terça-feira, 11 de janeiro de 2011

IMPERDÍVEL: um presente; um livro; um soco no estômago!!!

O livro foi-me presenteado pelo Fernando B. Motta, amigo, ex-aluno. Ligou-me perguntando se teria um horário para recebê-lo numa tarde antes do Natal de 2010.
Comtinamos para a tarde do dia seguinte e ele apareceu no Banco, com um embrulho da Saraiva.
Depois de entregar-me o livro, e trocarmos algumas palavras e votos de felicidades, comentou que gostaria de saber minha opinião a respeito do livro. Se não estou enganado, queria o comentário no blog. Ou me deu a entender isso.
Após a leiitura de 2666, que encabeçava a fila, objeto de minha postagem ontem, e aproveitando ainda as merecidas férias, resolvi dedicar o final do dia de ontem à leitura de "A Corporação: A Busca Patológica por Lucro e Poder", de Joel Bakan. São Paulo. Novo Conceito Editora. 2008.
O que era para servir de entretenimento - eu começaria a ler ontem, e iria lendo aos poucos, acabou me consumindo. Devorando-me.
Agora à tarde temiei a leitura. Ávido para fazer algum comentário. Qualquer um, que seja capaz de servir para por fora a impressão que o  livro me causou: um verdadeiro soco no estômago.
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Ao término da leitura, a vontade que tive foi a de, a cada dia, postar alguma frase, algum parágrafo, alguma idéia ou pensamento extraído deste texto.
Não fossem as complicações com a questão dos direitos autorais, certamente me dedicaria a transcrever o texto claro, agradável, e imperdível para todos os que lidem na área da economia, dos mercados e de seu pretenso funcionamento perfeito, da administração e de sua última moda - a governança empresarial, da sociologia ou da psicologia, do direito empresarial, da filosofia, etc. etc.
Curioso, quis obter maiores informações do autor, apresentado na orelha como um professor de Direito da Universidade de British Columbia.
Entre outras referências, deparei-me com a de Ladislaou Dowbor, datado de julho de 2004, e cujas primeiras linhas, transcrevo abaixo:
"Trata-se de um livro e de um filme, pois sobre a base do livro de Joel Bakan foi produzido um documentário de 1:20h. Ambos de primeira qualidade.
Primeiro, sobre o filme: The Corporation, que saiu na televisão (HBO) em julho de 2004, constitui uma inovação, pois apesar de filme, pela densidade informativa e estrutura dos argumentos, equivale a um curso de economia internacional focando as empresas transnacionais. Raramente vi um trabalho desta qualidade. Conseguiram reunir a criatividade de Mike Moore (Tiros em Columbine, Fahrenheit 9/11), e aportes científicos de Joel Bakan, Howard Zinn, David Korten, Jeremy Rifkin, Noam Chomsky, ou seja, a primeira linha de uma geração de pesquisadores que decidiram ir além da sala de aula e do partido político, e se dirigir diretamente ao público. "
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Antes de mais nada, devo esclarecer que o livro não apresenta novidades para quem já tenha lido autores de tradição marxista, tantos os clássicos, como "O Capital Financeiro" de Rudolf  Hilferding, "Imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo" de Lênin, o capítulo 1 de Teoria da Dinâmica Econômica de Kalecki, "Custos e Preços", Maturidade e Estagnação no Capitalismo Americano" de Steindl,  ou ainda livros como "A Economia e o Objetivo Público" de Galbraith; os trabalhos de Stephen Hymer, sobre a Corporação Multinacional; "The Megacorp and Oligopoly" de Alfred Eichner (esses dois últimos autores mortos tão precocemente).
E, entre os autores nacionais,  Eduardo Augusto Guimarães e os trabalhos de Mário Possas, entre outros.
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Mas, o livro consegue, como o diz Dowbor ter um resultado que é:
"O resultado é brilhante, pois uma coisa é apresentar visões teóricas em livro, outra coisa é ver os argumentos ilustrados com falas diretas das pessoas envolvidas, com imagens dos impactos sociais ou ambientais e assim por diante. Temos pela primeira vez um poderoso instrumento didático e informativo sobre o mundo das corporações, instrumento que podemos utlizar em sala de aula, em conferências e reuniões técnicas. "
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Não nego que fui me informar sobre o autor, por receio de que pudesse ser acusado de um liberal, ou pior ainda, nos Estados Unidos, de ser um "radical" (eufemismo para designar qualquer pessoa com um mínimo de preocupação e curiosidade intelectual crítica).
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Indicado que fui para lecionar a disciplina de Microeconomia Industrial, no semestre letivo que se inicia agora em fevereiro, no Curso de Economia do Centro Universitário UNA, já antecipo àqueles que forem meus alunos que esse livro será leitura obrigatória, e base de trabalho semestral.
Para os amigos e leitores do blog, a q uem não posso, infelizmente, obrigar nenhuma leitura, fica minha sugestão. Veemente.
O livro é muito bom. E as verdades que diz, pela simplicidade e rudeza são mesmo um soco no estômago. Tiram o fôlego.
Mas valem a pena, como tudo que nos surpreende ou nos encanta.

Um comentário:

juliano VM disse...

Tomara que o Livro nao seja caro!?!?!?!?