domingo, 17 de agosto de 2014

Discurso em homenagem aos formandos de Economia 1º semestre de 2014

Vivemos um momento singular em nosso país, que exige de nós tanto maior reflexão quanto responsabilidade. E isso não só porque realizamos um evento do porte de uma Copa do Mundo, aquela que não iria acontecer ou em que acontecendo,  seria um desastre.
A Copa não apenas foi realizada como foi um êxito, ao menos em campo. Independente de termos de aprender amargamente, a engolir nossa arrogância. Afinal, não somos mais os reis do futebol, se é que já o fomos algum dia. Devemos até ter cuidado para não descobrirmos debaixo de nossos assentos algum gol perdido da Alemanha.
E a Copa funcionou APESAR da confusão tão típica nossa, tão admirada como exótica pelos estrangeiros, incapazes de entenderem como algo que tem tudo para dar errado, funciona.
Certo que a Copa não foi nenhuma maravilha, nem o seu legado, embora seus custos irão pesar por muito tempo sobre os ombros e bolsos de todos nós.
Vivemos ainda um instante rico, de corrida eleitoral,  que entra agora em sua etapa mais crucial, com o início da propaganda eleitoral gratuita, abalada pelo trágico acidente que ceifou a vida de um candidato à corrida presidencial. Político jovem, de grande potencial, mais que uma promessa, já uma realidade. Uma perda para a democracia, essa flor sempre tenra e débil de nosso país.
Episódio que levou a presidenta Dilma a manifestar seu pesar, reconhecendo e refletindo sobre a fugacidade da vida.
Mas mesmo reconhecendo a importância da figura de Eduardo Campos, vale perguntar: será mesmo tão frágil a vida?
Afinal, em meio a toda a efervescência que nosso país atravessa, somos um povo cordial. Onde não existem guerras nem a bestialidade humana nos arrasta a um genocídio, como o que assistimos em Gaza.
Onde desde 8 de julho, início da ofensiva militar 1928  palestinos foram mortos, dentre os quais 1300 civis, principalmente mulheres e crianças. Quanto às baixas israelenses, também recordes, 64 soldados já perderam suas vidas.
Vá lá. Por mais a primeira vítima da guerra seja a verdade, tais números chocam e aterrorizam.
Mas, e aqui no Brasil?  Como é sabido que as estatísticas perseguem os economistas, somos informados pelo Mapa da Violência de 2014 que o número de assassinatos no Brasil passa de 500 mil, no período de 10 anos. A maioria das vítimas na faixa etária de 15 a 29 anos. Negra.
Apenas em 2012, 154 pessoas morreram a cada dia, em média, vítimas de homicídios. Número que cresce em um ritmo superior ao do aumento da população na mesma década. E que nos coloca na honrosa 7ª posição em 2014, ao se calcular o número de mortes por cada grupo de 100 mil habitantes entre 100 países. O que nos permite ficar atrás de Colômbia, Venezuela, Guatemala e outros.
Enquanto preparava esse discurso, ergui os olhos para o quadro pendurado à minha frente, com o poema Que País é Esse, de Affonso Romano de Sant’Anna, que se inicia assim:
 Há 500 anos caçamos índios e operários
Há 500 anos queimamos árvores e hereges
Há 500 anos estupramos livros e mulheres
Há 500 anos sugamos negros e aluguéis.
E matamos jovens, pretos, pobres, putas, gays, gente invisível, por sua insignificância. Mas, gente!
Prova cabal de que para a imensa maioria de nosso povo, a morte não pode ser considerada um acidente. Ao contrário o acidente é o ato de nascer. É a própria vida.
País que trata a maior parcela de seus filhos de forma injusta, como deserdados.
Porque a leitura atenta dos jornais nos informa que levantamento realizado pela Prefeitura de São Paulo, comparando os rendimentos ganhos entre 2000 e 2010, revela o enriquecimento do 1% das pessoas mais ricas que ao invés de embolsarem 13 de cada 100 reais gerados na cidade, passaram a ganhar 20 reais.
Por outro lado, os 50% mais pobres pioraram sua renda, que caiu de 11,65 para  10,57 reais. Cifra que o autor da matéria considera ter ficado estagnada!!!
Estudo que nos leva a concluir que enquanto os muito ricos ou muito pobres melhoram, a classe média vê a banda passar. E que se as políticas assistencialistas afetaram a renda da classe média, não afetaram negativamente a renda dos muito ricos.
Curiosamente, no mesmo dia, o mesmo jornal informava que para estacionar um jatinho como o que vitimou Eduardo Campos no pátio de Congonhas, pagava-se entre 92 centavos e 1 real e 7 centavos a hora. Enquanto no estacionamento de veículos, o preço era de 4 reais a hora.
Fiquemos por aqui. Afinal hoje é dia de festa. Hoje é dia de comemorarmos a conquista de mais uma vitória na sua trajetória. Vitória fruto do esforço pessoal, do interesse, dedicação, vontade de cada um de vocês.
Claro que tudo isso não seria possível se não fora a contribuição de pais, irmãos, filhos, companheiros, companheiras, amigos, que nos suportaram nessa jornada. Suporte de apoio e de paciência. Merecedores também eles de nossos cumprimentos e agradecimentos.
Mas se é festa, não podemos nos esquecer de que a responsabilidade suas agora é a de profissionais. Fica maior, se amplia.
E que serão vocês que irão no futuro, serem os responsáveis pelos rumos de nosso país. E que o futuro já começa agora, nas próximas eleições.
Devo admitir que não invejo sua responsabilidade. Afinal serão vocês que decidirão entre construir um tecido social cada vez mais esgarçado, uma sociedade cada vez mais polarizada e injusta ou cada vez mais justa, mais digna e fraterna. Se não os invejo, não os temo. Sei do potencial e nobreza de intenções de cada um de vocês.
E a todos parabenizo. E desejo felicidades.
Obrigado.



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Eduardo Campos e a morte de Eduardo

Bombardeados que somos diariamente por inúmeras peças publicitárias, anúncios de todo tipo e espécie, propagandas em geral, confesso que, em meu caso, na maioria das situações, os slogans não conseguem mais cumprir a finalidade a que se propõem, despertando minha atenção. É como se eu estivesse vacinado contra eles, de forma a que não conseguisse mais distingui-los uns dos outros, sinal da perda de sua função.
Mas, no meio dessa imensa quantidade de slogans disputando por nossa atenção, um em especial sempre conseguiu se destacar, ficando gravado em meu inconsciente. 
Trata-se do slogan adotado pela BandNews FM, a rádio que toca notícias do Grupo Bandeirantes, que martela nossa atenção, divulgando que "Em 20 minutos tudo pode mudar".
É verdade, ao menos em parte. Afinal, para muitas coisas na vida, o período de tempo anunciado é suficientemente extenso, dando oportunidade a que o slogan se confirme. Entre esses eventos que conseguem promover alterações significativas e definitivas em nossa vidas, encontra-se, sem dúvida e com destaque a própria circunstância que caracteriza o fim da vida. Nesse sentido, a morte, representa não caracteriza não apenas algo irremediável, como é capaz de alterar tudo a sua volta.  E, a rigor, nem precisa de 20 minutos, pois como diz a sabedoria popular, para morrer é necessário muito pouco. Para morrer, diz o dito, basta estar vivo.
Faço essas considerações para tratar do assunto que dominou manchetes e noticiários no dia de ontem, pela carga que contém de trágico, de inesperado, como foi o acidente que vitimou o candidato a presidente da República Eduardo Campos, do PSB.
Ex-governador de Pernambuco, com gestão amplamente aprovada ao final de dois mandatos naquele estado, que o capacitou a postular o cargo maior da República, Eduardo era uma liderança política jovem, reconhecida mesmo por seus adversários como apto a reivindicar e, caso vitorioso, vir a exercer o mais alto cargo do Executivo Federal, com dignidade e competência.
Nesse sentido, as tradicionais declarações de pesar que costumam salientar a importância, o brilho, a inteligência, a disposição, o preparo do homem e, acima disso, o significado de sua perda para o país, e principalmente para a democracia brasileira, não foram meras frases retóricas. 
A morte de Eduardo Campos representou, de fato, grande perda não apenas para sua Renata, companheira permanente, e seus 5 filhos, irmãos e familiares, mas uma perda para a Política brasileira.
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Em relação não apenas ao infortúnio, curiosamente eu comentava em sala de aula, ainda ontem de manhã, o fato de não ter podido acompanhar a entrevista que ele havia dado a William Bonner e à Patrícia Poeta no Jornal Nacional da última terça-feira, por força de ter iniciado as aulas do período da noite.
Lamentei não poder acompanhar a entrevista do candidato do PSB e, por uma questão de justiça, não poder tecer quaisquer considerações críticas aqui nesse blog, tal qual havia feito em relação à entrevista do candidato do PSDB, Aécio Neves.
Simpático ou não ao candidato mineiro, cuja entrevista critiquei pelo vazio de sua retórica e de seu conteúdo e ausência de propostas concretas de governo, comentei junto aos alunos que achava injusto com o peessedebista ter tido a oportunidade de ouvi-lo, criticá-lo e não poder fazer o mesmo em relação a Eduardo Campos, à presidenta Dilma ou ao pastor Everaldo. 
Para não ser acusado de estar dando tratamento desigual aos candidatos, até mencionei o fato de que havia pedido em minha casa que gravassem a apresentação do pernambucano neto de Miguel Arraes, para que pudesse escutá-la e comentá-la posteriormente.
Infelizmente, a entrevista foi ao ar e, em casa, se esqueceram de providenciar a gravação. Razão porque eu não pude tratar da participação do candidato.
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E, como diz o slogan, como em 20 minutos tudo pode mudar, hoje, sem sua presença aqui entre nós, a entrevista de Eduardo e a análise de suas opiniões e propostas já não faz mais sentido, valendo mais apenas como registro de memória do que era seu pensamento, ideias e ideais.
Por ter perdido sua entrevista, por ter estado em sala de aula durante toda a parte da manhã de ontem, por ter sabido do funesto acidente justo na hora do almoço, acompanhando os jornais televisivos daquele horário, achei por bem não fazer qualquer postagem ontem.
Como demonstração do luto que todos estamos sentindo e em homenagem a Eduardo Campos, e sua figura sempre afável, sorridente, de voz mansa e olhar tranquilo, ao menos nas imagens que nos chegavam pela midia. 
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Mas, como diziam os antigos, rei morto, rei posto. E, sem perda de tempo, as especulações políticas já começam a discutir os nomes daqueles que poderiam vir a ocupar o lugar de Campos, como candidato da legenda ao cargo de presidente da República. 
Discussões bizantinas, em minha opinião, já que o nome de Marina Silva, candidata a vice-presidente na chapa homologada em convenção partidária é, de longe, o mais talhado para ocupar o posto agora vago. 
Afinal, nunca é demais lembrar que foi o próprio Eduardo que, desde o primeiro momento procurou costurar, mais que o apoio da ex-senadora e colega de ministério de Lula, os acordos que permitiram que Marina saísse como companheira de chapa. Isso para não lembrar que, dado seu peso eleitoral, durante algum bom tempo que antecedeu à indicação formal dos nomes do partido, ainda se discutia se não seria melhor que Marina saísse como cabeça da chapa.
Jogo de cena ou não, isso agora não é relevante, mas pode servir para assegurar que o nome de maior visibilidade e maior densidade no partido seja o da ex-senadora acreana.
O que se discute a partir de agora, então, não é o nome do substituto, mas suas chances eleitorais e que tipo de alterações sua entrada em cena pode provocar na corrida e no resultado eleitoral. 
Sem querer ser adivinho, acredito que a entrada de Marina, mais que qualquer outro nome, vá se beneficiar também da comoção que a perda recente de Campos irá acarretar. Isso sem considerar que a candidata já havia demonstrado grande apelo popular, tendo nas eleições de 2010 conseguido grande votação, especialmente em estados com um eleitorado de caráter mais conservador, embora com roupagem mais moderna como o estado de Minas Gerais. Afinal, nunca é demais lembrar que Marina Silva representa a mensagem do novo, simbolizado pelo respeito e cuidado com o meio ambiente, e com a questão cada vez mais transformada em modismo da sustentabilidade. Seja lá, exatamente o que isso possa significar.
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Quanto à análise de quem perde com a entrada de Marina na disputa, minha opinião é de que Aécio é que tem mais a perder, já que Marina concorre na mesma faixa de centro-direita do menino do Rio, tirando mais votos do ex-governador mineiro que de Dilma. 
Em acréscimo, se ao que tudo indica Aécio pode vir a perder alguns votos junto a sua base eleitoral, a saída de cena de Eduardo Campos abre um enorme espaço no Nordeste para o crescimento da presidenta Dilma, com quem já disputava palmo a palmo. 
Por mais que acredito que parte do eleitorado de Eduardo, por força até da comoção, possa transferir votos para Marina, acho que a candidata tem um potencial mais deletério para Aécio. 
Curiosa e até contraditoriamente, daí o que se pode esperar é o fortalecimento, tal qual em 2010, da possibilidade de ocorrência de um segundo turno que, a julgar por toda a nossa experiência eleitoral, deverá mais uma vez representar uma polarização entre o PT e o PSDB.
Entretanto, as pesquisas é que irão, a cada dia mais que nos aproximarmos do pleito, indicar se tal palpite tem alguma sustentação ou é mero chute.
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De qualquer forma, perde o país e perdemos todos nós, cada vez que figuras como a de Eduardo Campos se vão. O que nos deixa, claro, mais pobres.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Robin Willians e o dia dos Pais; seus comentários sobre o Brasil. Uma nota sobre o Galo. De quebra o vazio de Aécio, no Jornal Nacional

Talvez tenha sido, que seja de meu conhecimento, uma das maiores homenagens que tenha sido feita aos pais. Em minha opinião, uma das maiores de Hollywood, embora não fosse essa a intenção, já que o filme procurava, sem ser piegas, discutir uma questão mais importante: a da disputa da guarda dos filhos quando da separação do casal, chegando até mesmo a essa alternativa, hoje tão usual, da guarda compartilhada.
Mas, Uma Babá Quase Perfeita, ou Mrs. Doubtfire, com Robin Williians fazendo o papel de um superpai preocupado em cuidar de seus três filhos foi, para mim, um marco.
Além de sucesso de público e do êxito que trouxe a seu protagonista. Cujo talento já tinha sido reconhecido com outros filmes como Bom Dia, Vietnã, ou A Sociedade dos Poetas Mortos, que tantas vezes foi exibido em ambientes e sessões que tentavam mostrar como a inovação, a mudança de hábitos e comportamentos era capaz de promover revoluções.
Além disso, Robin Willians já tinha sido reconhecido pela Academia, tendo recebido o Oscar de melhor ator coadjuvante por seu papel como o psicólogo ou psiquiatra em O Gênio Indomável.
Também marcante foi seu papel como o dr. Patch Adams, no filme cujo título em português foi O Amor é Contagioso, em que faz o papel de um médico que inova no tratamento a doentes internados em hospitais.
Também atuou no comovente O Pescador de Ilusões, de Terry Gilliam e, mais recentemente, no filme Uma Noite no Museu e suas continuações.
Fora das telas, as notícias sobre o ator e sua personalidade não eram tão brilhantes.
Consta, por exemplo, que era excessivamente grosseiro e de mau gosto nas respostas dadas nos programas de entrevistas de que participava, tendo em uma dessas ocasiões, sido extremamente ofensivo ao Brasil.
Tratando da preferência e da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, que disputava o direito de realizar os jogos contra a cidade de Chicago, comentou que Oprah - então a representante dos interesses da cidade americana, não precisava ficar chateada com a derrota, já que o Brasil tinha enviado strippers e pó à cerimônia de escolha do local do evento.
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Passando por problemas pessoais, tendo admitido seu vício em álcool e outras drogas, e tendo se submetido a tratamentos de recuperação, o ator ainda sofria de depressão, o que nos leva mais uma vez a indagar se sucesso, fama, reconhecimento são atributos suficientes para tornar a vida mais plena, mais fácil de ser vivida.
Para Robin Willians, parece que não. E ontem, o ator foi encontrado morto em sua casa, aos 63 anos.
Justamente dois dias passados da comemoração do Dia dos Pais no calendário de nosso país, o que é no mínimo uma coincidência digna de registro, tendo em vista ele ter participado de uma das maiores homenagens feitas aos pais, conforme afirmei no início desse comentário.
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O Galo e Marcos Rocha

Gosto de Marcos Rocha, a quem considero, ao lado de Cicinho, lateral santista, um dos maiores laterais direitos de nosso futebol atual.
Considero que ele tem sido um dos jogadores mais regulares e destaques do Galo, hoje menos na armação de jogadas e na opção de saída de bola da defesa para o ataque do time, que na época de Cuca. Ao contrário, com Levir o jogador tem se tornado peça mais fundamental na segurança que tem proporcionado à defesa do Atlético, cobrindo as várias falhas que a defesa pesadona costuma apresentar.
Entretanto, se tem melhorado seu comportamento em relação ao seu papel na defesa, como seus críticos tanto cobravam dele, percebe-se nitidamente sua vocação para partir para cima da defesa adversária, postura à que ele se adequa com muito maior satisfação.
E Marcos Rocha tem, em minha opinião, futebol, técnica e condições de substituir o meio campo deficiente do Galo, especialmente em relação a esse papel de armador de jogadas, melhor que a tática do chutão e da ligação direta tentando achar Jô, ajeitando a bola para a chegada de seus companheiros vindos de trás, e tirando o centro-avante da posição que ele devia estar guardando, na área.
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Mas, no jogo contra o Palmeiras, no último domingo, Marcos Rocha foi mal, errando passes e lançamentos em demasia, o que o colocou na posição de ser um dos que mais contribuíram para o festival de passes errados em que o jogo se transformou.
Que isso não invalida o fato de ele ter qualidades, é inegável, mas daí a escolher o lateral como melhor jogador em campo, vai uma distância quilométrica.
E, além de premiar o lateral, o que foi injusto em minha opinião, eu que sempre o elogio, deu a ele a oportunidade de se emocionar, permitindo a ele chorar ao mencionar a filha pequena, e de ser alvo de perguntas sobre as dificuldades que a zaga do Galo vem apresentando.
Principalmente, ao tratar de jogadas aéreas na defesa, que sempre têm terminado em gols dos times adversários, apesar do tamanho dos nossos defensores.
E Marcos Rocha falou que talvez fosse um problema de colocação em campo, já que Levir privilegia a marcação por zona ao contrário da marcação individual.
Pela declaração que ouvi, não era uma crítica ao técnico do time, senão uma opinião pessoal. E, ao contrário da repercussão e da polêmica que gerou, a declaração concluía com a opinião de que o treinador iria saber corrigir as falhas detectadas.
Talvez por ser cobrado pela qualidade ruim do futebol do time, que mais uma vez venceu no sufoco, no fim do jogo, Levir não aparentou estar tranquilo ao ser indagado sobre o que achava da opinião do jogador, pergunta feita como se o comentário tivesse sido uma crítica pesada, ao contrário de minha interpretação.
E Levir reagiu falando de traição, e depois, ao identificar o autor do comentário, falar que irá ter uma conversa particular sobre o tema.
Para mim, basta que o nosso técnico veja a entrevista de cabeça fresca para ver que exageraram a fala de Marcos Rocha, e que ele estava muito mais parecendo querer se defender que atacar o que quer que fosse, especialmente o esquema tático adotado pelo Galo.
Mas, como com o Galo tudo tem outra repercussão...

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Aécio e o vazio das propostas

Como sempre, ao ser entrevistado ontem pelo Jornal Nacional, na Globo, Aécio não passou das obviedades do discurso que, parte da imprensa insiste em classificar como sendo o discurso do conciliador, para esconder o discurso vazio.
Alegar que foi o governante que mais fez pela saúde e por outras áreas sociais no estado de Minas, enquanto foi governador, invertendo inclusive dados apresentados pela Patrícia Poeta, e argumentar ter sido um governante moderno, inovador, que patrocinou um choque de gestão em Minas, para tirar o estado mineiro do marasmo, só convence mesmo àqueles que não o conhecem, ou àqueles que, com as informações censuradas por "seu carisma e simpatia" tiveram negado o conhecimento da real situação e condições do Estado.
Condições que fazem com que o Estado tenha sido condenado pelo Supremo a pagar o piso nacional dos professores, que não é pago. E que tenha sido apanhado em flagrante ao usar de artifícios que tanto condena no governo federal, para poder cumprir as metas de destino de recursos para a Saúde.
Quanto ao aeroporto, mais uma vez, tergiversou, no que foi ajudado pelos apresentadores que, sem perguntar mais incisivamente da necessidade de um aeroporto na megalópole que é Cláudio, viram que daquele mato não sairia coelho. Nem qualquer explicação mais coerente. A ponto de o ex-governador mineiro dizer que o aeroporto apenas recebeu melhorias no final de seu segundo mandato, ao contrário do que era noticiado, já que a pista já existia, há muito tempo.
Mais uma vez, não falou e nem foi cobrado do fato de que a pista de terra para pouso já existia sim, desde que seu avô Tancredo governou o Estado e, com dinheiros públicos, resolveu favorecer o cunhado.
Segundo Aécio a chácara, um pequeno sítio, que a família mantém apenas para seu descanso de fim de semana.
Hoje, Eduardo Campos irá passar pela sabatina do Jornal. Torçamos para que a desfaçatez possa ser menor, para que o Jornal que já está apresentando quedas de audiência não venha a perder mais público. Afinal, quem o assiste cobra e deseja notícias e não o humor, quase pastelão que ele poderá vir a apresentar, caso o tom continue sendo o mesmo de ontem.
Ou achar que os petistas condenados pelo mensalão merecem críticas, e mancham o curriculo do partido contrário, mas o Eduardo (Azeredo) de seu partido ainda não merece nenhum comentário, já que não foi julgado e não pode ser pré-julgado...
Faz-me rir...
Mas, há quem compre. Podia era comprar e levar para casa...no embrulho.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A farsa de Aécio e a interpretação inocente do jornalista. Debate na Band contra candidatos com ficha questionável e o que está por trás de 39 ministérios

A frase é bastante surrada, mas é a mais adequada ao momento e, principalmente, ao comentário feito pelo jornalista Carlos Lindenberg, no Jornal da Itatiaia dessa fria quinta feira, 7 de agosto: "Me engana que eu gosto!"
Porque ou o jornalista é mal intencionado, ou muito inocente, provavelmente, nem uma coisa nem outra, antes uma mistura delas.
Isso porque, em seu comentário tratando da presença e do discurso proferido ontem, no Senado Federal, pelo candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves, ficamos sabendo que o senador mineiro resolveu não solicitar licença de seu mandato, durante o período em que estará em campanha pelo país. Entretanto, demonstrando amplo respeito pela Casa, e para não parecer um oportunista, um aproveitador ou um senador relapso com suas obrigações, a primeira das quais, se fazer presente no Senado, o menino do Rio afirmou que irá abrir mão de sua remuneração pelo período que antecede as eleições.
Foi além, afirmando que embora estará em campanha pelo país, pretende manter seu mandato para poder, quando e se necessário, poder usar a tribuna para, como líder que é da oposição, apresentar as ideias, , propostas, e críticas que o partido julgar pertinentes.
Por óbvio não mencionou a importância da manutenção de seu gabinete, de sua equipe de assessores, e de todas as benesses que o cargo lhe assegura, para o desenrolar de sua campanha.
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Bem, e com que comentário nos brinda o insigne jornalista mineiro? Que tudo não passou de criação de um mero factoide por parte do Senador por Minas. Que em linhas gerais, nada muda, ficando tudo na mesma, já que agindo como prometeu agir, Aécio poderá discursar da tribuna, quando julgar oportuno e estiver na Capital Federal, podendo sempre responder às acusações de não estar presente, alegando estar em campanha. Ao que poderá acrescentar o fato de que não está desperdiçando recursos do Legislativo.
Ok. O senador venceu! E convenceu ao jornalista. E, parafraseando o grande Machado, "ao vencedor, as batatas". Na frase depois modernizada pela Blitz e Evandro Mesquita, "batatas fritas!".
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Porque que factoide sem qualquer importância maior é essa decisão de o senador poder continuar usando de suas prerrogativas e dos benefícios de seu cargo?
E quem garante que Aécio irá, de fato, devolver o valor de seus rendimentos, já que o próprio Senado já informou que, sem sua licença, continuará fazendo o depósito de seus 26 mil e poucos reais, religiosamente, como manda a lei?
E como acreditar que Aécio, em campanha e com as preocupações daí decorrentes, irá perder seu tempo para ir à Brasília, para poder então preencher um Darf, destinado a efetuar a devolução do valor indevido, ao Senado?
Quem irá fiscalizar se vai cumprir ou não sua promessa, destinada a ter o mesmo fim de tantas outras equivalentes, enquadrada como mais uma, de campanha?
Na verdade quem irá se lembrar dessa promessa dentro de algumas semanas? Seria o jornalista que defende nossos interesses, o bravo Lindenberg?
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Claro que Lindenberg apenas serve para ilustrar, nesse espaço, qual é o tratamento dispensado aos políticos, por nossa imprensa, especialmente quando essa imprensa tem interesses e mantém laços com algum político ou candidato?
Porque, na verdade, não há nada de incorreto em um jornalista ter suas preferências e vir a público expô-las, acompanhada ou não de suas razões. Isso não apenas é salutar, mas democrático. E contribui para o jogo e o aperfeiçoamento de nossas instituições democráticas.
Inconcebível é o jornalista não deixar claro sua posição, seu interesse, e passando por alguém imparcial, tecer comentários que podem induzir aos ouvintes eleitores.
Confesso que não assisto à maior parte dos comentários de Lindenberg, nem na rádio, nem na edição mineira do Jornal da Band. E não sei, portanto, se ele declarou voto em alguém.
Mas desconhecer que a manutenção do mandato nesse momento pode trazer vantagens que ultrapassam a questão da remuneração, é no mínimo uma falha inaceitável em profissional que ocupa tal posição.
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Mas não é apenas essa a declaração de Aécio capaz de ganhar destaque nos noticiários de hoje.
O candidato, em evento com representantes de setores ligados ao agronegócio, também se comprometeu, ainda no primeiro dia de seu mandato,  em criar um superministério da Agricultura, incorporando vários interesses hoje disseminados em outras instâncias administrativas.
Justo a música que os ouvidos dos empresários presentes estavam ansiosos para ouvir.
O que também não é de se estranhar do candidato que, ainda nessa semana, em outro evento, prometera recriar o Ministério da Infraestrutura, fortalecido tal como na gestão por exemplo de Eduardo Teixeira, no governo de saudosa memória de Collor de Melo.
O que, dados o estilo, a forma midiática de se dirigir à população brasileira, às afinidades, etc. revela mais de Aécio e de suas referências que qualquer outro comentário que tivesse a finalidade de depreciá-lo.
Aécio e Collor são, na verdade, e até por suas origens, farinha do mesmo saco. Embora o desconhecimento dos eleitores por Collor fosse maior, bem maior nos idos de 89, que a ignorância em relação a Aécio.
Pelo menos em parte.
Collor foi prefeito de Maceió e governava o estado de Alagoas, de pouca projeção nas regiões que concentram o grosso do eleitorado.
Aécio foi governador e é senador por Minas, estado que concentra um dos dois maiores colégios eleitorais do país.
Mas, tanto quanto Collor, Aécio é um completo desconhecido do público, até mesmo dessas Minas Gerais, já que seu governo usou e abusou do direito de impedir que a imprensa pudesse manifestar-se livremente, e pudesse investigar a fundo as várias críticas feitas a seu famoso choque de gestão.
A bem da verdade, nem precisou muito adotar medidas mais ligadas à censura, junto a uma imprensa que, por medíocre, sempre preferiu blindá-lo.
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Mas agora, uma campanha publicitária paga com recursos do sindicatos representativos de funcionários da Educação, da Fazenda pública, funcionários do corpo da fiscalização do Estado - como tal, privilegiados em termos de remuneração - tem ocupado nossos órgãos de imprensa, para mostrar o que foi o governo peessedebista, que deixou de repassar 8 bilhões de reais para a Educação. Que governou concedendo favores às classes empresariais, em detrimento da grande maioria da população.
Mas, tal campanha não tem acredito eu, condições de por a nu quem é o candidato Aécio. O que é uma pena.
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Debate na Band inicia o período eleitoral para valer

Mudando de assunto, começa hoje, para valer, o horário eleitoral com o já tradicional debate promovido pela Band.
Hoje, e nos demais estados da federação, um debate entre os candidatos ao governo do Estado, em nosso caso, com uma polarização flagrante entre Pimenta da Veiga, o candidato dos tucanos e de Aécio, e Pimentel, o candidato do PT e da presidenta Dilma.
Pimenta da Veiga, ex-prefeito de nossa BH, que meteu os pés pelas mãos, ao tentar dar um vôo maior que sua capacidade, ou pelo menos em momento em que caldo de galinha e prudência mandavam que ele ficasse quietinho exercendo seu mandato na prefeitura.
Depois de longo período de ostracismo, Pimenta ressurgiu como ministro do governo de FHC.
Quanto a Pimentel, também ex-prefeito de nossa capital, é responsável por uma traição ao partido a que pertencia e aos seus princípios, por mais que queiram deixar esse fato no limbo, ao articular-se justamente com Aécio para eleger Márcio Lacerda para comandar os destinos da capital.
Como o avô de Aécio ensinava, a esperteza quando é muita engole o esperto, e se Aécio aprendeu a lição de Tancredo, Pimentel não parece não ter tomado conhecimento dela.
Alguns anos depois, rompeu com Lacerda, com Aécio, para completar a lambança de rupturas, iniciada com seus próprios correligionários.
Pimentel foi também ministro de Dilma, o ministro blindado por uma amizade antiga, já que a mesma acusação que valeu a demissão (graças aos céus!) a Palocci, foi feita também ao então ministro do Desenvolvimento e da Indústria. Mas, pela amizade antiga, o comportamento de Pimentel como consultor de empresas que atuavam na Prefeitura na sua gestão, não foi sequer motivo de muita investigação.
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Polarizado o debate, existe pouca informação sobre Tarcísio Delgado, tradicional político candidato pelo PSB, partido de Márcio Lacerda e contra o qual o prefeito se insurgiu.
Quanto aos demais candidatos, só é possível lamentar o pouco espaço que obtêm na midia, que os impede de mostrar a feição do novo na política, como é o caso do candidato do PSOL, partido também que chegou rachado à indicação de seu candidato.

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Aécio e seus 23 ministérios

Não poderia deixar de comentar aqui, declaração de Aécio de que irá reduzir o total de ministérios do governo, dos atuais 39 para 23.
Afinal, para o candidato, tantos ministérios é um acinte à inteligência do eleitor e da população brasileira.
Mas, qualquer pesquisa realizada nos sites de governo mostra claramente, que o número de ministérios de Dilma e do PT não passa de 24.
De onde, então, essa informação de que são 39? Um número mais de 50% maior?
O fato é que, exagerado ou não, os 15 ministros são de funcionários auxiliares de Dilma, que têm o status de ministros. Como é o caso do Ministro Chefe da Casa Civil, do secretário do governo ou do presidente do Banco Central, autarquia que existiria, assim como todas as demais funções, apenas que com status menor.
Portanto, não há como se falar em desperdício de recursos públicos com estruturas administrativas que continuariam existindo, mesmo se a denominação de seus titulares fosse rebaixada.
Mais sério que isso, e mais vergonhoso e preocupante, é saber porque tantos auxiliares com esse status.
No caso do Banco Central, a explicação é conhecida e ilustra bem o que deveria ser o foco de nossas preocupações.
Tudo não passou de uma forma encontrada por Lula para poder conceder ao justamente reconhecido Meirelles, um foro privilegiado, obrigando a que qualquer ato administrativo contra o presidente do Banco Central fosse autorizado e tivesse seu curso na mais alta Corte do país.
É isso. Simples assim. Ao menos nesse caso.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Recessão e enfraquecimento da indústria nacional tratados em palestra do professor Belluzzo

Em palestra promovida na noite de ontem, em São Paulo, o professor Belluzzo, um dos mais conceituados economistas do país e conselheiro da presidenta Dilma Roussef afirmou que são dois os principais riscos que desafiam nossa economia: a possibilidade de entrarmos em recessão - tecnicamente, dois trimestres sucessivos de queda do PIB, e o processo de desindustrialização ou pior, a continuidade desse processo, sinal de  uma indústria cada vez mais fraca.
Repercutindo as opiniões do professor, o jornal Valor Econômico destaca que Belluzzo apontou que especialmente o problema da indústria será um dos principais desafios a merecerem a atenção do futuro ocupante do Planalto, ao lado da necessidade de se promover reformas estruturais e estruturantes.
Entre as reformas, cita a política, visando reduzir o número de siglas partidárias que inviabilizam o funcionamento de qualquer democracia, e a reforma institucional, voltada para desobstruir os caminhos do investimento.
Quanto à recessão, indica que o modelo baseado no dinamismo dos gastos do consumo já alcançou seus limites, particularmente por força do tipo de bem que alavancou a nossa economia nos anos recentes. Isso é: sendo o consumo puxado por bens duráveis, como automóveis e eletroeletrônicos, uma vez adquiridos, não há um movimento de troca ou de novas compras em curto período de tempo.
Além disso, o professor constata que as famílias atingiram seus limites de endividamento, o que as faz reduzir a utilização das opções de crédito.
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Quem acompanha nossos comentários sabe que também essa, coincidentemente é nossa opinião, tanto pelo lado do consumo que não vai continuar se expandindo, por força da compra de um segundo ou terceiro automóvel, ou de uma segunda geladeira ou de um novo fogão, quanto pela preocupação em não se sobreendividar, em um momento em que o pessimismo que domina a conjuntura, recomenda cautela e redução de riscos. Afinal, configurando-se uma desaceleração da produção, como a que está em curso, é inegável que a situação dos empregos passa a ficar cada vez mais vulnerável.
De mais a mais, lembre-se que, comprados os bens de consumo que inserem as famílias no maravilhoso mundo do consumo, as famílias são atraídas e passam a se dedicar mais a um outro tipo de gasto, dessa forma, gastos em serviços. Razão porque salões de beleza, gastos com produtos de maquiagem e outros do gênero, gastos com academias e até mesmo em viagens, nacionais ou internacionais, começam a frequentar o menu de opções das famílias recém-chegadas ao mercado do consumo.
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Quanto à questão da preocupação com o enfraquecimento de nossa indústria, o professor afirmou que caímos no conto da pouca importância da manufatura, o que nos levou a dedicar pouca, se alguma atenção a esse importante setor da economia. Em lugar disso, passamos cada vez mais a dar atenção e ficarmos satisfeitos em nos tornarmos, cada vez mais, produtores de commodities.
Na verdade, em relação a esse ponto, devemos relembrar que esse não foi um movimento necessariamente intencional, ligado às ideias antigas das teorias de vantagens comparativas no comércio internacional, que culminam sempre na conclusão de que o Brasil é o celeiro do mundo, etc.
Como já tive a oportunidade de manifestar antes, minha opinião é que tudo isso foi e tem sido fruto da grande liquidez que predominava nos mercados do mundo durante os anos 90, com maciças quantidades de capitais vultosos em busca de sua valorização, uma vez esgotadas as oportunidades nas economias mais maduras ou desenvolvidas.
Procurando se valorizar, migraram para as economias, como a brasileira, que em um primeiro momento puderam se beneficiar desses recursos, servindo-se deles para eliminarem a situação de hiperinflação que muitas delas experimentavam.
Ora, se devemos o êxito do Plano Real, em parte e como o mostra o livro em que Cesar Benjamin nos apresenta as conclusões de um encontro de economistas em Itaici, à grande liquidez internacional, tal liquidez em nada nos beneficiaria, não fossem a liberalização financeira internacional, a queda das regulações aos fluxos de capitais, a livre mobilidade que daí decorreu e as taxas de juros de que os governos brasileiros se valeram para manter a inflação sob controle.
Com juros elevados, e a inundação de dólares em nossa economia, seguiu-se a valorização do real, responsável por derrubar nossas exportações de manufaturas, ao tempo em que estimulava, por baratas, as importações de peças, partes, componentes e matérias primas. Tudo isso, agindo no sentido de destruir nossa produção industrial.
Ao mesmo tempo, a entrada da China no cenário internacional e seu crescimento deu ensejo a que uma grande demanda de produtos como minério de ferro, soja e outras commodities tivesse lugar, o que beneficiou a nosso país duplamente. Primeiro pela expansão da produção e venda de tais produtos, depois pela elevação da receita de vendas dos produtos exportáveis, tanto em moeda internacional, quanto em moeda nacional, com os grandes empresários dos setores primários ganhando também pela valorização do real.
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Bem, foi o que bastou para criar essa situação que o professor identifica de fraqueza da nossa indústria, que corre o risco de criar outro problema caso o dólar seja valorizado, no futuro imediato.
Afinal, com dólar mais caro, pagaremos pela imprevidência de termos deixado grande parte de nossas cadeias produtivas terem sido sucateadas, quando substituímos os fornecedores internos por outros estrangeiros.
Sinal de que, nem sempre o que é uma decisão correta do ponto de vista microeconômico (redução de custos e preços dos produtos manufaturados) de curto prazo, gera benefícios macroeconômicos ou sociais, em prazos mais longos. Ou seja, as decisões micro podem sim, se revelarem portadoras tão somente de uma importante miopia.
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O professor está correto e, embora temporalmente difícil, como ele mesmo afirma, recuperar a força de nosso parque manufatureiro, esse será certamente um dos mais importantes desafios de qualquer que seja o próximo governo eleito.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Burro com sorte

Burro com sorte. Essa a expressão que tem caracterizado as conversas de Levir Culpi com alguns jornalistas da Globo, SportTv e PFC, o serviço de pay-per-view dos jogos da série A do campeonato brasileiro, quando perguntado de como se sente em relação às manifestações da torcida do Galo.
E foi assim ontem, como já tinha sido no jogo contra o Lanús, na conquista da Recopa.
Ao insistir na manutenção de Emerson Conceição em campo, atuando e falhando em todos lances de que participa pela lateral esquerda, e ao promover substituições não aprovadas pela torcida, imediatamente começa o coro de burro, burro, dirigido ao técnico, quando não são gritadas outras rimas, de mais baixo nível cultural.
A propósito desse coro que manda Levir ir tomar ... caracu, é importante deixar claro que, em geral o coro é puxado pela torcida que, no Independência senta-se exatamente atrás do banco em que fica instalada a delegação do Atlético. Ou seja, no setor dos privilegiados sócios do Galo na Veia. E é importante que essa condição dos torcedores que partem para o baixo calão seja destacada porque, a rigor, mais que se acharem os donos do clube, pelos 500 merrecas que pagam a cada mês conforme declaração de Kalil, esses torcedores é que, por hipótese, têm maior poder aquisitivo. Embora não haja vínculo necessário entre o nível econômico e de renda de qualquer pessoa com seu grau de educação, a ninguém escapa o fato óbvio de que, em nosso país, em geral os mais ricos são também, os que têm maior acesso à educação formal. Isso significa que, em geral, os mais ricos são também os mais letrados, os mais educados e mais cultos.
Mas, nesses tempos bicudos que estamos vivendo em nosso país, especialmente em função de pela vez primeira políticas públicas estarem sendo implantadas para reduzir as disparidades de nossa sociedade, diminuindo principalmente a desigualdade de renda e acesso a bens culturais, parece que certos setores compostos pelos únicos atendidos antes perderam sua proeminência. E, junto com a sua pretensa importância, perderam também a paciência, a postura e até a educação. No fundo, apenas reagem mostrando a mediocridade que lhes era característica desde sempre, mas que ficava obscurecida por sua posição e status.
Só isso, em minha opinião, para explicar o coro dirigido à presidenta Dilma por duas ou três ocasiões, durante os jogos da Copa e até mesmo o coro dirigido a Levir no último domingo.
Em resumo: são os mesmos ignorantes de sempre, arrogantes, que se consideram donos do mundo e que, em sua pequenez, apenas sentem que estão cada vez - felizmente valendo menos e obtendo menos privilégios - e por isso reagem como qualquer animal faria, desde que não educado.
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Mas, burro ou não, o certo é que o Atlético de Levir dá mesmo sorte e, especialmente em função do uso do amuleto Luan, foi capaz de virar o placar na prorrogação contra o Lanús e vencer a partida difícil contra o Atlético Paranaense, ontem.
Justiça seja feita: Luan não é apenas, como muitos o tratam, um talismã. O problema é que ele insiste, entra, disputa, briga pela bola e, deixando a defesa adversária em situação de desconforto, acaba induzindo tais defesas a erro. De onde surgem os gols contra, um contra o Lanús, outros dois ontem.
Mas, se a entrada de Luan sempre é de agrado da torcida, as mexidas de Levir são, no mínimo, estranhas.
Contra o Lanús, sacou R10, quando Maicosuel estava pior em campo. Ontem, tirou Guilherme, talvez cansado, mas certamente o cérebro do time.
Depois tirou Jô e lançou Dátolo, de novo estranha mudança, já que tinha André no banco...
E, enquanto isso, a torcida continua sem entender o porquê de Marion não ter qualquer chance...
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Independente disso, o Atlético movimentou-se muito e jogava muito bem com trocas de passes envolventes, levando perigo ao gol paranaense, embora a superioridade demonstrada em todo o primeiro tempo, não se transformou em superioridade numérica. Não fosse o gol, meio espírita de Léo Silva, em mais um lançamento com as mãos de Marcos Rocha, o placar teria ficado em brando. Jô perdendo gols, por pura ansiedade, a bola explodindo no travessão e até uma bola que parece ter cruzado a linha de gol, mas o chip eletrônico da Copa não funcionou, tudo tramava contra o Galo.
No segundo tempo, logo em seu início, um frango de Victor pegou o time de surpresa e, com isso, o time passou a cometer seguidos erros.
Foi então que Levir fez as mudanças e burro ou não, sortudo ou não, fez o Galo voltar a tocar bola, com qualidade e trocar passes em velocidade, a ponto de até Emerson Conceição começar a jogar bem.
E o Galo conseguiu, por sorte, impor-se ao xará conquistando mais 3 pontos preciosos.
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Não poderia deixar de falar da disposição de todo os jogadores, agora atuando sem terem ficado concentrados e, mostrando responsabilidade e profissionalismo.
Mas, tanto se fala de Guilherme e sua inteligência, jogadas e lançamentos preciosos, sempre deixando os colegas em boa situação, o que é verdadeiro, mas tenho de deixar registrado que, também Tardelli com sua movimentação e correria, e Jô, voltando para buscar jogo e fazer tabelas, merecem destaque.
Pierre e Donizete continuaram fazendo o que sempre fizeram e sabem bem... bateram muito. E foi só.
E Léo Silva voltou a jogar bem, com Réver sério.
Mas, cada vez mais, enche os olhos de toda a torcida que não se recusa a ver é o futebol de Marcos Rocha, de onde saem as melhores jogadas de ataque, ou de ligação entre a defesa e o meio. Dos passes de quem saem inversões de jogada, cruzamentos perigosos, lançamentos, tabelas, etc.
Marcos Rocha está sobrando tanto, que até cobrindo as falhas poucas de seus colegas do meio da zaga ele está. Está jogando o fino, e merece aplausos.

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A propósito de um pouco mais de respeito por opiniões contrárias


Não gosto do programa comandado por Afonso Alberto, no canal 6 da Net. Por culpa do apresentador, arrogante que se acha o dono da verdade. Mas, de vez em quando, é tão ruim a programação de nossa telinha, que acabo passando por lá.
Também concordo que o ex-juiz José Alberto Teixeira é muito chato, e até desagradável em seus comentários, às vezes.
Mas, o que vi na última semana foi estarrecedor. Contra a opinião de todos que elogiavam o time do Cruzeiro e que cantavam vitória antes a hora, inclusive prevendo uma goleada, o José Alberto insistiu em que o Cruzeiro não podia se sentir com a mão na taça, como Afonso falava.
Afinal, se para Afonso, ao final de setembro o Cruzeiro já será o campeão com 12 pontos de frente, o ex-juiz afirmava que, bastava um tropeço do time azul contra o Botafogo que o campeonato embolava.
Olha, embora o Cruzeiro seja o time de melhor campanha, e que está fazendo por merecer (infelizmente!) ser novamente campeão, o fato é que o futebol só acaba quando termina.
E, o José Alberto de forma desagradável parecia estar torcendo para o time mineiro perder, mais que apenas alertando contra um já ganhou no jogo do Rio.
Pois foi ironizado e escrachado e ... não sei, porque não aguentei a baixaria do apresentador e de seu filho e outros convidados ao programa.
Mudei de canal.
Mas, gostaria de saber o que passa pela cabeça de quem não teve respeito algum por um seu convidado, depois de o Cruzeiro ter tropeçado contra o time da estrela solitária no Rio, onde os jogadores jogam por amor à arte, já que, como é sabido, não recebem salários há muitos meses.
Lastimável... Pra não ver, ou como dizia um crítico de arte parece-me do Jornal da Tarde, de São Paulo: evite.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

As aflições de Agosto e o presente que me foi enviado, mostrando o vazio do discurso de certos ideólogos do deus mercado

Começa o mês de agosto. Mês do cachorro louco, considerado aziago, de muitas datas marcantes, nem sempre de forma positiva no cenário político nacional.
Mês de ventania, que amplia e realça o frio de fim de inverno, e aumenta nossa sensação térmica.
Na política, a importância atribuída ao mês é relevante, resultado da ocorrência de eventos que alteraram definitivamente os eventos que lhes seguiram, sendo exemplo desde o suicídio de Getúlio, em um dia 24 do ano longínquo de 1954,  até a renúncia de Jânio, como parte da trama da tentativa frustrada de golpe intentado pelo ex-presidente, mal completados sete meses de seu mandato. Renúncia que marcaria o princípio do período de incertezas e instabilidade que se abateria sobre o país, culminando com o golpe que implantou vinte e um anos de autoritarismo.
Agosto marca também a data de falecimento do presidente Juscelino Kubistschek, em acidente automobilístico, cercado de muitas suspeitas, em um dia 22 do ano de 1976.
Mas, deixando de lado a coincidência de datas marcadas por eventos históricos em distintos lugares do mundo, alguns tão nefastos como o massacre da noite de São Bartolomeu, ordenado por Catarina de Médici, no ano de 1572, e que apenas reforçam e alimentam a crendice popular como uma ligeira consulta ao Google serve para confirmar, a tradição talvez se justifique, ao menos nos países de língua portuguesa, apenas pela rima que agosto permite obter com desgosto.
Aliás, consta no Google que, por ser agosto o mês em que as naus portuguesas lançavam-se ao mar, as mulheres lusitanas evitavam casar-se nesse período, para não terem de passar solitárias seu período de lua de mel.
Curioso é que, considerado como mês do demônio, inclusive no candomblé, que homenageia Exu no dia 24, o mês, oitavo no ano, tenha surgido como homenagem a Augusto, que é um termo utilizado para se referir à divindade.
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Mas, nesse dia primeiro de agosto, e em outros dias que se seguem, em que tanta gente parente, amiga, comemora seu aniversário, fui eu que tive a satisfação de receber um presente, que me foi enviado sob a forma de um link.
Trata-se do endereço do youtube, de um debate em que participavam Ciro Gomes, ex-ministro, ex-governador e Rodrigo Constantino, dessa nova leva de economistas ultradireitistas que a Veja e seu grupo editorial acolhem, na companhia de tantos outros autênticos picaretas que julgam expressarem a opinião dos mercados livres, ou do mercado sacrossanto, e que na verdade apenas ficam recitando fórmulas surradas e vazias contra a presença do Estado e a importância do governo no cenário econômico.
Ao ver tal link e depois a passagem do programa a que compareceram, fica clara a ignorância de alguns petistas que estavam preocupados em listar os integrantes da midia e os que dela se valem para desatar a falar asneiras de cunho ideológico, como se fossem donos da verdade absoluta.
Ao invés de elaborar uma lista e divulgá-la, como que demonizando os tais donos da verdade universal, melhor seria tão somente dar destaque e divulgar e repercutir como for possível, as tais verdades insofismáveis que pregam. Ou seja, basta que fosse dado aos tolos mais alguns poucos metros de corda, para que eles se pudessem se enforcar por conta própria, escancarando a todos quantos os virem, o nível de sua imbecilidade.
Ciro, no debate, chama as alegações vazias de significado feitas por Constantino, de truísmos. Eu chamo de argumentos falaciosos e imbecis.
Eis o link, para aqueles que não tiveram a oportunidade de assistirem ao despreparo de Constantino e ao show que Ciro soube proporcionar:
https://www.youtube.com/watch?v=k3pKgGEo0GA
Caso o endereço não leve ao curioso leitor à página indicada, basta acessar o youtube, mandando localizar o debate Ciro e Constantino.
É uma verdadeira aula. E, como tal, imperdível, mesmo devendo eu admitir não nutrir simpatias por Ciro Gomes.
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Apenas para constar, devo ainda me referir mais uma vez à tal lista de caça aos representantes da direita ultrapassada que agem na midia. É que, concordando com vários nomes ali citados, como já tive oportunidade de manifestar aqui mesmo nesse blog, em comentário feito a propósito de episódio que envolveu a participação também de José Trajano, da ESPN, acho que a melhor postura em relação a tais figuras midiáticas é a de ignorá-las.
Assim, tão logo aparece na Globo, a figura de Arnaldo Jabor, uso da liberdade que o controle remoto nos dá e que torna esse instrumento uma das maiores invenções de todos os tempos. E pensar que Arnaldo, em uma de suas primeiras participações, comentando a entrega do Oscar, mereceu críticas minhas por fazer comentários completamente equivocados, de teor mais de esquerda. Está certo que, depois, desculpou-se, afirmando que acreditou que o seu papel era o de criticar a superficialidade ou futilidade dos filmes de Hollywood!!!!
Outro nome da lista é o de Diogo Mainardi, que confesso que nunca perdi tempo lendo, aliás, como não perco tempo lendo Veja. Acho a propósito, que Caras tem matérias mais ilustrativas...
Mas outro nome é o de Danilo Gentili, que eu acompanhava na Band, no seu Agora é Tarde, inclusive torcendo para que pudesse desbancar o programa do pernóstico Jô Soares. Mas, mesmo antes de ter se transferido para o SBT, comecei a perceber para além da comédia ou do humor, um certo ranço do apresentador, o que me fez não acompanhá-lo quando de sua mudança.
Que esteja fazendo sucesso, junto com seu programa, é questão que não me interessa nem diz respeito. Apenas torço para que, como Constantino, possa algum dia, encontrar alguém que possa lhe mostrar como seu discurso é vazio. E sem graça.