terça-feira, 13 de maio de 2014

A generalização da barbárie e os linchamentos aceitos ou nem tanto.

Antes foi a agressão bárbara, selvagem, o linchamento que culminou na morte estúpida de Fabiane no Guarujá. Local que, conforme observação de um colega meu, acabou dando ao caso uma repercussão inédita.
Afinal, embora saibamos que o município do Guarujá enfrente os mesmos problemas de todas as outras localidades de nosso país, com seus problemas urbanos, sociais, falta de educação e pobreza e desigualdade, etc. pela fama que granjeou no passado, por toda a ostentação que representava, a menção ao balneário evoca sempre a frase irônica de Juca Chaves, de ser o Guarujá a praia em que as mulheres paulistas frequentavam de salto alto.
Agora chega a nosso conhecimento a execução da manicure Ane Kelly Santos, também no interior de São Paulo, em Osasco, por ter roubado R$ 27 mil da pessoa errada. Segundo o noticiário, o dinheiro roubado, bem como seu proprietário, era ligado ao tráfico, razão para que fosse praticado um crime hediondo, com requintes de tortura.
Um detalhe curioso que não me passou despercebido, contido na matéria jornalística que apresentava o monstruoso episódio,  foi o fato de que, efetuada a prisão de uma mulher e três homens acusados pela tortura e assassinato, um dos quais confessou a participação no crime, populares juntaram-se do lado de fora do local onde estavam presos, desejosos de lincharem os prisioneiros.
Em Belo Horizonte no dia de ontem, na região de Venda Nova, a prisão de um suspeito de pedofilia foi realizada após o acusado ter sido vítima de um início de agressão por populares.
E, a cada dia, avolumam-se os casos que vêm a nosso conhecimento, envolvendo a tentativa de se fazer justiça com as próprias mãos. Tanto em nosso país, quanto no exterior.
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Ciente do apelo advindo de matérias que respingam sangue, a imprensa tem dado grande destaque a tais agressões,  embora sejamos justos, o tratamento  dispensado aos casos, pelo menos na televisão, têm se caracterizado pela discrição,
Entretanto, falta no noticiário mais que a divulgação ou repercussão do fato. Falta uma tentativa mais séria e profissional de se analisar as razões capazes de explicar o nível de intolerância a que estamos sendo expostos.
Tudo bem que os jornais televisivos não são o fórum adequado para tratar de tais temas, com o nível de profundidade que exigem. Ou não!
Porque comentários, ora de apresentadores, ora tão somente de populares entrevistados para a matéria acabam sendo levados ao ar e alguns promovem um verdadeiro desserviço à criação de um nível mínimo de convivência social. Equilibrada, sadia e justa.
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O que percebo, então, é que mais que ser no Guarujá, e isso é o que vejo de pior, o caso de Fabiane ganhou grande repercussão por tratar-se de - MAIS - um erro. A jovem mulher era inocente e foi vítima de um boato, tendo sido confundida com um retrato falado que não deveria nunca ter sido objeto de postagem nas redes sociais.
Entrevistado, o responsável pela postagem que não deseja ser identificado, talvez por medo de que também ele seja vítima de um linchamento, afirma que não se sente responsável pela barbárie. Conta que postou o desenho da suspeita, mas ter tomado o cuidado de afirmar que a notícia era um possível boato.
Ora, se a notícia não estava confirmada, podendo ser mero boato, porque lhe dar divulgação?
Apenas para preencher espaço em um dia em que não tinha assunto algum mais sério e importante, para tratar?
Afirma ainda que logo a seguir retirou o retrato da rede, embora como se vê, o mal já tinha sido disseminado.
É verdade que ele não tinha intenção de matar ou de causar qualquer mal à Fabiane. Mas, que contribuiu para o desenrolar da história trágica, não há como negar.
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Mas, se o caso de Fabiane foi um erro, o que dizer dos demais casos de linchamento? De justiçamento? De milicianos fazendo as famosas limpezas de criminosos?
O fato de quem estar sendo vítima ser de fato um assaltante, ou ladrão ou até mesmo um assassino, até mesmo confesso, dá à população o direito de fazer sua própria justiça?
Mesmo sabendo-se que esses julgamentos populares, sempre em ambiente de violenta emoção, acabam sendo julgamentos de exceção, e mais que serem a realização mais célere da justiça acabam transformando-se em verdadeiras execuções? Tão ou mais criminosas que os atos que lhes deram origem?
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Na verdade, como deve sentir-se algum ser humano depois de ter participado de um ato de justiçamento feito pelas próprias mãos? Como um juiz? Como um assassino? Será que tem noção em algum momento, mesmo depois do crime, de todas as consequências de seu ato?
Será que, em algum momento terá dificuldade de colocar a cabeça no travesseiro e dormir sossegado?
Ou será que, como o personagem famoso de Crime e Castigo, de Dostoiévski, não irá mais tarde ser consumido pelo remorso?
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Mas que tipo de sociedade é essa que estamos contribuindo para construir, que é capaz de chegar a um ponto em que parece que a panela de pressão está prestes a explodir?
Em que o estresse atingiu tal ponto que as reações tornam-se cada vez mais irracionais, como tem sido observado por reações no trânsito, nas relações entre homens e mulheres, nas disputas entre as torcidas de futebol, nas discussões entre dois desconhecidos em um bar.
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E curioso que isso acontece, no momento mesmo em que cada vez mais, os meios de comunicação são dominados por programas religiosos, por salmos e cânticos e preces e orações, por religiosos de todo tipo de convicção.
Em que o fervor religioso parece estar em ebulição, com a criação e abertura de igrejas por todos os locais e bairros.
Como entender que quanto mais o transcendente ganha espaço, mais o lado perverso de nossa condição animalesca se agiganta?
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Contribui para isso, sem dúvida, os comentários de jornalistas e outros profissionais que entendem o comportamento irracional, e portanto, sem qualquer elemento de entendimento possível, dentro da razão.
Contribui para isso, também, a espetacularização dos fatos hediondos que, entretanto, dão IBOPE, e garantem audiência e a continuidade de programas que tornam-se não raras vezes, na forma de que algum indivíduo, considerado um não-ser, ganhe destaque na sociedade.
Contribui para tudo isso a falta de educação, de cidadania, a brutal desigualdade em que vivemos, e que certas camadas da sociedade parecem dispostas a manter a qualquer custo, para não ter de abrir mão de privilégios. Exatamente a camada da sociedade mais amedrontada e que, intimamente, mais entra em contradição com suas convicções mais íntimas, sem saber se aprova os atos de justiça que o Estado não consegue prover a tempo e hora, ou se reprova tais comportamentos que nos remetem ao estado natural de selvageria de Hobbes, onde o homem era o lobo do homem.
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A verdade é que questões como a de Pedrinhas, e os assassinatos nas cadeias do Maranhão, também eles justiçamentos; os casos de jovens executados em um sem-número a cada fim de semana, nas periferias das cidades grandes; as ações de violência contra a mulher, como se os homens fossem proprietários de suas companheiras; as ações de violência no trânsito; as batalhas nos estádios, às vezes entre pessoas da mesma torcida; embora passem despercebidas ou sejam, intimamente até aprovadas ou toleradas, são todas expressões de um mesmo conjunto de coisas. Como tal, merecedoras também de um tratamento e um debate mais sério de nossa sociedade.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Galo volta a vencer, mas ainda está longe do mínimo necessário

Que o resultado do jogo foi afetado pela arbitragem, é dever reconhecer. Não pelo pênalti marcado a favor do Galo e que Fábio não defendeu por muito pouco.
Afinal, no meio do gol, à meia altura, mesmo que a bola seja muito forte, o risco de o goleiro não se mexer e a bola pegar nele é muito grande. Fábio escolheu o canto e saiu pulando à sua esquerda. Mas, acho que pulou atrasado e, com isso, quase acontece de a bola pegar nele.
Mas, André marcou o gol que coroou sua boa partida, já que estava se esforçando, tentando tocar a bola, trocar passes, às vezes vindo buscar a bola lá na intermediária, já que a bola teimava em não chegar até ele.
Atuando na frente, junto com André e Fernandinho, e enquanto esteve em campo, Tardelli também mostrou outra disposição capaz, em alguns momentos e alguns lampejos, mostrar o brilho do início do ano, quando todos pediam seu nome nas convocações de Scolari.
Fernandinho continua muito individualista, embora participando de algumas poucas jogadas de perigo ao gol de Fábio.
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No segundo tempo, a entrada de Carlos e de Marion no lugar de Tardelli, sentindo a perna, deu mais movimentação ao ataque, esquentando  mais o jogo.
Fora isso, Victor como sempre muito bem. E Otamendi, mais uma vez excepcional.
No mais, a saudade de Marcos Rocha, devido à fragilidade e insegurança de Alex Silva; a dificuldade de Emerson Conceição em mostrar algum futebol e um Léo Silva, pesadão, incapaz de ganhar uma jogada na corrida, matando a defesa e segurança do Galo, e deixando-nos a todos sempre com o coração na mão.
Foi aproveitando de sua ida à frente e de sua ausência de mobilidade e dificuldade de reação que o Cruzeiro chegou ao gol que lembrou muito o gol do Atlético Nacional da Colômbia, com Victor dando rebote para o meio da área, embora não pudesse fazer muito diferente ao saltar para defender o tiro adversário, quase à queima roupa.
Ao menos Léo Silva aproveitou sua estatura e foi à área adversária tentar a jogada aérea que ontem, em lance em que achei que foi pênalti, acabou contribuindo para a virada do Galo.
Antes, é verdade, houve o lance de Otamendi na área do Galo quando, depois de dar uma voadora que não pegou no atacante do Cruzeiro, ele veio deslizando pelo gramado, tendo a bola batido em seu braço.
Lance que eu não daria pênalti, já que nitidamente o corpo do argentino veio deslizando, inclusive levantando terra do campo, como deu para ver nas imagens mostradas pela televisão.
O que achei curioso é o fato de Luan ter parado a jogada, quando já tinha passado pelo defensor e já dentro da área, podia entrar para tentar um chute ao gol, mesmo com pouco ângulo, ou criar uma jogada de mais perigo, tocando atrás para algum companheiro que viesse chegando.
Mas, Luan parou e a jogada que podia ter outro desenlace, não redundou em nada, exceto muita reclamação.
Passado algum tempo, foi a vez de Luan dar uma cotovelada desleal em Donizete. E merecer ser expulso em outra decisão a meu ver acertada do juiz.
Mas, devo confessar que na jogada imediatamente anterior, em minha opinião, Pierre fez falta em Luan, e antes, durante todo o jogo, Donizente mostrou que sua única qualidade é a de bater muito. O que faz sua parceria com Pierre ser um verdadeiro espetáculo de MMA.
Pior é que se desarmam apenas batendo e muito, Donizete acha que pode sair jogando e tenta armar jogadas que, no fundo, acabam sempre dando origem aos contra-ataques dos times que enfrentam o Galo.
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Mas, se acho que o juiz acertou no pênalti não havido e não marcado de Otamendi, já que não houve intenção de cortar a jogada com as mãos, e se acho que Léo puxou Leonardo Silva na área, e ainda se acho que a expulsão foi acertada, isso não significa que os cruzeirenses não tenham motivo para reclamar.
Especialmente pela jogada em que a bandeirinha assinalou um impedimento que não houve e que, independente de se transformar ou não em gol, era jogada extremamente perigosa.
Tanto que se algum atleticano chegasse para fazer falta na jogada, teria de levar o vermelho, tamanho o perigo real e imediato de gol.
Mas, vá lá. A bandeirinha é tão bonita e chama tanto a atenção, que não acredito que algum cruzeirense vá ficar reclamando e xingando a moça. A menos que achassem que a bandeira estivesse fazendo concorrência...
Mas que a menina errou feio, isso ninguém nega.
E que é uma gata, também, macho nenhum vai negar. Então devia, como no MMA ou coisa que o valha, ficar de biquini desfilando com a placa indicando o tempo de jogo. Sem bandeirar.
Mas pior foi o fato de que depois de indicar 3 minutos de acréscimo, o juiz não dar mais que um minuto real, descontado o fato de que Donizete caiu no campo e fez hora para sair substituído.
E com medo de que algo acontecesse, o juiz encerrou o jogo logo na primeira oportunidade, o que levou corretamente Marcelo Moreno e outros se aproximarem para reclamar do tempo não descontado.
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Daí a concordar com a atitude de Marcelo Moreno depois de ser expulso, e que pode gerar a ele uma punição pesada é outra coisa. Uma coisa é deixar no ar, que houve o prejuízo para seu time. Outra é perder a cabeça e fazer o gesto que o jogador boliviano, que não é nenhuma criança, nem um inexperiente, fez.
E no caso do medo do juiz, e em sua pressa de acabar o jogo, a bandeirinha não teve qualquer influência, para que apenas ela não vire alvo das críticas.
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No mais, o time de Levir mostra já alguma mudança, como a de marcar a saída de jogada do adversário, encurtando espaços e dando sufoco que acaba obrigando o time contrário a rifar a bola.
Mas, o meio tem que ser alterado, para que um mínimo de futebol possa ser mostrado por aquele setor do campo.
E, além disso, o Atlético terá que contratar alguns reforços e, sem dúvida, parar de perder jogadores para o Departamento Médico, porque nenhum time consegue manter qualquer padrão, com tantos desfalques e contusões.
O Galo ganhou. Mas não sou de opinião que o jogo ganho roubado é mais gostoso. Não concordo com isso. E ganhamos, mas ainda o Galo ainda não convenceu a ninguém nesse ano.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Tristeza por favor vá embora, para que a lembrança da alegria de Jair possa ocupar esse momento de dor

A morte de Mister Sorriso, Jair Rodrigues é, sem qualquer dúvida, uma grande perda para a música popular e para a cultura brasileira.
De certa forma, saem de cena sua voz, sua contagiante alegria, seu otimismo, deixando o nosso país mais pobre. Mais triste.
A ele, cantor que se destacou nos festivais desde que cantou com as mãos o "Deixe que digam, que pensem, que falem, deixe isso pra lá, vem pra cá o que é que tem..." e que foi o magistral intérprete de Disparada, de Vandré, vencedora junto com a Banda do Festival da Record dos anos 60, nossas homenagens.
Então, "prepare o seu coração, pras coisas que eu vou contar..." porque dele levaremos sempre boas lembranças.
Dele, além do programa o Fino da Bossa, que compartilhava com sua grande amiga, Elis, guardo a lembrança de um "pout pourri" que interpretava com a Pimentinha Elis, com sambas que se referiam ao morro. "O morro não tem vez, e o que ele fez..."
Inesquecível também, a famosa "Tristeza, por favor vá embora, minha alma que chora está vendo o meu fim". Uma tristeza difícil de se afastar de nós, no dia de hoje, em que o luto é o sentimento que nos invade.
De minha parte, lembro com nostalgia de uma manhã em que voltava do plantão feito em um Posto Fiscal de Igarapé, quando ainda era agente da Fiscalização da Secretaria da Fazenda, e um programa da Rádio Itatiaia, dedicado a músicas, na época ditas caipiras, trouxe sua interpretação da magnífica Sua Majestade o Sabiá.
Confesso agora, não ter certeza se na ocasião achei magnífica a música ou a interpretação do sambista. Que dominava e mandava bem todos os ritmos da música popular brasileira.
Que sua partida sentida sirva para nos lembrar que há sempre, em qualquer circunstância e situação, um jeito melhor e mais alegre de encarar a vida. Com otimismo. E sem deixar a tristeza vir nos dominar e invadir nossa alma.
Tristeza, por favor vá embora, mesmo que seja difícil imaginar você fazendo companhia a quem era a expressão da alegria.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Como transformar um evento sem surpresas em show midiático: a convocação de Felipão

Haverá alguma surpresa na convocação de Felipão prevista para hoje, às 11 horas?
A resposta, infelizmente, é não. E sabemos dessa resposta desde a Copa de 2002, quando Felipão rebarbou toda a população amante do esporte, que cobrava a presença de Romário no grupo que acabaria conquistando o título naquela oportunidade.
Não que a ida de Romário ou sua inclusão no grupo fosse alterar o resultado. Mas, como fomos campeões, a rabugice do técnico e suas idiossincrasias foram esquecidas ou deixadas de lado.
Agora, 12 anos depois, novamente como técnico da seleção, apenas repete-se o mesmo script, sem qualquer surpresa ou mudança.
Senão vejamos.
Para começar, e como não podia deixar de ser, pela escolha do nome para comandar a seleção, como seu preparador técnico. E a escolha recaiu, como costuma ser as coisas na CBF, no nome de um técnico considerado como ultrapassado, incapaz de montar e dar um mínimo de estrutura de jogo ao time que comandava, a ponto de ser um dos grandes, senão o maior responsável pelo rebaixamento do Palmeiras, um dos maiores, mais tradicionais e mais importantes times do país, para a segunda divisão.
Tudo bem. Felipão teve tempo de mostrar que é capaz de se atualizar e a conquista pelo time que ele montou da Copa das Confederações mostrou isso.
Embora a Copa das Confederações nunca tenha sido conquistada pelo time que, no ano posterior, irá conquistar a Copa do Mundo, que é o evento mais importante.
Assim foi na Copa das Confederações em 2009, conquistada pelo time de Dunga, eliminado depois em 2010.
Além desse pequeno detalhe, é importante que possamos dar a dimensão exata e merecida à conquista do título no ano passado, apenas lembrando que outras seleções vieram ao nosso país apenas para farrear, como foi amplamente noticiado em relação ao comportamento do time da Espanha.
Mas, deixando de lado a questão da escolha do técnico, já que a imprensa  não deu qualquer atenção nem à escolha de Felipão, nem ao comportamento reprovável que foi adotado em relação a Mano Meneses, a quem não admiro e cujo trabalho também era merecedor de críticas, temos de reconhecer que o que houve com Mano foi uma fritura intencional e vergonhosa onde a presença de Felipão nunca ficou bem esclarecida.
O que se sabe é que todo mundo já tinha certeza de que o técnico da Copa seria Felipão. E que esse nome agrada à imprensa, até mesmo por toda a grosseria que ele é capaz de praticar contra os repórteres especializados e com a crônica esportiva.
Aliás, se tem  uma área em que não cansamos de demonstrar nosso complexo de vira-latas, essa área é sem dúvida o futebol, e a imprensa da área é uma das maiores ilustrações desse comportamento.
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E quanto ao time?
O que acho pior em Felipão é essa ideia e imagem que passa de que está formando uma grande família. Como se todos os jogadores fossem dependentes para que possam constar, no ano seguinte, em sua declaração de rendimentos apresentada à Receita Federal.
Então, ele comete injustiças flagrantes, mas todos se silenciam.
Como por exemplo, a convocação de seus queridinhos Júlio César e Jefferson, quando Victor, Fábio e até mesmo Cavalieri estão em fase melhor. Pelo menos jogando. E jogando em times que merecem no mínimo algum reconhecimento.
Mas, machucado e operado, sem jogar ou em um time obscuro de um bairro qualquer de um país qualquer, como é o caso do Canadá no futebol, Júlio César é o convocado. E ponto.
Aqui, não deve ter surpresa e Victor deve ser o terceiro chamado.
Na defesa, os queridinhos são os mesmos que têm sido escalados por toda a crônica esportiva, não havendo divergências.
Apenas que Miranda aparece agora, na última hora como opção, talvez porque Réver tenha se machucado e ficado de fora toda a temporada e porque, tanto quanto Réver, capitão de meu time, não considero Dedé jogador do nível de seleção.
Que pena que não dá para convocar o melhor zagueiro em atividade em nosso país, Otamendi.
No meio, sempre gostei de Paulinho, como gosto de Hernanes, e há que se reconhecer que a maioria dos nomes que vêm sendo falados são: primeiro, nomes lançados pela renovação que Mano resolveu experimentar; nomes com que a maioria dos torcedores concorda. A surpresa pode ficar com Luís Gustavo, de fora, ou com a convocação de Lucas Leiva.
Na frente, mais uma vez, o nome de Robinho, por ser nome do agrado do técnico, nome de grupo, excelente tocador de pandeiro e jogador que alegra o ambiente, mostra como as idiossincrasias dominam o ambiente.
Pena, deixamos de levar os melhores jogadores, às vezes, por que o técnico tem lá seus queridinhos, mesmo que seja para enfeitar apenas o banco.
Ou tocar pandeiro no ônibus de ida para o estádio.
Mas, exceto não ter a certeza de que Fred estará inteiro, embora ele seja nome da preferência nacional, os demais nomes da frente são praticamente já conhecidos e aprovados.
Ora, se os nomes são praticamente conhecidos, a pergunta que fica é porque tanto show midiático em torno do anúncio da convocação, transformada em evento tão importante quanto um jogo de futebol?

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Mudando de assunto, o Cruzeiro joga hoje contra o time do Papa e toda a enorme pressão que vem de fora, destinada a não deixar que novamente um time brasileiro seja campeão da Libertadores.
Se não jogarem contra tudo e contra todos, depois não venham dizer que andei secando o time.
É forçoso reconhecer que time para lutar pelo título os estrelados têm.

Homenagem à mãe FABIANE, na semana do dia das mães

Que tipo de homenagens deve merecer de nossa parte, a jovem Fabiane Maria de Jesus, mulher de 33 anos, mãe de dois filhos estúpida e selvagemente morta por linchamento nessa proximidade do dia das Mães de 2014? Vítima do que poderia ser denominado de uma tragédia de erros que apenas ilustram o grau de barbárie a que a sociedade está sendo conduzida, especialmente como consequência de manifestações como a de Rachel Sheherazade no Jornal do SBT, de certa forma aprovando que a população tome a justiça em suas próprias mãos e passe a punir e aplicar castigos após ritos sumários de julgamento?
Antes de mais nada, faz-se necessário deixar claro que a referência à jornalista não significa, em nenhum momento, qualquer participação dela no ato violento e irracional que culminou com a trágica perda, nem mesmo como inspiração.
Afinal, é justo que reconheçamos que ela mesma deve estar condenando, como agora todos estamos, esse tipo de comportamento, em que a população resolve tomar a justiça nas próprias mãos, aplicando a lei de Talião, do olho por olho, dente por dente e, inflamada, apenas dando vazão aos mais primitivos instintos animais que carregamos conosco.
Mas, é importante citar a repórter do SBT até para mostrar como todos nós devemos ter um cuidado muito maior com o conteúdo das opiniões que emitimos, e uma responsabilidade muito maior em relação à forma, local e alcance de nossas opiniões, mesmo que elas sejam expressão de nossos pensamentos mais íntimos.
Afinal, transformar-se em porta-voz de uma parcela da população que acredita que "bandido bom é o bandido morto", que "vagabundo tem mesmo é que morrer", que critica a todos que exigem a aplicação de direitos e de respeitos humanos aos criminosos "passando a mão na cabeça de marginais", como foi o caso da repórter do SBT, mas também é o comportamento que pode ser perigosamente identificado com aquele de Datena no seu programa policial, ou outros apresentadores de programas semelhantes, merece de todos nós, no mínimo, uma repulsa veemente.
E não porque levou à morte, nesse caso, de uma inocente. Ou porque, invariavelmente, essa postura que exige a implantação da pena de morte para os crimes mais violentos, ou a redução da maioridade penal, etc. serve apenas para permitir que a sociedade venha a dar vazão a um dos piores sentimentos que somos capazes de cultivar, e que além disso, é um dos piores conselheiros para nossas horas de aflição, que é a VINGANÇA.
Pois bem. Em outras oportunidades, aqui nesse espaço, postamos críticas à adoção da pena de morte, citando casos de condenação, por engano, de inocentes, como um caso recente de um americano, inocentado depois de passar praticamente toda sua vida no corredor da morte.
Também temos combatido a redução da maioridade penal, de forma ampla e geral, já que nesse caso, em nossa opinião o comportamento correto deveria ser, para qualquer idade, a comprovação de que o autor do ato violento era capaz de avaliar, em toda sua extensão, as consequências de seu ato.
Por isso somos radicalmente contrário aos justiceiros e às milícias, que acreditamos serem e agirem de forma tão criminosa como as quadrilhas que pretendem combater.
E há exemplos sem número, aqui em nosso país, das consequências nefastas que grupos dispostos a substituírem o Estado na aplicação de punições podem gerar, desde o massacre da Candelária, até o do Carandiru, ou os massacres que a cada fim de semana se reproduzem nas periferias das grandes metrópoles.
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Agora foi Fabiane. Capturada, julgada, condenada por uma turba que apenas a confundiu com uma mulher cuja fisionomia apresentada em um retrato falado nem mesmo deveria  ter sido publicado na rede social em que foi postado, já que tratava-se de um retrato falado, sujeito a equívocos ; de uma mulher apenas suspeita, sem qualquer evidência de ser a autora verdadeira;  de crimes ligados a sequestro de crianças para a prática de magia negra, no Rio de Janeiro, bastante distante do litoral paulista em que aconteceu a selvageria.
Condenada, Fabiane foi executada ali mesmo na rua. Quando voltava da igreja, portando uma bíblia. O que apenas serviu para alimentar e reforçar a suspeita de que ela agia por motivos religiosos, de cunho macabro.
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Que Fabiane descanse em paz. Que suas filhas, nesse dia das Mães possam ter o conforto que a ela não foi dado em sua execução.
E que a sociedade possa tirar lições do episódio.
Talvez essa seja a homenagem que podemos prestar à jovem: não deixar que sua execução violenta seja em vão.




segunda-feira, 5 de maio de 2014

Prossegue o calvário do Galo: agora foi o Goiás e mais duas contusões. E novo erro de arbitragem...

Vai ser muito difícil o trabalho de Levir Culpi, no sentido de reestruturação do plantel, do time e, principalmente, do orgulho do Galo.
E, embora ninguém negue que ele ainda não teve tempo para fazer mais que algum treinamento leve, face à maratona de jogos previstos desde sua chegada, a verdade é que a paciência da torcida está tão curta que as consequências de toda a desestruturação do time acaba sobrando para ele. E dá-lhe vaias, como as ouvidas ontem no Independência.
Particularmente, não acho que Levir mexeu mal no jogo contra o Goiás.
Afinal, ele tem que conhecer os jogadores que tem na mão e, mesmo os que já conhece têm de ter uma oportunidade para mostrar o que podem e querem oferecer para o Galo.
Refiro-me ao caso de Fillipe Soutto, o volante que sabe sair jogando, embora todos sempre se lembrem que ele deixe muito a desejar nos desarmes; falo de André, cujo potencial todos conhecem, mas que parece ter perdido o tesão de jogar bola, há algum tempo, já. Refiro-me a Rosinei, jogador que não mostrou aqui as qualidades que apresentava no Corínthians e que o levaram ao futebol do exterior.
Acontece que a torcida, ou a parcela a que esses jogadores não conseguiram ainda agradar, já os conhece e os marcou, e a mera menção de sua participação no jogo já dá margem a críticas ao treinador que os lançou, e mexe mal justo por tê-los lançado.
E esse tem sido um dos problemas do Galo, já de há muito identificado: a torcida e o massacre que ela pratica em relação aos jogadores que ela não simpatiza, não necessariamente por falta de futebol.
Foi assim, na história do time, com Lincoln, com Moacir (o filho do Didi), com Cicinho, o lateral que depois foi brilhar e ganhar títulos no São Paulo e no exterior, com Mancini, que teve de brilhar no exterior para voltar ao time e provar sua qualidade.
Mais recentemente tem sido assim com Marcos Rocha, sem dúvida um dos melhores jogadores de todo o país em sua posição, ao lado do Cicinho ex-Ponte Preta e agora no Santos. A torcida marcou Marcos Rocha de tal forma que chega a impressionar a má vontade com o grande jogador que é, especialmente, quando atua como verdadeiro ala, indo à frente, fazendo cruzamentos e lançamentos, já que é um dos poucos jogadores do time armado por Cuca, que sabia e tinha qualidades para sair jogando.
Cuca percebeu isso e colocou Marcos Rocha livre, para avançar e ir à frente, deixando Pierre encarregado de realizar sua cobertura. Em algumas partidas chegou a improvisar o lateral no meio de campo, para aproveitar sua lucidez e visão de jogo.
Ninguém nega que ele não tem a mesma qualidade na marcação, na defesa, mas travá-lo como o cara que estava à frente do time até recentemente fez, é perder o que ele tinha de melhor.
E o cara ultrapassado que esteve aí desestruturando o Galo queria que quem saísse jogando fosse Pierre e/ou Donizete.
Bem, depois da eliminação da Libertadores, grande parte da torcida percebeu a falta de Marcos Rocha e a ruindade de tantos quantos tentaram jogar ali pelo setor direito.
Não que Alex Silva fosse ruim, mas imaturo. Não que Michel não saiba jogar, mas fica a falta do titular é imensa.
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E aí, entra o outro grande problema que o Atlético está enfrentando: as contusões. A presença de mais de um time no Departamento Médico do clube, alguns com lesões sérias, até com a necessidade de intervenções cirúrgicas.
Nesse caso, não vamos incluir Ronaldinho Gaúcho, que nitidamente demonstrou ter sentido uma  puxada na parte posterior da coxa, na partida de desclassificação da Libertadores. Nem vamos falar de Tardelli, que necessitava mesmo ficar um tempo fora, para poder recuperar suas melhores condições físicas e esfriar a cabeça.
Mas, além desses, temos no Departamento Médico jogadores como Luan, Josué, Lucas Cândido, Marcos Rocha, agora Jô e Guilherme, ambos machucados nesse fatídico jogo contra o Goiás. Sem contar que, durante todos esses cinco meses, ficaram de fora por contusões Réver, Donizete, Fillipe Soutto,  Fernandinho, Dátolo, ou seja, muita mudança na equipe, o que dificulta a qualquer técnico montar, manter, e até avaliar as condições de jogo de cada um, na volta do DM.
Aliás, eu gostaria era de ouvir que a Diretoria se reuniu com a equipe técnica para avaliar as razões de tanta gente se machucando, até com alguma gravidade. Eu gostaria que o Departamento Médico pudesse vir a público, junto com o preparador físico e declarar que é tudo mesmo apenas fruto do azar e não de uma preparação equivocada.
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Do jogo de ontem, em que mais uma vez a torcida pegou no pé de Emerson Conceição, de Alex Silva, até do Dátolo, em alguns momentos, de Levir e da utilização de Rosinei, que nada fizeram, até por terem perdido a auto-confiança, gostaria de comentar que, felizmente, o nome do ídolo dessa parcela de atleticanos que mais prejudicam que ajudam, o Neto Berola, foi gritado por uns poucos.
Marion, mostrou que ainda é um jogador novo, não estando preparado para entrar no time no lugar de jogadores como Tardelli, R10 ou mesmo Fernandinho. Bom jogador, deve ser colocado, de preferência no correr do jogo, para não que não venha a ser queimado.
Victor mais uma vez mostrou que é o goleiro que deveria estar na seleção. Embora a imprensa carioca e agora, até o PVC, sabe-se lá o motivo, estejam fazendo campanha para Cavalieri, do Flu.
Otamendi mostra a cada jogo, o que é jogar na defesa, seja como beque central, quarto zagueiro, lateral... O gringo dá um show e não é à toa que seu nome foi gritado pela torcida em várias ocasiões.
Réver ainda está voltando, e fora de esquadro.
Fernandinho muito individualista, mais uma vez.
Quanto a Levir, tem mesmo que mudar para ver como estão e o quanto de entrega estão dispostos a fazer todos os seus comandados.
E armar o time, para poder voltar a apresentar um futebol de qualidade, leva tempo. E o Galo, que começou já na zona de desclassificação a partida de ontem, não tem todo o tempo para iniciar sua recuperação.
Ah! e embora não merecesse resultado melhor, mesmo no Independência onde a mística de que somos imbatíveis vem caindo, cada dia mais e em maior velocidade, a verdade é que houve um pênalte no Fernandinho, que o juiz não quis marcar ou não viu. Um empurrão claro dentro da área, que poderia ter mudado o rumo da partida.
Mais uma vez, erro de arbitragem, junto ao fato de não merecermos vencer.
Mas se apresentou um time certinho, o Goiás também não fez por merecer sair com a vitória em minha opinião. Ganhou pelos erros do Galo. Ganhou pela ajuda do juiz.
O que vem se tornando norma, infelizmente.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Melhor jogo do Galo no ano não foi suficiente para mudar nossa sorte. Mas não merecíamos resultado melhor

Em minha opinião, foi o melhor jogo do Atlético esse ano, mesmo com o resultado não sendo a vitória esperada. Mas, justiça seja feita, a desclassificação da Libertadores se não era esperada, era pressentida.
Tanto que até o tradicional grito "Eu acredito", entoado algumas vezes durante o jogo, não foi ouvido com a mesma intensidade e fé com que era gritado na jornada do ano passado.
Ao menos eu percebi que muitos torcedores ao meu lado gritavam uma, duas vezes, mas logo parece que acanhados, paravam, alguns até olhando para os companheiros ao lado, como quem estivesse pedindo força e apoio, ou desculpas...
E, deixando de lado toda a paixão, se é que isso seja possível de se propor ou fazer, a verdade é que o Atlético não mereceu mesmo ganhar nem a partida de ontem, no Horto de tantas tradições e tanto enterro...
Porque se não fosse São Victor, mais uma vez o resultado teria sido adverso, bem pior que o mero empate.
E Victor, mais uma vez, brilhou, especialmente ao crescer à frente do pequeno e cabeludinho Sherman Cardenas, o craque colombiano que já havia sido o autor do gol na Colômbia.
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Pois bem, e como se não soubessem da qualidade do número 7 colombiano, deixaram que ele escapasse completamente livre, para aparecer frente a frente com nosso goleirão, e tocar por cobertura, levando Victor a fazer defesa maravilhosa.
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Mas, o time do Galo voltou ontem a jogar futebol. Não o futebol vistoso e que encantava a todos os admiradores de futebol no ano passado. Mas, também nada como o jogo apático e sem objetividade, completamente burocrático da ausência de treinador que tínhamos no posto de técnico, antes da chegada de Levir.
Ontem, se não houve qualidade, houve entrega. Raça. Disposição. Muita correria até.
E como é diferente ver um time que ao invés de retornar todo para seu campo, atraindo para cima de sua retaguarda até o goleiro adversário, joga marcando lá na frente, a saída de bola.
Encurtando os espaços. Impedindo que o adversário tenha campo e tempo de construir jogadas. Tenha condições de armar jogadas planejadas.
Nitidamente essa nova postura, de quem está com fome de bola e disposto a tudo para brigar pela posse da gorduchinha, já mostrava o dedo de Levir Culpi.
E foi sufocando a defesa do Atlético Nacional, que o beque colombiano rifou a bola desviada na trave por Tardelli, para a recuperação de Emerson Conceição e o passe para o chute certeiro da entrada da área de Fernandinho.
Quem estava em campo, atento, pode até mesmo alegar que foi a correria e a entrega que foi minando as energias de alguns dos jogadores do Galão, fazendo com que passassem no segundo tempo a mostrar cansaço, não porque pararam em campo e começassem a se arrastar, mas por não mostrar forças para dar sequência a qualquer jogada que fosse.
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Foi isso que senti em Tardelli, a quem eu mesmo critiquei para os companheiros ao lado. Corria, corria, lutava e, na hora de tentar uma jogada, um passe, conseguiu não acertar nada que tentou.
Teve uma ou duas ocasiões em que lançou a bola para ninguém, no vazio, mostrando que se jogava com a alma, não conseguia unir a raça à inteligência.
E não dava sinais de que fosse esse cansaço fosse causado por farras e noitadas. Era mesmo o desgaste físico e intelectual do jogo e do corre-corre.
E essa constatação não foi apenas minha. Foi de toda a torcida do Galo que no segundo tempo, por duas vezes em que Tardelli perdeu uma jogada bisonha, entoou o grito com que salda nosso ídolo: "Tardelli....gol...gol...gol".
Não veio o gol. Vieram gritos pedindo Guilherme, ao menos da torcida do Galo na Veia. Vieram reclamações e comentários de que Levir estava demorando a mexer no time.
Guilherme era a opção natural e, embora Tardelli estava se doando, achei que ele devia sair. Mas não sair como saiu, manifestamente irritado.
Confesso que só à noite, vendo as imagens da Fox foi que vi que ele apelou chutando a garrafa de isotônico, e ainda soltando um sonoro "tomar no c.... " do banco.
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Acho até compreensível que um jogador fique chateado com o fato de ser substituído, especialmente quando tem gente jogando menos. Mas o faniquito de Tardelli não teve razão de ser... e além de ele não estar bem no jogo, nada justifica apelar como ele fez.
Uma coisa é deixar claro que gostaria de jogar mais um pouco e reagir, já que isso mostra vontade, brio. Mas, explodir, tentando jogar torcida contra técnico, não é reação que mostre gana, raça. Mostra até mau caratismo.
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Em campo, tinha jogador se entregando menos que Tardelli.
Ronaldinho Gaúcho, embora tenha corrido ontem, e mostrado disposição, era outro que também não se justificava no gramado. Tudo que tentou, até mesmo em bola parada, não funcionou. Mas, caminhando para a decisão nos penaltes, e sempre lembrando de uma possível falta próximo da área, como tirar o cobrador oficial do time?
Fernandinho era outro que mostrava, de um lado, muito individualismo; de outro, uma certa má vontade de estar ajudando a defesa na marcação do lateral esquerdo do time colombiano.
Tudo bem que a torcida pegou no pé de Alex Silva, que corria para o meio da área, deixando a esquerda livre para os avanços do camisa 6. Mas, em minha opinião, na intermediária, na posição em que o lateral se postava pedindo que lhe passassem a bola, acho que a marcação deveria sr feita por quem, em tese, estava jogando pela direita: Fernandinho.
Mas, Fernandinho era o mais objetivo. E já tinha marcado um gol, depois de excelente jogada de Jô.
O centro-avante ontem, mais uma vez, brilhou, fazendo as jogadas de ida até a linha de fundo, que nenhum ponta ou lateral sequer tentava fazer.
Foi de Jô que saíram as jogadas de ataque mais perigosas, embora repetindo o erro e o problema. Ele saía, ia à linha de fundo e cruzava para..... quem? Se ele é quem deveria estar naquela posição, esperando a bola para aproveitar sua altura, inclusive.
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Tanto quanto Tardelli, esforçado mas intelectualmente cansado, estava Donizete que não conseguia passar a bola de sua perna direita para a esquerda. Muito bom no desarme. Mas sofrível como responsável pela saída de bola ligando a defesa ao ataque.
Pierre também estava cansado e mostrou isso, jogando bola para ninguém tanto quanto Tardelli. Mas Pierre, em minha opinião, destrói mais e melhor que Donizete.
Eu não teria tirado Pierre mas Donizete. E não sei quem poderia ter sido posto em seu lugar, mas até mesmo Cuca tentou Réver pelo meio, no ano passado.
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De tudo, além de Victor, o excelente Otamendi, que errou dois passes, um dos quais ele mesmo se recuperou no lance para retomar a bola. No resto do jogo, não errou nada. Não perdeu uma jogada. Mostrou que é um monstro.
E a ausência de Marcos Rocha. Que saudade do Marcos Rocha!
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Mas, como disse, se foi o melhor jogo do ano do Galo, mais uma vez não merecemos ganhar ou avançar.
Embora seja necessário reconhecer sempre, que tanto quanto no jogo da final do campeonato mineiro, em que também o Cruzeiro foi infinitamente melhor, houve um lance em que o juiz nos prejudicou flagrantemente.
Ontem, no lance em que Jô arrancava em direção ao gol, nas inversões de faltas ou não marcação de faltas no meio de campo, e especialmente, na validação do gol do time colombiano, em impedimento, o juiz mostrou a que veio: parece que não irão deixar mais um time brasileiro conquistar pela sexta vez consecutiva, acho, a taça Libertadores.
Desde já, o Cruzeiro que se acautele e mexa seus pauzinhos, para não vir reclamar depois.
Bem é isso. Jogamos melhor. Mas não o suficiente para desfazer a lambança feita pelo paisagem que ficava no túnel à beira do campo, verdadeiro nada. E as lambanças de quem contratou cavaleiro de tão triste figura e memória.