Cacoetes ou vícios de professor, exigem que os pitacos hoje sejam um pouco diferentes, mais na forma, menos no conteúdo.
Vamos a eles:
O capitalismo não é nem nunca foi a-histórico, embora o livro Curso de Introdução à Economia Política, do professor Paul Singer, em seu primeiro capítulo nos traga a observação de que devemos ter cuidado por que é assim que a escola neoclássica, que inunda os livros-texto e manuais de economia costuma apresentar o sistema.
O fato de dizer que os homens têm necessidades que devem satisfazer e que a atividade econômica é o estudo de como os homens usam recursos escassos para produzir os bens e serviços que mais os satisfaçam e que sempre foi assim, que os homens sempre tiveram necessidades e sempre as terão, é uma falácia. Um engodo.
A economia antes de ser o estudo de uma relação homens e meio ambiente, homens e recursos escassos ou não, deve ser ciência social, e entender as relações que os homens estabelecem entre si, enquanto envolvidos na necessária atividade para produzir o que lhes satisfaz.
***
Não sendo acima ou superior à história, como todos os eventos na vida, o modo de produção capitalista é datado: tem princípio, meio e fim. Já vi material afirmando que a implantação do capitalismo pode ser datada a partir da unificação do Estado Nação, com Portugal, lá pelos idos de 1300 e alguma coisa, com a eliminação dos feudos existentes.
Como até o momento em que o capitalismo se impõe como ordem social hegemônica com a Revolução Industrial, passam-se no mínimo 400 anos, devemos observar que o capitalismo deve ter tido, como qualquer fenômeno social em marcha, idas e vindas, momentos de crescimento e de retrocessos, etc.
E vai chegar ao final, em algum momento dessa magnífica viagem do ser humano pela terra.
***
Dessa forma, falar que o capitalismo vai continuar e ponto, é asneira ou completa falta de visão e compreensão da história da humanidade. E só vai chegar a termo por nossas ações, mais cedo ou mais tarde no tempo. Afinal, para a humanidade o tempo tem uma dimensão muito diferente do tempo histórico.
***
Assim querer comparar, a essa altura, a experiência do capitalismo com mais de 700 anos de experiência com a experiência de implantação do sistema socialista, do socialismo real experimentado pela União Soviética e suas repúblicas satélites é, novamente, desconhecimento, ou má-fé.
***
Isso não significa que o socialismo seja necessariamente nem melhor ou pior, apenas que é diferente. E que tudo que é diferente pode ser uma coisa ou outra.
A experiência da União Soviética, por vários motivos, assim como foi a experiência albanesa, chinesa ou da Coréia do Norte, ou ainda e pior a de Cuba, pode não ter sido boa. Mas era apenas o início de um processo que está em construção.
E como tal, que pode melhorar ou não.
***
De mais a mais, nem há qualquer obrigatoriedade, apenas porque descrito por alguns teóricos que o que aconteça e seja desenvolvido pela raça humana seja mesmo algo como o sistema socialista. Pode ser outra coisa, com o mesmo nome ou não. Mas diferente. Melhor ou pior.
***
Combater as ideias socialistas, da forma como se faz hoje, embora compreensível por indicar o medo que as mudanças infundem sempre, em qualquer um de nós é, no entanto, apenas medo. E deveríamos estar abertos, sempre, ao menos à discussão. O que se sabe é que o capitalismo tem também e cada vez mais problemas e equívocos.
***
Não vou me aventurar a assegurar, porque me lembro de ter lido, há muitos anos e não consigo mais lembrar nem em que obra, nem exatamente a referência, mas creio que o próprio Lênin afirmava que se trouxe algo de bom, o capitalismo trouxe um padrão de consumo que merecia elogios. O problema é que tal padrão era para poucos privilegiados.
***
Mas o próprio Marx afirmou várias vezes que o capitalismo era o sistema social que mais avanços promoveu e promoveria na evolução dos meios de produção (máquinas e equipamentos, instrumentos de trabalho, etc.) que permitem a acumulação de capital e o crescimento da produção.
***
Mudando de assunto: não sou petista. Poderia até dizer, parafraseando Zélia Gattai, graças a Deus.
Mas, entre as propostas de Aécio e de Dilma, ambas com todos os defeitos dos interesses que carregam em seus meandros, creio que a melhor ou menos pior para o povo brasileiro, no geral, é representada por Dilma.
Como já disse, Aécio pode ser, pessoalmente mais afável, mais educado, mais simpático e carismático que Dilma. Mais fácil de lidar e até mais leve. Mas está atrelado aos interesses do capital financeiro internacional, cada vez mais impregnado das características do capital rentista, o capital financeiro.
Pode fazer o melhor governo do planeta e ser o melhor para o Brasil, mas pode também, como atuou nos Estados Unidos, nos anos 2007-2009 e de lá para cá, criar uma crise que duvido nós tenhamos condições de superá-la.
***
Há muito tempo atrás, um primo a quem eu assessorava na empresa em que trabalhava me disse que não acreditava que os partidos ou políticos quisessem o mal para o povo ou a sociedade. Os objetivos, regra geral, eram os mesmos. Os caminhos para se chegar lá, sim, eram diferentes.
É uma meia verdade, caro e saudoso, Roberto Pereira da Silva. Os objetivos muito gerais e abstratos, a felicidade geral, a paz mundial, todos com acesso a padrões de vida dignos, etc, podem ser comuns. Mas há sim, objetivos de aumento dos ganhos particulares, ou de grupos sociais, em detrimento, ou sem levar em conta, o custo disso para outros grupos.
Quanto aos caminhos concordamos plenamente. O que faz o inferno estar coalhado de boas intenções, como diz o ditado popular.
***
Quando vejo Fernando Henrique e outros próceres de seu partido declarar que o PT é o partido que só vence nos grotões, onde a maioria mais ignorante está instalada, além de achar a frase preconceituosa, arrogante, e de péssimo gosto político, fico preocupado em saber se o ex-presidente, não está é com mal de Alzheimer.
Só isso justificaria o fato de ele ter se esquecido de que, até 2002, o partido vitorioso nos grotões ser o dele, o PSDB.
E o governo dele, reconheçamos fez muito menos pelas camadas mais populares que o elegiam que os de Lula ou do PT.
***
Acredito que a verdadeira explicação para o ódio que muitos nutrem hoje pelo PT, traz a marca da decepção.
A grande maioria dos que estão mais próximos de mim, e que conheço ou mantenho algumas relações, são de pessoas que carregavam a bandeira do PT e da esperança do Lulinha paz e amor, em 2002.
Porque se decepcionaram? Talvez porque Lula tenha feito o que lhes prometeu e eles diziam acreditar. Talvez por Lula ter feito tudo que o PSDB disse que faria, com Meirelles no Banco Central e juros elevados às alturas; controle de inflação - que se situavam algumas vezes abaixo da meta; e de superávits primários colossais.
Talvez tão somente por não tolerarem a corrupção atrelada ao PT, esquecidos de que eram lulistas, entre outros motivos por força da corrupção que se comentava existia também nos subterrâneos dos processos de privatização.
***
Ninguém discorda que o PT falhou feio no trato com a questão da corrupção, em rechaçá-la mais pronta e eficazmente, embora alguns ex-simpatizantes do PT que passaram à oposição à Lula, tivessem tido a capacidade de comentarem comigo que estavam muito satisfeitos com a Dilma e a faxina que ela começou a fazer nos primeiros dias de seu mandato.
Porque Dilma parou a limpeza? Porque parou? Parou porque?
***
Curioso que não falam, não aceitam, não condenam os casos de mensalão do PSDB mineiro, do metrô de São Paulo e outros vários, em que o dedo do partido de Aécio, o agora paladino da moralidade, é claro e comprovado.
Mas aceitam sem pestanejar as críticas que deveriam merecer no mínimo tratamento semelhante, em relação aos escândalos da Petrobrás, etc.
***
No fundo, no fundo, PSDB e PT são de mesma matriz. Não é por acaso que várias vezes já foi falada uma possível fusão de ambas as siglas, se nada mais foi feito em direção a essa união.
E FHC e Lula, farinha do mesmo saco, para expressar que as diferenças entre eles podem ter surgido e crescido, mas são menos de fundo que de forma.
***
E só para fazer uma elucubração até meio macabra: quem sabe, depois de oito anos de mandato, caso se eleja agora Aécio não resolva que Marina estava certa e que a polarização PSDB-PT se esgotou, dando lugar ao surgimento de um novo partido.
Será que ele poderia até mesmo indicar para sucedê-lo algum político da nova agremiação, com o perfil por exemplo de Pimentel, o mais peessedebista dos petistas?
Brincadeirinha.
***
Só que não.
***
Não vejo nada de extraordinário em que Aécio saia na frente nas pesquisas para o segundo turno. Vejo curioso é que, agora, ele estar na frente reabilita os institutos de pesquisa que há pouco foram tão criticados, em razão de suas falhas.
***
Por outro lado, intriga-me cada vez mais, a razão de um terço do eleitorado, não querer se manifestar. Numa espécie de protesto do tipo: roubem, mas porque eu não estava nem aí. Agora não venham me passar para trás, me prejudicar e me roubar, iludindo-me com promessas e com o passaporte assegurado por meu voto.
Curioso e triste.
***
Sou mais o povo brasileiro. Melhorias para o povo, para que possamos construir uma sociedade que nos honre como nação e como seres humanos: mais digna, mais fraterna, mais justa.
Não creio que o PT tenha justamente essa ambição. Tenho a certeza de que o PSDB não a possui.
***
Mais uma mudança de tema
O Cruzeiro, por justiça e merecimento, deve ser o campeão nacional desse Brasileirão 2014, mas que perder para o Corínthians e se vier a perder mais uma partida, para o Flamengo, por exemplo, seria um molho extra para tornar o campeonato mais emocionante, e realmente, um grande campeonato, isso não tenho dúvidas.
Não significa que eu esteja secando o Cruzeiro. A quem, por estar óbvio demais, só um desastre é capaz de tirar o título.
***
Da mesma forma, vendo o time encardido e de futebol estreito do Corínthians jogar ontem, reforcei meu sentimento de que o Galo não consegue fazer os 3 gols no time paulista, que o levariam à classificação para a Copa do Brasil.
Fazer um gol, convenhamos já é muito difícil, nesse time que joga fechadinho, ao estilo Mano, como time pequeno.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Crianças e o futuro longínquo versus as eleições e o dia de amanhã
Na coluna que publica às terça-feiras na Folha, e que só pude ler acessando o site do UOL, tendo em vista que a Folha resolveu me entregar o jornal com um dia de atraso,- isso quando o jornal chega em minha residência - Rosely Sayão tratou de um assunto particularmente importante e que induz à reflexão e a um amplo debate, não fossem as eleições e a campanha eleitoral o único assunto a chamar a atenção das pessoas.
Nada contra a preocupação com os destinos de nosso país, que será decidido em segundo turno, no próximo dia 26 de outubro.
Mas, como o calendário preso na lateral da geladeira não nos deixa esquecer, antes do dia 26, o mês de outubro traz o dia 12. E nesse dia 12, além da comemoração do dia da santa padroeira de nosso país, Nossa Senhora Aparecida, festeja-se também o dia dedicado às crianças.
E, embora possa mesmo ser necessária a ajuda de nossa padroeira para que o povo brasileiro possa se dirigir às urnas em paz e possa votar com consciência e responsabilidade naquele que deverá ser o condutor de nosso país, nossas esperanças e expectativas nos próximos quatro anos, a verdade é que até por uma questão de impacto temporal, a discussão de Rosely sobre o tratamento dispensado às crianças é talvez, muito mais complexo.
Afinal, as crianças de hoje serão os adultos e os responsáveis por nossos destinos no futuro. E nosso futuro tem uma dimensão muito maior que apenas o prazo de 4 anos.
E o que diz Rosely?
Além da necessária crítica da transformação de uma data como a do dia da criança em mero evento ou oportunidade de ampliação das vendas do comércio, a especialista nos convida a refletir no perfil dessa criança, consumista e pouco solidária que estamos gerando. E que se transformarão em adultos consumistas, individualistas e sem qualquer vínculo intergeracional.
Porque, como ela observa, estamos cada vez mais, a título da concessão de maior liberdade e espaço de criação, ou seja por que motivo for, segregando crianças de jovens; adolescentes de adultos; adultos de idosos.
De fato, além dos bailes do cabeça de prata, ou terceira idade, ou ainda, aumentando a ironia, bailes da melhor idade, o que temos são festas infantis cada vez mais caracterizadas, no lado oposto, pela ausência dos próprios pais das crianças.
Já de há muito, os adultos levam seus filhos, suas crianças e as depositam em um salão qualquer de buffet, deixando para ir buscá-las ao final de um horário previamente acertado.
As festas de adolescentes, são completamente exclusivas para os companheiros daquela faixa etária, não sendo permitido ou tolerada a presença nem de pais, nem de irmãos menores ou dos avós, etc.
Bem diferente de como era antes, embora, até por ser fora de casa, na maior parte das vezes, muito mais cômodo.
E quais as consequências dessa situação?
Famílias onde as gerações não se encontram, exceto em batizados e enterros, e onde não se relacionam. Não trocam experiências e nem podem aproveitar para que os mais jovens saibam que não são eles os primeiros e únicos a trilharem os caminhos a que estão se dedicando. E que, por isso, podem contar, nos momentos de dificuldades, com o apoio e a compreensão e com a proposta de solução apresentada pelos mais velhos.
Ao contrário, não incentivamos os nossos velhos a se renascerem e reviverem em seus descendentes, tal como é, parece-me, o espírito que guia o povo judeu.
Para agravar mais a situação, a nossa sociedade e nossa cultura, ao contrário de outros povos como os orientais, insiste em tratar os velhos como sucata, promovendo uma sobrevalorização do jovem e de seus atributos.
Assim, velhos ficam ilhados e sem motivação para viver de forma mais participativa e dinâmica. Deixados de lado, não podem passar a sua vivência, nem aprender/ensinar com as novidades de que a juventude é portadora.
Jovens são deixados à própria sorte, tendo de estarem reinventando a roda a cada instante, por força de não poderem partilhar do processo de aprendizado e transmissão de conhecimentos.
***
Tudo isso é responsável pela criação de jovens cada vez mais senhores de si e de suas verdades. Cada vez mais egoístas. E jovens que cada vez mais não têm qualquer preocupação com os velhos de quem as referências que guardam são sempre as menos abonadoras.
Falta o convívio mais íntimo, familiar. A troca de colo, de carinho, de promover e distribuir amor.
Enquanto isso cada vez mais, destratamos aqueles que um dia foram os responsáveis por nossa chegada a esse mundo, de que também eles foram os principais artífices.
E pouco espaço tem sido dedicado a esse tipo de tema e de discussão, já que a sociedade, estamos mais preocupados em escolher e contentar os pequenos tiranos que estamos criando, com os presentes que, no fundo, quem ganha é apenas o comércio.
***
Entre surpreso e atônito
Estou assustado com a quantidade de postagens que tenho visto ser publicada nas redes sociais, em especial no Facebook, relativas à campanha eleitoral.
Menos espantado com a quantidade de comentários, curtidas, vídeos, e muito mais com a virulência que, não raro, acompanham as tais publicações.
Como se as pessoas que postam suas mensagens acreditassem que, maior a ênfase, maior a capacidade de convencimento suas ideias conquistariam.
Exatamente o contrário. Afinal, quando o argumento é bom, qualquer ruído apenas serve para tirar o foco e a concentração de nosso interlocutor.
Também acho interessante que alguns possam estar achando que as postagens na rede irão ter alguma consequência prática, induzindo alguém a alterar suas convicções e opiniões, apenas porque houve aquela postagem.
Curioso é que quem faz a postagem de qualquer tema, está falando apenas para seus amigos, ou parceiros, ou iguais, já que a rede social permite que você selecione com quem que rpartilhar comentários, opiniões, fotos e sabe-se lá mais o que.
Então tais postagens apenas reforçam a ideia que, em geral, os grupos de amigos já compartilham, não havendo qualquer ganho adicional pela mensagem divulgada.
Por outro lado, a maior parte das pessoas já têm opinião formada e tais divulgações acabam se tornando meros desabafos, alguns de ódio. Outros de frustrações.
Mas a violência de alguns é surpreendente. Como também surpreende alguns comentários, a respeito de assuntos e situações que apenas demonstram que a pessoa responsável pela publicação sequer se deu a trabalho de ir pesquisar, aprender mais e poder então, com argumentos que não sejam meras falácias, debater de forma mais crítica. Até de forma mais ácida.
Só que não. As pessoas não pesquisam e se prestam a emitir opiniões e juízos sobre o que ignoram, apenas provando a todos - mesmo os amigos, toda a ignorância de que ela é dotada, e que apenas era imaginada por todos.
***
Também é preciso dizer que não há qualquer necessidade de ficar postando filmes e vídeos de qualquer candidato com pessoas de sua equipe, para tratar de temas que DESSA VEZ ESTÃO SENDO TRATADAS A SÉRIO.
Ora, especialistas compondo equipes qualquer dos candidatos podem apresentar. E a maior parte deles, claro, com vasta experiência em governos anteriores, onde poderiam ter feito as propostas de agora, e não o fizeram.
E o que isso prova? Nada.
Melhor é discutir os números e as realizações. As conquistas, se alguma houve e as falhas e lacunas.
Mas isso não significa que eu esteja querendo ou propondo nem a censura nem o que é pior a autocensura nas redes.
Por isso elas são abertas, democráticas, livres. Mesmo que algumas vezes alguns candidatos tenham tentado por motivos os mais variados, bloquear e tirar do ar alguma mensagem.
***
Observador distante dessa disputa de candidatos que não me representam, e que podem, quando muito ter alguma proximidade com algumas - poucas- posições que considero corretas e necessárias, apenas gostaria de aconselhar aqui aos que querem continuar defendendo seu preferido, ou criticando o outro, que antes de publicar qualquer coisa, procurem olhar a fonte, ver se o número é correto. Ver se o que está sendo publicado é razoável e se não estão apenas fazendo o papel de papagaio, que repete as coisas sem atinar para o significado delas.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Mudança é com Aécio. Embora mudar não seja sinônimo de evoluir ou melhorar
Há um ano atrás, uma parcela significativa da população invadiu as ruas em protesto contra a situação política e econômica e social do país.
Entre várias reivindicações, destacava-se aquela que deu origem ao movimento, o cancelamento do aumento concedido ao transporte público, em São Paulo, no valor de 20 centavos.
Acoplada a essa exigência, veio outra logo em seguida, e relativa ainda à questão do transporte público, expressa na demanda do transporte gratuito.
Por falta de uma leitura e uma interpretação mais atenta e mais cuidadosa do movimento popular, a reação em um primeiro momento foi reprimida com violência por parte da polícia militar do governo Alckmin, que contou ainda com a passividade do prefeito do PT, Fernando Haddad.
A reação policial descontrolada acabou servindo como um rastilho de pólvora alastrando as manifestações para outras capitais e estados, agora já com um número maior de demandas populares.
Como estávamos em plena realização da Copa das Confederações, evento umbilicalmente ligado à realização da Copa do Mundo, valendo-se do evento e da ingerência e benefícios obtidos pela FIFA junto às nossas autoridades constituídas, as manifestações passaram a exigir mais mudanças, não apenas na área do transporte público, mas na área da prestação dos serviços públicos em geral.
Saúde e Educação foram então transformados em novas bandeiras, embora não exclusivas. E um lema passou a estar colado a toda a gama de reivindicações: a exigência de serviços de qualidade com o PADRÃO FIFA.
Aproveitando-se do movimento popular e sem lideranças que o capitalizassem as passeatas passaram a dar espaço à ação de grupos de vândalos, marginais que provocavam arrastões, e outro tipo de ação de grupos mais violentos, esses últimos mais interessados em atacarem e promoverem quebradeiras em lojas comerciais e estabelecimentos bancários.
Apavorada e perdida em meio ao avanço de atos de violência uma parcela mais acomodada da população ficou sem saber a quem prestar seu apoio, o que contribuiu, por um lado para isolar os agressores, identificados como black blocks, e de outro ir fazendo o movimento ficar mais bem comportado, perdendo seu ímpeto inicial.
Nesse meio tempo, as autoridades, com interferência do Planalto, acabou por anular o aumento das passagens dos coletivos e, talvez por medo de que as manifestações pudessem provocar problemas para a própria realização da Copa do Mundo,
E assim, até agora, sem ficar muito claro se intencionalmente ou por erro de estratégia, Dilma assumiu a responsabilidade e a liderança da reação oficial contra a manifestação do povo.
E foi Dilma quem saiu na frente tratando de questões como a necessidade de se proceder a uma reforma política, propondo, inclusive a realização de um plebiscito; propondo a vinda de médicos do exterior para tentar resolver, em parte, a ausência desses profissionais no interior do país, o que a fez lançar o programa Mais Médicos e a tratar com mais atenção de questões ligadas à formação e qualificação de nossa força de trabalho, especialmente os mais jovens, através de maior atenção a programas como o PRONATEC.
***
Pois bem. Passado um ano daquelas manifestações de junho de 2013, o desejo por mudanças, expresso nas ruas, embora um sentimento difuso, é sempre um dos principais elementos das análises que vêm sendo feitas para explicar e entender o resultado das urnas.
Assim é que durante um bom tempo, alguns analistas e comentaristas atribuíram a subida de Marina nas pesquisas de intenção de voto, como sendo decorrência de a ex-senadora ser identificada por alguns eleitores como a candidata mais capaz de levar adiante as mudanças tão desejadas.
Não apenas por seu discurso, enfocando uma pretensa forma nova de fazer política, mas por Marina ser considerada uma outsider, por força de vender também uma imagem de quem não deixa seus interesses e princípios sucumbirem aos interesses maiores do partido a que se vincula.
Além disso, Marina soube capitalizar o fato de sua Rede de Sustentabilidade não ter sido autorizada a participar formalmente do jogo político, o que já a coloca sempre ao lado dos que não estão satisfeitos com o quadro político atual.
Mas, Marina não conseguiu manter viva essa impressão de que seria capaz de patrocinar as mudanças desejadas pelo eleitor. E pior, demonstrou fragilidade, não apenas no sentido de que lhe faltavam apoio e quadros para assumir a tarefa de capitanear essas propostas de mudança, como no sentido de que começou a demonstrar que ela mesma era detentora de uma mentalidade conservadora, o que foi percebido pela população que lhe cassou a representação pretendida.
***
Para outros comentaristas, embora estranha, a preferência do eleitorado por Dilma era interpretada como sendo devida a um raciocínio de que as mudanças poderão ser realizadas sob o comando da presidenta, com a vantagem de não serem nada extravagantes. No fundo, tais mudanças apenas seguirão a trilha já antecipada pelas medidas adotadas pela presidenta, logo ao término das manifestações de junho.
Logo, as mudanças irão ter sequência, mas a um ritmo que não será capaz de trazer quaisquer rupturas sociais, essas sim, mais temidas.
***
Se essa análise está correta, então, a conclusão a que chegamos e que fica para nosso comentário final é que Aécio é sim, o candidato que representa e expressa esse sentimento de mudança.
Ocorre que o fato de ser o homem da mudança não faz e nem pode fazer do tucano o portador da esperança ou símbolo de um novo e modo de vida, mais digno, igual e solidário.
Porque Aécio representa a mudança para o passado. Para o atraso. Para a retomada do projeto que o PSDB tem e defende, e que teve sua implantação interrompida em 2002.
Aécio representa não a mudança possível mas a que vai tornar a vida das classes menos favorecidas completamente impossível, já que está cercado de pessoas cuja experiência de vida e carreira, que todos reconhecem como exitosa, é vinculada a modelos de sociedade de plena liberdade para a atuação do capital.
E nem se trata do capital produtivo, que gera emprego e produção e renda, que precisa de vender seus produtos e, portanto, depende da demanda seja da população seja do governo. Capital cujos donos, industriais ou comerciantes, do campo ou das cidades que precisa de estímulos para enfrentar as vicissitudes de uma atividade econômica eivada de riscos e incerteza. E que, por esse motivo, embora não devam depender do Estado e de seus tentáculos, não podem ser tratados como se, no caso de necessidade temporária, não teriam qualquer ajuda do governo, de forma a superar momentos mais agudos de crise.
Aécio, representa os interesses do capital rentista, financeiro, das finanças liberalizadas e do rentismo. Desse ponto de vista muito mais tecnológico e mais sofisticado, já que se utiliza dos avanços da técnica para dar curso a suas preocupações maiores, que são apenas com a obtenção de ganhos especulativos, levando a escala global a velha máxima de comprar barato para vender caro.
E para isso, condenando ao sucateamento as velhas práticas capitalistas e todo o seu entorno, em especial a mão de obra.
***
Uma condição para que esse novo capitalismo possa ganhar mais espaço e poder é que as finanças públicas estejam equacionadas e que os títulos da dívida pública, principal ativo financeiro a servir de lastro para a financeirização e a aplicação especulativa, possa estar à disposição desses capitais, assegurando-lhes a valorização de sua riqueza fictícia.
Para isso, fundamental é a denominada disciplina fiscal. A geração de superávits primários que servem tanto para permitir controlar a inflação, o que lhes assegura apoio popular e elogios mas, principalmente, ganhos reais positivos, acima da inflação, apesar de taxas de juros em queda, já que tais capitais vivem menos dos rendimentos e mais da ciranda de compras e vendas que títulos seguros lhes permitem realizar. Ganhos nos mercados de capital mais que na produção.
***
Por isso, e não porque o PT irá jogar com o ódio contra o PSDB, nesse segundo turno, a campanha de Dilma deverá criticar a proposta de Aécio. Porque para conquistar os resultados de superávit requeridos, será necessária uma grande contenção de gastos fiscais, recaindo o principal ônus, sobre aqueles menos favorecidos, os funcionários públicos que vivem de vencimentos - sujeitos a serem congelados; os setores sociais menos favorecidos pela sorte que verão cortes nos programas de assistência social; o sistema de Previdência pública que irá aproveitar para tentar por um fim a seu propalado déficit, até que, por falta de informação e esclarecimentos, o regime de solidariedade seja considerado por toda a população prejudicada como o grande vilão, dando lugar à criação e fortalecimento de um sistema de capitalização individual, sob a gestão das grandes instituições financeiras.
***
Mudanças existem várias.
Sem dúvida Aécio representa a mudança, em relação a uma série de problemas e desmandos dos governos petistas.
Mas a mudança que Aécio representa é a pior de todas. Tão ruim, que já representaria um grande avanço se nós não fizéssemos nada que o candidato está se propondo a realizar.
De minha parte, melhor é a população procurar se informar melhor e não votar nesse projeto que nos remete de volta para o passado: sem inflação, sim, mas onde apenas os ricos tinham conquistas.
***
Nesse dia 7 de outubro, completamos quatro anos de blog.
A todos que têm nos lido e acompanhado por todo esse tempo, nossos agradecimentos.
Vocês são a razão da insistência minha de continuar fazendo comentários e dando pitacos no que considero importante para todos nós.
Obrigado.
Entre várias reivindicações, destacava-se aquela que deu origem ao movimento, o cancelamento do aumento concedido ao transporte público, em São Paulo, no valor de 20 centavos.
Acoplada a essa exigência, veio outra logo em seguida, e relativa ainda à questão do transporte público, expressa na demanda do transporte gratuito.
Por falta de uma leitura e uma interpretação mais atenta e mais cuidadosa do movimento popular, a reação em um primeiro momento foi reprimida com violência por parte da polícia militar do governo Alckmin, que contou ainda com a passividade do prefeito do PT, Fernando Haddad.
A reação policial descontrolada acabou servindo como um rastilho de pólvora alastrando as manifestações para outras capitais e estados, agora já com um número maior de demandas populares.
Como estávamos em plena realização da Copa das Confederações, evento umbilicalmente ligado à realização da Copa do Mundo, valendo-se do evento e da ingerência e benefícios obtidos pela FIFA junto às nossas autoridades constituídas, as manifestações passaram a exigir mais mudanças, não apenas na área do transporte público, mas na área da prestação dos serviços públicos em geral.
Saúde e Educação foram então transformados em novas bandeiras, embora não exclusivas. E um lema passou a estar colado a toda a gama de reivindicações: a exigência de serviços de qualidade com o PADRÃO FIFA.
Aproveitando-se do movimento popular e sem lideranças que o capitalizassem as passeatas passaram a dar espaço à ação de grupos de vândalos, marginais que provocavam arrastões, e outro tipo de ação de grupos mais violentos, esses últimos mais interessados em atacarem e promoverem quebradeiras em lojas comerciais e estabelecimentos bancários.
Apavorada e perdida em meio ao avanço de atos de violência uma parcela mais acomodada da população ficou sem saber a quem prestar seu apoio, o que contribuiu, por um lado para isolar os agressores, identificados como black blocks, e de outro ir fazendo o movimento ficar mais bem comportado, perdendo seu ímpeto inicial.
Nesse meio tempo, as autoridades, com interferência do Planalto, acabou por anular o aumento das passagens dos coletivos e, talvez por medo de que as manifestações pudessem provocar problemas para a própria realização da Copa do Mundo,
E assim, até agora, sem ficar muito claro se intencionalmente ou por erro de estratégia, Dilma assumiu a responsabilidade e a liderança da reação oficial contra a manifestação do povo.
E foi Dilma quem saiu na frente tratando de questões como a necessidade de se proceder a uma reforma política, propondo, inclusive a realização de um plebiscito; propondo a vinda de médicos do exterior para tentar resolver, em parte, a ausência desses profissionais no interior do país, o que a fez lançar o programa Mais Médicos e a tratar com mais atenção de questões ligadas à formação e qualificação de nossa força de trabalho, especialmente os mais jovens, através de maior atenção a programas como o PRONATEC.
***
Pois bem. Passado um ano daquelas manifestações de junho de 2013, o desejo por mudanças, expresso nas ruas, embora um sentimento difuso, é sempre um dos principais elementos das análises que vêm sendo feitas para explicar e entender o resultado das urnas.
Assim é que durante um bom tempo, alguns analistas e comentaristas atribuíram a subida de Marina nas pesquisas de intenção de voto, como sendo decorrência de a ex-senadora ser identificada por alguns eleitores como a candidata mais capaz de levar adiante as mudanças tão desejadas.
Não apenas por seu discurso, enfocando uma pretensa forma nova de fazer política, mas por Marina ser considerada uma outsider, por força de vender também uma imagem de quem não deixa seus interesses e princípios sucumbirem aos interesses maiores do partido a que se vincula.
Além disso, Marina soube capitalizar o fato de sua Rede de Sustentabilidade não ter sido autorizada a participar formalmente do jogo político, o que já a coloca sempre ao lado dos que não estão satisfeitos com o quadro político atual.
Mas, Marina não conseguiu manter viva essa impressão de que seria capaz de patrocinar as mudanças desejadas pelo eleitor. E pior, demonstrou fragilidade, não apenas no sentido de que lhe faltavam apoio e quadros para assumir a tarefa de capitanear essas propostas de mudança, como no sentido de que começou a demonstrar que ela mesma era detentora de uma mentalidade conservadora, o que foi percebido pela população que lhe cassou a representação pretendida.
***
Para outros comentaristas, embora estranha, a preferência do eleitorado por Dilma era interpretada como sendo devida a um raciocínio de que as mudanças poderão ser realizadas sob o comando da presidenta, com a vantagem de não serem nada extravagantes. No fundo, tais mudanças apenas seguirão a trilha já antecipada pelas medidas adotadas pela presidenta, logo ao término das manifestações de junho.
Logo, as mudanças irão ter sequência, mas a um ritmo que não será capaz de trazer quaisquer rupturas sociais, essas sim, mais temidas.
***
Se essa análise está correta, então, a conclusão a que chegamos e que fica para nosso comentário final é que Aécio é sim, o candidato que representa e expressa esse sentimento de mudança.
Ocorre que o fato de ser o homem da mudança não faz e nem pode fazer do tucano o portador da esperança ou símbolo de um novo e modo de vida, mais digno, igual e solidário.
Porque Aécio representa a mudança para o passado. Para o atraso. Para a retomada do projeto que o PSDB tem e defende, e que teve sua implantação interrompida em 2002.
Aécio representa não a mudança possível mas a que vai tornar a vida das classes menos favorecidas completamente impossível, já que está cercado de pessoas cuja experiência de vida e carreira, que todos reconhecem como exitosa, é vinculada a modelos de sociedade de plena liberdade para a atuação do capital.
E nem se trata do capital produtivo, que gera emprego e produção e renda, que precisa de vender seus produtos e, portanto, depende da demanda seja da população seja do governo. Capital cujos donos, industriais ou comerciantes, do campo ou das cidades que precisa de estímulos para enfrentar as vicissitudes de uma atividade econômica eivada de riscos e incerteza. E que, por esse motivo, embora não devam depender do Estado e de seus tentáculos, não podem ser tratados como se, no caso de necessidade temporária, não teriam qualquer ajuda do governo, de forma a superar momentos mais agudos de crise.
Aécio, representa os interesses do capital rentista, financeiro, das finanças liberalizadas e do rentismo. Desse ponto de vista muito mais tecnológico e mais sofisticado, já que se utiliza dos avanços da técnica para dar curso a suas preocupações maiores, que são apenas com a obtenção de ganhos especulativos, levando a escala global a velha máxima de comprar barato para vender caro.
E para isso, condenando ao sucateamento as velhas práticas capitalistas e todo o seu entorno, em especial a mão de obra.
***
Uma condição para que esse novo capitalismo possa ganhar mais espaço e poder é que as finanças públicas estejam equacionadas e que os títulos da dívida pública, principal ativo financeiro a servir de lastro para a financeirização e a aplicação especulativa, possa estar à disposição desses capitais, assegurando-lhes a valorização de sua riqueza fictícia.
Para isso, fundamental é a denominada disciplina fiscal. A geração de superávits primários que servem tanto para permitir controlar a inflação, o que lhes assegura apoio popular e elogios mas, principalmente, ganhos reais positivos, acima da inflação, apesar de taxas de juros em queda, já que tais capitais vivem menos dos rendimentos e mais da ciranda de compras e vendas que títulos seguros lhes permitem realizar. Ganhos nos mercados de capital mais que na produção.
***
Por isso, e não porque o PT irá jogar com o ódio contra o PSDB, nesse segundo turno, a campanha de Dilma deverá criticar a proposta de Aécio. Porque para conquistar os resultados de superávit requeridos, será necessária uma grande contenção de gastos fiscais, recaindo o principal ônus, sobre aqueles menos favorecidos, os funcionários públicos que vivem de vencimentos - sujeitos a serem congelados; os setores sociais menos favorecidos pela sorte que verão cortes nos programas de assistência social; o sistema de Previdência pública que irá aproveitar para tentar por um fim a seu propalado déficit, até que, por falta de informação e esclarecimentos, o regime de solidariedade seja considerado por toda a população prejudicada como o grande vilão, dando lugar à criação e fortalecimento de um sistema de capitalização individual, sob a gestão das grandes instituições financeiras.
***
Mudanças existem várias.
Sem dúvida Aécio representa a mudança, em relação a uma série de problemas e desmandos dos governos petistas.
Mas a mudança que Aécio representa é a pior de todas. Tão ruim, que já representaria um grande avanço se nós não fizéssemos nada que o candidato está se propondo a realizar.
De minha parte, melhor é a população procurar se informar melhor e não votar nesse projeto que nos remete de volta para o passado: sem inflação, sim, mas onde apenas os ricos tinham conquistas.
***
Nesse dia 7 de outubro, completamos quatro anos de blog.
A todos que têm nos lido e acompanhado por todo esse tempo, nossos agradecimentos.
Vocês são a razão da insistência minha de continuar fazendo comentários e dando pitacos no que considero importante para todos nós.
Obrigado.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
O que nos diz a "voz das urnas"
Surpreendente a reação de Aécio Neves e de seu PSDB nos momentos finais da corrida eleitoral. Não em função da ultrapassagem de Marina Silva, transformando-se no candidato a disputar o segundo turno. Afinal, pesquisas de última hora já mostravam que isso teria acontecido no apagar das luzes do último fim-de-semana.
Então, se a queda de Marina Silva já era prevista, surpreendente foi a ampla diferença, de aproximadamente 14 pontos que Aécio conseguiu colocar sobre sua concorrente. Diferença não captada por nenhuma pesquisa de qualquer dos institutos. Ou se captada, não divulgada.
Porque se as pesquisas realizadas logo antes da eleição indicavam a possibilidade de ultrapassagem, todas assinalavam que haveria uma pequena diferença entre os candidatos, todas demonstrando que a luta estava muito renhida.
Não é de meu conhecimento que algum dos institutos de pesquisa de opinião tenha dado uma vantagem tão expressiva quanto aquela vista nas urnas, para o candidato tucano. E, como hoje não dá para ficar criando teorias da conspiração e vendo monstros e perigos onde eles não existem, especialmente porque os institutos são vários e contratados por entidades as mais diversas, não acredito que alguém poderá, em sã consciência, alegar que estavam forjando os resultados.
Mais fácil seria imaginar que os eleitores todos de Aécio preferiram, mineira e desconfiadamente, ocultar seu voto, mostrando-se indefinidos ou, ao contrário e aí, propositadamente, informando o nome de outro candidato, poupando Aécio dos ataques de que seria alvo, caso se destacasse.
***
Mas, se a ida de Aécio ao segundo turno com quase 60% de votos à frente de sua oponente é um assombro, a votação de Marina não causa qualquer sensação de novidade. Basta lembrar que em 2010, quando surgiu como a novidade das eleições pelo PV, a candidata conquistou coisa de 20% do total de votos, o que mostra que ela pouco avançou desde então. Curioso é que naquela oportunidade ela teve um número de votos que chegou a chamar a atenção na capital mineira, votos que, agora iriam preferentemente para Aécio.
Também devemos levar em conta que se em seu discurso de campanha, foi dada muita ênfase ao novo, cada vez mais seu discurso foi se mostrando vazio de conteúdo e, pior, mostrando que do ponto de vista objetivo, a forma de fazer política em nosso país não funciona fora de seus padrões tradicionais.
Foi perceber que a realidade objetiva se impunha e exigia dela mais que um discurso cheio de boas intenções que fez Marina incluir e depois, pressionada por setores mais retrógrados, excluir de seu programa de governo, referências às uniões homo-afetivas, que tantas críticas lhe valeram.
Depois, Marina trouxe à luz a discussão de se criar um Banco Central independente, que ela classificou como autônomo mas com poderes de uma entidade independente. Ora, sem qualquer necessidade aparente, foi por a mão em um vespeiro, já que nem mesmo as escolas de pensamento econômico, que não são poucas, não entraram ainda em um consenso quanto às vantagens e a importância de um órgão dessa natureza.
Para muitos, essa proposta foi a que recebeu a principal e mais pesada das críticas que lhe foram feitas pela candidata à reeleição, Dilma e seus marqueteiros. Com algumas peças que, forçavam a barra em alguns momentos, transformando algumas hipóteses de causa e efeito em uma causação direta: banco central independente, banqueiro no poder, e exploração e empobrecimento maior da população mais pobre.
***
Vá lá que, praticando os juros escorchantes que praticam hoje, na plenitude das liberdades de mercado de que desfrutam, os bancos podem ser apresentados como exploradores e agentes privilegiados do empobrecimento da população. Mas de toda a população... e não apenas da mais pobre.
Mas, a passagem direta da imagem da reunião de banqueiros em torno de uma mesa de rostos felizes, para a mesa de jantar de uma família, com pratos vazios e caras tristes e famintas foi, inegavelmente, um exagero. Ou uma apelação.
E o que fez Marina nessa hora? Respondeu posando na personagem que representa com mais desenvoltura: a figura da vítima.
Poderia partir para o ataque, e mostrar que os juros altos praticados pelos bancos, nos cheques especiais, nos empréstimos não consignados, etc. já era uma prática comum no governo atual, com a presença do BC sentado à mesa ou com lugar marcado para que ele se instalasse em volta do balcão de negócios, enquanto do outro lado, a família já cortava gastos para pagar os juros elevados tolerados pelos indicados pela presidenta Dilma.
O problema é que sair com um discurso e argumentação dessas lhe tiraria o apoio do sistema financeiro, do capital, e até de sua principal assessora, Neca.
Ou não?
***
Posando de vítima, até a expressão corporal de Marina foi mostrando a fragilidade que ela tentava esconder. E embora ela mudasse o tom de suas falas, elevando o nível de agressões e acusações para um patamar não condizente com quem se propôs a fazer uma campanha de união, não era essa e impressão que ela transmitia.
Frágil ela já demonstra ser, por força de sua saúde e seu tipo físico, que contrasta bem com o tipo já quase roliço de Aécio, bem nutrido e bem vestido, muitas vezes carregado em maquiagem.
Mas a fragilidade que conta é a moral para um candidato, e até essa foi a imagem que ela passou para o público.
Primeiro por não convencer a ninguém que não sofreu a influência do pastor Malafaia na mudança de seu programa de governo, depois por não convencer a qualquer pessoa que estava sim disposta a vender uma ideia, mesmo que visionária, mas portadora de futuro. Na verdade, acabou mostrando foi a ideia de alguém que, repetindo a quem tanto criticava, foi atrás de votos, abrindo mão de seus princípios, estivessem eles no agronegócio ou camuflados por efeito do uso de algum transgênico.
Talvez por esse motivo, foi pega em outra grande armadilha, em relação ao problema da CPMF. Que ela insistiu em afirmar ter sido favorável, já que pensava na saúde do país.
E o que foi mostrado pelo jornal o Globo, foi que os registros do Senado traziam a relação de votos e o dela era contra a criação do imposto do cheque.
Tudo bem que pudesse ter havido um erro, mas daí se portar como vítima, mais uma vez, e passar a dizer que aquilo era um mentira, que a afetava e que ela teve ao menos alguns anos para corrigir, ou exigir a correção pela Casa que ela ocupou, senadora que foi, vai um distância grande.
Arrepender de não ter votado, é uma coisa. Mostra que as pessoas erram, reconhecem o erro e se corrigem. Melhoram ou evoluem.
Dizer que votou e depois, pega em registro não forjados, ficar dando desculpas é terrível. Passa sempre a impressão de quem está se embolando na mentira que contou da primeira vez.
***
Mas o erro maior de Marina foi querer se mostrar superior à política tradicional que ela dizia querer mudar e que e levou a fazer as escolhas erradas.
Por isso, ainda vice na chapa de Eduardo, ela não concordou - corretamente, em minha opinião-, com o acerto que o político pernambucano costurou com o governador paulista, o que era no mínimo esdrúxulo para dizer o mínimo.
Afinal, se ao fazer esse acordo, Eduardo assegurava um palanque no estado, sabia que Alckmin tinha também presença no palanque de um adversário seu, Aécio.
Marina, como qualquer pessoa de bom senso não engoliu esse acerto e proibiu o uso de sua imagem junto ao governador paulista.
Quando assumiu a indicação à presidente, em substituição a Eduardo, manteve sua opinião. Opinião que veio mudando ao longo do tempo, ao perceber que Alckmin estava já praticamente eleito no primeiro turno e que ela poderia explorar uma certa mágoa que o paulista nutre em relação a Aécio, desde que o mineiro não lhe deu o apoio necessário em campanhas eleitorais anteriores.
Nesse momento, Marina começou a enviar sinais de aproximação a Alckmin, mas aí já era tarde demais, e todos perceberam mais uma guinada, em direção ao "velho" da candidata acreana.
***
Marina não perdeu por força de ataques de Dilma, de quem pode estar ressentida, já que essa é outra característica que parece ser parte de seu caráter.
Marina perdeu para sua arrogância e sua autoimagem. Pura e superior a todos que com ela convivem, no meio da política.
***
Quanto ao segundo turno, veremos se repetir o mesmo que aconteceu em 2014, quando ela não se manifestou favorável a qualquer dos dois candidatos em disputa.
Apenas que agora ela pode até se manifestar favorável a Aécio, mas enfrentará resistências muito grandes de setores de seu partido, que não aceitam ser considerados à direita do espectro político, imagem que Aécio tem feito questão de passar, mesmo sendo um centrista.
Para Dilma, certamente os seus votos não irão, ao menos em maioria, já que grande parte deles votou em uma mensagem de mudança, que a presidenta não representa a contento.
***
Bem, a sorte está lançada e, com ou sem o apoio de Marina, há uma grande oportunidade para Aécio conseguir se mostrar como o representante de todos aqueles que são contrários a qualquer política que não valorize apenas e tão somente o esforço pessoal, o mérito individual e o mais que se queira e possa ser atrelado a individualismo - onde cada um acredita que é melhor e que pode se destacar em relação a todos os demais.
Por isso, ações e políticas de cunho social sempre são consideradas como escolas de vagabundagem, estimulando aqueles que não têm ou não apresentam competência.
São essas pessoas, de visão individualista que Aécio deve privilegiar, já que ao menos para os que o apoiam, e refiro-me aqui aos grandes capitais privados financeiros internacionais, vale a pena criar e manter essa imagem viva, do cidadão que lutando consegue atingir aos seus objetivos.
Aos que apoiam Aécio pouco se lhes importa se as condições dadas para que o esforço pessoal de quem quer que seja possa se mostrar exitoso. Importa apenas que qualquer êxito ou resultado esteja já previamente inserido no quadro maior e mais rigorosamente definido em que somos todos, deixados com espaço para agir. Típica liberdade controlada, como o filme O Show de Truman tão bem nos permite apreciar e refletir.
***
Apenas gostaria de tratar de um aspecto apenas que será objeto de muita análise e discussão nos próximos dias: a derrota que Aécio sofreu em seu Estado de Minas Gerais que seria uma arma importante a ser utilizada contra ele em relação ao segundo turno.
Estou para dizer que, embora Aécio seja tão mineiro quanto Dilma, o que elimina a bobagem de que Minas não tem político ocupando o Planalto nos últimos 50 anos, ele deverá se sair aqui em seu estado muito melhor que no primeiro turno.
E acho que tal melhora se dará por não estar também em disputa o cargo de governo do Estado e nem concorrendo a ele, Fernando Pimentel.
A respeito de Pimentel, agora governador eleito de Minas, tenho algumas dúvidas, não quanto a sua capacidade como economista e professor da UFMG, local onde ele foi recrutado para a política. nem quanto a sua capacidade como gestor.
Em relação a ele, o que mais me atrai a curiosidade é como ele, em um momento do tempo, resolveu de forma oportunista fazer um acordo justamente com Aécio, passando por cima de seu partido e do que seus correligionários estavam dispostos a fazer.
Tal comportamento, completamente reprovável quando considerado pela ótica partidária, enfraqueceu o PT em Belo Horizonte, e provocou uma cisão profunda, que custo a crer esteja curada.
Pois bem, Aécio e Pimentel tramaram e elegeram Márcio Lacerda para a prefeitura de BH. E se Pimentel esperava que fosse o nome de Aécio para substitui-lo no Palácio da Liberdade, tomou uma autêntica rasteira com a indicação de Anastasia.
Mas, Aécio estava em dívida com Pimentel e, agora que pode tentar alçar voos maiores, o que lhe permitira manter-se como a liderança inconteste do Estado, talvez fosse a hora de retribuir e pagar a dívida com Pimentel.
Por isso, quem sabe, não tenha indicado para concorrer ao governo do Estado um nome que já estava afastado de Minas e da política mineira ha tanto tempo?
Quem sabe a escolha de Pimenta foi feita para que um nome esquecido e mais fraco pudesse não impedir que Pimentel fosse agora, e finalmente, pago.
Quanto a Pimenta, um cargo de Ministro seguramente o tiraria do ostracismo, dando-lhe motivação para voltar a disputar cargos para valer no Estado, se for de seu interesse. E, se for assim, ainda terá sido ajudado por ter sido novamente trazido para o debate público por Aécio.
Bem, tudo isso, caso Aécio se eleja no segundo turno.
***
E, caso eleito, pelo nome de seu ministro já indicado, vamos assistir sim a um governo que não irá conceder aumentos salariais para os servidores públicos, tal como vimos acontecer no governo FHC. Como Aécio é neto de Tancredo e sobrinho de Francisco Neves Dornelles, e a tradição da família é de sempre aumentar a carga tributária, não devemos esperar outra medida que não aumento de impostos, como um grande sacrifício para gerar ainda maiores superavits primários. Cortes de gastos de um lado (funcionalismo) e aumento de impostos de outro. Essa a receita. E juros, muitos juros pagos aos capitais financeiros internacionais, em especial.
Quanto à Petrobras, não será necessariamente privatizada mas a exploração do pré-sal seguramente se fará por meio das parcerias público-privadas.
E os bancos públicos serão levados ao pior dos mundos, sendo todos praticamente destruídos, já que nas finanças especulativas que caracterizam nossa situação econômica nos tempos atuais, não há espaço para instituições que tenham como principal função gerar recursos para operações de crédito para aplicação na esfera do capital produtivo. Principalmente se tais instituições forem de capital público.
Então, se a queda de Marina Silva já era prevista, surpreendente foi a ampla diferença, de aproximadamente 14 pontos que Aécio conseguiu colocar sobre sua concorrente. Diferença não captada por nenhuma pesquisa de qualquer dos institutos. Ou se captada, não divulgada.
Porque se as pesquisas realizadas logo antes da eleição indicavam a possibilidade de ultrapassagem, todas assinalavam que haveria uma pequena diferença entre os candidatos, todas demonstrando que a luta estava muito renhida.
Não é de meu conhecimento que algum dos institutos de pesquisa de opinião tenha dado uma vantagem tão expressiva quanto aquela vista nas urnas, para o candidato tucano. E, como hoje não dá para ficar criando teorias da conspiração e vendo monstros e perigos onde eles não existem, especialmente porque os institutos são vários e contratados por entidades as mais diversas, não acredito que alguém poderá, em sã consciência, alegar que estavam forjando os resultados.
Mais fácil seria imaginar que os eleitores todos de Aécio preferiram, mineira e desconfiadamente, ocultar seu voto, mostrando-se indefinidos ou, ao contrário e aí, propositadamente, informando o nome de outro candidato, poupando Aécio dos ataques de que seria alvo, caso se destacasse.
***
Mas, se a ida de Aécio ao segundo turno com quase 60% de votos à frente de sua oponente é um assombro, a votação de Marina não causa qualquer sensação de novidade. Basta lembrar que em 2010, quando surgiu como a novidade das eleições pelo PV, a candidata conquistou coisa de 20% do total de votos, o que mostra que ela pouco avançou desde então. Curioso é que naquela oportunidade ela teve um número de votos que chegou a chamar a atenção na capital mineira, votos que, agora iriam preferentemente para Aécio.
Também devemos levar em conta que se em seu discurso de campanha, foi dada muita ênfase ao novo, cada vez mais seu discurso foi se mostrando vazio de conteúdo e, pior, mostrando que do ponto de vista objetivo, a forma de fazer política em nosso país não funciona fora de seus padrões tradicionais.
Foi perceber que a realidade objetiva se impunha e exigia dela mais que um discurso cheio de boas intenções que fez Marina incluir e depois, pressionada por setores mais retrógrados, excluir de seu programa de governo, referências às uniões homo-afetivas, que tantas críticas lhe valeram.
Depois, Marina trouxe à luz a discussão de se criar um Banco Central independente, que ela classificou como autônomo mas com poderes de uma entidade independente. Ora, sem qualquer necessidade aparente, foi por a mão em um vespeiro, já que nem mesmo as escolas de pensamento econômico, que não são poucas, não entraram ainda em um consenso quanto às vantagens e a importância de um órgão dessa natureza.
Para muitos, essa proposta foi a que recebeu a principal e mais pesada das críticas que lhe foram feitas pela candidata à reeleição, Dilma e seus marqueteiros. Com algumas peças que, forçavam a barra em alguns momentos, transformando algumas hipóteses de causa e efeito em uma causação direta: banco central independente, banqueiro no poder, e exploração e empobrecimento maior da população mais pobre.
***
Vá lá que, praticando os juros escorchantes que praticam hoje, na plenitude das liberdades de mercado de que desfrutam, os bancos podem ser apresentados como exploradores e agentes privilegiados do empobrecimento da população. Mas de toda a população... e não apenas da mais pobre.
Mas, a passagem direta da imagem da reunião de banqueiros em torno de uma mesa de rostos felizes, para a mesa de jantar de uma família, com pratos vazios e caras tristes e famintas foi, inegavelmente, um exagero. Ou uma apelação.
E o que fez Marina nessa hora? Respondeu posando na personagem que representa com mais desenvoltura: a figura da vítima.
Poderia partir para o ataque, e mostrar que os juros altos praticados pelos bancos, nos cheques especiais, nos empréstimos não consignados, etc. já era uma prática comum no governo atual, com a presença do BC sentado à mesa ou com lugar marcado para que ele se instalasse em volta do balcão de negócios, enquanto do outro lado, a família já cortava gastos para pagar os juros elevados tolerados pelos indicados pela presidenta Dilma.
O problema é que sair com um discurso e argumentação dessas lhe tiraria o apoio do sistema financeiro, do capital, e até de sua principal assessora, Neca.
Ou não?
***
Posando de vítima, até a expressão corporal de Marina foi mostrando a fragilidade que ela tentava esconder. E embora ela mudasse o tom de suas falas, elevando o nível de agressões e acusações para um patamar não condizente com quem se propôs a fazer uma campanha de união, não era essa e impressão que ela transmitia.
Frágil ela já demonstra ser, por força de sua saúde e seu tipo físico, que contrasta bem com o tipo já quase roliço de Aécio, bem nutrido e bem vestido, muitas vezes carregado em maquiagem.
Mas a fragilidade que conta é a moral para um candidato, e até essa foi a imagem que ela passou para o público.
Primeiro por não convencer a ninguém que não sofreu a influência do pastor Malafaia na mudança de seu programa de governo, depois por não convencer a qualquer pessoa que estava sim disposta a vender uma ideia, mesmo que visionária, mas portadora de futuro. Na verdade, acabou mostrando foi a ideia de alguém que, repetindo a quem tanto criticava, foi atrás de votos, abrindo mão de seus princípios, estivessem eles no agronegócio ou camuflados por efeito do uso de algum transgênico.
Talvez por esse motivo, foi pega em outra grande armadilha, em relação ao problema da CPMF. Que ela insistiu em afirmar ter sido favorável, já que pensava na saúde do país.
E o que foi mostrado pelo jornal o Globo, foi que os registros do Senado traziam a relação de votos e o dela era contra a criação do imposto do cheque.
Tudo bem que pudesse ter havido um erro, mas daí se portar como vítima, mais uma vez, e passar a dizer que aquilo era um mentira, que a afetava e que ela teve ao menos alguns anos para corrigir, ou exigir a correção pela Casa que ela ocupou, senadora que foi, vai um distância grande.
Arrepender de não ter votado, é uma coisa. Mostra que as pessoas erram, reconhecem o erro e se corrigem. Melhoram ou evoluem.
Dizer que votou e depois, pega em registro não forjados, ficar dando desculpas é terrível. Passa sempre a impressão de quem está se embolando na mentira que contou da primeira vez.
***
Mas o erro maior de Marina foi querer se mostrar superior à política tradicional que ela dizia querer mudar e que e levou a fazer as escolhas erradas.
Por isso, ainda vice na chapa de Eduardo, ela não concordou - corretamente, em minha opinião-, com o acerto que o político pernambucano costurou com o governador paulista, o que era no mínimo esdrúxulo para dizer o mínimo.
Afinal, se ao fazer esse acordo, Eduardo assegurava um palanque no estado, sabia que Alckmin tinha também presença no palanque de um adversário seu, Aécio.
Marina, como qualquer pessoa de bom senso não engoliu esse acerto e proibiu o uso de sua imagem junto ao governador paulista.
Quando assumiu a indicação à presidente, em substituição a Eduardo, manteve sua opinião. Opinião que veio mudando ao longo do tempo, ao perceber que Alckmin estava já praticamente eleito no primeiro turno e que ela poderia explorar uma certa mágoa que o paulista nutre em relação a Aécio, desde que o mineiro não lhe deu o apoio necessário em campanhas eleitorais anteriores.
Nesse momento, Marina começou a enviar sinais de aproximação a Alckmin, mas aí já era tarde demais, e todos perceberam mais uma guinada, em direção ao "velho" da candidata acreana.
***
Marina não perdeu por força de ataques de Dilma, de quem pode estar ressentida, já que essa é outra característica que parece ser parte de seu caráter.
Marina perdeu para sua arrogância e sua autoimagem. Pura e superior a todos que com ela convivem, no meio da política.
***
Quanto ao segundo turno, veremos se repetir o mesmo que aconteceu em 2014, quando ela não se manifestou favorável a qualquer dos dois candidatos em disputa.
Apenas que agora ela pode até se manifestar favorável a Aécio, mas enfrentará resistências muito grandes de setores de seu partido, que não aceitam ser considerados à direita do espectro político, imagem que Aécio tem feito questão de passar, mesmo sendo um centrista.
Para Dilma, certamente os seus votos não irão, ao menos em maioria, já que grande parte deles votou em uma mensagem de mudança, que a presidenta não representa a contento.
***
Bem, a sorte está lançada e, com ou sem o apoio de Marina, há uma grande oportunidade para Aécio conseguir se mostrar como o representante de todos aqueles que são contrários a qualquer política que não valorize apenas e tão somente o esforço pessoal, o mérito individual e o mais que se queira e possa ser atrelado a individualismo - onde cada um acredita que é melhor e que pode se destacar em relação a todos os demais.
Por isso, ações e políticas de cunho social sempre são consideradas como escolas de vagabundagem, estimulando aqueles que não têm ou não apresentam competência.
São essas pessoas, de visão individualista que Aécio deve privilegiar, já que ao menos para os que o apoiam, e refiro-me aqui aos grandes capitais privados financeiros internacionais, vale a pena criar e manter essa imagem viva, do cidadão que lutando consegue atingir aos seus objetivos.
Aos que apoiam Aécio pouco se lhes importa se as condições dadas para que o esforço pessoal de quem quer que seja possa se mostrar exitoso. Importa apenas que qualquer êxito ou resultado esteja já previamente inserido no quadro maior e mais rigorosamente definido em que somos todos, deixados com espaço para agir. Típica liberdade controlada, como o filme O Show de Truman tão bem nos permite apreciar e refletir.
***
Apenas gostaria de tratar de um aspecto apenas que será objeto de muita análise e discussão nos próximos dias: a derrota que Aécio sofreu em seu Estado de Minas Gerais que seria uma arma importante a ser utilizada contra ele em relação ao segundo turno.
Estou para dizer que, embora Aécio seja tão mineiro quanto Dilma, o que elimina a bobagem de que Minas não tem político ocupando o Planalto nos últimos 50 anos, ele deverá se sair aqui em seu estado muito melhor que no primeiro turno.
E acho que tal melhora se dará por não estar também em disputa o cargo de governo do Estado e nem concorrendo a ele, Fernando Pimentel.
A respeito de Pimentel, agora governador eleito de Minas, tenho algumas dúvidas, não quanto a sua capacidade como economista e professor da UFMG, local onde ele foi recrutado para a política. nem quanto a sua capacidade como gestor.
Em relação a ele, o que mais me atrai a curiosidade é como ele, em um momento do tempo, resolveu de forma oportunista fazer um acordo justamente com Aécio, passando por cima de seu partido e do que seus correligionários estavam dispostos a fazer.
Tal comportamento, completamente reprovável quando considerado pela ótica partidária, enfraqueceu o PT em Belo Horizonte, e provocou uma cisão profunda, que custo a crer esteja curada.
Pois bem, Aécio e Pimentel tramaram e elegeram Márcio Lacerda para a prefeitura de BH. E se Pimentel esperava que fosse o nome de Aécio para substitui-lo no Palácio da Liberdade, tomou uma autêntica rasteira com a indicação de Anastasia.
Mas, Aécio estava em dívida com Pimentel e, agora que pode tentar alçar voos maiores, o que lhe permitira manter-se como a liderança inconteste do Estado, talvez fosse a hora de retribuir e pagar a dívida com Pimentel.
Por isso, quem sabe, não tenha indicado para concorrer ao governo do Estado um nome que já estava afastado de Minas e da política mineira ha tanto tempo?
Quem sabe a escolha de Pimenta foi feita para que um nome esquecido e mais fraco pudesse não impedir que Pimentel fosse agora, e finalmente, pago.
Quanto a Pimenta, um cargo de Ministro seguramente o tiraria do ostracismo, dando-lhe motivação para voltar a disputar cargos para valer no Estado, se for de seu interesse. E, se for assim, ainda terá sido ajudado por ter sido novamente trazido para o debate público por Aécio.
Bem, tudo isso, caso Aécio se eleja no segundo turno.
***
E, caso eleito, pelo nome de seu ministro já indicado, vamos assistir sim a um governo que não irá conceder aumentos salariais para os servidores públicos, tal como vimos acontecer no governo FHC. Como Aécio é neto de Tancredo e sobrinho de Francisco Neves Dornelles, e a tradição da família é de sempre aumentar a carga tributária, não devemos esperar outra medida que não aumento de impostos, como um grande sacrifício para gerar ainda maiores superavits primários. Cortes de gastos de um lado (funcionalismo) e aumento de impostos de outro. Essa a receita. E juros, muitos juros pagos aos capitais financeiros internacionais, em especial.
Quanto à Petrobras, não será necessariamente privatizada mas a exploração do pré-sal seguramente se fará por meio das parcerias público-privadas.
E os bancos públicos serão levados ao pior dos mundos, sendo todos praticamente destruídos, já que nas finanças especulativas que caracterizam nossa situação econômica nos tempos atuais, não há espaço para instituições que tenham como principal função gerar recursos para operações de crédito para aplicação na esfera do capital produtivo. Principalmente se tais instituições forem de capital público.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Como eu percebi o debate da Globo e suas consequências
Como havíamos previsto, foi um debate bastante interessante o que a Globo patrocinou na noite de ontem, último dia para a realização da primeira etapa da campanha política gratuita.
Podendo se dar ao luxo de escolher o adversário com que se confrontar na realização de um eventual segundo turno, Dilma se propôs a fazer um debate com menos agressividade.
Por óbvio para todos os que viram o debate até seu final, foi a melhor participação de nossa presidenta na série de debates realizados, desde o primeiro sob os auspícios da Band.
Em sua primeira fala, a presidenta deixou claro que iria fazer um discurso mais preocupada em apresentar propostas. E embora não apresentasse propostas novas, utilizou o seu tempo para, na maior parte das vezes, abordar as ações de seu governo, enfatizando a sua preocupação com a adoção de políticas de cunho social e a expansão da base de atendidos por tais programas.
Contou com a evidente colaboração de Eduardo Jorge que evitou questioná-la diretamente sob o tema que havia sido objeto de sorteio, a corrupção, para tratar de questões relativas ao estado do Rio de Janeiro, com conteúdo menos desgastante para a presidenta.
Contou também com o reconhecimento da qualidade de algumas boas ideias e alguns programas de seu governo, tanto do candidato do PV quanto do próprio Aécio.
De Eduardo Jorge, por exemplo, chegou a receber elogios por ter implantado o programa Aqui tem farmácia popular, fruto de projeto apresentado ao Congresso, de sua autoria.
De Aécio, recebeu elogios pela junção de vários programas sociais em um único, de abrangência maior e mais universal, menos focada, como o Bolsa Família.
Curiosamente, os maiores ataques de que foi alvo foram dirigidos por Luciana Genro, insistindo sempre na questão de que os aliados de Dilma, por serem de perfil mais à direita, conservadores e, inclusive grandes financiadores de sua campanha acabavam sendo os principais responsáveis por certos silêncios da petista, certas reticências, certos temas tratados como tabus ou não tratados, e até mesmo certos desmandos ou malfeitos.
Luciana chegou a questionar se a presidenta não atribuía aos seus aliados à direita, a fonte da corrupção em seu governo.
Mais uma vez Dilma saiu-se muito bem, lembrando não apenas das propostas que fez para aumentar o rigor na combate à corrupção, como lembrando que, seja a sigla que for, a corrupção não é atributo ou característica de um partido, mas de pessoas que podem estar em qualquer agremiação, e que compete ao país democrático e sério, criar as condições que fortaleçam as instituições para que elas tenham meios de identificar, coibir e punir de forma exemplar aos corruptos.
Por ser tabu, mais não disse sobre a questão do outro lado do balcão: os corruptores.
***
De Aécio recebeu principalmente críticas por ter transformado a Petrobras, e outras empresas estatais em meros aparelhos a serviço do PT.
O político do PSDB, portando um documento que dizia ser a ata relativa à última assembléia do Conselho da Petrobras com a presença de Paulo Roberto Costa como membro de seus quadros, mostrou que, ao contrário do que dizia a presidenta, o ex-diretor não foi exonerado do cargo, mas solicitou sua renúncia, tendo sido cumprimentado em ata, por relevantes serviços à companhia nos doze anos que esteve em sua direção.
Na oportunidade Dilma rebateu, apresentando transcrição de trecho do depoimento do ex-diretor ao Congresso, relatando sua conversa com o ministro a que era subordinado e que culminou com a apresentação de sua carta de renúncia.
Como se sabe, é praxe nos serviços públicos que qualquer dirigente peça para sair, antes de ser defenestrado do cargo que ocupa e foi exatamente essa "elegância" de procedimento que Dilma usou a seu favor.
Não convenceu. Mas Aécio não soube aproveitar. Talvez por ter de admitir que o diretor era funcionário de carreira da empresa, onde chegou a ocupar cargos gerenciais na própria gestão do PSDB. Mas, a pergunta que deveria ter sido feita e não foi é relativa a que tipo de procedimentos estão em curso na Petrobras, para exonerar do cargo, ou então, cortar salários e/ou até mesmo aposentadorias de um funcionário que foi pego cometendo ilícitos.
Curiosamente, não entendo porque ninguém levanta esse tipo de questão, em minha percepção mais importante punição para um funcionário que, em dado momento do tempo passou a cometer irregularidades como as cometidas.
***
Dessa situação, trazida à baila por Aécio, valeu-se também Marina para atacar a presidenta. E, em momento dos mais acalorados do debate, a presidenta reagiu respondendo que teve que dispensar, também por má conduta, pessoa indicada por Marina quando ministra do Meio Ambiente, para ocupar cargo de sua estrita confiança.
Mais tarde Marina voltaria a atacar a presidenta, dizendo que são as pessoas que conduzem os destinos das instituições que, por seu comportamento e caráter, moldam os comportamentos que aquelas instituições irão adotar como padrão.
***
Mas, os embates mais inflamados foram travados entre Aécio, querendo bancar o esperto e tentando se apresentar como solidário à Marina, em relação aos ataques de que ela foi vítima do PT e tentando ainda cutucar a ex-senadora, lembrando que aquele comportamento já era o adotado pela sigla no governo desde quando a candidata fazia parte de seus quadros, desde a época em que atos de corrupção e roubalheira já eram cometidos.
Marina reagiu com firmeza e Aécio, tendo falado o que quis, foi forçado a ouvir o que não queria ou imaginava.
Era a primeira pergunta do debate, em sua primeira rodada, mas a partir daquele momento, Marina mostrou estar mais preparada que o candidato do PSDB para estar em um segundo turno, ao menos na minha avaliação.
Marina lembrou ao senador mineiro que também ele fez parte de partido que praticou atitudes como a compra de votos para assegurar a reeleição, e que também ele fez parte de partido que foi a matriz do mensalão petista. Apenas que, ao contrário dela, que sempre foi voz destoante no partido, e que deixou a sigla quando se tornou insuportável o convívio com aquele tipo de práticas, Aécio nunca falou, nunca criticou, nem nunca pareceu se importar com as práticas escusas de seu PSDB, como se as críticas só valessem para os outros. Como se o senador ou seu partido, quando beneficiário dos desmandos, não achasse nada de anormal a adoção de comportamento tão reprovável.
Em outras oportunidades posteriores, novamente Aécio teve sua esperteza corroída por uma Marina mais disposta e mais bem preparada para avançar na disputa eleitoral.
Aécio só se saiu muito bem quando teve como oponente o Pastor Everaldo, nitidamente agindo no debate como linha auxiliar do candidato tucano.
***
E a diversão e os momentos de maior desequilíbrio do debate, como não poderia deixar de ser ficaram a cargo do nanico - sob todos os aspectos que se queira interpretar o adjetivo, Levy Fidélix.
Mas desse, fora o show de impropérios e histrionismo de que foi protagonista, não cabe falar muito. Afinal, desde que foi descoberto na Matemática, todos sabem que o zero à esquerda é apenas isso: a representação do que significa um conjunto vazio.
***
Eduardo Jorge e Luciana Genro participaram do debate de forma quase que simbólica, dadas as regras adotadas, e que destacaram sempre os candidatos melhor colocados nas pesquisas de intenção de voto.
Louve-se a fala final de Luciana, que chegou a arrancar aplausos da plateia, assim como a fala de despedida de Aécio.
Sem arrancar qualquer tipo de reação da plateia, também merece comentário a fala final de Dilma, mais uma vez falando como presidenta de todos os brasileiros e muito diferente da imagem da lutadora de MMA que tantas vezes a imprensa tentou colar em Dilma.
A presidenta, é forçoso reconhecer, estava mais para Dilminha Paz e Amor.
***
Em relação ao efeito do debate nas pesquisas, que indicavam ontem a possibilidade de um empate técnico entre Marina e Aécio, ao menos na metodologia do Datafolha, creio que muito pouco será alterado até o próximo domingo.
Afinal, Marina saiu-se muito melhor que o esperado e pode ter conquistado de forma definitiva a confiança dos que nutriam alguma simpatia por sua candidatura.
Isso não significa que Aécio irá sofrer perdas em sua intenção de votos. Apenas que irá estancar o avanço sobre os votos daqueles que não estavam levando tanta fé na capacidade de Marina encarnar o movimento anti-petista.
Ou seja: em minha avaliação, se não ultrapassou ou não alcançou os índices de Marina antes do debate, não será depois que tal movimento poderá ou deverá ser esperado.
***
Podendo se dar ao luxo de escolher o adversário com que se confrontar na realização de um eventual segundo turno, Dilma se propôs a fazer um debate com menos agressividade.
Por óbvio para todos os que viram o debate até seu final, foi a melhor participação de nossa presidenta na série de debates realizados, desde o primeiro sob os auspícios da Band.
Em sua primeira fala, a presidenta deixou claro que iria fazer um discurso mais preocupada em apresentar propostas. E embora não apresentasse propostas novas, utilizou o seu tempo para, na maior parte das vezes, abordar as ações de seu governo, enfatizando a sua preocupação com a adoção de políticas de cunho social e a expansão da base de atendidos por tais programas.
Contou com a evidente colaboração de Eduardo Jorge que evitou questioná-la diretamente sob o tema que havia sido objeto de sorteio, a corrupção, para tratar de questões relativas ao estado do Rio de Janeiro, com conteúdo menos desgastante para a presidenta.
Contou também com o reconhecimento da qualidade de algumas boas ideias e alguns programas de seu governo, tanto do candidato do PV quanto do próprio Aécio.
De Eduardo Jorge, por exemplo, chegou a receber elogios por ter implantado o programa Aqui tem farmácia popular, fruto de projeto apresentado ao Congresso, de sua autoria.
De Aécio, recebeu elogios pela junção de vários programas sociais em um único, de abrangência maior e mais universal, menos focada, como o Bolsa Família.
Curiosamente, os maiores ataques de que foi alvo foram dirigidos por Luciana Genro, insistindo sempre na questão de que os aliados de Dilma, por serem de perfil mais à direita, conservadores e, inclusive grandes financiadores de sua campanha acabavam sendo os principais responsáveis por certos silêncios da petista, certas reticências, certos temas tratados como tabus ou não tratados, e até mesmo certos desmandos ou malfeitos.
Luciana chegou a questionar se a presidenta não atribuía aos seus aliados à direita, a fonte da corrupção em seu governo.
Mais uma vez Dilma saiu-se muito bem, lembrando não apenas das propostas que fez para aumentar o rigor na combate à corrupção, como lembrando que, seja a sigla que for, a corrupção não é atributo ou característica de um partido, mas de pessoas que podem estar em qualquer agremiação, e que compete ao país democrático e sério, criar as condições que fortaleçam as instituições para que elas tenham meios de identificar, coibir e punir de forma exemplar aos corruptos.
Por ser tabu, mais não disse sobre a questão do outro lado do balcão: os corruptores.
***
De Aécio recebeu principalmente críticas por ter transformado a Petrobras, e outras empresas estatais em meros aparelhos a serviço do PT.
O político do PSDB, portando um documento que dizia ser a ata relativa à última assembléia do Conselho da Petrobras com a presença de Paulo Roberto Costa como membro de seus quadros, mostrou que, ao contrário do que dizia a presidenta, o ex-diretor não foi exonerado do cargo, mas solicitou sua renúncia, tendo sido cumprimentado em ata, por relevantes serviços à companhia nos doze anos que esteve em sua direção.
Na oportunidade Dilma rebateu, apresentando transcrição de trecho do depoimento do ex-diretor ao Congresso, relatando sua conversa com o ministro a que era subordinado e que culminou com a apresentação de sua carta de renúncia.
Como se sabe, é praxe nos serviços públicos que qualquer dirigente peça para sair, antes de ser defenestrado do cargo que ocupa e foi exatamente essa "elegância" de procedimento que Dilma usou a seu favor.
Não convenceu. Mas Aécio não soube aproveitar. Talvez por ter de admitir que o diretor era funcionário de carreira da empresa, onde chegou a ocupar cargos gerenciais na própria gestão do PSDB. Mas, a pergunta que deveria ter sido feita e não foi é relativa a que tipo de procedimentos estão em curso na Petrobras, para exonerar do cargo, ou então, cortar salários e/ou até mesmo aposentadorias de um funcionário que foi pego cometendo ilícitos.
Curiosamente, não entendo porque ninguém levanta esse tipo de questão, em minha percepção mais importante punição para um funcionário que, em dado momento do tempo passou a cometer irregularidades como as cometidas.
***
Dessa situação, trazida à baila por Aécio, valeu-se também Marina para atacar a presidenta. E, em momento dos mais acalorados do debate, a presidenta reagiu respondendo que teve que dispensar, também por má conduta, pessoa indicada por Marina quando ministra do Meio Ambiente, para ocupar cargo de sua estrita confiança.
Mais tarde Marina voltaria a atacar a presidenta, dizendo que são as pessoas que conduzem os destinos das instituições que, por seu comportamento e caráter, moldam os comportamentos que aquelas instituições irão adotar como padrão.
***
Mas, os embates mais inflamados foram travados entre Aécio, querendo bancar o esperto e tentando se apresentar como solidário à Marina, em relação aos ataques de que ela foi vítima do PT e tentando ainda cutucar a ex-senadora, lembrando que aquele comportamento já era o adotado pela sigla no governo desde quando a candidata fazia parte de seus quadros, desde a época em que atos de corrupção e roubalheira já eram cometidos.
Marina reagiu com firmeza e Aécio, tendo falado o que quis, foi forçado a ouvir o que não queria ou imaginava.
Era a primeira pergunta do debate, em sua primeira rodada, mas a partir daquele momento, Marina mostrou estar mais preparada que o candidato do PSDB para estar em um segundo turno, ao menos na minha avaliação.
Marina lembrou ao senador mineiro que também ele fez parte de partido que praticou atitudes como a compra de votos para assegurar a reeleição, e que também ele fez parte de partido que foi a matriz do mensalão petista. Apenas que, ao contrário dela, que sempre foi voz destoante no partido, e que deixou a sigla quando se tornou insuportável o convívio com aquele tipo de práticas, Aécio nunca falou, nunca criticou, nem nunca pareceu se importar com as práticas escusas de seu PSDB, como se as críticas só valessem para os outros. Como se o senador ou seu partido, quando beneficiário dos desmandos, não achasse nada de anormal a adoção de comportamento tão reprovável.
Em outras oportunidades posteriores, novamente Aécio teve sua esperteza corroída por uma Marina mais disposta e mais bem preparada para avançar na disputa eleitoral.
Aécio só se saiu muito bem quando teve como oponente o Pastor Everaldo, nitidamente agindo no debate como linha auxiliar do candidato tucano.
***
E a diversão e os momentos de maior desequilíbrio do debate, como não poderia deixar de ser ficaram a cargo do nanico - sob todos os aspectos que se queira interpretar o adjetivo, Levy Fidélix.
Mas desse, fora o show de impropérios e histrionismo de que foi protagonista, não cabe falar muito. Afinal, desde que foi descoberto na Matemática, todos sabem que o zero à esquerda é apenas isso: a representação do que significa um conjunto vazio.
***
Eduardo Jorge e Luciana Genro participaram do debate de forma quase que simbólica, dadas as regras adotadas, e que destacaram sempre os candidatos melhor colocados nas pesquisas de intenção de voto.
Louve-se a fala final de Luciana, que chegou a arrancar aplausos da plateia, assim como a fala de despedida de Aécio.
Sem arrancar qualquer tipo de reação da plateia, também merece comentário a fala final de Dilma, mais uma vez falando como presidenta de todos os brasileiros e muito diferente da imagem da lutadora de MMA que tantas vezes a imprensa tentou colar em Dilma.
A presidenta, é forçoso reconhecer, estava mais para Dilminha Paz e Amor.
***
Em relação ao efeito do debate nas pesquisas, que indicavam ontem a possibilidade de um empate técnico entre Marina e Aécio, ao menos na metodologia do Datafolha, creio que muito pouco será alterado até o próximo domingo.
Afinal, Marina saiu-se muito melhor que o esperado e pode ter conquistado de forma definitiva a confiança dos que nutriam alguma simpatia por sua candidatura.
Isso não significa que Aécio irá sofrer perdas em sua intenção de votos. Apenas que irá estancar o avanço sobre os votos daqueles que não estavam levando tanta fé na capacidade de Marina encarnar o movimento anti-petista.
Ou seja: em minha avaliação, se não ultrapassou ou não alcançou os índices de Marina antes do debate, não será depois que tal movimento poderá ou deverá ser esperado.
***
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Um Galo melancólico de branco e a expectativa do debate de hoje
Mais uma vez, jogando com o fatídico uniforme todo branco, o Atlético enfrentou na noite de ontem o Corínthians no Itaquerão pela Copa do Brasil, saindo derrotado pelo placar de 2 a zero.
Infelizmente, por compromissos de aula, só pude assistir ao segundo tempo do jogo, em que o Galo abusou de trocar passes, especialmente de errar passes - com Tardelli se destacando nesse quesito, e não conseguiu levar qualquer perigo ao gol de Cássio.
Aliás, cometi um engano. Houve sim, um único lance, em que Guilherme, poucos segundos antes de sair de campo, fez um lançamento espetacular para Dátolo pegar de primeira acertando a trave.
Muito pouco para qualquer time grande e menos ainda para um time que pudesse ter qualquer pretensão a avançar no torneio mata-mata. Ser campeão, então, nem se fala.
É verdade que o time do Galo sofre um desgaste significativo em razão de estar com mais jogadores no Departamento Médico que à disposição de Levir.
É também verdade que esse nosso calendário exige demais de todos os atletas, obrigados a disputarem partidas no meio e nos finais de semanas. Como também é verdade que todos os problemas vividos pelo Atlético são decorrência e responsabilidade de uma diretoria que abusou do direito de cometer erros.
Primeiro, desde o início da temporada, o erro em não antecipar o retorno dos jogadores para que pudessem fazer uma pré-temporada que permitisse ao menos dar um melhor condicionamento físico à equipe. Dessa forma, os jogadores se apresentaram com apenas 9 dias de antecedência do primeiro compromisso oficial, já pelo campeonato mineiro. Depois, e pior na minha opinião, o fato de não aproveitar a paralisação da Copa do Mundo para fazer um trabalho que não foi feito ao início da temporada, preferindo fazer uma excursão à China, para jogos do tipo caça -níquel que nem mesmo poderiam ser classificados como capazes de permitirem observações capazes de prepararem e entrosarem o time para o segundo semestre.
Em função de todo o desacerto, a vítima ontem foi Léo Silva, que teve de dar lugar a Edcarlos.
***
E, se o resultado da partida já não era bom para o Galo, melhor seria sair de campo com a derrota de um a zero.
Afinal, mesmo jogando em casa, reverter um placar de dois gols de diferença, embora não seja impossível, é muito mais complicado quando do lado contrário está um time que tem se notabilizado por jogar e obter empates e tomar poucos gols.
Agora, no próximo sábado, o time do Galo já volta a entrar em campo, desta feita para enfrentar o difícil time do Criciúma jogando em casa. Jogo importante para as pretensões do Galo de se manter no chamado G4, grupo dos que postulam uma vaga na Libertadores de 2015.
E jogo que se torna ainda difícil pela série de desfalques do time de Levir, agora também por suspensões.
Em Santa Catarina, não deverão jogar, além do elenco de jogadores no estaleiro, o lateral Marcos Rocha e Tardelli, o que para até tem um lado positivo, permitindo que haja mais tempo para a regeneração muscular dos atletas.
Mas vai ser uma pedreira, para dizer o mínimo. E tomara que o Atlético não venha com esse uniforme que já me deixa com a confiança lá em baixo, toda vez que o vejo desfilando no gramado.
***
Uma última observação: todo grande goleiro comete falhas e com Victor não seria diferente. E mais: creio que a saída completamente atabalhoada do goleirão que tem salvado o time em tantas oportunidades se deveu mais a uma insegurança provocada pela soma de bola levantada na área e a ausência de Leonardo Silva para subir com Guerrero.
Dizer que Victor tem crédito com a torcida é completamente desnecessário. Ele tem a confiança de todos nós e de seus companheiros de equipe, o que permite a ele assumir com grande tranquilidade sua falha no jogo de ontem.
Pena que foi uma falha contra o Corínthians, em São Paulo, em um jogo decisivo para que o time possa avançar em busca da tentativa de conquista do inédito título da Copa do Brasil.
***
Debate na Globo: é hoje que as últimas fichas serão lançadas
Com a mesma expectativa que costuma cercar os jogos decisivos ou os grandes clássicos de nossos torneios, o último debate entre os postulantes à presidência da República nos momentos finais da propaganda eleitoral que antecede o primeiro turno acontece na noite de hoje, pela Globo.
Se de um lado pode-se esperar uma troca de farpas e agressões maior entre Marina e Aécio, na disputa do voto do eleitor indeciso, que os permitirá canalizar toda a insatisfação antipetista, e os conduzir ao segundo turno, pela primeira vez nessa campanha, podemos ver hoje uma presidenta bastante mais confortável.
Podendo escolher qual candidato preferia ter como adversário na realização eventual e cada vez mais provável de um segundo turno, Dilma pode pela primeira vez sair da defensiva e tratar olimpicamente aos dois oponentes, partindo para um discurso mais propositivo.
Isso não significa que não irá receber acusações e ataques de todos os lados. Ao contrário. A estratégia que provavelmente será utilizada pelos candidatos do PSB e do PSDB deve ser a de ver quem agride mais ao governo, para tentar conquistar o chamado "voto útil contra o PT".
Só que Dilma, sem deixar de dar respostas à altura das acusações formuladas não precisa de partir para o ataque de forma agressiva. Basta responder no mesmo tom em que for feito o ataque.
O que convenhamos é muito difícil e complicado para quem é tão sem jogo de cintura e tem um comportamento tão ruim quanto Dilma, ao falar em público.
Por outro lado, dependendo de sua postura ao longo do debate, a presidenta poderá eliminar a necessidade de um segundo turno, embora essa hipótese seja cada vez mais remota.
Remota ou não, a hipótese existe. E Dilma pode se aproveitar de alguns resultados positivos que vêm sendo divulgados pela imprensa, como o da taxa de desemprego muito baixa em agosto, ou da melhoria de desempenho da indústria.
Por outro lado, sem dúvida a questão dos Correios e do uso daquela empresa em prejuízo da campanha eleitoral de candidatos contrários ao governo será destaque no debate.
E disso se aproveitarão todos que vêm há muito, acusando o aparelhamento da máquina pública pelo modo companheiro de governar.
Uma questão fica no ar, e dela deverá se aproveitar a candidata á reeleição: qual a veracidade de um vídeo, destinado a prejudicar o partido, feito e gravado por um deputado da própria agremiação?
Mas, como esse tipo de pergunta não costuma ser feita pela imprensa esse é um assunto que poderá pautar grande parte dos ataques ao governo na noite de hoje.
O jeito é aguardar pelo debate. Com a mesma expectativa que costuma cercar os momentos que antecipam a um jogo importante de futebol.
***
STJD e as punições
Como já havíamos abordado em comentário anterior, a punição a Atlético e Cruzeiro pelo STJD foi a mais branda possível. A perda de um único mando de campo foi pena bastante leve frente à pena esperada e comentada de mais de 20 jogos. Mais pesada foi a multa de R$ 50 mil.
Mas, se acabou se mostrando surpreendente, a decisão não deve causar maiores espantos para tanto desmando que vem sendo praticado por esse tribunal.
Afinal, quem pune uma agressão verbal a um árbitro com mais rigor que a pena aplicada a outro jogador que agrediu a um colega de profissão, casos de Sheik e Valdívia respectivamente, mostra bem que nem por esporte aquele colegiado pode ser levado a sério.
Aliás, seriedade que os próprios julgadores não mostram possuir, quando transformam-se em tietes e vão ficar babando ovo de um Emerson Sheik como ocorreu no julgamento realizado nessa semana.
Vergonha, é isso.
Infelizmente, por compromissos de aula, só pude assistir ao segundo tempo do jogo, em que o Galo abusou de trocar passes, especialmente de errar passes - com Tardelli se destacando nesse quesito, e não conseguiu levar qualquer perigo ao gol de Cássio.
Aliás, cometi um engano. Houve sim, um único lance, em que Guilherme, poucos segundos antes de sair de campo, fez um lançamento espetacular para Dátolo pegar de primeira acertando a trave.
Muito pouco para qualquer time grande e menos ainda para um time que pudesse ter qualquer pretensão a avançar no torneio mata-mata. Ser campeão, então, nem se fala.
É verdade que o time do Galo sofre um desgaste significativo em razão de estar com mais jogadores no Departamento Médico que à disposição de Levir.
É também verdade que esse nosso calendário exige demais de todos os atletas, obrigados a disputarem partidas no meio e nos finais de semanas. Como também é verdade que todos os problemas vividos pelo Atlético são decorrência e responsabilidade de uma diretoria que abusou do direito de cometer erros.
Primeiro, desde o início da temporada, o erro em não antecipar o retorno dos jogadores para que pudessem fazer uma pré-temporada que permitisse ao menos dar um melhor condicionamento físico à equipe. Dessa forma, os jogadores se apresentaram com apenas 9 dias de antecedência do primeiro compromisso oficial, já pelo campeonato mineiro. Depois, e pior na minha opinião, o fato de não aproveitar a paralisação da Copa do Mundo para fazer um trabalho que não foi feito ao início da temporada, preferindo fazer uma excursão à China, para jogos do tipo caça -níquel que nem mesmo poderiam ser classificados como capazes de permitirem observações capazes de prepararem e entrosarem o time para o segundo semestre.
Em função de todo o desacerto, a vítima ontem foi Léo Silva, que teve de dar lugar a Edcarlos.
***
E, se o resultado da partida já não era bom para o Galo, melhor seria sair de campo com a derrota de um a zero.
Afinal, mesmo jogando em casa, reverter um placar de dois gols de diferença, embora não seja impossível, é muito mais complicado quando do lado contrário está um time que tem se notabilizado por jogar e obter empates e tomar poucos gols.
Agora, no próximo sábado, o time do Galo já volta a entrar em campo, desta feita para enfrentar o difícil time do Criciúma jogando em casa. Jogo importante para as pretensões do Galo de se manter no chamado G4, grupo dos que postulam uma vaga na Libertadores de 2015.
E jogo que se torna ainda difícil pela série de desfalques do time de Levir, agora também por suspensões.
Em Santa Catarina, não deverão jogar, além do elenco de jogadores no estaleiro, o lateral Marcos Rocha e Tardelli, o que para até tem um lado positivo, permitindo que haja mais tempo para a regeneração muscular dos atletas.
Mas vai ser uma pedreira, para dizer o mínimo. E tomara que o Atlético não venha com esse uniforme que já me deixa com a confiança lá em baixo, toda vez que o vejo desfilando no gramado.
***
Uma última observação: todo grande goleiro comete falhas e com Victor não seria diferente. E mais: creio que a saída completamente atabalhoada do goleirão que tem salvado o time em tantas oportunidades se deveu mais a uma insegurança provocada pela soma de bola levantada na área e a ausência de Leonardo Silva para subir com Guerrero.
Dizer que Victor tem crédito com a torcida é completamente desnecessário. Ele tem a confiança de todos nós e de seus companheiros de equipe, o que permite a ele assumir com grande tranquilidade sua falha no jogo de ontem.
Pena que foi uma falha contra o Corínthians, em São Paulo, em um jogo decisivo para que o time possa avançar em busca da tentativa de conquista do inédito título da Copa do Brasil.
***
Debate na Globo: é hoje que as últimas fichas serão lançadas
Com a mesma expectativa que costuma cercar os jogos decisivos ou os grandes clássicos de nossos torneios, o último debate entre os postulantes à presidência da República nos momentos finais da propaganda eleitoral que antecede o primeiro turno acontece na noite de hoje, pela Globo.
Se de um lado pode-se esperar uma troca de farpas e agressões maior entre Marina e Aécio, na disputa do voto do eleitor indeciso, que os permitirá canalizar toda a insatisfação antipetista, e os conduzir ao segundo turno, pela primeira vez nessa campanha, podemos ver hoje uma presidenta bastante mais confortável.
Podendo escolher qual candidato preferia ter como adversário na realização eventual e cada vez mais provável de um segundo turno, Dilma pode pela primeira vez sair da defensiva e tratar olimpicamente aos dois oponentes, partindo para um discurso mais propositivo.
Isso não significa que não irá receber acusações e ataques de todos os lados. Ao contrário. A estratégia que provavelmente será utilizada pelos candidatos do PSB e do PSDB deve ser a de ver quem agride mais ao governo, para tentar conquistar o chamado "voto útil contra o PT".
Só que Dilma, sem deixar de dar respostas à altura das acusações formuladas não precisa de partir para o ataque de forma agressiva. Basta responder no mesmo tom em que for feito o ataque.
O que convenhamos é muito difícil e complicado para quem é tão sem jogo de cintura e tem um comportamento tão ruim quanto Dilma, ao falar em público.
Por outro lado, dependendo de sua postura ao longo do debate, a presidenta poderá eliminar a necessidade de um segundo turno, embora essa hipótese seja cada vez mais remota.
Remota ou não, a hipótese existe. E Dilma pode se aproveitar de alguns resultados positivos que vêm sendo divulgados pela imprensa, como o da taxa de desemprego muito baixa em agosto, ou da melhoria de desempenho da indústria.
Por outro lado, sem dúvida a questão dos Correios e do uso daquela empresa em prejuízo da campanha eleitoral de candidatos contrários ao governo será destaque no debate.
E disso se aproveitarão todos que vêm há muito, acusando o aparelhamento da máquina pública pelo modo companheiro de governar.
Uma questão fica no ar, e dela deverá se aproveitar a candidata á reeleição: qual a veracidade de um vídeo, destinado a prejudicar o partido, feito e gravado por um deputado da própria agremiação?
Mas, como esse tipo de pergunta não costuma ser feita pela imprensa esse é um assunto que poderá pautar grande parte dos ataques ao governo na noite de hoje.
O jeito é aguardar pelo debate. Com a mesma expectativa que costuma cercar os momentos que antecipam a um jogo importante de futebol.
***
STJD e as punições
Como já havíamos abordado em comentário anterior, a punição a Atlético e Cruzeiro pelo STJD foi a mais branda possível. A perda de um único mando de campo foi pena bastante leve frente à pena esperada e comentada de mais de 20 jogos. Mais pesada foi a multa de R$ 50 mil.
Mas, se acabou se mostrando surpreendente, a decisão não deve causar maiores espantos para tanto desmando que vem sendo praticado por esse tribunal.
Afinal, quem pune uma agressão verbal a um árbitro com mais rigor que a pena aplicada a outro jogador que agrediu a um colega de profissão, casos de Sheik e Valdívia respectivamente, mostra bem que nem por esporte aquele colegiado pode ser levado a sério.
Aliás, seriedade que os próprios julgadores não mostram possuir, quando transformam-se em tietes e vão ficar babando ovo de um Emerson Sheik como ocorreu no julgamento realizado nessa semana.
Vergonha, é isso.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Pimenta histérico passa a ideia de um Pimentel mais bem preparado. Novas pesquisas e o mesmo resultado recente
Definitivamente o desespero tomou conta do candidato ao governo do Estado de Minas Gerais, Pimenta da Veiga. Ao menos a julgar por seu comportamento ontem, francamente agressivo, para não dizer que completamente desequilibrado. Descontrolado.
E, se Pimenta perdeu as estribeiras, encontrou do outro lado um adversário que aproveitou-se de todo o descontrole do candidato do PSDB para mostrar serenidade, tranquilidade, autocontrole. Justo o contrário da postura do candidato da situação.
Assim não foi muito difícil para Pimentel acabar assumindo a postura de um candidato com um discurso propositivo, mesmo que em alguns instantes suas propostas não fossem, como normalmente acontece, apenas uma lista de intenções.
E embora pudesse tripudiar até do destempero e despreparo mostrado por Pimenta, o candidato oposicionista acabou poupando-o. Foi assim quando questionado sobre sua derrota para o Senado, na primeira oportunidade em que se candidatou depois de ter deixado a Prefeitura da Capital.
Pimentel lembrou que estava concorrendo contra Aécio e Itamar, figuras de expressão e respeito político. Lembrou que perdeu mas que tinha imenso respeito pelos eleitos e pelo voto do povo mineiro que preferiu escolher Itamar, que infelizmente veio a falecer pouco depois, e Aécio, que pouco frequentava tanto do estado de Minas quanto o próprio Senado. Acrescentou, ainda, que essa derrota, natural de qualquer eleição, não tinha qualquer relação com a atual eleição e com o que deveria estar sendo objeto de debate.
Não satisfeito com a resposta elegante que Pimentel havia lhe dado, Pimenta investiu contra a "derrota" eleitoral de seu oponente, ao ocupar o cargo de Ministro do Desenvolvimento na gestão Dilma, que já havia sido objeto de estranhamento de Pimentel em sua resposta original, já que como se sabe, não o que se falar de eleição quando se trata de escolha de ministros.
Na verdade, o que Pimenta da Veiga queria era a oportunidade para criticar a política econômica do governo Dilma, responsabilizando o candidato petista, por estarmos apresentando uma taxa de crescimento mínima do PIB, de estarmos em quadro que poderia ser caracterizado de recessão técnica, por estarmos com um resultado em conta de transações correntes negativo e excessivamente preocupante. Por estarmos com os índices de inflação elevados.
Mais uma vez, essa insistência deu oportunidade a que Pimentel evocasse a questão da crise internacional, e da preocupação social mais que econômica da presidenta Dilma, focada mais em assegurar a manutenção dos níveis de emprego, e nas conquistas sociais do povo.
***
O que Pimentel poderia ter feito a mais, em sua resposta?
Lembrado talvez que Pimenta por estar fazendo uma gestão considerada boa na Prefeitura da Capital, foi mordido pela mosca azul do poder e que, iludido ou inebriado com seu próprio êxito, resolveu lançar-na a disputa para o governo do Estado, mesmo contra a opinião e vontade de quantos haviam o conduzido, pelo voto, à Prefeitura.
Resultado: Pimenta também foi derrotado, em derrota que o fez abandonar por algum tempo, qualquer projeto de concorrer a ou postular a cargo majoritário.
Mas, Pimentel preferiu o silêncio. Embora a derrota de Pimenta da Veiga já tenha ocorrido há tanto tempo que parte do eleitorado pode não ter a lembrança de tal eleição.
A insistência de Pimenta de que ele havia sido derrotado, como se isso o desabonasse, já que o povo não o apoiava, Pimentel evitou ridicularizar a Pimenta, fazendo qualquer menção a que, gostaria de voltar a conversar com o candidato da situação depois de vê-lo amargar, como as pesquisas de intenção de voto o indicam, uma derrota no próximo domingo.
Enfim, Pimentel deu um show de elegância. E cada vez mais que se exasperava, Pimenta dava um show de incapacidade para enfrentar situações que lhe exijam controle dos nervos.
***
Quanto aos demais participantes do debate, mais uma vez Tarcísio Delgado teve condições de atirar tanto contra um lado, como contra o outro. E, convenhamos que o fez bem.
Criticou tanto a política econômica de Dilma e seu crescimento econômico pífio, quanto a incapacidade do governo estadual resolver o problema da criminalidade que, em sua opinião é o principal motivo que tem afugentado empresas e empresários de virem investir em Minas.
Tanto responsabilizou o governo pela manutenção de uma carga tributária elevada no estado, quanto o próprio Pimentel, por estar praticando uma política no Ministério, que não trouxe qualquer benefício para o estado que ele, agora, deseja governar.
Atirando para todo o canto, pode colocar o nome de Marina no debate, como seus oponentes também fizeram questão de salientar suas vinculações com os candidatos a presidente de sua sigla.
Apenas se empolgou demais em alguns instantes, como na sua fala final inclusive, que por tal motivo, não pode ser completada.
***
Fidélis, mais uma vez mas com menos ênfase pode mostrar todo o radicalismo do partido pelo qual concorre. Radical no sentido de ir à raiz das questões e dos problemas que examina, como Luciana Genro tem feito questão de destacar.
Fidelis teve êxito a cada vez que manifestou-se sobre a questão do financiamento de campanha, e seus efeitos sobre aqueles partidos e governantes que se tornam ungidos, em relação a seus financiadores.
Como se sabe, essa é sem dúvida uma das mais importantes questões que estão na raiz do problema da corrupção, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Claro, não é a única razão, já que a corrupção assume distintas e variadas formas. Mas que é uma questão importante e que, como o candidato do PSOL deixou claro, impede que alguns candidatos tenham liberdade inclusive de tratar de questões que, mesmo importantes para a vida do eleitor, possam contrariar interesses dos financiadores.
Fidelis também não deixou de alfinetar a ambos os partidos que vêm ocupando as primeiras colocações nas pesquisas de intenção de voto, sempre lembrando que ambos partem de uma mesma matriz de comportamento, matriz que já se comprovou, desde julho do ano passado, contrária aos interesses da classe trabalhadora, da população em geral, mas completamente afinada aos interesses da classe empresarial.
***
E assim foi o debate, na minha avaliação, apenas para permitir, àqueles que ainda tinham qualquer dúvida, constatar que Pimenta da Veiga já se comporta como derrotado. o que o tem tirado do sério e o tem levado a adotar um comportamento apelativo, bem ao contrário das tradições que ele mesmo tanto destaca, como característico do comportamento do mineiro.
***
Novas pesquisas, e resultados cada vez mais estáveis
Continuo achando que será muito difícil que Aécio consiga, a julgar pela estabilidade demonstrada pela tendência das pesquisas de intenções de votos. alcançar a candidata Marina da Silva, nessa reta final.
Para usar uma metáfora bem ao gosto do ex-presidente Lula, extraída do futebol, se o time dele tivesse talvez mais 15 minutos de jogo, seria até possível que ocorresse uma virada.
Entretanto o jogo já vai se aproximando do esgotamento do tempo final, e parece que não haverá qualquer acréscimo de tempo.
Bem, tudo pode acontecer, tanto no futebol quanto na vida. E, eleições também são uma caixinha de surpresas.
Como se afirma, em geral, o resultado de eleição e mineração, só depois da apuração.
Mas, para que houvesse uma reversão dos 6 pontos percentuais que Marina mantém de distância de Aécio, seria necessário que o debate de amanhã na Globo fosse o palco em que o candidato do PSDB pudesse brilhar e dar o maior show.
Claro, contando ainda com o fato de que Marina teria de ser o seu oposto e ser um fiasco.
Com Marina tendo de bater agora em Aécio, razão porque escolheu no comício de ontem partir de forma agressiva para cima de Dilma, afirmando que Dilma sabia e, portanto compactuava com os desmandos que ocorriam na Petrobrás, ela se liberou para partir para cima da candidatura do PSDB.
Aécio, tendo que reagir, terá que avançar mais sobre Marina que sobre Dilma, muito distante para que sua munição possa vir a atingi-la nesse momento da disputa.
Com isso, Dilma pode assumir na Globo, o mesmo comportamento de Pimentel, de ver, de longe, o circo pegar fogo e seus oponentes se digladiarem.
Dependendo de seu comportamento e de sua postura mais simpática e menos arrogante ou de menina birrenta no debate, poderá até cativar aqueles que ainda insistem em não querer afirmar seu voto, fechando a disputa ainda no primeiro turno.
***
São todas conjecturas. Mas a mais plausível permanece sendo a de realização de um segundo turno, opondo de um lado a candidata à reeleição, Dilma, e de outro sua ex-companheira de partido e até de governo: Marina Silva.
E, se Pimenta perdeu as estribeiras, encontrou do outro lado um adversário que aproveitou-se de todo o descontrole do candidato do PSDB para mostrar serenidade, tranquilidade, autocontrole. Justo o contrário da postura do candidato da situação.
Assim não foi muito difícil para Pimentel acabar assumindo a postura de um candidato com um discurso propositivo, mesmo que em alguns instantes suas propostas não fossem, como normalmente acontece, apenas uma lista de intenções.
E embora pudesse tripudiar até do destempero e despreparo mostrado por Pimenta, o candidato oposicionista acabou poupando-o. Foi assim quando questionado sobre sua derrota para o Senado, na primeira oportunidade em que se candidatou depois de ter deixado a Prefeitura da Capital.
Pimentel lembrou que estava concorrendo contra Aécio e Itamar, figuras de expressão e respeito político. Lembrou que perdeu mas que tinha imenso respeito pelos eleitos e pelo voto do povo mineiro que preferiu escolher Itamar, que infelizmente veio a falecer pouco depois, e Aécio, que pouco frequentava tanto do estado de Minas quanto o próprio Senado. Acrescentou, ainda, que essa derrota, natural de qualquer eleição, não tinha qualquer relação com a atual eleição e com o que deveria estar sendo objeto de debate.
Não satisfeito com a resposta elegante que Pimentel havia lhe dado, Pimenta investiu contra a "derrota" eleitoral de seu oponente, ao ocupar o cargo de Ministro do Desenvolvimento na gestão Dilma, que já havia sido objeto de estranhamento de Pimentel em sua resposta original, já que como se sabe, não o que se falar de eleição quando se trata de escolha de ministros.
Na verdade, o que Pimenta da Veiga queria era a oportunidade para criticar a política econômica do governo Dilma, responsabilizando o candidato petista, por estarmos apresentando uma taxa de crescimento mínima do PIB, de estarmos em quadro que poderia ser caracterizado de recessão técnica, por estarmos com um resultado em conta de transações correntes negativo e excessivamente preocupante. Por estarmos com os índices de inflação elevados.
Mais uma vez, essa insistência deu oportunidade a que Pimentel evocasse a questão da crise internacional, e da preocupação social mais que econômica da presidenta Dilma, focada mais em assegurar a manutenção dos níveis de emprego, e nas conquistas sociais do povo.
***
O que Pimentel poderia ter feito a mais, em sua resposta?
Lembrado talvez que Pimenta por estar fazendo uma gestão considerada boa na Prefeitura da Capital, foi mordido pela mosca azul do poder e que, iludido ou inebriado com seu próprio êxito, resolveu lançar-na a disputa para o governo do Estado, mesmo contra a opinião e vontade de quantos haviam o conduzido, pelo voto, à Prefeitura.
Resultado: Pimenta também foi derrotado, em derrota que o fez abandonar por algum tempo, qualquer projeto de concorrer a ou postular a cargo majoritário.
Mas, Pimentel preferiu o silêncio. Embora a derrota de Pimenta da Veiga já tenha ocorrido há tanto tempo que parte do eleitorado pode não ter a lembrança de tal eleição.
A insistência de Pimenta de que ele havia sido derrotado, como se isso o desabonasse, já que o povo não o apoiava, Pimentel evitou ridicularizar a Pimenta, fazendo qualquer menção a que, gostaria de voltar a conversar com o candidato da situação depois de vê-lo amargar, como as pesquisas de intenção de voto o indicam, uma derrota no próximo domingo.
Enfim, Pimentel deu um show de elegância. E cada vez mais que se exasperava, Pimenta dava um show de incapacidade para enfrentar situações que lhe exijam controle dos nervos.
***
Quanto aos demais participantes do debate, mais uma vez Tarcísio Delgado teve condições de atirar tanto contra um lado, como contra o outro. E, convenhamos que o fez bem.
Criticou tanto a política econômica de Dilma e seu crescimento econômico pífio, quanto a incapacidade do governo estadual resolver o problema da criminalidade que, em sua opinião é o principal motivo que tem afugentado empresas e empresários de virem investir em Minas.
Tanto responsabilizou o governo pela manutenção de uma carga tributária elevada no estado, quanto o próprio Pimentel, por estar praticando uma política no Ministério, que não trouxe qualquer benefício para o estado que ele, agora, deseja governar.
Atirando para todo o canto, pode colocar o nome de Marina no debate, como seus oponentes também fizeram questão de salientar suas vinculações com os candidatos a presidente de sua sigla.
Apenas se empolgou demais em alguns instantes, como na sua fala final inclusive, que por tal motivo, não pode ser completada.
***
Fidélis, mais uma vez mas com menos ênfase pode mostrar todo o radicalismo do partido pelo qual concorre. Radical no sentido de ir à raiz das questões e dos problemas que examina, como Luciana Genro tem feito questão de destacar.
Fidelis teve êxito a cada vez que manifestou-se sobre a questão do financiamento de campanha, e seus efeitos sobre aqueles partidos e governantes que se tornam ungidos, em relação a seus financiadores.
Como se sabe, essa é sem dúvida uma das mais importantes questões que estão na raiz do problema da corrupção, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Claro, não é a única razão, já que a corrupção assume distintas e variadas formas. Mas que é uma questão importante e que, como o candidato do PSOL deixou claro, impede que alguns candidatos tenham liberdade inclusive de tratar de questões que, mesmo importantes para a vida do eleitor, possam contrariar interesses dos financiadores.
Fidelis também não deixou de alfinetar a ambos os partidos que vêm ocupando as primeiras colocações nas pesquisas de intenção de voto, sempre lembrando que ambos partem de uma mesma matriz de comportamento, matriz que já se comprovou, desde julho do ano passado, contrária aos interesses da classe trabalhadora, da população em geral, mas completamente afinada aos interesses da classe empresarial.
***
E assim foi o debate, na minha avaliação, apenas para permitir, àqueles que ainda tinham qualquer dúvida, constatar que Pimenta da Veiga já se comporta como derrotado. o que o tem tirado do sério e o tem levado a adotar um comportamento apelativo, bem ao contrário das tradições que ele mesmo tanto destaca, como característico do comportamento do mineiro.
***
Novas pesquisas, e resultados cada vez mais estáveis
Continuo achando que será muito difícil que Aécio consiga, a julgar pela estabilidade demonstrada pela tendência das pesquisas de intenções de votos. alcançar a candidata Marina da Silva, nessa reta final.
Para usar uma metáfora bem ao gosto do ex-presidente Lula, extraída do futebol, se o time dele tivesse talvez mais 15 minutos de jogo, seria até possível que ocorresse uma virada.
Entretanto o jogo já vai se aproximando do esgotamento do tempo final, e parece que não haverá qualquer acréscimo de tempo.
Bem, tudo pode acontecer, tanto no futebol quanto na vida. E, eleições também são uma caixinha de surpresas.
Como se afirma, em geral, o resultado de eleição e mineração, só depois da apuração.
Mas, para que houvesse uma reversão dos 6 pontos percentuais que Marina mantém de distância de Aécio, seria necessário que o debate de amanhã na Globo fosse o palco em que o candidato do PSDB pudesse brilhar e dar o maior show.
Claro, contando ainda com o fato de que Marina teria de ser o seu oposto e ser um fiasco.
Com Marina tendo de bater agora em Aécio, razão porque escolheu no comício de ontem partir de forma agressiva para cima de Dilma, afirmando que Dilma sabia e, portanto compactuava com os desmandos que ocorriam na Petrobrás, ela se liberou para partir para cima da candidatura do PSDB.
Aécio, tendo que reagir, terá que avançar mais sobre Marina que sobre Dilma, muito distante para que sua munição possa vir a atingi-la nesse momento da disputa.
Com isso, Dilma pode assumir na Globo, o mesmo comportamento de Pimentel, de ver, de longe, o circo pegar fogo e seus oponentes se digladiarem.
Dependendo de seu comportamento e de sua postura mais simpática e menos arrogante ou de menina birrenta no debate, poderá até cativar aqueles que ainda insistem em não querer afirmar seu voto, fechando a disputa ainda no primeiro turno.
***
São todas conjecturas. Mas a mais plausível permanece sendo a de realização de um segundo turno, opondo de um lado a candidata à reeleição, Dilma, e de outro sua ex-companheira de partido e até de governo: Marina Silva.
Assinar:
Postagens (Atom)