terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sabatina no Senado e a reunião de juros do COPOM

Teve início hoje a última reunião do COPOM deste ano. Para analistas do mercado, a taxa não deverá sofrer alteração, encerrando este 2010 no patamar dos 10,75% ao ano. A expectativa, é bom que se diga, reverteu-se depois da adoção pelo Banco Central das medidas destinadas a conter o crédito na semana passada, por meio da elevação do compulsório.
Para o mercado, ao tomar medidas de contenção do crédito e dos gastos, o BC ganhou tempo para patrocinar novos aumentos da SELIC, já que deve-se esperar um tempo para verificar como as decisões irão afetar o mercado e o consumo. Porque, para o mercado, as expectativas continuam indicando elevação da inflação.
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Por outro lado, hoje teve lugar também a sabatina a que deve se submeter todo aquele que foi indicado a ocupar a presidência ou algum cargo de diretoria do Banco Central.
Em seu discurso, Tombini vendeu a velha imagem e disposição de dar prosseguimento à política adotada por Meirelles, de cuja diretoria ele fez parte.
Falou da seriedade do Banco Central, de seu papel de assegurar a solvabilidade do sistema financeiro. De que irá tomar as medidas duras que forem necessárias para assegurar que o sistema não venha a correr riscos considerados exagerados. Falou o papel de supervisão prudencial do BC e defendeu as medidas de contenção do crédito, para evitar uma perda de controle, prometendo que o crédito deverá continuar elevando sua taxa de participação no PIB, apenas que em bases mais sustentadas.
Defendeu ainda a manutenção do programa de Metas Inflacionárias, mencionando a autonomia operacional do BC, que a presidenta Dilma lhe assegurou manter como baluarte do controle da inflação.
Falou da transparência do programa de metas e da preocupação em manter prosseguir com a política, no front externo, de formação de nosso colchão de reservas internacionais.
Em suma, nada diferente do que eram as expectativas do mercado, de forma a assegurar a aprovação pelo Senado, da nunca questionada indicação de qualquer nome para o exercício dessas funções.
Isso não significa que o nome de Tombini não seja um bom nome e que sua competência técnica não deva ser reconhecida.
Ao contrário, fala mais da própria qualidade de nosso Senado.
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Do outro lado do Planalto, o ministro Mantega prossegue prometendo cortes em gastos públicos que poderão vir a afetar o próprio conjunto de projetos do PAC.
Em meio a tal anúncio, o recado de que o salário mínimo não deve ser superior aos R$ 540,00 propostos pela equipe econômica e a venda da idéia de que, com as contas públicas melhor equacionadas, mais rapidamente os juros básicos de nossa economia poderão cair para níveis mais civilizados, melhorando a administração das contas públicas, das fontes de financiamento do projeto de desenvolvimento e da própria política cambial.

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