Está marcado para a noite desse dia 26 de agosto, às 22 horas, na Band, a realização do primeiro debate em cadeia de tevê dos candidatos à Presidência da República de nosso país.
Pouco antes, ainda durante o dia, mas com repercussão em todos os jornais do início da noite, o IBOPE revela o resultado de sua pesquisa, agora contando com a presença de Marina Silva, e já passado o impacto inicial e a comoção natural que a morte de Eduardo Campos trouxe em seu favor.
Como Fernando Mitre, diretor de jornalismo da rede de tevê paulista, lembrava ontem, é lógico que o resultado da pesquisa vá ter algum impacto no comportamento dos candidatos, reforçando estratégias formuladas, ou obrigando-os a promover mudanças de planos, utilizando do famoso plano B.
Pelo que se comenta, a pesquisa Ibope não irá apontar grandes novidades. À realização do segundo turno e Dilma ainda na dianteira, deverá ser adicionada apenas a presença de Marina no segundo lugar, ganhando alguma vantagem em relação ao terceiro colocado, Aécio.
Essa, a razão de órgãos da grande imprensa comentarem de forma ainda discreta um certo desespero que começa a tomar conta da campanha do PSDB. Situação que já gerou até mesmo a insinuação de que o governador Alckmin poderia estar pensando em reduzir seu apoio ao candidato oficial de seu partido.
A esse respeito, alguns órgãos de imprensa até voltaram a eleições passadas para reavivar o que é considerada uma mágoa do governador paulista em relação a Aécio, expressa na recomendação de voto na chapa Lulécio. Magoado ou não, Alckmin tem todos os motivos do mundo para desembarcar da chapa encabeçada para Aécio, na medida em que perceber que isso poderá render algum prejuízo para sua quase assegurada reeleição.
Quanto ao debate em si, a julgar pelas regras, mais flexíveis sem dúvida, quando comparadas aquelas de debates anteriores, mas ainda muito distantes de permitir uma verdadeira troca de ideias e argumentos entre os candidatos, não acredito que seu resultado seja fundamental para alterar o resultado da pesquisa que o Instituto Datafolha já inicia a partir de amanhã, junto ao eleitorado.
Primeiro porque, a julgar pelo debate para governadores aqui em Minas, cujo formato parece-me ser o mesmo, o tempo estritamente rigoroso para cada candidato fazer qualquer consideração e fornecer respostas, impede que haja não uma troca de acusações ou confronto, mas qualquer mínima discussão capaz de deixar mais claras as opiniões, motivações e métodos.
Pelo que ocorreu aqui, entre Pimentel e Pimenta da Veiga, cada um poderá fazer uma pergunta que, como sempre, o outro não irá responder, fugindo parcialmente do tema, especialmente se este lhe é espinhoso. É verdade que há a oportunidade da réplica e do candidato questionador sempre lançar no ar a acusação de que não foi isso que foi perguntado ou então o candidato está fugindo à resposta. Mas, independente disso, o candidato acusado irá ter o direito à tréplica e, usando da palavra ao final, sempre terá condição de reafirmar o que desejar, não necessariamente atendendo ao interesse do público, nem o do candidato que lhe dirigiu a questão.
Com o tempo de respostas necessariamente limitado, quando for o momento de um jornalista, por exemplo, realizar sua pergunta, indicando o candidato que deverá respondê-la e aquele que deverá comentar a resposta, o que temos visto é o candidato que vai comentar abrir mão de comentar e criticar seu oponente, optando por apresentar o que ele faria em relação ao problema, tentando dar destaque a sua plataforma de campanha.
Com isso, o que percebemos é a oportunidade para não um debate, mas a realização de uma grande entrevista coletiva, em que todos os candidatos estão presentes e podem, embora evitem, criticarem a resposta dos demais concorrentes. Crítica no sentido de mostrar porque, tecnicamente, a opção apresentada pelo concorrente não vai funcionar, ou quais os interesses principais são beneficiados e porque, com a solução apresentada.
Ora, o que temos visto é apenas algumas trocas de farpa entre os candidatos, com algumas acusações que são olimpicamente ignoradas por aquele que é alvo da acusação.
Entretanto, se o debate em si e em função do rigor que exige, até pela questão de dar tratamento igualitário a todos os candidatos, é engessado e até monótono, às vezes, tem uma importante consequência que é a de pautar o discurso e proporcionar a inclusão ou exclusão de novos temas nos programas partidários a serem gravados e apresentados a partir de sua realização.
Nesse ponto, acho que é suficientemente importante que os debates sejam realizados para que todos possamos perceber o que foram situações que cada candidato considerou importante, a ponto de reforçar ou alterar seu discurso seguinte.
***
Em relação especificamente ao debate dessa noite, pode-se esperar, em relação à candidata Marina, a cobrança de seus apoios e da sua falta de coerência em se comprometer em assumir os acordos com que não concordava quando ainda não era cabeça de chapa.
Também é de se esperar que seja cobrado dela, a sua inexperiência no Executivo, o que a tem levado, inclusive a aventar a hipótese de que poderá recorrer a nomes de expressão que identifica em outros partidos, para comporem seu grupo de conselheiros ou até mesmo sua equipe de governo.
Especificamente, ela tem já manifestado que gostaria de, caso eleita, contar com o apoio e aconselhamento de FHC, tão criticado por ela, quando era presidente, e ela então ainda pertencia ao PT. Partido do qual ela se afastou por não concordar com políticas que hoje renega.
***
Acusações a Aécio poderão incluir o pouco que fez, de fato, e não no marketing que choca pela falta de gestão, na saúde e educação do Estado. Como deixou as finanças públicas do Estado, que pegou em ordem, comprometidas.
Não acredito que irão se lembrar nem do aeroporto que o Zé Simão apelidou de aeroperto, pela proximidade com a chácara(?) do tio-avô. Muito embora esse seja um assunto que mostra bem a face do candidato que se faz passar por nosso representante na corrida eleitoral.
Se faz passar porque não é nem o único mineiro de nascença na corrida, nem só por ter nascido nessas terras, representa qualquer coisa das terras mineiras, necessariamente. Por opção, é muito mais carioca e tem mais simpatia com o estado vizinho, da mesma forma que Dilma é gaúcha, onde fez sua vida profissional, depois de presa e torturada.
Interessante é ouvir Aécio acusar os líderes petistas pela condenação no episódio do mensalão e ficar fugindo, tergiversando no caso de seu companheiro e amigo, Eduardo Azeredo, que usou de artimanhas as mais condenáveis, para escapar do julgamento no Supremo. Claro que Eduardo não foi condenado, nem se pode concluir que seria esse o resultado do julgamento, mas a protelação pela manobra o denuncia e o torna mais culpado aos olhos da opinião pública que se se arriscasse no tribunal. E tudo isso com a conivência de seu amigo candidato...
Mas o que quero é mencionar aqui o discurso iniciado ontem por Aécio, criticando a Marina, alegando que, se é para votar nos nomes de peso que o partido do PSDB é que apresenta, então melhor votar no original.
Ora, Marina foi esperta. Citou FHC não necessariamente por morrer de amores e consideração por sua pessoa e o que ela representa, mas tão somente por ter percebido que, mais uma vez, a campanha de seu partido o deixa de fora. Aécio não menciona o ex-presidente, da mesma forma que Serra e Alckmin evitaram de fazê-lo quando disputaram a presidência.
***
Quanto a Dilma, as obras que não andam do PAC, os problemas ligados à saúde, independente das tentativas de solução, via Mais Médicos, a questão da inflação, que está no limite superior e o baixo crescimento, são as principais críticas, aliada à questão de como ela aos poucos foi tolerando, em seu governo, e aprendendo a conviver com acusações de corrupção.
Se no início do mandato, qualquer insinuação de corrupção a levava a agir imediatamente, afastando de seu grupo aquele sobre quem pesava a acusação, esse ardor moralizante veio perdendo fôlego e sua tolerância com as acusações foi o que resultou de seu governo, muito por culpa de se sentir imobilizada pelos acordos, mesmo os espúrios, que negociou para se eleger e ter maioria no Congresso.
Seguramente, não irão haver críticas ao Minha Casa Minha Vida, nem ao Pronatec, ou ao Fies ou ao Ciência sem Fronteira, que ela irá citar como suas maiores marcas. Em compensação estamos propensos a assistir a presidenta fazendo a defesa de Graça Foster, da mesma forma que Aécio em relação a Azeredo.
***
Vamos ao debate. Em um dia que a televisão ao menos não prima por passar bons programas. E nem tem a apresentação de futebol de maior qualidade.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Ermírio de Morais e a sorte do time de Marcelo Oliveira, e a crise econômica no Brasil e no mundo
Lá pelos idos da década de 70, com os militares ainda como inquilinos do poder, tomou posse o General Geisel, o Ernesto, que por ter ocupado o cargo de presidente da Petrobrás, era considerado de perfil nacionalista.
Na composição de seu ministério, para ocupar a pasta dedicada à Indústria e Comércio, Geisel nomeou o empresário nacional Severo Gomes, sinalizando uma maior participação dos empresários nacionais na direção dos destinos do país, como era reivindicado por toda a categoria que apoiara o golpe, há muito tempo.
Severo era nome aceito pelas fileiras militares, até por ter ocupado já o ministério da Agricultura, no mandato de Castelo Branco e, mais que empresário - proprietário da Tecelagem Parahyba, Severo mantinha um bom trânsito junto à classe política, inclusive com aqueles que pertenciam à chamada oposição consentida, o MDB, sendo respeitado por todos que o conheciam.
Ao fim de três anos, foi forçado a renunciar ao cargo, por ter expresso sem meias palavras, as opiniões que tinha sobre o governo de que fazia parte e o regime. Severo saiu e depois filiou-se ao partido da oposição, agora, PMDB.
A lembrança de Severo veio a minha memória porque Severo, falecido em acidente de helicóptero que também vitimou Ulisses Guimarães, foi um dos empresários emblemáticos de uma fase do nosso país, especialmente, a fase vinculada à segunda grande etapa do nosso projeto de industrialização, o chamando II PND.
Certo que outros empresários se destacavam e lembro-me de um, várias vezes homenageado por revistas como Exame e Visão, na qualidade de empresário do Ano, da Termomecânica, chamado Salvador Arena. O que parecia ser, mas não era um trocadilho com a denominação do partido oficial de sustentação do regime. E uma visita ao google nos mostra que Salvador Arena era italiano de nascimento.
Também havia referências várias a José Mindlin, proprietário da Metal Leve, além de bibliófilo reconhecido.
Além desses, havia o nome de Antônio Ermírio de Moraes, um dos herdeiros da Votorantim e pilar da indústria cimenteira no Brasil, junto de seu irmão José Ermírio.
Mas, sua atuação não se restringia aos negócios do cimento, tendo participado de empresas como a CBA- Companhia Brasileira de Alumínio, e da área financeira.
Além disso, foi gestor por longos anos da Beneficência Portuguesa, que transformou em hospital modelo e referência no país e na América.
Antônio Ermírio foi desses raros casos de empresário que, se você voltasse no tempo iria, se espantar com a quase idolatria que lhe era dispensada nos corredores e nas salas de aulas, por alunos e professores de Administração.
Trabalhador e frugal, por questões de foro pessoal e até religioso, sempre com ternos amarfanhados, o que despertava comentários nas colunas sociais que evitava, depois da redemocratização do país, entrou na política tendo sido candidato, primeiro a prefeito. Não tenho certeza se também a governador.
Faleceu depois de ter sido vítima do mal de Alzheimer e deixa uma lacuna no meio empresarial do país.
Aos familiares, meu sentimento.
A ele, minhas homenagens.
***
Pra ser campeão qualquer time tem que ter sorte
E o Cruzeiro está dando sorte, muita sorte como mostrou ontem no final do jogo contra o Goiás. Com minha mulher assistindo ao jogo pela televisão pude observar que o time goiano foi mais presente no campo do adversário e levou mais perigo ao gol de Fábio do que o que poderia ser esperado em se tratando de uma partida do time que lidera disparado o campeonato e outro, que está lá embaixo na tabela.
Não apenas isso deu margem a que Fábio pudesse aparecer no final da partida, como ainda estampou a sorte do time, que viu o pênalte, corretamente assinalado pelo árbitro, ser jogado para fora.
Isso a 20 segundos do final da partida.
E segue o time mineiro na ponta da tabela, com 7 pontos à frente do segundo colocado.
***
Enquanto isso, o time ainda vai sendo ajudado até pelo Galão que, por sorte, derrotou o Inter no Independência.
Quanto ao jogo de sábado, gostaria de assistir ao mesmo jogo que o comentarista fraquinho da Itatiaia alegou ter visto.
Porque, ao contrário do que foi falado, o Atlético jogou de forma displicente, embora com a entrega e doação individual de cada jogador, que Levir destacou.
Mas, se Jemerson estava impecável, é verdade que abusou da sua qualidade técnica, o que pode se tornar um problema se abusar de querer sair jogando. Dátolo, no meio, foi muito esforçado, mas está longe de demonstrar a qualidade técnica que a torcida exige. Talvez porque inexplicavelmente, tendo apenas a perna esquerda, insiste em jogar apenas pelo lado direito do campo. Ora, com isso, ou o campo acaba ou o argentino paralisa nossos avanços, tirando a velocidade do time, já que tem de parar a jogada, girar o corpo e fazer o passe.
Alex Silva foi muito fraco. Muito mais que quando jogou pelas primeiras vezes, inclusive pela esquerda. Perdeu muitos lances, passes tolos, e foi uma avenida que o Inter soube explorar.
E, para um técnico que não gosta de improvisar, é curioso que Levir ponha Alex, originariamente um meio campo, na posição de lateral direita. Talvez apenas para que toda a torcida se penitencie das cobranças sobre Marcos Rocha.
André, pouco acionado, ainda tentou correr, mas a bola não lhe é lançada e ele apenas repete Jô. Não recebe a bola na boa e se perde em campo.
Maicosuel, nada rende ou muito pouco.
Já o Inter, que teve duas chances claras de gol e poderia ter saído com a vitória, foi um time de Abel. Ou seja, jogou todo fechado, na retranca, o que tornou o jogo mais feio.
Mais feio não significa que não tenha tido emoção. Teve, mas foi jogo fraco, feio e o Galo ganhou como o próprio Levir deu a entender, por força de circunstâncias. Mais que por méritos do time...
***
E seguem as discussões quanto ao fato de a economia brasileira estar ou não entrando no pior dos mundos: a estagflação.
Ainda não é essa a situação, já que o PIB mesmo de forma ridícula, ainda cresce. E o desemprego ainda não apresenta sinais de queda evidentes.
Mas, interessante é verificar que outras economias, como as da Rússia, Chile e de outros países considerados emergentes apresentam os mesmos problemas. E que as análises mostram que parte dessa situação é fruto da redução da demanda da China, por força do ajuste que aquela economia também está realizando. Ajuste que representa crescimento menor.
Ou seja: a julgar pela reportagem estampada pela Folha ontem, a crise econômica do Brasil é sim, consequência da situação externa. O que não deve servir para eximir o governo Dilma de suas responsabilidades e culpas.
Tampouco deve permitir que a oposição faça as críticas que tentam tão somente desconstruir os argumentos de governo, como se não fôssemos parte de uma economia globalizada e interativa.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Banco Central independente ou autônomo; Kalil, o falastrão; e Mantega... pitacos diversos
Enquanto começam as defecções na campanha da ex-senadora Marina Silva, em clara demonstração das dificuldades que a candidata irá enfrentar ao longo desse longo período pré-eleições, uma de suas coordenadoras, da família de principais acionistas do Banco Itaú anuncia que, caso eleita, ela enviará ao Congresso lei que assegura autonomia ao Banco Central.
Que não se confunde com independência daquela autoridade monetária o que seria, em minha opinião, um grave desrespeito à ideia de democracia representativa.
Afinal, ao se dirigir às urnas, a população de eleitores de um país tem o propósito de consagrar, com seu voto, um candidato, uma proposta de governo à qual ela foi apresentada e julga ser o melhor para aquela sociedade.
Eleito, o presidente escolhido majoritariamente pela população deverá indicar um profissional, em geral um economista, para dirigir o Conselho de Diretores da Autarquia. A partir daí, com mandato assegurado, e tradicionalmente não coincidente e de periodicidade maior que o do presidente que o escolheu, o presidente do Banco, mas também os diretores, passam a ter mais poder que o próprio responsável por sua indicação.
Isso, bem entendido, supondo que o eleito pela vontade popular poderá escolher o novo corpo de dirigentes e o novo presidente logo no início de sua gestão.
Assim é, pelo menos, como funciona naqueles países em que o Banco Central tem independência assegurada.
Pois bem, caso diferente é assegurar autonomia ao dirigente do banco, embora para isso, não haja necessidade de lei que o estabeleça. Basta que haja o propósito firme do governante de dar liberdade para que, do ponto de vista técnico, operacional o dirigente escolhido possa ter liberdade de escolher as medidas e instrumentos de política que irá implementar para que os objetivos estabelecidos para o Banco possam ser atingidos.
***
Curiosamente, entretanto, para indicar suas poucas crenças na gestão democrática e nas práticas a ela vinculadas, os tais mercados, os grandes agentes das finanças de qualquer nacionalidade, vivem cobrando seja a concessão de independência, seja a da autonomia.
Digo curiosamente, porque os mesmos agentes, volta e meia fazem referências, sempre elogiosas ao sistema de metas inflacionárias, por exemplo, em que a sociedade por seus representantes eleitos vota em lei qual é o índice de inflação que tolera. E seu intervalo de variação.
Ora, se lembrarmos que o presidente do Banco Central é indicado, como vários outros cargos, inclusive os juízes do Supremo, pelo chefe do Executivo, mas que apenas toma posse depois de sabatinado E APROVADO pela Câmara; se lembrarmos que é a Câmara que vota a lei que define os limites da inflação tolerada; se não esquecermos que caso não seja cumprida a meta eleita, o presidente do Banco Central deverá prestar esclarecimentos à sociedade, aí considerados população e congressistas, e ainda se lembrarmos que, não aceitos os argumentos e explicações o Congresso tem condições e até o dever de dar um voto de censura e desconfiança àquela autoridade, podendo exigir sua cabeça e sua demissão, então vê-se que não há necessidade alguma da tal lei.
Basta que se cumpra o que já existe em termos de legislação que rege o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional, inclusive o papel de seus órgãos reguladores.
***
Então, não fora a vontade de ter maior poder, sem precisar de passar pelo crivo popular, qual a justificativa para tanta demanda e pressão feita pelo mercado financeiro, pela tal independência ou autonomia?
No caso do Brasil, talvez o fato de que até hoje, mais de 25 anos depois, o artigo 192, que trata da regulação do Sistema Financeiro Nacional ainda não tenha sido objeto de regulamentação, o que se justifica pelo medo de a questão da autonomia/independência vir à tona e todos temerem as pressões do mercado. Pressões que levariam apenas a facilitar o caminho para a realização da captura da agência reguladora pelos regulados.
Quanto a uma dirigente ou acionista do Itaú advogar a causa, junto à Marina, portanto, não há qualquer problema ou surpresa. Digamos que seja do jogo.
Já Marina aceitar e deixar tal anúncio ser feito, é outra questão. No mínimo, por negar seu próprio pensamento. E por trazer embutida a crítica à gestão da atual diretoria do Banco, o que só pode ser aceito por que perdeu dinheiro, quando os juros foram, como é necessário e correto, reduzidos.
Ah! bem entendido. É necessário e correto ter juros civilizados, como o próprio mercado reconhece, apenas no discurso. Qualquer tentativa de reduzir juros, por reduzir o principal instrumento de ganhos bancários sempre é criticado, quando adotado.
Dizer que Dilma interferiu na gestão do Banco Central, é lícito apenas para os homens do mercado ou os mal intencionados, o que, muitas das vezes, dá no mesmo.
De mais a mais, não nos esqueçamos que o voto de censura sempre pode ser aprovado na Casa Legislativa. Afinal, não estamos em uma ditadura, mas em uma democracia representativa, por pior que isso possa acabar se tornando.
E queiram ou não os contrários ao partido no poder.
Agora, outra questão é se nossa Câmara nos representa mesmo e se não se assemelha mais ao templo bíblico, aquele ocupado pelos vendilhões...
O que, convenhamos, não é culpa do PT, do PSDB, do PMDB, e de qualquer partido que, no poder, apenas aceitou fazer o jogo de compra de apoios, por grana pura e simples, por mensalões ou coisas do gênero, ou por cargos e loteamento da máquina pública. Uma velha tradição da política brasileira, convenhamos...
***
Enquanto isso...
Enquanto isso, o Cruzeiro segue vencendo e abrindo pontos preciosos de frente para os incompetentes times adversários.
E vem o Kalil, esse boquirroto, para dizer que deve sim, dois meses de salário. Que tem sim, problemas de pagamento de tributos, mas que está tudo bem.
Apenas porque, embora não esteja cumprindo qualquer compromisso que alguém sério deve se preocupar em cumprir, vê à sua volta times em situação pior.
Ou seja, enquanto continuarmos justificando nossos erros e falhas com as falhas e erros e tropeços dos que estão ao nosso lado, dá para entender porque não iremos avançar a lugar algum.
Pena, mesmo depois dos 7 a 1, divisor de águas no nosso futebol, não damos demonstração de que tenhamos aprendido nada...
Para sorte nossa e, desgraçadamente, azar do Galo, Kalil renunciou a sua candidatura a deputado federal, e irá se dedicar apenas ao Atlético.
Vá lá que seja em sua gestão que tenhamos conquistado o nosso título mais importante. Mas, isso não torna Kalil perfeito, nem exemplo de dirigente esportivo.
No máximo, por toda sua atuação, apenas o transforma em exemplo de dirigente folclórico...
E o Cruzeiro continua nos matando de raiva. Tomara que Dunga dê jeito de quebrar a força deles, coisa que em campo parece não ter time em condições de fazer.
***
Medidas de política econômica
Novas medidas para aliviar o custo do crédito e permitir expansão do crediário, em momento que a população está evitando se endividar com medo de problemas vislumbrados no horizonte de curto prazo?
Queda da geração de emprego formal, embora pequena?
Elevação da inadimplência no último mês?
Afinal, que impacto terá, de verdade, as medidas que Mantega anunciou essa semana, para conseguir fazer o PIB não apresentar queda nos próximos trimestres, o que levaria a um PIB bem abaixo de 1%?
Vá lá. Em campanha eleitoral, importante agora é não demonstrar imobilismo. Mesmo que as medidas não sejam capazes de altera o quadro já imóvel, por si só.
Que não se confunde com independência daquela autoridade monetária o que seria, em minha opinião, um grave desrespeito à ideia de democracia representativa.
Afinal, ao se dirigir às urnas, a população de eleitores de um país tem o propósito de consagrar, com seu voto, um candidato, uma proposta de governo à qual ela foi apresentada e julga ser o melhor para aquela sociedade.
Eleito, o presidente escolhido majoritariamente pela população deverá indicar um profissional, em geral um economista, para dirigir o Conselho de Diretores da Autarquia. A partir daí, com mandato assegurado, e tradicionalmente não coincidente e de periodicidade maior que o do presidente que o escolheu, o presidente do Banco, mas também os diretores, passam a ter mais poder que o próprio responsável por sua indicação.
Isso, bem entendido, supondo que o eleito pela vontade popular poderá escolher o novo corpo de dirigentes e o novo presidente logo no início de sua gestão.
Assim é, pelo menos, como funciona naqueles países em que o Banco Central tem independência assegurada.
Pois bem, caso diferente é assegurar autonomia ao dirigente do banco, embora para isso, não haja necessidade de lei que o estabeleça. Basta que haja o propósito firme do governante de dar liberdade para que, do ponto de vista técnico, operacional o dirigente escolhido possa ter liberdade de escolher as medidas e instrumentos de política que irá implementar para que os objetivos estabelecidos para o Banco possam ser atingidos.
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Curiosamente, entretanto, para indicar suas poucas crenças na gestão democrática e nas práticas a ela vinculadas, os tais mercados, os grandes agentes das finanças de qualquer nacionalidade, vivem cobrando seja a concessão de independência, seja a da autonomia.
Digo curiosamente, porque os mesmos agentes, volta e meia fazem referências, sempre elogiosas ao sistema de metas inflacionárias, por exemplo, em que a sociedade por seus representantes eleitos vota em lei qual é o índice de inflação que tolera. E seu intervalo de variação.
Ora, se lembrarmos que o presidente do Banco Central é indicado, como vários outros cargos, inclusive os juízes do Supremo, pelo chefe do Executivo, mas que apenas toma posse depois de sabatinado E APROVADO pela Câmara; se lembrarmos que é a Câmara que vota a lei que define os limites da inflação tolerada; se não esquecermos que caso não seja cumprida a meta eleita, o presidente do Banco Central deverá prestar esclarecimentos à sociedade, aí considerados população e congressistas, e ainda se lembrarmos que, não aceitos os argumentos e explicações o Congresso tem condições e até o dever de dar um voto de censura e desconfiança àquela autoridade, podendo exigir sua cabeça e sua demissão, então vê-se que não há necessidade alguma da tal lei.
Basta que se cumpra o que já existe em termos de legislação que rege o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional, inclusive o papel de seus órgãos reguladores.
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Então, não fora a vontade de ter maior poder, sem precisar de passar pelo crivo popular, qual a justificativa para tanta demanda e pressão feita pelo mercado financeiro, pela tal independência ou autonomia?
No caso do Brasil, talvez o fato de que até hoje, mais de 25 anos depois, o artigo 192, que trata da regulação do Sistema Financeiro Nacional ainda não tenha sido objeto de regulamentação, o que se justifica pelo medo de a questão da autonomia/independência vir à tona e todos temerem as pressões do mercado. Pressões que levariam apenas a facilitar o caminho para a realização da captura da agência reguladora pelos regulados.
Quanto a uma dirigente ou acionista do Itaú advogar a causa, junto à Marina, portanto, não há qualquer problema ou surpresa. Digamos que seja do jogo.
Já Marina aceitar e deixar tal anúncio ser feito, é outra questão. No mínimo, por negar seu próprio pensamento. E por trazer embutida a crítica à gestão da atual diretoria do Banco, o que só pode ser aceito por que perdeu dinheiro, quando os juros foram, como é necessário e correto, reduzidos.
Ah! bem entendido. É necessário e correto ter juros civilizados, como o próprio mercado reconhece, apenas no discurso. Qualquer tentativa de reduzir juros, por reduzir o principal instrumento de ganhos bancários sempre é criticado, quando adotado.
Dizer que Dilma interferiu na gestão do Banco Central, é lícito apenas para os homens do mercado ou os mal intencionados, o que, muitas das vezes, dá no mesmo.
De mais a mais, não nos esqueçamos que o voto de censura sempre pode ser aprovado na Casa Legislativa. Afinal, não estamos em uma ditadura, mas em uma democracia representativa, por pior que isso possa acabar se tornando.
E queiram ou não os contrários ao partido no poder.
Agora, outra questão é se nossa Câmara nos representa mesmo e se não se assemelha mais ao templo bíblico, aquele ocupado pelos vendilhões...
O que, convenhamos, não é culpa do PT, do PSDB, do PMDB, e de qualquer partido que, no poder, apenas aceitou fazer o jogo de compra de apoios, por grana pura e simples, por mensalões ou coisas do gênero, ou por cargos e loteamento da máquina pública. Uma velha tradição da política brasileira, convenhamos...
***
Enquanto isso...
Enquanto isso, o Cruzeiro segue vencendo e abrindo pontos preciosos de frente para os incompetentes times adversários.
E vem o Kalil, esse boquirroto, para dizer que deve sim, dois meses de salário. Que tem sim, problemas de pagamento de tributos, mas que está tudo bem.
Apenas porque, embora não esteja cumprindo qualquer compromisso que alguém sério deve se preocupar em cumprir, vê à sua volta times em situação pior.
Ou seja, enquanto continuarmos justificando nossos erros e falhas com as falhas e erros e tropeços dos que estão ao nosso lado, dá para entender porque não iremos avançar a lugar algum.
Pena, mesmo depois dos 7 a 1, divisor de águas no nosso futebol, não damos demonstração de que tenhamos aprendido nada...
Para sorte nossa e, desgraçadamente, azar do Galo, Kalil renunciou a sua candidatura a deputado federal, e irá se dedicar apenas ao Atlético.
Vá lá que seja em sua gestão que tenhamos conquistado o nosso título mais importante. Mas, isso não torna Kalil perfeito, nem exemplo de dirigente esportivo.
No máximo, por toda sua atuação, apenas o transforma em exemplo de dirigente folclórico...
E o Cruzeiro continua nos matando de raiva. Tomara que Dunga dê jeito de quebrar a força deles, coisa que em campo parece não ter time em condições de fazer.
***
Medidas de política econômica
Novas medidas para aliviar o custo do crédito e permitir expansão do crediário, em momento que a população está evitando se endividar com medo de problemas vislumbrados no horizonte de curto prazo?
Queda da geração de emprego formal, embora pequena?
Elevação da inadimplência no último mês?
Afinal, que impacto terá, de verdade, as medidas que Mantega anunciou essa semana, para conseguir fazer o PIB não apresentar queda nos próximos trimestres, o que levaria a um PIB bem abaixo de 1%?
Vá lá. Em campanha eleitoral, importante agora é não demonstrar imobilismo. Mesmo que as medidas não sejam capazes de altera o quadro já imóvel, por si só.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
360 graus
E de repente
em meio a uma tarde vadia
você inventa e busca o novo
e se arrisca
e descobre em seu interior
adormecido
trazer guardado
o fogo esquecido da paixão
E de repente,
tantas são as voltas do caminho
tantas as esquinas
à sua frente
que impossível seguir em linha reta
você roda
e volta
até fechar o ciclo
retornando como quem já não se inventa
ao ponto de início da partida
quem sabe, do melhor de sua vida
em meio a uma tarde vadia
você inventa e busca o novo
e se arrisca
e descobre em seu interior
adormecido
trazer guardado
o fogo esquecido da paixão
E de repente,
tantas são as voltas do caminho
tantas as esquinas
à sua frente
que impossível seguir em linha reta
você roda
e volta
até fechar o ciclo
retornando como quem já não se inventa
ao ponto de início da partida
quem sabe, do melhor de sua vida
O Atlético perde para ele mesmo. Hoje, ele é seu principal adversário
Lamentavelmente, por estar dentro de sala de aula, não pude assistir ao primeiro tempo do jogo do Galo contra o Flamengo ontem à noite no Maracanã, que terminou com a vitória do Atlético, pelo placar mínimo, gol de Maicosuel.
Pelo comentário do canal 230, do PFC da Net, não perdi nada. Ou perdi muito pouco. Para o Lédio Carmona, o Flamengo foi melhor, retendo mais a posse de bola, chutando mais a gol, desarmando mais, jogando mais bolas aéreas na área. Segundo ele, a proposta do Galo era jogar nos contra-ataques e depois do gol, logo no início do jogo, a tática deu certo. Embora o Flamengo tivesse mais volume de jogo, a velocidade do Galo sempre encontrava um time carioca desarrumado e confuso, levando perigo à meta flamenguista.
Mas, jogar encolhido, no contra-ataque, contra o Flamengo e toda sua torcida empurrando o time em pleno Maraca, é implorar para que o time contrário venha para cima com tudo e se dispor a levar sufoco. Para um time com uma defesa frágil como o Atlético vem demonstrando possuir, especialmente com jogadores considerados reservas e que não vêm jogando, é querer sofrer uma virada e sair derrotado.
Pior não é isso. É que o time do Atlético nos minutos iniciais do segundo tempo, não só abdicou de partir para cima do time de Luxemburgo, mantendo a mesma proposta de não jogo do primeiro período, como não conseguia acertar dois passes seguidos.
Com isso, não conseguia reter a bola, que parece foi a solicitação feita por Levir Culpi no intervalo do jogo, trocando passes, gastando o tempo e enervando o time carioca, o que permitiria que a torcida passasse a pressionar o time com cobranças que apenas nos beneficiariam.
Mas Josué não acertava nem um passe, além de não conseguir, tal como Pierre, dar o bote e roubar a bola do time carioca. Rafael Carioca, era outro perdido em campo, sem conseguir armar jogada alguma. Tardelli corria, corria, corria, parece estar correndo até agora, sem encontrar quem pudesse se aproximar dele, para tentar uma troca de passes. Na correria, ficou perdido em meio à defesa contrária. Jô, conseguiu matar uma bola na canela e, na hora que ia tentar o giro para chutar a gol, furou e viu a bola escorrer para os pés do beque flamenguista. Maicosuel não acertava nada que tentava. Pedro Botelho era outro que não acertava nada, culminando com o pênalte completamente desnecessário e Alex Silva, pela direita só aumentava minha saudade de Marcos Rocha.
Enfim, o Atlético perdia para si mesmo. Para sua incompetência e a falta de padrão de jogo e esquema tático que Levir até hoje não conseguiu definir.
É verdade que o time não consegue manter uma base, tendo que mudar constantemente, por força de contusões, principalmente.
Mas, se tentou evitar que o Atlético jogasse como nos tempos de Cuca, com chutões para Jô e ligação direta, a verdade é que Levir não conseguiu criar nada para o lugar. O Atlético, quando tenta a ligação direta, ainda encontra Jô fazendo o pivô. E é só. Não deslancha e não tem outras jogadas treinadas.
Pior é que para nós que estamos assistindo ao jogo, e ao contrário do que vemos em outros jogos, de outros times, nós atleticanos sabemos que a qualquer momento o caldo entorna e nós sofreremos o gol de empate, o da virada e outros para aumentar nosso vexame.
Por outro lado, se o tempo todo esperamos e ficamos torcendo e rezando para que a bola saia de nossa área, do meio para a frente não esperamos nada.
Nem mesmo quando Maicosuel dá lugar à Luan, ou quando outras substituições como a de André no lugar de Jô acontecem.
***
Parece que Levir ontem culpou a falta de brilho individual pelo resultado ruim. É forçoso reconhecer que ele não está sem razão. Os jogadores, inclusive Tardelli, estão jogando um futebol burocrático, sem qualquer inspiração. Erram demais. Parece estarem ali não por prazer ou profissionalismo mas por total e completa falta de opção.
Mas o técnico também e sua falta de esquema tático são responsáveis pelo péssimo resultado.
E têm a companhia de uma diretoria que contrata mal quando contrata e que parece não estar nem aí para o sofrimento de toda uma massa de abnegados.
A situação está feia. Muito feia. Semelhante ao futebol ridículo do time. Motivo suficiente para que o time despenque tabela abaixo e que o sonho de voltar a participar de uma Libertadores fique cada vez mais distante.
O Atlético jogando encolhido se apequena, e com essa estatura, volta a ocupar aquela posição intermediária que tantas vezes termina por ocupar na tabela. Bem própria e adequada ao Galo 13, na faixa situada lá entre a décima ou décima terceira posição em meio a vinte outros times.
***
Enquanto isso, os demais clubes fazem o que podem para dar o título com um turno de antecipação ao Cruzeiro, o que já está fazendo o campeonato perder a graça.
Claro que isso não significa que o campeonato por pontos corridos tenha que ser alterado em sua fórmula. Significa apenas que quem deseja vencê-lo tem que ter e manter uma estrutura, tem que contratar com cuidado e montar um time capitaneado por um técnico que entende de futebol, não inventa e que sabe que quanto mais um time é alterado, mais seu futebol desaparece.
Pelo comentário do canal 230, do PFC da Net, não perdi nada. Ou perdi muito pouco. Para o Lédio Carmona, o Flamengo foi melhor, retendo mais a posse de bola, chutando mais a gol, desarmando mais, jogando mais bolas aéreas na área. Segundo ele, a proposta do Galo era jogar nos contra-ataques e depois do gol, logo no início do jogo, a tática deu certo. Embora o Flamengo tivesse mais volume de jogo, a velocidade do Galo sempre encontrava um time carioca desarrumado e confuso, levando perigo à meta flamenguista.
Mas, jogar encolhido, no contra-ataque, contra o Flamengo e toda sua torcida empurrando o time em pleno Maraca, é implorar para que o time contrário venha para cima com tudo e se dispor a levar sufoco. Para um time com uma defesa frágil como o Atlético vem demonstrando possuir, especialmente com jogadores considerados reservas e que não vêm jogando, é querer sofrer uma virada e sair derrotado.
Pior não é isso. É que o time do Atlético nos minutos iniciais do segundo tempo, não só abdicou de partir para cima do time de Luxemburgo, mantendo a mesma proposta de não jogo do primeiro período, como não conseguia acertar dois passes seguidos.
Com isso, não conseguia reter a bola, que parece foi a solicitação feita por Levir Culpi no intervalo do jogo, trocando passes, gastando o tempo e enervando o time carioca, o que permitiria que a torcida passasse a pressionar o time com cobranças que apenas nos beneficiariam.
Mas Josué não acertava nem um passe, além de não conseguir, tal como Pierre, dar o bote e roubar a bola do time carioca. Rafael Carioca, era outro perdido em campo, sem conseguir armar jogada alguma. Tardelli corria, corria, corria, parece estar correndo até agora, sem encontrar quem pudesse se aproximar dele, para tentar uma troca de passes. Na correria, ficou perdido em meio à defesa contrária. Jô, conseguiu matar uma bola na canela e, na hora que ia tentar o giro para chutar a gol, furou e viu a bola escorrer para os pés do beque flamenguista. Maicosuel não acertava nada que tentava. Pedro Botelho era outro que não acertava nada, culminando com o pênalte completamente desnecessário e Alex Silva, pela direita só aumentava minha saudade de Marcos Rocha.
Enfim, o Atlético perdia para si mesmo. Para sua incompetência e a falta de padrão de jogo e esquema tático que Levir até hoje não conseguiu definir.
É verdade que o time não consegue manter uma base, tendo que mudar constantemente, por força de contusões, principalmente.
Mas, se tentou evitar que o Atlético jogasse como nos tempos de Cuca, com chutões para Jô e ligação direta, a verdade é que Levir não conseguiu criar nada para o lugar. O Atlético, quando tenta a ligação direta, ainda encontra Jô fazendo o pivô. E é só. Não deslancha e não tem outras jogadas treinadas.
Pior é que para nós que estamos assistindo ao jogo, e ao contrário do que vemos em outros jogos, de outros times, nós atleticanos sabemos que a qualquer momento o caldo entorna e nós sofreremos o gol de empate, o da virada e outros para aumentar nosso vexame.
Por outro lado, se o tempo todo esperamos e ficamos torcendo e rezando para que a bola saia de nossa área, do meio para a frente não esperamos nada.
Nem mesmo quando Maicosuel dá lugar à Luan, ou quando outras substituições como a de André no lugar de Jô acontecem.
***
Parece que Levir ontem culpou a falta de brilho individual pelo resultado ruim. É forçoso reconhecer que ele não está sem razão. Os jogadores, inclusive Tardelli, estão jogando um futebol burocrático, sem qualquer inspiração. Erram demais. Parece estarem ali não por prazer ou profissionalismo mas por total e completa falta de opção.
Mas o técnico também e sua falta de esquema tático são responsáveis pelo péssimo resultado.
E têm a companhia de uma diretoria que contrata mal quando contrata e que parece não estar nem aí para o sofrimento de toda uma massa de abnegados.
A situação está feia. Muito feia. Semelhante ao futebol ridículo do time. Motivo suficiente para que o time despenque tabela abaixo e que o sonho de voltar a participar de uma Libertadores fique cada vez mais distante.
O Atlético jogando encolhido se apequena, e com essa estatura, volta a ocupar aquela posição intermediária que tantas vezes termina por ocupar na tabela. Bem própria e adequada ao Galo 13, na faixa situada lá entre a décima ou décima terceira posição em meio a vinte outros times.
***
Enquanto isso, os demais clubes fazem o que podem para dar o título com um turno de antecipação ao Cruzeiro, o que já está fazendo o campeonato perder a graça.
Claro que isso não significa que o campeonato por pontos corridos tenha que ser alterado em sua fórmula. Significa apenas que quem deseja vencê-lo tem que ter e manter uma estrutura, tem que contratar com cuidado e montar um time capitaneado por um técnico que entende de futebol, não inventa e que sabe que quanto mais um time é alterado, mais seu futebol desaparece.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Pesquisa eleitoral e o fôlego de Marina; e a entrevista com Dilma no Jornal Nacional
Estão certos os assessores de campanha de Aécio, que tentam mostrar que o resultado da recente pesquisa eleitoral do Data Folha, que o coloca em terceiro lugar na intenção de votos, deve ser interpretada com muita cautela, já que afetada pesadamente pela comoção que a perda prematura de Eduardo provocou em todo o país.
De fato, é sempre importante destacar que a consulta foi realizada antes mesmo da realização do sepultamento de Eduardo Campos, com toda a carga que esse tipo de despedida costuma evocar. Especialmente considerando que Eduardo foi governador de Pernambuco por duas vezes, posto do qual se afastou para concorrer à presidência, tendo sempre sido muito bem avaliado por seus conterrâneos, além de ser novo, simpático, não fosse também neto de Miguel Arraes, considerado por alguns quase como uma divindade.
Mas, passada a cerimônia do adeus, a vida volta à sua rotina normal, e aí sim é que a indicação oficial de Marina e de seu companheiro de chapa, as primeiras declarações da candidata, a postura frente a seus próprios compromissos e aqueles assumidos por seu antecessor- alguns dos quais que a fizeram tapar o nariz incomodada -, aí sim é que podemos considerar que a corrida eleitoral terá voltado a suas trilhas e as pesquisas passarão a mostrar mais que um sentimento de vazio e orfandade.
Também nesse momento, já com a propaganda eleitoral gratuita iniciada, Marina passará a ser alvo dos ataques e críticas que a pouparam agora, por força de seu nome não ter sido oficialmente confirmado e por força ainda do respeito que o período de luto necessariamente impõe.
Mas, já a partir da próxima semana, o jogo volta a ser jogado e Marina será alvo das críticas que a pouparam nesse instante. Serão então expostas todas as contradições de quem, querendo se passar pelo novo, percorreu os mesmos caminhos de sempre na política nacional e cometeu as mesmas atitudes que tanto combateu.
Os acordos com os representantes do agronegócio, sua postura em relação ao projeto desenvolvimentista que o Brasil ainda reclama e que sua crença na sustentabilidade acaba freando, de certa forma, tudo isso será cobrado da candidata, que ostenta uma postura menos simpática que o risonho menino do Rio, Aécio.
Aliado a isso, há que se recordar que as posturas de Marina e suas opiniões, no campo do comportamento pessoal, são extremamente conservadoras, o que pode ajudá-la a conquistar os votos da legião de evangélicos como ela, com perda de apoios e votos junto àqueles que situam-se mais na vanguarda.
Curiosamente, é exatamente junto a essa facção vanguardista que o discurso de sustentabilidade de Marina ganha maior eco, tem maior força, em minha opinião.
De mais a mais, Marina terá um tempo ínfimo, o que já a desfavorece.
***
Essa a razão da tranquilidade manifesta pelo PSDB. Que é suportada pelo fato de que nem Aécio, nem quaisquer dos outros candidatos tiveram suas intenções de votos de pesquisas anteriores afetada. Ou seja, a novidade Marina ressurge ancorada nos votos daqueles que encontravam-se indecisos, muitos dos quais por não se sentirem representados por políticos e partidos de perfil tradicional.
Bastará lembrar-lhes que longe de representar uma mudança real de nossa política, a aliança de que Marina participava era mais do mesmo. A evolução para o passado. E isso será suficiente para que parte dessa tempestade de intenções de votos seja transformada em mera garoa.
***
De qualquer forma, não é apenas Aécio e seu PSDB que deverá por as barbas de molho, já que um segundo turno, cuja realização torna-se cada vez mais evidente, poderia canalizar toda a insatisfação dos vários setores da população, e com isso juntar os interesses de toda espécie contra o PT.
Motivo que leva certa parte dos comentaristas político-eleitorais a retomarem o bordão do "volta Lula".
Esse sim o pior erro que Lula e seu partido poderiam cometer a essa altura dos acontecimentos.
Afinal, eleita sob a inspiração de Lula em 2010, por representar aquela que teria capacidade de continuar seu trabalho, por mais que os métodos de Dilma divirjam dos de seu padrinho, outra não poderia ser a candidata nesse momento, até para não dar o mote para seus adversários que iriam abusar da afirmação de que Lula não tem, ou não teve nunca consciência do que é melhor para o país.
***
Mudando de assunto, tive a oportunidade de assistir ontem, à entrevista de Dilma no Jornal Nacional.
Em que mesmo sendo duramente criticada por Bonner e Patrícia Poeta, ela foi suficientemente hábil para não discutir nem manifestar sua opinião, por exemplo, sobre o caso dos mensaleiros petistas.
Por outro lado, mais interessante ainda foi que, ao contrário de Aécio que tergiversou, e até talvez para servir de contraponto a seu concorrente, não trouxe à baila, na resposta do mensalão petista, o protagonizado pelo PSDB, nas terras e com participação de amigos particulares de Aécio.
Como se sabe, ao ser questionado pelo apoio de Eduardo Azeredo a sua campanha, o candidato do PSDB procurou trazer à linha de frente a questão dos petistas condenados pelo STF.
Ao contrário, Dilma tendo a mesma oportunidade não mencionou a questão do mensalão do PSDB, como na oportunidade que teve de falar de corrupção em seu governo, deixou bem marcada a posição de que a Polícia Federal, a ela subordinada, tem completa e total liberdade para investigar seja quem for contra quem exista algum indício ou suspeição de mal comportamento.
Insistindo na questão dos problemas de corrupção, os entrevistadores apenas alimentaram os argumentos de Dilma de que os casos têm vindo à luz do dia, por força de seu governo estar trabalhando para impedir tais fatos. O que obrigou, de forma oblíqua, ao próprio Bonner a reconhecer que a presidenta Dilma andou punindo e afastando alguns de seus auxiliares de seu governo.
Mais uma vez, e curiosamente, Dilma apenas falou que os casos que são apurados são punidos e outros acabam se comprovando como falsas suspeitas, razão porque ela não age, não pune, nem poderia vir a fazê-lo.
Mas o que mais me intriga é que não tocou no caso do mensalão do DEM de Brasília e Arruda, nem fez qualquer menção aos escândalos da concorrência do Metrô de São Paulo, por exemplo, que o PSDB como se sabe, governando o Estado há muitos anos, recusa-se a investigar e punir.
Exemplo maior e mais gritante é o de Robson Marinho, do TCU paulista, e ex-secretário de Mário Covas, mergulhado até o pescoço em acusações que não foram alvo de qualquer investigação séria do governo paulista.
***
Porque Dilma não partiu para o ataque, preferindo ficar na defensiva? Será por estar concedendo a entrevista na sala da Presidência da República no Planalto e não querer descer a acusações e futricas, baixando o nível de seu discurso e respeitando a liturgia de seu cargo e local de serviço?
Ou na verdade guardou munição grossa para a propaganda gratuita, de forma a tentar pegar seus adversários desprevenidos?
Ou as acusações que não foram feitas agora, serão feitas não pela presidenta, mas por algum partido que atue como linha auxiliar de seu governo?
A ver.
Mas ocupando muito tempo para dar respostas a acusações, Dilma foi esperta para fazer o tempo passar e a entrevista, pelo menos de acordo com a impressão passada pelos jornalistas, acabou sendo prejudicada, ficando pela metade.
De fato, é sempre importante destacar que a consulta foi realizada antes mesmo da realização do sepultamento de Eduardo Campos, com toda a carga que esse tipo de despedida costuma evocar. Especialmente considerando que Eduardo foi governador de Pernambuco por duas vezes, posto do qual se afastou para concorrer à presidência, tendo sempre sido muito bem avaliado por seus conterrâneos, além de ser novo, simpático, não fosse também neto de Miguel Arraes, considerado por alguns quase como uma divindade.
Mas, passada a cerimônia do adeus, a vida volta à sua rotina normal, e aí sim é que a indicação oficial de Marina e de seu companheiro de chapa, as primeiras declarações da candidata, a postura frente a seus próprios compromissos e aqueles assumidos por seu antecessor- alguns dos quais que a fizeram tapar o nariz incomodada -, aí sim é que podemos considerar que a corrida eleitoral terá voltado a suas trilhas e as pesquisas passarão a mostrar mais que um sentimento de vazio e orfandade.
Também nesse momento, já com a propaganda eleitoral gratuita iniciada, Marina passará a ser alvo dos ataques e críticas que a pouparam agora, por força de seu nome não ter sido oficialmente confirmado e por força ainda do respeito que o período de luto necessariamente impõe.
Mas, já a partir da próxima semana, o jogo volta a ser jogado e Marina será alvo das críticas que a pouparam nesse instante. Serão então expostas todas as contradições de quem, querendo se passar pelo novo, percorreu os mesmos caminhos de sempre na política nacional e cometeu as mesmas atitudes que tanto combateu.
Os acordos com os representantes do agronegócio, sua postura em relação ao projeto desenvolvimentista que o Brasil ainda reclama e que sua crença na sustentabilidade acaba freando, de certa forma, tudo isso será cobrado da candidata, que ostenta uma postura menos simpática que o risonho menino do Rio, Aécio.
Aliado a isso, há que se recordar que as posturas de Marina e suas opiniões, no campo do comportamento pessoal, são extremamente conservadoras, o que pode ajudá-la a conquistar os votos da legião de evangélicos como ela, com perda de apoios e votos junto àqueles que situam-se mais na vanguarda.
Curiosamente, é exatamente junto a essa facção vanguardista que o discurso de sustentabilidade de Marina ganha maior eco, tem maior força, em minha opinião.
De mais a mais, Marina terá um tempo ínfimo, o que já a desfavorece.
***
Essa a razão da tranquilidade manifesta pelo PSDB. Que é suportada pelo fato de que nem Aécio, nem quaisquer dos outros candidatos tiveram suas intenções de votos de pesquisas anteriores afetada. Ou seja, a novidade Marina ressurge ancorada nos votos daqueles que encontravam-se indecisos, muitos dos quais por não se sentirem representados por políticos e partidos de perfil tradicional.
Bastará lembrar-lhes que longe de representar uma mudança real de nossa política, a aliança de que Marina participava era mais do mesmo. A evolução para o passado. E isso será suficiente para que parte dessa tempestade de intenções de votos seja transformada em mera garoa.
***
De qualquer forma, não é apenas Aécio e seu PSDB que deverá por as barbas de molho, já que um segundo turno, cuja realização torna-se cada vez mais evidente, poderia canalizar toda a insatisfação dos vários setores da população, e com isso juntar os interesses de toda espécie contra o PT.
Motivo que leva certa parte dos comentaristas político-eleitorais a retomarem o bordão do "volta Lula".
Esse sim o pior erro que Lula e seu partido poderiam cometer a essa altura dos acontecimentos.
Afinal, eleita sob a inspiração de Lula em 2010, por representar aquela que teria capacidade de continuar seu trabalho, por mais que os métodos de Dilma divirjam dos de seu padrinho, outra não poderia ser a candidata nesse momento, até para não dar o mote para seus adversários que iriam abusar da afirmação de que Lula não tem, ou não teve nunca consciência do que é melhor para o país.
***
Mudando de assunto, tive a oportunidade de assistir ontem, à entrevista de Dilma no Jornal Nacional.
Em que mesmo sendo duramente criticada por Bonner e Patrícia Poeta, ela foi suficientemente hábil para não discutir nem manifestar sua opinião, por exemplo, sobre o caso dos mensaleiros petistas.
Por outro lado, mais interessante ainda foi que, ao contrário de Aécio que tergiversou, e até talvez para servir de contraponto a seu concorrente, não trouxe à baila, na resposta do mensalão petista, o protagonizado pelo PSDB, nas terras e com participação de amigos particulares de Aécio.
Como se sabe, ao ser questionado pelo apoio de Eduardo Azeredo a sua campanha, o candidato do PSDB procurou trazer à linha de frente a questão dos petistas condenados pelo STF.
Ao contrário, Dilma tendo a mesma oportunidade não mencionou a questão do mensalão do PSDB, como na oportunidade que teve de falar de corrupção em seu governo, deixou bem marcada a posição de que a Polícia Federal, a ela subordinada, tem completa e total liberdade para investigar seja quem for contra quem exista algum indício ou suspeição de mal comportamento.
Insistindo na questão dos problemas de corrupção, os entrevistadores apenas alimentaram os argumentos de Dilma de que os casos têm vindo à luz do dia, por força de seu governo estar trabalhando para impedir tais fatos. O que obrigou, de forma oblíqua, ao próprio Bonner a reconhecer que a presidenta Dilma andou punindo e afastando alguns de seus auxiliares de seu governo.
Mais uma vez, e curiosamente, Dilma apenas falou que os casos que são apurados são punidos e outros acabam se comprovando como falsas suspeitas, razão porque ela não age, não pune, nem poderia vir a fazê-lo.
Mas o que mais me intriga é que não tocou no caso do mensalão do DEM de Brasília e Arruda, nem fez qualquer menção aos escândalos da concorrência do Metrô de São Paulo, por exemplo, que o PSDB como se sabe, governando o Estado há muitos anos, recusa-se a investigar e punir.
Exemplo maior e mais gritante é o de Robson Marinho, do TCU paulista, e ex-secretário de Mário Covas, mergulhado até o pescoço em acusações que não foram alvo de qualquer investigação séria do governo paulista.
***
Porque Dilma não partiu para o ataque, preferindo ficar na defensiva? Será por estar concedendo a entrevista na sala da Presidência da República no Planalto e não querer descer a acusações e futricas, baixando o nível de seu discurso e respeitando a liturgia de seu cargo e local de serviço?
Ou na verdade guardou munição grossa para a propaganda gratuita, de forma a tentar pegar seus adversários desprevenidos?
Ou as acusações que não foram feitas agora, serão feitas não pela presidenta, mas por algum partido que atue como linha auxiliar de seu governo?
A ver.
Mas ocupando muito tempo para dar respostas a acusações, Dilma foi esperta para fazer o tempo passar e a entrevista, pelo menos de acordo com a impressão passada pelos jornalistas, acabou sendo prejudicada, ficando pela metade.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Passado o impacto da perda recente, quando as análises das composições de Eduardo irão revelar o velho travestido de novidade?
Passado o primeiro impacto do trágico acidente envolvendo ao candidato a presidente da República Eduardo Campos, cujo corpo já se encontra descansando ao lado de seu avô no Recife, o PSB já adota as providências necessárias para que a candidata a vice, Marina Silva, seja oficializada como nova candidata do partido nas eleições de outubro.
Embora possa parecer cedo, tais medidas são necessárias por força da legislação eleitoral que estabelece o prazo de 10 dias para registro da nova chapa.
Para atender aos prazos legais, movimenta-se não apenas todo o partido e os que com ele estavam coligados, com milhares de reuniões, encontros, acertos sendo costurados porque, se não existem dúvidas de que o nome natural para substituir a Eduardo é o de Marina, sabe-se que uma série de entendimentos que o candidato vinha firmando em busca de apoios, precisam ser ratificados por Marina. Da mesma forma, sabe-se que alguns desses acordos são radicalmente contrários ao que Marina pensa e das opiniões que expressa.
O que me leva a fazer uma reflexão que, para alguns, poderia estar sendo feita muito cedo. Afinal, ainda ontem o corpo de Eduardo era velado e descia ao túmulo, e sua morte recente ainda traz comoção, a ponto de ainda, como é natural, conduzir o jovem político para um patamar em que apenas as virtudes são destacadas. Especialmente pelo momento.
Mas, quem será o primeiro na grande imprensa a recordar e falar abertamente de que, embora novo, Eduardo não representava nada de novo na política nacional, senão um projeto e uma aspiração pessoal, legítimos, de se tornar presidente do país. Nada que o descredencie, ao contrário.
Afinal, como na escolha de qualquer carreira e/ou caminho profissional há que se ter vocação. Mais que vocação vontade. E, para a maioria das pessoas, um verdadeiro desejo de contribuir para a melhoria de nossas condições de vida.
Eduardo era desses homens, que acreditava que seria capaz de dar sua contribuição. Tinha fé e buscava realizar o que sonhava para seu futuro. Justo reconhecer aí uma qualidade. Não necessariamente descolada de algum impulso de vaidade pessoal, que é característica dos homens e que não os impede de realizarem grandes obras. Ao contrário.
Mas para chegar aonde desejava, Eduardo não se viu constrangido de fazer acertos com gregos e troianos. Em incorporar à sua campanha partidos de várias e distintas concepções ideológicas e diferentes matizes e projetos, tudo tão somente para ampliar seu tempo de televisão e, em consequência sua visibilidade.
Tudo para poder se tornar um rosto conhecido nacionalmente, intimamente desejando talvez não obter um resultado expressivo na votação de agora, mas mirando estrategicamente o ano eleitoral de 2018, em que poderia sair como candidato de uma coligação muito mais fortalecida, tendo o PT como companheiro de chapa.
Porque como não passou despercebido por muitos, a ruptura de Eduardo com o PT e com Dilma, reconhecidamente tardia e oportunista, não foi ruptura com Lula e os projetos de poder do ex-presidente. Que admirava muito a Eduardo e ficou muito abalado com sua perda.
***
Em sua coluna, dizia ironizando o excelente José Simão que a coligação de Eduardo e Marina, considerada quando de seu anúncio um golpe de mestre, estava aceitando qualquer que fosse o apoio, tendo como única condição de o apoio não vir de qualquer socialista...
O próprio apoio de Marina e sua Rede ao PSB era apenas um grande arranjo para poder dar tempo e condições para que a agremiação de Marina pudesse se organizar para voltar a pleitear o reconhecimento como partido político, negado na primeira tentativa pelo TSE.
Habilmente, Eduardo fazia concessões a Marina, não apenas para poder conter em seu discurso com uma agenda mais moderna, mas para poder aproveitar o prestígio que a ex-senadora e ministra de Lula, como ele, tinha a oferecer, fundado nos resultados das eleições de 2010.
Além disso, parece-me que pouco tinham em comum os dois grupos que juntavam forças, com Eduardo falando em dar força ao agronegócio e em estimular o desenvolvimento em regiões em que Marina é visa como inimiga. O que leva muitos a desconfiarem de sua capacidade de manter os acertos vários que Eduardo ia estabelecendo.
***
Sem qualquer ruptura com o modelo de política praticado em nosso país, que tanto ele quanto Aécio criticam, e que o próprio PT parece desgostar, foram fazendo composições políticas apenas para aumentar o tempo de aparição no programa gratuito de propaganda eleitoral. A maioria das quais não é difícil se supor, em troca de cargos e influências que, se não caracterizam um loteamento do governo como o PT adotou de forma escancarada, seguindo os passos tímidos do PSDB que lhe antecedeu, não deve ser considerado muito inovador em política.
O que exige de nós a reflexão para o bem ou para o mal, de que urge ser feita uma reforma política em nosso país, que talvez só possa ser feita com uma Constituinte exclusiva!!!
***
A situação de acertos, acordos e, usando a expressão correta e pesada, tramoias, chegou a ponto tal que o PSB de Eduardo, o NOVO (político, bem entendido!), conseguiu formalizar acordos regionais que deixariam qualquer alienígena que chegasse a nosso planeta estupefato.
O que nos brinda com a informação, por exemplo, de que o PSB indicou o vice-candidato ao governo paulista, na chapa com o atual governador do PSDB que, como não poderia deixar de ser apóia ao candidato de seu partido à presidência e, portanto, contrário às pretensões de Eduardo.
No Rio, se não fosse o acidente em Santos, o PSB estaria conversando e se acertando com o candidato do PT, que como se sabe é o partido da presidenta Dilma, concorrente de Eduardo.
Em BH, onde o prefeito Márcio Lacerda do PSB rompeu com Eduardo para manifestar claramente sua preferência por Aécio, a quem deve sua eleição e reeleição, o partido por precisou de usar de muita força para fazer valer aquilo que sua Executiva regional havia decidido: indicar candidato próprio. Chegando para tanto até à ameaça de intervenção da Nacional.
Ora se isso não é apenas e tão somente uma colcha de retalhos, sem qualquer configuração ideológica e igual a tantas das coligações que já foram feitas e criticadas até pelo próprio PSB, não entendo de nada mais em política.
***
Quanto a Marina, a nova candidata, e supondo que vá manter realmente todos os acordos feitos por seu antecessor, vai ser divertido ver de que forma ela conseguirá sair dessa saia justa, se é que conseguirá.
Afinal, menos simpática e mais austera que Eduardo, ao menos nas fotos e nas aparições públicas, Marina traz a marca dos que acreditam realmente em seu discurso próprio e que, como tal, não precisam fazer agrados outros senão o próprio conteúdo do discurso.
Por isso, creio eu, sua fisionomia sempre mais fechada, o que não pode ser tomado como revelador de nada. Nem de um possível mau-humor natural, como é costume atribuírem à presidenta Dilma.
Mas via ser curioso ver Marina aceitando conversar sobre as mudanças de leis ambientais, para dar mais espaço ao plantio de lavouras que provocam e promovem agressões ao meio ambiente. Será interessante vê-la abordando temas como a necessidade de flexibilizar a lei que assegura sustentabilidade, para que o agronegócio possa progredir, trazendo com ele um melhor resultado para nossas exportações e nossa economia.
Ao lado disso, sabe-se da necessidade de se ampliar o agronegócio da mera plantação para incluir o beneficiamento, cada vez em maior intensidade, e cada vez mais com a introdução de maior conteúdo tecnológico, alguns dos quais exigem e demandam mais energia.
Nessa hora que postura será adotada pela candidata radicalmente contrária à construção de represas como a de Belo Monte, pelo potencial de estrago ao ambiente que elas acarretam.
Bem, além dessas, quem sabe Marina não foi apenas um modismo, adequado a 2010 e não sendo capaz de ser reproduzida nessa condição nesses tempos distintos de 2014.
Afinal, sua marca não ajudou a Eduardo a decolar nas intenções de votos das pesquisas. E, ao que parece, sua taxa de aceitação inicial, sofreu abalos significativos quando abriu mão de seus ideais mais íntimos, aceitando compor e ficar em segundo plano. Tal postura pode ter sido considerada uma traição a seus ideais por alguns dos seus correligionários.
Mas, Marina é inegável traz a pontuação de Eduardo e mais a da comoção, comum nessas circunstâncias.
Será elemento que irá sim ter muita força para provocar um segundo turno. Especialmente se a comoção conseguir levá-la a capturar o voto do grande contingente de indecisos das pesquisas. Isso, se os indecisos já não estivessem em tal estado, por serem eleitores dela.
***
Fica então a pergunta: quem é melhor para ir ao segundo turno, partindo-se do pressuposto de que a candidata do PT, por estar tentando a reeleição, tem uma das vagas cativa? Afinal, ninguém em sã consciência, iria imaginar que Dilma ficaria fora do segundo turno.
Para o PT, a imprensa tem dito que Aécio é melhor, porque permite o eterno confronto plebiscitário entre inimigos de longa data.
Inimigos cordiais, diga-se, já que a matriz do pensamento de ambos é a mesma, como em parte sua origem. Na verdade o que os destaca cada vez mais é a teimosia. O apego maior ou menor às ideias, consideradas ultrapassadas que consideram ainda a existência de uma luta na sociedade entre direita e esquerda.
Em minha opinião, ambos já perderam essa visão. Ou ao menos aqueles de seus membros e partidários que já chegaram ao poder como mandatários de cada sigla.
Por mim, não apenas a polarização não é ultrapassada como vem ficando cada vez mais evidente. Apenas que a maioria não quer ver. Como já foi muito dito, os ricos ficam cada vez mais ricos. Os pobres, muito pobres, até melhoram. Mas o resto se engalfinha na divisão do prato de comida que restou do banquete dos muitos ricos.
E acreditam piamente que estão brigando e lutando pela comida que merecem....
***
Para o povo, em minha opinião, preferia que desse Marina contra Dilma, em lugar de Aécio, apenas olhando a sua equipe de assessores e possíveis futuros ministros.
Do lado de Aécio, os interesses de sempre dos banqueiros internacionais, financistas internacionais, o grande capital e também dos banqueiros nacionais, gente do mercado, e grandes grupos empresariais, de qualquer bandeira e nacionalidade. Afinal, não há no PSDB essa preocupação nem o discurso contra o entreguismo ultrapassado.
Aécio vem acompanhado de Armínio Fraga, que já esteve à frente de grandes casas financeiras no exterior e à frente do Banco Central do Brasil, quando chegou aqui, pós crise do câmbio em 99, com o desejo íntimo, que não conseguiu por em prática, de dolarizar nossa economia.
Em 2002, não apenas foi o protagonista do terrorismo eleitoral, contra a possível vitória de Lula, como foi um dos mentores da situação que quebrou o país. Só não concretizada por força da ajuda astronômica e recorde de mais de 42 bilhões de dólares (algo inimaginável até a data para os padrões do Fundo).
Além disso, deixou a inflação de que era responsável, na casa dos 16% ao ano, coisa que a imprensa insiste em esquecer.
Essa turma não vê meu voto nem que fossem os únicos que sobrassem na face da terra.
***
Já Eduardo antes, e Marina, têm ao menos a assessorá-los Eduardo Giannetti, economista crítico da intervenção e da participação exagerada do governo no ambiente econômico. Desse ponto de vista, doutrinariamente mais vinculado à ideia do Estado mínimo e das liberdades individuais no mercado. Um liberal.
Mas, um liberal convicto, e até mais ingênuo em suas crenças genuínas da capacidade dos mercados. Longe do staff mais pragmático de Aécio. Com quem no fundo até guarda semelhanças, de grau.
Muda o foco. Aqui os agentes individuais. Lá em Aécio os grandes negócios.
Entre Armínio e Eduardo, sou mais o último. Até por sua maior pureza e quando digo isso, favor não tomá-lo como um tolo. Longe disso, para esse excelente professor, misto de economista e filósofo.
Admiro Eduardo e reconheço a capacidade de Armínio, o que já dá a dimensão da diferença que enxergo em ambos.
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Não vou falar nada a respeito da equipe do PT, porque essa já se descaracterizou há tempos, embora tenha achado muito ponderada e corretas as opiniões de Mantega na entrevista que ele concedeu ao grupo Folha e que foi publicada na data de ontem, na Folha de São Paulo.
Pode-se sempre manter a inflação no centro da meta, como ele mesmo admite e foi feito na época de Armínio Fraga no BC. Basta elevar juros reais de forma ensandecida. Além de muito lucro para banqueiros, portadores dos títulos da dívida pública e de dar a eles e aos mercados munição para criticar o desequilíbrio fiscal, por força da grande despesa de pagamento de juros, a inflação cederia sim.
Claro.
Mas às custas da paz dos cemitérios, já que antes a economia pararia de ter seus circuitos vitais irrigados e, sem circulação de dinheiro, não haveria a de produção. Com isso, teríamos desemprego, recessão, inflação domada.
Vale o sacrifício, exceto para os banqueiros?
Embora possa parecer cedo, tais medidas são necessárias por força da legislação eleitoral que estabelece o prazo de 10 dias para registro da nova chapa.
Para atender aos prazos legais, movimenta-se não apenas todo o partido e os que com ele estavam coligados, com milhares de reuniões, encontros, acertos sendo costurados porque, se não existem dúvidas de que o nome natural para substituir a Eduardo é o de Marina, sabe-se que uma série de entendimentos que o candidato vinha firmando em busca de apoios, precisam ser ratificados por Marina. Da mesma forma, sabe-se que alguns desses acordos são radicalmente contrários ao que Marina pensa e das opiniões que expressa.
O que me leva a fazer uma reflexão que, para alguns, poderia estar sendo feita muito cedo. Afinal, ainda ontem o corpo de Eduardo era velado e descia ao túmulo, e sua morte recente ainda traz comoção, a ponto de ainda, como é natural, conduzir o jovem político para um patamar em que apenas as virtudes são destacadas. Especialmente pelo momento.
Mas, quem será o primeiro na grande imprensa a recordar e falar abertamente de que, embora novo, Eduardo não representava nada de novo na política nacional, senão um projeto e uma aspiração pessoal, legítimos, de se tornar presidente do país. Nada que o descredencie, ao contrário.
Afinal, como na escolha de qualquer carreira e/ou caminho profissional há que se ter vocação. Mais que vocação vontade. E, para a maioria das pessoas, um verdadeiro desejo de contribuir para a melhoria de nossas condições de vida.
Eduardo era desses homens, que acreditava que seria capaz de dar sua contribuição. Tinha fé e buscava realizar o que sonhava para seu futuro. Justo reconhecer aí uma qualidade. Não necessariamente descolada de algum impulso de vaidade pessoal, que é característica dos homens e que não os impede de realizarem grandes obras. Ao contrário.
Mas para chegar aonde desejava, Eduardo não se viu constrangido de fazer acertos com gregos e troianos. Em incorporar à sua campanha partidos de várias e distintas concepções ideológicas e diferentes matizes e projetos, tudo tão somente para ampliar seu tempo de televisão e, em consequência sua visibilidade.
Tudo para poder se tornar um rosto conhecido nacionalmente, intimamente desejando talvez não obter um resultado expressivo na votação de agora, mas mirando estrategicamente o ano eleitoral de 2018, em que poderia sair como candidato de uma coligação muito mais fortalecida, tendo o PT como companheiro de chapa.
Porque como não passou despercebido por muitos, a ruptura de Eduardo com o PT e com Dilma, reconhecidamente tardia e oportunista, não foi ruptura com Lula e os projetos de poder do ex-presidente. Que admirava muito a Eduardo e ficou muito abalado com sua perda.
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Em sua coluna, dizia ironizando o excelente José Simão que a coligação de Eduardo e Marina, considerada quando de seu anúncio um golpe de mestre, estava aceitando qualquer que fosse o apoio, tendo como única condição de o apoio não vir de qualquer socialista...
O próprio apoio de Marina e sua Rede ao PSB era apenas um grande arranjo para poder dar tempo e condições para que a agremiação de Marina pudesse se organizar para voltar a pleitear o reconhecimento como partido político, negado na primeira tentativa pelo TSE.
Habilmente, Eduardo fazia concessões a Marina, não apenas para poder conter em seu discurso com uma agenda mais moderna, mas para poder aproveitar o prestígio que a ex-senadora e ministra de Lula, como ele, tinha a oferecer, fundado nos resultados das eleições de 2010.
Além disso, parece-me que pouco tinham em comum os dois grupos que juntavam forças, com Eduardo falando em dar força ao agronegócio e em estimular o desenvolvimento em regiões em que Marina é visa como inimiga. O que leva muitos a desconfiarem de sua capacidade de manter os acertos vários que Eduardo ia estabelecendo.
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Sem qualquer ruptura com o modelo de política praticado em nosso país, que tanto ele quanto Aécio criticam, e que o próprio PT parece desgostar, foram fazendo composições políticas apenas para aumentar o tempo de aparição no programa gratuito de propaganda eleitoral. A maioria das quais não é difícil se supor, em troca de cargos e influências que, se não caracterizam um loteamento do governo como o PT adotou de forma escancarada, seguindo os passos tímidos do PSDB que lhe antecedeu, não deve ser considerado muito inovador em política.
O que exige de nós a reflexão para o bem ou para o mal, de que urge ser feita uma reforma política em nosso país, que talvez só possa ser feita com uma Constituinte exclusiva!!!
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A situação de acertos, acordos e, usando a expressão correta e pesada, tramoias, chegou a ponto tal que o PSB de Eduardo, o NOVO (político, bem entendido!), conseguiu formalizar acordos regionais que deixariam qualquer alienígena que chegasse a nosso planeta estupefato.
O que nos brinda com a informação, por exemplo, de que o PSB indicou o vice-candidato ao governo paulista, na chapa com o atual governador do PSDB que, como não poderia deixar de ser apóia ao candidato de seu partido à presidência e, portanto, contrário às pretensões de Eduardo.
No Rio, se não fosse o acidente em Santos, o PSB estaria conversando e se acertando com o candidato do PT, que como se sabe é o partido da presidenta Dilma, concorrente de Eduardo.
Em BH, onde o prefeito Márcio Lacerda do PSB rompeu com Eduardo para manifestar claramente sua preferência por Aécio, a quem deve sua eleição e reeleição, o partido por precisou de usar de muita força para fazer valer aquilo que sua Executiva regional havia decidido: indicar candidato próprio. Chegando para tanto até à ameaça de intervenção da Nacional.
Ora se isso não é apenas e tão somente uma colcha de retalhos, sem qualquer configuração ideológica e igual a tantas das coligações que já foram feitas e criticadas até pelo próprio PSB, não entendo de nada mais em política.
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Quanto a Marina, a nova candidata, e supondo que vá manter realmente todos os acordos feitos por seu antecessor, vai ser divertido ver de que forma ela conseguirá sair dessa saia justa, se é que conseguirá.
Afinal, menos simpática e mais austera que Eduardo, ao menos nas fotos e nas aparições públicas, Marina traz a marca dos que acreditam realmente em seu discurso próprio e que, como tal, não precisam fazer agrados outros senão o próprio conteúdo do discurso.
Por isso, creio eu, sua fisionomia sempre mais fechada, o que não pode ser tomado como revelador de nada. Nem de um possível mau-humor natural, como é costume atribuírem à presidenta Dilma.
Mas via ser curioso ver Marina aceitando conversar sobre as mudanças de leis ambientais, para dar mais espaço ao plantio de lavouras que provocam e promovem agressões ao meio ambiente. Será interessante vê-la abordando temas como a necessidade de flexibilizar a lei que assegura sustentabilidade, para que o agronegócio possa progredir, trazendo com ele um melhor resultado para nossas exportações e nossa economia.
Ao lado disso, sabe-se da necessidade de se ampliar o agronegócio da mera plantação para incluir o beneficiamento, cada vez em maior intensidade, e cada vez mais com a introdução de maior conteúdo tecnológico, alguns dos quais exigem e demandam mais energia.
Nessa hora que postura será adotada pela candidata radicalmente contrária à construção de represas como a de Belo Monte, pelo potencial de estrago ao ambiente que elas acarretam.
Bem, além dessas, quem sabe Marina não foi apenas um modismo, adequado a 2010 e não sendo capaz de ser reproduzida nessa condição nesses tempos distintos de 2014.
Afinal, sua marca não ajudou a Eduardo a decolar nas intenções de votos das pesquisas. E, ao que parece, sua taxa de aceitação inicial, sofreu abalos significativos quando abriu mão de seus ideais mais íntimos, aceitando compor e ficar em segundo plano. Tal postura pode ter sido considerada uma traição a seus ideais por alguns dos seus correligionários.
Mas, Marina é inegável traz a pontuação de Eduardo e mais a da comoção, comum nessas circunstâncias.
Será elemento que irá sim ter muita força para provocar um segundo turno. Especialmente se a comoção conseguir levá-la a capturar o voto do grande contingente de indecisos das pesquisas. Isso, se os indecisos já não estivessem em tal estado, por serem eleitores dela.
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Fica então a pergunta: quem é melhor para ir ao segundo turno, partindo-se do pressuposto de que a candidata do PT, por estar tentando a reeleição, tem uma das vagas cativa? Afinal, ninguém em sã consciência, iria imaginar que Dilma ficaria fora do segundo turno.
Para o PT, a imprensa tem dito que Aécio é melhor, porque permite o eterno confronto plebiscitário entre inimigos de longa data.
Inimigos cordiais, diga-se, já que a matriz do pensamento de ambos é a mesma, como em parte sua origem. Na verdade o que os destaca cada vez mais é a teimosia. O apego maior ou menor às ideias, consideradas ultrapassadas que consideram ainda a existência de uma luta na sociedade entre direita e esquerda.
Em minha opinião, ambos já perderam essa visão. Ou ao menos aqueles de seus membros e partidários que já chegaram ao poder como mandatários de cada sigla.
Por mim, não apenas a polarização não é ultrapassada como vem ficando cada vez mais evidente. Apenas que a maioria não quer ver. Como já foi muito dito, os ricos ficam cada vez mais ricos. Os pobres, muito pobres, até melhoram. Mas o resto se engalfinha na divisão do prato de comida que restou do banquete dos muitos ricos.
E acreditam piamente que estão brigando e lutando pela comida que merecem....
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Para o povo, em minha opinião, preferia que desse Marina contra Dilma, em lugar de Aécio, apenas olhando a sua equipe de assessores e possíveis futuros ministros.
Do lado de Aécio, os interesses de sempre dos banqueiros internacionais, financistas internacionais, o grande capital e também dos banqueiros nacionais, gente do mercado, e grandes grupos empresariais, de qualquer bandeira e nacionalidade. Afinal, não há no PSDB essa preocupação nem o discurso contra o entreguismo ultrapassado.
Aécio vem acompanhado de Armínio Fraga, que já esteve à frente de grandes casas financeiras no exterior e à frente do Banco Central do Brasil, quando chegou aqui, pós crise do câmbio em 99, com o desejo íntimo, que não conseguiu por em prática, de dolarizar nossa economia.
Em 2002, não apenas foi o protagonista do terrorismo eleitoral, contra a possível vitória de Lula, como foi um dos mentores da situação que quebrou o país. Só não concretizada por força da ajuda astronômica e recorde de mais de 42 bilhões de dólares (algo inimaginável até a data para os padrões do Fundo).
Além disso, deixou a inflação de que era responsável, na casa dos 16% ao ano, coisa que a imprensa insiste em esquecer.
Essa turma não vê meu voto nem que fossem os únicos que sobrassem na face da terra.
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Já Eduardo antes, e Marina, têm ao menos a assessorá-los Eduardo Giannetti, economista crítico da intervenção e da participação exagerada do governo no ambiente econômico. Desse ponto de vista, doutrinariamente mais vinculado à ideia do Estado mínimo e das liberdades individuais no mercado. Um liberal.
Mas, um liberal convicto, e até mais ingênuo em suas crenças genuínas da capacidade dos mercados. Longe do staff mais pragmático de Aécio. Com quem no fundo até guarda semelhanças, de grau.
Muda o foco. Aqui os agentes individuais. Lá em Aécio os grandes negócios.
Entre Armínio e Eduardo, sou mais o último. Até por sua maior pureza e quando digo isso, favor não tomá-lo como um tolo. Longe disso, para esse excelente professor, misto de economista e filósofo.
Admiro Eduardo e reconheço a capacidade de Armínio, o que já dá a dimensão da diferença que enxergo em ambos.
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Não vou falar nada a respeito da equipe do PT, porque essa já se descaracterizou há tempos, embora tenha achado muito ponderada e corretas as opiniões de Mantega na entrevista que ele concedeu ao grupo Folha e que foi publicada na data de ontem, na Folha de São Paulo.
Pode-se sempre manter a inflação no centro da meta, como ele mesmo admite e foi feito na época de Armínio Fraga no BC. Basta elevar juros reais de forma ensandecida. Além de muito lucro para banqueiros, portadores dos títulos da dívida pública e de dar a eles e aos mercados munição para criticar o desequilíbrio fiscal, por força da grande despesa de pagamento de juros, a inflação cederia sim.
Claro.
Mas às custas da paz dos cemitérios, já que antes a economia pararia de ter seus circuitos vitais irrigados e, sem circulação de dinheiro, não haveria a de produção. Com isso, teríamos desemprego, recessão, inflação domada.
Vale o sacrifício, exceto para os banqueiros?
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