quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Dilma, Temer e o golpe: prenúncio de uma luta civil?

Gostaria de começar esse comentário dizendo que votei em Dilma no segundo turno das eleições para presidente no ano passado e, nem bem tinha saído o resultado dessa que foi a mais encarniçada eleição do período recente do nosso país, já experimentei a sensação de arrependimento.
Para isso, bastou a indicação do nome de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, cuja maior credencial era já ser egresso dos quadros da diretoria do Bradesco, além de já ter integrado os quadros do governo federal e ter sido secretário do Rio de Janeiro.
Devo deixar claro que nada tenho para opinar em relação à pessoa do ministro, a quem considero ser um homem bem intencionado. Mas, o fato de ter saído do setor financeiro já fez acender, para mim, o sinal de alerta.
Pouco depois, as suas primeiras falas, sempre a favor de um ajuste fiscal feito a ferro e fogo, e de medidas destinadas a, de um só golpe, promover o acerto de todas as situações contábeis precárias ligadas ou derivadas de petróleo, combustíveis, energia elétrica, juros etc. me levaram a temer pela saúde da evolução da economia brasileira nesse 2015.
Pior, em meio a todas as pregações a favor de ajustar as contas públicas, situação que, em  tese, ninguém em sã consciência pode ser contrário, começamos a assistir uma série de medidas de elevação de alíquotas de impostos e cortes de gastos, sempre em prejuízo da população, sempre em prejuízo dos trabalhadores, sempre em prejuízo, e aqui ainda mais, do funcionalismo público.
Enquanto isso, para mostrar a autonomia que tantos cobraram não ter sido demonstrada no primeiro mandato de Dilma; para mostrar que não se sujeitava a pressões políticas e não era o covarde que não se manisfestava, como andaram insinuando no primeiro mandato (vide o apelido Pombini, que lhe foi atribuído) o presidente do Banco Central, Tombini e sua diretoria colegiada resolveram promover a elevação desvairada das taxas de juros, adotando o receituário tradicional de combate à inflação de demanda, muito embora não tivéssemos AINDA sob um descontrole inflacionário, e caso a inflação se elevasse seria provocada por outros motivos: a inflação administrada.
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Os amigos que acompanham esses pitacos sabem que desde o primeiro momento, tornei-me crítico do modelo de administração da economia adotado por Levy, que apenas não se esqueceu de mexer nas contas relativas ao pagamento dos juros, estratosféricos, aos titulares da dívida pública, que começou a apresentar crescimento espetacular, ou deu continuidade ao movimento que já vinha acontecendo, em relação a sua participação no PIB.
Mas, não apenas os interesses dos credores (leia-se os grandes investidores institucionais, os aplicadores e especuladores financeiros, os bancos e instituições financeiras, nacionais ou estrangeiros) foram sempre privilegiados e poupados do facão. Todas as desonerações concedidas aos empresários sob a forma de incentivos, subsídios, juros especiais, tudo foi poupado ou continuou sendo seguido à risca, para não levar o governo a ser acusado de quebra de contratos, o pior dos mundos no mercado financeiro.
Quebra de contratos em relação aos programas de assistência social, aos trabalhadores, etc. essas sempre são toleradas, a bem da economia nacional. Ou seja, sempre é citada a necessidade de se fazer algum sacrifício para que a economia possa corrigir seus problemas. Desde, claro, que o sacrifício seja dos outros. Dos que têm menos. Dos que podem menos e insistem, ainda assim, em sobreviver e vir infernizar a vida dos que merecem viver bem.
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Mas, Dilma continuou nos traindo e ao voto dado, fazendo uma política de loteamento dos cargos do governo que me levou a dizer aqui que, embora fossem 39 os ministros escolhidos, apenas uma meia dúzia de 3 ou 4 se sobressaiam. Entre eles, brilhava Patrus Ananias.
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Antes de prosseguir, é importante dizer que meu arrependimento, incontestável não significa que poderia ter votado em Aécio.
Continuo com a minha opinião, desde aquela oportunidade até agora, que esse seria ainda pior. Se está mal com Dilma, com o senador por Minas que se apresenta e que gosta de se portar como menino do rio, o que mostra a sua responsabilidade com aqueles que nele acreditaram, seria ainda mil vezes pior.
Talvez então, preferível fosse agir como fiz em 2010, em que anulei o voto no segundo turno, já que entre o ruim e o ruim, não havia muita diferença.
Serra merece, ao menos, meu respeito, como intelectual e professor que é. Cada vez mais, no entanto, vai perdendo qualquer fascínio que possa ter exercido em quem conhece sua obra. Cada vez mais, se apequena, por querer ser o maior, ao menos o maior e primeiro dos funcionários públicos: o presidente.
Mas Aécio não! E ele tem demonstrado o acerto de minhas opiniões, rasgando e traindo a história e trajetória e a memória de seu avô, que conservador que fosse, era antes um democrata.
Com sua fisionomia de pancake (parafraseando José Simão), com sua fisionomia inchada de felicidade, cada vez mais ele faz jus ao apelido, ainda não lhe posto, de Aécinho Flu-Flu, adepto do tapetão como desavergonhadamente tem se mostrado.
Por mais estranho que possa parecer, fica cada vez mais claro que o menino do Rio, mimado, cria do avô, e birrento transforma-se em alguém que se não tem o brinquedo desejado faz pirraça, esperneia e não respeita nenhum limite até que possa obter o mimo que não conseguiu de formas mais nobres.
Aécio e o tapetão: tudo a ver. Aécio e a derrota: que derrota, se podemos dar o golpe.
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Dilma é antipática e péssima política. Parece destrambelhada, o que se confirma com uma dezena de tolices que ela andou protagonizando, com declarações que provam que não existe a categoria da mulher sapiens. Embora na do Homo Sapiens, existem mulheres mais inteligentes e capazes que muitos homens.
Em política, conduz-se tão mal, que não conseguiu se cercar de nenhum assessor capaz de lhe dar conselhos políticos que rompessem o nó que a eleição apertada anunciava que estava sendo, cada vez mais aplicado e apertado.
Foi assim na eleição da Câmara, em que por não aceitar se compor, teve de engolir Cunha vencedor. E adversário.
Ora, Cunha é daquele tipo de pessoa que ninguém pode querer ter como inimigo. Como amigo, estando próximo, já é suficientemente perigoso tamanha sua falta de caráter. Distante, como inimigo, revela-se mais que um adversário desleal. Revela-se um gangster.
E o facínora não perdeu nenhuma oportunidade para mostrar à presidenta do que era capaz. Só para atazanar.
E tome pauta bomba. E tome reações do governo, todas de infelicidade extrema. E tome Dilma fazendo biquinho e falando bobagem, e jogando mal.
Diz-se que ela não quis se sujeitar à chantagem do Congresso e dos partidos da base aliada, que nem base de sustentação eram, e muito menos aliada.
Aliada a quem? Ao poder?
Então tá.
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Culmina com o que ela fez com o vice, tratando-o como todos os vices sempre foram tratados na história do país: todos sabem que vice não vale nada. A menos que...
É tradicional que o vice seja apenas um enfeite, tendo sempre assento nos conselhos onde se discute e decide a vida do país, embora com voz e não com voto. Menos ainda com poder de veto.
Mas, mais uma vez, agindo de forma politicamente incorreta, Dilma deu a Temer protagonismo, chamando para ajudá-la na coordenação junto aos parlamentares. Ou seja, colocou a raposa para negociar no galinheiro.
E, temendo o protagonismo, e acatando a opinião de parte de seus assessores, para quem Temer representaria um perigo, jogou Temer no vazio. Deixou o vice no centro do palco, sem luz, sem texto, mas com platéia.
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Talvez o próprio Temer não tivesse a condição ou vontade de representar um Ricardo III, mas, já que o cavalo passou montado, vale mais a pena manter o cavalo próximo. Até para trocar por um reino.
Temer também teve a oportunidade de revelar-se, e ao fazê-lo realçou a figura de Dilma.
Sedento pelo poder, Temer mostrou que a questão do impeachment só está na pauta do país porque Dilma é antipática.
E golpes e mais golpes vêm sendo brandidos por aqueles que mostram sua ausência de caráter ou ausência de outro predicado senão o de sendo brasileiros, honrarem a lei injustamente conhecida como Lei de Gerson, aquela que manda levar vantagem em tudo.
Li, não sei se de fonte confiável, por não me  recordar, que Hélio Bicudo, o ex-petista que é um dos autores da proposta de impedimento, que ele ficou revoltado com o seu ex-partido, depois de não ter obtido uma indicação de cargo internacional que almejava.
Na própria família de Bicudo, cujo nome inspira a comparação com os tucanos, tem filhos que não concordam com o comportamento do pai.
O PSDB quer apenas punir quem lhes venceu, no uso da mesma tática que líderes que eles devem admirar, como Auro Moura Andrade, sempre usou. O golpe e a mentira.
Tucanos de alta plumagem e cores que chamam a atenção, além do bico longo, são animais que por sua natureza são considerados como potenciais predadores.
Do PMDB, nada a declarar. Todos sabem o monte de podridão que a sigla contém.
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É assim que se legitima um pedido que não passa pelo crivo jurídico sob qualquer análise. Ou assim que se vota, abrindo um precedente perigoso, a eleição da indicação dos membros do Conselho Especial que irá tratar da primeira fase de aceitação ou não do impeachment. A escolha que os líderes decorativos deveriam fazer, mas que os seus liderados lhes cassaram o direito. Tudo isso que Temer nos afirma ser legítimo, embora não seja essa, a princípio a opinião de Fachin, ministro da Suprema Corte. Coisa que não abala nossa digníssimo vice, para quem é tudo normal.
Por isso afirmei que sem Dilma, devemos Temer o que vem por aí.
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Eu vi e fiquei abismado com o que vi ser a sessão legítima da Câmara, na opinião de Temer. Sem direito a qualquer debate, negado por Cunha.
O mesmo debate que, no Conselho de Ética, faz arrastar a decisão de levar avante ou não a investigação contra o próprio Cunha.
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Não gosto de Dilma. Arrependi de ter votado nela. Não gosto e critico sua política, muitas vezes de truculência, e que está levando o país aonde o mercado sempre desejou, para poder defenestrá-la: ao caos.
Mas que Dilma não pode ser acusada de ter cometido crimes para dar início ao impeachment, isso é óbvio.
Que querem transformar, mais uma vez, o Congresso em circo, para o que não faltam palhaços, é também nítido.
Que há golpe em deslanchar um processo que não deveria ter sido iniciado, para que o curso político o leve avante, é claro.
Meu medo é que no embate das ruas, se acirre ainda mais o que já foi uma baixaria e agressões gratuitas, feitas de forma virtual pelas redes sociais, que foi o clima das eleições.
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A irresponsabilidade de uns que só pensam em seus interesses próprios podem estar nos levando a deflagração de uma guerra civil.
De minha parte, embora temendo as lutas que poderão vir, continuo achando que a arma da luta política tem nome: voto.
Mas, há quem não se contente com essa arma, por não poder tê-la, ou ao menos em maioria.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Impeachment e o mundo político em montanha russa

Semana agitada, que acontece, depois de tanto marasmo, justo quando o semestre letivo vai terminando e a carga de trabalho atinge o máximo, com correção de provas, trabalhos, monografias, etc.
Daí o fato de não ter tido condições de postar os pitacos relacionados aos eventos de final de novembro, e desses primeiros três tumultuados dias de dezembro.
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Entretanto, o que vinha se arrastando ganhou celeridade agora, especialmente no ambiente político, com a decisão de Cunha de acatar o pedido de impeachment da presidenta Dilma, proposto pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. Indiscutivelmente, dois juristas de renome.
Com a aceitação da denúncia, tem início a análise do processo que poderá levar á destituição de Dilma do poder, conquistado pelo exercício do voto livre e democrático da maioria da população brasileira.
O que pode caracterizar sim, um golpe. Ou não!  já que a figura do impeachment é prevista na Constituição, como faz questão de lembrar bem o presidente do maior partido de oposição, senador Aécio Neves.
Impeachment, aliás, que já teve precedente, no caso de Collor, a partir de denúncia que foi feita por ninguém menos que seu próprio irmão, Pedro.
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Acho importante recordar essa circunstância, para que não sirva o caso de Collor, como base ou suporte para o procedimento que tem início contra Dilma.
Isso porque, goste-se ou não da presidenta, simpatize-se ou não com ela, a verdade é que não há, ao menos até agora, nenhuma suspeita de que Dilma tenha cometido qualquer crime. Ou que tenha obtido benefícios das ações que lhe imputam agora, como fatos geradores do crime de responsabilidade.
O argumento utilizado é de que ela assinou decretos, autorizando gastos não permitidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias: as chamadas pedaladas fiscais, que na opinião de vários juristas, não são argumentos suficientes para caracterizar o crime previsto, uma vez que não trazem prejuízo ao erário.
Essa é a opinião do também conceituado jurista Dalmo Dallari, para quem, conforme pronunciamento para o portal UOL:

"As pedaladas não caracterizam o crime de responsabilidade fiscal porque não houve qualquer prejuízo para o erário. As pedaladas configuram um artifício contábil, mas o dinheiro não sai dos cofres públicos, então não ficam caracterizados os crimes de apropriação indébita ou desvio de recursos", diz.
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Na mesma direção de Dallari, há ainda a opinião de ex-ministros do STF, como parece-me Joaquim Barbosa e Ayres Britto.
Na direção contrária, respeitando o direito do contraditório, Carlos Mário da Silva Velloso, ex-ministro do Supremo e Ives Gandra.
Ou seja, nessa situação, como em outras que envolvem o direito, antes de qualquer suporte na lei, no que é justo, etc. conta o interesse.
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Interesse pessoal, como o de Cunha, parece que movido pelo desespero da possibilidade de perda de seu mandato. Ou movido pela justificativa ainda mais medíocre da chantagem, ou ainda de vingança.
Interesse pessoal como o do senador Aécio, movido pela inveja, talvez, já que não se beneficia - felizmente para o país, de qualquer que seja a decisão que venha a ser adotada em relação à sequência e até mesmo ao desfecho do processo que se instaura agora.
Interesse que pode também ser de um grupo social, que não admite que o governo possa gastar para honrar compromissos com a população mais carente e mais necessitada do país, pelo simples fato de que não aceita que o governo possa atuar em defesa da maioria desvalida, em detrimento dos interesses da minoria privilegiada.
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Casos como os das pedaladas fiscais houve antes, tanto no governo FHC, como já suficientemente citado e até reconhecido. E nesse instante não se ouviu levantar contrária a voz de Reale Jr. que integrava o governo, nem de Gandra Martins.
Também o mandato de Lula foi protagonista de semelhante comportamento e, mais uma vez, voz nenhuma de Bicudo fez-se ouvir na condenação.
Alegam os favoráveis ao impeachment que Dilma abusou do uso do artifício. Alegam que enganava a população ao utilizar recursos dos bancos estatais para pagamento dos programas de assistência, já que dessa forma conseguia esconder de toda a população a situação real das contas do governo. De descalabro.
Ok. E onde estava a oposição que não foi atrás dos números, não foi atrás da informação e que não denunciou a mentira e a farsa na ocasião da eleição?
Onde estavam os técnicos, tão competentes agora em descobrir os gastos não autorizados, que não perceberam que o governo gastava mais que podia ou devia, a ponto de municiar o seu candidato DERROTADO, apenas com argumentos de que os programas como o Bolsa Família eram do povo, da sociedade como um todo e não do partido. Não do PT. E que, como programa demandado por toda a sociedade seriam honrados em qualquer circunstância.
Ora, caso o povo aprovasse o discurso do opositor, a pergunta que não quer calar é: Aécio trairia os compromissos e promessas de  honrar os pagamentos com esses programas? Caso estivesse na posição de Dilma usaria as pedaladas fiscais, na mesma trilha inaugurada por FHC? Ou na verdade, aquelas promessas eram fruto apenas do "estelionato eleitoral" que procurava praticar, sem êxito e com menos capacidade que sua opositora?
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Na verdade, o que se percebe é que o processo cujo início se dá agora, nada tem de muito sério, justo, jurídico ou legítimo. Reveste-se apenas de um caráter político e, nesse caso, cheira mais a golpe.
E uma vez iniciado serve apenas para mostrar a falta de caráter de Cunha. O açodamento de Temer, cuja subida ao cargo permite o trocadilho infame: é de temer. Serve tão somente para enlamear a tradição democrática da família Neves, e o para fazer cair no esquecimento o legado de Tancredo, graças á atuação oportunista de seu neto.
Enfim, diminui e empobrece o país, e contribui para fazer a economia entrar em um período que, em contraponto à montanha russa do mundo político, vai ficar marcado pelo marasmo e pela completa imobilidade.
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Isso apesar de o governo ter obtido na tarde de ontem, nova vitória na votação do Congresso, que aprovou a alteração do resultado fiscal para o ano de 2015, saindo de um superávit de 55,3 bilhões previsto para o governo central (Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência) para um déficit de 52 bilhões. O que faz a meta fiscal, agora aprovada apresentar um déficit de 120 bilhões.
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Ora, parte desse total corresponde às pedaladas ou antecipações de pagamentos feitos pelos bancos públicos e que o governo resolveu liquidar de uma vez, imediatamente.
Mas a responsabilidade principal vem da frustração das previsões de arrecadação, que despencou significativamente, justamente porque o tal ajuste fiscal em que Levy e o governo apostaram todas as fichas não foi sequer tangenciado. E isso por conta do jogo político que emperrava o andamento dos trabalhos do Congresso, seja por força das pautas bomba de Cunha e Renan, o último no início do ano, seja por força da pequena preocupação da oposição com os rumos do país, já que na linha do quanto pior melhor.
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Se a oposição estava no papel dela, de ser contra, é no mínimo estranho que não tenha sido contrária nem se manifestado com veemência contra a elevação dos gastos provocados pelos juros astronômicos a que a política do BC nos conduziu. Se queria criticar a irresponsabilidade fiscal do governo e até as pedaladas, a oposição não poderia usar agora do argumento de que o governo está conduzindo o país ao desemprego, já que os números anteriores do emprego que usam em suas falas foram resultantes exatamente do procedimento que agora combatem, as pedaladas.
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Ouvindo ontem parte da sessão do Congresso, apenas um dos oradores falou, com correção, que se todos eram críticos à alteração do orçamento, e concordavam que o orçamento mostrava como o governo era inepto e mau administrador, por trapacear nas previsões realizadas, esqueciam-se que o orçamento foi objeto de análise e aprovação da própria Casa, que tornava-se, assim, como Poder integrante e parte do Estado, tão responsável quanto o Executivo.
Mas, para aprovar, vão argumentar, não necessitava o voto da oposição, a minoria da Casa.
E aí a dúvida: não eram democratas todos? Ou só quando vencem? Quando são derrotados não se consideram parte do processo preferindo passar imediatamente para o lado que quer ver o circo pegar fogo?
São democratas ou oportunistas?
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Acredito que são apenas golpistas, visando interesses pessoais, menores, mesquinhos. Crença que apenas ajuda a transformar o mundo político e da política naquilo que ele é hoje: um monte de estrume.
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No futebol

E o Palmeiras sagrou-se campeão, fazendo justiça ao técnico que tantas vezes conduziu seu time á final: Marcelo Oliveira.
No entanto, se devemos parabenizar o time palestrino, é importante destacar a qualidade ruim do jogo de ambos os finalistas, ao menos em grande parte do jogo.











quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Nem a prisão de Dulcídio pode ser considerada novidade. Vide o caso de Ibsen Pinheiro, e outros tantos pelo país afora

O mês de novembro vai terminando e com raras exceções, quase não há novidades no cenário político e econômico de nosso país.
A Selic de 14,25% foi mantida na reunião do Copom terminada na noite de ontem, quarta feira, 25, conforme já era esperado pela ampla maioria dos analistas e consultores do mercado. 
Se houve alguma novidade, foi a divulgação de que dessa vez a decisão não foi por unanimidade, tendo dois diretores do Banco Central votado favoráveis à elevação de 0,5%. 
Afinal, por mais que persista a tendência de elevação da taxa de desemprego, que alcançou novo recorde conforme anúncio divulgado ontem há, em contrapartida, um consenso que vai se formando, de que a inflação não ficará abaixo dos dois dígitos nesse ano de 2015.
Ao menos é essa a expectativa que o Boletim Focus nos apresenta ao início dessa semana, com a inflação pouco acima de 10% e uma queda do PIB que já ultrapassa os 3%. 
Algo pior e mais preocupante é a expectativa para o ano de 2016, o ano em que teria início a retomada do crescimento da economia brasileira, segundo a fé do ministro Joaquim Levy, que já apresenta um nível de inflação acima da meta e mais uma vez, queda no PIB.
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Para quem já vem acompanhando há mais tempo as idas e vindas de nossa economia, e acreditava que não teriam mais que vivenciar anos semelhantes aos das décadas de 80 e 90, consideradas década perdida ou aquela que nem chegou a existir, a partir de 2010 vimos atravessando um outro período de completo e total desperdício de tempo. Vazio absoluto. E pior, com uma população maior e que vai se tornando mais longeva.
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Mas voltemos à decisão da reunião protagonizada pelo colégio de diretores do Banco Central, realizada sob a égide de um reconhecido dilema: por um lado, a inflação mostrando uma resistência à queda e uma capacidade de dispersão para o restante do sistema de preços da economia digna de nota, a partir de sua causa principal: a elevação dos preços públicos. De outro lado, a cada vez maior recessão que vai se conformando, cada vez de forma mais sólida.
Pela ótica do controle da inflação, a origem da alta generalizada de preços, localizada na correção dos preços administrados mantidos represados no final do mandato de Dilma I, sinaliza a pequena capacidade da política monetária e de taxas de juros elevadas conseguirem alcançar o seu intento. Não apenas por serem os preços administrados importantes componentes da estrutura de custos de todas as atividades, mas por se referirem a bens e serviços de uso generalizado, os bens públicos, caracterizados como bens inelásticos. 
Dessa forma, o que a manutenção de taxas elevadas consegue é tão somente derrubar a demanda agregada, menos pela queda do investimento, já que as decisões empresariais de investir sofrem, nesse momento, muito mais o impacto do ambiente deteriorado de nossa realidade sócio-econômica e política.
Isso significa que o impacto das taxas de juros derruba mais a demanda de consumo, especialmente aquela dependente do crédito, minguado. E, com demanda por bens de consumo e corte de gastos públicos, ambas reforçando a redução dos planos de investimento, apenas resta vencer a inflação pelo total aniquilamento da capacidade de funcionamento da economia brasileira.
Mais uma vez, o controle da febre da inflação, pela indução do doente terminal à morte.
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Ou não?
Afinal de contas, se muitos analistas alegam que o Banco Central não pode afrouxar a política monetária, de forma a compensar a política fiscal completamente destroçada, face à queda brutal da carga tributária bruta que a recessão tem provocado, a verdade é que a taxa de juros tem a capacidade, também cada vez mais reduzida e limitada, de continuar servindo de chamariz para a entrada de recursos externos, o que ajuda a baratear o dólar e, mais uma vez, a conter a inflação.
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Mas, estamos chegando próximos ao Natal e, politicamente não é aconselhável que o governo promova qualquer medida adicional que possa vir ampliar a quantidade de pessoas encaminhando ao Bom Velhinho que lhes traga alguma oportunidade de emprego.
Esse milagre, nem Papai Noel teria condições de fazer em tão pouco tempo.
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Mas, se a economia continua insistindo em não nos apresentar novidades, é importante destacar o leilão das 29 hidrelétricas realizado ontem pelo governo, e que ajudou o governo a arrecadar 17 bilhões, o que vai contribuir de forma importante para amenizar o déficit previsto para esse ano.
Do total, quase 80% serão pagos pela empresa China Three Gorges, a dona da portentosa usina de Três Gargantas, maior hidrelétrica do mundo.
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No futebol, com a definição praticamente de todos os classificados para a Libertadores, no G4, e com poucas esperanças de mudança da lista de times a caírem para a segunda divisão no próximo ano, resta apenas a decisão da Copa Brasil, cujo início ontem, saiu com o Santos em vantagem.
Não sou santista, embora admire o trabalho de Dorival Júnior e a capacidade de o time praiano revelar a cada ano novos jovens jogadores. Tampouco sou palmeirense, embora gostaria de ver o mineiro e atleticano Marcelo ser mais valorizado no futebol paulista. 
Assim, parcialmente isento, assisti ao jogo para constatar, ao final, que o Santos teve um ligeiro favorecimento, a começar do penâlti que considero ter sido mais firula de Ricardo Oliveira, e que como todo pênalte roubado não entra, até a sequência de faltas e cartões que apenas eram aplicados a jogadores do Palmeiras. 
Em minha opinião, algumas jogadas mereciam ter cartões para os santistas, também, especialmente para o nervosinho atacante e capitão do time de Santos, por acaso, o mais experiente jogador do time.
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A vantagem do Santos é mínima, mas existe. E em minha opinião, não no placar, mas na qualidade do elenco e dos jogadores, que reconheço ser muito superior. 
Mas, devo comentar o lance do gol, por uma questão de justiça com uma jogada de destaque de Gabi Gol, e uma defesa de Prass, a la Gordon Banks, em cabeçada de Pelé, na Copa do Mundo de 70.
Ontem, não foi uma cabeçada, mas o tapinha que o goleiro palmeirense deu na bola, depois de já ter defendido um chute a queima roupa do artilheiro santista, foi impressionante.
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Na política, também continuamos com tudo igual. Eduardo Cunha protelando enquanto pode sua punição por seus colegas, utilizando de todos os ardis de que dispõe e todas as prerrogativas como presidente da Câmara, o que caracteriza abuso, em proveito pessoal de recursos institucionais. 
E o que deveria ser novidade, mas não é: a prisão de Delcídio do Amaral, o senador líder do governo.
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Embora tenha ganho todas as manchetes e capas de jornais, e etc, Delcídio apenas é exceção por ser o primeiro senador que, preso, foi mantido preso por seus pares. 
Só.
Porque já não é novidade a descoberta de líderes do PT estarem cometendo ilícitos, por mais que isso possa incomodar. Não é novidade que o partido que se desejava vestal tenha perdido a pureza tão logo se percebeu de como  a vida de prazeres mundanos pode ser agradável. 
Da mesma forma, não é nenhuma novidade que, se ontem foi o PT, amanhã possa ser algum outro político, de outro partido, seja da base ou da oposição, já que definitivamente, não há santos na zona. 
E a nossa política foi a cada vez mais se apequenando de tal forma, que nada mais surpreende. 
Nem as ações de Delcídio, que posava de bom moço.
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Tal qual um deputado gaúcho, Ibsen Pinheiro, líder do PMDB, que chegou a ser falado para se candidatar a governador de seu Estado, com condições amplas, de quem sabe, alçar vôos mais elevados. Afinal, Ibsen era uma reserva moral.
E acabou tendo de renunciar, quando pego em travessuras, o que mostra que o que acontece com o senador do Centro-Oeste agora, é apenas mais uma refilmagem de um filme que volta e meia ocupa o horário das sessões da tarde. 
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Absurdo mesmo, em minha opinião, e ninguém fala muito, é o cinismo do guarda americano que agora foi indiciado, pela morte de um rapaz negro, ocorrida há mais de um ano. 
E o cinismo também da sociedade americana, que apenas depois de tanto tempo, anuncia que o criminoso irá a julgamento. 
Contrário de outros policiais que, para manter a forma e o treinamento em dia, decidem praticar tiro ao alvo com a população negra no país mais avançado e rico do mundo....
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E absurdo o fato de até a ONU perceber que nada vamos fazer, porque nada fizemos de real e concreto, para punir a Vale e sua subsidiária, a Samarco.
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Ou seja continuam todos os vexames de sempre. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Parabéns ao campeão por merecimento. Parabéns ao Corínthians

Difícil não admitir, mesmo considerando a ajuda que o time teve das arbitragens ao longo da competição, e que não foram poucas, inclusive nessa reta final de campeonato, que o Corínthians mereceu o título e que foi campeão com sobras.
O que é indiscutível, bastando para chegar-se a essa conclusão, verificar que a comemoração tão ansiada se dá quando ainda faltam 3 rodadas para o término do Brasileirão.
E, como falei, independente de ajuda, intencional ou não, o Curingão foi o campeão por ter sido o melhor time, o mais regular dentre todos, o que os números apenas confirmam: melhor ataque, defesa, melhor meio campo, melhor aproveitamento. Enfim, campeão incontestável.
Apenas, como atleticano que sou, que não gosta do técnico  a quem atribuo a maior parcela da responsabilidade de nossa queda para a segunda divisão, e que independente de questões pessoais não acredita tanto assim na influência que o técnico pode ter em um time vitorioso, não vou adotar a postura da imprensa esportiva de maneira geral, e da paulista em particular, para ficar falando de Tite.
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E aqui uma observação necessária. Um técnico ruim atrapalha sim a equipe: escala mal, joga um companheiro contra o outro, não sabe fazer substituições, não dá treinamentos táticos, não ensaia jogadas, não procura corrigir as deficiências de seus comandados nos treinos, não aproveita os jogadores nem as melhores qualidades que cada um possui.
Um técnico, com um perfil que poderia ser classificado mais como o de um mau caráter, ainda joga a responsabilidade das derrotas em culpados que pinça a dedo no plantel, embora esteja sempre pronto para mostrar como foi decisivo e importante nas vitórias. E, no momento que percebe que o barco está afundando, sempre consegue cair fora, para deixar a bomba explodir na mão de outro qualquer.
Vide Luxemburgo e seus projetos mirabolantes, com os quais quase derrubou o Cruzeiro, depois de ter tentado em vão derrubar o Flamengo.
Não é esse o caso de Tite, certamente, mas sou mais de opinião que o técnico bom é aquele que não atrapalha. Não interfere muito no jogo embora dê sempre preferência para escalar o melhor que ele tem na mão em dado momento. Esteja sempre pronto para substituir e mudar o time, quando vê que alguma coisa não está saindo conforme o planejado. E está sempre incentivando e apoiando os jogadores que estejam precisando apenas de um sinal de confiança, como aconteceu com Wagner Love, no time paulista.
É verdade e devo reconhecer, Tite deve ter aprendido alguma coisa, ou muito, depois da passagem pelo Galo, há já quase dez anos.
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Mas, um time que tem um dos melhores goleiros do Brasil, como Cássio; um time que tem um meio campo formado pelos três jogadores que deverão disputar, inequivocamente o título de melhor jogador do torneio, como Elias - seleção, Renato Augusto- seleção e Jadson, e conta com jogadores como Love e Malcom, não pode mesmo deixar de ser campeão.
Assim, parabéns ao Corínthians, pela conquista e pelo futebol apresentado.
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Isso, independente de qualquer outra ajuda que tenha obtido.
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Quanto ao Galo...

Já o Galão da massa mereceu morrer na praia, perdendo um título que, no início do campeonato foi apontado como talhado para o feitio de seu futebol.
E devo reconhecer que o Galo perdeu para ele mesmo, e para o bom futebol do Corínthians,
Razão pela qual a cada duas partidas toma um chocolate e uma goleada, como a que sofreu para o Sport, seguida para a derrota para o Corínthians, em casa, e agora outro vexame para o São Paulo.
E nem há muito o que ficar chorando e lamentando. O time está mal. Joga mal. Não tem saída de bola. Não tem jogadas ensaiadas. Fica na dependência, novamente, de chutões de Victor e da capacidade de Lucas Pratto fazer o pivô, para nenhum de seus companheiros se aproximar dele e aproveitar sua luta.
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Não há como negar em tudo isso, a responsabilidade de Levir Culpi, a quem admiro e sempre elogiei. Mas não dá para entender ou aceitar tranquilamente uma série de fatos e equívocos que acredito estar à vista de qualquer atleticano.
Como por exemplo, o fato de que Marcos Rocha parou de jogar. Talvez por ter sido orientado a ficar mais na retaguarda, deixando de explorar o que, em minha opinião tinha de melhor: a saída de bola, o passe, mesmo que ele apresente dificuldades para chegar à linha de fundo e fazer cruzamentos para a área.
Também não dá para entender a dependência de jogadores que não estão jogando bem há muito tempo, como Rafael Carioca, que chegou em certo momento do ano a ser apontado como dos melhores jogadores do torneio. Ou Giovanni Augusto, que começou relativamente bem, e depois foi caindo, caindo de produção, a ponto de ontem parecer nem estar em campo.
Ou a fixação de Levir com Patrick, quando tem dois laterais, ou se preferirmos não contar com Pedro Botelho, ao menos um lateral esquerdo típico.
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Mas, o pior que vejo no time, razão por que atribuo a responsabilidade a Levir é o que aconteceu quase todo o segundo tempo do jogo de ontem, no Morumbi.
A bola com Giovanni Augusto, ou Dátolo, que sem opção de jogada, atrasava para Carioca, daí para Jemerson, de onde era atrasada, enervantemente para que Victor pudesse dar um chutão. Como em geral nas saídas de bola de Victor, sem direção e sem quem pudesse recebê-la em condições para qualquer tentativa de jogadas.
Tantas foram as vezes que, irritantemente, a bola foi voltando do campo de ataque para as mãos de Victor, e em tantas ocasiões isso colocou em risco a nossa defesa e nosso gol, que acho que qualquer técnico teria que parar o jogo e dar uma tremenda bronca em seus comandados. No mínimo, teria que reafirmar aquilo que é notório: futebol se joga para a frente.
E se Levir não interrompeu a tática suicida do time, de lançar a bola na direção que colaborava com a intenção do adversário, é porque a ordem de ficar fazendo aquela hora, o famoso e inócuo ficar "retendo a bola" só pode ter sido feito sob orientação dele. Quem sabe, acreditando que o São Paulo iria se irritar e partir para cima, abrindo-se na defesa e dando chances às penetrações de nossos homens de frente.
O que até deu certo, ao menos no lance com Luan, em que Tiago levantou a bola na área, embora devamos reconhecer que se minha hipótese está correta, quanto a ficar retendo a bola sem qualquer efetividade ou atitude mais aguda de ataque, é também lícito imaginar que Tiago não poderia estar no local em que estava quando avançou e, ameaçando chutar, acabou enxergando Luan bem colocado na área.
Creio que Levir deve ter ficado bravo vendo seu zagueiro tão avançado.
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Mas, quanto mais o tempo passava, independente de o placar estar em branco ou já com o Galo na frente, mais as bolas eram atrasadas para Victor, da frente, da intermediária, do meio, de trás. E várias delas, no fogo, obrigando Victor a chutar de qualquer jeito, como um chute para a lateral que teve de dar de forma desajeitada e pressionado pelo ataque paulista.
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E, quando Rogério entrou no jogo e pegou pela frente um Marcos Rocha, de quem gosto muito e sempre elogio, mas que reconheço ter como pior atributo o de defender, já que sempre entra de primeira nas jogadas-, mas quando Rogério pegou um Rocha já cansado, que passava a ter a obrigação de marcar um jogador ligeiro, aí o caldo entornou de vez. E foi ali pelo lado direito de nossa defesa que a goleada do São Paulo se desenhou e foi construída.
Mas, não há o que culpar Rocha, ou apenas a ele. Porque embora tenha já há algum tempo notado a fragilidade de Jemerson em alguns momentos e algumas partidas, poucas vezes vi o recém-selecionado por Dunga tão mal.
Foi, em minha opinião, e sem qualquer exagero, das piores partidas que Jemerson fez, inclusive lembrando David Luiz e o fato de nunca estar marcando quem devia e estar sempre fora de posição na hora necessária, como no lance que originou o primeiro gol do São Paulo.
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Acho que Victor falhou no terceiro gol, embora reconheça a dificuldade do goleiro defender a cabeça para o chão, que entra rasteira.
Já o segundo gol do São Paulo foi um golaço, sem qualquer senão.
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E tomamos mais um passeio, agora contra o São Paulo, de 4 a 2 vergonhoso.
Com riscos de não ficarmos nem como vice-campeões, já que ainda temos um jogo direto contra o Grêmio, logo em nossos calcanhares.
O que nos obriga a vencer o time carne de pescoço e desesperado do Goiás, que sempre apronta para cima do Galão.
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Quanto a Levir, reconhecer que ao menos soube nos classificar para a Libertadores, e que é sim, um técnico sério, trabalhador, que precisa de deixar de comportar-se como vem fazendo, como estrela, especialmente frente às câmeras. E que precisa de fazer uma análise séria e criteriosa dos jogadores que tem a sua disposição, já que alguns são fracos, algumas posições estão carentes de jogadores e como ele e toda a massa sabe, a Libertadores precisa de ter jogadores de qualidade e personalidade.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Círculo vicioso da necessidade de se promover um ajuste fiscal e, simultaneamente, adotar medidas que agravam a questão fiscal

A queda recorde na arrecadação do governo federal em outubro passado, que atingiu a cifra de 103,5 bilhões de reais correspondentes a 11,3%, descontada a inflação, que o valor arrecadado no mesmo mês de 2014 deveria servir como base para que uma discussão séria fosse feita sobre a política econômica atualmente em curso, principalmente sobre sua preocupação primeira, o ajuste fiscal.
Isso porque, entre as medidas anunciadas para que o ajuste possa ser realizado constam, de forma insistente, a elevação de impostos, por um lado, medida que não encontra muito respaldo junto aos políticos e aos empresários, e o corte de gastos, sempre o mais difícil de ser feito e o mais demandado pelos analistas.
Mas, é importante observar que quando se fala em corte de gastos, não passa pela cabeça desses analistas, a redução das desonerações concedidas pelo governo no primeiro mandato da presidenta Dilma, cujo valor em outubro foi de 87,4 bilhões, quase 8,5% mais elevado que o valor em 2014.
Menos ainda há qualquer menção ao elevado gasto representado pelo pagamento das transferências de juros, considerado como pagamento sagrado e, dessa forma, intocável.
Afinal, o primeiro dos motivos de frustração na arrecadação trata de recursos de impostos que os empresários foram dispensados de recolher, como forma de o governo estimular que eles mantivessem o nível de investimentos, de produção e de emprego.
Pena que, como acontece costumeiramente em nosso país, ao tempo em que adotava as medidas de desoneração, destinadas a estimular a classe empresarial, o governo não se preocupou em estabelecer metas de resultados a serem atingidas, de forma a que o programa de desoneração pudesse ser interrompido, caso o empresariado não reagisse como o esperado pelo governo.
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Quanto ao pagamento dos juros, entende-se a preocupação do mercado em mantê-los intocado. Especialmente por tratar-se de respeito às regras do mercado, aos pactos contratados, e à manutenção de nossa boa imagem junto aos setores financeiros, tanto internacional quanto nacional, de quem dependemos para obter os recursos que permitem que nossa economia continue funcionando, mesmo que a marcha cada vez mais lenta.
O problema é que os juros pagos são contratados a taxas que são estabelecidas pelo governo, e na política de combate à inflação adotada em nossa economia, independente da causa real da aceleração de preços, o governo adota ou é constrangido a adotar pela própria sociedade por meio dos analistas que falam em seu nome, a elevação dos juros como principal medida corretiva.
O que nos leva à situação tantas vezes abordada, paradoxalmente, inclusive pelos analistas que cobram a elevação de juros como medida para contenção da inflação: ao elevar as taxas de juros o governo acaba dando um tiro no próprio pé.
Eleva os gastos e a necessidade de geração de superávits, resultados positivos em seu orçamento, de forma a ter recursos capazes de tranquilizarem os donos do capital, para que continuem emprestando seus recursos ao governo. Por outro lado, acabam levando os empresários a optarem por usar seus recursos em aplicações financeiras, mais lucrativas que aquelas aplicações eivadas de riscos e incertezas, que poderiam esperar obter caso se decidissem pelas aplicações produtivas.
Com isso, cai o nível de investimento, arrastando consigo o nível de emprego. Cai a demanda derivada daqueles setores produtores de insumos que, sem ter para quem vender preferem reduzir a produção, dispensando trabalhadores.
Nesse meio tempo, máquinas já depreciadas ou já obsoletas não são repostas ou substituídas, e o setor produtor de bens de capital também paralisa seus planos de produção. O que, entre outros efeitos, irá provocar, quando da retomada da economia brasileira, em futuro incerto e não sabido, defasagens tecnológicas, de produtividade e competitividade.
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Por outro lado, ao elevar os juros para conter a inflação, o governo acaba fornecendo ao setor bancário uma desculpa para que possa elevar as taxas cobradas nas operações de crédito, dando mais força a que o setor, extremamente concentrado, possa aumentar suas margens e seus lucros. Que alcançam cifras astronômicas, principalmente se lembrarmos que eles atuam em um país em crise econômica.
Com juros extorsivos praticados pelos bancos, é interessante indagar duas questões: o que justifica a elevação de juros nas operações com o público, se a principal atividade desses bancos consiste nas operações de tesouraria, a saber, o carregamento, sem qualquer risco aparente, dos títulos emitidos pelo próprio governo?
E, porque, senão a sanha avassaladora de manutenção de lucros cada vez mais espetaculares, os bancos elevam de forma tão avassaladora as tarifas cobradas pelos serviços prestados?
Porque, como se sabe, foram esses os principais motivos apresentados para justificar lucros bilionários de Itaú e Bradesco, e mesmo Banco do Brasil, a cada trimestre.
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Mas, com elevação das taxas de juros, elevação da inadimplência, incerteza em relação à manutenção do emprego, quando não já desempregados, a população retrai sua demanda de consumo, o que já vem afetando, mês após mês, o nível de vendas de alimentos e outros produtos no comércio varejista, nos supermercados, no setor de serviços.
Agrava esse quadro o fato de a inflação, aquela que os juros deveriam derrubar para patamares civilizados, de até 4% ao ano, cada vez mais dar mostras de ter fôlego para continuar crescendo e se espalhando para todos os setores e produtos da economia.
Situação que reduz a renda real do trabalhador brasileiro, e prejudica ainda mais o gasto em consumo, de resto, incapaz de tirar a economia, de forma sustentável do marasmo. O gasto de consumo, ainda mais o de bens não sofisticados, já que os bens de consumo de maior conteúdo tecnológico atingiu sua saturação ainda nos anos de governo Lula, oferece apenas a perspectiva de um vôo de galinha. De saltos e solavancos.
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Com tudo isso, caem as vendas, e com ela a arrecadação do governo. Razão de valores ínfimos de receita divulgados, por mais que essa bobagem que considero ser o impostômetro indique o contrário
E, a queda leva ao fecho do círculo vicioso do governo propor a elevação da carga tributária, com a criação de novos impostos, não aceitos pela sociedade, especialmente pelos empresários, que no caso da CPMF não terão como escapar do pagamento, conforme já tratei anteriormente nesse espaço.
Só lembrando, embora vá incidir de forma muito pouco significativa nas finanças da população e até na inflação, por ser um imposto em cascata, por ter uma alíquota reduzida, a CPMF tem a qualidade de pegar a todos os contribuintes, sem distinção. O que obriga até aqueles não acostumados a pagar impostos, a ter de pagá-la.
Claro, nessa caso, atingindo os estratos de renda mais ricos, inclusive os empresários, que tanto choram e pouco pagam.
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Mas, seja pela elevação de impostos, seja pela proposição de cortes selvagens na despesa do governo, o que teremos e os manuais mais toscos de economia nos mostram é a redução ainda maior da demanda agregada, com os efeitos deletérios que daí advêm.
Entre outros efeitos, do corte de despesas, a não contratação de pessoal para trabalhar nas unidades de saúde, ou nas escolas dessa pátria encantadora, já que nada tem de educadora. Ou a ausência de fiscais ambientais que fazem com que as barragens das mineradoras sejam fiscalizadas por empresas contratadas pelas próprias donas das minas e das barragens. Em situação típica de o lobo tomando conta do rebanho de ovelhas.
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Mas tais questões não são objeto de discussões mais sérias, de forma a que possam ser analisadas outras medidas para que o país possa conseguir dar ordem às contas públicas, de resto ação necessária, mas contando com o apoio e a compreensão, e porque não dizer, o sacrifício de toda a sociedade.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Noite de derrubada de vetos e reflexões sobre a luta dos servidores da Justiça

Por meros 6 votos, já que obteve 251 e precisava de 257, em reunião de senadores e deputados, o Congresso manteve o veto da presidenta Dilma ao projeto de aumento de 53% a 78%, a ser concedido aos servidores do Judiciário, de forma escalonada até 2019.
Mais animada e importante que a partida da seleção brasileira contra o fraco time do Peru, que acontecia no mesmo instante, confesso que preferi ficar assistindo aos debates, discursos, e finalmente à votação da manutenção ou não do veto.
E admito que é muito difícil emitir qualquer juízo em relação à demanda dos servidores do judiciário, ao trabalho por eles desenvolvido junto aos representantes do povo, à aprovação do reajuste e ao veto e, agora, à sua manutenção.
Até por não ser isento, na questão, já que funcionário público, embora já não da ativa.
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Mas há alguns comentários que julgo necessário fazer, como um desabafo, quem sabe, e como registro de uma série de aspectos que o tema evoca, e que invadiram minha mente, enquanto assistia o debate, focado sempre na questão do ajuste fiscal e da discussão de quem seriam os agentes sobre os quais recairia o ônus desse ajuste.
Devo começar afirmando que acho o papel dos servidores do judiciário e sua reivindicação mais que justa, oportuna e correta. 
Afinal, ao contrário de outras categorias profissionais e carreiras, algumas incrustadas no próprio serviço público, que tudo fazem para "entender" o drama do governo, o momento de dificuldade que o país atravessa, a necessidade de o ajuste fiscal ser feito para obtenção de um superávit primário, etc. etc. abrindo mão de lutar por seus direitos, não vejo outro papel possível de ser exercido e desempenhado pelos sindicatos de trabalhadores ou de funcionários, capitaneados por suas lideranças. 
Vale dizer que as lideranças dignas do papel que cabe ao líder, em minha opinião apenas servem de representantes do movimento que é de toda a categoria ou classe de trabalhadores, os quais devem ser os primeiros interessados em obter o justo reconhecimento de seu valor e respeito à sua dignidade.
Sempre acreditei que há certas lutas e movimentos que você deve encampar e entrar de sola, com fome de vencer a jogada, não por convicções pessoais, mas em defesa da posição e do cargo que você ocupa. 
Ora, considero que aquele que não luta em defesa de seu cargo, de sua posição, de seu ponto de vista, de suas ideias, do conjunto de colegas que representa é o primeiro a estar desrespeitando a todos, inclusive a si mesmo. E o primeiro adversário na trajetória da conquista dos objetivos de todos.
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De mais a mais, lembro-me que há pouco, na tevê a cabo, tive a oportunidade de assistir ao filme francês As Neves do Kilimanjaro, de 2011, recomendado pelo excelente programa Contraponto, cuja história nos leva a questionar justamente a respeito do papel dos sindicatos e suas lideranças. Para descobrir ou fazer refletir algo que deveria ser óbvio e, por esse motivo, esquecido: na sociedade, cada um, seja pessoa ou instituição, tem um papel a cumprir e deve cumpri-lo. Ao limite. 
Sem dar espaço a qualquer confusão entre o que é função de um e de outro. 
No filme, uma empresa em crise e em vias de demitir alguns operários, solicita que o Sindicato aponte os que deverão perder o emprego. Bem intencionados, mas negando o papel que deveriam assumir, o Sindicato vê uma oportunidade de fazer um processo de dispensa mais justo e assume o ônus de tomar a decisão que a direção da empresa, espertamente evita. 
Líderes sindicais, por mais bem intencionados que possam ser, pagam quando agem como patrões, tomando as decisões amargas que cabe aos que lucram com o processo de exploração do trabalho. E são cobrados quando passam a raciocinar no lugar do outro, o que prova que nem sempre a empatia é positiva.
O papel do sindicato deveria ser exigir a manutenção de todos. Brigar para que, nas horas ruins, a empresa abrisse mão de seus ganhos e margens, para não punir aqueles que, nas horas boas, não tiveram compensação extra por ajudarem no enriquecimento dos acionistas.
Deixemos o filme de lado e voltemos à realidade.
***
O sindicato e a categoria dos funcionários do Judiciário lutaram com as armas que tinham, dentro do respeito como foi falado no próprio plenário do Congresso, onde se faziam presentes, de forma civilizada. 
E se foram insistentes, se souberam demonstrar e comprovar suas reivindicações, merecem tão somente os cumprimentos. 
E tiveram méritos em sua luta. Que é justa, já que a defasagem salarial, não apenas deles, mas de toda a categoria do funcionalismo é cada vez mais evidente. 
Observo que muitos falam de salários muito elevados, exorbitantes dos "marajás", mas poucos sabem da real condição de salários da grande maioria do funcionalismo. E pior, dos contrastes grotescos existentes entres as categorias. Porque não vamos tapar o sol com a peneira. Tem sim, salários astronômicos e absurdos, mas são a minoria. 
O mais são injustiças flagrantes e injustificáveis. Além de compromissos que, uma vez assumidos, nunca são cumpridos, o que agrava mais ainda o quadro. 
Quanto a compromissos que acordados e assinados viram letra morta, basta uma olhada na luta do pessoal de nível técnico do Banco Central do Brasil, meus antigos e ainda e sempre colegas, sempre tratados (destratados seria melhor!) com indiferença e desprezo.
***
E é verdade, - como diziam os deputados da oposição nem sempre pelos motivos declarados, senão que movidos por interesses políticos como a deputada Jandira Feghali ressaltou corretamente -, que o governo não deveria jogar sobre os ombros de seus funcionários o peso do ajuste, já que não foram eles, os funcionários que levaram à situação de crise fiscal que o país atravessa. Muito ao contrário!
Não foram os funcionários públicos, sem aumento sequer capaz de cobrir a inflação do primeiro mandato Dilma, que promoveram um festival de desonerações e incentivos para o empresariado, de mais de 104 bilhões apenas no ano de 2014. 
Não foram os funcionários, agora punidos, que elevaram os juros de forma tal que o FMI classifica o nosso país como o terceiro maior pagador de juros do mundo, perto de 5% do PIB apenas no ano de 2014.
Aliás, deve ser dito que essa culpa não pode nem deve recair nem mesmo sobre os funcionários do Banco Central, a maior parte deles com defasagem salarial de 27% e curiosamente desdenhados pelo Executivo, que os classifica como funcionários de 3º nível, atrás dos Delegados da Polícia Federal e ainda, dos Auditores da Receita Federal, que atuam na série B desse campeonato de perdedores. 
***
Faço um parêntese para comentar o quão estranho é essa classificação que faz os detentores civis do monopólio da violência institucionalizada e monopólio de armas (órgão de Polícia, repressão e investigação), os detentores do monopólio da arrecadação de recursos melhores que os detentores do monopólio da emissão de ... dinheiro, essa coisa que é tão pouco importante que domina todos os temas no Congresso e no país, seja da Lava-jato, seja de aumentos salariais!!!
Mas, continuamos na terceira divisão. E alguns de nossos representantes sindicais continuam lutando para provar como é necessário o sacrifício para que o governo feche suas contas. Afinal, é tudo para o bem do Brasil. 
Ou não?
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Então, confesso ficar em dúvida. Não por achar que o ajuste fiscal exige que o aumento não fosse concedido. 
Mas por achar que ele apenas iria agravar a já complexa situação de todos os funcionários públicos no país. Porque nos comentários que fiz das divisões em categorias capazes de meterem mais medo e por isso serem mais respeitadas pelos políticos (primeiro delegados, depois auditores da receita), nem toquei na diferença gritante de remunerações entre funcionários do Executivo e outros, do Legislativo e do Judiciário.
E lembro-me de que Itamar Franco, quando presidente do país, decidiu conceder um aumento diferenciado para os servidores milsitares, de 28,86%. E o que aconteceu? Uma avalanche de causas na justiça, demandando, e ganhando,  a extensão dos aumentos para todas as categorias. 
O que aliás, independente da vitória, categorias como a do pessoal da Fazenda e do Banco Central ainda não conseguiu receber, mesmo com sentença a seu favor.
***
Ou seja, por um lado, torci para que os colegas do Judiciário obtivessem êxito. Por outro, devo confessar que fiquei com inveja de uma categoria que sabe e soube lutar por seus direitos. 
Como era inveja, um sentimento ruim mesmo quando usado no sentido de não querer prejudicar a quem quer que seja, mas apenas de estar no lugar deles, a causa deles não prosperou. 
O veto foi derrubado. 
Mas, que gostaria de ver como seriam os discursos dos deputados e senadores se o projeto de reajuste fosse relativo ao pessoal da PF, ou da Receita, ou do Banco Central, para não falar de toda a categoria, isso eu gostaria. 
Porque, no mínimo, no dia seguinte, vários deles seriam execrados em razão de seus discursos por essa mídia conservadora e venal, que age  sob o comando dos interesses do grande capital, principalmente o financeiro. 
Se é que eles teriam coragem de fazer tais discursos, sendo favoráveis a todo o funcionalismo.
Que é afinal o que deveria estar sendo discutido: não apenas de uma categoria mais organizada, mas de todos: professores, cada vez mais mal remunerados nessa Pátria Educadora, a ponto de abandonarem cada vez mais as salas de aulas; médicos, que abandonam os centros de saúde; pessoal especializado que abandona o setor público, onde muitas vezes aprenderam a trabalhar, para passar para o lado de lá do mercado, lado que antes fiscalizavam. Ou o mais notado nesses dias de lama, fiscais do DNPM, cujo número de servidores e as condições de trabalho evidenciam o desmantelamento do Estado. 
Que agrada à mídia. Que agrada às grandes empresas. Apesar dos desastres que podem vir a provocar, como Mariana e o Rio Doce não deixarão que esqueçamos por décadas. 
***



Onde antes eram grotões
hoje o curso de água límpida
vem dos olhos marejados
olhos da terra estatelados
secos
opacos
sem brilho
sem emoção e sentimentos
de onde ecoam só lamentos
olhos desfigurados 
de paisagem arrasada
que apenas choram lama
fedor de morte
e pó.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O terror em várias faces - Homenagens às vítimas



O policial militar que mata
o negro pobre da periferia
o justiceiro escondido sob a máscara escura
que invade o boteco
atirando a esmo
e a bala perdida que acha sempre alguma vítima
distraída

A mulher nas vilas e favelas
vítima da agressão da pior espécie de amor bandido
que tem a face do pai, do irmão, do marido
ou do amante
um Zé qualquer com quem tenha dormido
e pela mão de quem terá morrido
mera estatística
dos mapas de violência

Que não destaca
A grande empresa que não leva a vida em conta
associada que é apenas nos lucros
arrancados do chão
agora mera lama

E o terror da bomba humana
de heróis que não têm mais apego à vida
severina
miserável
vazia
sem motivação
sem respeito
sequer ao deus que lhes deu a vida
e que alegam aclamar

Homens prontos a morrer
pela causa que professam
não a da religião
que dá conforto e alimenta
não a da fé
que resgata e que promove o renascer
Mas a causa do terror
que é apenas  desprezo ao ser humano
em uma civilização em que a barbárie
e o desrespeito
em cada ato, em cada gesto de violência
são símbolos à irracionalidade
que ornam um altar de sangue e sacrifício
de uma civilização que não deu certo
de uma humanidade implodida