talvez seja uma questão de colocação, não sei.
Mas, que caiu o futebol de Pierre, depois da saída de Donizete, isso não há dúvida.
E que Josué seja um jogador mais dedicado à armação que à destruição de jogadas, também parece ser inquestionável.
Entretanto, o que temos visto é que caiu o nível de proteção que a zaga tinha no início desse ano. O que, muitas vezes, tem como consequência a obrigação de que Marcos Rocha saia de sua posição, para aparecer cobrindo seus companheiros de defesa, no meio da área. Às vezes, até na marca de pênalte.
***
O que está acontecendo com Pierre, cuja cobertura e proteção permitia se não impedir, ao menos disfarçar as falhas do miolo de área, quando confrontados com atacantes velozes, rápidos, leves e tecnicamente melhores?
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Tome-se o exemplo do futebol praticado ontem, contra o Botafogo, em que por muito pouco não jogamos fora qualquer possibilidade de avançarmos para a próxima etapa de mata-mata da Copa do Brasil.
Ressalte-se que o início do primeiro tempo foi avassalador, com o Galo partindo para cima e encurralando o Botafogo e dando um verdadeiro sufoco.
O que resultou em uma série de lances de ataque perigosos, com Fernandinho, Ronaldinho Gaúcho, até culminar no contra-ataque mortal, em que Victor serviu de soco a Luan, que acreditou na jogada - que para muitos teria dado a impressão de estar perdida, tendo este passado a Ronaldinho Gaúcho, que deu uma assistência magistral a Marcos Rocha. Este com categoria, entrou na área e tocou sem qualquer chance de defesa para o goleiro do time carioca.
Mas, daí para a frente, o Galo se retraiu. Parou de jogar, parece que esperando sair apenas em contra-ataques. E, com isso, chamou o Bota para cima e o time carioca começou a gostar do jogo, com Vitinho se soltando mais, e os atacantes do time da estrela solitária encontrando espaços para partir para cima, invertendo o sufoco.
Também é verdade que o time do Galo deu muito azar, seja com Josué, interceptando e errando um lance na entrada da área, talvez até tirando Victor do lance, o que o deixou fora do gol, situação que facilitou o empate do Botafogo.
***
Mas, já que a presença de Ronaldinho em campo não é para que ele fique preocupado em marcar, com ele apenas limitando-se a ficar cercando os jogadores contrários, nessa hora, ou talvez até antes do gol de empate, Pierre e Josué já deveriam ter ficado mais atentos, e Fernandinho, que sumiu por um bom tempo do jogo, deveria estar ali atrás, ajudando os volantes a fecharem o meio.
Pierre, também pouco apareceu, no entanto.
***
No segundo tempo, logo no início, uma infelicidade de Léo Silva, decretou a virada. Mas, daí para a frente, o Galo recuou tanto, que levou um verdadeiro sufoco do time carioca, que foi cada vez mais se aproximando de nos aplicar uma sonora goleada.
Chegar ao quarto gol, que proporcionava uma vantagem ao Botafogo que só foi diminuída com o gol salvador de Guilherme (novamente passe magistral de Ronaldinho), no finzinho do jogo, foi consequência natural de nossa fragilidade no meio campo.
E aqui é que reside meu receio.
Que Cuca tem condições de dar maior proteção ao nosso miolo de defesa e tornar o time mais fechado e seguro atrás, é um fato.
E que o Galão tem condições, tal qual na Libertadores, de tirar a diferença de dois gols, no Independência, também é fato.
O problema é o medo que a defesa e sua fragilidade têm nos transmitido. O que faz com que ao menos eu alimente muito medo de que nossa defesa não dê conta da responsabilidade de não levar gols, que pesará sobre seus ombros.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Uma volta pelo centro da cidade

A cidade suspira
Inspira
Respira          
Aflita
E sob o trânsito pesado
Agita-se
E se em alguns locais
Fede a urina
Em outros
Passa a impressão
De ser bonita
A cidade pulsa
E em seu pulsar
A realidade explode
Sem limites
Criando vida

Que se revela infinita

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Supremo, o mensalão e o julgamento dos embargos

Mais uma vez, no dia de hoje, o Supremo se reúne para dar sequência ao julgamento dos recursos interpostos pelos advogados dos envolvidos, e condenados, no julgamento do mensalão.
O que se espera é que o julgamento transcorra sem os destemperos que marcaram a sessão da última semana, e que seu resultado possa honrar, não necessariamente as tradições da casa, mas aquele bem intangível maior que a Casa deveria representar, e possa fazer Justiça.
***
Quando menciono as tradições da casa, não há qualquer intenção em diminuir a Corte maior de nosso país. Na verdade, penso apenas em situações e julgamentos anteriores, em que a Justiça ficou a reboque dos interesses digamos mais pedestres do próprio governo. Refiro-me aqui, ao julgamento, por exemplo, do confisco praticado pelo governo Collor, analisado e aprovado pela Corte, embora nitidamente contrário à nossas tradições e legislação.
E ficamos apenas nesse caso, embora esteja longe de ser caso único em nosso passado recente.
Mas não é interesse aqui ficar criticando as razões e o comportamento do Supremo.
***
A questão aqui é que há em nossa tradição, para o bem ou para o mal, inclusive inscrito no Regimento ou regulamento do Supremo, embora não constando da legislação, o instituto dos embargos infringentes, pelos quais o julgamento cujo resultado tenha sido tão apertado, que revele a existência de uma dúvida razoável em relação ao tema tratado e objeto da condenação.
Trocando em miúdos: quando a Corte decide pela condenação por um resultado apertado, com apenas um voto de diferença, eis aí uma clara manifestação de que parte importante dos julgadores não estava suficientemente convencida da culpabilidade do réu.
O que, para dirimir qualquer dúvida, seria decidido a partir de um novo julgamento.
***
Traduzindo de forma mais prática: caso estes embargos fossem aceitos, conforme o costume mas não a legislação brasileira, haveria a necessidade de que um José Dirceu, João Paulo Cunha e o Bispo Rodrigues, se não me engano, tivessem um novo julgamento em relação tão somente, à acusação de formação de quadrilha.
Entendo, caso não esteja errado, que no caso de uma possível - mas não necessariamente provável - absolvição, o resultado final não seria outro senão a redução da pena, o que implicaria na possibilidade de os condenados não terem de pagar suas penas em regime fechado. Ou seja: não haveria prisão e cadeia.
***
Muitos poderão alegar do absurdo dessa situação, já que livraria a cara do ex-ministro da Casa Civil de Lula, que não iria para trás das grades.
Alguns mencionariam a injustiça de um novo julgamento se dar sem que os mesmos juízes do primeiro momento pudessem participar, já que alguns ministros se aposentaram e novos juízes compõem a Corte maior.
Haveria até aqueles que iriam lembrar que a indicação ao Supremo, sendo feita pelo presidente poderia implicar em indicações de cartas marcadas, com os novos juízes sendo indicados apenas por serem considerados amigos ou partidários ou favoráveis ao partido ou posição do presidente, no caso a presidenta Dilma e o PT.
Esquecem-se esses que além da questão da carreira e da própria honra dos juízes envolvidos, há que se considerar que os ministros indicados devem ser aprovados por outras instâncias de poder, o que envolveria então, necessariamente a aprovação de várias pessoas, de  vários e distintos partidos.
***
Outros poderiam aferrar-se à questão de nosso direito positivista, ao contrário daquele do tipo americano, consuetudinário, em que costumes e tradições valem mais que a letra fria e congelada  no tempo das leis.
Esses, estariam revelando,  no mínimo um comportamento curioso, já que alguns deles, muitas vezes tecem críticas exatamente ao fato de nosso Direito não se atualizar, não dando conta de acompanhar a evolução dos costumes sociais.
***
Mas, vá lá. É inegável que a opinião pública no nosso país chegou a um limite. A um ponto em que não interessa mais, necessariamente, fazer justiça. Aparentemente, o que ela deseja, nesse momento, é aplacar toda sua ira, com sangue.
Mesmo que sob argumentos de que, mesmo forçando nossos costumes e tradições, afinal de contas estaria sendo feita a justiça devida.
Pode ser.
Como pode ser também que, mesmo com novo julgamento, os ministros ainda mantivessem suas opiniões e votos anteriores e até que os novos julgadores mantivessem os votos condenatórios.
Tudo é possível, como diz o ditado quando se trata de cabeça de juíz e do fundo das fraldas das crianças...
Mas, sabemos todos que isso seria um prato especialíssimo a ser servido à midia, também sedenta de matérias de grande evidência.
E que partidos de oposição e várias pessoas e interesses raivosos com os rumos que o governo do PT deu em nossa trajetória vão se aproveitar para fazer um grande estardalhaço. Num instante em que a situação política inspira um mínimo de cuidado e ... juízo e serenidade.
***
De qualquer forma, independente de o que seja o resultado do julgamento dos tais embargos, o que tem sido mais destacado é que a Corte Suprema tem hoje, como seu presidente, um ministro que, por mais que tenha sólida formação intelectual - e parece que o Ministro Joaquim Barbosa é de fato dos ministros de maior cultura e conhecimento jurídico, por méritos exclusivamente de seus esforços, diga-se de passagem- mostra um grau de autoritarismo e uma arrogância que beira à soberba.
Talvez por ter sido tão comemorado na primeira fase do julgamento do mensalão, em que era o ministro relator do processo, e ter adotado posições que o tornaram ídolo da imprensa e da grande maioria da classe média (seja lá o que isso possa significar) o ministro parece, às vezes, se tornar a expressão única e absoluta da verdade e da defesa do direito e da justiça.
O que se não faz dele um julgador menor, o torna, ao menos uma pessoa que, por demonstrar tradição de comportamento não democrática, o faz um péssimo candidato a qualquer cargo político, em especial, no Executivo, como parte da sociedade - a parcela mais autoritária, parece desejar transformá-lo.
***
Em minha opinião, mais que o Messias, o nosso ministro parece às vezes, arvorar-se no papel da própria divindade, o que o transforma em um perigo para nossas tradições, mais que um salvador.
Aliás, como disse Marina Silva, em sua entrevista na Folha de São Paulo dessa semana, não precisamos de Messias, e o povo que precisa de um é aquele que não está maduro para exercer sua cidadania.
***
Aguardemos o espetáculo no STF no dia de hoje.
E, por favor, se algum juízo de valor aqui exposto contiver erros de interpretação jurídico (se eu tiver postado alguma bobagem para falar mais claro), gostaria que os que tivessem acesso a esses comentários se manifestassem para que eu pudesse extrair algo de positivo de toda essa situação, ao menos do ponto de vista pessoal.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Elitização do futebol: preço dos ingressos e outros fatores

Enquanto prossegue a escalada do dólar, provocada pelas expectativas em torno de alterações na política monetária frouxa que vinha sendo adotada pelo FED com o objetivo de impedir a economia americana de se aprofundar na recessão, a FIFA começa nesse dia 20 de agosto a venda dos ingressos para a Copa do Mundo de 2014 aqui no Brasil.
Embora já definidos os preços dos ingressos em reais, é inegável que para sua definição foi considerado o preço dos ingressos em dólar. Claro que, à época, o dólar ainda não estava no patamar que se encontra na atualidade, rompendo o patamar dos R$ 2,40.
O que significa que os interessados na compra dos ingressos, ao menos em relação à questão do câmbio, estão obtendo algum ganho.
E isso tem de ser comemorado, uma vez que o preço dos ingressos pode ser considerado bem salgado.
É certo que trata-se de um evento único, uma Copa do Mundo. Com a presença das melhores seleções de todo o planeta, etc. etc.
Ainda assim, o preço dos ingressos pode ser considerado bastante elevado, mesmo com a Fifa afirmando ter feito concessões especiais ao definir tais valores para nosso país.
E em minha opinião, em relação à essa questão do preço dos ingressos, nem é exatamente a Copa do Mundo que merece nossa atenção.
Pior, muito pior, é o preço dos ingressos que estão sendo praticados para jogos do nosso Campeonato Brasileiro, que estão gerando um verdadeiro processo de elitização de nosso futebol. Logo ele, o esporte mais popular de nosso país.
***
Aliás, esse fenômeno de elitização já vem, na verdade, se desenrolando há muito tempo. Desde quando a especulação imobiliária nos grandes centros urbanos e suas proximidades levou, paulatinamente, ao desaparecimento dos campos de várzea, dos campos de terra batida, em que gerações e gerações de atletas foram forjadas.
O mesmo motivo do avanço do processo de urbanização e suas consequências, levou ao desaparecimento das peladas de rua, nos bairros mais tranquilos próximos ao centro, em que a meninada marcava os gols com tijolos e passava as tardes de fim de semana disputando peladas, interrompidas quando em vez pela passagem de um carro qualquer.
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E o processo de elitização teve sequência com a disparada dos preços dos ingressos, percebido especialmente em função da remodelação e reforma ou reconstrução de novos estádios, mais confortáveis visando a Copa do Mundo, todos transformados de estádios em arenas, e em conformidade com o famoso padrão FIFA.
Padrão tão elevado para níveis brasileiros, que foi elevado à condição de paradigma ou lema de vários outros tipos de serviços, como pode ser visto nas manifestações de rua ocorridas em junho, em meio à realização da Copa das Confederações, que reivindicavam um padrão Fifa também para a Saúde, a Educação, a Segurança.
Ora, nada contra o brasileiro ter direito e acesso a serviços de qualidade, até mesmo em se tratando de conforto nos estádios de futebol.
Mas, em função das tais arenas modernas houve uma disparada dos preços das partidas de futebol, que chamaram a atenção para a tal elitização.
Indistintamente, sem fazer qualquer diferença entre a partida e os times envolvidos, o preço dos ingressos têm sido objeto de comentários e críticas.
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Assim, em programa de televisão na noite de ontem, jornalistas comentavam do absurdo que é cobrar para um jogo entre Atlético e Portuguesa - no próximo domingo, dia 25 aqui em BH, o mesmo valor que se cobra por um Atlético e Botafogo, por exemplo, ou seja R$ 70,00.
Confesso que não tenho ideia dos preços corretos dos jogos, acreditando que os valores sejam aproximadamente esses citados, talvez mais próximos aos 60 reais, para o ingresso em pior local do campo.
E, considerando-se que, em média, o preço dos ingressos, assim como o preços dos cinemas girava em torno dos 10% do valor do salário mínimo, que encontra-se hoje fixado nos R$ 678 reais, chegamos à conclusão de que o valor de 60 ou 70 reais não é tão fora de propósito, como a gente pensa.
Então, porque essa impressão de que o preço está exorbitante e afastando os torcedores mais simples e de nível de renda mais baixo dos estádios e de sua grande paixão?
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Tenho várias hipóteses para tal sentimento. A primeira delas, ligada ao fato de que há nos dias de hoje um número muito maior de campeonatos e partidas, que acabam obrigando os times a jogarem às quartas e domingos, o que significa que os torcedores têm que desembolsar, por semana, um valor de R$ 120 a R$ 140 reais, o que é, sem nenhuma dúvida um sacrifício que não dá para suportar.
Afinal, mesmo com a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos campos, se somarmos o preço dos ingressos ao preço do transporte e de um ou outro lanche ou mero copo d'água, a conta fica proibitiva, o que se agrava se se trata de um pai de família desejoso de ir com seu filho ao campo.
Também contribui com o processo de esvaziamento dos campos a fixação de horários para os jogos, muito menos preocupados - os horários - com o público e até mesmo com o que é melhor para a prática do exercício físico e muito mais voltado para as preocupações da grade de programação da televisão. Para ser mais exato da tevê Globo, monopolista das transmissões, e que não demonstra qualquer respeito aos problemas dos torcedores que têm de se levantar cedo no dia seguinte, o que significa sacrifícios à própria saúde caso queiram comparecer ao campo para apoiar seu time do coração.
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O desrespeito torna-se tão sério que, por força de sua grade de horários, assistimos agora à marcação de partidas de futebol, no meio da semana, para o horário das 19:30 horas, exatamente no horário de rush ou seja quando o trânsito está mais caótico, com milhões de trabalhadores deixando seus trabalhos e literalmente desesperados para poderem acessar suas residências, para um justo e merecido descanso.
Ora, nesse momento de trânsito naturalmente caótico, por força do horário de interesse da Globo, ainda se obriga milhares de torcedores a enfrentarem esse caos, para irem ver seu time jogar. Milhares de torcedores que trabalham até as 18 horas, em geral, e que não têm qualquer alternativa, salvo a de enfrentarem o trânsito caótico.
A questão chega a um absurdo tal que, a título de exemplo, a inteligências da tal Globo e da CBF foram capazes de marcarem um jogo do Atlético contra o Bahia para o tal horário das 19: 30, em plena véspera de um feriado que, por força de decretação de ponto facultativo por parte do governador do Estado, anunciava-se como um feriadão prolongado, momento em que muitos aproveitam para ganhar as estradas, abandonando a correria dos centros urbanos.
Que o trânsito não fluía e que, por conta disso,  a partida começou com grande parte dos lugares da arena completamente vazios é apenas mais um detalhe que mostra o desrespeito ao torcedor-consumidor do espetáculo futebolístico.
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Já é chegada a hora, inclusive, de o Ministério Público, ou os órgãos de defesa dos direitos do consumidor e do torcedor se manifestarem no sentido de impedirem que o desrespeito prossiga de forma impune.
Bem, no dia seguinte, em São Paulo, para a partida do São Paulo contra o Atlético Paranaense, o mesmo fenômeno de estádio completamente vazio e torcedores presos em pleno engarrafamento voltou a se repetir.
E os repórteres comentando do estádio vazio, imputando tal fato ao péssimo futebol e ao mau humor da torcida do clube paulistano.
A culpa da tevê ninguém comenta, por óbvio. E o futebol é quem perde com isso. O futebol e o público.
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A única desculpa não aceitável é aquela que responsabiliza o padrão mais sofisticado cobrado pela Fifa, pela fuga dos torcedores.
Porque operários ou não, pobres ou não, letrados ou não, a verdade é que todos merecem indistintamente um tratamento adequado, de conforto e respeito humano.
E todos merecem assistirem ao seu time de forma a poderem estar presentes, torcerem e terem um mínimo de conforto, como banheiros limpos, água nos bebedouros, bares higiênicos, salgados de melhor espécie e assentos numerados e direito de virem o jogo assentados, ou em pé, mas com a opção de como acompanharem o jogo sendo somente sua.